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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


PALMITO PUPUNHA, CHIBÉ, CHICÓRIA, CASTANHA-DO-PARÁ...

ESTRELAS AMAZÔNICAS EM MESAS EUROPEIAS

O mascate dos melhores sabores brasileiros, chef Alex Atala, atravessou mais uma vez o Atlântico levando especialidades nacionais, muitas delas captadas aqui mesmo no Pará, em suas inúmeras andanças pelas ruas de Belém, para brilharem em requintadas mesas europeias. A primeira escala foi Paris, na semana passada, onde, na maior sem-cerimônia brazuca, invadiu o restaurante ultra-ultra do Hotel Plaza Athénée, comandado por um dos grandes mestres da haute cuisine, chef Alain Ducasse, para mostrar o que é que o Brasil tem que tanto encanta gourmets e gourmands do mundo. Veja mais abaixo o que ele fez por lá.
Agora ele está de muda para Milão onde, neste domingo à tarde, mais ou menos na hora dos jogos de futebol, forma um time com mais dois campeões brasileiros chefs Roberta Sudbrack e Rodrigo Oliveira. Eles entram em campo, ou melhor, no palco, para difundir aos italianos, e ao mundo, o melhor da gastronomia brasileira em um espaço privilegiado, o festival de gastronomia "Identità Golose Milano". Veja o programa vesperal deles e os temas que defenderão:
15.00 - Alex Atala (D.O.M. a San Paolo - Brasile), primitivo e moderno
15.45 - Roberta Sudbrack (Roberta Sudbrack a Rio de Janeiro – Brasile), per una memoria che ci sostenga
16.30 - Rodrigo Oliveira (Mocotó a San Paolo - Brasile), Os Sertões: l'ultima frontiera gastronomica

Roberta, na sua fala, preparará três pratos dentro do conceito que defende, de uma cozinha sustentável: quiabo defumado com camarão semicozido; curau, pele de banana e caviar; e consommé de mexerica com cogumelos crus.
Na segunda-feira, 6, Alex Atala volta a campo, ou melhor, à cozinha, para, em dupla com o italiano Andrea Berton, do restaurante “Trussardi alla Scala”, lá mesmo de Milão, duas estrelas no Guia Michelin, preparar um jantar. O chef brasileiro entra com seu “Fettuccine de palmito pupunha com manteiga de sálvia e queijo Grana Padano”, um “Bacalhau negro com chicória e creme de limão salgado” e, pra arrematar, um “Bolo de castanha-do-pará com creme de uísque, curry, chocolate, sal e pimenta”.
Atala, em dois anos anteriores, já apresentou pratos no Identità Golose, recheados de ingredientes amazônicos: “Consommé di funghi profumato alle erbe dell’orto e della foresta” que levava pimenta de cheiro, tucupi (estratto di manioca), chicória (cicoria del Pará), manjericão (basilico del Pará), folhas e flor do jambu (eugenia jambolana) e um “Fettuccine di palmito pupunha alla carbonara” muito mais comedido...
Voltemos a Paris. A visita de Atala foi para estrear o projeto “Retour a l’essentiel”, do chef Ducasse. O cardápio desenvolvido pelo brasileiro teve, entre outras atrações ,“Ostra empanada com tapioca marinada”, “Mil folhas de mandioca”, o nosso queridíssimo “Chibé” em versão chiquérrima, obviamente, “Fettuccine de palmito pupunha na manteiga e sálvia, queijo parmesão e pó de pipoca”; “Robalo com tucupi”, “Raia na manteiga de garrafa com tomilho, limão, mandioquinha defumada, brócolis e espuma de amendoim”, um elegante “Sorbet de taperebá”, “Filet mignon de javali com toffee e mandioca”, “Arroz negro tostado com legumes verdes e leite de castanha-do-pará”, “Ravióli de limão e banana ouro com priprioca” e uma “Torta de castanha-do-pará, servida com sorvete de uísque, curry, chocolate, sal, rúcula e pimenta”. Isso é o que se chama de um essencial sofisticadíssimo, ou melhor, sofisticadérrimo...
Aqui abaixo o tal fettuccine com palmito pupunha, em foto que captei do sítio eletrônico Basilico:



Escrito por Fernando Jares às 22h54
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O GRANDE CHEF DA AMAZÔNIA

