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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


“O INVENTOR DA TV”

POLÊMICO E GENEROSO, FOI-SE O AK

Quando soube da morte do Afonso Klautau, fiquei pensando na morte. Ela vem e os nossos amigos, colegas, parentes, vão indo por causa dela. Aí chega um dia, lá irá a gente, também. (Só espero encontrar uma morada guardada para mim, lá no outro lado da vida. É a esperança cristã – Jo 14,2). Mas, religiosidades à parte, com saudades, fui procurar por ele nas imagens do Google.

Aí, quando vi esta foto, meus olhos umedeceram:

 

Estava no blog do Haroldo Baleixe, que a cascaviou no Orkut do AK.

Klautau, Osmarzinho, Nassar e PChaves. Fui colega de trabalho dos três primeiros, na eterna escola do mestre maior, Oswaldo Mendes (o pai) – veja um registro desse tempo, lá embaixo. Os dois primeiros já se foram. Quanto saber, quanta criatividade, sobre aquelas barbas ainda escuras e sob os cabelos fartos. Todos grandes, muito grandes, nas suas especialidades, pelas ruas de Belém. Esse quarteto tinha/tem algumas toneladas de QI.

Além dessa ligação coleguística com o Afonso, fui aluno do pai e de um irmão dele na faculdade de direito: Aldebaro Klautau e Aldebaro (Baim) Klautau Filho. Quando o Baim se foi, escrevi algo sobre os dois mestres, que você pode ler clicando aqui.

Uma das mentes privilegiadas da televisão paraense, da publicidade, do jornalismo, um homem de comunicação no seu sentido mais integral possível. Dirigiu tv, dirigiu jornalismo, dirigiu campanhas, inclusive políticas. Um professor (de comunicação, obviamente) que os alunos amavam.

Mudanças nos roteiros das vidas profissionais nos afastaram. Os fugazes encontros eram sempre de relembranças mais fugazes ainda. Acompanhava-o sempre. Sabia de suas doenças. Agora fechou-se o pano: Morte 1 x Medicina 0.

Restou-me acompanhar o que disseram sobre ele. Redizer o que disseram (trechos) sobre ele.

Guilherme Augusto, jornalista – Diário do Pará
“O ‘inventor’ da TV – Afonso Klautau não inventou a televisão, uma brincadeira de amigos dele para sacaneá-lo, mas, pelo menos em Belém, provou que é possível fazê-la com bem humorada inteligência”. (...) “Se há pessoas imprescindíveis, o Afonso Klaurau era uma delas”.

Paulo Bemerguy – Blog Espaço Aberto
“Mas, caro Afonso, deixa que só uma lágrima caia por ti, rapaz!
Só uma lágrima, mas de grande saudade.
E tão logo ela seque, meu caro, pode cair na gargalhada.
Como essa daí.
Um abraço apertado.”

Paulo Silber, jornalista – no blog do Gerson Nogueira
“Ao mestre com amor – Para Afonso Klautau
Meus heróis são vivos. São de carne e osso
. (...) Meus heróis são assim, escaracados, ousados, marrentos, implicantes, apaixonados, instigantes, exagerados, delirantes. Donos de uma sinceridade tão explícita que se não fosse de verdade pareceria blasfêmia. (...) Não são exatamente humanos esses meus heróis. Ou não estariam vivos, aqui dentro, como se alguma parte minha fosse na verdade um generoso pedaço deles. Mas não são exatamente humanos mesmo! Não os meus heróis.
Ou não estariam aqui, o tempo todo vivos, o tempo todo vivos! 
O tempo todo!
Até quando lhes é inevitável morrer.”

Orly Bezerra, publicitário – no blog da Franssinete Florenzano
“O Afonso tinha uma mente privilegiada e conhecia televisão como poucos: sabia o time exato desse veículo e usava com maestria o texto: ora para criticar, ora para emocionar. Formou uma geração. Eu aprendi muito com ele.”

Afonso participou de muitas campanhas no Estado, uma das mais conhecidas foi a “Não e Não”, no plebiscito sobre a divisão do Pará. A campanha foi até premiada em “Cases e Mídias Integradas”, categoria “Política e Eleições” no Prêmio Colunistas – relembre um dos filmes clicando aqui.

Otacílio Amaral Filho, do Inst. de Letras e Comunicação da UFPA a O Liberal
“Ele era um excelente professor, muito preocupado com os alunos e exigente com as questões do jornalismo. Na sala de aula, nunca estava de mau humor, era brincalhão o tempo inteiro. Como amigo era muito amável, gostava de contar histórias de Santarém e dos caboclos da Amazônia
.”
Aldemyr Sena e Feio, jornalista, no Jornal do Feio, em 17/03/2007!!!
“Afonso Klautau é um monstro da nossa profissão; e forma outros monstros, já que é professor do Curso de Comunicação Social (Área de Jornalismo) da Universidade Federal do Pará.
É isso aí, Afonso. Tive muito orgulho em trabalhar com você, amigão
.”

Atenção que este depoimento do Feio é de seis anos atrás!

