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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


CARECAS, CUSCUZES E SIMILARES

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Um pão bem quente com manteiga à beça. Um guardanapo.”

Noel Rosa, na letra de “Conversa de Botequim”, com música de Vadico.
Que você pode ouvir, interpretada por Chico Buarque, no belo cenário
da “Confeitaria Colombo”, no Rio de Janeiro, clicando aqui.

 Padaria é um lugar onde se encontram pequenas maravilhas ao paladar, obviamente dependendo da padaria e do padeiro. Mas acredito que, neste caso, a média está sempre tendendo para cima.

Já contei aqui, faz tempo, de meus amores pela padaria “A Bijou”, na Rui Barbosa com a Aristides Lobo, da qual fui vizinho por muitos anos. Para ler “Pães e paz”, que tem até poesia citando-a, clique aqui.

Mas hoje vou falar uma outra padaria, com quem tenho vínculos bem antigos. Antes, veja o pãozinho que eu comi na manhã desta sexta, e que foi pedido conforme a “instrução” do Noel Rosa:


Pão careca feito na hora (por volta das 8h), quentinho e torradinho, com a crocância de quem acaba de sair do forno, calorento, e que recebeu uma benfazeja camada de manteiga. É da “Santa Clara”, na Gentil com 9 de janeiro. Quando eu era rapazola, às vezes ia passar uns dias, nas férias, na casa da tia Elizinha, que morava justo na Gentil, próximo à Generalíssimo e adivinhe de onde era o pão fresquinho que a gente comia lá? “Da Santa Clara”, especificava ela na hora de mandar comprar. Eu adorava. Afinal, morava na Conceição com Estrada Nova (traduzindo, para os mais jovens: Fernando Guilhon com Bernardo Sayão) e, naquele tempo, nem tinha padaria lá por perto.

Agora, faço minha caminhada próximo à Santa Clara e estabeleci uma regra comigo mesmo: na semana em que tenho bom desempenho na balança, ganho o direito de comer um pãozinho desses! Para ser sincero, nem sei se tive esse bom desempenho nesta semana, já que a Antonia, do Laboratório da Beneficente, que pesa e mede a pressão, dos caminhantes, não apareceu – deve ter ido aproveitar o derradeiro fim de semana das férias, o que é um direito dela. Daí considerei-me no direito de ir ao meu pãozinho e escrever isto tudo...


Como toda boa panificadora a “Santa Clara” tem um mundo de coisas gostosas, mas eu quero destacar o café da manhã que eles servem sexta-feira, sábado e domingo. Tem uma infinidade de guloseimas, como você pode ver na foto acima: salgados, doces, pães, bolos. E ainda tapioquinha, feita na hora. E, se quiser, o tal pãozinho – que eu peço diretamente no balcão, com a recomendação de que seja “um pão bem quente com manteiga à beça”... O cuscuz – para quem é lá do sul: o cuscuz aqui no norte é um doce de milho, muito bem molhadinho com leite de coco e não o prato salgado, dessas plagas –, pois bem, o cuscuz desde buffet é um caso à parte, que ainda não provei, mas que fotografei, pela performance, digamos, sensual, do visual do produto... Veja só:

 



Escrito por Fernando Jares às 23h15
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FESTA NO OESTE PARAENSE

CÍRIO EM UM LAGO DE LUZES

Neste domingo agora, 1º de agosto, acontece no oeste paraense, em Oriximiná, uma das mais belas manifestações religioso-populares da fé católica: o Círio de Santo Antonio, noturno e fluvial. Círio, em um sentido muito exclusivo. Ao tempo em que tem aquele sentido paraense, de grande procissão, mas não necessariamente com as pessoas levando velas acesas (como as “procissões luminosas” de Fátima ou Lourdes), ele é todo luminoso, com um “sistema de velas” muito diferente dessas procissões tradicionais. As velas deste círio andam sozinhas, levadas pela correnteza do rio: são milhares delas, colocadas em pequenas rodelas de aninga, de uns 10cm de diâmetro e cercadas por papel colorido. Acesas, flutuando, formam um lindíssimo tapete de pequenas luzes que antecipam a balsa-andor, que leva a imagem de Santo Antonio venerada pela população católica daquela região. Ano passado eu estava lá: foram 12 mil destas velas, que vão sendo colocadas no leito do rio, em pontos diversos, desde quando começa a anoitecer. Quem faz todas essas velinhas? As crianças das escolas de Oriximiná. Quem as espalha pelo rio? Voluntários em seus barquinhos (po-po-pôs), com rara habilidade em realizar a tarefa, no tempo e no local certos. Fica tudo muito lindo. É um “lago de luzes”, como o classificou o poeta João de Jesus Paes Loureiro.


A balsa com o andor de Sto. Antonio, ao centro, e outros barcos que acompanham o círio.
As velas flutuantes somem nas fotos... Estas e muitas outras fotos, de 2009, você
pode ver no sítio eletrônico da Paróquia de Santo Antonio, clicando aqui.

Ano passado escrevi um post sobre o Círio de Santo Antonio, com bem mais informações e até um verdadeiro samba de enredo, que você pode ler clicando aqui. Estive lá, em 2009, pela segunda vez, e voltei, mais uma vez, encantado, com a região e seus costumes e tradições. Por sua gente já fui encantado, há quase quarenta anos...

Este ano, por fatores de força muito maior, não aconteceu a tradicional viagem de oriximinaenses e agregados, que vão até lá em um misto de peregrinação religiosa, de culto à ancestralidade, certo atavismo, em um mergulho em seus próprios passados. Aliás, todas estas características estão embutidas em todos os “círios” espalhados pelo Pará. É, sempre, o momento da volta, do encontro, do reencontro, da vitória sobre a saudade.

Mas essa turma de bons oriximinaenses, que vive cá pela capital, já marcou reunir-se em outro Círio, o de N. S. de Nazaré, obviamente em um ambiente fluvial, mas nestas bandas, pelas ruas de Belém.

Veja aqui abaixo o cartaz deste ano, com a imagem de um Santo Antonio recentemente restaurado (e um tanto rechonchudo), sobre uma vista aérea de Orix, como a chamam os mais jovens...

 

 



Escrito por Fernando Jares às 20h06
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NOTICIAR A PRÓPRIA MORTE

CRIAÇÃO E EMOÇÃO NAS ONDAS DO RÁDIO

O rádio tem uma extraordinária capacidade de motivar as pessoas. Acredito nisso (não é por acaso que os políticos tanto querem ter emissoras de rádio...) Apresentando parte da história, apenas o áudio, deixa para o ouvinte a faculdade de criar os cenários e imaginar os personagens. Dá mais liberdade à criação do que a televisão. Por isso o rádio sobrevive, com milhares de emissoras em plena atividade. Há uns tantos anos sua morte foi – e continua sendo – anunciada. No entanto, cada vez mais, são criadas emissoras, inclusive as comunitárias, além das inúmeras rádios piratas espalhadas pelo Brasil.

A televisão explora a “preguiça” mental das pessoas, a necessidade de um relax da mente, entregando a história completinha, com som e imagem, caras, cenários, roupas, etc. O rádio é mais desafiante, instigante.

Essas reflexões vieram-me ao ler a notícia da morte do radialista Edson Almeida, que soube logo cedo no Twitter em informe da jornalista Franssinete Florenzano, citando Luis Nassif. Foi um grande processo de associação de ideias. Edson Almeida faleceu em Recife, aos 86 anos. Na juventude foi o locutor do “Repórter Esso” em Recife. Como o programa acabou, foi estudar veterinária e agronomia e tornou-se até professor universitário. Teria deixado gravada a notícia anunciando a sua própria morte, com vinheta do RE e tudo! Sem dúvida a notícia mais certa que ele sabia que aconteceria. Aliás, a única coisa verdadeiramente certa que sabemos: um dia, morreremos.

Lembrei-me, então, que ouvira uma gravação com o último “Repórter Esso” transmitido pela Rádio Globo, do Rio de Janeiro. Foi no seminário “A Comunicação Social e Corporativa nas Grandes Organizações do Brasil”, promovido pela MegaBrasil, em novembro de 2002, em São Paulo. Fui até lá convidado a participar do painel “Experiências bem sucedidas em Comunicação Interna”, apresentando o trabalho que nossa equipe realizava na Albras. Pois bem, um outro painelista, que falou sobre experiências bem sucedidas no relacionamento com a imprensa, foi Guilherme Duncan, da Esso, que falou sobre o “Prêmio Esso de Reportagem” e sobre o lendário programa de rádio “Repórter Esso”.

Ao final, Duncan disse que tinha uma surpresa: rodou a gravação desse último programa, que foi ao ar em 31/12/1968. O locutor, Roberto Figueiredo, emociona-se ao ler o texto, de tal forma, que tem dificuldades em prosseguir. Assume, então, o segundo locutor, Plácido Ribeiro, que prossegue. Mas Figueiredo volta e, notoriamente chorando, corajosamente chorando, lê o fechamento dessa última transmissão. Um momento alto, forte, exemplar, de comprometimento, de envolvimento com o seu trabalho, de amor à profissão, a ponto de emocionar-se tão profundamente. A plateia daquela tarde em São Paulo era formada por profissionais de comunicação e foi tomada por essa emoção. Acho que ninguém escapou de um certo umedecimento dos olhos, até algumas lágrimas saltaram sobre os rostos.

O Bill Duncan, que chegou a andar cá pelas ruas de Belém, como coordenador do Prêmio Esso, contou que a fita havia sido salva de um velho arquivo da emissora, que estava sendo desmobilizado. Alguém a guardou, na certeza de que ao Bill aquilo interessaria. Ele cuidou de sua restauração e gravação em CD. Conversamos após o evento e combinamos que ele remeteria uma cópia para mim. A cópia nunca chegou, provavelmente ele perdeu o cartão, nunca mais o encontrei, a coisa foi ficando e, no ano passado ele faleceu. Mas ficou em mim a grande vontade de ouvir aquilo novamente.

