Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog



Outros sites
 Cais do Silêncio - Literatura de Jason Carneiro
 Quarto Escuro - escritos, lidos, gostos e desgostos de Bruna Guerreiro
 Oníricos - O e-book de Bruna Guerreiro
 Cerveja que eu bebo - Cervejas bem bebidas, experiências compartilhadas.




UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


ESTRELA DO PARÁ EM EDIÇÃO ESPECIAL

O SEMPRE BRAVO! BENEDITO NUNES

Benedito Nunes será a estrela maior – com óbvia e indiscutível justiça – da edição especial da revista Bravo! exclusivamente sobre o Pará, que circulará agora em novembro. Nélio Palheta, Ismael Machado e Edson Coelho são os três jornalistas locais convidados pela editoria da revista a produzirem as matérias que a compõem.
Nélio, que assina a reportagem sobre Benedito Nunes, explica que “há razões de sobra para isso: neste ano, o intelectual paraense – que integrava o seleto naipe de críticos, ensaístas e filósofos brasileiro – é o que terá o maior volume de obras publicadas (menos de um ano depois de sua morte), produto de trabalhos acadêmicos em Belém e São Paulo, e de um projeto (interrompido com o falecimento de Nunes, em fevereiro passado) comandado por Victor Sales Pinheiro, doutorando em filosofia na UFRJ, que estava, sob supervisão do próprio filósofo da Estrela, coordenando a reedição das obras completas, além de produções inéditas”.
O premiadíssimo e reconhecido internacionalmente fotógrafo Luiz Braga é outro brilhante paraense, que circula pelas ruas de Belém, a merecer pauta da revista da Abril.



Escrito por Fernando Jares às 19h40
[] [envie esta mensagem] [ ]



A EMOÇÃO COM DALCÍDIO JURANDIR

A EXIGÊNCIA DE UM AMOR RADICAL

O poeta, cronista e professor Paulo Nunes emocionou-se ao participar da leitura dramática de obras de Dalcídio Jurandir, esta semana, na Unama (leia o post imediatamente abaixo). Emocionou-se e escreveu sua emoção, com a emoção que ele sabe dar às palavras. Não resisti a transcrever o que ele registrou sobre essa experiência no transporte da nossa melhor literatura para o texto teatral, com a participação intensa e integral de um mestre, ou melhor, de um professor doutor, apaixonado pelo que faz, trabalhando com personagens e com pessoas, criadas e viventes, pelas ruas de Belém.

Dalcídio, Bolle e a “rapaziada” da Escola Estadual Celso Malcher
Paulo Nunes
Emocionou-me muito ver o que recentemente ”aprontaram”, na sala de experimentações cênicas da Unama, alunos e professores da Escola Estadual Celso Malcher, dirigidos por Willi Bolle. Depois de tudo o que foi visto é que me ponho a refletir: por que a difusão da leitura é tão improdutiva em nossas salas de aula? Por que professores precisam “grevar” para fazer suas vozes chegarem à sociedade? Ficamos todos, nestes momentos de mundialização da informação, sem piso, sem chão, após o exercício lúdico que se consubstanciou diante de nós a fusão de teatro e literatura? Estas caraminholas que pululam em nossas cabeças tomam forma depois de a gente presenciar uma atividade lúdica que reuniu, através da química do texto dalcidiano, um brecthiano professor teuto-brasileiro com alunos e professores da escola Celso Malcher, localizada na Terra Firme, em Belém do Pará. Quando se completam mais de 30 dias da greve dos professores da rede pública de ensino e cerca de três meses após os vereadores de Belém retirarem inexplicavelmente de importante avenida o nome de Dalcídio Jurandir, a leitura dramática do romance “Primeira Manhã” caiu como uma luva em nossas mãos, ávidas de beleza e práticas construtivas no cotidiano de nossas escolas.
Após mais de sessenta minutos da leitura dramática de “Primeira Manhã”, adaptação de Willi Bolle, ouvimos as argumentações teóricas do professor da USP: o por quê do uso de Brecht como método; como o professor começou a aproximar-se do teatro e do teatro do texto literário, ainda na Alemanha. E não é que eu me lembrei, impulsionado pela fala quase inaudível da professora Elaine Oliveira (que estava a meu lado e disse: “Isso faz toda a diferença... Josse, foi isso que fizeste conosco – Elaine fora aluna de Josse, que também estava presente – conosco lá no Deodoro”) de uma experiência que eu, rapaz de 18 anos, vivenciei , instado por uma professora, Josse Fares, então com uns 30 e tantos anos, na Escola Deodoro de Mendonça. Falo do grupo “Mãos Dadas”, literomusical* Ali, a professora aglutinava seus alunos, mais de 30, em torno de Drummond, Chico Buarque, Vinicius de Morais, João Cabral de Melo, Manuel Bandeira, Dalcídio, Waldemar Henrique, Paes Loureiro, entre outros. Resultado: me transformei em professor de literatura e, algo mais tarde, casei-me com a professora.
As experiências de Josse e de Bolle têm em comum, um amor radical (no sentido paulofreiriano da palavra “radical”) pelo magistério, não como missão, mas como tesão – desculpem se lhes pareço vulgar –, tesão estético. “Sem tesão, não há solução!”, diria o filósofo anarquista Roberto Freire.
A gente sabe que há professor de literatura, de norte a sul do Brasil, que ao invés de emocionar os alunos com o texto literário, sufoca as turmas com teorias, teorias e mais teorias. E o texto literário onde fica? O
probrezito fica lá no fundo da sala, esquecido feito “aluno problemático”, como o Alfredo de “Primeira Manhã”, Alfredo que não conseguiu se identificar com a “educação estéril” que lhe era imposta no Ginásio. O que se pratica em muitas salas de aula brasileiras é a falta de amor pela literatura (e por extensão, à educação). Se o professor lê para a sua turma o “Ainda uma vez adeus”, de Gonçalves Dias, e seus olhos não reviram, feito aqueles momentos faiscantes debaixo do cobertor, isso é um mau sinal. E se nossos colegas (eu posso estar incluído entre eles) não se arrepiam de textos fundamentais, eles precisam de mais estímulos, que vão desde salários decentes até um “choque estético”. Eu tive sorte. Fui aluno da Josse, sou seu aprendiz até hoje. Aprendi a revirar... as páginas dos livros. Privilegiado, tornei-me um dos interlocutores de Bolle nas leituras de Dalcídio Jurandir (no ano do centenário do autor de “Chove nos campos de Cachoeira”, fizemos – Bolle, Célia Jacob e Josse Fares – com a turma de Literatura Amazônica da Unama, uma “fisiognomia” de Belém a partir do roteiro das personagens de “Belém do Grão-Pará”). E temos a felicidade de ver que na escola estadual Celso Malcher Willi Bolle criou um núcleo de leitores do romance do Extremo Norte. Todos nós que estivemos naquela sala de experimentações cênicas da Unama nos tornamos, mais e mais, “equilibristas no arame do Equador”. Felizes equilibristas.
(*) Ver o DVD “Belém aos 80”, de Januário Guedes e Alan Guimarães, realização da Sol Informática.



