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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


O HOMEM DA PRIPRIOCA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“A proximidade do restaurante com Amazônia significa que ele (Alex Atala) pode ter em mãos uma infinidade de ingredientes fora do alcance de muitas outras cozinhas top do mundo”.

Stefan Chomka, jornalista do The Guardian, apresentando o chef brasileiro Alex Atala, do D.O.M., um dos “World's 50 Best Restaurants-2010”.

“Lula chacoalhada com água, sal e gelo, com perfume de priprioca, em álcool de cereais”. Entendeu? Achou difícil? Agora imagine uma plateia de chefs internacionais, no evento “Peixe em Lisboa”, no início deste mês. Certo que o mestre que mostrava como fazer era o brasileiro Alex Atala, o titular do 18º melhor restaurante do mundo (D.O.M.). Respeitadíssimo, é um ícone internacional da nova cozinha brasileira, originária da floresta... amazônica. É, nada mais, nada menos, do que a moderna, contemporânea, cozinha criada pelo chef paraense Paulo Martins e por ele mostrada ao Brasil. Atala aprendeu muito bem a lição e a projetou no espaço gastronômico de São Paulo e daí para o mundo.

Alex é o chef brasileiro de maior projeção mundial e seu restaurante, o D.O.M., de São Paulo (que já foi assunto neste blog. Clique aqui para conhecer, inclusive, o que quer dizer este nome), foi anunciado na segunda-feira passada como o 18º Melhor do Mundo, no disputadíssimo ranking do prêmio “The S.Pellegrino Best Restaurants in the World”, levando ainda o título de “The Best Restaurant in South America”. Para você ler a relação completa, clique aqui. Na própria segunda-feira este grande prêmio foi anunciado pelas ruas de Belém: para ler, clique aqui.

Há anos que ele pesquisa recursos naturais brasileiros para a gastronomia, e a priprioca, que para nós sempre foi erva aromática – fundamental para nosso banho de cheiro, da época junina – ganhou essa nova utilização. A aproximação com Paulo Martins, as visitas a Belém e ao “Lá em Casa” e, especialmente, a participação constante no festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, tiveram tudo a ver com esse posicionamento que fez de Atala uma estrela com brilho mundial. Veja como Alex explica à jornalista Alexandra Forbes o uso da priprioca, clicando aqui.

 

ALEX ATALA – YES WE HAVE PRIPRIOCA, AND MUCH MORE!

Esse título, da chef, escritora, jornalista, brasileira, Luciana Bianchi, publicado no mesmo site do The World’s 50 Best Restaurants”, mostra a importância desta raiz para o mundo gastronômico. Foi onde busquei a foto acima, para apresentar o “D.O.M.”. Para dar uma ideia do cardápio, relaciono a seguir os pratos que formam o menu degustação da casa, pelo menos o que foi servido mês passado, com alguns comentários da Larissa Carneiro, que lá esteve.

O couvert tem um diferencial: vem para a mesa com uma mini-lata de manteiga Aviação, um purê de alho e uma outra pasta. Os pães são servidos por um garçom que fica andando pelo salão e, de vez em quando, pára em cada mesa.
Entradas

- Creme gelado de beterraba, mandarina e priprioca com lulas cozidas a frio;
- Pupunha fresca com vieiras e molho de coral (pupunha, no caso, é palmito fresco, da pupunheira)
- Ostras empanadas com tapioca marinada (aqui a tapioca ganha uma textura que a faz semelhante às pérolas)
- Consommé de cogumelos com ervas da horta e da floresta (o consommé é à base de tucupi, só que mais leve do que a gente está acostumado, e tem um gosto bem acentuado de chicória/alfavaca, nossos temperos usuais do tucupi)
Pratos Principais

- Arroz negro levemente tostado com legumes verdes e leite de castanha-do-pará (o leite da castanha estava muito bom e fazia toda a diferença)
- Raia na manteiga de garrafa com tomilho limão, mandioquinha defumada, brócolis e espuma de amendoim
- Risoto líquido de coco (o risoto vinha dentro de um sifão tipo de chantilly e era servido já na mesa, provocando um a sensação gustativa muito boa)
- Filet mignon de javali ao roti e shitake com canjiquinha
Aligot

Vem a ser uma mistura de purê de batatas com queijos variados; fica uma massinha grossa, onde a forma de servir é atração, bem performática, pois o garçom vem até a mesa com duas colheres e a massa entre elas, esticando-a de uma para outra, sem deixar cair nada, e aí ele põe um pouquinho nos pratos e leva o resto embora da mesma forma...
Sobremesas
- Ravioli de banana com maracujá (o ravioli é feito com uma massa transparente, o que permite ver o seu recheio, que são rodelas de banana; além de lindo, uma delícia)

- Bolo cremoso de fubá e frescal com sorvete de leite queimado (o sorvete é a coisa mais incrível deste prato, realmente tem gosto de leite queimado, e, mesmo assim, é ótimo, mesmo para quem nem gosta de leite)


As vieiras com o palmito de pupunha.



Escrito por Fernando Jares às 20h06
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PARÁ TEM UM CAMPEÃO RÁPIDO

XADREZ RÁPIDO: PARÁ É CAMPEÃO NACIONAL!


Você sabe que um campeão nacional de xadrez, entre os trabalhadores do Brasil, é do Pará? Pois não é que é. E tem mais: com o título de campeão dos Jogos Nacionais do SESI ele vai representar nosso país em Tallinn, a capital da Estônia, como integrante da seleção brasileira aos Jogos Mundiais do Trabalhador. A competição mundial acontece de 1 a 8 de julho e é promovida pela Confederação Esportiva Internacional do Trabalho (CSIT).

O nosso mais novo campeão nacional é José Otávio Souza Correa Jr., que botou a mão no troféu na sexta-feira passada, 23/04, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Ele está na foto aí em cima, exibindo a sua conquista. Conheço o Otávio de muitos e muitos anos, afinal ele trabalha na Albras (Alumínio Brasileiro S/A), em Barcarena, há 24 anos, dos quais fomos colegas por 20 anos. Ele trabalha na Gerência Geral de Redução, o setor onde se produz o alumínio líquido. É líder sindical, dirigente da Federação Interestadual dos Trabalhadores Metalúrgicos e Magnéticos da Região Norte, já foi juiz trabalhista classista, representante dos empregados, e por aí vai. Além de tudo isso, especialista em “xadrez rápido”, coisa que eu nem sabia que existia – mas, também, quem manda eu não saber jogar xadrez!

“Sua trajetória no xadrez começou aos 10 anos. De lá para cá, Otávio conseguiu o bicampeonato paraense de xadrez e o título de campeão do Norte e Nordeste neste esporte. Nos jogos do SESI, já participou de cinco competições regionais, duas nacionais e agora se prepara para o segundo mundial”, informou sobre o José Otávio o BIF, que vem a ser o Boletim Informativo da Fábrica Albras, editado semanalmente pela Comunicação Empresarial dessa empresa.

“Com essa vitória eu vou buscar uma boa classificação no mundial, para aumentar meu potencial diante dos grandes jogadores dos outros países”, afirmou o campeão nacional ao BIF.

E não foi apenas o Otávio que fez bonito, representando a fábrica de alumínio de Barcarena nos jogos nacionais dos trabalhadores. A Albras também esteve representada pela atleta Tatiana Chaves, que ficou com o quarto lugar no tênis de quadra, categoria acima de 35 anos. Para ter uma ideia do gigantismo desta competição, chegaram às finais, em Bento Gonçalves, 1.200 trabalhadores, de 223 empresas, selecionados entre cerca de 2 milhões de participantes que começaram nas etapas municipais (inclusive aqui, pelas ruas de Belém) e foram subindo nas estaduais e regionais.



Escrito por Fernando Jares às 19h13
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DIRA PAES, CABOCLA PARAENSE

 

PRIMA ECLEIDIRA É MUITO PAI D’ÉGUA!


Ora, eis-me aqui na maior intimidade com uma das mais populares (e talentosas) estrelas do Brasil na atualidade, a paraense, de Abaetetuba, Dira Paes – a quem nem conheço pessoalmente!: Ecleidira Maria Fonseca Paes.

Mas acho-me no direito de chamá-la de “prima Ecleidira”. E tenho, para isso, pelo menos três motivos: (1) trabalhei 20 anos em Barcarena, em uma grande indústria (Albras), tendo um monte de colegas de Abaetetuba, de sobrenome Paes, primos da “prima Ecleidira”, ou parentes de alguma forma, ou amigos, porque em Abaetetuba, todo mundo é parente, compadre, padrinho ou amigo, uns dos outros. Até eu tenho afilhado, de casamento, naquela boa terra; (2) de tanto o Pedro Paes Loureiro de Bragança (@pedrox, no Twitter) chamar a Dira Paes de “prima Ecleidira”; (3) como todo paraense (ou quase todos...), pelas ruas de Belém e muitas outras cidades, eu queria ter uma prima assim, bonita, talentosa, inteligente, empreendedora, corajosa, participativa, líder em sua atividade, orgulhosa de ser paraense.

Viva a prima Ecleidira! que tem muito orgulho de seu nome, “único no mundo”, disse ela à jornalista Marília Gabriela, em entrevista no GNT.

Pois bem, este papo introdutório é porque a Dira Paes deu show de paraensismo no programa “Marília Gabriela Entrevista” da semana passada. Adorei ouvi-la. Foi fundo, mostrou sua cara paraense, sua felicidade em ter nascido neste Estado.

Gostei tanto, que anotei alguns trechos da entrevista, onde ela fala sobre o Pará, paraensismo, linguagem papachibé, etc.

