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PELAS RUAS DE BELÉM


RÁPIDA AUSÊNCIA

COMER, AMAR E REZAR

Este blog dá uma parada até o final do mês, para que o escriba saia em voo de longo alcance, sem a companhia de penduricalhos eletrônicos comunicadores. Pode ser que, nesse intervalo, haja alguma manifestação. Sem compromisso. Mas não deixe de passar. No retorno, as experiências pelas ruas de uma outra Belém.



Escrito por Fernando Jares às 22h48
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PUBLICITÁRIOS NA MADRUGADA

OS CLICHÊS DO CÍRIO NO PORÃO... DO AVIÃO

Madrugada de um sábado, véspera do Círio, no início dos anos 1970, dois jovens publicitários, freneticamente procuram um pacote no porão de um avião que acabara de chegar do Rio de Janeiro. Devia ser entre três e quatro horas da madrugada. Um funcionário da companhia aérea acompanha o trabalho dos dois, não fossem danificar os pacotes dos outros. O maior problema fica por conta da grande quantidade de engradados com flores para decorar a Berlinda de N. S. de Nazaré, na Trasladação daquela noite e no Círio do dia seguinte. E os tais engradados, obviamente tinham que ser levantados com muito carinho. Com essas coisas não se brinca, muitos menos se descuida...

Os tais dois buscadores do pacote éramos Paulo Coelho, o mídia da Mendes Comunicação, e eu, do Atendimento. E por que éramos nós dois a fazer a busca? Simples: pelas regras da companhia, o porão seria paciente e ordeiramente descarregado, os pacotes arrumados nas prateleiras, listados e conferidos pelos “conhecimentos” (o documento que acompanha o objeto em transporte) e, somente depois, entregues aos seus destinatários.

Acontece que tínhamos urgência. Muita urgência. Por isso abriram-nos uma muito agradecida exceção. Mas que procurássemos, naquele mundo de volumes... No tal pacote estavam os últimos clichês dos anúncios a serem publicados nas edições dos jornais locais do dia seguinte, domingo do Círio. Pelo volume das edições, os cadernos especiais deveriam ser impressos ainda na manhã de sábado. E nós procurando os pacotes...

Resumindo: localizamos os pacotes. Para os mais novos, talvez seja interessante explicar o que eram os clichês. Eram peças planas, em metal, zinco, salvo engano, e posteriormente, em plástico (os estéreos), com o objeto a ser impresso gravado em baixo relevo e no sentido inverso, isto é, de trás para frente. Eram utilizados para fazer as chapas, no processo de impressão tipográfica. Esse material era todo feito no Rio de Janeiro ou São Paulo, pois aqui não tínhamos clicherias com a alta qualidade que se exigia para um bom anúncio. E o Oswaldo Mendes não abria mão da alta qualidade. Nem nós, seus aprendizes...

Veja se dá para identificar, nesta foto, o que é um clichê:

.

Estes clichês são de anúncios que publiquei na coluna “Comunicação”, que assinei em O Liberal entre 1970 e 1972. Obviamente, nada têm a ver com o Círio.

Dia destes, conversando com o Paulo (Armando Cavalcante) Coelho – que eu conheci antes do seu homônimo ser famoso como escritor – recordávamos o episódio. Acha ele que teria sido no ano em que um Presidente da República esteve aqui no Círio. Pelo que eu pesquisei, Médici esteve em Belém em outubro de 1970. Eu penso que o episódio do avião aconteceu mais adiante.

Mas o interessante desta conversa foi relembrar algo muito pitoresco: os clichês precisavam ser revisados, antes de entregues aos jornais, para ver se tudo estava direitinho. Pacotes na mão, quantidades conferidas, rumamos pelas ruas de Belém, na maior velocidade que meu Fusca65 permitia, para a agência (ainda no edifício Antonio Velho, rua Santo Antonio), onde nos aguardava o Oswaldo Mendes. Foi aí que descobrimos que não estavam lá as provas tipográficas, onde leríamos o que estava gravado nos clichês. A solução: fiquei com os clichês para ler e Oswaldo acompanhava nos textos originais. Só não esqueça que nos clichês o texto fica de trás para diante, o que exige esforço redobradíssimo para ler... Ao final, quando pegamos a última peça (parece que era de página inteira!), surpreeeesa: as provas tipográficas estavam presas nela!

Terminada a revisão, já umas seis e meia, levamos os anúncios para os jornais, onde todo mundo nos esperava, com as máquinas paradas... Eu me lembro da todo-poderosa d. Dayse Soares, da Folha do Norte: ela estava, pessoalmente, a nos esperar, na porta do jornal. Juro que não lembro a bronca, mas que a levamos, levamos...

Mas tudo terminou bem, os anúncios foram publicados, os anunciantes, os jornais e os leitores ficaram felizes e a Virgem foi homenageada. E também assim anda o Círio de Nazaré.

Como não sabemos exatamente em que ano aconteceu essa história, vai cá um anúncio de ano com certeza bem próximo, da Companhia de Cigarros Souza Cruz, no Círio de 1974 (13/10), assinado pela Mendes Publicidade, que atendia a conta institucional e de relações públicas da Souza Cruz na região Norte. A publicação foi no Caderno Especial “Círio - Todo um povo nos caminhos da fé”, do jornal Província do Pará, um trabalho do sempre lembrado jornalista, historiador e escritor Carlos Rocque.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h48
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AMAZÔNIAS

MULTICULTURALISMO AMAZÔNICO EM FÓRUM

O XVI Fórum Paraense de Letras da Unama, que acontece este mês, de 25 a 27, está associado ao programa “Amazônias – paisagens, narrativas, sentidos”, do Ministério da Cultura, no mesmo período e local. O poeta, folclorista, ensaísta, dramaturgo. professor e pesquisador, João de Jesus Paes Loureiro é o patrono do Fórum. O escritor Dalcídio Jurandir e o professor, crítico literário e filósofo Benedito Nunes ganham exposições. Mais de 200 objetos em miriti, artesanato tipicamente paraense, com centro em Abaetetuba (coincidentemente a terra de Paes Loureiro) mas que encontramos bastante pelas ruas de Belém, formam uma instalação, ideia do artista plástico Emanuel Franco, sobre a marca do Fórum, o pássaro amazônico arara juba, que foi criação da professora Célia Jacob.


Segundo a divulgação do evento, "o ciclo de debates acerca das interpretações da Amazônia, marcadas pela diversidade das relações espaço-temporais, daí o título referir-se a paisagens como espaço e narrativas como tempo, que projetam sentidos, interpretações dos variados lugares de enunciação, seja por meio dos discursos globais, nacionais ou locais. Podemos entender como a enunciação de transplantação do mito das Amazonas, que acaba por designar a região e torná-la quase sempre vítima de uma manipulação enunciativa. O modo como o não-amazônida conceitua e enuncia a região é, por vezes, unilateral. Daí a necessidade de promover ações que ressignifiquem as formas de enunciar a região a partir das mais diversas narrativas/representações, de diversos lugares de enunciação e experiências históricas.

A idéia do ciclo não se encerra em mesas redondas ou palestras com debates, acrescentam-se as reflexões propostas por representações da Amazônia no campo artístico, especialmente nas formas visuais, audiovisuais, cênicas e musicais.

