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PELAS RUAS DE BELÉM


BUREKAS E KIZADAS

COMIDA DOS PARENTES DA PRESIDENTA

E saiba, com certeza: é comida pra presidenta nenhuma botar defeito... No capricho. Provavelmente em sua casa, ou na casa de seus pais, a presidente Dilma Rousseff deve ter comido, até inúmeras vezes, as iguarias da foto abaixo, atrações da cozinha búlgara. Ou na sua visita à Bulgária.


Para quem não conhece, apresento duas especialidades búlgaras, a kizada, à esquerda, e a muito famosa bureka, à direita. Que eu saiba, não estão disponíveis aqui pelas ruas de Belém, mas as conheci pessoalmente em recente andança pelas ruas de São Paulo. Paramos, Rita e eu, para um lanche, na “Casa Búlgara”, reduto quase sagrado dessas iguarias que representam a Bulgária, terra dos ancestrais de nossa presidente.

Nesse endereço são produzidas as consideradas melhores burekas de São Paulo. Do Brasil, dizem alguns mais entusiasmados e que talvez tenham razão: não devem ter muitas casas especializadas em burekas no país... Esclareçamos: a bureka, que faz a fama da casa, é um salgado em forma de uma rosca, aí com uns 8 a 10cm de diâmetro, que pode ter recheios variados como carne, frango, queijo, berinjela...

Há na parede da pequena casa de poucas mesas um tabelão com a lista das ofertas e os preços:

 

A tal bureka daqui é famosíssima e já foi até o Melhor Salgado do Ano, pela Vejinha paulistana, além de ser muitas vezes votada como finalista do prêmio.

A casa é tradicional e foi fundada em 1975 por Nina Levi, natural de Sófia, capital da Bulgária. Em 1948 ela imigrou para Israel, com o marido, e em 1974 a família veio para o Brasil, após a guerra do Yom Kippur. Passou a fazer comidinhas búlgaras no Bom Retiro e deu-se bem. E os paulistanos, também. Aliás, eu idem, porque foi uma ótima experiência. Com minha mania pelos queijos, lógico que radicalizei e fui a uma de gorgonzola. Valeu. A kizada, que é feita com a mesma massa, porém menos famosa, foi de berinjela com queijo búlgaro, maravilha.

Mas voltemos à presidente. Quando Dilma Rousseff foi eleita, a Casa Búlgara virou agenda para a mídia paulistana, obviamente. Uma das matérias é destaque na casa, devidamente plastificada e disponível aos visitantes. Fotografei-a:




Escrito por Fernando Jares às 19h13
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GASTRONOMIA E TURISMO

"A MELHOR COMIDA DO PARÁ COME-SE NO PARÁ"*

 

A gastronomia paraense continua a demonstrar que é uma excelente alternativa para promover o produto turístico do Estado, uma forma de atrair visitantes ao Pará, para conhecer aquela que muitos consideram como a mais brasileira das cozinhas brasileiras, porque originária dos produtos da floresta. Ainda na semana passada o jornal O Estado de S. Paulo dedicou duas páginas ao fascínio da cozinha paraense. Você pode ver aí em cima a abertura da matéria do jornalista Gustavo Coltri, que esteve aqui pelas ruas de Belém em abril, para conhecer o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” – por sinal participamos juntos do júri do concurso “Chef Paulo Martins”, na categoria Chef Amador (para ler "A releitura do tradicional na cozinha paraense", clique aqui). Gostei muito da foto, também de autoria de Gustavo Coltri, que valoriza o belíssimo conjunto de prédios à margem da doca do Ver-o-Peso, com uma garça em primeiro plano e, lá ao fundo, sobre um dos prédios, os onipresentes urubus do Ver-o-Peso (agora, imagine, querem tirar tudo isso daí, toda essa história de 300 anos e tradição belenense, porque alguém acha feio, anti-higiênico, malcheiroso ou coisa semelhante...).

Enquanto isso... os jovens chefs dos melhores restaurantes de Belém não param de mostrar que são bons, competentes e reconhecidos, no Brasil e no exterior, sendo convidados a participar de festivais por esse mundão de Deus. Agora mesmo, nesta semana, duas estão em ação no Nordeste e uma dupla já tem agenda para quando fevereiro chegar, na Itália.

Aliás, o Pará esteve presente, com pompa e circunstância, representado por dirigentes da Paratur e Belemtur, em recente festival de turismo em Gramado/RS, que tinha como tema “o cultural, com ênfase na gastronomia, artesanato e manifestações culturais”. O curioso é que não havia nenhum chef paraense na comitiva... e que a rica e variadíssima cozinha paraense era representada por “bombons de cupuaçu, biscoitos de castanha do Pará, licores de cupuaçu, açaí e jambú produzidos pela Emater” (leia clicando aqui).

Veja abaixo as duas páginas que o Estadão dedicou à cozinha e ao turismo paraense, fruto direto do festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”:

 

Mas o “exército dos chefs” continua ativo!

Acompanhe a ação deste quarteto poderoso, Ângela, Daniela, Felipe e Thiago, pelas cozinhas do mundo:


A partir de hoje e até o dia 30, a chef Ângela Sicilia, do restaurante “Famiglia Sicilia” (antigo “D. Giuseppe”) está em Recife, entre os nomes convidados de todo o Brasil, e até de Portugal, para o Festival Gastronômico de Pernambuco, que tem a participação de 20 estabelecimentos, na capital e outras cidades desse Estado. Ela cozinha no “Munganga Bistrô”, de Porto de Galinhas, assinando um cardápio que tem como entrada “Camarão Crocante na Tapioca com Chutney de Fruta”, prato principal “Risoto Negro com Frutos do Mar” e na sobremesa, “Tiramisù de Bacuri”. Conheça esse festival, clicando aqui.