Ela contou que está criando o filho Inácio, de dois anos, como um paraoca que, embora vivendo no Rio de Janeiro, recebe uma formação cultural paraense, já sabendo o que é açaí, cupuaçu, que isso é de Belém do Pará, e por aí. Ela falou bastante, ao longo da entrevista, sobre suas raízes paraenses:

“Eu acho que as raízes estão no meu rosto, no meu jeito, e eu procuro muito trazer essas referências, porque eu acho que o Pará é um Estado carente de interlocutores, interlocutores eu quero dizer embaixadores da sua própria terra. A gente ouve muitas notícias negativas do Estado, que é enorme, cruzado por uma grande estrada, de ponta a ponta, muito explorado economicamente. Mas é um Estado que tem uma trajetória importante na história do Brasil. Foi capital cultural do país, teve uma relevância enorme no ciclo da borracha, a influência da belle-époque, a curiosidade dos modernistas em visitar aquele Estado. Eu me sinto feliz quando consigo atrair a atenção para o Estado do Pará.”

Falou da experiência com seu Festival de Belém do Cinema Brasileiro e, com tremendo carinho, do Circuito Itinerante de Cinema, especialmente pelas ilhas vizinhas a Belém (são dezenas!). “Muitas pessoas vivem sem luz, são ribeirinhos ou comunidades mais organizadas. Uma das imagens mais fortes sobre essa mágica de levar o cinema até onde nem tem luz era ver a estrutura de ferro para a tela, de 8m x 5m, sendo armada, e eu vendo vazado, porque ainda não tinha sido colocada a tela, os açaizais farfalhando (“que coisa mais linda!”, comentou Marília Gabriela, entusiasmada), as galinhas andando por ali, as crianças brincando de bola. Aí arrumamos as 500 cadeiras, deu 6 e meia e ninguém das comunidades – era a primeira edição e estavam lá jornalistas, televisão –, e eu responsável por tudo. Deu 15 para as 7h e começou a chegar gente de todos os lados, de barco, a pé, as pessoas arrumadas, de batom, e começaram a ficar em volta das cadeiras. Aí eu pensei, as pessoas não vão sentar? E disse: podem sentar nas cadeiras – e elas perguntaram: ‘Não é para as autoridades?’” Essa história aconteceu na ilha do Combu.

Marília levantou uma frase do diretor de cinema Cláudio Assis sobre Dira Paes: “Você sente que ela tem corpo, cheiro e é a cara do povo brasileiro” e pediu confirmação (o autor da frase é Cláudio Assis e não Chico de Assis, compositor, como disse a entrevistadora, buscando na memória a informação). O curioso é que Dira desconversou na resposta, fugiu do foco, quase paraensemente encabulada, e disse: “Eu fico feliz porque eu acho que a potência amazônica, essa amazonice em que eu me incluo, ainda está por vir. Eu faço parte de uma cara de gente que ainda está por vir, que são os verdadeiros habitantes deste Brasil. Essa ascendência indígena que a gente tem, sem negar as outras raças, pois eu tenho o português no meu sangue, eu tenho o negro no meu sangue, na verdade eu sou a cabocla amazônica. Eu acho que a gente conseguiu um diálogo com o mundo que vai ajudar muito o Brasil. Um diálogo que está em progressão veloz. Daqui a pouco, eu acho que a gente vai dialogar muito com o mundo, através da Amazônia.

E ainda muito mais falou, inclusive sobre o cinema no Pará, onde ela fez, recentemente, os curtas “Matinta”, do diretor Fernando Segtowick (veja o trailer, clicando aqui) e “Ribeirinhos do Asfalto”, da diretora Jorane Castro.

Você pode ver um trecho da entrevista, no site do programa “Marília Gabriela Entrevista”, clicando aqui e selecionando o dia 18 de abril.

 



Escrito por Fernando Jares às 21h17
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PIRARUCU DA BOA LEMBRANÇA

GASTRONOMIA: OS MELHORES DE BELÉM, DO BRASIL E DO MUNDO

 

Um restaurante que se “orgulha em dizer que trabalha com 95% de produtos da região, e de que manteve durante os anos o mesmo sabor de origem, com retoques em conforto, serviços, e na carta de vinhos”. Assim é apresentado o restaurante paraense “Remanso do Peixe”, da d. Carmem, do Francisco e do Thiago Castanho, novo integrante da preciosa e muito exclusiva relação da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança. Essa entidade (nacional) reúne estabelecimentos de alto nível, que permitem você levar para casa, literalmente, uma boa lembrança: um belo souvenir, exclusivo do restaurante. “Mais que um simples souvenir, uma peça de arte, digna de ser colecionada - o Prato da Boa Lembrança”, afirma o site da Associação (para ler a página do restaurante, você deve clicar aqui). Mas, com certeza, há uma outra boa lembrança: a qualidade dos pratos servidos.

No Pará este é o terceiro restaurante credenciado. O primeiro participante foi o “Lá em Casa”, na época da criação da Associação. Depois entrou o “Dom Giuseppe” e agora o “Remanso do Peixe”.

Existem restaurantes certificados na maioria dos Estados, mas poucos têm um número grande como em Belém, o que é mais um atestado da importância da culinária local. Para ter uma ideia, Salvador tem apenas um, Fortaleza nem tem nenhum, Porto Alegre tem três e Gramado mais três. Mesmo em São Paulo, considerado o maior parque gastronômico do país, são apenas 12.

A novidade já fora anunciada neste blog, quando o Remanso foi aprovado como associado. Clique aqui para ler esse post.

Como você vê na foto aí em cima, o primeiro Prato da Boa Lembrança do Remanso homenageia a melhor tradição paraense, com o velho e muito saboroso rei dos grandes rios amazônicos, o maior peixe de água doce do mundo: “Pirarucu ao leite de coco”, servido com arroz com jambu. Além dos dois ingredientes já citados, leva brócolis, banana, cenoura, quiabo, chicória (paraense), manjericão, etc. No arroz com jambu, além do que faz parte naturalmente desse prato criado pelo chef Paulo Martins, foi acrescentada a castanha-do-pará. Quer a receita? Então basta clicar aqui.

MELHORES DO ANO – O chef Thiago Castanho, do “Remanso do Peixe”, está entre os candidatos ao título de Revelação, no prêmio Melhores do Ano, da revista Prazeres da Mesa. Leia notícia clicando aqui.

MELHORES DO MUNDO – A gastronomia brasileira marcou hoje mais um grande tento mundial: o restaurante paulista “D.O.M.”, de Alex Atala, foi anunciado como o 18º Melhor do Mundo, no disputadíssimo ranking do prêmio “The S.Pellegrino Best Restaurants in the World”, levando ainda o título de “The Best Restaurant in South America”. O “D.O.M.” subiu seis posições do ano passado para cá! Ferran Adria recebeu uma honraria especial: “Chef of the Decade”, embora seu ultrafamoso restaurante “El Bulli” tenha caído uma posição, perdendo o primeiro lugar para o dinamarquês “Noma”. A relação completa dos premiados você lê, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 23h53
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ENTRE HASHIS, NIGUIRIS, TEMAKIS

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“O hashi constitui um prolongamento natural dos dedos, especialmente útil e higiênico nos tempos em que se comia em pratos comunitários. Não é difícil manipulá-lo, e quem o despreza, no mínimo, ignora que a humanidade já o utilizava 5 mil anos antes da invenção do garfo.”

Sérgio Neville Holzmann, no livro “Sushi” da Publifolha Editora

 

Sexta-feira passada jantei no “Kintai”, novo restaurante do Shopping Boulevard. Fica meio escondido no leiaute da casa, mas, talvez por isso, surpreende muito bem. Bonito mesmo, com cara de japonês moderno, inclusive com max telão com imagens do Japão e da China, curiosidades do oriente, presumíveis clipes e comerciais. Digo “presumíveis” porque apresentava gente cantando, mas o som no belo salão era outro...

Come-se uma boa comida japonesa em Belém. Há excelentes exemplos de restaurantes, alguns com décadas de sucesso. Entendo que isso tem a ver com a cultura japonesa cultivada pelas ruas de Belém e cidades vizinhas em virtude do grande número de imigrante que para cá vieram.

A excelente qualidade dos pratos que nos foram servidos no “Kintai” – estávamos Bruna, Emerson e eu – assegura a manutenção da tradição.

 

Tudo começou com “Niguiri de Salmão” (R$ 5,90), muito certinho, em prato bem decorado. A comida japonesa acaba sendo muito igual em todo o planeta, com algumas adaptações aqui ou ali. Por isso, a forma de apresentar e de servir torna-se um grande diferencial. Encontrei no “Kintai” petiscos trabalhados na arte. Tudo bem decorado, agradável também à vista.

 

Outra pedida, de que a Bruna muito gosta, foi o “Temaki de Salmão” (R$ 11,90). Eu não sou muito fã de temakis, porque me atrapalho um pouco com essa forma de “sorvete de alga” – complicado de comer. Acompanhamos com cerveja, bebida da preferência dos rapazes à mesa. A primeira pedida veio congelando, literalmente. Ao ser servida, congelou. Foi devolvida e optamos pelo chope, embora não fosse de marca da minha preferência.

