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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


INESQUECIBILIDADES GASTRONÔMICAS

UM DESAFIO AO GALETO, COZIDÃO, PEIXE FRITO
E AOS BONS DE BOCA PELAS RUAS DE BELÉM,
ONTEM E HOJE

O jornalista/cronista/crítico Elias Ribeiro Pinto na sua página de domingo passado (24/07) no jornal Diário do Pará contou de suas recentes andanças pelas livrarias do Rio de Janeiro – olha a coincidência: viajamos para o Rio no mesmo voo... mas de lá eu só trouxe um “Obra Completa” do Almeida Garret que me faltava e a coleção da Ditadura do Elio Gaspari para a Companhia das Letras, que ganhei de presente. Ele trouxe um caminhão de livros... Um deles inspirou a crônica de hoje: “Do galeto do Garrafão ao cozidão do Biriba”, onde fez um exercício que adora fazer – e o faz bem feito – relembrando endereços para comer fora de casa pelas ruas de Belém ontem e hoje.

Como se dizia antigamente, sem mais delongas vamos ao principal, isto é, o texto do Elias que ele, gentilmente, autorizou a publicação para os leitores deste espaço:

DO GALETO DO GARRAFÃO
AO COZIDÃO DO BIRIBA

Na volta da folga de uma semana, entre os livros trazidos na minha bagagem, citados na página de domingo passado, mencionei, de passagem, o “Memórias Gastronômicas e Não Só: Gula e Andanças pelo Centro do Rio de Janeiro”, de Francisco Paula Freitas. O nome do autor não me era estranho. Lembrei então que também o conhecia de passagem, no caso, ao atravessar a rua Paula Freitas, em Copacabana. Mas o Francisco, ou Chico, em questão não é parente da rua do conhecido bairro.

Comprei seu livro, publicado no ano passado, na Folha Seca, livraria e editora carioquíssima, na qual garimpei uns títulos com a cara desse espírito carioca de ser. Bem a propósito, você sai da Folha Seca, no final da tarde, e já desembarca numa extensa fila de mesas de botequins na rua do Ouvidor, pronto para o primeiro chope.

O livro vem muito bem recomendado, como se fossem entradas para o prato principal. A orelha é de Jânio de Freitas (cujas colunas na “Folha”, de uns tempos para cá, andam um tanto quanto indigestas, e não por um possível e bem-vindo incômodo jornalístico). Os prefácios, de Cícero Sandroni e Millôr Fernandes.

Do seu escritório no Centro do Rio, Chico Paula Freitas, ao longo de uma existência, aventurou-se por becos e ruelas, onde a vida boêmia e gastronômica, a cachaça e a cerveja, a feijoada, a rabada e a sardinha frita da contumaz e encantadora alma carioca das ruas (como já cantava a pedra um antecessor de Chico, o escritor João do Rio) se fartou. E, nas quebradas desse viver, já que nem tudo são azeites e alhos, também enfartou.

O autor (cujo dado biográfico se restringe a dizer, “nasceu no Méier”, no que seria conterrâneo de Millôr) frequentou não só botequins famosos, mas igualmente pés-sujos obscuros, ainda não explorados pelos gourmets de plantão. Feito um Proust bom de garfo ele sai em busca do que restou (se restou) do cabrito assado com batatas coradas do antigo Capela, no Largo da Lapa, ou de filés do Lamas (no Largo do Machado).

Enfim, o autor seria um peripatético gastrônomo a circular pelas ruas do Centro da capital fluminense em busca não só do sabor perdido (da fritada de camarão, da feijoada da Zica, da panelinha de bacalhau, arroz e ervilha) mas da simples e legítima necessidade de matar a fome.

Aí pensei com os meus botões (que tive de afrouxar, depois desses repastos literários), por que não temos, cá na terrinha, publicações de semelhante gênero literário, de ver o que sobrou (a tempo de raspar o prato) das comidas da nossa gastronomia, a baixa, a média e (vá lá) a alta?

Longe estou de ser um especialista para meter a colher nessa panela, mas, assim de imediato, me vêm às papilas da memória gustativa, o popular água na boca, o cozido do Biriba, o galeto do Garrafão, o sanduíche de leitão do Café Santos, o de filé do Bar do Parque. O (por que não?) cachorro quente do Rosário. As nossas caldeiradas, a do Célio, do Carvalho. Temos ainda os peixes do Na Telha. As especialidades do Lá em Casa. O que ficou na lembrança do Restaurante do Círculo Militar, das iguarias típicas do Renasci, do Regatão.