Adelaide Oliveira, presidente da Funtelpa no Diário do Pará
O Afonso tinha uma personalidade polêmica, mas era muito generoso. Criou muitos programas inovadores e criativos na TV Cultura.
Veja aqui uma homenagem ao AK no Jornal Cultura, da TV Cultura.

Abaixo um registro tirado do “Anuário Brasileiro de Propaganda 72/73”, que publicava informações sobre todas as agências do país, cidade por cidade. Aqui as da Mendes Publicidade, naquele ano. Tive de fazer uma montagem, pois estava uma parte em uma página e o restante na seguinte:




Escrito por Fernando Jares às 17h56
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OMNIVORE WORLD TOUR

GASTRONOMIA PARAENSE EM MAIS UMA
VITRINE INTERNACIONAL

O Brasil vai receber um festival gastronômico de vanguarda, respeitado internacionalmente, que este ano visita 10 grandes cidades do mundo. É o “Omnivore World Tour”, que entre 26 e 29 de setembro estará no Rio de Janeiro, tendo no programa aulas e jantares com 13 grandes chefs convidados, brasileiros e estrangeiros.

E a cozinha paraense estará presente, por meio de dois representantes da nossa melhor vanguarda gastronômica que se pratica pelas ruas de Belém: os chefs Thiago Castanho e Felipe Castanho, do restaurante “Remanso do Bosque”. Estarão ao lado de gente brilhante: Alberto Landgraf, Felipe Bronze, Pedro de Artagão, Rafa Costa e Silva e Thomas Troisgros. Entre os estrangeiros já estão confirmados nomes como Armand Arnal, ex-chef de Alan Ducasse em New York, e hoje dono do La Chassagnete (Camargue, Sul da França); Dominique Crenn, do Atelier Creen (San Francisco, Califórnia); Willian Ladeuil, do francês Ze Kitchen Galerie.

O festival foi criado em Paris, em 2003, pelo francês Luc Dubanchet, que foi editor do respeitadíssimo guia Gault Millau, depois chegou a New York e no ano passado globalizou-se, acontecendo em diversas cidades. Igual a Paris o Rio será um polo fixo, recebendo o festival todos os anos. Outras cidades no tour 2013: Istambul, Moscou, Bruxelas, Shangai, New York, Montreal, São Francisco e Sidney, apresentando propostas que estão à frente das tendências mundiais e locais e capacitando novos talentos, numa cozinha sem fronteiras, alegre e sem preconceitos, dizem os organizadores.

O nome do festival remete a “onívoro”, que o dicionário diz ser: “Que come de tudo, tanto alimentos de origem vegetal como animal; Que tudo devora.” Isto é, nosotros... diriam nossos vizinhos.

 

O festival é dividido em quatro momentos: (1) Masters Classes, que são aulas ministradas pelos chefs convidados. As inscrições poderão ser feitas a partir do próximo mês em www.omnivorerio.com. (2) Omnivore Dinner, jantar para 100 convidados, preparado por três dos 13 chefs participantes; (3) Amazing Dinners, ação em três restaurantes do Rio, feitos a quatro mãos, um chef internacional e um brasileiro. (4) Omnivore Village, uma área com lounges e espaços apropriados para exposição de serviços e produtos relacionados com a alta gastronomia.



Escrito por Fernando Jares às 18h39
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FERNANDO PEREIRA MARTINS – 100 ANOS

TEU PAI FAZ 100 ANOS E TU FAZES O QUE?

Esta pergunta vem-me sendo feita, por mim mesmo, há algum tempo.

Acontece que o meu pai nasceu em 16 de junho de 1913, há exatos 100 anos de hoje. Viveu um pouco menos da metade de sua vida pelas ruas de Belém, onde nasceu, e a outra metade maior, pelas ruas de Capanema, onde morreu, em 2002. Confesso que rodeei este monitor, fui tomar café, fazer alongamento, ver o Twitter, ler e-mails, beber água, fazer aquela ligação pendente, rodeei o monitor... É difícil escrever sobre alguém da gente, alguém de onde eu vim. Mas vai!

Foi um cara essencialmente sério e deixou-me de herança crenças que me valem e norteiam a vida até hoje; o vício da leitura, do leitor inveterado que era, traço forte que se ampliou em uma filha, a continuar esse gosto do avô; alguns poucos livros dos muitos que tinha (os demais acidentaram-se na história...) – se quiser conhecer um deles, clique aqui; o requinte da outra filha ter nascido justo no dia dos anos do avô, o que me dá a alegria de continuar festejando o 16 de junho, mesmo depois dele nos ter deixado materialmente.

Também me deixou o gosto por caricaturas e desenhos. E aí está ele na visão do Carlinho, jovem caricaturista de Capanema, nos idos de 1981:


Nascido em Belém, filho de pais portugueses (que aqui chegaram ainda jovens), fez Marinha Mercante e química industrial – na época em que era “faculdade livre”. Aí, com a graninha do pai, montou uma fábrica de bebidas, a Destilaria Fátima, ali no Jurunas. Era uma lista imensa de bebidas – ainda preciso publicar aqui os rótulos de algumas delas. Ora, que comece agora! Veja o rótulo, por sinal bem moderninho para os anos 40, de seu Guaraná América (onde ele aparece como químico responsável:


Sem nenhum estudo de mercado e com vontade excessiva de mostrar o que sabia fazer, acho que só pensou na produção. Daí que, como se dizia na época, “deu com os burros n’água” e tudo se acabou. Absolutamente sem nada, lá fomos, em abril de 1954, para Capanema, onde arrumou um sócio com capital para montar uma pequena fábrica de bebidas. Vovô ficou com o pouco que sobrou, a fabricar o vinagre “Bom”.