O projeto na região conta com a participação das três maiores instituições de ensino superior do Pará: a Universidade Federal do Pará, a Universidade do Estado do Pará, a Universidade da Amazônia e a colaboração da Universidade Federal do Amazonas. Além destas, conta-se com o fundamental apoio da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/Núcleo de Poéticas da Oralidade, coordenado pela Profª Dra. Jerusa Pires Ferreira, e de outras IES, como Universidade de Brasília; Universidade de São Paulo e Pontificia Universidad Católica del Perú."

Você pode ler sobre este evento, inclusive um artigo de João de Jesus Paes Loureiro, acessando o sítio eletrônico Amazônias, clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 21h16
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PSICANÁLISE EM BELÉM

FANTASIA EM FREUD, LACAN, SHAKESPEARE, CLARICE, SÓFOCLES

 Um dos mais destacados nomes da psicanálise no Brasil, Marco Antonio Coutinho Jorge, psicanalista e médico psiquiatra, estará esta semana pelas ruas de Belém e na sexta-feira, 22/10, ministra o seminário “A Clínica da Fantasia”, no auditório David Mufarrej, da Unama, das 9h às 12h, com entrada franca.

Inscrições na Unama/Alcindo Cacela, na Supex, 2º andar do bloco A, até 21/10, no horário de 8h às 17h e também na hora do evento. Na UFPA, Coordenação da Pós-graduação de Psicologia, até 21/10, no horário de 8h às 17h.

No final da tarde, às 18h30, na Livraria Saraiva (Boulevard Shopping), Coutinho Jorge lança seu novo livro, “Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan, vol. 2: A clínica da fantasia”, da editora Zahar.

O seminário é patrocinado pela Universidade Federal do Pará - UFPA e tem apoio da Universidade da Amazônia – UNAMA, com a organização por conta da Associação de Psicanálise de Belém, e coordenação das psicanalistas Silvia Maria de Souza Levy, Maria Filomena Pinheiro Dias e Roseane Freitas Nicolau.

FANTASIA – Conforme informação da Editora Zahar, “O conceito de fantasia é tão importante na psicanálise que Lacan concebia o tratamento analítico como uma travessia da fantasia – aquela em que o sujeito mantém seu desejo aprisionado.

Analisando filmes, contos, poesias, pinturas, músicas e peças de teatro, Marco Antonio Coutinho Jorge isola de modo inédito um período fértil na obra de Freud centrado na fantasia para elevá-la ao patamar de um dos fundamentos da psicanálise. Explora, com a mesma originalidade e clareza, casos da clínica analítica e observações da vida cotidiana, além de fatos que marcaram a história.

O conceito de pulsão de morte é explicado, assim, a partir do filme O exterminador do Futuro e da peça Macbeth de Shakespeare; as relações entre amor e morte são analisadas nos filmes Sexo, mentiras e videoteipe e O império dos sentidos, nos contos de Guy de Maupassant e na peça Édipo, de Sófocles; enquanto o conceito de despertar para o real se apoia em textos de Clarice Lispector, entre outras abordagens.

Esse livro dá sequência à obra Fundamentos da psicanálise, lançada com grande sucesso entre psicanalistas e estudantes. No volume 1, os conceitos de inconsciente e pulsão são o objeto de estudo.”


PROFESSOR – Autor e professor, Marco Antonio Coutinho Jorge é adjunto do Programa de Pós-graduação em Psicanálise da UERJ, sendo ainda diretor do Corpo Freudiano/Rio de Janeiro e membro da Sociedade Internacional de História da Psiquiatria e da Psicanálise e correspondente da Association Insistance (Paris/Bruxelas). Entre seus livros estão “Fundamentos da psicanálise, vol.1: As bases conceituais”; “Freud: O criador da psicanálise” e “Lacan: O grande freudiano” (estes últimos em coautoria com Nadiá Paulo Ferreira), todos pela Zahar. Para esta editora dirige as coleções “Transmissão da Psicanálise” e “Passo a Passo”, na série “Psicanálise”.

Sobre o novo livro de Marco Antonio Coutinho Jorge há uma crítica interessante, da psicanalista e professora da Universidade Federal do Ceará, Laéria Fontenele, no jornal Diário do Nordeste. Para ler, clique aqui.

PRÉ-SEMANA – O seminário “A Clínica da Fantasia” integra a Pré-Semana Científica da Faculdade de Psicologia e Programa de Pós-Graduação em Psicologia, da UFPA, que acontece dos dias 26 a 29 de outubro. Você pode ler mais sobre este evento acadêmico, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 19h52
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CULINÁRIA NATURAL (II)

DA FLORESTA PARA AS PANELAS, A GASTRONOMIA PARAENSE (II)

Aqui vai a continuação da matéria que publiquei em A Província do Pará, em 6 de dezembro de 1994, sobre a culinária paraense e cuja primeira parte você encontra no post imediatamente abaixo, com data de ontem.

O texto desta segunda parte (originalmente publicada em uma mesma data, em página inteira, capa de caderno), mostra quais são os elementos que servem de base para a rica e diversificada culinária paraense que você encontra nos restaurantes pelas ruas de Belém, dos mais sofisticados e caros aos mais simples e populares, inclusive aqueles das feiras, das garagens, das “puxadinhas”, etc. – aliás, em muitos destes, encontramos paladares extraordinários.

Aliás, o desfile começa com uns peixes sendo assados no mercado central de Santarém, que eles chamam de “Mercadão 2000”, que fotografei agora em setembro, quando lá estive e visitei o mercado com os sobrinhos Mara e Marcelo. Pena que a internet não transmita o cheiro mais que cheiroso desse assado. Eu até o sinto, só de olhar a foto... Às ordens, para quando for lá...

 

O FASCÍNIO DA FLORESTA NA COZINHA PARAENSE (II)

A cozinha paraense tem alguns elementos básicos, fundamentais em seus melhores pratos: o tucupi, líquido amarelado extraído da raiz da mandioca, de sabor inconfundível e incomparável a qualquer outro alimento; o jambu, planta de pequenas folhas, companheira inseparável do tucupi na maioria das composições e que, quando mastigada produz pequeno tremor nos lábios, o que faz com que seja centro de controvertidas histórias que a apontam, até, como afrodisíaca; pimenta de cheiro, uma bolinha amarela, ardente, que tem tudo que as melhores pimentas, têm, com a vantagem de um agradável e excitante perfume, que cativa até quem não gosta de pimenta; farinha d’água, produzida a partir da mandioca, como inúmeras outras farinhas (suruí, seca, tapioca), é a mais apropriada para acompanhar praticamente qualquer prato da cozinha regional (e da internacional, nacional, regional de qualquer lugar do mundo...) pelo seu sabor que não interfere no produto saboreado, apenas o realça - muito melhor do que aquele conhecido tempero japonês.

A partir deste quarteto, adicionados os mais diversos componentes, de animais convencionais (pato, frango) a caças nem sempre legalmente adquiridas (pacas, tartaruga) é possível elaborar um leque mais que precioso.

