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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


RIQUEZAS EM ESFEROVITES

VISÕES GASTRONÔMICAS LUSO-BRASILEIRAS

Os paraenses em visita a familiares espalhados pelo Brasil afora são conhecidos pelos isopores que levam. Aliás, quando avisamos da viagem ao parente distante há uma pergunta que nunca pode faltar: o que estás precisando aí? E lá vem uma lista de ingredientes que adquirimos pelas ruas de Belém e levamos com muita satisfação.

Os chefs paraenses, como profissionais na manipulação desses ingredientes, incorporaram a tradição, digamos assim... profissionalmente, desde as primeiras incursões de Paulo Martins pelas cozinhas deste Brasil.

A novidade se espalha pelo mundo e, a Portugal, os chefs Thiago e Felipe Castanho chegaram com... geleiras em esferovite! Nada de mais: eram isopores, mesmo, só que em Portugal nosso conhecido isopor chama-se... esferovite! Apenas devem ter causado espanto à alfândega de lá, imagina!

Os dois jovens paraenses foram para um festival gastronômico abrindo o Ano do Brasil em Portugal, ao lado de um dos mais famosos chefs lusitanos (para ler “Castanhos cozinham em Lisboa”, clique aqui).

O encontro provocou esta reflexão do jornalista João Miguel Simões, em seu blog Adressbook:

Uma espécie de duetos improváveis que só mesmo acontecimentos especiais como este permitem que aconteça. Neste sentido, coube aos irmãos Castanho, de Belém do Pará, a honra de abrir o Festival Gastronómico, tendo por cicerone nada mais nada menos que José Avillez e o seu restaurante Belcanto, ao Chiado.”

Dissera-me Thiago pouco antes de viajar para Lisboa que tinha uma agenda lotada de entrevistas e encontros com jornalistas especializados em gastronomia. Pois está sendo publicada muita coisa. Olha só a revista Tabu, do jornal lisboeta Sol, na edição de hoje:

 

Para você ter uma ideia do que foi o festim amazônico-lusitano que lotou o restaurante “Belcanto” nas sua três edições, reproduzimos a seguir algumas fotos, com a descrição e a indicação das fontes, naturalmente. Uma divulgação de altíssimo nível para nosso Estado em Portugal.

Comecemos pelo amuse bouche que, aliás, foram três, pois além do previsto no menu, José Avillez apresentou o “Azeitona³”, com azeitona em três versões, crocante, explosiva e dry martini invertido; e um “Parece que é mas não é”, com Ferrero Rocher e bacalhau em grão... Depois os Castanho entraram em cena como o “Tucupi, carimã, aviú e jambu”, servido em cuias (levaram as cuias!), aqui em belíssima foto de Nuno Ferreira Santos, captada do caderno “life&style/gastronomia” do jornal português Público, com texto de Ana Prado Coelho, na edição de ontem:

 

A primeira entrada foi dos Castanho, nosso tradicionalíssimo “Chibé” com camarões secos pequenos, um camarão fresco grande e tempero regional com inspiração no “leite de tigre” peruano (de temperar ceviches), que Thiago pesquisou em sua recente andança pelo Equador. “Agridoce e muito saboroso. E com a particularidade de cada garfada ser sempre diferente da anterior, tal a complexidade de ingredientes e sabores envolvidos”, comentou Raul Lufinha em seu blog Mesa do Chef. Veja esse chibé contemporâneo em outra bela foto de Nuno Ferreira Santos.

 

Nova entrada de Thiago e Felipe. Era para ser de banana, mas foi substituída por fruta-pão, que os portugueses logo identificaram com suas deliciosas castanhas: “Fruta-pão, manteiga queimada, e castanha-do-pará”, que você vê em foto MFR que captei do “Mesa do Chef”:

 

José Avillez apresentou sua clássica “Horta da galinha dos ovos de ouro”, o ovo cozido no “ninho”... mas ovo dourado, palha de alho, terra de pão ralado frito com tinta, essência de trufas... A foto busquei-a, novamente, no “Mesa do Chef”, já que estava eu a tantos quilômetros de distância...:


Mas ficou muito “apetitosa” a foto do “Cherne ao leite de coco e dendê”, que captei do site do jornal “Público”, não ficou? Um clássico baiano na linguagem gastronômica dos jovens paraenses:


Agora volta à cena o chef luso para mostrar o que fez ao porco, com seu “Porco revisitado”! Já lá comi, em terras lusas, o porco em agradabilíssimas versões, inclusive à bairrada, em pleno sábado da aleluia... Este está por demais atraente, com esse lombinho pururucado... concorda? A imagem é novamente do belíssimo álbum que o fotógrafo Nuno Ferreira Santos fez para o Público:

 

Chegou a hora das sobremesas. Primeiramente um trabalho de arte do chef José Avillez, que ele chama de “Terra e citrinos” e que camufla uma tangerina. Instalação gastronômica. As fotos seguintes são todas de Nuno Ferreira Santos para o caderno “life&style/gastronomia” do jornal português Público, (um excelente jornal, diga-se):

 

O festim teve fecho memorável: sobremesa com cupuaçu! E com chocolate com 100% cacau aqui da ilha do Combu, trabalho artesanal de primeira qualidade, com toffee de cumaru para arrematar.


Quer mais?

Pois tem: vão aqui três endereços que contam com pormenores a visita gastronômica dos jovens paraenses às terras do Fernando Pessoa (o Álvaro de Campos gostaria destes arranjos modernos?). Basta clicar no título de cada um para a visita e saber de outras novidades:

Blog Mesa do Chef

Blog Adressbook

Jornal Público



Escrito por Fernando Jares às 15h51
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MULHER PARAENSE

SÃO AS DO NORTE QUE BRILHAM!

O brilho da mulher paraense, que o paraense conhece em particular por todo o sempre, espalha-se e conquista o espaço que estava a merecer – apenas esperando o momento.

Mais do que nunca, são as do norte que brilham, a engrossar um time que tem a lenda Fafá de Belém à frente, como grande ícone.

Em uma semana a cantora-show Gaby Amarantos é consagrada como a grande vencedora do prêmio MTV e no MultiShow e ainda aparece como finalista em duas categorias no Grammy Latino. Outra paraense de megatalento, Leila Pinheiro, também está lá como finalista do Grammy. É a voz da mulher paraense ecoando pelo mundo.

Quer mais?

A artista plástica Berna Reale acaba de ser anunciada como ganhadora do prêmio “PIPA Online”, uma categoria do “Prêmio Investidor Profissional de Arte” onde o vencedor é definido pelo número de votos recebidos online. Foram 86 concorrentes de todo o Brasil! O prêmio é uma parceria entre a Investidor Profissional Gestão de Recursos e o MAM- Rio e não tem inscrições: os participantes são indicados por um comitê que os escolhe entre artistas que já vem se destacando por seus trabalhos, já conhecidos no mercado de arte brasileiro e não propriamente novos talentos totalmente desconhecidos.

Berna Reale teve 4.508 votos dos 11.069 computados nas quatro semanas de votação.

Berna é conhecida por suas audaciosas performances pelas ruas de Belém, bem antes das Femen se tornarem badaladas... como “Quando todos calam”, de 2009:

 

Ou este trabalho “Sem título”, de 2011:

 

Você pode conhecer mais sobre o trabalho da Berna Reale acompanhando o vídeo em que ela se apresenta para obter os votos (muito mais eficiente que muito político por aí... tanto que venceu a parada concorrendo com o Brasil todo, sumano) e mais outras artes dela, clicando aqui.

Pois ainda tem mais!

Esta menina você talvez não conheça: Isadora Lourenço. Sabe de quem ela é amiga? Da Gisele Bündchen. E sabe que mais? A Isadora fez a Gisele se emocionar, de verdade. Olha aqui as duas juntas:

 

A história é simples: a loja C&A decidiu criar uma coleção de roupas com a cara da mulher brasileira. Daí surgiu o programa “Poderosas do Brasil”, pesquisou pelos quatro cantos do país e escolheu quatro cidades-símbolo: Belém, Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro, tudo com a curadoria da Gisele Bündchen.

A escolhida de Belém foi Isadora Lourenço, estudante de teatro na UFPA, que brilhou na sua participação no vídeo, com seu jeito paraoara de ser.

Mas o melhor, mesmo, é ver o que resultou dessa aventura bündcheniana pelas ruas de Belém... Passe no blog Vista (clique aqui) veja o vídeo, as fotos da visita de La Bündchen e uma entrevista com a Isadora. Para ver a matéria exclusiva que a TV Liberal exibiu no dia da visita da über model, em junho, clique aqui.

E lá se vão as do Norte brilhando, gente boa!



Escrito por Fernando Jares às 18h32
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CASTANHOS COZINHAM EM LISBOA

FESTIVAL LUSO-BRASILEIRO NO BELCANTO


Não, não é a influência pessoana que invadiu a cidade a agir sobre o escriba destas linhas e a trazer para o post gastronômico um clássico verso do poeta lusitano. Está tudo certo. É que esta frase está, com todo destaque que merece, em uma instalação em requintado restaurante lisboeta, comandado por um dos mais festejados chefs de Portugal, José Avillez.

