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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


ORGULHO DE SER PARAENSE (1)

UM “TORÓ DE PARPITE” DE AMORES SOBRE
“UM COLOSSO TÃO BELO E TÃO FORTE”

O Pará ganhou e os paraenses que amam esta terra geraram/ganharam uma intensa e fantástica manifestação de amor para a virada do ano.

Na madrugada de ontem, 30 de dezembro o sítio eletrônico www.belemdopara.com.br iniciou uma campanha, no Twitter (o microblog de 140 caracteres para cada mensagem) em torno do tema “orgulho de ser paraense”, que na linguagem tuiteira se escreve #orgulhodeserparaense e se chama hastag. Mesmo sendo madrugada, as adesões logo começaram e paraenses, que vivem cá pelas ruas de Belém, de outras cidades do Estado e espalhados por todo o país puseram-se a manifestar seu orgulho de ter nascido nestas terras. O perfil @belemdopara tem mais de 8.900 seguidores!

O tema foi para a liderança das citações no Twitter, o Trending Topics, tanto no Brasil como no ranking mundial. 24 horas depois, na madrugada de hoje, continuava lá.

Foram milhares de entradas de frases ufanistas, amorosas, esperançosas, realistas, sonhadoras, de todo o tipo, manifestando ao “Pará quanto orgulha ser filho, de um colosso tão belo e tão forte”, como diz nosso hino.

Percorri centenas e centenas delas, mas com certeza faltaram-me outras muitas centenas. Uma hora que medi, entraram 660 frases em 60 minutos!

Claro que para o final já apareciam muitas frases repetidas, outros perguntando o que era aquilo e até um gaiato de questionava: “#orgulhodeserparaense?, ♪♫...Eu tenho orgulho de ser amazonense....♪♫”. Um ou outro, daqueles que nasceram e vivem infelizes por viver, reclamavam da festa paraense. Mas as coisas boas do Pará predominaram e fizeram a alegria de milhares, talvez milhões de pessoas.

Pra quem tiver disposição, listei a seguir umas tantas, desde o início, quando @belemdopara disparou uma verdadeira “tempestade de ideias” (ou, para usar uma linguagem brincalhona papachibé, um “toró de parpite”). O que vem a seguir não é seleção de melhores, ou mais destaque, ou coisa semelhante. Pesquei-as desse rio imenso de criatividade e amor, como pescava piabas quando era criança pequena lá em Capanema. Simples assim... Mas resultou em um banco de dados fantástico para os profissionais de comunicação, inclusive para o experiente Ney Messias, que amanhã assume a Secretaria de Comunicação do Estado.

Achei esta ideia e as ideias que ela gerou a melhor forma de dizer, FELIZ ANO NOVO!

(Atenção: este post está divido em dois, por causa do espaço disponível pelo UOL para cada postagem!)

Pra começar, um conjunto de frases propostas pelo site www.belemdopara.com.br/. Todas elas eram sempre seguidas pela tag “#orgulhodeserparaense”:

Morar em @belemdopara

Tomar tacacá no final da tarde

Ouvir Vital Lima cantar

Ouvir cantando a @julianasinimbu, @lue00, @arthurespindola, @LiaSophia140, @GabyAmarantos, @ailamag, @fafadbelem

Passear na Ilha do Marajó

Passar as férias em Mosqueiro, Salinas ou Algodoal

Comer pirarucu da Mexiana

Acompanhar o Círio de Nazaré

Almoçar no Recanto do Peixe

Ter uma cidade só pra você, sem movimento, nos feriados.

Dizer que é longe um lugar que fica a 10min de carro.

Dormir ao som da @ChuvaDasDuas!

Ir pra @estacaodasdocas e escolher entre teatro, cinema, jantar, sorvete, chopp, exposição, ou ver a beleza do rio

O som do @PeriquitodoCAN e dos amigos dele

Sentir o coração bater mais rápido ao ver a Nazinha passar!

Poder escolher entre praias de rios e de água salgada

Se lambuzar comendo manga com farinha

Mulher não pagar em várias festas que tem na cidade

Torcer pelo Leão ou pelo Papão e gozar o time adversário, seja qual for o resultado

Curtir um monte de programação cultural legal que o IAP oferece, de graça.

Pato no tucupi e maniçoba!

Lá pelas tantas, a exclamação da vitória pelo destaque que começava a aparecer:

Chegamos ao topo dos TTs não patrocinados!

Saber que Belém sobrevive mesmo sem ter prefeito

Dançar carimbó mesmo sem saber dançar!

Ver a cidade lá de cima do Farol de Belém, no Mangal das Garças

Morar em frente à Praça Batista Campos e ver garças voando no fim da tarde, em pleno centro da cidade

Tomar todos os tacacás da cidade pra saber qual o melhor.

Os seguidores do @belemdopara logo aderiram e o primeiro que vi retuitado foi o @vicentebezerra: Ter inveja dos prefeitos e vereadores de outras capitais... mas logo ele mesmo entrou com um “orgulho” de verdade: Dizer nas outras cidades que Líder, Formosa, Nazaré e Yamada não deixam o Carrefour entrar na cidade...

Voltando ao @belemdopara: Alugar filmes e aproveitar pra lanchar na @Fox_video da Dr. Moraes

Fazer cooper em volta do muro do Museu

Comer um leitão de madrugada no André Lanches, acompanhado de refrigerante no saquinho.

Novas adesões madrugadoras:

@sallespris Tomar um @tacacadaesquina num calor de 40 graus

@vicentebezerra: Reclamar que chove todo dia e a qualquer hora e não ter nunca um guarda-chuva

@prisbrasil Poder falar isso é o mais incrível: RT @Joaosincera: Éguamulequetuédoidé?!

E voltam os do @belemdopara: Tomar aquela chuvarada na rua, que lava até a alma!

Engilhado, pitiú, breado, tucandeiro, esbandalhado. Ter idioma próprio

Passar pelo Ver-O-Peso e sentir aquele cheirinho de peixe

Comer manga fresquinha, caída agorinha mesmo na hora da chuva.

Pôr-do-sol no Forte do Castelo

Encontrar meia cidade conectada na Internet

Comer no dia a dia os pratos que o Brasil inteiro aprendeu a gostar com o saudoso chef Paulo Martins

Comer uma tapioquinha no domingo de manhã.

Poder ver as duas orlas de Belém de algum prédio alto.

Tomar um açaí depois do almoço e dar aquela cochilada na rede.

Sempre encontrar alguém daqui, mesmo quando estamos fora do Estado.

Chamar seu vizinho ou vizinha de mano ou mana

Reclamar do preço do açaí.

Sempre encontrar algum conhecido no supermercado ou no shopping.

Tomar açaí comendo aquele mapará assado

Ir domingo à tarde ao Mangueirão pra assistir um RexPa

São quase 3h e o fluxo de mensagens com a hashtag #orgulhodeserdopara não diminui! (da madrugada!, registro deste blogueiro)

ATENÇÃO: continua no post seguinte!



Escrito por Fernando Jares às 14h48
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ORGULHO DE SER PARAENSE (2)

Continuando o post acima, uma série de quem aderiu ao movimento:

@bre_malheiro TAÍ, GOSTEI! isso me lembra em março qd o @belemdopara lançou a tag #OMelhorDeBelém

Para quem não lembra, leia sobre “O melhor de Belém”, clicando aqui.

@gabihdias Saber que entre 'ÉGUA' E 'É-GU-Á!' existe muita diferença.

@dereksales Cerro Porteno 2 x 6 Paysandu; Boca Juniors 0 x 1 Paysandu

@prisbrasil: RT @tazdamasceno: Ser a única estrela acima do "Ordem e Progresso", na bandeira do Brasil

@lyahmarques: ouvir o listão do vestibular na rádio mesmo já tendo visto na internet que foi aprovado

@AcaiGrosso: Encontrar uma cerpinha no frigobar do Copacabana Palace dá um ... #orgulhodeserparaense

@FernandaMelina: Eu choooro, num é nem meu parente!!

@LandNick: "PAI D'ÉGUA" Só paraense conhece!

@bina_jares: Sair do engarrafamento de Belém pra ir pro engarrafamento de Salinas.

@LandNick: Pregar o poster do Círio na porta da frente da casa

@LandNick: Chegar na praia e pedir uma dose de pratiqueira com farinha "baguda"

@Hey_Eduardo #orgulhodeserparaense É ter um Big Ben a cada esquina. CHUPA INGLATERRA

@bina_jares: Empinar uma curica.

@vicentebezerra: Reclamar que está fazendo frio quando a temperatura desce pra 22o

@redshoesblogger "brear" de calor sem perder a elegância.

@jkbechara: Pane geral da Oi, feliz #2012!

@GyannyDantas: curtir o pôr do sol em Alter do Chão

@iresmichelle: comer tapioquinhas na Vila, em Mosqueiro e pastel no Ariramba, nas férias

@eddieleniine: morador de @belemdopara não precisa dormir e acordar mais cedo por causa do horário de verão

@iresmichelle ir ao ver-o-peso comprar combinado de ervas pra se "descarregar" e atrair sorte e amor no ano novo...