Na variedade de componentes há outra riqueza regional. Camarão é uma delícia em todo o mundo. Mas quem terá o aviú, um camarãozinho microscópico existente em alguns de nossos rios? É possível fazer dele sopas de sabor inconfundível, ou uma mujica de qualidade indescritível. Peixes há em todos os lugares, mas quem terá um tucunaré autêntico, de sabor extremamente marcante, pela variada alimentação que encontra nos rios em que vive? Comê-lo recém-pescado, apenas com sal e limão, assado em uma praia do Rio Tapajós, de noite, é muito mais que uma simples satisfação de necessidade alimentar, é um ato de prazer extraordinário. E existem os prazeres proibidos da cozinha paraense. Aqueles que, em nome da preservação, do equilíbrio ecológico, foram declarados como criminosos, como que em uma nova ditadura, a ecocracia. Na lista estão pratos originários da tartaruga como o sarapatel, feito com as patas, aderências de gordura, sangue e pedaços de carne, tudo cortado miudinho; o paxicá, um guisado das vísceras, com muita gordura e sangue; o picadinho, feito da carne branca do peito da tartaruga, o filé, preciosidade só conseguida nos animais de grande porte. Outro "crime" é o casquinho de muçuã, pequena tartaruga que, dizem, em 1962 encantou o rei Leopoldo, da Bélgica, no velho Grande Hotel. E continua encantando quem ainda consegue ter acesso a um deles (servido no próprio casquinho, refogado com azeite, cebolinha, coentro e temperos semelhantes).

Poucas "comidas de rua" são tão características como o tacacá. Único. E difícil até de descrever. Experimente. É sopa? É comida? E bebida? E mingau? É exclusiva, com certeza, e só pode ser bem conhecida em uma autêntica tacacazeira numa rua de Belém ou cidade do interior paraense. Em outros Estados, por mais que tentem, fica diferente. Menos gostoso...

 

O tacacá é exemplo único de um produto gastronômico originário da culinária nativa da Amazônia, reunindo elementos exclusivos, como tucupi, jambu, goma de tapioca, pimenta de cheiro (para quem gosta), e camarões salgados que são dos deuses... Agora veja a diferença... esta foto é do Luiz Braga e ilustrou um dos melhores folhetos sobre gastronomia paraense já produzidos pela Paratur. Por que não é possivel reeditá-lo?



Escrito por Fernando Jares às 18h05
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CULINÁRIA NATURAL (I)

DA FLORESTA PARA AS PANELAS, A GASTRONOMIA PARAENSE

A gastronomia é uma peça importante no turismo. A valorização do que a terra tem de único e a boa oferta desses produtos ao público visitante (obviamente, também aos locais...) é peça fundamental no moderno jogo do desenvolvimento do turismo.

Nem sempre foi assim, época em que as chamadas belezas naturais e os elementos históricos dominavam aquilo que era considerado atração. Com o tempo e o aprofundamento do turismo como ciência, a culinária, o artesanato, as manifestações culturais populares, ganharam espaço precioso.

No início dos anos 1990 o Pará pensava assim e investia na captação de turistas utilizando a gastronomia única do Estado. Infelizmente, de uns anos para cá, esse processo de captação racional de turistas tem sido muito mal tratado pela autoridade estadual de turismo... É dessa época um folheto sobre as “Comidas e frutas típicas do Pará”, que a Mercúrio Publicidade produziu para a Paratur.

Editor de turismo do jornal A Província do Pará, assinei em 6 de dezembro de 1994 matéria de capa do “Caderno 2” sobre essas riquezas, ilustrada com as belas fotos que Luiz Braga fez para o citado folheto da Paratur.

Nesta época de festejos nazarenos pelas ruas de Belém e, ainda, com a presença de visitantes remanescentes da monumental romaria, reproduzo a seguir a parte inicial desse texto, cuja conclusão publico amanhã. Ilustração, as mesmas fotos do Braga, agora a cores (naquela época o equipamento gráfico da Província não tinha condições de uma boa policromia).

 

O FASCÍNIO DA FLORESTA NA COZINHA PARAENSE (I)

A crença popular de que o homem, como peixe, se deixa “fisgar” pela boca serve para mostrar a força da culinária que, com características especiais e próprias, pode funcionar muito bem como atrativo turístico em uma região. Se o alimento é essencial para a sobrevivência do homem, que ele seja agradável, atraente, diferente, apetitoso e todos os adjetivos possíveis nesta série.

Todas essas qualidades podem ser resumidas na cozinha paraense, um mundo mágico onde a natureza comanda o espetáculo. Sua importância vem, finalmente, sendo reconhecida pelos órgãos turísticos estaduais, de poucos anos para cá. A Paratur editou um rico folheto com excelentes fotos de Luiz Braga e texto baseado em matéria publicada aqui em A Província do Pará em 1986 (no Caderno de Turismo relativo ao Congresso da Abav). A culinária também tem sido utilizada como tema para difusão do Estado, como no mais recente congresso de agentes de viagens, em Recife. E alguns eventos promocionais gastronômicos chegaram a ser planejados para Rio e São Paulo, mas não foram realizados ainda.

Uma das mais ricas do Brasil, a culinária paraense é, sem dúvida, a mais tipicamente brasileira, porque descende em linha direta da culinária indígena.

Tendo como celeiro a imensa Floresta Amazônica, a cozinha paraense usa por excelência produtos naturais buscados em suas fontes mais puras e conservadas à margem da poluição, mantendo todo o mistério inspirado por uma fauna e por uma flora únicas e exclusivas no mundo.

"Há quitutes no Pará que hoje se saboreiam como o aborígene os deglutia quatro séculos atrás", chega a afirmar Leandro Tocantins em seu livro-guia da capital paraense "Santa Maria de Belém do Grão Pará", uma obra antiga, do início dos anos 60, mas muito interessante, principalmente no que se refere à história de Belém. Ainda é Leandro quem afirma "Sinto-me inclinado a dizer que a cozinha paraense é das mais autênticas, sob o ponto de vista brasileiro, levando em consideração que o índio transmitiu-lhe pratos, fórmulas, temperos, aromas, preservados em estado de pureza."


O pato no tucupi é a essência da cozinha paraense, usando seus elementos mais importantes.

Por suas características próprias, por utilizar tantos elementos naturais produzidos exclusivamente pela grande floresta, a culinária paraense sobreviveu aos séculos, muito pouca ou nenhuma influência recebendo dos europeus ou africanos, de presença tão marcante na maioria das cozinhas regionais brasileiras. A baiana, por exemplo, de tanta fama, é uma cozinha africana "traduzida" para o Brasil, com seus sabores picantes extremamente fortes e centralizada no dendê. A mineira reflete o melhor da cozinha europeia, numa verdadeira redução ao interior brasileiro, criada que foi no tempo das entradas e bandeiras que varavam os sertões brasileiros.

No Pará a originalidade indígena reflete-se logo a partir da nomenclatura, como tucupi, tacacá, pirarucu, maniçoba, tucunaré, tambaqui, cupuaçu, açaí ou bacuri, que correspondem a comidas, peixes ou frutas que, regra geral, encantam aqueles afortunados que encontram a possibilidade de prová-los.