Para esta missão, convoco, de imediato, os amigos Fernando Jares Martins, Álvaro do Espírito Santo, o Toscano, o Denis. Podem contar com a minha pena – o meu apetite, o de ontem e o de hoje.

E você aí, leitor bom de boca, que piteco, tira-gosto, prato cheio, que mesa perfumada de boa comida e bom papo (tempero que não pode faltar) lhe ficaram na memória de uma fome imemorial? Do pato no tucupi à unha de caranguejo, mande suas lembranças, de ontem, hoje e sempre.

 

O lendário Biriba lá do título e das lembranças de algumas gerações de belenenses era o “Restaurante Universal”, que só tinha este nome para formatações oficiais e formais... em compensação tinha clássicas batidas e comidas idem. E muita gente boa por lá, sempre. (Fonte da imagem: Fragmentos de Belém)

Como você leu aí no texto, ele fez um desafio “por que não temos, cá na terrinha, publicações de semelhante gênero literário?” referindo-se ao citado guia de comilanças do centro do Rio. Postou a coisa no Facebook e provocou uma enxurrada de lembranças e relembranças, tecos e pitecos no assunto, motivando muito além dos cutucados no texto (entre os quais incluiu este escriba comedor – no melhor sentido gastronômico do termo, bem entendido...). Quando fechei este texto, estava em 31 comentários, fora as respostas dentro dos comentários... Até relembrei uma indicação que fiz, há alguns anos, para a jornalista Rejane Barros, na revista “Toda!” sobre o que “Comi e não esqueço”, que apresentei aqui em “Inesquecibilidades Gastronômicas” que você pode ler clicando aqui. E fiquei de fustigar os neurônios a procurar outras lembranças, outras inesquecibilidades...

Acho que esta ideia vai dar samba, ou melhor, um peixe frito no capricho, como merece.



Escrito por Fernando Jares às 17h51
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THIAGO CASTANHO

UM GATO, SEUS PEIXES, MAIS VOCÊ

O jovem chef paraense Thiago Castanho (restaurantes “Remanso do Bosque” e “Remanso do Peixe”) esteve mais uma vez no programa “Mais Você” de Ana Maria Braga. Apresentou um workshop sobre peixes, para os participantes do “Super Chef Celebridades”. Segundo o programa foi ele aparecer e as redes sociais pipocarem, com a moçada assanhadíssima com o filho do “seu” Chicão. Esse post aí em cima em pesquei (inserido no contexto do workshop...) do sítio eletrônico do programa. Diz lá que nos bastidores perguntaram a ele: “Você se acha gato?” E ele respondeu na lata: "Me acho um cozinheiro", mostrando que sabe lidar com esse assédio.

Thiago apresentou uma série de peixes paraenses, que ele levou ao vivo. Lá estava a turma dos rios: filhote, tucunaré, pacu, tambaqui, curimatã, traíra, mapará e a pescada amarela, esta representando os peixes de mar que consumimos mais regularmente.

Thiago passou uma série de dicas sobre os peixes amazônicos, desde a história do pitiú (que ele classificou como “gosto de barro”) e como tirá-lo, como cortar o peixe, etc.

Preparou dois pratos. O primeiro foi seu clássico “Filhote assado na folha de bananeira”, que ele prepara com perfeição. Detalhou como cortar, como temperar com ingredientes do Pará, tucupi, como (e porque) embrulhar na folha de bananeira, acompanhamento (cuscuz de farinha d’água ou farofa molhada), como servir, etc. Posteriormente um dos participantes afirmou: “o melhor peixe que eu já comi”!
Olha o filhote na finalização:


O segundo prato foi a “Moqueca Paraense”, um megaclássico do pai do Thiago, Francisco Santos, o super gente boa “seu” Chicão, estrela maior no restaurante “Remanso do Peixe”.