@GabyAmarantos Paraenses! Vejam como o povo do Pará é forte! Olha isso http://bit.ly/id3tu6

@iresmichelle: "Almoçar" açaí com peixe frito e passar o resto do dia com preguiça...

@Dedemesquita: Ruy e Paulo André Barata.

@crodia Todos que têm #orgulhodeserparaense #oremos #AjudeaCaca. Vamos fazer a maior corrente de oração do twitter!

Quando amanheceu, teve gente anunciando assim: @ThayseVulcao: Bom dia p vc que acordou com um imenso #orgulhodeserparaense

@crodia Pelos Santuários de N.Sra de Fátima, de N.Sra.do Perpétuo Socorro, Basílica de Nazaré e Catedral de Sta Maria de Belém

@GabyAmarantos: Meu coração já acorda com #orgulhodeserparaense

@Vitor1703: Sermos os únicos a saber que não se come manga com febre.

@Vitor1703: Saber que quem tem medo de chuva é tapioca.

@AliciMarinho Xingar muito no twitter quando o Lyotto Machida foi roubado na luta

@gabiflorenzano: Ter música popular de Waldemar Henrique, Wilson Fonseca, Ruy Barata!

@realizador: @paesdira @fafadbelem @julianasinimbu @ailamag @arthurespindola e Benedito Nunes

@mateusscent: #orgulhodeserparaense é ter as quatro estações do ano bem definidas, verão, calor, quentura e mormaço

@Marcushutup: Se embalar na rede fazendo aquele barulho "weenk,weenk"

@urubudover0peso Belém do Natal duplo: O primeiro é em outubro e o segundo em dezembro

@AcaiGrosso Raspar a cabeça qdo passa no vestibular e ouvir a musiquinha "Alô alô Papai,alô mamãe,bota a vitrola pra tocar"

@Paulobigfoot Dicionário papachibé, a lingua paraense.

@MacikMoraes Outubro mês que eu sinto a melhor emoção do mundo a emoção de segurar a corda de nossa senhora de Nazaré *

@realizador RT @g1: Banho de cheiro é a receita paraense para 2011 de prosperidade http://tinyurl.com/2fcb2cp (via@brunaguerrier)

E aqui mais outras do @belemdopara

Ter boates novas quase todo mês

Ver uma bandeira vermelha na esquina e saber o que significa.

Tomar açaí e depois abrir aquele sorrisão todo roxo!

Ouvir o barulho das mangas acertando os carros nas ruas.

Dá um #orgulhodeserparaense quando você mora fora, e todo mundo diz que o seu sotaque é lindo!

Ir a @CasadoGilson, comer bem e ouvir música de ótima qualidade

E passou o dia assim, passou outra noite, continua hoje. Clique neste endereço para saber o que é o #orgulhodeserparaense

FELIZ ANO NOVO!



Escrito por Fernando Jares às 14h46
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REPASSANDO DESERTOS

DÚVIDAS DESÉRTICAS DE UM MESTRE AMAZÔNIDA

Não sei exatamente porque, mas esta noite que passou, sobrevoando Belém, chegando de viagem, lembrei-me de Antonio Munhoz. Um homem de muita, muita cultura. Professor no Amapá, estimadíssimo por todos que tiveram a ventura de estudar com ele. Aposentado, 70 e uns tantos anos, Antonio Munhoz Lopes, é o “professor de literatura mais celebrado do Amapá”, segundo a jornalista Márcia Corrêa, em seu blogPapel de Seda”. Um leitor inveterado, um escritor de qualidade. Um viajante constante, observador acurado. Um apaixonado pelo cinema. Essas qualificações o aproximavam do grande jornalista Edwaldo Martins, que publicava, vez por outra, em sua muito lida coluna, os relatos de viagem do Munhoz. Eu mesmo, como redator substituto do Edwaldo, em A Província do Pará, tive oportunidade de publicar alguns desses artigos, com expressa satisfação, por ser também admirador do Munhoz. Preciso resgatar isso.

Paraense de nascimento, amapaense por adoção de muitos decênios, sem nunca renunciar a um grande amor pelas ruas de Belém, Munhoz (ao lado, em foto de Chico Terra) conhece o mundo todo, um autêntico globe-trotter, para recorrer à linguagem característica de Edwaldo – este, um outro globe-trotter, amante incorrigível das viagens. Conversar com Munhoz – e tive poucas oportunidades, infelizmente, mas sempre o li – era ouvir/ler um desfilar de valiosas informações culturais, de forma atraente, agradável. Sabia os detalhes desta ou daquela igreja, deste ou daquele museu, em Londres, Salvador, Madri, pelo vasto mundo. Sabia das grandes peças e dos grandes filmes, muitos vistos lá fora – às vezes, com exclusividade, por não chegarem ao Brasil, principalmente por causa da censura daquelas épocas. Conhecia as terras mais desenvolvidas do planeta e outras nem tanto, como o deserto do Saara. Gostava dessas areias, principalmente para estudar sobre as origens da cidade amapaense de Mazagão, fundada no final dos 1700, para abrigar uma comunidade de portugueses originária de Mazagão, no Marrocos (leia mais sobre Mazagão, na Wikipédia, clicando aqui).

Pois bem, eu lembrava ter um guardado, muito curioso, sobre as andanças desérticas do Munhoz. E fui buscá-lo na minha caixinha de recortes. É uma publicação que acaba de fazer 20 anos e, como eu gosto de datas redondas, vamos ler juntos. O recorte é do Jornal do Amapá, uma publicação de A Província do Pará que circulava no vizinho Estado, e é datado de 09/09/1990:

“REPASSANDO DESERTOS

Antonio Munhoz passou o mês das férias vagando pelo mundo afora, revisitando museus e repassando os desertos africanos para ver de novo as raízes de Mazagão Velho.

Nessas suas peregrinações beduínas, Munhoz sentiu dois choques culturais. Nas horas das refeições, por exemplo, não adianta procurar talher. Isso não existe nas cozinhas das tendas escaldantes. A comida é levada à boca com a mão direita. A esquerda não é usada sequer para destrinchar a carne assada do carneiro, prato típico de lá. Outro troço invocado é na hora do banheiro. Não tem papel higiênico. Nem folha de jornal pelo chão. Munhoz garante que só não sentiu tanto esse problema porque é um cara fisiologicamente bem comportado.

Mas não resistiu à curiosidade. Quando ficou a sós com o motorista Faruk, numa parada no meio da viagem, relatou:

- Faruk, já fui duas vezes ao banheiro e não vi nenhum rolo de papel higiênico.

- Em compensação você deve ter visto uma vasilha cheia de água ao lado do vaso sanitário – retrucou Faruk.

Entendendo a resposta, Munhoz continuou o papo, até quando precisou de outra explicação:

- E por que, Faruk, vocês só usam a mão direita para comer, deixando a esquerda completamente imobilizada?

- Porque com a esquerda a gente limpa a bunda com aquela água que você viu no sanitário.

Munhoz passou então a falar das flores aromáticas que degustou com inaudito prazer, num prato-entrada a um opíparo repasto, cuja pièce de resistence era uma bem preparada e visivelmente espetacular... coxa de carneiro. Com licor de hortelã.”

“Se non è vero, è ben trovato” (os italianos dizem mesmo isso?). Tenho o recorte. Mas não tenho o restante da página, de forma que não sei quem foi o responsável pela publicação, seja colunista, editor, etc. Mas fica o curioso registro e a lembrança do mestre.



Escrito por Fernando Jares às 21h18
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MAURÍCIO JOSÉ SCHETTINO

OS “PAIS” DA ALBRAS

A Albras – a indústria de alumínio estabelecida em Barcarena, tem dois “patriarcas”, digamos assim: Isao Kawaguchi e Maurício José Schettino. Isao Kawaguchi foi o engenheiro e importante dirigente industrial japonês, que concebeu o projeto de produzir alumínio na Amazônia, trazendo para cá tecnologia e especialistas, associando-se aos recursos naturais disponíveis, a bauxita e a energia hidrelétrica, na região (sobre ele, já escrevi neste blog: leia clicando aqui). Maurício Schettino foi o engenheiro, mineiro, que realizou o grande projeto industrial, o homem que comandou a produção, pela primeira vez, de alumínio em terras paraenses.

Schettino, com quem trabalhei mais de uma dezena de anos na Albras, faleceu nesta tarde, em Belo Horizonte, vítima de parada cardíaca. Era muito gente boa. Gostávamos todos muito dele – acho que nunca conheci alguém que não gostasse de seu jeito amigo de ser. Obviamente um ou outro podia discordar, disto ou daquilo, o que é absolutamente normal na comunidade humana. Mas todos gostavam dele.