E ele veio ter aqui porque os chefs paraenses Thiago Castanho e Felipe Castanho abrem, nesta terça e quarta-feira, 25 e 26, a série de convidados que vão apresentar a cozinha brasileira em Lisboa, como parte das comemorações do Ano do Brasil em Portugal. Justo no restaurante “Belcanto”, comandado por Avillez e situado junto ao belíssimo Teatro São Carlos, no coração de Lisboa. Avillez, quando era chef do “Tavares”, conquistou uma estrela Michelin.

O menu-degustação (65 por pessoa) tem sete etapas e alterna criações dos paraenses, com especialidades destas que só tem aqui pelas ruas de Belém e vizinhança, com ingredientes clássicos do Brasil e criações do chef lusitano.

  • Amuse Bouche
    Um caldo de tucupi engrossado com carimã, aviú e flores de jambu.
  • Entrada 1 (Felipe & Thiago Castanho)
    “Chibé” um clássico paraense com farinha d´água, camarões secos e frescos.
  • Entrada 2 (Felipe & Thiago Castanho)
    Nhoque de banana terra, manteiga queimada, e castanha-do-pará.
  • Entrada 3 (José Avillez)
    “A horta da galinha dos ovos de ouro”, uma entrada clássica da casa, com ovo em baixa temperatura, pão crocante, cogumelos, purê de castanhas e, de acordo com o nome, folha de ouro.
  • Prato (Felipe & Thiago Castanho)
    Cherne, leite de coco e dendê, um clássico baiano na linguagem gastronômica dos jovens paraenses.
  • Prato (José Avillez)
    “Leitão revisitado”, criação nova, sobre as melhores tradições portuguesas de tratar um leitãozinho.
  • Pré-sobremesa (José Avillez)
    "Terra" e citrinos, outra novidade da casa.
  • Sobremesa (Felipe & Thiago Castanho)
    “Bombom” de cupuaçu, trabalhado com sorbet de Chocolate da Amazônia (feito a partir do cacau da ilha do Combu), cupuaçu e toffee de cumaru.

 

Teste para o Amuse Bouche a ser servido no jantar
luso-brasileiro a seis mãos no “Belcanto”.



Escrito por Fernando Jares às 19h49
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DANIELA MARTINS COZINHA NO AMADEUS

IGUARIAS PARAENSES EM SÃO PAULO

Um dia, em São Paulo, o casal Ana e Tadeu Masano tomou uma decisão e avisou os amigos: "Ampliamos nossa sala de jantar". Já lá se vão 25 anos que isso aconteceu e o “Amadeus”, restaurante que nasceu nesse ambiente familiar, com receitas de família, construiu uma história de qualidade e respeito que o coloca entre os principais do país, na especialidade de peixes e frutos do mar (chegam ao requinte de ter produção própria de mariscos, ostras, etc. em Florianópolis! para garantir a qualidade desejada).

A festa dos 25 anos será em grande estilo, juntando chefs amigos de todo o país, em programação que começa amanhã. Ao todo serão seis jantares, encabeçados pela chef Bella Masano, a caçula da família Masano, que também festeja uma década no comando da cozinha da casa, onde começou desde criança a cercar as caçarolas...

Para o time da rodada de jantares que começa amanhã, 25/09, Bella Masano, que já circulou pelas ruas de Belém, convidou a chef Daniela Martins, do restaurante “Lá em Casa”. Repete assim a jovem o que fez seu pai, o falecido chef Paulo Martins, que participou de um festival no “Amadeus” nos idos de 2006.

Compondo o cardápio desse jantar Daniela vai preparar estes pratos:

  • Caldinho de Tucupi com Jambu
  • Haddock Paraense com Talharim ao molho de Maniçoba
  • Castanhada com Calda de Cupuaçu

 

O haddock paraense é uma criação do chef Paulo Martins, que foi apresentada aqui.

Na comemoração do Jubileu de Prata do “Amadeus” a chef Bella Masano divide os fogões nos jantares, além de Daniela Martins (Lá em Casa, Belém), com Simone Bert (Wanchako, Maceió), Cesar Santos (Oficina do Sabor, Olinda), Celso Freire (Curitiba), Flávia Quaresma (do antigo Carême Bistrô/RJ), Juarez Campos (Oriundi, Vitória), André Saburó (Quina do Futuro, Recife) e Adriana Didier (Beijupirá, Porto de Galinhas).



Escrito por Fernando Jares às 14h53
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A FEIRA DO LIVRO É FERNANDO PESSOA

PESSOA “AO VIVO” NO ESTANDE DA UFPA

Uma bem-vinda e bendita multipresença de Fernando Pessoa; uma sacola recheada de bons livros; bolinhos de bacalhau e pastéis de Belém do belíssimo café criado com base no “A Brasileira” do Chiado, em Lisboa; churros de cupuaçu do Chaves, na barraca embaixo da grande escada; e a constatação de que, mais uma vez, a Editora da Universidade Federal do Pará fez o melhor estande é o resultado da primeira incursão à Feira Pan-Amazônica do Livro deste ano, que tem Portugal como país homenageado. Valeu!

Voltarei ainda ao espaço-café-restaurante, aos churros e outros estandes, mas deixa-me escrever logo sobre o da Editora da UFPA. Capricharam e investiram em todos os detalhes, como convém a uma instituição deste nível: aproveitam o espaço e a oportunidade de chegar a milhares de pessoas, e põe milhares nisso, para levar cultura da melhor qualidade a todos.

.

O estande homenageia o famoso café lisboeta onde Fernando Pessoa passava praticamente todos os dias para tomar o seu café, ver os amigos, etc. É preciso notar que a fachada do estande foi desenvolvida sobre o antigo frontispício d’“A Brazileira”, que era assim, com “z”. Logo em frente, na Feira, está o estande da Secult/restaurante/café, que reproduz a fachada d’“A Brasileira” dos dias de hoje.

O mais emocionante está dentro, além de muitos livros, da própria Editora da UFPA e de outras editoras universitárias brasileiras, tem Fernando Pessoa à vontade. No dia da abertura o famoso quadro de Almada Negreiros, que está exposto na Casa Fernando Pessoa, com o poeta retratado em uma mesa do restaurante “Martinho da Arcada”, teve uma versão ao vivo, com um ator a representar o FP, como na foto acima (as duas fotos são de Alexandre Moraes, captadas do site da UFPA). O cuidado estava até na elaboração de convites para os principais lançamentos e para a abertura do estande:

 

Há também um cantinho tipo como poderia ter sido em cantinho de uma casa do poeta, tivesse ele esse tipo de cuidado... mas está lá um painel com fotos da vida de FP, tendo em frente duas poltronas: é só sentar e ser fotografado ao pé de um resumo iconográfico da vida do mago do idioma português.

Há poemas pelas paredes, fotos muitas. Distribuídos gratuitamente aos visitantes, dois postais, um com uma caricatura de FP pelo Almada e outro com um poema e ainda um folheto de primeira qualidade, contando um pouco do Pessoa. Está aí em cima dos livros que lá comprei...


Antes que esqueça, quem comprar cem reais ou mais ainda ganha uma caricatura, feita lá mesmo. Habilitei-me, mas o caricaturista já tinha ido embora (eram 12h45 do domingo)... e só voltaria às 17h, quando eu precisava estar descansando do périplo livresco. Agora só de quarta-feira em diante. Mas eu voltarei, já que tenho meu vale-caricatura...

 



Escrito por Fernando Jares às 11h45
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NA ONDA DE UM CAMPO CULINÁRIO

O AVIÚ AFRANCESADO E O PIRARUCU DE CASACA

 “O ‘campo culinário’ pode ser traçado assim: conjunto e integração dos modos de cozinhar, interagir diante da comida e simboliza-la, conforme as sociedades praticam tudo isso para a resolução dos seus problemas alimentares.”

Carlos Alberto Dória – “Campo culinário e campo gastronômico”, in “E-BOCA LIVRE

 

O cozinhar popular as coisas regionais de comer, com simplicidade e qualidade, de forma a apresentar um alimento agradável, que resolve as necessidades alimentares da pessoa, pode ser uma atividade que se enquadra nesse conceito do mestre Carlos Alberto Dória, doutor em sociologia, professor de gastronomia, autor de livros referenciais no assunto.

Há muitos restaurantes simples que atendem essa definição, com certeza. Estivemos, Rita e eu, ainda há dias, em um deles, onde a família cuida de tudo, da cozinha ao atendimento no pequeno salão (sete mesas).

A proposta do restaurante é bem regional, desde o nome “Restô Cabano”, a decoração simples, com base em trabalhos artesanais de miriti, cerâmica e madeira. O cardápio tem algumas inovações, na onda que reinventa a cozinha paraense, desde a revolução decretada pelo falecido chef Paulo Martins, mas conserva os pratos convencionais da cozinha paraoara. Comandam a casa o Nonato e a Suzane, que trabalham há muito com serviço de buffet, sendo conhecidos pelas ruas de Belém por essa especialidade.

 

Sobre um prato rústico de cerâmica marajoara chegou esta dose de 12 unidades de “Risole de Aviu” (R$ 12,00). Isso mesmo, o nosso conhecido e saboroso microcamarão metido em uma roupagem afrancesada – será uma homenagem aos vizinhos franco-guianenses lá em cima ou ao falar de certas regiões próximas, tipo “já me vú, cumpadi”? Discussões semânticas à parte os rissoles agradaram plenamente, com o recheio aviuesco temperado nos conformes, a fritura sequinha, como aprovaria a minha cardiologista (Ops, será que ela aprovaria...?!). Há ofertas de entradas de outros animaizinhos de rios e terras, inclusive de mangues, opção que agradou plenamente à Rita, que não pode comer as coisas com trigo e/ou leite.

