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PELAS RUAS DE BELÉM


HERMANOS NA GRANDE ILHA

LA NACION MARAJOARA


Um dos principais jornais da Argentina, La Nacion, publicou uma excelente matéria sobre a ilha do Marajó, assinada pela apaixonada (pela ilha) jornalista Ana Schlimovich. Apaixonou-se como se apaixonam os que têm a felicidade de lá por os pés um dia na vida. Andou por todo lugar, descreveu tudo com detalhes, com correção, texto bem cuidado. A ilha, sua gente, seus costumes, suas delícias, seus guarás, seus búfalos, sua comida, suas praias, está tudo lá, pronto a estimular nuestros hermanos a visitarem a grande ilha.

 

O roteiro percorrido na ilha vai do caldo de turu ao casquinho de caranguejo recolhido na hora, no mangue ao lado... Só lá que tem isso. Tem a dança do carimbo e o artesanato local, que é único e muito exclusivo, descendente de uma cerâmica milenar... Tem as paisagens exclusivas, inclusive ribeirinhas, como esta abaixo, retratando a vida simples dos ribeirinhos (Foto: Shutterstock) imagem que captei no sítio eletrônico desse jornal (para ler a matéria completa, no original, clique aqui):


Com muita naturalidade ele encontrou uma das mais belas e apaixonantes riquezas da ilha, os milhares de guarás, essas lindezas que voam por lá todos os dias, especialmente no final da tarde, quando retornam aos seus ninhais: “vuelan los guarás, unas garzas rojas fluorescentes que parecen teñidas con tinta artificial”.

As lindas praias marajoaras também comparecem, como na foto abaixo, (foto: La Nacion AFP):


Olhando bem na praia, sobrevoam outros pássaros que não os guarás tão queridos da jornalista/visitante, mas uns simpáticos urubus, avoantes marcantes por estas bandas do país, aliás, marca registrada aqui pelas ruas de Belém, especialmente no mercado do Ver-o-Peso.

Valeu!



Escrito por Fernando Jares às 18h47
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COLETA DE ALIMENTOS

PELA CULTURA DO ENCONTRO E DA PARTILHA

Milhares de voluntários participarão do Dia Nacional da Coleta de Alimentos 2016, no sábado da semana que vem, 5 de novembro, de 8h às 19h, em todo o Brasil. Eles estarão distribuídos em mais de 250 supermercados em 56 cidades do país. Em Belém e Ananindeua, o gesto acontecerá em oito supermercados.

A campanha é promovida pela Companhia das Obras (CdO), organização não governamental espalhada no mundo, especialmente Europa e Estados Unidos, criada a partir da iniciativa de um italiano e que ensejou o Dia da Coleta Nacional de Alimentos no Brasil há 11 anos.

Disse-me o jornalista Nélio Palheta, um dos coordenadores da campanha em Belém, que o grande objetivo vai além de apenas coletar alimentos: é fazer as pessoas se conscientizarem de participar de um movimento em favor do próximo, ajudando ao irmão que precisa. Uma proposta da cultura do encontro e da partilha, defendida pelo Papa Francisco. Tem o lema “Compartilhar as necessidades para compartilhar o sentido da vida”.

Há uma grande infraestrutura funcionando por trás do ato de arrecadar um simples quilo de alimento. A coisa funciona assim: voluntários estarão em atividade em supermercados da cidade, dando boas-vindas a quem chega para compras habituais e entregando um folder sobre a ação e os alimentos que estão sendo arrecadados, de forma que a pessoa possa acrescentar um ou mais itens às suas compras, que serão doados na saída.

Uma lista de alimentos, que vão compor uma dieta balanceada, é elaborada por nutricionistas antes do início da campanha. Esta lista (que inclui alimentos como arroz, feijão, achocolatado, leite em pó, entre outros) é estabelecida da melhor forma para atender as necessidades das entidades beneficiadas (asilos, creches, casas de acolhimento) e também evitar desperdícios.

A campanha funciona junto a Bancos de Alimentos em todo o Brasil, do qual a referência maior é o “Banco Mesa Brasil”, do SESC, que funciona em todo o país e que organiza a campanha em Belém. Ao final do dia de coleta os alimentos são catalogados, embalados em caixas apropriadas, registrados em sistema nacional e recolhidos a local apropriado, sendo emitido relatório sobre o resultado do trabalho em todos os postos, da cidade e nacional.

É esse “banco” que coordena a distribuição dos alimentos arrecadados, conforme o perfil das entidades inscritas.

Em Belém:

O “Banco Mesa Brasil” do SESC tem 35 entidades locais cadastradas, que serão beneficiadas. No ano passado foram coletados 3.516kg de alimentos, isto é, mais de 3,5 toneladas! em seis supermercados. Precificada a arrecadação chegou a R$ 13.290,48.

A campanha precisa de voluntários e as inscrições ainda podem ser feitas pela internet em um formulário em site apropriado, bastando clicar em http://tinyurl.com/voluntariocoleta.

Pelas ruas de Belém e Ananindeua os Supermercados Formosa e Líder participam como parceiros. Veja os locais da coleta, no dia 5 de novembro:

Líder Batista Campos
Líder Doca
Líder Pedreira
Líder Praça Brasil
Formosa Augusto Montenegro
Formosa Duque de Caxias
Formosa Umarizal
Formosa Cidade Nova


Diz o texto da peça acima:

"Continuem com confiança essa obra, pondo em pratica a cultura do encontro e da partilha. Claro, a vossa contribuição pode parecer uma gota no oceano da necessidade, mas em realidade ela é preciosa! Junto com vocês. outros vão se mexer e isso engrossa o rio que alimenta a esperança de milhões de pessoas." (Papa Francisco

A Coleta é essa proposta da cultura do encontro e do partilha. Doando um alimento para quem precisa, fazemos a experiência da gratuidade como verdadeira resposta a todas as necessidades humanas.

A cada ano, esse rio enche de pessoas que fazem a Coleta conosco em todo o Brasil, venha você também!

 

PARTICIPE! SEJA VOLUNTÁRIO!



Escrito por Fernando Jares às 13h27
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CÂNCER

UM IMPLACÁVEL CAÇADOR DE AMIGOS

Desde eu muito jovem o câncer já me levou um bom número de pessoas queridas, amadas ao longo da vida, do primo-herói da minha infância ao cunhado muito querido, ao marido da colega, etc. etc. É cruel a doença e cruel a incapacidade dos humanos, por mais cientistas, capazes, nobelistas que sejam, de encontrar a cura para esse mal que abate amigos e parentes. Meus e, provavelmente, seus também. Dos mais importantes aos mais humildes. Era eu ainda adolescente quando o governador do Estado morreu de câncer!

