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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


CULTURA GASTRONÔMICA

GASTRONOMIA EM FILME E LIVRO

A gastronomia tomou conta das dicas de cultura na edição de hoje da coluna do jornalista Mauro Bonna, no jornal Diário do Pará. Convidados a recomendar algum bom assunto em torno de Cultura, a chef Angela Sicilia, do restaurante “Famiglia Sicilia” e o redator deste blog, indicamos aspectos da cultura gastronômica:


Ângela deu a dica de um filme sobre uma perfeccionista chef, de um sofisticado restaurante em Manhattan, com Catherine Zeta Jones. O título original (No Reservation), como se vê, nada tem a ver com o programa de tevê homônimo, comandado por Anthony Bourdain, que até já fez episódios aqui pelas ruas de Belém.(para ler “Sabor paraense sem reservas”, clique aqui).

Naturalmente por questão de espaço editorial não foi publicada a minha dica completa, que incluía também o precioso livro “Cozinha de Origem”, do chef Thiago Castanho, resumindo-a apenas à citação do livro que escrevi em parceria com Álvaro do Espírito Santo.



Escrito por Fernando Jares às 16h54
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INTERDISCIPLINARIDADE

TURISMO E GASTRONOMIA NA UFPA

 

Hoje e amanhã (25 e 26/09) a Faculdade de Turismo da Universidade Federal do Pará – UFPA, por meio do Escritório Modelo de Práticas Acadêmicas em Turismo- Empactur e Centro Acadêmico de Turismo – Catur, realiza a Jornada Acadêmica de Turismo 2014, com o tema "Turismo e interdisciplinaridade: Uma janela aberta para as diversas faces do turismo".

O evento se associa ao Dia Mundial do Turismo, que se comemora no dia 27/09, este sábado.

Haverá palestras, mesas-redondas, gincana e programação cultural. O evento objetiva promover uma maior integração, um intercâmbio sociocultural e uma socialização de conhecimentos científicos e populares entre discentes, docentes, empreendedores, profissionais, órgãos e instituições públicas ligadas ao turismo e à sociedade em geral.

O redator deste blog participa da mesa redonda “Gastronomia: Um olhar teórico e prático”, logo mais às 16h. Veja a programação, que começou às 8h, no Auditório Setorial Profissional/ITEC, Campus Profissional, UFPA – Guamá:

 1º DIA 25/09/14

LOCAL: AUDITÓRIO PROFISSIONAL DO ITEC

7h CREDENCIAMENTO

8h CERIMÔNIA DE ABERTURA

Prof. Dr. Carlos Alberto Batista Maciel – ICSA
Prof.ª Msc. Diana Alberto Sá - FACTUR
Profª Drª Sílvia Helena Cruz - EMPACTUR

9h MESA REDONDA

Tema: Turismo e Interdisciplinaridade
Prof. Edmílson Rodrigues, Arquiteto, Dr em Geografia Humana pela FFCH/USP.
Prof. Danilo Araújo Fernandes, Economista, Dr em Ciência Socioambiental/NAEA/UFPA.
Prof Neila Cabral, Turismóloga, Dra em Ciência Socioambiental/NAEA/UFPA.

14h Exposição dos Projetos – Banner

16h MESA REDONDA

Tema: Gastronomia: Um olhar teórico e prático
Palestrantes: Prof. Msc. Álvaro do Espírito Santo – Doutorando/Universidade de Coimbra/Portugal/UFPA
Fernando Jares Martins – Jornalista especialista em Turismo
Chef Felipe Gemaque
Moderador: Prof. Laércio Falcão - UFPA

2º DIA 26/09/14

LOCAL: AUDITÓRIO PROFISSIONAL DO ITEC

9h MESA REDONDA

Tema: Educação Patrimonial - A subutilização do patrimônio em Belém
Raul Lobo – Diretor de Cultura e Turismo do município de Vigia/PA
Prof.ª Msc. Maria Dorotéa de Lima – Superintendente do IPHAN
Prof. Fernando Tavares Marques, Drº em Arqueologia, Museu Goeldi.
Prof. Raul Campos, Drº em Ciência Socioambiental, NAEA FACTUR/UFPA.
Moderador: Diana Priscila Sá Alberto - UFPA

