Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog



Outros sites
 Cais do Silêncio - Literatura de Jason Carneiro
 Quarto Escuro - escritos, lidos, gostos e desgostos de Bruna Guerreiro
 Oníricos - O e-book de Bruna Guerreiro
 Cerveja que eu bebo - Cervejas bem bebidas, experiências compartilhadas.




UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


O CORPO DE CRISTO PELAS RUAS DE CAPANEMA


Quinta-feira é uma das datas mais importantes em Capanema, cidade distante cerca de 150km de Belém. Tipo assim o que o Dia do Círio é em Belém: dia do encontro, do reencontro, da volta à cidade, de rezar (mesmo quem pouco reza), de pagar promessa, de mostrar talento, de ver talentos, de comemorar, feliz, o ser capanemense. É o dia da Procissão de Corpus Christi, quando a cidade se enfeita para homenagear um dos mistérios mais importantes da igreja católica. Cerca de 1,3km de ruas da cidade é transformado em um tapete de arte monumental, sobre o qual passa a procissão com o Corpo de Deus.

A festa religiosa de Corpus Christi é celebrada pelos católicos desde os anos 1200 e é muito forte na Europa, onde começou a tradição de decorar as ruas para a passagem do sacerdote conduzindo a Eucaristia, com muita solenidade. Capanema está entre as cidades brasileiras que faz a comemoração, com esta característica, há mais tempo. A ideia foi levada para a cidade pelo frei Hermes Recanatti, italiano. E a cidade tomou gosto pela ideia. Ao longo dos últimos 34 anos, muitas outras cidades seguiram este caminho, até porque a beleza dos tapetes de Capanema virou referência, muitas vezes divulgada para todo o país pela televisão, especialmente pelo “Jornal Nacional”. Aqui mesmo, pelas ruas de Belém, foram feitas algumas experiências, mas não tenho conhecimento de alguma que tenha prosperado.

A festa deste ano faz parte das comemorações do anunciado centenário da cidade. Mas sobre isso vamos conversar outro dia.

Veja como ficam as ruas, em foto publicada originalmente no Portal Capanema. Para saber mais como é produção destes tapetes, clique aqui. Veja como foi a procissão do ano passado, acessando a galeria de fotos do jornal Diário do Pará, clicando aqui ou a galeria da Agência Pará, do Governo do Estado, clicando aqui.


Pelo início dos anos 1980 escrevi um texto sobre esta procissão para um folheto patrocinado pela Gran-Pará Turismo, agência do bom capanemense David Abud, com o título “Corpus Christi – Fé e arte nas ruas de Capanema”. A produção foi da Mercúrio Publicidade. Depois de apresentar Capanema e de como é feita a decoração das ruas (“pó de madeira pintado, casca de ovo, folhas, flores, cal, etc.”) e de contar a história da celebração de Corpus Christi, assim descrevi a grande procissão do povo de Capanema (cidade onde vivi grande parte de minha infância e na qual meu pai viveu até avançada idade):

Corpus Christi em Capanema

A procissão de Corpus Christi em Capanema é uma manifestação que traduz a fé viva e a religiosidade de seu povo, transformando-a num espetáculo belíssimo e inédito na região.

Já há muitos anos, por iniciativa do vigário, enfeitava-se a frente das casas em todo o percurso da procissão, com toalhas rendadas, quadros, plantas, flores, etc. Em 1976 alguns jovens planejaram enfeitar o percurso por onde passaria a procissão com um tapete ornamental no solo. Juntaram flores e folhas e começaram o trabalho às 3 horas do dia do Corpo de Deus. Ao amanhecer o dia, apenas 4 quarteirões estavam concluídos. Mas maravilharam os olhos de toda a população. A semente estava lançada. E frutificaria.

No ano seguinte o grupo recebeu apoio de praticamente todos os movimentos jovens e escolas da cidade, o que continua acontecendo a cada ano. Hoje praticamente toda a juventude capanemense trabalha no empreendimento.

A comunidade toda é requisitada. Todos sentem prazer em ajudar da melhor forma possível. Uns doam tintas, outros oferecem seus veículos para transportar pessoas e materiais, doam faixas e há aqueles que durante o ano cuidam de suas plantas e flores para as oferecer aos grupos que fazem a ornamentação. E há ainda muitos que ficam em casa preparando lanches e café para os que estão realizando os trabalhos. Com antecedência, funcionários do DER e da Prefeitura cuidam do calçamento de todo o percurso da procissão. E na tarde de quarta feira começa a grande movimentação: são pessoas que andam de um lado para outro, medindo, marcando, isolando ruas, comerciantes e famílias, que começam a cuidar dos enfeites para as fachadas de suas casas. São jovens, adultos e crianças que se movimentam. Assim passam a noite procurando realizar o melhor trabalho de todo o trajeto - cada grupo é responsável por um quarteirão, que muda a cada ano.

O grande dia

Ao nascer a quinta feira de Corpus Christi, é lindo ver o resultado do esforço do capanemense.

A festa inicia com a Santa Missa, concelebrada pelo vigário e sacerdotes vindos de outras paróquias, bispos e arcebispos. Logo após a grande multidão sai às ruas, levando sob o pálio o ostensório com o Corpo de Cristo, aclamando-o com cânticos, orações e pedidos de bênçãos para sua pátria e seu lar.

Após a procissão, em cada semblante vê-se um certo cansaço, misturado a uma alegria infinita, de ter podido, mais um ano, estar junto àquele grupo, preparando mais uma festa extraordinária em honra de seu Deus.

O corpo está cansado, as mãos sujas de tintas, nas ruas as flores estão murchas e pisadas, os desenhos feitos com tanto esmero estão desfeitos. O vento levanta a poeira do pó de serra usado. Mas o coração está em júbilo, e em cada semblante está estampada a felicidade: pelas ruas de sua cidade passou e foi aclamado o seu Deus, o seu Rei.



Escrito por Fernando Jares às 17h27
[] [envie esta mensagem] [ ]



ONDE IR? A VEJA DÁ A DICA.

QUAIS OS MELHORES RESTAURANTES?

Quem tem o hábito de frequentar restaurantes, tem os seus preferidos. Aqueles que, mais por necessidade, menos por hábito/lazer, estão sempre em restaurantes a fazer suas refeições, aí mesmo é que fazem sua eleição, com um voto especialmente qualificado, de heavy-user. Quem elege este ou aquele restaurante, tem a certeza de que aquele é mesmo o melhor. Aliás, como quase tudo que quase todas as pessoas escolhem. As exceções... são para confirmar a regra.

Quais são os melhores restaurantes entre os espalhados pelas ruas de Belém?

A pergunta começou a ser respondida nos idos de 1987, quando a ADVB/Pará (Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil) lançou a seleção dos “Restaurantes Recomendados de Belém”. No post imediatamente abaixo, conto como era essa promoção, que durou uns tantos anos.

De seis anos para cá a revista Veja, por meio de seu produto Veja Belém “Comer e Beber” assumiu o posto de coordenar a escolha dos melhores da gastronomia paraense, entre restaurantes, bares e comidinhas. Ontem, em um belo e agradável encontro no Hangar, apresentou a relação daqueles que o júri por ela escolhido apontou como os campeões, por categoria, e que constam da edição 2010/2011 da revista. A publicação circula neste final de semana nas bancas e será enviada aos assinantes do Pará e do Maranhão.

Uma das novidades deste ano é o aplicativo "Comer & Beber" para iPhone e iPod Touch, contendo todas as informações dos premiados e dos concorrentes. Na última página da revista, a atriz Dira Paes assina uma crônica sobre “Ser paraense”.

Leia a lista, concorde ou discorde. O resultado de julgamentos é assim mesmo: agrada uns e desgosta outros, às vezes muitos. A unanimidade é difícil. Você notará que há estabelecimentos que você decidiu “nunca mais voltar lá”, por um acontecimento de momento. Tem deles elogiados neste blog, tem deles nem tanto...