Pois hoje a oportunidade apareceu – e eu me emocionei de novo. Foi postada como Comentário no blogLuis Nassif Online”, junto à notícia do falecimento do Repórter Esso pernambucano.

A gravação está no YouTube e, para ver, clique aqui. Há uma imagem fixa, que acho que é do Gontijo Theodoro quando novo, mas ele era o apresentador na televisão e o RE na tevê é outra história.

Para a auto-notícia do falecimento de Edson Almeida, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 19h44
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PARAENSES NO MUNDIAL DE FUTEBOL

GAROTADA DE BARCARENA JOGA NA NORUEGA

Que tal um torneio de futebol com a participação de 1.400 equipes, cerca de 30 mil jogadores, de 50 nacionalidades, disputando mais de 3.800 partidas, em 62 campos? Esse torneio existe, na Noruega, e começa agora, domingo, dia 1º e vai até 7 de agosto: é a “Norway Cup”, o maior torneio de futebol infanto-juvenil do mundo, que é reconhecido pela FIFA. E tem paraense participando, minha gente. Aliás, pela nona vez.

O time parauara é o Alunorte Rain Forest, formado por jovens de Barcarena, entre 14 e 17 anos, participantes do programa “Bola pra frente, educação pra gente”, mantido há 10 anos pela Alunorte. Além de ser a maior refinaria de alumina do mundo, parece que a Alunorte quer trazer para Barcarena o título de melhor do mundo, também em futebol infanto-juvenil. Olhe que em 2008 já conquistaram o título de melhor na sua chave, embora não tenha chegado às finais. Mais ou menos como a seleção brasileira na África do Sul...

Não há time fixo. Os jovens são selecionados entre as escolas do município e não basta ser bom de bola: é fundamental frequentar a escola, ter bom rendimento nas notas e bom comportamento. Aí entra o futebol. São realizadas seletivas durante a “Copa Alunorte”, que este ano envolveu 20 escolas. Ao final, os melhores jogadores são convocados: 18 atletas, 90% deles de escolas públicas de Barcarena, passaram neste fim de semana pelas ruas de Belém a caminho da grande aventura de representar o Brasil e a Amazônia lá no norte da Europa. Já passearam no Rio de Janeiro e nesta quarta-feira pegam o avião para atravessar o Atlântico, levando muita disposição para defender sua terra. Lógico que o objetivo principal não é ser campeão, mas estimular a cidadania nessa juventude, destacar a importância do estudo e a boa pratica do esporte. E, se der para faturar o título, estamos todos na torcida.

Este ano, além dos atletas, vão também três garotas, todas com 16 anos, que conquistaram um prêmio educacional que faz parte do programa (para saber sobre elas, clique aqui). E vão com a missão de pesquisar sobre destinação do lixo na Noruega, de forma a trazer uma contribuição prática para a comunidade barcarenense.

Na sexta e no sábado são realizados passeios em Oslo, visitas a museus e grandes atrações da cidade. No domingo (01) iniciam as partidas.

Boa sorte pra esta garotada pois, mesmo antes dos jogos, eles já são grandes vencedores, tanto que até ganharam o outdoor (abaixo) e têm blog e Twitter – clique sobre as palavras para ter acesso e conhecer essa turma, acompanhar o dia a dia deles e torcer!




Escrito por Fernando Jares às 21h31
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AS ESPECIARIAS AMAZÔNICAS

UM BANHO DE CHEIRO NA MESA

Os ingredientes extraordinários da natureza amazônica são, mesmo, os queridinhos da alta gastronomia brasileira. Basta passar os olhos pelo programa do festival “Paladar – Cozinha do Brasil”, promoção do suplemento “Paladar”, do jornal O Estado de São Paulo, agora, de 29 de julho (quinta) a 1 de agosto (domingo), no hotel Grand Hyatt, em São Paulo.

Além de uma das estrelas convidadas para o evento ser o chef paraense Thiago Castanho, do restaurante “Remanso do Peixe”, que fará um workshop e um jantar, os elementos de nossa cozinha aparecem no trabalho de muitos outros convidados.

O DO PARÁ – No workshop “Banho de cheiro – As ervas e as sementes aromáticas da Amazônia”, Thiago Castanho vai mostrar como usar as especiarias locais na gastronomia. Ele ensinará a fazer um “bolo podre” de tapioca (não entendo este nome, para um bolo que nunca fica podre, já que todo mundo come logo...), com toffee de amburana e tapioca caramelizada; e um pudim de fruta-pão com calda de cumaru e tuille de baru. E ainda "a rosa", que são gomos de bacuri fresco, marinado com cumaru, calda de flor de vinagreira, e "pétalas" de jambo. Veja aqui o prato montado, em fase de “teste”:

 

“Vou abordar as possibilidades de especiarias da Amazônia na cozinha, comparando-as às utilizadas comumente, como, por exemplo, o puxuri com noz moscada ou o esturaque com manjericão”, disse Thiago que também vai falar dos cuidados para trabalhar com produtos desconhecidos e tidos como remédio, usando como mote a frase "o que define remédio ou veneno é o conhecimento que se tem sobre os ingredientes".

O jantar faz parte da agenda gastronômica do festival, que reúne grandes chefs, em duplas. Thiago Castanho vai trabalhar junto com Shin Koike, do restaurante “Aizomê”, um japonês há anos radicado em São Paulo. Por isso foi batizado de “Do sushi ao jambu”.

Disse-me o Thiago que vai servir como entrada um dueto de casquinho de caranguejo com farofa de aviú, servido em copo: “essa farofa é feita com o aviú frito em imersão, que fica crocante que nem pipoca”, explica o chef paraense. Continuando o prato, servirá uma emulsão de feijão manteiguinha, com as patas de caranguejo em vinagrete.

O prato principal será uma minimoqueca paraense (prato líder em pedidos no “Remanso do Peixe”) que vai ser servida em uma minipanela de barro. Para acompanhar, uma farofa molhada de camarão seco do Maranhão.

A pré-sobremesa é marajoara: queijo do marajó com compota de bacuri e embiriba. Para a sobremesa ele vai apresentar “a rosa”, que você já viu aí em cima. Quantos sentidos envolvidos?

OS SOBRE O PARÁ – Os ingredientes paraenses aparecem em outras atividades de chefs famosos, como no jantar “O encontro da priprioca com o jabá”, com Alex Atala (D.O.M. e Dalva e Dito) e Rodrigo Oliveira (Mocotó).

O chef Maurício Ganzarolli (Banana Sushi) apresentará, no workshop “Conexão Tóquio-Belém – Ingrediente brasileiro, técnica japonesa” a experiência de fazer uma cozinha nipônica com ingredientes brasileiros, como a tapioca e o tucupi. Daí, composições improváveis à luz da tradição, como o missotacá, onde o missô japonês é combinado a ingredientes do tacacá: o tucupi e o jambu!

Ana Luiza Trajano (Brasil a gosto) e Rodrigo Oliveira (Mocotó) vão mostrar que “Na onda do rio tem peixe” e as diferenças entre os peixes de rio e os de cativeiro, com as experiências de criar o pirarucu, o tucunaré, tambaqui, etc. Também passarão dicas de como tratar esses peixes.

Alex Atala (D.O.M e Dalva e Dito) no workshop “O pequeno produtor por trás do ingrediente”, defende a importância do contato direto dos chefs com os fornecedores, afirmando que 60% de um bom prato é o produto. E entra aí sua experiência de tantos anos “caçando” ingredientes pelas ruas de Belém.

Para ver a programação completa do “Paladar”, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 16h58
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PALMÉRIO DÓRIA E OS 7X0

O PLACAR MÁGICO DO FUTEBOL PARAENSE

Semana passada, ao comentar o famoso jogo em que o Paysandu venceu o Remo pelo inédito marcador de 7x0, citei uma figura fundamental ao jogo: o goleiro Palmério. E identifiquei-o como pai do colega jornalista e escritor, santareno, Palmério Dória, profissional de renome nacional (leia clicando aqui). Pois bem, pedi ao Palmério, filho, um depoimento sobre o ser filho de um nome que se tornou legenda no clube – Palmério, pai, é apontado como um dos, ou mesmo o melhor goleiro do Paysandu de todos os tempos!

E olha o gostoso texto que o Palmério mandou:

“Todo ano era aquilo, a família toda com a cara estampada no jornal no dia que relembrava a goleada histórica -- 22 de julho de 1945 --, que eclipsou o acontecimento mundial do momento: a Conferência de Potsdam, perto de Berlim, onde Harry Truman, Winston Churchill, e Josef Stalin dividiram a Alemanha e deram um ultimato ao Japão, que não se rendeu, sem saber que ia levar duas bombas atômicas pelos costados.
            Era o placar mágico do futebol paraense, mas uma criança não sabe nada disso. Eu sabia no máximo que no fim de julho fotógrafos e repórteres apareciam na Vila Letícia, no bairro do Reduto, para as fotos de sempre e os papos de sempre com o goleiro dos 7 a 0. Também sabia que era alviceleste desde criancinha.
            De tanto ouvir, claro que guardava uma coisa aqui, outra ali. Meu pai nem jogava mais, foi apanhado de surpresa depois de uma feijoada, porque o goleiro do Paissandu se machucara. Ele já estava arrumando as malas para outro tipo de partida. Ia com a família ganhar a vida em Santarém, onde eu entro na história, por causa de um descuido da minha mãe.
            E foi na volta de lá, já na tal vila, que comecei a perceber a importância do placar que o Remo nunca vai devolver se vigorar o acordo tácito: se o Remo chegar, digamos, a enfiar 5 a 0, o presidente do bicolor é obrigado a tirar a roupa e entrar nu para obrigar o time a sair de campo. Se ele não cumprir o acordo, não tem problema. A torcida inteira tira a roupa e entra.”