 

Fomos, após as entradas, a um tradicional “Pirarucu de casaca” (R$ 35,00, para duas pessoas), que você vê aí na foto. Trata-se do pirarucu seco, desfiado e refogado com temperos regionais, farofa molhada com leite de coco e castanha-do-pará, banana frita e arroz branco. Estava muito bom o pirarucu, peixão que é das minhas paixões culinárias. Dessalgado no ponto adequado e tempero certinho. Ao pedido, fiquei preocupado com o leite de coco, que não está nas minhas preferências, mas sua presença é bastante discreta, o que não acontece com as castanhas-do-pará, em lascas geralmente bem finas, que fizeram a nossa felicidade gastronômica.

No cardápio tem um certo “Tucunaré recheado” (R$ 50,00) que não anotei a quantas pessoas atende, mas deve ser a uma quatro ou cinco... O tempo de preparo é de 60 minutos e deve ser encomendado antecipadamente, o que me obriga a ter de voltar lá... Tira um fino: diz o cardápio que é o peixe assado de forno com camarão, caranguejo, mexilhãso e farofa, acompanhado de macaxeira assada de forno, salada e arroz.

No domingo em que lá estivemos, tinha um grupo a tocar e cantar uma MPB da melhor qualidade. Eram rapazes, depois o soubemos, do grupo que toca na vizinha igreja de Santa Terezinha, e davam sua canja gostosa. Acho que todos aprovavam, porque além de cantarem direitinho, o faziam sem atrapalhar as conversas dos que estavam às mesas. Por sinal, todas ocupadas quando chegamos, tanto que ficamos em uma que estava sendo liberada na hora.

Você pode fazer uma visita á página do Restô Cabano no Facebook, clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h32
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ASAS DA PALAVRA DALCIDIANA

A CACHOEIRA LITERÁRIA DO JURANDIR

 

Uma das publicações paraenses que aguardo sempre com expectativa é Asas da Palavra, a revista de letras da Unama, um primor de textos, de pauta objetiva, de conteúdo, que se aprimora e se supera a cada ano.

Pois hoje é o dia. Nesta quinta-feira, 20, às 18h30, mais uma vez terei um novo exemplar nas mãos. Vasculho-os por inteiro, página por página. Confesso que não leio toda a revista, apenas alguns artigos – os demais vão sendo consumidos ao longo do tempo, a ilustrar esta ou aquela necessidade de conhecimento... que são muitas! Mas sei onde estão as boas e seguras fontes.

E olhe aí em cima: este número é dedicado ao escritor Dalcídio Jurandir, paraense/marajoara dos muito bons, grande figura da literatura brasileira. Ele já esteve neste espaço virtual muitas vezes, como na festa de seu centenário de nascimento (clique aqui) e continua a provocar uma verdadeira cachoeira de ricos estudos e reflexões sobre sua obra, pelas ruas de Belém e por esse Brasil afora.

Como parte da festa de lançamento da publicação o Núcleo Cultural, o Curso de Letras e a TV Unama apresentarão, em primeira mão, o vídeo documentário “Dalcídio Jurandir - barro do princípio do mundo”, de 18 minutos, contendo, entre outros, depoimentos dos filhos do escritor, professores Margarida Pereira Benincasa e José Roberto Pereira. A esse último é dedicado, in memoriam, este trabalho da Unama. José Roberto faleceu em 2011 e teve registro cá nestas linhas virtuais: para ler “Hoje chove nos campos de Cachoeira”, clique aqui.

As duas iniciativas representam grande apreço por Dalcídio Jurandir e uma forma de a Universidade da Amazônia contribuir para promover o reconhecimento da obra deste grande brasileiro, romancista da Amazônia”, nos manda dizer a professora Célia Jacob, do curso de Letras, que está sempre por trás destes magníficos acontecimentos que, a cada ano, fazem do Fórum Paraense de Letras um evento muito especial. Patrona Eterna, por assim dizer, do Fórum.

A revista, que logo será disponibilizada em edição eletrônica, tem uma nota biográfica de Dalcídio e uma série de artigos e ensaios sobre a obra do escritor:

  • Paisagens enegrecidas: linguagens e vivências afroindígenas em narrativas
  • Marajoaras, por Agenor Sarraf Pacheco
  • A resistência do feminino em “Chove nos campos de Cachoeira”, por Amarílis Tupiassú
  • Dalcídio Jurandir: o reino do mito, o mundo social e a sublimação estética, por Audemaro Taranto Goulart  
  • Dalcídio Jurandir: as oscilações de um ciclo romanesco, por Benedito Nunes
  • Marajoando nas águas do fogo, por Elias Tomás Hernández Inostroza
  • Considerações sobre a migração de Alfredo, por Elielson de Souza Figueiredo
  • Literatura e crítica: vozes dissonantes em torno de Dalcídio Jurandir, por Elizabete de Lemos Vidal 
  • Dalcídio Jurandir - João Guimarães Rosa. A Crítica Literária diante do Romance de Nova Feição Regionalista, por Gunter Karl Pressler
  • Dalcídio, vaqueiro das letras. Aprendizado não-formal e domínio literário efetivo, por Gutemberg Armando Diniz Guerra
  • Matrizes e Germinações, breve roteiro de amor em Dalcídio Jurandir: o canto agônico de Eutanázio, por Josse Fares
  • Universo derruído e corrosão do herói em Dalcídio Jurandir, por Marli Tereza Furtado
  • Tatuagens na vitória-régia: uma fala sobre correspondências - Dalcídio Jurandir e Nunes Pereira, por Paulo Nunes
  • Dalcídio reescreve o Chove, por Rosa Assis
  • A tematização do ato de ler em Dalcídio Jurandir: anotações em torno de Chove nos campos de Cachoeira, por Sílvio Holanda
  • Dalcídio Jurandir: nomes de personagens da aristocracia de pé no chão, por Simone Meirelles
  • O fim do mundo no Marajó - Estudo do romance “Marajó” de Dalcídio Jurandir como projeção etnográfica da cultura local em Ponta de Pedras, Marajó, por Ubiratan do Rosário
  • Chão de Dalcídio, por Vicente Salles
  • Entre o ginásio e a escola da rua: uma oficina teatral com “Primeira Manhã” e “Ponte do Galo”, de Dalcídio Jurandir, por Willi Bolle


Escrito por Fernando Jares às 12h45
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FINE DINING LOVERS

OS LATINOS ESTÃO CHEGANDO!

Ao fazer suas reportagens sobre grandes eventos gastronômicos pelo mundo a jornalista Luciana Bianchi costuma fechar o texto com uma reflexão sobre o que viu, as impressões que coletou ao longo daqueles dias – aliás, ela precisa ser convidada para o próximo “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, que fique a ideia. Gosto de transcrever porque serve para quem trabalha com a culinária pelas ruas de Belém e de muito mais, sendo plenamente adaptável para outras atividades...

Sobre o recente festival gastronômico internacional do Peru, o “Mistura”, um dos mais importantes eventos nesse campo em todo o mundo, que reuniu, em dez dias, mais de 600 mil pessoas em Lima, ela apresentou suas sete impressões no Fine Dining Lovers que aqui estão em tradução livre que fiz como pude, com ajuda do Google...

• Comida de rua não é simplesmente a comida nas ruas. Reflete os tesouros autênticos da culinária de um país.
• Apoiar e valorizar o trabalho dos agricultores é torná-los parceiros no sucesso da gastronomia - não há restaurante de sucesso sem produtos de topo por trás dele.
Compartilhamento de informações com humildade e sinceridade é a chave para o futuro dos eventos gastronômicos. Não é "mostrando" quão inteligente você é, ou o quanto você sabe. O público está à procura de informação e inspiração.
• O verdadeiro luxo é a simplicidade, disse mestre chocolatier, Frédéric Bau, há 10 anos. No “Mistura”, chefs dos melhores restaurantes do mundo chegaram à mesma conclusão.
• No Peru, fusion cuisine, cozinha de fusão, é um conceito natural e bem sucedido. O Peru é um país multicultural, e assim é a cozinha. Fusão autêntica não pode ser confundida com a "confusão".
• A tradicional cozinha e a avant-garde têm um lugar no mundo da gastronomia se forem verdadeiras expressões culinárias. As pessoas estão procurando abordagens honestas e claras.
• A América do Sul vai ser líder em uma revolução alimentar global. Prepare-se - os latinos estão chegando!

Você pode ler a íntegra do texto de Luciana Bianchi clicando aqui. E, se gosta de fotos de pratos bonitos, aproveite a viagem e não deixe de clicar na janela na coluna da direita, “Eat with your eyes”. Pode “comer” à vontade. Estão lá os grandes chefs do mundo, inclusive o Alex Atala com sua banana com priprioca. Ingrediente amazônico em uma galeria top mundial.



Escrito por Fernando Jares às 10h09
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A “DESCOBERTA” DO BRASIL FOI AQUI!

UM PORTUGUÊS PELAS RUAS DE BELÉM, EM 1498!

