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PELAS RUAS DE BELÉM


PAPÁVERUM MILLÔR

UMA POESIA MATEMÁTICA

Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Era eu ainda muito novo, na época em que se estudam essas coisas de quocientes e incógnitas (seria meu professor o Manoel Carneiro ou o Moutinho?) quando ouvi pela primeira vez uma poesia humorística que começava assim e, ao tempo em que fazia-nos rir, em casa, ao ver a TV Marajoara, ajudava a considerar termos como hipotenusa, catetos, primos-entre-si mais normais...
Quem dizia esses versos na televisão preto e branco? Armando Pinho, o maior humorista pelas ruas de Belém naqueles tempos e acho que referência inigualável até hoje. O programa poderia ser “O mundo alegre de Armando Pinho”, um dos diversos em que trabalhou na sempre lembrada TV Marajoara. O texto era “Poesia Matemática”. O autor: Millôr Fernandes, que hoje se foi, contar histórias, criar frases no céu.
Uma dúzia de anos depois, já casado, meu cunhado Renato, morando em Brasília, liga-me a ver se eu tinha a dita cuja “Poesia Matemática”, do Millôr. Eu não tinha. E não havia ainda internet pública, muito menos o Google. Mas achei que poderia conseguir: lembrava-me perfeitamente dela e das declamações do Armando Pinho na TV. Descobri o endereço dele e fui até lá. Conversamos e ele foi pronto e positivo, conseguindo-me cópia da poesia, que pude remeter ao cunhado. Hoje o Renato (Guerreiro) já se deve ter encontrado com o Millôr lá em cima.
Em homenagem a esse grande intelectual, gênio multifuncional e multimídia, ultratalentoso escritor, poeta, jornalista, cartunista, roteirista de cinema, autor de teatro, tradutor, frasista emérito, etc, etc. aqui está o texto completo da
POESIA MATEMÁTICA
Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos romboides, boca trapezoide,
Corpo octogonal, seios esferoides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas senoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.


Publico a seguir outro clássico do mestre, “Papáverum Millôr”, escrito em 1962, dando instruções para seu pós-morte. Ambos os textos eu os recebi do sítio eletrônico “Cais do Silêncio – Literatura de Jason Carneiro”, que envia aos seus assinantes, todas as quartas-feiras, um poema universal, sempre com comentários preciosos. Hoje, rompendo a regra, enviou dois, ambos de Millôr, que sempre mereceu que as regras fossem quebradas.
Depois do Papáverum, está um cartum de Millôr Fernandes tendo como cenário um cemitério, que copiei hoje da coluna “Pif-Paf”, da revista O Cruzeiro, edição de 08/06/1963, Mostrei-a no Twitter – veja clicando aqui.
PAPÁVERUM MILLÔR
Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossego
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre folhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos.
(Como eu).
E, como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a lage do meu túmulo
Com a raiz poderosa,
Haja a vaga impressão
De que não estou na morada.

Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome,
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora,
Preso à angústia infinita
Do ser e do não ser.
Ficarei entre ratos, lagartos,
Sol e chuva ocasionais,
Este sim, imortais.
Até que, um dia, de mim caia a semente
De onde há de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr.



Escrito por Fernando Jares às 23h14
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – 2ª PARADA

Nossa segunda parada no roteiro do Circuito Gastronômico do X Ver-O-Peso da Cozinha Paraense nos leva em um dos mais tradicionais restaurantes de Belém: o “Avenida” que desde sua fundação (em 1945!) ocupa a mesmíssima privilegiada esquina das avenidas Nazaré e Generalíssimo Deodoro, em frente ao Santuário de N. S. de Nazaré – apenas, em certo momento, mudou de lado, ficando totalmente frontal ao Santuário. O consolidador da casa, Fernando José de Oliveira, português, assumiu o posto em 1954 (faleceu em 2000) e hoje seus filhos tocam com as mesmas características o restaurante. Leia mais sobre o restaurante clicando aqui.

Parada Nº 2 – AVENIDA

O PATO NOS BRAÇOS DO BACURI


Foto oficial do prato do “Avenida” (clique aqui).

Caso explícito de traição amazônica, o pato fugiu dos braços do tucupi, com quem vivia há séculos, sendo assim servido nas melhores casas, restaurantes e feiras pelas ruas de Belém, e se entregou, de peito e alma, a uma das frutas de sabor mais cativante da região, o bacuri. Assim nasceu o prato com que o restaurante “Avenida” participa do Circuito Gastronômico do VOPCzPA: “Peito de pato assado com molho de bacuri” (R$ 40,00).
Embora a descrição do prato seja bem modesta, pode-se dizer que, no conjunto, a obra estava muito saborosa. Ponto para o molho de bacuri, bem equilibrado, explorando o sabor da fruta – de uso tradicional em doces e sorvetes, mas com um viés culinário cada vez mais acentuado – e que tinha a companhia de outro trunfo dos ingredientes paraenses, a castanha-do-pará, a contribuir para o bom paladar. Os peitos do pato estavam até levemente crocantes e a carne combinava bem com o molho, trazendo ao prato um leve toque acridoce. Tudo estaria muito bom não fosse o fato de que o miolo de cada peça estava malpassado, malpassadíssimo, ao estilo rosbife... Pato malpassado não “passa” bem... Isso contrastava com a parte exterior que, além de no ponto adequado e saboroso, estava dourada, bonita e atraente. Uma questão de técnica na preparação do prato, que precisa equilibrar o cozimento externo e interno.
Abrimos os trabalhos com uma dose de bolinhos de bacalhau e a Rita, mais comedida e tradicional, foi a um “Filé à Francesa”, grelhado, com batatas palha, legumes e presunto em tão boa quantidade que permitiu levar uma quentinha para o almoço do dia seguinte.
O “Peito de pato com molho de bacuri” que me foi servido é o que está na foto abaixo e, como dá para notar, foi aquinhoado com bem menos “filhos” de bacuri (para quem é de fora: são como que “gomos” de pura fruta, entre os caroços) do que o modelo que posou para o fotógrafo oficial do X Ver-O-Peso da Cozinha Paraense...