Thiago “entregou” todos os pormenores da preparação do prato, os ingredientes típicos do Pará, jambu, tucupi, tempo de preparação, etc. inclusive o acompanhamento: um pirão de farinha de suruí a partir de um caldo de cabeça de peixe, os temperos paraoaras e aviú, nosso exclusivíssimo microcamarão (“tamanho pequeno e sabor intenso”, disse o Thiago). Olha aqui a moqueca preparada no programa:


No papo dos participantes com Ana Maria ela disse que faz moqueca com qualquer coisa, podendo usar a receita com dendê (ops!) – mas, aqui pra nós, pode anotar: com certeza, não há moqueca mais gostosa do que a paraense do Chicão! A apresentadora fez uma brincadeira com os participantes, a ver se tinham prestado atenção nos termos “estranhos” utilizados pelo chef, como aviú, pitiú, suruí, tucupi... e a Ana Maria, escolada em andar pelas ruas de Belém, perguntou o que era “nhambu”? Por sorte foi socorrida rapidamente com a correção para jambu! A turma respondeu muito bem, aprendeu a lição.

O chef paraense no ambiente do programa. Fotos capturadas do site do programa. Você pode ver a participação do Thiago, inclusive essa história da gatice, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 16h49
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CÍCERO CANTUÁRIA

O SENHOR ADMINISTRAÇÃO

Eu ainda nem o conhecia pessoalmente, mas para mim ele era a cara do administrador, como profissional especializado, especialistíssimo na matéria, um jovem que encarnava a profissão ainda nova, ganhando rigores de ciência. Era o “senhor administração”.

Foi assim que cheguei, ainda novo, a Cícero Cantuária (ao lado em foto dos anos 1960, ainda solteiro), que ontem encerrou sua carreira humana, chamado por Deus, depois de pertinaz enfermidade.

Acredito que essa imagem não é só minha. Para muitas pessoas desta cidade ele foi, durante muitos anos, o líder dessa profissão – e não apenas líder, o cara que sabia tudo a respeito de organizar e fazer funcionar com sucesso uma organização, fosse pública ou privada. Como disse hoje o jornal O Liberal: “Morreu ontem o administrador Cícero Cantuária, que exerceu cargos de direção em várias empresas de Belém, além de ter se destacado por valorizar a profissão e ter sido secretário municipal de Administração.”

Entre as muitas empresas que contribuiu para sua estruturação está essa mesma empresa editora de O Liberal e especialmente a TV Liberal. Nos meus tempos de publicitário ativo atendi o Cícero ao menos em duas grandes empresas: na Gelar (a grande indústria de sorvetes que ainda vive na imaginação de tantos pelas ruas de Belém...) e na estatal estadual Copagro. Mas ele também emprestou sua competência a empresas como Pedro Carneiro S/A, T. Janer, Paraense Transportes Aéreos, JS Móveis, etc.

Os amigos sofremos com sua partida. “Uma longa amizade, de 50 anos”, disse-me ontem à noite o também administrador Fernando Nascimento (TV Liberal).

Sua liderança profissional vinha desde os tempos da Associação Brasileira de Técnicos de Administração/Seção do Pará.

Escreveu o livro “Administração Municipal: Como Organizar e Administrar uma Prefeitura” editado aqui em Belém pela hoje quase lendária Editora Cejup, nos idos de 1995. O livro é até hoje referenciado em trabalhos acadêmicos.

Ele tinha uma faceta especial: também compunha e é de sua autoria, letra e música, o muito bonito “Hino da Torcida Alvi-Azul”, que sempre ouvimos na Rádio Clube do Pará ao comemorar os feitos vitoriosos do Papão da Curuzu diante de sua fidelíssima torcida.

Em homenagem ao Cícero aqui está a letra e a ficha técnica da gravação, feita nos idos de 1998:

HINO DA TORCIDA ALVI-AZUL

Letra e música: Cícero Cantuária

I
Sou apaixonado torcedor do Paysandu
Sou super campeão
Sou forte vencedor,
As cores do meu clube
Defendo com vigor,
na luta estamos juntos
Com raça e amor.

II
Vencer, é a palavra de ordem
Crescer, em cada campeonato,
Na coleção de glórias
Vamos sempre na frente,
É a fiel torcida
Que no campo está presente,
Meu clube onde joga
Eu vou lá,

Aplaudir o meu time
E torcer pra ganhar.

Arranjos e Teclados: Tynnôko Costa
Computação: Kzan Gama
Vocal: Simone, Suzane e Paulo Madona
Gravado nos Stúdios Audio Mix – 22/05/1998

O “Hino da Torcida Alvi Azul” foi lançado em fita cassete e tinha versão cantada, versão orquestrada e até uma lindíssima trilha incidental que eu gosto muito de ouvir. Pros mais agitados e moderninhos, tem uma versão funkiada, clicando aqui.




Escrito por Fernando Jares às 16h37
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CADÊ O WHATSAPP?

