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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


O SANDUÍCHE!

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Sem saber o que fazer, o criado pegou dois pedaços de pão e colocou um naco de presunto no meio. O lorde adorou a novidade, nunca mais jantou, só comia “sanduíches”.

História do sanduíche, no site do ICTA Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos, da UFRGS.

 SANDUÍCHES DA INGLATERRA A PETRÓPOLIS, BELÉM, ESTADOS UNIDOS

Conta a lenda que o inglês John Montagu (1718-1792), o quarto Conde de Sandwich e almirante da marinha britânica, nas suas folgas gostava de um joguinho de cartas. Nessas horas não queria se afastar da mesa de jogo. Certa vez, pediu a alguém da cozinha algo simples, que não lhe sujasse as mãos. O cara encontrou a solução acima. Quer dizer: o inventor não foi o tal conde Sandwich, que batizou esta guloseima, mas um anônimo cozinheiro ou lancheiro do palácio. Não há provas de que isso seja verdade. E, se alguém pensa que as ilhas Sandwich do Sul, no Pacífico, ganharam esse nome porque os ilhéus comem muitos sanduíches, passou perto: é homenagem do descobridor, James Cook, ao famoso Conde, provavelmente seu chefe...

PETRÓPOLIS - Há alguns anos, em férias, passei uns dias em Petrópolis. Tinha um objetivo específico: “Locanda della Mimosa”, o famoso e maravilhoso restaurante de Dânio Braga. Fiquei hospedado na cidade, bem juntinho ao Museu Imperial. Pois no museu, descobrimos, Rita e eu, um bistrô, o “Petit Palais”. Pequeno, bem decorado, gente simpática, e tudo muito gostoso, com pequenas refeições, chás, chocolate, pães e doces artesanais, etc. E sanduíches. Por causa da variedade e da ótima experiência inicial, voltei lá repetidas vezes.

Pois bem, entre os sanduíches, um saltou-me aos olhos, pelo nome: “Sanduíche Fábio Sicília”. Isso mesmo. Olhei e pensei: será que é mesmo o do “Dom Giuseppe”?, lá de Belém? Perguntei ao garçom quem era e ele explicou: um chef de Belém do Pará havia criado aquele sanduíche em determinado evento por aquelas plagas. Fui firme e dei-me muito bem. Era um sanduíche de fino trato, com diversos tipos de cogumelos como shiitake, shimeji, por aí, não lembro mais. Apenas lembro que estava ótimo e a vontade de repetir ficou. Acabo de saber que não existe mais aquele bistrô, substituído, no meio do ano passado, pelo “Arcádia Bistrô”, no mesmo local. Será que mudou o cardápio?


ARMAZÉM BELÉM - Pois bem, há dias fui conhecer o “Armazém Belém” , no Shopping Boulevard, uma padaria do mesmo dono do “Armazém Santo Antonio”. Acabou de inaugurar. Tem pães de muitos tipos e outras especialidades. E um cardápio pequeno, mas atraente, principalmente com risotos e sanduíches. Taí o motivo da visita. E quase matei aqui, pelas ruas de Belém, aquela saudade gastronômica petropolitana.

O sanduíche você orienta sobre como quer. Em conjunto com o jovem e atencioso atendente, montamos um com pastrami, queijo gruyère em finas tirinhas e um mix de cogumelos, com shiitake, shimeji e champignons (veja foto acima). Como é aberto, os cogumelos ficaram de um lado, em um conjunto que lembrou muito aquele do “Petit Palais”. O pão também escolhi, focaccia, pois já conhecia do “Santo Antonio” e sabia que é muito bom.

Pedimos, na mesa em que eu estava, (e eu provei de todos os pratos...), uma salada de folhas verdes com pastrami e queijo parmesão e um risoto de peperonata com picanha fatiada. Todos ficaram felizes com seus respectivos pratos. Tanto que teve gente que voltou no dia seguinte, para repetir!

Registro um ponto que, para mim, é da maior importância: o belo visual dos pratos. Agradar a visão é meio caminho para agradar o paladar.

Naquele dia o atendimento estava um tanto confuso, talvez porque era tudo novo. Mas quem nos atendia tinha muito boa vontade. Elogiável. O preço dos pratos é único, R$ 18,00 e tem direito a um chope ou refrigerante à vontade. Sanduíches têm preços menores.

SANDUÍCHE CELULAR – Pra finalizar esta sexta gastronômica, uma receita para sanduicheiros. Imagine se o Steve Jobs inventa de ir a sua casa para um lanche. Tem que ser criativo. Que tal um iSandwich4G? Clique aqui para ver como faz.



Escrito por Fernando Jares às 20h03
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CINEMA E PSICANÁLISE

“PARTÍCULAS ELEMENTARES” TRANSFERIDO

Suspensa a primeira sessão de Cinema e Psicanálise (Partículas Elementares) que divulguei no post mais abaixo. Uma das pessoas da organização está com a gripe A, identificada esta noite. Como o restante da equipe fica sob suspeita, até passar a quarentena, decidiram transferir a data. Medida salutar. A tal suína, que muitos pensávamos que havia virado sanduíche de leitão, voltou e está fazendo estragos pelas ruas de Belém.



Escrito por Fernando Jares às 10h36
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PAYSANDU NA LIBERTADORES

PAPÃO DE NOVO ENTRE OS MELHORES!

Costumo dizer que o Paysandu é a maior glória do futebol do Norte do Brasil, pelos grandes êxitos obtidos, nacional e internacionalmente.

Mas por esta eu não esperava: “Paysandu foi o melhor brasileiro na Libertadores”. Está escrito exatamente assim no “Blog do Curioso”, de Marcelo Duarte, um jornalista e pesquisador, que sabe tudo de futebol. Aliás, merecia estar escrito assim: “Paysandu foi o melhor brasileiro na Libertadores!” Com exclamação! Porque é um feito extraordinário para um clube de poucos recursos, o único deste pedaço de Brasil a chegar a uma competição de tão alto nível.

Leia o que escreveu o especialista Marcelo Duarte, na edição de ontem:

“O melhor aproveitamento de um time brasileiro na história da Libertadores, entretanto, não pertence a nenhum dos campeões. O Paysandu, que disputou apenas a edição de 2003, fica com o posto. Em oito partidas, o Papão venceu cinco, empatou duas e perdeu apenas uma, para o Boca Juniors (que seria campeão) — incríveis 70,83%.” Para ler o post completo, clique aqui.

Só o que faltou o coleguinha registrar nesse delicioso blog é que o Papão é um dos cinco clubes brasileiros que já venceram o grande campeão Boca Juniors, no traiçoeiro La Bombonera, em toda a história do futebol. A vitória foi por 1x0, gol de Yarlei. Neste século, apenas dois brasileiros derrotaram o time argentino em seu arraial. Leia o que está escrito no verbete “La Bombonera”, na Wikipédia: “Apenas 5 clubes brasileiros venceram o Boca Juniors em La Bombonera em competições consideradas oficiais: Santos, São Paulo (Supercopa 1995), Cruzeiro, Paysandu e Internacional, o último, em 2008.”

No início do mês escrevi sobre o ranking do IFFHS (International Federation of Football History & Statistics), reconhecido pela FIFA, onde o Paysandu está entre os melhores do mundo. Para ler, clique aqui.

É uma glória que acompanhará o Papão do Norte por todos os séculos.



Escrito por Fernando Jares às 09h47
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CINEMA E LOUCURA

ELEMENTARES PARTÍCULAS DA PSICANÁLISE

Há uma tradicional ligação entre a psicanálise e a “arte chamada sétima”, como o jornalista Edwaldo Martins nominava o cinema. Cineastas gostam de buscar histórias e personagens que se enquadram em temas costumeiramente estudados por psicanalistas e psicólogos. E psicanalistas gostam de ver e discutir esses filmes. Daí ser forte, habitualmente, a dupla Cinema & Psicanálise.

Aqui, pelas ruas de Belém, também. Eu mesmo já vi o “Belle de Jour”, de Buñuel, no programa “Diálogos em Cena – as relações entre a psicanálise e o cinema”. Foi em 2008. Aliás, rendeu um post: clique aqui para ler “A bela de quarenta anos” em que falo do filme e da participação, ótima, do filósofo Ernani Chaves.

Esta introdução foi para anunciar uma nova ação na relação Cinema & Psicanálise, agora pelo Núcleo de Estudos Gradiva, que apresenta neste sábado, 20, o programa “Cinema e Loucura”, com o filme alemão “Partículas Elementares”, de Oskar Roehler, que será visto e discutido por gente que estuda, trabalha e gosta de psicanálise e por quem idem, idem, do cinema. Acho uma boa dupla e vou lá. Eu, pelo cinema, a Rita, pela psicanálise. Será às 17h. Como são poucos lugares, deve ser feita reserva antes, com a coordenadora do programa, Thais Noronha, pelo 8133-5995.

Esta é a primeira edição, mas o programa deve ocorrer todo último sábado do mês.