O “descobrimento” do Brasil não teria sido na Bahia e nem em 1500. Mas por aqui, próximo à foz do rio Amazonas e no final de 1498, um ano e meio antes do que a história aponta. O primeiro português a aportar no Novo Mundo teria sido o navegador e cosmógrafo Duarte Pacheco Pereira, que pode ter andado por terrenos que hoje percorremos ao caminhar pelas ruas de Belém!

Essa história é bem conhecida, discutida, conversada, mas não ensinada nas escolas. E está em pauta porque o autor da descoberta cá está e hoje faz uma conferência no 18º Fórum Paraense de Letras, na Unama (Auditório David Mufarrej, 19h).

O historiador Jorge Couto, da Universidade de Lisboa, é considerado o maior especialista em história do Brasil em seu país, autor de inúmeros livros. O que mais nos interessa, no momento, é “A construção do Brasil” (1995), onde apresenta essa tese da anterioridade da descoberta do Brasil, baseado no manuscrito “Esmeraldo de situ orbis”, escrito pelo próprio Duarte Pacheco, entre 1505 e 1508, mas que ficou desaparecido durante séculos. Veja aqui a reprodução do trecho em que o manuscrito descreve o que seria esta região, em edição de 1892, do Real Archivo da Torre do Tombo.


O próprio Jorge Couto o explica em entrevista à Revista de História:

Em 1498, quando Colombo descobriu finalmente o continente americano (até aí só tinha encontrado ilhas na região das Antilhas), Duarte Pacheco Pereira, cavaleiro del rei, relata em sua obra ‘Esmeraldo de Situ Orbis’ que o rei o havia incumbido de efetuar uma exploração na região do Novo Mundo. E pelos elementos que Duarte Pacheco Pereira fornece, pela descrição das populações ameríndias que encontrou, pela densidade populacional que menciona, tudo aponta para que ele tenha feito um reconhecimento com o objetivo de traçar a linha de Tordesilhas, na altura da foz do Rio Amazonas.” Você pode ler a íntegra da entrevista clicando aqui. Mas, melhor que isso, pode ouvir o próprio, hoje, na Unama.

Quer dizer: o descobridor de que o achamento do Brasil foi, na verdade, uma “descoberta” planejada (com os recursos da época, obviamente) está em terras paraoaras. Vamos aproveitar para lançar um movimento reivindicando uma nova Certidão de Nascimento do Brasil, com mudança do local da maternidade... Que não seja mais a “Carta de Achamento do Brasil”, de Pero Vaz de Caminha, mas o “Esmeraldo de Situ Orbis”, de Duarte Pacheco Pereira! Que o Grão Pará seja reconhecido como o verdadeiro porto seguro dos navegadores dos Reynos de Portugal.

Com o devido respeito aos irmãos baianos, o Brasil nasceu foi aqui mesmo, em terras paraoaras, ao som de algum animado brega pré-cabralino, ops, pré-duartino.

Um pouco antes da conferência de Jorge Couto, às 18h, a homenageada Patrona do Fórum, professora Josse Fares, lança e autografa seu novo livro “De porongas, cestos e palavras: vozes de ensinar e aprender”, que tem organização do escritor Paulo Nunes. Na Galeria de Arte Graça Landeira.


Na apresentação da edição de 1892 do “Esmeraldo” é explicado
 que “por uma passagem d’ella se prova claramente que em 1498,
na côrte de D. Manoel havia fundadas suspeitas,

se não o cabal conhecimento, da existência dessa parte da America
 que depois se chamou Brazil
”.

Observação pós-palestra:

O professor doutor Jorge Couto, que fez questão de afirmar não ser o descobridor desta nova descoberta, digamos assim, do Brasil, mas apenas um investigador da tese, proporcionou uma noite de extraordinário saber superior aos que foram ao auditório da Unama. Em cerca de 1,5 hora apresentou o tema, em linguagem simples e compreensível, embora plena de conteúdo e elevado conhecimento, de quem domina plenamente o ofício, fascinando a todos, pelos depoimentos que ouvimos e pelos muitos cumprimentos que recebeu. Correspondeu plenamente às elogiosas e estimulantes palavras de apresentação da professora Amarilis Tupiassu - e nos deixou com necessidade de chegar urgentemente ao livro "A construção do Brasil" - que está na Feira do Livro, no estande da Visão.



Escrito por Fernando Jares às 13h50
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WALTER GUIMARÃES

JORNALISTA ATÉ O FIM

Faleceu na madrugada de hoje o jornalista Walter Guimarães Rolim, que formava no time dos mais antigos profissionais de imprensa em plena atividade nas redações. Tanto que este ano completou 50 anos de lides jornalísticas. Andou tendo uns problemas de saúde, mas estava aparentemente bem. Foi de repente.

Walter era obidense de nascimento, filho do sr. Francisco de Souza Rolim – o detalhe da paternidade é porque há hoje na imprensa e na internet o nome do Walter escrito de toda forma. Mas o certo é esse aí. Aliás, o título do perfil dele no Twitter era “Walter Guimarães R.” (@walterguima_) criado na época dos 50 anos.

Walter era Cidadão de Belém, por opção e por outorga da Câmara Municipal de Belém, de quem recebeu esse título, lá por 1970 ou ainda antes. Ele teve atuação em praticamente todos os principais veículos de comunicação que circularam e circulam pelas ruas de Belém nos últimos 50 anos, começando pelo quase lendário Jornal do Dia, onde toda uma geração de gente boa iniciou a carreira, instruída pelo Cláudio Augusto de Sá Leal. Aliás, uma vez perguntado sobre quem o influenciara profissionalmente, ele citou o Cláudio Leal, conforme registra o livro “Quem é quem no Pará”, organizado pelo jornalista Gualter Loiola Alencar, em 1970.

No JD atuou em diversas editorias como polícia, política e até assinou uma coluna... religiosa. Isso mesmo, assinava a “Religião em Dia”, como vemos lá embaixo, na edição do Jornal do Dia de 17/06/1964. Trabalhou também na rádio Guajará, na Folha do Norte e em A Província do Pará.

Walter foi um dos integrantes da empresa que, em 1974, obteve a concessão do canal 7 para Belém, sob a denominação de TV Belém Ltda., da qual faziam parte ainda Ossian Brito, que era o responsável, Linomar Bahia, Guaracy de Brito e Eládio Malato, todos da equipe de Romulo Maiorana em O Liberal e na Rádio Liberal. Logo o canal 7 passou a ser a TV Liberal. Hoje somente o Bahia nos testemunha a história. Mas ela está contada na página 94 do livro “Memória da televisão paraense e os 25 anos da TV Liberal”, organizado por João Carlos Pereira, em 2002. Walter foi diretor da TV Liberal por muitos anos e correspondente de jornais e agências de notícias. Teve diversas funções públicas na Câmara Municipal, Tribunal de Contas, na Imprensa Oficial e na Funtelpa, entre outras. Há muitos anos estava no Diário do Pará, desde o início do jornal, para onde foi convidado pelo fundador, Laércio Barbalho, e onde escreveu até hoje.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h55
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(TRANS)FORMAÇÃO POÉTICA NA EDUCAÇÃO

“VOZES DE ENSINAR E DE APRENDER”


Pra quem gosta de coincidências numéricas, eu no meio, esta é ótima: começa nesta terça-feira, 18, a 18ª edição do Fórum Paraense de Letras, promovido pela Unama, e que é um dos principais eventos das letras no Estado, há quase duas décadas.

O tema central do Fórum é provocador: “Por uma (trans)formação poética da escola, do professor e do aluno”, um importante momento para reflexão sobre a educação. Todo programado para o campus Alcindo Cacela, tem programação até o dia 20 – e no dia seguinte, 21, começa a Feira Pan-Amazônica do Livro, no Hangar, garantindo uma quinzena de grandes acontecimentos culturais pelas ruas de Belém.

A programação de abertura (no auditório David Mufarrej) está no convite aí em cima e aqui, com alguns parêntesis pessoais:

  • 19h - Palavra da Reitora, professora Dra. Ana Célia Bahia Silva
  • 19h15 - Apresentação do (excelente) Coro Cênico da Unama
  • 19h30 - Homenagem (muitíssimo justa) à Patrona do 18º. Fórum Paraense de Letras, professora Josse Fares
  • 19h45 - Conferência de abertura “Por uma formação poética do professor e do aluno”, pelo professor Dr. Luiz Percival Leme Britto, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

A programação do dia 19, quarta-feira tem pela manhã, apresentação de estudos inscritos no evento e de tarde minicursos e oficinas como “Diálogos poéticos – Ruy, Bruno e Dalcídio lidos por quem daqui e de lá” pelos professores Luiz Percival Leme Britto (Ufopa) e Zair Henrique Santos (Ufopa); “Revisitando Contos de Fadas: uma proposta para a produção textual”, professores Rita de Cássia Almeida Silva e Claudio Emidio Silva (Seduc-PA); “Literatura Africana de Língua Portuguesa e Afro-Brasileira em Sala de Aula - Uma Proposta Metodológica”, prof. Neilce do Socorro Coelho dos Santos (Uepa/Seduc).

A partir das 18h, lançamento do livro “De porongas, cestos e palavras: vozes de ensinar e aprender”, de Josse Fares, com organização de Paulo Nunes, na Galeria de Arte Graça Landeira.