11h MESA REDONDA

Turismo de Base Comunitária
Prof Jacirene Queiroz – Mestre em Agricultura Amazônica/Turismóloga/Professora do IFPA
Adriana Lima – Diretora do MMIB
Prof Dra Suzy Simonetti – Universidade do Estado de Amazonas e Representante do Fórum de Turismo de Base Comunitária do Estado do Amazonas



Escrito por Fernando Jares às 10h44
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SORVETERIA Nº 1

“SE HÁ ALGO QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER É O SORVETE DA CAIRU”

A frase acima não é de um anúncio da Sorveteria Cairu, tradicionalíssima na produção dos melhores sorvetes pelas ruas de Belém. Pesquei-a em um depoimento de cliente dessa sorveteria no site de viagens TripAdvisor, onde os “contribuintes” qualificam os estabelecimentos que visitam pelo mundo afora.

Avaliada por 714 visitantes da casa a Cairu recebeu, até ainda há pouco, 532 referências “Excelente” e 170 “Muito Bom”, algo como quase unanimidade, pois apenas 10 a consideraram “Razoável” e somente 2 deram a classificação “Ruim”, provavelmente duas pessoas que estavam de mal com o bom gosto...

A Cairu é uma completíssima sorveteria, onde as estrelas são os sabores regionais, que eles sabem fazer como ninguém. Em seus mais de 50 anos (completados ano passado) a cada tem mais de 60 tipos de sorvetes diferentes – se deixa a gente, que aqui nasceu, doidinho na hora de escolher, imagina a cabeça do visitante, o que roda, diante daquele fantástico cardápio a desafiá-lo com nomes surpreendentes para quem os vê, muitas vezes, pela primeira vez. Haja a querer provar!

Com uma aprovação tão fantástica pelos clientes que provaram e foram ao site TripAdvisor, não deu outra: foi pra cabeça no ranking nacional! Foi a mais bem avaliada do país e é a melhor sorveteria do Brasil!


Mais uma vitória para a gastronomia paraense, que se afirma, cada vez mais, como a melhor e mais brasileira do Brasil.

Com essa qualificação, dada voluntariamente por pessoas que a visitam, a Cairu ainda fatura o primeiro lugar entre todos os estabelecimentos de alimentação de Belém, aparecendo em primeiro no setor de restaurantes.

A Cairu já foi assunto de uma interessantíssima história neste blog, sobre um texto do intrépido repórter Arthur Veríssimo. Para ler “Arthur Veríssimo acha os frutos (congelados) da floresta” clique aqui.

Veja a lista das 10 Melhores do Brasil, na opinião dos associados ao TripAdvisor. Note que São Paulo emplacou três, mas são da mesma rede. Para conferir no TripAdvisor, clique aqui.

1. Cairu, Belém, PA
2. Bacio Di Latte, São Paulo, SP
3. Sorveteria Italiana Monte Pelmo, Florianópolis, SC
4. Bacio Di Latte- Bela Cintra, São Paulo, SP
5. Bacio Di Latte – Shopping Morumbi, São Paulo, SP
6. Momo Gelato, Rio de Janeiro, RJ
7. San Paolo, Fortaleza, CE
8. Los Paleteros, Curitiba, PR
9. Sorveteria 50 Sabores, Fortaleza, CE
10. Gelateria Preciosa, Praia da Pipa, RN

Este tipo de conquista rende sempre uma boa exposição na mídia nacional. Veja o que disse o site da UOL, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h20
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QUINTA DOS VINHOS

SELEÇÃO E HARMONIA NO “BENJAMIN”

O restaurante “Benjamin” realizará nesta quinta-feira, 25, seu tradicional Wine Dinner, programa de todas as últimas quintas-feiras do mês. É necessário reserva prévia e confirmação no dia, uma vez que todos os meses há uma apreciável lista de espera e ninguém deve dar no show...

A “culpa” do sucesso da promoção mensal é não apenas da cuidadosa seleção de vinhos, criteriosamente harmonizados com os pratos servidos, mas também, e especialmente, pela qualidade destes, criados e preparados sob comando do chef Sérgio Leão, titular da casa.