 

Os adereços das mesas são de bom gosto e integrados à decoração da casa, como esse nozoki, onde servimos o shoyu. Os envelopes dos hashis seguem a mesma linha. Aqui vale um registro: eles têm aqueles clips para hashis, que unem os dois palitos, facilitando o manuseio para quem não possui habilidade para manuseá-los. Que é o meu caso. Péssimo em coordenação motora, eu não consigo operar aqueles pauzinhos... Que me perdoe o Sérgio Holzmann, que eu cito aí na abertura! Esta criação acaba com o mico de ter de pedir o talher ocidental. Quando os conheci, no “Gendai”, de Niterói, logo adotei alguns, que me acompanham nas incursões gastronômicas orientais. Tem restaurante ainda oferece aquela liguinha de prender dinheiro... Aliás, antes dessa bendita invenção, usei o anel das latinhas de Coca-Cola para obter esse efeito (solução que a Andrea Lima me ensinou), mas eles mudaram o design do anel e o dito perdeu essa preciosa utilização colateral.


Doido por todo tipo de frituras, naturalmente que eu muito me delicio com os hots. E apreciei deveras, como se dizia antigamente, este “Hot Roll de Salmon Cheese” (R$R$ 9,90), degustado ao som de uma boa trilha nacional. Mas originada de um equipamento não equalizado ou operada por um DJ à base de muito sakê. É que de vez em quando o som disparava para uma altura que tornava impossível conversar. Por diversas vezes tivemos que pedir para baixar, no que fomos prontamente atendidos pelos garçons. Mas meia hora depois, subia. Isso exige que as pessoas falem mais alto e forma aquele ambiente barulhento, desagradável. Que não combina com um lugar tão agradável.

 

Gosto de comidinhas crocantes ou com algum elemento crocante. Provavelmente por isso este “Salmon Gunkan Chips” (R$ 9,90) tanto me agradou, com sua composição de salmão, cream-cheese e chips de batata doce. Além de gostoso no equilíbrio dos ingredientes, a batatinha estava no ponto de sabor e crocante como era de se esperar. Pedimos outros pratos, repetimos alguns, alcançamos níveis elevados de Ômega 3 – que espero seja mesmo saudável.

SOBREMESA – Não tem fotografia da sobremesa, porque praticamente não teve sobremesa. A minha escolha foi o “Tempurá de Sorvete”, que vem a ser uma bola de sorvete coberta com massa e frita por segundos em óleo muito quente, fazendo um contraste agradável de frio e quente, crocante e cremoso. Logo me foi dito que o prato não estava saindo... Desisti da sobremesa.

A Bruna escolheu um “Browne de Chocolate com Sorvete de Tapioca” e eu candidatei-me a uma prova. Após uma boa demora e cobranças, veio a explicação de que não havia sorvete de tapioca e o de creme estaria muito mole – que nos levou a sugerir: por que não colocar o sorvete junto com a cerveja congelada? Mas ela aceitou só o browne. Mais espera, vem alguém mais estrelado da hierarquia da casa, explicar o problema com o sorvete que descongelara, dizendo que queria servir da melhor forma, etc. Veio o sorvete, de creme, todo derretidinho. Tipo do problema que pode ocorrer, especialmente em casa recém-inaugurada, ajustando equipamentos. O problema é deixar o cliente esperando, esperando, esperando, mais que “Pedro Pedreiro”.



Escrito por Fernando Jares às 19h38
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VOTE NO THIAGO!

THIAGO CASTANHO CONCORRE A "REVELAÇÃO",
NA PRAZERES DA MESA

O jovem chef de cozinha Thiago Castanho, do restaurante “Remanso do Peixe”, é um dos indicados para o “Prêmio Melhores do Ano Prazeres da Mesa/Bohemia”, na categoria “Chef Revelação”. Esta categoria premia um jovem profissional que tenha despontado na profissão nos últimos dois anos.

Mas para concorrer como finalista, precisa dos votos dos internautas. Considerando-se “a eleição mais democrática da gastronomia brasileira” o prêmio da revista Prazeres da Mesa seleciona os finalistas por meio do voto popular de todo o Brasil. Temos que votar no nosso representante, portanto.

Sendo um jovem talento reconhecido não apenas aqui, pelas ruas de Belém, como nacionalmente, merece o destaque. Já publiquei alguns posts sobre ele, como os que você pode ler, clicando aqui ou aqui O título servirá para divulgar ainda mais a nossa gastronomia. E nossa cidade.

Para votar no Thiago, basta entrar no sítio eletrônico da revista Prazeres da Mesa – para facilitar, clique aqui e vá diretamente à cédula de votação. Existem inúmeras categorias, mas se não tiver candidatos a outros postos, vote apenas no “Chef Revelação”.

Mas atenção, a votação só pode ser feita até amanhã, 23/04!

Vamos trazer mais este título para Belém!



Escrito por Fernando Jares às 20h01
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BRASÍLIA, BELÉM-BRASÍLIA, CINQUENTINHAS

A AVENTURA DO PLANALTO CENTRAL JÁ TEM 50 ANOS

Esperei, ontem, encontrar nos grandes jornais locais, notícias/comentários sobre os 50 anos da inauguração de Brasília e sua repercussão para estas bandas. Especialmente pela abertura da Belém-Brasília que, sem a menor dúvida, integrou-nos a grande parte do país. Com certeza a situação política absurda que vive a capital do país, com meio mundo oficial sendo acusado de corrupção de todo tipo, tirou o foco da importância histórica do fato. É história recente. Na verdade, quem tem de 50 e poucos anos para baixo, não sabe avaliar como era aquela época: comunicação com os grandes centros produtores e políticos, só por avião ou navio. Caríssimo ou muito demorado.

Quem vê hoje essa estrada prontinha, cortada por milhares de caminhões, carretas, ônibus, nem imagina como era antes. E 50 anos talvez seja pouco para ganhar a importância e o reconhecimento histórico que terá, quem sabe, daqui a mais 50 anos...

Quer ver como era a Belém-Brasília no comecinho? Olhe a foto abaixo, que foi publicada na Edição Histórica da revista Manchete, de 21 de abril de 1960, que faz parte dos meus guardados:


A legenda: “A Belém-Brasília” é considerada, no mundo inteiro, a obra mais audaciosa dos nossos dias. Mais de cinco mil homens embrenharam-se mata adentro, atingindo locais onde nem mesmo o sol havia conseguido penetrar”.

Eu ainda era bem novo na época, mas aquilo tudo me impressionou muito. E depois, adulto, ouvi relatos de pessoas que viveram o grande momento. Alguns que acompanharam a construção, que andaram pela estrada nas caravanas pioneiras, como o sempre lembrado fotógrafo Porfírio da Rocha, de A Província do Pará.

Era aventura de verdade, como no raid Belém-Brasília, que chegou a nova cidade para a inauguração. Veja a foto abaixo, da publicação “A História de Brasília”, tipo revista, que conta os grandes momentos da construção e dos pioneiros.

 

A legenda dizia: “Numa autêntica vitória, de Norte a Sul do Brasil, os veículos Willys – Jeep e Rural – comprovaram uma vez mais suas excelentes qualidades no “raid” Belém-Brasília que prosseguiu depois até Pôrto Alegre, completando cêrca de 5 mil km.

Note que na Rural da foto há uma bandeira do Pará, logo abaixo da bandeira nacional.

Essa estrada criou, na época, um herói, homenageado aqui pelas ruas de Belém com uma via bastante longa: a Bernardo Sayão (que, antes, era apenas Estrada Nova). Bernardo Sayão de Araújo era Vice-Governador de Goiás e deixou o posto para dirigir o desafio que para muitos era impossível: construir a rodovia da integração nacional, como era chamada. “Um dia, a queda inesperada de uma árvore gigantesca sepultou-o sob seus galhos milenares”, como disse a Manchete. Isso em janeiro de 1959, em Açailândia, quando as turmas que cortavam a selva, vindas do norte e do centro do país, estavam prestes a encontrar-se.

A foto abaixo, que também foi publicada nessa Manchete, sempre me chamou a atenção: parece que o homem (Sayão) está a desafiar a árvore gigantesca. Quem vence? Quem venceu?


Mas tudo isso teve um grande responsável: o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, o presidente audacioso que decidiu mudar o rumo do país. E mudou. Lógico que muito se discute a respeito dos métodos utilizados. Mas a verdade é que ele deu a partida, e partida acelerada, ao desenvolvimento industrial do país. Criou trabalho, empregos, circulação de riquezas. Faltou o desenvolvimento social, sem dúvida. Dizia o papai que a grande falha do “Plano de Metas” de JK era ter ignorado a agricultura. Deveria ter sido apoiada e desenvolvida paralelamente ao restante.

Da inauguração de Brasília uma foto sempre me marcou: JK chorando. Ainda era o tempo de que “homem não chora” e, se menino, chorava, apanhava para “engolir o choro”. E o presidente, o grande líder, o namorador, o dançarino, o simpático, chorou. Foi na missa oficial de inauguração, dia 21 de abril. Como sempre achei uma foto marcante, publico-a abaixo (também da Manchete):


Brasília é uma cidade linda. Conheço-a de muitas décadas. Talvez a maior emoção que tive foi ao visitar o “Memorial JK”. É um lugar belíssimo, onde você se defronta com a história recente. Mas emoção mesmo foi quando cheguei à câmara mortuária. Na parede está escrito apenas “O Fundador”. Pronto. Ponto. Não precisa dizer mais nada.

Pra terminar, uma homenagem aos coleguinhas publicitários. Um anúncio da Nestlé, publicado na mesma revista Manchete, homenageando as crianças da nova capital. O copy diz: “testemunhas atentas de uma das maiores realizações do século, felizes porque assistem ao surgimento de mais uma bela capital do mundo e afortunadas porque têm bem perto dos olhos o mais vigoroso exemplo de coragem e de trabalho que os homens desta geração deixarão aos que virão depois de si.”

