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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


SARAMAGO PELAS RUAS DE BELÉM

MEMORIAL DO CONVENTO DE SANTO ALEXANDRE
E A PASSAROLA DE MIRITI

Depois de conseguir lançar dois livros de José Saramago, inéditos no Brasil, e com características inovadoras, que trouxeram a Belém, para o lançamento, a viúva do português Prêmio Nobel de Literatura em 1988, a Editora da UFPA “apronta” mais uma inesperada novidade, em torno do universo saramaguiano.

Em agosto passado a jornalista e escritora Maria del Pilar del Río Sánchez Saramago cá esteve em visita inédita para apresentar dois livros de Saramago, inéditos no país: “Da Estátua à Pedra” e “Discursos de Estocolmo e Democracia e Universidade”, em coedição da Editora da UFPA e Fundação José Saramago, da qual Pilar é presidente. Sobre esse lançamento leia “Em busca do espetáculo do mundo” clicando aqui.

Foi um tento e tanto – sem pretensões trocadilhescas... Escrevi por estas linhas virtuais que o evento reabilitava a cidade perante a memória do grande escritor, que um dia por cá foi não bem-vindo. Para ler essa rocambolesca história clique aqui.

Pois o resgate não parou aí. Agora a cidade vai ter o privilégio de ver a montagem teatral de um dos mais conhecidos livros de Saramago, “Memorial do Convento”, à semelhança da que é vista no Palácio Nacional de Mafra desde 2008, inclusive com os principais atores lusitanos do elenco de lá!

É a primeira vez que esta montagem é feita no Brasil! Outro ineditismo paraoara.


A sinopse da montagem em Mafra é apresentada assim:

Ansiando por um filho que tarda, o rei D.João V é avisado por frei António de S.José: "Mande V. Majestade fazer um convento de franciscanos em Mafra e Deus vos dará descendência". O desejo real desencadeará uma epopeia de homens, um esforço hercúleo de milhares de trabalhadores arregimentados em todo o país, de arquitetos, engenheiros e materiais vindos do estrangeiro e pagos a peso de ouro do Brasil, esgotando-o.

Unidos por um amor natural, Blimunda e Baltasar reúnem-se ao padre Bartolomeu de Gusmão e ao seu sonho de voar. A passarola, máquina voadora, misto de barco e de pássaro, nasce do saber científico de Bartolomeu, da força de trabalho de Baltasar e dos poderes de Blimunda, recolhendo as vontades humanas (as nuvens fechadas), que alimentarão a máquina e a farão voar.

Sobre as obras do Convento de Mafra terá passado o Espírito Santo, dizem os padres e acredita o povo. Voar, nesse tempo, não sendo obra de Deus, só poderia sê-lo do demónio, e assim se anuncia o fim trágico das três personagens maravilhosas.

Não temos Mafra, mas temos Santo Alexandre! É lá, na igreja de Santo Alexandre e no Palácio Episcopal (antigo Colégio de Santo Alexandre), que compõem o Museu de Arte Sacra, no Complexo Feliz Lusitânia, que acontece a encenação, nos dias 3 e 4 de outubro (quinta e sexta), às 19h. E grátis!

Além de três atores portugueses estarão em ação cerca de 50 pessoas entre atores, músicos e figurantes: alunos da Escola de Teatro e Dança da UFPA, da Escola de Música da UFPA, a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia e a Schola Gregoriana “Ad te levavi”, também da Escola de Música.

Mas a montagem pelas ruas de Belém introduzirá componentes artísticos regionais, incorporando elementos da cultura amazônica nos figurinos e nos adereços. Imagine que a passarola será de miriti!

Veja o teaser do teatro musical "Memorial do Convento" produzido pela Academia Amazônia (UFPA) clicando aqui.

Vale registrar que o padre Bartolomeu de Gusmão é figura real, nascido no Brasil colônia (1685) em Santos, Capitania de S. Vicente – por isso é considerado português. Sou fã dele desde a adolescência e sempre o achei injustiçado pela história. Fiquei feliz ao ver a sua passarola e seu nome em um painel no aeroporto de Lisboa. Mas isso é outra história... (Por cá, desconheço homenagem. Haverá em Santos?) Ah, a passarola voou sim, um pouquinho, e os balões pegaram fogo. Mas voou!!!

Imagine, se a passarola fosse de miriti, sumano...




Escrito por Fernando Jares às 18h22
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PAULO MARTINS, ANO -3 (II)

O ESPIRITO DO PAI DA COZINHA BRASILEIRA CONTINUA VIVO

O chef paraense Paulo Martins, que arquitetou e realizou a grande revolução na cozinha paraense, no final do século passado e início deste, ganhou ontem mais uma homenagem especial: da jornalista, e chef, Luciana Bianchi, brasileira que mora em Londres (e circula pelo mundo...), trabalhando para importantes publicações internacionais, como a revista Restaurant, que realiza a respeitadíssima seleção dos “The World's 50 Best Restaurants”. Paulo Martins completou, no dia 9 passado, três anos de falecido. Aqui pelas ruas de Belém teve post/homenagem que você pode ler clicando aqui.

É mais uma grande homenagem que este criativo e ferrenho defensor do paraensismo continua conquistando e que enche de orgulho a gente do Pará.

Luciana registrou assim no Instagram a lembrança de Paulo Martins:

 

Veja aqui o texto:

O espirito do pai da cozinha brasileira continua vivo em nossos pratos e no coração de cada chef que se orgulha dos produtos de nossa terra. Viva a nossa identidade culinária! VIVA PAULO MARTINS! Beijão a Joanna Martins Daniela Martins e família pelos 3 anos de ausência do pai querido. #paulomartins #brasil #cozinhabrasileira (foto DR)

Os comentários são muito preciosos e você pode ler clicando aqui.

Veja, por exemplo, este dos “Alhos e Passas” (do blog “Alhos, Passas e Maçãs”):

“Alhosepassas - Maravilha, Luciana. Às vezes, ao ouvir discursos atuais sobre a gastronomia brasileira, tenho a impressão de que esquecem a importância de Paulo Martins, que quarenta anos atrás falava (e fazia) o que muitos, hoje, tentam apresentar como novidade.”

O chef Raphael Despirite (Marcel, SP), que faz um “Souflé de Cupuaçu”, tão bom quanto o do PMartins... – bradou: “O cara!” e Luciana respondeu aos dois: “@alhosepassas com certeza! Muita gente se esquece, assim como se esquece da importância do trabalho de @c_troisgros e de Laurent Suaudeau introduzindo os ingredientes brasileiros na alta cozinha. Nosso papel é o de relembrar e de "refrescar" a memória dos esquecidos!”

