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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


UM SANDUÍCHE TURÍSTICO

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“A atividade abordou os aspectos turísticos do lanche e como é possível um sanduíche tornar uma cidade conhecida internacionalmente, como é o caso do lanche Bauru”.

Helerson de Almeida Balderramas, professor de Turismo da USC (Universidade Sagrado Coração) e presidente do Conselho Municipal de Turismo de Bauru, explicando aula prática sobre o famoso sanduíche.

 A frase do professor Balderramas, aí em cima, diz tudo: um sanduíche tornou uma cidade famosa. Não há lugar neste país, inclusive aqui pelas ruas de Belém, que não tenha pelo menos um local onde se encontre o famoso “Bauru”.

Lógico que há muitos baurus, cada um refletindo gostos e costumes, da localidade, da região ou do sanduicheiro. Mas uma só é a receita original – e ela é guardada, cultuada, perenizada em dois locais: os restaurantes “Ponto Chic”, em São Paulo, e na cidade de Bauru, no interior paulista.

Mas o curioso é que o Bauru, sanduíche, não nasceu em Bauru, mas sim de um bauruense que estudava Direito na capital: Casimiro Pinto Neto. Nascido em 1914 e falecido em 1983. Era apaixonado pela cidade natal e sempre falava dela, daí ter pegado o apelido de “Bauru”.

Havia em São Paulo um bar e restaurante chamado “Ponto Chic”, local muito bonito, decoração fina, e muito bem frequentado. Fora inaugurado em 1922, junto com a Semana de Arte Moderna e era ponto de encontro de intelectuais, estudante e profissionais liberais.

Casimiro, embora formado, nunca exerceu advocacia. Foi radialista muito conhecido (o primeiro Repórter Esso de SP), trabalhou muito tempo na Rádio Transamérica, hoje Jovem Pan, e foi diretor da TV Record.

Vamos saborear uma foto “oficial” (“Divulgação”, publicada na Folha de S. Paulo) do famoso sanduíche e deixar que o próprio Casimiro Pinto Neto conte como tudo aconteceu, nos idos de 1939:

 

“Era um dia que eu estava com muita fome. Cheguei para o sanduicheiro Carlos e falei: abre um pão francês, tira o miolo e bota um pouco de queijo derretido dentro. Depois disso o Carlos já ia fechando o pão eu falei: calma, falta um pouco de albumina e proteína nisso, (eu tinha lido em um livreto de alimentação para crianças, da Secretaria de Educação e Saúde, escrito pelo ex-prefeito Wladimir de Toledo Pisa, também frequentador do ‘Ponto Chic’, que a carne era rica nesses dois elementos) bota umas fatias de roast beef junto com o queijo. E já ia fechando de novo quando eu tornei a falar: falta vitamina, bota aí umas fatias de tomate. Este é o verdadeiro Bauru.
Quando eu estava comendo o segundo sanduíche chegou o ‘Quico’ - Antônio Boccini Jr., que era muito guloso e pegou um pedaço do meu sanduíche e gostou. Aí ele gritou para o garçom, que era um russo chamado Alex: Me vê um desses do Bauru.” (Este depoimento está no site do Ponto Chic, aqui)

Tem gente que mereceu busto em bronze pelos mais diversos feitos na vida. São heróis nacionais, políticos famosos, esportistas consagrados, amigos de políticos, etc. Bem poucos devem ter essa honra por ter inventado um sanduíche. Mas o grande Casimiro mereceu. Muito justo. Seu busto está no “Ponto Chic” original, no largo do Paissandu, em São Paulo. E aqui ao lado.

A fórmula nova fez sucesso, todo mundo queria e acabou entrando no cardápio da casa, com esse nome. Daí se espalhou por todo o Brasil. Anos depois a novidade foi levada para a cidade que lhe deu o nome, ganhou atenções especiais e hoje é patrimônio imaterial bauruense, tem lei (Lei Municipal 4314, de 24/06/98) que protege a receita original e existe até certificação oficial para quem produz o sanduíche. Veja no site “Tradicional Sanduíche Bauru”, clicando aqui.

Para encarar de verdade esse monumento histórico, em minha recente estada em São Paulo, voltei ao “Ponto Chic”. Infelizmente não deu para ir ao original, no Largo do Paissandu, e sim a uma das filiais, na praça Oswaldo Cruz (Paraíso). Mas o padrão é o mesmo.

O cardápio é variado, mas, obviamente, fiquei no Bauru, objetivo da incursão. Veio perfeitinho de sabor, de imagem, de perfume, de crocância do pão e até da sonoridade da mordida. Quer dizer, sensações para todos os sentidos. Ambiente efervescente – era uma sexta-feira, hora de almoço. Na mesa ao lado, somente jovens, e Belém era assunto. Descobri que nenhum era paraense, apenas o chefe de um dos rapazes, mas que falava tão bem desta terra, que o jovem até já sabia muita coisa sobre Belém. Sumano, assim é que é legal, gente boa. Vejam abaixo o Bauru que me coube. Enquanto preparava a câmera o queijo foi logo derretendo – caramba, está me dando água na boca, só de lembrar. Isto deve ser uma decisão importante: toda vez que eu for a São Paulo, tenho que ir traçar um Bauru autêntico. De preferência no Largo do Paissandu, obviamente. Êta nome bonito.

 

 



Escrito por Fernando Jares às 19h51
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BELÉM PERDE OBRA DE ARTE

DESTRUÍDA A CAZA DO POVO DE BELÉM

A destruição, esta semana, pelo governo estadual, de um painel que existia na esquina do Boulevard Castilhos França com o Ver-o-Peso, privou a cidade de uma belíssima obra de arte, criação de um dos mais importantes pintores paraenses contemporâneos, prematuramente falecido, e de uma visão da Belém do início do século passado, incrustada no casario histórico daquela região.

O trabalho foi realizado por Osmar Pinheiro de Souza Jr., de quem tive a felicidade de ser colega na Mendes Publicidade, quando ele era diretor de arte nessa agência – tenho até uma caricatura minha feita por ele, exposta com muito carinho em minha casa.

O painel do Osmarzinho “reconstruiu” de forma muito competente nessa esquina uma casa que havia ali, pelo menos desde o início dos 1900, a “Caza do Povo”. À primeira vista, muita gente pensava que era mesmo uma casa, tal a correção das perspectivas, dos ângulos, etc. Nela Osmar usou uma licença (poética?) de artista: colocou em uma das janelas o àquela altura prefeito de Belém, Almir Gabriel, ali vestido de médico e não de prefeito...

Para quem não lembra do painel, veja-o abaixo, na foto “Vendedor de brinquedos de miriti”, de Luiz Braga, que está no magnífico álbum “Crônica fotográfica do universo mágico no mercado do Ver-o-Peso”.


Trabalho de primeiríssima, realizado em 1985, foi violado e violentado ao longo dos últimos anos, pelo descuido de administrações municipais pouco preocupadas com a arte pública e pela ignorância de usuários do espaço, em nada orientados por quem os poderia orientar.

Esse maltrato infligido à obra de arte – não único no mundo, obviamente – justificou tecnicamente a sua destruição, esquecidos os responsáveis pelo ato da possibilidade de restauração, tão comum em casos semelhantes, inclusive aqui mesmo pelas ruas de Belém.

Destruída a obra de Osmar Pinheiro Jr., o local será ocupado pelo trabalho de um grafiteiro paulista, tido e havido como muito competente e que parece estar na moda por aqui, tanto que pintou o painel frontal do Hangar, na última Feira do Livro. O mesmo Hangar responsável por essa troca, alegadamente um presente à cidade de Belém.

O jornalista Tito Barata denunciou o fato no Twitter, na última segunda-feira. A repercussão na internet é grande. No mesmo dia o blog “Espaço Aberto”, do jornalista Paulo Bemerguy, mostrou a impropriedade, o absurdo da situação (leia clicando aqui).

Diante das cobranças no mundo digital, um dirigente do Hangar anunciou, segundo Tito Barata, que vão homenagear Osmarzinho batizando o lugar de “Espaço de contemplação Osmar Pinheiro Jr.” e que vão expor no local uma “foto educativa” do painel apagado. E que estudam fazer uma “exposição com as obras de Osmar Pinheiro de Souza Jr., com ampla divulgação”. Negócio meio confuso substituir uma obra de arte por uma foto dela. É como se destruíssem a “Mona Lisa”, por ser um quadro muito pequeno e colocassem no local uma foto ampliada do destruído, pra que todo mundo pudesse ver com mais facilidade...