Escrito por Fernando Jares às 19h28
[] [envie esta mensagem] [ ]



PARA CONHECER DALCÍDIO JURANDIR

OUVIR O MESTRE DAS LETRAS MARAJOARAS

A Unama deveria convidar os vereadores de Belém a irem até lá amanhã, quarta-feira, 26/10, para assistirem a leitura dramática de textos de Dalcídio Jurandir nos romances “Primeira Manhã” e “Ponte do Galo”. É que eu desconfio que eles não saibam direito quem foi o grande escritor paraense – premiado pela Academia Brasileira de Letras, como Benedito Nunes, e só os dois entre todos os paraenses – pois, se soubessem de sua grande importância nacional, não teriam trocado o nome da bela avenida Dalcídio Jurandir! Praticamente desvotaram (para recordar expressão cunhada pelo popular vereador Gonçalo Duarte...) a homenagem feita pelas ruas de Belém, pois a denominação havia sido aprovada pouco tempo antes.
Mas, quem sabe o valor de Dalcídio, e tem disponível a tarde de amanhã, pode ir até lá, desfrutar os bons momentos que serão proporcionados por alunos e professores da Escola Estadual Dr. Celso Malcher, do bairro da Terra Firme, que participam do programa conduzido pelo professor e pesquisador da USP e CNPq, Willi Bolle, atualmente dedicado a pesquisas sobre a cultura e a literatura de expressão amazônica. Este mesmo grupo realizou, em abril do ano passado, uma leitura dramática do romance “Passagem dos Inocentes” (1963), também de Dalcídio Jurandir.
De acordo com o Curso de Letras e o Núcleo Cultural da Unama, que promovem o evento, o tema principal desses dois romances, como também de sua transposição cênica, é a questão do ensino e da formação. O protagonista, o adolescente Alfredo, que veio do Marajó para Belém para estudar no ginásio (Dalcídio estudou no Barão do Rio Branco, ali na Generalíssimo, que está em péssimas condições físicas, pelo menos externamente...), passa por três tipos de experiências:
    1) a decepção com as aulas demasiadamente abstratas, que não têm nenhuma relação com o seu cotidiano e com a procura de saber por parte de um jovem;
    2) a culpa e a atração que ele sente por uma moça que é também do Marajó, mas a quem negaram o acesso ao ginásio; ela desapareceu misteriosamente na cidade e Alfredo como um detetive quer descobrir o seu paradeiro;
    3) a atração de Alfredo pelos saberes da rua é desmitificada pelo tio (“a ciência é o melhor cavalo”), por uma contrabandista (“se eu tivesse de estudar, era as leis que eu estudava”) e pela sua mãe, que lhe fez ver que “desforra de pobre é estudar”.

Pretendem os organizadores, com esta apresentação, despertar o interesse em ler os romances de Dalcídio Jurandir (o que seria muito útil aos senhores vereadores!) e difundir o “projeto literário, cultural e político desse autor pode ser caracterizado como uma tentativa, bem-sucedida, de estabelecer um amplo diálogo com as pessoas das camadas populares, sobretudo na periferia de Belém, no sentido de não apenas falar sobre elas, mas falar com elas”.
Leia “Viva Dalcídio Jurandir!”, publicado em 2009, no dia do centenário de nascimento do escritor, clicando aqui.
    Local: Unama, campus Alcindo Cacela
    Espaço de Arte Cênica, bloco D, 5º andar
    Data: 26 de outubro (quarta-feira)
    Apresentação: 16h30 - Entrada Livre
    Debate: 17h40



Escrito por Fernando Jares às 14h23
[] [envie esta mensagem] [ ]



NOS 400 ANOS DE BELÉM

UM MONUMENTO PARA N. S. DE NAZARÉ

Uma imagem gigantesca de Nossa Senhora de Nazaré sobre as águas da baia do Guajará, saudando visitantes e romeiros que vêm à cidade por via área ou fluvial, abençoando a todos, especialmente os que creem em seu Filho Jesus. Que tal esta ideia para marcar o quarto centenário desta cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará?
Pois bem, a ideia já existe faz tempo, o projeto já foi estudado e desenhado, o lugar já foi escolhido e aprovado. Só falta fazer.
A proposta inicial foi do falecido jornalista e escritor Carlos Rocque (ops! parece que estamos em uma “série Rocque/Senhora de Nazaré..., mas é que ele tinha muitas ideias) e o projeto do arquiteto, escultor, pintor, professor, carnavalesco, poeta, Fernando Luiz Pessôa, por encomenda da Diretoria da Festa. Só falta fazer.
No último dia do Círio (09/10) o prefeito de Belém teria prometido a D. Alberto T. Correa que faria uma. Segundo o jornalista Mauro Bonna divulgou em seu Twitter: “Dudu prometeu para o bispo construir uma estátua da Santinha, de 46 metros, na área do Ver-o-Rio.”
Como tudo isso já existe e só falta fazer, vamos recordar algo a respeito.
Em 2001 O Liberal dedicou página inteira ao projeto do Fernando Pessôa (ele tem um circunflexo que o homônimo lusitano, também poeta, mas não arquiteto, não tem...), com este título:

Os 15 andares do projeto original (mais ou menos 50 metros) combinam com os 46 metros do “projeto” do atual prefeito. Deve ser coincidência... Segundo a matéria assinada pelo jornalista Josué Costa, já havia, em 8 de julho de 2001, aprovação dos ministérios da Aeronáutica (por causa do aeroporto) e da Marinha (por causa da navegação na baía).
Veja aqui como seria o monumento:

