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PELAS RUAS DE BELÉM


TEM COZINHA NA FEIRA DO LIVRO

TEM COZINHA PAPA-CHIBÉ NA FEIRA.
NA FEIRA DO LIVRO, SUMANO!

Pois não é que amanhã tem lançamento de livro de receitas paraenses na Feira do Livro. Receitas paraenses da gema, ou melhor, da maniva, do tucupi, do jambu, porque o que menos tem é ovo... Receitas papa-chibé, mesmo, sumano, daquelas que se faz em casa, em restaurante, na beira do rio, no pô-pô-pô, por aí nesse Parazão.

O Instituto Paulo Martins lança o livro “Culinária Papa-Chibé”:

 

Isso mesmo, nesta quarta, feriado de 1º de maio, às 17h, no Ponto do Autor, Feira Pan-Amazônica do Livro. Aproveite o passeio e garanta logo seu exemplar.

O livro resgata e registra receitas do dia a dia da cozinha paraense e foi buscar as fórmulas utilizadas por cozinheiros mais do que experientes, mestres-cucas, como se dia antigamente, chefs de cuisine, ou apenas chefs, na linguagem mais moderna, também adotada pelas ruas de Belém.

As receitas foram escolhidas a dedo, ou melhor, à língua, papilas gustativas, todo o véu palatal... provadas e aprovadas por responsáveis por restaurantes muito respeitados de algumas cidades do Estado e pelas boieiras do Ver-o-Peso.

Olha a lista dos restaurantes: Benjamin, Divina Comida, Lá em Casa, Marujo's, Point do Açaí e Remanso do Peixe, de Belém; Boá e Saldosa Maloca, da Ilha do Combú; Nalva, de Soure; e Peixaria do Careca, de São Caetano de Odivelas e mais algumas boieiras espertíssimas, que já conhecemos do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”.

Só para dar uma ideia, tem maniçoba, pato no tucupi, pirarucu de casaca, bolinho de piracuí, picadinho de tambaqui, arroz paraense, tamuatá no tucupi, paxicá e sarapatel de tartaruga, peixe frito com açaí, filé marajoara, pato do imperador, silveirinha de camarão, vatapá paraense e muito mais. São 31 receitas, inclusive de doces de cupuaçu, de açaí, de bacuri. Prepare-se, mano velho, que o estômago vai fazer uma festa (imagino que até pode ser um presente, de grandíssimas segundas intenções, para o dia das Mães...).



Escrito por Fernando Jares às 15h18
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PORTUGAL EM VINHOS E COMIDAS

A CASA SERÁ PORTUGUESA, COM CERTEZA

 

O programa “Wine Dinner” do restaurante Benjamin acontece nesta terça-feira, 30/04, mudando de data (última quinta-feira do mês) para aproveitar a véspera do feriado. E tem razão: a noite será temática, com vinhos e comidinhas portuguesas a fazer o espetáculo. É preciso ter tempo para curtir tudo que os Leão vão colocar nas mesas – e nos copos, ó pá!

Informa o chef Sérgio Leão que “neste ‘Wine Dinner’ utilizaremos os vinhos da Quinta do Vallado, vinícola portuguesa da Região do Douro, fundada em 1716. A vinícola esta nas mãos da mesma família desde a sua fundação e foi considerada em 2012 a melhor vinícola de Portugal.”

Segundo o chef todos os vinhos que serão utilizados no “Wine Dinner” receberam mais de 90 pontos da Wine Spectator e do crítico norte-americano Robert Parker, um dos mais respeitados analistas de vinho do mundo (com grande poder de opinião junto ao público estadunidense).

Veja aqui o menu para esta noite. Como diriam os portugueses mais jovens, que eventualmente estejam cá pelas ruas de Belém, está giro!

  • Primeira Entrada - Vinho Branco Quinta do Vallado Reserva
    Açorda de Frutos do Mar
  • Segunda Entrada - Vinho Tinto Quinta do Vallado
    Bruschetas de alheiras
  • Primeiro Prato - Vinho Tinto Quinta do Vallado Touriga Nacional
    Bacalhau a Braz
  • Segundo Prato - Vinho Tinto Quinta do Vallado Reserva Field Blend
    Guisado de Cordeiro com batatas
  • Sobremesa  - Vinho Vallado Moscatel Galego
    Pudim de pão com frutas cristalizadas

O cardápio inclui ainda sucos, refrigerantes, água mineral e café expresso, ao custo por pessoa de R$130,00.



Escrito por Fernando Jares às 15h02
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TEM VER-O-PESO NO “MAIS VOCÊ”

ARTESANATO, MANDINGAS E MUITA COMIDA GOSTOSA

O programa “Mais Você”, ou melhor, o programa de Ana Maria Braga, na Rede Globo (aqui, TV Liberal), mostrou hoje, 26/04, em rede nacional, mais uma vez, as atrações da cozinha e do turismo paraenses. O mercado do Ver-o-Peso foi a estrela, com uma riqueza e beleza de imagens que valeu e deve ter deixado muita gente com vontade de vir passear pelas ruas de Belém e comer nossas iguarias únicas. O cozinheiro ogro Jimmy, personagem do programa televisivo, mostrou o grande mercado por dentro e inventou lá um prato de filhote com jambu que levou até queijo parmesão no pesto... um “Peixe preguiçoso”, preparado na cozinha itinerante dele na beira da baia e lá no programa. No caderno de receitas do “Mais Você” é anunciado como “receita típica de Belém do Pará”...

Você pode ver o programa clicando aqui, a preparação da receita aqui e a receita aqui.

Uma excelente promoção, na linha do turismo gastronômico, assunto repetidas vezes deste blog. Impressionante como esta pauta rende matérias grandes e positivas para o Estado.

Embora o programa não tenha registrado em nenhum momento o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” o chef itinerante de Ana Maria Braga esteve aqui no festival, quando fez essa bela gravação. Veja abaixo uma foto do ogro Jimmy no passeio dos chefs participantes do VOPCzPA pelas águas da baia do Guajará, quando foram conhecer o restaurante-maloca do Orlando, do outro lado do rio – ele conversa com as chefs Daniela Martins (Lá em Casa) e Angela Sicilia (Famiglia Sicilia). Captei a foto do facebook da jornalista, chef e colunista de gastronomia, Denise Araujo, de Boa Vista, Rondônia, dona do considerado blog “Letras Saborosas”:




Escrito por Fernando Jares às 18h01
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UM MAGRO POETA APORTA NA FEIRA

VAMOS CONHECER MAIS O MAX,
PESSOA DAS MELHORES LETRAS,
PELAS RUAS DE BELÉM

Já está virando tradição na Feira do Livro: o estande da Editora da Universidade Federal do Pará é um dos melhores – ou até o melhor, sem qualquer exagero.

O do ano passado, por exemplo, homenageando o poeta Fernando Pessoa, foi muito, muito bom. Sobre ele, leia “Pessoa ‘ao vivo’ no estande da UFPA”, clicando aqui.

Para este ano eles homenageiam outro grande poeta – pessoa daqui, vivente pelas ruas de Belém até muito recentemente: o poeta Max Martins. Para ele, e para nós o conhecermos melhor, há o espaço “Porto Max – tributo ao poeta Max Martins”. Coisa imperdível.

 

Convite para inauguração do “Espaço Porto Max”, na Feira do Livro.

Aliás, por falar em porto e feira, você conhece o poema “Ver-o-Pêso”, de Max Martins? Ele está bem aqui, em post que homenageia o aniversário de Belém, em 2009.

Muito além de apenas mostrar e/ou vender livros, o estande a Editora da UFPA tem uma programação de primeiríssima sobre Max Martins – morto em 2009, quando estas linhas virtuais o homenagearam com “Max Martins em outra H'Era”, que você pode ler clicando aqui.