As coisas não foram bem com o tal sócio. Aí comprou um terreno na Colônia Agrícola Pedro Teixeira e lá fomos nós ser colonos. Eram quatro quilômetros para a escola... Criava galinhas poedeiras (juntei muito ovo nos ninhos), vendia frutas, xuxu, engarrafava vinho e fabricava vinagre e cachaça, em uma geringonça que ele mesmo bolou e construiu. Mas ele não tinha nenhuma vocação para negociante (o que também herdei...), a situação continuava aperreada e, no início dos 60, foi trabalhar na Prefeitura de Capanema.

Em 2001, já aposentado e doente, foi indicado como um dos candidatos ao título de “Capanemense que mais se destacou no decorrer do Século XX”, promoção do Jornal de Capanema, TV-Capanema, Sistema de Comunicação Frederico Braum e Almeida Divulgações. Veja o que o professor Carlos Alberto de Araújo Amóras, organizador do concurso, escreveu no Jornal de Capanema:


"FERNANDO PEREIRA MARTINS, nasceu aos 16 de junho de 1913, em Belém do Pará, capital paraense. Filho de Lourenço Martins Jorge e de Maria Pereira Martins, sendo ambos de muita tradição no Estado do Pará.
Na década de 50, já morando em Capanema, dedicou-se à avicultura e produção química de bebidas e derivados. Homem inteligente e de integridade moral à toda prova, revelou-se um célebre secretário de Administração Mu-nicipal, atuando ao lado de vários prefeitos de Capanema; foi um verdadeiro exemplo de útil funcionário não somente pela sua capacidade intelectual, mas por saber apaziguar as sérias crises que machucavam a administração muni-cipal. É assim o comportamento eficaz de Fernando Martins, um dos mais eficientes funcionários da Prefeitura e conhecedor profundo da administração da vida pública do município. Quando tinha que ser feito algum memorial ou comunicação à Presidência da República ou ao Governo do Estado, era obrigado a receber a análise de "SEU FERNANDO", a mola mestra do Poder Público Municipal.

Aos 88 anos, Fernando Martins, se encontra enfermo, porém o marco de sua passagem por Capanema, é uma tradição de glórias e utilidades em prol do nosso rincão.

Vamos votar em FERNANDO PEREIRA MARTINS, possuidor de grande inteligência e soluções democráticas que foram aplaudidas pela sociedade organizada."

Voltou a morar na cidade, quando a saúde da mamãe estava complicada.

Quando ela se foi, em 1979, não demorou para casar de novo. Sempre dizia que a maior homenagem que o viúvo podia fazer à falecida era casar logo: testemunhava ter gostado da vida de casado...

Nesse tempo, tinha uma pequena fábrica de telhas de cimento e de formas para essas telhas, nos fundos de sua casa. Na frente todo ano passava a proissão de Corpus Christi.

Quando eu era pequeno lá em Capanema, muitas vezes o vi dormir com um livro caído sobre o peito. Leitor apaixonado, na velhice vivia ainda mais cercado de livros e revistas. Um dia a vista foi acabando e ficou sem poder ler. Não durou muito.

Seis meses após a notícia acima, infelizmente, ele volta ao Jornal de Capanema. Foi pro céu em 9/3/2002.

 

"No último sábado às 20h30, morreu em nossa cidade o cidadão FERNANDO PEREIRA MARTINS, o "seu Fernando" que por mais de 40 anos trabalhou na prefeitura municipal, desempenhando várias funções administrativas, tendo se destacado em todas elas. Fernando Martins era também químico industrial e um exímio conhecedor da história de Capanema. Recentemente o Jornal de Capanema fez a escolha do Capanemense do Século XX e o nome de Fernando Martins fez parte dos que concorreram ao título, uma justa homenagem por tudo aquilo que ele fez por esse município.
O corpo de Fernando Martins foi velado no plenário da Câmara Municipal por todo o dia de domingo, acontecendo a missa de corpo presente seguida do cortejo para o sepultamento à tarde, no Cemitério de São Francisco de Assis. Fernando era casado com Raimunda de Nazaré Barata Martins.
Os filhos de Fernando Martins estiveram presentes nos funerais e receberam as condolências das pessoas que compareceram na Câmara Municipal e no enterro. Estavam presentes seus filhos Fernando Jares Martins, Jorge Henrique e Ana Maria Jares Martins.
Diversas pessoas foram ao velório e ao enterro de Fernando Martins, entre eles, políticos, empresários e estudantes, que foram prestar a última homenagem a esse capanemense de fibra que muito contribuiu para o progresso do nosso município. O prefeito Jorge Costa foi ouvido por nossa reportagem e frisou que "Capanema perde um expoente, exímio conhecedor do corpo administrativo da prefeitura, onde exerceu diversas funções.”
Os ex-prefeitos Jaime Nascimento e Edmilson Acácio, que tiveram Fernando Martins em suas equipes de governo, também falaram da importância que ele teve na contribuição administrativa."
(Seguem-se outras entrevistas)