CIRCUITO COMPLETO
Confira os demais restaurantes participantes do Circuito Gastronômico e respectivos pratos:
A Forneria
Camarão ao curry paraense
Benjamin
Ragu de pato com gnocchi de mandioquinha e jambu com confit de pato desfiado
Cantina Italiana
Tagliarini de vinagreira ao ragu de filhote
Famiglia
Ravióli de pato com tucupi reduzido e pesto e jambu com confit de pato desfiado
Famiglia Sicilia (antigo D. Guiseppe)
Ravióli de bacuri em massa de jambu com molho de camarão e chicória
Lá em Casa
Leia sobre o “Tucunaré do Ver-o-Peso” clicando aqui.
La Madre
Ravióli recheado com camarão e pupunha
Remanso do Bosque
Ravióli de pirarucu defumado
Sushi Ruy Barbosa
Tiras de filé com queijo-do-marajó e risoto de castanha
Tutto
Confit de Canard ao molho de laranja com creme de pupunha

 



Escrito por Fernando Jares às 17h27
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FEIRA GASTRONÔMICA PARAENSISTA

BANDEIRAS COM GOSTOS E SABORES PARAENSES


A cozinha paraense, que conquista espaços generosos nacionalmente e também no exterior, embalada em sofisticados pratos da alta gastronomia, com assinaturas famosas, também é atração cá pelas ruas de Belém. Sim, por aqui, santo de casa faz milagre!
Gostou dessa bandeira “gastronômica” do Pará aí em cima? Eu gostei por demais. Tem uma simbologia muito forte! Uma composição criativa une nossas vermelhas pupunhas, uma faixa branquinha de farinha de tapioca e, no centro, uma rodela de carambola em seu formato de estrela na cor original, amarelada – seria azul, no desenho oficial da bandeira do Pará, mas pode ser considerada uma “licença design”...

Pois bem, essa montagem culinaresca-paraensista é a ilustração de um anúncio da feira gastronômica "Pará de Todos os Gostos, Todos os Sabores", promoção do jornal Diário do Pará que acontece nos dias 31 de março e 1º de abril no Mezanino da Yamada, no Shopping Pátio Belém. Esta feira faz parte do programa “Orgulho de ser do Pará” que o jornal promove desde 2009 e que na fase atual vem mostrando as maravilhas e belezas da cozinha paraense, em fascículos semanais. O fascículo do tacacá, por exemplo, está aqui. Os tíquetes para a degustação das iguarias na feira são obtidos com a troca de cupons publicados no jornal durante esta semana. Para mais informações, clique aqui.
Segundo o Diário os petiscos serão servidos em pequenas cuias com maniçoba, tacaca e mujica de piracuí, entre outras. Como sobremesa biscoito de castanha, alfenim e bombom de cupuaçu. O local receberá decoração que remete a pontos turísticos do Estado e o Grupo de Teatro Encenação vai apresentar o espetáculo "Navegando nos quatro cantos do Pará" que apresentará a cultura gastronômica parauara em atos divertidos espalhados durante o funcionamento da feira.
É, sumano, a cozinha paraense está bombando. Não é que, logo em seguida, em abril, acontece o festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, como está em posts logo abaixo.  Você viu na Veja desta semana a matéria sobre o livro “Sabor do Brasil”?
Aqui embaixo outra alegoria muito legal: ingredientes da cozinha paraense “invadem” a bandeira brasileira – jambu, pimenta de cheiro e açaí, passando a imagem da invasão pacífica e deliciosa dos gostos e sabores desta nossa terra pelo Brasil afora. É a ilustração de outro anúncio da mesma campanha do Diário do Pará.



Escrito por Fernando Jares às 18h59
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A COZINHA QUE ENCANTA

UMA RIQUEZA CULTURAL PARAENSE PARA O MUNDO


Você já foi ver a exposição fotográfica “Comida Nossa” do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense no Boulevard Shopping? Cheguei e fui logo tendo a visão acima, que não deixei de registrar na foto. Havia outras pessoas também fotografando. Fica no segundo piso, em frente à Saraiva. Tem trabalhos belíssimos de alguns de nossos melhores fotógrafos e o conteúdo é delicioso: ingredientes, cenários e pratos de nossa melhor gastronomia.
O festival X Ver-o-Peso da Cozinha Paraense acontece agora em abril, de 11 a 15, mas o “esquenta” já começou, com essa exposição e com o Roteiro Gastronômico em onze restaurantes – no post imediatamente abaixo você sabe de todos eles e conhece o prato do primeiro que visitei.
Veja algumas das estrelas da alta gastronomia nacional que circularão pelas ruas de Belém nesses dias, fazendo palestras, ministrando aulas, cozinhando em altíssimo estilo:
    Alex Atala (D.O.M./SP)
    Almir da Fonseca (Flavor Source/EUA)
    Ariani Malouf (Mahalo/MT)
    Arnor Porto (Emiliano/SP)
    Bel Coelho (Dui/SP)
    Beth Beltrão (Virada´s do Largo/MG/Tiradentes)
    Carlos Bertolazzi (Zena Caffè/SP)
    Helena Rizzo (Maní/SP)
    José Barattino: Emiliano (SP)
    Mara Salles (Tordesilhas/SP)
    Mônica Rangel (Gosto com Gosto/RJ/Visconde Mauá)
    Wanderson Medeiros (Picuí/AL)
Mais os chefs residentes:
    Daniela Martins (Lá em Casa)
    Fabio Sicilia (Famiglia Sicilia)
    Thiago Castanho (Remanso do Peixe)
ABERTURA – O VOPCzPA propriamente dito, em sua décima edição, começará com o Jantar de Abertura (11/04) com os jovens chefs paraenses Enzo Luzi (Cantina Italiana); Felipe Gemaque (Casa do Chef); Ilca do Carmo (Santa Chicória); Solange Sabóia (Santa Chicória). Saiba mais clicando aqui.
BENEFICENTES – Nos dias 12 e 13 acontecem Jantares Beneficentes pelos Grandes Chefs presentes com cardápios exclusivos (entrada, prato principal e sobremesa) harmonizados com vinhos e com direito a um exclusivíssimo prato da Boa Lembrança, disponível apenas nas noites destes jantares. Parte da renda será destinada ao Projeto Criança Vida. O convite custa R$ 190,00 por pessoa, e pode ser adquirido no estande do Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, no 2º piso do Boulevard Shopping. Saiba mais clicando aqui.
BOIEIRAS – Um ponto verdadeiramente exclusivo neste grande festival criado pelo sempre lembrado chef Paulo Martins é o Jantar das Boieiras, que fecha o evento, dia 15/04, domingo. Trata-se de um encontro único que reúne os Grandes Chefs a trabalhar em parceria com as boieiras do Ver-o-Peso, que vêm a ser as mulheres que fazem a “boia” que alimenta (e bem!) quem trabalha na grande feira e os que a frequentam – muitos dos quais até lá vão especialmente para fazer uma boquinha nestas delícias...
Infelizmente este ano o Jantar das Boieiras não será no Ver-o-Peso o que faz com que perca grande parte de seu charme e o descaracterize inteiramente. A riqueza daquele ambiente secular trocada por um cenário... Vai ser no Hangar, lugar para feiras em outro sentido inteiramente diferente... O convite custa R$ 30,00, com direito a duas degustações. Pode ser adquirido também no estande do Ver-o-Peso da Cozinha Paraense, no 2º piso do Boulevard Shopping. Saiba mais clicando aqui.
IMPORTÂNCIA – Para aqueles
(principalmente autoridades) que não conseguem ver a importância de um acontecimento como este para o turismo, para a gastronomia, para a economia paraense, transcrevo comentário da jornalista e blogueira Alexandra Forbes, que escreve sobre viagens e gastronomia nas revistas Casa Vogue, Wish Report e Prazeres da Mesa sendo ainda editora de gastronomia da GQ Brasil e colunista do jornal Folha de S. Paulo.
A graça, para uma paulistana como eu, não está em ver, mais uma vez, conhecidos chefs do Sudeste cozinhando ou dando aula, claro. O ponto importante desse evento, acho eu, é que ele joga luz na tão mal-conhecida cozinha paraense. Cada chef paulista ou carioca que vai a Belém e volta encantado com um ingrediente ou uma receita ajuda a disseminar informação sobre o que se come de bom naquele "outro Brasil". É aquela velha história: enquanto nós brasileiros não conhecermos o que temos, não temos a menor chance de solidificar, lá fora, a imagem de nossa gastronomia, qualquer que seja ela.” Aproveite para ler o (ótimo) post completo, clicando aqui.
A boa exploração da gastronomia como recurso regional gera trabalho e renda para milhares de pessoas, do pescador e agricultor ao empresário exportador, além de hoteleiros, restauranteiros, taxistas, etc. – a conhecida cadeia de distribuição de renda do turismo.