Em Salvador, Bahia, a cozinha paraense tem espaço a partir de amanhã, como uma das atrações da sétima edição do festival “Tempero no Forte”, comandado pela muito famosa chef, e anfitriã, Tereza Paim. Participam nada menos do que 30 restaurantes, da Praia do Forte e Imbassaí e o tema do evento é “Peixes da Bahia”. Quem defende as cores paraoaras por lá é a chef Daniela Martins, do restaurante “Lá em Casa”. Pois bem, ela apresentará o “Badejo pai d’égua”, que vem a ser um badejo aromatizado com chicória, acompanhado de purê de feijão manteiguinha de Santarém. Saiba dos temperos do Tempero no Forte, clicando aqui.

E para completar o time em ação, a dupla de chefs irmãos Thiago e Felipe Castanho é presença garantida em Milão, Itália, dia 10 de fevereiro do ano que vem na abertura do megaevento europeu de gastronomia “Identitá Golose Milano”, o congresso internacional dos grandes chefs. Os dois estão em um grupo só de jovens destaques mundiais, apresentados como “Os novos leões da cozinha mundial”. Veja o time, direto do sítio eletrônico do Identitá (clique aqui para ir lá): Thiago e Felipe Castanho (Remanso do Peixe, em Belém do Pará - Brasile); Rafael Peña (Gresca, Barcellona - Spagna); Bertrand Grebaut (Septime, Parigi - Francia); Ángel León (Aponiente, El Puerto de Santa Maria - Spagna); Magnus Nilsson (Faviken Magasinet, Jarpen - Svezia); Ryan Clift (Tippling Club, Singapore - Singapore). A dupla paraense representa o Brasil nesse time.

Veja aqui um destaque da programação do Identitá Golose:

 

* Frase do chef Carlos Bertolazzi, dos restaurantes Zena Caffè e Spago, de São Paulo ==> leia clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h21
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20 ANOS SEM ROBERTO JARES


Há 20 anos menos dois dias essa era a manchete do jornal A Província do Pará que todos não queríamos ler. Todos entenda-se quem fez a manchete, quem a compôs em tipos gráficos, quem a fotolitou, quem a imprimiu e muitos, muitos dos que a leram pelas ruas de Belém e até muito além.

De vez em quando ele dizia que devíamos unir os três Jares que atuávamos em comunicação, ele próprio, o Bina e eu, primos entre si, para criar uma agência. Mas ele se foi antes de transformar a provocação em realidade. E cá ficamos os dois, cada um a comunicar para seu lado...

Há dois anos, em 2010, quando Roberto (Bob) Jares Martins faria 70 anos, escrevi sobre ele, o que você pode ler clicando aqui. Explicando, inclusive, a coincidência dos “Martins” no sobrenome, já que o parentesco era dos “Jares”.

O Bob Jares foi uma unanimidade em muitos setores profissionais e de saciedade naqueles tempos em Belém. Respeitado pelos que estavam no mesmo barco, pelos concorrentes e até pelos eventuais oponentes (de ideias, quando muito...). Sabia viver e equilibrar-se na vida, superar dificuldades. Até que a vida recebeu uma ordem superior e fugiu dele.

Ao invés de ficar a escrever e escrever, prefiro transcrever. E trago o que sobre o Bob escreveu o jornalista Edwaldo Martins, também já falecido, nessa mesma edição d’A Província de 24 de novembro de 1992. Um texto escrito porquem o conhecia muito bem, por quem muito lhe queria bem. E eu quero muito bem a ambos.

ROBERTO JARES POR EDWALDO MARTINS

Foram 36 anos de convivência quase diária. Tínhamos a mesma idade e juntos percorremos os mesmos veículos de comunicação — Folha do Norte, A Vanguarda, rádio e TV Marajoara e A Província do Pará. Roberto Jares era o repórter Bell de A Folha do Norte e nós começávamos a escrever sobre cinema no O Imparcial. Dali, como nós, ele saiu para a A Vanguarda, como colunista social, função que iniciou inovando, tornando esse espaço de jornal mais eclético, entrando nos mundos dos negócios e da política, por exemplo. Ao lado disso era um completo homem de sociedade, a partir da elegância no trajar, na maneira de ser, no requinte de seus hábitos, o que lhe valeu, durante vários anos, conferido por seus colegas de colunismo, integrar a fechada lista dos dez homens mais elegantes de Belém. Em jornal percorreu todas as funções, de repórter de geral a diretor-superintendente, nesse meio também comandando as rádios e TV Marajoara, e até mesmo, durante algum tempo, a TV Tupi, em São Paulo. Em 1986 foi guindado à condição de comunheiro das Emissoras e Diários Associados.