O trailer de “Partículas Elementares” você pode ver clicando aqui, no site do filme, em alemão. Após o folheto do programa, leia o texto sobre o filme, distribuído pelo Gradiva.


Partículas Elementares - dirigido e roteirizado por Oskar Roehler, adaptação do romance homônimo do controvertido escritor francês Michel Houellebecq, publicado originalmente em 1998. Conta a história de dois meio-irmãos, Michael (Christian Ulman) e Bruno (Moritz Bleibtreu), cuja mãe (Nina Hoss) os deixou aos cuidados cada um de uma avó diferente, enquanto ela corria o mundo. Os dois irmãos acabaram descobrindo a existência um do outro apenas na adolescência. Em comum, têm as cicatrizes emocionais, o que se reflete profundamente em seus relacionamentos afetivos. Michael é um biólogo molecular renomado, que no momento se dedica a uma pesquisa sobre reprodução humana assexuada na Irlanda. Isolado, olhando o mundo a partir de seu laboratório, ele tem dificuldades para se aproximar das mulheres. Com 30 anos, Michael ainda é virgem e cultiva uma fixação platónica por uma amiga de infância Annabelle (Franka Potente). Seu irmão Bruno, professor de literatura num colégio secundário, é o extremo oposto. Vive com a cabeça tomada por fantasias sexuais, envolvendo inclusive a própria mãe, o que finalmente acaba com seu casamento. Além do peso deste fracasso sentimental, sente a frustração de não conseguir publicar um livro. Um passado repleto de incidentes devastadores explica, em boa parte, os problemas emocionais profundos dos dois irmãos. O filme destaca-se pela direção, o roteiro, e o brilhante trabalho dos atores.



Escrito por Fernando Jares às 18h44
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AÇAÍ DO PARÁ NO NYT

“AÇAÍ, A GLOBAL SUPER FRUIT, IS DINNER IN THE AMAZON”


Ora, ora, um de nossos conhecidos do dia a dia, companheiro de inúmeras jornadas, de muitos tipos de paradas, é um super-herói mundial. É isso aí em cima: “superfruta global”! O nosso açaí velho de guerra virou, definitivamente, “celebridade internacional”, na onda antioxidante e da badalação-chique em torno da Amazônia. Isso está escrito e explicado em uma longa reportagem publicada na edição de ontem (23/02) do The New York Times, o grande jornalão norte-americano, justo no caderno “Dining & Wine”. Uma das principais mídias impressas do mundo dedica um generoso espaço a uma das riquezas paraenses.

O texto, do jornalista Seth Kugel, colaborador do NYT e correspondente da agência de notícias Global Post no Brasil, mostra como é consumido o nosso produto no Rio de Janeiro e nos Estados Unidos e, o que é importante como reforço turístico, como é produzido e consumido no Pará. O repórter foi até Cametá (de onde assina a matéria, globalizando a bela terra dos Romualdos!) e acompanhou a colheita da fruta, sua produção artesanal, como é consumida lá e aqui, pelas ruas de Belém. Cita o Ver-o-Peso, o supermercado Líder, Cairu, Ice Bode, e o "Point do Açaí", que já foi assunto deste blog, quando o visitei: para ler "Para ser feliz, põe-te frente a um bom açaí", clique aquiA questão econômica da produção e exportação do produto também ganha bom espaço, desde a entrevista com os que colhem a fruta até as grandes indústrias que o processam e exportam, pequenos vendedores e consumidores. Constata o que todos sentimos: com a exportação, o preço aumentou, resposta do mercado produtor ao crescimento da demanda. Mas encontra a explicação de um consumidor: “Antes, custava como o feijão, agora custa mais que o feijão, mas nós comemos o mesmo, só que agora sentimos nas nossas carteiras...” Infelizmente, completo eu.

A matéria é complementada por um slide show com 10 fotos, uma das quais está aí em cima.

Feitas as apresentações, não deixe de ir ao site do The New York Times – pode clicar aqui, para ter acesso direto - para ler na fonte. Nele está o link das fotos, mas você também pode ir direto, clicando aqui.

Esta é mais uma excelente oportunidade de promoção, não apenas para a produção do açaí, mas para o turismo. Para incentivar as pessoas a virem até aqui conhecer esta preciosidade. Açaí fresquinho, batido na hora? Só tem aqui!



Escrito por Fernando Jares às 19h31
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ARTE PLÁSTICA POLÍTICA

ARTES VISUAIS EM DEFESA DA UNIDADE

 

22 artistas plásticos fazem, de hoje até dia 27, uma manifestação de paraensismo pela unidade do Estado, ameaçada por interesses divisionistas. Este é o momento mais difícil que o Pará vive, diante de permanentes ataques de grupos políticos interessados na criação de novas unidades federativas e de olhos nas grandes riquezas existentes nessas áreas. Ao Pará tradicional ficará a área mais explorada. Manifestações como estas são importantes para alertar a sociedade e as autoridades – a meu ver muito passivas. Em outras épocas já vi mobilização bem mais intensa a favor do Pará, pelas ruas de Belém.

A manifestação dos artistas é feita com o que cada um deles tem de melhor: a sua produção, na Mostra Coletiva de Artes Visuais “Não à divisão do PArá”. Acontece no Museu da UFPA (Generalíssimo com Governador José Malcher) e a abertura é logo mais, às 19h.

Um recital da Orquestra de Violoncelos da Amazônia contribuirá também para a beleza da festa.

Participam da exposição “Não à divisão do PArá!” os artistas Arthur Leandro, Bruno Maneschy, Christian Monteiro, Diego Cordero, Eliene Tenório, Jaqueline Souza, João Cirilo, Josynaldo Ferreira, Lucia Gomes, Luciana Magno, Márcia Macedo, Maria Christina, Marisa Mokarzel, Mestre Nato, Nailana Thiely, Paulo Paixão, Raphael Moreno, Ricardo Macedo, Ruma, Ubirajara Barcelar, Victor de la Rocque, Vince Souza.

 



Escrito por Fernando Jares às 11h40
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POESIA NA UNAMA

POESIA DE EXPRESSÃO AMAZÔNICA

 

 Belém, na tua rede de mangueiras
na verde solidão das altas horas
o rio te põe no colo e te acalenta
o rio te põe no colo e te apascenta
o rio te põe no colo e te deflora...
Estrofe final de “Para ler como quem anda nas ruas”, de João de Jesus Paes Loureiro (no CD “Belém. O Azul e o Raro”, de JJPL e Salomão Habib, Belém, 1998)
A foto acima merece o poema e o poema merece a foto, de Luiz Braga.

O poeta João de Jesus Paes Loureiro, que dia destes circulava por este blog, quando foi o tema do belo enredo do “Império do Samba Quem São Eles”, no carnaval deste ano (para ler, clique aqui), estará novamente no centro de um grande acontecimento cultural pelas ruas de Belém.

Ele será a figura central do sarau que marcará o Dia Nacional da Poesia na Unama. O Dia da Poesia é 14 de março, em homenagem a Castro Alves, nascido nessa data. Como será um domingo, o evento foi marcado para 18 de março, no Auditório David Mufarrej, a partir das 19h, promovido pelo Centro de Ciências Humanas e Educação/Curso de Letras e pelo Núcleo Cultural dessa Universidade. Entrada franca para alunos e quem mais tiver bom gosto.

No ano passado, a homenagem foi para o magro poeta Max Martins. Este ano os organizadores vão destacar “Poesia de Expressão Amazônica”, com a presença do poeta maior João de Jesus Paes Loureiro.

Segundo a Unama, “Essa oportunidade de (re)conhecer a expressão poética amazônica, dentro do projeto interdisciplinar “AMAZÔNIA:tão perto e tão longe”, será teoricamente definida por meio de uma palestra (mais em tom de conversa inicial) do professor, escritor e poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro , mediada pela professora Elaine Oliveira, seguida da interpretação musical baseada no imaginário dos nossos autores, desta feita pelo Coro Cênico da Unama. Tudo com a livre intervenção de declamação e leituras por alunos, professores e outros interessados que sentirem vontade de, em nome da poesia, entrar nesse clima de descontração poética. Traga o seu poema amazônico preferido, para ler ou declamar, sozinho ou em dupla.”



Escrito por Fernando Jares às 20h34
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PIRACUÍ PARA O BRASIL

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“O piracuí é uma delícia, com sabor de peixinhos secos japoneses, sem gosto de gordura, ranço, nem muito sal. E é prático e versátil, afinal é leve, dispensa geladeira, pode ser usado como complemento nutricional para crianças na merenda escolar, por exemplo, e se adapta numa infinidade de preparos.”

Neide Rigo, jornalista, nutricionista e consultora de cozinha e nutrição, em seu blogCome-se”.

BELEZAS PARAENSES NA TEVÊ

.

Fico todo satisfeito quando vejo Alter do Chão aparecendo com sucesso por esse mundão de Deus. É que gosto muito de lá. Considero, sem favor nenhum aos meus amigos mocorongos, que estão nessa vila santarena as mais belas praias que já vi. Alter do Chão já por cá andou neste blog diversas vezes. E vou estar novamente naquelas águas abençoadas, naquela areia bendita, lá pelo meio do ano.