Entre o primeiro mais chegado levado pelo terrível mal e hoje, vão aí uns 60 anos – e tudo continua igual, com alguns pequenos avanços altamente festejados.

Introdução chorada para chorar uma amiga que agora se foi, a Vera Coimbra, falecida em Brasília na terça última (25/10), onde se tratava, acompanhada pelo filho e nora, ambos médicos, netos e um grande número de bons amigos que logo soube conquistar também por lá . Fomos companheiros no Movimento de Espiritualidade Conjugal Equipes de Nossa Senhora, do qual participamos Rita e eu, aqui pelas ruas de Belém. Quando aí chegamos, em 2004, Vera já estava viúva, depois de participar por quase 20 anos em conjunto com o marido, que havia sido chamado à casa do Pai cerca de um ano antes. Fizemos boa amizade, nos afeiçoamos e quisemos bem. Ouvimos dela testemunhos importantes, sempre transmitidos com muito amor, especialmente para nos prepararmos para o dia, inevitável, em que um de nós dois ficará sozinho na terra. Era bonito ver o cuidado dela com todos nós. Como contava das experiências que viveu nesses anos no Movimento, ao lado do seu amado Coimbra. Também o carinho dela com D. Vicente Zico, que foi nosso Conselheiro Espiritual nos seus últimos 3,5 anos. Ele a deve ter recebido no céu onde, com certeza, ela está extasiada com a Glória de Deus, muito superior a tudo de melhor que ela imaginou.

Na bonita Missa de Corpo Presente celebrada hoje pela manhã, pelo padre Vanildo Padoim, nosso atual Conselheiro Espiritual, a Rita leu a apresentação que fiz sobre a amiga:

Os jovens Vera Maria Britto e José Antonio Machado Coimbra casaram-se em 28 de junho de 1969, na Catedral de Nossa Senhora da Graça, em Belém, tendo desse abençoado matrimônio dois filhos, Rubens, casado com Tatiana, e José Antonio, casado com Alessandra, e seis netos, Rafaela, Alissa, Aimé, Igor, Francisco e Alex. Ativos e perseverantes na fé cristã, fizeram o Encontro de Casais com Cristo na Paróquia da Santíssima Trindade.

Em 1984 foram convidados a participar do Movimento de Espiritualidade Conjugal Equipes de Nossa Senhora, aceitando prontamente, passando a fazer parte da Equipe Nossa Senhora de Guadalupe em dezembro desse ano, quando a Equipe completava seu primeiro ano de existência. Substituíram um dos casais fundadores que precisou retirar-se.

O casal Vera e Coimbra teve vida ativa no Movimento, inclusive com missões no Setor, atuando na Liturgia e em outras atividades.

Em setembro de 2003 o Senhor chamou o Coimbra para Seu convívio, mas Vera perseverou no Movimento, até muito recentemente, quando precisou afastar-se em função de sua permanência em Brasília para tratamento de saúde. Em todas as oportunidades Vera demonstrava o grande amor que dedicava às Equipes de Nossa Senhora, sempre testemunhando a felicidade que viveu em seu Matrimônio, ao lado daquele que Deus indicou para ser seu companheiro.


Foto da Equipe de Nossa Senhora de Guadalupe em outubro/2013, quando festejamos o aniversário de ordenação sacerdotal de D. Vicente, sentado à frente. A Vera é a segunda, da esquerda para a direita, ao fundo.

 

No Encontro Internacional das Equipes de Nossa Senhora, em 2012, em Brasília, Vera, eu e a Rita. Éramos cerca de 8 mil pessoas, de 54 países!



Escrito por Fernando Jares às 14h20
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UM DOCE ANGELICAL

ORA DIREIS, PAPOS DE ANJO...

Os anjos são criaturas extraordinárias que vivem junto a Deus, sendo seus mensageiros, diz a tradição multimilenar. A Igreja os identifica como seres espirituais, não-corporais, identificados claramente nas Sagradas Escrituras, acreditados como Verdade de Fé. A imaginação humana os retrata com asas, provavelmente como forma de se deslocarem do ambiente humano ao divino...

Quando algum homem, provavelmente português, em algum momento da história da humanidade, inventou certo doce a base de gemas e açúcar, de sabor extraordinariamente delicioso, não teve dúvida, chamou-o de “Papo de Anjo” – na sua imaginação nada poderia ser mais extraordinário do que o papo daquele ser, amigo de Deus, que voava na rota Céu-Terra-Céu.

Imagino que tenha sido por aí que nasceu o nome desse docinho que os portugueses inventaram, sabe-se Deus quando, lá pelos tempos d’El-Rey D. Sebastião, quiçá muito antes dele, e que os brasileiros sabem fazer com extraordinária maestria.


Aí estão três representantes desse doce angelical, digamos assim... Se no Brasil sabemos fazer à perfeição esse doce de origem portuguesa, posso dizer que pelas ruas de Belém se encontra uma das mais notáveis interpretações dos “Papos de Anjo”. Voltando na história:

D. Anna Maria Martins (1925/2007), doceira de “mãos de fada”, no dizer do falecido jornalista Edwaldo Martins e que eu mesmo, quando editor de turismo do jornal A Província do Pará, chamei de “sacerdotisa” da religião que é a cozinha paraense, como disse o escritor Leandro Tocantins, fazia docinhos extraordinários. Em seu restaurante “Lá em Casa” havia uma sobremesa chamada “Docinhos de D. Anna”, uma bandeja cheia de docinhos variados, cada qual mais gostoso que o outro. Onde os seus fantásticos “Papos de Anjo” eram quase uma lenda, capturados por mãos ansiosas ao primeiro toque da bandeja sobre a mesa e imediatamente devorados, para usar um termo forte, mas realístico... Eram marca registrada, um ícone de casa.

Pois bem, a receita emblemática de D. Anna Maria sobrevive! e sua neta Daniela Martins sabe fazer com igual maestria. Herança genética!

Um dos momentos a não esquecer na recente quadra nazarena – quando os paraenses reverenciam o Divino, na pessoa da Mãe de Jesus, com muitas manifestações religiosas e culturais, inclusive com um dos segmentos mais fantásticos de sua cultura, a gastronomia – foi degustar os verdadeiros, os autênticos “Papos de Anjo” de D. Anna Maria Martins, renascidos pelas mãos de sua neta. E nada mais justo que um doce angelical nas homenagens à Nossa Senhora de Nazaré!