Escrito por Fernando Jares às 12h21
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – 1ª PARADA

Há uma safra de novos pratos com o selo parauara de alta gastronomia espalhados pelos melhores restaurantes da cidade. São onze as casas que aderiram ao projeto Circuito Gastronômico do X Ver-O-Peso da Cozinha Paraense e apresentam criações exclusivas para esta fase de preparação ao festival, unindo as técnicas culinárias da especialidade de cada um deles com os melhores ingredientes da cozinha paraense. O festival propriamente dito acontece de 11 a 15 de abril, quando estarão na cidade alguns dos mais badalados chefs de grandes restaurantes brasileiros, gente premiada e reconhecida internacionalmente, comandando palestras, cursos, concursos e jantares beneficentes.
Vamos fazer um passeio pelas ruas de Belém para conhecer os pratos participantes. Venha com a gente, vamos ao primeiro visitado.

Parada Nº 1 – LÁ EM CASA

UM TUCUNARÉ BEM ACOMPANHADO

Foto oficial do prato do “Lá em Casa” no site do VOPCzP (clique aqui)

Nada mais justo do que começar esta digressão gastronômica a partir do local onde tudo começou. O chef Paulo Martins, criador do restaurante “Lá em Casa”, juntamente com sua mãe Anna Maria, foi o idealizador do que é hoje considerado o mais importante festival brasileiro de gastronomia voltada às raízes regionais. Fazia ele questão de fixar a base, a origem, a gênese da cozinha paraense: a fantástica feira do Ver-o-Peso, sem dúvida a mais perfeita síntese da cultura local, amazônida, nortista – especialmente a cultura gastronômica. Por isso ele chamou o festival que criou de Ver-O-Peso da Cozinha Paraense.
Paulo Martins se foi antes da hora, na visão de quem o quer bem, mas deixou conhecimentos, técnicas, caminhos definidos e enraizados em uma cozinha que continua seu trabalho, com a liderança da filha, a chef Daniela Martins.
Foi Daniela que criou o prato que este restaurante apresenta no Circuito Gastronômico: “Tucunaré do Ver-o-Peso”, cuja descrição indica que tem o tucunaré ao forno com ervas da Amazônia, acompanhado com batata cará salteada com jambu e arroz de castanha-do-pará (R$ 49,00)

Foi assim, como na foto acima, que o tucunaré chegou à minha mesa, com cara de estou aqui para te alimentar... E cumpriu muito bem o seu papel, acrescentando agradável prazer ao ato puramente material de comer...
Fazia tempo que eu não comia cará, ao qual nunca associei a palavra “batata” – ele é, de fato, uma batata, tubérculo, mas cará era cará e batata era batata, cará é masculino, batata é feminino. O tratamento adotado na preparação, salteamento, com a colaboração inconfundível do jambu, valorizou o sabor rústico, florestal, digamos assim, do cará. Do tucunaré nem se precisa falar: é para mim um dos mais gostosos peixes de nossos rios e, bem temperado como estava este, delícia – apenas algumas pequenas espinhas escaparam ao cuidado da cozinha. Mas, como dizia minha querida Tia Carmen, "peixe é peixe, meu filho, cuidado". Além de saboroso, este é um peixe com história (já experimentou ou viu algum tucunaré ser fisgado? Como luta para livrar-se do anzol!) e com beleza próprias. O arroz de castanha-do-pará veio a calhar muito bem, combinando com um peixe de sabor marcante, sem brigar com ele, graças aos temperos utilizados.
Conclusão: o prato é muito digno do nome adotado, pois, como o mercado do Ver-o-Peso, é quase uma redução da floresta amazônica: tucunaré, cará, castanha-do-pará e jambu.

CIRCUITO COMPLETO
Confira os demais restaurantes participantes do Circuito Gastronômico e respectivos pratos:
A Forneria
Camarão ao curry paraense
Avenida
Peito de pato assado com molho de bacuri
Benjamin
Ragu de pato com gnocchi de mandioquinha e jambu com confit de pato desfiado
Cantina Italiana
Tagliarini de vinagreira ao ragu de filhote
Famiglia
Ravióli de pato com tucupi reduzido e pesto e jambu com confit de pato desfiado
Famiglia Sicilia (antigo D. Guiseppe)
Ravióli de bacuri em massa de jambu com molho de camarão e chicória
La Madre
Ravióli recheado com camarão e pupunha
Remanso do Bosque
Ravióli de pirarucu defumado
Sushi Ruy Barbosa
Tiras de filé com queijo-do-marajó e risoto de castanha
Tutto
Confit de Canard ao molho de laranja com creme de pupunha



Escrito por Fernando Jares às 22h34
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GASTRONOMIA MULTISSENSORIAL