Foi o primeiro Superintendente Geral de Operação da fábrica, sendo posteriormente Presidente da empresa, onde trabalhou até a sua aposentadoria, acho que em 1998 (desculpem a imprecisão de datas, porque estou fora da minha base – logo que retornar, corrigirei alguma falha de calendário...). Mas, acima dos cargos, Maurício Schettino foi o grande realizador da organização, o grande líder e amigo da equipe que implantou e tornou realidade a indústria de alumínio paraense.

Schettino era o amigo constante de centenas e centenas de amigos que fez ao longo dos muitos anos de atividade em Barcarena. Seu bom coração era o coração da empresa, sempre preocupado com cada pessoa, com a qualidade de vida e do produto, com resultados operacionais e com a satisfação do time.

Responsável eu pela comunicação interna da empresa, tive o privilégio de ver nascer muitas ações pioneiras da Albras, como a adoção de um programa de qualidade total (uma das primeiras empresas brasileiras a impantar o gerenciamento pela qualidade); ou a introdução da prática da filosofia dos 5S na administração da empresa, do primeiro programa de qualidade de vida para os empregados e familiares, quando isso era uma grande novidade. Com arrojo enfrentou problemas graves, como o famoso blecaute em 8 de março de 1991, quando a fábrica ficou sem energia elétrica por 12 horas, no maior desligamento não programado em uma indústria mundial do alumínio até aquela data – história que já contei: para ler “Faltou energia, sobrou sinergia”, clique aqui. Ele comandou a recuperação da produção, que só veio a ser completa em setembro do mesmo ano.

Nascido nas Minas Gerais, Maurício Schettino começou sua saga amazônica pela Mineração Rio do Norte, a mineradora de bauxita em Porto Trombetas, em Oriximiná. De lá veio para a Albras, onde participou da partida da produção, em 1985.

Ainda agora, em julho, quando a partida do primeiro forno da Albras completou 25 anos, Schettino mandou esta mensagem para seus amigos da empresa:

EU ESTAVA LÁ!

Hoje amanheci feliz. Uma felicidade diferente, misturada com saudade, havia alegria e recordação. A felicidade de poder olhar para o meu passado e saber que, há 25 anos, em um 6 de julho, em 1985, eu tinha vivido a partida do primeiro forno da ALBRAS. Sim eu estava lá! Pude sentir novamente aquela sensação de segurança, de certeza de que tudo ia dar certo, porque era gente competente que o fazia e o liderava; mas também uma sensação de dúvida, lá no fundo: e se alguma coisa não der certo? Livrei-me da segunda hipótese com uma baforada de meu cigarro! (que, naquela época, era fumado livremente...). Trabalhamos firmes e fortes.

O sucesso está aí, na ALBRAS, e o orgulho está aqui, no meu coração.

Parabéns meus amigos da implantação, da partida, da inauguração, do blecaute, do 5S, do TQC, de tantos momentos que fazem a história desta empresa. Parabéns aos mais novos, que chegaram depois de mim, amigos também, que garantem a consolidação e crescimento da nossa ALBRAS.

Maurício José Schettino

Muitos sentimos ontem, os muitos que com ele trabalharam e conviveram, em Barcarena, pelas ruas de Belém, em Oriximiná, em muitos locais deste país e até no exterior, aquele choque que nos abala quando um amigo se vai. Um amigo, companheiro de trabalho. Um homem que contribuiu para o sólido desenvolvimento desta nossa terra, como profissional competente que sempre foi.



Escrito por Fernando Jares às 20h45
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PLANTANDO O NATAL

QUE O FUTURO SEJA O PRESENTE

Levando o conceito de “árvores” de Natal a sério, os cartões com a mensagem de um bom Natal e um feliz Ano Novo da Mendes Comunicação, já são uma tradição pelas ruas de Belém.

Temos tido, ao longo dos últimos anos, utilizações muito criativas e sempre com forte manifestação pela preservação ambiental. Ano passado destaquei a peça – e durante este ano ela conquistou diversos e importantes prêmios. Leia “Árvores de desejos natalinos”, clicando aqui.


Neste ano o conceito de vegetalidade real para a sua mensagem/árvore de Natal foi levado a extremo: o cartão de Natal, que você vê aí acima, tem uma planta embutida! Isso mesmo, não é exagero.

Acompanham o cartão duas cartelas produzidas em papel que contém, em uma delas, sementes de rúcula e em outra de boca-de-leão (uma flor que eu chamava de boca-de-lobo). As “tiras” de papel podem ser plantadas como qualquer semente! Uma forma da agência incentivar o cultivo de uma horta e de um jardim. O problema é se desfazer de um tão belo trabalho... mas, como a natureza merece e a curiosidade de ver se nasce mesmo... vou fazer essa “plantação”.

Esse tipo de papel é novidade no mercado brasileiro e a Mendes anuncia ser a primeira a utilizá-lo em Belém.

Leia aqui o texto da mensagem:

 Escolha bicicleta, em vez de moto.
Jogar o lixo no lixo, em vez de sujar a cidade.
Escolha papel certificado, em vez de desmatamento.
Levar menos tempo no banho, em vez do desperdício.
Escolha reciclar, em vez de ignorar a natureza.
Andar de carro movido a bíocombustível, em vez de a gasolina.
Escolha plantar sementinhas de amanhãs, em vez de perder os sonhos.
Deixe florescer a esperança de um mundo melhor para todos.
Dê um presente para o futuro.
Um presente repleto de possibilidades.
SE TODO MUNDO,
FIZER A ESCOLHA CERTA,
É CERTO QUE O FUTURO
SERÁ O PRESENTE.

Na linha da alegria natalina, outro presentinho: um flash mob que circula aí pela internet. Lindinho. Clique aqui para ver.

Um Feliz e Santo Natal, com muita vida e alegria, a todos que, espalhados por onde Deus os quer, aqui ou distantes, leem estas linhas virtuais que cantam os que vivem e as coisas que acontecem pelas ruas de Belém e, às vezes, até distante delas, mas com elas relacionadas.

Que o futuro seja o melhor presente para todos!

FELIZ NATAL!

 

Este é o verso do cartão de Natal da Mendes Comunicação. O detalhe: em relevo!



Escrito por Fernando Jares às 13h16
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PRECE DE NATAL

O SONO DE UM ARCANJO ADOLESCENTE

No começo eu conhecia o nome do Antonio Tavernard como autor da letra do hino do Remo. Algo que não me entusiasmava, embora reconheça a qualidade do tal hino.

Depois descobri o Tavernard parceiro de Waldemar Henrique em composições clássicas, como “Foi boto sinhá”, “Matinta Perera”, e em algumas peças musicais, encenadas nos melhores teatros pelas ruas de Belém.

Aí conheci sua poesia e sua sofrida história. Mente brilhante violentada pela hanseníase no início do século XX. Uma grande capacidade de pensar acima dessa desventura, mesmo morando no Rancho Fundo, uma casícula, no fundo do quintal de seus pais: “A vida deu-me a dor, eu dou-lhe versos...” escreveu no poema “Cada um dá o que tem!”. Nasceu em um mesmo dia que eu, foi jornalista, estudou direito, que teve de abandonar, por causa da doença.

Em 1986, para assinalar o cinquentenário de sua morte (aos 28 anos!) o Conselho Estadual de Cultura – como foi importante este órgão do Estado, abandonado em tempos recentes pela administração pública – editou as “Obras reunidas de Antonio Tavernard”, com seu trabalho poético. Uma preciosidade que tenho neste momento em mãos, emprestada pelo físico e psicanalista Sérgio Vizeu, apreciador da obra de Tavernard.

Apresento o poeta, ao lado, com a arte do JBosco e com o poema “Prece de Natal”, obedecendo a redação tal e qual está na citada edição do CEC, coletânea que teve a apresentação da prof. Maria Annunciada Chaves. Este poema integrou o livro “Místicos e Bárbaros”, que o autor deixou inédito e foi editado 17 anos após sua morte, em 1953, e que teve, como apresentação, artigo assinado pelo poeta e escritor Georgenor Franco, no jornal Folha do Norte, em 10/10/1944. Assim Georgenor via Tavernard: “Sua lira tinha a subtileza dos encantos dolorosos, a ânsia do bem perfeito e a suavidade das perfeitas emoções. Grande no sofrimento, foi maior na compreensão da vida, dos homens, das coisas e do mundo.”

Com vocês, uma lembrança natalina de Antonio Tavernard:

PRECE DE NATAL
Olhe aqui Jesus Menino:
na folha do meu destino,
escreva a palavra “paz!”
Venho de muito longe, de um passado
vivido em turbilhão... Estou cansado…
Não quero sofrer mais!

Não quero – não! Não Posso! Minha vida
é como taça de cristal partida
em que beberam deuses e animais.

Fiz mal e bem com indiferença, à toa,
fatalismo que vinga e que perdoa,
muito do homem quando é feliz.