Até o escritor paraense e grande amigo de Max, Age de Carvalho, veio especialmente de Viena, onde reside há alguns anos, para o acontecimento. E, além de lançar o seu livro “Trans”, que é a reunião de sessenta poemas inéditos e inteiramente dedicado a Max Martins, participará de programas como o bate-papo com o tema “A fala entre parêntesis revisitada. Age de Carvalho relembra Max Martins”, no domingo, 28, a partir das 17h., mediado por Lívia Barbosa.

Fique de olho na programação. Os bate-papos com o leitor no estande da Editora ocorrerão todos os dias da Feira, sempre às 17h. No dia 29, o tema será “Cartas ao Max”, por Élida Lima, mediado por Vasco Cavalcante.

Para a terça, 30, o papo será sobre “Os diários de Max Martins”, com Jorge Eiró e Jaime Bibas, professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA. Logo após, às 18h30, será realizada uma sessão de autógrafos do livro “Hermenêutica e Crítica: o pensamento e a obra de Benedito Nunes”, da autora Jucimara Tarricone, uma coedição da Editora UFPA e da Editora da Universidade de São Paulo.

Conheça toda a programação deste estande no Portal da UFPA, clicando aqui.

A 17ª Feira Pan-Amazônica do Livro, no Hangar – Convenções e Feiras da Amazônia, é evento literário da maior importância para a cultura regional, realizado pela Secretaria de Cultura (Secult) do governo do Estado, e acontece de 26 de abril a 5 de maio.

Embora funcionando desde a abertura da Feira a inauguração do estande da Editora da UFPA é no sábado, 27, às 18h, no, e contará com a presença do reitor Carlos Manescky; de pró-reitores, professores, técnicos e estudantes da Universidade.

 

O verso (ou será a frente?) do convite tem ilustrações de diários de Max Martins.



Escrito por Fernando Jares às 17h59
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GASTRONOMIA COMO ATRAÇÃO PARAENSE


“No imenso mercado a céu aberto de Belém o dia começa de noite e só acaba com o último tambaqui. Navegando entre mares de açaí e ruas de peixes, driblando balanceiros, cestas de maxixe e garrafadas “tiro e queda” nosso repórter viu o dia nascer no feirão ancestral.”

Caderno Paladar, O Estado de S. Paulo, 18/04/2013

De minha parte, gostei por demais da capa do caderno “Paladar”, do jornal O Estado de S. Paulo, que está aí em cima. Não tem a cara do Veropa? (Veropa= tratamento mais íntimo, digamos assim, por que é tratado o tricentenário mercado do Ver-o-Peso, principalmente pela turma mais jovem).

A gastronomia paraense ganhou esse destaque todo em função da realização de mais uma edição do festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, que movimentou a cidade por um mês (com o Circuito Gastronômico) e, principalmente em uma semana com eventos populares na praça Batista Campos e no shopping Boulevard, jantares beneficentes sofisticados, concurso de receitas entre chefs, palestras, oficinas, aulas e até um Fórum sobre Turismo Gastronômico. Os personagens principais, chefs de cozinha dos melhores restaurantes locais e de diversos pontos do Brasil, como atração central a cozinha paraense e seus ingredientes.

A divulgação do Pará e de suas atrações foi intensa nesses dias. E ainda prossegue em revistas e outras publicações. Divulgação positiva e atraente, a convidar os habitantes de outras plagas a virem conhecer a cozinha mais brasileira do Brasil. E que, igual, só tem aqui mesmo, pelas ruas de Belém e outras cidades paraenses.

Criação do inovador e pioneiro chef Paulo Martins, do restaurante “Lá em Casa”, falecido em 2010, este festival é reconhecido como divisor da história da gastronomia paraense, inclusive na sua divulgação nacional e internacional. O chef Thiago Castanho, do “Remanso do Bosque”, disse ao Estadão que Quando Paulo Martins começou, a cozinha local sofria preconceito. Agora não tem mais essa de pedir foie gras por aqui”. Você pode ler as matérias do Estadão, clicando aqui.

O jornal O Globo, em seu caderno “Ela” também dedicou vasto espaço ao “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” afirmando que “Restaurantes, mercados e design atraem visitantes à capital do Pará” mostrando a face do verdadeiro turismo gastronômico. (para ler, clique aqui).

O evento também motivou um roteiro específico, que trouxe turistas para conhecer as atrações gastronômicas paraenses. Veja o material promocional eletrônico do pacote da Turismo Consciente (clique aqui) e a promoção que esse roteiro ganhou no site da revista Prazeres da Mesa, clicando aqui.

Muitos jornais e revistas e sites especializados registraram o acontecimento da culinária paraense, como o “Comida”, da Folha de S. Paulo – clique aqui.

Tudo isso, e muitas outras dezenas e dezenas de citações na mídia eletrônica e impressa, mostra o extraordinário potencial econômico do turismo gastronômico, que merece atenção das autoridades que têm a responsabilidade do planejamento e da divulgação do produto turístico paraense. Sobre o assunto, saiba sobre o Fórum de Turismo Gastronômico, lendo aqui e aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h42
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CONCURSO CHEF PAULO MARTINS

A INOVAÇÃO COMO ATRAÇÃO

Em quarto pratos apresentados na finalíssima do “Concurso Gastronômico Chef Paulo Martins 2013”, na manhã de ontem (domingo), havia de um tudo da melhor cozinha paraense, valorizando ingredientes locais e novos talentos para a gastronomia nacional, no melhor espírito do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense.

Espia a lista de ingredientes locais que anotei: pupunha, cumaru, cerveja de cumaru, cacau do Combu, queijo do marajó, pirarucu, palmito de pupunha, cupuaçu, tapioca, tamuatá, tucupi, jambu, farinha de mandioca, óleo de patauá, açaí, camarão regional, leite de castanha-do-pará, alfavaca, piracuí.

Seriam cinco finalistas, mas um deles não apareceu, o que foi lamentável, pois bloqueou a oportunidade de outro candidato apresentar-se. Houve também uma substituição de última hora, pois a candidata que vinha de Salvador avisou na sexta que não poderia vir – neste caso, deu para chamar o candidato que estava “na vez”.


Esta foto capturei-a do Portal ORM, onde está um conjunto de fotos do concurso, inclusive com alguns flagrantes dos jurados a bom trabalhar... degustando os pratos concorrentes. Clique aqui e... bom apetite, virtual, obviamente.

O júri que provou o trabalho dos concorrentes e transformou as sensações percebidas em notas, foi composto pelos chefs Guga Rocha e Gabriel Vidolin; o presidente da Belemtur, Fábio Haber; a diretora executiva do Instituto Paulo Martins, Joanna Martins e do jornalista e blogueiro Fernando Jares, “cá o degas”, como diria o sr. Victor C. Portela. Os critérios de avaliação foram “organização e limpeza”, “receita”, “apresentação”, “aroma” e “sabor”.

Os candidatos eram jovens que trazem para a gastronomia a criatividade da experiência já adquirida, da cultura de seus ambientes, das técnicas estudadas. Contribuem contribuindo para esta atividade que, cada vez mais, conquista espaço como parceira privilegiada do turismo e como indutora da produção de ingredientes locais. Há uma tendência mundial muito forte em direção a um “artesanato gastronômico”, trabalhando com ingredientes locais e sazonais. Isso é muito bom para a economia regional.

Conheça os pratos participantes:

PIRARUCU RIBEIRINHO

 

Autor: Marley Sales D'Oliveira, do restaurante “Famiglia Tratoria” (Belém).

Trata-se de um pirarucu (fresco) empanado na farinha de tapioca, apoiado em um molho de camarãozinho regional, leite de castanha-do-pará e cumaru e purê de cará-roxo com açaí. Caso este prato entre em cardápio, fique de olho no molho com o leite da castanha: estava ótimo. (Por que as coisas com leite de castanha-do-pará são sempre uma delícia?!!).

SASHIMI DE PIRARUCU


Autora: Karina Paschoal Papa, personal chef e sommelière (Sorocaba, SP).

