Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog



Outros sites
 Cais do Silêncio - Literatura de Jason Carneiro
 Quarto Escuro - escritos, lidos, gostos e desgostos de Bruna Guerreiro
 Oníricos - O e-book de Bruna Guerreiro
 Cerveja que eu bebo - Cervejas bem bebidas, experiências compartilhadas.




UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


BANHO DE CHEIRO NA COZINHA

ERVAS E SEMENTES DO VER-O-PESO
GANHAM PESO NA ALTA GASTRONOMIA

Ainda sob o impacto dos festejos juninos e das muitas opções de cheiros para banhos oferecidas pela tradição das erveiras do Ver-o-Peso, o chef paraense Thiago Castanho, do restaurante “Remanso do Peixe”, estará no badalado festival “Paladar – Cozinha do Brasil”, em São Paulo, no final do próximo mês.

O festival é um grande encontro de 30 chefs, brasileiros e estrangeiros, e 17 especialistas, todos selecionados entre os melhores do Brasil, que estrelam workshops, palestras e degustações, com a participação de grande público. A promoção é iniciativa do suplemento semanal de gastronomia “Paladar”, do jornal “O Estado de São Paulo”.

Entre os chefs estão alguns astros dos grandes restaurantes do país, como Alex Atala, Ana Luiza Trajano, Carla Pernambuco, Edinho Engel, Helena Rizzo, Kazuo Harada, Lourdes Hernandez-Fuentes, Mara Sales, Roberta Sudbrack e o representante paraense.

A lista de especialistas tem gente como o renomado escritor Carlos Alberto Dória ou Manoel Beato, um dos maiores conhecedores de vinhos do Brasil e sommellier do “Fasano”.

O jovem Thiago Castanho comanda um workshop intitulado “Banho de Cheiro – As ervas e as sementes aromáticas da Amazônia”. Conforme explica site do festival (para acessar, clique aqui):

“Em suas andanças pelo mercado paraense Ver-o-Peso, Thiago Castanho foi além das ervas e raízes mais conhecidas, como a chicória do pará, o jambu, a alfavaca, o esturaque e a priprioca. Descobriu os aromas vendidos na seção das "mandingas", em que produtos como o cumaru e a amburana são usados na formulação de loções ou para perfumar gavetas e tabaco. Mas alguns foram parar na cozinha. Nesta aula, Castanho falará sobre esses produtos (pacovi, pacová, flor de vinagreira, puxuri, embiriba) e as possibilidades de uso na gastronomia, e também sobre os cuidados (alguns têm toxidade).”

O festival “Paladar – Cozinha do Brasil” dedicado ao público gourmet, acontecerá no hotel Grand Hyatt São Paulo, de 28 de julho a 1º de agosto, como um grande painel da cozinha brasileira, integrando e analisando ingredientes, técnicas, tradições e perspectivas para o futuro.

Veja aqui abaixo uma das muitas fontes do Thiago, na busca por novidades em sementes e ervas da região, a barraca do João, na feira do Ver-o-Peso, em foto que ele publicou no microblog Twitter, dentro da série “40 lugares pra conhecer antes de sair do Ver-o-Peso”. Mas ele não as busca apenas pelas ruas de Belém, também pesquisa diretamente com os produtores, no interior do Estado. Mas isso é outra história.




Escrito por Fernando Jares às 19h41
[] [envie esta mensagem] [ ]



“ÊTA, BRASIL BOM DANADO!”

BRASIL, COPA E GOVERNO, ONTEM E HOJE

Época de Copa do Mundo, época de eleições, bom momento para olhar o desempenho do nosso Brasil há uns tantos anos e comparar com o de hoje. Quanto mudou! Quanto mudou?

Revendo uns guardados na minha caixinha de folhetos de cordel, encontrei o “Poema dos Campeões”, do compositor e cantor Luiz Vieira. Muita gente conhece o Luiz Vieira, criador de clássicos como “Prelúdio Pra Ninar Gente Grande”, conhecida geralmente como “Menino Passarinho” e de “Menino de Braçanã”, músicas dos anos 1950, mas que ainda tocam bastante, especialmente entre os seresteiros. A Rita, que gosta do estilo, bem sabe estas músicas...

Pois bem, este Vieira, houve tempo, lá pelos inícios dos anos 1960, circulava cá pelas ruas de Belém todas as semanas, para apresentar-se em programas na Rádio e na TV Marajoara. Era o maior sucesso, lembro bem, todo mundo cantava as músicas dele. Aliás, o cantor tinha programas deste tipo em outras cidades pelo país.

Após a conquista da Copa de 1958 ele, que era nordestino, nascido em Caruaru, embora de família carioca, escreveu uma narrativa da grande vitória nacional, em versinhos ao estilo do cordel, embora sem ater-se às regras desse tipo de poesia. Foi o “Poema dos Campeões”, que teve uma edição “paraense”, patrocinada pelas Lojas Rydan, loja que havia, na época, ali no centro comercial. Veja a capa e a quarta capa do folheto:


Mas o que tem essa história com o começo deste post? O começo do poema do Luiz Vieira. Leia aqui:

Poema dos Campeões

Luiz Vieira

Êta, Brasil bom danado!
Esse Brasil meu patrão,
Que cum onze jogadô
Balança quarqué Nação!
Êta Brasí bom danado
Que é sempre mal falado
Por nós mesmo, muita vez,
Se fala mal do gunverno,
Da farta de condução,
Se fala da farta dágua.
Da farta de direção,
Da descida do cruzêro
E da subida do feijão.
E agora a 204 creando essa confusão,
Se fala de tanta coisa
Que farta nesse Brasí
Que farta nessa Nação.

Pois é, né... A verdade é que ainda temos problemas de condução, de água, etc. Mas os “onze jogadô” ainda balançam a nação. Como disse o jornalista e crítico de cinema Pedro Veriano, sexta-feira passada, no Twitter, “Só mesmo uma bola e 22 pés conseguem parar uma cidade”, ao que complementei, “um país”...

Pra quem não entende essa “204”: foi uma resolução do governo Jânio Quadros, fazendo alterações no sistema cambial... e mexendo com o bolso de todo mundo.

Mas Brasil é Brasil e o cantador acredita nele:

Mas na hora que ele entra
Pra resorvê a questão,
Seja a questão pruquê fô,
A gente fica torcendo
Prá ele sahí vencendo
Cum raça de vencedô

No futebol, então, nem se fala:
Êta, Brasí bom danado
Que mostrô lá no gramado
Das Orópa sim sinhô,
Cumo é que se joga bóla
Cum meu amigo Feola
Comandando os jogadô.
 

Como em duas atuais, a seleção de 1958 foi para a grande disputa um tanto desacreditada e trouxe um resultado extraordinário e inesperado. O poeta aproveita para criticar os que não acreditaram no “Brasí valente”:

Taí, o Brasí valente,
A selecão que muita gente,
Mitida a intiligente,
Num queria acreditá,
A prova da nossa raça,
Taí afiná na Taça,
Que a seleção foi buscá.

E pra você, meu cumpanheiro,
E que sem fé no Brasileiro,
Ficou intão duvidando,
Se o Brasí ia ganhá,
Deve está se invergonhando,
E cum certeza até chorando,
Agora vá aguentando,
Porque nós tamo infiando,
Só de leve, divaga!

RIO, 17/4/61

LUIZ VIEIRA



Escrito por Fernando Jares às 12h07
[] [envie esta mensagem] [ ]



FEIJOADA AFRANCESADA

FEIJÃO MARRAVILHA CARRIOCA!

Sábado. Rio de Janeiro. 13h. Restaurante. Almoço. O que escolher? Quem respondeu feijoada carioca, passou perto da minha opção, há dois sábados. Ops, omiti uma informação, a nacionalidade do restaurante: francês.

Estávamos no “66 Bistrô”, o restaurante do chef Claude Troisgros, comandado por seu filho Thomas Troisgros, que faz um casamento das cozinhas brasileira e francesa. Por sinal, no segundo andar do “66 Bistrô” fica o Atelier Troisgros, para eventos gourmets e que é o cenário da primeira parte dos programas “Que marravilha!” todas as semanas (quintas, 22h, com reprises) no canal GNT.

E lá havia, sim, buffet com sortida feijoada conforme o padrão carioca mais tradicional, no figurino mais moderno, isto é, com as carnes & adereços separadas do feijão pretinho e identificadas, etc.

Mas havia também uma tradição das terras de Troisgros. Lá estava o Cassoulet. É o que se pode chamar de feijoada à francesa.

Voltemos ao almoço. O buffet oferece uma variedade de saladas que atende muito bem aos preocupados com o peso ou com o estômago... O buffet das feijoadas (R$ 58,00) era variado, como se requer à clássica carioca, inclusive com uns torresminhos pra lá de gostosos.

O ritual se iniciou pela opção dos quatro comensais, Larissa e Jason, Rita e eu, pelo buffet de feijoada. Abrimos mão do tentador cardápio do restaurante (faz parte da Associação da Boa Lembrança), onde já estivéramos antes, quando degustei uma “Truta assada ao vinagrete”.

Tudo começou com um caldinho de feijão. Delicioso!

Mas deixa contar: até hoje não encontrei igual a certo caldinho que havia no “restaurante da Castorina” (que tinha nome oficial, mas todos identificavam pelo nome da proprietária), na Vila dos Cabanos, em Barcarena, no início dos anos 1990. Um caldinho convencional, muito gostoso, coberto com uns temperos verdinhos e com uns torresmos espertíssimos no fundo, não sei como, sempre torradinhos. Às vezes a gente ia lá só para tomar o caldinho, com cerveja! Depois ia jantar na picanharia, mas isso é outra história, não é Andrea e Nelson?

No “66 Bistrô” foram-me oferecidas duas cervejas: a nossa Cerpa e a “Therezópolis Gold”. Fiel bebedor de cerpinhas pelas ruas de Belém, optei pela cerveja da vizinha cidade ao Rio e fui à “Therezópolis” (R$ 10,00), uma pilsen, de baixa fermentação. Plenamente aprovada e repetida.