Como em todo oeste paraense – aliás, em todo nosso Estado – come-se muito bem por lá. E não apenas as iguarias regionais, no que eles são craques. Ano passado comi lá um churrasco, em casa de amigos, que foi uma perfeição. De varar a noite.

Pois bem, o Jornal Hoje, desta sexta-feira gastronômica focou, e muito bem, a querida Alter do Chão. As fotos acima eu captei do programa. A matéria mostrou a grandiosidade da natureza amazônica naquele belo espaço de mundo e diversas atrações, entre elas a ponta do Cururu, por onde já andei, cobrindo um Torneio de Pesca ao Tucunaré que havia em Santarém, para A Província do Pará e onde varei a noite em uma piracaia – comer assado, na areia, o peixe recém-pescado, temperado só com sal e limão. Nham, nham, nham.

“Conhecida como caribe brasileiro, Alter do Chão foi escolhida pelo jornal inglês The Guardian como a praia de água doce mais bonita do mundo e segundo quem visita o local, um titulo merecido. É um desses lugares simples, mas encantadores. Um refúgio para quem gosta de tranquilidade”, assegurou a repórter Suelen Reis que, sendo local, sabe muito bem a maravilha que descreve, e estava também respaldada nas opiniões de seus entrevistados e nas belas imagens de Elivaldo Reis e José Rodrigues.

Além das belezas naturais a reportagem mostrou as atrações gastronômicas irresistíveis daquelas bandas. Esse é um dos bons motivos que me faz sentir muito bem por lá, quando não estou cá, pelas ruas de Belém... Um belo tambaqui na brasa, um dos peixes mais gostosos de sempre e os incríveis bolinhos de piracuí foram atração. O piracuí é uma farinha de peixe (acari) única, especialidade da área. (Depois desta, amanhã vou cedinho à feira da 25 comprar piracuí – não é a mesma coisa, mas... – e passar bem no almoço!). Ah, só faltou a moça mostrar o incrível “X-Piracuí”, que só tem lá mesmo. Já escrevi sobre ele e você pode ler clicando aqui.

Além de mostrar os bolinhos, como você vê ao lado, em imagem captada do programa, o JH deu a pista para a receita: está no site da Globo. Para facilitar a sua vida, basta clicar aqui e ter a receita em sua mão e ainda ver (ou rever) a bela reportagem de 4min29. Um tempão em rede nacional.

Encerro com outra frase de Suelen Reis, com a qual concordo inteiramente: “Mas o melhor que Alter do Chão oferece é a tranquilidade. No fim da tarde, o programa é observar calmamente o pôr do sol.” Principalmente estando dentro d’água, complemento eu...



Escrito por Fernando Jares às 20h14
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MÁRIO FAUSTINO, O PIAUIENSE

A TRADIÇÃO E A TRANSGRESSÃO EM SUA HORA

 

Quem deu a dica foi a Linda Ribeiro, hoje de manhã, no Twitter: “O Homem e sua Hora, nas palavras de Fabrício Carpinejar”. Fui atrás e deliciei-me com a crítica do poeta gaúcho sobre o livro “O Homem e sua Hora”, de Mário Faustino, recentemente relançado, agora em edição de bolso, pela Companhia das Letras. Está na Bravo! deste mês, na seção “Clássico do mês”. A revista começa reconhecendo a importância de Faustino na literatura nacional:

“Reedição do livro "O Homem e Sua Hora" confirma a importância do poeta que, na década de 1950, aproximou dois polos até então inconciliáveis: a tradição e a transgressão”.

Leia um trecho do Fabrício Carpinejar:

“Cantou (Mário Faustino) como um barítono, extremamente alusivo, esbanjando aliterações e jogos sonoros. "Agora o bandoleiro brada e atira/ Jorros de luz na fuga de meus dias -/ E mudo sou para cantar-te, amigo,/ O reino, a lenda, a glória desse dia". Ressuscitou uma verve classicista, fundada em Virgilio e Dante Alighieri, com um mergulho intransigente na mitologia e na metalinguagem. Também adotou o tom imperativo e severo dos profetas bíblicos, de censura e ameaça. Não ficou com medo de Deus, apesar da tônica marxista-realista dominante da época. Alternou em seus versos símbolos do cristianismo (como sarça, peixes, serpente e sudário) e transfigurou os temas mais prosaicos em conflitos subjetivos e atemporais.”

Para ler o texto completo, visite o site da Bravo!, clicando aqui. A foto aí em cima (Divulgação) eu capturei da mesma matéria.

Para ler quatro poemas, publicados na mesma revista, clique aqui.

Tudo muito bem, muito belo, emocionante. Mas senti falta desta heroica Santa Maria de Belém do Grão Pará na festa para nosso queridíssimo poeta. Mário Faustino nasceu em Teresina, mas sua bio pula direto para a destacada atividade no Rio de Janeiro. Também no site da Companhia das Letras, tanto na apresentação da obra (clique aqui) como no resumo sobre o autor, Belém desapareceu...

O jovem Mário Faustino, piauiense por nascimento (1930), veio para cá aos 11 anos, com o irmão mais velho. Muito andou, muito estudou, muito produziu pelas ruas de Belém. Trabalhou no querido jornal A Província do Pará (onde escrevi por muitos anos) e depois na Folha do Norte. Estudou nos Estados Unidos, muito viajou pela Europa, mas sempre voltava para Belém. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1956, onde revolucionou a crítica literária, onde produziu obras maravilhosas. Mas Belém estava sempre presente, tanto que esteve aqui em outubro de 1962, para rever amigos. Para despedir-se, diriam os fatalistas: morreu em um acidente aéreo, sobre os Andes, um mês depois. Mas, pensando bem, fatalismos à parte, um homem que tinha sua hora, certa, assumida, consumida, quem sabe, sabia, a hora de partir. Definitivo:

“Quem fez esta manhã fê-la por ser / Um raio a fecundá-la, não por lívida / Ausência sem pecado e fê-la ter / Em si princípio e fim: ter entre aurora / E meio-dia um homem e sua hora.” São os versos finais de “Prefácio” em “O Homem e sua hora”- que copiei do livro “Poesia de Mário Faustino”, com introdução de Benedito Nunes, 1966, Editora Civilização Brasileira.

Informações muito completas sobre o poeta estão no precioso livro “Mário Faustino – Uma biografia”, de Lilia Silvestre Chaves, primorosa edição da Secretaria de Cultura e Instituto de Artes do Pará, de 2004.

Nesta nova publicação de “O homem e sua hora”, a professora e ensaista Maria Eugenia Boaventura, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), registra (em "Um militante da poesia") a importância de Belém na vida do poeta:

“Belém do Pará exerceu papel determinante na vida do jovem Mário. Nessa cidade, realizou a maior parte dos estudos, e antes de se lançar como poeta seguiu um roteiro parecido com o de muitos escritores de renome. Estreou no jornalismo n’A Província do Pará, levado por Carlos Castelo Branco, e lá trabalhou de 1947 a 1949, traduzindo matérias internacionais e como redator. Escreveu editoriais, artigos sobre cinema e exerceu intensa atividade de cronista. Transferiu-se para a Folha do Norte em 1949, permanecendo até 1956, com um intervalo de dois anos de estudos nos Estados Unidos e uma temporada na Europa.” ...“Como poeta, Mário Faustino estreou na Folha do Norte, apresentado por Francisco Paulo Mendes, professor de literatura e figura aglutinadora de talentos literários locais. Em torno do suplemento literário desse jornal, reunia-se a nova geração de escritores, resumida em alguns nomes: os dois críticos citados, o romancista Haroldo Maranhão, os poetas Max Martins e Rui Barata, além de Mário.”

Mário Faustino é nosso! Também piauiense, sem dúvida. Mas é produto e produtor de uma geração extraordinária de intelectuais paraenses.

Anote: o Carlos Castello Branco, citado por Boaventura, é mesmo o lendário jornalista Castelinho, da “Coluna do Castello”, no Jornal do Brasil, um dos maiores na história do jornalismo político do país, de grandes jornadas em defesa da liberdade de imprensa, nos anos dos militares. Outro talento que trabalhou na Província. Coincidentemente, como Mário Faustino, também piauiense.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h43
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CARNAVAL PARAENSE: GRANDES LETRAS

VERSOS DE GRANDES SAMBAS-ENREDOS

Para este último dia de carnaval aqui vai uma seleção de versos de grandes sambas-enredos das principais escolas de samba que se apresentam (ou apresentaram) pelas ruas de Belém. Fiz esta seleção e presenteei os meus seguidores no Twitter (clique aqui) nestes dias. Hoje foi um tuíte carnavalesco de hora em hora...