O mesmo “Espaço Aberto” publicou um outro post onde anuncia que a família de Osmar deve entrar na Justiça contra essa ação descabida. E justifica de forma contundente a licença do autor em colocar uma personalidade contemporânea na peça, com exemplos locais, como a fachada da Basílica de Nazaré, onde estão aqueles engravatados, ou o muito famoso quadro da morte de Carlos Gomes, cheio de famosos. Para ler, clique aqui.

Um fato intrigante: uma outra obra pública de Osmar teve o mesmo destino. “Velames”, que trabalhava com muito bom gosto as velas das vigilengas, que foi instalada na Praça do Pescador, foi retirada pela prefeitura, na administração Edmilson Rodrigues e ninguém nunca soube que fim levou.

“RECONSTRUÇÃO” – Como disse acima, o painel de Osmar Pinheiro de Souza Jr. “reconstruiu” cenicamente uma casa que havia no local. Selecionei abaixo duas fotos da Belém antiga, que o comprovam. A primeira é um postal do início do século XX, provavelmente dos primeiros cinco anos, que mostra claramente a “Caza do Povo” naquele ponto, em frente ao mercado, postal que integra o belo álbum "Belém da Saudade".

 

Esta outra foto é mais recente, provavelmente de 1938, pois está em um Anuário do Governo do Pará de 1939 e mostra a mesma “Caza do Povo”. Embora a impressão não seja boa, vê-se um novo arranjo no telhado e na fachada, com a eliminação do toldo que aparece na anterior e dá para perceber que o nome do estabelecimento foi deslocado para placas na frente de cada janela. Exatamente a visão registrada pelo artista em sua obra agora destruída.

 

 



Escrito por Fernando Jares às 22h39
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HOMENAGEM AO ATOR MAIOR

CLÁUDIO BARRADAS NA RIBALTA

 

Cláudio Barradas, um dos principais nomes das artes de encenação no Pará, seja no teatro, na televisão, no rádio ou no cinema, ganha hoje uma homenagem muitíssimo justa e digna, pelo projeto “Ribalta: Memória e Trajetória do Teatro no Pará”, uma iniciativa da Escola de Teatro e Dança da UFPA.

Cláudio Barradas, hoje padre da igreja católica, embora ainda ator (este fim de semana estará em cena com a peça “Abraço”, no teatro que leva o seu nome) é a atração central da gravação de um programa piloto desse projeto, com entrevista e debate, ao vivo, no Teatro Universitário Cláudio Barradas, na Jerônimo Pimentel, 546, esquina com a D. Romualdo Seixas, com entrada franca. Veja só o altíssimo nível dos convidados que estarão com nosso ator maior: Maria Sylvia Nunes, João de Jesus Paes Loureiro, Cleodon Gondin, Zélia Amador e Wlad Lima, com a mediação do experiente jornalista Sérgio Palmquist. Além de conversar e contar suas muito valiosas histórias, CB, que completou 80 anos em 2009, fará a leitura dramática de um trecho de Benedito Monteiro. Acima, cena do espetáculo “Abraço” - que ilustra o convite para o programa - e que estará em cartaz sexta, sábado e domingo.

Veja mais detalhes desta programação no site da UFPA, clicando aqui.




Escrito por Fernando Jares às 16h37
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FOTO EM DESTAQUE

PLACE DES VOGES EM VISÃO PARAENSE

A parisiense Place des Voges é cantada em versos, prosas e imagens, pela sua beleza. Um dos pontos mais charmosos de Paris, em pleno Marais, bairro muito simpático da capital francesa. Pois bem, um detalhe da beleza da Place des Voges é agora mostrado no guia Schmap/Paris por uma foto feita por turista paraense, Bruna Guerreiro Martins. Veja só:


Eles selecionam fotos para ilustrar o guia em arquivos públicos, como o Flickr, do Yahoo, onde esta foto estava arquivada. Ela feita em 2006, quando a Bruna andou pelas ruas de Paris (ops!), exercitando plenamente o seu lado francófono e aprimorando o francês que leciona.

Inspirada na Renascença italiana, fruto da reconstrução da França após a Guerra dos 100 Anos, a praça é uma das mais antigas da cidade e que enche os parisienses de orgulho, por suas casas de pedras rosadas, certinhas, simétricas. Lá aconteceram muitos duelos no passado e a praça teve moradores famosos, como o cardeal Richelieu e o escritor Victor Hugo (que morava em um hotel). Hoje, os franceses e os turistas lá passeiam e fazem convescotes na grama. Sob as arcadas existem lojas e cafés.

Veja a página sobre a Place des Voges, no Schmap/Paris, clicando aqui.

Ops!: o blog não mudou para Paris, é que a Bruna, que anda normalmente, pelas ruas de Belém, além de ser filhota, merece o registro deste reconhecimento como fotógrafa-turista.

 



Escrito por Fernando Jares às 00h33
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GASTRONOMIA E TURISMO

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Conhecer pratos, ingredientes, comprar produtos, levá-los para casa... No retorno, a memória é cultivada em torno de imagens e sabores, preferencialmente compartilhados entre familiares e amigos, ressaltando a abertura ao novo e o contraste entre as práticas corriqueiras e aquelas até então desconhecidas, encontradas na viagem.”

Janine Collaço, antropóloga e professora do Centro de Excelência em Turismo da UnB, em “Turismo e gastronomia: uma viagem pelos sabores do mundo”, no site Slow Food Brasil.

 

Viagem e gastronomia estão intimamente ligadas, desde o momento em que os primeiros homens deslocaram-se de suas localidades. Quem viaja precisa de alimentar-se e, geralmente, são alimentos diferentes daqueles que usa em sua casa. Aí começa a atração do novo, em algo tão pessoal, íntimo. A mim, me fascina e é um dos componentes mais atraentes do viajar. Há que comer, e que se coma inteligentemente – conforme as posses do viajante, obviamente. Que se economize no almoço, para reforçar e qualificar o jantar – e quantas vezes fiz isso, por esse mundo de meu Deus.

Neste final do ano, andei entre Rio, Niterói e São Paulo, mas sem grandes aventuras gastronômicas. Registro um em cada cidade, embora não deva esquecer experiências domésticas de prazer inigualável, como a Massa Negra Com Camarão e Alho Poro, da Larissa ou as variadas iguarias da Tia Babá, de babar de plena satisfação.

Em Niterói, além de voltar gloriosamente ao restaurante Siri (que já comentei aqui) visitei a Beira Mar, um complexo de confeitaria, padaria e restaurante. Tudo gostoso. Do pãozinho fresquinho, aos doces requintados, um sorvete dos mais gostosos que já provei. O restaurante é por quilo e cada dia tem um cardápio (temático) diferente: Árabe, Mediterrâneo, Brasileiro, Português, frutos do mar e até light, às segundas, por motivos óbvios...

Estive lá no dia árabe. Uma festa aos olhos e ao paladar. Na medida do possível passaram pelo meu prato um cordeiro com hortelã (chamar de divino o cordeiro, será heresia?), moussaka, frango marroquino, falafel e kafta de carne com molho de iogurte e hortelã. Como a casa é de origem lusitana, não resisti à tentação de, na sobremesa, fazer uma infidelidade aos árabes e ir a uma Torta Real Portuguesa, rica em gemas e açúcar, como os mais doces doces d’além mar.

No Rio conheci o “Wraps” do Shopping Leblon. É um restaurante que anuncia cardápio saudável. Wrap (embrulho, em inglês) pode ser definido como algo próximo a um sanduíche enrolado em um pão de massa muito fina, tipo assim rocambole, invenção americana inspirada no taco mexicano. Os recheios neste restaurante (uma rede) procuram ser leves, mas gostosos e fartos. Você pode ver o cardápio deles, clicando aqui.


Gaspacho, wrap (este, o Cantonês), Taça de Tapioca (fotos do site).