 

 



Escrito por Fernando Jares às 19h44
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AÇAÍ, CIDADÃO DO MUNDO

OLHA O AÇAÍ METIDO COM A VODKA, MINHA GENTE


A internacionalização do açaí anda de tal forma acelerada que ele já deve estar se sentindo um cidadão do mundo. E não é para menos: grandes marcas mundiais andam com ele, por esse mundo globalizado. No ano passado, comentei neste blog a performance açaizeira na área dos sorvetes, com um grande lançamento internacional: clique aqui para ler “O açaí agora também em Häagen-Dazs”.

Pois bem, o nosso caboco bom continua aprontando. Viu essa foto aí em cima? Pois é o próprio, em um big anúncio bus-door, que divulga a nova “Absolut Berri Açaí”. A Absolut, megamarca mundial, informa em seu sítio eletrônico (clique aqui) que seu novo lançamento deste ano reúne alguns dos “sabores mais excitantes do mundo, em uma vodka premium moderna.” E complementa que o açaí cresce em palmeiras na América do Sul, as amoras são nativas da América do Norte e da Europa, a romã vem do sudeste da Ásia, tudo isso em uma “vodka destilada a partir de cereais cultivados em campos ricos do sul da Suécia”. Pronto, mais global, impossível. O lançamento aconteceu nos Estados Unidos, em fevereiro.

Como você vê, o roxinho paraense, já geralmente apresentado aí pelo mundo apenas como brasileiro, produto da floresta amazônica, agora virou “da América do Sul”, ainda mais descaracterizado. Embora tenha emprestado o nome para a bebida, transferindo a ela as características saudáveis que o acompanham (açaí com vodka é saudável?). Essa despersonalização é desagradável, incomoda. Bem que poderia fortalecer nossa imagem amazônica, incentivando investimentos sustentáveis, vendendo o turismo para esta região, trazendo mais visitantes para andar pelas ruas de Belém, etc.

O lançamento foi primoroso, requintado. Existem diversos tamanhos, de 50ml a 1 litro. O preço sugerido pelo fabricante, para a garrafa de 750ml é de U$19.99. Veja o capricho das embalagens, clicando aqui.

Essa foto do ônibus envelopado de açaí circulou pelo universo tuiteiro, a partir do twitpic de Marcel Arêde, com inúmeras retuitadas, até este escriba.

Agora, depois de todo este papo açaizífero, juro que estou com uma vontade danada de uma boa tigela de açaí de verdade, sem vodka, sem gringos e sem presepadas. Acho que vou amanhã almoçar no “Point do Açaí”. Só espero que tenha umas pratiqueiras bem gostosas, crocantes, mas vou ligar antes, pra confirmar bem direitinho e evitar que aconteça como da última vez que andei por lá. Quer saber como foi? Leia “Para ser feliz, põe-te frente a um bom açaí”, clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h26
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AVENTURAS AÉREAS DO PARÁ

BOA VIAGEM, EM BOA COMPANHIA!

A primeira viagem “de avião” que eu fiz foi pela Paraense Transportes Aéreos – e eu já era bastante taludo. “Andar de avião” não era para qualquer um... e só fui porque a Paraense era camarada: além de ter as menores tarifas da época, dava um desconto substancial para grupos de estudantes, acho que era 50%. Talvez por isso as línguas ferinas, já existentes pelas ruas de Belém, traduziam a sigla da companhia (PTA) como “pobre também avua”... O que hoje seria responsabilidade social, um programa de inclusão social, era motivo de gozação. Outros tempos. Formamos um grupo de estudantes-comerciários e fomos a Fortaleza, na Semana Santa de 1963. Lembro que na viagem serviam uns sanduichinhos, desses triângulos de pão de forma cortado na diagonal, e cafezinho. Não lembro se tinha algum tipo de suco.

Tudo bem, a viagem foi um tanto aventurosa, com demora além da prevista em São Luís, que nos rendeu um almoço não programado, pago pela companhia, mais demora em Terezina (ou Parnaíba?), chegando ao destino muitas horas depois do planejado... Mas chegamos! E aproveitamos muito bem a aventura de conhecer a capital alencarina.

Dizia o slogan da Paraense: “Boa viagem, em boa companhia”. As aeromoças eram gentis, mas não eram exatamente como eu imaginava, aquelas, dos filmes americanos...

A viagem deve ter sido em um DC-3 ou DC-4, ou semelhante, já que nesse tempo a companhia ainda não tinha os famosos Hirondelle, que só chegaram em 1968. Para lembrar da Paraense, olha aí embaixo um Hirondelle, ainda novinho:


Quando comecei a trabalhar em publicidade, em 1970, na hoje Mendes Comunicação, a Paraense era um dos principais clientes da agência. Com certeza era o que veiculava em praças mais diversas, por todo o Brasil e especialmente pelos interiores da Amazônia. Mas pouco depois uma de suas aeronaves caiu na baia do Guajará, ocasionando a morte de 38 pessoas, disparando, ou avivando, uma crise (econômico/político/militar, não necessariamente nessa ordem) que culminou com a cassação da licença da empresa, em maio do mesmo ano. Esse acidente foi o meu “batismo de fogo” em assessoria de imprensa. Mas isso é outra história, que fica para outro dia...

Lembrando mais do Hirondelle: o nome original da aeronave não era esse. Era Fairchild Hiller 227B. Complicadinho, não? Imagina comunicar isso por esses interiores, especialmente considerando que o principal veículo seria o rádio. Foi aí que a Mendes, que criou a pintura que você vê aí em cima, decidiu sugerir um nome mais fácil de entender e de falar. Mais mercadológico, diriamos hoje. Assim surgiu o Hirondelle, que vem a ser andorinha, em francês: o design do avião lembra esse pássaro. Além do mais, o dono do mercado, especialmente aqui na região, era o Caravelle, da Cruzeiro. Semelhança mais mercadológica ainda, sem dúvida. O cliente aprovou e, surpresa para muitos, o fabricante também aprovou.

Uma vez o Oswaldo Mendes explicou: “Hirondelle encabeçava uma lista de 70 nomes que a agência apresentou. E foi o que recomendou: era fácil de memorizar, fácil de anunciar e de dizer, pois se pronuncia como se escreve.”

Conta a lenda que, no dia da chegada a Belém da primeira aeronave, uma rádio fazia a transmissão, ao vivo, do aeroporto, quando o repórter dispara algo assim, que descrevo conforme teria sido pronunciado: “Acaba de aterrisar em Belém o primeiro rairondel-li.” Nem imagino a cara de desespero do Mendes...

Essa lembração toda começou quando li, semana passada, sobre o batizado, pela governadora do Estado, do avião de uma empresa aérea paraense, que faria voos diretos para São Paulo, a Puma. Achei legal. Concorrência nesse mercado fechadíssimo é sempre bem-vinda. Procurei o sítio eletrônico da empresa e sua assessoria de imprensa, para ver quem nela trabalhava. Surpreendi-me ao verificar que a assessoria é em São Paulo... Tudo bem, como a antiga Puma regional foi vendida, o comando deve estar mesmo em São Paulo. Essa nova empresa, que está operando em conjunto com a Gol, tem plano de voar para a África, a partir de Recife, pois um dos sócios é a companhia Angola Air Service. Li isso no Brasilturis. Por sinal, tenho um amigo, doido por novidade, que voltaria sábado, dia 17, de São Paulo, exatamente por esse voo (P9-4901). Queria, especialmente, desfrutar de um avião novo e de refeições criadas por chefs (e não lanches), como anunciado no sítio da companhia. Mas o voo foi cancelado, na hora do embarque, para desespero dele... que ficou sem voo e sem a sonhada comidinha quente.



Escrito por Fernando Jares às 22h26
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O CHURRASCO DA MARISQUEIRA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Quando voltar com Léo e os meninos a Belém, irei à peixaria Icoaraci, próximo à travessia de Outeiro, recomendação de Paulo e Filomeno, e à Marisqueira do Luiz, Rua Senador Lemos perto da Praça da Bandeira, e à Sorveteria Santa Marta, perto da Faculdade de Medicina, e o Mangal do Patesco para comer caranguejo. Tacacá e caruru bem, próximo da Marisqueira do Luiz, da porta se enxerga.”

 Trecho do Caderno de Anotações de José Cláudio, escrito em 1975, quando esse famoso pintor pernambucano participou de uma expedição à Amazônia, e que foi publicado no Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado de Pernambuco, em outubro de 2007. Para ler mais, clique aqui, em “Diário de uma viagem ao Amazonas”.

 Lendo esse texto, lembrei-me do restaurante “Marisqueira do Luiz”, que havia ali na Senador Lemos, próximo da José Pio. Comia-se bem lá. Era um lugar discreto, talvez por ficar em um ponto fora do centro, no almoço era pouco frequentado pelo pessoal da cidade. Mas recebia sempre turistas. Mas à noite era bem movimentado, inclusive com eventos sendo realizados por lá. Tinha como forte os frutos do mar, na época muito mais conhecidos pelo nome de “mariscos”, tanto que o nome da casa referia-se diretamente a eles: “marisqueira”.

Eram conhecidos uns simpáticos folhetos da Marisqueira do Luiz, que faziam uma boa propaganda de Belém. Tenho um, daqueles tempos. Veja:


Não se espante com o vaqueiro laçando um... boi! Lógico que não é o mais apropriado para a casa, afinal especialista em peixes... Mas, como tinha cardápio variado, justifica-se. Óbvio que havia folheto do peixe e dos mariscos, mas infelizmente não sobreviveu nos meus guardados...