Vamos lá:

Pinta sete, sete cores / No meu coração / Vem comigo, meu bem / No Arco-Íris / Colorir a multidão. (Arco-Íris – 1983)

Com licença oh! Sinhá / Com licença oh! Sinhô / Ô ô ô ô / O Xavante vem chegando / Trazendo paz, trazendo amor. (Xavante - 1975)

Canta Embaixada! / Nesta avenida vou dançar meu Carimbo / Verequete, meu artista imortal / Como estrela vem brilhar no carnaval. (Embaixada do Império Pedreirense - 2010)

(1) Pai d’égua é não ter régua e compasso / pra medir o teu abraço/na medida que eu quiser. (Quem São Eles - 1986)

(2) Pai d’égua é tomar uma na esquina / jogar na loto e acertar na quina. / Pai d’égua é curtir a juventude / Pai d’égua é saber envelhecer. (Quem São Eles - 1986)

A Matinha embarca neste vai e vem / num navio gaiola para Santarém - Tapajós rio azul, uma poesia / Tapajós onde o barro tem magia. (Escola de Samba da Matinha - 1987)

Quem é do Rancho / Por amor não se amofina / Já dizia vovó / Desde os tempos de menina. (Rancho Não Posso Me Amofiná -1984)

Ôôôô Imperador / Murucutum, em Nazaré / paraense quando quer / não tem dono nem senhor / imperador. (Acadêmicos da Pedreira - Sonho Cabano -1985)

Que felicidade, amor / O Quem São Eles na Aldeia / A minha águia pelo ar / Em suas asas o poeta vai voar. (Quem São Eles - Poeta Paes Loureiro - 2010)

Chove nos campos do Marajó / Ponta de Pedras, Cachoeira do Arari / A Amazônia é o cenário / De Dalcídio Jurandir. (Quem São Eles, 2009)

Eu sou da grená e branco / lá vai minha águia / levando meu manto / o Carro dos Milagres vem a todos abençoar / e o nosso Benedito exaltar. (Quem São Eles – Benedito Monteiro – 2008)

Quem São Eles somos nós / A voz da consciência cultural / O Pará no carnaval / Valorizando o enredo regional. (Quem São Eles, 2009)

Hoje vou cantar na passarela / a beleza desta terra / Não posso Me Amofina / Na criação do artista / passando em revista / nossa Belém do Pará. (Rancho-1982)

Com dez metros de saudade / fiz a minha fantasia / vai um guizo de tristeza / na camisa da alegria / Quem São Eles / quem foi ela / que a voz do povo anuncia? (Quem São Eles – Eneida – 1973)

O rouxinol na mata já cantou / E o meu canário na gaiola gorjeou / Ê ê ê ê á / Ô abre alas / Pro Unidos de Vila Farah. (Vila Farah -1976)

Jacaré me leva / Para o reino de Tuyá / Hoje meu povo está forte / Não posso Me Amofiná. (Rancho - 1981)

No rufar de um tambor / Ou no compasso de um piano / Quem São Eles na avenida / Vem reviver os cem anos. (do Teatro da Paz) (Quem São Eles - 1978)

Tupã é quem manda no mundo / No homem quem manda é cunhã / Quem manda no samba é Campina / No verde do muiraquitã. (Boêmios da Campina - 1975)

De frente ao sol / como na lenda tupi / Doce menina / linda morena Icoaraci. (Mocidade Olariense – 1985)

Água encheu / Maré vazou / O verde está se acabando / com o progresso que chegou. - Maneiro pau ôô / maneiro pau / Quem São Eles este ano / Canta a Amazônia Legal. (Quem São Eles – 1979)

Venham ver /Venham ver como é / Fantasias do passado / No largo de Nazaré (Quem São Eles – 1977)



Escrito por Fernando Jares às 17h55
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CARNAVAL NÃO É FERIADO

A REGRA DOS FERIADOS NO BRASIL

Vi na televisão o aviso de uma rede de supermercados, que não costuma mesmo a respeitar feriados, que estará aberta “neste feriado”. Errou. Desta vez nem precisava avisar: o carnaval não é feriado, nem federal, nem estadual, nem municipal. Simplesmente, por tradição, não se trabalha na terça e na quarta pela manhã. Mas não são feriados, muito menos a segunda-feira. Existem empresas, geralmente de grande porte, em que efetivamente não se trabalha nessas datas, mas os empregados “pagam” as horas não trabalhadas, compensando-as com acréscimos na jornada diária, ao longo do ano ou em determinados períodos.

Os feriados nacionais são: 1º de janeiro, 21 de abril, 1º de maio, 7 de setembro, 2 de novembro, 15 de novembro e 25 de dezembro, segundo a lei (10.607) sancionada por FHC, em 2002, que atualiza a lei originária dos feriados, que era de 1949, mas acrescentou 2 de novembro (Finados), que antes era, tradicionalmente, feriado municipal. E, matreiramente, não incluiu o dia da Padroeira do Brasil, N. S. Aparecida, em 12/10, nem revogou a lei 6.802, de 1980, que criou esse feriado. Portanto, 12/10 continuou feriado. Naquela época alguns protestantes andavam reclamando de um feriado para a Mãe de Jesus...

Os feriados estaduais são novidade criada em 1995, pela lei 9.093, também da era FHC. Ganharam o pomposo nome de Data Magna do Estado. Mas é só um feriado por Estado. O nosso é o dia da Adesão do Pará à Independência, 15/08, criação do jurista e àquela altura deputado estadual, Zeno Veloso, pela lei estadual 5.999, de 1996. Como se vê, logo no ano seguinte: o Pará foi um dos primeiros Estados a instituir a sua Data Magna.

Essa mesma lei federal de 1995 chama esses feriados de “civis”, que antes eram classificados de “nacionais”. Um ano depois a lei ganhou um adendo (lei 9.335), que criou mais dois, de cem em cem anos, em cada município: “os dias do início e do término do ano do centenário de fundação do Município, fixados em lei municipal”, diz a lei. Portanto serão feriados pelas ruas de Belém, 12 de janeiro de 2015 e 12 de janeiro de 2016. Ou de 2016 e 2017. Depois, só em 2115 e 2116, quando, provavelmente, eu já não esteja mais por aqui para os festejos...

A mesma lei federal 9.093 determina que são “feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local e em número não superior a quatro, neste incluída a Sexta-Feira da Paixão”, repetindo exatamente o que dizia uma lei do tempo dos militares. Os feriados municipais em Belém são: Sexta-Feira da Paixão, Corpus Christi, 2/11 (Finados) e 8/12 (N. S. da Conceição), determinados na lei 6.306, ainda de 1967, tempos do prefeito Stélio Maroja. Quer dizer, qualquer hora descobrem e criam mais um feriado na cidade, já que o Dia de Finados virou nacional...

Portanto, Carnaval e Cinzas não são feriados. Apenas existe a tradição de não trabalhar nesses dias. Como não é o Recírio (é feriado profissional apenas para os comerciários, por força de acordo trabalhista, de alcance local). Fora isso, é o tal ponto facultativo dos órgãos públicos que cria absurdos como feriados nas sextas-feiras de julho, recessos por isto e por aquilo (alguns até regulados por lei, veja o da Justiça Federal, clicando aqui), etc. Ah, este ano teremos também os dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo, que na primeira fase são: 15/06 (terça) 15h30 – Brasil x Coreia do Norte; 20/06 (domingo) 15h30 – Brasil x Costa do Marfim; 25/06 (sexta) 11h – Portugal x Brasil. Depois, espero que ainda tenhamos mais alguns...



Escrito por Fernando Jares às 16h12
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DIAS DE CARNAVAL. OU NÃO.

Hoje é um dia, como dizia o meu sogro, meio pau, meio tijolo. Parece que tudo funciona mais ou menos, devagar, em uma cidade como Belém. Quem pode, tomou rumo para outras plagas, principalmente balneários. Os mais endinheirados foram para Salvador, Rio de Janeiro, Miami, etc. O carnaval pelas ruas de Belém (principalmente dos blocos mais elitizados...) praticamente terminou no final de semana passado. Sobrevive em alguns bairros. Há movimento ainda na Aldeia (Cabana ou Amazônica, ao gosto do prefeito de plantão), o nosso maltratado sambódromo.

Em homenagem aos brincantes anônimos, solitários, conhecidos ou coletivos, busquei a ilustração acima, de Sérgio Bastos. Como explica o autor, em seu blog (clique aqui), “Fotografei essa figura há muito tempo num bloco de rua. Acho que deu um bonito desenho.” Apropriado para um ano de Copa do Mundo...

Quem gosta de folia, que folie à vontade, mas com segurança. E sem atrapalhar os que não se entregam a esse tipo de brincadeira – embora estes acabem vitimados pelos foliões, donos de privilégios mil. Repare só quantos serviços públicos já não estão disponíveis, desde hoje, em nome desse direito foliônico.

Para todos, vale a campanha de segurança no trânsito que o Governo do Estado patrocina, inclusive em cidades do interior, tendo como elemento de referência o “cabeção”, figura do “Boi de Máscaras”. Escolhi uma peça onde a mensagem vale em qualquer tempo. Para ver outras, clique aqui.