Começamos por um couvert light, com pães, grissinis, crostinis, palitos de legumes crus e dips variados com base de queijo cottage, ricota e cream cheese light. Escolhi o wrap Gaulês (R$ 25,90), cujo recheio é de cubos grelhados de filé, com um mix de cogumelos e shitakes frescos e mussarela light especial. Vem com entrada, que escolhi um Gaspacho Light, versão leve da famosa sopa fria típica do sul da Espanha, com tomates, pepinos, pimentões, cebolas e azeite. Na sobremesa elegi uma Taça de Tapioca (R$ 9,90), que leva tapioca, leite de coco light, uma bola de sorvete de paçoca e cobertura de coco ralado queimado. A tapioca fica no fundo, tipo aquela do bolo podre. Sabores muito bem administrados, em pratos bem apresentados. A sopa fria, de que eu muito gosto, estava, deliciosa. As receitas são todas da chef Carole Crema, de São Paulo, que trabalha muito bem com cardápios light. Ah, provei também as sobremesas “Ginger Apple” (R$ 11,90), um bolo de maçã servido quente, com sorvete de canela; e o wrap “Choco Loco”, recheado com chocolate Snickers, com calda de maracujá e sorvete de creme, ambas supimpíssimas.

Em São Paulo revisitei o “Ponto Chic”, em busca de seu ultraclássico sanduíche “Bauru”, mas o de verdade, que foi inventado lá mesmo. É uma história muito legal, mas que vou contar outro dia.

QUITUTES DA GRACINHA – Há tempos escrevi aqui sobre os “Quitutes da Gracinha”, de Paraty, a paraense que faz maniçoba naquelas plagas, como a que se encontra pelas ruas de Belém. Pois bem, ela continua firme com seu “Jantar Paraense”, que agora é duas vezes por mês. Dia 16 rolou um e agora dia 30 tem novamente. Olhe o cardápio:

Entradas:
Caranguejo na Cuia e Tacacá na Cuia
Principal:
Risoto de Maniçoba (16/01)
Pato no Tucupi (30/01)
Sobremesas:
Sorvetes de Cupuaçu e Bacuri (com cobertura de geleia da fruta)
Segundo anuncia, d
urante o jantar ela explica técnicas de origem indígena no preparo dos pratos.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h32
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UMA CHANCE PARA A VIDA

OPORTUNIDADE QUE GERA OPORTUNIDADE

Eu gosto muito de anúncios de oportunidade e de anúncios institucionais. São aqueles em que o publicitário pode soltar mais a sua criatividade, sem as limitações dos anúncios mercadológicos, obrigados a atingir tal público alvo, com tal exposição do produto, tendo de dizer obrigatoriamente isto ou aquilo, às vezes até por norma legal, etc.

O anúncio institucional é aquele de saudação, de divulgação de uma campanha social, de contribuição para a imagem positiva do anunciante na sociedade.

O anúncio de oportunidade é, geralmente, criado a partir de uma iniciativa do próprio publicitário, que identifica em um acontecimento do dia a dia a possibilidade de criar algo que contribua para a imagem do cliente, ou mesmo para a venda do produto ou serviço. Claro que muitas vezes também é o próprio anunciante que identifica a oportunidade para seu negócio e aciona a agência. Gosto especialmente daqueles em cima do lance, rapidinhos, às vezes acompanhando a divulgação na imprensa do fato aproveitado. Existem exemplos muito bons, inclusive criados por publicitários que circulam por cá, pelas ruas de Belém. Um desses exemplos está aqui embaixo. O tema é, infelizmente, muito desagradável, pois envolve um nome público, muito querido dos paraenses, especialmente aqueles ligados ao futebol, e por quem todo mundo torcia. Para alguns, com certeza, é um tabu abordar o assunto tão abertamente, em um anúncio. Mas o Centro Nova Vida e a agência DC3 aproveitaram muito bem a oportunidade de alertar a comunidade sobre o problema (ontem, neste blog, tratei do assunto, comentando o cartunismo, conforme o post imediatamente abaixo) e apontar a necessidade de apoio à instituições que trabalham para a recuperação de vítimas da dependência química. (Para facilitar a leitura do texto, ele está após a reprodução do anúncio).

 

“Jóbson, o jogador paraense que teve sua promissora carreira no futebol paralisada pelo problema com as drogas, só vem confirmar a necessidade de todos ajudarem a manter instituições sérias na recuperação de pessoas com dependência química. Porque pior do que ver o craque perder contratos milionários e grandes oportunidades é imaginar um jovem sem a chance de recuperação para voltar a viver saudável. Estamos de braços abertos para receber o Jóbson e todas as pessoas que desejarem se livrar das drogas. Por isso, contamos com o seu apoio para termos condições de receber bem a pessoa que quer ter uma nova chance na vida. Ajude-nos a ajudar os Jóbsons, famosos e anônimos. Não use drogas e seja um campeão na vida.”

O anúncio é assinado pelo “Centro Nova Vida” (3265-1258, www.centronovavida.org.br) com apoio da TV Liberal.



Escrito por Fernando Jares às 19h11
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CARTUM: REFLEXO DO COTIDIANO

ARTE DE SUCESSO EM BELÉM

Embora fuja um pouco do perfil deste blog, não posso deixar de fazer uma reflexão sobre os cartuns principais dos jornais Diário do Pará e O Liberal, nas edições de hoje. Aliás, nem precisam de reflexão porque, como acontece com os bons cartuns, são completos na sua mensagem: título, ilustração e uma ou outra palavra.

Belém é extraordinariamente bem servida de cartunistas. Temos entre nós tracejadores que estão entre os mais premiados do Brasil e, sem medo de exagerar, até no mundo, tal o número de destaques já conquistados pelo Pará neste campo, em promoções e salões especializados de muitos paises. Portanto, todos os dias, uma das primeiras coisas que faço ao pegar os jornais do dia, é ir olhar essas pequenas obras de arte diária de nossos colegas cartunistas.

Aliás, você já parou para pensar no tamanho do desafio de um cartunista: criar, dia sim, dia também, uma obra que retrate algo do cotidiano, de forma leve e, muitas vezes, irreverente, sem deixar de ter um cunho social, político, crítico, etc. Pintores famosos levavam dias, semanas, sei lá, para fazer um quadro. Os cartunistas de jornal diário fazem uma obra de arte a cada dia. Fora outras ilustrações espalhadas pelo jornal...

Merecem, ambos, séria reflexão.

ATorres, do Diário, alerta sobre algo que acontece, infelizmente, pelas ruas de Belém, onde jovens, e já nem tanto, chutam a oportunidade de serem craques em suas especialidades, diante de momentos de alienação, de falso lazer, levados por gente que deveria estar na cadeia. Jobson, paraense, um dos nossos, caboclo que conseguiu romper a barreira do sucesso em grandes times, deu essa escorregada. Com honestidade, confessou o deslize, mas paga caro com uma pesada punição, assunto destaque na edição de hoje.

 

JBosco, em O Liberal, mostra o quanto é grave o assalto que alguns políticos e funcionários graduados fazem aos cofres públicos, em escândalos que a imprensa destaca diariamente. Pode até passar despercebido, hoje em dia, pela repetição sistemática de escândalos, mas isso é um saque, como o que vem ocorrendo no Haiti. Mas há um atenuante para os irmãos haitianos: muitos deles são compelidos ao saque pela fome, pela absoluta necessidade de sobreviver, de garantir a sobrevivência da família, sem água e sem comida. Esse sofrimento pode ser visto na expressão facial dos personagens. Enquanto no Brasil, estão com a cara de safados que bem conhecemos...




Escrito por Fernando Jares às 18h58
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ARTE, FILOSOFIA, CINEMA, RELIGIÃO

VARIEDADE CULTURAL NO CCFC

Vai começar mais uma temporada dos excelentes cursos do CCFC – Centro de Cultura e Formação Cristã, da Arquidiocese de Belém, que tem entre os ministrantes Benedito Nunes, João de Jesus Paes Loureiro, Stella Pessôa, Minoru Matsumoto, etc. Programação de alto nível. Veja só esta panorâmica das atividades culturais para o primeiro semestre:

“Estudo do pensamento filosófico no Brasil: Tobias Barreto, Sílvio Romero e Farias Brito”, curso livre de filosofia, com Minoru Matsumoto, 13 e 14 de março, 17 e 18 de abril, 15 e 16 de maio, das 8h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

“Cinema Documentário: do argumento à elaboração do projeto”, curso livre com Walério Duarte, 15, 17, 18, 22, 24, 25 e 29 de março, das 19 às 22 horas, na UNAMA Alcindo Cacela - Auditório D 200.