Vejam aqui o que vai rolar nas mesas do “Benjamin” nesta quinta, onde os vinhos são a atração:

Primeira Entrada
Espumante Veuve D'Argent Blanc des Blancs Brut – França
Prato: Salada de Frango defumado com maçã verde

Segunda Entrada
Vinho Bordeaux Rosé La Belière 2011 – França
Prato: Sardinha a escabeche

Primeiro Prato
Vinho Morandé Chardonnay 2012 – Chile
Prato: Peixe Branco, Camarões e manga ao curry com arroz jasmim

Segundo Prato
Vinho Chateau Grevière 2005 – França
Prato: Risotto de ragu de ossobuco

Sobremesa
Vinho do Porto Quinta do Crasto – Portugal
Prato: Ganache de chocolate do Combu com sorvete de paçoca e sal negro

 

O valor por pessoa desta degustação é de R$ 140,00 e inclui ainda água mineral, refrigerantes e café expresso.



Escrito por Fernando Jares às 16h14
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DA HISTÓRIA PARA AS CUIAS

UM ARROZ COLONIAL EM LISBOA E BELÉM

No lançamento do livro “Gastronomia do Pará – O Sabor do Brasil” (para saber sobre o livro, clique aqui), tanto em Lisboa como pelas ruas de Belém, em evento no Espaço São José Liberto, uma atração circulou e fez um grande sucesso junto aos paladares dos presentes: o “Arroz de carril”, em versão histórica (quando se escrevia “de caril”).

Trata-se de um prato cuja descrição se encontra no livro “Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas”, escrito pelo Padre João Daniel, onde relata suas andanças pela região entre 1741 e 1757, quando viveu por estas bandas em missão religiosa. É considerado o melhor e mais detalhado relato da Amazônia e da vida por aqui nessa época colonial.

O tal “Arroz de caril” existe até hoje em alguns cardápios, especialmente na Índia ou em restaurantes indianos bem especializados. Mas aqui na região desapareceu... mas no passado foi importante item da alimentação dos colonizadores, conforme relata esse padre.

Sua presença no lançamento do livro – que faz um histórico da cozinha paraense desde os tempos da conquista da região pelos europeus – deveu-se a um desafio. O pesquisador e professor Álvaro do Espírito Santo, que comigo assina o livro, em seus estudos para a tese que prepara para doutorado em Coimbra, localizou a receita no citado livro e desafiou o chef e pesquisador Ofir Oliveira a refazer o prato para o evento de lançamento. Ofir, que é dado a encarar desafios, pegou mais este e saiu-se muito bem, inclusive na versão que fez em Lisboa! Sobre a receita original acrescentou  tapioca e tucupi, atualizando o sabor, bem ao gosto dos paraenses. E ficou só elogios!!!!!

Na versão lisboeta (leia sobre esse lançamento clicando aqui) foi servido em buffet, mas aqui o foi em cuias, bem mais paraensemente:

 

O padre João Daniel em seu livro, entre as muitas descrições, faz um detalhado relato da produção e consumo do arroz na Amazônia daquela época, comparando-o com o da Ásia, por onde já andara. No trecho em que relata a receita do arroz de “caril” o faz assim (note que, como se usava na época, esse “Amazonas” refere-se à Amazônia, ou a região ao longo do rio Amazonas):

Mas nestas, além das que já usam, têm os povoadores do Amazonas, ou podem Ter, muita abundância, com que não só façam ricas as suas casas, mas também o possam transportar à Europa, aonde terá boa aceitação, e melhor preço. Resta-me o dizer alguns usos do arroz à indiática, e rios de Sena [na África], aonde se guisa com facilidade, e sempre apetitosamente, além dos já sabidos, e comuns, visto ter falado naquelas terras, e suas searas de arroz. O primeiro uso é o celebrado caril, que consiste em um molho composto de manteiga, coco, açafrão, ou açafroa, e engrossado com camarões, ou mexilhões, ou com qualquer outro marisco, outras vezes com peixe desfeito, isto é, feito em pequenos pedaços, a que no Brasil chamam piracuí. Vindo pois o arroz para a mesa cozido só em água e sal, vem juntamente em [porcelanas o] caril, lança-se em cima do arroz, e está feito o arroz de caril, menestra ordinária na Índia, e em muitas outras partes da Ásia, aonde o comum sustento é o arroz.