Escrito por Fernando Jares às 19h30
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CARNAVAL DE ESCOLAS EM BELÉM

 

Acompanhei o desfile das escolas de samba de Belém, na noite de sábado. Foi um belo e até surpreendente espetáculo de arte popular. A transmissão do evento por dois canais de televisão serviu de ânimo – afinal os brincantes teriam mais para quem se mostrar. E a finalidade de montar aquilo tudo, de todo aquele sacrifício é, além de divertir-se, também mostrar para os outros o que cada grupo sabe fazer.

Pouquíssimo incentivado por quem não entende aquela manifestação como cultura popular, como alegria para milhares de pessoas, o carnaval pelas ruas de Belém, que já teve momentos de glória – havia até quem dissesse que era o terceiro maior do Brasil – anda à míngua, dizem os carnavalescos. Mas este ano eles tiraram leite de pedra e fizeram bonita festa.

A transmissão do desfile pela televisão, que há muito não acontecia, foi algo muito bom para o carnaval paraense. Pelo menos em casa a RBA estava com imagem muito melhor do que a Cultura. Mas perdia para a produção: os apresentadores não tinham em mãos informações sobre as escolas, sobre o que eram os carros, quem eram os destaques, etc. Tinham que adivinhar, usando apenas seus conhecimentos pessoais – e olhe que entendiam de carnaval e dos desfiles de Belém. Acredito que boa parte do problema venha das próprias escolas, que não devem subsidiar a imprensa com informações detalhadas do enredo. Pelo menos eu tive enorme dificuldade em acessar essas informações.

Todo mundo sabe de minha preferência pelo “Quem São Eles”, especialmente no ano em que homenageia outro de meus preferidos, o poeta João de Jesus Paes Loureiro, que está na foto aí em cima, que captei do twitter de Luã Gabriel. Com orçamento muito pequeno, a escola fez uma bela apresentação, com destaque especialíssimo para a Comissão de Frente, nota 10, com certeza. O “Rancho Não Posso Me Amofina” também fez uma primorosa e rica exibição, talvez bafejado por alguns recursos do homenageado, o Hangar. Ficou atraente, bonitão. E o mesmo diga-se das demais escolas: o nível médio foi muito bom na Embaixada, nos Piratas, etc. A organização do desfile falhou em alguns aspectos, atrasando-o, como de costume, infelizmente. Mas valeu a noite.

Quem ganhou? Essa resposta só existe nas planilhas dos jurados. Cada torcedor vê o seu como o melhor, identifica as falhas dos concorrentes, desejando que elas sejam pontos a menos e sonha que as falhas da sua escola não tenham sido vistas pelos avaliadores. É assim que é, todos os anos. Vamos aguardar a apuração.



Escrito por Fernando Jares às 19h23
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O POETA MAIOR NA ESCOLA QUERIDA

VOZ DA POESIA, PÁSSARO DA TERRA

"Quem São Eles somos nós/A voz da consciência cultural/O Pará no carnaval/Valorizando o enredo regional". Esse refrão está no samba enredo do ano passado do Quem São Eles, mas retrata uma preocupação constante nesta escola querida do Umarizal. Aliás, uma tradição nas escolas paraenses, desde muitos anos. Como amanhã é o dia do desfile das principais escolas do carnaval pelas ruas de Belém, o post de hoje canta o Quemzão, que ocupa o espaço carnavalesco do meu coração...

Neste 2010 o Quem São Eles completa a trilogia de grandes nomes da literatura paraense, iniciada com Benedito Monteiro, seguida ano passado com Dalcídio Jurandir e agora chegando ao grande poeta abaetetubense João de Jesus Paes Loureiro. E este tem uma relação muito especial com a escola: nos anos 1970 foi um dos fundadores de uma brilhante ala de compositores, que nos legou enredos e sambas-enredos extraordinários como “Marajó – Ilhas e Maravilhas”, em parceria com o maestro Waldemar Henrique; “Eneida sempre amor”, com o compositor e hoje ex-governador Simão Jatene; ou “Preamar”, com Edyr Proença (o pai), Edyr Augusto e Maranhão. Desta homenagem Paes Loureiro, professor e pesquisador da UFPA, doutor em literatura pela Sorbonne, ex-Secretário de Cultura e de Educação, já disse que é uma das “maiores emoções da minha vida, é um dos momentos mais marcantes da minha participação na cultura popular”. Poeta maior do Estado, autor de vasta obra que cultiva desde a juventude – começou com “Tarefa”, apreendido pelos militares no dia do golpe, em 1964, às vésperas do lançamento – é homem ligado à cultura popular, veja-se o excelente trabalho que fez à frente do IAP – Instituto de Artes do Pará.

O título do enredo é “Paes Loureiro - voz da poesia, pássaro da terra, poeta da Amazônia”, de autoria do vice-presidente da escola, Jamil Mouzinho e o samba-enredo de Diego Trindade, Fabrício Monteiro, Geraldo do Cavaco, Bola SP. Ao lado o estandarte, o porta estandarte (Maurício) e Rainha da Bateria (Elinor). A música você pode ouvir clicando aqui – role a página (uns três PgDn) para encontrar o samba do Quemzão. Acompanhe a letra:

Que felicidade, amor
O Quem São Eles na Aldeia
A minha águia pelo ar
Em suas asas o poeta vai voar

A poesia me levou
A viajar nessa história
Abaetetuba que abençoou Terra
A sua bela trajetória
Às margens do rio Meruí
Capital dos brinquedos de miriti,
Retrato de um povo de fé e tradição
Paes Loureiro
És o grande filho deste chão!
Cidade Luz também o viu brilhar, ô ô ô
Poeta, compositor,
Pelas artes de um apaixonado
Ilustre professor.

Nosso cantar na Amazônia
Com "Três Flautas vou mostrar"
"Deslendário" de um "Altar em Chamas"
"Porantim" e "Preamar"

Hoje vou reviver na passarela
"É lindo reencontrar um grande amor"
Com povo na avenida
A nossa escola é realmente a mais querida
E faz pulsar meu coração
Enredos de pura emoção
Aplausos da cultura popular
Ao pássaro da terra
Com muito orgulho vamos homenagear

 



Escrito por Fernando Jares às 18h06
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D. BOSCO EM BELÉM

VISITA DA RELÍQUIA DE GRANDE EDUCADOR CATÓLICO

Durante seis dias uma urna contendo a imagem, em tamanho natural, do santo católico D. Bosco, fundador da ordem dos salesianos, circulou pelas ruas de Belém e Ananindeua, visitando as escolas mantidas por esses padres e freiras, como colégio do Carmo/Ananindeua, Escola Salesiana do Trabalho e Centro Social Auxilium, na Pedreira, colégio D. Bosco, no centro e colégio do Carmo, na Cidade Velha. Milhares de pessoas visitaram a urna – que contém também uma relíquia do santo padroeiro dos jovens -, participando das celebrações, acompanhando os deslocamentos, ou apenas orando diante da imagem representativa do santo.

 

A imagem de D. Bosco em foto de Camila Lima, em O Liberal de ontem.

A peregrinação da urna começou em junho do ano passado na Itália e marca e integra as comemorações do bicentenário de nascimento de D. Bosco (1815/2015). No roteiro estão todos os locais onde há comunidades salesianas, em 130 países, nos cinco continentes.

Quem estudou ou estuda em um estabelecimento salesiano sabe muito bem a importância da educação recebida, não apenas em aspecto didático, mas, e especialmente, nos aspectos moral e ético, além de religioso, do jovem. Eu estudei no Carmo durante sete anos e testemunho permanentemente o quanto recebi dessa comunidade. Ontem visitei a imagem no colégio D. Bosco e logo mais estarei na igreja do Carmo, participando da Santa Missa para a família salesiana, como forma de agradecer por tudo de bom que recebi da ideia e iniciativa desse espírito empreendedor e abençoado.

A urna é uma réplica da que se encontra na Basílica de Maria Auxiliadora em Turim, Itália, que contém partes do corpo do santo. Mede 2,53m por 1m de largura e 1,32m de altura e pesa 530kg.

O projeto é do arquiteto Gianpiero Zonco, realizado em alumínio, bronze e cristal, trabalho dos mestres Marcos Berrone (artífice de ferro) e Francesco Boglioni (marcheteiro). Os cristais são da firma Bivetro, as ambiências metálicas da Fundição Artística De Carli e a iluminação da empresa Perlaluce.

A base da urna representa uma ponte, sustentada por quatro pilares, sobre os quais estão as datas do bicentenário (1815/2015). Nas laterais dos pilares foram esculpidos rostos de jovens dos cinco continentes, pelo escultor Gabriele Garbolino. O brasão da Congregação Salesiana, que celebrou, ano passado, 150 anos de fundação, e o lema de Dom Bosco - "Da mihi animas, cetera tolle" ("Dai-me almas e ficai com o resto") - estão nas laterais.

A visita ao Brasil começou em 16 de novembro, em Porto Alegre e amanhã segue para Porto Velho, Rondônia.