O prato apresentado é um sashimi de pirarucu sobre carpaccio de pupunha ao molho thai com cupuaçu e pérolas de tapioca e coco, recheadas com geleia de pimenta.

Deixei propositadamente o “carpaccio de pupunha” como estava na ficha de inscrição, a demonstrar chef de outras plagas... Lá pelo sul chamam de pupunha ao palmito de pupunha, esquecendo (ou desconhecendo) a fruta. Por aqui temos a dupla: Sra. Pupunha, a frutinha inigualável e Sr. Pupunha, o palmito mais gostoso – aliás, isso não é verdade total: onde encontramos palmito de pupunha pelas ruas de Belém? Foi-me surpreendente o pirarucu cru com sua vermelhitude atraente. Os tahi talvez estranhassem o cupuaçu no molho... mas pra gente ainda faltou cupu... Agora, a tal pérola de tapioca, sumano, lamb, lamb, lamb, maravilha.

O RENEGADO

 

Autor: Rafhaell Pimentel Varela, do restaurante “Benjamin” (Belém)

Gosto de pratos com nome, obviamente nomes óbvios... e não complexas composições que mais parecem títulos de trabalhos acadêmicos...

“O Renegado” é nome muito apropriado para o prato com um peixe renegado por muita gente. Vem a ser um filé de tamuatá frito no óleo carbonizado de patauá, muito bem acompanhado de aligot de mandioquinha com tucupi, casquinha de piracuí com pupunha, pó de mandioca, crisp de jambu e brotos de flores tropicais, conforme a descrição do autor.

O tamuatá é um dos raros peixes a que não sou chegado. Exceção para a Pasta de Tamuatá, criação do chef Paulo Martins, que a Daniela faz tão muito bem. Agora tem outra exceção... a intervenção no paladar original foi bem sucedida. Mas preciso dizer que gostei mesmo, imenso, foi da farofa de piracuí com pupunha servida na carcaça ou armadura do tamuatá, que virou casquinha. Raspei a casquinha...

PUPUNHA COM CAFÉ

 

Autora: Niceise da Silva Ribeiro, do Armazém Belém (Belém).

Ao receber o nome do prato ficou uma interrogação? O que essa pequena maravilha natural de pupunha com café pode ter de inovador? Só te digo que tem tudo de novidade. A menina conseguiu transformar o gato em lebre... para usar o dito popular. Fez uma releitura radical do tradicional e serviu na chávena (hoje estou alusitanadíssimo) um brunch inteiro.

O prato, em forma diferente (por isso as duas fotos, para dar melhor ideia) continha nhoque de pupunha com manteiga de cumaru, sobrepaleta suína, molho e espuma de café, creme de queijo do marajó, nibs de cacau da ilha do Combu. A paleta foi marinada na novíssima cerveja de cumaru – novos ingredientes chegando às cozinhas parauaras. Preciso não esquecer de dizer que o creme de queijo do marajó estava maravilha, a não esquecer tão cedo... que marravilha, diria o Claude Troisgros, se tivesse vindo a este Ver-O-Peso - já veio a diversos e até estivemos juntos, em 2005, no juri do concurso, que se chamava "Sabor Pará".

O resultado foi assim:

Em primeiro lugar, a inovação surpreendente de Niceise Ribeiro com sua “Pupunha com café". O segundão foi Rafhaell Varela com "O renegado", a remeter o tamuatá para a alta gastronomia. O terceiro posto foi para Karina Papa, de Sorocaba, ajaponesando o pirarucu. Repare que a inovação foi uma linha em todas as receitas. Isso é muito bom para os ingredientes regionais.

Parabéns a essa turma, parabéns ao Instituto Paulo Martins.



Escrito por Fernando Jares às 12h57
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HOJE! JANTAR DAS BOIEIRAS!

VAMOS COMER UMA BOIA SOFISTICADA, SUMANO

Termina hoje o 11º Ver-O-Peso da Cozinha Paraense com dois grandes acontecimentos dentro da filosofia de seu criador, o já falecido chef Paulo Martins: o concurso para revelar novos talentos na gastronomia, que hoje leva o seu nome, e o Jantar das Boieiras, de forte apelo social, integrando as populares cozinheiras que tantas pessoas alimentam pelas ruas de Belém, especialmente no mercado do Ver-o-Peso, e os chamados grandes chefs.

Sobre o “Concurso Gastronômico Chef Paulo Martins”, leia no post imediatamente abaixo. O redator deste espaço esteve por lá a ajudar a escolher os melhores.

O Jantar das Boieiras, as vendedoras de refeições do Mercado, vão fazer suas comidinhas hoje à noite no shopping Boulevard e os chefs visitantes vão fazer os acompanhamentos de cada prato. Uma mistura que tem dado muito certo, na integração, na valorização, na troca de experiências e na capacitação profissional... de ambos! É um intercâmbio único.

Veja quem participa, na ordem, boieira e chef, com informações sobre ele, e o prato (boieira) e o complemento (chef), estes obtidos hoje pela manhã:

  • Eliana Maria e Felipe Rameh, mineiro, é proprietário do restaurante Trindade, BH, já estagiou em grandes restaurantes, inclusive no Lá em Casa e trabalhou com Alex Atala por muito tempo.

Prato: Mariscada paraense

Complemento: Purê de banana

  • Elaine de Nazaré da Silva Ferreira e Manu Buffara. Manoella Buffara, é jornalista por formação, mas trocou a comunicação escrita e falada pela puramente sensorial: Restaurante Manu, Curitiba.

Prato: Creme de miriti (buriti)

Complemento: Espuma de coco do Norte do Estado do Paraná e rocante de feijão e amendoim.

  • Hildely Maria Porpino da Silva e Gabriel Vindolim, do restaurante O Leão Vermelho, de São João da Boa Vista/SP, muito experiente em estudos e estágios.

Prato: Bolinho de batata com pirarucu recheado com açaí.

Complemento: Drink de cupuaçu citronela e compota de tomate.

  • Ivonete de Souza Rodrigues - Bárbara Verzola, do restaurante Soet, de Vitória/Espírito Santo, tem bagagem e até já trabalhou com o mito Ferran Adrià.

Prato: Vatapá de piracuí com castanha-do-pará.

Complemento: não informado.

  • Jorgia Progênio tem como parceiro Ronilson Favacho, que vem do restaurante Oliver, no Distrito Federal.

Prato: Camarão ao creme de muruci

Complemento: Arroz crocante de castanha-do-pará

  • Maria Domingas Portugal Barbosa e Checho Gonzales um boliviano radicado em São Paulo, onde é hoje consultor gastronômico, especializado em grandes eventos. Já teve restaurantes também no Rio e trabalhou com Alex Atala.

Prato: Bolo podre

Complemento: Cubos de manga em caramelo picante

  • Maria de Fátima da Silva Ferreira e Guga Rocha badalado chef com incursões de sucesso na televisão, inclusive no programa de Ana Maria Braga, atua como consultor gastronômico.

Prato: Escondidinho paraense

Complemento: Molho lambão do Guga [sic!].

  • Maria de Nazaré da Silva Ferreira e Felipe Schaedler, que comanda o mais famoso e premiado restaurante da vizinha Manaus/AM, o Banzeiro.

Prato: Maniçoba

Complemento: Farofa de camarão seco, aviú e banana chips.

  • Oswaldina da Silva Ferreira e Ailton Piovan, que vem a ser dono de uma indústria de massas, inclusive com adição de ingredientes amazônicos, como tucupi, maniçoba, jambu – no que teve assessoria de Paulo Martins.

Prato: Moqueca de pirarucu com castanha-do-pará.

Complemento: não informado.

  • Rosiane Gomes da Silva e André Generoso, do restaurante Divina Gula, de Maceió, que acaba de assumir a presidência da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança.

Prato: Canhapira.

Complemento: Farofa mineira.

