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PELAS RUAS DE BELÉM


VERÃO NA TELECARTOFILIA

PRAIAS PARAENSES EM CARTÕES TELEFÔNICOS

Neste final de férias, mas em pleno verão amazônico, vamos ver algumas das belas praias do Pará, como foram vistas pelas pessoas que, há alguns anos, utilizavam cartões plásticos para falar nos telefones públicos, os chamados orelhões.

Era o tempo dos inícios do telefone celular, que se tornou, neste século XXI, forma de comunicação muito popular por seu baixo custo. Por sinal, isso foi resultado de um muito bem sucedido projeto de popularização da telefonia, desenvolvido por um paraense, o engenheiro Renato Navarro Guerreiro, criador e primeiro presidente da Anatel.

Os cartões telefônicos, que surgiram no Brasil no início dos anos 90, continham, além dos créditos para usar nos orelhões, imagens e informações, com grande variação e, na maioria, muito bonitos – foram, inclusive, utilizados intensivamente como mídia.

Logo foram “descobertos” pelo pessoal que tem mania de colecionar – eu inclusive... E os colecionadores multiplicaram-se. E surgiu a “Telecartofilia”, como a mania de colecionar cartões telefônicos, assim como há muitos anos colecionavam-se selos de correspondência, moedas, cédulas, medalhas, etc. Cheguei a ter algumas centenas, inclusive de outros países e um bom número de cartões da Telepará, que era a estatal que cuidava da telefonia no Estado. Além dos que usava para fazer ligações nos orelhões pelas ruas de Belém e de outras cidades, vivia a pedir aos amigos os cartões usados... Em certo tempo, até comprava cartões novos, apenas para garantir ter certos tipos. A Telecartofilia tem mercado ativo ainda hoje, basta consultar a internet. Um cartão raro, dos primeiros tempos – nem tão distantes – pode valer até R$ 1.500,00! Mas desses, infelizmente, eu não tenho...

E assim chegamos a esta série das praias paraenses:

 

No verso tem a identificação: “Praia do Paraíso. Localizada na ilha de Mosqueiro a 82 KM de Belém. Foto: Leomar Gomes”. A tiragem informada é de 100 mil cartões, junho de 2000. Este cartão já tem a logomarca da Telemar e seu endereço de internet: www.telemar.com.br

 

Aqui temos a “Praia de Atalaia em Salinópolis no Pará. O encontro do Atlântico com a Floresta Amazônica.” Tiragem: 200 mil cartões, de dezembro de 1997.

 

Esta foto é em “Beja – Praia fluvial tipicamente amazônica, no município de Abaetetuba, no Pará.” Tiragem de 150 mil peças, de junho de 1996.

 

Vamos agora para o oeste paraense: “Alter do Chão. Praias fluviais de areia branquíssima, em Santarém, no Pará”. Tiragem de 200 mil cartões, em dezembro de 1997.

 

Televerão. A Telepará ligando você neste verão”, diz a mensagem no verso do cartão, que teve tiragem de 200 mil exemplares, lançados em junho de 1998.

A série não está completa, pois estes são apenas os que tenho, referentes às praias paraenses.

Para saber mais sobre telecartofilia você pode ir a um site especializado, como por exemplo, este aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h28
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LEMBRANÇAS ETERNAS À MESA

INESQUECIBILIDADES GASTRONÔMICAS

A jornalista Rejane Barros, editora da revista Toda!, do Diário do Pará, perguntou-me o que eu “Comi e não esqueço”, para a seção que mantém em sua coluna nessa revista.

Pode nem parecer, mas é resposta de muita responsa. Seja por causa de quem faz a pergunta, jornalista especializada em gastronomia, restaurantes, comidinhas e comidonas, desde os tempos do Pleasure, excelente jornal/revista sobre gastronomia que circulava nos melhores restaurantes e assemelhados pelas ruas de Belém, do qual eu era leitor o mais habitual possível. Seja pela dificuldade em eleger este ou aquele, ao longo de tanto tempo do exercício do comer... como atividade prazerosa.

 

O que respondi você pode ler nas páginas de Rejane na Toda! deste domingo (28/07), abaixo em detalhe:

 

O texto publicado é este: “Inesquecível? O “Peixe à Ana Maria”, dos começos do Lá Em Casa. Peixe recheado com camarão, caranguejo e queijo, coberto com creme branco e gratinado, com o tempero paraensista de Anna Maria Martins! Também para lembrar sempre: pães europeus de um modo geral; o bacalhau assado do Quinta do Filinto, em Barcarena de Portugal; os churros de cupuaçu do Chaves, na Feira do Livro; o “Frango Sophia Loren”, do Roxy; o “Tucunaré na manteiga” da Casa da Peixada. Quanta inesquecibilidade...”

Quando comecei a seleção, logo pensei: por que o “Lá em Casa” não volta com esse inesquecível peixe ao cardápio? Mas aí caí na real: voltar como, se agora o caranguejo tirado é proibido pelo Ministério Público do Estado? E ninguém, empresário ou autoridade, cuidou para superar as restrições colocadas pela cuidadosa autoridade que identificou o altíssimo risco de doenças com que nós, paraenses, convivíamos há, sabe-se lá, centenas de anos... e ninguém se apercebia do perigo!

Quem teve a feliz oportunidade de conhecer o “Peixe à Ana Maria” deve concordar comigo. Ficou inesquecível. (Pena que naquele tempo não se usava fotografar os pratos...)

Aproveitando este exercício relembrativo, muitos outros manjares passaram-me pela lembrança. Citei cinco além de um. Mas a escolha é tão difícil, que decidi registrar aqui mais alguns:

  • a tartaruga preparada pela minha sogra, d. Marluce, nos tempos em que essa iguaria era permitida aos amazônicos filhos de Deus. Indescritível o prazer de saborear um picadinho, um paxicá, uma farofa de casco, só para citar os meus favoritos.
  • o jabuti no leite da castanha, também proibido nos dias de hoje, hospedado definitivamente nas minhas melhores lembranças gastronômicas.
  • Os doces da Piriquita, na Rua das Padarias, em Sintra, Portugal. Ai, ai, ai, os travesseiros daqui fazem dormir de prazer as papilas gustativas.
  • “Mundico e Zefinha”, a releitura paraensista/vanguardista do chef Paulo Martins do tradicional “Romeu e Julieta”, fazendo o casamento, antes nunca imaginado, do queijo-do-marajó com o doce de cupuaçu (em ponto de corte).
  • Os carazinhos (peixe) fritos, crocantíssimos, que uma noite, há muitas luas, comi à margem do Araguaia, em Conceição do Araguaia, acho que no restaurante Taboquinha, (não tem agulha frita nordestina que chegue perto...)

Fico por aqui... porque ainda entrariam os pastéis da cunhada da Hildinha, o bolo de chocolate da Tia Babá, o pirarucu fresco frito em molho de manteiga e alcaparras do Almério, a torta de limão da Rita... 



Escrito por Fernando Jares às 20h10
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BARCARENA EM TERRAS NÓRDICAS

FUTEBOL DO PARÁ NA NORUEGA!

A partir de segunda-feira (29/07) a garotada barcarenense do ARF é o Pará em chuteiras... em terras norueguesas – reutilizando a célebre expressão de Nelson Rodrigues.

E eles começaram muito bem, na noite desta sexta-feira (26/07), mostrando que sabem usar as chuteiras para fazer gols. O Alunorte Rain Forest é um time formado por estudantes de Barcarena e patrocinado pela refinaria de alumina Hydro/Alunorte e está em Oslo para participar, mais uma vez, da Norway Cup, o maior campeonato de futebol entre jovens do mundo. Formado por estudantes recrutados nas escolas de Barcarena, Pará, que participam do programa sócioeducacional “Bola pra frente, educação pra gente”, devem ser bons de bola... e de estudo também. Na preparação para irem ao campeonato na Europa, além de muito treino eles ouvem palestras e fazem visitas a atrações e clubes pelas ruas de Belém.

Na sexta venceram por 2x0 o Oopsal If Fotball um time juvenil bem tradicional, que disputa campeonatos na Noruega.

Você pode acompanhar a trajetória do ARF na Copa da Noruega no Twitter (@TimeARF). Eu sigo e torço por eles – que já retribuíram com grandes e emocionantes vitórias! Olha eles aqui quando foram vice-campeões mundiais!

Na foto abaixo um lance do amistoso contra o Oopsal If Fotball. O ARF joga com camisas brancas... e leva a bola.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h40
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ORLANDINO, O TUNANTE

O SIMPÁTICO SENHOR DO AUGUSTUS


O Skal Clube confirmou, mais uma vez, que é um local ideal para a confraternização de quem trabalha em turismo: seu jantar mensal, quarta última, foi dos mais agradáveis, tudo na base de muita alegria, muitos brindes, muita brincadeira. • E merece registro muito especial a dedicação de Orlandino Ventura, que fechou naquela noite seu restaurante Augustus para a turma do Skal, proporcionando um serviço de primeira, desde a música ao vivo, a atenção dos garçons, até o paladar da comida. Tudo comandado por ele próprio.” (Coluna PróTurismo, A Província do Pará, 31/05/1987)

Esse registro aí em cima, de 26 anos atrás, eu o escrevi sobre um jantar mensal do Skal, clube para profissionais ligados ao turismo como agentes, transportadores, entidades do trade e jornalistas.