A chef Daniela Martins, e a Equipe do “Lá em Casa”, enviou a este escriba, às vésperas do Dia do Círio, uma delicada caixinha com quatro “Papos de Anjo”, uma forma carinhosa de relembrar de D. Anna, com “um doce que fazia a felicidade do papai, o Paulo” e que é “marca registrada de momentos muito, muito felizes – como o Círio”, como disse Daniela.

No buffet de sobremesas do “Lá em Casa”, nos dias pré-ciriais (sexta e sábado) lá estavam os “Papos de Anjo” em calda. E deixo aqui uma sugestão, urgente: a volta deste delicioso manjar ao cardápio regular da casa... ao menos aos domingos. Fica a sugestão (ansiosa...).



Escrito por Fernando Jares às 17h57
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WINE DINNER

NA ESPANHA À MARGEM DO MEDITERRÂNEO

Pra semana tem Wine Dinner antecipado no restaurante Benjamin. Sim este mês será na terça-feira, dia 25/10 e terá como tema a Gastronomia da Espanha. O chef Sérgio Leão anuncia que o cardápio levará os presentes a visitar algumas receitas tradicionais que compõem a cozinha mediterrânea espanhola, na companhia de vinhos cuidadosamente selecionados... mantendo-se pelas ruas de Belém. Durante o jantar estará presente o sommelier e Diretor da Vinícola Roqueta Origen, Carlos Romero, que falará sobre os vinhos utilizados no jantar e que, em Belém, são comercializados pela Decanter, parceira neste evento do Benjamin.

Vamos ao programa, ou melhor, ao cardápio da noite:

Amouse Bouche
Refrescante Sangria
Tapas

Primeira Entrada
Vinho Branco Abadal Picapoll Pla de Bages 2014
Peixe em cama de Legumes

Segunda Entrada
Vinho Tinto Abadal Cabernet Franc/Tempranillo 2010
Grão de Bico com Morcilla e Linguiça

Primeiro Prato
Vinho Tinto Abadal 5 Merlot Pla de Bages 2006
Fideuá de Frutos do Mar

Segundo Prato
Vinho Tinto Abadal Pla de Bages Reserva 2009
Paella Vallenciana (frango, coelho, cordeiro, mexilhões e legumes)

Sobremesa
Vinho do Porto
Churros com Nutella

Início às 21h com o valor por pessoa de R$ 190,00 mais taxa de serviço, incluindo ainda água mineral, refrigerantes e café expresso. Reservas 3343-3758 no horário das 19h às 23h.




Escrito por Fernando Jares às 17h58
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JAIME SIDÔNIO

FALECEU O PADRE JAIME SIDÔNIO

A Cúria Metropolitana informou, no final da manhã de hoje (19/10), o súbito falecimento do padre, aliás Cônego Jaime Sidônio, pároco de Santana, presidente do Cabido Metropolitano de Belém e Chanceler da Arquidiocese e nome dos mais conhecidos e estimado na Igreja pelas ruas de Belém.

Na primeira vez em foi pároco em Santana eu morava nessa paróquia, lá pelos anos 80/90, e estive com ele muitas vezes. Foi também capelão do Colégio Santo Antonio quando as minhas meninas lá estudavam.

Nos idos de 2000 escrevi a orelha do livro de um colega na Albras, o Adezio Martins da Silva, o metalúrgico-escritor que lançava seu primeiro romance "A vida e o grande amor de Jéssica" e dei ao comentário o título "É possível ser feliz?", onde procurava resumir o que buscava o autor alcançar com a história que desenvolvia. Eu explicava: “As pessoas nascem, crescem, estudam, trabalham, sonham, vão à igreja, vão à praia, viajam, namoram, casam, descasam, têm filhos, sempre lutando pela felicidade, sempre tendo a busca do amor e de ser feliz como o norte que os atrai”.

Estava o livro em diagramação e o Pe. Jaime lançou seu primeiro livro, justo com este título que eu usei na orelha do livro: “É possível ser feliz?”, pela Editora Paulinas. Expliquei a ele a coincidência e que tinha decidido manter o título, acrescentando um trecho de seu livro como epígrafe ao meu comentário. Assim:

A principal tarefa da existência humana é SER FELIZ e essa tarefa começa quando assumimos nossa história, nossa verdade com suas contradições e diferenças. Só assim teremos a necessária serenidade para caminhar e realizar essa tarefa.” Pe. Jaime Sidônio em “É possível ser feliz?” (*)

No final da orelha o asterisco explicava a história:

(*) Este comentário ao livro de Adézio Martins da Silva já estava escrito quando foi lançado o livro do padre Jaime Sidônio, com o mesmo título que eu havia escolhido para ele. Mas mantive-o neste texto, afinal acredito que os leitores de Adézio encontram aqui farto material humano para este questionamento embora por caminhos diferentes.Mas fui buscar esta frase, para enriquecer este pensamento e como homenagem ao belo livro escrito pelo Pe. Jaime (FJM)

Conforme o Portal Paulinas o “Pe. Jaime Sidônio nasceu em Muaná, Marajó -PA. Foi ordenado sacerdote em Belém, em 1975. Como sacerdote, tem exercido seu ministério em paróquias, na formação de seminaristas e, desde 1993, como orientador de retiros para religiosas, sacerdotes e seminaristas. Atualmente, é pároco da Paróquia de Sant Ana em Belém - PA.”

Era também Chanceler da Arquidiocese. Esteve uma temporada em Santarém onde foi Vigário Geral na Diocese e dirigiu a TV Vida.

Que esteja já na presença de Deus, recebendo a recompensa de uma vida oferecida pelo sacrifício de Jesus. Descanse em paz e um dia nos veremos aí por cima. Se Deus quiser.

Os livros citados do Pe. Jaime (Paulinas Editoras) e do Adézio:



Escrito por Fernando Jares às 14h21
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ÁPIO CAMPOS


No último sábado realizei uma tarefa com muita felicidade: apresentar um flash de dez minutos sobre Ápio Campos, sacerdote e intelectual paraense do mais alto valor, morto em 2011. Quando recebi o convite/desafio do Edyr Augusto Proença, em nome da comissão organizadora da FliPA – Feira Literária do Pará pareceu-me muito mais desafio que convite. Pouco conhecia desse grande mestre. Mas pelo pouco que conhecia, aceitei! Teria que aprender mais e isso seria um ganho extraordinário para mim. Estudei, li, aprendi, sintetizei o que pude e apresentei na tarde do sábado na “Garapa Literária”. Alguns amigos, suspeitíssimos exatamente por isso, disseram que ficou bom. Eu fiquei feliz, ganhei um beijo de parabéns da Rita, o que também é suspeito, mas é gostoso. Os netinhos presentes (2,5 e 5 anos), com a sinceridade que lhes é inata pela idade, não reclamaram – e isso é bom.