Os portugueses em seu processo de colonização, espalhado pelos diversos continentes, fizeram intenso intercâmbio de ações culturais, comportamento, etc. Graças a isso temos a Belém “Cidade das Mangueiras”, os africanos têm a mandioca, todos temos a nossa língua portuguesa, afinal uma pátria geral, como bem poderia imaginar o Fernando Pessoa, e pudemos saborear este elogiado arroz à moda colonial, contemporaneamente atualizado...




Escrito por Fernando Jares às 12h17
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PANIS NITEROIENSIS

VOCÊ GOSTA DE PÃO DE QUEIJO?

Você gosta de pão de queijo. Esqueça os seus bons gostares. Encontrei em Niterói um novo conceito em delícia de pão de queijo, bem diferente do pão de queijo que encontramos habitualmente aqui pelas ruas de Belém, e olha que temos por aqui alguns que eu até gosto. E mesmo em Niterói, bem distantes das Minas Gerais, a terra natal dessa especialidade brasileira. Tire um fino deles, como se dizia antigamente:

 

São diferentes a partir do formato, o que em si não é uma diferença tão importante... A diferença mesmo está na massa, gostosíssima, macia e na crocância, com um parmesão dos bons, a reforçar o sabor interno.

Essa delícia toda está na padaria “Boulangerie 403”, também café e confeitaria, que fica na rua Mariz e Barros, em Icaraí, Niterói. A casa é fina. Tem uns planos arquitetônicos discutíveis, mas nos balcões e vitrines estão expostas preciosidades para os melhores paladares – e isso é o que interessa. E o preço nem é exagero. O pão de queijo custa R$ 46,53 o quilo. Comprei quatro, que pesaram 150g ao custo de R$ 6,53, quer dizer, um pouco mais de R$ 1,50 por unidade. No dia seguinte repetimos a dose, com 10 unidades, que custaram R$ 15,33, confirmando o valor médio.

Entre as outras preciosidades que tem por lá estão baguetes, da tradicional francesa à de trigo integral, pães especiais com azeitonas (uma delícia carregada na azeitona preta gostosa), com passas, nozes, etc. E uma tal “pizza branca”, que vem a ser uns quadradinhos de massa de pizza fininha com tempero de ervas, ao valor de R$ 42,56 o quilo. Uma delícia, também. Até fiz uma foto para vocês verem as gostosinhas.

A padaria do Líder da Doca teve, há tempos, produto semelhante, muito bom, mas sumiu. A primeira vez que provei destas gostosuras foi no extinto restaurante “P&F”, do Paulo Martins e Fernando Torres, que tinha entre as atrações do couvert umas tirinhas com esta massa.

 

Ano passado o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publicou matéria sobre a concentração de boas padarias nessa rua de Niterói: “Mariz e Barros, a rua dos pães” (leia, clicando aqui) sobre esta “Boulangerie 403” e mais duas excelentes, por onde também já andei a beliscar pães maravilhosos, na mesma rua: “Frisée Gourmet” e “Emporio del Gusto”.

Para fechar, festejando o elogiado pão de queijo niteroiense, outra foto deles:




Escrito por Fernando Jares às 19h16
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PAULO MARTINS, ANO -4

ESTRELA DO NORTE
E O CHEIRO DAS CAROLINAS PARAENSES

Hoje quando vamos a um aniversário, festa de colação ou de casamento, é muito comum estar com destaque na mesa do anfitrião uma bela travessa ou uma terrina com um atraente “Arroz paraense”. Os "mais velhos pouquinha coisa” (© do saudoso jornalista Ewaldo Martins) sabem que há uns tantos anos esse prato não existia pelas ruas de Belém... Trata-se de um arroz que leva tucupi, jambu e camarão seco, ingredientes do tacacá, um dos ícones da cozinha paraense. Pois bem: a audácia de pegar os ingredientes do tacacá e misturar com arroz (que substituiu a goma) tem nome e sobrenome: Paulo Martins, o arquiteto por formação e cozinheiro por vocação, que se tornou o primeiro chef famoso em Belém, praticamente institucionalizando essa nomenclatura para os chefes de cozinha entre nós. Este tal “Arroz paraense” dos dias de hoje foi batizado por ele simploriamente de “Arroz de Tacacá” e está lá no primeiro cardápio do restaurante “Lá em Casa” da Estação das Docas, nos idos de 2000. Fica na categoria “Pratos típicos de nossa criação” e aparece junto com “Picadinho de tambaqui”, “Haddock Paraense”, “Peru no tucupi”, “Filé Marajoara”, “Piramanga” e “Talharim à marajoara”. A descrição do prato é direta: “arroz feito no tucupi, jambu e camarão seco”.