E assim revela-se esse segredo histórico: diante de algum revés, absolutamente improvável, de um placar adverso com seu mais tradicional rival, que se aproxime da histórica vitória bicolor, há um plano B, radicalíssimo – que nunca deverá ser necessário mas, como dizia meu avô, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém... Aparentemente não existiria na Curuzú uma chave geral de energia, solução bem mais simples, em tempos mais recentes...

Palmério Dória é jornalista que começou cá, pelas ruas de Belém, e cresceu por esse Brasil, com passagem por jornais e revistas nacionais. É autor de livros de grande repercussão, como “A guerrilha do Araguaia”, “A candidata que virou picolé” e, mais recentemente, o campeão de vendas “Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na Era Sarney”, durante muitas semanas na lista dos mais vendidos no país. Para conhecer melhor o Palmério, você pode ver a entrevista que ele concedeu ao jornalista Augusto Nunes, para o portal Veja.com, clicando aqui.

Do goleiro Palmério (Vasconcelos), o pai, vai abaixo a foto, de 1977, que está no livro “A história dos 7x0”, do jornalista e estudioso da história do futebol paraense, Ferreira da Costa. A do Palmério (filho) está mais acima, sugerindo o quanto é sigiloso o “acordo tácito” bicolor.

 



Escrito por Fernando Jares às 10h07
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DO CEVICHE AO TEMPURÁ DE SORVETE

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Se for para comer sushi, pode pegar com as mãos, não tem problema. Mas você deve engolir o naco de uma só vez, nada de mordiscar, sushi não é coxinha.”

Marcelo Katsuki, editor de arte da Folha de S. Paulo, no blog “Comes e Bebes” em 07 de fevereiro de 2008.

Restaurantes japoneses são sempre um desafio, principalmente para quem é analfabeto em coordenação motora, que é o caso deste escriba, tanto que ando com os meus clips para unir os hashis... São sempre uma opção que justifica o risco do mico... Eu gosto. Para quem precisar, veja algumas dicas práticas, tipo essa aí em cima, clicando aqui.

E eis que esta coluna gastronômica volta à cozinha oriental. Mas na semana passada o foco principal foi o tal avestruz, etc., etc.

Hoje vou mostrar o que foi um jantar no restaurante “Gendai”, de Niterói. Esta é uma cadeia de franquias, fortíssima em São Paulo. Fora, são poucas, e esta de Niterói/Icaraí é muito bem cuidada, o pessoal é atencioso e a cozinha funciona a pleno contento dos clientes. Sou reincidente lá.

Uma boa pedida é o “Festival Gendai”, que funciona assim: você pede o que quiser do cardápio, na quantidade que quiser, por um valor fixo, por pessoa. De terça a quinta-feira, R$ 58,90 e de sexta a domingo, R$ 64,90. Fora bebidas e sobremesas. Vamos lá:


Começamos com uma entrada de encher os olhos e o paladar: um ceviche bonito e saboroso. O ceviche é uma iguaria de origem peruana que se espalha pelo mundo, especialmente com a “ajuda” dos restaurantes orientais. Trata-se do peixe cru, ou frutos do mar, marinados em suco de fruta ácida, tipo limão, e com temperos, uns verdinhos, etc. Neste caso vem acompanhado de uns pedacinhos da massa do harumaki, bem fritinhos e crocantes.

 

Em seguida fomos a algumas miudezas que fazem a perdição, pelo estômago, nestes bons restaurantes japoneses. Mas uma perdição nem tão pecaminosa, já que se trata de alimentos saudáveis. Temos aí uns harumakis, com destaque para o ebi, recheado com camarões e cream cheese; as indefectíveis guiosas. Fomos também aos sushis e sashimis que nem fotografei. Apenas os degustei... e aproveitei o Ômega 3.

Já que conversamos sobre sushi, façamos um intervalo para um comercial japonês, rapidinho, 32 segundos, que eu conheci no “Comes e Bebes” do Katsuki: clique aqui e conheça como nascem os sushis.

 

Preferi fotografar alguns pratos mais substanciais... como essas lulas grelhadas. Independente de qualquer conotação política, e que isto não soe em tal campo, devo dizer que gosto muito de comer lulas. Certa vez, comi-as magníficas, em Búzios, as tais enfarinhadas, que minha cunhada Rutnea tanto gostava e cantava em verso e prosa. E mereciam. Mas isso é outra história. Aqui vale dizer que estavam magníficas as que nos foram servidas, grelhadas como convém, para alegria de quem as saboreou, que não fui só eu. Neste feliz jantar estávamos, a Rita e eu, com o Jason e a Larissa.

 

Outra boa pedida é este salmão flambado, com molho de manteiga e shitakes. Além de saboroso e saudável, ainda tem direito a uma encenação de leve, por parte do garçom, já que vem embrulhado, sendo aberto e flambado na mesa. Não que eu seja inteiramente piromaníaco, mas gosto de ver o fogo. Também mereceu aprovação generalizada.

 

Fechei a série com uma sobremesa bem bonitinha, quase homenagem à Copa do Mundo, que naqueles dias rolava na África do Sul. Não, nada com a jabulani, que eu não queria que ela se desviasse do objetivo principal, a minha boca... Assim, fui a um tempurá de sorvete, que também temos cá, pelas ruas de Belém: vem a ser o sorvete, envolvido pela massa do tempurá, frita em segundos. Um trabalho que exige habilidade e rapidez. Ponto pro chef pâtissier que, em restaurante japonês, que nome terá?



Escrito por Fernando Jares às 17h55
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UM CERTO 7x0 FAZ ANIVERSÁRIO

 

As assinaturas acima são de seis esportistas, integrantes de uma equipe que, há exatos 65 anos, em 22/07/1945, escreveu uma página histórica e até hoje não superada, no futebol paraense.

São eles, de cima para baixo, Guimarães, Arleto, Manoel Pedro, Soia (Manoel Cardoso), Palmério e Mariano. Integravam o time do Paysandu que venceu seu mais tradicional adversário, o Remo, por 7x0, em pleno estádio de Antonio Baena.

Quem apreciou a peleja de ontem, desde os seus primeiros minutos há de ter notado o fracasso absoluto, total, decepcionante, que constituiu a esquadra do Remo no segundo período, após ter realizado um promissor primeiro tempo, dando sérios trabalhos à defesa do Paysandu para com a ausência de um só elemento, entregar-se, de maneira envergonhante, humilhando-se frente ao seu adversário de todos os tempos, o Paysandu”, analisou no dia seguinte (23/07) o vespertino A Vanguarda (pertencia ao jornal matutino A Província do Pará, que não circulava as segundas).

O colega jornalista da época viu o presente e previu o futuro...

Para o jornal O Estado do Pará de 24/07 “O Paysandu continua a liderar a eficiência futebolística regional. Firmou-se de tal maneira como a melhor equipe destes últimos anos que a fé que o acompanha é como uma bandeira sagrada que envolve todas as aspirações de qualquer falange idealista.”

Outro jornalista com a capacidade de ver no presente o futuro...

A cobertura deste jogo, que valia pelo campeonato paraense de 1945, foi grande e detalhada. A Folha Vespertina (da Folha do Norte, matutino que também não circulava as segundas) descreveu cada gol.

Um único incidente marcou a partida, dirigida pelo árbitro Alberto da Gama Malcher: uma briga entre Arleto (Paysandu) e Vicente (Remo), sendo ambos expulsos... e presos, como era o costume daquele tempo: Vicente, soldado, levado ao quartel, Arleto, civil, recolhido ao posto de São Braz, da Polícia Civil – mas ambos logo liberados.

Todo esse tesouro de informações está preservado no livro “A História dos 7x0”, do jornalista e pesquisador da história do futebol, Ferreira da Costa:

 

Entre outras tantas revelações, como o depoimento de muita gente envolvida no evento, tem uma curiosidade especial: foi lançado no dia 7/7/77. Você pode ver a data, lá em cima, logo abaixo da assinatura do Guimarães (José da Costa Homem Guimarães que conheci, muitos anos depois, como delegado do Banco Central em Belém, nos 1970). Neste jogo o goleiro, Palmério, teve forte influência no placar, já que segurou o primeiro tempo, quando o Remo bem atacou, conforme os relatos jornalísticos. Até parece uma certa seleção... Palmério (Vasconcelos) a quem conheci já aposentado (moramos no mesmo bairro), vem a ser pai de nosso colega jornalista Palmério Dória, autor de livros de sucesso nacional.

Segundo O Liberal de hoje (Esporte, pág. 3), apenas o jogador Jeju (do Remo) está vivo. Em 1977 eram bem mais: foi nessa data que o queridíssimo e sempre lembrado João Adário coletou os autógrafos que abrem este post. Adário, com quem convivi em minha rápida passagem pelo Lions Clube, e em muitos encontros, foi radialista, na Marajoara, salvo engano, e foi, talvez, o melhor contador de piadas que eu já conheci. Sabia todas, para todas as ocasiões...

A data é comemorada pelos bicolores até hoje. Ainda no alvorecer deste 22/7/2010, chorinhos eram tocados na Cultura FM, em homenagem à data...

O time vencedor naquela tarde em Antonio Baena (dizem que é por causa desse jogo histórico que querem que o governo realize o tombamento do estádio...) contou com Palmério; Izan e Athenágoras; Mariano, Manoel Pedro e Nascimento; Arleto, Hélio, Guimarães, Farias e Soiá. O Remo perdeu com Tico-Tico; Jesus e Expedito, Mariosinho, Rubens e Vicente; Monard, Jeju, Jango, Capi e Boro.

Abaixo, foto da esquadra alviceleste com alguns dos participantes do 7x0: de pé, Athenágoras, Simeão, Bria, Pedro Capivara, Manoel Pedro e Nascimento; agachados, Valentim, Farias, Hélio, Guimarães e Soiá.

 



Escrito por Fernando Jares às 12h49
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ABL HOMENAGEIA BENEDITO NUNES

UM HOMEM CULTO, UMA ALMA NOBRE E LOUÇÃ


Benedito Nunes e a repórter Layse Santos, no “Entre nós”.