Depois a dor... a dor que transfigura…
E o Senhor sabe – historia de amargura -
como cumpri o que o destino quis.
Mas, agora, Jesus, Jesus Criança,
é tempo de chegar… A gente cansa,
para sempre, de vez, num certo dia
em que a penumbra da descrença fria
toma conta de nós. Ah! nesse dia,
Jesus querido, meu Jesus Criança,
que morta linda a última esperança!…

Portanto, Jesus Menino,
na folha do meu destino,
escreva a palavra “paz!”!
Para que eu durma, então, serenamente
com um sono de arcanjo adolescente
e não sinta, e não sonhe, e não desperte mais.



Escrito por Fernando Jares às 10h43
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NÃO ESTAMOS SÓS

TODO DIA É TUDO DE BOM / TODO DIA É TUDO BEM

Aproveito aí trechos de versos dos titãs Tony Bellotto e Marcelo Fromer para começar a desejar aos amigos um Bom e Santo Natal e um Ano Novo com tudo de melhor que você deseje.

Uso esses versos porque os ganhei de presente, há exatos 25 anos, como brinde de final de ano da Rádio Cidade, que me foi dado pelo Janjo Proença. Era um disquinho do tipo “compacto”, com apenas uma faixa, em uma face, gravado em acetato transparente, sobre fundo branco com impressão. Veio em uma embalagem cujas faces internas eram assim:

.

A hoje rádio Jovem Pan (102,3) integrava, nesse tempo, a rede de rádios Cidade. Mas antes, no seu início, havia sido a rádio Cidade Morena, uma das pioneiras em FM pelas ruas de Belém e homenageava o avô dos jovens que a comandavam, o grande jornalista e radialista Edgard Proença, um dos fundadores da Rádio Clube do Pará.

O disco, que você vê reproduzido ao lado, tinha uma gravação exclusiva da música “Uma só voz”, que Tony Bellotto e Marcelo Fromer criaram para ser o brinde de final de ano da Cidade. Os Titãs gravaram a base e uma penca imensa de grandes nomes da música brasileira participou com vocal ou instrumento. Veja só: George Israel (sax) e Paula Toller, do Kid Abelha; Herbert Vianna (guitarra), do Paralamas; Evandro Mesquita, da Blitz; Renato Russo, da Legião Urbana; Ney Matogrosso; Lobão; Léo Jaime; Zizi Possi; Vinícius Cantuária; Elba Ramalho; Cazuza; Erasmo Carlos; Gilberto Gil, Lulu Santos (guitarra). O titã Arnaldo Antunes não participou da gravação e ganhou uma homenagem/desagravo: “mas esteve presente na força e no carinho que existe dentro dos nossos corações”. É que ele estava preso, por causa de um problema com drogas.

A letra tenho-a na capa e reproduzo abaixo. Como o meu “picape” ainda não transforma em mp3, consegui localizar nesse universo verdadeiramente universal da internet alguém (Destinos Cruzados) que conta essa história e já fez a transformação da gravação original, que você pode ouvir clicando aqui.

Uma Só Voz – Tony Bellotto e Marcelo Fromer

É uma só voz, é você, somos nós
É uma só voz, é você somos nós
Desta vez não estamos sós.

Todo dia é réveillon,
Todo dia é tudo de bom, todos os tipos de som
Todo dia é carnaval,
Todo dia é tudo bem, nada vai mal

O feio e o bonito,
O calmo e o aflito,
O certo e o errado,
O forte e o fraco,
Nessa cidade todos vivem em paz
Nessa cidade somos todos iguais.

A bela e a fera,
A falsa e a sincera,
A clara e a escura,
A fé e a loucura.
Nessa cidade todos vivem em paz
Nessa cidade somos todos iguais

É uma só voz, é você, somos nós
É uma só voz, é você somos nós
Desta vez não estamos sós.



Escrito por Fernando Jares às 12h20
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FLAGRANTES DA CIDADE MORENA

FLAGRANTE CARRINHO BONITÃO

 

Vou voltar para a autoescola! Preciso mesmo de renovar a carteira, mas o motivo não é essa necessidade burocrática. O motivo está aí na foto acima. Concorda? Mas não é que essa escola tem um megafofíssimo Fiat 500 pros alunos aprenderem a dirigir. (Será mesmo que eles entregam essa joiazinha pra um que nunca segurou num volante, circular pelas ruas de Belém?).

Tudo isso me passou pela cabeça quando me deparei com esse carro, importado, que custa de R$ 60 mil para cima, todo pintadinho (ou envelopado) de autoescola, tranquilamente estacionado no shopping. Gosto demais do design adotado no relançamento deste modelito histórico da Fiat. Ficou uma lindeza. Por isso, qualquer hora, vou lá nessa escola contratar umas aulas, só pra passear no bichano, digo, no bichinho.

Você quer conhecer mais sobre o Fiat 500? Então clique aqui.

E agora veja só a placa amuada do carro, não é sofisticada? Coisa de agente internacional... (Ops, "amuado", na linguagem paraense, tem significado totalmente diferente daquele dicionarizado: "diz-se quando algo é muito bom, formidável, legal", segundo o volume 2 do "Dicionário Papachibé", de Raymundo Mário Sobral).

 

FLAGRANTE CARRÃO INFRATOR

 

Já este carrão aí em cima inspira sentimentos bem contrários ao do simpático Fiat 500. Não é que um caminhão, puxando um trailer de serviço, de avantajado tamanho, entrou todo lampeiro na contramão em plena e movimentada rua Boaventura da Silva? Tipo uma hora da tarde! Vinha da Alcindo Cacela. A senhora que ia atravessar, ficou assustada com o risco que correu, vendo aquele monstrengo avançar sobre a faixa de pedestres.

A ausência de fiscalização de trânsito pelas ruas de Belém estimula a ação de motoristas irresponsáveis como esse, certos da impunidade.

FLAGRANTE CANTO NO CENTRO

 

“Vende-se a mercearia Canto da Piedade, com telefone. Tratar na mesma, à travessa da Piedade, canto com Manoel Barata”

Este anúncio classificado foi publicado em um dos jornais locais, em 1962. E na coluna “Memória do Cotidiano” do Jornal Pessoal, da segunda quinzena de novembro, próxima passada. Veja o uso da palavra “canto” como sinônimo de esquina, muito comum em tempos mais remotos cá pelas ruas de Belém, mas ainda prevalecente nos dias atuais. Não me parece exclusividade linguistica paraense, pois já vi tal uso em textos originários de outros locais do Brasil. E não consta de nenhum dos quatro volumes do excelente e divertido “Dicionário Papachibé – A língua paraense” do jornalista e escritor Raymundo Mário Sobral, nem em outros dicionários de termos regionais que consultei.

Então um canto pode ser no centro do quarteirão? Para o “Tacacá du Canto”, na avenida João Paulo II, que está aí na foto acima, pode. Tudo bem, tacacá pode sempre, em qualquer lugar. Pela tradição, seria lá no canto da rua. Mas para os consumidores pode ser em qualquer lugar, desde que seja gostoso e “adubado”, especialmente de camarões – e aqui emito um julgamento pessoal, pois adoro camarõeszões no tacacá... A bem da verdade, não provei este um aí, apenas vi de passagem, mas a cara simpática da casa deixou vontade de provar. Quem deve saber bem do sabor do “Tacacá Du Canto” são os irmãos protestantes (como se dizia antigamente...) da igreja ao lado. Veja em detalhe, na foto abaixo.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h02
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CARTUNISMO PREMIADO

TEM UM PARAENSE QUE É O MELHOR DO MUNDO!


A linguagem universal de um cartunista paraense conquista o mundo: o belíssimo trabalho acima, do paraense Waldez, do jornal Amazônia, conquistou o primeiro lugar no mais importante salão de humor do mundo: o The Ranan Lurie Political Cartoon Award 2010, nos Estados Unidos, uma premiação chancelada pelas Nações Unidas (The United Nations Correspondents Association e The United Nations Society Of Writers & Artists).

Como disse o Arnaldo Torres (Atorres), autor da aquarela que está aqui ao lado, “Parabéns Waldez, nossa esperança se renova com sua conquista. Se o futebol vai mal, o jeito é torcer pelo talento do humor brasileiro/paraense lá fora.”

Isso nos rende muito orgulho, pela afirmação do talento e da criatividade parauaras pelo mundo, com um reconhecimento de tão alto nível. E vai render muita comemoração para a turma do traço, até porque o fim de semana está aqui mesmo. E o fim do ano também... Parabéns! Mais um prêmio internacional para o acervo dessa turma de artistas de primeiro time, que continua trazendo para nosso Estado, espalhando pelas ruas de Belém, as mais importantes distinções internacionais, fazendo deste Estado um pólo importante do cartunismo no Brasil. Tem mais um paraense que é o melhor do mundo! Um paraense do Acará.

Olha só o edital de anúncio do magnífico prêmio conquistado:




Escrito por Fernando Jares às 01h14
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CHEIROS CENTENÁRIOS

MISTÉRIOS EM CHEIROS E... NO COMERCIAL


A “Fábrica de Perfumes Orion”, que você vê divulgada nesse anúncio aí em cima, de 1939, publicado no “Álbum do Pará” daquele ano, continua existindo até hoje, na mesma travessa Fructuoso Guimarães – embora o “c” tenha sido retirado do Dr. Fructuoso, médico em remotos tempos, e o número mudado, porque a cidade, há tempos, alterou o gabarito da numeração, o que fez com que todos os números subissem, no mesmo antigo imóvel... Ah, o velho telefone 1600, mudou bastante, para o dobro de algarismos.