Foi um evento e tanto, com centenas de autores e centenas de lançamentos e muitos, muitos leitores.

A seguir publico o texto que apresentei. Ao final tem um link para o Facebook da Fox com a gravação que eles transmitiram de boa parte da fala.

ÁPIO CAMPOS

O padre poeta, professor, contista, compositor, etc. etc.

No recente Congresso Eucarístico Nacional realizado aqui em agosto, senti um pouco de emoção ao ouvir os que lotavam o Mangueirão no dia da abertura do Congresso, cantarem estes versos:

"Amazônia, desdobra o teu braço, para a pátria em teu seio apertar,

e o Brasil e o Pará neste abraço, oferece a Jesus, sobre o altar!

Era o refrão do hino do Congresso Eucarístico de 1953, igualmente aqui em Belém. O autor: o cônego Ápio Paes Campos Costa. Eu tinha seis anos e ouvia esse hino em casa, na igreja, pelas ruas de Belém. Ao longo destes mais 64 anos de vida sempre ouvi e até cantei muitas vezes esse hino.

O que me passou pela cabeça: quantos autores e compositores paraenses terão a oportunidade de ter versos seus cantados por milhares de vozes em um tão grande estádio, 63 anos após terem sido escritos?

Ápio Campos o conseguiu! E os mais idosos, aqueles que participaram do Congresso anterior, emocionaram-se. Isto é, 63 anos depois Ápio Campos ainda emociona pessoas. Encarnando o verdadeiro sentido da imortalidade que reveste a arte humana. Não por acaso, Ápio é imortal da Academia Paraense de Letras.

Mas os mais novos devem perguntar: quem foi Ápio Campos, que falecido em 2011 foi escolhido Patrono desta Feira? Talvez até alguns não dos mais novos façam a mesma pergunta. Eu, quase que podia fazer essa pergunta, porque até ser convidado para fazer este flash, sabia só uma parte da vida de Ápio Campos.

Sabia dele desde criança, assim: meu avô, um português que praticava um tremendo sincretismo religioso, gostava de ouvir o programa “Hora do Ângelus”, todos os dias, às 18h, na Rádio Clube do Pará. E eu ouvia também e sabia que era um certo Ápio Campos que escrevia essas meditações. Um dia, tendo já eu meus 16 anos, foi lançado um livro com esse mesmo título, reunindo umas tantas meditações escritas pelo padre Ápio. Comprei o livro, que está comigo desde aquele tempo!

Esse foi o meu primeiro contato. Em 2011 Ápio Campos faleceu, sem que eu nunca tivesse estado pessoalmente com ele. Apenas acompanhando seus trabalhos. Escrevi então, no meu blog Pelas Ruas de Belém, um post sobre ele, que acabou sendo o ponto de contato para eu estar aqui, agora, falando sobre ele.

Padre de forte participação na sociedade, Ápio Campos Costa nasceu em Belém, em 1927, filho de Luciano e Evarinta Campos Costa, ele enfermeiro e ela professora primária. Estudou no Colégio Nazaré, transferindo-se depois para o Seminário Metropolitano N. S. da Conceição.

Ainda antes de concluir o curso, como diácono, estagiou em Salinópolis, ao lado do padre Florence Dubois, o fundador do jornal A Voz de Nazaré. O padre Dubois apresentou o jovem Ápio a Paulo Maranhão, o todo-poderoso dono do jornal Folha do Norte, e assim começou seu envolvimento com o jornalismo. Depois, foi colaborador de O Liberal, durante um bom par de anos.

Concluiu o seminário em 1949, mas só pode ser ordenado em 1950, quando completou a idade mínima exigida, sendo ordenado por D. Jayme de Barros Câmara.

Foi pároco em Santa Terezinha, aqui em Belém, e em Benevides.

Foi professor no IEP, Paes de Carvalho, Seminário S. Pio X. UFPA, onde desempenhou diversos cargos executivos, de diretor do Centro de Letras e Artes a pró-Reitor. Foi coordenador do Curso de Teologia na Unama.

Intelectual de grande produção literária, identifiquei 23 livros dele!, notabilizou-se como poeta e contista, mas também escreveu ensaios e estudos linguísticos e literários e inúmeras participações em publicações, como na apresentação do livro infantil “Um conto de fadas amazônico”, de Luiz Peixoto Ramos, o Jabutigão, que todo mundo conhece. Imaginem que ele escreveu um decálogo “Tábuas das Leis para a Desburocratização”, que foi até publicado pelo outrora muito importante “Jornal do Brasil”. Poeta, Ápio versejou até em latim – tem um livro inteiro de poemas em latim; jornalista, radialista, escreveu diversas peças de rádioteatro e as famosas meditações para a Rádio Clube. Ocupou a cadeira 30 da Academia Paraense de Letras.

Li um bocado de coisa boa e bonita dele.

Nestes dias ciriais escutem só um trecho do poema em que ele descreve o Círio, cheio da cadência própria dessa magnífica romaria, poema que constava de um livro que escreveu ainda no seminário, portanto antes de 1950, e foi incluído na antologia “Árvore do Tempo”, de 1980:

caboco passando
foguete estourando
moleque gritando
polícia apitando
a banda tocando
o povo rezando
beata cantando
no céu no céu com minha mãe estarei
queremos Deus que é nosso pai
queremos Deus que é nosso rei

na cabeça a melancia
uma pedra na cabeça
um pote d agua fresquinha
pra dar a quem quer que peça
um se veste de mortalha
aquele de São Francisco
um sua criança carrega
Bastião vem de canoa
também paga sua promessa
traz vela benta pra Virge
que lhe concedeu a graça
mas trouxe também na trouxa
a garrafa de cachaça
Zé Vicente vai discarço
empurrando o Manué
paga promessa pra Virge
da doença da muié
que já está no cemitero
e ele casou com a Zezé
no céu no céu com minha mãe estarei
queremos Deus que é nosso pai
queremos Deus que é nosso rei

É longo o poema, tem o carro dos foguetes, o carro dos milagres, o dos anjinhos pintadinhos de baton, cetim azul e cor-de-rosa, asa de papel crepon, tem a Folha apitando, tem a corda “Ingracia te enxerga, não pisa no meu pé”. Há um verso sobre a corda que adorei: “a corda vem no rojão / cruz credo, que confusão”.

São muitos os poemas do querido “Padre-Poeta”. Este um eu gostei de cara, não fosse eu um “fiel amador” da obra de Fernando Pessoa, para usar um termo da professora Amarilis Tupiassu, sobre a relação dela com o Padre Vieira.