No interior do folheto havia uma divulgação da casa, com endereço e tal, e um texto sobre Belém que, neste caso, exalta nossas mangueiras. Muito a propósito relembrar esta peça, nesta época em que as mangueiras, abandonadas (como, de resto, quase tudo nesta cidade) andam a cair a cada chuva maior. Na contracapa havia um mapa para orientar quem andasse pelas ruas de Belém, sobre o caminho para chegar ao restaurante. Veja abaixo o interior do folheto e, em seguida o texto sobre as mangueiras e nossa culinária, respeitada a grafia original. Infelizmente não há indicação de quem fez o texto ou o folheto. Repare na lista das comidas típicas. Tem coisa hoje proibidíssima... Mas, naquela época, eram petiscos livres, até anunciados.

 

 "BELÉM CIDADE DAS MANGUEIRAS
A impressão que Belém dá à primeira vista é de que suas ruas foram traçadas em plena selva. Só que as árvores que marcam a urbs, são de uma única espécie – mangueiras, características da região tropical; seculares, de majestosas copas, entrelaçando-se no alto, num abraço exuberante, formando túneis verdes, verdadeiras catedrais góticas, que se estendem para todas as direções, e de maneira infinita, amenizando a canícula equatorial e fornecendo no verão o doce fruto que produzem.
O clima tropical obrigou o homem a criar recantos de sombra e doçura. E Belém os possuí, como talvez nenhuma outra cidade, em cada esquina, em cada praça, onde o verde dos gramados e a fronde das mangueiras harmonizam-se com a coloração variada dos jardins, num convite perene ao descanso e a contemplação da beleza ambiente.
A cozinha paraense é uma das mais ricas e características do mundo, pela variedade de pratos que oferece, destacando-se o PATO NO TUCUPI, o CARANGUEJO, o MUSSUAN, a TARTARUGA, o PIRARUCU, a CALDERADA TÍPICA DE FILHOTE, a MARISCADA, e o FAMOSO AÇAÍ, tão famoso que já se diz que "quem vem ao Pará, parou; tomou açaí ficou..."
Os salões refrigerados da MARISQUEIRA DO LUIZ e o esmerado serviço, proporcionam a seus frequentadores momentos de sadia satisfação.
Na MARISQUEIRA DO LUIZ a buate AQUÁRIO é sem dúvida o ambiente mais aconchegante de Belém para encontros sociais."



Escrito por Fernando Jares às 18h24
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MARATONA TEATRAL

 

As belas de Belém, Castanhal, Icoaraci, Mojú, Oeiras, Ponta de Pedras, Santa Luzia do Pará, São Sebastião da Boa Vista, Tomé-Açu e Tucuruí vão desfilar entre sábado e domingo, no Teatro Margarida Schivasappa, do Centur.

Não, não são as mais belas moças dessas cidades, que o Miss Pará deste ano já aconteceu. Agora é a vez de belas peças de teatro, de todas essas belas cidades, participando de uma maratona de “24 horas de Teatro”. Isso mesmo, das 10h do dia 17, sábado, às 10h do dia 18, domingo. E tudo com entrada franca.

Não é brincadeira não, é teatro, sim senhor, promovido pela Federação de Artes Cênicas Estadual (FACES). Já fizeram festivais deste tipo, mas com 12 horas de duração. A maratona das 24 horas é novidade. Veja a seriedade: são 199 artistas envolvidos, mostrando a quem vive aqui, pelas ruas de Belém, a produção artística pelos municípios do Pará. Mas tem brincadeira, sim: diversas peças são para o público infantil. Portanto, quem reclama que não tem o que mostrar para a pirralhada, taí a oportunidade.

Ao todo a programação terá 26 espetáculos, sendo 10 de Belém e 16 do interior do Estado. A média de cada peça é de 50 minutos, com intervalo de cinco minutos entre as apresentações.

Agora, o importante é saber a programação, para fazer a sua agenda de resistência teatral. Para isso, basta você clicar aqui, no site do Guiart, onde está tudo, peça por peça, os horários, os diretores e até algumas fotos de espetáculos. Clique lá e tenha um bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada, bom dia, de muito teatro, entre o sábado e o domingo.



Escrito por Fernando Jares às 19h07
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UM FOGÃO A FALAR!

 

A FABULOSA HISTÓRIA DO FOGÃO QUE FALA


A Paragás, que no anúncio aí em cima, publicado ontem em Belém, anuncia completar 55 anos, já foi uma importante empresa de varejo e distribuição de gás no Pará. Hoje é cearense, pertencendo ao grupo Edson Queiroz, cujo site informa que a dita Paragás “é o braço da Nacional Gás na Região Norte do país”. Por sinal o anúncio tem um endereço eletrônico, www.paragas.com.br, que leva para o site da Nacional Gás, onde há apenas uma pequena citação sobre a empresa que leva o nome deste Estado, assim: “Sob esta marca a empresa distribui GLP nos estados do Pará, Amapá, Amazonas, Tocantins e parte do Maranhão (região de Imperatriz).” O anúncio é assinado pela agência Acesso, de Fortaleza, que atende um grande número de empresas (ou todas) do poderoso grupo cearense.

A Paragás de algumas décadas tinha uma grande loja, ali na rua Santo Antonio, onde vendia eletrodomésticos, naturalmente com destaque para os fogões. E era a única distribuidora de gás em botijões pelas ruas de Belém, no que foi pioneira. Acho que sua primeira concorrente foi a Tropigás, criada pelo empresário Jair Bernardino de Souza (falecido em acidente aéreo com seu jato particular) e hoje transformada na versão local da Liquigás, que nos inferniza com aquela cornetinha infame a gritar “Olha a Liquigás!”.

Esse anúncio, todo produzido, coloridão, lembrou-me de um outro, da antiga Paragás, muitíssimo mais modesto, mais para reclame do que anúncio... Foi publicado há 33 anos, no dia 27 de abril de 1977, em saudação ao primeiro aniversário da TV Liberal (inaugurada em 26 de abril de 1976).

Trata-se de uma linguagem um tanto, digamos assim, metafórica (será?), onde o fogão modelo do anúncio envia “parabéns, amigo 7”, configurando uma inesperada amizade, entre um fogão e uma televisão – no caso, estação, fosse o aparelho receptor seria mais fácil entender, afinal seriam colegas na loja anunciante... E há ainda a interveniência de um personagem não identificado, de fora do anúncio (pode ser muito bem o próprio redator, em notória composição lusitana). Acho que os teóricos da comunicação podem fazer aqui um bom estudo. Mas deixemos para eles. O texto justifica o diálogo-título da peça, respondendo ao espanto de alguém (opa, será o leitor?) ao ver “um fogão a falar”: “Mas o motivo é óbvio e poderoso! O aniversário do “7”, o amigo de todas as horas. Divertindo ou instruindo a TV Liberal faz hoje parte da comunidade belemense, da mesma forma que “Tropicana” e Paragás fazem parte integrante (e necessária) dos lares paraenses. Parabéns “7”. Sucessos futuros e continuados.” A agência que assina é a SM, obviamente uma outra SM, não mais aquela inicial, dos anos 1950, fundada pelo Oswaldo Mendes e pelo Avelino Henrique dos Santos. Seria uma sucessora, pois o Mendes saiu da SM em 1961, para fundar a hoje Mendes Comunicação, e poucos anos depois o Avelino vendeu a agência e mudou-se para o Rio de Janeiro. Olhe cá o fogão a falar:

 

CORRIGINDO: Há uma incorreção na data da inauguração da TV Liberal: foi no dia 27 de abril de 1976 - a data da publicação desse anúncio! e não dia 26 como acima afirmado. Fica feita a correção histórica. Que nos desculpem os leitores - o fogão falante já deveria estar a esbravejar contra este escriba...

 



Escrito por Fernando Jares às 20h54
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PARAENSES NO CINEMA DA VERDADE

 

UM PAI EM PEDRA E MÃOS MILAGROSAS

 

“Se Meu Pai Fosse de Pedra” é um curta que compete no festival de documentários “É tudo verdade”, que acontece no Rio e em São Paulo. Embora seja um filme do RJ, tem uma paraense na produção: Anete Pitão. Jornalista, ela optou pelo cinema, estudou, preparou-se, pegou suas ideias e um avião e foi pro Rio fazer seu futuro.

Anete explica que este documentário “foi um dos primeiros trabalhos que fiz quando cheguei ao Rio, e me aventurei no mundo do cinema e da publicidade.” E vibra com a oportunidade: “Sempre fui fã do festival e sempre estive presente, mesmo ainda morando em Belém. Cheguei a ir a São Paulo para ver a programação. E agora me deparo com uma obra que tem uma mãozinha de produção minha também. Isso é muito bacana.” Quem conhece a Anete sabe o quanto ela está vibrando.

“Se Meu Pai Fosse de Pedra” tem roteiro e direção de Maria Camargo, também roteirista da Globo e filha de Sérgio Camargo, escultor que o documentário aborda.

O cartaz do filme está aí em cima. Para ver em tamanho maior, clique aqui.

O trailer está disponível no “UOL Cinema” e para ver, basta clicar aqui. Gostei e tenho pena de não estar por lá para aplaudir e torcer. Leia a apresentação do filme no UOL: “Trailer do filme "Se Meu Pai Fosse de Pedra" (RJ, 20 min, 2009). O escultor Sergio Camargo morreu há 18 anos. Se os ossos que restaram na sepultura são seus restos mortais, seriam as esculturas seus “restos vitais”? No filme, o ponto de vista é o da filha que se defronta com o artista e com o homem que ele foi. Direção de Maria Camargo.”