O interesse do segmento restauranteiro e a participação de anunciantes, assim como o consumo da revista e a presença no evento de ontem, confirmam que o produto é um sucesso. Com discordâncias ou concordâncias. Lamentável a ausência do Governo do Estado que, provavelmente pela pública deficiência de sua área de turismo, continua sem se aperceber da importância da gastronomia para o desenvolvimento e promoção do turismo paraense. A Prefeitura comparece como uma das patrocinadoras, mas também não focou a questão do turismo, da vocação desta bela cidade para a recepção de visitantes, e fez anúncios focados em obras e mais obras...

Veja a seguir a lista dos premiados.

RESTAURANTES

A revista indica 134 endereços de restaurantes da cidade e aponta quais são os melhores nas seguintes categorias:

Cozinha Amazônica – Lá em Casa
Brasileiro – Beto Grill
Carne – Picanha & Cia.
Italiano – Cantina Italiana
Japonês – Hikari Sushi
Pizzaria – Xícara da Silva
Variado – La Madre
Bom e barato – Estação Gourmet
Chef do Ano – Fábio Sicília (Dom Giuseppe)

 

Na foto acima, o arroz de pirarucu servido no buffet do Lá em Casa, Melhor Cozinha Amazônica, tal como foi fotografado e mostrado por Marcelo Katsuki, da Folha de São Paulo (veja aqui)

BARES

A lista dos bares mostra os 113 mais considerados pela publicação e os campeões, por categoria:

Boteco – Rubão
Cozinha – Rubão
Fim de noite – Cosanostra Caffé
Happy Hour – Amazon Beer
Para ir a dois – Maricotinha
Para paquerar – Café com Arte

COMIDINHAS

As comidinhas são uma das riquezas gastronômicas desta nossa Cidade das Mangueiras e na publicação são listadas 185 casas que servem algumas das mais distintas especialidades paraenses.Estes são os estabelecimentos campeões em cada categoria:

Açaí – Casa do Açaí
Chocolate – Bombom do Pará
Doceria – Abelhuda
Maniçoba – Tacacá do Quincas
Padaria – Armazém Santo Antônio
Salgado – Portinha
Sanduíche – Milleo
Sorvete – Cairu
Suco – Batistão
Tacacá – Tacacá do Colégio Nazaré
Tapioca – Tapioquinha do Mosqueiro


O famoso Embrulhadinho de Pirarucu com Jambu, da Portinha, a Melhor em Salgados na cidade, também em foto de Marcelo Katsuki (veja aqui)



Escrito por Fernando Jares às 10h56
[] [envie esta mensagem] [ ]



OS RECOMENDADOS DE BELÉM

RESTAURANTES RECOMENDADOS EM BELÉM, 1987

A primeira seleção dos restaurantes recomendados entre os existentes pelas ruas de Belém, coordenada pela ADVB/PA, ocorreu em 1987 e foi assim divulgada na coluna “Pró-Turismo”, que eu assinava todos os domingos em A Província do Pará, na edição de 25 de outubro de 1987:

Considerando o tradicional hábito dos homens de vendas frequentarem bastante os restaurantes, não apenas de suas cidades, mas a quando de suas muitas vezes constantes viagens, a ADVB/Pará — a exemplo do que já faz a ADVB/São Paulo — realizou uma seleção dos restaurantes de Belém a receberem o selo de "Recomendado ADVB". É uma orientação para seus associados, para a comunidade e para aqueles que chegam à cidade. Um comité nomeado pela presidência da entidade visitou restaurantes durante cerca de 60 dias, fazendo suas observações. Os critérios considerados foram a qualidade da cozinha, do serviço e o ambiente oferecido, isto é, um lugar agradável e gostoso para se comer bem. Da votação foram afastados os restaurantes de clubes, por oferecerem características especiais, fora das características regulares dos restaurantes. As churrascarias, por oferecerem exclusivamente um tipo de comida, tiveram sua participação diminuída, sendo escolhida apenas uma.

Aqui, a relação dos estabelecimentos recomendados pela ADVB/Pará: Açaí, Avenida, Augustus, Cantina Italiana, Carvalho's, Círculo Militar, Fundo de Kintal, Germânia, Izumo, JB-254, Lá em Casa, Lun-Chan, Miako, 1900, O Caranguejão, O Casarão, Okada, O Outro, O Pato de Ouro, O Theatro, Rodeio, Roxy Bar.

Na lista, três estabelecimentos de Icoaraci (Carvalho's, Fundo de Kintal e O Casarão), quatro da capital especialistas em regionais (Lá em Casa, Círculo Militar, O Caranguejão e O Pato de Ouro), dois dedicados a cozinha italiana (Cantina Italiana e JB-254), quatro de cozinha oriental (Izumo, Lun-Chan, Miako e Okada), um alemão (Germânia), uma churrascaria (Rodeio) e três de alto requinte (O Outro, 1900 e O Theatro).”

A ideia de implantar em Belém esta seleção partiu de um trabalho que Mario Guzzo e eu, ambos associados, desenvolvemos para a entidade, do qual nasceu também a premiação do Homem de Marketing do Ano. A comissão convidada pela ADVB, àquela altura presidida por Mauro Bonna foi composta pelo próprio Mauro, Janete de Souza, Fernando Jares Martins, Mário Leitão, Luís Otávio de Oliveira, Edwaldo Martins, Antonio Bilório Sanches, Augusto Jorge Neves Colares, Roberto Russel, Eduardo Abdelnor, Ivo Amaral, Fernando Castro Jr. e Pedro Galvão de Lima.



Escrito por Fernando Jares às 10h44
[] [envie esta mensagem] [ ]



AS DUAS PALMEIRAS

UM PRÉDIO COM DUAS BELAS VERSÕES

A alvorada da nossa resurreição economica, que se prenuncia brilhante, infundindo no espirito dos paraenses a crença em um destino maior, é fructo do encorajamento que as iniciativas victoriosas despertam na collectividade.”

Não, não pense que entrei para alguma campanha política para a próxima eleição e esteja a apresentar o manifesto de algum candidato... Sei que o papo é bem semelhante aos que ouvimos nestas jornadas eleitoreiras. Mas este texto é antigo, vide o fructo, o victoriosas, etc. Copiei esse trecho de um anúncio, em forma de reportagem, sobre a Fábrica Palmeira, publicado no “Álbum do Pará”, de 1939, editado sob os “auspicios do Governo do Estado e da Associação Commercial do Pará”, quando era interventor federal José Carneiro da Gama Malcher.

Há dois dias mostrei a Palmeira em belo postal, que é a imagem consolidada do grande prédio – e da grande empresa – que existia ali na rua Manoel Barata, trecho na época denominado Paes de Carvalho.

Essa é a segunda Fábrica Palmeira, no mesmo local. A primeira, inaugurada em 1892, já como um sofisticado parque industrial da panificação, também foi destruída, em 1924, só que involuntariamente, por um grande incêndio.

Veja como era bela a Palmeira do início do século XX:

 

Essa perspectiva eu a captei ampliando um detalhe de um postal comercial, que tenho em mãos, que contém no verso mensagem datada de 1920. Como o postal refere, no anverso, um prêmio conquistado pela empresa em Turim, em 1911, a peça deve ser da segunda década desse século. Atente para a presença de automóveis, bondes elétricos, mas ainda carros com tração animal e até um cavaleiro.Veja o postal completo:

O prédio tinha apenas dois andares e não os três, com até uma “água furtada” (espécie de sótão com as janelas acima do telhado) do que foi demolido quase ao final desse século. Revejamos esse prédio, que é a imagem clássica da Palmeira e consta do álbum “Belém da Saudade”:


Considerada uma próspera empresa do início do século a Palmeira foi atingida por um violento incêndio em junho de 1924 e reconstruída nos quatro anos seguintes. Foi quando ganhou ainda mais melhoramentos, tudo coisa de muito bom gosto e requinte, como se pode ver no registro acima. Onde os veículos já são bem mais modernos do que no “clichê” anterior.

O incêndio que causou essa mudança foi registrado pela revista “A Semana” e encontrei diversas fotos da tragédia no blog de Haroldo Baleixe. Busquei duas delas, anteriores ao incêndio, que mostram bem o prédio, que estão aqui abaixo. Mas nesse blog tem fotos do dia do incêndio, que você pode ver, clicando aqui.