Orlandino Ventura faleceu há um mês. Tinha 86 anos e foi um empresário ligado ao turismo, muito conhecido pelo seu hotel Vanja (na Benjamin, que serviu de base para o atual Crown Plaza) e, posteriormente, pelo simpaticíssimo restaurante “Augustus”. Volta e meia Rita e eu estávamos por lá. A atenção dele a todos os visitantes era marca indelével da casa. Aliás, dele, transferida à casa.

Teve atuação marcante no segmento. Por exemplo, foi um dos fundadores da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, ainda em 1955, representando o Pará.

Tunante de sete costados, defendeu o clube nas águas da Guajará em históricas regatas. Foi também dirigente da Tuna Luso Brasileira. Leia clicando aqui a homenagem feita a ele por seu clube.

Cuidava da divulgação dos seus estabelecimentos. Veja abaixo dois anúncios. Um, na “Agenda Turismo – Belém”, guia da cidade, edição de Maio/Setembro-1987, que publicou na contracapa o anúncio do Augustus. E um anúncio do Vanja, publicado no jornal Correio da Manhã, “Caderno Norte-Nordeste”, de 26 de fevereiro de 1970. Uma curiosidade: este anúncio saiu ao lado de matéria intitulada “A morte do patrimônio” que cita ameaçadas riquezas históricas pelas ruas de Belém como Igreja do Carmo, de Santo Alexandre, São João Batista e Mercês (Para ler esta página, clique aqui).

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Escrito por Fernando Jares às 18h11
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EDVALDO MARTINS, ANO 10 (IV)

UM AUTORRETRATO FALADO

O jornalista Edwaldo Martins, apresentado como colunista social, o mais completo e competente entre quantos já escreveram esse tipo de coluna nos veículos de comunicação pelas ruas de Belém, teve um mérito extraordinário: via a “sociedade” sobre a qual deveria escrever, não apenas como um mundo farfalhante de festas e comemorações, desfiles e coisas semelhantes. Ele via a “sociedade” como a comunidade em que vivia, as pessoas e a cidade que amava (embora nascido em Bragança). Muito antes destes conceitos de “responsabilidade social” terem sido criados, ele já os tinha incorporado ao seu ofício de escrever. Chamavam-no, então, de “colunista eclético”, em uma página onde tinha sempre notícias - a maioria em primeira mão – sobre gente, economia, negócios, música, gente, pintura, dança, folclore, religião, gente, enfim, a vida da sociedade em que vivia. E vivia, de festas em ricos salões às compras na feira, de restaurantes finos a uma cervejinha na “taberna” da esquina. Ele vivia. Viveu muito menos do que o gostariam seus amigos, mas viveu muito bem. Hoje estes celebram a sua amizade, sem poder desfrutar diretamente dela há 10 anos. Mas desfrutam da grandeza da saudade do Didi. Estivemos reunidos em um missa por ele.

Decidi a fazer um perfil do EM a partir de informações do próprio perfilado e li algumas entrevistas. Acabei por fixar-me em uma que ele concedeu à jornalista Karime Darwich Barra, também muito prematuramente falecida, e publicada na revista semanal “Top”, do jornal Diário do Pará, em 04 de agosto de 2002. Um ano antes da morte dele. É um “retrato falado” do Edwaldo, ou melhor, praticamente um “autorretrato falado”...

Selecionei alguns trechos da longa e muito bem feita entrevista.


Edwaldo Martins fala de suas paixões

Há dois anos sem escrever, devido a um problema de saúde, pretende retornar em breve - ao projeto de um livro e à coluna. Nesse tempo, ele que é um leitor voraz, aproveitou para ler todos os livros de autores paraenses que tem na estante de sua casa. "E eu cheguei a uma triste conclusão: em Belém se publica tanta bobagem...", provoca.

E explica: "Está faltando ao colunismo, com raras e honrosas exceções, se preocupar mais com a cidade e a vida da sociedade, e não apenas com os emergentes da hora. As pessoas passaram a ser notícia não pelo o que são, mas pelo o que elas pagam. Não se pode viver de press-release. O colunista tem de pegar o telefone e ir atrás da informação".

"Na minha coluna ninguém nunca viu foto de crianças e de formatura (só em Belém ainda se publica página de formatura). E nem de gente na praia. Isto é para vedete. Essas pessoas não deveriam se deixar fotografar de biquíni e calção".

Para Nova York já viajou mais de dez vezes, que considera a melhor cidade do mundo. "Em Nova York eu não me perco, conheço melhor que São Paulo. Lá se tem de tudo; se procurar bem vai se achar até maniva". Ele também adora Paris. Houve uma época em sua vida que passava todas as suas férias na capital francesa, hospedado em casa de amigos, como Paulo Cal, Manoel Pinto da Silva Júnior e Nazaré Pereira.

Mas é Nova York que mais lhe agrada, principalmente porque a cidade oferece muitos espetáculos. "Do mais sério pianista ao mais erótico pornô", afirma Edwaldo, que durante sete anos foi diretor do Teatro da Paz, cargo do qual saiu por vontade própria, mas onde ainda trabalha até hoje como assessor especial do governo do Estado.

Em Nova York, há seis anos, no Radio City Music Hall, em companhia de João Alberto Saboya, assistiu ao último show de Frank Sinatra, quando já estava trocando as letras das músicas.

"O que eu fiz de melhor na minha vida foi viajar. Nunca recusei nenhum convite", confere o jornalista, que conhece 57 países.

Edwaldo Martins, um cinemaníaco - assistia a cinco filmes por dia -, embora tenha deixado de frequentar cinemas, não esquece sua velha paixão. O que via na tela transportava, dentro do possível, para a vida. Tanto é que ingressou no jornalismo assinando uma coluna de cinema, em 1955, junto com os irmãos Nildo e Nivaldo Brazão, no jornal O Imparcial, a convite de Ossian Brito.

Mas, apesar da pausa, continua sendo uma das pessoas mais bem informadas da cidade. Quando escreve, utiliza um vocabulário próprio, já inserido no bê-á-bá do colunismo. Quem aniversaria, está "no berço", "rasgando a folhinha" ou "ficando mais velho pouquinha coisa".

O economista Armando Dias Mendes, em seu livro “Belém, Cidade Transitiva”, atribui a Edwaldo Martins a criação do termo "a terra do já teve". "Aqui, o que é bom dura pouco. Faliram a Fábrica da Palmeira, Coca-Cola, Souza Cruz, a Paraense, a primeira cervejaria de Belém; a Condor, as boates Papa Jimmy Signo's, e os fresquinhos, este, um negócio civilizado. Mas os ônibus porcarias, caindo aos pedaços, continuam".

Das expressões que criou, a que gosta mais, é a chamada "mídia brega", que são as faixas de pano, placas de modo geral, poluidoras do visual. "Agora as ruas estão cheias de 'Conserta-se fogão'. É a medida exata da mais provinciana das cidades".

(Aqui a Karime faz um pingue-pongue com Edwaldo)

Terrinha
É o amor que se tem por Belém, imitando o português que chama Portugal de a santa terrinha.

Tout Belém colunável
Quem é notícia de A a Z.

O que é notícia
É tudo aquilo que você gostaria de ler. Não interessa se o personagem é a Madonna ou o Raimundo Cardoso.

Quais são as notícias que você gostaria de ler
Que se limpou Belém; que se tirou todos os camelôs dos lugares aonde eles não deveriam estar, e que a maior amante do prefeito é a cidade.

Quem é emergente
Ele é meteórico. Hoje pode frequentar a sociedade e comprar roupa boa. É aquele que vai com muita sede ao pote e que quer aparecer a qualquer custo. O fim do emergente é ser convidado. Não é que ele não mereça isto. Porém tem de saber dosar. Eu falo isso porque eu conheço a sociedade de Belém.

Paixão
A minha maior paixão é a Minnie, símbolo da feminilidade. Na minha casa tem várias fotos do personagem. Não suporto mulher que não seja vaidosa e feminina. Não pode ser macho, que coça o saco e cospe para o lado, independente de sua opção sexual. A minha outra paixão é Marylin Monroe, que é sexo puro, fêmea pura.

Um momento
Um dos mais deslumbrantes foi me ver na Broadway. A primeira vez que estive lá, para assistir Jesus Cristo SuperStar, chorei que nem uma vaca.

Um sonho
Hoje é poder andar direito. Mas antes de adoecer, consegui satisfazer todos os outros, como ir até a ponte Marjorie Brucke, em Amsterdam, na Holanda, exatamente no lugar onde contracenaram Yves Montand e Catherine Deneuve, em Vivre Pour Vivre, de Claude Lelouch. Ou chegar em Veneza, sentar na Piazza San Marco, pedir um martini e ouvir Summertime in Venice, igual como fizeram Katherine Hepburn e Rossano Brazzi, em uma cena do filme Quando o Coração Floresce, de David Lean. Meu prazer só estragou quando o músico descobriu que eu era brasileiro e atacou de A Banda, de Chico Buarque.

Os melhores amigos
São aqueles que são meus amigos. E hoje, para mim, está facílimo saber.

Como você se vê
Com o coração desse tamanho.

Leia os posts anteriores desta série sobre EM: "Edwaldo Martins, Ano 10 (I) - TARCISIUS, O MÁRTIR CRISTÃO, POR EDWALDO MARTINS", clicando aqui; "Edwaldo Martins, Ano 10 (II) - UMA SAUDADE QUE NÃO TERMINA, NEM VAI EMBORA (LFP)", clicando aqui; Edwaldo Martins, Ano 10 (III) -EM MEMÓRIA DE EDWALDO MARTINS", clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 20h18
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EDVALDO MARTINS, ANO 10 (III)


Neste 18 de julho completam-se 10 anos da morte do jornalista Edwaldo Martins, uma dessas raras figuras-unanimidade na classe dos jornalistas pelas ruas de Belém, durante muitos anos. Era amigo de todo mundo, dos donos dos jornais (onde escrevia e dos concorrentes) ao porteiro, o pessoal das oficinas, todo mundo da redação. Fora do jornal também, em muitos segmentos.