COMBINANDO TÉCNICA, CONHECIMENTO E SENSIBILIDADE


De um restaurante de São Paulo, o “Mocotó”, fundado por um pernambucano do sertão, hoje comandado por seu filho, criado entre mesas e panelas, que estudou engenharia ambiental e pulou para a gastronomia, saem receitas que agradam gourmets e gourmands pelo Brasil e pelo mundo. Pelas mãos de um dos mais respeitados estudiosos da gastronomia nacional, jornalista e sociólogo Carlos Alberto Dória, o jovem paulistano Rodrigo (Mocotó) Oliveira ficou amigo de um jovem paraense com história muito semelhante, Thiago Castanho. Os dois, sob as “bênçãos” do mesmo Dória, reuniram-se há dias aqui pelas ruas de Belém, para mais uma edição do programa “Visita Gourmet”, no restaurante “Remanso do Bosque” (R$ 130,00 por pessoa), ainda com a participação de Felipe Castanho, também do Remanso. Foi um caprichado festival gastronômico, uma experiência multissensorial com cores, sabores e odores brasileiros em leitura criativa e de bom gosto... literalmente. Combinação de técnicas, conhecimentos e sensibilidade. Vamos fazer um passeio pelos pratos que foram servidos (em 10/03) com ligeira apresentação de cada um.
Tudo começou com um amuche bouche, que vem a ser um pequeno agrado à boca, geralmente uma cortesia do chef, que é quem o escolhe. Neste caso, fazia parte do cardápio, mas via de regra não o faz:

Dadinhos de Tapioca, pedida tradicional do “Mocotó”, que são cubinhos de tapioca com queijo-de-coalho dourados e servidos com molho de pimenta agridoce e decorados com manjericão. Ao fundo na foto, o couvert: pão rústico da casa, manteiga e flor de sal.

A entrada fria surpreendia: um Carpacho de carne-de-sol curada e laminada com folhas do jardim e tapioca. Embora eu estivesse preocupado com as tais “folhas do jardim”, que houvesse por lá, perdida, alguma folha de urtiga..., não era nada disso, apenas inocentes e agradáveis folhas de beterraba e coentro, acompanhadas por um pesto de mizuna (hortaliça japonesa), lascas de queijo de búfala e pimenta-de-bico e tomatinhos. Veja bem, o carpacho no título da entrada não é erro, mas um neologismo, assertanejado, sobre o termo carpaccio, de origem italiana: neste caso, trata-se de um “carpaccio de cabra macho”, explicam os autores da travessura linguística. Tem lógica.

A entrada quente foi um dos hits da noite: Bacalhau na manteiga de garrafa com musseline de coco e paçoca de castanha-do-pará no pilão, decorado com lascas de coco. Aguçando o paladar um agradável aroma da castanha recentemente trabalhada saia do prato, onde o bacalhau soltava-se em lascas macias e saborosas. Uma delícia que a Rita elegeu como a mais, mais do jantar.

O primeiro prato da noitada foi um Ravióli de pirarucu defumado ao molho de urucum, banana e cachaça, que veio, de ganho, com uma paçoca de castanha, nem anunciada no cardápio, mas deliciosa, e ainda passas brancas e escuras. Foi uma amostra do prato com que o “Remanso do Bosque” participa do Circuito Gastronômico do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, que induziu a voltar para a dose completa do prato... O pirarucu defumado, uma riqueza gastronômica de Santarém, estava em um ponto muito gostoso, equilibrado.

O segundo prato representou clássicos do menu do “Mocotó”: Costelinha de porco de engenho assada no forno a lenha com favas amarelas e legumes sertanejos. A costelinha desossada estava megamacia e as favas amarelas formavam-lhe um leito saboroso, com chuchu, cenoura e abobrinha. Uma farofa de farinha grossa completava a gostosura daquele que, para mim, foi o prato campeão da noite (escrevo e ainda sinto-lhe o gostinho...). Como achei este prato uma gracinha e o conteúdo uma perfeição, foi eleito para estar lá em cima, na abertura do post, também como homenagem ao serviço apresentado.

A pré-sobremesa foi Rapadura com farinha, versão 2012, prato criado especialmente para festejar o encontro dos chefs do Norte e do Sul (embora de inspiração nordestina). Em foto macro a rapadura (macia) apresenta-se aí em cima ao estilo Stonehenge... coberta com uma paçoca no ponto e gotas de mel-de-cana e de creme de taperebá.

Para fechar a festa, a sobremesa chegou festiva à mesa: Mousse de chocolate meio amargo com cachaça artesanal envelhecida em umburana e crocante de tapioca. O sabor forte da deliciosa cachaça (que é assunto em post da semana passada) era percebido como um leve afago às papilas gustativas, um licor bem dosado. Foi a chamada chave de de ouro!

Em sua coluna, no jornal Diário do Pará, a jornalista Esperança Bessa registrou este evento e a degustação das cachaças, no "Remanso do Bosque" em quase página inteira. Como na metade superior da página estão fotos que retratam os personagens deste post, reproduzo-a abaixo:




Escrito por Fernando Jares às 20h10
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FOTOGASTRONOMIA

A ARTE CAPAZ DE ETERNIZAR O ALIMENTO


Um livro sem nome, sem texto, sem preço, não encontrável em livrarias, é um livro?
É sim! Esse livro existe e, além de ser lindíssimo, uma indiscutível obra de arte e de bom gosto, ganhou, desde a semana passada, um plus extraordinário, transformado em preciosidade na mão de seus felizes proprietários. A capa dele está aí em cima – na verdade, a capa de ½ livro...
Esse valor agora agregado é porque o livro acaba de ganhar o “17th Gourmand World Cookbook Awards”, em Paris, a mais importante premiação mundial para publicações gastronômicas. Olha o certificado do prêmio:

Mas agora deixa tentar explicar. O livro é um primor em criação: gastronômica, fotográfica e gráfica. Ele não tem nome ou título, a não ser uma identificação, na lombada, do “Studio SC”, que indica o autor das fotos, o brasileiro Sérgio Coimbra que, se já era um dos melhores fotógrafos gastronômicos do Brasil, agora é reconhecido como um dos melhores do mundo!
Trata-se de um livro duplo, que na verdade é um só, porque há entre eles uma ligação siamesa, formando um livro extradimensional. As 127 páginas devem ser abertas simultaneamente nos dois volumes, um junto do outro, pois exibem imagens em duetos e quartetos. O livro contem fotos de ingredientes e pratos de chefs renomados, tratados pelo fotógrafo como o que são: obras de arte. Para ler, sobre uma mesa, fica um volume acima e um abaixo, aberto, no total, tem 70x52cm. Veja nesta foto, que eu mesmo fiz (desculpe minha falta de arte, campeão, mas é preciso mostrar sua obra-prima em uso...). Veja o livro na visão do leitor.