Os citados Claude Troisgros e Laurent Suaudeau eram fraternos amigos do Paulo Martins, que os citava sempre como referência e parceiros na sua jornada de valorização dos ingredientes brasileiros e, particularmente, amazônicos, inclusive no “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”.

Passe lá no Instagram de Luciana Bianchi e veja os comentários. Inclusive da filha de PMartins, chef Daniela Martins, que hoje comanda a cozinha do restaurante “Lá em Casa” que, depois de agradecer as referências feitas ao grande mito da cozinha paraense, escreveu: “tenho muito mais que orgulho de continuar um trabalho do meu pai que era antes de tudo um apaixonado pela Cozinha, cozinha essa a brasileira paraense.”



Escrito por Fernando Jares às 14h00
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CULINÁRIA PAPA CHIBÉ

A COMIDA DO DIA A DIA DOS PARAENSES

Uma coletânea com algumas das receitas que o paraense usa no dia a dia, em dia de festa, quando vai ao restaurante ou no dia do Círio, na barraca da praia ou da feira – assinadas por quem sabe fazer! – fazem o cardápio, ops, o índice, do livro “Culinária Papa Chibé”, primeiro lançamento do Instituto Paulo Martins. Pelas ruas de Belém você o encontra à venda na Fox Vídeo (Dr. Moraes e Líder/Doca), nas Livrarias Newstime (Shopping Pátio Belém, Parque Shopping e Estação das Docas), na Banca do Alvino (Presidente Vargas e Supercenter Nazaré), na Revistaria do Renato (Yamada Plaza) e também no restaurante “Lá em Casa”, na Estação.

Estão aqui desde os tradicionalíssimos pratos paraoaras como caldeirada, maniçoba, pato no tucupi, pirarucu de casaca, tamuatá no tucupi, silveirinha de camarão, caruru e vatapá paraense; clássicos como peixe frito com açaí, caranguejo toc-toc, casquinho de caranguejo e tacacá; especialidades recém-liberadas pelo legalismo ambientalista, como paxicá e sarapatel de tartaruga; criações contemporâneas que já viraram “pratos regionais”, a maioria do chef Paulo Martins, como muçuã de botequim, pato do imperador, picadinho de tambaqui, arroz paraense; sobremesas como doce de cupuaçu, pudim de bacuri ou bolo podre. São 31 receitas, todas com a indicação do seu criador ou responsável pelo enunciado e coordenadas pela chef Daniela Martins, com belíssimas fotos de João Ramid/Amazonimagebank.

Fiz os textos de abertura e vinhetas que acompanham algumas receitas, além de participar da criação do projeto editorial, com Joanna Martins e João Ramid.

O livro contém receitas assinadas por Sérgio Leão (Benjamin), Maria Dionete Cardoso (Divina Comida), Daniela Martins, Joanna Martins, Paulo Martins, Anna Maria Martins (Lá em Casa), Carmelo Procópio Jr. (Marujo's ), Nazareno Alves (Point do Açaí), Chicão-Francisco Santos (Remanso do Peixe), Maria Clara Penna de Carvalho, Nilza Boaventura (Boá) e Prazeres dos Santos (Saldosa Maloca), Nalva (Nalva), Careca (Peixaria do Careca), e mais as famosas boieiras do mercado do Ver-o-Peso, aquelas experientes cozinheiras que fazem a “boia” (a comida) para quem trabalha ou visita o mercado e a feira: Eliane Ferreira, Jórgia Progênio, Maria Domingas Barbosa e Oswaldina Ferreira.

No dia do lançamento, na passada Feira Pan-Amazônica do Livro, peguei autógrafo da chef Daniela Martins, das boieiras Jórgia, Maria Domingas, Eliane e do fotógrafo João Ramid.




Escrito por Fernando Jares às 11h53
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OZIEL CARNEIRO

UM LÍDER EMPRESARIAL E POLÍTICO

Quem mora ou trabalha na avenida Oziel Carneiro, em Eldorado dos Carajás, saberá quem é o homem homenageado por essa artéria? Ou os alunos da Escola Municipal Rural Oziel Carneiro, no ramal do Tirirical, em Tomé Açu, sabem que a personalidade que homenageiam ao adquirir conhecimentos para a vida, faleceu na noite de ontem, aos 81 anos?

As últimas vezes que o encontrei foi em alguma celebração religiosa, geralmente aos sábados, na Missa da Igreja de Santo Antonio de Lisboa, na companhia do filho, Clóvis. Que me lembre, a foto mais recente que vi foi em homenagem que recebeu, no plenário da Assembleia Legislativa, nos 25 anos do Conselho de Jovens Empresários da Associação Comercial do Pará. Oziel era presidente da ACP quando o Conjove foi criado. E não se esqueceram dele. Foi em março deste ano.

Oziel Carneiro, médico, nascido em Tocantinópolis (hoje Estado do Tocantins) foi um misto de empresário e homem público, dedicado defensor das coisas paraenses. Teve, no início dos anos 80 do século passado, um dos cargos mais importantes da Amazônia: Secretário Executivo do Conselho Interministerial do Programa Grande Carajás – o órgão federal responsável por todo o projeto Carajás (da Vale) e empreendimentos de infraestrutura, igualmente monumentais, como a usina hidrelétrica de Tucuruí; a Estrada de Ferro Carajás; o Porto de Ponta da Madeira, em São Luís, até o ciclo de produção do alumínio paraense (Albras e Alunorte), imaginado para viabilizar economicamente a hidrelétrica de Tucuruí, gerando consumo imediato.

Teve uma carreira pública expressiva, onde se destacam a presidência do Basa, diretor do Banco do Brasil, Membro do Conselho Monetário Nacional, entre outros. Jovem, foi presidente da Câmara Júnior de Belém, um clube de liderança (os associados não podiam ter mais de 40 anos) que reunia gente do porte de Oswaldo Mendes, Jayme Barcessat, Ramiro Nazaré, Domenico Falesi, Jorge Colares, líderes em seus segmentos profissionais. Na área empresarial foi diretor da primeira fábrica de cimento da Amazônia, a Pires Carneiro, em Capanema, cuja implantação lembro muito bem; da Tecejuta, em Santarém; da Pedro Carneiro S/A, da Socilar, empresa de crédito imobiliário da família, entre outras.