O formato não obedece ao tradicional e consagrado triângulo, lembrando mais a imagem sem manto, mas o texto explica que “o manto apresenta-se como se estivesse tremulando, porque a imagem estará sobre as águas de um rio, onde, geralmente, os ventos são fortes e constantes.” Muito legal esse cuidado do Pessôa, que explicou ao jornalista: “A ideia busca a originalidade. Não poderíamos deixar o manto colado ao corpo em um local onde há fortes ventos e águas agitadas".
A grande estátua seria construída em uma pequena ilha onde outrora havia a Fortaleza da Barra, que terminou seus dias como depósito de munição... que explodiu e tudo se acabou.
A ilha teria ancoradouro para receber visitantes, romeiros, turistas, com toda infraestrutura necessária como lojas, lanchonetes, ambulatório médico, banheiros, etc. No interior do monumento estavam planejadas áreas para exposições e dois museus. O Museu da Fortaleza contaria a história antiga do local e um Museu do Círio para mostrar a ligação da santa ali representada com a monumental manifestação religioso-popular paraense. Na altura da cintura, cerca de 30 metros do solo, um pátio panorâmico para observar a cidade e a imensa água que nos circunda. Mais acima, dois mirantes, nas coroas do Menino Jesus e de Nossa Senhora, para os mais audaciosos em subir tantas escadas... No topo da coroa de Nossa Senhora haveria um farol para os navegantes.
 A construção era estimada para 18 meses e haveria compromisso do governo da época (Almir Gabriel) em realizar a obra. Até a data da pedra fundamental estava marcada e anunciada: 13 de outubro de 2001. A ideia era tão forte que, segundo a reportagem, a Secretaria de Cultura também estaria trabalhando em um projeto no mesmo sentido! Curiosamente a foto de Almir Gabriel (sem indicação de autor, provavelmente de arquivo) publicada junto a suas declarações mostra um efeito de luz que se assemelha a uma daquelas auréolas de santos, sobre a cabeça...
O coordenador da Festa era o hoje desembargador João Maroja, para quem o desejo de se construir um monumento para N. S. de Nazaré era antigo – houve quem quisesse “esculpir a imagem no tronco da antiga castanheira, na curva do Entroncamento” afirmou ele ao repórter, lembrando o “jornalista e historiador Carlos Rocque, que chegou, inclusive, a propor que, durante as comemorações dos 500 anos do Brasil fosse construído, sobre as águas da baía do Guajará, um monumento em homenagem à fé dos paraenses. Mas as sugestões não vingaram.”
Quando Carlos Rocque faleceu a viúva, Maria da Conceição, explicou ao jornal A Província do Pará, no caderno especial sobre a vida e o trabalho de Rocque, em 23/01/2000, que ele alimentava um grande sonho, talvez o maior de todos, de construir uma grande estátua de Nossa Senhora de Nazaré no meio da baía do Guajará, que seria como uma estátua da Liberdade, para receber e dar as boas-vindas àqueles que chegassem a Belém, de avião ou navio. “Era um sonho que vinha acalentando e desenvolvendo há muito tempo. Sua felicidade ainda era maior porque iria ser nomeado pelo governador Almir Gabriel como assessor cultural do Palácio e com isso teria mais condições para realizar o sonho de sua vida.” A morte interrompeu o sonho.

Reativar este projeto, para os 400 anos de fundação de Belém, pode ser uma iniciativa não apenas do Estado, do município, mas  envolver toda a comunidade católica e aqueles que, mesmo sem serem religiosos, vivem e trabalham pelas ruas de Belém e sabem da importância da querida “Nazica” e do Círio para a vida da cidade e do Estado. Fica a sugestão, justo neste dia de Recírio, em que se encerram as festividades nazarenas deste ano.

Que tal este mote para uma campanha pelo turismo: "Conheça em Belém a mãe do Cristo Redentor"...



Escrito por Fernando Jares às 18h26
[] [envie esta mensagem] [ ]



A CRIAÇÃO DO MUSEU DO CÍRIO

Para fomentar a importância da materialidade da fé, a Paróquia de Nazaré criou, em outubro de 1986, criou o Museu do Círio. Durante dezesseis anos funcionou no subsolo da Basílica. Em 2005 foi transferido para um dos prédios ao lado da Igreja de Santo Alexandre, na Cidade Velha”. Essa afirmativa está da edição deste ano da publicação “Caminhos da Fé”, que circula anualmente encartada na revista Veja no Pará, na semana anterior ao Círio de Nazaré. É uma excelente publicação, de sucesso comercial, que tem trazido boas pautas sobre a secular romaria paraense. Mas não deu a informação correta ao contar sobre o Museu do Círio. A afirmativa segue-se a uma declaração do padre Giovanni Incampo, barnabita há dezenas de anos na Basílica de Nazaré: “Materializar as coisas é algo histórico e faz parte do fundamento do cristianismo”, mas não deve ter sido ele a fonte sobre a origem do museu pois, com certeza, conhece-a muito bem.
A iniciativa do Museu do Círio foi do Estado, via Paratur, na época presidida pelo jornalista Carlos Roque, o “pai” da ideia, como afirma claramente a matéria acima, publicada no caderno especial de A Província do Pará, de 23 de janeiro de 2000 (transcrita mais abaixo), inteiramente dedicado à vida de Carlos Rocque, após seu inesperado falecimento, em 10 de janeiro daquele ano – pouco após acompanhar uma equipe de televisão pelas ruas de Belém e seus principais pontos históricos, na produção de matéria para o dia do aniversário da cidade, 12 de janeiro.
No texto publicado no post imediatamente anterior (aqui) há uma referência clara sobre a origem desse museu: “Paratur e diretoria da festa vão inaugurar, no dia 9 de outubro, pela manhã, o Museu do Círio, na cripta da Basílica.”, conforme a revista Círio 86 (editada pela Diretoria da Festa, sob a responsabilidade do jornalista Walbert Monteiro). Como a Romaria Fluvial, o Museu fez 25 anos sem nenhuma comemoração...
Veja aqui uma imagem do Museu do Círio da época da inauguração, um projeto do arquiteto Bechara Gaby para o espaço da Cripta da Basílica:


Na revista Círio 87 há um artigo do padre Vicente di Schiena sobre a cripta da Basílica, de onde captei a bela imagem acima, de autoria do fotógrafo Nelson Amaral. Pe. Schiena pesquisou a história do espaço e sua ocupação ao longo dos anos. Nos 1980s ele diz que ali estavam cursos para Mães, para Auxiliares do Lar, os encontros dos focolarinos, dos carismáticos, das Filhas de Maria, dos neocatecúmenos e afirma que “Essas atividades foram transferidas para ambientes provisórios, a 9 de outubro de 1986 foi inaugurado do Museu do Círio, segundo o projeto de Bechara Gaby, em convênio entre Paratur e Diretoria da Festa, com um trabalho que bateu recorde do tempo, em rapidez". É depoimento de testemunha da história que, na época, segundo a sua qualificação na revista, era “coadjutor da paróquia de Nazaré”. Quem conheceu Rocque sabe do que fala o padre, naturalmente acostumado a obras centenárias, com recursos captados com dificuldades, etc. Rocque corria com as coisas, sabendo que precisava aproveitar o momento político favorável, certo de que a ideia, mesmo boa, poderia ser sepultada em um governo seguinte... como aconteceu com a estátua monumental de N. S. de Nazaré que ele sonhava para a entrada (fluvial) de Belém. Mas isso é história para outro post.
O governador nesse tempo era Jader Barbalho que, nem a propósito, recordou esse museu (e a Romaria Fluvial) em sua coluna semanal no Diário do Pará do Dia do Círio (09/10/2011):
Eu tive o privilégio de ter ao meu lado, no meu primeiro governo, o historiador Carlos Rocque que, na presidência da Paratur, criou a Romaria Fluvial. A primeira Romaria Fluvial aconteceu no meu governo. Rocque era um incentivador do Círio, um entusiasta das nossas coisas e um grande divulgador do Pará lá fora. Hoje a romaria fluvial é um dos principais acontecimentos da temporada do Círio. Também no meu governo foi criado o Museu do Círio, que guarda muitas histórias e é a memória desse evento da Igreja Católica, mas que agrega todas as religiões e até aqueles que não têm religião alguma.” O texto completo pode ser lido aqui.
Em 1989 estive diretor da Paratur durante oito meses (em notório desvio de função que consegui corrigir rapidinho...): o Museu do Círio era de responsabilidade da Paratur, que pagava manutenção, pessoal, etc. E, ao que sei, assim continua até hoje.
A seguir a íntegra do texto de A Província do Pará, em
23/01/2000, mostrado acima:
Rocque também criou Museu do Círio
O jornalista e historiador Carlos Rocque também foi idealizador do Museu do Círio, que funciona no subsolo da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. O museu foi inaugurado em 9 de outubro de 1986, quando Carlos Rocque era presidente da Paratur. O acervo do museu reúne os principais elementos significativos da romaria do Círio. São imagens da virgem de Nazaré, a corda, os brinquedos de miriti dos artesãos de Abaetetuba, peças de arte sacras usadas nas primeiras missas do século XIX, planta da construção da Basílica de Nazaré e os objetos de cera que os romeiros entregam à virgem como pagamento de promessas no dia do Círio.
O museu também tem um detalhe importante: fotos e objetos da história do jornalismo paraense. Um dedo de Carlos Rocque, o eterno repórter da história e apaixonado por sua profissão. O museu do Círio também é um espaço para a realização de Exposições e Mostras Culturais, como a "Anjos do Círio", visitada por mais de 18 mil pessoas. A atual diretora do Museu é Socorro Ribeiro. Uma visita ao Museu, faz o visitante entender a fé que o povo de Belém dispensa à virgem de Nazaré
.