Não fui à feijoada carioca, da qual temos boas e saborosíssimas versões em Belém. Fui à opção à francesa, que já era o meu objetivo... Olha o meu prato de cassoulet, olhando pra gente:


Este parente da nossa feijoada é feito com feijão branco e carnes, com destaque para o confit de pato, frango, porco, linguiça, etc. Para ver a receita do chef Claude Troisgros, apresentada no programa “Menu Confiança” clique aqui e delicie-se. O cassoulet é apresentado em uma travessa funda muito bem arrumadinha. Merece registro uma farofa feita com farinha panko, produto originário da culinária japonesa. Perfeita. Pra quem, como eu, é doido por farinhas e farofas, foi uma festa, repetida, tripetida...

Confirmando a expectativa, foi magnífico este almoço franco-carrioca no “66 Bistrô” (para ir até o site, clique aqui). A criação de Claude Troisgros, sobre um clássico da culinária francesa, é uma delícia, digna dos melhores palatais. De deixar o cidadão satisfeito e, principalmente, feliz.

Mas não dispensei a sobremesa. Sim, senhor. Escolhi um “Creme Brulée Lutece” (R$ 16,00) que vem a ser um creme, tipo um pudim, de leite, gema de ovo e açúcar, consistente, muito macio, coberto com açúcar e queimado com um maçarico, formando uma cobertura caramelizada. Veja a carinha dela, aqui embaixo. Ulalá! Que marravilha!

 



Escrito por Fernando Jares às 16h12
[] [envie esta mensagem] [ ]



O POETA FOI ASSIM

UMA LINHA ENTRE O IMAGINÁRIO E O REAL

A brilhante “Geração de 45” no Pará, de poetas modernistas e assemelhados, ancorados no Suplemento Literário do jornal Folha do Norte, liderados pelo professor Francisco Paulo Mendes, deu um nível extraordinário de qualidade à cultura escrita do nosso Estado. Daquele caldeirão de produção intelectual surgiram, ou se afirmaram, nomes que são referência na literatura pelas ruas de Belém. Alguns já se foram, outros estão conosco, a dar exemplo admirável de vitalidade. Um desses nomes completa 90 anos de nascimento neste dia 25: Ruy Guilherme Paranatinga Barata. Falecido há 20 anos, em 23/04/1990. Ruy está aqui ao lado, em caricatura de um poeta dos traços, Biratan Porto. Está o próprio!

Nesta quinta Ruy Barata ganhou homenagem com um dia de discussões sobre sua obra na UEPA, que referi no post de ontem, imediatamente abaixo. Um reconhecimento mais que merecido.

Nos dias atuais RB é muito mais conhecido, mas muito mesmo, como autor de algumas das mais bonitas composições paraenses do final do século passado, com belas músicas do filho, Paulo André Barata – vide os clássicos “Foi assim” e “Pauapixuna”. Uma dupla de grande valor.

Ruy Barata foi político ativo, com origem no oeste paraense, filho de Santarém (25/06/1920): deputado estadual e federal, usou o mandato em favor das causas em que acreditava e pelas quais lutou toda a vida, fazendo oposição ao “baratismo” nos tempos do domínio de Magalhães Barata por estas terras, trilhando pelo socialismo e enfrentando a ditadura militar, o que o levou algumas vezes à prisão, obviamente política, e sofreu muitas represálias. Para conhecer mais sobre sua vida, clique aqui.

Ruy teve participação intensa no Suplemento Literário da Folha, no final dos anos 1940, não apenas como poeta colaborador, mas como jornalista, na elaboração do suplemento. Antes, fora colaborador da histórica revista Terra Imatura.

Em 1951 lançou seu segundo livro, “A Linha Imaginária”, e aqui está o poema que dá título ao livro, tal como publicado (apenas alguns ajustes nos acentos) na “Antologia da Cultura Amazônica”, de Carlos Rocque (Amazônia Edições Culturais, 1970):

 A Linha Imaginária

Vida suplementar,
tão próxima de nós,
tão evidente,
nas dobras deste enigma sereno.
Um pensamento só – voltar à infância,
um desejo qualquer – basta a esperança,
e refloresces em dádivas e gestos.
Este braço de mar é teu, - podes guardá-lo
esta paz, este azul, este piano,
esta nesga de céu que o vento espalha.
Tudo tão próximo de nós,
tão ligado ao teu cotidiano,
ao teu suor diurno,
às tuas vigílias,
às tuas palavras que emprestas
uma outra significação.
Só agora compreendes a tua absurda neutralidade diante deste fim de tarde,
deste sino que é a tua primeira e única memória musical,
desta noite, caindo leve sobre a tua cidade.
Só agora buscas o espelho que procuras evitar,
só agora tentas restabelecer os elos que ainda justificam tua mísera existência, reconstituir todos os fatos, - mesmo os não evidentes -
o Fiat,
a Paixão,
os elementos,
o riso do amigo mais amado.
Só agora te permites a liberdade deste gesto fraterno.
Só agora ousas confessar a saudade que há tanto tempo agasalhaste na sombra,
de ti mesmo,
dos teus brinquedos favoritos,
da mansa voz do teu primeiro amor.
Só agora te banhas desta aurora,
tão próxima de nós,
tão evidente,
nas dobras deste enigma sereno.

 Estivemos juntos na criação da APCLI – Associação Paraense de Compositores, Letristas e Intérpretes, nos idos de 1968, presidida por Dilermando Cabral. Veja abaixo matéria publicada na coluna “Tom Maior”, da sempre lembrada professora e jornalista Elanyr Gomes da Silva, que naquela época assinava Lana, em A Província do Pará de 21/07/1968, cujo trecho reproduzo a seguir:


O sr. Dilermando Cabral, escolhido por unanimidade para estar à frente da Associação Paraense de Compositores Letristas e Interpretes, concedeu a "Em Tom Maior" a entrevista cujo teor vai nos pôr a par do que é a nova agremiação.

  O que é a Associação Paraense de Compositores, Letristas e Interpretes?

  É uma entidade de caráter civil e fins não lucrativos que visa congregar, não só aqueles que em nossa terra fazem música mas todos os que se interessam de alguma forma pela música, seja compositores, autores, intérpretes, pesquisadores, etc.

  Qual a sua Diretoria?

  A primeira Diretoria da APCLI, eleita em Assembléia Geral realizada no mês de junho pp. é constituída dos associados:

Dilermando Guedes Cabral — Presidente

Altino Tavares Pinheiro — Vice-Presidente

Déa Castro — Secretária

Miguel Cohen — Tesoureiro

José Cláudio Pinheiro — Relações Públicas e mais uma Comissão Artística, composta dos poetas e compositores:

Ruy Barata — João Jesus de Paes Loureiro e De Campos Ribeiro.

Como consultor jurídico temos o Dr. Paulo de Tarso Klautau de Araújo e como Presidente da Assembléia Geral o Sr. Fernando Jares Martins.

  Quais as suas finalidades ?

  As finalidades da Associação Paraense de Compositores, Letristas e Intérpretes além das finalidades básicas enunciadas anteriormente, qual seja a de congregar todos aqueles que se interessam de alguma forma pela música, seja criando-a, pesquisando-a ou promovendo-a estão definidas de maneira bastante clara em nossos estatutos.



Escrito por Fernando Jares às 19h13
[] [envie esta mensagem] [ ]



TRÊS VEZES SANTARÉM

 


Enquanto ontem foi aniversário de Santarém, hoje, mocorongos e amigos, fazem show no Margarida Schivasappa, com a arte do povo daquela Terra Querida, amanhã (quinta, 24) um santareno dos bons, ganha homenagem pelas ruas de Belém, porque faria 90 anos na sexta (25/06): Ruy Guilherme Paranatinga Barata. Amanhã ele faz a pauta deste blog.

Veja a programação que foi montada para lembrar a data, pelo Grupo de Estudos Culturas e Memórias Amazônicas (CUMA), conforme divulgado no site Guiart, onde você encontra até um vídeo sobre o poeta.

RUY BARATA 90 ANOS

9h -10h: Conferência de abertura: Benedito Nunes
10h -12h:
Mesa Redonda
Prof Msc. Denis de Oliveira Bezerra (Mediador)
Profª Drª Josebel Akel Fares
Prof. Dr. José Guilherme Fernandes
Prof. Msc. Alonso Junior
16h - 18h:
Mesa Redonda
Profª Venize Rodrigues (Mediadora)
Prof. Edgar Augusto
Prof. Ruy Antonio Barata
Escritor Alfredo Oliveira
Programação Cultural:
Show em homenagem a Ruy Barata, com a participação dos artistas Nego Nelson, Dadadá, Kzam Gama, Paulo André Barata, Andréa Pinheiro e Toninho Aben Atar.
Recital de poemas com o grupo Griô.
Local: Auditório do Centro de Ciências Sociais (CCSE) e Educação da Uepa – Av. Djalma Dutra, s/n
. Informações: (91) 4009-9539 Entrada Franca.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h24
[] [envie esta mensagem] [ ]



O TRI EM 1970

MEMÓRIA EM CORDEL

A memória da conquista da Copa do Mundo, em 1970, pode ser contada também por meio dos poetas de cordel que, há 40 anos, versejavam, ritmadamente, pelas ruas de Belém.

Um dos mais populares da época era Joaquim Mendes do Nascimento, o auto-intitulado “Rei das Tapiocas” (já escrevi sobre ele em época de Círio. Para ler, clique aqui), porque as vendia, e de boa qualidade. Ele era um autor costumeiro e rápido, naqueles pequenos livretos, normalmente de oito páginas, que caracterizam o cordel. Além de acompanhar sua produção durante alguns anos, trabalhei com ele na produção de alguns folhetos com objetivo publicitário.

Para eternizar a conquista da Copa de 70 ele foi mais fundo e escreveu um livreto bem maior (15x21cm), com 36 páginas, chamando-o de revista. Veja a capa da publicação, datada de 1 de julho de 1970 e a primeira página, até com o autógrafo do autor e, no rodapé, o anúncio de um bar muito conhecido e frequentado, “O Barbinha”:

 .

Começava com grande louvação à conquista, homenageando, inclusive o presidente-militar da época, caracterizado ao país, pelo sistema de comunicação oficial, como grande torcedor e envolvido com a conquista, para em seguida apresentar-se aos leitores:

Salve 21 de Junho
Salve o ano setentão
Salve o General Garrastazu
Salve a nossa seleção
Salve eterna Santa Cruz
Salve o Glorioso Jesus
Salve e Brasil Tri-Campeão

Desportista do meu Brasil
Leiam a grande narração
Na linguagem de um trovador
Nascido lá no sertão
Do Nordeste Brasileiro
Escreveu um mês inteiro
Saudando o Tri-Campeão

Em seguida conta dos festejos e logo resumindo a fase das eliminatórias, citando o discutido jornalista João Saldanha, que foi treinador da seleção nessa fase, e que era chamado de “João sem medo”, ainda hoje motivo de discussão, especialmente sobre os reais motivos de ter sido afastado do posto.