Filho de político (seu pai, Pedro Carneiro, foi vereador e prefeito de Marabá, deputado estadual, senador e deputado federal, dos anos 50 aos 70), irmão de político (Armando Carneiro foi deputado estadual e deputado federal nos anos 50 e 60), Oziel teve também seu lado político e até foi candidato a governador em 1982, quando foi eleito Jader Barbalho para seu primeiro mandato. Foi depois suplente de senador (1987/1995), tendo assumido a cadeira senatorial quando o titular, Jarbas Passarinho, licenciou-se para assumir o ministério da Justiça, no governo Collor de Melo, entre 1990 e 1992.

Também foi diretor do Jornal do Dia, emblemático jornal que circulou pelas ruas de Belém entre 1961 e 1964, fundado por seu irmão Armando, e que forjou, na prática das notícias buscadas e apuradas, toda uma geração de bons jornalistas paraenses – o JD praticamente só publicava notícias locais.

A disputa que teve pelo governo estadual foi histórica, pois poderia representar o fim do poder dos militares – por seus partidos políticos -, como de fato ocorreu, com a eleição de Jader, da oposição civil, mas apoiado pelo governador na época, o coronel Alacid Nunes, arqui-inimigo político de Jarbas Passarinho, figura maior do partido de Oziel. Ele deixou a Secretaria Executiva do Programa Grande Carajás para se candidatar.

Sobre esse episódio o jornalista Lúcio Flávio Pinto relembrou, no Jornal Pessoal 541, 2ª quinzena de julho/2013, um momento “Quando o jornalista se torna personagem”:

Indicado por Jarbas Passarinho, o empresário Oziel Carneiro ocupou o cargo. Dele se desincompatibilizou para ser o candidato do PDS ao governo do Pará, apoiado por Passarinho, contra o deputado federal Jader Barbalho. Embora do PMDB, Jader recebeu o apoio do governador Alacid Nunes, que rompeu com o governo federal por não aceitar cumprir o compromisso que assumira na eleição anterior, de apoiar Passarinho ou quem ele indicasse para o governo. Foi o rompimento final das duas principais lideranças que surgiram no Pará com o golpe militar de 1964.” Você pode ler o antigo na íntegra, clicando aqui, no site do “Observatório da imprensa”.

Em 2003 Oziel Carneiro fez um duro alerta sobre a situação do Estado do Pará, que continuava a ser “almoxarifado, no qual as matérias-primas são requisitadas”, conforme entrevista publicada em O Liberal (clique aqui para ler).

Que esteja na paz do Senhor e que Deus conforte os familiares, na certeza, que ele tinha, na plenitude da vida após a morte do corpo humano.



Escrito por Fernando Jares às 16h34
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JANTAR VÍNICO

A ARTE DE HARMONIZAR UM VINHO...
COM RAGU DE RABADA

Embarcando na onda dos sabores e saberes peruanos a fazer sucesso pelo mundo, o Wine Dinner de toda última quinta-feira do mês, no restaurante “Benjamin”, abre as atividades gastronômicas deste 26/09 (21h) com um “Ceviche misto”, harmonizando com um... francês: o espumante Cremant Louis Perdrier Brut Excellence.

O “Benjamin”, considerado o Melhor Restaurante, Categoria Variado, pelas ruas de Belém, na seleção da revista “Veja Comer e Beber” (leia aqui e aqui), nestes jantares vínicos mensais apresenta vinhos selecionados e os pratos que com eles harmonizam, selecionados pelo chef Sérgio Leão. Aliás, os dos vinhos colocam na frente o vinho a harmonizar com tal ou qual alimento, como o faz o chef. Eu que os inverti...

A segunda entrada é uma “Minimoqueca” que vem acompanhada por um vinho branco Hardys Stamp Riesling Gewurztraminer, da Austrália.

O primeiro prato, “Lascas de Bacalhau com legumes ao forno”, segue o padrão esperado, harmonizando com um de origem portuguesa, com certeza: Vinho Tinto Arco do Esporão. Um prato giro, ora pois.

O segundo prato é um “Risoto de Ragu de Rabada”, com muita propriedade harmonizando com o argentino Vinho Tinto Vinã Amalia Reserva Malbec.

A sobremesa é uma soberana “Pera ao Vinho”, um clássico da casa, que chegará às mesas muitíssimo bem acompanhada, ou acompanhando, um Vinho do Porto Quinta do Crasto, a fazer honra às mesas.

O preço por pessoa é de R$ 130,00 e inclui, além dos pratos e dos vinhos, água mineral, refrigerantes e café expresso.

Na foto abaixo a dupla que comanda a cozinha do "Benjamin", chefs Sérgio Leão e seu filho Eduardo, em foto que captei do blog do Marcelo Katsuki.




Escrito por Fernando Jares às 16h47
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DIAGONAL EPISTÊMICA

ARTE E PSICANÁLISE
PONTUAÇÕES SOBRE A NOÇÃO DE SUBLIMAÇÃO

O psicanalista argentino Marcelo Mazzuca fala nesta sexta-feira (20/09), em conferência gratuita, para profissionais da área, estudantes e interessados em psicanálise sobre “Arte e Psicanálise – Pontuações sobre a noção de sublimação”.

É uma realização do Fórum do Campo Lacaniano Belém – Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – Brasil que promove estas oportunidades de ouvir e discutir com especialistas de outros Fóruns do Campo Lacaniano, realizando o que esta organização convencionou chamar de uma Diagonal Epistêmica.

Marcelo Mazzuca tem currículo substancioso, sendo membro do Fórum do Campo Lacaniano do Río de la Plata (Argentina). É licenciado em Psicologia pela Universidade de Buenos Aires; docente das Disciplinas "Psicopatologia", "Clínica de Adultos" e "Usos do sintoma" na Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires; pesquisador formado e colaborador docente no Mestrado em Psicanálise e no Doutorado na mesma universidade.

É autor de diversos livros como "Una voz que se hace letra: una lectura psicoanalítica de la biografía de Charly García" (2009-Letra Viva), "Ecos del pase" (2011-Letra Viva) e "La histérica y su síntoma" (2012-Letra Viva); e de numerosos artigos sobre a clínica psicanalítica.