38 anos depois de sua primeira vez, o Pará volta a conquistar a mais importante comenda cultural do país, o “Prêmio Machado de Assis”, concedido pela Academia Brasileira de Letras, desde 1941, a um grande nome da literatura nacional, pelo conjunto de sua obra.

Benedito Nunes, crítico literário, filósofo, ensaísta, escritor e laureado professor é o craque que hoje vai receber o ambicionado prêmio outorgado pela ABL, considerando o fato de “seu trabalho estar entre os de maior destaque no Brasil e no exterior”, como afirma a Academia em seu sítio eletrônico (clique aqui para ler).

Maior e mais completo pensador brasileiro vivo, do alto de seus 80 anos, entendo que ele é, efetivamente, hoje, o paraense mais ilustre. Simples, cativantemente simples, é um homem extraordinário. A quem o ouvir, emociona o ouvinte. A quem o ler, nos enriquece a cada linha. O texto dele é instigante e, quando o leitor é como eu, a quem falta o conhecimento apropriado para entender plenamente o pensamento do mestre, instiga ainda mais, exigindo a busca desse conhecimento. Um círculo virtuoso.

Gosto particularmente deste perfil de Benedito Nunes escrito pelo filósofo mineiro Moacyr Laterza (falecido em 2004), na orelha do livro “Hermenêutica e Poesia – o pensamento poético”, que reúne textos organizados a partir de aulas em um curso do mesmo nome, ministrado por BN na UFMG, em novembro e dezembro de 1994. Diz o pensador mineiro: “Não o nome ou renome internacional de Benedito Nunes. Antes, sua personalidade ímpar, sua presença serena, posto que discreta e suave, resguardando sempre com modéstia as louçanias de sua alma nobre.” Em seguida destaca a “honra do convívio” com BN, ensejado por esse curso.

Quer ouvir um pouco o mestre? Vamos, com o programa “Entre nós” (RMTV) e a jornalista Layse Santos, visitar a casa de BN e sua fantástica biblioteca. Para fazer esta viagem virtual, clique aqui.

Benedito já tem visitado estas páginas bloguísticas. Para ler o post mais recente sobre ele, “O cartãozinho e o premiozão”, clique aqui.

É uma das recompensas mais gratificantes ao redator poder ver, ouvir e escrever sobre este paraense ilustre, que nos enche de orgulho em poder caminhar pelas ruas de Belém em que ele caminha.

CAMPEÃO ANTERIOR – O paraense que conquistou, pela primeira vez, o mais importante prêmio literário do Brasil foi o escritor marajoara Dalcídio Jurandir, em 1972 – recebendo o prêmio das mãos de Jorge Amado. Este blog já contou essa história. Para ler, clique aqui.

 

A felicidade de estar entre livros, Entre Nós. Para ver mais fotos de BN na matéria do “Entre Nós”, clique aqui.

ÚLTIMA HORA: Um problema de saúde impediu o mestre Benedito Nunes de viajar ao Rio de Janeiro, nesta data, para receber o "Prêmio Machado de Assis". Foi representado na cerimônia na ABL por Victor Sales Pinheiro, professor, estudioso da obra de BN, organizador de publicações de nosso filósofo.



Escrito por Fernando Jares às 11h10
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SUCESSO INTERNACIONAL FAZ ANIVERSÁRIO

ATÉ O PEÑAROL / VEIO AQUI PRA PADECER...

Completaram-se ontem 45 anos de uma das maiores vitórias de um clube paraense sobre um adversário internacional: o histórico 3x0 do Paysandu sobre o uruguaio Peñarol, na época um dos grandes do mundo, base da seleção do Uruguai, já bicampeã mundial! Foi em 18/07/1965, também domingo. O Peñarol estava há 15 partidas sem sofrer derrota.

Ao final do jogo algo inusitado, principalmente naqueles tempos, foi registrado por atento fotógrafo da revista Mensagem, muito provavelmente Porfírio da Rocha, o grande Popó, que habitualmente cobria futebol:

 

Veja só, o técnico Roque Máspoli, do Peñarol, abraça e troca um beijo com o técnico do Paysandu, o quase lendário Juan Antonio Alvarez, também uruguaio. A legenda da foto expressa a surpresa do redator: “trocaram um significativo beijo, gesto de fraternidade entre os estrangeiros, que para nós causa até hilaridade.” Hoje isso é muito mais comum entre os futebolistas, como vimos na recente Copa do Mundo – pra não falar das comemorações dos gols... Máspoli, jogador antes de treinar seu time, fora o goleiro no fatídico 1x0 sobre o Brasil, em 1950, que deu o título mundial aos uruguaios. O Pará vingava a nação!

Segundo a revista, “Juan Alvarez, quando técnico do Corrientes, no Uruguai, nunca obteve uma vitória sobre o Peñarol”...

O valoroso onze bicolor que aplicou esse chocolate de bacuri no Peñarol pode ser visto na foto abaixo, que fui buscar no livro “A Enciclopédia do Futebol Paraense”, do jornalista e pesquisador da história de nosso futebol, Ferreira da Costa. A esquadra estava assim constituída: Beto, Oliveira, Jota Alves, Abel, Castilho, Carlinhos, Quarentinha, Pau Preto, Edson Piola, Milton Dias, Ércio.

 

O time do Peñarol tinha o seguinte elenco: Mazurkiewicz, Forlán, Lescano, Varela, Caetano Davila, Pedro Rocha, Abadie (Flores), Silva, Spencer (Resnick) e Joya. Esse Forlán aí, é o pai do atual astro!

O Peñarol vivia uma fase de grande sucesso, tanto que neste ano foi vice da Libertadores, que venceu no ano seguinte (1966), quando também foi campeão mundial. Os gols paraenses foram de Ércio, Milton Dias e do Pau Preto.

O grande cronista Nelson Rodrigues escreveu em O Globo, conforme inúmeros registros: “O Peñarol saiu de lá com as orelhas a meio pau. Três a zero! Um banho completo!"

O feito foi tão extraordinário que motivou a famosa marchinha de Francisco Pires Cavalcanti e Clodomir Colino, que praticamente virou um hino do Paysandu e emociona qualquer bicolor:

"Uma listra branca, outra listra azul / Essas são as cores do Papão da Curuzu / O nosso time joga pra valer / Até o Peñarol veio aqui pra padecer." (Pra ouvir, clique aqui, que a versão tem colagens das vinhetas da Rádio Clube e até a voz do querido Ventinho!)

Esta é, sem dúvida, uma semana extraordinária para o torcedor bicolor, como disse ontem o radialista Guilherme Guerreiro, no programa “Bola na Torre” (TV RBA). Sábado a goleada de 6x2 sobre o Rio Branco na abertura do Campeonato Nacional Série, domingo o recuerdo dos 3x0 no Peñarol e, na quinta, os festejos dos 7x0 sobre seu mais tradicional adversário regional.



Escrito por Fernando Jares às 15h27
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AKIO MORITA E AVESTRUZ, NA POMBAL

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“O segredo de um bom prato é o caldo, ele é o coração da receita.”

Chef Alex Atala, no comercial de televisão “Exigente”, onde apresenta o potinho de caldo Knorr. Para ver o comercial, clique aqui.

 

Bem ali na praça Brasil (que seria praça Santos Dumont, mas até no Google Maps é Brasil...) uma das ruas que a forma é a travessa Pombal, que não sei se tem esse nome pela casinha dos pombos ou pelo marquês – mas este tem já homenagem pelas ruas de Belém, a travessa Marquês de Pombal, ali na ilharga do Ver-o-Peso, onde tem aqueles casarões lindos. Pois bem, nesse ambiente, digamos, pombalino, há um restaurante oriental, o "Kami Sama". Fui lá uma noite destas. O cardápio é vastíssimo, bem mais de uma centena de itens, e você pode levar o dito cujo para casa, está escrito. E mais, eles também têm uma versão loja, em outro local, com muito do que servem lá.

A carta de cervejas é grande. E logo pedi uma Therezópolis que, embora conste no cardápio em 600ml (R$ 11,00), só tinha de 300ml. Mas lá foi, e bem.

Começamos com duas homenagens: um sushi de polvo (R$ 4,00), que dedicamos ao mais famoso da raça, o Paul, o rei das previsões e acertos na Copa do Mundo. Um de salmão (R$ 3,00), preferência radical da Bruna e do Emerson, parceiros na mesa, e um hot make “Akio Morita” (R$11,00, meia porção), com o que homenageamos o gênio da administração e nos deliciamos com este recheado de salmão, cream cheese e cebolinha, enrolado com salmão por fora. Aqui está o conjunto nipônico:


Mas eu havia ido até lá com um terceiro interesse, além dos petiscos orientais e das cervejas: um avestruz. Isso mesmo. Faz parte de algumas carnes exóticas que eles oferecem, como rãs, linguiça de javali, filé de jacaré, coelho – estes últimos, só ao almoço. E o avestruz. Sempre imaginei um “bife à cavalo” de avestruz, gigantesco, com aquele ovão da dona avestruza, que pesa mais de um quilo, estreladão, por cima...

Mas este era um comportado “Steak de avestruz grelhado”, coisa muito na linha natural, já que o avestruz tem pouca gordura e colesterol. A carne estava um pouco dura, mas plenamente mastigável. Tinha um sabor muito agradável, fortemente influenciado por um saboroso molho, que confirmava o que diz o Atala, lá em cima, sobre os caldos. Cá está o avestruz devidamente grelhado e acompanhado por um risoto de shitake, que também estava digno do seu papel de acompanhante de tão nobre ave:

 



Escrito por Fernando Jares às 13h45
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COZINHA PARAENSE EM SAMPA

ERVAS E SEMENTES QUE DÃO PALADAR

A cozinha paraense, com seus ingredientes únicos, exclusivos, vai ter novamente um momento especial de exposição em São Paulo, no festival gastronômico “Paladar - Cozinha do Brasil”, promovido pelo suplemento Paladar do jornal O Estado de S. Paulo. Será agora, de 30 de julho a 1º de agosto, no Grand Hyatt São Paulo.