Do mesmo post de Haroldo Baleixe busquei um outro postal, que mostra, com muita qualidade, a Palmeira já reconstruída, dominando a paisagem com sua beleza majestosa. E a velha caixa d’água, o classudo Reservatório Paes de Carvalho, que vai ser assunto para outro dia.


Essa Palmeira reconstruída, que faz parte do excelente álbum “Belém da Saudade”, coletânea de postais que nos mostram as belezas que se espalhavam pelas ruas de Belém do início do século XX, realização da produtiva Secretaria de Cultura comandada pelo arquiteto Paulo Chaves, é tido por muitos como anterior a 1910. Isso porque ele está, dominando uma página, sobre um reverso de postal, com mensagem datada de 1910. No entanto, o desenvolver das informações acima nos deixa claro que a Fábrica Palmeira somente adquiriu essa fachada após a recuperação, que teria sido inaugurada em 1929. A assinatura do autor do postal, quando ampliada, aparenta ser de 1928, mas não há garantia, uma vez que se trata de uma reimpressão, embora de primeira qualidade e a partir de registro fotográfico também muito bom. Que tive oportunidade de manusear alguns na época de preparação do álbum, que teve a Albras como uma das patrocinadoras. Bem, fica a dúvida, que poderá ser esclarecida pelo proprietário do postal, o próprio Paulo Chaves Fernandes: o reverso apresentado nessa página é do postal em cujo anverso está a Palmeira?

 



Escrito por Fernando Jares às 18h30
[] [envie esta mensagem] [ ]



FUTEBOL E MARUJADA

MESKYTA NA ARTE DAS CARICATURAS

 

Caricaturistas diversos já pintaram e aprontaram neste espaço. Já disse que gosto muito do trabalho desses artistas – e o Pará os tem dos melhores, por esse mundo afora. São muitos os que têm sido aprovados ou convidados a participar de salões de humor, especialmente no exterior. Fui colega de diversos deles na redação de A Província do Pará, ou na publicidade.

Este um que está aí em cima, que eu fotografei enquanto ele me caricaturava, é o Luciano Meskyta. Com esse bragantino eu nunca trabalhei, mas acompanho sua caminhada, dos tempos do valoroso PQP, o Jornal Pra Quem Pode, do comendador Raymundo Mário Sobral. Mas o jovem tem andanças também pela Província (na fase terminal, infelizmente), Diário do Pará, A Tribuna do Pará, além de jornais de sua terra natal, onde começou. Quando eu era criança pequena lá em Capanema, município vizinho, Bragança já tinha, de décadas, o Jornal do Caeté. Luciano Meskyta também tem livros publicados: “Bragunças e Mais Bragunças" e “Rir Pra Não Chorar, Cartuns Postais da Bragatinidade”. Participou de salões de humor por todo o Brasil e no exterior – até vinheta “Plim-plim” para a Globo já fez. Você pode saber muitas coisas deste artista, indo ao sítio eletrônico dele (clique aqui) ou ao seu blog, (clique aqui).

No momento, ele está com a exposição “Caricaturas Hexa Brasil”, na entrada principal do shopping “It Center”, na Senador Lemos, onde mostra dez dos jogadores da seleção brasileira, como Robinho, Kaká, Luisão, etc. E faz caricaturas de quem estiver interessado. Exposição que ganhou hoje um bom espaço no jornal O Liberal, onde afirma que “a caricatura do Dunga será exposta em uma tela, sendo que o quadro fica afastado dos demais” – será que ele teme pela integridade de suas peças, diante de algum tropeço nacional, quando torcedores passionais decidam vingar-se sobre a figura do treinador...? O Luciano tem um esquema muito interessante de fazer caricaturas em eventos, o que é uma atração interessante. Andando pelas ruas de Belém, passe por lá, que vale a visita.

Como bom bragantino, Luciano Meskyta tem a alma infestada dos bons ritmos que embalam a marujada e, como bom artista filho dessa terra de muitas tradições, ele assim apresenta animada dança da marujada:


 



Escrito por Fernando Jares às 19h08
[] [envie esta mensagem] [ ]



AS TROCAS DE BELÉM

PALMEIRA, DE FÁBRICA A CAMELÓDROMO

O ideal de uma troca entre partes é a fórmula ganha-ganha, nos ensinam os teóricos. Infelizmente, na prática, o que vemos na maioria das relações de troca é a fórmula do ganha-perde, pendente para o de alguma forma mais poderoso.

Nesse ambiente, Belém anda fazendo trocas, ao longo de sua história, nada positivas para a cidade, para os munícipes, com muito poucos ganhadores, muitas vezes até de outras cidades... algo mais para uma fórmula perde-perde.

Já trocamos o belíssimo prédio do Grande Hotel por um caixote de concreto que abriga o Hilton, que já nem é mais o grande hotel que a cidade tanto esperava (ôpa, trocadilhou). Ainda recentemente trocamos o belíssimo painel em que o artista plástico paraense Osmar Pinheiro Júnior “reconstruiu”, por meio de belíssima pintura, os coloniais prédios da esquina do Boulevard Castilhos França com o Ver-o-Peso, pela criação de um artista paulista.

Uma das mais longevas trocas feitas pelas ruas de Belém, uma “longa novela”, como o saudoso jornalista Edwaldo Martins gostava de denominar essas situações, teve um grande capítulo no último sábado, 22/05 – quase concorrendo com final do seriado “Lost”... Neste nosso caso, tomara que não seja o último capítulo.

Belém trocou o belíssimo prédio da Fábrica Palmeira, que aqui é visto em postal dos anos 1920...

 

 

...pelo camelódromo pomposamente denominado “Espaço Palmeira”, inaugurado no sábado e visto aqui em cima, em registro do fotógrafo Fernando Araújo, publicado em O Liberal de 16/05.

Esse lugar tem sofrido muito. Atividades encerradas e prédio vendido, nos anos 1960, daria lugar ao primeiro shopping center de Belém, que levaria o nome de “Center Palmeira”, o que ficou só na esperança e acabou virando um buraco abandonado, passando de mão em mão e acabando na Prefeitura. Lembro que na administração Hélio Gueiros ganhou um gradil em toda a sua volta, como que para “proteger” o buraco. Que, a essa altura, já tinha nome: “Buraco da Palmeira” – triste fim para uma grande história. Na administração seguinte, de Edmilson Rodrigues, foi feita lá uma praça um tanto descampada, cuja função a cidade não percebeu, tanto que nunca foi utilizada como tal, apenas servindo para abrigar barracas de alguns camelôs, ou marreteiros, como dizíamos mais paraensemente. Havia um estacionamento sob a praça, ao que se dizia inutilizável, que virou ponto de pedintes, usuários de drogas, de assaltantes, registram as crônicas, inclusive nas informações oficiais da prefeitura. O fato é que a coisa fracassou e, mais uma vez o ponto ficou abandonado. Há alguns anos o atual prefeito prometeu fazer lá um camelódromo para abrigar os ditos comerciantes informais, que ocupavam irregularmente as calçadas de ruas como a av. Presidente Vargas, que teve de ser desimpedida por decisão judicial. Demorou, mas agora saiu isso que está aí. A troca está feita.

Ainda vou voltar ao assunto da Palmeira. Era muito bonito lá, uma prova da grandiosidade empresarial desta terra. Tem uma grande história, a não ser esquecida. Ano passado, na época do Círio, publiquei alguns anúncios antigos, veiculados em jornais locais, entre eles um da Fábrica Palmeira, de 1964. Para ler esse post, clique aqui.

Isso sem esquecer que no mesmo quadrilátero havia ainda o belíssimo e invicto Reservatório Paes de Carvalho, também demolido e vendido como ferro-velho.



Escrito por Fernando Jares às 20h49
[] [envie esta mensagem] [ ]



VIVA A FAROFA!

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Hoje em dia eu não vivo sem farinha!”

Claude Troisgros no programa “Menu Confiança Amazônia”, do canal GNT, em setembro/2009, depois de analisar inúmeras farinhas na feira do Ver-o-Peso (leia sobre, clicando aqui).