Há depoimentos mil, na história e na atualidade. Conta-se que a bailarina Anna Pavlova foi uma das "vítimas" dos sabores extraordinários oferecidos pela Floresta Amazônica em Belém. Ela exibiu-se aqui, no Teatro da Paz, em março de 1918, deixando deslumbrada a cidade, conforme relatos verdadeiramente apaixonados dos jornalistas da época. Em sua estada paraense a grande dama do ballet mundial foi recepcionada por um casal da nossa melhor sociedade, que voltou a encontrar-se com ela anos mais tarde, em New York, após assistir a uma exibição da artista na "capital do mundo". Na conversa que tiveram no camarim, Pavlova teria feito referências às frutas paraenses, citando especialmente os muitos sucos que aqui saboreou. Naturalmente com dificuldade para relembrar os curiosos nomes, tinha bem gravados seus sabores e aromas característicos. Os ligados ao assunto contam que, nos anos 60, a gigantesca multinacional United Fruit teria feito uma série de estudos com o cupuaçu. Empolgada com os primeiros resultados, aventurou-se a uma degustação internacional, que teria chegado ao presidente John Kennedy, que aprovou, com elogios, o doce de cupu. Mas o projeto teria sido inviável pela pequena produção da fruta em toda a região e a impossibilidade de sua plantação racional, pelo menos àquela época.

Quem acompanha os turistas, brasileiros e estrangeiros, em suas visitas à cidade conhece muito bem esse tipo de reação, facilmente encontrada em mesas de nossos melhores restaurantes regionais ou nas sorveterias, especialmente aquelas que deixam atônitos - e até desorientados - os visitantes, com tanta variedade de opções, sempre criativas. (Amanhã, a parte final)


Pra fechar, um belo prato com produtos do caranguejo, daqueles tempos. Hoje alguns deles praticamente foram transformados em objeto de museu. É que à inclemente fiscalização das autoridades sanitárias, não há a necessária ação de orientação e treinamento dos produtores.



Escrito por Fernando Jares às 19h11
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NAZA, NAZAREZINHA, NAZICA...

... É COMO PILARITA, MERCÈ E OUTRAS

(1)

Ao longo de séculos o povo paraense desenvolveu uma relação forte com a figura de Nossa Senhora de Nazaré. A relação foi e é forte. A forma é que tem mudado muito, por conta das alterações de comportamento da sociedade ao longo desses séculos. Mas sempre, tudo, com muito respeito e dedicação.

Festiva sempre foi. Sempre houve alegria nesta relação que se consolidou de tal forma que transcende, hoje, a relação exclusivamente religiosa e transformou a pequena imagem, muito mais do que a venerável personalidade da religião católica que ela representa, em um ícone cultural paraense. Veja ao lado uma ilustração que mostra a integração do hábito de consumirmos patos no Dia do Círio à política paraense. É do artista gráfico Hans Karl Wiegandt, alemão que andou cá por Belém no final dos anos 1800, e retrata um “paticídio”, em que o político João Crisóstomo da Mata Bacelar é massacrado por insurgir-se contra determinações de autoridades religiosas, sendo “malhado” por toda a imprensa. A sátira foi publicada em O Puraqué, nº 7 e visto no Salão Internacional do Humor, do ano passado e também mostrado neste blog, aqui.

Esse relacionamento afetuoso envolve as pessoas, independente de religião, como ainda recentemente constatei. Estive em encontros da peregrinação das imagens, com agnósticos, protestantes, judeu. Todos envolvidos pelo bom “espírito do Círio”, como diria o jornalista Raymundo Mário Sobral.

(2)

A afetuosidade leva ao tratamento íntimo, entre as pessoas e a imagem da santa, da Santinha, como a maioria prefere dizer, leva a tratamentos diferentes do título formal e Nossa Senhora de Nazaré é, cada vez mais, chamada de Naza, Nazarezinha, Nazica, este, o nome mais popular.

O cantor e compositor Almirzinho Gabriel registrou isso muito bem no seu alegre “Zouk da Naza”, que você pode ouvir clicando aqui e acompanhar a letra:

Nazaré chegou por aqui já era santa
E aqui já era aqui no mesmo lugar
Se acocorou pra beber água a chuva caiu
Resolveu ficar
Tirou palha, envira, cipó, galinho de pau
Fez uma casinha arrumou cozinha e quintal
Assou peixe, fez avoado, tirou açaí
Sem nada magoar
Naza, Nazarézinha, Nazaré rainha
Nazaré, mãe da terra, mãeziinha me ajuda a cuidar

Esse tipo de tratamento não é exclusivo destas bandas. Há outras Nossas Senhoras que recebem idênticas formas de afeto popular. Já conheci duas, ambas na Espanha. Uma é N. S. do Pilar, a padroeira desse país, cuja pequena imagem é visitada por centenas de milhares de pessoas durante o ano, especialmente crianças. E muitos espanhóis tratam sua Santinha de “Pilarita”, apelido carinhoso. Sua festa, com mais de 500 atos festivos, se espalha pela cidade, não restrita à área em torno de sua belíssima basílica, em Zaragoza, e é também no início de outubro. “Las Fiestas del Pilar” são declaradas de interesse turístico nacional. Outra, com características muito semelhantes aos festejos nazarenos, é de Nossa Senhora das Mercedes (ou da Misericórdia), a padroeira de Barcelona, cuja comemoração é em setembro, chamada de “La Mercè”. A festa é muito grande, envolve toda a cidade, com centenas de eventos. Quer dar uma olhada no programa deste ano, que começa com saudação do prefeito? Veja também o cartaz da festa, clicando aqui. Para informes gerais, clique aqui. Estive por lá nessa época, há quatro anos, festa pra todo o lado e eu só com uma tarde e uma manhã (sina de turista classe média, sempre correndo...). Vi até algo muito parecido a uma escola de samba, mais para bloco, tocando um samba atravessado, na monumental La Rambla...

(3)

Por aqui nossa Nazica também desperta muitas emoções artísticas. Além das muitas exposições espalhadas pelas ruas de Belém, este ano ganhou o “Blog da Nazica”, que reúne trabalhos de ilustração sobre a nossa Santinha. Uma galeria de arte, de estilos diversificados, que merece e deve ser visitada – tem Nazicas feitas em i-phone ou com caneta Bic, clássicas ou modernas. E com links para os criadores. O blog é criação da ilustradora Dani Sá e você acessa clicando aqui. Foi lá que buscamos as ilustrações deste post:

(1) A primeira tem assinatura da Júlia Lima, talento que trabalhou comigo na Albras e hoje faz sucesso no Rio, com seu “Bolsinhês Staile”...

(2) A modernidade salta no traço do diretor de arte Cesar Paes Barreto.

(3) E que tal a Nazica vista pela arte do primo multimídia Bina Jares?

(4) Aqui embaixo, um trabalho da criadora do blog. Atentem para a riqueza dos ícones culturais ligados ao Círio e aos festejos nazarenos, além dos traços notoriamente indígenas da Senhora e do Menino Jesus.

Mas vá lá, que tem muitas Nazicas mais. Sempre muito lindas.

(4)



Escrito por Fernando Jares às 18h50
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DOMINGO DO CÍRIO, 1904

AERÓSTATOS NOS CÉUS DE BELÉM

Os jornais paraenses de hoje, os noticiosos locais das televisões e das rádios, ocuparam-se em informar sobre o que foi o Círio de N. S. de Nazaré que, na manhã de ontem, fez caminhar pelas ruas de Belém um número fantástico de pessoas, que os especialistas avaliam em 2,2 milhões de criaturas. Esse especial Círio, de 10/10/10 (outra sequencia igual, somente em 2110...), repete mais uma vez a história de devoção dos paraenses católicos à Virgem de Nazaré.