Anote para não perder esta oportunidade especial que acontece nesta sexta-feira pelas ruas de Belém:

Diagonal Epistêmica – “Arte e Psicanálise – Pontuações sobre a noção de sublimação”

 

Conferência gratuita e aberta ao público
Sexta-feira, 20 de setembro de 2013 - das 19 às 22 horas
Auditório do CESUPA - Av. Alcindo Cacela, 1526, 4º Andar
Coordenador - Alan Braga de Paula / Secretária - Alcione Hummel / Tesoureiro - Ramon Frias
Informações: 9178-4177 / 9611-7070



Escrito por Fernando Jares às 13h01
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UM RETRATO DO PARÁ

PARAENSE GOSTA DA COZINHA PARAENSE!

Com seus mais de 300 anos nas costas o Ver-o-Peso saiu campeão na categoria Cartão Postal (54%), em pesquisa realizada pela Área de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Editora Abril aqui no Estado, com o título “Retrato Pará”. Este é o sétimo Estado em que essa Editora realiza esse tipo de pesquisa, utilizando requintadas técnicas de comunicação, coleta de dados, mapeamento de público, tabulações, etc. A pesquisa se destina a uso interno da empresa e não é vendida, embora seja apresentada a autoridades e parceiros da companhia.

Embora tivessem de responder a um longo questionário, as 742 pessoas que atenderam ao convite – em um universo coletado entre e-mails de paraenses (ou aqui viventes) cadastrados na Abril – demonstraram-se participativos, acolhedores, interessados, disse hoje pela manhã Andrea Costa Nascimento, Gerente de Pesquisa de Mercado e Mídia da Abril, a uma plateia recheada de publicitários, das principais agências paraenses.

Do público ouvido, 58% vive pelas ruas de Belém, 62% tem curso superior, 76% tem casa própria e 61% carro próprio e 41% é funcionário público!

Quem imagina o segundão no Cartão Postal? Pois não é que foi a Estação das Docas, com seus 13 aninhos!!! Depois veio o Mangal das Garças, com 6%. E o secretário de Cultura, Paulo Chaves, emplacou dois dos campeões que subiram nesse pódio... 12% dos entrevistados apontaram 30 outros lugares que podem representar muito bem o Pará em uma variedade que impressionou muito bem os pesquisadores.

Perguntados sobre o que mais marca o Estado, 53% cravaram no Círio de N. S. de Nazaré e em segundo, 34% foram na gastronomia paraense!

É tudo isso que faz com que 69% dos entrevistados informem ter muito orgulho de ser paraenses! Um índice altíssimo, diante de outras pesquisas já realizadas. 28% têm pouco orgulho e 3% nenhum. Embora empolgados pelo seu Estado, não deixam de ter um forte senso crítico diante da realidade que vivemos e 70% registrou ter insatisfação do segurança, saúde, serviços públicos, etc.

Quando perguntados (por e-mail) sobre o que gostavam, 39% apontaram a gastronomia paraense e 19% a nossa natureza!

Logo na abertura de sua fala Andrea manifestou sua expectativa diante... das tapioquinhas servidas no café da manhã (tinha também cuscuz paraense de verdade, suco de cupuaçu, etc.) oferecido aos presentes ao encontro, no Hotel Regente. Tão logo terminou, realizou o desejo! Nélio Palheta, que representa a Abril no Estado, indiscretamente revelou que ela ontem já havia se saído muito bem... diante de um filhote com molho de camarão! Conhecendo em detalhe a pesquisa, ela chegou disposta a conhecer em detalhe a mais brasileira das cozinhas do Brasil.

A pesquisa esmiuçou um grande número de dados, apresentados aos presentes, desde hábitos de lazer, em casa ou fora de casa (45%, restaurantes, 49% shopping, 42% supermercados); esportes; renda; acesso às mídias (prática de 90% dos ouvidos); relação com propaganda; hábitos de compra (o shopping preferido é o Boulevard, mas o mais visitado é o Pátio); celulares (61% um aparelho, 31% dois aparelhos; 54% troca em 18 meses; 62% faz multiuso deles e apenas 38% usa só para telefonar e mensagens); 61% viajou nos últimos seis meses (85% no Brasil e 17% ao exterior; 59% fez viagens curtas, dentro do Estado e Belém foi o primeiro destino, seguida de Mosqueiro. Marajó não apareceu...)

Evento realizado com apoio do Sindicato das Agências de Propaganda, teve a fala final de Marcus Pereira, presidente Sinapro, que destacou a importância para o mercado de pesquisas com esse tipo de conteúdo e tratamento profissional e sério.



Escrito por Fernando Jares às 16h19
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GASTRONOMIA EM CONFERÊNCIA

VALORIZAÇÃO CULTURAL DA GASTRONOMIA

Gastronomia muito além dos ingredientes, das panelas ou dos pratos. Um grupo de pessoas reuniu-se, ao que se sabe pela primeira vez, para discutir as interações, interligações e aproximações entre as atividades que envolvem a gastronomia e aquelas que são normalmente interpretadas como atividades culturais.

Foi um momento muito especial, histórico, em que uma comunidade de reuniu para debater um valor seu, um patrimônio criado e desenvolvido ao longo de séculos, que deve ser preservado e valorizado, diante dos desafios de valores globais que se agigantam no horizonte da brava gente que, nos barrancos dos rios amazônicos, no interior da floresta densa ou nos campos desta planície, cultivam suas tradições – que são parte importante e vital de nossa essência cultural. Como eles, caba a nós resistir.

O Instituto Paulo Martins, entidade que se dedica ao estudo e valorização da culinária paraense como manifestação de economia criativa e de cultura (sobre esta instituição, leia aqui) liderou a I Conferência Livre de Gastronomia da Amazônia, com o objetivo de gerar um documento a ser apresentado na III Conferência Nacional de Cultura, que será realizada de 26 a 29 de novembro próximo, em Brasília.

Esta forma de proposição independente, dentro dos segmentos culturais nacionais, é prevista no regulamento da IIICNC, sendo a gastronomia considerada um ramo da cultura nacional pelo MinC – tanto que um dos presentes à Conferência Livre de Gastronomia foi o representante na região Norte do Ministério da Cultura, Delson Cruz. Participaram da reunião, em 9 de setembro, não apenas chefs e cozinheiros ou produtores de insumos para as cozinhas amazônicas, mas também agentes culturais, pesquisadores, estudiosos do tema, jornalistas, mestres, mestrandos e doutores, que em suas teses estudaram ou estudam a gastronomia ou com ela tiveram interfaces, gente de turismo e pessoas que, pelas ruas de Belém se interessam pelo tema.