A farofa é uma instituição nacional, surgida provavelmente no período colonial, com a adoção do uso indígena de consumir a farinha de mandioca – planta de origem nacional, provavelmente aqui da Amazônia. Dessa forma, não é por acaso que temos cá a melhor farinha do Brasil.

Naturalmente a farinha enfrentou momentos difíceis na sua vida, até o dia em que foi aceita nas melhores mesas dos comensais nobres deste Brasil varonil. Até não muito tempo, ainda estava restrita à categoria de “comida regional do Norte e do Nordeste”. Só recentemente é que ganhou sua alforria completa, digamos assim.


Acho que um dos principais momentos dessa história do up grade das farofas, sendo entronizadas nos cardápios da alta gastronomia aconteceu há exatos cinco anos: em maio de 2005, aqui mesmo, pelas ruas de Belém! Foi no encerramento do V Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, a inspirada criação do chef paraense Paulo Martins, quando os grandes chefs, nacionais e estrangeiros, que aqui vieram para o evento, participaram de uma monumental criação coletiva: a “Farofada dos Chefs”.

Diz a Wikipedia que “a farofa é um prato culinário salgado de acompanhamento da cozinha brasileira cujo ingrediente principal é a farinha de mandioca ou a farinha de milho, geralmente passada na gordura à qual podem ser acrescentados inúmeros outros ingredientes”.

Foi exatamente o que eles fizeram: cada um foi colocando um tipo de ingrediente, naturalmente cuidando da harmonia necessária para o equilíbrio do prato. A foto aí em cima, feita por João Ramid e publicada em diversas revistas e jornais, é histórica e registra o começo dos trabalhos, quando Paulo Martins colocava o seu “tempero” e farofada começava a ser mexida. O que posso dizer é que a tal farofada, por incrível que pareça (panela que muita mão mexe...), ficou muito boa!

Hoje, chefs de estrelados restaurantes não abem mão de uma boa farinha – e muitos têm fornecedores daqui de Belém. Vide a entusiasmada declaração de Claude Troisgros na abertura desta coluna gastronômica. Alex Atala serve a farinha com requinte, como as “Ostras empanadas com tapioca marinada”, onde a farinha de tapioca ganha uma textura que a faz semelhante às pérolas, como já contei neste blog (para ler, clique aqui).

Pois bem, a farinha, na forma de requintadas farofas, vai enfrentar um outro desafio, na próxima sexta-feira (28/05): o jantar “Harmonização Tropical”, onde o jovem chef Thiago Castanho, do “Remanso do Peixe”, harmoniza seus criativos pratos com farofas especiais e a Grand Cru os harmoniza com vinhos. Metida essa farofa, até com vinhos!

O Thiago, além de talentoso na criação de pratos, é bom em farofas, como bom paraense. Mereceu do chef Claude Troisgros, no “Menu Confiança Amazônia” outra de suas frases de efeito: “nunca comi uma farofa tão boa!”, sobre a dita cuja que acompanhava um filhote assado na brasa. Eu já provei algumas dessas experiências farofíticas do Thiago e contei neste blog – para ler, clique aqui.

Essa “Harmonização Tropical” vai ter lugar na vinheria “Grand Cru”, na Brás de Aguiar, e tem no menu atrações, cada uma acompanhada de um vinho especialmente selecionado, como “Broa de farinha de tapioca com queijo coalho, na folha de bananeira”, como couvert. “Polvo confit” harmonizado com farofa de brioche com jambu, na entrada. O primeiro prato será “Pescada amarela salgada com mousseline de castanha-do-pará e queijo gruyère”, harmonizada com farofa de azeitonas secas e o segundo prato, “Pirarucu defumado ao leite de castanha-do-pará, com nhoque de banana da terra”, harmonizado com farofa de aviú e coco. Para o prato principal ele reservou “Lombo de filhote na brasa com alho assado” harmonizado com farofa molhada de camarão regional com banana nanica. A sobremesa tem “Bolo podre de chocolate branco empanado, toffe quente de café e sorbet de coco”, harmonizado com farofa de amendoim. Veja o Menu completo, com todos os vinhos, endereço, telefone, custo, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 20h37
[] [envie esta mensagem] [ ]



NO LEQUE DE ESTRELAS

90 ANOS DO CANTOR DA CIDADE SESTROSA

"Há muito que aqui no meu peito
Murmuram saudades azuis do teu céu
Respingos de ausência me acordam
Luando telhados que a chuva cantou
."

Você conhece essa música? Já até leu no ritmo? Essa é a melhor homenagem que podemos fazer ao autor: Edyr Proença.

Da minha geração todos conhecem Edyr Proença, pelo menos “de voz”. Das gerações seguintes muitos, mas muitos mesmo, o conhecem de voz, de escritos, de músicas, de filhos.

Hoje faria 90 anos Edyr de Paiva Proença, jornalista, letrista, compositor, advogado, escritor, bancário, cronista, radialista, pai do Edgar Augusto, do Janjo, do Edyr Augusto, amigos e colegas com quem já trabalhei. Infelizmente Edyr se foi em 1998, deixando um rastro de competência, de amizades, de reconhecimento.

Sua grande marca popular foi como radialista, pioneiro na Rádio Clube do Pará, filho de Edgar Proença, um dos criadores da emissora – que é a quarta mais antiga do país. Narrador esportivo e, depois, comentarista muito respeitado. Quantos jogos o ouvi comentar, desde antes de eu imaginar, um dia, ser radialista – na mesma rádio que me acompanhava desde a infância.

Mas não é menos conhecido como compositor: autor da música de um dos maiores clássicos que canta o viver pelas ruas de Belém – “Bom dia, Belém”, (a desse trechinho aí em cima), com letra de sua cunhada Adalcinda Camarão. Esta é, provavelmente, a música paraense com maior número de gravações. E todas ótimas, porque as pessoas cantam não apenas com a voz, mas também com a alma e com o coração. Você quer ouvir? Então clique aqui, para acessar, no site do BregaPop a versão com o próprio Edyr Proença, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Edgar Augusto e Jane Duboc. Vê só que time fantástico? É pra quem merece!


Escrevo e ouço diversas de suas criações, em um CD produzido pela UFPA, em 1993, que leva o nome do autor, e reúne muita gente boa na interpretação, como Walter Bandeira, Nilson Chaves, Maca Maneschy, Edgar Augusto, Lucinnha Bastos, Almirzinho Gabriel. Deste CD não tenho o libreto, comprei-o já assim, degolado, mas com a beleza da composição integral, em uma Feira do Livro. Consegui informações das faixas na internet, inclusive uma capa, autografada para seu grande amigo e também compositor, Almir Morrison. Depois vou ouvir o “Clube do Camelo”, uma turma de amigos talentosos e onde ele participa em algumas faixas.

Dele registra Vicente Sales, em “Música e Músicos do Pará”, a grande enciclopédia de nossa melhor produção musical:

Sempre gostou de dedilhar o seu violão e cantar em serestas, produzindo uma e outra canção sem compromissos formais. Escrevia versos para outros musicarem. Durante algum tempo fez parceria com o pianista Guiães de Barros. A dupla produziu: Fracassada, Adeus, Saci Pererê, Roguei, Maria Rosa, Mademoiselle Cinema, Minha Negra, João Ninguém e outras. Um dia o filho Edyr Augusto apresentou-lhe uma letra para que musicasse. Assim, nasceu “Amor Perfeito”, e a situação quase se inverteu, tornando-se EP também criador de melodias. Com Edyr Augusto produziu para o carnaval de 1976 o samba-tema “Cobra-Norato, Pesadelo Amazônico”, apresentado pelo Império de Samba Quem São Eles. Para a mesma agremiação carnavalesca, compôs músicas exaltativas, destacando-se sua parceria com J. J. Paes Loureiro em “Barca da Nostalgia”, 1974. Participou de outro concurso interno do Quem São Eles com “Largo de Nazaré, fantasia do passado”, com Edyr Augusto, carnaval de 1976, e, no ano seguinte, participou do Festival Três Canções Para Belém. Ganhou a 4ª colocação com “Bom dia, Belém”, letra de Adalcinda Camarão, gravado por Edgar Augusto no disco do Festival, por Fafá de Belém e por Leila Pinheiro. No carnaval, integrou a Ala de Compositores do Quem São Eles, com parceiros como Edyr Augusto, António Carlos Maranhão, J. J. Paes Loureiro, Lauri Garcia, Alcyr Guimarães, Alfredo Oliveira, David Miguel e Ronaldo Franco, participando ainda da criação dos sambas “Pai D'Égua”,” O Escambau do Comendador Sobral”, “Waldemar Henrique, o Canto da Amazônia” e “Preamar, cultura do Pará”. No carnaval de 1978, o grande sucesso foi a marchinha “Cala-te boca!”, que fez de parceria com Ruy Guilherme Barata. Eleny gravou “Presença”, com letra de Celeste, sua mulher; o Grupo Oficina e Lucinha Bastos gravaram “Meu Pajé”, de parceria com Ruy e Paulo André Barata”.