Todo povo brasileiro
Festeja com justa razão
As vitórias do Brasil
Desde a classificação
Ainda nas eliminatórias
Quando obtivemos as glórias
Para o mundial setentão

Ganhamos o Paraguai
Colômbia e Venezuela
Para início de conversa
Entraram em nossa panela
O assunto não é segredo
Foi trabalho de "João sem Medo"
Na seleção verde-amarela

E por aí vai, detalhando cada um dos jogos, tecendo loas aos atletas-herois. De cada um dos jogos, publicou um quadro com os dados principais da partida, sempre acompanhados da narrativa poética, como na partida final:

Estava em nosso caderno
Era a conta mais antiga
A Itália nunca pensou
De se apagar pra formiga(*)
Apelaram pro pontapé
Chutaram o Rei Pelé
Dos pés até a barriga
...
Restava só um minuto
Pra ficar tudo sanado
Uma Itália derrotada
E um juiz encabulado
Um formigueiro que se assanha
Uma Copa do Mundo ganha
E um Brasil regosijado

(*) Os jogadores da seleção de 70 eram chamados “as formiguinhas do Zagalo”, em notória oposição ao título ligado ao treinador anterior, quando eram “as feras do Saldanha”.

Pelé teve direito a um acróstico:

Rascunho de um trovador
Eterna recordação
Ilustrando uma conquista
Patrimônio da Nação
Efetivando uma saudade
Lembrando a realidade
Élegendo um galardão

Pouco falou da cidade, mas registra que os festejos se espalharam por todos os bairros:

Belém do Pará vibrou
Com a vitória brasileira
Jurunas, Cremação e Marco
São Braz, Cidade Velha e Pedreira
Matinha, Campina e Guamá
Todo mundo a festejar
A tarde e a noite inteira

Ou ao associar a Copa aos festejos juninos na cidade:

O dia de Santo Antonio
Na cidade das mangueiras
Ofereceu um colorido inédito
No acender das fogueiras
E no meio da multidão
Samba, foguete e balão
Todo tipo de bandeiras

Encerra com os elogios de praxe:

Aos jogadores brasileiros,
Que honram nosso pendão
Deixo aqui consignada
Minha imensa gratidão
Pelo Tri-Mundial invicto
E a posse do canecão

Como visto lá no início o poeta comercializou espaços e conseguiu vender 35 anúncios! A maioria deles, na forma de rodapés, mas os tinha de página inteira. Isso mostra que era conhecido e respeitado na cidade.

Disse ontem que o GuaraSuco era o refrigerante mais presente na cidade. E aqui estava ele, patrocinando a contracapa da publicação:


Para alguns anunciantes o “seu rei”, como eu o chamava, fez ele mesmo os versos, como para a famosa tacacazeira Judith, “A Jurídica”, colada na antiga faculdade de direito. Respeitada a grafia original, como em todas as estrofes aqui publicadas. Leia:

A JURÍDICA

Aquele seu tacacá
É com a dona Judith
E tem outras coisas mais
Para o seu bom apetite
Conheça a realidade
Lá no Largo da Trindade
Vá depressa e não exite

Tem vatapá, tem caruru
E bôlo de macacheira
Quitutes apetitosos
Da cozinha brasileira
Quando quiser compareça
Da “Jurídica” não esqueça
A nossa tacacaseira

Tucupi puro e gostoso
A dona Judith vende
Higienicamente preparado
Conforme você pretende
Na matriz ou filial
A “Jurídica” é genial
E do artigo ela entende.

Outros poetas populares também cantaram a grande conquista, como a dupla J. do Carmo e Manoel L. Alves, que dividiu o trabalho em etapas. Tenho apenas o primeiro, que vai até o jogo Brasil 4 x Peru 2:

Vencemos Checoslováquia
e a temerosa Inglaterra
Romênia não deu pra nada
com Peru tudo encerra
Viva o nosso Brasil
esta abençoada Terra.

Talvez com posição política diferente do autor anterior, estes não dão crédito da façanha às autoridades militares e, muito menos, ao general-presidente. No final, cantam o país:

O Brasil é sempre Brasil
graças a Deus nosso pai
o Brasil com Jairzinho
escorrega mas não cai
vamos ver o que faremos
enfrentando o Uruguai.

Outros houve, mas o papo já está muito longo. Ainda tenho mais assunto da Copa 70, mas fica para mais adiante.



Escrito por Fernando Jares às 18h48
[] [envie esta mensagem] [ ]



21 DE JUNHO, O DIA DO TRI

OS FESTEJOS DO TRI, INSPIRADOS PELO GUARANÁ

Na euforia da vitória de ontem, passou com pouco destaque a data de hoje: os quarenta anos da conquista do tri-campeonato mundial de futebol, com a posse definitiva (até que foi roubada e derretida!) da Taça Jules Rimet.

Pra quem quiser reviver os gols daquela tarde, basta clicar aqui onde o som é um misto de tevê e rádio...

A conquista foi muito festejada por todo o Brasil. Não na dimensão em que isso acontece hoje... a cada jogo. Mas a festa também foi grande pelas ruas de Belém. Para ter uma ideia: o GuaraSuco, que era o líder dos refrigerantes no Estado – cujo slogan até hoje é lembrado por muitos, “GuaraSuco está em todas” – estava na festa. Uma grande comemoração foi organizada em conjunto com a Super Rádio Marajoara e o Departamento Municipal de Turismo, na praça Justo Chermont, ou o Largo de Nazaré ou ainda CAN, que vem a ser a praça Santuário de Nazaré. A Rádio Marajoara era lá, acho que onde há uma agência do Banco Real. A festa foi em um palanque armado em frente ao prédio da rádio, com atrações do famoso elenco da emissora e convidados, na base de muito carnaval.

Carros de som (bocas de ferro) percorreram a cidade convidando o público para ir à festa: caminhões de distribuição do refrigerante foram utilizados, nessa tarde de domingo, para levar o pessoal pra festa. Ônibus também foram contratados. E a praça encheu. Nos carros de som (Rauland, Buraco e cia.) liam-se mensagens-convite como esta:

 

Pois é, eu estava no meio do tremendo desafio que foi realizar tudo isso. Que só pode ser deslanchado no momento em que o Brasil conquistou o título, obviamente. Tudo organizado pela equipe da Mendes Publicidade (hoje Mendes Comunicação), onde eu era novato na época, do pessoal de promoção do GuaraSuco, uma turma pra lá de virada e experiente, com apoio dos parceiros na promoção. Foi muito legal. E guardei nos meus guardados os textos (datilografados!) que ajudei a redigir e que distribuía aos locutores dos carros.

Outra preciosidade que guardei daquela grande data foi o compacto, de vinil, lógico, com a gravação de “Pra frente, Brasil”, do compositor e jinglista Miguel Gustavo – o melhor jinglista da época e um dos melhores da história da publicidade brasileira, que faleceu pouco depois da Copa de 70. Ele foi o vencedor de um concurso promovido pelos patrocinadores da Copa na televisão, Souza Cruz, Gillette e Esso, muito dentro do esquema de comunicação do governo militar. Você pode relembrar esse sucesso, com o Coral de Joab, clicando aqui. Veja abaixo um exemplar distribuído pela Souza Cruz entre as emissoras de Belém, carros-som, etc. No Lado B existe a versão instrumental da mesma composição, com a famosa orquestra Guerra Peixe.

 

Amanhã vamos conversar mais sobre esta conquista, na narrativa de poetas populares de cordel. E lembrar uma homenagem ao feito, que resiste até hoje.



Escrito por Fernando Jares às 20h16
[] [envie esta mensagem] [ ]



A TRAJETÓRIA DO CARIMBÓ

PESQUISA ESTUDA O CARIMBÓ EM BELÉM

Não é todo dia que você tem um doutor de verdade falando sobre o carimbó. Pois é isso que acontece nesta terça-feira (22/06), no espertíssimo programa “Saber da Fonte – Diálogos sobre a Cultura Amazônica” (já escrevi antes sobre, leia clicando aqui).

Com o tema “Da tradição, da modernidade e do desaparecimento: ambigüidades sobre a trajetória do Carimbó em Belém do Pará”.

Paulo Murilo Guerreiro do Amaral – Pesquisador (Pós-Doutorado) UFPA/ICA – aborda em palestra no IAP dois importantes aspectos imbricados na história da música e da dança do Carimbó, pelas ruas de Belém, a partir da década de 1970. Conforme divulgação, a palestra mostra, primeiramente, a dicotomia entre as noções de “tradição” e “modernidade” presente nos discursos sobre a música nas obras dos emblemáticos carimbozeiros Pinduca e Mestre Verequete. Em segundo lugar, a gradativa (e também relativa) cristalização de uma manifestação popular frente às demandas estético-culturais urbano-cosmopolitas e a tendência folclorista de “resgate” e “preservação” das expressões tradicionais.

A palestra será no Auditório do Instituto de Artes do Pará (Praça Justo Chermont, 236, às 18h30. Entrada gratuita.



Escrito por Fernando Jares às 19h58
[] [envie esta mensagem] [ ]



A TORRE DE BELÉM

A MUDANÇA DA TORRE PARA BELÉM

A equipe do programa “MTV na Pista”, que hoje chega a Belém, vai ter uma decepção, embora a agenda na cidade seja das melhores. É que, pelo visto (ontem) no blog do programa, no site do canal MTV, a equipe pretende encontrar aqui uma certa belíssima Torre, que cá não está! Veja:

 

Temos algumas torres expressivas em Belém, sejam as centenárias de algumas igrejas, ou as bem modernas, como as nossas torres (quase) gêmeas, de 40 andares cada. Mas nenhuma se assemelha a essa, a multicentenária Torre de Belém. Tudo bem, ela é de Belém, mas Belém lá de Lisboa, não a Belém cá do Pará. Também é verdade que muitos dos intrépidos navegadores lusitanos que nos visitaram naqueles tempos coloniais, saíram exatamente dessa imponente torre para a grande aventura de atravessar o Atlântico e conquistar a Amazônia. E é verdade que, ainda hoje, belenense que visita Lisboa, não deixa de ir à Torre de Belém, por motivos mais que óbvios; de tirar uma foto sobre um certo mapa-mundi que existe no calçadão em frente e que indica as grandes navegações; dar uma olhada no belíssimo Mosteiro dos Jerônimos, em frente; e, por fim, comer uns “autênticos pastéis de Belém”, logo adiante – e que vem a ser algo muito parecido, e imensamente mais gostoso, com aquilo que comemos por cá como pastéis de nata.