Escrito por Fernando Jares às 15h25
[] [envie esta mensagem] [ ]



AINDA A ROMARIA FLUVIAL

QUAL A DATA DA PRIMEIRA ROMARIA FLUVIAL?

Há dias escrevi sobre esse evento, que integra a programação em torno do Círio de Nazaré, como uma de suas principais romarias – e que completou 25 anos, sem nenhum festejo. E mais: com o quase total esquecimento do seu criador, o jornalista e escritor Carlos Rocque e ainda o registro errado da data de sua primeira realização.
Praticamente todas as fontes que consultei indicam como sendo 8 de outubro de 1986 a data da primeira Romaria Fluvial. Algumas, muito poucas, creditam a criação à Paratur, então presidida pelo jornalista Carlos Rocque.
No post “Para preservar a história – 25 anos do Círio das Águas” (que você pode ler clicando aqui) já mostrei que a data certa é 11 de outubro, inclusive apresentando o convite da Paratur para o evento.
Mas, por que essa confusão?
Andei a pesquisar e procurar entre publicações da época e posteriores. E parece que achei o motivo da confusão: a data errada está no belo fascículo “A história do Círio”, da série “História dos Municípios do Pará”, publicada como encarte do jornal A Província do Pará, (tenho aqui a 5ª edição, de 1998), cujo editor foi o próprio... Carlos Rocque! Com certeza a pressa do redigir levou-o (ou quem com ele trabalhou na edição) a este descuido histórico. Pelo que acompanhei e, de alguma forma participei, pois era, naquele 1986, editor de turismo de A Província do Pará, o restante das informações está certo, mas a data... Muito corretamente Rocque credita o título “Círio das Águas” ao jornalista Raymundo Mário Sobral.
Em 2001, já falecido o autor, os fascículos foram reunidos em um livro com o título “História Geral de Belém e do Grão Pará”, com “atualização de texto” pelo jornalista Antonio José Soares. Como em sua quase totalidade os fascículos foram reproduzidos na íntegra (embora sem citação d’A Província...) a data errada foi mantida.
Para confirmar o 11 de outubro, além do documento já citado e mostrado no post anterior, veja abaixo a lâmina “Momentos importantes do Círio-86” do folheto com a programação daquele ano:

O tópico “Alvorada e Romaria Fluvial” cita o seguinte, respeitada a ortografia utilizada: “No dia 11 de outubro – véspera do Círio – às 05:00 horas haverá a ALVORADA DE FOGOS. Pela manhã ocorrerá a primeira Romaria Fluvial promovida pela PARATUR – EMPRESA PARAENSE DE TURISMO e pela Diretoria da Festa de Nazaré. Os barcos, devidamente ornamentados para a ocasião, efetuarão o deslocamento de Icoaracy para Belém.”
Outro registro interessante encontrei na “Revista do Círio 86” (editada pela Diretoria da Festa, sob a responsabilidade do jornalista Walbert Monteiro). Não cita a data, mas refere muito bem a ideia de Carlos Rocque sobre a criação da Romaria. E informa que em 9 de outubro, pela manhã, ocorrerá a inauguração do Museu do Círio (ora, se a Romaria Fluvial fosse no dia 8, o Círio seria no dia 9, que não é data para inaugurações... muito menos pela manhã, com a romaria circulando pelas ruas de Belém!). Veja abaixo a matéria e sua transcrição.

As novas atrações deste ano
Unir a festa religiosa à promoção turística do Estado foi o motivo que levou o presidente da Paratur, jornalista Carlos Rocque, a propor à diretoria da Festa de Nossa Senhora de Nazaré a realização de uma procissão fluvial para homenagear a padroeira dos paraenses. A ideia foi aceita e este ano, na manhã de sábado, dia da trasladação, a imagem de Nossa Senhora será deslocada até Icoaraci, o balneário mais próximo de Belém, de onde sairá, de barco, até a escadinha do cais do porto, na Presidente Vargas.
Rocque está animadíssimo com a inovação. Segundo ele, a festividade de Nazaré deixou de ser um evento somente religioso para transformar-se na festa de todos os paraenses. A procissão será mais uma atração turística para quem vem ver o Círio. Além disso, Nossa Senhora de Nazaré é a padroeira dos pescadores em Portugal, onde começou a história de sua veneração. O Círio, até 1926, trazia como referência a este fato, grupos de pessoas vestidas de marinheiros, que iam fazendo movimentos ondulatórios, tradição abolida naquele ano.
Para acompanhar a procissão, as embarcações devem se inscrever na Capitania dos Portos, que vai ser responsável pela segurança do cortejo. O presidente da Paratur pretende que a imagem da padroeira siga até Belém numa corveta da Marinha. Pela programação, o governador Jader Barbalho e grande comitiva vão, às 9 horas da manhã, até o Colégio Gentil Bittencourt, para levar a santa, por estrada, até Icoaraci. De lá, a imagem virá em romaria fluvial, até a orla da cidade, chegando até a altura do campus universitário, para que toda a população possa ver a procissão passar, e retorna à escadinha da Praça Pedro Teixeira, onde desembarca e vai receber honras de chefe de Estado da guarda de honra da Polícia Militar.
Todos os sindicatos de pescadores e empresas de transportes fluviais serão convidados para a procissão. Carlos Rocque vai solicitar que a Companhia das Docas do Pará abra os seus portões para o público apreciar a procissão, já que Belém possui poucos espaços abertos para a baía.
Abrir a programação
A ideia da Paratur é incluir a romaria fluvial na programação da festividade de Nazaré. A empresa de turismo vai patrocinar ainda o espetáculo pirotécnico que será realizado, na noite da trasladação, no Ver-o-Peso, entre o Forte do Castelo e o Mercado de Ferro. Duas balsas vão queimar centenas de fogos em homenagem a Nossa Senhora. O espetáculo está orçado em 54 mil cruzados e será organizado pelo tradicional fogueteiro que prepara o espetáculo pirotéc­nico da Basílica durante a quadra nazarena, o "Palheta".
Paratur e diretoria da festa vão inaugurar, no dia 9 de outubro, pela manhã, o Museu do Círio, na cripta da Basílica. Haverá também um concurso para escolher a fachada da casa mais bonita, que fique no percurso da procissão. Será realizada também uma campanha incentivando o povo a enfeitar as ruas de vermelho e branco, as cores da bandeira do Pará.
Rocque pretende conseguir a autorização do governador para que os órgãos públicos enfeitem, no período da festa, suas fachadas com jogos de luz, como fazem no Natal. Para o presidente da Paratur, o Círio é o segundo natal dos paraenses e merece todo o incentivo na comemoração, pois é o evento mais representativo no setor de turismo.