Pois bem, refiro-me ao “Pastor de Sonhos” que, quando li a primeira vez, fui remetido ao Caeiro do Pessoa. Ouçam só:

O Pastor de Sonhos

Sou pastor de sonhos
que não me conhecem
numa gruta os guardo
onde o Tempo é messe

Bebem leite claro
pascem o Regresso
balem quando à noite
não acham verso

Têm olhos humanos
choram no redil
florescem no pasto
dormem eu vigio

Mascam mansas nuvens
deitam-se na relva
lambem minha face
densa como a treva

Vou tangendo os sonhos
pela gruta a dentro
só me vêem os anjos
só me alenta o vento

Quando os solto, correm
montes e luares
somem-se na gruta
deixam-me nos vales

Nessa dura lida
vamos caminhando
entre a infância e a morte
eu e meu rebanho.

Foi publicado no livro de poemas “Pastoral das sombras”, de 1965 e também incluído na antologia “Árvore do tempo”, de 1980

A questão sócio/cultural também o despertava para o verso. Às vezes sarcástico, crítico, como em

“A Hora da Amazônia”, que está no livro “Noite cabocla”.

Chegou a hora da Amazônia!
Chegou a hora da Amazônia!
Não, não foi por causa de Nova Olinda
É que eu vi um homem no ônibus
Lendo Carlos Drummond.

(Para quem não sabe ou não lembra, “Nova Olinda” é o hoje município de Nova Olinda do Norte, no Amazonas, onde em 1955 foi encontrado petróleo e todos falavam que a região ficaria rica, viraria um Texas, todo mundo rico e com carrão “rabo de peixe”. Posteriormente o petróleo foi considerado sem valor comercial e os cinco poços abertos foram fechados e... o sonho acabou, muito antes de Lennon.)

Quem quiser ver grande parte desta apresentação sobre Ápio Campos basta clicar aqui, indo ao Facebook da Livraria Fox.

Entre os muitos lançamentos da FliPA, as novas edições de “Catarina” e “Jesse” da Bruna Guerreiro que, não é por ser filhota, mas escreve bem pra caramba, estão aí na estante:

 



Escrito por Fernando Jares às 16h43
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FliPA 2016

UMA CELEBRAÇÃO LITERÁRIA PARAOARA

Foi uma celebração da literatura paraense a terceira Feira Literária do Pará (FliPA) realizada neste final de semana, 15 e16/10, nos salões da livraria Fox, em Belém. Muita gente, de todas as idades, escritores, escritores, escritores, daqueles que todo mundo conhece aos que fomos conhecer lá, leitores e muitos leitores. Confraternização. Gente feliz, gente bonita, foi muito legal! Olhe esta foto:


Te digo, sumano. Foi assim praticamente o tempo todo nos dois dias. Gente pra caramba, onde esbarrar-se era um ato de saudação à cultura paraense.

A FliPA teve como patrono o sacerdote, poeta e jornalista Ápio Paes Campos Costa; premiou o jornalista, escritor e pesquisador da história paraense Carlos Rocque pelo conjunto da obra concedendo a ele o Prêmio Nobre; e distinguindo o jovem jornalista Ingo Müller com o “Prêmio Fox-Empíreo de Literatura” pelo seu primeiro romance, "Corda no pescoço", que foi lançado durante a feira.

Por causa de um post publicado neste blog, quando da morte do cônego Ápio Campos, em 2011, (para ler “Ápio, letras e religião” clique aqui) o redator deste espaço foi convidado pela organização da FliPA a fazer uma apresentação-síntese desse grande intelectual paraense no evento “Garapa Literária”.

Embora a tônica da FliPA seja a conversa informal entre escritores leitores, editores e livreiros, há um momento de falação, digamos assim – é rapidinho, só uma hora no sábado à tarde. A “Garapa Literária”, que deve ser gostosa como uma boa garapa pelas ruas de Belém (para quem não sabe, garapa é caldo de cana em linguagem papa-chibé autêntica). Segundo os organizadores é quando “o conceito da Feira é apresentado ao público, assim como é falado sobre o que a permeia neste ano.”

Foi aí que apresentei um flash sobre Ápio Campos e sua produção literária, que vou publicar na íntegra em próximo post. Foto da Garapa:

 

Olhaí a foto feita no final da Garapa, com garapeiros e participantes da Feira:


Foi um evento muito simpático, pelo (re)encontro com tantos conhecidos, que contribuem para a cultura paraense, inclusive a minha filha Bruna Guerreiro, que participou pela primeira vez da Feira, apresentando logo dois de seus livros, “Catarina” e “Jesse”, de texto moderno e agradável, em novas edições, com capas lindíssimas de Talitha Lobato e que autografou uns tantos exemplares, fazendo bonito em sua estreia como feirante literária... (misturando orgulho de ser pai com orgulho de ser paraense, he, he, he.).




Escrito por Fernando Jares às 18h32
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FEIRA LITERÁRIA DO PARÁ

NESTE SÁBADO E DOMINGO
A LITERATURA É O DESTAQUE
PELAS RUAS DE BELÉM

 

A cena literária pelas ruas de Belém ferve neste final de semana com a realização de mais uma FliPA, a Feira Literária do Pará, um encontro de escritores, editores e leitores paraenses, independente e com a proposta de fomentar a produção literária do Pará, que existe desde 2014, no terceiro final de semana de outubro. Será agora no sábado e domingo, dias 15 e 16/10, na Livraria da Fox, em Belém, sempre de 9h às 21h.

A FliPA 2016 tem como Patrono o padre, escritor, poeta e professor Cônego Ápio Campos; como Prêmio Nobre o jornalista, escritor e pesquisador da história paraense Carlos Rocque; destacado como Prêmio Fox-Empíreo de Literatura o jovem jornalista paraense Ingo Müller.

O evento é promovido por um grupo de escritores do Pará – PAGÉS, pela Editora Empíreo e Livraria da Fox, objetivando visibilidade do autor local e na produção literária dos nossos escritores.

Muitos autores locais colocarão seus livros à venda, muitos deles estarão presentes e, naturalmente, concederão autógrafos. Também não há horário específico para lançamentos, cada autor escolhe o seu preferido, mas as obras estarão disponíveis durante todo o evento. Nas redes sociais é possível encontrar os horários dos diversos autores. Veja abaixo o convite para as sessões de autógrafos das novas edições de dois livros da Bruna Guerreiro, “Catarina” e “Jesse” que estarão na FliPA: sábado de 16h às 18h e domingo de 9h às 11h.