Às 19h30, conferência “A construção do Brasil, a Amazônia e o manuscrito Esmeraldo de situ orbis” por Jorge Couto, historiador e professor de História do Brasil na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Para o dia 20, quinta-feira, à tarde, oficinas como “Os episódios que atravessam o ‘Os Lusíadas’, uma leitura do lirismo camoniano em terra e em alto mar", pelo prof. João Carlos Pereira (Unama/Academia Paraense de Letras); “Que narrador conduz Alfredo na Belém de ‘Os Habitantes’, de Dalcídio Jurandir? Análise da construção narrativa do romance”, pelo prof. Willi Bolle, da Universidade de São Paulo (USP); “A poética de Elizabeth Bishop: uma turista aprendiz na Amazônia dos anos 60”, pela professora Sílvia Bahia Moraes (Unama).

A partir das 18h, lançamento de mais uma edição da excelente revista do curso de Letras da Unama, “Asas da Palavra”, este ano enfocando Dalcídio Jurandir.

A programação de arte e cultura nestes dias tem muitas atrações entre Cinema com exibição dos curtas paraenses “Quero ser anjo”; “Origem dos nomes”; “Nayara, a mulher gorila”, direção de Marta Nassar (cineasta aluna da graduação em Letras, Unama), com roda de conversas. Coordenação do professor Francisco Cardoso, uma apaixonado da sétima arte, responsável pelo Cine Unama. E ainda Leitura Dramática de textos de Dalcídio Jurandir, Música, com o Coral Infantil Unama e a exposição “Poética e Conhecimento” no Espaço Multiuso e Galeria de Arte Graça Landeira: “Dalcídio Jurandir, barro do princípio do mundo”, “Benedito Nunes, 80 anos de sabedoria”, “Mário de Andrade na Amazônia” (IAP).

A programação completa está disponível no sítio eletrônico da Unama: clique aqui.

Por uma (trans)formação poética da escola, do professor, do aluno
foi buscar em um dos fantásticos exercícios de metamorfose
de Escher sua representação gráfica.



Escrito por Fernando Jares às 18h41
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DANIELA MARTINS COZINHA EM PARIS

TEM JAMBU NA FESTA DO BRASIL NA FRANÇA

A chef paraense Daniela Martins, do restaurante “Lá em Casa”, como convidada da Embratur participa, nesta segunda-feira, 17, do evento “Goal To Brasil”, em Paris, o lado gastronômico de uma ação da estatal federal do turismo para promover as cidades onde acontecerão jogos da Copa do Mundo de 2014 e deve reunir mais de 300 convidados, entre jornalistas, operadores de turismo europeus e formadores de opinião.

Embora Belém não tenha conseguido ser uma das cidades-sede da Copa de 2014 (pelos problemas administrativo/políticos muito conhecidos), parece que a cozinha paraense consegue assim, por um pouquinho que seja, “salvar a honra estadual”. Aliás, os profissionais da gastronomia paraoara têm sido responsáveis pela maioria das boas notícias que envolvem a divulgação do Pará além de nossas fronteiras, levando o que temos de bom nas cozinhas e mesas pelas ruas de Belém. E Daniela estará logo em Paris, de comidinhas tão saborosas  a França é um dos grandes emissores de turistas no mundo, sendo o sétimo maior para o Brasil, por isso considerado pela Embratur um mercado prioritário.

Esta promoção já aconteceu Chile, Colômbia e na Argentina, e seguirá por mais 10 países. A próxima cidade será Lisboa.

Em cada país uma cidade brasileira é apresentada e em Paris é a vez de Salvador, que mostrará um pouco de sua cultura, especialmente a gastronômica. Por isso o cardápio é centrado na culinária baiana, o que não impede a presença de gostos, temperos e jeitos de fazer de outros Estados: a conhecida chef Dadá, de Salvador, será acompanhada por Joca Pontes, de Recife e Daniela Martins, de Belém. O evento tem a curadoria gastronômica da Associação Brasil à Mesa.

Daniela é a responsável pela preparação de
- Tapioquinhas com camarão e jambu, obviamente,
- Canapés de tutu de feijão e
- Caixinha de camarão seco e dendê,
em um cardápio que conta ainda com:
- Pastel de carne suína temperada
- Cuscuz de milho ao molho de linguiça e frango caipira
- Filé de Caranguejo e bacalhau ao leite de coco
- Feijão seco com camarões e queijo de coalho
- Caldo de Mariscos
- Moqueca de peixe com purê de banana
- Vatapá e Caruru
- Acarajé
- Bobó de Camarão
- Milho branco com leite condensado e amendoim
- Cocada mole ao perfume de goiaba com farofa de castanha de caju

Para mais informações, clique aqui, no blog da Gastrô Comunicação.

Mas veja logo o sofisticado acarajé que a Dadá preparou, em foto de Gui Teixeira:



Escrito por Fernando Jares às 18h32
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MEMORIAL MAGALHÃES BARATA

CORPO DE MAGALHÃES BARATA ESTAVA CONSERVADO
NA INAUGURAÇÃO DO MEMORIAL

 

O corpo do ex-governador Magalhães Barata, um dos mais populares líderes paraenses da primeira metade do século passado, que agora foi profanado em seu abandonado Memorial (leia “Vamos sepultar Magalhães Barata, de novo", clicando aqui) estava em perfeitas condições de conservação quando foi levado ao citado memorial, em 1989! Nada miraculoso: apenas havia sido muito bem embalsamado, no distante 1959, quando faleceu. O que terá acontecido depois? Além do absurdo do "esquecimento" do corpo no local, sem dúvida o descaso com o prédio, abandonado pelas autoridades, as infiltrações atestadas pela imprensa e por quem lá conseguiu entrar, a sujeira geral, devem ter afetado a excelência do trabalho realizado por médicos paraenses. Veja reportagem da TV Liberal sobre a remoção dos restos mortais de Barata, clicando aqui.

O jornalista, escritor e pesquisador da história paraense Carlos Rocque descreveu todo o processo de transferência do corpo do mausoléu do cemitério de Santa Isabel para o Memorial. Com a autoridade de quem presidiu a comissão do centenário de MB e construiu o monumento hoje abandonado, de quem esteve presente em todos os momentos, como verdadeira testemunha ocular da história! E escreveu na primeira pessoa.

Por oportuno transcrevo a seguir o trecho sobre o assunto, publicado no fascículo 12 da coleção “História dos Municípios do Pará”, que circulava na edição dominical do jornal A Província do Pará, em 1998. Acima está a primeira página da matéria sobre o Memorial e abaixo a segunda página.

Quando estive no Rio de Janeiro, a mando do governador Hélio Gueiros, para trazer valiosas peças que tinham pertencido ao general Barata e que estavam em poder de suas filhas Jandira e Jacira, acertei, com Levy de Campos Moura, marido de Jandira, que o corpo do ex-governador seria trasladado, da sepultura do cemitério de Santa Izabel, para a cripta do memorial. Posteriormente, preocupado com o estado em que estava o corpo, que fora embalsamado há quase 30 anos, consegui, de suas filhas, a devida autorização para fazer a exumação. Hélio Gueiros também deu o sinal verde. E na manhã de sábado, 4 de marco de 1989, foi aberta a sepultura e de lá retirado o caixão, transportado, em seguida para o Instituto Médico Legal.

Ao ato estiveram presentes, além de mim, o vice-governador Hermínio Calvinho Filho e seu pai (Rocque não registra, mas este teria sido motorista de Magalhães Barata); e os membros da comissão, Vicente de Paula Gueiros (embora aqui grafado “Gueiros”, deve ser “Queiroz”, destacado político do antigo PSD e que fazia parte da citada Comissão responsável pelos festejos do centenário de MB), José Luís Coelho e Fernando Gurjão Sampaio. Mais os médicos Edmundo Maia Guimarães, Filomena Brandão Barroso, Ângela Olívia e José Reinaldo Soares, que comandou a equipe. Por mim convocados, compareceram Rui Romariz e Monteiro Leite que, juntamente com Mariano Cavalero de Macedo, tinham feito o embalsamamento do cadáver de Barata (Mariano, quando da exumação, já tinha falecido).

José Reinaldo Soares, depois de examinar o corpo, garantiu que este não sofrera nenhum tipo de corrosão, tendo havido apenas uma saponificação, ou seja, um resultado positivo no método utilizado pelos médicos para o embalsamamento. E também explicou que, para reforçar o bom estado do cadáver de Barata, a equipe o submeteria a um novo trabalho, que em nada alteraria o embalsamamento, no qual utilizaria formol, naftalina, álcool benzóico, ácido fênico, produtos químicos que foram postos no colchão da urna de zinco para emanarem gases voláteis, que por sua vez manteriam o antigo método.

Na ocasião, Rui Romariz, que chefiara a equipe que embalsamara Barata, concedeu uma entrevista à imprensa, falando sobre o método utilizado para a conservação do cadáver, o qual era conhecido por "processo espanhol", e que tivera início há milênios pelos egípcios na mumificação dos faraós e que fora desenvolvido por peritos da Espanha. E essa técnica tinha sido usada várias vezes no Brasil, porém, em Belém, sua utilização tivera como precursores exatamente os três médicos que embalsamaram Barata.

Lembrou Romariz (na época com 75 anos) que com esse método embalsamara também o cadáver de Ramon Carrillo, primeira pessoa do governo do ditador Juan Peron, da Argentina, que falecera na mesma década de Barata e cujo corpo fora trazido de seu país para o Brasil, a fim de que o embalsamassem.