Para fechar as reminiscências: (1) desenho a carvão, de 9/5/1923, tinha 10 anos. Feito pela professora de desenho de suas irmãs, na única viagem que fez a Portugal; (2) Foto a caráter em Belém, da Phota. Menezes, sem data – deve ter sido pouco depois do desenho. Devia ter uns 12 anos.

 (1)

(2)

Saudades. Fiz o que sei fazer, pelo centenário de meu pai. Obrigado, Senhor.



Escrito por Fernando Jares às 07h52
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UM BELO POINT NO BOULEVARD

SEM GÓ OU PRATIQUEIRA, VIVA O PIRARUCU

A minha relação com o restaurante “Point do Açaí” parece aquela história (pura lenda, porque não acontece de verdade!) da mulher do malandro: apanha, mas volta...

O que o Point tem dado de furo comigo não é fácil. Mas eu volto, porque gosto: da comida saborosa, do ambiente legal, com gente feliz e dos proprietários, empreendedores de primeira, gente que acredita que trabalhando é que se vai pra frente.

Faz tempo contei aqui a história das pratiqueiras que tinham, mas não tinham. Para ler “Para ser feliz, põe-te frente a um bom açaí” clique aqui. Mas em outra incursão, encontrei-as e festejei que “A pratiqueira é um peixão”: clique aqui.

Domingo desses fui conhecer o novo “Point do Açaí” no Boulevard. Aqueles prédios têm uma relação muito forte como meu passado remoto. Mamãe morava em uma das casas que dão frente para a Gaspar Viana, onde era a alfaiataria e casa do meu avô. Papai trabalhava mais adiante e, de tanto passar na porta, deu em casamento e aqui estou eu!

Te digo, o trabalho feito no Point do Boulevard foi muito bom. Tá atraente, dum jeito que eu gosto – tem um painel de relógios antigos e um espelhão caprichado na lateral. Já vale a visita. Veja em foto de divulgação:

 

Começamos por uns bastões de macaxeira frita (R$ 12,00), na foto abaixo. Não são aqueles pedacinhos de macaxeira frita que a gente faz em casa, é massa industrializada de macaxeira, então frita. Estava no ponto de tempero e fritura, uma gostosa entrada. Ficou a dúvida se havia farinha de pão na fritura.

Pedi então um Filé de Gó Frito com açaí (R$ 48,90 para duas pessoas), mas... não tinha gó! Como alternativa escolhi Pratiqueira Frita com açaí (R$ 30,00)... que também não tinha!


A inconsistência entre os cardápios oferecidos e a realidade disponível é um problema em muitos restaurantes, das cervejas a produtos ditos sazonais. Daí, ou o cardápio impresso deve ser constantemente atualizado ou deve ter algum tipo de alerta acerca da dependência de fornecimento. Viram que a tigela do açaí está vazia? Foi outro problema: só tinha do comum, que é fino, e a Rita não gosta. Pois não é que faltava o Especial (grosso, que tem uma diferença de R$ 8,00 sobre o comum!). Reclamado à direção, mandaram buscar o grosso, aí sim, sumano, veio maravilha, papa digno de ser servido ao (Papa) de verdade...

 

Acabei-me num Filé de Pirarucu Frito (R$ 48,90) acompanhado com ½ litro de açaí médio, farinha d’água, tapioca, arroz, farofa, vinagrete, açúcar ou adoçante, na foto acima. Entram aí os R$ 8,00 para o açaí ser transformado em Especial. Tudo na mais perfeita e desejada ordem culinária, sabor correspondente aos desejos deste escriba – que só ficou triste pela falta da gó, da pratiqueira... Mas o pira estava de acordo com sua tradição de um dos mais saborosos peixes do país.

A Rita acabou ficando com um inesperado Filezinho de Carne/Prato Kid (R$ 32,80) acompanhado de arroz, batata frita e farofa de ovos.

 

Portas e janelas? Não. São as portas refletidas no espelho que falei lá em cima. Não deixe de dar uma olhada nele quando for lá. Qualquer dia vou falar desses espelhos de restaurante, que acho muito legais.



Escrito por Fernando Jares às 19h12
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125 ANOS PESSOANOS

HOJE É O DIA DOS ANOS DO FERNANDO PESSOA, O LUSO*

Para a maioria das pessoas hoje, 13 de junho, é o dia de Santo Antonio. Ontem, véspera do dia do santo, foi o Dia dos Namorados que, segundo centenária tradição, ele ajuda a encontrarem-se e a casarem.