BRASIL PROÍBE COMUNICAÇÃO GRATUITA.
AGORA SÓ PAGANDO

Ok, vivemos uma ditadura judicial, em parte causada pela inação do executivo e pelas trapalhadas do legislativo. O judiciário se agigantou - e o preço está aí! Qualquer juiz se irrita com algo e proíbe um direito horizontal de todos os brasileiros, inclusive os mais pobres: comunicar-se livremente, gratuitamente, com um simples celular. Digamos que uma das poucas oportunidades de os mais humildes se beneficiarem com tecnologia de ponta. Agora para comunicar-se, têm que pagar às operadoras que, imediatamente, cumpriram a decisão de bloquear o WhatsApp que, obviamente, lhes é vantajosa. A faxineira que combinava seus serviços via WhatsApp, agora tem que pagar; o carregador que recebia pedidos pelo "zap", dançou. O ribeirinho que avisava que estava chegando com seus peixes ou seu açaí, perdeu esse direito. Se bandidos utilizam o aplicativo para suas comunicações bandíticas, com certeza eles não passaram a existir por causa deste serviço.

Senhores da justiça, pensem nos milhões de brasileiros que um de vocês conseguiu prejudicar com uma canetada, bem ao estilo de tempos de chumbo de que nos julgávamos livres. Brasileiros pobres que agora vão engordar as contas das multinacionais da telefonia.

Segundo noticiário a senhora juíza se irritou por ter recebido uma resposta da empresa WhatsApp em inglês. Ora, se há um imbecil que faz esse tipo de estupidez na empresa, que pague ele pela burrice ou grosseria. Ponha o cara na cadeia por desacato à autoridade, pronto, fica a dica. Mas não penalize tanta gente que necessita do serviço para ganhar o minguado (ou até graúdo) pão de cada dia.

Outra coisa me espanta: como uma pessoa apenas, sozinha, tem tanto poder a ponto de parar talvez o maior canal de comunicação dos brasileiros, enquanto presidentes, ministros, deputados, senadores, eleitos pelo povo, precisam de tantas discussões, tantos discernimentos, tantos consensos, para decidirem sobre certas coisas que podem até ser bem mais urgentes para o bem do país!

Pra completar: o Brasil tem moderna legislação sobre a internet, o Marco Civil da Internet – por que não utilizar esse recurso? (Tudo bem que o quase ex-deputado Cunha era contra este Marco Civil...)

Não criei e mantenho este blog para tratar de assuntos tão desagradáveis, mas vez por outra acontece. A proposta aqui é bem mais amena. Mas esta decisão afetou muita gente que hoje já percebi pelas ruas de Belém e pelo país afora. Precisa ser mais bem discutida.

ÀS 22h45:

VENCEU O BOM SENSO
Pouco depois de postar a nota acima, sobre a interdição do WhatsApp no Brasil, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, suspendeu liminarmente a decisão de bloqueio. Prevaleceu o bom senso. Resgatou o bom senso. Viva a Justiça equilibrada! E tomara que ela se sobreponha em definitivo a esses arroubos censuristas.



Escrito por Fernando Jares às 17h44
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MANIÇOBA E SUAS CARNES

MANIÇOBA NA ACADEMIA... DA CARNE


Um dos mais icônicos pratos da cozinha paraense, a maniçoba, agora tem sua explicação e receita no sítio eletrônico “Academia da Carne” ação promocional da marca (de carnes) Friboi via operação da Globo.com. O site tem uma incrível coleção de dicas, receitas e até cursos relacionados com carnes, ministrados por chefs estrelados pelo Brasil afora, as famosas receitas do programa “Mais Você”, da Rede Globo, etc. São centenas de opções. E agora tem a maniçoba, com suas muitas carnes – dia destes comi uma que tinha pedaços de um coxão de porco divinamente assado, que nem te conto, para não dar água na boca... arte culinária da Ildinha, nossa freelancer personal cook

Essas carnes da maniçoba, que a levaram a esta “Academia”, motivaram d. Anna Maria Martins, nos idos de 1986, a qualificá-la de “feijoada sem feijão”, em entrevista ao programa “Globo Rural”, como está registrado no livro “Gastronomia do Pará: o Sabor do Brasil” (2014), que escrevi em parceria com o professor Álvaro Negrão do Espírito Santo. Importante divulgar o registro, porque tem gente misturando as coisas e chamando a maniçoba de “feijoada paraense”, nada a ver! É “feijoada sem feijão”!, obrigado d. Anna Maria.