NOVO RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
PARA PAULO MARTINS

O paraense Paulo Martins, falecido em 2010, foi apresentado, ontem, domingo, 22/01, como o responsável pela introdução, uso e divulgação de componentes nacionais/regionais na gastronomia brasileira, em busca de alternativas sustentáveis, como forma de redescobrir sua própria identidade culinária.
Este novo reconhecimento internacional valoriza, ainda mais, a cozinha paraense, que teve em Paulo Martins um grande pioneiro e seu maior expoente inovador/renovador, ao mesmo tempo em que ferrenho batalhador para a preservação das tradições culinárias paraenses praticadas pelas ruas de Belém e pelo Estado.
O texto aí em cima foi publicado ontem em Londres, no site “The World’s 50 Best Restaurants”, da Restaurant Magazine, publicação responsável por essa promoção, que escolhe anualmente os melhores restaurantes do mundo. O texto é assinado pela jornalista Luciana Biancchi, chef de cuisine e editora internacional especializada em gastronomia, que trabalha na Europa para grandes publicações e, no Brasil, para a revista Prazeres da Mesa, como correspondente internacional.
O Brasil vai participar do evento “Identita Golose”, em Milão, agora em fevereiro, com dois chefs nacionais convidados: Rodrigo Oliveira, do restaurante “Mocotó”, de São Paulo, e Alex Atala, do “D.O.M.”, também de São Paulo, por sinal o 7º melhor restaurante do mundo em 2011, justo pelo
“The World’s 50 Best Restaurants”.
Ao fazer a contextualização da cozinha brasileira, para apresentar o chef Rodrigo Oliveira a seus leitores de todo o mundo, a jornalista destaca a liderança de Paulo Martins como o “grande chef da Amazônia”, responsável pelo início desse movimento de repercussão nacional e internacional.
Luciana Bianchi situa junto ao chef paraense dois grandes chefs franceses, Claude Troisgros e Laurent Suaudeau, que muito contribuíram para a incorporação dos ingredientes nativos às fórmulas da cozinha clássica da França (a partir do conhecimento e das experiências de Paulo Martins, com eles generosamente compartilhada).
Leia o texto completo (em inglês) clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 10h34
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O CABOCLO PINTADOR

A ARTE REQUINTADA DAS VISÕES SIMPLES

A pintura de Emmanuel Nassar experimenta o limite
da quebra de conexões simbólicas

Paulo Herkenhoff, crítico e um dos maiores especialistas em artes plásticas do Brasil.


Um dos principais artistas plásticos do Brasil na atualidade, expoente máximo desse segmento nestas terras, Emmanuel Nassar lança hoje o livro que leva o seu nome.
Emmanuel Nassar é responsável por algumas boas emoções em minha vida. Uma delas, muito forte, tive-a no Rio de Janeiro, ao entrar no magnífico prédio do Centro Cultural Banco do Brasil, nos idos de 2003, julho ou agosto, não lembro ao certo. Fomos, Rita e eu, visitar a exposição “A poesia da gambiarra”, uma retrospectiva do trabalho desse caboclo paraoara, nascido em Capanema*.
A emoção foi da entrada, onde havia magnífica instalação, ao terceiro andar. Peças pra cá, instalações pra lá. Andávamos, parávamos, subíamos, descíamos, cercados pelo talento do Nassar. A emoção subia e descia junto: não apenas pela beleza cativante de suas criações, mas, e talvez principalmente, misturada com o orgulho paraensista, pela grandiosidade da exposição. Escrevo agora e ainda sinto a força daqueles sentimentos. Vez por outra pego o livro que tem o título da exposição e fico passeando entre as obras, olhando-as com a satisfação com que olhei há quase nove anos.
O Nassar, que hoje vive mais para as bandas de São Paulo, lança nesta quinta (19/01), às 19h, na Fox Vídeo (Dr. Moraes) um novo livro, que leva por título o seu nome:

Publicação caprichadíssima, bilíngue, com 220 páginas/190 fotos e obras, capa dura, tem o texto crítico de Tadeu Chiarelli (diretor Museu de Arte Contemporânea da USP) com cronologia crítica sobre o artista, design gráfico de Rico Lins para a editora Francisco Alves, com impressão da Gráfica Ipsis (a mesma dos livros da Cosac Naif).
Formado em arquitetura ele teve uma boa experiência em publicidade, trabalhando na Mendes e na Mercúrio Publicidade, aqui pelas ruas de Belém entre os anos 1970 e 80. Trabalhamos juntos, em ambas. E aí as emoções eram diante das criações dele. Note bem: quando começou, era redator de grandes ideias. Depois incorporou o lado diretor de arte e virou “dupla de criação de um homem só”. Era meio inédito, na época. E desconfio que continue assim... O artista plástico revelou-se nessa época – vinha sendo moldado desde muito. Da revelação ao reconhecimento, foi um pulo. E à consagração, outro pulinho.


Arraial, 1984. Tinta industrial sobre chapa, 100x200cm.