Para um grupo cada vez maior de pessoas o dia 13 de junho é o dia do nascimento de um outro Antonio. O poeta português Fernando Antonio Nogueira Pessoa, há justos 125 anos. Festejemos-lhe os anos:

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma

Mas o poeta parece não querer as festas:

Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.”
(Aniversário – Álvaro de Campos)

Maior poeta da língua portuguesa contemporânea, universal na temática e na abrangência geográfica da obra (já vi livro com poemas do Pessoa até em hebraico!) temos hoje o direito de festejar-lhe os anos. Mesmo que não o queira ele. Que há de nos desculpar.

Como milhões de alfabetizados, sou dos que cultuam a obra do “Nandinho”, como o chamava a única namorada que teve, a sua Ofélia – e apropriadamente lembro ao escrever isto, ainda na noite do Dia dos Namorados...

Como fiel amador** deste autor, além da obra completa e inúmeros livros sobre, tenho cá uma coleção de objetos relacionados com o poeta, desde uma chávena de café d’A Brasileira (Lisboa), as famosas cédula e moeda de 100 escudos que homenageiam FP, ingressos de exposições, programas de espetáculos, recortes de todos os tipos e até o “Filme do Desassossego”. Há alguns anos, na Unama, “vesti-me” de Pessoa para performance pessoana na apresentação de um trabalho na pós em comunicação... fico a imaginar se o poeta viu-se assim, gordo e de barbas brancas, embora de chapéu, paletó preto e gravatinha...

Um dos meus guardados tem história de desejo e realização inesperada, cá mesmo, pelas ruas de Belém.

Em um domingo nos idos de 2007 (provavelmente 17/06) li em O Liberal sobre uma jovem, Paula Carvalho, que produzia biscuits. Chamou-me atenção uma das fotos da matéria:

 

Ora se não é o Pessoa bem ali, à direita, junto de um simpático Papão – símbolo do Paysandu, para quem não seja daqui. Ficou-me a vontade, um certo desejo, de ter aquele Pessoa. Mas faltou a iniciativa de procurar a moça, que vem a ser sobrinha do querido cartunista J. Bosco, informa a reportagem. A vontade ficou na vontade e o recorte da matéria na pasta dos recortes sobre o Pessoa. Eis que senão quando... sem nunca ter falado deste desejo secreto a ninguém, tchan, tchan, tchan, tchan, recebo de presente de um casal amigo, um biscuit do Pessoa, de chapéu, óculos e tudo, de pé sobre uma plataforma em forma de onda/livro, onde está gravado o poema “Mar Português”. Acharam que era a minha cara...

 Ops, eu já o conhecia assim. Uma rápida associação de ideias e lá estava o recorte na mão. Égua, sumano, abalou. Apenas no “meu” Pessoa o bigode era menor. Ficou mais tristinho, até acho que mais com a cara da alma do poeta...

Eu não sou pessimista, sou triste.”
(“Não me indigno...” Livro do desassossego – Bernardo Soares)

Para festejarmos juntos este aniversário, você pode ler os dois poemas citados no Arquivo Pessoa – Obra Édita: Aniversário e Não me indigno...

Também pode ler “De horóscopo e unhas”, bela crônica da professora Amarílis Tupiassu na revista Mulher, de domingo passado, clicando aqui.

Para completar, conheça o mais novo livro sobre Pessoa: “Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz - Correspondência amorosa completa”, apropriadamente lançado ontem em Lisboa e no Brasil – clique aqui e aqui. Tenho livros sobre essa correspondência mas, como toda obra de Pessoa... agora está incompleta. Mas neste final de semana deve ficar completa, se Deus quiser.

 *Cabe o esclarecimento: temos cá pelas ruas de Belém um Fernando Pessôa, gente boa, arquiteto, professor, escultor, cenógrafo, design... e também poeta.

**Expressão que fui buscar no livro “Breviarium”, da professora Amarílis Tupiassu, onde ela se declara fiel amadora da obra do padre António Vieira, que ali apresenta.

Bônus extra: o Fernando Pessoa pelo Fernando Pessôa, que fotografei no lançamento do livro de poesias do Pessôa paraense. Feliz aniversário ao poeta (lá por cima...) e, para todos nós, felicidade hoje e sempre.




Escrito por Fernando Jares às 10h05
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COMENDO NO DIA DOS NAMORADOS

ESTÍMULOS PARA UMA NOITE DE AMORES

O jantar do Dia dos Namorados, lá pelos 70s, era no “Lá em Casa” antigo, no Solar dos Malcher, na rua que homenageia o governador antigo dono dessa casa – que hoje é agência do BB. Dona Anna e o Paulo Martins arrumavam um monte de mesinhas de dois lugares, toalhinhas coloridinhas, uma romântica vela no meio e um cardápio atraente, que geralmente tinha lagosta! Pegava bem pagar um jantar com lagosta para a namorada! E lá estava eu homenageando a Rita...

Hoje praticamente todos os bons restaurantes pelas ruas de Belém têm programação caprichada para a noite de amanhã. Dei uma olhada e escalei três para mostrar:

Jantar dos Namorados no Benjamin

O jantar é em dois horários: das 19h30 às 22h e das 22h30 em diante.