Note: na época ainda não havia a Estação das Docas. O texto, com certeza, foi escrito com antecedência, por isso algumas coisas ainda estavam no condicional. O Palheta citado era um grande fogueteiro da Vigia. Antigamente havia fogueteiros muito competentes no interior. Parece que hoje foram substituídos por fogos importados da China e companhia, literalmente cheios de pirotecnia... e provavelmente mais baratos. É o preço cultural da globalização.



Escrito por Fernando Jares às 19h19
[] [envie esta mensagem] [ ]



1939, UM CÍRIO NO RJ

O DIA DO PARÁ NO RIO DE JANEIRO

8 de outubro de 1939. Dia do Círio em Belém do Pará. Dia do Círio no Rio de Janeiro. Pois é, naqueles idos da primeira metade do século XX havia um muito participado Círio de N. S. de Nazaré no Rio de Janeiro, que reunia todos os paraenses residentes na capital do país. E tinha até revista própria: “Gloria a N. S de Nazareth”!

Esta aí em cima é a capa da publicação. Trata-se de uma verdadeira obra de arte. É desenho do paraense Manoel Pastana, “exímio desenhista da Casa da Moeda e uma das figuras de maior relevo nos meios artísticos do Rio de Janeiro”, apresenta a revista, orgulhosa, o conterrâneo ilustre. Ganhei este precioso exemplar da revista este ano, do físico e colecionador Sérgio Vizeu.
O Círio do Rio de Janeiro acontecia no mesmo segundo domingo de outubro em que a romaria acontece pelas ruas de Belém. A celebração constava de Missa Solene na Basílica Nacional de S. Francisco Xavier do Engenho Novo, seguida da procissão. Quem liderava a sua realização era outro paraense, o Monsenhor Dr. Francisco Mac Dowell, de tradicionalíssima família paraoara que, além de vigário dessa paróquia era professor no Colégio D. Pedro II.
A revista, de 56 páginas, mostra a vitalidade da “colônia” paraense no Rio de Janeiro, sempre expressiva. Veja aqui as duas imagens da "Santinha", com a intimidade dos tempos modernos nos permite dizer, a de Belém e a do Rio de Janeiro daqueles tempos:

São muito saudosos quase todos os artigos que desfilam na revista. Por lá também estão fotos dos ilustres conterrâneos e até algumas charges. Vamos mostrar em dias seguintes. Para hoje temos o editorial “Dia do Pará” – gostei demais deste título. Há muitos anos adotei, nos velhos tempos de A Província do Pará, denominar o Dia do Círio de “Dia do povo paraense”.
Vale transcrever a seguir o editorial, assinado por Genaro Ponte Souza, como todo bom paraense dos últimos 200 e tantos anos, apaixonado pelo Círio de N. S. de Nazaré, respeitando a ortografia adotada:

"O brasileiro, seja o das coxilhas do sul, seja o das planuras do nordeste, seja o das montanhas do centro ou o destas galhardas paragens metropolitanas, que não conheça Belém — a formosa e verdejante capital paraense — e queira sentir-se, por alguns momentos, enternecido, como dentro daquela encantadora cidade amasonica, vá hoje, ás primeiras horas desta garrida e ensolarada manhã primaveril á Basílica de São Francisco Xavier do Engenho Velho. E encontrará, ali reunidos, tocados de igual alegria e vibrando com a mesma fé jubilosa, todos os paraenses que vivem no Rio de Janeiro. A hospitaleira brandura que distingue a gente da Cidade-Jardim lá está, a revelar-se no riso franco que dinamisa a felicidade de todas as fisionomias e no gesto dadivoso que se abre, num largo amplexo, para todos os acolhimentos. A áspera frieza dos hábitos cosmopolitas e a pressa egoistica das avenidas vertiginosas deixam de existir naquele recanto donairoso do Rio, que as palmeiras altivas tropicalizam. Percébe-se, em substituição, por toda a parte, que flutua um sentimento bom de fraternidade, unindo aquela multidão num mesmo desejo de ventura reciproca. Em cada semblante ha um voto de solidariedade que reparte, com seu visinho, o quinhão de ser feliz, que lhe coube naquele domingo bendito.
Aqui, do lado de fora, no parque movimentado, ha uma trepidação e um voserio de arraial em festa. Ha creanças que traquinam, e correm, e brincam, ao compasso estridulo do seu chalrear tonificante. E ha velhos risonhos que entretanto marejam os olhos cansados com a melancolia reminiscente de uma lagrima. Chega a escutar-se — o sentimento tem poderes de radio! — a zoada das gaitas, a campainha dos vendeiros, o realejo dos "cavalinhos", o preconicio esganiçado dos circos, onde ha um homem "que engole espadas" e o pregão metálico do "zinho" do leilão, indagando dos romeiros enfarpelados ''quem dá mais pelo jabotí com laçarótes, oferta de dona Sinhá, para as obras da Basílica?"
O ar se impregna do aroma gostoso da pimenta de cheiro e, por singular delirio de ótica, quasi que se divulga á sombra de uma ramada, entre os seus alguidares capitosos, de bata de bilros e patichuli nos cabelos, a preta do tacaca cortando, nas cuias, a goma de tapioca, que se dissolve ao contacto afrodisíaco do tucupí. . . Ha bocas que mastigam o pensamento e o pensamento está no casquinho quente de um mussuam doirado de farinha. Fala-se em assai. Em patos. Em jambú. E ha pernas fatigadas que suspiram pelas confortáveis cadeiras do Bertino. . .
De repente os sinos bimbálham. É a novena. O templo se enche. Todos se conhecem. Até os desconhecidos se conhecem. . . Pois não são todos paraenses? Filhos de Nossa Senhora?
Lá em cima, na sua redoma, toda vestida de bordados de oiro, pequenina no seu tamanho e infinitamente grande no seu poder, cintila, em imagem, a Purissima Virgem de Nazareth, aquela mesma que o caboclo atónito descobriu, nimbada de luz, dentro do tronco carcomido de um genipapeiro, numa picada do mato. Aquela mesma que amparou D. Fúas, assaltado pela tentação demo­níaca. Aquela mesma que salvou o Brigue S. João e a vida de seus nove homens. Aquela mesma que é madrinha de todos os navegantes, protetora de todos os desgraçados, padroeira de todos os paraenses. Lá está ela, bem em cima, olhando para todos cá em baixo, e dos seus olhos, que são contas azues, escorre um bálsamo para cada inquietação, desliza um remédio para cada incerteza, goteja uma esperança para cada desconsolo, explende um milagre para cada desespero!
Ha três lustros, no dia de hoje, se repete, aqui no Rio, esta empolgante solenidade de comemoração piedosa. Em Belém do Pará realiza-se o Cirio, a maior romaria cristã da America do Sul. A tradição a principio escassa como um igarapé, fez-se caudalosa afinal que nem uma cachoeira. Irrompeu os limites geográficos do grande Estado nortista, infiltrou-se pelo litoral afóra, multiplicando proselitos e chegou até á magestade desta inegualavel cidade de São Sebastião que, todos os anos, neste dia emocionado, se curva, reverente e ungida, ante a glória da Virgem Mãe que reina na terra de Batista Campos, mas estende o seu manto de amor e de concórdia pelo dorso gigantesco do Brasil inteiro.
Brasileiros !       Oremos !
Esta Revista que surge, no Rio de Janeiro, no dia do Cirio de N. S. de Nazareth, é consagrada ao Pará. Dardeja, nas suas paginas, o sol dos nossos estios e, nelas, deve sentir-se o refrigério dos, nossos plenilúnios que, por entre os claros das mangueiras, pintam rendas de sombra na brancura das calçadas. . .
Paraenses !  Cerremos   os  olhos. . .
Estamos em Belém !"