A capacidade de juntar em uma peça a cor local paraense, com uma simbologia de entendimento nacional e uma linguagem capaz de varar fronteiras internacionais, ao mesmo tempo em que quebra essas mesmas aparentes conexões simbólicas, como diz Paulo Herkenhoff, o tornou um artista maior. Imagens do nosso cotidiano, brinquedos de miriti, uma simples chapa usada de propaganda vira obra admirada, porque alguém consegue ver a beleza que ele, pioneiramente, viu nela e a assinou E.N. A arte simples das bandeiras do interior paraense tornam-se instalação de sucesso. O arquiteto por formação universitária vê as formas que outros desconhecem; o publicitário transforma a visão em símbolos fortes de comunicação; o artista plástico molda sua arte para o consumo do observador mais exigente/crítico. Ou o mais simples.
Diz o crítico Tadeu Chiarelli (em “Uma conduta consumidora crítica”, que você pode ler na íntegra clicando aqui): “Para muitos, a produção de Emmanuel Nassar chega a ser desconcertante: obras que se assemelham a pinturas, mas feitas a partir de pedaços modulados de placas de metal usado para propaganda – riscados, corroídos, e sem nenhum sinal aparente de intervenção manual do artista – que Nassar combina e recombina (muitas vezes no computador, a partir de fotos digitais), até chegar a um resultado que mais o agrada e ao cliente (um colecionador ou um curador, não importa); pinturas que se assemelham a fotografias modernas, de detalhes de objetos ou ornamentos populares; fotografias que se assemelham a pinturas modernas de detalhes de objetos ou de ornamentos populares; obras em tecido, que parecem bandeiras; bandeiras que mais parecem obras em tecido.”

Há 8 anos atrás conheci um orgulhoso guarda do Museu Van Gogh, em Amsterdam. Paraense, como eu. Acho que quis retratá-lo, ou retratar-me, tomando conta do meu próprio trabalho.”(E.N.) Instalação “Boa Romaria Faz Quem Em Casa Fica Em Paz”. Galeria André Milan, São Paulo, 2003. – Este senhor guardisticamente empertigado, estava n’ “A Poesia da Gambiarra” – a foto, no livro de mesmo nome, é do Luiz Braga.



Escrito por Fernando Jares às 14h46
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O HOMEM QUE VENCEU GETÚLIO VARGAS