O menu (R$ 120,00 por pessoa) do chef Sérgio Leão tem três etapas com opções a escolher em cada etapa. Entrada: Brandade de Bacalhau, ou Escondidinho de Pupunha com Camarão, ou Steak Tartar com salada verde.

Prato principal: Pescada Amarela grelhada com espuma de moqueca, ou Blinis de banana da terra e farofa de camarão, ou Massa fresca com molho ao sugo e polpettone recheado de cream cheese, ou Filé alto em molho de vinho tinto, com risoto de parmesão e batatas rústicas, ou Bacalhau em lascas com legumes.

Sobremesa: Strogonof de morangos, ou Brigadeiro mole de chocolate e cupuaçu, com sorvete de paçoca, farofa de castanha e sal negro.

Inclui um drink de boas-vindas, água mineral, refrigerantes, sucos e café expresso.

 

A sobremesa de brigadeiro mole com cupuaçu, já foi apresentada nestas linhas virtuais (clique aqui).

A verdadeira essência do amor

O “Lá em Casa” radicalizou e decidiu ir além do cardápio de manjares que levam a assinatura da chef Daniela Martins, que coloca no buffet (R$58,00) atrações com viés afradisíaco, pelos temperos estimulantes da cozinha paraense e pratos tradicionais. Veja alguns exemplos: Salada de abobrinha e berinjela apaixonados; Bacalhau Exotico (que leva até ovo de codorna...); Filé com bacon, amendoim e castanha-do-pará; Camarão com cogumelos e queijos; Torta de amendoim; e um clássico dos tempos de d. Anna, os Papos de Anjos, com a novidade de uma Calda de bacuri. Pois além de tudo isso, o restaurante aposta nas tradições legitimamente paraoaras dos perfumes que operam milagres no amor. 

 

“Os casais apaixonados merecem a essência do amor verdadeiro” anunciam, fazendo a cultura do Pará embalar os corações, no que afirmam ser o "jantar mais romântico" no principal cartão postal da cidade – a Estação das Docas.

Aliás, o restaurante faz uma brincadeira em sua página no Facebook com a antiga expressão “ficar no caritó”, que seria “envelhecer solteirona”, coisa muito preocupante até o século passado. Donzelas que formavam o time das “vitalinas”. Havia até música sobre isso: “E tira pó, vitalina bota pó / Moça velha não sai mais do caritó”. Para quem não entende esse “grego” todo, dou de brinde uma página da escritora Rachel de Queiroz sobre o assunto, publicada em 1959, na revista O Cruzeiro: basta clicar aqui. Note a conotação social da grande Rachel no texto, bem atual para quem tem dúvidas sobre PEC das domésticas... Aí eu lembro que o papai, nos anos 50, tinha uma picape bastante velhinha, mas cheia de luzes e enfeites. Adivinha o nome: era a “Vitalina"!

 Mesa para dois

 

No Remanso do Bosque a dupla de chefs-irmãos Thiago e Felipe Castanho ataca de menu-degustação em quatro etapas (R$ 130,00) desenhado especialmente para gente que se ama. Anunciam também novidades na carta de vinhos que serão apresentadas nessa noite. Deep house pra garantir um clima é por conta do dj Guto Macedo. E mais, quem postar uma foto romântica dentro do Remanso do Bosque, com as hashtags #mesapara2 e #remansodobosque concorre a prêmios Tramontina, Decanter, Grand Cru, Remanso e Filhos do Combu. Não se preocupe com os Filhos do Combu, não é promessa de “filhos” para os namorados... é só a marca daquelas delícias naturais orgânicas produzidas na ilha do Combu, aqui em frente a Belém.

Imagino que no menu degustação deva comparecer uma das atrações do projeto Remanso Experiência, a estimulante “Paleta de cordeiro com viagra natural”, que você pode conhecer clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 10h15
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FESTIVAL GASTRONÔMICO DE BÚZIOS

OS VEGETAIS DA AMAZÔNIA
NA BEIRA DO MAR

Os vegetais da Amazônia são exclusivos, muitos deles únicos no mundo. Alguns só se desenvolvem em terras e ares com nossas características, isto é, aqui mesmo... São tão valiosos que tem espertalhão internacional registrando como patente própria... Açaí, a pupunha e o pupunha, o cupuaçu, bacuri, o jambu, o cacau do Combu, e por aí afora, uma lista interminavelmente... saborosa.

Já existem alguns produtores que precisam ser estimulados a ampliar a audácia de investir nestes campos... literalmente. E há que ter mercado para eles. Neste aspecto os chefs de cozinha paraenses estão fazendo a sua parte, divulgando o que temos de melhor, desde as ações pioneiras de Paulo Martins.

Os irmãos Castanho trabalham ativamente também por aqui. O maior dos chefs do Brasil na atualidade, Alex Atala, amigo de Martins e dos Castanho, também divulga direto os produtos amazônicos, especialmente em âmbito internacional.

No recente “Paladar – Cozinha do Brasil”, promoção do suplemento “Paladar”, do jornal O Estado de S. Paulo, Thiago Castanho falou aos paulistas sobre “Os Vegetais do Norte” e até preparou alguns pratos. Para ler sobre este evento, clique aqui e sobre a aula de Thiago e pratos preparados na hora, clique aqui.