Escrito por Fernando Jares às 19h33
[] [envie esta mensagem] [ ]



A BRAVA! CULTURA PARAENSE

O PARÁ GANHA UMA BRAVO! INTEIRINHA

A qualidade da produção cultural no Pará tem tradição (certo, teve uma recente fase de baixa, mas já se recupera) e vem ganhando reconhecimento nacional, mesmo na mídia mais exigente. Uma das mais respeitadas publicações com pauta focada na cultura, a revista Bravo!, editada pela Abril, vai lançar uma edição especial sobre o Pará, que circulará agora em novembro, junto com a edição regular do mês de dezembro. Será a Bravo! Pará, com tiragem de cerca de 40 mil exemplares.
A revista publica informações e comentários sobre música, cinema, artes plásticas, teatro, literatura e comportamento. Para esta edição especial mandou uma editora a Belém para mapear a cena de arte, cultura e gastronomia pelas ruas de Belém, e contratou jornalistas locais para preparar as matérias.
O governo do Estado vai ser um dos patrocinadores da publicação sendo que a negociação publicitária foi fechada na semana passada pela Xingu Comunicação, representante da Abril no Pará e Maranhão.
No mês passado o Pará foi finalista do "Prêmio Bravo! de Cultura”, na categoria "Melhor Show", com o belo espetáculo “Terruá Pará”, de divulgação da produção musical paraense, apresentado em São Paulo, Belém, Santarém e Marabá.
Duas recentes edições falaram de música paraense. A popular foi representada pelo excelente Felipe Cordeiro que recebeu uma página e a erudita, veio com o tenor Atalla Ayan, que ganhou duas páginas.

Sobre Felipe, na foto acima (Divulgação/Bravo!), diz a revista Bravo! que “O brega e o cult se encontram no novo álbum do cantor e compositor paraense Felipe Cordeiro. Kitsch Pop Cult, segundo trabalho do artista, faz uma mistura de estilos musicais como carimbó, lambada, rock e música eletrônica. O resultado é um disco capaz de fazer remexer até os mais exigentes críticos de música.” Isso dito pelo pessoal da Bravo!, tem valor extra! E ainda oferece acesso a algumas canções do novo CD do cantor, destacando-o como “Reinvenção no Pará”. Veja e ouça quatro músicas, clicando aqui.
E sobre “O tenor do Pará” olha só a opinião deles: “Em julho deste ano, o jovem tenor paraense Atalla Ayan se apresentou em um dos recitais de verão que o Metropolitan realizou no Central Park. A voz do brasileiro encantou os especialistas e Atalla foi considerado “um achado” pelo crítico Allan Kozinn, do jornal The New York Times”. Veja algumas apresentações do tenor no site da Bravo!, clicando aqui.
Para conferir a opinião de Allan Kozinn no NYT, direto no jornalão americano, basta clicar aqui.



Escrito por Fernando Jares às 15h16
[] [envie esta mensagem] [ ]



FELIZ CÍRIO (*)

CÍRIO DE NAZARÉ.

A oração viva de um povo escrita
pelas ruas de Belém.


Para quem não conhece, é difícil entender: quase 2 milhões de pessoas a se movimentar pelas ruas de Belém, todo segundo domingo de outubro, tendo como foco central uma pequena imagem de Nossa Senhora, a Mãe de Jesus. A grande maioria nem a vê, mas, apenas por fazer o trajeto que ela fez, ou fará, apenas por estar na cidade em ela está, sente-se juntinho, amado e amando a mãe que intercede por todos os seus filhos junto ao Pai.
Até não católicos participam. Já estive em peregrinação (da réplica da pequena imagem, casa em casa) que tinha presença de judeu, de protestante, de espírita. Até ateu participa do Círio. É clássica a autodefinição do escritor André Costa Nunes: “Paraense, ateu. Filosoficamente, materialista. Devoto de Nossa Senhora de Nazaré. Este último atributo, no mês de outubro, transcende os demais. É inerente ao ser paraense. (Para ler a crônica “Círio Cabano” completa, clique aqui.)
É assim, todos são irmãos. Todos rezamos por todos:

Pela intercessão de Nossa Senhora de Nazaré, que Jesus nos conceda a todos a realização de nossos melhores sonhos e realidades.


A foto acima é do altar-instalação que fizemos em casa: a Nazica (como, na intimidade, muitos chamamos Nossa Senhora de Nazaré) e seus romeiros/promesseiros adorando Jesus Crucificado, ao centro e o centro de todos.

FELIZ CÍRIO!(*)
(*) Esta é uma saudação exclusiva do Pará, dos paraenses e das gentes de todas as terras que aqui vive. Transmite a felicidade e a paz que todos desejamos a todos os nossos irmãos.