Relações Públicas na mais completa acepção do termo, como tal integrou a equipe de Oswaldo Mendes na Mendes Publicidade e foi assistente de RP da superintendência das Emissoras e Diários Associados do Pará, atuando com Milton Trindade e Alfredo Sade. Como colunista social, além de A Província do Pará e de A Vanguarda, entrou no rádio pela Marajoara, apresentando, diariamente, dentro do jornal da emissora, um bloco sobre sociedade e negócios. Colaborou ainda nas revistas Amazônia e Chez Alice. O colunismo só foi deixado quando as funções de direção, nos DA, não lhe davam mais tempo para manter um espaço diário. A partir daí se tornou um mestre nesse metier, ajudando uns, aconselhando outros, passando informações. Foi nessa época, do nosso começo em coluna social, que dele recebemos um ensinamento: “Coluna social tem que ser preconceituosa”. Coisa, aliás, difícil de ser seguida em Belém. Embora o cargo de direção, o faro de repórter e o amor pelo colunismo permaneceram até seus últimos dias: a “Primeira Coluna”, que ele criou, tinha muito a ver com Jares. Tinha a sua cara. E só ia para a composição com o aval total dele.

Nos tempos difíceis da tevê, quando não havia vídeo-tape e tudo entrava no ar direto, Roberto Jares fez um dos programas de maior audiência na historia do nosso vídeo – o “Domingo... Depois das Nove”, sabatinando personalidades dos mais diversos segmentos da sociedade. Entrevistas polêmicas, especialmente da política, fizeram o forte de seu programa. Toda a astúcia do repórter que ele sempre foi era evidente em sua participação na tevê. Não fez só isso na emissora que um dia viria a dirigir. Ao lado de Rubens Onetti, também produzia e apresentava “Qual é o Assunto?”. Três anos mais tarde assumiria a rádio Marajoara, passando a ser diretor-geral das duas emissoras associadas do Pará. Seu interesse pelo rádio não murchou. O resultado foi a Província FM que está no ar. Com o requinte que ele perseguia comandando a sua programação.

Homem de sociedade, seu fim de semana sempre era com os amigos, em intermináveis papos, molhados ou não, nestes últimos tempos fazendo do eixo Lá em Casa/O Outro o seu reduto. Em torno de Jares um grupo de grandes e fiéis amigos se juntava. Criou “O Senadinho” de O Outro, do qual era presidente vitalício, com reuniões sagradas às noites das quintas-feiras. Corria com seu trabalho no jornal para não faltar a esse compromisso. Quando não estava no eixo, podia ser visto, aos sábados, depois dos afazeres em A Província do Pará, no Iate Clube, a cuja diretoria pertenceu. Dali ou do O Outro, volta e meia usava o telefone. Em linha direta, acompanhava todos os detalhes do fechamento do jornal. Só abandonou esses programas quando a doença que o levou à morte não permitiu mais.

Ao longo de sua vida profissional Roberto Jares conseguiu algo difícil. Embora a força, digamos assim, de patrão, ele jamais a exerceu como tal. Era o amigo e colega de todos, fraterno em quase todas as horas e sério quando necessário. Mas sempre com o carinho que envolvem amigos. Um exemplo disso era sua sala: ninguém se anunciava para entrar. Veio da camaradagem da redação e assim se mantinha. Não agia como chefe, mas como amigo e colega. Como um irmão mais velho.

É para uma pessoa como esta que agora derramamos o nosso pranto.

EDWALDO MARTINS


Roberto Jares no traço primoroso do Biratan (Porto) amigo de muitos anos de trabalho e convivência preciosa em A Província do Pará. (Para quem não sabe ou não lembra. A Província foi um jornal diário que circulou até 2001, quando teve sua história encerrada, com mais de 120 anos de participação na vida paraense).



Escrito por Fernando Jares às 17h20
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DELÍCIAS ABAETETUARAS

PÃO DE TAPIOCA COM GUARANÁ, SUMANO!

Abaetetuba é um município perto de Belém. Via rodoviária, pela Alça Viária, uns 100km; rodofluvial, usando balsa com uma hora de travessia, uns 60km. No passado era famosa por sua cachaça de excelente qualidade, “azurzinha”, como se dizia, e que foi consagrada na imortal composição “Esse rio é minha rua”, do poeta Ruy Barata ("Rio abaixo, rio acima/Minha sina cana é/Só em falá na mardita/Me alembrei de Abaeté") – que seu filho e parceiro Paulo André canta no blog do poeta Ronaldo Franco - clique aqui. Morreu a boa “mardita” de inanição burocrática, o que é uma história muito mais complicada.

Mas vamos conversar sobre umas comidinhas que encontrei, recentemente, pelas ruas de Abaetetuba. Vamos começar pelo pão de tapioca:

 

Que fique bem claro que este alimento, de pão, tem apenas o nome e a finalidade de acompanhar o café e outras guloseimas, inclusive sendo passivo a uma boa manteiga... Portanto é digno do nome “pão”. É de tapioca, ou polvilho, semelhante ao que os supermercados nos apresentam como “pêtas”. O formato é assim, esse “quadradão”, de uns 30cm por 40cm e a mim só lembra o desenho do DNA... Comprei um pacote com quatro unidades (R$ 6,00) de um vendedor de rua: vi que as pessoas de diversas casas estavam comprando, logo, devia ser bom. E era. Tem a vantagem de ser sem glúten, logo a Rita o pode comer sem problema.

Agora, conheça as rosquinhas:


Nas melhores padarias da cidade você encontra outra especialidade abaetetubense (ou será abaetetuara?), que eu simplesmente adoro: as rosquinhas vistas acima.

São simples, simplesmente gostosas, daquelas da linha do “impossível comer apenas uma”. Há que devorar muitas. Existe uma maldosa versão “masculina”, uns tais “cacetinhos”, com o mesmo tipo de massa. Mas prefiro as rosquinhas... e essas, gitinhas, são das melhores que já comi.