Recolhi mais dois depoimentos, verdadeiros relatos da vida do Edwaldo, escritos sob forte carga emocional: em 3 de outubro de 2003, o primeiro aniversário do Didi, sem o Didi para comemorar. Já os houvera, mas ele estava em viagem e voltaria. Agora, desta viagem, não tinha volta. Haviam os amigos de se ajeitar com a saudade. Quem escreve é gente que o Didi queria muito bem, é gente que queria e quer muito bem ao Didi, é gente que eu quero muito bem. Fico feliz em lançar mão deles para lembrar e fazer lembrar e fazer conhecer esse ser que nos fez e faz acreditar, até hoje, que o humano é bom, sério e amigo.

Com vocês o que escreveram, primeiro a Luzia Miranda Álvares, e em seguida o Pedro Veriano Direito Álvares, naquele 3 de outubro, há dez anos, nas páginas de O Liberal.

Mas antes, uma foto do Edwaldo “cineasta”, ao lado de João de Jesus Paes Loureiro e de Alberto Bastos, na produção do curta “Círio, Outubro, 10”, que se iniciava no Ver-o-Peso:


No registro anual do aniversário do Didi, em cada 3 de outubro, eu sempre lembrava a importância dele para a minha presença no jornalismo. Ele fora o "patrono" que fizera os acertos de um encontro com Romulo Maiorana e confirmara a este a minha potencialidade para escrever sobre cinema e me tornar comprometida com o novo papel que assumiria num 12 de novembro de 1973. "Se ela não tem traquejo, pelo menos tem uma grande biblioteca e convive com quem sabe de cinema", teria dito a RM (segundo me disse). E eu fui contratada dias depois.

Li certa vez a opinião de um jornalista paraense desprezando a forma das pessoas lembrarem outras, em ocasiões como esta, a partir de experiências pessoais e não do que teria sido a pessoa lembrada. Reconheço que estou no rol dos que não desvinculam as duas coisas. Primeiro, porque minhas impressões fazem parte de minha vivência e depois porque é difícil mudar de estilo. O carinho que tenho pelos amigos que consegui formar desde criança afeta a lembrança que tenho deles. A aproximação entre a memória e o fato tem recortes de sangue, de tempo e lugar, daí a vinculação com a lembrança. O deslocar entre o eu e o outro deve ser um dom. Acho que eu não tenho. Por isso, recordo o Didi que eu conheci que era aquele que chegava em casa para assistir aos filmes, ou para uma feijoada domingueira, ou através de um telefonema para organizar uma festa-surpresa para um aniversariante do grupo, ou à cata de notícias para sua coluna. Havia o telefonema-solidário também, quando ele queria saber o que levar para me ajudar nos nossos jantares natalinos, qual sobremesa (que ele fazia caprichado), qual vinho tomar. Era o secretário cativo das sessões de escolha dos “melhores filmes do ano” promovidas pela APCC. Era o que chegava primeiro nos encontros em casa e o último a sair (quando saia). Amante inveterado da "Mariazinha" (Marilyn), trouxe de uma de suas viagens ao exterior um pôster gigante da atriz que colocava na porta de entrada de seu apartamento. Criava o ambiente para os seus desejos formados às vezes por uma cena cinematográfica, como a que reviveu em Veneza, sob a lembrança de "Quando o Coração Floresce" e os acordes de "Summertime". Neste painel, não esqueço de agregar as nossas conversas sobre o Pedro Veriano, que ele considerava o maior crítico do mundo.

O Didi era um de nós. Tinha suas peculiaridades de gostar de cinema, no estilo de escrever, no contar uma notícia, de aplicar um jargão. E destes recortes, extraio uma parte do que conheci dele, momentos que foram peças do processo de construção do afeto, que não se encerra com uma "viagem". Quanto ao mais profundo sentimento de saudade, fica sem vazão na escrita. Mas vai estar na prece que vai ser rezada pela paz de sua alma (Igreja da Trindade às 19h30 de hoje). (Luzia Álvares)

No intervalo entre os dois depoimentos, uma foto valiosa, como a anterior, que recolhi das páginas de A Província do Pará: Edwaldo, no centro, na fundação da Associação Paraense de Críticos Cinematográficos (APCC), em 1961:

 

Edwaldo, por um "seu" leitor

Há muitas modalidades de "gostar de cinema". Lembro o sempre crítico, analisando todos os filmes que vê; o fã das estrelas, aquele que sai de casa com chuva para ver os intérpretes de algum melodrama ou comédia; o que se deleita com a história contada na tela, deixando-se levar a ponto de risos e lágrimas; o "espírito técnico" que se contenta em ver o filme correr pelas engrenagens do projetor; o que se alegra com uma casa (sala de projeção) cheia por mais que não usufrua da renda da bilheteria; e o que exige uma seleção por gênero (gosta só de um tipo de filme).

O Edwaldo era uma exceção. Dizia que gostava do que lhe emocionasse. As palavras eram outras mas o efeito o mesmo. Esta franqueza, aliada a uma personalidade inflexível, explicava a sua opção no jornalismo: passou de uma página de notícias de cinema para o colunismo social. Tratando da "arte chamada sétima", como dizia, adentrava pela sociedade dos artistas e demais trabalhadores especializados ajuizando na sua ótica os diversos comportamentos. Tratando de uma classe mais próxima no tempo e no espaço fazia o mesmo, ou seja, abordava pessoas e fatos à sua maneira, desde o uso de neologismos (a começar com "terrinha" para a Belém) até a objetividade da notícia, sem os adornos de sentenças que popularizaram os seguidores de Ibrahim Sued & Jacintho de Thormes.

Foram muitos anos de convivência. De vez em quando tocava o telefone e lá estava a voz do Didi perguntando pelas "novas". No final do ano era de praxe: sentava na cabeceira da mesa para dirigir a reunião da APCC (Associação Paraense de Críticos Cinematográficos), entidade que ele ajudou a criar em 1961, objetivando a escolha dos melhores filmes do período. Além disso foram muitas as vezes em que participou de brincadeiras com meus familiares e outros amigos. Invariavelmente era um dos primeiros a chegar e o último a sair. Entre comes e bebes derramava informações sobre tantos e tantas. Nada que o impressionasse a ponto de exclamação. Lembro de que só um fato me foi contado pelo Edwaldo com um certo suspense: o terremoto que assistiu de perto numa de suas viagens. Vendo o mundo desabar em sua volta sentiu inadvertidamente que toda uma arquitetura social era frágil diante de uma entrada em cena da natureza em fúria.

Seu filme predileto não era "badalado": "Montpi", produção franco-alemã de 1957 que reunia os então namorados Alain Delon e Romy Schneider. Sua sequência favorita: Katherine Hepburn na Piazza S. Marcos, em Veneza, ouvindo "Summertime" no clássico de David Lean "Quando o Coração Floresce" (gostava tanto desse momento que procurou repeti-lo quando visitou Veneza). Como eu e tantos de nossa geração criou-se no Olímpia das vesperais e dos musicais da Metro. Lembrava de "Numa Ilha com Você", um dos "filmes-piscina" com Esther Williams. Quando chegou o "disco laser" tinha uma penca desses musicais (mostrou-me "O Barco das Ilusões"). Creio que o último filme que o emocionou foi "O Quarto do Filho", de Gianni Moretti.

Mas eu disse que o Didi tinha uma personalidade inflexível. Quando organizei o livro 'A Crítica de Cinema em Belém", escolhi uma amostra dessa postura. Dizia: "Li um comentário a meu respeito na revista "Opinião" (...). Pelos elogios o meu muito obrigado. Pelo restante o meu apoio. Mas uma coisa deve ser dita: a minha coluna é para os "meus" leitores" (A Província do Pará"/ 29 de maio de 1961).

Nosso último contato foi por telefone. Eu estava no Mosqueiro. Contou-me da doença, da vontade de fugir de hospitais. Não parecia ser um fim. Como não me parece ainda hoje. Eco dessa força de opinião, tão pessoal quanto amiga, tão inteligente quanto emotiva. Muito para a saudade neste 3 de outubro que já foi dia de eleição, nome de navio e permanecerá como o aniversário do Didi. (Pedro Veriano)

Sobre Edwaldo Martins leia também "Edwaldo Martins, Ano 10 (II) - UMA SAUDADE QUE NÃO TERMINA, NEM VAI EMBORA (LFP)", clicando aqui. E "Edwaldo Martins, Ano 10 (I) - TARCISIUS, O MÁRTIR CRISTÃO, POR EDWALDO MARTINS", clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 20h28
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GRUTA DE SANTO ANTÔNIO, NITERÓI

“Bacalhau da Gruta Santo Antônio. O melhor que ja comi.”
Chef Claude Troisgros em seu perfil no Twitter.

Uma visita ao restaurante “Gruta de Santo Antônio”, em Niterói, já estava programada fazia tempo, mas acabava sendo adiada. Até que, no final do ano passado li essa mensagem aí em cima. Se Claude Troisgros disse, tem que ser. Na primeira ida a Niterói lá foi a família toda ao “Santo Antônio” – até porque sou devoto do piedoso santo, que se chama Fernando também...