(Texto atualizado, com a inclusão dos pratos, às 14h30)

 



Escrito por Fernando Jares às 09h54
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CONCURSO CHEF PAULO MARTINS

O IMPÉRIO DOS PEIXES:
 2 PIRARUCUS,
1 FILHOTE E 1 ARRAIA.
E 3 PUPUNHAS.

Na manhã deste domingo (14/04) será escolhido o grande vencedor do “Concurso Gastronômico Chef Paulo Martins”, um dos eventos mais importantes, e tradicionais, do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, pelo que contribui para o desenvolvimento da gastronomia. Este ano, entre os finalistas, três vivem cá, pelas ruas de Belém, um é de Salvador e um de Sorocaba, o que mostra a dimensão nacional do concurso! Cinco finalistas foram selecionados entre os que se inscreveram e enviaram receitas e, nesta etapa final, deverão executar as suas receitas, para serem avaliadas pela comissão julgadora.

A receita deverá conter no mínimo um tipo de proteína, três guarnições (sendo uma delas obrigatoriamente um carboidrato) e um molho. É obrigatória a utilização de no mínimo três ingredientes paraenses.

Veja os finalistas e seus respectivos pratos. A ordem de apresentação será sorteada na hora:

1. Karina Paschoal Papa
Sashimi de Pirarucu sobre Carpaccio de Pupunha ao molho Thai com Cupuaçu e Pérolas de tapioca e coco, recheadas com geleia de pimenta.

2. Marley Sales D'Oliveira
Pirarucu Ribeirinho

3. Niceise da Silva Ribeiro
Pupunha com café

4. Emanuele Catarine Nascimento Barbosa Ribeiro
Filhote com arroz negro ao tucupi e confit de tomate, pesto de alfavaca e chicória, espuma de pupunha e caviar de quiabo com pequi.

5. Roberto da Rocha Hundertmark Neto
Arraia defumada com lâminas de pupunha

Os concorrentes contam com estações de trabalho instaladas na Arena Show do Festival, no 4º Piso do Boulevard Shopping, equipadas com um fogão de duas bocas, um forno, uma mesa de trabalho, uma pia com ponto de água, um ponto de tomada 110v. Pequenos materiais e utensílios específicos são providenciados e levados pelo candidato.

Cada participante deve preparar seis porções completas da receita, das quais cinco serão servidas para os jurados e uma é para ser fotografada.

O júri será composto por cinco especialistas da gastronomia local e nacional, sendo um presidente de mesa e quatro jurados, representantes de escola de gastronomia, chef de cozinha, jornalista e representante de empresa patrocinadora. Estes jurados atribuirão notas de 0,5 a 5,0 para as receitas, englobando as fichas de avaliação técnica e de degustação. A somatória dos resultados das fichas dará o resultado final.

O vencedor ganhará uma passagem de ida e volta de Belém para São Paulo, com direito à hospedagem em hotel e ingresso para o “Mesa Tendência”, que é o maior evento de gastronomia do Brasil - realizado pela revista Prazeres da Mesa no período de 04 a 08 de novembro deste ano.



Escrito por Fernando Jares às 09h31
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – SANTA CHICÓRIA

NO BLOCO DA PESCADA SOZINHA

Segundo a definição do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense o programa Circuito Gastronômico seria integrado por onze restaurantes pelas ruas de Belém. Aí que fomos a um deles e não é propriamente um restaurante... intitula-se espaço gastronômico. Digo não ser restaurante porque não oferece pratos – a não ser o dito cujo do festival. Conforme o cardápio que nos foi apresentado, tem apenas Comidinhas, Bruschettas, Wraps, Sanduiches, Antepasto. Disse-nos o educado garçom, entre mesuras e pedidos de desculpa, que em uma semana terão pratos – após o festival, portanto...

Tendo ido lá atraído pela descrição do prato e pela fama das jovens chefs que comandam a cozinha (de quem já conheci o trabalho em outros sítios), ficamos sem alternativa para a Rita, que pretendia um peixinho simples, sem os temperos do anunciado prato do festival, mas a tal pescada era sozinha. Bonita, mas sozinha.


Esta é a anunciada “Pescada da chicória” (R$ 48,00), uma pescada amarela em crosta de bacuri e castanha-do-pará, acompanhada de arroz de pupunha, pupunha caramelizada e pesto de chicória. Tirante o fato de que a pescada estava com uns pontinhos a mais do que o recomendado para o sal, embora não estivesse salgada (e que a dra. Fátima, minha cardiologista, não leia estas linhas!) o restante estava bem equilibrado. Ficou bem a crosta de bacuri com castanha-do-pará. O arroz seria mais um arroz com pupunha e não de pupunha, mas estava bem e harmonizava, digamos assim, com a pescada.

E a Rita? Como não havia alternativa, sugerimos preparar um prato com a dita pescada, sem os adereços crostíferos, sendo o acompanhamento apenas de arroz branco, o que foi aprovado pelo garçom e preparado pela cozinha. Também com o rastro de uma mão pesadinha no sal... A surpresa ficou para o final: o preço cobrado foi exatamente o do prato completo, nem um realzinho a menos, pelos ingredientes a menos e mão-de-obra muito menor. Mas tudo bem, fomos nós que inventamos a alteração no prato, daí... Outra surpresinha em um restaurante: o pagamento dos 10% fora do cartão... 



Escrito por Fernando Jares às 21h46
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VIVA A COZINHA TAPAJÔNICA!

QUEREMOS VER O PESO DO PAXICÁ SANTARENO!

O jornalista Lúcio Flávio Pinto, de tantas e heroicas batalhas em defesa de alguns dos melhores valores paraenses, soltou um brado de alerta agora em defesa da riquíssima cozinha tapajônica de sua Santarém, no oeste do Pará.

Em dias em que pelas ruas de Belém, movidos pelo festival “Ver-O-Peso da cozinha paraense”, discutimos o turismo gastronômico (ver posts anteriores), ele destaca essa função e o valor da culinária santarena.

Bairrismos à parte, sou fã incondicional e consumidor incorrigível – quando possível! – das delícias daquelas terras aliás, principalmente, daqueles rios... Leia o resultado de uma andança por lá: “Pratinhos delicados, peix(õ)es saborosos” clicando aqui.

Lúcio escreveu sobre a culinária santarena esta semana em O Estadonet a novíssima versão digital do tradicional jornal impresso O Estado do Tapajós, do jornalista Miguel Oliveira.

Como estamos em época de levantar esse tipo de bola e na qualidade de primeirão autoinscrito na lista de participantes da primeira versão do festival que possa sair daí, publico a seguir o texto do LFP, que pode ser lido em uma visita a “O Estadonet” clicando aqui.

Culinária
Em Santarém sempre se comeu bem - e muito. Na casa de Jaziva Cunha era possível apreciar os melhores pratos feitos à base de tartaruga. Em especial, o paxicá. Igual, nunca houve. Talvez nem venha a haver. Fui em vários dos chamados templos da gastronomia em Belém. A maioria nem sabia da existência do paxicá. Quando muito, os chefs achavam que se tratava do sarapatel. Seria como, na alta culinária, confundir o caviar com o patê fois gras.

A cozinha é um dos muitos testemunhos da grande diferença que há entre Santarém e Belém, os dois polos mais antigos de cultura diversa que convivem no Pará, mais por causa do mútuo desconhecimento do que no entendimento. A capital do Estado já abriga alguns dos eventos do calendário gastronômico nacional, como o realizado na semana passada. Santarém está perdendo a oportunidade de se firmar como centro autônomo, tão rico na culinária quanto Belém - e de igual ou maior diversidade cultural.

Por que não atrair pela boca um interesse maior de nacionais e estrangeiros? Qualquer um pode arrolar pratos da culinária santarena, mocoronga ou do Baixo-Amazonas sem semelhante na capital ou em qualquer outro lugar da Amazônia. Que tal um festival com paxicá e casco de tartaruga na brasa, pitiú inteira assada de forno, sopa e outros pratos de aviú, nosso inigualável piracuí, a farinha de peixe (o cascudo) como igual não existe? E doces e frutas, alguns dos quais parecem estar desaparecendo, quando deviam era renascer. Sem falar no Paumary.