O representante paraense, convidado pelo evento, é o chef Thiago Castanho, do restaurante “Remanso do Peixe”. Ele apresentará o workshop “Banho de cheiro – As ervas e as sementes aromáticas da Amazônia”, onde vai mostrar como usar essas especiarias locais na gastronomia.

Segundo o sítio eletrônico do Estadão, “Thiago Castanho já está enchendo as malas de ingredientes amazônicos. O chef do Remanso do Peixe, de Belém do Pará, está encarregado de representar a inesgotável riqueza do Norte brasileiro.”

Um dos cinco nomes destacados no material de promoção do festival, diz o Paladar que  “além dos encontros ao longo do dia, o evento promove jantares temáticos reunindo um importante time de chefs e especialistas. Alex Atala, do D.O.M., e Rodrigo Oliveira, do Mocotó, trabalham juntos. Thiago Castanho, do Remanso do Peixe (em Belém do Pará), e Shin Koike, do Aizomê, também se unem.” Como se vê, um time de primeira linha. Você pode ler a matéria completa sobre “Paladar – Cozinha do Brasil”, diretamente no sítio do Estadão, clicando aqui.

COLUNISTA – Eis que o jovem chef paraense Thiago Castanho entra em novos caminhos profissionais: é agora colunista do portal “Belém do Pará”. Obviamente que ele assina uma coluna sobre gastronomia.

Escreve sobre o Ver-o-Peso, apresenta um “Carré de tambaqui com farofa molhada de feijão manteiguinha” e dá dicas para valorizar a receita. Leia a coluna do Thiago, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 13h30
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DIA DO HOMEM!

MELHOR QUALIDADE DE VIDA NO MUNDO!

Hoje é o Dia do Homem, no Brasil. Replica aqui uma data internacional, criada com apoio da ONU, que busca melhorar a qualidade de vida de milhões de homens no mundo. Tem o objetivo de alertar para os inúmeros problemas que envolvem essas pessoas, como o trabalho escravo, que campeia cá por estas terras nortistas, a falta de oportunidade de educação e, principalmente, a questão da saúde, onde, além da falta de assistência, há a falta de informação, de conhecimento, sobre problemas dos dias de hoje, como Aids ou o câncer de próstata.

Infelizmente a data é discriminada por alguns, machistas renitentes, que, julgando-se Superpoderosos, esquecem dos milhões de irmãos que sofrem com esses problemas.

O chamado “Dia Internacional do Homem” é comemorado a 19 de novembro em muitos países, como Austrália, Estados Unidos, Reino Unido. Não se trata de um daqueles dias “oficiais” aprovados pela Assembleia Geral da ONU (como o Dia Mundial da Água, o da Mulher, o de Combate à Aids, etc.), mas a data tem apoio da Unesco.

Por que 15 de julho? Não consegui descobrir até hoje, mas a data consta de diversos calendários promocionais e livros especializados, inclusive no “Você sabe que dia é hoje?”, do professor doutor Waldyr Gutierrez Fortes, do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina.

Não se trata de evento registrado aqui pelas ruas de Belém, ao que me parece, embora ano passado eu tenha recebido um folhetinho sobre a data, no “Boticário”, vendendo um perfume, obviamente. Mas em Barcarena, a Albras, comemora há muitos anos. Não é para menos: o contingente masculino lá é de 95%, devido às características operacionais do parque industrial. Todos os anos há um trabalho alertando sobre a saúde masculina, como hoje aconteceu, com palestra do médico Paulo Moura.

 O grupo de teatro “Os Aluminados de Teatro”, formado por empregados dessa indústria e seus familiares, criou e apresentou um esquete abordando o mesmo tema. Esta pequena peça é levada diversas vezes durante o dia (8h, 14h20 e 23h) para que todos os empregados possam ter oportunidade de participar – a empresa trabalha no sistema de turnos de revezamento, 24h por dia.

O informativo semanal BIF – Boletim Informativo da Fábrica, edição de ontem, circulou com seu encarte “Vida Saudável”, inteiramente dedicado à qualidade de vida do homem.

 

E ainda tem mais: quem quis fazer uma massagem relaxante, contou com uma equipe especializada, disponível a todos, durante o dia. Depois de uma jornada de trabalho, puxada e pesada, quem trabalha de verdade sabe bem como é bem-vinda uma boa massagem.

A data ainda está preservada em seus objetivos e não foi atacada pelo pessoal que só pensa em vender, vender... Mas já tem gente na área. O mesmo Boticário, que citei acima, fez um viral que circulou ano passado na internet, lançando um novo perfume. Para ver, basta clicar aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h04
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MOSQUEIRO, DE VOLTA

NO TEMPO DA BALSA E DO GUARDA-CIVIL

Olha o Mosqueiro de priscas eras de volta ao blog, considerando o interesse do “respeitável público” e o apropriado da estação de férias.

Relendo a coleção das revistas Mensagem – que teve Romulo Maiorana, o pai, obviamente, como um dos diretores na primeira edição e, depois, como colunista de sociedade, função que ele exerceu, também, na Folha do Norte – encontrei, na edição de dezembro de 1965, matéria sobre a inauguração da estrada para o Mosqueiro. Nem o serviço de balsas estava ainda implantado e a travessia foi feita em uma balsa cedida pela Petrobrás. A viagem, como que de apresentação da estrada, foi em um domingo, 12 de dezembro, e teve como atração a imagem peregrina de N. S. de Nazaré, aquela que fica no Colégio Gentil Bittencourt. Foi a segunda vez que ela saiu de seu nicho no colégio, sem ser para o Círio, afirma a revista. O motivo da viagem: o Círio de N. S. do Ó, de Mosqueiro.

A viagem pioneira levou duas horas e meia: asfalto, só até Benevides, “bem empiçarrada até o rio e um pouco pior na ilha”, informou a Mensagem.

Muitas vezes atravessamos, os da minha geração, de balsa para a outra margem. E não dá para esquecer o camarão frito que se comia na margem, a espera da hora de embarcar. Era tão bom que motivava ir até lá, vez por outra, apenas para comê-lo, acompanhando uma cervejinha, vendo o rio, etc...

Aqui abaixo, uma das fotos dessa matéria, justo no momento da balsa desatracar, os balseiros empurrando. Como a balsa era provisória, não tinha empurrador: era puxada pela lancha “Magalhães Barata”, do Governo do Estado. A foto não está creditada, mas no expediente constam os dois fotógrafos da revista: Ayrton Quaresma e Porfírio da Rocha, clássicos que brilham entre as estrelas maiores do fotojornalismo paraense. A canoinha compõe o contraste do “passado” do transporte naquela área e do “futuro” que chegava...


Na mesma edição há uma reportagem sobre o dito Círio: “Romeiros da Praia Grande”, mostrando que muita gente vai à ilha, naquele dia, apenas para ir para a praia... “A grande maioria vai mesmo em busca de um banho de mar, à guisa de fazer romaria à Virgem”, diz o texto, que descreve com detalhes ações da imensa quantidade de banhistas que procuram Mosqueiro nessa data – como acontece até hoje – “até o cair da tarde e o chegar da noite, quando a hora do regresso é anunciada pelo apito do navio da linha”. Como se lê, poucos ainda usaram a estrada, já que apenas alguns, “mais afortunados ou mais azarados – é questão de ponto de vista, conseguiram chegar à ilha por via rodoviária”.

A foto abaixo mostra um trecho da praia, cheia de gente, mas o destaque vai para o policiamento, com os populares guardas-civis, comuns na época pelas ruas de Belém, circulando lá por Mosqueiro, com seus cassetetes, com que impunham a ordem nos locais públicos.


Mosqueiro, distrito de Belém, já tem sido assunto de diversos posts, cá neste blog. Para quem quiser conhecer ou relembrar, aqui estão alguns deles, com indicação do assunto e o link para acesso.

É RIO OU MAR? No texto transcrito acima a Mensagem fala em “banho de mar”. É uma questão tradicional, que abordei (clique aqui) e até rendeu um versinho, em comentário do poeta paraense, nascido em Santos, Jason Carneiro: “Não há dúvida: mar E rio. Pleno de sentido e força, é rio; grávido da infinitude, é mar.”

BUCÓLICA – A beleza da ilha é mostrada neste outro post que fala da “resistência” da ilha (clique aqui).

FAROL – E o velho e clássico Hotel Farol. Andei por lá e você pode ver, inclusive, belas fotos da tradicional estabelecimento (clique aqui).

PESCADÕES – Comem-se bons peixes, obviamente, na ilha. De uma olhada numa bela dupla de pescadões, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 19h17
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CHALÉS, RURAIS E AVIÕES

OUTROS VERÕES, NAS MESMAS PRAIAS

Esta faixa equatorial privilegiada do planeta Terra vive seu verão, com um sol gostoso, quente, mas não abrasador de outros verões aí pelo mundo, uma chuvinha de vez em quando, de preferência todo dia – antes, pelas três da tarde, agora mais para as 5 – para manter o clima legal. Arma-se de repente, escurece tudo, cai fortona, vai embora logo e lá vem o final de tarde mais agradável do mundo (hoje, por exemplo, ela não caiu...). Tempo de bastante vento, para equilibrar a temperatura.

Enquanto lá pras bandas do sul tem um dia de muito frio, um dia de calor, falta de chuva, etc. a gente tem aqui este tempinho abençoado. Ainda sonho que, um dia, as autoridades do turismo (como? quem?) vão aproveitar este diferencial natural, mas nitidamente mercadológico, para incrementar o fluxo de visitantes... mas isso é outra história.