Embora a FliPA seja um espaço de conversa informal e dinâmica entre leitores, autores, editoras e livreiros, existe um momento pouco mais formal chamado “Garapa Literária”, quando o conceito da Feira é apresentado ao público, assim como é falado sobre o que a permeia neste ano. Acontece no Café da Fox, somente no dia 15 (sábado), primeiro dia da FliPA, às 16h – e o escriba deste blog foi convidado a fazer uma dessas falas... veja a seguir:

Programação Garapa Literária – FliPA 2016

16h – Abertura: Salomão Larêdo (chama a comissão organizadora da FliPA: Edyr Augusto, Deborah Miranda, Maria Lygia Nassar Larêdo, Camila Andrade,  Filipe Larêdo, Andrei Simões, Roberta Splinder, Marcos Eluã, Luana Rodrigues)

16h15 – Edyr Augusto – Fala  sobre Prêmio Nobre e Patrono  (Fala sobre  o Prêmio Nobre de 2015:  Ernesto Cruz –  Post mortem -, o de 2016: Carlos Rocque – Post mortem – e o Patrono Ápio Campos, chamando em seguida o jornalista Fernando Jares que sintetiza a atuação de Ápio Campos)

16h20 – Fernando Jares Martins – Fala sobre o patrono da FliPA 2016, o Cônego Ápio Paes Campos Costa

16h30 – Filipe Larêdo e Deborah Miranda – Falam sobre o Prêmio Fox-Empíreo de Literatura (chamando o vencedor Ingo Müller para receber o Prêmio)

16h45 – Considerações Finais

17h – Encerramento: Salomão Larêdo




Escrito por Fernando Jares às 19h50
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ESPORTE & RELIGIÃO

O CÍRIO E O FUTEBOL PELAS RUAS DE BELÉM

Em dia da semana passada vi este cartum, muito realista, do Atorres no jornal Diário do Pará:


Os “de fora” precisam entender o espírito da coisa: muitos dos promesseiros na procissão do Círio de Nazaré, realizada ontem, são pagadores de promessas, em agradecimento a graças alcançadas, e acompanham a monumental romaria levando os chamados ex-votos ou promessas, na cabeça. As promessas podem ser de agradecimento ou pedido.

O que vemos é o Papão desejando fazer parte do G4, o grupo que vai subir para a série “A” do Campeonato Brasileiro e atrás o Leão, símbolo de seu mais tradicional adversário, que sobrevive em categoria inferior do futebol, carregando um grande... secador.

O cartum do Arnaldo mostra a interação cultural/religiosa do esporte com a devoção paraense a Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira do Estado, que é homenageada na romaria do Círio de Nazaré pelas ruas de Belém, todo segundo domingo de outubro, com a participação de mais de 2 milhões de pessoas, o que é acima da população da cidade.

Essa interação pode ser vista, por exemplo, na estampa no peito de uma camiseta que é vendida na loja do Paysandu e foi bastante utilizada pelos devotos-torcedores do Papão da Curuzu, inclusivamente este escriba que tecla estas palavras:


Na ilustração não apenas os romeiros do Círio, na corda, estão com o “manto sagrado” bicolor, como até o manto da imagem da Senhora de Nazaré é bicolor! Definitivamente um “manto sagrado”! E a frase “Payxão e fé mudam tudo”

Essa história toda me lembrou de uma charge que me deu de presente o amigo Pelicano, metalúrgico/cartunista que foi meu colega na Albras, no final do século passado.

O Paysandu havia conquistado mais um título de Campeão Paraense de Futebol de1998, vindo de um período de dificuldades. E a imaginação do Pelicano viu-me acompanhando o Círio, como “Pagador de Promessas”, penitencialmente vestido, carregando na cabeça o troféu de campeão do ano, agradecendo a Deus e à Virgem... Na sua Berlinda a Santa pensa “Esses meus filhos sofredores... dão um trabalho”. Guardo com carinho a brincadeira, que termina com os Parabéns do Pelicano:




Escrito por Fernando Jares às 17h34
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30 ANOS DO CÍRIO DAS ÁGUAS

ROMARIA FLUVIAL TRINTONA

Sem a celebração que a data mereceria a Romaria Fluvial de Nazaré, ou Círio Fluvial, ou “Círio das Águas” como a chamou o jornalista Comendador Raymundo Mário Sobral, realizada na manhã de hoje, chegou aos 30 anos neste 2016. Isso mesmo: a primeira Romaria Fluvial, criação do jornalista Carlos Rocque, já falecido, fez o trajeto Icoaraci-Cais do Porto de Belém em 11 de outubro de 1986.

Mas, se os 400 anos de fundação da cidade não merecem festejos maiores, imagine modestos 30 anos de uma romaria. O certo é que poderiam ter sido criados eventos turísticos e religiosos aproveitando a data.

A verdade é que até o dia da primeira romaria consta erradamente na divulgação eletrônica oficial da Festa de Nazaré, o mesmo que é utilizado pelo turismo estadual.

Veja o que lá está escrito:

Histórico – A primeira Romaria Fluvial foi realizada pela Companhia Paraense de Turismo (Paratur), com a saída do Trapiche de Icoaraci no dia 8 de outubro de 1986. O responsável foi o presidente da Paratur, na época, o historiador Carlos Rocque. (para consultar esse site, clique aqui). O site oficial do turismo estadual remete a esse endereço.

O tal 8 de outubro aí citado foi uma quarta-feira! E essa romaria sempre foi ao sábado. Veja no calendário abaixo, daquela época (ano de Copa do Mundo).

 

E para comprovar que foi dia 11/10, veja o convite distribuído pela Paratur:


A Romaria Fluvial foi criada pelo órgão oficial de turismo do Estado porque a ideia de seu presidente Carlos Rocque era mesmo criar um evento para atrair turistas. Por isso ele imaginava que fosse uma semana antes do Círio ou uma semana depois. Pretendia criar um evento que “esticasse” a presença dos visitantes na cidade, para participar da Romaria Fluvial e do Círio. Mas não conseguiu convencer os dirigentes da Festa, leigos e religiosos, e acabou ficando na véspera do Círio e virou homenagem aos ribeirinhos ou dos ribeirinhos... Foi mais uma das grandes ideias do Rocque, um cara que vivia pesquisando o passado, mas tinha uma tremenda visão de futuro. A sociedade paraense deve a Carlos Rocque uma homenagem a altura de sua contribuição à cultura, ao turismo, ao jornalismo, à pesquisa histórica.

Nos 25 anos da RF fiz um registro neste blog: para ler “25 Anos do Círio das Águas”, clique aqui. Alguns dias depois voltei ao assunto com mais registros: para ler “Qual a data da primeira Romaria Fluvial?”, clique aqui. Até encontrei uma possível “explicação” para o erro da data. Mas já está mais do que na hora, enquanto é tempo, de corrigir a informação, em respeito à história real.