 

Hoje é o “Ano -4” de Paulo Martins, que se foi em 2010, deixando um legado de extraordinária criatividade, hoje espalhado pelas cozinhas de casas e restaurantes de todo o Estado e pelo Brasil afora. Rompeu a tradição no uso de ingredientes centenários paraenses, de nossa melhor tradição indígena, dando a eles novos tratos e novas combinações, alcançando sabores únicos e, acima de tudo, gostosos.

Parte do título aí em cima “Estrela do Norte”, fui buscar em uma entrevista de Paulo Martins publicada em duas páginas da revista Cláudia Cozinha, em fevereiro de 2006, resultado de um papo dele com a chef dessa revista, Bettina Orrico:


CAROLINAS PARAENSES – Luiz Gonzaga ficaria espantado ao provar o cheiro das carolinas paraenses: priprioca, patchuli e cumaru. Ele, que cantou “O cheiro da Carolina”, a moça cheirosa em que todo mundo queria dar uma fungadinha... saberia que aqui era possível comer os deliciosos cheiros que antes apenas eram os perfumes das mais belas morenas paraenses. Foi outra das reconstruções gastronômicas de Paulo Martins, trazendo para a gastronomia o que antes só era usado pela cosmética e perfumaria, industrial ou popular: no VI Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, em 28/04/2006, ele apresentou a sobremesa “Sabores e Odores do Pará”, justamente três carolinas (o doce, obviamente) com três sabores/odores: priprioca, patchuli e cumaru. O patchuli não pegou, mas a priprioca e o cumaru são hoje atrações de primeira linha na cozinha contemporânea paraense e brasileira. A priprioca é uma queridinha de Alex Atala e o pudim com cobertura de cumaru frequenta os melhores restaurantes da cidade. Joanna Martins, filha de Paulo, resgatou a receita original da Carolina em Calda de Priprioca e publicou no perfil Facebook do Instituto Paulo Martins:


A cada ano, desde que o Paulo se foi, tenho dedicado espaço especial recordatório nos dias 9/9 a ele – além das citações durante o ano. É freguês deste blog... como eu tantos anos fui freguês dele, no “Lá em Casa”, restaurante que fundou e onde gestou tantas criações, tamanha revolução cultural na forma de tratar e apresentar a cozinha paraense, ampliando, mas sempre respeitando, profundamente, as nossas raízes culturais, com a utilização de nossos mais tradicionais ingredientes. Acho que este é o Dia da Cozinha Paraense!

Recorde as recordações:

2013 – “Um revolucionário no tratar e apresentar os ingredientes paraenses” – clicando aqui.

2012 – “A herança de Paulo Martins” – clicando aqui.

2011 – “Um legado de criatividade gastronômica” – aqui.

2010 – “Paulo Martins” – aqui



Escrito por Fernando Jares às 06h55
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JAMYLY QUER SER MASTER CHEF

A EMOÇÃO EM UM FILHOTE AMAZÔNICO

A menina do Amapá com seu filhote fez o chef se emocionar!

Não, não se trata de uma jovem amapaense com o filho ao colo fazendo o patrão chorar.

Traduzindo: a jovem Jamyly Monard, de Macapá, foi, meio “na coragem”, apenas com seu conhecimento, força de vontade e muito amor pela sua terra, disputar o programa MasterChef Brasil, que estreou na terça-feira na Band. Trata-se de uma competição culinária estilo reality show, que chega ao Brasil como sucesso pelo mundo. Aqui tem Ana Paula Padrão como apresentadora e os chefs Henrique Fogaça, Paola Carossela e Erick Jacquin como jurados.