Os trabalhos partiram de 20 propostas focando a valorização da gastronomia tradicional, não se limitando aos usos e costumes (ou inovações) amazônicos/paraenses, mas com visão e alcance nacional, considerando o cenário, nacional, em que serão discutidas, podendo resultar em políticas públicas que venham a beneficiar os que trabalham em toda a cadeia produtiva da alimentação tradicional, na região e no país.

Os debates foram consolidados em um documento em redação final para apresentação ao Ministério da Cultura.

Tânia Martins, presidente do Instituto Paulo Martins, e Delson Cruz, do MinC falaram na abertura da Conferência sobre os objetivos do encontro e da posição da gastronomia no cenário cultural nacional onde “é reconhecida como elemento cultural, mas faltam organização e, principalmente, políticas públicas”.

“A culinária paraense é reconhecida e respeitada internacionalmente. Por isso, a gastronomia é uma grande aliada no reconhecimento e valorização do que é nosso”, disse Joanna Martins, diretora do Instituto que, com Tainá Khalarje, pesquisadora paraense especializada em alimentação amazônica e mestranda em História na USP, conduziu a apresentação e discussão das propostas.

CURIOSIDADE? – Os fatos levaram aos acontecimentos e a realizar-se esta conferência em 9 de setembro. Curiosamente (ou não?) a data de falecimento do chef Paulo Martins (veja no post imediatamente abaixo). Teve gente achando que ele mexeu os pauzinhos (ou as colheres) para a história acontecer assim...

Aqui, em foto da revista PZZ, parte dos participantes da I Conferência Livre de Gastronomia da Amazônia:




Escrito por Fernando Jares às 10h54
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PAULO MARTINS, ANO -3

UM REVOLUCIONÁRIO NO TRATAR E APRESENTAR
OS INGREDIENTES PARAENSES

 

Há três anos, em um dia como hoje, 9/9, falecia o chef paraense Paulo Martins, arquiteto de pioneiras inovações na cozinha paraense e por formação universitária, empreendedor quase radical, criativo e, acima de tudo, paraense por nascimento, princípios, meios e fins.

Essa ilustração aí em cima, com foto de Kleison Pinto e arte de Roney Brito, é uma das belas homenagens que ele mereceu e recebeu pelas ruas de Belém quando de seu falecimento, em 2010. Foi publicada pela jornalista Rejane Barros em sua coluna na revista Troppo, que naquela época ela dirigia, em O Liberal (12/09/2010). Acho de uma inspiração e beleza incríveis. É a cara do Paulo, um pouco encabulado por ter de usar esses adereços post-mortem de anjo, mas satisfeito por estar em cenário que o agrada, com certeza.

Rejane, ao escrever a legenda, tocou num ponto que mostra a grandiosidade do trabalho, muitas vezes difícil e incompreendido, que Paulo desempenhou: divulgar coisas boas do Pará, mostrar as coisas boas desta terra, continuamente vítima, na mídia nacional e internacional, de notícias ruins sobre injustiças e desmandos administrativos. Veja o que ela escreveu:

Hoje em dia quase todo mundo conhece os ingredientes e as comidas daqui do Pará. Aliás, já há bons anos que a gastronomia da gente é a única boa notícia que ganha os noticiários brazucas e internacionais. Missão cumprida, Embaixador Paulo Martins!

Esse título de “Embaixador da Cozinha Paraense” foi-lhe dado fora deste Estado, como a premiar o esforço e dedicação do Paulo Martins, pelos que acompanhavam e aprovavam. Não sei bem se esta é sua origem, mas a primeira vez que o vi foi usado no sítio eletrônico “Malagueta – Palavras boas de se comer”, em artigo da jornalista Juliana Dias, que você pode ler clicando aqui. E que mereceu, na época de sua publicação, um post de agradecimento aqui neste blog (clique aqui)

O Paulo em sua singeleza, em sua simplicidade me fez entender que, quando comemos tucupi, farinha ou uma gurijuba não estamos apenas colocando na boca o sabor da Amazônia. Cada um desses ingredientes veio de alguma família, de algum pescador. Cada um se beneficia com sua parte. Eu, com o cozinhar; os comensais, com os sabores; e o pescador, o caboclo e o índio, com o ato de prover. Cadeia simples, resultado lógico.”

Alex Atala em “A herança de Paulo Martins”, revista Prazeres da Mesa (2010).

Acompanhando hoje o trabalho de Alex Atala na defesa das fontes naturais dos ingredientes para a cozinha brasileira, especialmente os ingredientes amazônicos, que ele usa com maestria em seu restaurante paulistano “D.O.M.”, fazendo-o o 6º melhor do mundo, dá para identificar no texto acima como tudo começou.

Atala reconhece, com todas as letras (próprias, porque é um artigo assinado) que foi Paulo Martins que o fez entender que a gastronomia pode – e deve, com certeza – ir além, muito além das cozinhas, das panelas ou dos pratos, dos restaurantes, do negócio de cozinhar e vender alimentos. O ato de cozinhar faz parte de uma cadeia produtiva de grande impacto social. Paulo Martins viu isso primeiro que muita gente. Viu, divulgou e lutou por isso. Alex Atala viu e seguiu. Para ler “A herança de Paulo Martins”, clique aqui.

A cada ano, desde que ele se foi, tenho dedicado espaço especial recordatório nos dias 9/9 a ele – além das citações durante o ano. É freguês da casa... como eu tantos anos fui freguês dele, no “Lá em Casa”, restaurante que fundou e onde gestou tantas criações, tamanha revolução cultural na forma de tratar e apresentar a cozinha paraense, ampliando, mas sempre respeitando, profundamente, as nossas raízes culturais, com a utilização de nossos mais tradicionais ingredientes.

Recorde as recordações:

2010 – “Paulo Martins” – clique aqui.
2011 – “Um legado de criatividade gastronômica” – clique aqui.
2012 – “A herança de Paulo Martins” – clique aqui.

(Acho que ele vai gostar do resgate desse bonequinho de homem sanduíche, que ele tanto gostava e merecia trato mais que especial do diretor de arte Walter Rocha, da Mercúrio Publicidade.)



Escrito por Fernando Jares às 12h21
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PARAENSES FARINHEIROS

QUANTO DE FARINHA VOCÊ COMO POR ANO?