Escrito por Fernando Jares às 15h38
[] [envie esta mensagem] [ ]



PARA PRESERVAR A HISTÓRIA

25 ANOS DO CÍRIO DAS ÁGUAS


Tai uma foto de arrepiar quem gosta dos Festejos Nazarenos, a forma como os paraenses homenageiam a sua padroeira, N. S. de Nazaré, há centenas de anos. É uma aérea da Romaria Fluvial, que capturei no press kit eletrônico do Círio (não há o crédito do autor da foto).
Amanhã centenas de embarcações, de todos os tipos e tamanhos, e milhares de pessoas, de altas autoridades, civis, militares e eclesiásticas, como se dizia antigamente, a humildes pescadores ribeirinhos, navegarão pelas águas de Belém, para homenagear a mãe de Jesus Cristo. É a Romaria Fluvial. Enquanto no Círio contamos a sua história por séculos, o “Círio das Águas” é muito mais jovenzinho: apenas – e já – um quarto de século.
A Romaria Fluvial foi criada pelo jornalista, escritor e historiador Carlos Rocque, na época presidente da Paratur, na busca de alternativas para reter por mais tempo o turista – tanto que, no início, ele pensava em fazer a fluvial uma semana antes ou uma semana depois do Círio.
Não observei, pelo menos até agora, nenhuma ação para comemorar este Jubileu de Prata, uma criação inspirada de quem fez, também, o Museu do Círio e sonhou com uma estátua gigantesca da santa, em uma ilha em frente a Belém.
Tenho notado – e já escrevi isso aqui em anos anteriores – certo “esquecimento” do nome do Rocque. Acabo de ir ao site da Paratur e está escrito assim: “O evento foi realizado pela primeira vez em 8 de outubro de 1986, organizado pela Paratur”. Não entendo a omissão, já que na mesma página está registrado que o achador da imagem foi o “caboclo Plácido”, em 1700, e quem criou a romaria do Círio foi o “governador português Francisco Coutinho”, em 1793. O bem mais recente não consta. Além da omissão há um erro: a primeira Romaria Fluvial aconteceu no dia 11 de outubro de 1986. O 8 de outubro aí citado foi uma quarta-feira, pode até consultar o calendário permanente, ou o convite feito pela própria Paratur:

No bonito hotsite do governo estadual sobre o Círio (veja a corda em movimento na página inicial!) há uma “Ciriopédia”, onde também não é creditado o criador da romaria. O mesmo acontece com o já citado press kit eletrônico da Diretoria da Festa. Nem tampouco no Portal do Círio o criador da romaria é citado e também aqui – ou a partir daqui – a data da primeira romaria está errada, citada como 8/10. É uma pena que a história seja tão rapidamente esquecida. E, mal tratada, maltratada.
Outro registro a não esquecer: o termo “Círio das Águas”, bastante usado nos sites oficiais e religiosos, é criação do jornalista e escritor Raymundo Mário Sobral, como ele registrou ainda recentemente, em 2009, em sua coluna no jornal Diário do Pará: “O Círio das Águas – sempre é bom lembrar que essa denominação foi inventada aqui pelo caboquinho besta” – só faz crescer e isso é pra lá de pai d’égua.”


É preciso preservar a história recente. Parece ser bem mais fácil do que esclarecer os acontecidos há séculos, há milênios. Ou não será fácil preservar a história recente? Por que?

Para contribuir: leia "A Romaria Fluvial tem um pai quase esquecido", de 2008, aqui mesmo Pelas Ruas de Belém, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h05
[] [envie esta mensagem] [ ]



LÁ VEM A CORDA!

POR UM PEDAÇO DE CORDA...

É centenária a tradição de puxar a Berlinda com a imagem de N. S. de Nazaré, com uma imensa corda, durante a romaria do Círio pelas ruas de Belém. Já foi pequena, cresceu, foi retirada, deu confusão, voltou, aumentou o povo cristão, cresceu a corda, ficou tão grande que teve mudar de formato porque não andava, cresceu. De repente, há uns poucos anos, alguém inventou que era bom ter um pedacinho da corda em casa. Afinal, era abençoada no início da romaria e tinha a elevada função de puxar a imagem milagrosa. Afinal, se tantos se esforçavam, sofriam, lutavam por colocar a mão nela, tinha um valor extraordinário. Seria uma extensão da imagem querida por tantos, da Mãe de Jesus, uma ligação com seus fiéis promesseiros. Levar um pedacinho da corda do Círio era como conquistar um valioso troféu religioso.

Pois é, até Fafá de Belém pegou seu pedaço de corda, como está na foto aí em cima, que captei do sítio eletrônico “Pó de Vídeo” (leia mais no , aqui).
Isso tem uma gravíssima implicação: para conseguir um pedaço de corda as pessoas precisam levar afiadíssimas facas. Daí o perigo. Nem precisa de um desentendimento de alguém mais alterado para haver uma tragédia: apenas uma queda desastrada de um romeiro com tal tipo de faca no bolso já pode causar o drama. Até hoje nada de grave aconteceu – a “santinha” vai ajudando... Mas é um risco altíssimo. Se houver algum tipo de tumulto, até por “defesa” alguém pode usar a “arma” que tem bolso ou na bolsa.
A ação da Diretoria da Festa, para minimizar o problema é muito importante e deveria ser apoiada pelas pessoas de bom sendo e em favor da paz e segurança.
Para tirar o “valor sagrado” simbólico da corda, ela será abençoada, pelo Arcebispo, apenas quase no final, próximo ao colégio Santa Catarina - e não na saída, como acontecia antes - e, após esse momento, a própria Guarda de Nazaré fará o corte e entregará aos fiéis. "Eu estarei esperando os romeiros para dar a minha benção", afirmou Dom Alberto ao site do Círio de Nazaré.
Uma campanha vem sendo veiculada na cidade, sobre esta questão. “É uma questão de fé e, também, de segurança. Para isso, acreditamos que cada romeiro pode ser um fiscal da corte e colaborar com a devoção do povo paraense", afirma Oswaldo Mendes, diretor de Marketing da Festa de Nazaré. Leia a matéria completa e veja os anúncios da campanha, clicando aqui. Abaixo, um dos anúncios:



Escrito por Fernando Jares às 15h53
[] [envie esta mensagem] [ ]



EDWALDO MARTINS, 72

É ANIVERSÁRIO DO DIDI!


Ele foi um dos jornalistas mais completos que jamais conheci. Dificilmente ainda conhecerei algum profissional de comunicação tão competente, dedicado, sério, amigo, responsabilíssimo. Nascido em Bragança, em 3 de outubro de 1939, amou Belém como se sua própria terrinha fosse. Hoje Edwaldo de Souza Martins faria 72 anos, não tivesse sido chamado por Deus em 2002, após diversas dificuldades com a saúde.

Jornalista e relações públicas, trabalhou em rádio, televisão, jornal, revista e assessoria. Apaixonado pelo turismo, foi diretor do Turismo Municipal e inovou, especialmente no carnaval, pelas ruas de Belém. Apaixonado pelas artes, foi diretor do Theatro da Paz e ajudou tantos e tantos artistas locais, gente de valor. Apaixonado pelo cinema, chegava ao requinte de visitar os cenários de seus filmes preferidos ao redor do mundo e tinha Marilyn Monroe como sua musa e a Minnie como personagem preferida. Apaixonado pela informação, escreveu durante quase todos os dias de sua vida profissional. Só a doença e as suas amadas viagens o afastavam da lide redacional.

 “Oficialmente” era colunista social, mas em seu espaço, que gostava de chamar de “eclético”, escrevia com segurança e conhecimento sobre uma infinidade de temas. Como disse um anúncio da Estacon em sua homenagem (criação da Mercúrio Publicidade): “Edwaldo Martins. Colunista de sociedade, de política, de arte, de negócios, de turismo, de publicidade, de cinema, de teatro, de música. Colunista de talento.”

A ilustração neste post é obra do Biratan Porto, para o caderno especial que comemorou os 18 anos de colunismo social do Didi, como o chamavam os mais amigos, em A Província do Pará.