“Seminário filosófico-literário - Niilismo: reflexões filosóficas e expressões literárias”, com Benedito Nunes, módulo I, 10 e 11 de abril e 24 e 25 de abril; Módulo II, 16 e 17 de outubro e 30 e 31 de outubro, das 8h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

“Pentecostais e Neopentecostais na Política Brasileira”, curso livre, com Saulo de Tarso Cerqueira Baptista, 10 e 11 de Abril, das 8h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

“Antropofagismo no Brasil colonial?”, seminário histórico, coordenação do Pe. Ilario Govoni, sj., 15 e 16 de maio, das 8h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

“Incentivo à leitura: a partir das canções de Chico Buarque”, curso livre, com Stella Pessôa, 22 e 23 de maio, 29 e 30 de maio, das 8h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

“Encontro de Arte com Paes Loureiro”, arte, religião, estética e liturgia - celebrações da beleza e beleza celebrada, curso livre, com João de Jesus Paes Loureiro, 29 e 30 de maio, das 08h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

Agora, as atividades de Evangelização e Formação para o primeiro semestre:

“Estudo do Catecismo da Igreja Católica” (2ª Parte) - Razões e Fundamentos da fé, com Ricardino Lassadier, módulos mensais, de fevereiro a dezembro, no CCFC, entrada franca.

“O Evangelho de Marcos”, curso livre, com Pe. Giovanni Martoccia, 20 e 21 de fevereiro, 13 e 14 de março, 10 e 11 de abril, 22 e 23 de maio, 12 e 13 de junho, das 8h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

“Curso livre de Teologia 2007-2010”, 10 módulos, de fevereiro a dezembro, com diversos ministrantes, no CCFC.

“Curso Bíblia em Comunidade 2010 – 2011”, módulos de fevereiro a dezembro, coordenação Ir. Lourdes Silva, paulina, no CCFC.

“Estudo do Documento de Aparecida”, 20 de março, 28 de agosto, das 08h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

“Platão e Bento XVI”, com Ricardino Lassadier, 12 de junho (Unidade I “Platão e os dois desejos”), 13 de junho (Unidade II “O amor: um banquete de muitos discursos”), 19 de junho (Unidade III “Bento XVI: o amor e os sentidos da unidade e da diferença”), 20 de junho (Unidade IV “O amor encarnado segundo Bento XVI. O Amor se prolonga na história mediante seu Corpo Místico”), das 8h30 às 12h30, no CCFC, entrada franca.

A programação completa e outras informações, veja no site do CCFC. Para as atividades culturais, clique aqui; para as atividades de evangelização e formação, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h57
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BELÉM EM FIM DE FESTA

AMORES DE HOJE A BELÉM

 

Encerro hoje a semana de aniversário de Belém, embora a Cidade Morena seja assunto diário nestas páginas virtuais. Depois de mostrar algumas coisas de antigamente, reuni para hoje material recentíssimo, destes dias.

Enfeito o post com foto do Mangal das Garças – elas estão lá atrás – que mostra uma riqueza amazônica, a Vitória Régia, de impacto mundial e que até pouco tempo quase não tínhamos em local público em Belém. A foto é do LandNick, que vem a ser o arquiteto, publicitário, ilustrador, fotógrafo amador (?!?!), especialista em computação gráfica, Nirlando Lopes, com quem já tive o privilégio de trabalhar. Clique aqui para ver os comentários que a foto já recebeu. Uma outra foto dele, “O voo da garça branca” foi destaque na coluna “Belém na foto” do site Belém do Pará: veja aqui. Não deixe de ver o álbum de fotos do LandNick.

ANIVERSÁRIO DA CIDADE

Agora, vamos a um texto que captei do Blog do Alencar, que vem a ser alguém que muito admiro, advogado de primeira linha, hoje magistrado trabalhista, José Maria Quadros de Alencar. Ele faz uma reflexão pertinente sobre a proximidade dos 400 anos de Belém. Diga, mestre:

"No aniversário de Belém, ela merece ser feliz. Ela e nós. Merece ser uma feliz cidade.
Mas, será que é?
Faltando seis anos para se tornar quatrocentona, o que é mesmo que Belém tem para comemorar?
O glacê da efeméride não deve servir de pretexto para escapismos e demagogias dispensáveis.
Quem ama não mente.
Belém não vai bem.
Temos apenas seis anos para chegar aos quatrocentos melhor do que chegamos aos trezentos anos, que por puro acaso foi exatamente quando ela sofreu o impacto do início da crise do ciclo áureo da borracha.
Não vai ser fácil melhorar tanto assim, nesses escassos seis anos.
Mas bem que poderíamos pelo menos começar a pensar nisso.
Felicidades, Belém."

ADEUS A UM GRANDE AMOR

Jornalista com um texto fluente e agradável, emocionante, gosto de ler a Ruth Rendeiro, que foi minha colega na pós em comunicação na Unama. Tem a tradição de A Província do Pará, muitos anos na Embrapa (onde acaba de se aposentar) e, por esses caminhos da vida, difíceis de entender, teve de ir para São Paulo, ano passado, tratar de uma questão de saúde. Esteve recentemente a passear pelas ruas de Belém e registrou a passagem em seu blog Minha História. Captei de lá um trecho do post “Adeus a um grande amor”. (Para ler o texto completo, clique aqui). Fala, Ruth:

“Eu adoro a minha cidade. É lá que está meu umbigo, lá perdi a virgindade, tive meu primeiro emprego, dei meu primeiro beijo, comprei meu primeiro imóvel, nasceram meus filhos, conheci meu marido, fiz dezenas de amigos, tenho centenas (ou alguns poucos milhares talvez) de conhecidos.
É lá que me encontro e me reconheço quando cai uma manga tirando o fino da minha cabeça, na cuia de tacacá que aumenta a sensação térmica já tão abafada, mas que a todos encanta e que faço questão de tomar sem ajuda de palitos ou colheres elegantes de madeira.
Naquela terra de chão úmido me vejo criança e adolescente na Conselheiro ou jovem entre diferentes apartamentos alugados ou já mãe na Pedreira, de volta à Conselheiro e depois em Canudos.
Tudo me é familiar. O que hoje persiste como a Yamada, Armazéns Kawage ou as feiras dos sábados pela manhã no Ver-o-Peso para comprar peixe fresco (filhote, pescada amarela ou pratiqueira pra comer bem fritinha com feijão), jambu a R$0,50, bacuri (alguns abertos na feira e degustados ali mesmo), farinha torradinha, cupuaçu de lote, pupunha de cacho.
Há o que já passou como a “Quatro e Quatro” e o Jangadeiro, no comércio (ou como dizia a minha avó: lá embaixo). Tem o Dedão, a Cairu, a irresistível praça da República aos domingos.
Sempre amei minha terra. Esse amor não é latente agora porque fui obrigada a partir. Meu perfume há muitos anos é o cheiro-do-pará misturado com a Priprioca da Natura. Minha casa sempre teve artesanato marajoara, tapajônico. Sempre guardei minhas revistas em cestas indígenas. O amor não é recente, é antigo e existe desde quando estava perto. Não foi a distância que o fez surgir.
Sempre acompanhei tudo de bom e de ruim que se refere a esse amor. As novidades, a política, as conquistas, as desgraças, os fracassos, as tragédias, as belezas sistematizadas à espera dos turistas.”

BELÉM POETAMENTE

Agora um poeta assume o texto, Ronaldo Franco. Conhecido de tempos, até já viajamos juntos por terras ao norte, atravessando fronteiras e costumes.

Especialista em pequenos textos fortemente poéticos, com que premia seus leitores no jornal Diário do Pará, pode ser visitado também no seu Blog do Poeta Ronaldo Franco (basta clicar aqui).