Temporada de férias. As cidades de veraneio bombando, gente aos milhares. É sempre assim, ano após ano, desde os tempos em que nem eram tantos milhares como hoje. Olhando para as fotos de Salinas, Mosqueiro, hiperlotadas, publicadas nos jornais, decido dar uma olhada nas minhas pastas pra ver o que tinha por lá. Daí, captei estas fotos:

OS CHALÉS DE SEMPRE


Esta primeira eu peguei na caixinha de fotos do papai. Foi feita por ele, com certeza, em Mosqueiro, que ele gostava, e o carro deve ser dele. Pelas descrições de família, ele teve algo assim, quando era jovem. Portanto, a foto é aí dos anos 1940. E lá está, ao fundo, um dos belos chalés mosqueirenses, marca visual da ilha há tantos e tantos anos – que agora estão derrubando sem qualquer controle. Infelizmente ele não tinha o hábito, saudável, de colocar as datas nas fotos. Hoje não precisa mais, tá tudo gravado no arquivo digital da dita cuja... Fica aí esse belo registro das férias de julho em outros tempos.

AS RURAIS DE SALINAS


Esta é fácil de reconhecer, não é? Uma Rural, umas garotas e o velho farol salinense. Essa foto aí foi publicada na revista Mensagem, de julho de 1965. A revista circulava mensalmente pelas ruas de Belém e era dirigida por Alfredo e Altino Pinheiro. Leia aqui a legenda, tal e qual foi publicada nessa revista:

“Neste veraneio de julho, em Salinas, quanta gente se serviu de uma Rural Willys? Eram dezenas, centenas, que cortavam a estrada rumo a Salinas, de noite e de dia, conduzindo gente, conduzindo mantimentos, conduzindo tudo o que fosse necessário ao bem-estar de quantos lá foram fazer pousada durante o mês. Ela voava; num piscar de olhos estava em Salinas, noutro piscar chegava a Belém. E num trecho de areia, sob a limpidez azul do céu iluminado pelo sol de verão, a Rural Willys faz até cenário para a presença de moça bonita enfeitando a paisagem do velho farol de Salinas.”

Com toda essa ruralização, quem vai gostar do post é o jornalista Miguel Oliveira, de Santarém, que anda todo feliz porque comprou uma Rural 1969 e agora vai para seus sagrados fins de semana em Alter-do-Chão, reeditando esses velhos tempos. É um privilegiado.

PRA SALINAS, VAI-SE DE AVIÃO


Naqueles idos de 1965 os mais mais financeiramente podiam ir de avião para Salinas, gozar as delícias do chique balneário. E olha que a famosa “casa do governador” ainda não tinha sido construída. Veja os “avuadores” em foto publicada nessa mesma edição, de junho/1965, da revista Mensagem, e leia parte do texto da legenda:

Já foi, oficialmente, reinaugurada a pista de pouso de Salinas. No domingo, 18 de julho, uma caravana de membros do Aero Clube esteve na cidade atlântica e lá, na presença do representante do Governador do Estado, o sr. Lamartine Nogueira, Secretário de Estado de Interior e Justiça, foi reaberto oficialmente o campo. Um trabalho intenso de terraplanagem foi realizado pelo Governo do Estado, em colaboração com a Prefeitura Municipal de Salinas, e o campo já pode receber aviões. Naquele dia, cinco aparelhos pousaram ali e provocaram uma grande festa entre os moradores da cidade, que há muito não viam cena como aquela.”

A revista sugere que seja feito um isolamento do terreno, pois pela pista andam “animais, pedestres e até caminhões e ônibus.” Para recordar: o governador da época era Jarbas Passarinho.



Escrito por Fernando Jares às 18h42
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COMIDINHAS ORGÂNICAS

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“A gastronomia vive dias fervilhantes. A comida está em alta. Que o movimento é positivo, não dá para negar. Em meio a tudo isso, o planeta pede atenção, e sustentabilidade é a palavra da vez.”

Letícia Rocha, em “Gastronômico e saudável”, na revista Prazeres da Mesa, que pode ser lida clicando aqui.

 Também a gastronomia está engajada na sustentabilidade, em busca de alternativas ambientalmente corretas para a vida. Com ajuda da criatividade, foge daquele rótulo quase pejorativo de “natureba”, que associava esse tipo de opção a tudo vegetal e quase sem gosto. Na verdade, mais pra comida de dieta...

Estão surgindo em todo o mundo restaurantes que se propõe trabalhar com produtos com cultivo natural, respeitando os princípios do equilíbrio ecológico, mas sem abrir mão do sabor apurado, do bom gosto. É o que vem sendo chamado de “cozinha orgânica”.

Aqui em Belém já existe um restaurante que se apresenta, e bem, com essa proposta. É o “Biomercato”. Fica no mezanino da Estação das Docas.

O visual é bem cuidado – tem programação de bom gosto da RKE – e é um misto de pequeno restaurante e loja de produtos naturais.

No mezanino as mesas são de uso coletivo, tipo praça de alimentação, e tivemos de esperar para conseguir uma. Enquanto isso, primeiros estudos na exposição de produtos e no cardápio.

Empresa tipicamente familiar, tem mãe e filha no comando, Marilena e Gabriela Piedade. Família originária de Igarapé-Miri, com muito tempo de vivência lá pelo sul, a casa oferece um cardápio montado por um chef catarinense, bem adaptado à cozinha regional. O resultado? Vejam só:


Essa foi a entrada, que não está no cardápio, pois foi criada apenas para os dias de jogo do Brasil na Copa. Trata-se de um pirarucu desfiado com queijo do marajó e banana frita (R$ 29,00). Foi saudado entusiasticamente como prenúncio de um bom almoço. O pira no sabor devido, tempero equilibrado, sem exagero, mas que chamava as cerpinhas, muito bem geladas.

As opções no cardápio são poucas. Há uma oferta de quatro saladas, atraentes, mas esse é um exercício para o dia a dia, não para o domingo...

Os pratos principais são oito e existem ainda quiches e sanduíches, alguns tentadores... Mas ficarão para um dia de lanche.

 

A primeira das opções a chegar à mesa foi um “Fettuccine com Pirarucu e Banana” (R$ 18,00), que vem a ser a tradicional massa, com pirarucu semissalgado e crocante de banana. Teve dois pedidos e quatro votos de aprovação entre os quatro comensais. Boa média, não? Mas é que estava realmente gostoso.

Quando disse “primeiro a chegar” é porque é assim mesmo. Os pratos vão chegando um a um, com certo intervalo. É que a cozinha é pequena... O primeiro servido é que paga a prenda: tem que ir dando prova pra todo mundo!

 

A atração seguinte, após serem servidos, obviamente, os dois fettuccines, foi “Quinua com queijo do marajó e pesto” (R$ 21,00), que é a quinua em grão com o pesto (molho de manjericão) e queijo do marajó. Quinua é um grão que está fazendo o maior sucesso nas tribos orgânicas: tem origem nos Andes e é alimento naquela região desde o tempo dos incas – ficam uns grãozinhos brilhantes, mal-comparando, micropérolas...

 

Fiel consumidor de pirarucu, a minha opção, obviamente, foi por aquele prato que, a mim me parecia, seria mais bem aquinhoado com o saboroso peixe: “Lombo de pirarucu defumado com molho à base de tucupi (arubé) acompanhado com quinua de jambu” (R$ 28,00). Informei-me da procedência: Santarém, aprovei, pois lá sabem defumar um pira com qualidade. Quinua com jambu é sofisticação orgânica para a criação do chef Paulo Martins, o “Arroz de Jambu”, cuja história contei em “O dia em que o jambu separou-se do tucupi” – para ler, clique aqui.

As duas peças de pirarucu estavam no ponto adequado, macias, com o defumado a corresponder o que dele se espera: um sabor que preserva as características inimitáveis do nosso peixe maior, enriquecido pelo processo dos fumeiros, que nos remete aos pioneiros, nas antigas moradas amazônicas. A primeira prova da quinua com jambu deixou a desejar em termos de tempero. No entanto, quando combinada com o arubé que a cercava, ganhou ares, ou melhor, sabores, transcendentais... A mistura ficou uma delícia, deixando o papel de acompanhante, para disputar o papel principal... O arubé vem a ser um molho feito com tucupi, mais um pouco de sua goma e massa da própria mandioca, para ficar com um ponto de espessura. Deixa-se azedar um pouco o tucupi, que pode ser temperado com especiarias, a gosto. Dependendo do ponto, pode até aproximar-se da mostarda. Este não ia a tanto, estava em estado mais para o líquido, mas com sabor muito agradável, capaz de provocar o prazer do paladar. Na foto, sobre a quinua com jambu você vê dois pontinhos: eram duas flores de jambu, a fazer a decoração e provocar frêmito nos lábios.

 

Para terminar, a reconfortante companhia de uma sobremesa que, acredito eu, é essencial para finalizar um grande almoço e facilitar uma boa digestão.

O que você vê aí é uma “Tortinha de cupuaçu com queijo cuia e chantilly” (R$ 5,00). A mistura não é inédita nas docerias pelas ruas de Belém, mas a junção dos dois sabores marcantes é bem administrada e causou a satisfação desejada, deixando a mensagem de “quero mais”.

Conheça mais sobre o “Biomercato”, visitando seu sítio eletrônico, clicando aqui.

Não finalizamos com o desejado café especial, orgânico, da casa. É que tinha faltado água na Estação das Docas... O que retrata bem como anda a administração naquele belíssimo espaço público. Mas isso é outra história.



Escrito por Fernando Jares às 19h32
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UM CHOCOLATE PARAENSE

MELHORES DA PROPAGANDA NO NORTE

Os publicitários de Belém deram de goleada, com performance superior aos nossos times de futebol, em um certame regional! Foi chocolate, de cupuaçu, daqueles purrudos. Bem, não foi propriamente em campo de futebol, mas na arena que eles entendem: na criação de anúncios. Foi no Show Up!, a avaliação dos melhores da publicidade regional, realizada pelo jornal, de circulação nacional, Meio & Mensagem, especializado em propaganda.