A DUPLA VITÓRIA DO CABOCLO PARAOARA

Com uma dúzia de Euricos Valles governando Estados no Brasil, em 1930, talvez a Revolução de 30 não tivesse acontecido, pelo menos da forma como ocorreu. Essa é uma das ilações possíveis após ler o livro “O homem que venceu Getúlio Vargas”, de Paulo Sérgio (Kostenbader) Valle, que será lançado nesta quinta-feira, dia 19, às 19h, no IAP (ao lado da Basílica Santuário de N. S. de Nazaré).
Eurico de Freitas Valle foi advogado e político com brilhante e rápida carreira que o levou a altos postos locais e excelente reputação nacional. O livro é escrito por seu neto, o advogado, escritor, compositor e letrista Paulo Sérgio Valle, sim esse mesmo, que, com o irmão Marcos Valle, já nos deu clássicos da MPB como “Preciso aprender a ser só”, “Samba de Verão”, “Black is Beautiful” ou a minha preferidíssima “Viola enluarada”.
Baseado, principalmente, em testemunhos ouvidos diretamente do avô e de outros familiares (o pai também é paraense, nascido em 1917), amigos e pessoas entrevistadas na pesquisa para o livro, ao longo de dois anos, o autor narra parte da história de Eurico Valle, em ritmo de romance histórico.
Por que o “venceu Getúlio Vargas”? Porque venceu mesmo: o Pará foi um dos raros Estados em que os revolucionários de 1930 não foram se apresentando e levando o governo. Os primeiros grupos que se aventuraram a tentar tomar os prédios públicos foram repelidos à altura e presos, prevalecendo a lei e a ordem no Estado. Resultado de uma administração séria e organizada, embora ainda recente – Valle assumira o cargo em abril de 1929, cerca de um ano e meio antes da Revolução de 30.
A história está contada, muitas vezes com poucas palavras, nos livros de história do Pará. Mas não recebe o destaque merecido. Foi algo realmente inédito. E mais do que essa vitória sobre os homens de Vargas, onde Magalhães Barata foi um dos principais nomes, tanto que interventor por duas vezes, vale ressaltar o estadista que Eurico Valle demonstrou ser no episódio de seu afastamento pelo golpe de 30. De tal forma era respeitado pelos opositores, que a passagem do cargo do governador deposto para a junta de revolucionários foi quase solene, no Palácio dos Governadores, hoje Lauro Sodré, com discursos de Valle e do tenente Ismaelino de Castro, que comandava a Junta.
No livro PSV acompanha o avô desde a infância, pelas ruas de Belém, estudos e viagens e faz um inteligente paralelo com a vida de Getúlio Vargas, também desde as ruas de S. Borja, no interior do Rio Grande Sul. O texto é simples e leve, quase a memória deste neto setentão, acompanhando os fatos da história de seu avô e do Brasil. Mas tem um valor importantíssimo: resgata a importância deste vulto notável de nossa história, infelizmente tão pouco conhecido e reconhecido.
Ainda acho que faltou dizer algo importante, que espelha a capacidade de liderança e respeito de Eurico Valle em sua terra naqueles idos de 1930. Defendendo ele a candidatura de Júlio Prestes (apoiado pelo presidente Washington Luís), conseguiu para seu indicado 58.334 votos, enquanto Getúlio Vargas teve apenas 2.864 votos! conforme está no livro “Magalhães Barata”, volume I, de Carlos Rocque. Nacionalmente Prestes teve 1.091.709 votos contra 742.794 dados a Vargas. Veja a diferença percentual: no Pará o candidato Prestes teve 95% dos votos, quase a unanimidade. No Brasil Prestes teve 60% dos votos. Quer dizer: o caboclo paraoara venceu duas vezes o caudilho gaúcho!
No livro de PSV há uma frase atribuída a d. Carlota, a esposa de Eurico Valle, que teria sido dita na viagem para o Rio de Janeiro, após a deposição, percebendo ela no marido a vontade de voltar a lutar pelas suas ideias em sua terra: “Farão de tudo para apagar-te na memória do povo paraense”. Parece que assim foi feito (como, antes, já acontecera com a Cabanagem, reabilitada há tão poucos anos). Resgatemos, agora, a memória de Eurico Valle.
A “Grande Enciclopédia da Amazônia”, de Carlos Rocque, apresenta assim este grande intelectual e líder paraense:
VALLE, EURICO DE FREITAS — Ex-governador do Pará. Político de alta relevância, advogado e catedrático da Faculdade de Direito — escola superior que dirigiu, no Pará —, filiado ao Partido Republicano Federal, na chamada República Velha, foi deputado estadual e depois senador federal, quando o elegeram para as altas funções de Governador do Estado, sucedendo a Dionísio Ausier Bentes. Tomou posse a 1/2/1929 e geriu os destinos do Pará até 30/10/1930, quando foi deposto pela Revolução Nacional daquele ano. Vinha Eurico Valle realizando austera administração, recuperando as finanças do Estado, arruinadas desde o debacle da borracha. Tinha apoio do jornal Folha do Norte e dos partidários de Lauro Sodré. Fiel a Washington Luis, resistiu à Revolução de 1930, sendo o Pará um dos poucos Estados do Brasil em que os revolucionários foram rechaçados. Entregou o Governo ao ser comunicado que o Presidente da República renunciara. Quando a Junta Revolucionária lhe comunicou a vitória dos sublevados, Eurico pediu mais 12 horas de prazo, para pôr todo o expediente do Palácio em ordem, inclusive o balanço do Tesouro, na seção financeira. Acedeu a Junta — composta de Ismaelino de Castro, Clementino Lisboa e Abel Chermont —, e no dia seguinte ela recebia o Governo, sem qualquer reação ou protesto. Houve troca de discursos entre Eurico Valle e Ismaelino de Castro, tendo os membros da Junta levado-o até ao carro oficial, na porta do Palácio. Após sua deposição, o Dr. Eurico Valle mudou sua residência para o Rio de Janeiro, sendo um dos diretores da Cruzeiro do Sul. Somente retornou ao Pará 32 anos depois, para receber homenagens que o então Governador Aurélio do Carmo e a direção da Faculdade de Direito lhe prestaram pelos relevantes serviços prestados ao Estado.

A foto acima eu a captei de outro trabalho do sempre lembrado e querido jornalista e historiador Carlos Rocque, o fascículo 8 da série sobre a história do Estado na coleção "História dos Municípios do Pará" encartada no jornal A Província do Pará, em 1998.