Mas neste espaço virtual não vamos repetir o que foi já amplamente divulgado – e com muita competência por centenas de colegas, inclusive pelo Twitter. Vamos dar um mergulho em um passado de 100 anos, com uma escala pelo meio.

Primeira parada, 1971.


Nesse 1971, já lá se vão 39 anos, em outubro, circulava o número 2 do “Repórter Azpa”, publicação da indústria Azulejos do Pará S/A (Azpa), que fabricava belos azulejos ali na BR. Infelizmente, não existe mais.

O “Repórter Azpa” tinha circulação dirigida ao público interno e externo, prática costumeira naquela época, e um projeto editorial que contemplava a primeira página com assunto relativo à comunidade externa. Na primeira edição os azulejos históricos de Belém foram o tema, com artigo do engenheiro, vereador e “namorado de Belém”, Augusto Meira Filho. Mas isso é história para outra vez. Era eu o responsável pela publicação (formato tabloide) e tinha como redator o jornalista e escritor Rafael Costa, com quem fiz dupla de trabalho na área de redação e assessoria de imprensa, na Mendes Publicidade (hoje Mendes Comunicação), por diversos anos. Rafael, já falecido, tinha uma redação muito agradável e até foi membro da Academia Paraense de Letras, onde ocupou a cadeira nº 1. Gente boa, grande papo.

Sendo de outubro, a pauta, obrigatoriamente, foi o Círio. Escolhemos o caboclo Plácido e queríamos um Círio antigão para mostrar. Lembro que fui ao Arcebispado, que era onde hoje está o magnífico Museu de Arte Sacra, falar com d. Alberto Ramos, em busca de alguma ideia. Ele era cheio delas, intelectual de primeira, também membro da Academia Paraense de Letras. Cedeu-me um programa do Círio de 1904 que era tudo que queríamos, com o compromisso – devidamente cumprido, que eu não brinco com excomunhão – de devolver em dois dias... Quem reproduziu a peça foi o fotógrafo Aldo Moreira, um especialista que fazia perfeitas reproduções fotográficas. Tinha um equipamento de primeira e muita competência. Além de uma casa de fins de semana lindinha, ali na Jiboia Branca. Eram outros tempos... Rita e eu, ainda namorados, muitas vezes lá fomos aos domingos, onde rolava uma deliciosa batida de maracujá, adoçada com leite Moça. Coisa fina e deliciosa.

Segunda parada, 1904

 

Com base nas informações do tal programa o Rafael Costa produziu o texto que transcrevo a seguir, conforme publicado no "Repórter Azpa" nº2. Uma beleza:

DOMINGO DO CÍRIO, 1904

Domingo, 9 de outubro de 1904, dia do Círio. "Desde a tarde, e bem cedo, as quatro excellentes bandas de musica dispersas pelos elegantes coretos de ferro installados nos quatro ângulos da empavezada praça; executarão lindas peças de seus magníficos e bem instrumentados repertórios". Assim mesmo, com letras a mais e acentos a menos, se inicia a descrição do que será o domingo do Círio de 1904, num ornamentado programa da "Festa da Virgem de Nazareth do Desterro".

Desarquivado pela nossa reportagem, o documento é cheio de deliciosas e pitorescas revelações a começar pelo nome da Padroeira. Depois, a valsa dos adjetivos: "Alegres repiques dos sinos da egreja e vastas gyrandolas de foguetes anunciarão aos fiéis o início das Ladainhas, no illuminado Templo".

MARAVILHAS

Pelo visto o Círio era, no início do século, um acontecimento no universo paraense de proporções difíceis de se avaliar hoje. A mobilização de recursos causa espanto, mesmo à nossa época, e é pouco provável que nesta segunda metade do século, com a ciência se desdobrando em milagres e com a diversificação de interesses, se tenha chegado a tais requintes: "A illuminação a giorno, original e symetrica, profusa e moderna; a ornamentação das avenidas, espaçosas e amplas; os numerosos chalets que circulam a praça toda, adrêde construídos e rigorosamente acabados e asseiados; as numerosas arcadas de variadas formas, artisticamente concluídas e bellamente illuminadas; as elevadas pyramides, de vidraceo effeito de luz, contendo trabalhados finamente sobre tella, originaes assumptos allegoricos e decorativos devidos à artística e genial paleta do exm. sr. José Irineu de Souza, o exímio pintor brasileiro; a variedade indescriptivel dos pequenos nadas, representando cada um de per si o bom gosto artístico dos seus manufactores..."

Era como ser transportado "a um palácio de fadas ou a um d'aquelles maravilhosos salões de Monte Christo, descriptos por Dumas, pae, com todos os arrebiques da sua penna inconfundível".

AEROSTATOS

Mas o que mais espanta são os aerostatos "de sete metros de comprimento por seis de diâmetro, no formato dirigível do ousado balonista brasileiro Dr. Santos Dumont, que fenderão os ares, victoriosos, levando a longinquas regiões a grande nova festiva, o começo das diversões populares". Guardadas as proporções, era como se trouxessem um foguete Apolo para o Círio deste ano.

Depois, no extinto Pavilhão de Vesta (que desabou há algum tempo atrás) "com as suas desoito columnas de rigoroso estylo architectonico, rememorando o Templo que Numa Pompilio, o segundo rei de Roma, edificou em honra da Deusa do fogo, — apparecerá pela primeira vez, um gracioso grupo composto de oito meninos, vistosamente entrajados a toureiros os quaes cantarão melodiosas cançonetas hespanholas e exercitarão diversos e elegantes passos de dança". Depois dos meninos viriam "três meninas, representando a Mulata Bahiana".

Por fim, o espetáculo supremo que encerraria o domingo festivo: "Três Aerostatos subindo aos ares derramando torrentes de perolas, e, foguetes, n'um chuveiro artístico de esmeraldas e rubis, annunciarão o termino das diversões n'essa noite".

Nos dias subsequentes, outras maravilhas viriam, com muitas pompas, muitas "esmeraldas", "rubis" e "pérolas" derramadas a granel. Um mundo generoso, despreocupado e feliz. Diferente do que se seguiu às duas guerras mundiais.



Escrito por Fernando Jares às 19h51
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FELIZ CÍRIO

CÍRIO DE NAZARÉ.

A oração viva de um povo escrita

pelas ruas de Belém.

Feliz Círio!(*)

 A foto acima retrata de forma extraordinária o que é a romaria do Círio de N. S. de Nazaré pelas ruas de Belém. É do fotógrafo Tarso Sarraf e foi capa do jornal “Diário do Pará” de 12/10/2009, dia seguinte ao Círio do ano passado. É uma das fotos mais reproduzidas em 2010, pois ilustra o cartaz do Círio deste ano, com centenas de milhares de cópias e está em milhares e milhares de outras peças como camisas, banners, bandeiras, livros, revistas, sacolas e, principalmente, nos corações dos paraenses, católicos ou não. Um momento superior e sublime da fotografia jornalística, que se expande de seu limite de registro de um acontecimento, para ser arte da melhor qualidade. Parabéns!