Para acompanhar...

 

Você pode acompanhar essas delícias com um milhão de alternativas, inclusive, e especialmente, um bom cafezinho.

Mas aí em cima você vê um acompanhamento que só existe em Abaetetuba: o guaraná Amazônia, que é feito lá mesmo.

Sou fã dele faz muitos anos. Trata-se do último guaraná – dos que conheço – com o gosto daqueles guaranás que se bebia pelas ruas de Belém nos antigamente. Existe na versão de dois litros (pet) e na versão da garrafinha de vidro (ks) – esta última, a preferida por todos que gostam deste guaraná, eu no meio.

Em outra ida este ano (junho) estive no restaurante “Casarão”, que fica no Hotel Jarumã e andamos, Rita e eu, a comer uns peixinhos que fotografei. Veja:

 

Estas são umas “Iscas de Filhote” (R$ 20,00) que estavam uma delícia, sequinhas, crocantes e certas no tempero.

 

Obviamente, em terra à margem do rio, não dispensamos uma boa “Caldeirada à moda do Casarão no tucupi”, servida com postas cozidas, camarão rosa e patas de caranguejo (R$ 50,00, servindo bem duas pessoas) e acompanhada de arroz e um gostoso pirão de farinha d’água, da boa. Muitas vezes o pirão é de farinha fina ou suruí. O peixe estava muito bom e o caldo de tucupi, idem. O caranguejo fugia à regra e estava seco, sendo desprezado, infelizmente...

Obviamente, o guaraná Amazônia foi a companhia para todas estas guloseimas!



Escrito por Fernando Jares às 16h10
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INSTITUTO PAULO MARTINS

PESQUISA, CAPACITAÇÃO E DIVULGAÇÃO NA COZINHA PARAENSE

Está garantido e vai ser preservado, de forma profissional, o legado criativo de Paulo Martins, o chef de cuisine que arquitetou as primeiras intervenções modernas na cozinha paraense, que mais divulgou essa riqueza cultural do Estado, que trouxe aqui os mais importantes chefs do mundo e do Brasil, que levou a esses a essência da brasileiríssima cozinha amazônica praticada pelas ruas de Belém.

Para cuidar de suas iniciativas, como o festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, para assegurar a "paternidade" de pratos como o “Pato do Imperador”, o “Muçuã de Botequim” ou o “Arroz de Jambu”, entre muitos outros, está criado o Instituto Paulo Martins.


Sua apresentação aconteceu no dia do lançamento do livro sobre o VOPCzPA (sobre o livro, leia aqui) e foi Joanna Martins, filha de Paulo, que, emocionada, nos disse como é o projeto que já ganha corpo, documentos e vida.

Entidade de direito privado, sem fins lucrativos, vai o Instituto Paulo Martins promover o estudo e a divulgação da gastronomia paraense e amazônica brasileira, realizando ações práticas, de pesquisa e capacitação tecnológica, social e cultural voltadas para o desenvolvimento econômico da região. Todos conhecem a capacidade desta atividade de distribuir renda, dos pequenos produtores aos grandes empreendimentos, gerando trabalho e renda.

Dessa forma atuará integrando diversas atividades como turismo, agricultura familiar, nutrição, engenharia de alimentos, agronomia, história, sociologia, antropologia, entre outras disciplinas.

Também está no escopo do Instituto promover o encontro da arte gastronômica com outras artes amazônicas (música, dança, pintura, artesanato, etc.), considerando e preservando suas raízes e formas de expressão.

Joanna ressaltou que o instituto focará fortemente na pesquisa de ingredientes e de receitas; na transferência desse conhecimento para cozinheiros, chefs, para os profissionais do ramo e para o população; e também na divulgação de tudo isso, o que já vem sendo feito por meio do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, desde 2000, quando Paulo Martins o iniciou. Este evento será ainda mais aprimorado e ampliado, como já o foi na edição de 2012.

Aliás ela anunciou que a versão 2013 do “Ver-O-Peso” já tem data marcada: de 7 a 14 de abril. Naturalmente sendo antecedido por diversos eventos que se integram ao grande festival como cursos, concursos, circuitos gastronômicos, etc.

LOGOMARCA

Você reparou na lindeza da logomarca do Instituto Paulo Martins? Vamos repetir, em estudo para formato vertical:

 

Compondo a marca, em uma panela de barro ferve um tucupi amarelinho como ouro, onde a vapor que se eleva forma, com extrema sutileza e beleza gráfica, as iniciais do instituto, I, P, M, onde o P tem a forma de um coração... e tendo ao fundo a cor do açaí. Na base, servindo de fundo para o logotipo, o nome da instituição, o verde é na tonalidade “maniçoba”, outro grande ícone da cozinha paraense. Para completar, e já visando ações internacionais, o verde e o amarelo são as cores principais da bandeira brasileira.

A criação é de Tati Lobato para a Door. Passa bem o objetivo do instituto. E é visualmente agradável.



Escrito por Fernando Jares às 18h16
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PAYSANDU E HÉLIO GUEIROS

A CAMISA BICOLOR E NELSON RODRIGUES

Nestes dias de festa classificativa do Paysandu, que conquistou, com muita garra – e praticamente apenas extraordinária garra... – a passagem para a Série B, fui buscar na minha caixinha de recortes sobre futebol uma nota escrita pelo jornalista Hélio Gueiros, falecido ano passado (leia “Caminhos de Hélio”, clicando aqui). Guardei-a para publicar quando o Paysandu subisse para a Série B. É agora!