A foto acima ilustra o texto, que reproduzo a seguir - onde o redator deste blog deu uma colaboração nas informações:

A Amazônia é aquela face do planeta bem ímpar e que dispensa explicações. A cozinha local também segue pelo mesmo caminho. Dentro desse universo, a maniçoba é um dos mais representativos elementos, sendo um dos ícones da gastronomia paraense, com raízes na culinária indígena, enriquecida com ingredientes dos colonizadores.

As peculiaridades começam por sua matéria-prima principal: a maniva, que são as folhas da mandioca moídas e que passam por cozimento durante sete dias! Processo obrigatório e todo cheio de minúcias. “Adiciona-se apenas água nos dois primeiros dias. Nos seguintes, acrescentam-se os embutidos e os defumados de carne bovina ou suína, como charque, lombo defumado, paio, linguiça, mocotó e bucho de boi; orelha, costela, pé, lombo e rabo de porco”, conta o jornalista Fernando Jares Martins, um dos grandes pesquisadores da cultura e da gastronomia do Pará. “Pela sua forma de preparo, é sempre feita em grandes quantidades, para celebrar e compartilhar, o que vem a ser uma característica da cozinha paraense. (N.R.: leia observação após este texto) O cozimento longo é para eliminar o ácido cianídrico, dito fatal, e ganhar bem o gosto dos demais ingredientes”, alerta ele, que é autor de livros como “Gastronomia do Pará: o Sabor do Brasil” (2014), em parceria com o professor Álvaro Negrão do Espírito Santo.

Trata-se de uma verdadeira “feijoada sem feijão”, como bem definiu tempos atrás Anna Maria Martins (1925-2007), grande cozinheira de Belém, idealizadora do Lá em Casa, até hoje um dos melhores restaurantes da cidade (é de autoria dela a receita que ilustra esta reportagem, gentilmente cedida pelo Instituto Paulo Martins).

Vale ressaltar que a maniçoba não é de consumo trivial como a feijoada, que figura como o prato das quartas-feiras em São Paulo e do sábado no Rio de Janeiro. Ela é consumida pelos paraenses em dias de festa, como casamento, aniversário e festa de 15 anos. E especialmente no grande almoço no Dia do Círio – o segundo domingo de outubro, quando disputa os olfatos com o pato no tucupi como dupla onipresente nas mesas paraenses nesse dia.

“Embora a maniçoba possa ser encontrada em outros Estados da Amazônia, essa importância grande só existe no Pará. No Amazonas, onde não é comum, existe até o registro de um prato feito com maniva e peixe por indígenas de duas etnias no Alto Rio Negro. Mas em Manaus, quando encontrada, segue a receita paraense”, complementa Fernando.

A Nota do Redator destacada em vermelho no corpo do texto é por isto:

A citação sobre as grandes quantidades “para compartilhar, celebrar” não é minha. É do governador Simão Jatene. E no texto que fiz sobre a maniçoba, para colaborar nessa divulgação, registrei claramente a fonte, assim:

Pela sua forma de preparo é sempre feita em grande quantidade, o que vem a ser uma característica da cozinha paraense, como destaca o governador do Pará, Simão Jatene, na apresentação do livro citado: “Feita em grandes porções, para compartilhar, para celebrar a vida e a amizade.”

O livro citado é o já referido “Gastronomia do Pará: o Sabor do Brasil”. A omissão deve ter ocorrido por problema na edição, falta de espaço ou coisa semelhante. Mas fica aqui registrado o crédito da imagem ao governador Simão Jatene – que além de administrador público consagrado (em seu terceiro mandato no Governo do Estado) é compositor dos bons.

Para ler o texto no sítio original, clique aqui.

Ao final é apresentada uma receita antiga, original de d. Anna, para 35 pessoas, que está no livro “Culinária Papa Chibé”, editado pelo Instituto Paulo Martins, que reúne receitas clássicas e contemporâneas da cozinha paraense desde d. Anna, seu filho Paulo Martins, e a filha deste, Daniela Martins, e mais nomes de peso da gastronomia pelas ruas de Belém e arredores: Careca (de São Caetano de Odivelas), Carmelo Procópio Jr. (Marujo’s), Chicão (Remanso do Peixe), Eliane Ferreira (boieira/Ver-O-Peso), Joanna Martins, Jórgia Progênio (boieira/Ver-O-Peso), Maria Dionete (Divina Comida), Maria Domingas (boieira/Ver-O-Peso), Maria Clara Penna de Carvalho, Nalva (de Soure), Nazareno Alves (Point do Açaí), Nilza Boaventura (Ilha do Combú), Oswaldina Ferreira (boieira/Ver-O-Peso), Prazeres dos Santos (Saldosa Maloca) e Sérgio Leão (Benjamin).