 (*) Esta é uma saudação exclusiva dos paraenses! Transmite a felicidade e a paz que todos desejamos a todos. Aqui e pelo mundo afora.



Escrito por Fernando Jares às 18h23
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A CLÍNICA DA FANTASIA

SEMINÁRIO E LIVRO SOBRE FANTASIA E PSICANÁLISE

Psicanalista, médico psiquiatra, professor e escritor, Marco Antonio Coutinho Jorge, autor de livros bastante conhecidos nessa área, estará em Belém no dia 22 (sexta-feira) para o seminário “A Clínica da Fantasia” (auditório David Mufarrej, Unama/Alcindo Cacela, dia 22/10, sexta-feira, das 9h às 12h) e para o lançamento de seu mais novo livro, “Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan, vol. 2: A clínica da fantasia”, no mesmo dia 22/10, às 18h30, na livraria Saraiva, no Boulevard Shopping.

O evento é organizado pela Associação de Psicanálise de Belém, patrocinado pela Universidade Federal do Pará-UFPA e tem apoio da Universidade da Amazônia-UNAMA.

Importante: as inscrições são gratuitas, mas precisam ser feitas, de preferência com antecedência, porque as vagas são limitadas, em dois locais:

- Unama da av. Alcindo Cacela – no hall de entrada do bloco F, no período de 07 a 21/10, no horário de 8h às 17h e também na hora do evento.

- UFPA – na Coordenação da Pós-graduação de Psicologia, no período de 07 a 21/10, no horário de 8h às 17h.

O LIVRO – Segundo a Zahar, editora do livro, “O conceito de fantasia é tão importante na psicanálise que Lacan concebia o tratamento analítico como uma travessia da fantasia – aquela em que o sujeito mantém seu desejo aprisionado.

Analisando filmes, contos, poesias, pinturas, músicas e peças de teatro, Marco Antonio Coutinho Jorge isola de modo inédito um período fértil na obra de Freud centrado na fantasia para elevá-la ao patamar de um dos fundamentos da psicanálise. Explora, com a mesma originalidade e clareza, casos da clínica analítica e observações da vida cotidiana, além de fatos que marcaram a história.

O conceito de pulsão de morte é explicado, assim, a partir do filme “O exterminador do futuro” e da peça “Macbeth”, de Shakespeare; as relações entre amor e morte são analisadas nos filmes “Sexo, mentiras e videoteipe” e “O império dos sentidos”, nos contos de Guy de Maupassant e na peça “Édipo”, de Sófocles; enquanto o conceito de despertar para o real se apoia em textos de Clarice Lispector, entre outras abordagens.”



Escrito por Fernando Jares às 18h52
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VOTE NO BENEDITO NUNES

PARAENSE CONCORRE AO “LIVRO DO ANO”, EM JÚRI POPULAR

Não, o nosso grande crítico literário, filósofo e professor não vai entrar na disputa do segundo turno...

Vamos votar em Benedito Nunes para que seu livro “A clave do poético”, que já ganhou o Prêmio Jabuti/2010 de Melhor Livro na categoria Teoria/Crítica Literária (sobre essa conquista, leia aqui), seja agora eleito o “Livro do Ano” no Prêmio Jabuti/Júri Popular. É isso: este ano a Câmara Brasileira do Livro criou este novo prêmio, a ser atribuído pelos internautas. Portanto, nós, leitores, escritores e usuários das vias virtuais.

Continua existindo o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Ficção e Melhor Livro de Não Ficção, eleito por um júri formado por editores de todo o Brasil, onde os vencedores vão receber um prêmio de R$ 30 mil e uma estatueta dourada do Prêmio Jabuti.

VOTO POPULAR – Mas este ano a CBL criou esta versão Júri Popular, para buscar maior participação das pessoas no mundo editorial, com a oportunidade de decidir sobre os melhores livros do país.

A votação começou ontem (05) e vai até o dia 31/10.

São duas as categorias:

- Voto Popular Não Ficção, onde concorre o nosso Benedito Nunes, com o livro “A clave do poético”, por ter sido o vencedor na categoria Teoria/Crítica Literária. As outras categorias que participam são: Reportagem; Ciências Exatas, Tecnologia e Informática; Economia, Administração e Negócios; Direito; Biografia; Ciências Naturais e da Saúde; Ciências Humanas; Didático e Paradidático; Educação, Psicologia e Psicanálise; e Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes. Mas apenas um livro pode ser votado!

- Voto Popular Ficção, onde participam os vencedores das categorias Romance; Contos e Crônicas; Poesia; Infantil; e Juvenil.
A cerimônia de premiação será no dia 4 de novembro, na belíssima Sala São Paulo, na capital paulista, quando serão anunciados os que levarão o título de  “Melhor livro do ano de ficção” e “Melhor livro do ano de não ficção”, na versão do júri tradicional e os mais votados no novo Júri Popular.

COMO VOTAR – Você deve entrar no site do Prêmio Jabuti e ir para a página de votação. Para ser mais rápido, pegue um atalho, clicando aqui.

Na primeira página é necessário fazer a identificação do votante, o que assegura que ninguém vai votar duas vezes.

Na página seguinte, escolha o livro de ficção: para cada livro concorrente há uma reprodução da capa e uma pequena resenha do mesmo. Basta clicar no local indicado ao lado do livro e, no final da página, em “Continue seu voto”.

Na nova página estão os livros de não ficção, onde o de Benedito Nunes é o quarto. Basta clicar ao lado dele. Está assim identificado:

 

“A CLAVE DO POÉTICO
A obra de Benedito Nunes é marcada pela interpenetração entre os domínios da literatura e da filosofia. Atento investigador do fazer poético, o crítico, filósofo e professor paraense reúne aqui alguns dos pontos altos de sua vasta produção, que abarca desde a filosofia de Nietzsche, Spinoza e Wittgenstein até os mais recentes desenvolvimentos da literatura brasileira contemporânea.”

Depois, role a página e não esqueça de clicar em “Finalize o seu voto”.



Escrito por Fernando Jares às 19h26
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NOVOS PERSONAGENS

DE BOI AO CANAL DA DOCA, COM “VIDA” EM BELÉM

A não inclusão de todos os ícones subitamente (re)vivificados pelas ruas de Belém no postÍcones da cidade adquirem vida própria(?!)” (leia aqui), provocou manifestações explícitas, até de ciúme... Por exemplo, o Boi da Rodeio, que não entrou na lista dos apresentados neste blog, deu seu berro: “que inveja, e eu como fico” (leia aqui) ao retuitar o Farol de Salinas, que afirmara pouco antes: “Estamos famosos!”, citando esse post. E o dito boi usa até uma boa dose ironia: “Como fundador da AMIT (Associação dos Monumentos Inanimados do Twitter), parabenizo os amigos que embelezaram o Blog 'Pelas Ruas de Belem'” (aqui).

E assim ficamos sabendo da existência da AMIT. Discordo, com todo respeito aos mais nobres de nossos ícones, do “Inanimados”. Como eles são animados, gente. Como discutem, como interagem.