Os visitantes emeteveistas podem ver belas atrações em Belém, como a Estação das Docas, o Museu de Arte Sacra, a Casa das Onze Janelas, igrejas centenárias, o Goeldi, o São José Liberto, provar nossa culinária. E curtir a pauta do programa, que inclui, segundo o site, o Old School Rock Bar, o Café com Arte, a Gaby Amarantos, o “bar da Valda”, o Tupinambá, o Cangalha, etc. Tudo isso é muito bom. Mas não temos a Torre de Belém. É uma pena. Mas, com tudo que a cidade tem a oferecer, especialmente o talento de nossos artistas, terão uma excelente compensação. Mas, que fique muito claro: a torre que eles imaginavam ver aqui, fica em Lisboa.

A pista foi dada pelo @belemtevi no Twitter e eu fui logo olhar no site do “MTV na Pista”, de onde fiz o print aí em cima.

Segundo um observador desta cena, a confusão deve ser coisa do Google Imagens...: ao ser pesquisado sobre Belém, deve ter apontado a foto da bela torre – o que deve ter empolgado tanto o pesquisador, que nem se deu ao trabalho de checar o local!

Sejam bem-vindos, tenham um excelente trabalho, uma boa diversão e, um dia, uma boa viagem a Lisboa, para ver (ou rever) a monumental Torre de Belém, no bairro lisboeta de Belém.

MTV FAZ A CORREÇÃO: Pela manhã o site da MTV ainda apresentava a Torre de Belém, mas por volta do meio dia o erro já havia sido corrigido, entrando uma foto do Ver-o-Peso. Quem clicar agora no link da MTV vai achar a imagem certa. Tomara que a equipe tenha visto a correção antes de embarcar...



Escrito por Fernando Jares às 11h12
[] [envie esta mensagem] [ ]



A COPA EM POESIA E TABELAS

A PÁTRIA EM CHUTEIRAS JOGA NA ALMA

Um dia Drummond escreveu assim:

“Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.”
(Carlos Drummond de Andrade, poeta). 

Só mesmo um esporte que é jogado na alma pode mover tantos milhões de pessoas, particularmente, neste nosso Brasil, il, il, il, il. Só mesmo algo que é sentimento, que vive n’alma, pode fazer tanta gente torcer por onze “guerreiros” nacionais (alguns até já um tanto desnacionalizados) em batalha numa arena tão distante. Drummond tinha razão, o futebol é coisa d’alma.

Li ontem, no blog do poeta Ronaldo Franco, uma crônica-poema desse grande jornalista-poeta-cronista que foi Armando Nogueira, que este ano faleceu. Ronaldo chora a falta de algum rastro de poesia nesta Copa 2010, com as palavras do Nogueira sobre o Pelé, escritas em 1988, em O Globo:

“Lá vai Pelé, com a bola que Deus lhe deu.
Os pés em faca, incisivos, cortando o tempo,
cortando caminho,
cortando beques.

Inúteis as pernas
que tentam aterrá-lo em plena corrida.
Ele é uma força da natureza que avança,
intangível,
traçando no campo a sombra vertiginosa
de falsas hesitações.

Quem te deu semelhante equilíbrio, rapaz?
De que mistério vem
a inteligência dos teus músculos
que tudo pressentem na geometria dos dribles?

Os anjos que sobrevoam este campo me juram que tu vieste
ao mundo para reescrever a bíblia do futebol.

Assim seja”

Hoje começa a participação brasileira em mais uma Copa. Lá estão os heróis nacionais, “a pátria em chuteiras”, no dizer de Nelson Rodrigues. E lá vamos nós, milhares de quilômetros distante, a sentirmo-nos lá dentro do estádio, a pular os alambrados, para dar aquele chute fatal para o inimigo, embora, talvez, nunca tenhamos dado um chute a gol...

Hora de contar pontos, calcular quem vamos encontrar na próxima fase, certos de que desta passaremos, mesmo com as restrições que todos nós temos à seleção. Assim é neste 2010, assim é ano a ano, ou melhor copa a copa. Para facilitar essa operação de acompanhamento, existe uma instituição: a Tabela da Copa. Não é coisa nova, não; Eu tenho uma dos meus tempos juvenis: é bem antiguinha. Veja só:


É da Copa de 1962, no Chile, quando o Brasil ganhou seu bicampeonato. Fora campeão em 1958, como a tabelinha, redonda, indica. Nessa época eram apenas 16 seleções que chegavam à campanha final. E duas entravam sem eliminatórias: a seleção-sede e a campeão da copa anterior. Veja agora o verso da tabela:


Duas janelas informavam sobre os jogos e possibilitavam anotar os resultados dos jogos. Fica difícil de ler, mas está lá, embaixo, a final: Brasil 3 x Checoslováquia 1.

Repare que a tabela, “uma oferta” da Philipps, foi distribuída aos clientes de que loja? Não é fácil ler, mas fique sabendo que é a hoje onipresente cadeia de Lojas Yamada. Naquele tempo havia apenas a da Manoel Barata.

Repare também no design dos aparelhos anunciados, especialmente a televisão e o “radiofone”, também conhecido como “eletrola”, com rádio.

Essa tabelinha me acompanha ao longo destes últimos 48 anos. Foi amuleto de boa sorte em mais três copas. Em outras foi figurante.

Agora, vamos ao Brasil, il, il, il, il.

Uma curiosidade: este ano consegui uma outra tabelinha redonda, só que virtual, interativa, rica em detalhes. E você pode desfrutar dela, clicando aqui ou vendo-a aqui embaixo:

 



Escrito por Fernando Jares às 09h50
[] [envie esta mensagem] [ ]



COMENDO NA ÁFRICA DO SUL

AVENTURAS GASTRONÔMICAS NO PAÍS DA COPA

Querendo ou não querendo, mas mais querendo do que não querendo, este blog tem uma tendência gastronomista. O jovem chef Thiago Castanho, dia desses, disse-me, que “daqui a pouco seu blog se transformará em um de gastronomia...”. Garanto que é, pelo menos por estes tempos, apenas tendência, uma saborosa tendência, sem dúvida, e, de certa forma, inevitável, seja pela importância da culinária na cultura paraense, seja porque este escrevinhador muito gosta de comer – e bem, de preferência...

Esse intróito é para dizer que nomeamos um correspondente na Copa do Mundo. Se não é bem assim, é parecido: vamos dar algumas dicas de como bons e heróicos jornalistas do Pará estão se saindo em terras africanas.

A história é esta: o jornalista Gerson Nogueira, do Diário do Pará, Rádio Clube do Pará e da RBA (Bola na Torre), companheiro de outras jornadas jornalísticas, conta tudo dos jogos & cia nos seus veículos. E ainda mantém um blog super atualizado que tem um plus: o que comem por lá algumas boas bocas, acostumadas a bem se alimentar pelas ruas de Belém. Devidamente apresentado, deixa dizer que você pode saber das últimas da Copa, clicando aqui.

E as dicas gastronômicas já contadas em dois posts, eu reproduzo abaixo, torcendo para que eles se aventurem um pouco mais além dos restaurantes Do Centro de Imprensa. Sei que essa nobre missão gastronômica tem riscos implícitos, e que eles têm muito trabalho a fazer, mas tudo vale uma boa garfada. Tenho experiência...

Aventuras gastronômicas no país da Copa (1)

Alimentação é sempre um aspecto preocupante para quem visita um país de cultura diferente, com tradição gastronômica carregada nos condimentos, como é a África do Sul. A cada dia, nesta primeira semana, a equipe da Clube/DIÁRIO procurou errar o mínimo possível nas escolhas, apostando mais nos alimentos conhecidos, como convém a marinheiros de primeira viagem. Ao lado, um prato reforçado (ovos, bacon, tomates, queijo, pão de fôrma e uma mistura meio não identificada e sem sabor) no café-da-manhã. Nosso Walmireko caiu matando e aprovou inteiramente a lambança, abrindo caminho para os demais. Tem sido assim no almoço, que retardamos ao máximo em função dos horários de treinos da Seleção. No jantar, uma sopa ou salada complementam a alimentação diária. Sempre que houver alguma novidade no âmbito do cardápio vou postar aqui.”

Leia o original e comentários, clicando aqui.


 Aventuras gastronômicas no país da Copa (2)


No capítulo de hoje, o amigo Giuseppe Tomaso, mesmo com todas as cautelas em relação a certos pratos mais pesados, não resistiu a uma salada com frango servida aqui no restaurante do Centro de Imprensa de Johanesburgo. Além do preço razoável (80 rands, cerca de R$ 20,00), o prato não veio turbinado com aquela carga de condimentos que caracteriza a culinária sul-africana. Aqui até o café leva tempero, vou te contar… Mas, pelo sorriso franco, Tomasão aprovou com louvor a iguaria, que combina legumes variados, creme de batata e filé de frango. Abaixo, a encomenda do amigo Géo Araújo, que optou por fatias de carne (que a turma aqui brinca dizendo que é de zebra) assada e muito legume para equilibrar. Quero dizer, a título de registro jornalístico, que imitei o pedido do Pequeninho e dei nota 7,5 ao bem fornido prato.”

 

Para ler o original e os comentários, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 15h54
[] [envie esta mensagem] [ ]



PACUS E PIRARUCUS

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Agora você é gente, meu filho. É mairum. Você agora é dos mairuns: os que comem beiju, os que gostam de pacu, os que riem com gozo. Vamos, ria você também.”

Diálogo mãe-filho, índios, em cerimônia de iniciação dos jovens ao mundo dos adultos, no romance “Maíra”, de Darcy Ribeiro.