Escrito por Fernando Jares às 13h06
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WINE DINNER BENJAMIN

WINE DINNER COM "SABORES DO CÍRIO"

O restaurante “Benjamin” faz esta quinta-feira (06/10) um Wine Dinner especial em comemoração ao Círio de N. S. de Nazaré. "Sabores do Círio". Todos os pratos foram desenvolvidos pelo chef Sérgio Leão a partir de ingredientes e tradições regionais, do beiju às unhas de caranguejo, do tucupi ao feijão manteiguinha de Santarém, tudo harmonizado com os vinhos mais recomendados para cada sabor amazônico especialíssimo.

Vamos ao cardápio:

Amouse Bouche
Caipirinha de taperebá
Beiju com Ragú de Pato e chutney de cupuaçu e pastel de maniçoba

Primeira Entrada
Espumante Casa Valduga Brut
Camarão e patinhas de caranguejo com molho de tucupi reduzido

Segunda Entrada
Vinho Undurraga Chardonnay
Pirarucu defumado desfiado com salada de feijão de Santarém

Primeiro Prato
Vinho Veramonte Pinot Noir
Arroz de pato paraense

Segundo Prato
Vinho Baron Philippe de Rothschild Cabernet Sauvignon
Mignon com teriaky de açaí, arroz de castanha-do-pará e farofa de banana

Sobremesa
Vinho do Porto
Tartalette de castanha-do-pará com queijo do Marajó e merengue de bacuri.

O início está marcado para 21h e o preço por pessoa é R$ 160,00, incluindo ainda água mineral, refrigerantes e café expresso, mais 10% opcional. Reservas pelo fone 3343-3758 das 19 às 23h.




Escrito por Fernando Jares às 09h56
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DIA DA CULINÁRIA PARAENSE

A JUSTIFICATIVA PARA A CRIAÇÃO DA DATA

A Assembleia Legislativa do Estado do Pará estatuiu e o governador do Estado deverá sancionar a lei que institui o Dia Estadual da Culinária Paraense, a ser comemorado, anualmente, no dia 25 de julho no Estado do Pará. A criação da data tem como objetivo demarcar a importância da culinária paraense, simbolizando como data comemorativa o nascimento de Anna Maria de Araújo Leal Martins, uma das maiores quituteiras do Estado do Pará e do Brasil. O Dia Estadual da Culinária Paraense passa a integrar o calendário oficial de eventos do Estado do Pará.

O Projeto de Lei, de autoria do deputado Fernando Coimbra foi apresentado no ano passado e hoje (04/10) aprovado por unanimidade pela Assembleia.

Veja agora a “Justificativa” apresentada pelo citado deputado, com o que conseguiu a aprovação por seus pares:

JUSTIFICATIVA

O Estado do Pará é hoje, reconhecido nacional e internacionalmente, entre outras coisas, por sua rica culinária. Esse reconhecimento não veio sem a quebra de barreiras ou preconceitos. Ou seja, décadas de 1960 e 1970, cozinhar era considerada uma tarefa sem nenhum prestígio social. Portanto, sem muita expressão ou relevância na identidade cultural de um local.

A arte de cozinhar, ou de transformar alimentos, evoluiu ao longo da história dos povos para tornar-se parte de culturas específicas, criando a marca registrada de cada um.

No estado do Pará um nome se destacou pela ousadia e determinação, Anna Maria Martins, neta de governador, que vai romper com os tabus na sociedade paraense, ao escolher a cozinha como ofício e negócio. Pelas comidas diferenciadas que oferecia às pessoas, misturando elementos específicos dos temperos amazônicos e das tradições repassadas por seus ancestrais, Anna Maria ficou conhecida como a "quituteira de mãos de fada", designação dada a ela jornalista Edvaldo Martins. O pato no tucupi, a maniçoba, o casquinho de caranguejo, os peixes, os doces, as frutas regionais, entre outras comidas, ganham destaque no restaurante Lá em Casa, um dos primeiros de grande porte a serem implantados na capital paraense, na década de 1970.

A culinária paraense, nas mãos de Anna Martins, ganha visibilidade, assim como reconhecimento interno de valorização e tradição na mesa dos paraenses. Após o trabalho de base construído, Paulo Martins, filho de Anna Martins, amplia o legado da mãe incorporando uma visão contemporânea da alta gastronomia internacional, Os sabores exclusivos da floresta amazônica ganham o mundo e passam a imprimir uma marca própria do Estado do Pará.

O chef Paulo Martins globalizou a culinária do Pará, colocando à mesa dos

grandes nomes da gastronomia nacional e internacional, sabores que antes tinham um tratamento menos nobre, de menor importância e de menor valorização. Ele foi responsável pela criação do maior festival gastronômico do Norte do Brasil, o Ver-oPeso da Cozinha Paraense, com a finalidade de promover um intercâmbio entre a culinária regional e chefs de todo o país. O evento aconteceu pela primeira vez em 2000.

O Pará passa a ser identificado para além de suas riquezas naturais e minerais. A culinária é outro elemento cultural importante de identificação dos paraenses, com ênfase nos seus sabores, cores e cheiros que demarcam a comida tradicional aqui produzida.

Alguns pesquisadores nacionais, hoje, identificam a culinária paraense como ‘genuinamente brasileira’, ou seja, carrega uma tradição milenar, que mistura traços indígenas, elementos da natureza e práticas e produtos próprios da região, mas que do ponto de vista da cultura paraense e amazônica é revivida no cotidiano e/ ou em eventos especiais, transformando-se assim em realidade igualmente contemporânea.

Para o escritor Leandro Tocantins, a culinária paraense é uma das mais autênticas do Brasil, pois leva em consideração a transmissão de conhecimentos, técnicas, texturas, cores, temperos, sabores e aromas, preservados até os dias atuais, sendo estes valores respeitados e adaptados pelos povos que construíram a cultura do Pará.

Em seu livro Santa Maria de Belém do Grão Pará, Tocantins escreveu que “ainda se está por fazer justiça à cozinha paraense”. O autor argumenta que a culinária paraense teria que estar no mesmo plano de igualdade ou fazer parte do ordenamento feito por Gilberto Freyre quando indica a culinária baiana, nordestina e mineira como as três tradições culinárias brasileiras.

Neste sentido, o presente Projeto de Lei objetiva instituir, no calendário oficial de eventos do Estado do Pará, o DIA ESTADUAL DA CULINÁRIA PARAENSE, com a finalidade de demarcar a importância desta culinária, designando a dia 25 de julho, data de nascimento de uma das maiores quituteiras e 'marqueteiras' das comidas paraenses no Estado do Pará, Anna Maria Malcher Martins, assim como a todas as pessoas que se dedicam a arte de cozinhar e valorizar o tempero e elementos amazônicos.