Nesta história Jamyly preparou, em 45 minutos, e montou em cinco, um prato com o peixe amazônico filhote. Veja o Filhote com abacaxi, jambu, molho branco, camarão rosa, castanha-do-pará e arroz com brócolis, que ela batizou de “Surpresa”:


Com sabor elogiado e uma fala segura e emocionante, Jamyly conseguiu balançar o grandão tatuado Fogaça e a argentina Paola. O francês Jacquin fez um belo discurso sobre diversidade cultural e gastronomia, recomendando “seja fiel a suas raízes” e não aprovou a moça, evidentemente porque ela meteu um queijo e um molho branco no filhote... Com a aprovação dos outros dois jurados, ela ganhou o avental para participar do programa.

Quero ser mais que cozinheira. Tenho a minha cidade nas minhas costas. Isso me faz grande, me faz forte”, disse Jamyly. Fogaça emocionou-se, aprovou a garota (22 anos, estudante), elogiou o jambu e aconselhou: “Respeite as suas raízes”. Fogaça já esteve aqui pelas ruas de Belém, onde participou da versão deste ano do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense e conheceu a realidade de um filhote no mercado de peixe. Viu a imensidão amazônica dos ingredientes da Amazônia e deu, ele e Jacquin, um conselho de ouro para jovens chefs. Na verdade, bebam nas fontes, abeberem-se na riquíssima cultura alimentar local.

Para ver esse quadro do programa clique aqui.

Vamos torcer pela Jamyly. Ela nos representa. Terça-feira tem mais.



Escrito por Fernando Jares às 15h08
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REMANSO: 34º MELHOR NA AL

CULINÁRIA AMAZÔNICA QUE MISTURA A TRADIÇÃO E A INOVAÇÃO

A “Tendência pela natureza” que eu destaquei no livro “Gastronomia do Pará – O Sabor do Brasil” para este início de século foi ponto alto, na noite de ontem, na premiação dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina. O primeirão da lista, o “Central” de Lima, Peru, é comandado por Virgilio Martinez, um campeão de pesquisas com ingredientes naturais, especialmente da Amazonia Peruana e dos Andes. Quando ele esteve aqui pelas ruas de Belém, participando do programa “Visita Gourmet”, no restaurante “Remanso do Bosque”, andou até pelos interiores e esteve na feira de Abaetetuba, para conhecer por dentro este PARAíso natural – leia “Dos grãos dos Andes aos peixes das Amazônias” clicando aqui e, logo antes, “O encontro das Amazônias no Remanso”.

Outra boa notícia para a culinária paraoara: dos “Top 5”, três já cozinharam nesta cidade: o campeão, Virgilio Martinez; o 3º colocado, Alex Atala, do “D.O.M” é um mais entusiastas participantes do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” e grande usuário e divulgador de nossos ingredientes; e a chef do 4º lugar, o “Mani”, Helena Rizzo, já cá esteve, também no Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”.

REMANSO CRESCE

Mas a grande notícia foi que o “Remanso do Bosque” não apenas permanece na lista dos Melhores Restaurantes da América Latina, como cresceu quatro postos e agora é 34º! (A lista completa está aqui).

O título aí em cima, deste post, é o mesmo que o concurso, comandado pela poderosa revista inglesa Restaurant, deu para a apresentação do Remanso na galeria dos premiados.

E veja que primor de texto descreve o restaurante e o belíssimo trabalho de seus dois titulares, os irmãos Thiago e Felipe Castanho, no site do prêmio, com grande destaque para a gastronomia do Pará:

Pará, a única região do Brasil que realmente desenvolve uma culinária local, é o lar do Remanso do Bosque, um restaurante autêntico da Amazônia, que fica de frente para um parque nacional que faz parte da floresta amazônica, apenas a 30 minutos de distância da selva profunda.

Lá, Thiago Castanho trabalha diariamente com uma rede de pequenos produtores e um dos mercados mais importantes da América Latina, os fornecedores. O Remanso do Bosque é um restaurante que oferece dois tipos de cozinha: a contemporânea amazônica e a tradicional amazônica. A primeira é apresentada em um cardápio à la carte focalizada em três elementos centrais - o fogo, peixe e mandioca. A segunda opção está exposta no menu de degustação que está centrado na pesquisa de produtos locais e silvestres, e nas técnicas culinárias modernas e nativas do Brasil. Os pratos mais emblemáticos da casa usam os peixes nativos como o filhote na brasa, o pirarucu ao leite de castanha do Pará, e a moqueca com tucupi.