Na seleção (sem trocadilho...) relativa à região Norte, quase só deu criativo que trabalha e, pelo visto e comprovado, produz muito bem, pelas ruas de Belém.

Veja só as estatísticas:

- dos nove destaques para propaganda impressa, oito foram para três agências de Belém;

- dos três anúncios de rádio reconhecidos, todos são de Belém;

- dos cinco comerciais de televisão, três são de agências paraenses.

Ah! se a seleção brasileira jogasse como os publicitários cá da terrinha, como diria o sempre lembrado jornalista Edwaldo Martins.

E no time paraense a goleada foi garantida pela agência DC3, que assinalou a maioria dos tentos, isto é, conquistou a maioria dos destaques!

Vamos detalhar as peças.

IMPRESSOS

“Acento”, anúncio da rádio Jovem Pan de Belém, para o Dia Mundial de Combate ao Câncer, criação da DC3. Veja:


- “Balões”, um anúncio da DC3 para o Sistema de Ensino Universo homenagear Belém, em dia de aniversário da cidade.

- “Dia Mundial da Água”, a importância da água é destacada pela Mineração Rio do Norte, empresa instalada no oeste paraense, em anúncio da Galvão.

 - “Fumaça”, da DC3 para a Rádio Liberal, faz o milagre de vender um jogo do meu Paysandu com o Luverdense...

- “Ilusão de Ótica”, outro anúncio criado pela DC3, para a Escola de Propaganda, saudando o Dia Mundial da Propaganda, que é 4 de dezembro.

“O melhor exemplo de consumidor: roda em todo lugar e não gasta quase nada”, um anúncio com título-texto, é o heroico representante do Amazonas nesta categoria, criação da manauara Oana Publicidade para a revenda (VW) Mavel.

- “Aliança de Fé”, anúncio que apresenta compromissos e valores da Vale, patrocinadora oficial do Círio de Nazaré, criação da Galvão. Está aqui:

 

- “Revolução pelo trabalho. Ao invés de falar em crise, o Pará trabalha para crescer ainda mais. E melhor”. Um anúncio-manifesto com notória inspiração guevarista, da Vanguarda para o Governo do Estado, que já foi assunto neste blog (para ler, clique aqui).

RÁDIO

Em rádio foram selecionadas três peças, todas do Pará. E todas do Sistema de Ensino Universo, criação da DC3, com o título “Estresse”, 1, 2 e 3.

TELEVISÃO

- “Máquina” (teaser), da agência amazonense R2, para a sapataria Di Passo, no Manauara Shopping.

- “Marajó”, um filme criado pela Galvão para a Celpa, mostrando as ações da fornecedora de energia elétrica no Marajó, com cenas da ilha.

- “Silhueta”, volta a DC3, com um comercial para o Banco da Amazônia, que vende os serviços prestados pelo estabelecimento.

- “Subestações”, nova peça da Celpa, criação da Galvão, com belas cenas de Belém, anunciando novas subestações de energia elétrica.

- “Transformes”, um comercial cheio de recursos de produção, sobre a ideia dos Transformers, da R2, de Manaus, para as lojas Tecla Informática. E o Pará está presente: uma das lojas é na rua Pará...

Você pode ver todos os anúncios impressos, de rádio e televisão, com suas respectivas fichas técnicas, indo ao sítio eletrônico do Show Up!, clicando aqui. Para encontrar, basta passar o cursor em “Os melhores”, na guia superior e clicar em “Norte”, na guia que abrir.



Escrito por Fernando Jares às 19h39
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ALUMÍNIO PARAENSE: 25 ANOS

A ESPERA DE UM NOVO CICLO


Isto é um forno de produção de alumínio. E este é o Nº 1 da Albras, trabalhando há 25 anos.

Há exatos 25 anos o Pará entrava em uma nova era industrial, com o início de operação do primeiro forno de produção de alumínio da Albras, em Barcarena, cidade próxima a Belém. Era o dia 06 de julho de 1985.

A campanha publicitária de apresentação da nova companhia anunciou, poucos meses depois, o começo de um Novo Ciclo, associando-a a outros ciclos da economia regional, como o famoso Ciclo da Borracha, do início desse século, que tanto desenvolveu a vida pelas ruas de Belém. A inauguração oficial, já em plena produção, foi a 24 de outubro, com a presença do presidente da República, José Sarney.

Um grande investimento, de centenas de milhões de dólares havia sido feito até aquele momento, pelos acionistas Vale, então Companhia Vale do Rio Doce (51%), e NAAC, a Nippon Amazon Aluminium Co. (49%), uma associação de empresas e entidades japonesas, como grandes consumidores, banco privado e trading companies. O investimento acumulado, até hoje, chega a US$ 1,7 bilhão. Este ano a Vale negociou com a norueguesa Norsk Hydro a venda de sua participação na empresa.

Milhares de pessoas haviam trabalhado na construção da fábrica – chegaram a ser mais de 6 mil em determinado momento. Mais de 2 mil trabalhadores formavam o contingente operacional inicial, muitos deles recrutados pelo Brasil e pelo mundo, que produziria 160 mil toneladas/ano do metal.

Passados 25 anos a empresa cresceu muito. Hoje seu pessoal é predominantemente paraense e, dos que vieram de fora, muitos por cá ficaram definitivamente. Uma equipe competente que quase triplicou a capacidade de produção (em 2009 foram 453.781t de alumínio líquido), seja pela ampliação da capacidade nominal, seja pelo aprimoramento dos equipamentos, muitas vezes com inovações concebidas e desenvolvidas localmente. A série histórica aponta mais de 8 milhões de toneladas nestes 25 anos!

Na área social a Albras tornou-se referência nacional, seja no relacionamento interno, com a equipe de trabalho, seja com as comunidades vizinhas. Esse relacionamento conta com um bem estruturado sistema de comunicação que permite o fluxo de informações em todos os sentidos, interna e externamente, tanto com veículos formais de comunicação como na comunicação interpessoal.

Os empregados contam com uma ampla carteira de benefícios e a empresa já foi, por dez vezes, eleita uma das “Melhores Empresas para Você Trabalhar”, de todo o Brasil, pelas revistas Exame/Você S/A.

Os compromissos de cidadania e empresariais da Albras podem ser atestados pelas certificações internacionais que detém: ISO-9001 (sistema de qualidade), ISO 14001 (gerenciamento ambiental), OHSAS 18001 (sistema de saúde e segurança ocupacional) e SA 8000 (responsabilidade social), tendo sido uma das primeiras empresas brasileiras a obter os quatro certificados. Uma das pioneiras no Brasil no uso da Qualidade como princípio gerencial, conquistou, em 2007, o PNQ – Prêmio Nacional da Qualidade, o mais importante reconhecimento brasileiro à excelência em gestão.

Os índices ambientais da companhia são considerados excelentes e, a cada ano melhoram. Nos últimos quatro anos os investimentos ambientais foram superiores a R$ 110 milhões. E seu projeto de controle e redução de emissões de carbono obteve o disputado registro na ONU.

A crise internacional do final de 2008 afetou grandemente a empresa, que exporta a quase totalidade do que produz: o preço do alumínio caiu 39%, na média de 2009 em relação ao ano anterior. Mas a empresa não parou de investir, apostando na recuperação que já começa a se apresentar, embora lenta: se em 2008 teve média de US$ 2.600/t, em 2009 esta foi de US$ 1.580 e agora está pouco acima de US$ 1.900/t. Você pode ler todos estes dados e muitos mais acessando o Relatório da Administração e o Balanço Anual da Albras, disponíveis na internet, clicando aqui. As demonstrações contábeis da Albras estão entre as melhores do Brasil, segundo o Troféu Transparência (leia aqui).

Ao longo destes anos, transformando riquezas naturais do Pará (bauxita de Oriximiná e Paragominas, energia de Tucuruí) em recursos para a região, milhões de dólares foram injetados na economia paraense, em impostos diretos ou indiretos, em salários e benefícios pagos, em compras realizadas, em serviços contratados.

A implantação do parque industrial utilizando o alumínio da Albras, em que pensaram os pioneiros do projeto, não aconteceu, ou por falta de ação estatal (uma planejada ZPE criada há anos, nunca foi implantada; a Codebar foi uma falácia; assim como outros “pólos”, “verticalizações”, etc...) ou por falta de iniciativa empresarial. Há uma única indústria vizinha utilizando alumínio, e é de capital argentino... Assim, o esperado Novo Ciclo da economia ainda não aconteceu – uma parte apenas foi feita. Mas ainda há de acontecer.

Posso ser suspeito para escrever sobre esta empresa, pois nela trabalhei 20 anos. Mas não sou mais suspeito, a partir do momento em que assumo esta condição... É uma equipe muito boa, forte, trabalhando com uma visão de futuro clara, com objetivos em comum. Uma vez assim a qualifiquei: “Uma equipe de ouro produzindo alumínio”. Acredito nisso, porque é o que é.



Escrito por Fernando Jares às 17h47
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UÍSQUE COM GUARANÁ

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

"Tal como o peixe, que foi o último a descobrir a água, paraense hoje na meia-idade nasceu dentro de uma taça de guaraná."

Oswaldo Mendes, fundador e diretor da Mendes Comunicação, em “Propmark”, editado em São Paulo, uma das bíblias da publicidade brasileira.

 Jornalista das primeiras horas, publicitário da primeira linha nacional, Oswaldo Mendes, vez por outra, nos brinda com uma crônica. A mais recente foi publicada no Propmark, veículo especializado em publicidade, na edição em que comemorou 45 anos. Convidaram 45 dos mais importantes e reconhecidos criativos nacionais para escrever, cada um, sobre 45 assuntos que foram importantes nesses 45 anos. Gente de primeiríssima, veja só: Roberto Duailibi escreveu sobre “Gasolina”; Washington Olivetto sobre “Sutiã”; Alex Periscinotto sobre “Carro”; Neil Ferreira sobre “Máquina de escrever” e por aí. E o paraense Oswaldo Mendes... sobre “Guaraná”. Justíssima a escolha, pois com sua Mendes atendeu, e ajudou a estabelecer, a marca GuaraSuco como a mais importante no mercado dos guaranás pelas ruas de Belém, e no norte do Brasil. E, como paraense, sabe tudo sobre o guaraná que, para nós, é um ícone cultural, a ponto de a governadora Ana Júlia o utilizar para exemplificar a sua relação com os seus governados: “O povo é meu guaraná”, afirmou ela recentemente em seu blog (para ler, clique aqui).