Agora o mais jovem dos Castanho, Felipe, enche o isopor de vegetais e lá vai para mais uma divulgação, em ambiente pra lá de aprazível: Búzios, Rio de Janeiro. Na companhia de grandes nomes da gastronomia, como Wanderson Medeiros (Maceió), Monica Rangel (Rio), Checho Gonzales (S. Paulo), Danio Braga (Rio) – por sinal todos estes já estiveram aqui pelas ruas de Belém para o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” – Felipe Castanho está no time do “12º Festival Gastronômico de Búzios”. O festival tem um lado de formação com chefs de todo o Brasil ministrando aulas e ensinando receitas, e um lado de degustação, onde 49 restaurantes desse famosíssimo balneário do Rio de Janeiro, servem pratos a preços populares, em quatro pontos da cidade.

Como informa o sítio eletrônico do festival, “Cada restaurante coloca literalmente uma mesa na sua porta finamente decorada. O restaurante vende somente uma opção: ou uma entrada, ou principal ou sobremesa. O formato é único no Brasil. Como é um festival de degustação, permite que o público possa degustar os pratos dos restaurantes mais sofisticados de Búzios a preços populares. Localizado na Orla Bardot, na Rua das Pedras, na Rua Manoel Turíbio de Farias, no Centro, no Espaço Domme e no Porto da Barra, ambos em Manguinhos, o circuito tem em torno de 8km. A entrada é livre, basta chegar e aproveitar.

Por aquelas bandas de beira de mar a vegetação é vasqueira. Tem até cactos. Mas a beleza das praias e a riqueza da vida naquelas águas... é tudo. A riqueza vegetal amazônica que Felipe Castanho vai mostrar deve fazer o maior sucesso. E vegetais gostosos, sumano. Veja o perfil do Felipe Castanho no site do festival, clicando aqui.

Mostrando que estes eventos são excelente forma de divulgação da cultura culinária de uma região, cá está o festival gastronômico de Búzios na revista da TAM, em imagem que captei do Instagram do chef Wanderson Medeiros:




Escrito por Fernando Jares às 16h29
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SABORES AMAZÔNICOS DA AMAZON BEER

CERVEJAS MULTISSENSORIAIS
PARA O PALADAR, OLFATO E VISÃO

Fiz uma incursão cervejeira na Amazon Beer, nossa cervejaria artesanal que já se industrializa, com a específica finalidade de conhecer os seus novos sabores, já nem tão novos assim... Fui experimentando, gostando, achando esta amarga e aquela azedinha, outra tão amarga que agradaria o papai – que gostava de Campari, imaginem. Tinha cerveja de frutas, de perfumes, de raízes, uma festa multissensorial para o paladar, para o olfato, para a visão. Olha aqui, do álbum de família da Amazon Beer, a turma completa, das pioneiras Forest e River, às tais mais novas, que já não ficam somente pelas ruas de Belém, mas se espalham pelo Brasil afora.

 

Diante da especificidade do assunto, tive uma ideia luminosamente etílica: convidar quem entende muito mais do que eu do universo cervejal, apreciador das louras geladas de inúmeras nacionalidades e línguas diversas, sempre as provando com língua afiada... e equilibrada. Aliás, neste caso específico, muito de acordo com a gente paraense, são mais morenas geladas que louras...

Assim, passo a palavra ao Emerson Pardo, emérito (porém comedidamente moderado) apreciador destas preciosidades, engarrafadas ou não.

Na minha provação (no sentido de provar, nunca no de infortúnio ou sofrimento...) fiz algumas fotos, mas publico as que o Emerson tirou, quando teve de fazer “o enorme sacrifício de prova-las novamente...”, para atender ao meu pedido, como me explicou.

Sout Açai

A Stout com adição de açaí me deixou curioso desde quando anunciaram que iam lançá-la. Logo pensei com meus copos: tem grandes chances de dar muito certo essa combinação. E deu! Representante do estilo Dry Stout, o mesmo da mundialmente cultuada Guinness, a Stout da Amazon Beer é fiel ao estilo: bem escura, exibindo aquela generosa espuma com boa durabilidade, com sabor amargo e seco e o gosto de café torrado. A adição do açaí ajuda na aparência (especialmente no chopp servido na Estação das Docas em que a cor do açaí se mostra bem na espuma) e aparece no sabor sem brigar com o estilo. Na versão engarrafada o açaí quase some, a espuma é marrom e seu sabor aparece mais quando a cerveja já está ficando menos gelada.

Red Ale Priprioca

O tipo Red Ale é da família do estilo Pale Ale, um dos estilos mais difundidos no mundo. A Red Ale permite boas variações na receita com mais ou menos amargor, maior ou menor grau alcoólico, mas geralmente com um leve sabor frutado e sabor caramelado dependendo do grau de torrefação do malte, resultando sempre em cervejas equilibradas com maior destaque ao malte do que ao lúpulo. A Red Ale da Amazon Beer exibe uma cerveja com uma bela cor ruiva, boa espuma com duração média, amargor na medida certa e teor alcoólico adequado. O sabor, levemente caramelado, persiste no final deixando a vontade de tomar mais um gole. A raiz de priprioca fornece um aroma (que eu não conhecia) que é o diferencial dessa Red Ale. Uma cerveja que é fácil de beber.