Escolhi duas de suas composições para este ano e até captei uma bela ilustração. Cante a cidade, poeta:

Belém Janeiramente

Com Deus no rio
e anjos na canoa
.
(-anjos cansados
de serem ribeirinhos
de sombras tortas
mais reais que inventadas-)
.
na
repetidíssima
navegação
do existir


A Porta da Cidade Velha:

Está aqui antes de mim
Estará aqui depois do meu fim
E ninguém te abre,
mas que (im)porta?
.
(Ela está na memória
pregada a 394 pregos!)

NÃO VOU SAIR, NÃO VOU DEIXAR ESTE LUGAR

Neste passeio pelas idéias de belenenses, aqui nascidos, pela cidade adotados ou que a adotaram, trago um cronista que também é contista, poeta, escrevedor juramentado, Raimundo Sodré, operário, de quem fui colega lá pelas terras barcarenenses. Todos os sábados ele nos brinda com seu texto em O Liberal. No dia 09/01, em “Não vou sair, não vou deixar este lugar” ele nos falou da sua vinda, criança ainda, no navio  “Domingos Assmar”, das barrancas do rio Acre até esta aniversariante Belém, e o fascínio que a cidade exerceu sobre ele, de onde pincei um trecho. Conte, Sodré:

“Se alguém um dia me pedir para definir Belém, não vou ter dúvidas. Belém é a minha bonança. A minha paz.
Tudo conspira, né. Todas as circunstâncias contribuíram para que eu admitisse que Belém seria a minha redenção, o meu fim, o meu desprendimento, o meu suspiro de alívio (depois daquele frenesi, na baía do Marajó, então, Belém foi uma graça alcançada).
Desembarcamos no galpão Mosqueiro-Soure dizendo “é aqui” nesta beira de rio.
E foi mesmo. Meus momentos mais marcantes da infância, da adolescência, da juventude e agora, já fazendo a rima com o ‘enta’, foram sempre à margem desta baía.”

Um dia o cronista debandou, andou por outras terras, em busca do sustento.

“Mas um dia... um dia voltei aos aconchegantes braços da minha cidade. E daqui, não saio mais. Na beira deste rio quero descansar. Um dia (não agora, ainda não) atendendo a um convite irrecusável da natureza, o que restar de mim, “é aqui” que gostaria que repousasse para sempre. Quero me misturar às águas deste rio e virar maresia, maré cheia, Acará, Guamá, Guajará...”



Escrito por Fernando Jares às 19h52
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COZINHA PARAENSE TRADICIONAL

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Nas ervas, o buquê clássico presente em todas as feiras em Belém contém o coentro, a chicória, a pimenta-de-cheiro e a cebolinha.”

Chef Mara Salles, do restaurante “Tordesilhas”, de São Paulo, ao portal UOL.

 COMENDO NA BEIRA D’ÁGUA E DO MATO

A cozinha paraense é a mais brasileira de todas as cozinhas nacionais. Por algo simples: vem da tradição culinária dos primitivos habitantes destas plagas e se abastece na rica floresta amazônica. A diversidade praticada por aqui é mais rica, provavelmente, porque no passado concentrava a grande circulação de gente e riquezas. Belém era de verdade a porta de entrada da Amazônia. Paravam aqui e circulavam pelas ruas de Belém brasileiros de outras plagas e estrangeiros, caboclos, negros, índios. Lugar de relacionamento, de cozinhar... e de comer. E assim se desenvolveu uma extraordinária cultura gastronômica que perdurou por séculos, somente sendo alterada muito recentemente, no final dos 1900, com a chegada de novas técnicas, novas teorias, a cozinha paraense contemporânea, principalmente pós “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”.

Mas a cozinha tradicional continua rainha, exclusiva, única no país, no mundo.

No mês passado fui conhecer um local onde se trabalha com essa culinária de origem, emoldurado por um cenário bem regional, tipo assim uma redução da Amazônia, o mais possível real. Assunto que cabe muito bem nesta semana de aniversário de Belém.

 

É o “Restaurante Rural Terra do Meio”, que o escritor André Nunes inventou no lugar onde vive há anos, ali em Marituba. Casarão bonito, típico do interior, um riozinho com canoas, uns bichinhos domésticos andando livres, muitas árvores, flores, pássaros.

As receitas para a cozinha o esperto André foi buscar no precioso livro “Receitas da Minha História”, em que a oriximinaense Rose Salame apresenta a sua longa coleção de receitas paraenses da melhor qualidade, muitas delas buscadas diretamente na beira dos rios amazônicos. Mas sobre este livro vou falar outro dia. Agora é sobre o “Terra do Meio”.

O lugar é meio longe. Você vai pela BR-316, passa a Alça Viária, passa dois postos de gasolina e entra na estrada do Uriboca, bastante castigada, obviamente, roda três quilômetros, segundo a propaganda do restaurante, e chega lá. A sinalização é pouca.

O local é bonito. O almoço foi nessa barraca aí da foto, sobre a água. Estava quente, talvez porque chovesse – e o vento tenha ido passear por outros rios. Já fiz uma apresentação deste restaurante, de quando começou a funcionar. Você pode ler clicando aqui. Dos que leram e foram até lá, ouvi elogios. Por isso estava ansioso. E vamos logo saber deste pantagruélico almoço – éramos 19 pessoas.

Primeiro, uns quitutes, bolinhos de piracuí e de pirarucu (R$ 15,00 a dose).

O desfile começou magnificamente com uma mujica de peixe perfeita, na textura, nos temperos, no cheiro, no sabor primoroso. (R$ 35,00). É a dita mujica que está na foto abaixo:


O filhote tem apresentações diversas, com destaque para caldeirada (R$ 59,00) que, como recomenda o cardápio – o que vale para todos os pratos – deve ser pedido “um prato para cada duas pessoas”.

O tucunaré frito na manteiga, uma das minhas iguarias preferidas entre as especialidades piscosas, teve uma apresentação primorosa, sendo a base uma peneira, coberta por folhas decorativas e comestíveis. Veja a foto:


Os que preferem uma penosa caipira tradicional tinham à disposição uma versão guisada e uma versão ao molho pardo (R$ 70,00) realmente bem gostosas, ambas, embora só lhes tenha provado um pouquinho, por razões de espaço interno, obviamente. Um Baião de Dois era um dos acompanhamentos de que gostei bastante.

O cardápio é vasto e atende os mais variados gostos. Tem carne, leitão, tamuatá, pirarucus variados, filhote frito no tucupi (R$ 60,00). Não anotei todos os preços, mas estes dão uma média, não esquecendo que os pratos são reforçados.

Na sobremesa fui a uma dupla de que também gosto muito Romeu e Julieta Marajoara, neste caso um doce de leite com queijo-do-marajó. Não correspondeu. O doce estava acima do ponto, queimado, mesmo.

Outro problema: o serviço. Pessoal simpático, alegre, mas com muito pouco conhecimento do serviço. Não havia ninguém em nível gerencial.

Mas foi um pedaço de manhã muito agradável, junto com gente muito querida, a desfrutar a grandiosidade de um pedacinho bem amazônico, pouco distante de Belém.

Um bom lugar para levar visitantes ansiosos por ver a Amazônia mais de perto.

COZINHA DE BELÉM NO UOL – No dia do aniversário de Belém, 12/01, o Portal UOL publicou matéria muito interessante sobre nossa gastronomia, até com receitas de pratos regionais, na visão e produção sulista. Leia clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h59
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PROPAGANDA FAMILIAR

O ESPORTE LONDRINO E UM TIGRE, EM 1939

Não sou caso isolado, na família, em acreditar na força da comunicação. Somos, entre os contemporâneos, diversos jornalistas e publicitários, atuando em variados setores do mundo comunicacional.

Mas quero dar um pulo uns tantos anos para trás, 70 anos, para ser mais exato – indo para o tempo dos meus avós, ambos nascidos em outras terras, mas ambos optantes por viver pelas ruas de Belém por toda a vida, aqui estabelecendo seus trabalhos e seus negócios, aqui constituindo família, aqui sendo enterrados.

Pesquisando a pauta para esta edição de semana de aniversario de Belém, no “Album do Pará”, de 1939, “organizado sob os auspícios do governo do Estado e com o apoio da Associação Commercial do Pará, sendo interventor federal S. Excia. O Sr. Dr. José Carneiro da Gama Malcher” encontrei coisas interessantes. Já no expediente havia gente conhecida, o gráfico Wilson Corrêa, grande colega com quem convivi muitos anos em A Província do Pará, que aparece na rubrica “Arranjo graphico”.