 

MÃOS DE OUTUBRO – Participando do festival está também um documentário paraense, feito aqui mesmo, pelas ruas de Belém: “Mãos de outubro” (um frame aí em cima). É um curta que ganhou o “Prêmio Museu da Imagem e do Som de Estímulo ao Curta-Metragem”, no ano passado e é o único do norte classificado para a mostra. O roteiro é de Vitor Souza Lima é tem na equipe gente experiente, como Octavio Cardoso, Alberto Bitar e Armando Queiroz na direção de fotografia; Jorane Castro na Produção Executiva, sendo produtora a Cabocla Produções.

Clique aqui para ver o trailer no “UOL Cinema”. Veja a apresentação: “Trailer do filme "Mãos de Outubro" (PA, 21 min, 2009). Outubro de festa. Romeiros, operários, escultores, estilistas, decoradores, guardas da Santa, fogueteiros, promesseiros, tocadores de sinos. Todas as classes, todas as idades. Todas as mãos que constroem a maior manifestação de fé do Brasil. Direção de Vitor Souza Lima.” Aqui tem um outro trailer. Está muito bonito. Imagine a encrenca se eu estivesse lá: tinha que torcer por empate... Clicando aqui você pode ler “Memórias de Mãos de Outubro”, um ótimo texto de Sâmia Maffra, repórter do Diário Online.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h17
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UM POEMA ÉPICO NACIONAL

ORA, DIREIS, BRASILEIS?

.

Para você “Os Lusíadas”, de Camões, com dez cantos e 1.102 estrofes (oitavas), é o maior poema da língua portuguesa?

Pois fique sabendo que um autor, também vivente pelas ruas de Belém, no começo do século passado, escreveu um poema de 14 cantos e 2. 299 estrofes, igualmente de oito versos! Eu contei. É o dobro do texto do poema de Camões, tido e havido como o mais longo.

Trata-se de “Brasileis - Epopéia Nacional Brasileira”, cuja primeira edição é de 1923. O autor é Augusto Meira. Sim, esse mesmo, que empresta seu nome a um colégio estadual, inaugurado em 1965, por Jarbas Passarinho, quando governador do Estado. A edição que você vê aí em cima (e, ao lado, a foto do autor) é a quarta e acho que é a mais nova, de 1958, um livrão de 683 páginas (5,5cm de espessura!), que eu levei anos para ter coragem de abrir... É daquele tipo antigo em que as páginas não estão todas soltas – o leitor tem de ir cortando, pois são em grupos...

José Augusto Meira Dantas é o nome completo dele, nascido no Rio Grande do Norte (1873), formado em Direito no Recife, fez toda sua carreira profissional no Pará, onde foi delegado de polícia, promotor público, inclusive em Santarém, professor, jornalista e político – deputado estadual, deputado federal e senador. Morreu em 1964, deixando uma família grande muito conhecida na cidade – até fui colega de um neto dele, o Arnaldo Meira, que faleceu muito novo. Clique aqui para ler a biografia disponível no site do Senado.

O “Brasileis” é um dos diversos livros que Augusto Meira escreveu, sem dúvida o maior. A primeira edição foi impressa nas “Officinas Graphicas do Instituto Lauro Sodré”, escola que existiu até poucos anos, cujo prédio, restaurado, é hoje o magnífico Palácio da Justiça.

No livro o mestre Augusto Meira visita a história do Brasil e os grandes feitos de sua gente, desde os primórdios, quando eram todos portugueses, a independência, guerras (inclusive a do Paraguai), até a república. Ele terminou de escrever o livro em 09/12/1922, informa no final da última estrofe.

Pois agora os convido a conhecer um pouco do “Brasileis”. Escolhi trechos de dois episódios ligados a nossa terra: a aventura de Pedro Teixeira na conquista do rio Amazonas e a tragédia do Brigue Palhaço.

PEDRO TEIXEIRA
As três estrofes a seguir estão no Canto IV. Procurei respeitar a grafia constante da edição de 1958.
17
Pedro Teixeira, valoroso e affeito,
A perigos e esforços, mais que humanos,
No brio achando para tudo um geito,
No mar, em terra, em lances soberanos,
Do rio sobe o caudaloso leito.
Em demanda dos pincaros peruanos,
E, sondando até Quito, ao longe, as terras,
Conquista o rio, a matta, as brutas serras.
18
O que Pizarro e Orsúa não fizeram
Nem Palacios e Aguirre, aventurosos,
Que, ferozes, perdidos, se perderam,
Por caminhos, sem rumo, audaciosos,
Os nossos, firmemente, resolveram,
Resolutos, constantes e animosos,
E as conquistas que ousados alcançaram,
Seu nome e o nosso nome eternisaram.
19
Teixeira, longe sobre o Napo, á volta,
Num momento, entre todos triumphal,
Em meio á altiva e generosa escolta,
Os padrões levantou de Portugal,
Beija a bandeira, atira a terra solta,
Todos o aplaudem, tendo um gesto egual,
E, assim, primeiro, nos guardava o extenso,
Rio revolto, fabuloso e immenso.

TRAGÉDIA DO BRIGUE PALHAÇO
As estrofes que a seguir reproduzo são do Canto IX. Como em “Os Lusíadas” as estrofes são numeradas a cada canto.
180
Grenfell se excede e prende e se atordoa,
De gente atulha o bôjo temeroso
Do Palhaço, onde os leva e os deixa atôa,
Nada o demove em seu furor teimoso;
Todo o antro estreito do navio atrôa
Ao extremo clamor, cruel, bramoso,
Tanto as sêdes, o horror, tanto a fumaça,
Das descargas seus peitos despedaça.
181
A propria guarnição bruta e assassina
Atira e fere, ameaça hedionda e atroz,
Mais se enfurece na brutal chacina,
E as escotilhas vae cerrando após;
Que coração cruel não se amotina
Ante a scena durissima e feroz,
Ante a rude hecatombe em que se movem
E as proprias pedras em clamor commovem.
182
Pedem agua e lhes deitam nauseante
Vasa do rio e lama e lodaçal,
Clamam!... quem ouve? estruge, trepidante,
Dos tiros, torvo, o turbilhão brutal,
Do navio no fundo horripilante
A scena se exaspera!... lançam cal:
Uivos, loucuras, tombos e gemidos
Todos se esmagam de estupor perdidos.
183
Do Palhaço no bôjo miserando,
Hediondo, o crime se aggravou tão fero,
Que as edades e os tempos abalando
Movera as próprias crispações de Nero;
Centenas de homens se dilacerando,
Entregues ao mais bruto desespero,
Se amotinam, bravejam, se laceram,
Que de tanto esperar, mais desesperam,
184
Nem de Perillo, o artifice famoso,
O touro de metal encandecido,
Por deleitar a Phalaris, raivoso,
Do seu proprio, gemera, um tal gemido;
Sinistro quadro, insolito, bramoso,
Só de monstros, talvez, preconcebido,
Nódoa indelevel, noite de agonias
Na aurora immensa de tão largos dias!
185
Fôra uma scena desusada e escura
No revolto porão nauseante e estreito.
Horror que entre os horrores se enclausura
E, a todos, muda estrangulado o aspeito;
Dantescas contorsões, toda a tortura
Da morte, aos tombos, cada qual desfeito,
Scena de angustia, bestial, primordia,
Sem compaixão e sem misericordia.
186
Grenfell, senhor de tudo e mais senhor
Das naus, das fortalezas da cidade,
Exige e prende e esquece, desertor
Dos deveres da propria humanidade,
Fuzila, aturde e ardendo em seu furor,
Nem previne a feroce iniquidade,
E nodôa no crime, em tanta altura,
A nossa augusta redempção, tão pura!
187
E eram todos brasileiros: tinham
Querido a patria livre que estremecem
E, por ella, perdidos que a sustinham,
Morrem, succumbem, perdem-se, perecem,
Eil-os inanes, todos que se apinham
Como fardos rompidos que se esquecem;
Quem, no caso, offertara ao bruto algoz
A laurea resplendente dos heroes?



Escrito por Fernando Jares às 20h12
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PARAENSES E SUPER-HERÓIS

UM SUPER-HOMEM COM DNA BELENENSE


Caso, em breve, o Superman apareça, no intervalo entre uma aventura e outra, com uma cuia de açaí na mão, não será ilusão de ótica, será ousadia de seu desenhista, o paraense Eduardo Barros, ou melhor, como é conhecido no mundo, Eddy Barrows. Aqui nascido, em 1974, mudou-se para Belo Horizonte em 1997, onde começou a carreira de desenhista de quadrinhos – e logo conseguiu trabalhos em grandes editoras norte-americanas.

Mas a consagração chega agora, com o anúncio que ele vai desenhar o “Superman” para a DC Comics, com roteiro do megaconsagrado Joseph Michael Straczymski (ou apenas JSM), que já escreveu o Homem Aranha, Thor, romances, séries de televisão, roteiros para cinema, etc. É uma fera. Pois é para os roteiros dessa fera que o Barrows vai desenhar. E já começa agora em julho, lá nos Estados Unidos, com “War of the Superman”, sem data para chegar ao Brasil. Tem que ficar de olho, acionar os amigos, para mandarem a revista. “É um sonho se realizando”, diz ele em seu fotolog, anunciando que terá a companhia “de JP Mayer (artefinalista) e Rod Reis (um dos melhores coloristas da atualidade)”, clique aqui para ler tudo.

O anúncio foi feito mês passado no blog “DC Universe”: “Unveiling JMS’Superman artist” e repercute agora no Brasil: a Folha de S. Paulo, de ontem, publicou matéria a respeito, “Brasileiro Eddy Barrows é novo desenhista de Superman”. Leia toda a história, clicando aqui.