Trata-se de um daqueles diálogos que Gueiros gostava de imaginar e com os quais fazia comentários e críticas sobre o cotidiano vivido pelas ruas de Belém.

Para contextualizar: naquele 2010 o Paysandu havia sido eliminado de sua esperança de subir para a Série B, pelo Salgueiro, de Pernambuco, perdendo de 3x2 na Curuzu, após empatar em 1x1 no primeiro jogo. O Remo também fora alijado de sua expectativa de sair da Série D ao empatar em um gol aqui em Belém, após jogo sem gols em Mato Grosso.

Vamos ao texto de Hélio Gueiros, publicado em sua página dominical no Diário do Pará de 24/10/2010 (veja o “recorte” a seguir):

 CAMISA

Um torcedor azulino encontra com um bicolor no Ver-o-Peso e vai logo tirando sarro:

- O Salgueiro, que não é aquela escola de samba do Rio de Janeiro, deu uma boa salgada em vocês. Que vitória do sertão nordestino, fora o baile!

- Estamos todos no mesmo barco. Vocês, também, não ganharam do Vila Aurora, interior de Mato Grosso. Mas vou te confessar uma coisa – continua o bicolor -, eu tenho aqui comigo a crônica que o Nelson Rodrigues fez quando o Paysandu venceu o Peñarol, um dos melhores times do mundo daquela época, por 3 x 0. É muita bonita, os dirigentes deveriam ler para os atuais jogadores.

- E o que ele escreveu?

- Repara nesse trecho: “Não só o Flamengo tem camisa. O Paysandu também. Sendo preciso, a sua camisa deixa de ser um trapo para ergue-se como um estandarte em chama”.

- Acho que isso – diz o remista – serve não só para os jogadores, como também para os dirigentes de nossos clubes. Eles precisam entender que Remo e Paysandu têm camisa, honra e garra, e não podem ficar fazendo papel de figurantes, sendo eliminados por times - com todo respeito - sem a mínima expressão no cenário futebolístico brasileiro. É uma vergonha para todo paraense.

 

Um comentário muito apropriado para os dias atuais, válido para as duas agremiações. A raça bicolor continua sendo a razão da existência e das conquistas do Papão da Curuzu. Mas é preciso mais: técnica, boa gestão, planejamento, etc. Por seu turno o mais tradicional adversário do Paysandu não pode perder esse posto, não pode acomodar-se ao título de “filho da glória e do triunfo”, que lhe foi dado por um dos mais brilhantes – e apaixonado – remistas de todos os tempos, o poeta maior Antonio Tavernard, também autor do belo hino azulino.

Dr. Hélio foi “vingado”. O Salgueiro foi “despachado” pelo Paysandu este ano com um 4x0 aplicado no Mangueirão e o Pará volta a figurar na série B, dando mais visibilidade aos clubes e jogadores do Estado. (E, provavelmente, possibilitando até um Paysandu x Palmeiras no Mangueirão...)

Só para complementar, outra frase de Nelson Rodrigues sobre a histórica vitória do Papão sobre o Peñarol, que já publiquei no post “Até o Peñarol veio aqui pra padecer...” (para ler o post, clique aqui):

O Peñarol saiu de lá com as orelhas a meio pau. Três a zero! Um banho completo!



Escrito por Fernando Jares às 15h51
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“VENDO O PESO”

“UM NOVO SIGNIFICADO PARA A EXPRESSÃO PEIXES ORNAMENTAIS


Cada rolagem, uma emoção.

Você vai rolando a tela do post “Vendo o peso”, no site “Viaje na Viagem”, de Ricardo Freire, escritor e jornalista de primeira, ex-publicitário consagrado, e haja emoção para quem conhece Belém, para quem vive em Belém, para quem não conhece Belém.

Famoso por criar frases/slogans que fazem a história da publicidade brasileira (tipo: “Não é assim uma Brastemp”) acho que ele criou outra, com que abre e fecha o pequeno e muito agradável texto:

“Belém é a cidade mais incrível que você ainda não pensou em visitar.”

Um desafio direto e audacioso ao potencial turista, que ainda não pensou em botar um passeio pelas ruas de Belém na sua agenda de viagens. Direto e objetivo, com a solução na cara.

E curta a expressão que usou diante dos peixes expostos no Ver-o-Peso e que faz o título deste post. Um novo conceito de “peixes ornamentais”...

São 35 fotos que você vai curtindo, uma a uma (com comentários dignos das imagens - e dos sabores, saberes e odores veropesianos).

A da tapioquinha, sumano, abre o apetite de qualquer enfastiado.

E os urubus do Ver-o-Peso... ou o Ver-o-Peso dos urubus! São univitelinos. Estão na paisagem desde sempre e lá estão, ao fundo, pegando seu solzinho da manhã, que faz bem a qualquer vivente. E estão na foto abaixo. Ambas as duas fotos eu captei do site.

Mas chega deste papo. Vá ver o “Vendo o peso”. Basta clicar aqui.

Aproveite que você estará em um dos sites mais procurados por viajantes no país e não deixe de ler os muitos comentários.

 

Na ilustração de Daniel Kondo, no site, é o próprio Ricardo Freire atacando com vigor um prato de... açaí (provavelmente), e açaí do grosso, ou melhor, do papa... puríssimo, como só existe pelas ruas de Belém.