IPA Cumaru

O estilo IPA (India Pale Ale) foi criado na Inglaterra para exportação para as tropas durante a ocupação da Índia. A desculpa para adicionar maior quantidade de lúpulo, malte e teor alcoólico era que as Ales apodreciam nos navios nas longas viagens marítimas do século XVIII. Atualmente as quantidades são menores, mas o equilíbrio é mantido. A IPA da Amazon Beer é bem lupulada, percebe-se no aroma e no sabor amargo. O aroma também tem um pouco de cheiro de madeira e levemente adocicado do cumaru que lembra a baunilha. A cor é de mel e sua muita espuma que aparece ao servir não dura muito mas persiste o tempo todo deixando marcas no copo. Na boca, seguindo o amargor, há o final seco. Mas há um certo desequilibrio entre o amargor e o malte. É uma cerveja difícil e deve agradar aos que gostam de uma cerveja bem amarga. Tenho a impressão de que ela deve ser melhor em climas com temperaturas mais amenas.

Witbier Taperebá

Witbier é a cerveja de trigo da Bélgica. Ao malte é adicionada uma boa proporção de trigo que deixa a cerveja com a cor clara e turva. O estilo também se caracteriza por ser menos amargo pois tem pouco lúpulo e a receita tradicional belga tem a adição de coentro ao contrário das alemãs de trigo. Também faz parte da receita original o licor de laranja, mas geralmente usam-se raspas de casca de laranja. Nessa Witbier a aparência é a esperada para o estilo, o sabor é refrescante, cítrico, mas não sentimos o coentro (talvez por ser polêmico ao paladar de muitos brasileiros ele não tenha sido incluído na receita) e meu nariz a considera a mais aromática dessa cervejaria artesanal. O taperebá faz-se presente e ajuda a deixar a cerveja saborosa e fácil de beber. É a minha favorita da Amazon Beer.

Muito obrigado, Emerson.

De minha parte, quanto mais bebo as criativas variantes da Amazon, mais gosto da muito agradável Forest. As mais jovens que me perdoem.

Na visita acompanhei a beberação com iscas de peixe (R$ 28,00) e um mix de linguiças (R$ 27,00) com nove unidades: calabresa, frango, cordeiro. O preço das cervejas fica entre R$ 5,90 e R$ 7,50, inclusive pela variação das embalagens. Veja abaixo uma criativa tabela que mostra cada cerveja, seu perfil e o acompanhamento que melhor se harmoniza com ela. Para facilitar a leitura, clique aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h07
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ARTE MONUMENTAL POPULAR

FÉ E ARTE PELAS RUAS DE CAPANEMA


Quando eu era criança pequena lá em Capanema, não havia procissão de Corpus Christi, pelo menos com a beleza e sofisticação dos dias de hoje. Tudo isso começou em 1976 e eu vim de lá para a cidade grande em 1959 (ufa, no meio do século passado!). Mas acompanhei tudo de pertinho, vi – e me emocionei, juntamente com a Rita – com as primeiras edições da romaria que nunca parou de crescer, seja acompanhando, seja vendo a passagem do Santíssimo pela casa do papai, na D. Pedro. Tudo começou por inspiração do sempre lembrado frei Hermes Recanatti, que acreditou na juventude capanemense para assumir a empreitada. E estava certo. Durante anos tínhamos espaço positivo garantido na pauta do “Jornal Nacional”, com destaque, pois era novidade no país! Depois perdemos espaço para cidades mais “globais”... digamos assim.

Nos anos 1980 redigi um folheto publicitário (para a Gran-Pará Turismo, de David Abud, capanemense dos bons) onde associei os termos e arte nas ruas de Capanema, tema que explorei também bastante na coluna semanal “Pro-Turismo” que, por 16 anos, assinei no jornal A Província do Pará. Para conhecer o folheto, leia o post “O Corpo de Cristo pelas ruas de Capanema”, clicando aqui. Como não temos nada igual aqui pelas ruas de Belém, a Gran Pará organizou uma excursão até a “terra do cimento”, título hoje nem tão simpático, pelos problemas de poluição desse tipo de indústria. Mas o que poderia ser uma excelente iniciativa em termos de turismo religioso não prosperou.

A beleza do tapete de 1.300 metros, que cobre algumas ruas da cidade, se repete a cada ano, sem repetir os desenhos, as mensagens, a criatividade dessa manifestação de arte monumental popular!

Conheça um pouco dessa arte em matéria do jornalismo da TV Liberal, via G1, clicando aqui. O guardião e pároco de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a padroeira da cidade, frei Rodrigo, escreveu “Corpus Christi: A Fé transformada em arte em Capanema”, em seu blog, onde exibe diversas fotos: clique aqui. Veja também belas fotos no sítio eletrônico Capanema News, por sinal de onde captamos a foto vista aí em cima, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 22h13
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