A importância da mandioca/farinha na vida do brasileiro da Amazônia e a forma diferente de como utilizamos esse ingrediente fundamental em nossa cozinha fizeram a linha da palestra do chef paraense Thiago Castanho e seu irmão Felipe, restaurante “Remanso do Bosque”, ontem, no “Mistura”, em Lima, Peru, um dos mais importantes eventos da gastronomia mundial.

Apenas dois brasileiros se apresentaram no “Encuentro Gastronómico” (veja o programa aqui): o paraense Thiago Castanho e o paulista Alex Atala. Tiveram a companhia de estreladíssimos como Alain Ducasse, Rene Redzepi, Andoni Luis Aduriz, Gastón Acurio, Albert Adrià, Iñaki Aizpitarte, Magnus e Petter Nilsson, Enrique Olvera, Massimo Bottura, Virgilio Martinez, entre outros, ao longo dos três dias de palestras. Carga pesada.

Na palestra “Mandioca: Las raíces culturales y la base alimentaria de los pueblos de la Amazonía brasileña” os Castanho começaram a apresentação da nossa “Senhora Raiz” com uma brincadeira:


A forma de identificar o prato do paraense, que rolou pelo Facebook deles: enquanto o não-paraense come seu peixinho com folhas de alface, o paraense come o mesmo peixinho... carregado na farinha. Não é à toa que eles anunciaram: “o paraense consome, em média, 30kg de farinha ao ano”. Por isso camisa dos dois tinha esse símbolo. Quanto de farinha você come? (Eu, por exemplo, acabei de chegar da feira da Maiorana, trazendo farinha d’água sem igual e uns beijus daqui...) Este registro é do início da palestra:

 

Para você ver a camisa com detalhe, nesta foto os dois estão ladeando um dos mais famosos chefs da América Latina e do planeta, o peruano Gastón Acurio, do restaurante “Astrid & Gastón”, de Lima, o primeiro na lista dos melhores do continente e 14º melhor do mundo:


A apresentação foi acompanhada em transmissão direta, via web, e captei a imagem abaixo, que mostra em primeiro plano, a mesa com os ingredientes do Pará como mandioca, farinha, tucupi, etc. Até parece que é a Celpa que fornece energia em Lima... faltou energia justo na palestra dos manos Castanho... o que prejudicou o andamento da mesma e a transmissão, que teve interrupção. Aliás, o tradutor, nada simultâneo, também era meio... deixa pra lá.


Explicando detalhadamente como se trabalha com a mandioca, inclusive com o apoio de vídeos, desde o produtor rural até a mesa do consumidor, os dois paraenses montaram um prato, uma releitura gastronômica do tacacá, que foi devidamente explicado como comida de rua que consumimos habitualmente pelas ruas de Belém, neste caso com a sofisticação e requinte da cozinha contemporânea de vanguarda, mas respeitando as tradições no trato dos ingredientes que fazem as raízes (sem trocadilho...) culturais paraenses:


E viva a cozinha paraense, cada vez mais viva!



Escrito por Fernando Jares às 09h31
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MANDIOCA NO PERU

A MANDIOCA NA RAIZ CULTURAL ALIMENTAR AMAZÔNICA

Os chefs Thiago Castanho e seu irmão Felipe sobem hoje novamente ao palco em Lima, Peru. Na quarta-feira receberam lá dois prêmios: 38º Melhor Restaurante da América Latina, para o “Remanso do Bosque” e restaurante com maior potencial para crescer na lista dos melhores nos próximos anos.

Agora a “premiação” é diferente. É reconhecimento: Thiago é convidado no megafestival gastronômico “Mistura” – organizado pela Sociedade Peruana de Gastronomia, com apoio do governo do Peru, em sua sexta edição, considerado um dos maiores do mundo. Juntamente com Felipe, Thiago se apresenta logo no primeiro dia do “Encontro Gastronômico”, cuja abertura foi há pouco, pelo quase lendário chef Alain Ducasse.

“Mandioca: Las raíces culturales y la base alimentaria de los pueblos de la Amazonía brasileña” é o nome da palestra em que ele vai mostrar a relação do nosso povo com a maniva. Levou material para montar uma feirinha com nossas melhores farinhas, especialmente as de Bragança. Os presentes, gente de todo o mundo, vão conhecer o que é farinha de verdade!

Os irmãos Castanho estão acompanhados pela fotógrafa Walda Marques, que com eles trabalha no projeto “Senhora Raiz”, fazendo documentário que retratará, especialmente, o trabalho das mulheres nesta cadeia produtiva; em outubro. Thiago disse-me que mostrará o conhecimento de nosso povo na produção das melhores farinhas artesanais, visando valorizar esses pequenos produtores e suas tradições em torno da mandioca e seus derivados, especialmente a farinha, na cultura alimentar paraense. Destaca ainda o quanto isso é importante para os restaurantes e cozinheiros, pelas ruas de Belém, do Brasil, das Américas e pelo mundo.

O “Remanso do Bosque” foi o único restaurante brasileiro, fora do Rio e São Paulo, a entrar nesse ranking dos melhores do continente. E entre os 50 ranquiados ganhou um dos poucos prêmios que davam a honra de subir ao palco para receber o troféu: “One to Watch” destinado ao restaurante considerado pelos jurados com maior probabilidade de crescer nessa lista, nos próximos anos!

Na foto abaixo, os premiados no “Latin America's 50 Best Restaurants”, na noite da quarta-feira (04/09), juntos para a “foto oficial” (Thiago está bem em frente ao cartaz à direita) que captei do "Gastronotas de Capel", do jornal madrilhenho El país:




Escrito por Fernando Jares às 13h14
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GASTRONOMIA É CULTURA

CULTURA E GASTRONOMIA EM CONFERÊNCIA

A gastronomia amazônica, suas tradições e inovações, suas matrizes culturais, suas implicações no ser amazônico e, especialmente, no paraensismo – temos aqui pelas ruas de Belém e em outras cidades do Pará, as mais puras manifestações dessa cultura alimentar – fazem a pauta da I Conferência Livre de Gastronomia da Amazônia. Uma realização do Instituto Paulo Martins, este encontro de profissionais da culinária, empresas e agremiações do setor, agentes culturais, estudiosos e divulgadores do assunto será nesta segunda-feira, 09/09, das 17h às 21h, na Estação Business (Estação das Docas - Mezanino Boulevard da Gastronomia).