Depois, explicou que embora tivesse procedência egípcia, o método era bastante diferente dos demais, que utilizavam o processo de dissecação (com a retirada de todas as vísceras) que tinha sido coberta pela cola que estava em seu colarinho, e que derretera devido os produtos de embalsamamento.

Concluiu Romariz: "Eu esperava que o corpo estivesse bem conservado como o encontramos. Mas tinha as minhas dúvidas, uma vez que todas as técnicas científicas têm seus prós e contras".

O corpo de Barata foi levado de volta para a sepultura do cemitério de Santa Izabel, de onde sairia no dia 18 de abril em uma nova exumação e trasladado para o Palácio Lauro Sodré, onde ficaria em câmara ardente até o dia seguinte, ocasião em que o transportariam para o memorial. A urna de zinco que abrigava o corpo do general foi trocada por uma nova, já que sofrera corrosão, apresentando ferrugem em algumas partes. Toda a exumação de Barata foi devidamente filmada por Jorge Afonso de Nascimento Cruz.

A segunda exumação de Barata realizou-se na manhã de terça-feira, 18 de abril. Estive lá, juntamente com Iberê, Irecê, Jandira e Jacira Barata. Mais Fernando Gurjão Sampaio, Vicente de Paula Queiroz, Laércio Barbalho, Aurélio do Carmo, José Luís Coelho e Afonso Freire. Primeiramente levou-se o caixão para a capela do cemitério, onde foi aberto. As filhas de Barata não quiseram ver o corpo. Só o Iberê foi olhar. E lacrimejou. Fechado o caixão, transportaram-no para o carro fúnebre que o conduziria ao Palácio. O cortejo percorreu a avenida José Bonifácio, fazendo uma parada defronte da Escola de Enfermagem Magalhães Barata, tendo professores e alunos o saudado com pétalas de rosas. De lá desceu a avenida Conselheiro Furtado, ingressou na Padre Eutíquio e, sob chuva, parou defronte do quartel-general da 8a Região Militar, na praça da Bandeira, onde recebeu honras militares. Ao chegar no Palácio Lauro Sodré, o caixão foi retirado por soldados da Polícia Militar. Fiz a entrega solene ao governador Hélio Gueiros, que ali se encontrava, juntamente com sua esposa, professora Therezinha Gueiros.

Muitas pessoas que participaram desses atos solenes podem confirmar esta história, inclusive o ex-governador Aurélio do Carmo, citado como testemunha da segunda exumação, tendo visto, portanto, as condições do corpo e ouvido o testemunho dos profissionais envolvidos na operação.

O crime contra a memória de Magalhães Barata e contra o passado do Pará poderá ser ainda maior do que imaginam os amigos da história e os remanescentes baratistas ainda existentes pelas ruas de Belém.

 



Escrito por Fernando Jares às 12h49
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COZINHA EQUATORIAL AMAZÔNICA


Os quitenses vão saber hoje e amanhã o que tem na cozinha brasileira. Moradores de Quito, capital do Equador, vão conhecer o que é que tem na culinária amazônica, especialmente na paraense, encontrada pelas ruas de Belém.

O jovem chef paraense Thiago Castanho, dos restaurantes "Remanso do Bosque" e "Remanso do Peixe" está lá de mala, cuia e isopores para fazer dois jantares no elogiado restaurante “Lua” e uma palestra (amanhã), que, como se vê aí acima, é “Aula Magistral”, no Instituto de Gastronomia da Universidad de las Americas.

Thiago falará sobre “Mandioca, o pão da Amazônia Brasileira”, com exibição de dois vídeos e apresentará vários tipos de farinhas brasileiras, com reflexões que vão desde a importância sociocultural e histórica a usos tradicionais e modernos desse ingrediente.

Durante a aula vai desenvolver quatro receitas:

  • cuscuz de farinha d´água, leite de coco e camarões
  • vieiras, leite de coco e nhoque de banana da terra
  • peixe com tucupi, carimã e jambu
  • produção de farinha de açaí (na própria aula)

Para felicidade geral dos alunos e professores quitenses, após a aula, haverá uma minidegustação das farinhas e de um prato.

Nas duas noites Thiago Castanho comanda a cozinha do “Lua” e faz um menudegustação com cinco etapas:

  • Chibé de farinha d´água, camarões frescos e secos
  • Peixe com Tucupi e carimã
  • Vieiras com leite de coco, dendê, nhoque de banana da terra e castanha de caju artesanal
  • Rabada com açaí, farofa de açaí, mandioca e jambu
  • Bolinho de tapioca tofee de cumaru, leite de coco e tapioca caramelizada

 

É importante essa chegada até lá, quando os irmãos sul-americanos do Peru, agora mesmo no evento “Mistura”, e da Venezuela, ano passado no “Madrid Fusion”, estão implantando a cozinha amazônica como forte tendência em suas culinárias – e a exportando com sucesso. 



Escrito por Fernando Jares às 09h45
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ATENTADO À HISTÓRIA PARAENSE

VAMOS SEPULTAR MAGALHÃES BARATA, DE NOVO

Há 53 anos morria um dos governantes paraenses mais populares, mais conhecidos e perpetuados no Estado. Existem ruas, praças ou avenidas Magalhães Barata na maioria dos municípios, a partir da capital. Existe até um município chamado Magalhães Barata. E muitas escolas com esse nome. Na época de sua liderança política os eleitores eram baratistas ou antibaratistas. Seu enterro foi um acontecimento grandioso pelas ruas de Belém, que presenciei ainda garoto e que relembrei nestas linhas virtuais (para ler “Há 50 anos, o funeral de Magalhães Barata”, clique aqui).

Ao longo desses 50 anos muitas homenagens e registros históricos foram feitos, como dois avantajados livros com sua história, escritos pelo já falecido jornalista e pesquisador Carlos Rocque, ou o Memorial Magalhães Barata, construído para marcar os 100 anos de nascimento de MB, em 1988, obra do governo  Hélio Gueiros, seu antigo companheiro de partido (PSD), e inaugurado no ano seguinte. Tendo o formato de um chapéu de campanha, utensílio que acompanhava Barata em suas andanças, o memorial abrigava objetos pessoais e os restos mortais do grande caudilho paraense.

Há uns tantos anos, 8, 10, alguma autoridade decidiu abandonar o monumento e transferiu para o Museu do Estado (Palácio Lauro Sodré) o que lá havia. Diante de alguns reclamos de parentes, foi criada uma Sala Magalhães Barata. Não sei se ainda existe.

Há 20 dias o abandonado monumento foi arrombado e os restos mortais de Barata violados! O fato foi noticiado pelo jornal Diário do Pará (leia aqui).

O espantoso é os restos mortais estarem lá, abandonados! O arrombamento e o saque acontecem a todo momento, especialmente com as coisas públicas, infelizmente. Mas os restos mortais não terem sido transferidos... é um imenso desrespeito a um ex-governador que, em sua época, foi líder de grande parcela do povo paraense. Merece respeito! Não há obrigatoriedade de ele ser reverenciado por autoridades dos dias de hoje. Mas tem que ser respeitado. Que fique claro: esta não é uma manifestação política... papai não era baratista, muito menos o vovô e, no que cresci, não concordei com seus métodos, nem de seu partido. Mas o respeito.

Hoje o Amazônia Jornal afirma que nada foi feito no local, onde os restos de MB continuam espalhados!!!: “o caixão e também os ossos do ex-governador do Pará sequer foram removidos do espaço. Os restos mortais da autoridade continuam espalhados pelo chão (Leia aqui) E a Prefeitura anuncia que vai fazer um tapume em volta do monumento, que parece ser solução padrão da administração municipal para não fazer nada no que não lhes interessa. Existem outros exemplos.

Um bisneto de Magalhães Barata, Rogério Barata, escreveu sobre o assunto, sob o título que está lá em cima, carta que foi publicada no Diário do Pará (em 26/08) e na comunidade “Orgulho de ser paraense”, no Facebook (clique aqui).

O autor historia rapidamente os fatos e faz o apelo-título, que deveria ser ouvido pelas autoridades. Faço eco, com tristeza, para preservar o orgulho de ser paraense.

Transcrevo uma parte do publicado, por considerar relevante:

Sei de muita gente que ainda sente saudades do velho Barata e que vai religiosamente no dia de finados em Santa Izabel deposita suas exéquias naquela sepultura majestosa porque crê que ali estão os restos mortais de seu homenageado e penso que as obras arquitetônicas erguidas nas praças em homenagem aos grandes nomes da nossa história não necessariamente devam conter seus restos mortais senão como seriam as praças Dom Pedro I, II, São João, Batista Campos, Ruy Barbosa, Barão do Rio Branco, etc.

Por favor, justificando-se no ocorrido, levem de volta o corpo do meu bisavô para o cemitério de Sta. Izabel, pelo descanso eterno de sua alma com preceituam os costumes judaico-cristãos.

 

Memorial Magalhães Barata, foto de Odilson Sá, que capturei aqui.



Escrito por Fernando Jares às 13h25
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PAULO MARTINS, ANO -2

 

A HERANÇA DE PAULO MARTINS

O que é feito no Mistura é feito há 10 anos no Ver-o-peso com a cozinha paraense” disse ontem em uma conversa em seu perfil no microblog Twitter o chef Carlos Bertolazzi, dos restaurantes paulistanos "Zena Caffè" e "Spago". E ainda: “Gaston está pro Peru como Paulo estava pro Pará. O problema é nossa dimensão.