Os salesianos estão na Amazônia desde 1925, em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas. Estão hoje também em Humaitá, Ji-Paraná, Porto Velho, Manaus, Belém e Ananindeua.

A primeira etapa desta peregrinação é na América do Sul, tendo começado pelo Chile, seguindo pela Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil.

A relíquia de Dom Bosco estará neste continente ainda este ano; na Ásia de novembro de 2010 até novembro de 2011; na África-Madagascar, de dezembro de 2011 a agosto de 2012; na Europa de maio de 2012 até agosto de 2013; e concluirá seu itinerário na Itália, entre setembro de 2013 e janeiro de 2014.

 



Escrito por Fernando Jares às 16h42
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UM BICHÃO NO GOELDI

BAÚ GIGANTE PELAS RUAS DE BELÉM

 

Esta cidade é o paraíso dos grandes caminhões, carretas, etc., que circulam livremente pelas ruas de Belém, mesmo em vias centrais de muito movimento e em áreas ditas com proteção ambiental, arquitetônica ou histórica. Veja esse “bruto” aí em cima. Eu o fotografei hoje logo cedo, sabe onde? Em frente ao Museu Paraense Emílio Goeldi, nosso zoológico amazônico! Tava lá, fingidinho de morto, tipo não tenho nada com os procedimentos desta cidade, quero fazer o que eu quero e pronto. Naturalmente que não levava nada para o Museu

Existem regulamentos ou leis municipais sobre isso, mas não são observados nem cobrados. Lembro que houve tempo em que até foram feitos investimentos em um entreposto de cargas, fora da cidade, onde esses monstrengos deixariam seus produtos para distribuição em veículos menores – se bem me lembro, houve época em que isso foi praticado. Mas hoje é isso que se vê. Há dias mostrei aqui a foto de um grande caminhão sobre a calçada de um supermercado, não deixando espaço para os pedestres circularem. Pois não é que hoje passei por lá e o mesmo dito cujo estava no exato local. E os pedestres indo para a rua.

Ainda este final de tarde, tipo 18h, havia um bichão desses, bem semelhante ao da foto, de uma tal Pacific, em plena Braz de Aguiar!

Disse-me um amigo que já trabalhou na CTBel, que existem normas a respeito, basta botar em execução, cobrar os procedimentos. A Justiça manifestou-se recentemente, exigindo providências para o caos no trânsito da cidade. Mas a Prefeitura faz-se alheia diante da questão – como, infelizmente, a um monte de outras questões na cidade. Como os bares que enchem as calçadas de mesas e cadeiras. Andar por onde? Um dia fui até ameaçado por um segurança grandalhão em um bar na Doca! Mas isso é outra história.



Escrito por Fernando Jares às 20h38
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JULIO CEZAR E O MURO

A DIFERENÇA DO CENÁRIO

O paraense Julio Cezar Ribeiro de Souza, grande pioneiro da ciência, desenvolveu teorias que serviram de base para a navegação aérea em todo o mundo, conforme afirmam historiadores. É uma figura muito importante, que empresta seu nome a uma das vias de acesso ao aeroporto internacional e ao aeroporto menor de Belém. No final do ano passado, por lei federal proposta pela, àquela altura, senadora Ana Júlia Carepa, foi aprovada lei que dá o nome dele ao aeroporto principal (internacional) da cidade, justíssima homenagem que foi assunto neste blog. Para ler, basta clicar aqui.

Outra boa homenagem ele ganhou hoje, sendo tema da matéria da série “Orgulho de ser do Pará”, do jornal Diário do Pará. Você pode ler o texto, clicando aqui. Para ver a página e as fotos, precisa ir ao Diário Virtual e procurar a edição de hoje.

Pois bem, é uma das fotos publicadas nessa página que me chamou atenção. Veja:


A foto mostra uma das experiências de Julio Cezar, realizada pelas ruas de Belém, neste caso, no Largo da Sé, hoje praça Frei Caetano Brandão. Ele também as fez do Rio e em Paris. A foto é de 1884, data de uma operação afinal não realizada, porque a inexperiência das pessoas envolvidas na tentativa, causou danos ao equipamento, que não teve como ser elevado. Como se percebe, a foto deve ter sido feita do alto da igreja da Sé. Você pode ler mais sobre o assunto na revista Ciência e Cultura, da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, clicando aqui.

Mas, voltando à foto. O que me chamou atenção foi o grande muro em frente ao Forte do Presépio (ou do Castelo). Reparam nele? Não existe mais. Sua eliminação gerou uma boa polêmica na época da restauração do local, recuperado para a cidade como um espaço privilegiado de cultura e lazer, hoje muito frequentado por belenenses e turistas. Foi tirado porque não teria a importância histórica do restante do conjunto, cuja beleza escondia. Fica então a lembrança.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h07
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O MESTRE DO SAMBA NA UNIVERSIDADE

NOEL ROSA EM BELÉM

Não consta da biografia do compositor Noel Rosa que ele tenha andado algum dia pelas ruas de Belém, como tanto o fez pelo Rio de Janeiro, por Belo Horizonte e algumas cidades altas, em busca de clima adequado para o tratamento de sua tuberculose. Por certo não viria para a planície...

Não tivesse o grande poeta e cronista do samba, morrido tão prematuramente, aos 26 anos, poderia ter chegado até cá, pelas terras do Grão Pará, em função do grande sucesso de suas composições, em termos nacionais. Como teve seu primeiro grande sucesso em 1930 (Com que roupa?) e já faleceu em maio de 1937, infelizmente não teve tempo de mostrar seu belíssimo trabalho pelo país.

Mas, se não veio em vida, será objeto de uma programação especial este ano na Unama, Universidade da Amazônia. Por quê? Porque neste 2010 completa-se o primeiro centenário do nascimento de Noel, em 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro. É mais que um ótimo motivo para trabalhar sobre a sua magnífica obra.

A programação começa hoje, 08/02. Como explica a divulgação do evento, “Noel tem a característica de ser o único compositor brasileiro – até essa idade – que construiu obra tão importante e tão influente, em termos de letra e música, um cronista da sociedade brasileira do seu tempo, e que acaba por ser também de todos os tempos. Compositor cáustico, agride a falta de honestidade, a falta de justiça e a falta de igualdade social. E em sua assinatura, sempre expõe duas de suas marcas: a de observador atento e a do mestre da ironia. Em algumas de suas criações, o humor de Noel Rosa aparece velado pelo artifício do duplo sentido. Noel foi o tipo do sujeito que amou uma só vez na vida. Mas foi um amor para valer. Essa e outras facetas de Noel serão mostradas, na Unama, aos alunos, professores e demais interessados, em programação comemorativa, com entrada livre, promovida pelo Núcleo Cultural da universidade, a partir do próximo dia 08 de fevereiro, segunda – feira, começando às 19 horas, no Auditório David Mufarrej.”

PROGRAMAÇÃO - Para hoje está prevista palestra da escritora Stella Pessôa, sobre a vida e a obra de Noel Rosa no cenário da música e da vida cultural do Brasil. Será uma “Conversa de botequim” homenageando uma das composições do “poeta da Vila”. Em seguida o excelente Coro Cênico da Unama, mostra um panorama, com cenário e figurino de época, das composições de Noel, especialmente as marchinhas carnavalescas, que permanecem animando muitas festas até hoje. Ao final, alunos do Curso de Moda da Unama, fazem desfile pelo Auditório e demais ambientes, embalados pelo som das marchinhas de carnaval criando, juntamente com todos os participantes do evento que aderirem, ambiente para a instalação/exposição criada pela Galeria de Arte, intitulada “Com que roupa eu vou?” – outro grande sucesso do compositor.

Mas a programação não é somente hoje. O Cine Unama entra em cena com o filme “Noel – o poeta da Vila”, de Ricardo van Steen, com Rafael Raposo (o Noel) e Camila Pitanga, no papel do grande amor do poeta. Projeção em três dos campi da universidade: dia 9, amanhã, no campus BR; dia 10, no A. Cacela; dia 11, no Senador Lemos.



Escrito por Fernando Jares às 16h30
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GASTRONOMIA COM CRIATIVIDADE

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Uma estrela no guia Michelin é um grande momento na vida de um chef. Tenho muito orgulho de ser brasileiro e de poder representar meu país neste momento!”

Marcello Tully, chef brasileiro, alagoano, que comanda a cozinha do restaurante do hotel Kinloch Lodge, na ilha de Skye, nas Terras Altas, Escócia (Highlands) e que é o segundo brasileiro a ganhar uma estrela do guia Michelin. Citado na “Prazeres da Mesa”.