A Moça do Táxi não gostou de ser chamada de assombração: “vim reivindicar! Eu não sou uma assombração! Sou uma LENDA!” (clique aqui). O Farol de Salinas, o Chapéu do Barata, a Estátua da Praça, o Relógio da Praça, tuitaram sobre. O Pensador de São Brás ficou se achando: “Tão pensando que monumento é bagunça? Olha a galera da AMIT” (clique aqui) indicando o link do post.

A Moça do Táxi tem razão ao afirmar que é uma lenda, pois sem dúvida sua história é uma lenda urbana belenense... mas ela, em si mesma, é uma assombração (fantasma), isso não tenho dúvida. E assim acreditando, espero não encontrar-me com ela nessas quebradas... Seu mais famoso registro está no livro “Visagens e Assombrações de Belém”, do escritor paraense Walcyr Monteiro, referência neste tipo de assunto em nosso Estado, e que serviu de base para o curta “Táxi 00 Hora”, recentemente lançado.

Vão aqui mais alguns desses ícones, que habitam a tuiterlândia paraense, provocando interesse, risos ou desconfiança. Há até quem não esteja “sabendo lidar com ‘conversas’ de Monumentos, Estátuas, Farol, Lenda Urbana e etc.”...

Boi da Rodeio (http://twitter.com/#!/BoidaRodeio) – “Um boi do couro valioso aposto sempre, de olho no trânsito da Aug. Montenegro” que faz parte da ala mercadológica dessa família.

Canal da Doca (http://twitter.com/#!/CanaldaDoca) – “Sim, eu sei que eu não cheiro bem, mas atire a primeira pedra (no canal) quem nunca bebeu uma garrafa de Cantina da Serra encostado nas minhas muretas!”, apresenta-se. Ele fica atento ao que acontece por lá, e na véspera da eleição reclamava: “A lei seca não está sendo respeitada... muita gente por aqui com som alto, ouvindo tecnobrega, e tomando Cantina da Serra!!”

Ocrides Candiru (http://twitter.com/#!/OcridesCandiru) Sicofanta criado pelo jornalista, escritor e Comendador (da Ordem do Macaco Torrado) Raymundo Mário Sobral. Vive na Pensão da Cotinha, em Caxixiriri-Açu, junto com outras personagens extraordinárias criadas pelo mesmo autor, como Maria Canhotinha, Mestre Branxu, Tatá Quero Mais, etc. A versão virtual do Candiru, que ganhou vida independente do autor, é mais agressiva do que a versão gráfica, digamos – e vez por outra anda em discussão com tuiteiros...

Mano do Veropa (http://twitter.com/#!/ManoDoVeropa) - “Paraense da gema, ou melhor do Ver-O-Peso ! Ecologicamente cheiroso.”

Cristo de Castanhal (http://twitter.com/#!/cristocastanhal) - “O pai do filho. Livrai-nos do mal, amém!”

Jesus de Marituba (http://twitter.com/#!/jesusdemarituba) - “O filho do cara de Belém”



Escrito por Fernando Jares às 21h19
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CINEMA E LOUCURA

ELEMENTARES PARTÍCULAS DA PSICANÁLISE

 O Núcleo de Estudos Gradiva criou uma programação articulando cinema e psicanálise e apresenta o Cine-Gradiva: “Cinema e Loucura”

Há uma tradicional ligação entre a psicanálise e a “arte chamada sétima”, como o jornalista Edwaldo Martins (que ontem teria feito aniversário, estivesse ainda entre nós) usava nominar o cinema. Cineastas gostam de buscar histórias e personagens que se enquadram em temas costumeiramente estudados por psicanalistas e psicólogos. E psicanalistas gostam de ver e discutir esses filmes. Daí ser forte, habitualmente, a dupla Cinema & Psicanálise.

Dentro dessa tradição teremos mais uma experiência aqui pelas ruas de Belém: agora, na sexta-feira, 08/10, em “Cinema e Loucura”, o filme alemão “Partículas Elementares”, de Oskar Roehler, será visto e discutido por gente que estuda, trabalha e gosta de psicanálise e por quem idem, idem, do cinema. Acho uma boa dupla e vou lá. Eu, pelo cinema, a Rita, pela psicanálise e pelo cinema. Será às 19h. Como são poucos lugares, deve ser feita reserva antes, com a coordenadora do programa, Thais Noronha, pelo 8133-5995.

O trailer de “Partículas Elementares” você pode ver clicando aqui. Leia abaixo o texto sobre o filme, que faz parte do folheto de divulgação do Gradiva.

 

Partículas Elementares – direção e roteiro de Oskar Roehler, adaptação do romance homônimo do controvertido escritor francês Michel Houellebecq, publicado originalmente em 1998. Conta a história de dois meio-irmãos, Michael (Christian Ulman) e Bruno (Moritz Bleibtreu), cuja mãe (Nina Hoss) os deixou aos cuidados cada um de uma avó diferente, enquanto ela corria o mundo. Os dois irmãos acabaram descobrindo a existência um do outro apenas na adolescência. Em comum, têm as cicatrizes emocionais, o que se reflete profundamente em seus relacionamentos afetivos. Michael é um biólogo molecular renomado, que no momento se dedica a uma pesquisa sobre reprodução humana assexuada na Irlanda. Isolado, olhando o mundo a partir de seu laboratório, ele tem dificuldades para se aproximar das mulheres. Com 30 anos, Michael ainda é virgem e cultiva uma fixação platônica por uma amiga de infância Annabelle (Franka Potente). Seu irmão Bruno, professor de literatura num colégio secundário, é o extremo oposto. Vive com a cabeça tomada por fantasias sexuais, envolvendo inclusive a própria mãe, o que finalmente acaba com seu casamento. Além do peso deste fracasso sentimental, sente a frustração de não conseguir publicar um livro. Um passado repleto de incidentes devastadores explica, em boa parte, os problemas emocionais profundos dos dois irmãos. O filme destaca-se pela direção, o roteiro, e o brilhante trabalho dos atores.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h38
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O PRIMEIRO ELEITO DO MÊS

BENEDITO NUNES, O INTELECTUAL Nº 1 DO PARÁ


O primeiro paraense eleito deste mês é um conterrâneo que enche de orgulho a gente parauara: o filósofo, professor, crítico literário, Benedito Nunes. E muito merece um post extraordinário, em um domingo, dia de repouso, mesmo para blogueiro aposentado...

Mais uma vez o ilustríssimo professor, o guru da travessa da Estrela, traz para a sua terra um importantíssimo reconhecimento nacional: o Prêmio Jabuti, na categoria “Teoria/Crítica Literária”, com o livro “A clave do poético, organizado por Victor Sales Pinheiro, e lançado no Fórum Paraense de Letras da Unama, no ano passado. Esta comenda é concedida pela Câmara Brasileira do Livro, desde 1959, e é um dos mais importantes prêmios da literatura brasileira.

Este ano, é o segundo megaprêmio que ele conquista, no alto de seus 80 anos em alta e culta produção intelectual (leia sobre as homenagens por esses 80 aninhos, clicando aqui). Um exemplo, um estímulo. Antes, ele foi o ganhador do Prêmio Machado de Assis/2010 da Academia Brasileira de Letras, sendo o segundo paraense a receber essa honraria em toda a história da ABL. Você pode ler sobre esta premiação, clicando aqui.

Benedito Nunes não é novato no Jabuti. Esta é a segunda vez que ele é distinguido pela CBL: em 1987 foi o vencedor na categoria “Estudos Literários”.