Referia-se o chef paulista ao “Mistura”, megafestival gastronômico que acontece este final de semana em Lima, Peru, considerado um dos maiores do mundo (para ver um filmete sobre, clique aqui); ao “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, realizado pelas ruas de Belém desde 2000; ao premiado chef peruano Gastón Acurio, do restaurante “Astrid y Gastón”, de Lima, 35º entre os 50 melhores do Mundo; e ao queridíssimo chef paraense Paulo Martins.

A “conversa” tuítica era com as jornalistas Alexandra Forbes e Luciana Bianchi (que estão em Lima), a chef Roberta Sudbrack (que fez palestra na abertura do “Mistura”) e Joanna Martins, do restaurante "Lá Em Casa", filha de Paulo Martins.

As frases de Bertolazzi soaram-me como uma grande homenagem a Paulo Martins, justo na véspera do segundo ano de sua morte. Sua obra é imorredoura, está na história da cultura gastronômica do Brasil, não apenas da Amazônia.

Paulo, criador da Nova Cozinha Paraense a partir de sólida base nas tradições cultuadas por sua mãe Anna Maria Martins, no restaurante “Lá em Casa”, não apenas desenvolveu novos sabores e saberes culinários, inovando no uso de ingredientes, como divulgou intensamente essa riqueza paraense. Pesquisou muito, sempre com um olho na cozinha e um olho na origem dos produtos que usava, preocupando-se com a qualidade intrínseca deles e sua sustentabilidade, especialmente nas questões sociais e ecológicas.

 “O Paulo em sua singeleza, em sua simplicidade me fez entender que, quando comemos tucupi, farinha ou uma gurijuba não estamos apenas colocando na boca o sabor da Amazônia. Cada um desses ingredientes veio de alguma família, de algum pescador. Cada um se beneficia com sua parte. Eu, com o cozinhar; os comensais, com os sabores; e o pescador, o caboclo e o índio, com o ato de prover. Cadeia simples, resultado lógico.” Assim o mais estrelado chef brasileiro, Alex Atala, referiu-se a Paulo Martins, no artigo “Herança de Paulo Martins”, para a Prazeres da Mesa, que você pode ler na íntegra clicando aqui. Acompanhando as mensagens lá em cima, pensei nesse artigo.

Muito já foi dito e escrito sobre o Paulo e seu trabalho, muito ainda será dito e escrito. Relembremos aqui mesmo neste espaço virtual, que cultua as melhores coisas e as melhores pessoas de nossa cidade, o que escrevi no dia de sua morte (clique aqui); sete dias depois, fazendo um levantamento de testemunhos e falares sobre ele (clique aqui), um ano após, lembranças sobre um legado de criatividade gastronômica (clique aqui). Vale também relembrar a visita de Ferran Adrià, Juan Mari Arzak e Alex Atala fizeram ao Paulo, já doente, que contei em “O dia em que um mago dos sabores veio visitar outro” (clique aqui).

Saudades dos amigos.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h25
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FESTEJANDO A INDEPENDÊNCIA COM...

...UMA FRUTUOSA DEPENDÊNCIA GASTRONÔMICA

O Ano de Portugal no Brasil começa hoje, 7 de setembro, mas pelas ruas de Belém começou, gastronomicamente, na terça (04/09). O reconhecidamente competente e criativo chef português Vitor Sobral, do “Tasca da Esquina”, de Lisboa, juntou-se aos também reconhecidamente competentes e criativos jovens chefs paraenses Thiago e Felipe Castanho, do “Remanso do Peixe” e “Remanso do Bosque” para fazer da edição de setembro do programa Visita Gourmet um festival luso-brasileiro-paraense de boa comida.

Logo ao chegar fomos saudados, Rita e eu, pela singular e alegre figura do responsável por toda essa história, Francisco Santos, ou Chicão, pai dos meninos Castanho e criador, juntamente com sua simpaticíssima esposa, d. Carmen, além dos dois jovens, do “Remanso do Peixe”.

O opíparo encontro das culturas gastronômicas portuguesa e brasileira, com forte interferência dos ingredientes paraenses, começou com três entradas apresentadas como Amuse Bouche.

“Gaspacho com azeitonas secas e chicória”, servido em copinhos a fazer um processo de preparação para a atividade intensa a que seriam submetidas as papilas gustativas e que, até aquele momento, quedavam-se em descanso, envolvidas por um agradável vinho chileno (os portugueses tinham preços muito elevados para o meu saldo bancário...). Mostro aqui uma foto “álbum de família” dos gaspachos, ainda na cozinha, buscada no twitter do Thiago Castanho:

 

O segundo a circular pelas mesas foi um pão de queijo com toques de chouriço, unindo dois ícones desse misto transatlântico:


Quando o solitário “pastel” de bacalhau pousou sobre a mesa emitiu um perfume finíssimo, característico do bom bacalhau, plenamente correspondido no sabor. E não era de se esperar diferente, no trabalho de um mestre nos bacalhoismos, como Vitor Sobral. Mantenho as aspas no pastel, apresentadas no cardápio, embora discorde delas. É que entendo que os “pastéis” são nesse formato e com muito bacalhau na massa, como muito se usa em Portugal, enquanto os “bolinhos”, tal como os usamos habitualmente no Brasil, são em forma de bolinhas, nem sempre pródigos no peixe... A minha avó paterna, portuguesa de Vila Nova de Gaia, os fazia muito bem, com uma característica: tinham a capa lisinha e extremamente crocante (ui, porque as avós não são eternas?).

 

Abrindo o menu eis que volta o príncipe dos mares gelados do norte: “Carpaccio de Bacalhau de Cura Portuguesa”. Finíssimas fatias, temperadas com saber, transmitem um sabor novo ao centenário alimento lusitano. Uma redução radical do tucupi era coadjuvante, dando ao prato o toque paraense e o tomate confitado era atração na festa pelos interiores da boca, com uma "farinha" de gema de ovos a completar a decoração. Quem lembra da famosa cachaça de Abaeté, que de tão branquinha, transparente, era considerada "azulzinha"? Pois é, este bacalhau repete a transformação cromática, ajudado pela pedra em que é servido...

 

Visto assim do alto mais parece um... tacacá... Assim diferente? Mas é numa cuia! Ahh, parece uma sopa! E o é. Ops, na verdade é um “Consomé de Atum Fresco e Aviú”. O caldo é ingrediente fundamental, o segredo, o pulo do gato, no conjunto que forma. O gosto é ao mesmo tempo suave e forte, harmonizando muito bem o atum e o aviú com um gostinho de açaí (branco), um jambu bem escolhido e a assinatura lusitana dos coentros. Chegava à mesa a cuia com os ingredientes e aí vinha outro garçom a colocar o caldo fervente. Veio com uma colher para ser degustado, mas o caboco aqui acabou por tomar diretamente da cuia (vício cultural? Mas mano, tinha até açaí na mistura).



E lá vem o sr. Bacalhau de volta, para alegria das papilas gustativas a bom trabalhar nesta noite (amanhã descansarão com alfaces e outras comidas de jabuti, a compensar...). Um belo “Lombo de Bacalhau Confitado”, com um purê de vieiras, com leve toque adocicado, e espinafres, jambu, toucinho, uma batatinha ariá e azeite que até deixava reflexos dourados no prato. O visual era atraente, como convém à gastronomia contemporânea e casa bem com os gostares lusos de comidas bonitas, mas o sabor era soberbo. A correta junção do processo de cocção com o ingrediente e os temperos, e destes com o acompanhamento,fez dele o campeão da noite, opinião unânime em minha mesa.


Muito comum nas mesas europeias – que consome muitos animais de corte de pequeno porte – o cordeiro não é tão popular no Brasil. Embora este “Cordeiro e Carne de Sol”, tenha chegado à minha mesa em temperatura inferior à desejada, estava delicioso. A combinação das duas carnes, tão queridas e representativas das duas culturas culinárias em “discussão” no jantar, foi no ponto exato e o tratamento, aqui preparadas ao estilo de uma terrine, conseguiu dar-lhe uniformidade em consistência, em aparência e sabor. O acompanhamento de legumes, palmito de pupunha fresco e farofa de (com) hortelã fazia correto contraponto ao gosto forte das duas carnes unidas em uma só forma.


Agora chegamos às sobremesas, sempre uma das minhas partes preferidas da refeição e, principalmente, com a “alma portuguesa” a rondar a cozinha – como são gostosos os dulcíssimos doces portugueses! A primeira rodada trouxe um copinho próprio para estes minidoces com um “Shot de graviola” com sorvete de vinho do Porto seco. Confesso, e acho que já disse isso antes, que não sou gravioleiro, uma das raríssimas frutas nossas de que efetivamente não gosto, ao contrário do gosto da Rita, gravioleira de sete costados e nascença. Mas o sorvete de vinho do Porto, sumano, estava algo paradisíaco, como o são os melhores vinhos. Égua da gostosura! Trata-se de criação do Felipe Castanho e execução da Cairu - tomara que entre no cardápio do restaurante e da sorveteria, pois tenho uma cá perto de casa... Pode ser produto turístico: tomar um "porto de honra" na forma de sorvete, nada mais tropical para um visitante europeu. Ah, sim, combinava certinho com a graviola, que acabou sendo bem consumida...