 

Plenário Newton Miranda, 02 de setembro de 2015, Deputado Fernando Coimbra - 1˚ Vice Presidente



Escrito por Fernando Jares às 23h24
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PRAZERES DIONISÍACOS À MODA PARAENSE

DIA ESTADUAL DA CULINÁRIA PARAENSE

O Instituto Paulo Martins divulgou hoje:

“Estamos em festa! A Assembleia Legislativa do Estado do Pará, em sessão plenária realizada na manhã de hoje, 04/10, aprovou - por unanimidade - o projeto de lei que institui o Dia da Gastronomia Paraense, que será comemorado no dia 25/07, data de nascimento da dona Anna Maria Martins, que dedicou toda sua vida à Gastronomia e seus saberes. O PL segue para assinatura do governador Simão Jatene. Estamos em festa! (E sabemos que dona Anna Maria está celebrando - com seus sorrisos fartos e papos de anjo - com o Paulo hoje!)”

A notícia é mesmo para festa, e não apenas do Instituto e seus associados, mas do Estado do Pará: é o reconhecimento de uma atividade cultural e econômica de grande importância para a sociedade. A criação da data possibilita mais divulgação para a atividade. Por exemplo, com ações em escolas, para conscientizar sobre o valor da cozinha paraense e o que ela representa em nossa história e na vida dos paraenses. Enseja festivais, ações promocionais, etc. Passa a integrar o calendário oficial de eventos do Estado do Pará, como diz a decisão da Alepa.

A lei aprovada originou-se de Projeto de Lei do deputado Fernando Coimbra, propondo a criação do Dia Estadual da Culinária Paraense (nome efetivo da data).

A data escolhida não poderia ser melhor: a do nascimento de Anna Maria Martins, “A sacerdotisa que transforma um pecado capital em um auto-de-fé”, como a qualifiquei em post em 2007 (leia clicando aqui), a partir de um texto do escritor paraense Leandro Tocantins, no seu clássico guia “Santa Maria de Belém do Grão Pará”:

“Não é possível fugir ao apelo das comidas paraenses. Saudoso desses paladares que, por assim dizer aperfeiçoam a minha natividade, vou ao restaurante Lá em Casa, de minha amiga Anna Maria Malcher Martins que, nos amplos porões do palacete José da Gama Malcher, ex-governador do Estado e seu avô, armou o mais delicioso salão, onde a gula, pecado capital, torna-se um auto-de-fé nos prazeres dionisíacos da comida paraense.”

Nos meus tempos de Editor de Turismo de A Província do Pará qualifiquei esse restaurante, naquele tempo na Governador José Malcher, onde hoje está uma agência bancária, de “templo da cozinha paraense”.

Justifica assim a homenagem à d. Anna o autor do projeto: “um nome se destacou pela ousadia e determinação, Anna Maria Martins, neta de governador, que vai romper com os tabus na sociedade paraense, ao escolher a cozinha como ofício e negócio.” (Para ler a Justificativa do projeto, clique aqui).

Está mais que muito certa a escolha dos senhores deputados paraenses.

Falta agora a aprovação do governador Simão Jatene, que deve ser tranquila – afinal era um dos fãs das “mãos de fada” de d. Anna, como gostava de escrever o sempre lembrado jornalista Edwaldo Martins.

Uma sugestão: fazer da data de sanção pelo Governador um dia de festa, destacando a importância da culinária para a vida cultural e econômica do Estado. Fica a dica.

 

A grande dama da culinária paraense, d. Anna Maria Martins, em belíssima foto de Luiz Braga, que retrata com grande fidelidade o sorriso eterno que seu rosto emoldurava.



Escrito por Fernando Jares às 18h18
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EDWALDO MARTINS

ANIVERSÁRIO DO “SEU” DIDI

Edwaldo Martins (1939/2003) foi um dos mais competentes e sérios jornalistas paraenses, colunista diário durante muitos anos em A Província do Pará, nos seus últimos em O Liberal, onde teve participação intermitente, vítima de problemas graves de saúde, que um dia foram mais fortes que a medicina, e o levaram para sempre.

Hoje era dia do aniversário dele.

Quem com ele convivia (fomos colegas de jornal, tive a oportunidade de ser seu interino muitas vezes, em férias e viagens extras, até em doença súbita e fomos sócios por algum tempo) provavelmente conhecia a sua fidelíssima escudeira doméstica, a Miloca. Figura única, que Deus criou para trabalhar com o Edwaldo, Didi para os mais chegados. E a Miloca o chamava de “Seu Didi”, como aí no título.

Uma vez o Sobral (Comendador Raymundo Mário Sobral, da Ordem do Macaco Torrado), responsável pelo inteligente humor do jornal, em dia que o Didi andava pela sua querida Paris, definia a situação da Miloca, cantarolando na redação: “Saudosa Miloca, Miloca querida...” sobre a música de Adoniran Barbosa...

Em 1986, quando a coluna fazia 18 anos de circulação ininterrupta, A Província fez um Caderno Especial sobre o Edwaldo e seu trabalho, com reportagens muito interessantes e depoimentos dos amigos. Peguei de lá um texto assinado pelo queridíssimo Walter Bandeira, que também já se foi e hoje canta lá por cima – teria feito, há dias 75 anos e por isso ganhou festinhas legais de reconhecimento e saudades – que transcrevo a seguir, com a irreverência de sempre do Walter.

Saudades de ambos. Fazem falta pelas ruas de Belém. Que ficaram mais tristes desde que eles se foram.

MÚSICA POPULAR

Por todos estes anos, se alguém chega pedindo divulgação pro Didi, nem carece abrir espaço. Ele, espaço, ele Edwaldo sempre estiveram ali, disponíveis. Coisa made aqui mesmo, ele nem questiona: se gosta, promove, se não viu, noticia assim mesmo. Briga por isso, se envolve. A "coluninha" soube acompanhar as novas arquiteturas do jornalismo e continua aí, comprometida com o que é nosso, sempre. Má sorte da plateia e suspeição sobre o Edwaldo por ter descoberto e promovido o abaixo assinante.

WALTER BANDEIRA

Cantor, ator, locutor e professor de dicção


No recorte acima aparecem, nas fotos com Edwaldo Martins, Guilherme Coutinho e Sebastião Tapajós, dois gênios de nossa música, de quem o Didi muito gostava e prestigiava.



Escrito por Fernando Jares às 16h17
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