É mais um da resistência cabana que vai participar da vida e do futuro de grandes super-heróis. Já temos lá o Joe Bennett, ou melhor, o José Benedito Nascimento, que diz como devem ser as caras e bocas do Batman e outros.

Quem sabe, um dia, teremos uma aventura dos dois (os super-heróis dos quadrinhos ou os dois na vida real?) pelas ruas de Belém, defendendo esta nossa amada cidade! (Será que conseguirão vencer?!)

Fechando, abaixo, uma arte colorida do novo Superman de Barrows, que vai deliciar os admiradores e colecionadores do Homem de Aço pelo mundo, que captei aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h56
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UM HOMEM DE CIÊNCIA E DE FÉ

UM HOMEM DE DEUS

Conheci-o quando eu ainda era criança pequena, lá em Capanema. Ele era o padre da cidade. Confesso que não lembro do que dele ouvi nas missas. Mas deve ter influído muito na formação de meu caráter – disso hoje tenho certeza. Era amigo do papai, boas conversas tinham – embora não fosse de ir às missas, papai gostava muito de agricultura e o jovem padre tinha também muito interesse no assunto.

Seguimos os caminhos da vida. Eu sempre lia sobre ele e o admirava. Estudou agronomia e tornou-se professor, amado pelos alunos – diversos deles, meus ex-colegas do Carmo. Vez por outra lia seus artigos, na Folha do Norte.

Há seis anos nos reencontramos. Procurei-o para pedir o favor de atender meu irmão, que queria confessar, exatamente com ele. Tivemos dois anos de convivência próxima, nas Equipes de Nossa Senhora, onde muito aprendi. Descortinou-me a beleza e a pureza da fé, deu-nos, a mim e à Rita, a trilha para uma verdadeira espiritualidade conjugal, que resgatou o que de melhor tínhamos nós dois na fé e na esperança em Deus. Aprendemos a amar esse homem alegre, sempre com uma boa e inteligente tirada. Lembrava-me muito o papai. Depois ele sofreu um forte AVC, ficou com sequelas, mas a mente continuou lúcida e brilhante, cheia de conhecimento, cheia de fé, cheia de amor a Cristo e aos irmãos. Os encontros diminuíram, mas mantivemos as visitas ao amigo querido, acolhido por d. Orani Tempesta na residência episcopal, na melhor forma possível. Foi um longo tratamento, muita fisioterapia, e ele, com vontade inaudita, foi vencendo.

Ontem, Dia da Ressurreição de Cristo, ele morreu, bem cedinho. Mais ou menos na hora em que Cristo ressuscitou. Foi tudo muito rápido. Internado na quinta à noite, UTI, parece que combinado com a Paixão de Cristo, para ir-se na Ressurreição. Ainda tive a felicidade de vê-lo na noite do sábado, mas acho que ele não me viu: estava sedado e cheio de tubos. Ficou-me o coração triste.

Quem o conheceu, sabe muito bem que estou escrevendo sobre o padre, professor, doutor em biologia vegetal, cônego José Maria Albuquerque. Um homem da ciência, um “homem de Deus”, como o qualificou D. Vicente Zico, na Missa de corpo presente, com que a Arquidiocese de Belém celebrou a certeza da Salvação do padre Zé Maria, como o chamavam todos os que tiveram a ventura de com ele conviver. Ou padre Zé, como o chamava, carinhosamente, a Rita.

D. Vicente buscou a recomendação do apóstolo Paulo a Timóteo, para definir o padre Zé Maria: “Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas. Segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão” (1Tm 6,11). E ele seguiu todas estas regras prescritas por S. Paulo. “Este homem de Deus nos encantava com sua formação intelectual esmerada, com a leitura constante, o estudo sério”, disse o Arcebispo Emérito de Belém ao público reunido na igreja de Santa Terezinha, na tarde de ontem, e perante a hierarquia da Arquidiocese de Belém, a partir do seu titular, D. Alberto Correa, presidente da celebração, com mais oito sacerdotes.

“Está junto de Deus, rezando por nós, pelas muitas coisas que nos preocupam nesta Arquidiocese e para que todos sejamos como ele foi, um homem de Deus”, concluiu D. Vicente Zico.

Abaixo, bela foto da Santa Missa, publicada hoje em O Liberal (de Camila Lima).


CIENTISTA – Ontem divulguei no microblog Twitter, pela manhã, a morte do querido padre Zé: “(1)Faleceu hj um grande velho amigo, o padre, prof e doutor cônego José Maria Albuquerque, 85a. Soube viver ciência e fé com maestria. (2) José Maria Albuquerque era um dos maiores pesquisadores e conhecedores de plantas medicinais da Amz, autor de livros referenciais.”

Poucos minutos depois a jornalista Ruth Rendeiro, que foi assessora de imprensa da Embrapa/Amazônia Oriental por muitos anos, e acaba de aposentar-se, comentava: “Eu conheci o padre Zé Maria. Entendia tudo de plantas medicinais. Deixou muitos discípulos. Deve estar em paz.”

Foi um cientista, respeitado no Brasil e no exterior. Deixou dois livros clássicos: “Plantas tóxicas no jardim e no campo” (1980) e “Plantas medicinais de uso popular” (1989). Mas há muitos outros, feitos em parceria com outros pesquisadores, como “Seringueira: Nutrição e Adubação no Brasil” (2000), “Manual de plantas medicinais”; “Identificação e germinação de sementes amazônicas”, etc. E artigos em revistas especializadas. Uma vez mostrou-me um livro publicado na Itália, feito em parceria com um cientista italiano, mas não tenho registro dele. No velório, encontrei muitos de seus colegas professores e ex-alunos. E ele não apenas escrevia: desenhava muito bem as plantas que descrevia. Até encontrei um registro na internet com pequeno desenho, aqui ao lado.

RELIGIOSO – “Ele construiu a igreja de Nova Timboteua”, dizia um ex-paroquiano dessa cidade, bem ao meu lado, no velório. Nascido em Óbidos, padre Zé Maria foi pároco em Igarapé-Açu e Castanhal, além das já citadas Capanema e Nova Timboteua. Em Belém pastoreou fiéis em São Pedro e São Paulo (Guamá) e na Trindade (Centro). “Ele foi professor do meu genro e fez o seu casamento”, disse uma senhora ao meu lado, no cemitério (Recanto da Saudade”) “e foi ele que me batizou”, complementou emocionada a jovem que estava a seu lado. O cônego José Maria Albuquerque foi também reitor do seminário da Arquidiocese de Belém, onde um dia, há uns 30 e poucos anos, recebeu o jovem Marcelino Ferreira, hoje Vigário Geral da Arquidiocese e pároco de Santa Terezinha (Jurunas), que agora o acompanhou filialmente, nas dificuldades com a saúde. Há umas duas semanas padre Zé Maria estava morando em um apartamento preparado para ele, distante poucos metros de Santa Terezinha, onde tinha cuidadores que se revezavam com desvelo. Estava todo feliz por ter novamente um espaço seu, como sempre teve antes do AVC.

INTELIGENTE – Tenho tantas coisas para contar sobre ele... Tive dificuldade de começar a escrever, mas agora não tenho vontade de parar. Mas fica para outro momento. “Era um homem inteligente, ainda domingo pediu a administração do sacramento da Unção dos Enfermos”, disse-me d. Alberto Correa, no sábado, no hospital da Unimed. A grande percepção da vida, a finita e a eterna, fez com ele assim agisse. Padre Zé Maria, rogue por nós.

Na foto abaixo, à esquerda, o padre José Maria Albuquerque (com o envelope na mão) e o Monsenhor Geraldo Menezes. Duas das mais brilhantes inteligências da igreja católica paraense.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h57
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RELEMBRANDO SEXTAS DA PAIXÃO

DOS SANTOS COBERTOS AO “SERRA-VELHO” DE BRAGANÇA


A Sexta-feira Santa, ou Sexta da Paixão, que marca para os cristãos a data da crucificação de Jesus Cristo é data que muito tem mudado com o correr dos anos. A própria igreja católica introduziu modificações, com o Concílio Vaticano II, que renovou as liturgias, nos anos 1960.

A foto aí a cima representa uma imagem católica, recoberta com um pano roxo. Era assim, durante a Quaresma, em todas as igrejas até os 60s. Hoje isso não existe mais, certo? Errado. Tudo bem, você vai a grande maioria das igrejas católicas e lá estão as imagens expostas a veneração dos fiéis. Mas ainda há igreja que cobre suas imagens e eu estive em uma delas, tanto que fiz a foto acima, um mês atrás. É na igreja de Santo Amaro e N. S. dos Navegantes, que fica ali na Base Naval. O pároco gosta da tradição, os fiéis também, e lá estão os santos cobertinhos. Devem ser descobertos no domingo, como a antiga tradição católica. Esta igreja já foi assunto cá neste blog – clique aqui para ler.

Lembrando esse passado, uma onda de saudosismo varou algumas colunas de O Liberal, hoje. E como eu gostei desses relembramentos.