Fiquemos com estes versos de amor a sua terra natal, a cidade morena, que Edgar Proença cronicava, que Edyr cantava, que um dia, nas mãos dos filhos, virou nome de rádio:

Belém que é morena sestrosa
Recendendo a baunilha e jasmim,
Que às vezes se faz de dengosa
E passa fingida diante de mim.
Você que é toda a cidade,
Cidade Nova, Largo da Sé
É Santa, é Senhora, é Maria,
É Belém, que é Nazaré.

Belém que é Nazaré – Letra e música de Edyr Proença – para ouvir Ana Cristina cantar, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 19h57
[] [envie esta mensagem] [ ]



O QUADRO QUE VIROU CÉDULA...

...É A CONQUISTA DO RIO AMAZONAS

 

Hoje é o Dia Internacional dos Museus, data este ano está a merecer uma grande comemoração pelo país afora, por uma semana – a programação, este blog antecipou aqui.

Ao ver essa tela aí em cima, “A Conquista do Amazonas”, com destaque em O Liberal de hoje, lembrei-me da importância da obra para a cultura regional. É a maior tela exposta em museu no Pará, trabalho de um dos maiores pintores nacionais, Antonio Parreiras, que foi pintada por encomenda do governador Augusto Montenegro, em 1907, para o palácio dos governadores, hoje Palácio Lauro Sodré/Museu do Estado. Detalhe interessante: foi o primeiro dos grandes quadros históricos que notabilizaram Parreiras, que “pegou gosto” por essas obras monumentais a partir dessa.

A pintura refere-se à conquista do rio Amazonas, pelo navegador Pedro Teixeira (homenageado pelas ruas de Belém com uma praça e uma estátua, no início da Presidente Vargas) e não ao Estado do Amazonas, como muito se confunde. O Pedro Teixeira seria esse de azul-celeste ao centro, ao lado de um porta-bandeira a executar algum passo coreográfico.

Este quadro era muito famoso nos meus tempos juvenis, provavelmente não pela magnificência da arte do Parreiras, mas por uma das personagens retratadas, uma índia nua, languidamente recostada em uma árvore...

Provavelmente, este é o quadro de maior exposição nacional dos aqui existentes: durante décadas essa pintura foi a ilustração do reverso da nota de CR$ 5,00, isto é, cinco cruzeiros:

 

Essa cédula circulou no país de 1944 a 1967! Foi, portanto, uma longa exposição de nossa tela. Como se vê, tem escrito apenas “Conquista do Amazonas”, daí ter criado essa imagem de ícone do vizinho Estado, tendo o Pedro Teixeira sido praticamente esquecido. Essa cédula teve, no início dos anos 1950, pequenas alterações, mas continuou circulando. No reverso, fora quase imperceptíveis mudanças no desenho dos números, teve alteração na legenda. Na primeira versão estava escrito apenas “Amazônia”. No anverso é que as mudanças foram maiores, como se vê nas duas cédulas abaixo. Esta primeira é a mais antiga, tem apenas uma rubrica sobre a cédula. Na segunda versão é que surgem as assinaturas do ministro da Fazenda e do diretor da Caixa de Amortização (hoje substituído pelo presidente do Banco Central). Enquanto a anterior afirmava: “Se pagará ao portador desta a quantia de ___ no Tesouro Nacional”, quer dizer, o papel tinha um valor correspondente no tal Tesouro Nacional, na versão seguinte a frase sumiu e ficou apenas o “Tesouro Nacional”. Compare as duas:


 

Aproveitando esse papo, deixa eu dizer que essa cédula teve uma outra, que circulou, em sobreposição, por pouco tempo, no comecinho dos anos 1960 – acho que foi a primeira feita na Casa da Moeda. Ficou famosa como a cédula do índio, por ter como elemento principal no anverso o perfil de um índio, mas também homenageava um jangadeiro, pretendendo destacar os diversos tipos da raça brasileira:

 

Prestou-se a nota a pelo menos uma brincadeira, que fazíamos no colégio e com os amigos, especialmente logo que ela foi lançada. Apresentava-se a nota e o desafio de ver uma mulher nua e um índio fumando. Como era novidade, a pessoa logo procurava na ilustração, algo semelhante. Não esquecer que, na outra nota de CR$ 5,00, havia a índia pelada do Parreiras... Nada achando, era feita a apresentação: pegava-se a nota e dobrava-se bem na direção dos lábios do índio, que eram levados até aquele rabinho final do número cinco, que parece um cachimbo... Quando a pessoa perguntava pela mulher nua a resposta era algo assim: “mas tu queres ver uma mulher nua com 5 cruzeiros?”

No reverso a Amazônia não desapareceu totalmente, pois ficou uma vitória-régia:

 



Escrito por Fernando Jares às 19h25
[] [envie esta mensagem] [ ]



BUBUIAR ENTRE AS ESTRELAS

A VIDA COM A NATUREZA PELOS RIOS DE ORIXIMINÁ

 

Já escrevi aqui de meus amores e quereres por Oriximiná, cidade do oeste paraense que entrou na minha vida, por via de uma oriximinaense, há 39 anos. Em uma família que ama aquelas terras, sempre ouvi histórias maravilhosas e belas canções. Quando lá cheguei, tudo que sempre ouvi tornou-se real diante de meus olhos. Você pode ler e ver alguma coisa clicando aqui, onde conto de minhas andanças por lá, no ano passado, para acompanhar o magnífico Círio de Santo Antonio, espetáculo único, na noite do primeiro domingo de agosto.

Hoje em vi um documentário muito interessante sobre esta cidade, no santareno Conexão Oeste, de Emanuel Júlio, que divido com vocês. Foi indicação da jornalista Franssinete Florenzano, no Twitter. Anuncia Oriximiná como o terceiro maior município do mundo! Deixemos nosso habitat, pelas ruas de Belém, para ir lá, clicando aqui.

A trilha sonora desse documentário é uma belíssima composição sobre a cidade. A letra é do poeta (abaetetubense) João de Jesus Paes Loureiro, com a música e interpretação de Nato Aguiar. Para a mesma poesia, há uma outra música, de Nelson Vinente, em gravação muito linda da afinadíssima Jeanne Darwich. Ouça o Nato Aguiar, clicando aqui e acompanhe a letra, abaixo. Quem conhece, vai se sentir lá, quem não conhece, saiba que está perdendo uma das mais lindas paisagens da terra paraense.

Essa tarde deitando no Iripixi
Essa noite desnuda que quer se dar
Esses barcos chegando daqui e dali
Por entre as estrelas a bubuiar
Essa lua nascendo no teu olhar
Essa rede onde as pernas se vão lamber
Na rede de rendas nesse enroscar
Do amor que as escápulas faz gemer

Orixi me dá
O tempo que fui no tempo que sou
Orixi me dá
De novo esses sonhos que o vento levou
Orixi me dá
Tua clave de sol que minha canção se oriximinou
Uma estrela mergulha no azul do rio
Do rio emprenhando a pré-a-mar
Um colo de lua treme de frio
Pras bandas do lago Sapucuá
Que vale penar sem ser na canção?
Que vale a canção se não se cantar?
Que vale cantar sem que o coração
Se faça o violão de Oriximiná?

