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PELAS RUAS DE BELÉM


CANTA-FREGUÊS

BROCA NA HORA DA CHUVA

Nos meus tempos de marqueteiro havia uma peça chamada “canta-freguês”, bandeirolas, cantoneiras ou assemelhados que eram colocados nas gôndolas de supermercados, para atrair o “freguês” para o produto ali exposto. Os anglófilos preferiam de chamar “Shelf Talk”. Os estudiosos definem como “Peça de merchandising destinada a atrair a atenção do consumidor para ofertas, promoções, lançamentos ou algum benefício específico de um produto.”

Pois bem, para quem estiver na broca, na hora da chuva, ou procurando defender-se do chuveiral, como os que estão caindo estes dias/estas tardes pelas ruas de Belém, e estiver na avenida Governador José Malcher, entre as travessas Três de Maio e Nove de Janeiro, há um exemplo típico de um muito objetivo “canta-freguês”. Veja na foto:


Isso aí: uma lanchonete esperta que colocou na porta o chamado estimulador: “Choveu Entre Lanche” Na frente uma estante com alguns dos produtos vendidos pela casa. A teoria do marketing colocada na prática, em tamanho maior, envolvendo o prédio todo, “ofertado” ao cliente. Como só passei por lá de carro, ainda não tive a oportunidade de provar os petiscos da casa, mas qualquer dia vou lá... mesmo sem chova...

Na parte externa há um painel que às vezes está sem a estante na frente. Faz parte de uma campanha que existe naquela rua, há anos, de preservação das plantas e das árvores – tão maltratadas por alguns moradores e pelas ditas autoridades constituídas em poder para as defender. Veja aqui o painel:

 

Pedido-Reflexão - Amigo, você não é obrigado a amar os jardins mas você não tem o direito de quebrar as plantas...



Escrito por Fernando Jares às 17h48
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ÍTALO-PARAENSISMO

OLHA A PIZZA NA TAPIOCA!

Dia desses subverti a minha ordem no “Café da Fox”, o point de quem gosta de bons livros e filmes, lá no fundo da Livraria da Fox, na dr. Moraes – repete pelas ruas de Belém o que é tradição nas melhores boas livrarias: terem um espaço para os frequentadores degustarem um cafezinho e outras delícias, como a “Ateneo”, em Buenos Aires, com seu “Café Impresso”, a Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro, etc.

Mas não subverti inteiramente a tradição da tapioquinha com café. Pedi uma “Pizza Tapioca Mussarela” (R$ 9,90), como dizia o cardápio. Veio esta lindinha aqui:


A base era uma tapioca normal, isto é, a pizza foi montada sobre ela, na frigideira. Mas estava com toda a textura, sabor e aroma de pizza. Não era, portanto uma pizza com massa de tapioca, como o chef Paulo Martins chegou a fazer, mas desistiu porque, parece, dava um enorme trabalho conseguir a qualidade que ele exigia da massa.

Neste caso, a tapioca por baixo estava branquinha e macia, como qualquer boa tapioca. E aí? O processo é assim. Sobre a tapioca, na sua frigideira, são colocados os ingredientes da pizza, como muçarela, tomate, etc. Aí o conjunto é virado, ficando por cima a tapioca, derretendo a parte de baixo, que é a de cima na pizza que, desvirada, chega toda com cara de gostosa à mesa. É, portanto, uma pizza na tapioca.

 

Repetida para que você veja ao fundo o acompanhamento: um Suco de Cupuaçu (R$ 6,90). Mas não assim um simples suco de cupuaçu. Foi um suco, com uma textura que parecia daquele de caroço, que se fazia em casa, lembra dele? (Diz a Rita que até dava canseira na boca de tanto mastigar o caroço!) Tipo o da antiga sorveteria Santa Marta, que eu ia lá só para tomar o suco de cupu! Grosso, gostoso, fez a festa das minhas papilas gustativas.



Escrito por Fernando Jares às 18h34
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BUFFET DE DOMINGO

O BUFFET QUE VIROU TRADIÇÃO

Um dos mais tradicionais buffets entre os restaurantes de Belém é do “Lá Em Casa”. O dos domingos, então, nem falar. Alguém aí se lembra de um certo “Arroz com amendoim” que tinha aos domingos? É interessante ver os depoimentos de clientes da casa, no Facebook, etc. a lembrar dos tempos em que, ainda crianças, iam lá com os pais. Eu mesmo, já levei (e levo), lá duas gerações seguintes, filhas e netos. É ritualístico. Acho que não vai dar para levar a terceira geração, os bisnetos, mas com certeza irão lá... embora eu torça para leva-los, ou ser levado por eles...