Trata-se de uma muito “antiga fábrica de perfumes e essências”, como se apresenta, em uma cidade que já teve a tradição de ser “cheirosa”. Andar pelas ruas de Belém na metade do século XX representava encontrar cheiros típicos e exclusivos, especialmente quem circulava entre os barros do Reduto e o centro comercial (Campina). Os maus cheiros das ruas do passado haviam sido vencidos com razoável saneamento e os odores das gasolinas, óleos combustíveis e os do saneamento abandonado, ainda não dominavam...

Nossa cantora Fafá de Belém assim o diz, ao falar ao jornal Expresso, de Portugal: "A lembrança mais remota da minha vida são os cheiros e os sabores de Belém. Ali existe uma overdose de paladares e uma variedade enorme de raízes, sementes, cascas de árvores e frutas que é preciso experimentar para depois reflectir."

Em reportagem assinada pela jornalista Maria da Paz Tréfaut, correspondente desse jornal luso em São Paulo, a cantora paraense muito amada nas terras d’além-mar, traça um roteiro da cidade que lhe empresta o nome e indica sua agenda, na qual, ao referir os cheiros belenenses, aponta: “Banho de Cheiro, perfume típico de Belém, feito com ervas amazónicas. Na Perfumaria Orion, Rua Frutuoso Guimarães, 270.” Para ler o original no Expresso, basta clicar aqui.

Há muitos anos o meu perfume do dia a dia tem como base a “Colônia Francesa”, da Orion, na qual a Rita coloca em infusão algumas preciosas raízes. Gosto demais, tem cheiro de Pará.

O prédio tradicional abriga mobiliário também antigo, com grandes garrafas de vidro, ao estilo mesmo das perfumarias dos tempos de antigamente. E, além dos perfumes regionais, lá estão as versões populares de misteriosos cheiros mandinguentos, a conseguir grandes vitórias e conquistas aos que neles têm fé, de namorados/as a empregos.

Mas esta história toda da Orion entrou cá por um motivo que veio da internet: estes dias começou a circular entre os meus seguidos no Twitter (o microblog) um comercial de televisão, de 30 segundos, da dita cuja perfumaria Orion.

Os tuítes o mostravam na brincadeira: “Uma canção cativante + uma atuação impecável + as belezas da Amazônia = o comercial mais trash já feito em Belém” (vcunha). Aliás, uma verdade: um autêntico exemplar de filme trash.

Ninguém viu esse comercial na televisão. Mas está no YouTube e você pode ver clicando aqui.

 

E aí, de onde veio? Segundo Manoel Santos, da terceira geração da Perfumaria Orion, não é deles! Na verdade, disse-me, não o conhecia até falar comigo e acessar, na hora, o YouTube. Foi um espanto só. O cenário não corresponde à tradicional loja da Frutuoso Guimarães, mas a marca está correta, o endereço, a razão social da empresa, tudo certo.

O diretor de cinema Ronaldo Salame, especialista em comerciais de televisão, imagina que seja algum trabalho escolar, postado sem identificação dos autores, considerando o amadorismo da peça.

Esta lançada a caça ao comercial (ou será um viral?) da Orion!



Escrito por Fernando Jares às 21h40
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ETNOMUSICOLOGIA

PESQUISADOR AMERICANO FAZ PALESTRA

Você sabe o que é etnomusicologia? Não? Então vá à palestra “Etnomusicologia no Brasil e nos Estados Unidos” que acontece esta quinta-feira, na Uepa.

Mas, se você sabe o que é, aproveite e vá também à palestra do pesquisador norte-americano Darien Lamen, da Universidade da Pennsylvania, quinta, 16/12, na Uepa/CCSE (Sala de Recitais - Bl. IV Térreo), às 16h, com entrada franca.

Darien Lamen é candidato a PhD na University of Pennsylvania e desenvolve investigações etnomusicológicas em Belém, onde vive já há algum tempo, sobre as conexões entre a música paraense (amazônica) e o Caribe.

Nesta palestra ele vai tratar das prioridades para o campo de conhecimento da Etnomusicologia nos dois países.

O evento inaugura as atividades do recém-criado Gemam (Grupo de Estudos Musicais da Amazônia - Uepa/Dart), coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Murilo Guerreiro do Amaral, etnomusicólogo e professor lotado no Departamento de Artes (Dart) da Uepa.

Agora, se você está querendo saber logo o que é etnomusicologia, pode dar uma passada na Wikipedia, clicando aqui. Ou conheça a Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET), clicando aqui.

Este mesmo Darien Lamen participa de um sítio eletrônico, o “Sonoro Paraense”, sobre aparelhagens e “picarpes”, que é muito bom. Deixo de reproduzir alguma coisa do site porque, em todas as páginas, há um destacado “proibida reprodução de conteúdo”! Então... Mas recomendo a visita, pelo levantamento já realizado sobre o assunto e pelo design muito agradável. É um importante resgate desta manifestação cultural paraense.



Escrito por Fernando Jares às 21h29
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GUIDO TONELOTTO

O PADRE DA ESPERANÇA

A coisa mais normal do mundo é o falecimento de uma pessoa idosa. Imagine, então, alguém que a gente conheceu há mais de 50 anos, eu estudante e ele diretor do colégio. Mas, às vezes, esse tipo de notícia ainda nos pega um susto. Não sei explicar porque. Não sei se isso já aconteceu com você.

Eu não ouvia falar dele há dezenas de anos. Não sabia que rumo sua vida havia tomado. De repente, pego o “Jornal Pessoal” do Lúcio Flávio Pinto e lá está um artigo intitulado: “O amigo Guido Tonelotto”. Um friozinho correu a espinha, êpa, o que houve? O Lúcio anuncia a morte de nosso mestre comum – ambos estudamos no Carmo. Uma lágriminha pulou do olho, incontida. Um enorme rolo de filme começou a rodar em meu cérebro. Esse homem participou de boa parte de minha adolescência e juventude e contribuiu, sem dúvida, para a minha formação.

Cheguei ao Colégio do Carmo, vindo de Capanema, em 1959, para iniciar o ginasial. Esse foi o primeiro ano do padre Guido Tonelotto na direção do estabelecimento. Ficou aqui até 1965, quando foi para o D. Bosco, de Manaus. Eu estudei no Carmo até 1966.

O padre Guido era um homem fino, culto. O Lúcio traça-lhe um belo perfil, que reproduzo abaixo. Seguro na direção. Lembro-me que, todos os dias, falava aos alunos reunidos no pátio. Coisa rápida, de instrução ou formação – e daí saíamos, turma por turma, em ordem, para as respectivas salas. Um dia da semana cantávamos o Hino Nacional e em outro dia o Hino do Pará. Era inflexível na questão comportamental: não admitia “brincadeira de mão”, como ele dizia, entre os meninos. Incentivava os novos valores que se manifestavam (o Lúcio é um bom exemplo) e as boas iniciativas. Nessa época tivemos o jornal do colégio, obras de ampliação, grupos como o Clube de Química ou o “English Club Abraham Lincoln” – participei de ambos... E até a encenação de uma opereta.

Tive muito bom relacionamento com ele, embora não chegasse a ser “peixe”, quem sabe, pela pobreza de meus conhecimentos “na língua de Molière”, no que o Lúcio era versado... Mas vez por outra também andei lá pela sala da Diretoria tenho muito boas recordações desse mestre, especialmente em aconselhamentos, eu que vivia metido pelo grêmio, etc.

Aí ao lado, preciosa foto do padre Guido na sala da Diretoria do Carmo, cenário do artigo de Lúcio Flávio Pinto, reproduzido abaixo. Note, ao centro, a televisão descrita...

BIO – Nascido em 1920 em Concordia, na região de Veneza, Itália, viveu parte da infância na França, onde ingressou no seminário. Foi ordenado em Pádua, Itália, em 1948. Em 1955 veio em missão para o Brasil, para trabalhar em Carpina (PE). No final de 1958 foi transferido para Belém e, depois, Manaus. O êxito de seu trabalho levou-o de volta à Itália, atuando principalmente na área de formação, em Roma, até 1973, quando o gosto pelo Brasil falou mais alto e ele aceitou o convite de um amigo dos tempos de Carpina, agora Bispo de Mossoró (RN), e voltou. Notabilizou-se ali por um grande trabalho assistencial para crianças e jovens, o Projeto Esperança. Era até conhecido como “o padre da esperança”. Em 2001 sofreu um AVC e ficou com fortes seqüelas. Ano passado a situação agravou-se e veio a falecer em 11/11/2009. Vim a saber do acontecido apenas um ano após, mas o sentimento foi da mesma forma muito forte. Estes dados eu os obtive na internet, especialmente no sítio eletrônico da Capela de Santo Antonio, Mossoró, que você pode acessar, clicando aqui.