Pois bem, o tal álbum, de 290 páginas, capa dura, formato horizontal de 32cm por 23cm, tem muitas páginas sobre o Pará, sobre a administração de José Malcher e sua equipe, sobre Belém, muitas fotos, etc.

Ao final há um caderno de anúncios de empresas exportadoras, importadoras, indústrias, comércio e serviços. Encontrei aqui anúncios dos estabelecimentos comerciais de meus dois avós. Anúncios modestos, mas indicativos de que eles acreditavam que investir em propaganda lhes garantiria retorno ao negócio.

Comecemos pelo avô materno, proprietário da “Alfaiataria Sport-Londrino”, com que ele homenageava o esporte de grande sucesso neste país: o londrino futebol. Ficava na Gaspar Viana, 163, bem próximo da hoje Presidente Vargas (que na época era a 15 de Agosto). O vovô Henrique Jares Sanchez informava em seu “reclame” que, por ter importação direta, podia oferecer “Sempre novidade em artigos de sua especialidade. Elegância, rapidez e economia. Completo e variado sortimento em casemiras Palm-Beach, linhos, etc.” Tenho vaga lembrança da alfaiataria – este avô morreu ainda antes de eu nascer – especialmente das peças de tecido estendidas para secar, desde o forro, operação para que não viessem a encolher após a feitura das roupas. Lembro que teriam uma altura descomunal. Mas preciso dar o desconto que eu era ainda muito pequeno... Este foi o segundo endereço da alfaiataria, sendo o primeiro mesmo na esquina, recentemente ocupado por empresa de navegação.

Veja abaixo o anúncio, que está na página 263 do álbum e, ao lado, o anúncio da “Alfaiataria Jares”, de um irmão de meu avô materno, que me parece seria o “tio Antonino” e não apenas Antonio, como está no anúncio. Era logo no começo da Santo Antonio, ali por onde hoje há o Banco do Brasil.


Mais adiante, na página 287 do “Album do Pará” 1939, entra em cena o avô paterno, Lourenço Martins Jorge, com o anúncio da sua “Casa Tigre”, na Gaspar Viana, 155. Vizinhos. Trabalhava principalmente com tabacos, que importava e exportava, papéis para cigarro (na época os fumantes faziam o seu cigarrinho...). Sei que também trabalhava com álcool e cachaça, talvez em outra época, não exatamente a do anúncio. Depois o meu pai entrou no negócio fazendo bebidas diversas, mas é assunto para outro dia.

Veja abaixo o anúncio da Casa Tigre:


E para completar, reproduzo a seguir o belo rótulo utilizado para identificar os fardos de tabaco comercializados com a marca Tigre. Trata-se de primoroso trabalho do artista alemão Ernst Lohse (ou Ernesto Lohse, como assina a peça), fotógrafo, ilustrador científico e litógrafo, que trabalhava no hoje Museu Emílio Goeldi (há lá um espaço que leva o nome dele). O tigre, pelo que ouvi na família, homenageava um famoso gato malhado que acompanhou meu avô durante os primeiros anos da “Casa Tigre”, quando ainda era na avenida Independência (hoje Magalhães Barata), justamente em frente ao dito museu, no local onde até alguns anos era uma loja Imperador e hoje é algo muito amarelo, salvo engano. Este Lohse é famoso principalmente pelo “Álbum de Aves Amazônicas” ou, em alemão, “Die Vogelwelt am Amazonenstrom”, organizado por Emílio Augusto Goeldi, em três fascículos, entre 1900 e 1906. Veja algumas das lindas lâminas desse livro, clicando aqui.




Escrito por Fernando Jares às 19h10
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MANGUEIRAS DE BELÉM

“UM CAPRICHO DE URBANISMO”

Neste dia de aniversário de Belém, bom momento para admirar as mangueiras que se espalham pelas ruas de Belém, sentir sua importância, amar sua existência, defende-las contra as ameaças da vida (ou dos com vida) nos momentos necessários. E defender o direito de todo belenense de bom gosto de ter uma mangueira em frente a sua casa. Como seriam mais agradáveis tantos bairros que não têm mangueiras em suas ruas. A mangueira é um patrimônio cultural de Belém. Que seja uma realidade em toda a cidade, se assim o quiserem seus moradores, obviamente.

Busquei três visões sobre as mangueiras para esta data especial.

Primeiro, um postal com vista do túnel de mangueiras da avenida Governador José Malcher no início do século passado, quando a rua era chamada de avenida São Jerônimo – já não mais estrada de São Jerônimo, o que indica que seja provavelmente de 100 anos atrás. O local da foto é na altura da travessa D. Romualdo de Seixas, como está identificado na página 97 do excelente álbum “Belém da Saudade” (1996), uma criação de Paulo Chaves Fernandes na Secretaria de Cultura.


Segundo, um trecho do livro-guia “Santa Maria de Belém do Grão Pará” (1963), de Leandro Tocantins, exatamente quando nos fala sobre “as mangueiras, as mangas, as estradas de mangueiras”. No recorte feito ele nos explica a importância e a origem destas árvores:

Um filho ilustre de Belém, diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor Osvaldo Orico, recorda em seu livro de memórias o prazer que representava para si, menino de oito anos, morador no bairro do Reduto, ver-se a perambular nessas Avenidas: "constituía uma festa para os meus olhos desembocar em São Jerôniino ou Nazaré, que eram logradouros aristocráticos de Belém, povoados de palacetes e mansões. Estendendo a vista por aquelas artérias, tinha-se a sensação de haver entrado em um túnel vegetal, com as mangueiras cruzando as copas de lado a lado, numa explosão de seiva e num capricho de urbanismo".

E falando em "capricho de urbanismo" é hora de dizer que o requinte florístico de Belém se deve a um homem de extremo bom-gosto, e administrador de alto quilate: o Intendente António José de Lemos. Foi ele que encheu Belém de mangueiras, para coar a luz equatorial, amaciar-lhe a crueza. Substituiu pela nobre espécie oriental os taperebazeiros, as mongubeiras, magnólias do Japão e ponciamas, árvores menos generosas no que podiam dar de sombra, de beleza e de apetitoso dos frutos.

Que safra alegre e farta oferecem democraticamente as mangueiras! É só juntar o fruto da rua e comê-lo. Ninguém poderá esquecer o barulho das mangas ao cair no chão durante as horas mais calmas do dia e no silêncio das madrugadas. Plaf... Plaf... Plaf... Música de cidade-pomar...

Os meninos, durante o dia, sobretudo nas horas de ventania forte, prenúncio de temporal, são atraídos pelo som familiar e correm a disputar os frutos. Até uma quadrinha surgiu para marcar um instante profundamente belemense:

“A chuva está chovendo / O vento está ventando / As mangas estão caindo / Os meninos estão juntando”.

Há, nessa concorrência, o fato curioso da alegação do menino que se julga o legítimo proprietário da manga despencada no espaço fronteiro à sua casa. Os outros meninos respeitam-na.”

Terceiro, um trabalho recente, o curta-metragem em animação 3D “A Revolta das Mangueiras” que segundo o diretor Roberto Eliasquevici “aborda a postura do indivíduo em relação ao meio ambiente”. O filme conta a ameaça contra uma grande mangueira, por alguém que deseja o espaço por ela ocupado para fazer a garagem de seu novo carrão. A defendê-la, o vizinho ecologista e a natureza... É muito bom e você pode ver no site da TV Câmara (Federal) clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 19h10
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BELÉM DA MEMÓRIA

A CIDADE REVISITADA PELA PALAVRA E ILUSTRAÇÃO

Belém comemora amanhã, ou melhor, os moradores de Belém comemoram, ou deviam comemorar, amanhã, 394 anos de fundação da cidade. Cidade bela pela própria natureza, implantada entre o rio e a floresta, síntese amazônica como nenhuma outra metrópole brasileira, inclusive na riqueza histórica de tantos monumentos deixados pelo colonizador do passado, do casario aos às grandes igrejas, dos usos e costumes ao bem-querer a todos.