De onde esses pássaros vem voando?
Pra onde esses pássaros vão voar?
Pró lado das praias do Caipuru
Pras margens tão belas do Nhamundá
As garças pousando no Iripixi
Recobrem de asas o teu olhar
Quem dera que eu fosse esse bem-te-vi
Que vive te vendo sem te assustar



Escrito por Fernando Jares às 20h13
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM RISTORANTE EM CASA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Um fast-food uma vez por semana não é um problema. Mas temos pessoas em nosso país comendo delivery e fast-food todos os dias, e essa é uma das razões pela qual temos um problema de obesidade.”
Chef
inglês Jamie Oliver, em entrevista à jornalista Beatriz Marques, na revista Menu (leia aqui).

No início, havia alguém que mandava “deixar em casa” algum prato de comida. Havia também os entregadores de “marmitas” com as refeições completas para o dia a dia, alguns com opções que não repetiam por toda a semana, ou mais. A necessidade era basicamente não ter como, ou quem, fizesse a comida. Uns poucos, para variar o cardápio.

A demanda por esse segmento cresceu e os fornecedores especializaram-se. Hoje é um ramo fortíssimo do negócio da gastronomia – e até ganhou nome em inglês: delivery! As ofertas sofisticaram-se, acompanhando os melhores restaurantes.

O comodismo influenciou bastante. E hoje até a insegurança das cidades contribui para a decisão, individual, em par ou familiar: “vamos pedir alguma coisa”. Aí, abre-se uma preciosa gaveta e lá estão tentadores cardápios de variados tipos. Ou, os mais moderninhos, abrem a pasta “Delivery” em seu arquivo de “Favoritos”, na internet.

Mas, como escolher o que pedir? Cada grupo social tem suas regras e não vou discutir isso aqui.

Gostamos, em casa, de fazer uns pedidinhos, naturalmente sem a paranoia descrita aí em cima pelo Jamie Oliver. Mas, como ele mesmo admite, um dia aqui, outro acolá, a coisa vai muito bem. Fica o alerta, diante do que vem a seguir!

Na concepção cá da família, o rei do delivery é o “La Traviata Espresso”. São muitas as opções pelas ruas de Belém, como as emoções do Roberto Carlos. Tenho experimentado diversas, mas reconheço, os pratos do “La Traviata” são tiro certeiro. Acho que o Verdi ficaria feliz da vida com a destinação do nome de sua clássica composição. Aqui composta com outros elementos, mas com resultando igualmente brilhante.

Nossa mais recente incursão foi domingo passado e, embora em dia complicado para qualquer cozinha (Dia das Mães), o atendimento foi no prazo informado, os pratos estavam todos muito quentinhos e, o fundamental, deliciosos.


A dona da festa pediu essa maravilha que está aí na foto. É uma composição de sabores harmonizados em equilíbrio correto, o “Risoto di Gamberetto al pesto”, que vem a ser camarão e brócolis temperados, puxados na manteiga, com arroz arbóreo e molho pesto (uma delícia que tem por base o manjericão). Não é apenas bonito de se ver: é gostooooso – e pode encompridar a palavra, que ele merece. É o preferido da Rita no cardápio, seja ao vivo lá, nesse agradável ristorante, seja pelo “La Traviata Espresso”. Para mim, é a segunda melhor opção oferecida. A primeira é esta:

 

Gosto sempre do “Filé à Paillard”, tradicionalíssimo na casa, um prato muito conhecido nos restaurantes italianos, mas que aqui ganha, sei lá, um toque especial – aquele capaz de provocar água na boca na hora em que escrevo estas benditas palavras: filé baixo, grelhado com fettuccine ao creme. Foi o que pedi, obviamente, para ter a garantia de um almoço feliz, em uma data tão importante. A foto aérea dele está aí, passado no ponto certo, com um molho que faz a diferença – e que eu puxei logo um pouquinho para cima do fettuccine, dividindo a saborosidade. Fico sempre com uma indagação existencial: eu peço este prato por causa da massa que acompanha o filé ou por causa do filé que é acompanhado pela massa? Destaque-se o cuidado na arrumação das quentinhas, o que permitiu que fizesse as fotos, até com o detalhe do tempero verdinho...

 

O camarão também foi o determinante em outro prato pedido: o “Camarão La Traviata”, que leva às costas a responsabilidade e o peso do nome do restaurante. Os crustáceos são tratados na manteiga e servidos com molho branco e espaguete. “Eles são muito bons com estes molhos brancos!”, exclamou a Bruna, plenamente recompensada com a escolha feita.

 

Socializados entre os participantes do ágape, provamos todos de todos os pedidos. Assim pude comprovar as delícias que afirmavam os titulares das escolhas, inclusive esta aí, uma massa (fettuccine) com molho “Alla Carbonara”, que o cardápio anuncia composto de bacon, creme de leite, cebola, ovos e queijo, uma escolha mais que acertada do Emerson, com a autoridade de quem já tem intimidade com a ementa da casa, como dizem os lusitanos (ops, por que eles entraram nesta história? Mas ficam, são gente muito boa... e com uma cozinha!).



Escrito por Fernando Jares às 20h53
[] [envie esta mensagem] [ ]



OS 70 ANOS DO BOB JARES

 

Vivo fosse, faria hoje 70 anos uma das figuras mais agradáveis que o jornalismo paraense já produziu, Roberto Jares Martins, morto aos 52 anos de “uma doença de nome complicado”, como disse o Euclides “Chembra” Bandeira, àquela altura – e que eu, por algum tipo de bloqueio mental, nunca consegui lembrar. Nem o quero. Sim, somos primos, mas não considero suspeito fazer esses elogios a ele. Os muitos e muitos que o conheceram, que com ele trabalharam, como eu mesmo, tantos anos em A Província do Pará, sabem que é exatamente a verdade. Nossas mães, Inocência, a minha, e Carmen, a dele, eram irmãs e casaram com uns Martins, não parentes entre si. Assim, ficamos com sobrenomes iguais, sem sermos irmãos, mas sendo primos. Embora isso, nosso relacionamento se deu apenas quando ambos já adultos, curiosamente tendo ambos, por vias diversas, optado pela comunicação como crença e caminho de vida. Mas o dia é dele, deixa eu sair.

O Bob, como o chamavam os amigos, era dessas pessoas que, acredito, todo mundo gostava aqui pelas ruas de Belém. Cara sério, peito aberto, competente, amigo, chefe leal, orientador. Fez carreira completa no jornalismo, começando repórter pela Folha do Norte e Folha Vespertina, foi do vespertino A Vanguarda e de A Província do Pará, estas duas últimas, publicações dos Diários e Emissoras Associados, em Belém. Fez muito sucesso na TV Marajoara com programas como o social, de entrevistas, “Domingo, depois das 9” e o “Qual é o assunto?”, de reportagens variadas. Na Província, lembro-me bem da “Síntese Social”, “Roberto Jares faz oito colunas” e “Primeira Coluna”, que escreveu até seus últimos dias de trabalho.

O sucesso como profissional de jornalismo o levou ao mundo executivo, primeiramente dirigindo a TV Marajoara, depois os Diários Associados em Belém, como superintendente, chegando a postos nacionais da rede Associada.

Quando o governo Figueiredo extinguiu a Rede Tupi, a Marajoara foi uma grande vítima: se as do Rio e de São Paulo tinham problemas, como grandes dívidas, a de Belém estava muito bem, com vida empresarial saudável. Foi levada pela avalanche de outros interesses... Por sinal, a TV Marajoara não foi tirada do ar: o Jares, sempre bem informado, tendo certeza da publicação do decreto presidencial no Diário Oficial do dia 17/07/1980, encerrou a programação aos 17 minutos dessa sexta-feira. Não deu aos fiscais do governo o gostinho de tirar os cristais do transmissor!

Muitas homenagens foram feitas ao Bob, como essa ilustração lá em cima, do Biratan Porto, publicada em A Província do Pará de 24/11/1992 – não está completa aqui, porque era página quase inteira e não coube no meu scanner. Ele é o patrono da Cadeira 5, da Academia Paraense de Jornalismo e tem até rua com o nome dele em Mosqueiro, que ele tanto amava.