Mas qual será maravilha eleita pelo Claude, entre as inúmeras opções bacalhoíferas que constam do cardápio da casa? Perguntei isso à d. Henriqueta, a proprietária da casa, uma simpática senhora, que muito me lembrou d. Anna Maria Martins, a circular entre as mesas do “Lá em Casa”, aqui pelas ruas de Belém. Ela explicou que “o Claude esteve aqui para festejar o Natal, com a família, eles fizeram troca de presentes, etc.” Como pediram as variadas especialidades da casa, ela não poderia assegurar a qual se referia. Consideramos que era ao conjunto da obra. E era.

No twitter de CT estava esta foto-pista:

 

Começamos o opíparo almoço com uns “Bolinhos de Bacalhau” (6unid. R$ 36,00), feitos à moda portuguesa, como os fazia minha avó, que os moldava com uma colher e fritava em azeite quentíssimo, a dar-lhes um atraente crocante externo e manter a suavidade interna. Agradou a todos, inclusive ao netinho. Preciso ressaltar a cestinha de pães, feitos na casa, como o que vemos ao lado do bolinho. Uma delícia, nada a dever aos melhores europeus.

 

Fizemos a opção, Rita e eu, pelo “Bacalhau Gruta de Stº Antônio”, tal como está grafado no cardápio (R$ 218,00, duas pessoas). Vem a ser um lombo de bacalhau assado com batatas, ovos, cebolas, molho de cebolas, brócolis, camarões e alho laminado frito. O bacalhau estava como sonhado (e agora salivado...), afagando a boca e deliciando o paladar, digno do elogio de Claude Troisgros. Os acompanhamentos completavam o conjunto, com a mesma qualidade do ingrediente central. E parece que o CT ficou mesmo freguês da casa: dia destes lá estava novamente a bradar: “Gruta Santo Antonio do meu amigo Alexandre. O melhor bacalhau do mundo” (para ler a mensagem, clique aqui). O Alexandre citado vem a ser filho da d. Henriqueta, que com ela comanda a casa. Foi assim que chegou a mim a parte que me cabia:


Para fechar a festa portuguesa, com certeza, nada melhor do que um bom representante da riquíssima doçaria portuguesa. Como gosto desses doces lusitanos! E como é bom encontrar que os faça com boa qualidade, como este:

 

O “Gruta de Santo Antônio” é um restaurante da Boa Lembrança, mas como estavam em troca de prato, não tinham mais do anterior e ainda não haviam recebido o novo. Vim sem o prato...



Escrito por Fernando Jares às 18h18
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EDVALDO MARTINS, ANO 10 (II)

“UMA SAUDADE QUE NÃO TERMINA. NEM VAI EMBORA” (LFP)

Vamos cá registrando algumas linhas sobre uma das figuras mais humanas que conheci entre meus companheiros de trabalho, meus amigos. Edwaldo Martins, que neste dia 18 completa 10 anos de falecido. A foto ao lado é do Luiz Braga. Fomos colegas de redação em A Província do Pará; fomos sócios na Relp – Relações Públicas e Comunicação (mais o Orlando Carneiro); foi meu cliente em propaganda, quando trabalhei na Mercúrio Publicidade e ele era o responsável pela comunicação do Basa; fui redator substituto em sua coluna em inúmeras viagens e até em caso de doença.

Penso em escrever sobre os tantos encontros, tantas trocas de ideias.

Aí leio isto ou aquilo sobre ele e acho que preciso registrar. Será que ele tem internet lá em cima para ler? Ou será que ele lê antes, na hora em que escrevo, na hora em que penso em escrever? Como reagira? (é complicado esse negócio do post-mortem...).

Pois bem, nestes dias fico lendo a minha pasta de recortes sobre o Edwaldo. É só emoção.

Escolhi dois textos, escritos por dois irmãos que com ele muito conviveram. Elias Ribeiro Pinto e Lúcio Flávio Pinto. Textos separados por oito anos. Ambos cheios de saudade do amigo e companheiro. Lúcio duro na cobrança à sociedade e aos próprios colegas de imprensa, mas de uma ternura incrível ao final, quando fala diretamente do Didi. Ainda nos fazendo recordar aquele “Seu Didi”, que era como o chamava a queridíssima Miloca, sua fiel escudeira doméstica. O Elias, que Edwaldo chamava de Eliasinho, vai cronicando o dia a dia e retrata de forma perfeita o querido amigo. Encontro-me nessas passagens. Mas vamos a eles.

 “Seu” Didi: 2 anos

Lúcio Flávio Pinto – Jornal Pessoal – 2ª quinzena – Julho 2005

Edwaldo de Souza Martins fez dois anos de morto no dia 18, sob silêncio quase geral, do tipo conveniente.

Quando decidiu seu último e sofrido retorno ao colunismo social, já atormentado pelos diabetes e suas sequelas, disse que linha um projeto: recolocar no foco das notícias os verdadeiros personagens dessa seção jornalística. Várias dessas figuras se tornaram notáveis pelos próprios méritos, mas muitos foram nada mais do que criações de Edwaldo Martins. Se ele as concebeu, ninguém melhor as faria ressuscitar.

A tarefa era necessária. A coluna social é, por origem, preconceituosa. Ela discrimina quem deve aparecer. Era o que um dos eternos colunáveis. Roberto Jares Martins, (hoje. no segundo andar, como diz ElioGaspari.com propriedade), vivia a repetir. Didi Martins ecoava a frase, dura e verdadeira. As colunas sociais estavam se transformando então em redil de aluguel. Transformaram-se de vez, como regra.

Edwaldo teria evitado essa metamorfose, semelhante àquela que a moça linda fazia nos velhos arraiais de Nazaré, virando gorila atrás das grades? Provavelmente não. Já lhe faltavam as forças necessárias. Mas o brado de protesto ficou ecoando, embora não por muito tempo. Estancou a própria coluna, numa sucessão indevida, desrespeitosa ao fundador, espelho de quem ficou, ultraje para quem se foi. Hoje. com singulares exceções, as colunas sociais viraram uma bacia das almas. Uma bacia que recolhe indistintamente notas digitadas e notas com cifrão.

“Didi” Martins se foi sem resolver esse e outros impasses, sem dar solução certa à vida que viveu e consumiu antes que o tempo tivesse sido o suficiente para exaurir o seu potencial de amizade, de afeto, de cavalheirismo. Ficou como uma legenda abruptamente desfeita. Por isso mesmo uma saudade que não termina. Nem vai embora. Incomodada quando vira ilusão, é doce quando se acomoda na memória.

 Álbum da vida

Elias Ribeiro Pinto – Diário do Pará – 22/02/2013

(Trecho da crônica publicada nessa data, em que refere o Edwaldo)

2 Tempo, ó tempo. Vida, ó vida, como diria aquela raposa, ou sei lá que bicho era, amigo do Leão da Montanha, o da saída pela direita (igual ao PT atual). Saudade do tempo em que ia ao apartamento do Didi no décimo andar do Lyon. Era o décimo? Fiz umas duas ou três longas entrevistas com o Edwaldo Martins, e ele sempre preparava um almoço, um jantar, e de lá eu saía com uma fita cassete que ele gravava para mim a partir de discos do Tom Jobim, do João Gilberto, comprados no exterior. Foi ele que me apresentou um negócio parecido com o DVD de hoje.

3 Aliás, uma vez, num desses domingos de votação, voltando da minha seção, para as bandas da Praça Brasil, encontrei o Edwaldo na mercearia do Kalil, ali na esquina da Aristides Lobo com Benjamin. Ele votava no Dom Bosco. Chamou-me para tomarmos uma cerveja (ainda não havia lei seca em dia de eleição, acho) e, em seguida, para rebatermos com um uísque em seu apartamento, bem próximo.

4 Lá chegando, Didi chinou na primeira dose. Sua resistência, então, já não estava das melhores. Pô, Edwaldo, isso não se faz, abandonar o teatro de operações mal disparado o primeiro tiro? Enfiei a garrafa de uísque, recém-aberta, numa sacola, e deixei um bilhete ao companheiro: foi ao ar, perdeu o lugar. Ou melhor, o scotch.

5 Aliás, o Edwaldo era meu fornecedor de uísque para as comemorações de final de ano. Sempre sobrava uma e outra garrafa das festas de confraternização que ele organizava e eu era o contemplado da hora. No dia a dia, nos encontrávamos no jornal "A Província do Pará", na Campos Sales. Ele, fechando a página de domingo, a mais lida e festejada do nosso colunismo social; eu, fechando a minha página de literatura, ou a dupla de entrevistas dominical. Por direito, ele fechava primeiro com o Teotônio, nosso diagramador-mor, enquanto eu aguardava na fila, na sala, papeando com o mestre Wilson.

Não tenho cá uma foto com os personagens que Elias cita aí ao final. Mas tenho uma da sala onde o encontro acontecia! Era onde também eu batia ponto para a diagramação de minha página de turismo. Ou eventualmente, da página do Didi. À esquerda, o Teotônio, já destacado, mui justamente, como “nosso diagramador-mor”, eu à direita, ainda com alguns cabelos naqueles idos de 1989, e ao fundo, já tendo entregue o cartum do dia ou em busca da inspiração, Biratan nos delicia com seu bandolim (é isso mesmo?), ele que é grande especialista em chorinhos pelas ruas de Belém. “Tempo, ó tempo. Vida, ó vida” (ERP).




Escrito por Fernando Jares às 19h43
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UM BELLO DUM PIRARUCU!