O que está esperando quem pode fazer acontecer?



Escrito por Fernando Jares às 12h45
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – LA MADRE

OLHA OS CAMARÕES NA CACHAÇA DE JAMBU!

A loucura e o treme que d. Onete canta na Jamburana, o sucesso da Cachaça de Jambu do bar “Meu Garoto”, o queridinho de quem gosta da boa branquinha pelas ruas de Belém, ou licor de jamburana, produzido por André Nunes em noites de lua cheia nos igarapés da sua Terra do Meio (não acredita? Leia aqui, sumano), garantem a inspiração para este prato:

 

É o “Camarão flambado na cachaça de jambu com tagliatelle” (R$ 48,00), com que o restaurante “La Madre” participou do Circuito Gastronômico do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense. Só te digo, teve bom! Não apenas o camarão, muito bem temperado e flambado, não apenas a massa, sempre de ótima qualidade nestes ambientes sbramísticos, mas o molho, irmão, o molho (só faltou uma farinhazinha boa, daquela de Bragança, mas não tive coragem de pedir, sabe cumé,...), o molho foi a festa de minhas papilas gustativas, que batiam palmas e pediam bis a cada garfada. A pimentona... bem é decoração, marca registrada da casa. A foto, vista assim do alto, é para mostrar uma coisa cada vez mais rara nos restaurantes: o talher de peixe, para comer peixes e seus parentes. Coisa de madre. Ponto pro “Lá Madre”.

 

Como em bom almoço de domingo a mesa tinha outros participantes e a Bruna, depois de cuidadosa análise nas ofertas, como boa filhota, decidiu-se pelo “Filhote Alla Creme de maracujá” (R$ 49,00) que você vê na foto acima. E não se arrependeu. Vem a ser um filé de filhote na chapa ao creme de maracujá, guarnecido por risoto de queijo coalho. Toma-te de comida boa.

 

Quer um prato mais comportado? Olha a “Pescada grelhada” (R$ 49,00), que a Rita escolheu. É um filé de pescada ao molho de manteiga de alcaparras e camarões, acompanhado por um risoto de alho-poró. Sou sempre fã de alcaparras & manteigas – uma vez comi um pirarucu fresco só na manteiga com alcaparras que era divino, coisa dos deuses dos rios amazônicos - obra de um cozinheiro amador de primeiríssima, o Almério, lá em Barcarena. Falei pimentona, indagora? Espia só esta uma purruda, aí em riba. Mas era só decoração... e a pescada continuou comportadinha.

 

Pra completar a rodada o Emerson, sempre fiel as vermelhinhas, focou-se no “Filé saltimboca à romana” (R$ 50,00) da foto acima. Escalopes de filé mignon, cobertos de mozzarella de búfala e presunto de parma, salpicados de sálvia, acompanhados de penne na manteiga.



Escrito por Fernando Jares às 19h20
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FÓRUM DE TURISMO GASTRONÔMICO (2)

COMO A GASTRONOMIA PODE POTENCIALIZAR O TURISMO?

Aqui está a apresentação que fiz de cada palestrante do fórum sobre Turismo Gastronômico realizado ontem, no Senac, na programação do 11º Ver-O-Peso da Cozinha Paraense. E um resumo de cada fala.

Apresentando a primeira palestrante:

Há poucos meses vimos os ingredientes paraenses serem atração, pelas mãos premiadas de Alex Atala, no Madrid Fusión. E temos aqui uma representante do turismo espanhol, Maria Elvira Viedma Contreras, que vai nos falar sobre a liderança da Espanha na gastronomia mundial e sua implicação com o turismo. Aliás, o mago Ferran Adrià esteve aqui pelas ruas de Belém para conhecer nossa cozinha e fazer uma visita-homenagem ao chef Paulo Martins, na época já doente, a quem havia conhecido em Madrid e no “laboratório” do El Bulli, quando se encantou com o jambu...

Elvira destacou que o turista hoje não procura mais apenas arte e cultura no sentido tradicional, mas busca a gastronomia também. Porque tem uma gastronomia muito variada em matérias-primas e produtos e com muitas diferenças regionais a Espanha tem trabalhado muito bem essa tendência. A gastronomia espanhola é caracterizada por “matérias-primas de qualidade; grande variedade de produtos com Denominação de Origem, como azeite, vinhos, queijos; especialização regional de produtos e culinária como jamón, caça, peixe e frutos do mar”. Mostrou ainda a marca do produto e o programa “Saborea España” que utiliza a fama dos grandes chefs espanhóis como atração.

Apresentei assim a segunda palestra:

Aquilo que falei antes, sobre nosso potencial turístico e sua perspectiva para a região, nos aspectos cultural, de desenvolvimento comunitário e de sustentabilidade, terá exposição por quem conhece o assunto, Ana Gabriela Fontoura, do Instituto Peabiru e da Estação Gabiraba. Por sinal, agora em julho, o instituto promove um Tour Ecológico por  Belém, Cotijuba e Curuçá, incluindo ilha da Romana e suas belas praias de mar. A cozinha local deve estar no contexto.

Ana Gabriela destacou que trabalhar com a comunidade é trabalhar “com humanidade”, para utilizar definição que aprendeu com um senhor Dázio, na Baixada Maranhense. O que tem tudo a ver com a proposta do turismo gastronômico para uma região como a nossa. Mostrou o que já é feito, inclusive para o atendimento de turistas que procuram conhecer a cozinha de raiz da região, na comunidade de Boa Vista do Acará, a 45 minutos de Belém, de barco.

A terceira palestra:

Os empresários do turismo têm tido um papel muito importante e destacado na manutenção e no crescimento da atividade entre nós, mesmo nos momentos mais difíceis de abandono pelas autoridades responsáveis por incentivar e apoiar o segmento. Por isso é importante estar aqui a empresária Tiana Menezes, da Valeverde Turismo, há mais de duas décadas no mercado, com forte atuação no receptivo – quem não conhece o Tribo dos Kayapós a levar turistas pelos rios de Belém? Aliás, a Tiana está no turismo desde o berço: sua mãe, também Tiana, muito me orientou sobre as coisas do turismo pelas ruas de Belém.

Tiana mostrou a importância da gastronomia como grande indutor do turismo local e exemplificou com a experiência própria nos programas que oferece nas cercanias de Belém, incluindo refeições entre os ribeirinhos

O que o turista quer ao vir pra cá é encontrar a autenticidade e a simplicidade funcionando. Ver o diferente”, afirmou, com conhecimento de causa.

O último palestrante:

A atividade turística tem vocação para geração de recursos, para movimentar a economia, como já vimos e ouvimos, mas precisa de planejamento e competência profissional. A disputa pelos turistas é cada vez mais exigente e séria – e o mundo inteiro está de olho neles, estejam onde estiverem. Cabe ao Estado o papel de liderar essas ações. Cabe ao Estado possibilitar as condições para que riquezas culturais e naturais sejam transformadas em desenvolvimento para a região e bem-estar para a sua população, com a desejada sustentabilidade, sem afetar o equilíbrio ambiental e social. Por isso é importante termos aqui a presença do próprio Secretario de Turismo do Estado, Adenauer Góes, que atesta assim, ao vivo, o comprometimento da atual administração estadual com o turismo no Pará.

Adenauer respondeu à pergunta: “Como a gastronomia pode ajudar a potencializar o turismo no Pará? – o que, afinal, era o interesse de quem lá estava... Mostrou o planejamento do Estado para o turismo, o Plano Ver-o-Pará e, lincando com o case da Espanha, apresentou a marca “Pará – A obra-prima da Amazônia”. Anunciou projetos em andamento, como a Escola de Gastronomia da Amazônia, considerando “a gastronomia como um eixo catalisador da expressão cultural e um ícone da identidade paraense” e as dez diretrizes conceituais da Política Pública do Turismo Gastronômico.