 

Aguardado com especial ansiedade pelas minhas pra lá de excitadas papilas, eis que chega o “Pudim de Abade de Priscos” na interpretação dos três chefs que comandam o festim, com azeitonas e sopa fria de tomate e maracujá. O tradicional doce conventual do sr. Abade de Priscos estava lá, perfeito, com as inovações sobralescas de sucesso transatlântico, a textura conveniente (dizem que os bons pudins não precisam ser mastigados...). As azeitonas secas e a sopa de tomate e maracujá complementam o sabor e a beleza do prato, combinando com os ingredientes que compõem o pudim. A decoração contava com uma tuille de azeitonas, crocante e no ponto, a completar a festa. Assim é bom depender... gastronomicamente... dessa cultura tão saborosa!

EXTRA: Olhando para a foto abaixo, não pense que foi servida uma baguete francesa... Bem, a verdade é que havia algo semelhante no salão do restaurante... Mas era apenas a minha nova caneta para usar em eventos gastronômicos, comprada em um bugugangueiro na França. Reproduz com bastante fidelidade uma baguete, muito miniaturizada. 

Mas é apenas uma caneta, como comprova a foto aberta, abaixo...




Escrito por Fernando Jares às 13h27
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ESPAÇO POSITIVO PARA A GASTRONOMIA PARAENSE

“O tucupi tem uma acidez perfeita!”

Chef Claude Troisgros, hoje (04/09), no programa
 “Mais Você”, Rede Globo/TV Liberal, de Ana Maria
Braga, ao apresentar o “Ceviche CT”. A receita está aqui.

“O Estado do Pará e seus açaís, bacuris, jumbus e tucupis ainda vão ganhar relevância gastronômica internacional - e graças ao trabalho de bastidores de seus chefs.” Começa assim o texto em que o jornal Valor Econômico informa sobre a realização do programa “Visita Gourmet”, no restaurante Remanso do Bosque, hoje e amanhã, com a presença do premiado chef português Vitor Sobral.

O Valor destaca o valor do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” (que, em 2005, teve a participação de Vitor Sobral) nessa escalada:

Tudo começou no ano 2000, com Paulo Martins, do Lá em Casa, e o primeiro Festival Ver-o-Peso. O evento chegou à 10ª edição no último mês de abril e reuniu 22 chefs, além de patrocinadores e uma legião de gourmets profissionais e amadores.”

A seguir apresenta o trabalho do jovem chef paraense Thiago Castanho e informa: “Desde janeiro, o moço - eleito em 2011 chef do ano e revelação por publicações especializadas - organiza em seu Remanso do Bosque jantares especiais com convidados”, citando que já estiveram aqui pelas ruas de Belém Raphael Despirite (Marcel), Rodrigo Oliveira (Mocotó), Roberta Sudbrack (RS) e Shin Koike (Aizomê). E que os próximos serão Alberto Landgraf (Epice), Helena Rizzo (Maní) e Alex Atala (D.O.M.). Leia o texto completo do Valor clicando aqui.

O jantar desta noite e de amanhã (ambos têm o mesmo cardápio) é criado a seis mãos por Vitor Sobral, Thiago Castanho e Felipe Castanho:

Amuse Bouche:

  • Pastéis de bacalhau
  • Gaspacho com azeitonas secas
  • Pão de queijo com chouriço e coentros

Menu

  • “Carpaccio de Bacalhau de Cura Portuguesa”, redução de tucupi e tomate confitado
  • “Consomé de Atum Fresco e Aviú”, açaí branco, jambu e coentros
  • “Lombo de Bacalhau Confitado”, vieiras e espinafres
  • “Cordeiro e Carne de Sol”, cogumelos, palmito fresco e farofa de hortelã
  • “Shot de Graviola” e sorvete de Vinho do Porto seco
  • “Pudim de Abade de Priscos” com azeitonas e sopa fria de tomate e maracujá

Confirmando o que afirmo sempre: os eventos gastronômicos conseguem excelentes espaços positivos na mídia nacional, trazendo divulgação simpática para o Estado – o que, infelizmente, nem sempre é comum. Além desse comentário precioso no Valor, ou os de Claude Troisgros, hoje no “Mais Você”, muitos outros apareceram em sites e publicações nacionais referentes ao “Visita Gourmet”, como no “Comes e Bebes”, do jornalista Marcelo Katsuki, no site da Folha de S. Paulo (aqui), ou o grande espaço no @dressbook do jornalista português João Miguel Simões (aqui), na Prazeres da Mesa (aqui), na Menu (aqui) e muitos outros endereços famosos.


“Infinito particular” foi o título da nota do jornalista
Rodrigo Uchoa, em sua página Blue Chip, no jornal
Valor Econômico, de circulação nacional.



Escrito por Fernando Jares às 16h35
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FÓRUM PARAENSE DE LETRAS/2012

“A POESIA DA EDUCAÇÃO”


Por uma (trans)formação poética da escola, do professor, do aluno
é o tema do Fórum de Paraense de Letras deste ano, que foi buscar
em um dos fantásticos exercícios de metamorfose
de Escher sua representação gráfica.

Ao divulgar o 18º. Fórum Paraense de Letras da Unama, que acontece agora de 18 a 20 de setembro, no campus Alcindo Cacela, a professora Célia Jacob cometeu uma pequena indiscrição, de extraordinário valor literário: revelou para uma lista de amigos e participantes do evento o autor dos apreciados e sempre consistentes editoriais do semanário Comunicado Unama, uma das mais antigas e regulares publicações universitárias do Brasil – está no 32º ano de circulação e o desta semana tem o número 1673!

Pois bem, o autor é o jornalista, professor e acadêmico (da Academia Paraense de Letras) João Carlos Pereira. Discretíssimo, nem tem o seu nome no expediente do semanário. E logo teve o cuidado de esclarecer ao mesmo público que recebeu a mensagem: “Obrigado, Célia, pela gentileza do crédito, porque o Editorial não tem assinatura. Embora algumas pessoas saibam que, há alguns (muitos) anos, ele é preparado por mim, continuo (e assim desejo) anônimo editorialista. Esse, enfim, é destino o dos que escrevem editoriais. Mais uma vez, obrigado.” Uma revelação que agrega valor à publicação!

Cronista das segundas-feiras de O Liberal, autor de inúmeros livros, alguns dos quais tenho cá perto de mim, dono de um estilo agradável e, principalmente, corretíssimo, não tive como deixar de fazer este registro e, com ele, homenagear um mestre da língua e literatura que nos orgulha viver pelas ruas de Belém.

Agora, para homenagear os leitores, nada melhor do que o texto completo do citado editorial do Comunicado Unama de 3/9/2012, o qual você pode ler na íntegra clicando aqui.

A poesia para transformar

O tema do 18º. Fórum Paraense de Letras – por uma (trans) formação poética da escola, do professor, do aluno – é, em teoria, uma provocação. E das boas. Na prática, revela não apenas a maturidade do curso que o organiza, como aponta para o que, de fato, aparece como única possibilidade verdadeira para o futuro da escola, do professor e do aluno, que não seja o velho e já desacreditado sistema de educação, batizado por Paulo Freire de “bancário”.

Ao propor a (trans) formação poética da escola, do professor e do aluno, o Fórum não teve medo de ousar. Por ser o curso de Letras o que, entre todos os da UNAMA, mais de perto toca ao coração do texto, cada palavra foi escolhida com impressionante precisão. A decomposição, ou fracionamento – para usar uma palavra da moda – do verbo transformar indica, a começar pelo prefixo trans, que a forma será alterada por algo que passará por seu interior. Haverá, na forma de interação escola x professor x aluno, uma mudança. Só isso daria pano para muitas mangas. Mas o Fórum achou pouco e avançou.

A proposta de (trans) formação não pode acontecer de qualquer maneira. O modo como a formação será alterada precisa ter o componente poético na base do processo. A palavra poética é originária do grego Poyésis, que significa criação ou produção. Sua raiz mais antiga é poien, que quer dizer fazer ou realizar. Como se vê, mais pano para mais mangas.

Uma transformação centrada no fazer, no agir e, sobretudo, na produção, tendo como referência a beleza, o novo e o renovador, tem tudo a ver com a possibilidade (real) de se criar um novo conceito para o papel da escola e de suas personagens principais: o aluno e o professor. Poyésis, em bom português, é todo processo criativo, que deve ser entendido como uma forma de sabedoria e de conhecimento. Em “O Banquete”, Platão utiliza a expressão para mostrá-la como “a causa que converte qualquer coisa que consideremos de não ser em ser”.

De 18 a 20 de setembro, a UNAMA vai refletir sobre um tema que transita por diferentes vertentes do conhecimento, em busca de um norte transformador. O curso de Letras será o agente provocador dessa proposta poeticamente ousada ou ousadamente poética, o que vem a ser uma só e mesma coisa.

Se precisasse de alguém que, em si mesma, sintetizasse a poética de transformação, o curso não poderia ter ido buscar outra pessoa para ser madrinha do Fórum, que não fosse a professora Josse Fares. Ela, com seu jeito doce de ser, ensinou a várias gerações o sentido poético da transformação pelo saber. A isso se chama a poesia da educação.



Escrito por Fernando Jares às 17h57
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