O livro-sem-nome não tem texto, a não ser uma introdução, pela jornalista Luciana Bianchi, e microlegendas, em algumas páginas, com o nome do autor do prato-arte fotografado.
A edição é limitada e numerada, de 1000 exemplares, acondicionados em uma caixa de madeira, e distribuídos exclusivamente a chefs e profissionais de gastronomia do Brasil e do exterior.
O autor do inovador trabalho, Sérgio Coimbra, esteve circulando pelas ruas de Belém há duas semanas, em companhia de Luciana Bianchi, em missão profissional.
Grandes chefs de todo o mundo participam deste álbum: Gualtiero Marchesi, Massimo Bottura (4º melhor do mundo, segundo a lista da revista Restaurant), Massimiliano Alajmo, Heston Blumenthal (5º melhor do mundo) & Ashley Palmer-Watts, Marcus Wareing & Chantelle Nicholson, Nuno Mendes, Yoshihiro Narisawa, Alex Atala (o 7º melhor do mundo), Lauretta da Martinica, Tsuyoshi Murakami, Pier Paolo Picchi, Rodrigo Oliveira, Jefferson Rueta, Eudes de Assis, Carla Pernambuco & Carolina Brandão e o mestre de coquetéis, Alex Mckechnie.
Você viu na lista dois nomes conhecidos aqui pelas ruas de Belém: Alex Atala, veterano no “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” e que usa habitualmente ingredientes paraenses em suas receitas revolucionárias, e Rodrigo Oliveira, que está no post das cachaças, imediatamente abaixo.
A foto aí acima, do livro aberto é de um prato do Rodrigo, o seu clássico brasileiríssimo mocotó com favas (Mocofava) e costelinha de porco assada – uma junção dos dois pratos ele apresentou no recente Visita Gourmet, no restaurante "Remanso do Bosque", assunto para um próximo post. Aqui abaixo, a foto real, como pode ser vista no livro, em quatro páginas, e no sítio eletrônico do Studio SC. Aliás, ir a este sítio é um passeio virtual imperdível!: clique aqui.

Veja agora outra obra de arte, um prato assinado pelo chef Alex Atala, que está no livro, também um espetáculo para quatro páginas. Prato? Ou será uma instalação... gastronômica... de minilulas cozidas, servidas a frio com creme de beterraba, algas marinhas e vinagrete de priprioca? – prato famoso no D.O.M. Julgue você.



Escrito por Fernando Jares às 17h48
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CACHAÇAS NO REMANSO

ELETRIZANTES CACHAÇAS DESFILAM
ENTRE FINOS PETISCOS


Você já “tirou gosto” de uma boa cachacinha, com manga verde com sal? Lembro que quando eu era criança pequena ali em Capanema, era chegado a uma manga verde com sal. Sem a cachaça... que só conheci bem mais tarde... Com tantas mangueiras pelas ruas de Belém – na casa do meu avô, no Jurunas, tinha uma baita mangueirona no quintal! – é sempre uma boa pedida.
Uma versão bem mais sofisticada desta cena foi vivida na sexta passada (9/3) durante degustação, no restaurante “Remanso do Bosque”, de algumas das mais bem qualificadas cachaças do país. Quem fez a apresentação foi Rodrigo Oliveira, do restaurante e cachaçaria Mocotó, de São Paulo (sobre ele, leia “Especialista em cachaça, cachaçólogo é?” clicando aqui).
Rodrigo disse que vir a Belém era um sonho antigo, de “cozinheiro e comilão”. Conhecera pessoalmente Paulo Martins e acompanhava de perto os chefs Thiago Castanho (Remanso do Bosque) e Daniela Martins (Lá em Casa) e as conversas com eles “aguçavam meu desejo de conhecer Belém”. Para Rodrigo a cachaça é um dos melhores destilados do mundo e até admirou-se ao descobrir não haver a cultura do consumo das versões mais finas dessa bebida em Belém. O que é a cachaça? perguntou ele. Diante de respostas muito boas e até bastante técnicas, o que mostrava que a pequena plateia havia sido bem selecionada, ele não encontrou a resposta que queria: “um destilado de cana de açúcar feito no Brasil”. Isso a torna única. Além da excelente cana, o Brasil conta com uma variedade de cerca de duas dúzias de madeiras que são ótimas para o envelhecimento da bebida, o que é um diferencial expressivo: a grande maioria das bebidas do mundo é envelhecida em uma única madeira, o carvalho.
Rodrigo apresentou um time de oito cachaças de variadas regiões e envelhecidas em diferentes madeiras, para mostrar o que faz a diferença em uma boa cachaça. O time, “uniformizado”, está na foto lá em cima.

Aqui estão as primeiras quatro “atletas” do time que entrou em campo, ou melhor, nos copinhos. Veja o requinte da apresentação, com lugar para cada copinho, com a descrição das bebidas. Note que era apenas uma pequena dose em cada um deles... uns tem pouco menos, porque eu já as tinha bebericado – afinal, estava ali para isso.
Jacuba Prata – Originária de Coronel Xavier Chaves, MG, era a única não envelhecida. Graduação alcoólica 40%. Produzida no mais antigo alambique em funcionamento no Brasil. Levemente picante, tem um perfume algo adocicado.
Maria Isabel – Vem de Paraty, RJ, um centro de grande importância, inclusive histórica, na produção da cachaça. Envelhecimento de dois anos em tonéis de jequitibá. Graduação alcoólica: 44%. A influência dos óleos da madeira dá a ela uma sensação bastante macia. E eu que pensava que “Maria Isabel” era apenas uma sobremesa de bacuri...
Serra Limpa – Esta veio do Nordeste, de Duas Estradas, PB. Envelhecida em tonéis de freijó. Graduação alcoólica, 45%. Sente-se mais o álcool, mas não chega a ser agressiva. É uma cachaça algo “cult”, explicou Rodrigo Oliveira, pois tem pequena produção e o produtor vende apenas para quem quer vender...
Weber Haus – Produzida em Ivoti, RS. A versão apresentada tinha envelhecimento de até um ano em barris de amburana. Isso lhe transmite uma cor quase dourada e um aroma forte, adocicado, “que remete ao cumaru”, acrescentou Thiago Castanho. Graduação alcoólica: 38%. Sabor agradável, lembra um licor fino.

Entre as cachaças iam desfilando, isto é, sendo servidos, uns petiscos made in “Remanso do Bosque”, sendo alguns deles releituras de clássicos, como castanhas de caju salgadas e levemente carameladas; pedacinhos de macaxeira com manteiga; creme de jerimum com queijo e castanha; queijo coalho com mel de cana (os dois últimos, nas fotos acima).