Escrito por Fernando Jares às 20h53
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CIDADE GOSTOSÍSSIMA

ALEGRE PORTO DE ÁGUAS BARROSAS DE RIOS MARES

No post de ontem o poeta Manuel Bandeira entrou com seu belíssimo poema “Belém do Pará”, em que canta nossa cidade. Quem sabe ele tenha vindo até estas plagas (onde esteve para um serviço jornalístico), estimulado pelas palavras de seu amigo Mário de Andrade, sempre rico em elogios à cidade da qual confessou, em carta de 1927 ao “Manú”, ser “inconcebível o amor que Belém despertou em mim”!
No livro “O turista aprendiz”, de Mário de Andrade, há uma história muito interessante, também narrada a Manuel Bandeira, que mostra claramente o quanto a cidade impressionou o modernista, que andou cá pelas ruas de Belém em 1927, quando realizou a primeira de duas grandes viagens etnográficas pelo Brasil, a que denominou “O turista aprendiz: Viagens pelo Amazonas até o Peru, pelo Madeira até a Bolívia por Marajó até dizer chega”. Buscava um Brasil diferente daquele são-paulino (e antropofágico...) que conhecia.
Os trechos a seguir captei-os do magnífico livro “Pará, capital: Belém – Memórias & Pessoas & Coisas & Loisas da Cidade”, de Haroldo Maranhão, publicados sob o título

Poema nascido de uma gralha

Manú (...) veja que caso mais engraçado: Fui no tipógrafo com as provas e dei ordem de impressão. Não tinha mais erro. No dia seguinte indo lá pra corrigir o índice que faltava, ele se rindo me falou: Olhe isto. Num dos títulos, em letras garrafais, em vez Moda da Cadeia de Porto Alegre, estava Moda da Cadeia do Alegre Porto. Tive um bruto dum susto, imagine se saía assim! Mas o fato é que o título errado me sugeriu um movimento lírico irreprimível. Nem bem cheguei em casa lasquei no papel esta Moda do Alegre Porto, que está longe de ser sublime mas é gozada bem, repare. (...) Não acha gostosa mesmo? É besta. Não tem nada de importante. Mas é gostosa assim mesmo como está e deixei.
(...)
(...) Antes mesmo de fazer a correção, nasceu a resposta "Alegre Porto" não é Porto Alegre, é Belém... E saí pela rua impressionado, "alegre porto" é Belém... revivendo as lembranças próximas, andando maquinalmente, sorrindo, em felicidade, caminhando, nasciam ritmos dentro de mim, nasciam frases inteiras. Nem bem cheguei em casa, quase sem a menor correção, as estrofes na ordem, o refrão no lugar certo, me nasceu esta cantiga:

Mais motores que velas, popopôs que vigilengas, um conjunto belíssimo
de prédios, cores muitas, alegria de porto alegre, alegre porto,
um Ver-o-peso que fascina com o peso de nossa cultura,
como nesta foto-lindeza que Ronaldo Salame fez,
de presente para todos nós, no aniversário da
“Belém gostosíssima, a melhor coisa do mundo”,
como a viu Mário de Andrade, como a veem nossos corações.

MODA DO ALEGRE PORTO

Velas encarnadas de pescadores
Velas coloridas de todas as cores
Águas barrosas de rios mares
Mangueiras mangueiras palmares palmares
E a barbadianinha que ficou por lá

Ôh alegre porto
Belém do Pará!

Ó alegre porto, Belém do Pará
Vamos no mercado, tem mungunzá
Vamos na baía, tem barco veleiro
Vamos nas estradas que têm mangueiras
Vamos no terraço beber guaraná

Que alegre porto
Belém do Pará!

O Sol molengo do pouso ameno
Calorão batendo que nem um remo
Que gostosura de dormir de dia
Que luz que alegria que monotonia
É a barbadianinha que ficou por lá

Óh alegre porto
Belém do Pará!

A barbadianinha que ficou por lá
Relando no branco dos moços de linho
Passeando no Sousa, que lindo caminho
Na sombra de enorme e frondosa mangueira
Depois que choveu a chuva para-já.

Ôh barbadianinha
Belém do Pará!
Lá se goza mais que New York ou Viena
Só cada grelada de cada pequena
De tipo mexido ianque-brasileiro
Alimenta mais que um açaizeiro
Nosso gosto doce de homem com mulher
No Pará se pára, nada mais se quer
Prova tucupi, prova tacacá.

Ôh alegre porto
Belém do Pará!...

Sede bem-vindo ilustre visitante, que remas o direito
de ver-o-belo desta Santa Maria de Belém do Grão Pará.
Ao ver-o-peso das coisas e encantarias, que te encantam
no Ver-o-peso, não te espantes. Uma estação de docas
e uma grande doca te aguardam, com prédios gigantes
e históricos para guardares na memória e no coração.
Anima-te! Sorri!
Estás diante de uma aquarela de Sérgio Bastos,
que derrama a cidade a teus olhos.