Olha aqui outra preciosidade: o padre Guido fotografado com a minha turma do Colégio do Carmo, provavelmente em 1961 ou 1962. Ginasianos, 3ª ou 4ª série:


E agora vamos ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, em artigo publicado na edição 475 do “Jornal Pessoal”, que está nas bancas:

O amigo Guido Tonelotto

Na primeira das muitas vezes em que fui mandado para o gabinete do diretor pelo conselheiro, o mineiro ranzinza (e meu adversário personalíssimo) Efigênio Passos, o que devia ser um carão acabou se convertendo numa agradável surpresa. O padre Guido Tonelotto, que nessa época estava completando 40 anos de idade, se surpreendeu com os meus rudimentos de francês e decidiu que conversaríamos na língua de Molière, por ele traçada com gosto e competência, com o bico mais caprichoso possível para as vogais finais.

Enquanto o padre conselheiro imaginava que minha demora com o diretor se devia a qualquer castigo aplicado, eu estava era lendo alguma coisa em francês ou, quando meu interlocutor saía, assistindo a um programa da TV Marajoara, que tateava na engenhoca. O diretor tinha um aparelho Philco cujo atrativo era o tubo de imagem móvel, que girava de um lado para outro. Tínhamos em casa outra dessas fontes de atração de “televizinhos”.

Tornei-me um dos “peixes” do diretor do Colégio Salesiano Nossa Senhora do Carmo, onde permaneci por cinco intensos anos, do admissão à quarta série do ginásio. Acumulei alguns prêmios e muitas suspensões. No último ano foram 10. Com três, devíamos ser expulsos, mas o diretor relevava. A fim de desfazer a má vontade do padre responsável pela disciplina e pela limpeza no apresentar-se (dos outros), padre Guido me indicou para participar de um programa da televisão, “Na batalha da vida só vence quem estuda”, apresentado – se não me falha a memória – pelo tonitruante José Sarraf Maia.

Guido Tonelotto se destacava dos outros salesianos por sua cultura e seu jeito sofisticado de ser. Nascido em Veneza, começara sua vida sacerdotal em Pádova, num circuito italiano de intensidade cultural. Quando deixei o Carmo, e ele ainda ficou por lá algum tempo, imaginei que voltaria à Itália para cultivar suas aptidões. Retornou, de fato, a Verona (minha cidade favorita), mas por pouco tempo. Estava apaixonado pelo Brasil e pela assistência aos pobres e necessitados.

Os últimos 25 anos de sua missão, ele os viveu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde morreu, em 29 de outubro, aos 89 anos. Senti a perda como se nos tivéssemos encontrado dias antes, no saudoso Colégio do Carmo. Guido Tonelotto, mais que diretor ou guia espiritual, concedeu ao moleque irrequieto, naquela passagem dos anos 50 para os 60, o privilégio da sua amizade. Profícua e imorredoura.



Escrito por Fernando Jares às 18h32
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A BISNETA

TAINÁ, UMA SAGA AMAZÔNICA – AS FONTES

Já contei que Tainá Carvalho, aquela garota cheia de personalidade e beleza, que foi eleita Menina Fantástica, no programa “Fantástico”, da Globo, é papa-chibé legitimíssima, com a família originária do lendário Paraná de Dona Rosa, lá no oeste paraense. Não leu? Então clique aqui para ir até “Tainá, uma saga amazônica”.

Pois bem, no mesmo dia em que postei esse texto (29/11), só que um pouco mais cedo, o engenheiro e escritor Ademar Amaral postou no site “Chupa Osso”, que reúne um povo de Óbidos que escreve legal, o texto “A Bisneta”. Ademar Amaral vem a ser o autor do livro “Catalinas e Casarões” a que fiz referência no post acima citado. Reproduzo o texto, mas se você quiser ler no original, pode clicar aqui.

Vamos ler “A Bisneta”:

Era uma vez, no Paraná da Dona Rosa, que deram para minha bisavó criar uma filha de escravos, de nome Romana. Coisa muito comum naqueles tempos de escravidão. Assim, sob a batuta rígida da matriarca Maria Emília de Sousa Bentes Paes de Andrade, esse o nome da minha bisavó, a menina Romana cresceu forte e sadia, e foi educada para aprender tudo sobre os afazeres de uma casa, para depois continuar lá mesmo como serviçal. Isso também era coisa muito comum naqueles tempos.

Quando minha bisavó faleceu, a menina Romana já era uma mocinha prendada e foi morar no casarão da fazenda São Bartolomeu, do meu tio Adalberto Amaral, o afamado coronel Dadá, onde, além de engomadeira preferida das roupas de linho HJ do coronel, aperfeiçoou seus dotes culinários com minha tia Sinamor Guerreiro, sendo sua especialidade os diversos quitutes da apreciada tartaruga do Trombetas.

Pois bem, um dia a dona Romana conheceu o seu Oscar e ela saiu da casa do coronel Dadá para casar. Eu a chamo de dona porque, quando criança, eu a conheci com certa idade. Nessa época, já cheia de filhos, ela continuava como a única engomadeira do coronel Dadá e mantinha infalível, nos tempos das festas do Sagrado Coração, uma banca de guloseimas onde vendia maravilhosos doces e pirulitos, que eram alguns dos maiores apetites da minha infância.

Entre os filhos que a dona Romana gerou com seu Oscar, vale destacar duas mulheres: a Francisca e a Lea. Por obra da minha madrinha Sinamor Guerreiro, a Francisca foi matriculada interna no Colégio Santa Clara, onde recebeu educação das freiras e se formou em professora normalista. A Francisca era caprichosa e foi destacada educadora no município de Santarém, tendo feito diversos cursos de aperfeiçoamento em São Paulo. A outra irmã, a Lea, casou cedo e teve muitos filhos, indo morar com o marido em Juruti. Um dia a professora Francisca comprou uma casa em Belém e deu para a irmã Lea, com a finalidade de proporcionar uma educação melhor aos sobrinhos.

Dentre os filhos da Lea, destaco a Assunção que morou muitos anos com minha mãe quando meu pai comprou uma casa na Gentil para que a gente continuasse os estudos. E em nossa casa da Gentil sempre costumavam aparecer alguns irmãos e irmãs da Assunção, dentre eles uma irmã de nome Imaculada. A Assunção voltou para a casa dela depois que nós nos formamos e minha mãe resolveu voltar para Óbidos e ficar ao lado do meu pai. Depois a Assunção casou com um policial militar e foi morar em Santarém. Por muito tempo eu ainda encontrei a mãe delas, dona Lea, aos domingos, sempre na missa dos capuchinhos, mas soube que ela faleceu há uns quatro anos.

Sobre a irmã da Assunção, a Imaculada, eu nunca mais tinha tido notícia dela até o mês passado, quando, ao lado da família, ela teve sua foto estampada com certo estardalhaço no jornal O Liberal. É que a filha dela, de nome Tainá, foi simplesmente eleita a garota do Fantástico. Ou seja, a Tainá, com um luminoso futuro para seguir na promissora carreira de modelo internacional, é simplesmente bisneta da dona Romana, a doceira dos sonhos da minha infância e, modéstia à parte, gente lá do meu sempre saudoso Paraná da Dona Rosa.”

No último final de semana conversei com outro Amaral nascido em terras obidenses, Adalberto Guerreiro do Amaral, que vem a ser filho do famoso coronel “Dadá”.

Beto contou-me que a “Tia Romana”, como a chamavam os curumins da casa, era pessoa de altíssima confiança de seus pais. “Era a única que pegava na roupa dele. Quando ele e minha mãe saiam, deixavam-nos sob os cuidados e as ordens dela”.

Qualquer dia destes vamos matar uma galinha e acompanhar um papo mais longo, para saber muitas outras histórias daqueles mundos amazônicos.



Escrito por Fernando Jares às 19h23
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ORDENAÇÃO E CASAMENTO

UM DUPLO JUBILEU DE PLATINA


Monsenhor Geraldo Menezes em sua casa. Bela foto de Paula Sampaio para O Liberal (01/10/2010).

“O conhecimento profundo das Sagradas Escrituras, a quase intimidade com o Pensamento Divino exposto nesses livros, fruto de um estudo permanente, constante, que já dura mais de meio século, o domínio das mais complexas interpretações feitas pelos grandes doutores da Igreja, são a base de suas homilias. Esse grande conhecimento é passado aos seus fiéis em palavras simples e ricas, que mostram a grandeza de Deus e do espírito cristão. A cada um desses encontros seus ouvintes saem mais fortes na fé, mais enriquecidos do amor do Pai. A palavra de Geraldo Menezes, impregnada pela força do Espírito Santo, é como uma bússola a nos apontar o norte da Salvação Eterna, que todos buscamos.”

O destinatário dessas palavras é o Monsenhor Geraldo Menezes, paraense dos bons, vivente a andar pelas ruas de Belém há mais de 88 anos (completados em 10 de maio) e que hoje, 8 de dezembro, celebra seus 65 anos de ordenação sacerdotal.