Veja aqui quem foi premiado, este ano, na categoria “Teoria/Crítica Literária”:

1) "A Clave do Poético" (Companhia das Letras) – Benedito Nunes
2) "O Controle do Imaginário & A Afirmação do romance" (Companhia das Letras) – Luiz Costa Lima
3) "Cinzas do Espólio" (Record) – Ivan Junqueira.

A lista de todos os ganhadores, que inclui Chico Buarque (Leite Derramado), Edney Silvestre (Se eu fechar os olhos agora), Ruy Castro (O leitor apaixonado – Prazeres à luz do abajur), Marina Colasanti (Passageira em trânsito) e por aí, você lê, clicando aqui..

Benedito Nunes vai receber um troféu que reproduz um jabuti. Mas, qual o motivo deste nome Jabuti?, muita gente pergunta. O sítio eletrônico da CBL explica que se deve ao “ambiente cultural e político da época, influenciado, sobretudo, pelo modernismo e nacionalismo, pela valorização da cultura popular brasileira, nas raízes indígenas e africanas, nas suas figuras míticas, símbolos seculares carregados de sabedoria e experiência de vida e legados de uma geração à outra. Sílvio Romero, Mário de Andrade, Monteiro Lobato e Luís da Câmara Cascudo, entre o final do século XIX e o início do século XX, foram pioneiros na pesquisa, no estudo e na divulgação dessa rica cultura popular.

E foi Monteiro Lobato, provavelmente, o mais prolífico na recriação literária das histórias desses personagens meio enigmáticos, meio reveladores e sempre sedutores do folclore nacional. Um desses personagens da literatura infantil de Lobato é, como se sabe, o jabuti. O pequeno quelônio, já familiar no imaginário das culturas indígenas tupi, ganhou vida e personalidade nas fabulações do autor das “Reinações de Narizinho”, como uma tartaruga vagarosa, mas obstinada e esperta, cheia de truques para vencer obstáculos, para enganar concorrentes mais bem dotados e chegar na frente ao fim da jornada. Com essas credenciais, ganhou também a simpatia e a preferência dos dirigentes da CBL. Eles o elegeram para inspirar e patrocinar um prêmio para homenagear e promover o livro.”

Inspirado no Twitter: tomara que certos fiscais, ao saberem do prêmio conquistado pelo nosso intelectual maior, não decidam ir a sua casa para apreender o tal... jabuti. Como, ao que se fala por aí, fizeram em certo restaurante que vendia... mussuã de botequim!

E viva o jabuti que, nos tempos em que não era proibido tê-lo como alimento aqui pelas ruas de Belém, proporcionava à gastronomia paraense um prato extraordinário, o “jabuti no leite da castanha”, que nunca me sai da memória. E olha ele aqui embaixo, lindíssimo, em foto que captei no blogAqui me quedo”.



Escrito por Fernando Jares às 16h47
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ARTES QUE PERDEM O BRILHO

FACIOLA, PINHO, PINHEIRO DE SOUZA PRECISAM DA JUSTIÇA


O passado deixou, em Belém, mostras extraordinárias de sua capacidade em construir com arte, bom gosto e competência arquitetônica. Belém é uma das cidades brasileiras com maior acervo de grandes construções ao estilo europeu mais requintado. Resultado, principalmente, do sucesso mundial alcançado pela borracha natural que se produzia na região no começo dos 1900. Belém era a bem plantada e cuidada porta de saída dessas riquezas.

Infelizmente, muitas dessas joias foram destruídas pelo tempo ou pela ação do homem, com boas ou más intenções. Algumas, após anos, são objeto de restauração que, no caso de Belém, têm sido bem-sucedidas, como nos casos do Parque da Residência, da Igreja de Santo Alexandre, da Igreja da Sé e outros. A um custo elevado.

Você reconhece a foto acima? Fi-la esta semana, na esquina da avenida Nazaré com Dr. Moraes. É o outrora imponente Palacete Faciola, construção do início do século passado, de família importante e tradicional no Pará, que o ocupava até não muitos anos. Depois foi utilizado comercialmente, até ser comprado pelo Governo do Estado, para restauração e instalação, no local, de uma repartição pública, o Idesp.

Para ter uma ideia do que era aquilo: em 1976 o escritor Machado Coelho disse, em artigo no jornal A Província do Pará (Os gallé de Antônio Faciola) classificou o Palacete Faciola de “o último reduto, nesta capital, do que se deve e pode chamar, a justo título, uma galeria de objetos de arte.” Não faz tanto tempo assim, apenas 34 anos! (para ler o artigo completo, clique aqui, no blog de Haroldo Baleixe).

Em 2008 o governo estadual adquiriu o palacete e, em cerimônia com pompa e circunstância, no próprio prédio que em seguida fechava as portas, lançou o projeto de sua recuperação, orçada em R$ 8 milhões e a estar pronta neste 2010. A obra começou em 2009, mantida a mesma data de conclusão, conforme se lê em notícia da época, no jornal Diário do Pará (clique aqui). Notícias deste acontecimento, lincadas ao sítio eletrônico “Agência Pará” (da comunicação do Estado) e da Secult, não as encontrei mais disponíveis. Mas há um relatório do Idesp, de 2008, que confirma: leia clicando aqui. Uma foto da época do início da recuperação pode ser vista clicando aqui, no mesmo blog de Haroldo Baleixe, que conta a história. Infelizmente, esta semana, está assim, como visto acima. O curioso é que a placa da obra refere-se apenas a reforço estrutural, escoramento e recuperação da cobertura e sistema de águas pluviais...!!!

O que preocupa é que essas demoras estão acontecendo e a história sendo destruída. O Palacete Pinho é outro exemplo. Semana passada saiu mais uma decisão judicial determinando que a Prefeitura faça a restauração do referido patrimônio (leia notícia no Portal ORM, clicando aqui). A administração municipal já recebeu, duas vezes, da Vale e da Eletrobrás, recursos para a restauração, mas... Em junho do ano passado tratei deste assunto – para ler “Um tesouro sendo destruído”, clique aqui. Mais de um ano depois a prefeitura continua a ignorar o assunto, pelo visto pela autoridade judicial.

Aliás, agora em setembro, mais uma vez a Justiça age em socorro do patrimônio cultural de Belém, dando andamento à ação movida pela família do artista plástico paraense Osmar Pinheiro de Souza Jr. na tentativa de conseguir a restauração da obra “Caza do Povo”, destruída em ação conjunta do Estado (via Hangar) e Prefeitura de Belém (leia notícia em O Liberal, clicando aqui). Era um belíssimo painel na esquina do Boulevard Castilhos França com a avenida Portugal, que “reconstruía” com apurada técnica de pintura ilusionista, a “caza” que outrora existira ali. É outra lambança que já andou cá, pelas ruas de Belém, como você pode ler clicando aqui e aqui.

E agora?

 

Eis a imponência do Palacete Faciola, no traço de Tom Maia, 1978. Está no álbum “Grão Pará”, com textos de Leandro Tocantins e Thereza Regina de Camargo Maia e prefácio de Olavo Lyra Maia (Companhia Editora Nacional, 1979).



Escrito por Fernando Jares às 16h46
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