Os poderes constituídos, em ano de eleição, capricham nas comemorações, tentando fingir que tudo vai bem. Tem bolo e tem circo. Ganha festa até a simples instalação de internet na Estação das Docas...

Um programa muito simpático nesta Belém quase quatrocentona, é o “Belém da memória”. Uma universidade particular, a Unama, insiste em instalar, desde 1999, marcos recordatórios da memória da cidade, pelas ruas de Belém. E os vândalos, que agem livremente, insistem em destruir os marcos. E a Unama os reinstala.

Aproveitando o excelente material deste projeto, a Unama abriu, ontem, uma exposição denominada “Belém da Memória”, no Boulevard Shopping, com parceria da Sol Informática, que fica até o próximo dia 24.

São 45 painéis que destacam pontos importantes de nosso riquíssimo patrimônio histórico, na forma de ilustrações do arquiteto e ilustrador José Fernandes e textos de alguns de grandes escritores e pensadores, referindo o assunto que motiva o painel. Estes são os painéis que estão espalhados em muitos pontos da cidade. Completando a exposição, elementos representativos da cultura popular belenense.

E mais, amanhã, terça, no parabéns pra você, o excelente Coro Cênico da Unama apresenta “Belém de Outrora”, no hall do primeiro piso, a partir das 18h. Programa a não perder.

 

Uma das ilustrações do “Belém da Memória”. O texto que o acompanha é de Dalcício Jurandir.

BELÉM DA MEMÓRIA – Este programa, criado pelos professores Paulo Nunes e Josse Fares, foi criado para abrir “para a cidade, um espaço que não é apenas de saudade. Ao olharmos para o que se passou, ou ao que ainda resiste ao tempo e à fúria do progresso, é possível ter uma dimensão mais larga da realidade em que se vive e, ao mesmo tempo, pensar que ainda dá para preservar as belezas que o passado construiu”, afirma professora Célia Jacob, que dirige o Núcleo de Letras.

Para ela, “o olhar que se voltou para o corpo da cidade – contemplação saudosa  e não saudosista – revela encantos que a cidade foi perdendo ou esquecendo”.

Entende a professora que, “por intermédio deste Projeto, a Universidade da Amazônia, em parceria com o poder público municipal e com o apoio de empresas e pessoas físicas patrocinadoras, acredita que Belém - Santa Maria de Belém do Grão Pará -, revisitada pela palavra, é a cidade que haverá de ficar - em alguns casos, a única que ficou - preservada do esquecimento. Memória e vida, neste caso, são mais do que sinônimo. São a própria realidade.”



Escrito por Fernando Jares às 16h19
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AÇAÍ, TAPIOCA & CIA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

"A Amazônia mostra o quanto a gastronomia brasileira é diversificada, rica e diferenciada."

Chef francês Laurent Suaudeau, citado na revista Menu, edição 124, de março de 2009

 

DO ROBALO COM CUPUAÇU À PIZZA DE AÇAÍ

Circulando por cidades bem mais ao sul, estou tendo a oportunidade de comprovar a verdadeira “invasão” dos ingredientes da culinária amazônica, hoje o objeto de desejo de dezenas de chefs, especialmente aqueles que trabalham com a chamada gastronomia contemporânea. Nas formas e locais menos esperados.

Por exemplo: no restaurante “Wraps” (especializado neste tipo de comida, de que vou falar em próxima semana), do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, experimentei uma sobremesa chamada “Taça de Tapioca”, que tem mesmo um doce de tapioca (a farinha de) com sorvete de paçoca!

Já em Niterói descobri na “Beira-Mar”, um belo complexo de panificadora, doceria e restaurante, onde também se faz um excelente sorvete, uns tais bijus, enroladinhos como uma tapioquinha, mas com massa fininha e sequinha que, passando por um forninho elétrico e com manteiga em abundância, ficam uma delícia.

Em São Paulo, além dos sofisticados restaurantes da capital, onde sabemos que os elementos originários do Pará fazem a festa, descobri, nestes dias de muito calor (e muita chuva, pois aqui chove muito no verão), que eles invadem também os arraiais de litoral.

Consultando o “Guia do Verão” do jornal O Estado de São Paulo, dá para ver que o açaí está presente quase todos os cardápios de sucos e assemelhados que eles pesquisaram.

Em São Sebastião o cardápio do restaurante “Emanaon”, em Juquehy, tem como principal atração desta temporada um robalo grelhado com risoto de figo, ao molho de cupuaçu, uma criação do chef Orleans Pires. Também nesta cidade, a “Companhia do Suco”, que tem o açaí como carro-chefe, oferece o produto com inúmeras combinações, entre elas, batido com abacaxi ou cupuaçu!

Na mesma região, mas em Ilhabela, em frente a São Sebastião, há o “Açaí Caminho dos Ventos” que oferece aquelas variações que fazem por estas bandas sulinas, com leite condensado, com vinho e morango e por aí, mas o espanto da clientela fica por conta da “Pizza de Açaí” – não me perguntem como é, porque não fui lá! (esta minha rápida temporada paulistana está bem menos gastronômica...)

 

Finalizando, para quem gosta de receitas, aqui vai o caminho para o “Crepe de biju de tapioca com crustáceos e palmito fresco”, que você vê na foto acima, que busquei na revista Menu. Atente para a decoração: uma escama de pirarucu, coisa que sempre usei como a melhor lixa de unhas que existe, mas que agora vira elemento gastronômico! Veja nesta revista diversas outras receitas e dicas sobre a gastronomia amazônica, em matéria assinada pela jornalista Beatriz Marques. Para ter acesso, basta clicar aqui.



Escrito por Fernando Jares às 10h11
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HOJE É DIA DA REVOLUÇÃO PARAENSE

A CABANAGEM E A CULTURA PARAENSE


Hoje é o Dia da Cabanagem. Como acho que nada mudou na postura oficial, política e cultural em relação a este movimento popular paraense, neste último ano (e porque ando em andanças distantes de Belém...), decidi republicar o texto que escrevi ano passado sobre o acontecimento.

Mas antes, deixem-me apresentar a foto acima, do magnífico Memorial da Cabanagem, feita pelo jornalista e professor Manuel Dutra, e que captei do Blog do Jeso. Recomendo, especialmente, a leitura do texto que acompanha a foto e os comentários postados. Valioso esclarecimento, especialmente sobre esse o Memorial criado por Niemeyer. Para ler, basta clicar aqui.

Exatamente um ano atrás escrevi o que segue:

Hoje é o Dia da Cabanagem. Para dar maior visibilidade ao evento e criar oportunidades de estudo e reflexão sobre este acontecimento, entendo que hoje é que deveria ser o feriado estadual paraense, e não a Adesão do Pará à Independência (15/08). A importância do movimento deflagrado em Belém, em 07 de janeiro de 1835, que levou pela primeira vez na história da América Latina e única no Brasil, o povo sublevado a realmente assumir o poder, justificaria a escolha. Mas a Assembléia Legislativa preferiu uma data mais nacional, muito mais óbvia, evidentemente.
O conhecimento da Cabanagem, seja nacionalmente, seja aqui no Pará, é muito pequeno, infelizmente. A coisa é tão séria que, no famoso "História do Povo Brasileiro", de Jânio Quadros e Afonso Arinos, onde deveria ser grande destaque, pelas suas características sociais e políticas, é chamada de... Cabanada! Hoje mesmo, nos jornais locais, quase passou despercebida.
As próprias autoridades dão muito pouco valor a este movimento que aconteceu pelas ruas de Belém. Basta ver a situação do Memorial da Cabanagem, o grande monumento desenhado por Oscar Niemeyer, e o Museu Cripta dos Cabanos, que o integrava e homenageava quatro cabanos: Batista Campos, Feliz Clemente Malcher, Francisco Vinagre e Eduardo Angelim. Estavam lá suas cinzas simbólicas, pinturas e peças alusivas, do muito pouco que existe a respeito. Este monumento, uma iniciativa do jornalista Carlos Rocque, foi inaugurado na festa do sesquicentenário da Cabanagem, em 7 de janeiro de 1985. Nesse ano tivemos alguns acontecimentos importantes, de lançamento de livros a uma grande peça de teatro, "Angelim", escrita por Edyr Augusto Proença, sobre os acontecimentos cabanos, encenada no Teatro da Paz. Depois, silêncio, intercalado por algumas tentativas de aproveitamento político do movimento.
Uma curiosidade: Niemeyer, conhecendo a importância deste movimento revolucionário, sentiu-se honrado com o convite para projetar o monumento e nada cobrou pelo seu valiosíssimo trabalho.
GAME CABANAGEM - A boa notícia de hoje é que o pessoal do Laboratório de Realidade Virtual, da UFPA, está desenvolvendo um jogo de estratégia totalmente paraense, com a finalidade de ser, além de um game como outros, tão consumidos pelos jovens, um veículo para conhecimento da Cabanagem. É o "Jogo Eletrônico Lúdico Educacional de Estratégia: A Revolta da Cabanagem.", que já existe em versão para demonstração e que estará completo até o meio deste ano. Quem quiser conhecer, pode baixar o jogo no www.larv.ufpa.br.