Você encontra este livro na loja virtual do Instituto Paulo Martins (clique aqui) na livraria Fox e no restaurante Lá em Casa (Estação das Docas).



Escrito por Fernando Jares às 18h34
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CADEIA PRODUTIVA DO AÇAÍ

AÇAÍ: SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL

Descrição: C:\Users\Fernando\Documents\1_Copia_Expansion\Expansion Drive\BLOG 2016\Fotos_2016\SimpInternAcaiCtzChmad.jpgProfissionais envolvidos com a cadeia produtiva do açaí – uma das contempladas no programa Pará 2030 – vão estar reunidos em Belém no II Simpósio Internacional da Cadeia Produtiva do Açaí (II Sinter/Açaí), com o tema “Segurança alimentar e nutricional”, de 25 a 27 de agosto próximo. O evento tem por objetivo identificar subsídios teóricos e metodológicos para o desenvolvimento desta cadeia, que vai desde a produção até a comercialização, e os efeitos deste fruto para a saúde do consumidor; busca promover uma discussão sobre a cadeia em relação ao monitoramento das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina, no Brasil e, em especial, no Estado do Pará. Serão reunidos para debater o tema pesquisadores, professores, empresários, produtores e vendedores artesanais de açaí, além de organismos governamentais de fomento, controle e fiscalização.

O simpósio é coordenado pelos professores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da UFPA e conta com o copatrocínio do Governo do Estado do Pará, através da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (SECTET) e da FAPESPA. São parceiros: CNPq, Embrapa, ITEC/UFPA, Unesp, Avabel (Associação dos Vendedores Artesanais de Açaí de Belém) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O II Sinter/Açaí será desenvolvido com discussões plenárias (palestras e mesas-redondas), minicursos, visitas técnicas (produtor, batedor e indústria de açaí), apresentação de trabalhos científicos na forma de pôsteres e estandes de divulgação de produtos e serviços sobre a cadeia produtiva do açaí.

Para a apresentação de Trabalhos as inscrições estão abertas até 30/07.

Entre os palestrantes e debatedores estarão professores e pesquisadores das universidades regionais, Unicamp, instituições como MPEG, Embrapa, Secretarias de Estado, Basa, BNDES, INPA e do exterior, como da França e do Chile.

O primeiro Simpósio ocorreu em agosto do ano passado, em Macapá (AP), e teve a participação de mais de 250 pessoas de diversas instituições nacionais e internacionais. Para este segundo encontro são esperadas cerca de 300 inscrições.

O II Sinter/Açaí será realizado no auditório do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ-UFPA) e as inscrições devem ser feitas online (www.doity.com.br/sinter). Para mais informações pode consultar (91)3201-8861.

 

Açaí (ah-sigh-ee) para gringo ver e consumir. Este produtor (Sambazon) vai estar presente no II Sinter/Açaí.



Escrito por Fernando Jares às 17h10
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FESTA À FRANCESA

A “PARIS N’AMÉRICA” NO CINEMA

A Belém quatrocentona festeja os 14 Juillet, a data nacional francesa, relembrando as tradições culturais que tanto já nos influenciaram e que têm indeléveis símbolos espelhados pelas ruas de Belém e nos credenciam como “a francesinha do Norte”, a “Paris n’América”, etc.

Neste sábado, 09/07, começa uma temporada de exibição, no histórico Cine Olympia, com entrada franca, o documentário “Belém 400 anos: A influência francesa na capital paraense”, às 18h30, que irá até 14/07, coincidentemente o dia em que se comemora a data maior da França, também chamada de Dia da Bastilha.

O filme foi lançado entre nós mês passado e passa em revista a relação entre Belém e a França, procurando realçar a importância do legado da Belle Époque para belenenses e estrangeiros que ainda não conhecem Belém.

Para isso a Embaixada da França no Brasil, parceira do empreendimento, deverá disponibilizar o documentário para visitantes e interessados em saber sobre a capital paraense. E a Aliança Francesa, que participa também do filme, informa que ele será mostrado na festa que a Embaixada faz para comemorar sua data nacional na próxima quinta-feira (14/07).