Escrito por Fernando Jares às 19h07
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UM PAPAGAIO POR BELÉM, 396 ANOS

 

Vamos empinar um papagaio, leitor amigo, para comemorar o aniversário de Belém – se a chuva da tarde deixar, pois é o tempo dela...
Mas o papagaio já está aí em cima, trabalho do Cobra, o maior cobra na criação e produção de papagaios, curicas e afins já havido cá pelas ruas de Belém. Digo “já havido” porque soube que ele teria mudado, recentemente, para outras terras.
Tudo bem, ele fez esse um aí, faz um tempão. Foi nos anos 80, do século passado. Encomenda da Prefeitura para uma bela campanha, ao tempo do prefeito Fernando Coutinho Jorge. Acho que foi em 1986, tempo em que Belém recebeu o Congresso Brasileiro de Agências de Viagens. A criação foi da Mendes Publicidade, hoje Comunicação, mas sempre dos Mendes, que foi buscar inspiração no poema “Belém do Pará” de Manuel Bandeira, que por cá andou muitos anos antes, no distante 1928.
Foi uma campanha bonita, de valorização da imagem da cidade, fortificando a autoestima do belenense, a sua relação de amor com a urbe. O papagaio – que nem sei, com certeza, se foi mesmo feito pelo Cobra – era um brinde, mas brinde bom, coisa de primeira, pois tenho o meu até hoje, apenas um pouco manchado nas bordas, como na foto.
Acho ótimo relembrar esse mote hoje, 12/01, aniversário de Belém, 25 anos após a realização da campanha. Precisamos querer mais bem a nossa cidade.
Minha sempre professora Ana Prado disse isso hoje, no Twitter: “Ainda sonho, mesmo com fortes motivos para me entristecer. Mas além de uma gestão à altura, Belém merece mais humanismo entre nós. #civismo”.
Os jornais estão cheios de anúncios de empresas a derramar declarações de amor a Belém. Tem coisa que eu achei bonita, criativa, competente. Tem coisa que eu não gostei – mas que alguém gostou, porque fez ou porque aprovou a publicação... Muitos representam ações efetivas que correspondem ao perfil das organizações, outros soam falsíssimo...
A mobilização por amar Belém é que é importante. Isso é que é, como alardeava uma campanha da Coca-Cola em priscas eras. Devemos trabalhar para motivar, principalmente aos mais novos, a querer bem a Belém. E exigir por ela. Porque a cidade é os seus moradores. Um, dois, três, doze, mil, um milhão – nós todos somos a Belém e podemos fazer dela a cidade que sonhamos, como deseja Ana Prado.
Aquela campanha do tempo do Coutinho Jorge tinha um adesivo para o vidro do carro, que usei durante muitos anos, passando de um carro para outro. Era assim:

E agora vamos ao Manuel Bandeira, para completar a festa:

BELÉM DO PARÁ

Bembelelém!
Viva Belém!

Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem

Bembelelém!
Viva Belém!
Cidade pomar
(Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de delinquente:
O apedrejador de mangueiras)

Bembelelém!
Viva Belém!

Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas:
Estrada de São Jerônimo
Estrada de Nazaré

Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil
Se chama liricamente
Brasileiramente
Estrada do Generalíssimo Deodoro

Bembelelém!
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.

Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Terra de fala cheia de nome indígena
Que a gente não sabe se é de fruta, pé de pau ou ave de plumagem bonita.

Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Me obrigarás a novas saudades
Nunca mais me esquecerei do teu Largo da Sé
Com a fé maciça das duas maravilhosas igrejas barrocas
E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais
tão bonitinhos
Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas
Verdes
Azuis
Da doca de Ver-o-Peso
Nunca mais

E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga:

Bembelelém!
Viva Belém!
Nortista gostosa
Eu te quero bem.


Belém, 1928



Escrito por Fernando Jares às 17h11
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MENINOS VIOLONCELISTAS EM SÃO PAULO

BOM DIA BELÉM, BOA NOITE PAULISTAS!