 Quem come beiju e gosta de pacu, ri com gozo, garante a personagem do mestre Darcy Ribeiro, antropólogo, escritor, que estudou e conviveu com nossos índios, diretamente nas aldeias. Com certeza conheceu muito bem o que é um bom beiju e saboreou um pacu fresquinho, recém-pescado, assado na horinha, na beira do rio. Eu gosto muito disso, graças a Deus. E nem sou índio, mas os tenho como irmãos culturais, com muito respeito e agradecimento, pelas incríveis descobertas que fizeram, inclusive na bendita área gastronômica.

Não imagino o que diria Darcy Ribeiro ao descobrir uma frase que burilou, com muito carinho (este era seu livro preferido), transformada em “frase gastronômica da semana”. De minha parte, é homenagem e reconhecimento: referencia exatamente o que eu penso do beiju e do pacu. E serve de cenário para apresentar o ilustre habitante dos rios amazônicos retratado abaixo:

 

O peixe ocupa um lugar especial nas minhas preferências à mesa. É um dos ícones da culinária amazônica, especialmente aquela praticada nas mais simples ou nas mais requintadas cozinhas paraenses. O peixe simplinho, só no limão e no sal, assado sobre a areia, na beira de um dos nossos rios, é um prazer extraordinário ao paladar. O mesmo peixe, tratado com os requintes da alta gastronomia contemporânea, por chefs estrelados e treinados em ambientes de muita seleção, é da mesma forma um prêmio ao paladar que o escolheu.

Pois aí em cima está um dos mais ilustres habitantes de nossos rios, o pacu. Pequeno, meio espinhento, com um olhar sempre agressivo (não fosse ele aparentado da piranha...), é uma delícia. O pescado nos rios do oeste paraense, ricos em diversidade alimentar para sua fauna fluvial, é ainda mais especial. Único.

Há alguns dias (melhor dizendo, noites...) tive a ventura de encontrar-me diante desse um aí de cima, aqui mesmo, pelas ruas de Belém. Mas eu sabia bem da certidão de nascimento dele... Tinha o tempero simples, adequado a destacar o sabor original da carne que o peixe nos oferece – e essa é uma parte importantíssima do segredo de obter um produto final perfeito: o que foi plenamente alcançado neste caso. A cada colherada que chegava à boca, havia um festival de aplausos, assobios de satisfação, monumentais sopradas em vuvuzelas, sorrisos de orelha a orelha, da parte das minhas papilas gustativas. Era um gozo só!

O acompanhamento foi caprichado, com uma farinha daquelas! Fresquinha, torradinha no ponto, e um vinho no mesmo nível de deliciosidade. Não sou bom nestes assuntos de harmonizações viníferas, – coisa que é especialidade do Fernando Castro Jr., no Diário do Pará – mas sei que o resultado da combinação foi ótimo, casando o tinto com o paladar forte, marcante, do valoroso pacu. Ah, disse que ele é meio espinhento: pois bem, há que saber cortar nos lugares certos, que as bucadas saem praticamente desespinhadas. Mas essa arte foi da Rita, legítima cria das beiras do rio Trombetas.

Agora vou mudar de animal, mas continuo no meio aquoso:


Você pode nem imaginar, mas está aqui diante de um “Pirarucu à portuguesa”! Isso mesmo. À primeira vista, pode ser surpreendente, mas foi uma criação esperta, afinal, o prato foi servido na “Noite de Oriximiná”, na festividade de Santo Antonio de Lisboa, aqui mesmo em Belém. Percebeu: pirarucu das bandas de Orix (como diz a juventude de lá) homenageando o santo de origem lusa – que vem a ser o padroeiro dessa cidade do oeste paraense.

Coisa simples de fazer e rápida de servir, como o requer esse tipo de serviço. Mas uma gos-to-su-ra. Pra dizer assim mesmo, de-va-gar, saboreando cada sílaba. Tudo começou, obviamente, com a escolha de um pira com o atestado de qualidade que lhe fornecem a cor, a espessura e os bons olhos de quem o compra. A produção culinária foi muito competente e feita sob a batuta de gente que aprendeu na origem. Orquestração agradabilíssima. Era apenas um arroz neutro, imbuído de seu papel de facilitador, tipo assim um segundo piloto de equipe de Fórmula 1; duas rodelas de batatas macias como se deseja; e duas postas do majestoso rei dos rios amazônicos. Que todas as reverências lhe sejam feitas – e à magnífica cozinheira! Veja o molho carregado no azeite: era a seiva do prato, ligava as partes com harmonia.



Escrito por Fernando Jares às 15h21
[] [envie esta mensagem] [ ]



OUTONO EM BELÉM?

A CELEBRAÇÃO DAS FOLHAS AMARELAS

O outono é uma estação bem legal, gosto dela. Não é quente como o verão, nem fria como o inverno, tendendo mais para esta. Como o frio é legal para as minhas gordurinhas excedentes, sinto-me bem nesta época.

Na definição de outono que encontro no iDicionário Aulete está escrito: “No outono as árvores deixam cair as suas folhas” e formam aqueles tapetes amarelados que ficam tão bonitinhos em fotos de talentosos artistas, ou cenarizam belas cenas no cinema, com a vantagem que, em muitos casos, vemos algumas folhas caindo.

Ops, você está considerando este texto meio fora do eixo das estações paraenses? Ou pensa que este redator é que está fora do eixo e assim o escreve em virtude do elevado calor que andou pegando hoje, pelas ruas de Belém? Saiba que no primeiro caso, tem inteira razão. No segundo, espero que não...

Mas a coisa, ou melhor o post, foi saindo assim por causa desta emocionante cena outonal que vi e fotografei para este blog que cultua nossas ruas:

 

Não é fofinho, como dizem as meninas? Uma emocionante e inspiradora paisagem outonal na avenida Alcindo Cacela, bem ao lado do Museu Emílio Goeldi, naturalmente abastecida pelas folhas das muitas árvores que sobrevivem nessa magnífica reserva de natureza que Belém consegue manter no meio do centro da cidade. Lembrava decoração para festejar a copa do mundo, não fossem alguns sacos pretos espalhados aqui e ali. Parece até que dá para ouvir a cantoria de Sandy e Júnior (ou melhor, da Sandy, né): “No outono é sempre igual / As folhas caem no quintal”, neste caso, na rua, que fica com cara de espaço rural... Jura que quer ouvir?, clique aqui.

As folhinhas estavam lá ontem, as folhinhas estavam lá hoje, tudo em uma grande celebração ao outono que não temos e, aliás, nesta época do ano, acho que estaria deslocado no hemisfério norte e no hemisfério sul. Mas, tudo bem, afinal, estamos no Equador, embora ele passe lá no Amapá... terra onde tem até político que gosta de amansar neixente, oxente, diria um maranhense que é de lá sem de lá ser. Ou seria um cearense quem diria oxente? Mas que confusão. É melhor ficar por aqui.



Escrito por Fernando Jares às 20h13
[] [envie esta mensagem] [ ]



O TRATORZINHO E A AVENIDA

UMA AVENTURA VEICULAR URBANA

 

Veja o ilustre leitor destas linhas virtuais, que belo prédio há nesta foto. Abriga a segunda mais antiga escola pública do Estado do Pará que, por muitos anos, era chamada de IEP – Instituto de Educação do Pará. Mas antes, muito antes, era a Escola Normal do Pará, fundada ainda no século XIX. De lá saíram milhares e milhares de professoras normalistas, como se dizia. Já cresci com o nome IEP, mas muita gente ainda chamava de Escola Normal. Era uma esquina povoada de muitas meninas, de todos os tipos, bonitas, simpáticas, atraentes, tímidas, uma esquina de sonhos da juventude. Usavam uns saiotes azuis, que foram subindo conforme avançavam os anos 60. Mais sonhos na esquina. Eram apelidadas de piramutabas, o que para algumas era pejorativo, mas para outras era uma festa. A minha Rita estudou lá e, até hoje, reúne-se regularmente com suas colegas daqueles tempos.

Só para não esquecer: antes de ser aí essa tradicionalíssima escola, funcionou nesse mesmo local e prédio o jornal A Província do Pará, na sua primeira fase – que foi encerrada com um incêndio criminoso, por inspiração política. Mas isto é outra história.

Ah, esta foto não é antiga como o prédio, não senhor. Não se deixe enganar pela viatura em primeiro plano. A foto eu a fiz ontem, tipo meio dia. O garboso tratorzinho e sua carreta, observado por um assustado ciclista, cortava, lampeiro, todo sacolejante, um dos mais movimentados cruzamentos da cidade. Vinha de uma viagem audaciosa por excelência: cruzara toda a av. Presidente Vargas. Eu o vi, pela primeira vez, antes da rua Santo Antonio, isto é, bem no começo da avenida: ouvi o matracar de seu motor, com um som tipo dois tempos, alto, e até pensei que algum helicóptero em emergência estaria a descer por ali. Mas que nada, era o intrépido tratorzinho, lento como são lentos estes tratorzinhos antigos e cansados pela labuta cotidiana (e, talvez, maus-tratos manutencionais, quem sabe?) que ia em sua caminhada, feliz da vida por estar passeando pelo centro da cidade, enfrentando um trânsito muito louco, é certo, mas ao qual dava sua valiosa colaboração, sem dúvida. Acompanhei-o ao longo da jornada. Depois, abandonei-o, pois segui meu caminho em outra direção e ele foi em frente, mostrando sua performance, pelas ruas de Belém. Cidade democrata, de liberdade, aonde o direito de ir e vir em qualquer veículo é plenamente assegurado pelas autoridades do trânsito que, até para evitar constrangimentos, normalmente nem são vistas por aí.