A frase que destaquei aí em cima, que abre o texto do OM, é perfeita e verdadeira. Para mim, então. Sou daqueles que fui criado, literalmente, tomando guaraná... na mamadeira! Afinal, o papai fabricava um daqueles guaranás de antigamente, o “Guaraná América”, mas isso é outra história.

Vamos ao texto do Mendes:

“Tal como o peixe, que foi o último a descobrir a água, paraense hoje na meia-idade nasceu dentro de uma taça de guaraná.

Sim, era de bom-tom servir guaraná em taças, as mesmas que serviam o champanhe antes do advento do flute e antes da chegada das colas.

Depois do guaraná, a segunda bebida mais importante do Pará, no fim da primeira metade e no começo da segunda parte do século passado, era o uísque. O bom e genuíno escocês, em grande parte contrabandeado diretamente da origem.

Juntar o guaraná nosso de cada dia com o uísque importado parecia ser destino traçado pelos deuses, que nunca ninguém se perguntou sobre o pai da ideia pai-d´égua, como costumamos os paraenses saudar algo genial, bonito, fantástico.

Institucionalizou-se o uísque com guaraná em copos altos e com gelo.

Entendo como sinal de respeito às duas bebidas o fato de a sua mistura não ser batizada com nome, sequer apelido.

Uísque com guaraná – primeiro, o uísque, porque o paraense, sempre gentil, cede lugar para os seus convidados, para os mais velhos, os forasteiros...

O nosso guaraná e o uísque escocês têm praticamente a mesma cor, e assim nasceu uma confraria impensável e informal unindo, pelo mesmo copo, os apreciadores do uísque com os abstêmios, porque tomar guaraná em copo alto (quase sempre com gelo) virou moda.

As festas ora pareciam encontros de gente comportada, todos bebendo guaraná, ou farras de adoradores do uísque, conforme as preferências e os olhos de quem as enxergava.

Estudante descobrindo a América, descobri, trabalhando no metrô de Nova Iorque, um paraense há longos anos fora do Pará. Pôs-se ele a listar as coisas de que mais sentia falta e que, um dia, previa, ainda o trariam de volta à terrinha. Pois o guaraná era uma dessas saudades.”

Artigo publicado no Jornal Propaganda & Marketing, de São Paulo, edição comemorativa de seus 45 Anos. O texto eu o captei do sítio da Mendes Comunicação, aqui.

Tanto a taça com guaraná como o copo (alto) de uísque com guaraná e gelo, aí nas fotos são autênticos, da época dessa história. O guaraná é quase autêntico, afinal é o “Soberano” fabricado nos dias de hoje, com a antiga fórmula, de mais de 80 anos. O uísque, esse é de marca de uso atual: não consegui, por exemplo, o “White Horse”, o famoso e apreciado, à época, “Cavalo Branco”, popular, inclusive, entre as crianças, pelo disputado cavalinho de plástico que trazia no gargalo. A Rita, que resistiu tomando o uísque com guaraná enquanto havia os copos apropriados nas festas, adorou a produção e consumiu o conteúdo, feliz da vida...



Escrito por Fernando Jares às 19h10
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CAPOLAVORI!

O CARTÃO-POSTAL VIROU PUBLICITÁRIO

O cartão-postal é uma instituição bastante antiga. Nos moldes em que o conhecemos, data do século XIX, mas antes as pessoas já possuíam formas de mandar registros das coisas bonitas dos locais onde viviam ou visitavam. O cartão geralmente tem no anverso uma imagem e no verso espaço para mensagens, tipo pequenas cartas, bilhetes. É um modelo tradicionalíssimo de ferramenta de comunicação, que se mantém até os dias de hoje, a despeito da concorrência dos meios eletrônicos.

Belém tem tradição no assunto. Tradição e preservação: alguns colecionadores conseguiram levantar e guardar centenas deles, sendo que alguns formam o magnífico álbum “Belém da Saudade – A Memória de Belém do Início do Século em Cartões-Postais”, editado por iniciativa de Paulo Chaves Fernandes, à frente da Secretaria de Cultura do Estado, nos idos de 1996.

A utilização do cartão-postal como veículo para promoção publicitária também é bem antiga. O mesmo “Belém da Saudade” registra diversos desses cartões comerciais utilizados em Belém, no início do século XX. Tinham função subsidiária às cartas, bilhetes, etc., com a vantagem de levarem mensagem institucional da organização. São bastante conhecidos os da Fábrica Palmeira (veja dois modelos, clicando aqui), e do Paris N’América (também já mostrado neste blog: clique aqui). São ambos do início dos 1900. Tenho um da Palmeira que, no verso tem mensagem sobre o problema com um telefone, datado de 1920! Já naquela época! Mas isso é outra história...

De tempos bem mais recentes, 1985, tenho cá um, de uma série produzida pela Ciatur, uma agência de turismo. As fotos são da Hexa Produções. Veja um dos cartões:

 

Com a característica de veículo de comunicação publicitária regular, tendo empresas especializadas em sua produção e distribuição, o postal publicitário chegou ao Brasil a partir de 1998, com a instalação da empresa Mica, em São Paulo. O produto já circulava no exterior, pelo menos desde os anos 1980.

“Os postais publicitários são considerados mídias alternativas, que estão localizados em diversos pontos das cidades que possuem empresas especializadas nessa mídia. Eles ficam dispostos em displays, presos nas paredes de bares, restaurantes, boates, cinemas, farmácias, museus, universidades, hotéis, cursos, em praças de alimentação e nos lugares mais populares e podem ser retirados gratuitamente. É uma mídia não invasiva, pois os cartões são retirados espontaneamente, é uma mídia durável, sendo possível colecionar e na maioria das vezes ela traz mensagens publicitárias institucionais, promocionais, de eventos, marcas ou produtos. Os postais tendem a ser criativos para chamar atenção do público, que geralmente está em um momento de lazer na hora em que é atingido pela mídia, por isso percebemos o apelo contido das figuras chamativas na maioria deles. Qualquer empresa pode dispor da mídia cartão postal, pois não existem regras nem distinção para a sua utilização, desde que seja bem planejada para atingir os objetivos do anunciante.”

Quem nos dá essa aula sobre postais publicitários é a dupla Ana Carolina Lopes Cecílio e Raquel Vazquez Mattar, em “Mídia alternativa: um estudo de caso dos postais publicitários em Belém”, trabalho apresentado na conclusão do curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda, da Universidade da Amazônia (Unama), em 2009, tendo como orientador o professor Rodolfo Marques. Você pode ter acesso a esse interessante estudo, clicando aqui. A seleção de postais apresentada é muito legal.

O exemplar abaixo deve estar entre os primeiros feitos por anunciante do Pará, já no conceito de mídia regular, tendo como exibidora a Mica, e com circulação lá pelo sul. Peguei um exemplar em São Paulo! Apresentava, no verso, a programação do “Festival de Ópera Theatro da Paz” de 2002.

 

A primeira empresa a aportar em terras paraenses na produção e veiculação desta mídia foi a paulista Jockerman, trazida pelo Saulo Figueiras que para cá retornava, em 2006. O que para alguns poderia parecer uma aventura empresarial revelou-se um projeto de empreendedorismo de sucesso, tendo hoje expressiva participação no mercado anunciante e um grande número de fãs. Este postal, da própria Jockerman, fazendo networking e apresentando-se ao mercado, é dos inícios, de 2006:

 

A função utilidade do postal publicitário tem sido comprometida por muitos anunciantes, ávidos em ocupar todo o verso com monumentais mensagens... Não gosto disso, porque descaracteriza a peça. Vira flyer, filipeta, um panfleto melhorado, que me desculpem. Use-se a criatividade para escrever pouco e dizer muito.

Felizmente um grande número destes postais distingue-se pela alta qualidade criativa e de produção, como os dois que escolhi e mostro abaixo, que tenho entre os mais bonitos que conheço por estas bandas. O primeiro, do Círio de 2007, da própria Jockerman, é uma releitura de rara beleza da imagem tradicional de Nossa Senhora de Nazaré, com foto mágica de Walda Marques e um monte de gente boa envolvida na produção. O seguinte é o oposto em termos de produção, já que bem simples, mas de grande força criativa, pelo bom uso de ícones paraenses (açaí, tapioca e cuia) com grande impacto: o famoso mapa-múndi de açaí com tapioca, da agência de publicidade DC-3. Pequenas obras de arte na publicidade:

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Dizem as autoras do trabalho acima citado que uma das vantagens do postal publicitário é que é “possível colecionar”. Acertaram na mosca. Todo mundo coleciona postais publicitários pelas ruas de Belém. Quer ver o movimento, passe pelo Twitter da Jockerman, clicando aqui.

Eu os guardo desde os anos 1990, catados pelo Brasil e pelo mundo. E, para encerrar o papo, um internacional, italiano, da Volkswagen, vendendo a Lupo, modelo mini do final/início de século (fabricada até 2005). Amo esta peça. Na frente, que você vê abaixo, um detalhe da Mona Lisa (La Gioconda), de Leonardo da Vinci, com a informação de que mede 77cm e classificando-a como “Capolavoro”, ou seja, “obra-prima”. No verso há apenas uma frase, em corpo pequeno, no topo do cartão: “Per essere grandi non serve essere grandi”, o que traduzido quer dizer: “Para ser grande não precisa ser grande” e no rodapé, pequena assinatura do produto. Capolavoro!




Escrito por Fernando Jares às 19h22
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