ÍTALO-PARAENSISMO NA COZINHA

Um pirarucu fresco, chamado de “Caboclo Bello”, assim mesmo, com dois eles, meio italianado, tem que ter história. E tem. Começa que é o 11º Prato da Boa Lembrança do restaurante “Lá em Casa”, segue com o fato de homenagear o fundador dessa confraria e termina com um sabor delicioso, que faz jus à arquitetura do prato, que tem um certo ítalo-paraensismo, com nítida vantagem dos sabores paraoaras.

Vamos por partes. O “Lá em Casa” faz parte, da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança desde a fundação da entidade, em 1994. Estes estabelecimentos têm sempre um prato especial, caprichadíssimo, que dá direito a quem o consume a levar como recordação, como boa lembrança, um prato decorativo, em cerâmica trabalhada à mão, uma pequena obra de arte. A ARBL foi criada por iniciativa do chef Danio Braga, que se inspirou nos “Piatti del Buon Ricordo”, da Itália e teve ele no Pará um de seus fundadores e maiores entusiastas, o chef Paulo Martins, como diz Danio no prefácio do livro “Os Restaurantes da Boa Lembrança” (Danusia Barbara, 1995) sobre o convite feito ao Paulo: “Na hora, gostando do que ouvia, ele disse: ‘Estou com vocês!’”

Nesse tempo o Paulo foi-se lá para cima, mas a sua criação continua firme, e aqui está mais uma obra de arte gastronômica da casa, que leva a assinatura de sua filha Daniela Martins, que hoje comanda a cozinha da casa:

 

O “Caboclo Bello” (R$ 59,00) é uma homenagem ao italiano-brasileiríssimo chef Danio Braga, o fundador da ARBL. É composto por pirarucu fresco com penne aromatizado com as ervas da cozinha paraense, destas boas que temos pelas ruas de Belém, acompanhado por farofa de castanha-do-pará. Danio afirma que misturar farinha com massa é uma grande ideia, e só não é uma criação italiana... porque eles não têm farinha como a brasileira por lá. Especialmente as maravilhosas farinhas paraenses, complemento eu. Aliás, sempre gostei de misturar farinha às massas, com todo respeito às tradições italianas... Uma vez flagrei d. Anna Maria Martins a juntar uma boa farinha à massa que comia, senti-me liberado para a mistura. E agora com o aval de Danio, acho que vou levar meu saquinho com uma boa “de Bragança” quando for a um ristorante...

A receita tem macetes, desde 50ml de cachaça até a castanha fresca e castanha seca na farofa, percebeu o detalhe? E o penne leva chicória, alfavaca, cheiro verde. E ainda tem uma redução de tucupi. Quer a receita? A Daniela colocou a dita cuja, com todos os ingredientes e modo de preparo no endereço eletrônico da Boa Lembrança, que você pode acessar clicando aqui.

O “Caboclo Bello” chegou à minha mesa como abaixo, formando um saboroso conjunto de sabores a enriquecer uma massa de qualidade, festejando a criatividade gastronômica paraense. O pirarucu estava realmente em ponto muito adequado, proporcionando felicidade ao ato de alimentar-se!


E viva a cozinha paraense, cada vez mais viva!



Escrito por Fernando Jares às 17h56
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EDWALDO MARTINS, ANO 10 (I)

TARCISIUS, O MÁRTIR CRISTÃO,
POR EDWALDO MARTINS


Esta foto aí em cima foi feita pelo jornalista Edwaldo Martins em 1987, no Musée d’Orsay, àquela altura recém-inaugurado, em Paris. Mostra, em ângulo quase frontal, a escultura “Tarcisius, martyr Chrétien”, de Alexandre Falguière (o Tarcisius existiu de fato na Roma das catacumbas e foi martirizado, defendendo as hóstias consagradas que transportava, sendo hoje São Tarcísio, protetor dos coroinhas e acólitos).

Edvaldo, cuja saudade de dez anos celebraremos nesta quinta, 18, com Missa em Santo Antonio de Lisboa (17h), trouxe-me a foto para publicar na página “Pró-Turismo”, que eu assinava em A Província do Pará, como editor de turismo do jornal. E forneceu as informações publicadas, que transcrevo mais abaixo. Durante muito tempo eu tinha vontade de ir ver esta foto ao vivo, da qual não sabia nem nome, nem autor. Ano passado programei a visita ao Orsay. Mas antes, ainda aqui pelas ruas de Belém, com a ajuda do Emerson Pardo, localizamos a escultura a partir da foto e muita pesquisa na internet. Aí foi fácil encontrarmos no museu a obra querida do Didi (como o chamavam os mais próximos), que eu pretendia fotografar, até no mesmo ângulo. Mas agora é proibido fotografar no museu d’Orsay! Olha que no Louvre não o é, mas aqui... tinha que ser. A obra está na mesmíssima Allée Centrale des Sculptures de 26 anos atrás. Só que agora não deixaram fotografar! Mas, da mesma forma, rendi minha homenagem ao amigo que havia admirado a obra, 25 anos antes (ao 2012).

Da minha pasta de recortes de turismo, veja aqui o que publiquei naquele domingo, 31 de maio de 1987 e, logo a seguir, a o texto completo da matéria:

 

M. O.: a nova atração dos parisienses

Nova grande atração dos parisienses, o Museu d’Orsay. que os franceses chamam carinhosamente de M.O., tem sido, desde sua inauguração, no final do ano passado, ponto obrigatório dos que visitam a capital da França. Não é apenas um museu a mais dentro da terra dos museus, como é o caso de Paris, É um acervo artístico mostrado de forma diferente, pois não há a distância tradicional entre a obra e o visitante. Localizado de frente para o Jardim das Tulherias, Museu do Louvre, e o Sena, o M. O. reúne obras criadas entre 1848 e 1914, o melhor, enfim, do século XIX, entre peças (as melhores e mais conhecidas) de Van Gogh, Renoir, Degas, Monet, Cézanne, Toulouse Lautrec, Manet e Delacroix. E ocupa um dos mais belos pontos de Paris do inicio do século, a velha Gare d'Orsay. inaugurada em 1900. Desativada em 70. a gare foi recuperada para se transformar em museu, aproveitando toda a estrutura de metal e vidro concebida por Victor Ledoux. Ao longo dela se espalha o acervo do museu não só de telas ou esculturas, mas de mobiliário, serviços de porcelana, jarros, a manufatura de Sèvres, arte fotográfica, artes decorativas (como as de Emile Gallé) etc. Ao lado disso, algo indescritível, surpreendente até, a maquete da Opera de Paris e. abaixo, um piso transparente sob o prédio da ópera e seus quarteirões vizinhos, em imensa maquete. mostrando tudo quanto Garníer fez, a partir de 1914, para a capital francesa. O Museu d'Orsay. a nova coqueluche dos turistas e interessados em arte. já tem, ern Belém, um grande entusiasta: Edwaldo Martins, autor, por sinal, da foto que ilustra este comentário. O d’Orsay é, agora, uma de suas paixões de viajante incorrigível. Aliás, a história da efetivação do M.O., através de inúmeros painéis fotográficos, será objeto de uma curiosa exposição que a Aliança Francesa promoverá a partir de terça-feira próxima, na Galeria Angelus, no Teatro da Paz.

A legenda da foto diz: “Do Museu d’Orsay, uma das admiráveis esculturas que compõem a ala central da antiga gare concebida por Ledoux. (Edwaldo Martins)

Como não me deixaram fotografar, captei a foto abaixo do sítio eletrônico do Musée d’Orsay. Crédito: René-Gabriel Ojéda. Você pode obter mais informações sobre a escultura e seu autor, clicando aqui.




Escrito por Fernando Jares às 19h45
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DIA INTERNACIONAL DO HOMEM

REFLETINDO SOBRE A SAÚDE MASCULINA

Não sei como você está comemorando o “Dia Internacional do Homem”, que é hoje. Eu ganhei meu beijo extra de parabéns da Rita, logo cedo... Os empregados da Albras, a indústria de alumínio de Barcarena, almoçaram ao som de música ao vivo e receberam uma edição especial do informativo interno Vida Saudável, “com dicas de saúde e bem-estar para os homens. Tanto empregados como familiares podem garantir novos hábitos com a leitura do encarte que apresenta as indicações do programa de qualidade de vida da ALBRAS”, informa o Boletim Informativo da Fábrica (BIF) da semana passada.

Essa história da Albras entra aqui porque a data, hoje já bastante conhecida, no início deste século era praticamente inexistente no Brasil. Eu trabalhava na Comunicação Empresarial da Albras quando ouvi falar da data e no ano seguinte ela era festejada na empresa – naquela época com efetivo masculino de cerca de 95% do quadro de pessoal!

A data sempre foi utilizada para refletir e discutir, principalmente, a saúde do homem, de um modo geral pouco cuidada pela maioria de nós... Inclusive aqui pelas ruas de Belém há ações dos órgãos de saúde orientando os homens - no final de semana estavam nas praias de Mosqueiro e Outeiro, etc.

Já contei a história de como tudo começou por lá, no post “Dia Internacional do Homem – A dimensão social de uma ação de comunicação empresarial”, que você pode ler clicando aqui. Também participei diretamente da criação da logomarca aí ao lado, simplinha mas objetiva, do informativo Vida Saudável e até de uma revista com o mesmo nome (que me parece não circular mais), veículos exclusivos para os empregados e seus familiares. Tempos antes das grandes crises da economia mundial, desde 2008, que afetaram grandemente certas commodities, repercutindo especialmente sobre a indústria do alumínio.