Mas o desfile das cachaças prosseguia. A turma do "ataque" está na foto acima.
Canarinha – Esta vem da fazenda Brejinho, em Matrona, Salinas, MG. Salinas é um centro de excelência da cachaça no país. Envelhecimento de até três anos em tonéis de bálsamo. Graduação alcoólica: 44%. Um pouco mais adstringente que as anteriores, onde os especialistas identificaram um odor mais mineral.
Seleta – Outra boa cachaça de Salinas, MG, graduação alcoólica, 42% Envelhecida em madeira umburana, dá para sentir a presença do óleo desta madeira no paladar da bebida. É a mais vendida da “turma” de Salinas.
Gosto com Gosto – Outra mineira na área, produzida em Perdões, MG, para o badalado restaurante de Mônica Rangel, que tem o mesmo nome da cachaça, em Venceslau Brás, no Rio de Janeiro. Envelhecida 12 meses em barris de carvalho, tem graduação alcoólica de 40%.
Reserva do Gerente – Esta veio de Guarapari, ES. De linha nobre, tem 42% de graduação alcoólica e envelhecimento de cinco anos, em barris de carvalho, o que lhe dá um sabor macio e uma tonalidade levemente amarelada.

Lá pelas tantas as cachaças – e seus consumidores – receberam a visita muitíssimo gourmet de um camarão empanado com tapioca, servido quentinho, com molho muito natural de açaí. Cada mordida, um golinho. Harmonização na medida. Aliás, o camarão dá-se muito bem com as branquinhas. E, vestidinho de tapiocas, ficou uma gracinha, até lembrando uma noivinha... – altamente comível, com todo respeito, justo a fazer a sua função alimentícia... Circularam ainda pela mesa bolinhos de piracuí com molho de ervas, charque desfiado com salada de feijão caupi, brandade de bacalhau com farofa.
Foi um encontro não muito comum, mesmo em lugares onde o consumo de cachaças finas é mais habitual. Uma degustação de oito rótulos, com explicações completas e competentes, tudo acompanhado de finas iguarias. Uma festa para o paladar.
Ah, antes que esqueça, linkando a historinha lá da abertura do post: pois os chefs do Remanso serviram uma manga rosa com flor de sal, que está na foto abaixo. Flor de sal vem a ser uns cristais de sal, colhidos na superfície das salinas, com muito cuidado, o que lhe garante leve crocância. Por ser concentrado, deve ser usado com moderação, mas tem um sabor muito agradável
– especialmente para quem gosta de sal... - porque traz ingredientes marinhos que desaparecem no sal comum industrializado (que a minha cardiologista não leia este post!).



Escrito por Fernando Jares às 18h36
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DESFILE DA COZINHA BRASILEIRA

MODERNA GASTRONOMIA AGITA O REMANSO

Quem conseguiu uma preciosa vaga para jantar, neste sábado, 10/03, no restaurante “Remanso do Bosque”, para o projeto “Visita Gourmet” de março, vai participar de um magnífico  desfile da melhor culinária brasileira pelas ruas de Belém, prometem os autores da festa: o visitante chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, de São Paulo, e os chefs residentes Thiago Castanho e Felipe Castanho. Terça-feira já estava com reservas esgotadas. Consegui minhas vaguinhas numa desistência, hoje.
No encontro gastronômico dos três jovens eles vão apresentar pratos que são sucesso em seus respectivos restaurantes, com intervenções a seis mãos e três cabeças criativas, do amuse bouche à sobremesa. É esperar para ver e, principalmente saborear – embora na gastronomia contemporânea a beleza no apresentar um prato seja uma arte que valoriza imensamente o conteúdo. E eu gosto.
Trata-se de um programa menu-degustação, em que os pratos escolhidos e preparados pelos chefs vão desfilando nas mesas. O roteiro do desfile está aqui:

Amuse bouche
Dadinhos de tapioca e queijo coalho

Entrada fria
Carpaccio de carne-de-sol com folhas do jardim e tapioca

Entrada quente
Bacalhau na manteiga de garrafa com mousseline de coco e paçoca de castanha no pilão

Primeiro prato
Ravióli de pirarucu defumado ao molho de urucum, banana e cachaça

Segundo prato
Costelinha de engenho assada no forno a lenha com favas amarelas e legumes sertanejos

Pré-sobremesa
Rapadura com farinha, versão 2012

Sobremesa
Mousse de chocolate amargo com cachaça de umburana e crocante de tapioca

Nesta sexta-feira (09) os três comandaram uma degustação de cachaças onde o especialista Rodrigo Oliveira fez uma detalhada apresentação de cada uma das oito marcas apresentadas. Com a presença simpaticíssima dos pais dos jovens paraenses, d. Carmem e o grande Francisco, a dupla criadora do “Remanso do Peixe”. Mas isso é outro assunto. Sobre estes encontros você pode ler mais em post abaixo. Ou clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 23h15
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UMA FESTA PARA OS SENTIDOS(1)

MARATONA GASTRONÔMICA

Começa amanhã, 08/03, o Circuito Gastronômico pelas ruas de Belém que faz parte do festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”. Durante 30 dias, onze restaurante da cidade vão oferecer pratos especialmente criados para o festival, unindo as técnicas culinárias da especialidade de cada um deles com os melhores ingredientes da cozinha paraense. O que se espera é uma festa ao paladar e aos olhos, com pratos criativos e saborosos.
Veja aqui, em primeira mão, a relação dos pratos de cada restaurante. Aí você faz a sua programação, de acordo com a preferência de seus gostares gastronômicos, e manda ver...

A Forneria
          Camarão ao curry paraense
Avenida
          Peito de pato assado com molho de bacuri
Benjamin
          Nhoque de batata com jambu e pato
Cantina Italiana
          Tagliarine de vinagreira ao ragu de filhote
Famiglia
          Ravióli de pato ao molho de tucupi e pesto de jambu
Famiglia Sicilia (antigo D. Guiseppe)
          Ravióli de bacuri em massa de jambu com molho de chicória
Lá em Casa
          Tucunaré ao Ver-o-Peso (Tucunaré ao forno com ervas da Amazônia acompanhado com batata cará salteada com jambu e arroz de castanha-do-pará)
La Madre
          Ravióli recheado com pupunha e camarão
Remanso do Bosque
          Ravióli de pirarucu defumado
Sushi Ruy Barbosa
          Tiras de filé com queijo-do-marajó e risoto de castanha
Tutto
          Confit de Canard (Confit com purê de pupunha ao molho de laranja)
Gostou? Está disposto a fazer o circuito completo? Pois saiba que poderá ganhar um prêmio especial se for a todos os restaurantes e pedir os pratos do Circuito Gastronômico. Funciona assim: você pega, no primeiro que visitar, um Cartão Fidelidade onde será registrado o consumo. A cada novo restaurante você leva o cartão e recebe a confirmação do consumo do prato do Circuito. Os primeiros 50 que preencherem inteiramente o cartão ganharão um avental exclusivo, com a assinatura de chefs convidados ao “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, além de uma edição do livro comemorativo da décima edição do festival. É uma maratona gastronômica, amigo.
O VOPCzP acontece de 11 a 15 de abril, trazendo a Belém alguns dos mais badalados chefs de grandes restaurantes brasileiros, gente premiada e reconhecida internacionalmente.