Mais de 30 entrevistados comentaram as influências francesas absorvidas pela cidade de Belém ao longo destes quatro séculos de história.

O doc tem roteiro do jornalista e escritor Fábio Ávila em harmonia com a Aliança Francesa com a participação direta de sua diretora, Myriam Mugica, e foi realizado com patrocínio da empresa Imerys, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, contou com o apoio da Embaixada da França no Brasil e do Consulado da França em Belém. As imagens são do fotógrafo e cinegrafista Fábio Knoll. A direção de produção é da fotógrafa Maureen Bisilliat.

A produção deu origem ainda a uma mostra fotográfica das personalidades entrevistadas, que ficará em exposição até 31 de agosto, na Aliança Francesa. A entrada é franca.




Escrito por Fernando Jares às 17h46
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PARA 2030

O DESAFIO DO TURISMO E GASTRONOMIA

Profissionais de turismo e gastronomia lotaram ontem o auditório da Escola de Governo, no antigo CIG na avenida Nazaré, para conhecer o programa “Pará 2030” do Governo do Estado (que já foi assunto aqui no blog: clique aqui para ler).

A novidade que os atraia era a apresentação em detalhes da cadeia produtiva “Turismo e Gastronomia”. O turismo já vem sendo objeto de planejamento no Estado, em ação mais da Secretaria de Turismo do que do Estado como um todo e a gastronomia nunca tinha sido tema de semelhante iniciativa. Por isso estavam lá em peso empresários, dirigentes de instituições do governo, de educação e de fomento ligadas a estes segmentos pelas ruas de Belém e de outras cidades do Estado.

Na primeira parte o secretário Adnan Demachki, titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), fez uma apresentação global do programa. O secretário Adenauer Góes, da Secretaria de Turismo fez a apresentação do que se refere ao turismo e, ao final, Eduardo Leão, secretário técnico adjunto da Sedeme, apresentou a estrutura do Polo de Gastronomia que será criado pelo governo.

Em 2015 o setor de turismo atraiu ao Pará 1,1 milhão de turistas, brasileiros e estrangeiros, e injetou 736 milhões de reais na economia do Estado. Na análise do programa, os segmentos de turismo e gastronomia têm potencial para crescer, em volume de negócios, renda e emprego, 10% a cada ano até 2030 com o fortalecimento da cadeia produtiva a partir de iniciativas como divulgação, atração de novos investimentos, melhoria dos produtos turísticos, investimentos em infraestrutura e qualificação da mão de obra local.

O olhar a produção globalmente, como cadeia produtiva, entusiasmou os presentes, do presidente da Abrasel, Fábio Sicilia à boieira do Ver-o-Peso, Oswaldina Ferreira. Fábio destacou a necessidade de incentivar a produção e distribuição de matéria-prima regional, desafiando: “Por que temos de comprar o amido de milho vindo de fora, se a goma é um substituto de melhor qualidade?”. Como resultado já ficou marcada uma reunião para esta quinta-feira entre os empresários da alimentação fora do lar e governo via Sedap (Agricultura e Pesca), Setur (Turismo) e Sedeme (Desenvolvimento) para identificar ingredientes que precisam ser incentivados e onde estão os gargalos para sua utilização.

O secretário estadual de Turismo, Adenauer Góes, mostrou a estrutura de governança do Pará 2030, que envolve diversos atores, desde o poder público, passando pela iniciativa privada e sociedade civil. “O Pará 2030 foi lançado semana passada. A ideia é percorrer todo o Estado para conversar com os representantes das cadeias produtivas locais a fim de alavancar o que está sendo proposto", afirmou. Como havia um representante de S. Miguel do Guamá, já ficou acertado que lá será feita proximamente uma apresentação do programa.

Oswaldina Ferreira, do alto de seus mais de 40 anos de atuação na feira do Ver-o-Peso, alertou para a necessidade de segurança, principal problema hoje em dia: “lá tem gente boa, gente limpa, comida boa, o problema é a segurança”, afirmou, não esquecendo de citar o “finado” Paulo Martins, como disse, pela oportunidade de divulgação do trabalho das boieiras (no famoso “Jantar das Boieiras”, do festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, que reúne chefs estrelados e as cozinheiras do Veropa) onde “os chefs aprendem com a gente e a gente aprende com os chefs”, concluiu.