Escrito por Fernando Jares às 18h50
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CUPULATE BAIANO

CUPUAÇU É ATRAÇÃO EM MESAS PAULISTAS

O maior sucesso “de público e de crítica” na manhã de hoje no megaevento gastronômico "Mesa São Paulo" foi... o cupulate!

Segundo o sítio eletrônico da revista Prazeres da Mesa, que promove o evento, trata-se de “um produto absolutamente novo”, que foi apresentado pelo chef consultor Julien Mercier, que ainda esteve este ano aqui pelas ruas de Belém, acompanhando o chef Rodrigo Oliveira em uma das edições do programa “Visita Gourmet”, do restaurante “Remanso do Bosque”. Eles trabalham juntos no Engenho Mocotó, em São Paulo. Segundo o site, a novidade “é fruto de um projeto em parceria com Diego Badaró, cacauicultor e proprietário da AMMA Chocolates”. Você pode ler a notícia completa clicando aqui.

No post de ontem, imediatamente abaixo, eu já havia informado sobre a palestra “Cacau e grandiflorum: enlace dos deuses” e o anúncio de que se tratava de “um novo produto”...

Na exposição, segundo a cobertura ao vivo do perfil @prazeresdamesaJulien Mercier emociona a plateia com um vídeo sobre os produtores de cupuaçu”, que você pode acompanhar clicando aqui.

O chef francês apresentou pratos com a novidade, como “Barriga de porco, farofa e molho de cupulate” ou uma “Geleia de cupuaçu com espuma de cupulate”. Teve até degustação de cupuaçu, chocolate Amma 85% e cupulate, vista aqui em foto que captei do Twitter de Joanna Martins, do restaurante “Lá em Casa”:

 

É importante esse desenvolvimento, inclusive porque cria aproveitamento para um produto que era desprezado (as sementes do cupuaçu) ou subutilizado, tipo virar alimento para animais, passando a gerar trabalho e renda para muita gente. O que não parece certo é apresentar como novidade algo que foi criado há mais de 20 anos, difundido ao longo desses anos, tanto em meios de comunicação como nas redes científicas ou de extensão rural. Até no “Globo Rural” a receita e o nome cupulate já foram apresentados. Em 2004 a revista Superinteressante divulgou que “a guloseima foi registrada no Brasil pela Embrapa em 1990” e que em 2000 já havia pirataria internacional aproveitando-se da criação sobre a fruta amazônica: para ler “O que é cupulate?”, clique aqui. Digamos que foi reinventado, reconstruído, reaproveitado.

Ainda em maio deste ano o site da Embrapa-Amazônia Oriental publicou que “O cupulate foi desenvolvido há cerca de 20 anos no Laboratório de Agroindústria da unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, sediada em Belém e vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.” (Leia a notícia completa clicando aqui).

A questão que merece ser discutida é o fato do Pará, com essa importante descoberta “sob as barbas”, como dizia meu avô, não dar a ela a necessária atenção – tanto o setor produtivo privado como as autoridades que o devem estimular. Leia na notícia da Embrapa, lincada acima, que “o cupulate ainda não é produzido no Pará” e que, em uma apresentação feita para autoridades, incluindo o governador do Estado e o Secretário de Agricultura, utilizaram amostras que vieram... da Bahia.

Precisamos saber transformar nossas riquezas naturais em recursos que gerem bem-estar e qualidade de vida para o povo paraense (aliás, há muitos anos, fiz um slogan para a Albras nesta mesma linha... qualquer dia escrevo sobre ele).



Escrito por Fernando Jares às 18h33
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INGREDIENTES PARAENSES EM SP

“FARINHA E AÇAÍ, PATRIMÔNIOS DA HUMANIDADE.”


A cozinha paraense é destaque esta semana na capital paulista no megaevento gastronômico “Mesa São Paulo”. Os irmãos Thiago e Felipe Castanho, dos restaurantes “Remanso do Bosque” e “Remanso do Peixe” fazem duas intervenções:

Hoje apresentaram “Esse rio é minha rua: Contrastes entre Belém e as ilhas fluviais”, onde o excelente cacau produzido nas ilhas, notadamente Combu, é atração para centenas de chefs de todo o país – e do exterior – interessados nas alternativas da nova fronteira gastronômica brasileira que é a cozinha paraense.

Na foto abaixo, captada do Twitter da jornalista Constance Escobar, os dois jovens paraenses em cena, fazendo sua profissão de fé "Nosso papel é difundir a verdade dos ingredientes da nossa terra."


Amanhã eles sobem novamente para falar sobre uma deliciosa riqueza paraoara “Banana pacovã verde e seus acompanhamentos”.

Mas eles não estão sozinhos ao trabalhar os ingredientes da floresta e dos rios amazônicos:

Entre outros que levam essas atrações, Thomas Troisgros, do restaurante “CT Boucherie”, do Rio de Janeiro, e que vem a ser da quarta geração dos Troisgros, filho de Claude, que sabe tudo da cozinha paraense, aprendido em inúmeras andanças pelas ruas de Belém e mais... apresenta um “Peixe com pirão de tucupi e caviar frito”. E Mariana Cozza, chef consultora de contas globais da BRF, que é a união Sadia/Perdigão, mostra como se faz “Tilápia em crosta de amendoim e aviú, em cama de cará e vinagrete de buriti”, muito amazônico, não?

Para ter uma ideia de a quantas anda o prestígio gastronômico da região, o italiano Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food e da Arca do Gosto, afirmou em sua concorrida palestra: “A farinha de mandioca e o açaí são patrimônio inestimável da humanidade tanto quanto é o Coliseu."