Uma conquista para a cozinha paraense, para os ingredientes únicos deste Estado, para o trabalho do povo desta terra, que transforma produtos naturais de qualidade em um resultado reconhecido internacionalmente. Parabéns Thiago Castanho, Felipe Castanho e aos pais deles, d. Carmen e o Chicão, do “Remanso do Peixe”, onde tudo começou. E a toda dedicadíssima equipe que trabalha com eles.

Veja abaixo a imagem da página do “Remanso do Bosque” no site do prêmio. Para ir lá, clique aqui.




Escrito por Fernando Jares às 10h13
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O AÇAÍ DO MINISTÉRIO DO TURISMO

AÇAÍ “TRADICIONAL” COM MORANGO E GRANOLA?
 ÉGUA, SUMANO!

 

Esta foto do açaí servido de forma estranha aos hábitos paraenses foi publicada na página do Facebook do Ministério do Turismo, com a seguinte frase: “Tá na hora do lanche! Que tal um tradicional açaí paraense?” Como não tem nada a ver com a tradicional forma de consumir o açaí aqui no Estado, gerou uma polêmica e tanto. Foram centenas de comentários espinafrando a postagem oficial do Turismo Brasileiro, defendendo a cultura alimentar paraense, chutada para longe no post. Por exemplo, a jornalista brasileira Luciana Bianchi, que vive e trabalha em Londres, foi uma das primeiras a reagir: “O açaí tradicional paraense não é consumido e servido desta forma.” E até ofereceu consultoria ao Ministério... destacando o livro “Cozinha de Origem” de Thiago Castanho, escrito em parceria com ela. Joanna Martins, do Instituto Paulo Martins, também criticou, embora reconheça que “É mt bom q o Ministério divulgue os nossos produtos, mas que o faça da maneira correta.” (Leia aqui)

O Ministério passou a responder em tom monocórdico a todas as críticas: “Quando citamos açaí tradicional do Pará , estamos fazendo referência ao estado de origem da deliciosa iguaria e não ao seu modo tradicional de preparo.” Saindo pela tangente, como se diz...Na contramão da avalanche paraensista em defesa do que de fato é “tradicional” no nosso Estado, apareceu um perfil “Governo do Pará” em defesa do Ministério do Turismo, a botar panos quentes, meio na linha infame do “falem mal, mas falem de mim”, dizendo: “Opa, sim! Açaí é pra todos os gostos. Pode misturar com tapioca, farinha ou açúcar também, que a gente adora!” no que deixou o MTur todo feliz... Mas mereceu contundente resposta de Karolina Miranda de Camargo que afirma, entre outras coisas, que o Ministério é useiro em dar informações erradas sobre Belém e dá o exemplo de postagem em que o órgão oficial do turismo brasileiro afirma que Belém é na beira do rio Amazonas: “Belém: cidade para todos os gostos. Na beira do Rio Amazonas e cercada pela Floresta Amazônica, vivenciou a época áurea dos barões da borracha. http://bit.ly/1stov8G” Você pode conferir clicando aqui.

Considerando a explicação dada pelo MTur o que se vê é que houve uma tremenda confusão conceitual: o que era para ser promoção turística, isto é, do turismo gastronômico paraense (para conhecer o açaí “de verdade” tem que vir prova-lo pelas ruas de Belém, no Pará) virou, numa visão distorcida da função do órgão, promoção comercial de propaganda do açaí produzido no Pará. Isso é bom, de fato, mas não é o que se esperava de um órgão destinado a promover o turismo.

A reação foi belíssima, uma demonstração forte de paraensismo em defesa de um ícone da cultura alimentar paraense. O “barulho”, como defendeu e pregou essa reação a Joanna Martins, foi tal que o Ministério do Turismo não teve jeito: tentou corrigir a besteira, trocando a frase, que agora diz: “Tá na hora do lanche! O açaí é consumido de diversas formas no Brasil. Na foto, é acompanhado de banana e granola”. Basta você ir até lá, clicando aqui. A gambiarra da edição com a troca da frase você pode ver clicando em “Editado” para ter acesso ao histórico de edições, como na imagem abaixo. Não deixe de ler os comentários, que são mantidos mesmo depois da edição feita pelo Ministério.




Escrito por Fernando Jares às 17h07
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