Encerrou o fórum a diretora executiva do Instituto Paulo Martins, Joanna Martins, destacando o êxito da iniciativa de promover uma reflexão sobre as estratégias e investimentos necessários para tornar o segmento turístico mais fortalecido no Estado, mostrando aos agentes públicos e aos agentes de trade locais as possibilidades e o retorno desse segmento.

Para este jornalista/blogueiro foi uma experiência muito positiva, na construção de um turismo paraoara com que sonhamos. Mas não precisava o exagero do Twitter do Instituto Paulo Martins...: para ler, clique aqui.


 Álvaro do Espírito Santo (Sec. Adjunto de Turismo), Denise Rohnelt de Araújo (Roraima, blog Letras Saborosas), este eu mediador do fórum, Joanna Martins, Maria Elvira Contreras e Adenauer Góes. (Foto captada no site da Paratur)



Escrito por Fernando Jares às 14h18
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FÓRUM DE TURISMO GASTRONÔMICO (1)

DUAS REALIDADES INDISSOCIÁVEIS

A experiência de sucesso da gastronomia como atrativo turístico na Espanha (cerca de 5 milhões de turistas neste segmento, ano passado) e como isso foi conseguido; o potencial do ecoturismo de base comunitária para o turismo gastronômico e as bem sucedidas experiências já em andamento em cidades como Curuçá, Almeirim e Monte Alegre; a ação do empresariado investindo e defendendo o turismo receptivo em Belém; e as ações previstas – e em andamento – pelo órgão oficial de turismo do Estado. Essa foi a pauta do fórum sobre Turismo Gastronômico realizado ontem, na programação do 11º Ver-O-Peso da Cozinha Paraense.

A moderação do fórum esteve a cargo do redator deste blog e fiz esta abertura:

Gastronomia e Turismo são indissociáveis, pois é impossível pensar em turismo sem prever a alimentação para uma curta ou longa permanência em visita a um local. Desde os primeiros humanos que se deslocaram em viagem de lazer ou algo assemelhado, houve a necessidade de alimentar-se no lugar visitado. Tudo bem, os primeiros podem ter ido para a casa do cunhado, mas com certeza foram, pelo menos, a uma padaria na esquina...

O turismo gastronômico está ligado à sensação, ao prazer de conhecer e saborear algo novo quando se viaja. E, mais do que isso: viajar para conhecer e saborear algo novo. Pode trabalhar um atrativo que fala bastante à maioria dos visitantes: transformar o simples ato de alimentar-se em um momento de descoberta, de prazer, de sensações novas. E nós, que temos o jambu, podemos falar até com superioridade sobre as tais novas sensações para o turista...

Como consequência o turismo gastronômico amplia postos de trabalho em restaurantes, bares, lanchonetes e ambulantes, trazendo uma melhoria na economia local e para a população.

Então, em que o turismo gastronômico pode contribuir para a economia regional, para o alargamento da cultura, do bem-estar?

Trabalhar esse patrimônio cultural local, com a valorização dos ingredientes regionais, muitas vezes únicos, parece-nos uma das melhores formas de o turismo realizar a sua preciosa tarefa de agente distribuidor de renda na sociedade. Aliás, essa é uma tendência presente no mundo gastronômico, literalmente, de Belém a Copenhague.

O turismo gastronômico pode incentivar dois canais no processo:

(1) ao trazer visitantes para conhecer as particularidades de uma cozinha regional e seu processo produtivo, possibilitando a geração de renda em amplo espectro, como sempre ocorre com o turismo, do capitalista dono do hotel de luxo ao artesão, o taxista, o restauranteiro, as lanchonetes, etc.

(2) ao divulgar e externar o conhecimento sobre esses tais ingredientes únicos, ao globalizar a manipulação deles, gerando demanda para a produção local desses produtos que, com boa administração, pode tornar-se valiosa fonte de trabalho e renda para muita gente, inclusive em pequenas comunidades.

Pessoalmente discuto isso há bastante tempo, desde quando era editor de turismo do hoje extinto jornal A Província do Pará e, mais recentemente, nas linhas virtuais do blog “Pelas Ruas de Belém”.

Por isso fiquei particularmente feliz com a realização deste fórum sobre Turismo Gastronômico no ambiente do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense. Este festival tem a tradição de promover fóruns e já tivemos boas discussões, inclusive e especialmente sobre o famoso “pitiú” dos nossos peixes e uso do limão na sua preparação...

Vamos ter a possibilidade aqui de assimilar melhor o turismo gastronômico em suas diversas facetas. E isso é muito bom.

Temos no Pará a mais brasileira das cozinhas brasileiras – e dizemos isso há muitos anos. Nestes últimos tempos há uma nova realidade, a partir da saída do chef Paulo Martins pelo país e pelo mundo, a anunciar nossas delícias, em papel inédito e pioneiro, mas acima de tudo autoassumido, diante do futuro que ele descortinava para a gastronomia amazônica. Virou até “embaixador” informal. As verdades e os sabores da cozinha paraense espalham-se, com requinte e profissionalismo. Não podemos mais viver na era de distribuir bombom de cupuaçu e castanha torrada em eventos. Um acontecimento como este festival tem cobertura da grande mídia. Só hoje retuitei o Estadão e a Folha de São Paulo. Ontem a Prazeres da Mesa. O trabalho dos irmãos Castanho é acolhido nos principais meios de comunicação no país e no exterior. Ainda hoje retuitei a presença deles na Vogue italiana. Este é um momento que não pode ser perdido. A canoa tá passando, sumano, e nós temos que pegar ela.


A mesa do Fórum com este blogueiro como mediador, Maria Elvira, Adenauer Góes, Tiana Menezes e Ana Gabriela Fontoura. (Foto captada no site da Paratur)



Escrito por Fernando Jares às 13h07
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – BENJAMIN

CAMARÕES, PRA CAMINHA!

Quando o chef do restaurante Benjamin comunicou aos camarões da casa que, durante a temporada do Circuito Gastronômico do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, eles iriam ter uma caminha de purê de pupunha, a reação foi de espanto. Acostumados a outros tipos de adereços nos pratos em que seguiam para as mesas dos clientes, logo começou um ti-ti-ti camaronífero de muita expectativa. A pupunha (a fruta, bem entendido, não o palmito, como dizem alguns que pensam conhecer a cozinha paraense...) não era costumeira nos pratos do cardápio, apenas em casos especiais. Certo que no ano passado apareceu em um pudim de pupunha que ganhou elogios (Para ler “O pato prazeroso e a pupunha gostosa”, clique aqui).

 

Os camarões logo descobriram que eram a estrela do prato “Camarões refogados em leite de coco sobre cama de purê de pupunha” (R$ 42,00) que representava o Benjamin no tal Circuito Gastronômico, deixando-se fotografar, como acima, na minha frente...

Integravam um creme de coco que, no entanto, não tinha nada com aquelas comidas baianas que, ou sabem a dendê ou sabem a coco... Não, ele foi discretamente utilizado pelo chef Sérgio Leão de forma a ser gostoso sem agressividade. Os camarões eram de boa família e estavam bem feitos, como é tradição da casa. A “cama de purê de pupunha” revelava um pequeno amargor, que não é coisa de pupunha, mas parece que surge quando a ela é batida. Não comprometia o prato, pois na combinação com o creme de coco, havia uma compensação, mas prejudicava o purê.

 

A Rita foi a algo mais tradicional, como pede seu exigente e seletivo estômago, optando por um “Filé de pescada amarela em azeite defumado com alfavaca acompanhado de risoto de feijão de Santarém e farofa molhada” (R$ 48,00), como você vê na foto acima. Bonitinha e gostosona, como se deseja seja uma pescada apresentada nessa companhia.