Estavam presentes representantes de diversos outros segmentos, como a professora Vanessa Albres Botelho diretora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Pará (UFPA); Merison Resende, da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Pará; Ranilson Trindade, do Carimbó de Marapanim; Joanna Martins e Lorena Filgueiras, do Instituto Paulo Martins; Orlando Rodrigues, do Belém Convention & Visitors Bureau e muitos outros.


Auditório lotado na apresentação do programa “Pará 2030” aos participantes da cadeia produtiva Turismo e Gastronomia. (Foto Divulgação)

POLO GASTRONÔMICO

Na sua exposição o titular da Sedeme, Adnan Demachki, explicou que no Pará 2030 o planejamento não é estático, “ele é dinâmico e aberto às contribuições emergentes".

Isso justifica a entrada no programa do recente “Polo Gastronômico”, apresentado por Eduardo Leão.

Ao que se viu o Polo é calcado no projeto do Centro Global de Gastronomia, proposto pela iniciativa privada, agora como que estatizado, com a diminuição de algumas propostas. Deverá privilegiar escola, laboratório, restaurante e museu da gastronomia. Desde a apresentação da ideia inicial, pelo Instituto Paulo Martins e pelo Instituto Atá (presidido por Alex Atala, o mais influente cozinheiro do Brasil no mundo e que tem grande ligação com a cozinha paraense) o Centro Global de Gastronomia teve ampla repercussão nacional e internacional e contou com apoio explícito do Governo do Estado.

Com a absorção da ideia pelo Polo Gastronômico, criado por recente decreto do Governo, decidiu a autoridade estadual locá-lo no prédio da chamada Casa das Onze Janelas, com isso desalojando o Museu de Arte Contemporânea lá instalado. Um festival de precipitações, especialmente na forma de comunicação da decisão ao público, e o aproveitamento do fato por setores de oposição política ao governo estadual e segmentos assemelhados, transformou o que era para ser uma boa notícia em um desagradável tumulto na sociedade, com acusações injustas a atores honestamente envolvidos no processo. A grosseria e a falta de informação foram tamanhas que Alex Atala decidiu afastar-se do processo, que ajudara a conceber. (Outros Estados da região já estão convidando Atala, “já que o Pará não quer”, para levar a proposta do Centro Global para lá...)

Indagado pelo empresário de gastronomia Arthur Bestene sobre como será o processo de gestão do Polo de Gastronomia, Eduardo Leão esclareceu que o Polo de Gastronomia será gerido por uma Organização Social a ser selecionada via processo de convocação pública concorrencial. "As organizações vão apresentar as suas propostas e será escolhida a que apresentar melhor projeto de gestão para o polo, adequado ao que se pensa para o centro. A iniciativa fortalecerá a cadeia em sua totalidade, desde os pequenos produtores até a ponta", garantiu. Exemplificou que seguirá o modelo do Polo Joalheiro que funciona há muitos anos no Espaço São José Liberto.

(Com informações complementares e foto da Agência Pará)



Escrito por Fernando Jares às 17h51
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WINE DINNER BENJAMIN

UMA NOITE ITALIANA

Quem não sai de Belém neste mês, ou ao menos na primeira quinzena do veraneio oficial paraense – quando andar pelas ruas de Belém é uma tranquilidade, em comparação com os agitados dias do restante do ano – tem um bom motivo para ir ao restaurante "Benjamin" nesta quinta-feira, 07/07. O chef Sérgio Leão preparou uma edição temática de seu tradicional Wine Dinner com foco na Itália.

Vamos ver o que ele oferecerá a quem for por lá nessa noite (é recomendado fazer reserva com antecedência, pois normalmente a casa fica lotada):

Amouse Bouche
Consommé de tomate com manjericão

Primeira Entrada
Aperol Spritz – que vem a ser o drinque de origem italiana que é sucesso nos últimos verões europeus, muito refrescante.
Caponata de beringela e de frutos do mar

Segunda Entrada
Vinho: Tenuta Sant’antonio Scaia Bianco
Ravioli de bacalhau e damasco

Primeiro Prato
Vinho: Tenuta Sant’antonio Scaia Rosso
Fettuccine com polpetone

Segundo Prato
Vinho: Carpineto Rosso de Montepulciano
Risoto de ragú de ossobuco

Sobremesa
Limoncello – o tradicional licor de limão originário do sul da Itália.

Cannoli Siciliano

Início às 21h. O preço por pessoa é R$ 170,00, incluindo ainda água mineral, refrigerantes e café expresso.




Escrito por Fernando Jares às 11h26
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