Escrito por Fernando Jares às 17h00
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UMA FESTA PARA OS SENTIDOS (2)

Como o comer bem pelas ruas de Belém não se refere, exclusivamente, ao ato de ingerir comidas saborosas e bem apresentadas, uma exposição fotográfica faz parte do festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, versão 2012. O visual dos ingredientes e dos pratos bem decorados está intimamente ligado ao alimentar-se com requinte, especialmente nestes tempos de gastronomia contemporânea.
A mostra fotográfica “Comida nossa”, que faz parte da programação do VOPCzP, tem a curadoria da Abrajet – Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, via sua seção do Pará.
São quatro fotógrafos convidados que revelam, em 20 imagens, o universo gastronômico paraense: Geraldo Ramos, João Ramid (que vem a ser o presidente da Abrajet/Pará), Pedro Rodrigues e Renato Chalu.
“A culinária paraense é a mais original de todo o Brasil. Nosso intuito é mostrar este riquíssimo valor através de imagens que remetam ao universo gastronômico“, anuncia João Ramid.
A mostra que abre nesta quinta, 08/03, estará patente até o dia 15 de abril no segundo piso do Boulevard Shopping (em frente à livraria Saraiva). Vamos lá.
Amanhã, 8, também começam inscrições para o “Concurso Chef Paulo Martins”, que homenageia o grande idealizador do evento. Trata-se de uma iniciativa – já realizada em anos anteriores, teve um ano que fui até jurado... – destinada a descobrir novos valores entre os talentos que trabalham a cozinha paraense e, naturalmente, novos sabores. Dividido nas categorias amadora e profissional, o concurso vai inscrever gratuitamente os interessados em ter receitas autorais avaliadas por um júri especializado. O primeiro colocado na categoria profissional ganhará uma vaga na final do concurso “Talento Ao Vivo”, que acontece em São Paulo e é promovido pela Revista Prazeres da Mesa. Inscrições no quiosque ao lado da exposição no Boulevard Shopping.



Escrito por Fernando Jares às 16h50
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CACHAÇA DO MOCOTÓ

ESPECIALISTA EM CACHAÇA, CACHAÇÓLOGO É?

Para ampliar o flyer, clique aqui.

Ele já foi até um dos 100 brasileiros mais influentes do ano, em 2010, com apenas 28 anos, indicação da revista Época. Trabalhando a cozinha nordestino-brasileira em um restaurante na Zona Norte de São Paulo, é um dos maiores especialistas brasileiros em cachaça (um cachaçólogo?) e tem reconhecimento internacional: ainda recentemente foi um dos três brasileiros convidados para o megafestival “Identità Golose Milano" (leia clicando aqui).
Esta semana Rodrigo Oliveira, do restaurante “Mocotó”, está aqui pelas ruas de Belém, a convite dos chefs Thiago Castanho e Felipe Castanho, dos Remansos do Peixe e do Bosque. Mas ele faz pousada é no “Remanso do Bosque”, onde atua na sexta e no sábado.
Na sexta, 9/3, para um grupo de convidados, Rodrigo comandará uma degustação de cachaças altamente especialíssimas. De sua coleção de mais de mil garrafas ele selecionou oito rótulos de diferentes regiões do Brasil, envelhecidas em madeiras diferentes e vai mostrar o que faz a diferença em uma boa cachaça.
No sábado (10/3) ele participa de mais uma edição do programa “Visita Gourmet” que traz a cada mês um chef de renome nacional para elaborar um menu-degustação exclusivo no restaurante “Remanso do Bosque”, uma prática de troca e associação de experiências que é sucesso no mundo todo.
O menu vai incluir pratos tradicionais dos dois restaurantes, além de um exclusivo: “Rapadura com Farinha – Versão 2012”, criado especialmente pelo trio para celebrar o encontro.
Inovador sobre fórmulas tradicionalíssimas o trabalho de Rodrigo é aplaudido, inclusive, pelos maiores chefs nacionais. Ele é o mais premiado dos novos chefs brasileiros.
Veja aqui o próprio Rodrigo falando de sua cachaçaria para o site Mapa da Cachaça:

Ainda ontem ele foi destaque no sítio eletrônico do “The World’s 50 Best Restaurants” junto com chefs de grande sucesso no mundo, que não se importam com regras, estrelas e luxos, que criam novos conceitos, em lugares que podem não ter toalhas, cristais e porcelana fina, mas eles têm, acima de tudo, uma ideia nova e criativa! São a antítese do livro de regras Michelin! conforme afirma o texto da jornalista Luciana Bianchi, que você pode ler aqui.
Olha os restaurantes e o time de chefs que faz companhia ao Ricardo Oliveira:
Le Chateaubriand – Iñaki Aizpitarte, Paris; Al Pont de Ferr – Matias Perdomo, Milano; Franceschetta 58 – Massimo Bottura, Modena; Estado Puro – Paco Roncero, Madrid; Vuelve Carolina & Mercatbar – Quique Dacosta, Valencia; Tickets – Albert Adrià, Barcelona; Momofuku Ssäm Bar – David Chang, New York, Sidney, Toronto; Corner Room – Nuno Mendes, London; Clandestino & Anikò – Moreno Cedroni, Ancona.
Ano passado o Studio SC, de São Paulo, especializado em fotos gastronômicas por todo o mundo, fez um calendário de mesa que foi uma requintada obra de arte. Inspirado nas marmitas dos trabalhadores da construção civil, o titular do estúdio, Sérgio Coimbra, pediu a 12 grandes chefs para preparar pratos tendo como base as próprias marmitas dos operários. As 12 lâminas são uma belezura, mostrando que a arte surge de onde se trabalha com bom gosto e criatividade - até hoje não tirei o calendário daqui do meu lado... Aqui embaixo está a criação do Rodrigo Oliveira para esse calendário:




Escrito por Fernando Jares às 17h12
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VER-O-PESO DA COZINHA PARAENSE