Em “Cacau e grandiflorum: enlace dos deuses” Diego Badaró e Julien Mercier apresentaram, como anunciou o próprio Mercier, “um novo produto: o cupulate!”, a partir de trabalho realizado em Ilhéus, Bahia. Aliás, essa “novidade” a Embrapa desenvolveu aqui há muitos anos, com o nosso querido e gostoso cupuaçu, o “theobroma grandiflorum”.

Nos Jantares Magnos, assinados pelos megachefs, os ingredientes paraenses também fazem a festa dos cardápios: Bel Coelho vai de “Pato no Tucupi Clandestino”; Alex Atala serve um pão com priprioca e a sobremesa “Papaya com bacuri e iogurte em pó”; Alberto Landgraf tem “Sorbet de açaí”, entre outros.

O “Mesa Tendências”, reunindo alguns dos principais chefs do mundo debatendo o futuro gastronômico do planeta, é considerado o congresso mais importante da América Latina para apresentações e debates de tendências, conhecimento, descobertas e questões sobre a atuação da cozinha socialmente responsável. O tema deste ano é “Descobrindo as Américas: Seus Ingredientes e Sua Cultura”. Como acontece também uma mostra das maiores e melhores empresas do mercado gastronômico, bem que o Pará poderia estar presente, reforçando que aqui é o melhor lugar para comer a melhor comida paraense.



Escrito por Fernando Jares às 16h13
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ARTES GASTRONÔMICAS PARAOARAS

O PESO DE UMA COZINHA GIGANTE... EM VERSÃO MINIMALISTA

O ato de fechamento do ciclo do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense/2012 repetiu a categoria com que havia sido aberto.

O lançamento do livro sobre esse evento (31/10) apresentou aos convidados um desfile de requintadas criações minimalistas sobre os elementos mais clássicos da cozinha paraense. Criação e realização da chef Daniela Martins, que comandava pessoalmente a cozinha e vez por outra circulava entre os convidados, deve ter deixado feliz o falecido chef Paulo Martins, pai da Daniela, que gostava desse tipo de exercício criativo. Lembro-me de que certa vez, não sei mais a título de que festa aqui pelas ruas de Belém, ele serviu coisas como microtapioquinhas recheadas com caranguejo (que ela reeditou recentemente) ou um certo canapé que tinha um ovo de codorna estrelado sobre uma torradinha! e umas batidinhas de tucupi, pra abrir o apetite.

O coquetel de lançamento do VOPCzPA também teve um festival de especialidades minimalistas: para ler “Gastronomia como arte. Minimalista”, clique aqui.

Vamos ao desfile de algumas das pequenas obras de arte gastronômica que circularam pelo salão do restaurante “Lá Em Casa”, na Estação das Docas.

 

Comecemos por este beiju – pra você ver como ele anda bem conceituado: estava acompanhado por um molho de arubé, que vem a ser uma “evolução” do molho de tucupi, de inspiração marajoara, com um sabor que lembra uma boa mostarda (Claude Troisgros criou um ceviche com tucupi reduzido, em que trabalha um molho nesta linha).

 

Micropastéis com massa bem fofinha e recheio de vatapá paraense. Vinha muito bem o gostinho marcante de um saboroso vatapá.

 

Moqueca de pescada amarela, verdadeiro tom sobre tom nas cores de nossos melhores rios, para quem gosta de um bom peixinho. Note os garfinhos, requinte trazido de Paris, por Daniela Martins, que por lá andou recentemente a cozinhar (leia “Tem jambu na festa do Brasil na França”, clicando aqui).


O clássico caranguejo com farofa também participou do desfile em modelito muito bem temperado e apetitoso.

 

Posando sobre a capa do livro que motivava este pantagruélico desfile aqui está um pirarucu frito deitado em esplêndido berço de purê de feijão manteiguinha de Santarém. Tudo de bom que você imagine. Dava vontade de ficar em looping, repetindo-o infinitamente...


Esta Geleia de Pimenta está se tornando um clássico na casa, fazendo companhia mais que harmoniosa a estes garbosos camarões rosa, felizes que só faltava abanarem os rabinhos... (ops, camarão abana o rabinho quando está feliz???). Não sou nada pimentalista, mas esta uma é muito bem aceitável.

 

Chegando às sobremesas, momento mágico de todas as boas refeições. E eis que surge uma Castanhada com Cupuaçu. Não precisa dizer nem escrever nada, sumano! Foi festa geral na zona das papilas gustativas.


Para os chocólatras não faltou um brigadeiro de colher... com cobertura de farofa doce de castanha. Fiz a festa, que nem o meu netinho...

 Não aparecendo aí nas fotos, mas da mesma forma atraentes e gostosos, circularam outras preciosidades como “Biscoito de tapioca com patê de haddock paraense” (um dos campeões da noite!); “Polenta no tucupi com pato desfiado e jambu”; ou um “Baião de dois paraense”, com o exclusivíssimo feijão manteiguinha de Santarém e jambu. 



Escrito por Fernando Jares às 20h55
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VER-O-PESO DA COZINHA PARAENSE

A EVOLUÇÃO DE UM SONHO


Ficou uma beleza gráfica o livro sobre o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense/2012”. Pela primeira vez é feito um registro deste tipo, com a presença dos chefs que participaram do encontro e das simpáticas boieiras do mercado do Ver-o-Peso. O lançamento foi na semana passada (31/10) no restaurante “Lá em Casa”, na Estação das Docas.