Fica aqui um registro amigo e saudoso. Dizem que as pessoas não fazem falta, que sempre podem ser substituídas. Hoje tenho muitas dúvidas sobre isso. Tem gente que faz e fará sempre falta para os parentes, para os amigos, para a empresa em que trabalhava, para a sociedade. O Jares é um desses.

Aqui abaixo, dois grande nomes da nossa tevê pioneira, a Marajoara, o Roberto Jares e o Abílio Couceiro, no cenário do “Qual é o assunto?” – foto do livro “Memória da Televisão Paraense”.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h22
[] [envie esta mensagem] [ ]



OPALAS E CEGONHAS

O VETERANO E OS RECÉM-NASCIDOS

 

Da série veículos pelas ruas de Belém, olha aí em cima o Opala que vi estacionado, quase aninhado, no meio de tantas folhas não varridas, imagem constante nestes últimos tempos nestas bandas. Carrão que agrada aos olhares de quem curte carros antigos – e sempre tem um ou outro que dá uma paradinha para observar a máquina. Funciona regularmente.

 

Agora temos aí está uma bela cegonha, cheia de automóveis novinhos, recém-nascidos, sendo entregues na maternidade-revenda, bem no centro da cidade. Deve estar se sentindo muito bem, meio em casa, pelo ambiente onde pousou para deixar seus carrinhos: ao lado do parque zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi. Lá dentro, algumas meio-primas-(animais) desta cegonha mecânica sofrem o estresse da vizinhança destes e de muitos outros gigantes a derramar poluição (sonora, aérea, etc.), perturbando a vidinha delas e de tantos outros animais que lá vivem, para alegria e estudos dos humanos. Esta revenda instalou-se ali no ano passado.



Escrito por Fernando Jares às 21h56
[] [envie esta mensagem] [ ]



MUSEUS: UM PAPEL EM DISCUSSÃO

HARMONIA SOCIAL É COISA DE MUSEU?

 

Belém terá participação ativa na 8ª Semana Nacional dos Museus, que começa na próxima segunda-feira (17/05) e que comemora o Dia Internacional dos Museus (18/05), trabalhando o tema “Museus para a harmonia social”, que procura trazer para discussão o papel do museu como uma instituição conectada ao mundo contemporâneo e interessada na vida social, política e econômica da sociedade.

Teremos eventos envolvendo muitos dos museus existentes pelas ruas de Belém, como o Centro de Memória do Tribunal de Contas do Estado, ma Quintino com Nazaré; o Ecomuseu da Amazônia, que fica no Centro de Referência em Educação Ambiental Fundação Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira, em Outeiro; o Museu de Arte da UFPA, na Generalíssimo Deodoro com José Malcher; o Museu de Arte de Belém, no Palácio Antonio Lemos; o Museu de Geociências da UFPA, no campus do Guamá; o Museu Paraense Emílio Goeldi, na Magalhães Barata; o Sistema Integrado de Museus e Memoriais, na Feliz Lusitânia; e a Unama, que criou até uma Semana própria, em adesão a esta movimentação nacional.

O detalhamento da programação para o Estado do Pará você pode ler clicando aqui.

A Universidade da Amazônia realiza a sua 2ª Semana de Museus na Unama, informa o Núcleo Cultural/Casa da Memória. A programação constará de mesas redondas, oficina e apresentação de documentários. Todos os eventos acontecem no Campus Alcindo Cacela. Na abertura, dia 17 (segunda-feira), às 19h, será discutido o tema “Identidades Amazônicas nos acervos dos Museus de Arte”, pelos professores Jorge Eiró, Marisa Mokarzel e Renata Maués. Em seguida, abertura de exposições e show musical “Árvores Ar”, com Rafael Barros, com pesquisa musical sobre ritmos e sons da Amazônia. Na terça, às 15h, mesa redonda “Belém: história, arquitetura, memória e sociedade”, com as professoras Ana Cristina Lopes Braga, Filomena Longo e Elna Trindade. Na quarta, também às 15h, o tema é “Estrutura de museus e musealização dos bens culturais”, pelas professoras Maria Rosângela Britto, Jussara Derenji, Terezinha Rezende e professor Tadeu Costa. Quinta-feira, 15h, é a vez das “Poéticas Visuais: processo criativo em debate” com o professor Erasmo Borges e cineastas Jorane Castro e Vitor Lima, com apresentação de documentários. De quinta a sábado acontece a oficina “A construção de bonecos como ferramenta na educação patrimonial”. De segunda a sábado será exibido o documentário “Acácio Sobral e Max Martins – artistas paraenses”

Veja a programação detalhada da Unama, clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h11
[] [envie esta mensagem] [ ]



A PRATIQUEIRA É UM PEIXÃO

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA (1)

“Em Soure, depois da praia do Pesqueiro, com muita cerveja, caipirinha, caranguejo ao toc-toc e pratiqueira frita, jogo de futebol e outras transas, a pedida era a Pensão da Fuluca, um ambiente singelo e aconchegante.”

Octavio Pessoa Ferreira, jornalista e advogado, na crônica “Na pensão da Fuluca”, publicada no “Blog do Piteira”, do jornalista José Maria Piteira – leia a crônica, clicando aqui.

A pratiqueira frita é uma instituição paraense. Uma delícia a despertar as melhores sensações gustativas em quem tem a felicidade de comer esse petisco. Crocante, todacomível. Quando maiorzinha tira-se dela o espinhaço. Quando menorzinha, é como as melhores sardinhas, vai tudo. Mas, vos asseguro, é mais saborosa que as melhores sardinhas, não fosse venturosa habitante das águas amazônicas. É um peixinho, mas que merece ser chamado de peixão, com aquele sentido com que antigamente se designavam as belas mulheres de mais belos corpos. Um peixinho/peixão que provoca grandes prazeres.

Meus primeiros tempos vivi-os às margens do rio Guamá, aqui mesmo em Belém, nas beiras da Estrada Nova, ali no Jurunas, e muita pratiqueira entrou na minha ração alimentar. Ficou-me o registro cultural e, vez por outra, lá vou eu à procura delas.

Meu mais recente encontro com as pratiqueiras foi no restaurante “Point do Açaí”. Veja como foi o defrontamento:

 

Aí estão elas, enfileiradinhas, no ponto recomendável, prontas a serem prazerosamente degustadas – um prazer recíproco, imagino. “O Point do Açaí”, (já falei dele anteriormente aqui), é especialista em comidas regionais acompanhadas de bom açaí. Aliás, foi escrevendo um post sobre essa nossa frutinha mágica que decidi ir até lá – já sonhando com as pratiqueirinhas.

Nesse dia não estavam disponíveis em tamanho pequeno, só das mais grandinhas. Mas estavam saborosas, crocantes como eu as imaginava: a cabeça estilhaçava na boca, uma sensação única.

Ao acompanhamento, como é fácil perceber na foto, tive decisão a tomar (literalmente). É que os trabalhos começaram com umas Cerpinhas, acompanhadas de iscas de pirarucu – gente, estavam ma-ra-vi-lho-sas! ô peixe abençoado! Aí chegaram as praticas (intimidade permitida pelas Cerpinhas) acompanhadas de seu fiel escudeiro, o açaí, e fez-se necessária a opção. Sei que não é obrigatória, mas não gosto de cerveja com açaí... Decidi salomonicamente: Cerpinha, com as primeiras peixinhas, seguindo a receita do cronista acima e, depois, entrou em ação o eutérpio acompanhante. Ele também estava como devia ser, com uma textura que afaga a língua e aquele gostinho indescritível, que só consegue sentir quem vem passear pelas ruas de Belém. E olha que não havia disponível a versão “papa”, tão gostada pela religiosidade da Rita – tivemos que nos contentar com postos hierarquicamente menores. Mas igualmente competentes.