COMENDO BEM PELAS RUAS DE BELÉM

Na mesma semana que São Paulo dá partida na sua 10ª Restaurant Week, com a participação de mais de 300 restaurantes bares e cafés do Estado (começa hoje e vai até dia 18/03), Belém inicia seu Circuito Gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense.
Esses festivais gastronômicos, envolvendo os principais restaurantes da cidade, estão sendo cada vez mais praticados pelo país – e também no exterior. A Restaurante Week de SP (só na capital são mais de 200 participantes) é considerada a maior do mundo!
O Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, criação do chef Paulo Martins, falecido em 2010, está em sua décima edição e, em uma delas, teve um formato em que alguns dos chefs convidados cozinharam em uns poucos restaurantes, a quatro mãos, com o chef residente. Há também um festival da Abrasel, mas geralmente pouco divulgado. Já encontrei pratos muito bons nesta promoção, como o Filhote Vitória Régia, no Avenida, que apresentei nestas linhas virtuais - para ler, clique aqui.
Neste ano o VOPCP inova com este Circuito Gastronômico, que começa na quinta-feira, 8 de março, com a participação de onze restaurantes.
Comece a planejar seu circuito. Uma dica preciosa: todos os pratos foram criados pelos respectivos chefs especialmente para este festival e todos levam produtos paraenses na sua composição. Um festival de criatividade que você vai saborear nestes restaurantes:
A Forneria,
Avenida,
Benjamin,
Cantina Italiana,
Famiglia,
Famiglia Sicilia,
Lá em Casa,
La Madre,
Remanso do Bosque,
Sushi Ruy Barbosa e
Tutto Ristorante.
Durante os 30 dias do festival, até 8 de abril, os organizadores esperam receber algo em torno de 20 mil pessoas neste tour especial da melhor gastronomia paraense pelas ruas de Belém, reunindo estabelecimentos comprometidos com a qualificação e divulgação da culinária paraense como um valor cultural e econômico, fonte geradora de lazer e prazer, mas também de trabalho e renda para milhares de pessoas na cidade.
Quem planejar conhecer os onze pratos tem um incentivo: receberá um Cartão Fidelidade que irá preenchendo em cada restaurante visitado – sempre que pedir o prato especialmente criado para o Circuito Gastronômico do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, obviamente. Mas tem que ser rápido: apenas os 50 primeiros a preencher inteiramente o cartão ganharão o valioso prêmio: um avental exclusivo e assinado por chefs convidados, além de uma edição do livro comemorativo do evento. Bem que os organizadores poderiam criar um brinde para os demais, que completarem o cartão. Quem sabe, o avental, sem as assinaturas – aí não precisaria sair por aí na correria engolindo a comida só para ganhar o prêmio... Fica a sugestão.
“COMIDA NOSSA” – Também nesta quinta, 08, o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” lança outra novidade: a mostra fotográfica “Comida Nossa”, com a assinatura de quatro festejados fotógrafos locais, a mostrar o universo gastronômico paraoara conforme o olhar de cada um deles. Veja o time: Geraldo Ramos, João Ramid, Pedro Rodrigues e Renato Chalu.
Serão 20 imagens, que ficarão expostas no Boulevard Shopping (2º Piso) até o dia 15 de abril. Algo assim: você vê as fotos e parte para um dos restaurantes do Circuito Gastronômico... reação impulsiva (ou compulsiva?), imagino eu.
Um exemplo de fotografia gastronômica. Esta é uma foto de João Ramid para o Haddock Paraense, do Lá em Casa, não é estimulante?



Escrito por Fernando Jares às 18h47
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NAZARÉ & NAZARÉ

NOSSA SENHORA DE NAZARÉ VISITA
NOSSA SENHORA DA NAZARÉ


A chamada imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, que é levada por centenas de milhares de pessoas pelas ruas de Belém, há mais de 200 anos, no segundo domingo de outubro, está em terras distantes, além mar. Levada por uma comitiva de leigos e sacerdotes ligados à organização da monumental romaria, a imagem visitou, nesta quinta-feira (01/03), o santuário da Nossa Senhora da Nazaré, em Nazaré, Portugal, onde tudo começou. Na foto acima a imagem da “santinha” venerada pelos paraenses, tendo ao fundo o altar da Nazaré lusitana.
Aquelas pessoas tiveram a oportunidade de ver uma imagem que é, talvez, a mais antiga das imagens da história do catolicismo. Reza a lenda, muito respeitada, que teria sido esculpida pelo próprio José, marido de Maria, a mãe de Jesus – que era bem prendado e conceituado carpinteiro, marceneiro e prestador de serviços desse tipo na cidade de Nazaré. Apaixonado pela jovem, esculpiu-a com o menino ao colo. Fez a pintura da escultura o evangelista São Lucas, uns tantos anos depois, já provavelmente após a crucificação de Jesus, quando Ele já se revelara aos discípulos como Filho de Deus. Das terras de Jerusalém às praias lusitanas passou a imagem por mãos muitas, incluindo S. Jerônimo e Santo Agostinho. Nas lutas pela libertação de Portugal ficou escondida por mais de 400 anos, até o episódio de D. Fuas, em 1182. O historiador Pedro Penteado, de quem tenho o livro “Peregrinos da Memória” (Lisboa, 1998), conta essa história e muitas mais sobre a milagrosa imagem e seu belíssimo santuário, hoje visitado pela Nazaré dos paraenses. Rita e eu tivemos a felicidade de a visitar em duas oportunidades. O paraense católico, devoto de N. S. de Nazaré, quando se encontra naquele sítio, sente toda a força da tradição religiosa de Nossa Senhora no mundo e o permanente desafio da fé aos cristãos. Isso deve ter sentido, inclusive, a cantora Fafá de Belém, que cantou na Missa lá celebrada nesta manhã e exclamou, emocionada, no Twitter: “Foi lindo!!! Nazaré estava presente aos pés DELA: Nazaré, nossa mãe! Viva!!!” Veja foto deste momento captada do Twitter de Manoel Leite Neto:

Repare que em Portugal a “santinha” (como é tratada pela intimidade paraense) é chamada “da Nazaré”, enquanto nós dizemos “de Nazaré”. Também por lá ela é festejada com arraial e companhia. Em uma de nossas visitas àquelas plagas, em setembro de 1997, a festa havia terminado na semana anterior, mas ainda registrei vestígios da decoração e o carrossel em funcionamento, na praça em frente ao santuário:

As praias da Nazaré são dividas em dois setores: a dos banhistas, concorridíssima, e a dos pescadores, onde eles tratam de seus peixinhos lá mesmo, inclusive fazendo a sua seca ao sol. Fiz a foto abaixo de um painel de sardinhas a secar:



Escrito por Fernando Jares às 19h39
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