Escrito por Fernando Jares às 12h53
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LÁ EM CASA: NOVO CARDÁPIO

RECOMBINANDO INGREDIENTES REGIONAIS CLÁSSICOS

Ora direis, ler cardápios. Pois vos digo, amável leitor, que tenho esse hábito, quase um vício, nos restaurantes. Leio, releio, curto, escolho, peço, continuo lendo e relendo e, às vezes, acabo achando que devia ter pedido outra coisa. No problem. Volta-se outro dia, nunca sei quando... Melhor ainda quando são bem escritos.

Por isso eu gosto quando me dizem: estamos com cardápio novo.

Foi o que aconteceu esta semana no “Lá em Casa”, na Estação das Docas, que acaba de ser indicado pela Veja Comer e Beber como o Melhor em Cozinha Amazônica pelas ruas de Belém. Fui conhecer o novo cardápio que, renovado, mantém os clássicos da casa, restaura alguns idem e apresenta novidades.

A primeira novidade está logo nas entradas: “Biscoito de tapioca” (R$ 16,00), megacrocantes, feitos com farinha de tapioca muito fininha, com leve presença de queijo ralado. Dá vontade de ficar mastigando, mastigando... principalmente com a pasta que os acompanha: jambu com queijo-do-marajó, combinação certeira da agressividade do jambu com a textura suave do queijo-do-marajó. Criação da chef Daniela Martins, mostra a vitalidade dos ingredientes regionais em combinação clássico/contemporânea, na terceira geração de chefs do “Lá em Casa”:

 

Voltam ao cardápio pratos clássicos como a “Farofa de Pirarucu” (R$24,00), pirarucu salgado em cubinhos, frito e refogado com cebola, alho, tomate, pimentão e temperos verdes, farinha, manteiga, sal e leite de coco. Também volta o “Pirarucu no leite de coco” (R$ 48,00) com o peixão frito e cozido no leite de coco com temperos regionais e cebola, acompanhado de batatas cozidas no próprio molho e arroz branco.

A grande novidade entre os pratos principais é o “Caboclo Bello”, o novo Prato da Boa Lembrança da casa, mas que vai ter post próprio. Tem história o prato...

Resultado do trabalho que vem fazendo com crianças (inclusive dando aula de culinária aos pequeninos) a chef Daniela Martins incluiu dois pratos infantis: a “Pescada do Curumim” (R$ 30,00), isca de pescada amarela na chapa com arroz, batata palha, farofa e feijão vermelho; e o “Filé do Curumim” (R$ 30,00), tiras de filé na chapa com arroz, batata palha, farofa e feijão vermelho.

Boa notícia: a inclusão do prato criado por Daniela para o “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, o “Filé com melado de tucupi” (R$ 46,00), na foto abaixo, um filé alto coberto com melado de tucupi, acompanhado de farofa de beiju. Já foi comentado nestas páginas virtuais: leia aqui.

 

Para fechar a festa de manjares novos, nada melhor do que sobremesas, criações de Daniela Martins, que se juntam a tradicionalíssimas criações de seu pai, chef Paulo Martins, como “Mundico e Zefinha” ou o “Bolinho de Tapioca com cupuaçu”.

 

“Angatu” (R$ 13,00) é a primeira novidade, combinação de levíssimos cremes de bacuri e de chocolate meio amargo (mas creme mesmo, não sorvete), finalizados com crocante de tapioca e filhos de bacuri. Humm, estou a sentir o gostinho, ou melhor, o gostão. Para quem não é cá da terra: estes “filhos” citados não são “filhos” no sentido de mudas da planta... são a verdadeira polpa do bacuri, da fruta em si, que não poupa alegria ao paladar... Veja na foto acima o “filho” sobre o creme, à esquerda. Angatu? É termo buscado na linguagem indígena, que define sensação de bem-estar, felicidade, a alma boa. Tudo a ver.


Esta sobremesa Daniela criou para festivais de que participa pelo Brasil afora. É a “Castanhada” (R$ 11,00), tipo uma versão paraoara da cocada mole nordestina, feita com castanha-do-pará fresca (no lugar do coco) – é pra lamber-se de prazer, no melhor sentido gastronômico, bem entendido.

E viva a cozinha paraense, cada vez mais viva!



Escrito por Fernando Jares às 19h32
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ARAUTO DA VERDADE

“NINGUÉM NESTE MUNDO É MAIOR DO QUE EU”

Cascaviando os escritos do Afonso Klautau, recentemente falecido, em seu sempre bom blog “AK”, encontrei o texto a seguir, absolutamente procedente, nestes tempos em que a Verdade anda tão maltratada pela humanidade – não sem motivo Bento XVI tanto pregava a Verdade.

"Sinto-me grande, imensamente grande, dentro dessa beca. Ninguém, nesse mundo, maior do que eu dentro dela. Não por merecimento pessoal. Jamais por virtude própria. Vestido dessa beca, estou armado defensor da Lei. Como defensor da Lei, sou sacerdote do Direito. Como sacerdote do Direito, sou guarda da Justiça. Como guarda da Justiça, sou arauto da Verdade. Como arauto da Verdade, aproximo-me intimamente de Deus, que é a fonte única, imanente e eterna da Verdade. Por isso, dentro dessa beca, ninguém, neste mundo, maior do que eu!"

O autor é o professor Aldebaro Cavaleiro de Macedo Klautau, advogado, político, administrador público, católico, pai do Afonso e meu professor (Assim como de milhares de outros privilegiados cidadãos desta cidade. Suas aulas não eram apenas um momento de transmissão de conhecimento e experiência de um grande mestre em Direito Penal. Eram um momento agradável e imperdível pela maioria dos alunos. Eu no meio...).

O trecho acima faz parte do discurso do dr. Aldebaro, no Teatro da Paz, em 1952, na cerimônia comemorativa dos 50 anos da Faculdade de Direito do Pará – pela qual ele era formado, ainda nos tempos em que ainda era a “Faculdade Livre de Direito do Pará”.

O Afonso publicou esse trecho memorável no dia 2 de maio de 2007, quando o grande mestre do Direito faria 100 anos, estivesse ao vivo entre nós. Com absoluta justeza e com a segurança de quem sabia o que estava a escrever, Afonso Klautau assim arremata o texto: “Vivo ele está nos corações e mentes de seus familiares, amigos, alunos e de quem mais se lembra desse homem notável. Obrigado por ser seu filho. Benção, pai.”

Dr. Klautau foi um grande paraense. A par de militância jurídica, à frente de banca advocatícia das mais reconhecidas, foi deputado estadual em várias legislaturas e nas constituintes estaduais de 1935 e 1957. Teve postos de destaque no governo do Estado e foi superintendente da SPVEA (hoje Sudam) no governo Jânio Quadros.

Líder católico leigo desde antes do Concílio Vaticano II (até recebeu o título de Cavaleiro da Ordem de S. Gregório Magno, outorgado por Pio XII), foi o primeiro leigo a fazer um sermão pelas ruas de Belém, em Missa celebrada na Basílica de N. S. de Nazaré, em 1966. Faleceu em 1983.

Busquei no Orkut do AK esta foto da família, onde o dr, Klautau está na fila mais ao fundo, junto ao Oratório.

 

Sugestão: passe no blog “AK” (clique aqui) e leia os comentários ao post citado acima. Depoimentos muito bons, inclusive do filho do próprio AK, neto do mestre.

Bacharel em direito por formação acadêmica ocasional e jornalista/publicitário por opção e satisfação pessoal, eu sempre tive imensa admiração por profissionais destas áreas – diuturnamente envolvidos com e pelas palavras – que soubessem matemática e afins. Fazer contas direitinho para mim já era/é um ótimo indício. Pois agora descubro que o dr. Aldebaro Klautau, quando muito jovem, foi professor de álgebra e geometria da então Escola Normal! Está em seu perfil biográfico no livro “Quem é quem no Pará”, de 1970, do jornalista Gualter Loiola de Alencar.

Para relembrar o mestre, republico foto que já andou por estas páginas virtuais: a nossa turma, de 1971, da Faculdade de Direito da UFPA, com alguns mestres. Dr. Klautau é o penúltimo à direita, entre os drs. Orlando Bitar e Daniel Coelho de Souza. Só fera, sumano!




Escrito por Fernando Jares às 22h18
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ESCOLHENDO OS MELHORES RESTAURANTES

VOTOS E EXPERIÊNCIAS DE UM PAPACHIBÉ

Qual o critério para escolher um determinado estabelecimento de serviço, destacando-o em seu universo como o melhor na categoria?

A revista Veja Belém especial Comer & Beber 2013/2014, pediu a algumas pessoas que indicassem, em uma listagem bastante ampla de restaurantes, bares e casas de “comidinhas” qual, em cada categoria, consideravam o melhor, o campeão do ano.

Os votos de cada jurado estão na edição da revista que está nas bancas e pode ser lida no sítio eletrônico da publicação.

Convidado para o júri deste ano, na categoria restaurantes, apontei as casas que conheço e respeito pela qualidade global que apresentam, na capacidade de transformar o ato de alimentar-se em um momento prazeroso, agradável, de recordação positiva, permanente. Lógico que aí se enquadram sabor, qualidade de insumos, apresentação, ambiente, atendimento, comunicação etc. E acrescento, sempre que possível, o compromisso com a região, com o Estado, com o paraensismo.

Vamos aos votados por este escriba, frequentador e observador de restaurantes pelas ruas de Belém... na medida em que o orçamento permite...