Já contei aqui, em 2013, a experiência com um amigo, natural de Juruti, lá no oeste paraense que, vindo pela primeira vez a Belém, levei a este buffet – e a reação dele com o pato no tucupi. Para ler “De patos e filhotes encantando em pratos, ‘à sombra’ de bacurizeiros e mangueiras” clique aqui.

Um domingo destes fomos almoçar lá, Rita e eu.

Acomodamo-nos no canto à direita, bem na ponta próxima à porta para a área externa. Sabedores do processo de destruição gerencial/burocrática que assola a Estação das Docas há um tanto tempo, procuramos um lugar que fosse beneficiado por lufadas de vento da baia, quando se abria a porta, já que o ar condicionado foi destruído faz tempo! O fato é que não ficou tão quente como eu temia.

O buffet é disponível ao almoço, de segunda a sábado (R$ 61,00) e aos domingos e feriados (R$ 66,00).

Veja alguns dos pratos que estavam expostos por lá:

ARROZ PARAENSE

 

Um clássico da nova cozinha paraense. O prato é autoral, criação aqui da casa mesmo, do chef Paulo Martins (1946/2010), que pegou os ingredientes do tacacá e misturou com o arroz, isto é, colocou o arroz no lugar da goma e fez o que chamou, originalmente, de Arroz de Tacacá, que depois virou Arroz Paraense, cuja história já contei por estas linhas virtuais – hoje é praticamente um prato regional da cozinha paraense: tem em tudo que é aniversário, colação, casamento, etc. Um prato hoje extremamente popular pelas ruas de Belém.

TRIO CLÁSSICO

 

Imagine um trio verdadeiramente clássico da cozinha paraense: Vatapá Paraense, Pato no Tucupi e Maniçoba. Aqui no “Lá em Casa” são preservados como nas receitas de d. Anna Maria Martins, a mais importante cozinheira da tradição regional paraense, fundadora da casa, junto com o filho, o chef Paulo Martins, nos idos de 1972. Pode ser considerado o “altar principal” deste almoço. E a turma da cozinha sabe fazer a coisa com muita correção.

FILHOTE BEM ACOMPANHADO

 

Uma das melhores pedidas deste buffet é sempre o filhote, embora servido de variadas formas, conforme o dia. No post lincado acima ele fora preparado na chapa. Neste domingo era com “Molho de Alcaparras” – as alcaparras, milenarmente usadas em temperos, desde os romanos e gregos, adaptou-se muito bem no casamento com peixes amazônicos, avivando o sabor natural. O filhote é sempre imperdível, um dos pontos fortes de sempre no “Lá em Casa”.

São muitas as opções entre saladas e pratos quentes, como por exemplo, um “Camusquim de pirarucu”, aposto que você só conhecia de camarão...; o “Carneiro de Forno”, igualmente imperdível; “Filé Steak” e tantos outros. Mas olhe o próximo passo:

SOBREMESAS

 

Há diversas opções conforme seu gosto ou liberação de dieta, de banana assada a pudim de leite. Mas aí na foto estão três das principais tentações, atrações da bancada dos doces: O paraensíssimo “Monteiro Lopes” de desfazer na boca a cada mordida; uma anunciada também muito paraense “Torta de castanha e queijo”, onde faltou dizer na plaquinha que era de castanha-do-pará e também tinha cupuaçu! nham, nham, nham! e um dito Rocambole Colorido, que mais parecia um bordado, uma pintura, uma escultura, coisa assim, boa para o paladar e para os olhos. Mas, aqui pra nós, essa torta é imbatível. Ao escrever é água na boca, na hora, com o cérebro fornecendo o gostinho, he, he, he.

AÇAÍ

 

Uma das boas neste buffet é a presença do açaí, tanto no domingo como nos demais dias. Gosto dele sem açúcar, acompanhando os pratos. Mas também é uma boa pedida para encerrar os trabalhos, acolitando a sobremesa, com açúcar e farinha de tapioca, em frente ao porta-guardanapos que reproduz um açaizeiro.



Escrito por Fernando Jares às 15h39
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