Tenho cá outra foto do nosso herói mecânico, desfilando na Presidente Vargas, cortando um dos mais belos túneis de mangueiras de Belém, cartão postal da cidade, e colocando-se frente a frente a outro cartão postal, o edifício Manoel Pinto da Silva que, por dezenas de anos, foi o mais alto dos nossos arranha-céus, como dizia o vovô, mas que hoje foi ultrapassado por torres de até 40 de andares. Aliás, sobre o Manoel Pinto da Silva eu já escrevi neste blog e você pode ler, clicando aqui. Mas, veja só o nosso querido tratorzinho e sua inseparável carretinha, nesse cenário de atração turística:




Escrito por Fernando Jares às 17h54
[] [envie esta mensagem] [ ]



UMA PLANTINHA CHEIROSA E RESPONSÁVEL

ORIZA: PERFUME E SUSTENTABILIDADE

Quem visitou a Feira do Empreendedor, realizada recentemente no Hangar, conheceu o perfume Águas de Oriza, lançamento da Chamma da Amazônia a partir de uma planta regional. A Chamma é uma empresa paraense que já não atua apenas pelas ruas de Belém, mas é presença pelo Brasil afora – eu fico todo orgulhoso quando vejo os quiosques da marca em aeroportos, shoppings, etc. por essas cidades que a gente visita. A Chamma usa óleos e essências da região nos seus produtos e elementos do artesanato local nas embalagens e em biojóias. Veja aqui amostras pioneiras do perfume da oriza, que eu muito aprecio, desde as primeiras experiências:


Mas a novidade de Águas de Oriza não é apenas ser um novo produto, utilizando matéria-prima desta terra. A novidade mesmo vem na implicação social que serve de base para esse projeto. Trata-se de uma iniciativa da Albras, a indústria de alumínio de Barcarena, dentro das atividades que mantém junto às comunidades vizinhas, apoiando a criação de oportunidades de desenvolvimento sustentável para os pequenos produtores rurais.

Durante dois anos a Albras, em parceria com a Cooperativa de Serviços Agroflorestais e Industriais (Coopsai), uma ONG também incentivada pela empresa, e a Embrapa/Amazônia Oriental, investiu no estudo das técnicas de cultivo e o manejo da oriza. Após a colheita, o óleo essencial foi extraído e enviado à Chamma para a confecção do produto final. Lançamento feito na Feira do Empreendedor, o perfume já chega às lojas da rede, a partir das de Belém, naturalmente, tendo apoio do Sebrae na solidificação do empreendimento.

Segundo o Boletim Informativo da Fábrica da Albras (BIF), “diferentemente de outras essências regionais, a oriza se caracteriza pela grande produtividade e pela coleta não destrutiva, pois o ativo se encontra nas folhas e não na raiz.”

Paulo Ivan Campos, gerente da Área de Relações Externas e Comunicação Empresarial da Albras explicou ao BIF: “Constatamos que é possível plantar a oriza e produzir com qualidade. Chegando agora ao lançamento do produto, será possível dar segurança aos produtores que quiserem crescer com o projeto”.

Leia abaixo o texto do folheto – que ajudei a fazer – de apresentação do produto e do projeto, e que foi distribuído aos visitantes da Feira do Empreendedor:

Águas de Oriza.

O perfume natural que valoriza as pessoas, o Pará e a Amazônia.

Os antigos colonizadores da Amazônia trouxeram, das florestas da Indonésia, preciosas e sensíveis mudas aromáticas. Uma planta que produz um perfume suave, agradável, relaxante, reconfortante – e eles acreditavam que precisariam disso na aventura de viver nestas novas terras. A planta adaptou-se muito bem à região, até ganhou o nome “Oriza” e, e por muitos anos, foi presença nas casas, para perfumar as roupas de cama, de banho e de uso pessoal. Tudo ficava com cheirinho gostoso, transmitindo uma sensação de aconchego.

Agora, a Chamma da Amazônia recupera esse perfume tradicional na cultura paraense e lança Águas de Oriza, um produto que redescobre o verdadeiro Patchuli da Amazônia, com uma vantagem: valoriza as pessoas que participam de sua cadeia produtiva.

A Chamma associou-se à Albras – Alumínio Brasileiro S/A e à Embrapa – Amazônia Oriental, em um programa de resgate dessa valiosa plantinha, para gerar trabalho e renda aos pequenos produtores rurais no município de Barcarena, onde a Albras tem sede e planta industrial, e onde mantém uma ativa política de estímulo à sustentabilidade de produtores rurais, com apoio técnico e científico da Embrapa.

Para chegar a este ponto um longo caminho foi percorrido, a partir da pesquisa científica das melhores espécies; as condições adequadas de plantio; a divulgação desses estudos aos agricultores da região que aderiram ao programa; a busca da melhor técnica para produção do óleo da Oriza e para sua utilização na indústria da perfumaria. Contando ainda com a parceria do Sebrae, que estimula o empreendedorismo e dissemina o conhecimento, tal qual o aroma se dissemina no ar. Juntas, as instituições transformam, com a participação de pequenos produtores rurais paraenses, um saber popular e um recurso natural em riqueza e bem-estar para a população do Pará.

Em Águas de Oriza você tem, além de um suave aroma natural, para usar no dia a dia, a satisfação de contribuir para a autossustentabilidade das comunidades participantes, elevando a sua autoestima e o acesso a uma vida melhor. Este é um perfume que proporciona bem-estar e orgulho a quem o produz e a quem o usa.

Águas de Oriza. Um perfume com aroma de tranquilidade e sedução.



Escrito por Fernando Jares às 18h33
[] [envie esta mensagem] [ ]



O CARTÃOZINHO E O PREMIOZÃO

BENEDITO NUNES, DE CLARICE A MACHADO DE ASSIS

No ano passado contei aqui a história de um cartão postal enviado para Clarice Lispector pelo escritor, filósofo e crítico literário paraense, Benedito Nunes e sua Maria Sylvia, que encontrei ao visitar a exposição “Clarice Lispector – A hora da estrela”, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, no ano anterior (2008). Para ler “Benedito e Sylvia na gavetinha de Clarice”, clique aqui.

Pois bem, indo no início deste ano a Brasília, encontrei novamente essa exposição, no Centro Cultural Banco do Brasil, na Capital Federal (que pena que o Banco do Brasil não traz essas coisas lindíssimas para vermos pelas ruas de Belém!). E novamente lá fui ver a obra da grande autora. Era uma versão um pouco menor, mas a maioria do que eu vira no Rio, lá estava – inclusive as centenas de gavetinhas com os guardados de Clarice. Saí em busca do cartão dos Nunes – será que ele estava também lá? Abre gavetinha, fecha gavetinha – a Rita me ajudando, pois o tempo que tínhamos não era grande, pois ainda havia muito que ver em Brasília. E não foi que ela encontrou o cartão! Aparentemente não havia restrição a fazer fotos, mas mesmo assim, tratei de fazer rapidinha e sem flash, para não prejudicar o documento, que muitos e muitos brasileiros ainda precisam ver.

Tentei copiar o texto completo, e apenas uma palavra não consegui “traduzir”:

Belém, 2-6-75

Clarice,

Lembrei-me de você há instantes, ouvindo os finais dos concertos 2 e 3 de Beethoven para piano e orquestra. (matéria de alegria, não de alacridade, você ....... a diferença) Por isso mando-lhe este cartão escrito minutos depois de ter tido a alegria e a lembrança. Um abraço nosso

Benedito Nunes”

E ao lado a mensagem da esposa: Um beijo, Maria Sylvia.

A foto está cá embaixo. Nenhum primor, mas vale pelo registro. Lógico que havia um vidro de proteção na gavetinha, pouca iluminação, tudo contra, mas aí está um registro que eu queria fazer:

 

O GRANDE RECONHECIMENTO – O grande mestre das letras e da inteligência paraense, crítico literário, professor, escritor, ensaísta e filósofo Benedito (José Viana da Costa) Nunes vai receber, agora em julho, a maior comenda literária brasileira: o “Prêmio Machado de Assis” de 2010, concedido anualmente pela Academia Brasileira de Letras aos grandes expoentes das letras em nosso país. É uma distinção extraordinária. Nenhum dos nossos, entre a intelectualidade parauara viva, chegou tão alto em termos de reconhecimento nacional! E, na história da cultura brasileira, é apenas o segundo paraense a merecer tal distinção, vindo a fazer par com Dalcídio Jurandir, premiado de 1972.

Na lista dos consagrados o nosso Benedito vai encontrar Autran Dourado, Ferreira Gullar, Ana Maria Machado, Fernando Sabino, Carlos Heitor Cony, Mário Quintana, Raul Bopp, Cecília Meireles, Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, Rachel de Queiroz, Luiz Câmara Cascudo, Dinah Silveira de Queiroz e Érico Veríssimo, entre outros.

No dia 20 de julho, data em que se comemorará o 113º aniversário da Academia, ele receberá, em cerimônia no belíssimo palácio-sede da ABL, o Petit Trianon, um diploma, um troféu criado pelo escultor Mário Agostinelli, que vem a ser um pequeno busto de Machado de Assis, e a importância de R$ 100 mil.

A Comissão Julgadora foi formada pelos acadêmicos Eduardo Portella, (presidente da comissão), Tarcísio Padilha, Lygia Fagundes Telles, Alfredo Bosi (relator) e Domício Proença Filho.

ABL – A apresentação do mestre paraense, feita pelo site da Academia Brasileira de Letras, é de encher de orgulho quem tem a felicidade de tê-lo como conterrâneo:

“Benedito Nunes, também professor e um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, depois incorporada pela Universidade Federal do Pará, é autor de uma extensa obra de ensaios, estudos, filosofia e crítica literária. Ensinou literatura e filosofia em outras faculdades do Brasil, da França e dos Estados Unidos.

O vencedor do “Prêmio Machado de Assis”, analisada sua obra, é um estudioso capaz de construir pontes entre a interpretação do texto literário e a sondagem filosófica, no caso fenomenológico, na linha dos grandes pensadores existenciais, como o alemão Martin Heidegger e o francês Jean-Paul Sartre. Essa dupla dimensão já aparece em seu estudo antológico, obra pioneira publicada em 1966, sobre a obra de Clarice Lispector: “O drama da linguagem, uma leitura de Clarice Lispector”.



Escrito por Fernando Jares às 20h29
[] [envie esta mensagem] [ ]



ALMOÇAR NA CERVEJARIA É GIRO!

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“De facto, tal como o vinho, a cerveja proporciona uma excelente combinação com certos ingredientes e receitas culinárias. Aliás, pode-se mesmo acrescentar que oferece determinadas características que não estão presentes na maior parte dos vinhos, como sejam a carbonatação ou a existência de sabores e aromas torrados ou caramelizados, elementos que acompanham na perfeição certos pratos.”

“Cerveja e Comida: em perfeita harmonia!”, artigo sobre harmonização de cervejas, no site Cervejas do Mundo. Para ler o texto completo, clique aqui.