A cada estabelecimento está o link para acessar o comentário que já fiz nestas páginas virtuais sobre o restaurante votado, relatando a experiência deste papachibé comilão.

CALDEIRADA DE PEIXE – Casa da Peixada.
Este foi o único dos meus indicados em que divergi da maioria... Embora seja fiel cliente do campeão (Remanso do Peixe), desde seus primeiros dias, sou fã incondicional do tempero e da simplicidade das receitas do Bastos – também desde os inícios, quando ainda era “Caranguejão”... Leia sobre esta caldeirada, clicando aqui.

CARNE – Picanha & Cia.
Tem tradição e ganha todo ano. Mas fui lá conferir para ver se continuava ao ponto certo. Leia sobre um Bife Ancho, clicando aqui.

COZINHA AMAZÔNICA – Lá em Casa.
Já o classifiquei, há muitos anos, de “santuário” da cozinha paraense. Conheça o comentário que fiz sobre a “Pescada Papachibé”, penúltimo “Prato da Boa Lembrança” – o novo, que já está no cardápio, ainda não foi comentado. Clique aqui.

ITALIANO – La Traviata
Embora tenha tido momentos muito bons no restaurante, tenho-o como o melhor da cidade em delivery. Vira e mexe é a pedida em casa, basta as filhas estarem reunidas. A comida chega como se estivéssemos em uma das mesas. Leia clicando aqui.

PIZZARIA – Xícara da Silva
A massa das pizzas da Xícara é um diferencial! Nos conteúdos, existem duas que são perfeitas: a que leva camarão rosa e jambu, que eles chamam “da vovó”, uma vovó paraensíssima, imagina-se; e a de gorgonzola com uva. Este é o único dos restaurantes selecionados que não fiz post sobre. Mas, em compensação, olha esta “meia vovó e meia gorgonzola com uva” em uma das “visitas” em casa... morre na hora, no tapa...

 

VARIADO – Benjamin
O tipo de casa que sempre deixa boas lembranças. Por isso espero que entre, ainda este ano, para a confraria dos Restaurantes da Boa Lembrança... Leia sobre ele clicando aqui.

CHEF DO ANO – Thiago Castanho (Remansos do Peixe e do Bosque)
Inovador por excelência, sem abandonar a cultura que lhe dá sustentação e o rigor das melhores técnicas, faz jús ao sucesso que o acompanha, tão jovem ainda. Por esse mais que justo motivo, volta e meia aparece por estas páginas virtuais. Escolhi o post em que conto a primeira vez, nos idos de 2009, em que conheci os manjares desse garoto cozinhador. Clique aqui.

MELHOR RESTAURANTE – Remanso do Bosque
Coerente com a proposta dos chefs titulares, Thiago e seu irmão mais jovem, Felipe Castanho, destaca-se pela qualidade e pela criatividade, às vezes, ousadia. Leia sobre a “Experiência Remanso”, em duas etapas, clicando aqui e aqui.
A foto abaixo, do jornalista Marcelo Katsuki, Folha de S. Paulo, mostra o maior dos cozinheiros brasileiros da atualidade, Alex Atala, na cozinha do “Remanso do Bosque”, conversando com a equipe. Felipe e Thiago, à direita. Égua do time, sumano.

 

RESTAURANTE REVELAÇÃO – Buffalo Bill
Pois é, você não viu essa categoria na revista, mas havia na cédula de votação e eu votei nessa nova casa de carnes de Belém, sobre a qual você já leu aqui. Fica o registro.



Escrito por Fernando Jares às 19h47
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VEJA “COMER & BEBER” 2013

OS MELHORES LUGARES PARA COMER
E BEBER PELAS RUAS DE BELÉM

Já está circulando a edição especial Veja Belém “Comer & Beber 2013/2014”, encartada na revista Veja desta semana (para os assinantes) e nas bancas , com as informações completas sobre mais de 400 estabelecimentos de alimentação, sendo 117 restaurantes, 103 bares e 186 casas de comidinhas. E ainda a indicação dos melhores em cada um desses segmentos, escolhidos por um júri convidado pela redação da revista, formado por pessoas que devem frequentar esse tipo de casa pelas ruas de Belém.

Este é o nono ano de circulação deste produto. Alegadas dificuldades na economia e certo “receio”, se podemos usar a palavra, dos empresários do setor, faz com que as páginas de publicidade diminuissem. No ano passado, por exemplo, foram 32 páginas locais e neste ano pouco além de 20... A revista mantém o produto, embora tenha eliminado, já pelo segundo ano, a festa de lançamento, que existia desde a primeira edição e era um movimentado e prestigiado encontro dos profissionais dessa área e patrocinadores.

Mas vamos aos melhores de 2013/2014:

RESTAURANTES

O chef Thiago Castanho conquista, pelo terceiro ano consecutivo, o título de “Chef do Ano” e coloca seu restaurante “Remanso do Bosque” como o melhor da cidade. Uma curiosidade: no ano passado, quando a revista circulou, anunciando o resultado da premiação, Thiago estava na Itália, com o irmão, Felipe, participando do festival gastronômico “FestaVico2012”. Neste final de semana ele está novamente divulgando o Pará, no Rio de Janeiro. E o irmão em Búzios, idem, idem.

Mas vamos aos premiados, por categoria:

CALDEIRADA DE PEIXE – Remanso do Peixe

CARNE – Picanha & Cia.

COZINHA AMAZÔNICA – Lá em Casa

ITALIANO – La Traviata

PIZZARIA – Xícara da Silva

VARIADO – Benjamin

CHEF DO ANO – Thiago Castanho (Remansos do Peixe e do Bosque)

MELHOR RESTAURANTE DE BELÉM – Remanso do Bosque

BARES

Enquanto a “Amazon Beer” crava o sétimo ano como premiada, o “Espaço Cultural Boiuna”, que já andou ganhando prêmio nas Comidas de Boteco, faz a sua estreia.

Olha a lista dos premiados nas diversas categorias:

BOTECO – Bar Meu Garoto

CAIPIRINHA – Boteco das Onze

COZINHA –Cité

HAPPY HOUR – Amazon Beer

MÚSICA AO VIVO – Espaço Cultural Boiuna

PARA PAQUERAR – Palafita

BAR REVELAÇÃO – Barba Negra

COMIDINHAS

Temos aqui a única conquista total e absoluta em toda a premiação, com 100% dos votos dos jurados! É a sorveteria “Cairu”, que garantiu mais uma vez a sua presença e raspando o tacho... A mania de cupcake invadiu o prêmio e trouxe casa nova, a “Tudo Bolo”. Existem aqui alguns verdadeiros “donos” do posto, mas o que fazer, são bons mesmo...

Confira a lista:

AÇAÍ – Point do Açaí

CACHORRO-QUENTE – André Sanduicheria

CAFÉ – Tasca Mercado

CUPCAKE – Tudo Bolo

DOCERIA – Abelhuda

PADARIA – Armazém Belém

SALGADO – Portinha

SORVETE – Cairu

TACACÁ – Tacacá do Colégio Nazaré

Há ainda o resultado de um “voto popular”, digamos assim, denominado "As preferências do leitor", resultado de consulta feita pela revista, por e-mail, a moradores da capital. 548 responderam a questões que nem sempre coincidem com as dos membros dos juris convidados. Mas mostram um leque muito interessante para orientação de quem busca temas específicos, do melhor pato no tucupi (Lá em Casa), a melhor vista (Manjar das Garças) ao melhor ambiente para ver lutas de MMA (Dom Spetto).

Você pode conferir estas informações e obter detalhes sobre cada um dos estabelecimentos consultando a revista que está nas bancas (R$ 10,00) e nas casas dos assinantes. Pode também ir ao sítio eletrônico da publicação, clicando aqui.

Este escriba blogueiro foi convidado a integrar o júri que apontou os Melhores Restaurantes. Mérito dos leitores que acompanham estas páginas virtuais. Minha lista de votação vou mostrar em próximo post. (Para ler os votados por mim veja mais acima ou clique aqui)




Escrito por Fernando Jares às 07h49
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COZINHA PARAENSE NO RIO

MAPARÁS E VEGETAIS DIVULGAM O PARÁ

Neste final de semana a cozinha paraense e seus ingredientes têm presença em dois grandes eventos gastronômicos no Rio:

(1) a primeira edição do “Mesa ao Vivo Rio de Janeiro”, da revista Prazeres da Mesa, que já é sucesso em São Paulo, e que acontece no RJ com a grande novidade de ter como palco o Complexo do Alemão;

(2) a 12ª edição do “Festival Gastronômico de Búzios”, no Rio, um dos mais charmosos balneários do país.

O evento carioca da Prazeres da Mesa tem o tema “Cozinha revolucionária: transformando produtos de segunda em receitas de primeira” e lá estará amanhã o chef Thiago Castanho, do “Remanso do Bosque”, para aula em que falará de suas experiências, conversará sobre como é a cozinha paraense, mostrar como se corta e limpa um peixe amazônico (no que o pai dele, Francisco – Chicão – Santos, é um craque), etc.

Estão no time deste evento Flávia Quaresma, Pedro de Artagão, Thomas Troisgros, Claude Troisgros, Roberta Sudbrack, Danio Braga, Felipe Bronze, etc.– quase todos grandes chefs que já cozinharam aqui pelas ruas de Belém (para conhecer mais o Mesa ao Vivo RJ, clique aqui). Hoje Flávia Quaresma já apresentou umas sardinhas sobre cuscuz brasileiro de farinha d’água e lá estava o paneirinho de Bragança: para ver, clique aqui.