 AMBIENTE BONITO E CRIATIVO

Não tenho dúvida: é o mais e bem cuidado e criativo ambiente, na família dos restaurantes, bares, etc., entre os que conheço, pelas ruas de Belém. Tudo combina com tudo e, principalmente, com alegria e bem-estar, que é o que mais procuramos no lazer. Um destaque para o atendimento, com pessoal simpático, disponível. O quesito decoração é nota 10, sem a menor dúvida. Jantei uma noite destas no lounge, bar e restaurante “Maricotinha”. Éramos um grupo de cinco pessoas, em uma noite de muita, muita chuva. Bonito ver a água correndo lá fora, nós que estávamos abrigados em um ambiente contrastantemente coberto por sombrinhas abertas. Esse salão do restaurante, das Sombrinhas, é uma delícia. Olha o detalhe do teto, que o Emerson Pardo captou:


Os pedidos foram variados, em um cardápio com inúmeras opções. Na entrada recebemos, apropriadamente, a “Maria da Noite” (R$ 22,00). São tiras de filé em molho de vinho tinto. O filé era normal, agora, o molho, estava muito bom, ideal para as torradinhas fininhas que o acompanhavam. Outra entrada, que o vovô classificaria de supimpa: “Sopa de Cebola” (R$ 18,00), gratinada, uma delícia.

Ao prato principal fui sem titubear: “Carré de Cordeiro” (R$ 41,00). Vem o carré (pernil), grelhado no ponto encomendado, com a companhia de um substancioso risoto de parmesão e de geleia de menta. Por sinal, pedi umas torradas para acompanhar (adoro pão!), mas não vieram com o mesmo padrão das tais do filezinho. Estas eram até adocicadas e pouco torradas.

 

Entre os outros pratos que frequentaram a nossa mesa, um recomendado a quem procura um prato leve: “Peixe da Vovó” (R$ 36,00) onde o peixe é grelhado, com legumes no vapor, regados com manteiga de ervas e arroz branco. Mas também andou por este espaço um “Peixe Tradição” (R$ 36,00), que vem a ser peixe grelhado com batata sauté, molho de alcaparras e arroz de brócolis. Um “Camarão Grelhado” (R$ 40,00), acompanhado por risoto de parmesão também saltou à mesa, agradando a quem servia.

No capítulo das sobremesas, fez muito sucesso um “Crepe de Nutella” (R$ 9,00), que aproveita muito bem o sabor gostoso desse creme a base de avelãs, cacau e leite, servido com sorvete de creme. Veja só:


Eu fui a uma “Musse de Cupuaçu Crocante” (R$ 10,00). As castanhas-do-pará torradas da cobertura estavam muito bem feitas, mas havia crocantes demais na mistura – é aquela situação quando só fica o gosto do crocante, no final da mastigação. A foto foi feita mais para mostrar a gostosura do visual dos joguinhos americanos do “Maricotinha”. Tudo lá é assim, fofinho, como dizem as meninas:

 

No geral, apanhadas as observações dos comensais, como dizem os profissionais da área, a comida é boa, sem queixas, mas sem momentos de êxtase gustativo. No entanto, é um lugar agradabilíssimo para ir, e repetir.

Só não entendi um cartãozinho numerado que me deram na entrada, identificado como “Cartão individual de consumo”, que não teve nenhuma utilidade, ninguém solicitou, nem na saída, e acabou esquecido no bolso. Talvez seja usado em outro ambiente da casa, mas merecia alguma explicação, especialmente pela observação extremamente descortês nele impressa, que só notei agora quando fui escrever esta nota: “A perda deste implicará no pagamento de R$ 300,00”!



Escrito por Fernando Jares às 19h00
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O PANEIRO DE SUPERMERCADO

EMBALAGEM ECOLOGICAMENTE CORRETA


Um dia destes vi um paneiro assim, forrado de jornais, não sei de quem, deixado no fundo de uma garagem. Fotografei o paneiro porque me lembrei dos paneiros de supermercado. Eles existiam e circulavam pelas ruas de Belém já faz tempo. Foi no início da história dos supermercados, pelo menos no início da minha presença neles, como consumidor. Início dos anos 1970, por aí.

As compras feitas nos supermercados eram colocadas em paneiros, forrados internamente por folhas de jornal. Não assim arrumadinho, como o aí da foto, que deve ter servido a alguma decoração: o embalador pegava o paneiro, jogava dentro uma folha grande de jornal e as compras por cima, de forma que ficavam aparecendo as pontas das folhas. Às vezes as compras também eram colocadas em caixas de papelão, reutilizando embalagens que a loja recebia com produtos para venda a varejo.

Eram procedimentos ecológicos e sustentáveis, numa época em que ainda quase não se falava em ecologia e sustentabilidade (a primeira conferência mundial sobre o meio ambiente, organizada pela ONU, em Estocolmo, é de 1972).

Com o tempo e as novas exigências consumistas dos clientes, os supermercados abandonaram essas práticas e passaram a usar o saco plástico – que se tornou um grande vilão da poluição das cidades. Quem tem idéia de quantos sacos plásticos, de supermercados e lojas em geral, são jogados nas ruas diariamente, entupindo bueiros, sarjetas, quaisquer caminhos da água, naturais ou artificiais? De um pouco tempo para cá a preocupação com a preservação ambiental fez com que os supermercados adotassem os sacos em plástico oxi-biodegradável. Mas enquanto eles não se degradam, degradam e entopem as ruas... Existe até entidade especializada em plástico biodegradável, veja no saco de seu supermercado, a RES-Brasil. Há também a venda pelos supermercados de sacolas ecologicamente produzidas, transferindo o custo da embalagem ao cliente, sem reduzirem o custo do produto, que já tem embutido o valor dos saquinhos que trazemos para casa...

A eliminação do uso dos paneiros tirou, com certeza, o trabalho de muita gente boa nestas nossas ilhas vizinhas, onde ainda produzem paneiros para transporte de alguns alimentos, como o açaí. Quando as autoridades sanitárias permitem. Eram muitos paneiros, todo dia. Uma característica regional, trabalho para gente humilde, utilização de matéria-prima natural, renda que circulava aqui mesmo. Agora, veja no saco que você deve ter em casa, onde é o fornecedor do saco. No que tenho aqui do meu lado, do Líder, o fornecedor é de São Paulo...

Mas esta conversa toda foi só para relembrar os paneiros dos supermercados e como nas já fomos uma sociedade sustentável, sem nem saber... Ah, a carne, nos açougues, era embrulhada em uma folha de guarimã (vegetal, sim). Mas isso já é outra história.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h50
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UM LARGO CULTURAL PARA BELÉM

FOTOS ATIVAS PELA CULTURA

Praça Visconde do Rio Branco, Praça das Mercês, Largo das Mercês, Largo Cultural das Mercês. Tudo isso é um único local. Praça muito bonita, mas malcuidada pelas administrações municipais. Bem no centro de Belém, ou melhor, do antigo centro, do Centro Histórico, que a cidade teima em desconhecer (por descuidar). Há 40 anos era um centro de negócios, com muitas lojas. Hoje está tomada desordenadamente por bancas de vendedores de um tudo, marreteiros.

Nesta praça está um belíssimo conjunto de casarões seculares, quase todos fechados e abandonados. Foram grandes e prósperas empresas que, ou acabaram ou mudaram. Nesse correr de casas, em ângulo reto com os Mercedários, havia o Victor C. Portela S/A, o Higson & Co., a Singer, das máquinas de costura (ficava na esquina da Santo Antonio) e outras que não lembro.

Nesta praça, em um desses casarões, está instalada uma associação que luta para valorizar o local, tenta mostrar à cidade, aos belenenses, aquilo que temos de belo, atraente, histórico, cultural, pelas ruas de Belém, ao tempo em que desenvolve uma arte muito atual, a fotografia.

Nesta praça, ocupando o casarão de número 19, está a Associação Fotoativa. Um sonho realizado (embora ainda com um vasto horizonte a realizar) pelo fotógrafo Miguel Chikaoka, grande profissional, amigo de Belém, um incansável divulgador da fotografia, responsável pela formação de um incontável número de fotógrafos, amadores ou profissionais.

Fui, no domingo passado, andar pela praça, visitar a Fotoativa, apreciar um varal imenso de fotos bonitas, que rodeava quase todo o espaço público. E lá estava o Chikaoka, correndo de um lado para outro, armando a exposição, cuidando dos belos trabalhos expostos, verificando se tudo estava nos lugares. É exigente. Conheço-o há muitos anos, já fizemos muitos trabalhos juntos. Sempre exigente, reclamava, cobrava, mas apresentava um trabalho de primeira, que satisfazia. Como satisfaz sempre. É esse espírito que garante a perseverança em meio a tantas dificuldades em manter um trabalho voluntário como este.

Este é o prédio da Fotoativa, cuja fachada azulejada eles já conseguiram restaurar:


Para mim o passeio tinha uma outra conotação: resgate do passado. É que nesse mesmíssimo prédio, 19, ficava a firma Victor C. Portela S/A, fundada e dirigida pelo português Manoel Victor Constante Portela, onde comecei a trabalhar, em 1963. Era um comerciante ativo, empreendedor, homem muito educado, finíssimo, que me emprestou o primeiro livro de Fernando Pessoa que li – o que em mim criou uma dependência pessoana para toda a vida...