Admiro-o demais, desde (eu) muito jovem. Foi nos idos dos 60 do século passado nosso primeiro encontro, quando tive a oportunidade de colaborar na divulgação da Campanha da Fraternidade nos veículos de comunicação, em um determinado ano. A gente tinha que pegar o material, como teipes quadruplex de 2 polegadas (quem lembra?), clichês, spots e ir pedir a divulgação... Foi uma experiência muito boa. Mas isso é outra história...

Essas palavras acima sobre ele eu as escrevi há 15 anos, para a publicação com que os fiéis da Igreja da Santíssima Trindade o homenagearam pelo Jubileu de Ouro Sacerdotal, seus 50 anos de ordenação.

Já escrevi aqui algumas vezes sobre ele, inclusive quando referi a visita que D. Helder Câmara fez à igreja da Trindade, em 1990, e afirmei ser Geraldo Menezes “outro brilhante orador sacro, de rara erudição, de quem também sou ‘macaco de auditório’, ou melhor, ‘de igreja’...” (leia, clicando aqui).

Hoje, pensando sobre aquele momento da ordenação de Geraldo Menezes, da felicidade que deve ter tido sua mãe, a professora Francisca Santos de Menezes, muito religiosa, descobri algo muito interessante, que me deixou ainda mais ligado a ele. Eu não tinha percebido isso até esta data.

Foi também no dia 8 de dezembro de 1945 que meus pais casaram! Enquanto o jovem Geraldo Menezes era ordenado, por d. Mário de Miranda Vilas Boas, na Catedral de Belém, os jovens Fernando e Inocência casavam na igreja de Santana, sob as bênçãos e atendendo a um chamado vocacional do mesmo Deus. Juro que isso me emocionou e impulsionou a escrever estas linhas sobre um grande homem, um homem que ajudou a moldar a minha fé, especialmente nos últimos 20 e poucos anos. Quanta coincidência! Ou, como gostava de dizer D. Alberto Ramos, “coincidência, não, Providência”, referindo-se à Providência Divina.

Parabéns, Monsenhor Geraldo Menezes, pelo seu Jubileu de Platina Sacerdotal. Parabéns aos meus pais que, se vivos ainda fossem, comemorariam com amor este Jubileu de Platina Matrimonial. Mas Deus os quis antes. Olha os dois aqui, há exatos 65 anos. Saudades.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h01
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POSTAIS PUBLICITÁRIOS

ENCONTRO DE COLECIONADORES EM BELÉM


Já disse aqui que tenho mania de colecionar as coisas mais diversas. Comecei, ainda criança, com petecas de variadas cores, álbuns de figurinhas – e tenho alguns deles até hoje... Jovem, andei por garrafinhas de bebida (quando eram brinde e não vendidas, como hoje), lápis de propaganda, selos usados ou novos, chaveiros, até chegar aos sabonetes de (m)hotel, cartões telefônicos, postais publicitários. A maioria delas, obviamente, foi abandonada em algum momento. Mas muita coisa ficou guardada.

Os postais publicitários são a mais cuidada das coleções atuais e até já mereceram por cá um post especial, “O cartão postal virou publicitário”, sobre esse meio de comunicação, que você pode ler clicando aqui. Também já foram assunto de matéria/entrevista deste escriba no programa “Em sua companhia”, na TV RBA.

O gosto pelos cartões espalhou-se, graças à atuação da Jokerman, que faz a produção e veiculação de cartões, aqui e em todo o Brasil. São muitos os colecionadores, pelo menos aqui, pelas ruas de Belém. E são tantos que terão até um “I Encontro de Colecionadores Jokerman”, nesta quinta-feira (09/12) com programação de longo alcance, de 10 às 22h, na Saraiva MegaStore, no Boulevard Shopping. Tem muita coisa boa, para o dia inteiro, veja só:

10h – Abertura do evento com Saulo Figueiras – Diretor da Jokerman Belém

10h30 – Cadastramento de colecionadores

11h – Tempo para dinâmica de trocas entre colecionadores – Sorteio de brindes

12h30 – Exibição do documentário “The Cove” (“A baía da vergonha”), 2009, de Louie Psihoyos – Oscar 2010 de Melhor Documentário. Veja o trailer aqui

14h30 – Cadastramento de colecionadores

15h – Apresentação do Maquiador Artístico Nelson Borges – Produção ao vivo de um personagem cinematográfico

16h – Exibição do filme “Die Welle” (“A onda”), 2009 de Jürgen Vogel e Frederick Lau. Veja o trailer aqui

17h30 – Cadastramento de colecionadores

18h – Apresentação do grupo de comédia stand-up “Em-Pé-na-Rede”

19h – Tempo para dinâmica de trocas entre colecionadores – Sorteio de brindes

20h – Palestra com o Diretor Nacional e Fundador da Jokerman, Pedro Rovai.

21h – Coquetel de encerramento e apresentação do DJ Masa (set especial de mashups, remixes e botlegs)

Vamos lá.

E para ilustrar o assunto, aqui estão dois postais recém-integrados à coleção. Imediatamente abaixo, frente e verso do postal de um restaurante na cidade de Nazaré, na Galileia, Terra Santa.

 

 

Este outro postal é do Yardenit, um local muito procurado pelos cristãos que visitam a Terra Santa, para batismos simbólicos ou renovação das promessas do Batismo, às margens do rio Jordão, ao sul do mar da Galileia. Note que o postal garante, ao portador, descontos nas compras a serem feitas nas lojas de lembranças existentes nesse espaço.

 



Escrito por Fernando Jares às 21h09
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PASTE, FILETTI...

NOVOS ITALIANOS NA CIDADE VELHA

- Tem pizza?

- Não senhor.

- Mas o restaurante é italiano, não é?

- Sim, autêntico, e com cozinheiro italiano de verdade, especializado em cozinha mediterrânea e sobremesas típicas da Itália.

- Mas não tem pizza?

- Nossignore.

O diálogo é ficcional, mas o restaurante bem real (e imagino que deve acontecer de vez em quando um papo semelhante...). Um novo restaurante, na Cidade Velha, bem ali, no começo da rua Cametá.

No comando da casa, uma dupla ítalo-paraense, Paolo e Leide, ele com 25 anos de experiência em restaurantes da sua terra, e ela, parauara legítima, com carreira de dez anos em cozinhas italianas, de assistente a cozinheira profissional.

Esse é o currículo do “Itália Box”, o restaurante italiano que não tem pizza, e tem um nome bem diferente. Box? Pois é, segundo o Paolo, o projeto inicial (eles estão aqui desde o início do ano e já tiveram experiência com uma casa na Quintino) era trabalhar com delivery. Mas a clientela cobrou o restaurante e surgiu este. Tem almoço executivo, até com PF, e jantar a la carte, com as especialidades italianas.

O restaurante nós o descobrimos recentemente, em preciosa dica do José Maria Toscano que, como se vê, não é apenas especialista nos melhores botecos existentes pelas ruas de Belém. Ele sabe das coisas que acontecem sobre e em torno das melhores e/ou mais populares mesas da cidade... Digo nós, porque lá fomos Rita e eu, mais a Jamile e o Sérgio, gente da psicanálise, mas que eu compreendo (ou me esforço para...).

Começamos com uma “Insalata Caprese” (R$ 17,00), que nem estava no cardápio, mas foi sugerida pelo Toscano: tomates, mussarela de búfala, manjericão, entrada tradicional e saborosa... e saudável, fez companhia a umas muito bem geladas cerpinhas. Registre-se que uma caipirinha solicitada veio feita com legítima cachaça de Abaeté, segundo a Leide. A insalata está aqui a olhar para nós:

 

Da série primi piatti (primeiros pratos, mas que é entendido mesmo como macarrão), fomos a duas opções.

Um “Spaghetti alla carbonara” (R$29,00), também muito tradicional, massa com bacon, ovo, cebola, parmesão. Na verdade a Rita havia escolhido um penne, mas acabou chegando à mesa o spaghetti, que está gostoso conforme ela imaginava. Só que em outro formato...

 

A outra opção ficou por conta de um risotto, no que os italianos são muito bons, e a escolha recaiu em um “Risotto milanese” (R$ 34,00), com seu arroz arbóreo, amarelinho pelo açafrão, parmigiano (parmesão) e tempero caprichado. Em ambos os casos, combinamos com os secondi piatti (segundos pratos).

Os primeiro escolhido foi um “Filetto alla piastra con funghi” (R$ 32,00), um filé na chapa com cogumelos, coisa levinha, imagina-se. A carne estava como eu a desejei, mas os cogumelos estavam um tanto acima do sal esperado, mesmo sendo eu um saleiro juramentado (que a minha cardiologista não me leia...). Disse o chef Paolo que subiu o ponto do sal em virtude de muitos pedidos – para ele, os paraenses gostam de carregar no sal. Sugeri que é melhor perguntar antes...