Thiago apresentará a grande inovação do aproveitamento culinário de elementos antes desprezados, como, por exemplo, a pele do peixe, fazendo na hora um prato com esse ingrediente. Também mostrará que certos produtos podem não ter valor em um local, mas em outros podem ser muito queridos e procurados, exemplificando com o popular peixe mapará. Vai cozinhar um “Mapará moqueado”, embrulhado em folha de guarumã, como na foto abaixo – experiência já mostrada neste blog: para ler sobre esta Fantasia Tocantina, clique aqui.

 

Os irmãos Castanho estão divididos, no bom sentido, obviamente, no “ataque” deste final de semana às terras fluminenses. Enquanto o Thiago sobe o morro do Alemão, como vimos, Felipe adentra as areias hiperbrancas e o mar de Búzios, levando vegetais que só vemos aqui pelas ruas de Belém para mostrar para gente de todo canto, do Brasil e do exterior.

Para saber sobre este evento e a participação paraense, clique aqui.

A foto abaixo captei do Instagram do Thiago Castanho, onde tem a legenda: “Ervas medicinais da Amazônia. O que é remédio, se bem pesquisado, pode vir a ser ingrediente”. Documenta os estudos que eles estão fazendo – o braço caprichadamente tatuado, de um jovem que trabalha no Remanso, indicará tendência a seguidor de Alex Atala...?




Escrito por Fernando Jares às 17h56
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UM BIFE MACIO

PARA UM ALMOÇO ANCHO

Tirante as churrascarias, não temos muitas casas especializadas em carnes pelas ruas de Belém, especialmente nos chamados cortes nobres*. A “Picanha & Cia” é uma das boas exceções. Por nada não, como se diz, mas todas as vezes que por lá andei, sempre fiquei satisfeito.

Não foi diferente na mais recente visita: para um almoço, em uma quinta-feira, dia em que, descobri diante do cardápio e por apresentação simpática do garçom, era a “Quinta Nobre do Cordeiro”. Até gosto muito dessa carne, mas eu tinha ido lá com um objetivo bovino e não me afastei dele. Fiquei firme... e fui ao “Bife Ancho” (R$ 52,69):

 

Os argentinos são bons em carnes, no sentido bovino, obviamente. Dizem que nos tais bons cortes reside o “segredo” para conseguir um bom prato, foi o que me explicaram certa feita que fui até lá, com um grupo de jornalistas de turismo de todo o Brasil, para conhecer as atrações fronteiriças dos hermanos.

Lembrei-me deles diante deste bife ancho, acima, que também é conhecido como ribeye, prime-rib, noix, entrecote ou filé de costela. “Ancho” traduz o dicionário como “largura, largo”, aqui se referindo à altura da peça.

Querela nomenclatural à parte, na “Picanha & Cia.” ele é servido em uma peça de anunciados 300g, com farofa e molho vinagrete, mais duas “guarnições especiais” que você escolhe no cardápio. Optei Arroz Carreteiro e Feijão Tropeiro que, se pedidos isoladamente, custariam R$ 8,00 cada um. Esta carne tem uma gordura entremeada que lhe fornece um sabor especial e maciez – e ela estava lá, valorizando a peça, devidamente grelhada e com temperos equilibrados. Deixei de lado o tal vinagrete. E fiquei bastante satisfeito (na verdade, como neste dia foi sozinho ao restaurante, ainda trouxe uma parte para consumo posterior em casa... agradando a patroa).

A casa tem uma vastíssima oferta de carnes, inclusive de outros animais, como o já citado cordeiro, suíno, galeto e até alguns d’água, como bacalhau e camarão, como diz o cardápio - aliás, o cardápio apresenta pratos "mixtos", mas não se impressione, o cozinheiro é melhor do que o redator... Uma das atrações é o “Capitão” (R$ 160,55, para 6 pessoas), uma peça de dois quilos que une no mesmo corte alcatra, picanha e maminha. Há também um com características regionais: “Picanha Marajoara” (R$ 146,48 para 4 pessoas), com muçarela de búfala ou queijo-do-marajó. Mas não os provei...

(*Este ano inaugurou em Belém um restaurante nesta especialidade, que tem carnes marajoaras no cardápio, o “Buffalo Bill”, que já foi apresentado aqui.)



Escrito por Fernando Jares às 18h35
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JOSÉ MARCELINO MONTEIRO DA COSTA

UM PIONEIRO NA ECONOMIA DA AMAZÔNIA

A academia paraense perdeu na semana passada, fazem hoje sete dias, mais um grande nome. Passou meio despercebida sua partida, talvez porque estivesse fora dos “focos” da sociedade nos dias de hoje – e a sociedade é danada para esquecer quem não está na vitrine...

Mas sua contribuição à economia e ao desenvolvimento da Amazônia e do Pará em particular é para sempre. Bastaria ser um dos fundadores (em 1973) e esteio basilar do NAEA – Núcleo de Altos Estudos da Amazônia, ao longo de, ao menos, os primeiros dez anos da instituição.

José Marcelino Monteiro da Costa faleceu no último dia 26/06. Tive muitos contatos com ele e com o dr. Armando Mendes, e outras mentes igualmente brilhantes, naqueles idos dos 70, no NAEA, cuidando da divulgação daqueles projetos pioneiros. Gostava de ouvir essa gente competente. Aprendi muito nessas andanças e encontros.

A contribuição dele na formação de algumas das melhores inteligências nesse campo pelas ruas de Belém é notável.

Já escrevi nestas linhas o quanto admiro o professor Haroldo Maués, um dos meus gurus na história. Pois olha o que ele escreveu sobre o professor José Marcelino:

Presto aqui esta homenagem ao Marcelino que, juntamente com o Armando Mendes, Alexei Turenko e outros colegas da antiga Faculdade de Economia, gestou a ideia de um núcleo de integração da pesquisa e pós-graduação na UFPA e que foi quem o implantou e coordenou por vários anos.” Pincei este texto do blog “Sociologando”, de Maria Cristina Maneschy. A autora do blog diz: “José Marcelino da Costa foi, para mim, um grande professor de Economia Brasileira. Aprendi muito e devo, portanto, algumas conquistas de minha carreira profissional às bases teóricas que obtive como sua aluna.” Vale uma visita ao “Sociologando”, para ler estes depoimentos completos e outras opiniões sobre o mestre: clique aqui.

O Conselho Regional de Economia, em convite para Missa de 7º dia, destaca que, como ex-presidente da entidade, “teve sua vida dedicada à categoria profissional, foi pioneiro no estudo e na apresentação de projetos de desenvolvimento da Amazônia” (...) “A sua inestimável contribuição científica foi – e continuará sendo – um marco no desenvolvimento regional”.

Muito ligado a bibliotecas, seu nome batiza a casa dos livros do NAEA, homenagem justíssima. Conheça esta biblioteca clicando aqui.

Quem quiser maiores informações sobre o Núcleo de Altos Estudos da Amazônia não deixe de visitar o sítio eletrônico da instituição, clicando aqui.

 

José Marcelino Monteiro da Costa faleceu justo nos 40 anos do NAEA (1973-2013), que fundou.



Escrito por Fernando Jares às 19h20
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A CALDEIRADA DA PEIXADA

O PEIXÃO PRO ALMOÇO

Dia destes fui comer um peixe na casa do Bastos. Bem entendido: a casa do Bastos e a “Casa da Peixada”, onde se come peixe de primeira, segundo os cozinhamentos tradicionais, no centro da cidade. Por exemplo, o melhor tucunaré frito na manteiga que até hoje comi, é de lá. Já contei história da “Casa do tucunaré feliz”, que você pode ler, clicando aqui.

O Bastos teve um piripaque um tempo desses, fez safena etc., mas já está em forma no comando da casa. Registre-se que, mesmo na ausência dele os peixes saiam belezura.

Dia do mês passado almocei por lá. É casa simples, serviço simples, sabor requintado. E fui para testar como andava a caldeirada, que fazia tempo que não comia, viciado que sou no tucunaré.

Impressionante como a combinação perfeita, exata, dos ingredientes, transforma em prazer o ato de alimentar-se:

 

Olhaí a caldeirada da “Casa da Peixada”. Trata-se de uma Caldeirada de Filhote (R$ 68,00 para duas pessoas), camarão, ovo, batata, cebola, tomate e os inigualáveis temperos verdinhos do Pará. Existe para este prato a previsão de patinhas (que prefiro chamar de unhas...) de caranguejo, mas não estão servindo, em virtude da esdruxula proibição de venda de caranguejo em restaurantes pelas ruas de Belém... e agora temos que ir comer as unhas em outras cidades!

O comportamento do filhote na caldeirada é forte, com sua carne firme e saborosa, com textura agradável. O conjunto fazia uma festa na boca. (Antigamente o que hoje se chama de banda tinha por nome conjunto, de forma que a frase tem assim mais efeito... com um saudável duplo sentido). O fato é que tocou fundo nos sentidos e sentimentos do comensal. Merece registro especial o pirão que acompanhava o peixe. Sou doido por pirão de peixe, de forma que foi rapidamente devorado em sua “mais completa totalidade”, como dizia um amigo meu. Havia também arroz branco que, de minha parte, voltou intocado para a cozinha. Com todo respeito aos arrozeiros, mas, com um pirão daqueles como acompanhamento, por que gastar espaço interno com o arroz (he, he, he).



Escrito por Fernando Jares às 17h58
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