A Orquestra de Violoncelistas da Amazônia começa esta noite, no “Solário SESC”, em Santos, São Paulo, a excursão Cello Stravaganza por terras paulistas, para três apresentações no interior e duas na capital. Com o grupo, em participação especial, duas cantoras paraenses, a lírica Gabriella Florenzano e a pop Joelma Kláudia.
Ligada à Escola de Música da UFPA, a Orquestra foi criada em 1998 pelo professor Áureo de Freitas, seu regente, e é considerada a única orquestra profissional juvenil de violoncelistas do Brasil.
Os jovens violoncelistas que vimos emocionar muita gente no "Terruá Pará", que andaram pelo “Globo Repórter”, já levaram (e elevaram) a bandeira musical do Pará pelo Brasil e à Europa, aos Estados Unidos e até bem mais longe, à China.
Os paulistas ouvirão um repertório ousado, da música erudita ao rock, mostrando música popular brasileira e paraense. Por exemplo: “Kashmir” (Led Zeppelin), “Bom Dia Belém” (Edir Proença / Adalcinda Camarão), “Libertango” (Astor Piazzolla), “Fade to Black” (Metallica), “Bachiana nº 5” (Villa Lobos) e ainda Waldemar Henrique, Amy Winehouse, Iron Maiden, Beatles e por aí.
Conta a jornalista Franssinete Florenzano em seu blog, que “Além de suas atividades musicais, a Orquestra funciona como importante ferramenta de inclusão social, ao valorizar crianças e adolescentes, fazendo com que seus integrantes sejam reconhecidos pelos melhores violoncelistas do cenário musical nacional e internacional, ao mesmo tempo em que atende com aulas de musicalização e cidadania crianças com autismo e portadoras de déficit de atenção e hiperatividade.”
Veja aqui uma apresentação (no Theatro da Paz) desses meninos violoncelistas que nos dão orgulho de ser paraenses:

 



Escrito por Fernando Jares às 18h08
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A PAN AM E SUA CAIXINHA DE FÓSFORO

A MARCA QUE RENASCE

Até os anos 1970, pelo menos, eles aterrissavam no aeroporto internacional de Belém, trazendo e levando gente de e para os Estados Unidos. Com diversas escalas no caminho, que foram diminuindo conforme as aeronaves se modernizavam. Eram os grandes aviões da Pan American World Airways. Tinha até agência por estas bandas, com equipe local, como qualquer companhia. Lembro-me do gerente René Watrin, um cara muito simpático. Símbolo dos Estados Unidos, certa vez li um anúncio que dizia que, quando houvesse viagens comerciais para a lua, a primeira linha regular seria da Pan Am... Começaram a operar em Belém nos anos 1940, com a mais moderna aeronave da época, o Boeing 307, e aqui investiram, construindo o belíssimo Grande Hotel, primeiro estabelecimento da sua rede Intercontinental. Em 1965 um grupo de cinco estudantes paraenses, eu entre eles, fomos aos Estados Unidos para um programa de convivência – e voamos Pan Am para lá, com escalas pelo Caribe. Qualquer dia escrevo sobre este assunto, até porque tem colega daquele tempo cobrando... Veja um anúncio publicado em Belém em 1972, que captei do Jornal Pessoal, o jornal de Lúcio Flávio Pinto, na sua “Memória do Cotidiano”, 1ª quinzena de abril/2011. Vendia uma linha para Miami, com escala em San Juan, Puerto Rico, onde era possível fazer conexão para New York pegando o ultramoderno Boeing 747:

O que ninguém esperava, aconteceu em 1991: a Pan Am faliu, tirando do ar um dos grandes símbolos de Tio Sam no século XX.
No final do ano passado, 20 anos depois, a Pan Am voltou à mídia americana, com a estreia de um seriado na rede ABC, com o nome da falecida companhia norte-americana. Também foi bastante lembrada porque a American Airlines, outro grande ícone do capital norte-americano, pediu concordata justo nesse vintenário...

A série na televisão é vista nas noites de domingo e tem como estrelas centrais três aeromoças, como se chamavam na época as hoje comissárias de voo, e os pilotos, sendo ambientada nos anos 1960/70. Os aviões são cenário principal das histórias, tudo reconstituído como deve ser, inclusive com liberação para os (geralmente incômodos) fumantes...
Como o consumidor moderno adora entrar nas ondas de marketing, a marca Pan Am voltou “de cumforça”, como se dizia aqui pelas ruas de Belém naqueles tempos de sucesso e charme da Pan Am. E virou mania: tem de um tudo com a marca da companhia, agora renascida na série, como maletas, relógios e mil e uma lembrancinhas desse tipo, até peças bem mais sofisticadas.
Aí pensei em um brinde da Pan Am que tenho cá comigo, na minha gaveta de coleções pequenas, no caso, de caixinhas de fósforo. Trata-se de caixa para assinalar o lançamento do primeiro voo de um Boeing 747 com a marca da companhia. Ao abrir a caixinha levanta uma vinheta mostrando, como que em 3D, o grande avião, que ganhou o título de Jumbo. O 747 havia sido criado pela Boeing em parceria com a Pan Am que, obviamente, recebeu as primeiras unidades e fez uma apresentação conjunta da aeronave, em janeiro de 1970. Há 42 anos, idade da caixinha abaixo...