 

A sobremesa trouxe um ingrediente que bem poderia ter sido apanhado na porta, fruto de uma das muitas e centenárias mangueiras que enfeitam a travessa Benjamin Constant. Mas era “de raça” e não “de rua” (embora seja tradição pelas ruas de Belém que as mangas do cemitério da Soledade são as mais gostosas da cidade...). Era a “Manga grelhada com gengibre e sorvete de limão” (R$14,00), que atendia muito bem a minha companheira, até porque era um sorbet, sem leite, obviamente. E o gengibre crocante era tudo de bom, até para mim, que não sou muito gengibrista.



Escrito por Fernando Jares às 19h14
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TURISMO GASTRONÔMICO

SABOR E LAZER QUE GERAM TRABALHO E RENDA

Em que o turismo gastronômico pode contribuir para a economia regional, para o alargamento da cultura de um povo? Trabalhar esse patrimônio cultural local, com a valorização dos ingredientes regionais, muitas vezes únicos, é uma das melhores formas de o turismo realizar a sua preciosa tarefa de agente distribuidor de renda na sociedade. E essa é uma tendência presente no mundo gastronômico, literalmente.

O turismo gastronômico pode incentivar dois canais no processo: (1) ao trazer visitantes para conhecer as particularidades de uma cozinha regional e seu processo produtivo, possibilita a geração de renda em amplo espectro, como sempre ocorre com o turismo, do capitalista dono do hotel de luxo ao artesão, o taxista, o restauranteiro, as lanchonetes, etc. (2) ao divulgar e externar o conhecimento sobre esses tais ingredientes únicos, ao globalizar a manipulação deles, gera demanda para a produção local desses produtos que, com boa administração, pode se tornar valiosa fonte de trabalho e renda para muita gente, inclusive em pequenas comunidades.

Discuto isso há bastante tempo, desde quando era editor de turismo do hoje extinto jornal A Província do Pará e, mais recentemente, neste blog.

Por isso fiquei particularmente feliz com a realização do fórum "Turismo Gastronômico" no Ver-o-Peso da Cozinha Paraense. Este festival tem a tradição de promover estes fóruns e já tivemos boas discussões, inclusive e especialmente sobre o famoso “pitiú” dos nossos peixes e uso do limão na sua preparação...

Neste ano rico em inovações no festival, decidiram levantar o assunto e assim o turismo gastronômico será o tema em discussão por profissionais da área como chefs, empresários, pesquisadores, autoridades, etc.

Será amanhã, quarta-feira (10/04), às 17h, no Senac (Avenida Serzedelo Corrêa, 279 - Batista Campos). A entrada é gratuita, e a inscrição foi feita pelo site do festival. Acontece que, segundo informa Joanna Martins, diretora do Instituto Paulo Martins, as vagas já se esgotaram há alguns dias!

Veja só os temas das apresentações previstas:

1 - "Gastronomia espanhola, uma festa para os sentidos", com a representante do Instituto de Turismo de España, Maria Elvira Viedma Contreras;

2 - "O potencial turístico e sua perspectiva para a região: cultural, desenvolvimento comunitário, sustentabilidade", com João Meirelles, do Instituto Peabiru;

3 - "Os desafios para o setor turístico em Belém", com Tiana Menezes, da Valeverde, pelo trade de turismo;

4 - "Ações do governo para o setor", com o Secretário de Turismo do Estado, Adenauer Góes.

O moderador será o jornalista e titular deste blog Pelas Ruas de Belém, Fernando Jares Martins.

Em seguida, haverá um debate aberto ao público, de 30 minutos

Sobre este assunto leia também “Cozinha paraense – esta uma tem peso”, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 12h25
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CHEFS NA PRAÇA

UMA FESTA GASTRONÔMICO-POPULAR

Comidinhas de rua com assinatura de nossos melhores chefs de cozinha, levaram cerca de 30 mil pessoas à praça Batista Campos na manhã de ontem, domingo. E olha que choveu. “São Pedro veio abençoar, mas já tá indo embora”, disse Joanna Martins, no Twitter, explicando que a chuvinha foi só para matar o calor. A bela e histórica praça viveu mais um grande dia e o XI Ver-O-Peso da Cozinha Paraense começou com chave de ouro. Imagine só como será fechado, domingo, com o “Jantar das Boieiras”... Organizado pelo Instituto Paulo Martins, este festival acontece por toda esta semana pelas ruas de Belém, com inúmeras promoções – para ver a programação clique aqui.

Veja algumas fotos da festa gastronômica, todas do fotógrafo Dudu Maroja:


O verde da Batista Campos emoldurava as barraquinhas dos mais afamados chefs da cidade (a lista deles, e seus pratos, está aqui) e gente, muita gente, que consumiu das 11h às 13h o que era previsto durar até 15h...

 

Açaí com camarão é um casamento perfeito nas melhores feiras e nas melhores casas paraoaras, especialmente pelas praias e barrancos de nossos rios... e nas mesas do Point do Açaí. Foi isso que o chef Nazareno Alves levou para a praça.

 

O criador, Arthur (Arthurzão) Bestene prestes a devorar a criatura, no caso um feliz “Jamburger”, sucesso nas mesas de sua hamburgueria Circus. Já andei por lá e já jamburguei, pois, quem há de resistir? E por que resistir?

 

Daniela Martins serve uma de suas “Pizzas de Tapioca Marajoara”, criação inspirada de seu pai, o chef Paulo Martins, para as alegres tardes de domingo do restaurante Lá em Casa a uma jovem participante do movimento pelos autistas, que justo ocorria pelas ruas de Belém neste domingo.

 

 

A chef Angela Sicilia na sua “barraquinha” na praça, onde apresentou um “Fetucine de Jambu com Ragu de Pato” para mostrar o que faz no seu Famiglia Sicilia.



Escrito por Fernando Jares às 22h51
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – FAMIGLIA TRATTORIA

O FORFAIT DA GÓ

Quando planejei este almoço, confesso, estava pensando em uma verdadeira “gozada”. Ouvi o termo pela primeira vez dito pelo Vavá da Matinha, o grande Oswaldo Oliveira, cantor paraense de sucesso (popularíssimo) nacional, que gravou mais de 50 discos (LPs, ou vinis, como se diz hoje), falecido em 2010, salvo engano. Ele explicava que assim como com feijões faz-se uma feijoada, com maxixes, uma maxixada, com o peixe gó faz-se uma...gozada. Mais recentemente vi que seria um petisco de boteco pelas ruas de Belém, justo com a gó – um certo peixinho saboroso, especialmente com açaí.

Dessa forma lá fui a mais uma etapa do Circuito Gastronômico do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, ao restaurante Famiglia Trattoria.

O prato anunciado pelo cardápio do festival, que motiva toda essa expectativa: “Gó no sal grosso, com farofa de panceta de urucum e molho verde”, sendo esta a foto oficial do prato, para divulgação:

 

Ao receber o cardápio da casa vejo anunciado como prato do Circuito um (uma?) “Pirarucu assada no sal grosso servida com farofa de urucum e panceta, molho verde e arroz de jambu” (R$ 40,00, enquanto o prato da gó custaria R$ 35,00). Ops! Tratei de checar a informação e soube, então, com tristeza, que a gó tinha nos deixado na mão, ou a ver navios, para usar uma linguagem mais apropriada a uma habitante dos rios... Segundo o garçom, tiveram que mudar o conteúdo do prato porque não haviam conseguido fornecimento do peixinho na quantidade necessária. Com o novo título ficou mais clara a questão da panceta na farofa e surgiu o arroz de jambu a acompanhar o prato, sumindo aquele belo molho verde da foto de divulgação. Foi este o prato que me foi servido, onde o arroz de jambu estava muito bom, assim como a farofa, mas o pirarucu não rendeu em sabor o que dele era esperado:


Agora deixa eu dizer uma coisa: o prato que a Rita pediu foi o arraso da mesa: o “Risoto negro de pato” (R$ 45), uma das Instigações do Chef, presentes no cardápio. Vem a ser um pato desfiado servido em um risoto negro e farofa de tapioca crocante. Te digo, mano, provei, belisquei, respeitei a propriedade... e por isso, qualquer hora dessas tenho de voltar por lá para comer um inteiro! Olha a fotinha dele:

 



Escrito por Fernando Jares às 22h41
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – BRASILEIRINHO

PEIXES AMAZÔNICOS COM AÇAÍ JAPONESADO

Pra quem concorda que brasileiro é sinônimo de uma grande mistura de origens, culturas, conhecimentos, o restaurante Brasileirinho optou por apresentar, como estreante no Circuito Gastronômico do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, um prato conforme esse pensamento:


Olha aí o “Filhote crocante com teriyaki de açaí e risoto de pirarucu defumado” (R$ 44,90) em foto oficial do festival. Uniu a carne firme do filhote, que permitiu as peças que podiam ser molhadas no molho de uma das frutinhas-ícone da floresta paraense, e o risoto tendo como base o pirarucu defumado. O teriyaki de açaí ficou saboroso, embora menos agridoce do que o original japonês, com base no molho de soja. O pirarucu, de sabor forte, aparecia levemente no risoto, em pedaços bem pequeninos.