Quando disse ao Chikaoka essa história ele pulou, gritou pela Fatinha (Maria de Fátima Silva): eles estavam a procurar a história do prédio e nada sabiam sobre seu passado. Andei por todo o prédio, recordando cada espaço, e acabei fazendo um depoimento sobre aquele local, gravado pelo Guy Veloso. Em fevereiro do ano passado fiz, neste blog, ao comentar o edifício Manoel Pinto da Silva, um registro incidental desta empresa, onde aparece o endereço citado – para ler, clique aqui. Trabalhei lá um par de anos, mas já o visitava antes e continuei a visitar depois: é que trabalhava lá minha tia Carmen Martins. Qualquer dia vou contar essa história. Por hoje, basta registrar o trabalho desse punhado de idealistas. A Fotoativa merece ser visitada, inclusive virtualmente: veja o site deles, clicando aqui. Além de cursos e exposições, eles têm uma lojinha esperta, que vende material do Iphan – comprei lá o livro “Largos, Coretos e Praças de Belém”, de Elizabeth Nelo Soares, de que estou gostando muito.

Veja estas fotos que fiz por lá. Que me desculpem os fotoativistas pela qualidade, afinal, por exclusiva culpa minha, nunca fiz um curso com o mestre Chikaoka...

Esta mostra que a praça ganha intensa movimentação cultural. O varal com centenas de fotos a circunda (no que se pode usar...). O lambe-lambe, vestido a caráter, era atração. Aliás, na janela do prédio, o músico Marcos Puff tocava seu saxofone. Veja que no fundo, no lado oposto ao dos prédios de que escrevi acima, tudo foi descaracterizado:


Uma das maravilhas do Largo Cultural das Mercês (tomara que este nome pegue) é o conjunto do Convento dos Mercedários, com a igreja das Mercês como ponto central. Tem uma das fachadas mais belas entre os templos da cidade, convexa, única entre nós e das poucas no Brasil com esse desenho. São fotos do varal, a igreja ao fundo, com os carros no meio.




Escrito por Fernando Jares às 18h52
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PAYSANDU COMEMORA TRADIÇÃO

ENTRE OS MELHORES DO MUNDO, PAPÃO FAZ 96 ANOS

No ranking dos melhores clubes de futebol de todos os tempos no mundo, da IFFHS (International Federation of Football History & Statistics), reconhecido pela FIFA, constam apenas 15 clubes brasileiros. E um deles é o Paysandu, aqui de Belém. Uma honra para os paraenses, um orgulho para a Nação Bicolor, sem dúvida. É o único clube do Norte e do Nordeste do Brasil presente nessa lista que define os clubes de grandes conquistas no futebol mundial. Veja o ranking clicando aqui.

Hoje, 2 de fevereiro, o Paysandu faz aniversário. Não vive o “time de Suíço” uma fase condizente com seu passado de grandes glórias e conquistas, locais, regionais, nacionais e internacionais.

Como eu escrevi aqui ano passado, “Nos últimos dois anos o futebol do Papão afastou-se dessa rota gloriosa, para frequentar meandros bem menos expressivos do futebol local e nacional.” Embora campeão ano passado, acrescento um terceiro ano de agruras.

Pelo menos a imensa torcida bicolor tem uma história brilhante para festejar, enquanto procura o caminho de volta à trilha do brilho e das grandes vitórias. Em nome dessa tradição, única entre os clubes do Norte do Brasil, que já deu ao Estado títulos brasileiros, vitórias expressivas sobre grandes times nacionais e estrangeiros, incluindo Peñarol e Boca Juniors, e o direito de representar a terra paraense na Copa Libertadores, uma das mais importantes competições do futebol internacional, a reação há de vir. Urgente. É o que essa grande torcida, que se espalha pelas ruas de Belém, pelo Estado, pelo Brasil, cobra de jogadores e dirigentes. Que não se repitam episódios tristes (e ridículos) como no ano passado, de “culpas empurradas”. É hora de reação! Cobro uma atitude de compromisso, de jogadores e dirigentes, como torcedor e sócio (matrícula 825, desde 1964. Mas isto é outra história...).

ALVICELESTE NÃO É AZULINO! Está é uma curiosidade linguistica. De acordo com o dicionário Houaiss, a palavra alviceleste é o mesmo que azulino. Pode até ser assim, teoricamente, mas na prática, há uma grande diferença! Qualquer paraense, mesmo os menos letrados e até os analfabetos, com certeza, sabe que o alviceleste (das cores branca e azul celeste), torcedor do Paysandu, é o opostíssimo do azulino (da cor azul marinho), torcedor de seu mais tradicional oponente, o clube do Remo. Há uma história de disputas, desde o primeiro jogo, no distante 1914.

Veja o verbete tal como está no Houaiss on-line:


Leia aqui o texto do verbete:

alviceleste

Acepções
■ adjetivo de dois gêneros
1    que é branco e azul ou que tem essas cores; alvicerúleo
■ adjetivo e substantivo de dois gêneros
Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: futebol. Regionalismo: Brasil.
2    m.q. azulino
Etimologia
2alv(i)- + celeste; ver celest-

 A história do Papão da Curuzu é assunto em matéria publicada hoje no Portal ORM, que você pode ler clicando aqui. Romulo Maiorana (o pai), fundador das ORM, era um feliz torcedor do Paysandu e ativo participante da vida do clube. Veja nessa matéria este belo diagrama do escudo do clube:

 



Escrito por Fernando Jares às 19h10
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O NOVO PAINEL DO VER-O-PESO


À passante, preocupada em proteger-se do sol da manhã domingueira, nem lhe passa pela cabeça que havia ali, ainda há dias, juntinho de onde passa, uma obra de arte, feita por um artista plástico famoso, aqui mesmo dos nossos. Inesperadamente alguém, com poder, destruiu a tal obra de arte – ironicamente, era uma “Caza do Povo” – e a está substituindo por outra, mais a seu gosto pessoal, naturalmente, de alguém de seu conhecimento, famoso também, de e em outras terras.

Esta foto, que fiz na manhã de ontem, mostra a preparação do novo painel que o Hangar, órgão do governo do Estado, está mandando pintar na esquina do Boulevard Castilhos França com o Ver-o-Peso, mas com autorização da Prefeitura, à guisa de atrasado presente de aniversário à cidade. No local havia o belo painel “Caza do Povo”, de Osmar Pinheiro de Souza Jr., vítima de vândalos e descuidos, populares ou oficiais. Como as cidades o fazem normalmente, era de se esperar a restauração do painel, até porque era de forte conotação histórica, já que “reconstruía” em imagem um estabelecimento comercial que ali estivera por anos e anos. Já tratei deste assunto neste blog, o que você pode ler, clicando aqui.

Ontem o PSDB publicou uma nota em jornal, dando ao ocorrido conotação política, como muitos já têm denunciado. Pode ser. E tem chance para isso. Mas será que quem ordenou a ação tinha ideia da importância do trabalho que destruía, em decisão tipicamente “chaviztica”. Nenhuma satisfação foi dada à população, até agora, ao que eu tenha conhecimento. Aliás, o jornal Diário do Pará trata deste assunto na edição de hoje. Leia clicando aqui.

Quem vive pelas ruas de Belém aguarda essa explicação. E fica também a pergunta: o que a Prefeitura fez da escultura “Velames”, também do Osmarzinho, arrancada há anos da praça do Pescador?

Por sinal, quando ocorreu esse primeiro atentado a sua obra ele, que já trabalhava em São Paulo, veio tentar salvar sua criação. Mas parece que deu em nada... Do Osmar, resgato uma declaração àquela época, publicada ontem na citada nota: “Quando se começa a destruir o patrimônio artístico, não importa sob qual alegação, é preciso refletir sobre que tipo de sociedade estamos construindo”.



Escrito por Fernando Jares às 18h52
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CAMINHÃO TRANCA-CALÇADAS

A Justiça determinou que caminhões pesados não devem circular no centro de Belém e cabe à administração municipal fazer cumprir a decisão. Como parece que têm 30 dias para cumprir, fica tudo como dantes... A foto aí de cima eu a fiz hoje pela manhã, na rua João Balbi. Não apenas o monstrengo circula pelas ruas de Belém, mas estaciona, sobre a calçada, fechando-a. O pedestre, que vá para pista. Por sinal, na porta deste supermercado e de um logo próximo, na Alcindo Cacela, o festival de carros atrapalhando o trânsito é habitual. Mas, para multar quem estaciona sobre a calçada ou em fila dupla para descarregar, não precisa decisão judicial. Basta o órgão fiscalizador agir nesses pontos e não apenas nas portas de colégios ou de restaurantes, bares e boates, estes durante a noite, quando o movimento é pequeno, mas a oportunidade de multar é grande. Sobre a decisão judicial, leia matéria do Portal ORM, clicando aqui. Conforme a notícia, o despacho do juiz Marco Antonio Castelo Branco é muito bom e consciencioso, inclusive sobre essa ação da fiscalização. Agora, é esperar se a autoridade municipal vai cumprir.



Escrito por Fernando Jares às 18h48
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