Um ligeiro registro histórico mostra a evolução do sonho do inesquecível chef paraense Paulo Martins que, em 12 anos, transformou-se num dos mais bem conceituados festivais gastronômicos do país.

É indiscutível a importância do VOPCzPA no desenvolvimento da cozinha paraense nesta década pelo menos em duas grandes direções: (1) a qualificação dos profissionais que atuam nos restaurantes pelas ruas de Belém, com a incorporação de novas técnicas na manipulação dos alimentos, possibilitada pelas oficinas ministradas pelos grandes chefs, nacionais e estrangeiros, que participaram das diversas etapas do festival; (2) a inegável divulgação e difusão das riquezas únicas da culinária paraense, pelo testemunho desses mesmos destacados visitantes, que tomaram conhecimento em detalhe, com visitas ao Ver-o-Peso e a fornecedores locais, desses ingredientes exclusivos. E abriu caminho para uma verdadeira peregrinação do chef Paulo Martins, pelo Brasil e até no exterior, a levar, mostrar e demonstrar o peso da cozinha paraense.

O livro tem, além do relato detalhado dos participantes da versão 2012, dez receitas assinadas por alguns dos grandes chefs e duas das vencedoras do Concurso Chef Paulo Martins.

Segundo os organizadores, agora teremos uma publicação deste tipo a cada edição do festival – que para o próximo ano já tem data marcada: 7 a 14 de abril de 2013.

Você pode adquirir o livro (R$ 49,90) nas livrarias Fox e Newstime.

 

As boieiras que estiveram no lançamento do livro e as Martins, Tânia, Daniela e Joanna.



Escrito por Fernando Jares às 19h42
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DELÍCIAS PARAOARAS

BEIJU COM CALDO DE CANA, SUMANO!

Beiju era uma comidinha popular aqui por nossas bandas, principalmente no interior. Segundo o escritor e jornalista Raymundo Mário Sobral (em “Dicionário Papachibé – A língua paraense”, vol. 1) trata-se de um “biscoito feito de mandioca, fininho e que se esfarela com facilidade.” Composto por fécula de mandioca da boa e assado, acompanha muito bem o café, principalmente em áreas onde uma padaria fica a quilômetros... ou pelos rios amazônicos, pois se conserva muito bem crocante, em uma lata. Em outros locais do Brasil é confundido com a tapioquinha ou até uns biscoitos enroladinhos, geralmente de farinha de mandioca.

Disse que “era” não porque esteja deixando de ser popular, muito pelo contrário, mas porque ele está ampliando sua área de influência... O beiju anda todo metido aqui pelas ruas de Belém, frequentando restaurantes refinados e supermercados de muito movimento. E não é de hoje: já o chef Paulo Martins o havia adotado como entrada no “Lá em Casa” e acompanhamento do prato “Frito de vaqueiro” (leia “Um frito cultural com ares pantagruélicos”, que escrevi em 2009, clicando aqui). O chef Thiago Castanho também o adotou com todas as honras de estilo no “Remanso do Bosque” – pois veja o dito, em versão de tapioca, refastelado numa folha de guarimã, clicando aqui.

 

Imagine só que esse papo todo foi pra eu mostrar o beiju de mandioca “Menino Jesus” deliciosa obra-prima da minha querida cidade de Capanema, que encontramos no supermercado Líder, como está na foto acima.

Lindinho, com um leve colorido da fruta, crocantíssimo, numa embalagem legal, que evita que se quebre. Coisa digna pra Menino Jesus comer, mas que, graças a Deus, atende também aos diabinhos mais velhos... Como não contém glúten, nem conservantes ou lactose, já faz parte da dieta regular cá da minha Rita. Tem com sabores de frutas, como maracujá, goiaba e até de beterraba... Não encontramos em sabor original, mas espero que exista, pois já estou com água na boca pensando neles, quentinhos e com uma manteiga das boas...

É produto da Associação dos Produtores e Criadores da Localidade de Menino Jesus, em Tauarí, Capanema, a cerca de 120km de Belém.

 

Da mandioca vamos dar um pulo à cana-de-açúcar, mas continuando em terras paraoaras. Você vê aí um caldo de cana engarrafado dos bons, uma verdadeira vitória de bom sabor. É descoberta da boa leitora deste espaço, a publicitária Andrea Lima dos Santos, fiel consumidora e eficiente alardeadora do dito cujo, tanto que me deu de presente essas duas garrafinhas. Também gostei.

Tudo bem, no rótulo está escrito “suco de cana-de-açúcar”, mas é caldo de cana, com gosto de caldo de cana esmagado de pouquinho. O escrito “suco” deve-se às exigências burocráticas nacionais, pois para as autoridades constituídas na área da alimentação, caldo é outra coisa e não algo que se extrai da fruta...

Eu chamaria o “suco” de garapa, mas deixa pra lá.

O produtor tem uma fazenda aqui pertinho, em Santa Izabel, onde planta a cana-de-açúcar, faz a moagem e engarrafa o bendito “suco”. Tem ainda dificuldades com a distribuição, porque a validade é muito pequena, apenas sete dias, de forma que é encontrado apenas em pequenas lanchonetes, principalmente de escolas. Não chegou ainda aos supermercados.

Ops, esta parte do caldo de cana ficou mais com cara de teaser do que notícia... Fica a dica... e o desejo de que logo seja mais fácil fazer o encontro do beiju com o caldo de cana.



Escrito por Fernando Jares às 18h09
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