 “Vamos almoçar na cervejaria”. Para alguns, pode soar diferente. É habitual pensar cervejaria como lugar para consumir a popular “loura gelada” acompanhada de petiscos ou pratos leves. Mas pode ser muito diferente, principalmente se o convite for para almoçar na “Amazon Beer”, a cervejaria artesanal da Estação das Docas, aqui em Belém. Embora, aparentemente, eles mesmos induzam a ser um local específico para bebericar e petiscar, como indica site da casa (onde, infelizmente, poucas páginas consegui abrir). Aliás, eles acabam de ganhar, pela quarta vez, o prêmio de “Melhor Happy Hour”, pela Veja Belém (clique aqui). Prêmio justo, mas, por experiências anteriores bem sucedidas, aceitei imediatamente o convite almoçativo. E olha que não era sábado, quando servem lá uma variada e “adubada” feijoada, que anteriormente já provei e aprovei. Era domingo.

Convite para ir a Estação das Docas é, em princípio, irrecusável: pela vista belíssima da imensidão amazônica da baía/rio em frente; pelo conjunto arquitetônico muito bem aproveitado de sua função inicial de porto da cidade, com elevado bom-gosto (embora, infelizmente, com manutenção em baixa, nestes últimos verdes tempos); e pela diversidade da oferta gastronômica do local.

A “Amazon Beer” oferece seis cervejas, o que talvez desgostasse o escriba luso que nos faz a epígrafe desta coluna gastronômica. Mas, provavelmente, ao encarar a realidade das ofertas, mudasse de pensamento... Certo que tivemos um problema: não havia a “Bacuri Beer”, que vem a ser uma premiada criação da casa, onde a cerveja recebe essência desta deliciosa fruta regional. A justificativa: estando na entressafra, faltava a fruta. Fiquei triste, mas o Emerson ficou num sentimento entre frustrado e traído: é fã de carteirinha da Bacuri Beer! Fomos então à Amazon Forest (R$3,60), uma pilsen da qual muito gosto.

 

Começamos por uma entrada sofisticada: “Guacamole de Açaí com Camarão” (R$ 22,00): tem uma massa leve e crocante (tipo Doritos) com açaí temperado (tipo vinagrete) e uns belos camarões rosa grelhados. É uma reviravolta em tradicional prato da cozinha mexicana, o guacamole, que, de repente, vê o seu abacate substituído pelo nosso açaí. Experiência aprovadíssima, ficou gostoso, todos gostamos. Apenas duas questões: (1) pouca quantidade do “creme” para o número de camarões, exigindo uma negociação diplomática diante do impasse, onde fui notoriamente beneficiado pela minha condição de pai e sogro dos demais participantes do ágape. Mas nem sempre poderá ser tão fácil a solução... (2) o açaí estava muito fino, quando deveria ser mais consistente, talvez do tipo “papa”, onde se aproximaria mais do “purê” de abacate que é o guacamole. Estava bom, mais poderia ficar bem melhor, com certeza ganhando em sensações gustativas.


O meu prato principal foi esta beleza que está aí em cima: “Filhote com crosta de amêndoas e risoto de maçã verde” (R$ 36,00). Falei em sensações ainda agora? Este tinha-as completas. A crosta estava crocante como deve e saborosa como se deseja. O risoto contribuía com certo acridoce, característico da maçã verde, provocando leve crispação nos tecidos sensíveis da boca, sem “brigar”, mas, ao contrário, criando certa cumplicidade, digamos assim, com o filhote vestido com as amêndoas picadas e torradas. E exalando um tênue odor acre, muito bem-vindo. A posta do filhote era um tanto gigantesca e, talvez por isso, com aquelas formações quase gelatinosas, tipo gordura, que se não interferem no sabor, afetam o visual.

 

Fiel a valores mais carnívoros, a Bruna fez uma opção merecedora de aplausos, quando provada: “Filé com risoto de malte torrado e alho porró" (R$ 34,00). Pelo menos na prova que me coube, na tradicional socialização das experiências gustativas, que sempre fazemos à mesa. Agrada o paladar com equilíbrio desejado, sem arroubos contemporâneos a ponto de incomodar cronistas desta terra, mas possibilitando o contato com o malte torrado, sem a necessidade de ir à Amazon River, a cerveja que leva malte torrado e tem teor alcoólico mais elevado que a Forest.

 Usei lá no título uma gíria portuguesa, “giro” (ou “gira”) que, aqui pelas ruas de Belém, corresponde ao nosso “pai d’égua”... Agora, se você que isto lê não é do Pará ou de Portugal, fique sabendo que isso define uma coisa boa, agradável, bonita, gostosa, que nos dá boas sensações, enfim, que é pai d’égua! Ops, acabou a coluna virando uma ONU/Babel: gíria lusa misturada com gíria paraense, em cervejaria, que é coisa de alemão, mas que tem nome em inglês! Mas, garanto, foi uma delícia de almoço. E, como fomos de lá diretamente ao aeroporto, receber a Rita, levamos, em uma quentinha, um “Salmão com fetuccine e cogumelos frescos” (R$ 44,00), que ela adorou – afinal, chegava de um longo voo, em que nem sanduíches foram oferecidos...



Escrito por Fernando Jares às 10h50
[] [envie esta mensagem] [ ]



CORPUS CHRISTI

VISÕES PARAENSES DE CORPUS CHRISTI

A procissão de Corpus Christi é uma das manifestações mais grandiosas da igreja católica aos seus fiéis e à sociedade. Tem a dimensão de seu Deus caminhando pelas ruas da cidade, como fazia Jesus nos idos de 2 mil anos passados, lá por Jerusalém. O ostensório com a hóstia consagrada é levado por uma alta dignidade eclesiástica, com pompa e circunstância, respeito e veneração, para ser adorado pelos crentes no Milagre Eucarístico. Este ano, em todo o mundo, milhões de fiéis católicos fizeram a mesma coisa, cada um conforme suas características locais, talentos, cultura própria – mas sempre com o pão transubstanciado em destaque.

Foi assim em Belém, pela manhã, quando estivemos na praça Santuário de N. S. de Nazaré, para a celebração, pelo arcebispo d. Alberto Correa.

Foi assim em Capanema, onde a comunidade católica usa de muita dedicação e criatividade para demonstrar seu amor pelo Salvador e consegue fazer uma das procissões mais bonitas do Brasil, nesta data. Tive que ficar cá pelas ruas de Belém e não foi possível ir a Capanema, mas nem por isso me senti menos participante. E vou até reproduzir mais abaixo uma cobertura que fiz da procissão, que está fazendo jubilei de prata, portanto há 25 anos, em 1985.

 BELÉM 2010

A praça Santuário de Nazaré esteve lotada desde cedo e milhares de pessoas participaram da Santa Missa presidida pelo Arcebispo de Belém, seguida de uma procissão em torno da mesma, onde o Corpo de Jesus foi levado em um dos carros do Círio, com toda a solenidade. Veja no registro abaixo, do fotógrafo Tarso Sarraf, que captei do Diário do Pará Online, uma aérea da praça. Destaque para o cartaz do Círio 2010, em tamanho monumental, sobre o altar central.


 BELÉM 2016

Ao final da celebração o arcebispo d. Alberto Correa fez duas proclamações importantíssimas para a igreja de Belém. Primeiro, lançou oficialmente o Congresso Eucarístico Nacional que vai acontecer em Belém, em 2016. A data foi cuidadosamente escolhida, para coincidir com os 400 anos de fundação da cidade e com os 400 anos do início da Evangelização da Amazônia, o que o poderá transformar em monumental acontecimento, até em caráter mundial, considerando o apelo internacional desta região, “para deixar de ser uma terra de missões e ser uma terra de missionários”, como afirmou. Na oportunidade o arcebispo também anunciou a assinatura do documento inicial para o processo de beatificação de monsenhor Edmundo Igreja, um grande sacerdote, de quem trataremos em outra oportunidade.

 CAPANEMA 2010

Na segunda-feira conversei aqui sobre a tradição da procissão de Corpus Christi em Capanema e a grandiosidade desse acontecimento religioso (para ler, clique aqui). Hoje a cidade repetiu o ato de louvor a seu Deus. Veja abaixo duas fotos que captei do site Portal Capanema que, up-to-date, apresenta um grande número de fotos. Vá até lá, clicando aqui, para ver detalhes da procissão. Nestas duas, um aspecto geral do tapete de arte monumental e alguns dos quadros que homenagearam os 100 anos do município, que a prefeitura comemora neste 2010.


 

CAPANEMA 1985

Há 25 anos a quinta-feira de Corpus Christi foi 6 de junho. E eu estive lá, pelas ruas de Capanema, e tudo relatei na minha coluna “Pró-Turismo”, publicada todos os domingos em A Província do Pará, que escrevi ao longo de 16 anos. Veja um recorte da página e, abaixo, outra foto publicada na mesma data:

 

 

O texto reportava a excursão organizada pela Gran-Pará Turismo, a mesma que citei segunda-feira, logo aquele folheto apresentado é de 1985, e descreve o passeio, que teve uma visita a todo o grande tapete, logo cedo, um lanche no Colégio São Pio X, das Irmãs do Preciosíssimo Sangue, e almoço no Camping Ibirapuera, em Castanhal, já no retorno. Foram três ônibus lotados daqui de Belém.

A parte em que descrevi a procissão dizia o seguinte:

“Pode-se dizer, sem medo de estar exagerando, que a exemplo do que ocorre com o Círio, embora em outro sentido, as mais belas fotos ou as mais bem realizadas tomadas de cinema ou televisão não conseguem transmitir a beleza e grandiosidade do trabalho feito em Capanema. O nível de qualidade conseguido nos mínimos detalhes é impressionante. Dá para perceber, com facilidade, que aquilo e feito com muito carinho e dedicação, de quem passa meses pensando na melhor solução a adotar naquele ano. Os quadros nos tapetes são verdadeiras obras de arte, ao que se devem acrescentar outros elementos, desde painéis pintados, nas esquinas, bandeiras nos postes, pinturas as mais diversas nas portas das casas, altares finamente decorados, para as bênçãos. E, numa prova de que é um espetáculo de rara beleza mais uma vez a procissão foi objeto de espaço no “Jornal Nacional”, da Rede Globo, mostrando a todo o Brasil o trabalho daquela gente. Registre-se aqui a felicidade das imagens obtidas pelos profissionais da TV Liberal, e exibidas no noticiário local da emissora.