Escrito por Fernando Jares às 15h36
[] [envie esta mensagem] [ ]



TAPIOQUINHA PAI D’ÉGUA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA (2)

“Transportando cargas e passageiros no trecho Santarém/Belterra/Santarém, com parada no bar/lanchonete da Dona Mariana, na colônia Morada Nova, onde era servido saboroso café com broa e tapioquinha”

Ércio Bemergui, jornalista, radialista, blogueiro, na crônica “Te lembras?”, no jornal “Uruá-Tapera” online, de Franssinete Florenzano. Leia na íntegra, aqui.

 

Já cantei neste blog, em outra oportunidade, louvores às tapioquinhas, inclusive contando a experiência que tive com um tapioqueiro de rua, em São Paulo. Pra ler, clique aqui.

Dia destes fui tomar o café da manhã na “Tapiocaria Pai d’Égua”, exatamente a mesma que citei no post acima, que agora tem nome e cardápio variado. São 24 tipos de “salgada”, como se chamam as que levam sal, em oposição às “doces”, que são 19! Fica na Antonio Barreto, entre D. Romualdo e Wandenkolk, bem em frente ao laboratório Amaral Costa.

Veja como iniciamos os trabalhos alimentares dessa manhã domingueira:


Aquela em segundo plano é de queijo cuia (R$ 4,00) e na frente está uma de queijo, que vem a ser recheada com mussarela (R$ 2,50) e estava bem crocante, sem ficar dura – os escurinhos são marca de uma frigideira trabalhada em muito uso... A Rita não dispensa a tradicional de manteiga (R$ 1,20), também nos trinques.

Como gosto de novidades gastronômicas pelas ruas de Belém, pedi a “Paraense”, com camarão rosa e jambu (R$ 8,00), mas o camarão estava em falta e tive de adiar o desejo. Em compensação, fiz uma opção luso-anglo-paraense. Veja-a cá abaixo:


É a denominada “Bacalhau” (R$ 7,00). Isso mesmo, uma tapioca recheada com bacalhau desfiado, azeitonas, cebola e molho inglês! E aí? Eu me dei bem, deliciosa – apenas estava com o sal um pontinho acima da recomendação aos hipertensos, mas, como ainda não é meu caso, continuo adorando um pontinho de sal acima... que minha cardiologista não me leia! Gostei da mistura inusitada. Você notou que esta uma foi servida em prato, com talher? Usei-o apenas para cortar e mostrar o recheio, mas comi mesmo com a mão... que fica mais gostosa! Foram todas acompanhadas por um café pretinho e espertinho, no jeito.

Como disse, são muitas as opções, que vou experimentar de outras vezes, mas adianto algumas: pirarucu com queijo e cebola; pernil desfiado com queijo e cebola; a “Americana”, de ovo frito com bacon e mussarela; de atum com curry; dois queijos; filé frito com mussarela, etc. Nas doces tem de cupuaçu com castanha-do-pará; cupuaçu com queijo cuia; castanha-do-pará com leite condensado e por aí afora.



Escrito por Fernando Jares às 15h29
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM ENCONTRO PESSOAL

FERNANDO PESSÔA LANÇA LIVRO EM BELÉM


Pretendo viver, logo mais, uma experiência absolutamente inusitada, nunca antes prevista, sequer imaginada. Como fiel amador* da poesia de Fernando Pessoa, devo ir ao lançamento do livro “Encontro Pessoal”, de Fernando Pessôa, às 19h30 desta quinta-feira, 06/05, no Centro Cultural Sesc Boulevard (espaço que aproveitarei para conhecer), ali ao lado da Estação das Docas.

Você deve ter notado uma pequena diferença entre as duas pessoas citadas nesse encontro: um tem acento circunflexo e o outro não o tem. Pois é isso mesmo: o livro não foi escrito pelo Pessoa lá de Lisboa, mas pelo Pessôa que vive cá, pelas ruas de Belém.

O Pessôa, que ora lança seu livro é meu conhecido, dos tempos dos grandes carnavais do “Quem São Eles”, quando fez maravilhas com ilhas, Eneidas e outros paraensismos. É arquiteto, professor, escultor, cenógrafo, design, um homem das artes plásticas. Mas, revela-se agora a “modelar palavras”, após modelar tantas esculturas, para usar imagem (sem trocadilho...) criada em belíssima reportagem de Alexandra Cavalcanti, publicada em O Liberal de terça-feira: “O criador lança mais uma cria”. Leia o texto dessa matéria, clicando aqui. e saiba muito mais sobre este nosso Pessôa.

A capa do livro está aí em cima. E eu estou contando os minutos para ir ao conteúdo. Depois, vou escrever sobre o livro e sobre outros trabalhos do Fernando Pessôa.

*Expressão que fui buscar no livro “Breviarium”, da professora Amarílis Tupiassu, onde ela se declara fiel amadora da obra do padre António Vieira, que ali apresenta.



Escrito por Fernando Jares às 12h58
[] [envie esta mensagem] [ ]



O CIENTISTA RELIGIOSO...

...OU O RELIGIOSO CIENTISTA

Neste dia 04/05 completou um mês o falecimento do padre José Maria Albuquerque, no domingo da Ressurreição, 04/03 – sobre quem escrevi neste blog no dia imediato.

Homem de religião e de ciência, sua morte motivou um exercício de lembranças e reflexões sobre seu valor extraordinário. Entre o que li, quero destacar uma frase de muita força emocional, com certeza escrita com o coração: está no comentário ao post que acabo de referir:

“O Pe. Zé é uma daquelas criaturas que, depois da gente conhecer, podemos afirmar: Valeu a pena ter vivido!”

Escreveu-a o agrônomo e professor universitário Carlos José Esteves Gondim. Você pode ler todo o comentário, que retrata com muita fidelidade a personalidade do padre Zé Maria, clicando aqui. Para ler o post sobre o padre Zé, clique aqui. Aliás, este post teve replicabilidade pelas ruas de Belém: foi transcrito em sua maior parte pelo jornal Voz de Nazaré, na seção “Carta do Leitor” e também reproduzido no site das Equipes de Nossa Senhora/Região Norte II, que você pode ver clicando aqui.

Em O Liberal, além de matérias no caderno “Atualidades” o jornalista Bernardino Santos destacou, em nota intitulada “Grande Perda”, que quando o padre José Maria Albuquerque morou em Manaus fazendo doutorado, também serviu à igreja, sendo responsável pela paróquia São Geraldo. E mais: “Defendeu tese com brilhantismo e daí surgiram dois livros, por ele ilustrados, com desenhos feitos à mão, sem nenhum recurso de computador, de centenas de folhas e flores medicinais. O Instituto de Pesquisas da Amazônia, com sede em Manaus, tinha-o como um de seus pesquisadores mais brilhantes.”

O também obidense Hugo Antonio Ferrari, registrou na seção “Cartas na mesa” de O Liberal, suas “Lembranças do padre José Maria”, terminando assim: “Muito respeitado nos meios científicos, padre José Maria deixou um extraordinário legado para as gerações futuras. Suas contribuições para o avanço da ciência foram inestimáveis. Como obidense que sou, fico feliz e orgulhoso por ter tido um conterrâneo tão ilustre, porém simples, a exemplo dos discípulos de Jesus.” Você pode ler o texto na íntegra, clicando aqui.

O jornal católico Voz de Nazaré a ele dedicou matérias muito interessantes, como “Cônego deixa saudades” (leia, aqui), onde monsenhor Geraldo Menezes escreveu bela crônica de lembranças do padre Zé: “Relembro o zeloso sacerdote que ocupou várias paróquias do interior, enviado sempre como alguém que iria sanar problemas pastorais, onde se impunha sempre pela sua retidão e zelo apostólico”, concluindo: “Cônego José Maria, prepara-me um lugar junto ao Pai, tu que morreste no sábado santo, para gozar da Páscoa do céu.”. Você pode ler na íntegra o texto “Páscoa no Céu”, clicando aqui.

Para completar, o padre Cláudio Barradas, também na Voz de Nazaré vem escrevendo uma série de crônicas em que o padre José Maria é o balizador de reflexões sobre temas desde a prática de apelidos... (leia a primeira, clicando aqui).



Escrito por Fernando Jares às 21h39
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]