Ele chegou assim à minha mesa:


Deixa eu registrar agora um lance da entrada: o molho picante de cupuaçu que acompanhou uns bolinhos de gurijuba com jambu. Gurijuba é peixe famoso de Vigia de Nazaré que, defumado pelo saudoso chef Paulo Martins, virou haddock paraense. Ficou excelente a dosagem da leve pimenta com o cupuaçu. As minhas papilas gustativas, que são doidinhas por cupuaçu, vibraram com a mistura, que deu um sabor diferente aos bolinhos que, por sinal, não lembravam aquele gostinho de bolinho de bacalhau que a gente sente nos bolinhos vigienses...



Escrito por Fernando Jares às 16h46
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – LÁ EM CASA

O FILÉ MELADINHO NO TUCUPI

Toda essa história de mostrar o peso da cozinha paraense ao Brasil e ao mundo – e trazer o peso de grandes chefs para transmitirem aos paraoaras as suas inovações gastronômicas – começou e tomou corpo no restaurante Lá em Casa, da cabeça do sempre lembrado chef Paulo Martins. Por isso, nada mais justo que começar o Circuito Gastronômico do Ver-O-Peso da Cozinha paraense por esse restaurante.

Nos próximos dias vou relatar neste espaço a andança por alguns dos melhores restaurantes existentes pelas ruas de Belém, para conhecer os pratos participantes desse circuito.

Ano passado fiz a saborosa “peregrinação” por todos os restaurantes participantes – completei o passaporte e até ganhei um avental autografado por algumas estrelas do ano... Você pode ler sobre, clicando aqui. Este ano não sei se vou repetir a façanha... e nem tem o passaporte...


Este é o prato do Lá em Casa que participa do desfile de atrações que acontece pela segunda vez no festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense. Trata-se do “Filé com melado de tucupi e farofa de beiju” (R$ 45,00) Está aí na foto por inteiro conforme foi servido. Vem a ser um filé muito bem preparado e temperado, de forma que está crocante na parte externa e muito macio no interior da peça. Saboroso e agradável de comer. O tal melado de tucupi merece o nome, tem um agridoce gostoso, obtido de uma redução do maior de nossos acompanhamentos gastronômicos, revelando sua acidez comedida, que combinou muito bem com a carne. Complementando, uma muito crocante farofa de beiju – que já foi farinha e à farinha torna... Curiosamente este é o único prato de carne do cardápio geral dos onze restaurantes que participam do VOPCzPA deste ano (conheça-os todos, clicando aqui).

 

Invertendo a ordem em que nos chegou à mesa, eis aí a entrada “Camarão com geleia de pimenta de cheiro” (R$ 38,00) uma das excelentes pedidas da casa. Estão eles na foto, reverentes à própria espécie. Não se assuste com a geleia, se você é dos que não gosta de pimenta, como este escrevedor. É suave e combina muitíssimo com os bem criados camarões que fazem o conjunto, belo para a visão; belíssimo para o paladar; agradável ao olfato com o leve odor da pimenta; sensível ao tato, quando levado à boca; garantindo ouvir elogios pela opção...



Escrito por Fernando Jares às 15h30
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ESTRELAS DA GASTRONOMIA NA BATISTA CAMPOS

OS GRANDES CHEFS E SUAS COMIDINHAS DE RUA

 

Uma das criações mais sensacionais do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, no meu gostar, é o “Jantar das Boieiras”, criado por Paulo Martins – o idealizador do festival e audacioso realizador das primeiras edições – com o nome de “Jantar Popular”, que era realizado no mercado do Ver-o-Peso. Esse jantar trabalha comidinhas comuns aqui pelas ruas de Belém, feitas pelas “boieiras” do Veropa – as cozinheiras das barracas que abastecem de (saborosos) alimentos a grande feira – com acompanhamentos criados por grandes chefs. A ideia cresceu e deu frutos além Belém. Em São Paulo, ano passado, fizeram sucesso as promoções “O Mercado” e “Chefs na rua”, com prática diferente, mas mantendo a essência de levar a cozinha de badalados chefs ao grande público, como você pode ler em “Grandes chefs envolvem-se com cozinha popular”, clicando aqui.

A ideia daqui bateu lá e agora rebate aqui: neste domingo (07), abrindo a semana do 11º Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, os chefs vão à praça Batista Campos (pela Tamoios, das 11h às 15h), cada um com sua barraquinha, vendendo suas “comidinhas de rua” especialmente criadas para o evento, estreitando a relação entre o público e os profissionais da gastronomia, como pretende a organização. As vendas são no local e o valor vai de R$ 5,00 a R$ 15,00. Para animar a festa, músicas regionais executadas ao vivo.

Agora veja aqui o time de estrelados chefs locais que estará fazendo a delícia dos paladares de quem for até a Batista Campos:

  • Alexandre Barros, do Brasileirinho, “Silveirinha de camarão”
  • Ângela Sicilia, do Famiglia Sicilia, “”Fetucine de jambu com ragu de pato”
  • Arturzão, do Circus Hamburgueria, “Jamburger”
  • Carmelo Procópio, do Marujo’s Grill, “Fritada de mariscos”
  • Daniela Martins, do Lá Em Casa, “Pizza de tapioca marajoara”
  • Felipe Gemaque, de 2+1 Prod. Gastronômicas, “Fritada marajoara”
  • Joelson Corrêa, do Sushi Ruy Barbosa, “Sushi regional”
  • Nazareno Alves, do Point do Açaí, “Camarão regional com açaí”
  • Ricardo Riccio, do Tutto, “Arancini de pirarucu”
  • Sérgio Leão, do restaurante Benjamin, “Arroz de peixe com farofa molhada”
  • Solange Saboia e Ilca do Carmo, do Santa Chicória, “Dueto de bolinhos (maniçoba e vatapá)
  • Sophia Honda, do Bio Mercato, “Pita de camarão regional com arubé”

Para os eventos da semana do VOPCzPA tem gente famosa chegando, como  a estrelada internacionalmente Roberta Sudbrack, do Roberta Sudbrack (RJ); Thomas Troisgros, do Olympe e CT Brasserie (RJ) da quarta geração de uma das famílias mais gastronomiques do mundo; o badalado vizinho Felipe Schaedler, do Banzeiro (AM); outro com projeção internacional, Felipe “Sansão” Rameh, do Trindade (MG), que foi da equipe de Alex Atala; Bella Masano, do muito premiado Amadeus (SP) entre outros.

O festival Ver-o-Peso da Cozinha Paraense é realizado pelo Instituto Paulo Martins e Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, com apoio institucional a Prefeitura de Belém e Governo do Estado (Paratur e Setur) e apoio de diversas instituições e empresas, como Leal Moreira, Boulevard Shopping, Assembleia Paraense, Chevrolet, etc. Para mais informações, vá diretamente ao sítio eletrônico do VOPCzPA, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h30
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