Escrito por Fernando Jares às 23h07
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ADIVINHEM O PORQUÊ...

HISTÓRIAS DE UM BRAVO BICOLOR

Na revista Paysandu 90 anos, que comemorou, em 2004, as nove décadas do Papão da Curuzu, ele escalou o seu esquadrão bicolor “de todos os tempos”: Palmério; Izan, Athenágoras, Mariano, Manoel Pedro e Nascimento; Arleto, Farias, Hélio, Guimarães e Soyá. Por pura ironia de feliz torcedor, listou o time que venceu o mais tradicional adversário do Papão, pelo histórico placar de 7x0. E, ao entregar a escalação aos editores da revista, escreveu um comentário: “Adivinhem o porquê...” (sobre este jogo leia “Um certo 7x0 faz aniversário", clicando aqui e “O placar mágico do futebol paraense”, aqui).
Desde o dia de Natal a comunidade bicolor paraense não tem mais Nabor de Castro e Silva, um dos grandes torcedores e dirigentes do clube no século XX. “O maior bicolor do século!”, empolgou-se o ex-presidente Rui Salles, ao informar o falecimento no Twitter.
O jornalista e radialista Cláudio Guimarães, em sua coluna “Bola pra frente” no Diário do Pará, registrou, dia 27: “Nabor de Castro e Silva, falecido e enterrado no Dia de Natal, merecia mais homenagens. Integrou 1ª diretoria da Fundação Desportiva Paraense (construiu o Mangueirão) e no Paysandu foi diretor de basquetebol, presidente do CD e da diretoria. Era grande benemérito. Não vi nota oficial e nem manifestação de luto por três dias tanto do Paysandu, como SEEL e FPF. É duro!
Talvez muitos dos bicolores dos dias de hoje não saibam dele, mas foi um dos comandantes da construção da sede do PSC, na avenida Nazaré, nos anos 1960, quando me associei ao clube, consumindo nessa operação grande parte de meus pequenos ganhos... mas ajudando o Papão a ter uma belíssima sede. Desde muito cedo ouvia falar no nome de Nabor de Castro e Silva, afinal, além de líder no meu time, era figura influente nas empresas Cunha Maia, que tinham raízes fincadas em Capanema, desde quando eu era criança pequena por aquelas ruas... Nabor de Castro e Silva, nascido em Belém em 1926, começou a vida trabalhando no Museu Goeldi, garoto ainda, na década de 1940. Executivo nas empresas Cunha Maia, chegou a diretor do Banco Comércio e Indústria da América do Sul, que pertencia a esse grupo local. Sim, aqui pelas ruas de Belém já tivemos sedes de bancos privados! Foi ainda diretor da financeira Produsa e da Companhia Intercontinental de Seguros, entre outras empresas.

Dirigentes do Paysandu, nos anos 1960, na Curuzu, em foto que captei do livro “Papão – 90 anos de Paixão e Glórias”, do jornalista e escritor Ferreira da Costa:
Tufi Mubarack, Carlos dos Santos, Nabor Silva, Domingos de Paiva Pinto, Fausto Soares Filho, Abílio Couceiro, Jorge Faciola de Souza e Eulógio Blanco Carril.

Mas, acima de tudo, para a imensa e fiel torcida bicolor, Nabor de Castro e Silva foi um cara que ajudou a construir grandes conquistas. Era daquele time que “metia a mão no bolso” para contratar jogadores, para pagar salários, para equilibrar o clube. Grande Benemérito de verdade! Ouvi muitas histórias dele, que não queria, por nada, que isso se tornasse público – mas este ou aquele amigo acabava contando o quanto ele ajudava. “Um dos maiores expoentes e benfeitores do clube em toda sua história”, reconheceu agora a Diretoria e o Conselho Deliberativo do PSC, em convite para a Missa hoje celebrada pela alma de Nabor de Castro e Silva.
Também alguns amigos de Nabor publicaram um belo convite em que afirmam: “Nabor ficará para sempre nas lembranças dos seus amigos, tanto os signatários deste convite quanto os muitos outros que fez ao longo de uma vida pautada pela seriedade e pelo empreendedorismo.” Assinam a nota Antônio Couceiro, Artur Tourinho, Abílio Couceiro, Antônio Carlos T. de Moraes, Abrahão Bendahan, Ambire Gluck Paul, Camilo Centeno, Cezar Neves, Fernando Velasco, Joaquim Ramos, João Drummond, José Lessa, Jorge Mubarack, Manoel Acácio, Miguel Sampaio e Orlando Carneiro.



Escrito por Fernando Jares às 20h27
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