Muita gente a companha o Corpo de Deus pelas ruas da cidade e, interessante, a maioria o faz pelas calçadas, evitando pisar nos tapetes até o último instante. Só mesmo a chegada da Santa Eucaristia é que faz com que a obra de arte seja finalmente pisada. Atrás do pálio vai a Banda de Música, as autoridades e grande multidão. Encerrando, um grande pelotão de ciclistas.”



Escrito por Fernando Jares às 19h15
[] [envie esta mensagem] [ ]



A GRANDIOSIDADE DO CÍRIO

A ARTE QUE DIVULGA A DEVOÇÃO UM POVO


Maior evento religioso popular do Brasil, maior manifestação mariana no mundo, o Círio de Nazaré, que acontece em Belém, no segundo domingo de outubro, tem alguns ícones que o representam junto à população. Um deles, ao longo de dezenas de anos, é o Cartaz do Círio. São centenas de milhares de cópias a cada ano: para este, estimam em 850 mil exemplares, somando a impressão feita pela Diretoria da Festa mais as de patrocinadores oficiais, apoiadores e outras empresas autorizadas.

É tradição entre os católicos paraenses exibir o cartaz na porta de sua casa, de seu apartamento, ou colocar em destaque na sala – o que também ocorre em empresas, grandes ou pequenas, indústrias, lojas, padarias. A tradição é levada pelos paraenses nas suas andanças por esse mundo de Deus. Gostam de ter um Cartaz do Círio por perto, uma forma de exibir seu paraensismo, seu catolicismo – e por isso haja a pedir aos parentes a amigos que mandem, de preferência levem, para não amassar, um cartaz do ano.

Essa demanda toda – onde o fator visual, de decoração, tem importância grande, como se percebe – gera para o cartaz uma responsabilidade maior. Responsabilidade que recai sobre os criativos que desenvolvem a peça. No caso, os criativos da Mendes Comunicação, a agência voluntária da Festa de Nazaré, que o faz desde 1991.

Como acreditam os católicos de fé, esses criativos têm a parceria do Espírito Santo nesse momento da concepção da obra e, com a utilização adequada de seus respectivos talentos, conseguem uma obra prima a cada ano. Uma requintada obra de arte gráfica e visual. E foi assim, mais uma vez, neste 2010.

O cartaz, lançado em solenidade pública na semana passada, é esse primor que você vê aí em cima.

Usando duas fotografias, a da Imagem Peregrina de N. S. de Nazaré, feita por Fábio Pina e uma aérea do Círio, do fotógrafo Tarso Sarraf, conseguiram obter um belo jogo de contrastes de luz e cor. A recém-restaurada Catedral de Nossa Senhora da Graça (de onde sai essa romaria de milhões de pessoas) explode em sua alvura e forma, com os casarões em frente, do complexo Feliz Lusitânia, bela moldura para os milhares e milhares de romeiros que caminham pelas ruas de Belém, a louvar a Mãe de Jesus. Para quem não é daqui: no canto inferior direito da foto vê-se, em destaque, a Berlinda que leva a imagem de N. S. de Nazaré. A mesma que é retratada sobre o fundo verdejante da praça D. Pedro II, o popular Largo do Palácio.

Elemento importante na divulgação do evento Círio de Nazaré, o cartaz é também instrumento de evangelização. “Ter o cartaz do Círio na porta de sua casa, na vitrine de sua loja, ou, ainda, em seu escritório, é ter a presença viva de Maria, a mãe de Deus”, afirmou o diretor de marketing da festividade de Nazaré, o publicitário Oswaldo Mendes, Filho.

Você pode ver uma galeria de cartazes do Círio de Nazaré, especialmente os de anos mais recentes, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h07
[] [envie esta mensagem] [ ]



ODACYL CATTETE

PRA QUEM SABE, ESCREVER PREFÁCIO É FÁCIL. E RÁPIDO.

Sou um jornalista (sem diploma) por vocação e gosto, resultado da primeira responsabilidade de dirigir o jornal do Colégio, ainda nos áureos tempos de grêmio estudantil nos idos de 1950, anos que não voltam jamais. Logo, sou um dinossauro, como dizem agora os afoitos e arretados coleguinhas (com diploma). Esse intróito todo foi para justificar o "dead line". E a intransigente e inevitável luta contra o tempo, a hora certa para entrega de matérias, a fim de não atrasar os jornais, sua rodagem, sua saída; para evitar a baderna, - daí, o termo baderneiro dado aos gazeteiros. aqueles que chegam de madrugada à porta das oficinas dos matutinos e vendem os exemplares nas ruas, quando ainda não haviam as bancas de revistas. Na hora certa, a gente tinha que fechar o jornal de qualquer maneira.

Esse texto é do jornalista Odacyl Cattete, escrito ano passado, no prefácio do livro “Em Frente”, organizado por Paulo Verbicaro Giestas, que coletou 70 depoimentos, para marcar os 70 anos de nascimento do jornalista Edwaldo Martins, falecido em 2003.

Hoje faleceu o Odacyl Cattete. Justo no Dia da Imprensa, como que mostrando a simbiose entre o homem e o profissional. Convivemos muitos e muitos anos, desde os tempos da faculdade (de direito), onde fomos contemporâneos. Ele era uns anos mais adiantado. Convivemos no jornalismo, inclusive em O Liberal, em entidades como a ADVB, Clube do Feijão Amigo e Câmara Júnior de Belém e em muitas oportunidades.

No seguimento do texto acima, Odacyl justifica porque tomou aquele rumo no que ele chamou de “Prefácil” do livro sobre o Didi: “Escrevo isso para dizer que fui apanhado de surpresa pelo coordenador Paulo Giestas, com umpeloamor de Deus’ para escrever a apresentação do livro. Tudo para anteontem. Ele não sabia que nós jornalistas fomos treinados para essas emergências, num jornal que circula todos os dias”.

A esta altura estão os três a conversar sobre essa história, lá pelo céu. Paz às suas almas, na grandeza de Deus.

Odacyl foi colunista político, em O Liberal. Sabia de tudo, tinha acesso direto às mais importantes fontes da política paraense. Na família tinha inspiração política: seu tio Edward Cattete Pinheiro foi deputado, prefeito, senador, governador do Estado, ministro da saúde (de Jânio Quadros).

Essa prática jornalística consagrada e uma excelente memória possibilitaram que escrevesse um livro que virou referência: “Barata, Passarinho e outros bichos”, onde conta histórias mil da política paraense, sempre com muito bom humor. Já foi até inspiração de trabalho acadêmico de Pedro Loureiro de Bragança, (@pedrox), leia aqui. Na mesma linha Odacyl também escreveu “Cem histórias sem estórias”, que assim justificou: “Cositas recolhidas aqui, ali, acolá, alhures e algures. Resultados de mineiras e maneiras conversinhas políticas, descompromissadas, ao pé-do-ouvido e de (con)vivência”.

Sempre ligado nas coisas jurídicas, escrevia até bem pouco a coluna “Fórum”, no Diário do Pará.

Ainda recentemente fez uma coisa que o deve ter deixado muito feliz: falou sobre a história do jornalismo no Pará aos estudantes de jornalismo das Faculdades Ipiranga. Falou para alunos da disciplina “Tópicos Especiais em Jornalismo”, que é ministrada pela Karlla Cattete, (facilmente deduzível que) filha do Odacyl – a tal história de filha de peixe... Vejam aqui fotos desse encontro, que captei do site da Ipiranga:

.

Todo mundo adorou o bate-papo, que até mereceu o reconhecimento de outro “dinossauro” (com todo o respeito, usando a expressão do próprio Odacyl, aí em cima), o Ubiratan Aguiar, ou melhor, Pierre Beltrand, no Amazônia Jornal, em sua coluna “Grand Monde”, em 11/04: “ALÔ, ODACYL Cattete. Todos elogiaram o seu 'tête-à-tête' com os alunos do Curso de Jornalismo da Faculdade Ipiranga, dirigido pela competente, bonita, elegante e charmosa Suely Menezes. Você tem know how para falar sobre jornalismo, com os seus 50 de profissão. Eu farei todos os registros em que você for o astro. Certo?”

Pra fechar, lembrei-me desta foto, de 1972 que até já publiquei neste blog, quando homenageei os 80 anos do Oswaldo Mendes, e que reúne o Odacyl, eu, o Waterloo Assis (foi diretor da extinta TV Marajoara), o Mendes e o Ubiratan.


Não, não fui ao enterro do Odacyl. Preferi ficar pesquisando, relendo as histórias contadas por ele, escrevendo este post. Registrando para o mundo virtual essa história de uma vida jornalística. Acho que ele gostou que fosse assim.



Escrito por Fernando Jares às 18h09
[] [envie esta mensagem] [ ]



SABER DA FONTE

DIÁLOGOS SOBRE A CULTURA AMAZÔNICA

“É proibido fazer batuques ou sambas”: a política de embranquecimento cultural no Pará republicano é o tema do encontro de hoje, no IAP, dentro da série “Saber da Fonte – Diálogos sobre a Cultura Amazônica”. Quem o vai conduzir é o dr. Luiz Augusto Pinheiro Leal, da UFPA.

O “Saber da Fonte” é uma experiência muito interessante, onde se apresenta o resultado de pesquisas sobre universo cultural da Amazônia e oferece à sociedade a oportunidade de acesso ao conhecimento acadêmico sobre o grande patrimônio cultural desta região. Veja a programação para este mês:

01/06 - “É proibido fazer batuques ou sambas”: a política de embranquecimento cultural no Pará republicano – Dr. Luiz Augusto Pinheiro Leal. UFPA.

08/06 - Língua indígena, instrumento de reafirmação cultural - Dra.Leopoldina Araújo. UFPA.

22/06 - Da “tradição”, da “modernidade” e do “desaparecimento”: ambigüidades sobre a trajetória do Carimbó em Belém do Pará – Dr. Paulo Murilo Guerreiro do Amaral. UFPA.

Local: Auditório do Instituto de Artes do Pará (Praça Justo Chermont, 236) Horário: 18h30.

São temas de interesse cultural e histórico para quem vive pelas ruas de Belém, especialmente este último, que pode levar a uma reflexão sobre como esta cidade (e o Estado também) trata seus valores, numa época de tecnos em todos os ritmos, muitas vezes vitimados por processos da indústria cultural, em busca exclusivamente de resultados financeiros, acima de qualquer outro valor.



Escrito por Fernando Jares às 14h15
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]