No escopo das ações do Instituto Paulo Martins a valorização da culinária, como manifestação cultural do povo amazônico, é um dos principais objetivos, visando resguardar suas origens e tradições centenárias, assim como estimular os profissionais da gastronomia e os produtores regionais no resgate e aperfeiçoamento dos ingredientes naturais da Amazônia.

A I Conferência Livre de Gastronomia da Amazônia vai discutir propostas do segmento a serem apresentadas para a III Conferência Nacional de Cultura, que acontecerá em novembro próximo. Estas conferências segmentadas são previstas na organização dessa conferência nacional, tanto que este evento tem aval do Ministério da Cultura e visa o início do diálogo oficial da gastronomia com cultura.




Escrito por Fernando Jares às 10h05
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REMANSO PREMIADO

REMANSO DO BOSQUE” É O 38º MELHOR DA AMÉRICA
LATINA E PRÊMIO “ONE TO WATCH”

O restaurante paraense “Remanso do Bosque” confirmou a performance esperada, que anunciamos desde 01 de agosto neste blog, ao entrar na lista dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina, sendo o único brasileiro fora do eixo Rio/S.Paulo a se classificar: foi 38º colocado!

Mas uma surpresa pareceu-me ainda mais importante do que essa ótima classificação: o Remanso ganhou o prêmio “One to Watch” destinado ao restaurante com maior potencial para crescer na lista nos próximos anos! E mais: foi o primeiro prêmio anunciado na noite desta quarta-feira, 04/09, de forma que os irmãos Thiago e Felipe Castanho foram os primeiros a subir ao palco para receber o troféu! Veja:

 

Depois deste prêmio subiu a adrenalina da turma que estava na torcida, querendo ver um restaurante pelas ruas de Belém a ostentar, além desse prêmio, uma posição no disputado ranking internacional. Anunciado no palco como “El sabor de la Amazonía en la selva urbana” foi assim visto o “Remanso do Bosque” pelos que lotavam o clube limenho que sediava a festa e em todo o mundo, pela transmissão ao vivo via webtv:

 

O Remanso agora tem uma página especial do sítio eletrônico do prêmio “Los 50 Mejores Restaurantes de América Latina de 2013” (disponível em português, espanhol e inglês, clique aqui), com a apresentação abaixo.

 

“Um enfoque amazônico na selva urbana

A poucos passos do magnífico Jardim Botânico de Belém, considerado pelos moradores como um pedaço da floresta Amazônica no coração da cidade, o Remanso do Bosque visa traduzir o componente idílico de sua localização num cardápio especializado na culinária brasileira com um ar local.

Desde que foi inaugurado em dezembro de 2011, o restaurante ganhou muitos adeptos por sua cozinha regional contemporânea. Muitas das hortaliças e ervas utilizadas são colhidas diretamente da sua própria horta e, junto com um conjunto de ingredientes nativos, passam ao primeiro plano no cardápio. A oferta inclui desde os mais leves anéis de lula com queijo coalho e massas artesanais, seguindo pelo mais saudável lombo de robalo com bananas, e culminando com o ribeye Red Angus.

No entanto, para obter uma experiência completa, o Remanso do Bosque oferece seu menu degustação de sete pratos pequenos que muda regularmente. A frescura destes é garantida pelos irmãos Felipe e Thiago Castanho que só utilizam nas iguarias do remanso os ingredientes locais frescos que eles mesmos procuram cada dia nos mercados.

Não contentes com promover a comida indígena dentro das fronteiras do Brasil, a cada mês os irmãos Castanho também acolhem um chef internacional convidado para preparar um menu degustação especial com o intuito de elevar o perfil da cozinha tradicional brasileira além de suas fronteiras. Esta abordagem visionária dos irmãos, mais uma cozinha criativa e uma bela localização colocam o Remanso do Bosque dentro dos restaurantes que devemos seguir de perto.”

A lista confirmou os nomes e os restaurantes foram surgindo na seguinte ordem: 41) “Epice”, de Alberto Landgraf;38) "Remanso do Bosque", de Thiago e Felipe Castanho; 35) “Olympe”, de Claude Troisgros; 32) “Attimo”, de Jefferson Rueda; 23) “Fasano”, de Luca Gozzani;16) “Mocotó”, de Rodrigo Oliveira;10) “Roberta Sudbrack”, que tem o nome de sua chef; 5) “Mani”, de Helena Rizzo e Daniel Redondo; 2) “D.O.M.”, de Alex Atala.

Terminada a premiação teve foto oficial e muitos cumprimentos, rolando a festa na madrugada peruana. No registro aparecem os irmãos Castanho ao fundo, bem embaixo do “2013”:




Escrito por Fernando Jares às 01h32
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50 BEST RESTAURANTS

COZINHA PARAENSE É DESTAQUE INTERNACIONAL

Entre os 50 Melhores Restaurantes da América Latina – “Latin America's 50 Best Restaurants” – que a respeitada revista inglesa Restaurant (a mesma que seleciona e premia os Melhores do Mundo) anuncia pela primeira vez nesta quarta-feira, 04/09, em Lima, Peru, ao menos nove serão brasileiros, conforme as notícias que vasaram com antecedência. E que você leu aqui, de primeira, pelas ruas de Belém.

Um dos brasileiros é de Belém! o “Remanso do Bosque”, dos jovens chefs paraenses Thiago e Felipe Castanho.

Dos nove brasileiros previamente divulgados, seis são paulistanos: o “D.O.M.”, de Alex Atala, e o “Mani”, de Helena Rizzo e Daniel Redondo, respectivamente 6º e 46º no ranking mundial; “Attimo”, de Jefferson Rueda; “Epice”, de Alberto Landgraf; “Fasano”, de Luca Gozzani; e “Mocotó”, de Rodrigo Oliveira; dois são cariocas: o “Roberta Sudbrack”, que tem o nome de sua chef, 80º na lista dos 100 melhores do mundo; e o “Olympe”, de Claude Troisgros; e um é paraense, o "Remanso do Bosque", dos filhos de Francisco (Chicão) Santos e d. Carmen (do "Remanso do Peixe").

Belém, portanto, passa a ser uma das três únicas cidades brasileiras a ter um restaurante ganhador de um dos mais respeitados prêmios da gastronomia mundial.

A conquista a ser anunciada em Lima, na noite desta quarta-feira, consolida a gastronomia paraense como uma das mais destacadas do país e fixa Belém como destino para o turismo gastronômico, inclusive internacional, desde que venha a ser divulgada como tal...