NO CINEMA

O Ismaelino Pinto lembrou “A Paixão na tela”, como era vista, em tempos nem tão antigos, a Paixão de Cristo pelos viventes pelas ruas de Belém:

“Durante muito tempo foi tradição em Belém na Sexta-Feira Santa ser exibido um filme antigo, de 1903, ainda no tempo do cinema mudo, produção francesa Pathé que contou com centenas de figurantes. Rodado em estúdio com uma só câmera, bem primitiva, focalizava os atores sem planos próximos ou movimentos como o “traveling”, usando uma cenografia teatral para as diversas sequências que seguiam partes dos evangelhos, especialmente o de Mateus. Como em Belém havia um cinema em cada bairro, o filme era obrigatório neste dia. Era comum ver os espectadores chorarem por conta das cenas, tão antigas que uns chegavam a pensar que tinham sido filmadas “na hora” dos acontecimentos; claro, tudo fruto de uma época em que a ingenuidade se somava aqueles tempos ainda sem informática e mundo globalizado. Em Belém, cinemas como o Brasilândia (Sacramenta); Paraiso e Vitória (Pedreira); Universal e Guarani (Cidade Velha); Independência (São Brás); Moderno, Iracema, Ópera, Nazaré (Nazaré); Olympia e Palácio (Campina) faziam sessões corridas desde de manhã com “Vida, Morte e Paixão de Jesus Cristo”. Salas lotadas e um outro tempo de Belém que já não existe mais.
Uma curiosidade: cada exibidor era “dono” da sua cópia, existindo na época várias circulando por aqui. Para os dias santificados, era programa obrigatório. A tradição foi mantida até o final dos anos 90, sendo exibidos nos cinemas que restavam, como o Ópera. Por aqui chegou a circular uma cópia em película de 35 mm colorizada à mão, uma raridade.”

Acho que foi esse o primeiro filme que eu vi. Tenho certeza de que o primeiro foi uma Paixão de Cristo e que vi em um cinema que nem é citado acima: o Cine Aldeia do Rádio, na antiga Rádio Clube, onde hoje é um conjunto de edifícios, na Conceição com Jurunas, que agora são chamadas de Roberto Camelier e Fernando Guilhon... Acho que este cinema só funcionava aos domingos ou em ocasiões especiais, não lembro.

O jornalista Bernardino Santos exercitou suas lembranças da Sexta-Feira Santa de antigamente, desde a visita a sete igrejas, o cobrir os santos, o sermão das Sete Palavras (hoje magnificamente proferido pelo arcebispo D. Alberto Taveira Correa) até a história do “serra-velho”, de Bragança, contada pela querida e sempre lembrada Lindanor Celina, em seu livro “A menina que vem de Itaiara”. Achei oportuno reproduzir a seguir o trecho desse delicioso livro em que a bragantina Lindanor conta a história do “serra-velho” – e vai tal e qual está na primeira edição do “Menina...” (Editora Conquista/Rio de Janeiro), de 1963, com apresentação de Dalcídio Jurandir.

SERROTE EM ITAIARA

"Bom, quem fosse idoso, velho mes­mo, tivesse paciência, em chegando a Quaresma. Que velhice Marreca nessa hora não respeitava. Logo após a Quarta-feira de Cinzas, pegava um papel e ia escrevendo a lista dos que iam ser serrados. Reuniões havia, a portas fechadas, em sua casa, com outros parceiros, a cuidarem dos detalhes, os mais minuciosos, da estrepolia. Os velhos, de sobreaviso, debicavam uns com os outros: «Então, nhá Puluca, é certo que a senhora é mesmo a primeira da lista do Marreca?» — «Quá, nhô Caetano, quando então, eu ia tirar o seu lugar, quem eras eu?» — «Dona Maria dos Anjos, a senhora até aqui escapou, mas este ano, é sua vez». E a velha Maria dos Anjos que, por qualquer circunstância fora poupada em quaresmas anteriores, e disso bastante se gabava, retorquia, escabriada: «Deixa ele vim, esse atentado, vai ver o pinico cheiroso que eu vou preparar pró banho dele. Deixa».
Acontecia um ou outro ser riscado da lista, às vésperas da Sexta-feira Santa. Por doença, ou precaução. Marreca, prevenido da aromática recepção que lhe estaria sendo reservada, arripiara caminho.
O Serra-velho. Muito estranha latomia, feio alarido de almas miando à meia-noite, como egressas de um círculo do inferno ou não sei de que profundas, sobressaltando a solidão, o melancólico, piedoso sossego da Sexta-feira Santa Quantas vezes despertei assombrada com a bárbara cantoria, e vivia um bom minuto de horror antes que a consciência me advertisse dos reais motivos de tal susto? Estar o vivente embrulhado no seu sono e acordar de repente com aquele fim de mundo. Depois da meia-noite, toda hora era hora. Eles vinham, um bando silencioso. Havia quem nem dormisse um tico, ouvido alerta, a ver se lhes advinhava a chegada, mas parece tinham era pacto com o cão. Bando de homens carregados de catrevagens e deles nem o respirar se escutava.
Reuniam-se cedo, em casa de Marreca. Em geral, depois da procissão do Senhor Morto iam para lá, onde a boa Guida, complacente com as arteiras invenções do marido, lhes preparava farto munguzá, reforçado café com tapioca e cuscuz Entre um jôguinho de baralho, uma xícara de café, uma cuia de mingau, pacientes, iam deixando as horas pingarem. Senhores de si, de seus maquiavélicos intentos. Dava onze e meia, metiam-se em surrados, escuros trajes, bem gastos, não era raro receberem um banho daqueles, melhor estar prevenidos, mesmo para não serem facilmente descobertos no luar de espavento, habitual da santa noite. Saíam, cada qual com seu instrumento, uns com latas velhas, outros com cuícas, o dos ferrinhos para o sino, o da rabeca, o do serrote, da sanfona, da mão de pilão, o do gato amordaçado no paneiro. Não diziam palavra, tudo mais que combinado, roteiro, gestos, programa. Marreca trazia de cor a sua lista, nem do papel precisava.
Chegavam em frente ou de lado (casa de esquina, preferiam chegar de banda, quem sabe o velho, matreiro, estaria de olho colado à fechadura?) Marreca batia com o nó dos dedos no tabique da janela, e chamava, voz baixa, disfarçada, amiga, igual a um vizinho, um amigo pedindo auxílio em hora tardia: «Seu» Fulano, ô «seu Fulano!» Os prevenidos, davam o calado por respostas, até que Marreca, cansado, fosse embora, mais o bando. Porque, segundo as regras, não se deve, modo algum, serrar velho que não responda ao chamado da «morte». Ainda que alguns «serradores» não levem em conta essa lei. Marreca, porém, obedecia; ademais, comprida era a sua lista.
Sempre me espantou houvesse ainda incautos que acudissem àquele chamamento, quem sabe muitos o faziam por gosto, a participar da molecagem, comprazendo-se com ela? Velho respondia, então, como sob a direção de abalizado maestro, todos a uma prorrompiam nos diabólicos acordes da saturnal. Mão de pilão cavando sepultura, sanfona chorando, serrote rinchando lugubremente na lata, rabeca gemendo desafinada, sino dobrando a finados, cuíca esturrando, o gato com o rabo imprensado a miar como um possesso, enquanto os demais, loucas carpideiras, botavara goela no mundo, num soluçar horrível, agourentas lamentações, que faziam estremecer qualquer cristão. Bom tempo levavam, na latomia desadorida. Quando estancavam, Marreca tomava a palavra, ia ler o testamento do «falecido» recém-serrado. Aí é que vinham as galhofas, o melhor do «serra-velho». Leitura em geral dialogada. O chefe enumerando, em questionário, os bens da vítima: «A ceroula, pra quem fica?» Um do bando respondia, com bem acanalhada voz: «É pra Sicrano». E o cachimbo do tio Mundico, — quem herda?» — «A sra. Fulana de Tal» «E o pinico, pra quem fica o pinico?» ou: «A cuinha de mijar? a caixinha do rapé?» Iam assim repartidos os pertences do «morto», que, a essa altura, alguma vez, abria a janela e se punha a xingar, ou a trocar piadas com os serradores. Tomavam melhor partido os que assim participavam da brincadeira, sobrepunham-se de qualquer forma ao ridículo do «serra-velho».
Num ano se lembraram de Mãe Nana Xonda, começo de Quaresma, trouxe a novidade: «Tia Adélia, seu Marreca este ano vai serrar Mãe Nana»"...

Bem, o restante vocês podem ler no livro, nas boas bibliotecas da cidade. Ou, quem sabe, a gente publica na Sexta-feira Santa do ano que vem.



Escrito por Fernando Jares às 18h08
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TABERNA SÃO JORGE MUDA PERFIL


O fechamento do Bar da Walda, ou melhor, a “Taberna São Jorge”, considerado um dos melhores pontos noturnos de Belém, foi a notícia da semana na internet pela cidade.

O bar da (excelente) fotógrafa Walda Marques foi “O melhor para petiscar” da Vejinha Belém, mudou de endereço e de cara, ganhou espaço físico e aqui, pelas ruas de Belém (quem não conhece, ou quer rever, leia clicando aqui).

Foi centro de muitos acontecimentos culturais. Na verdade – e hoje é o dia da mentira... – continuará a ser tudo isso, só que com perfil diferente: abrirá apenas para o almoço. Pelo menos vamos poder continuar a cumprimentar (eu espero!) aquele S. Jorge de olhar maroto, amigo do cavalo e do dragão, bem na entrada da casa.

A foto do interior da Taberna, que está aí em cima, eu captei no blog Flanar, uma beleza.

No microblog Twitter muita gente chorou o fechamento, como o publicitário Glauco Lima: “quantas vezes fechamos o Bar da Walda. Agora o bar da Walda fecha, foram anos bons A Taberna fecha. Termina como uma embriaguez que passa.”

Para recordar, veja o antigo bar, que era bem atrás da histórica igreja de São João (lindo projeto de Landi), no traço de Sérgio Bastos, em ilustração de 2008:




Escrito por Fernando Jares às 17h05
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