Fui seu interino muitas vezes (como muitos outros amigos jornalistas) em tempos de viagens e até em afastamento por problema de saúde e fomos sócios, ele, eu e Orlando Carneiro, no final dos 1970 e início dos 80s, na Relp – Relações Públicas e Comunicação. Durante muitos anos comandou a assessoria de comunicação do Banco da Amazônia. Bem informado, sabia de tudo. Excelente memória. Quase nada anotava e, um dia, disse-me que achava falta de educação o jornalista, em um evento, puxar sua cadernetinha ou, pior, um pedaço de papel, para anotar alguma informação. Mas eu continuei mal-educado... é que a memória nunca me ajudou. Procuro caprichar no moleskine.

O jornalista Ismaelino Pinto, que trabalhou com Edwaldo e foi um de seus últimos interinos, publicou ontem, em O Liberal, a bela foto que está aí em cima, trabalho muito "classudo", como diria o retratado, do Luiz Braga (acho que de 1986), com este texto-legenda:

“Para quem o conhecia como profissional dedicado ficou a imagem do homem sofisticado, inteligente. Para os amigos, a lembrança do jeito todo especial de ser, do humor e, acima de tudo, da insustentável leveza do ser. Dia 3 é mais um dia pra lembrar que o Pará, e Belém, a terrinha que ele amava, teve um filho ilustre como Edwaldo Martins, aqui por Luiz Braga.”

Transcrevo porque concordo inteiramente. Fica uma saudade-sempre do Didi. Tem aniversário e nem tem jantar pra ele no "Lá em Casa" - também, não tem mais o Paulo para fazer um "Camarão à Didi" no capricho, nem a d. Anna pra sentar com a gente na mesa. Chiuf, chiuf.

Olhe esta foto, onde ele está com dois amigos que muito amava, Marizita e Manoel Pinto da Silva Júnior, em Paris, no celebérrimo restaurante Maxim’s:




Escrito por Fernando Jares às 17h36
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM RESTO QUE VIROU CLÁSSICO

PAULO MARTINS É UMA DAS ATRAÇÕES DA CASA COR

Dia de inauguração de Casa Cor no Pará – somos um dos últimos Estados a entrar nesse mundo marketing de beleza e luxo arquitetural, hoje comandado por João Dória Jr. – lembrei-me do “Resto’s”. Não, não se trata de restos de outras exposições desse tipo, já havidas em Belém, mas de um restaurante pra lá de diferente.
Nos idos de 1992/93 foi realizada pelas ruas de Belém uma exposição de arquitetura e decoração no estilo da Casa Cor, em um prédio na rua dos Mundurucus, em Batista Campos, próximo a sempre travessa dos Apinajés. Foi uma promoção da Ação Social do Governo do Estado, na época sob o comando da hoje deputada federal Elcione Barbalho. Dez anos depois, em 2001 foi a vez da “Belém Decora”, em um belíssimo prédio dos anos 1940, na avenida Nazaré, onde morou a família de Jorge e Joana Hage.
Neste primeiro Casa Cor, digamos, oficial, o tão prematuramente falecido chef paraense Paulo Martins mereceu um belo espaço, como ele gostaria, com certeza.
Mas eu quero é falar do “Resto’s”. Um restaurante de vanguarda criado pelo Paulo Martins e que funcionou nessa expo. Literalmente experimental e feito de restos, que não os comestíveis, obviamente... O chef-arquiteto chamou um arquiteto-arquiteto, o Paulo Chaves, e põe arquiteto nisso.
“Quando fomos ver o espaço onde seria montado o restaurante, percebi que no terreno ao lado da obra estava sendo demolida uma casa feita de enchimento e rodeada de outdoors velhos... Não preciso dizer que o espaço do restaurante ficou ótimo: paredes de enchimento, forro com as chapas velhas de outdoors”, explicou Paulo Martins uma vez na coluna “O arquiteto e o fogão”, em O Liberal de 01/09/2006. Lembro que os pratos não eram todos iguais, diferentes até em uma mesma mesa, o mesmo os talheres, copos. Uma festa.
Era, portanto, “de resto”, mesmo... O apóstrofo inglesado está certo.
Conheça ou recorde aqui a fachada do “Resto’s”:

Mas era na cozinha que Paulo fazia grandes transformações (lavoisieranas?) e foi a partir desta experiência que surgiram alguns dos ícones da nova cozinha paraense, da qual ele é o grande criador.
Voltando ao depoimento do PM: “O cardápio era o mais simples possível e sem nenhuma descrição ou explicação dos pratos. Tinha simplesmente Filé, Peixe, Camarão e Massa. Queria fazer um exercício no atendimento e na minha capacidade de criação. Bolava os pratos praticamente na hora e corria na cozinha, onde só três pessoas mais um barman trabalhavam e começava a fazer uma nova receita. Foi uma loucura. Depois de uns dias as pessoas voltavam acompanhadas e queriam comer aquele prato da vez passada. Pô!, como eu ia lembrar? As bolações eram realmente feitas na hora.”
Mas, bem ou mal, ele ia guardando as experiências e repetindo. Foi assim que surgiu um dos clássicos da casa: o “Camarão a Resto’s”, que inicialmente era apenas camarão com bacuri. Ele também confessa que usou o local para vencer a inibição no trato com as pessoas no salão: foi lá que vi, pela primeira vez, o Paulo Martins com aquela roupa de chef, que hoje todo mundo usa. Ele é que atendia as pessoas no salão, pois não tinha maitre: tirava os pedidos e corria pra cozinha...
Espie como era o interior do “Resto’s”:

No almoço havia buffet e no jantar é que era essa festa toda. “Foi uma das coisas mais gostosas que já fiz na vida”, escreveu Paulo Martins em outra crônica, em 20/10/2006. Foi nesse ambiente alegre, brincalhão, simpático, agradável que tomaram “vida” criações que hoje estão espelhadas em festas, recepções e restaurantes, como a extraordinária “Pupunha ao roquefort”.
Com a inibição vencida e a criatividade consagrada, Paulo partiu para muitos outros pratos, como o “Arroz de Tacacá”, que hoje virou “Arroz paraense”, o “Muçuã de botequim”, o “Haddock paraense”, entre outros. Depois, botou tudo isso e mais os pratos tradicionais da cozinha paraense, “embaixo do braço” e saiu pelo Brasil a mostrar que, no Pará, é que está a mais brasileira das cozinhas do Brasil. Virou, com justa razão e por eleição da mídia nacional, “Embaixador da Cozinha Paraense”, no país e no exterior.
Por tudo isso é muitíssimo justo que ele seja homenageado com um espaço que leva seu nome na Casa Cor Pará. Veja esta foto:

Em um painel Paulo está em uma foto que reflete muito bem sua alegria de ser chef: dentro de uma panela! E ao lado, depoimentos de grandes nomes da gastronomia, nomes respeitados em todo o mundo, sobre a importância do trabalho do Paulo, Alex Atala, Claude Troisgros e Laurent Saudeau.
Na foto abaixo o lado do ambiente que ele mais gostaria: uma cozinha experimental, na qual poderia passar às pessoas toda a sua experiência:



Escrito por Fernando Jares às 15h20
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]