Para entender a importância de Belém na gastronomia nacional, dos grandes chefs citados acima, já estiveram em Belém, alguns repetidas vezes, Alex Atala, Claude Troisgros, Roberta Sudbrack, Helena Rizzo, Alberto Landgraf, Rodrigo Oliveira, em eventos como o “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” ou o “Visita Gourmet”, pesquisando ingredientes, conhecendo técnicas, fazendo palestras ou comandando cozinhas.

ACADEMIA – Os “Latin America's 50 Best Restaurants” são escolhidos por uma Academia de 252 especialistas espalhados pelo continente, que seguem um ritual que leva a seleção final – cada um vota em sete restaurantes, sendo necessariamente dois fora de seu país, não podendo ter nenhuma ligação com eles e neles ter comido ao menos nos últimos 18 meses. Os votantes são divididos em quatro regiões, cada uma com um presidente, que coordena a votação de 63 membros entre chefs, proprietários de restaurantes, jornalistas culinários e gourmands. A região brasileira é presidida pelo jornalista Josimar Melo.

MISTURA – Essa premiação antecipa o megafestival gastronômico “Mistura”, que começa em Lima na sexta-feira, 06/09 e é hoje um dos mais concorridos do mundo. Com todo apoio do governo peruano, pretende atrair acima de 20 mil turistas. Alguns dos medalhões da gastronomia internacional lá estarão como Alain Ducasse, Albert Adrià, Andoni Luis Aduriz, Daniel Humm, Daniel Peterson, Magnus Nilsson, Massimo Bottura, Nuno Mendes, Rene Redzepi, estrelas peruanas como Gastón Acurio e Virgilio Martínez e os premiadíssimos brasileiros Alex Atala, Helena Rizzo e Roberta Sudbrack.

O Pará está novamente em destaque: Thiago Castanho é um dos convidados do “Encontro Internacional de Gastronomia”, que reúne grandes destaques da cozinha em palestras e debates sobre a arte e a ciência da gastronomia.

Thiago disse-me que na palestra "Senhora Raiz" falará sobre “a importância da mandioca para Amazônia brasileira. Vamos mostrar que somos o que somos, gastronomicamente, por causa de produtos como a farinha de Braganca, com toda a sua tradição, passada através do conhecimento de geração em geração”.




Escrito por Fernando Jares às 22h40
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SEGURANÇA, VIDA E ARTE

VIGIA E MARAJÓ. PAZ À ARTE

O jornalista Nélio Palheta, vigiense de quatro costados pelos ascendentes e de sete costados por convicção, é outro “viciado” no trabalho do Luiz Braga. Acompanha o artista há bastante tempo, não apenas pelas ruas de Belém, mas também por trilhas, rios, caminhos e descaminhos paraenses e escreveu um comentário ao post “Um ‘Entreato da luz’ a brilhar nas 11 Janelas” (para ler, clique aqui). Só que o comentário ficou maior que a caixinha disponível e ele enviou-me por e-mail, autorizando a publicação, que cá está, em pleno domingo, justo na hora em que ele se desloca a sua amada Vigia de Nazaré (cidade onde preciso ir, com urgência, para rever sua belezas e, muito especialmente, a freira Irmã Ierecê Palheta Mira, minha professora no Colégio S. Pio X, em Capanema, nos idos dos anos 1950, e que, descobri há algum tempo, vem a ser tia do Nélio!:

Estou nessa, FJ!

E não é de hoje que acompanho o Luiz. Já fiz assessoria de imprensa para outra exposição do passado. E, por isso, acompanho o Luiz como amigo e na cena de trabalho. Lamento não ter conseguido estar na última jornada ao Quilombo do Pau Furado. Furou meu plano para o Marajó naquele momento. Nossa  última jornada foi ano passado, na Vigia. Pela segunda vez fomos ao Círio de Porto Salvo, um lugar onde os jesuítas mantiveram uma fazenda e um sítio de férias dos seminaristas e missionários da Casa de Belém. Em dezembro  ocorre o Círio de Nossa Senhora da Luz, cheio de legiões de anjos, alvo das câmeras do Luiz. No último Círio, além do Anjo do Brasil (personagem da jovem geralmente loura, montada num cavalo, vestindo túnica verde e amarela, empunhando a Bandeira Nacional - que teria surgido no Círio de Vigia, provavelmente  no final do século 19, para homenagear a nascente República), encontramos lá um Anjo do Pará, a cavalo e vestimenta (dela e do cavalo) de vermelho, azul e branco.

É em localidades como Porto Salvo e Quilombo do Pau Furado que Luiz Braga tem encontrado imagens, personalidades, ambiente e cumplicidade  para fotografar. Se até a segurança de quem quer olhar a cidade com outros olhos, literalmente, está ameaçada, o que mais se pode esperar da cidade? A violência  que impede sair pelas ruas carregado de câmeras e lentes para capturar paisagens e seus personagens, destruiu também a necessária cumplicidade das pessoas com ele atrás das lentes e vice-versa. É como (se ainda existisse) aquele personagem armado de tela e cavalete, tintas e pincéis não pudesse mais sentar no seu banquinho de pintor à beira do rio – digamos, na praça da chamada Escadinha do Cais do Porto – numa tarde de verão, sol dourado, para capturar a paisagem da Baía do Guajará, pois os assaltantes não deixariam. Seria inadmissível naqueles tempos essa cena, em  que Belém aspirava  ser a “Pequena  Paris dos Trópicos". Hoje, são os fotógrafos que vivem essa experiência impensável naqueles tempos. Já pensou o fotógrafo sair pela  Estrada Nova com suas câmeras, “protegido” por três seguranças? Seria o fim da sua arte, da sua criação e da sua convivência. No Marajó e na Vigia Luiz Braga tem encontrado, ainda essa segurança.

Então, ver a exposição Entreato da Luz será uma experiência de relacionamento com esse mundo do interior que ainda resiste às vicissitudes da sociedade, aos modismos e interferências  exageradas do poder econômico. “Entreatos” não é uma exposição sobre o Marajó por que as fotos de Luiz são mesmo universais. Mas, valem como um alerta sobre a região, que se debate para ter melhor qualidade de vida. Fotógrafos em geral, corram! A paisagem está mudando no Marajó com a implantação de grandes arrozais. Luiz tem passado por lá e constatado, inclusive, que o tradicional vaqueiro marajoara está sendo substituído pelo mototaxista.



Escrito por Fernando Jares às 12h30
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