 

A outra opção ficou por conta de “Filetto al gorgonzola” (R$ 37,00), um filé ao creme de gorgonzola que foi acompanhado pelo risotto, formando uma dupla bem relacionada. Por concessão especial dos comensais, sempre sou distinguido com “provas” dos demais companheiros de mesa... Olha o filetto temperado com o gorgonzola todo convencido na foto:

 

O necessário fechamento com sobremesas foi realizado com um “Folhado de morango” (R$ 10,00) e um “Crema catalana” (R$ 10,00), com suas gemas, leite, canela. Estão ambos na foto abaixo:


Foi uma noite bem agradável, onde, além da boa companhia na mesa, encontrei amigos e companheiros de trabalho de outras eras, mais priscas ou menos priscas, como o Irapuan Salles Filho e o Jorge Moreira, que lá estavam com o Toscano, este, um amigão de prisquíssimas eras!

E a certeza de que as pizzas podem ficar para as pizzarias, que este restaurante serve bem com sua especialização nas paste, filetti, etc.



Escrito por Fernando Jares às 23h05
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PELAS TRILHAS DA TERRA SANTA (3)

UMA PORTA DO/PARA O PASSADO

Tel Aviv Yafo é o “nome completo” da cidade conhecida apenas por Tel Aviv, a maior de Israel. Esse complemento representa a sua integração à milenar cidade de Jaffa, ou Joppe, em hebraico Yafo (יָפוֹ), na costa mediterrânea, um grande porto no passado e muito citada na Bíblia. Para mais informações sobre a cidade, clique aqui. Neste sítio começou efetivamente a parte religiosa, a peregrinação, do grupo do Pará, no final de outubro passado, que estamos a acompanhar.

Joppe, cujo nome homenageia um dos filhos de Noé (Jafé), era o porto de abastecimento de Jerusalém. Foi por lá que entraram as ricas madeiras para o primeiro grande templo, o de Salomão. No segundo livro de Crônicas o rei Hirão de Tiro manda dizer que “cortaremos madeiras do Líbano, tanta quanta precisares, e enviar-te-emos pelo mar, em jangadas, até Joppe, donde farás subir até Jerusalém.” (II Crônicas 2,15).

O profeta Jonas, ao ser chamado pelo Senhor para converter o povo de Nínive, pretendeu fugir da missão e “desceu a Joppe, onde encontrou um navio que partia para Társis” (Livro de Jonas 1,3), mas deu-se mal, foi lançado ao mar e recolhido por um grande peixe que o colocou de volta em uma praia. Há citações também em Esdras (3,7) e em Macabeus (1Mac 13,11).

Embora Jesus não tenha estado em Joppe, no Novo Testamento a cidade aparece diversas vezes. Nos Atos dos Apóstolos, por exemplo, está a história de Tabita, que era “rica em boas obras e esmolas que dava” (At 9,36), ou pela presença de Pedro, que aí viveu um bom tempo e teve a grande visão narrada em Atos 11,5, um marco na orientação dos caminhos para a expansão do cristianismo naqueles tempos iniciais. Daqui teria partido Nossa Senhora, com S. João, para ir a Éfeso.

A igreja de S. Pedro é uma das grandes atrações da cidade. Veja uma bela foto desta igreja na Wikipedia, clicando aqui. Está no local considerado como aquele em que o apóstolo teve essa visão. Passamos também por uma mesquita em obras, mas ouvia-se a voz do muezim, chamando para a oração.

Ao final da visita – e final da tarde – o grupo optou por voltar a pé para o hotel. Longinho, caminhada de bem mais de uma hora, sei lá. Mas valeu, por tudo de lindo que foi visto. Veja alguma coisa nas fotos a seguir.

A IGREJA DE S. PEDRO


Interior da bonita e tranquila igreja de São Pedro. No altar principal, um quadro reconstitui a visão do apóstolo, conforme narrado nos Atos dos Apóstolos.

O CONQUISTADOR VIROU PLACA


Napoleão andou por aqui, em 1799, conquistou Joppe e matou muita gente. Deu-se mal mais acima, em Accre, cuja resistência foi brava e o cerco não deu certo, fazendo-o desistir e ir para o Cairo, derrotado. Parece que não gostam muito dele por aqui. Virou placa de indicação turística... Tem outros napoleões pela cidade.

PORTO MILENAR

 

Por este porto, protegido por defensas de pedra, entraram e saíram muitas riquezas e muitas gentes, ao longo de milênios, em todo tipo de barco. Hoje muita gente pesca aqui no final da tarde.

HAVA NAGILA


Olha um barco de turistas. Parecia o “Tribo dos Kayapós”, da Valeverde, que circula pelos rios próximos a Belém. Tinha música, gente dançando...

PÔR DO SOL

 

No retorno a Tel Aviv, caminhando pela orla, olha a Rita fotografando o pôr do sol, saudosa daqueles pores do sol maravilhosos de sua Oriximiná natal. Abaixo, o povo caminha na praia, aproveitando o frescor do mar.

 

E olha a foto que ela fez! À esquerda, silhueta da torre da igreja de São Pedro, que você viu lindinha na foto da Wikipedia.

FLAGRANTES DA VIDA REAL (1)

 

Enquanto a senhora pesca, feliz da vida, nestas mediterrâneas margens, seu cachorrinho, um vira-lata puro sangue israelense, descansa, como qualquer bom cachorrinho, pelas ruas de Belém.

FLAGRANTES DA VIDA REAL (2)

 

Não mais que de repente aparece um típico carro de recém-casados, todo enfeitado, com uma noiva sorridente, acenando para as pessoas, deixando todo mundo com carinha feliz. A motona à esquerda era de um cara fortão, com roupa tipo de couro e uns pregões prateados. Preferi não fotografar a máquina diretamente, vá que ele não gostasse...

FLAGRANTES DA VIDA REAL (3)


Pois não é que a lourinha aí da foto é paraense e estuda em Israel. E ainda descobriram que era filha da maior amiga de infância de uma das pessoas do grupo... Uma festa! Ao fundo, mais uma noite tranquila chega a Tel Aviv, com uma temperatura que fica uma delícia, fresquinha.



Escrito por Fernando Jares às 20h06
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NA LUTA CONTRA A AIDS

ESCLARECENDO E MOTIVANDO PARA VENCER

Aproveitando que hoje é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, fui ao meu baú de guardados de campanhas corporativas e escolhi duas delas, de que participei, na comunicação interna da Albras, em Barcarena.

Esta primeira é bem antiguinha. 1989 ou 1990. Época da construção da segunda fase da fábrica, com milhares de trabalhadores da construção civil na área – em alguns momentos passavam de 6 mil. Além disso, havia ali um grande porto, que recebia navios internacionais. E a AIDS ainda nem era bem conhecida, por isso o tema “A AIDS está matando pessoas que não sabem como a AIDS está matando”. Este tema foi massificado em cartazes, outdoors, panfletos e muitos milhares de cartilhas, impressas e distribuídas na região, explicando direitinho o que era a AIDS, como se transmitia, como evitar, etc. Além de palestras. Muitas destas informações ainda eram novidade. A criação foi da Comunicação Empresarial da Albras, onde eu formava dupla com o Jorge Laurentino de Souza, o Jorge Laurent, hoje em O Liberal. Um grande diretor de arte, parceiro em muitas peças e campanhas que geraram satisfação profissional e resultados muito positivos. Naquela época trabalhávamos em Belém. Quando mudamos para Barcarena, o Jorge optou por ficar na capital e se desligou da empresa.

Olha o outdoor da campanha:


Aqui a capa da cartilha:

 

Já muito mais novinha e esta peça aqui embaixo. Foi feita para o carnaval de 2000 ou 2001, campanha em conjunto com a empresa irmã e vizinha, a Alunorte, também, aquela altura, controlada da Vale. Criação da Comunicação Empresarial da Albras, onde os textos eram meus e a arte da Andrea Lima dos Santos, parceira de muitos anos e de grandes realizações na comunicação interna, que muito contribuíram para o bom clima organizacional da empresa. Para que as pessoas não esquecessem a camisinha e desejando um carnaval caprichado e feliz, o tema jogava com um duplo sentido nas palavras, apropriado para o momento carnavalesco e para o público-alvo, predominantemente masculino: os homens eram algo como 95% da equipe da empresa! A ideia surgiu no planejamento de uma ação, em conjunto com o “cliente” (Medicina Preventiva), para distribuir camisinhas para a galera. Aí criamos essa cartela, de baixo custo, já que impressa, internamente, em papel A4, duas peças por folha. Quando retirava-se a camisinha, estava escrito: "Sexo Seguro Sempre" - pra ninguém esquecer de ter isso na cabeça... Lembrei-me desta solução ao ver a bela campanha da Secretaria de Saúde para este Dia Contra a AIDS, em que usaram um postal publicitário (Jokerman) de formato especial para distribuir camisinhas.

 

Pra quem não viu, o requintado postal da Secretaria de Saúde pode ser acessado clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h26
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