Para comemorar esta data, contribuo com a divulgação da ata de aclamação do primeiro presidente cabano, conforme está terceiro tomo de "Motins Políticos", de Domingos Antonio Raiol (autor que não gostava nada dos cabanos...), publicado originalmente em 1883. A transcrição é feita a partir da edição destes livros, em três volumes, pela Universidade Federal do Pará, em 1970, página 550, 2º volume:

"Aos 7 dias do mês de janeiro de 1835 anos, nesta cidade de Santa Maria de Belém, capital da província do Grão Pará, e no Palácio do Govêrno da mesma, onde se achavam presentes os mais conspícuos cidadãos abaixo assinado, congregados para testemunharem o ato da aclamação que o povo e tropa reunidos no Largo de Palácio acabavam de fazer do Exmo. Sr. Presidente desta província Felix Antonio Clemente Malcher, por falecimento do ex-Presidente Bernardo Lobo de Souza, a quem já estavam cansados de sofrer por causa da prepotência e arbitrariedade que sempre praticou em todos os atos do seu governo, foi pelo mesmo povo e tropa que o aclamou, requerido que se desse conta do acontecido à Regência, pedindo-lhe que não nomeasse mais Presidente para esta província até que S. M. I. o Senhor D. Pedro II chegasse à idade marcada pela constituição para dirigir as rédeas do govêrno do império, pois que a experiência tem desgraçadamente mostrado que eles, em vez de cuidarem do bem público, só tratam de seus interesses que protestavam não receber qualquer Presidente que a Regência lhes mandasse, pela certeza que esta malfadada província não poderá prosperar se não fôr administrada pelo benemérito e patriota cidadão a quem com tanto júbilo acabavam de aclamar. E para constar mandou lavrar esta ata, que foi assinada pelo mesmo Exmo. Sr. Presidente, chefes de corpos e mais cidadãos congregados. Eu, Miguel Antonio Nobre, secretário do Govêrno a escrevi."
Seguem-se mais de 400 assinaturas, a partir de Felix Malcher, os Vinagre, altos dignitários da igreja, militares de elevada patente, etc. A espontaneidade dessas assinaturas é colocada em dúvida em correspondência diplomática do ministro de Sua Majestade britânica no Rio de Janeiro, Henry Stephen Fox, baseado em relato de seu representante no Grão Pará. Ele afirma que "os principais habitantes e proprietários da cidade foram arrastados contra a sua vontade à casa Governamental e forçados, sob pena de serem massacrados, a assinar uma comunicação endereçada ao Imperador e ao Governo Central, no Rio de Janeiro, aprovando as violentas mudanças de autoridade acima mencionadas", conforme documentos recentemente descobertos na Inglaterra, que constam do livro "Cabanagem - Documentos ingleses", de David Cleary (pág 155), edição Secult/Imprensa Oficial, de 2002.



Escrito por Fernando Jares às 16h21
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UMA CAMPANHA HISTÓRICA

NÃO CORRA, NÃO MATE, NÃO MORRA

A segurança no trânsito é uma preocupação constante da sociedade e, às vezes, das autoridades responsáveis, quando o são... Agora mesmo temos visto uma campanha do governo federal, valorizando a responsabilidade de quem dirige: “Motorista legal é motorista consciente”, alertando que no trânsito é necessário ter sempre em mente a existência do perigo, o que exige dirigir com consciência, pelas ruas de Belém e por todo o país.

Lembrei-me deste tema ao ler o anúncio de uma campanha de segurança no trânsito no Estado do Amazonas, do início da década de 1960. Prestes a completar 50 anos!

Esse anúncio foi publicado, dez anos depois, na coluna “Comunicação”, que eu assinava em O Liberal, todos os domingos:

 

O comentário que fiz, quase 40 anos atrás (esta coluna é de 01/10/1970) dizia o seguinte:

“Há dez anos a Mendes Publicidade lançava uma gigantesca campanha de trânsito no vizinho Estado do Amazonas, usando todos os meios de comunicação para sensibilizar motoristas e pedestres. Tão grande foi a campanha que o D.E.R. foi quem patrocinou. Na altura era lançado pela primeira vez publicitáriamente o "slogan" "NÃO CORRA, NÃO MATE, NÃO MORRA". Depois disso, esse "slogan" correu o país. Há 2 anos atrás, na Guanabara, ele foi o tema de uma idêntica campanha de trânsito. E este ano ele foi visto em algumas faixas de pano da campanha local. Moral da história: o que é bom fica. Reproduzimos em tamanho reduzido um dos anúncios da campanha veiculada há dez anos no Amazonas.”

A campanha era realizada “com a cooperação do Lions Club de Manaus e da Delegacia de Trânsito” e tinha chamadas também clássicas, como o menino acenando para o pai: “Papai lembre de mim... dirija com cuidado”. Havia muitos desses bonequinhos nas cabines dos motoristas, especialmente caminhoneiros, pelo Brasil.

O texto do anúncio era, digamos, otimista, ao admitir que “por melhor que sejam as ruas por onde você passa, por mais bem sinalizada que seja a estrada, a partir dos 50 quilômetros horários você já não tem o controle absoluto da máquina”. Não esqueça que o texto tem quase 50 aninhos. Ao que me lembro, por ouvir dizer, já que ainda não conhecia a capital do Amazonas, naquela época Manaus seria bem asfaltada.

De lá para cá o slogan multiplicou-se e virou, praticamente, domínio público, especialmente após 2004, quando a frase foi o tema da Mocidade Independente de Padre Miguel no carnaval carioca: “Não Corra, Não Mate, Não Morra, Pegue Carona Com a Mocidade! Educação No Trânsito”.

O que é bom fica, posso repetir, 40 anos após!



Escrito por Fernando Jares às 17h31
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DA QUALIDADE DOS EXAMES

PIANO PREPARA PARA EXAME... DA PRÓSTATA

Fazer exame em laboratório não é, normalmente, coisa muito agradável. Nada, nada, mas o simples fato de necessitar ser examinado, mesmo nos chamados periódicos ou de rotina, pressupõe a desconfiança de algo irregular. Não fosse ela, não seria necessário, é óbvio.

Dia destes, dentro dos tais de rotina, tive de fazer uma ultrassonografia para o preventivo da próstata (que todo homem deve fazer, pelo menos após os 50 anos) em que se bebe não sei quantos copos de água. Optei pela Clínica Lobo, por onde ando desde os tempos de estudante, quando fazia as famosas abreugrafias do pulmão para o colégio e quaisquer outras “chapas de raio X” necessárias.

Fui muito bem atendido, em um ambiente bonito, tudo limpíssimo (o que é essencial aos serviços médicos, ensina-me o especialista em qualidade Edvaldo Menezes Sales), em suma, agradável, o que torna a coisa, isto é, o exame, algo muito mais simples...

Mas isso tudo é obrigação. Tudo bem, tem lugares que não são assim, mas todos – inclusive os serviços públicos – deveriam ser dessa forma. Concorda?

O que me chamou atenção foi o piano. Veja:


Essa era a visão que eu tinha, enquanto aguardava ser chamado para o exame, lendo um livro em uma mesinha bem legal, na sala de espera. Mas o livro logo foi guardado, porque o som do piano foi ganhando espaço na minha atenção. Bem tocado, tinha um repertório variado o suficiente para prender o meu interesse, dos Beatles à “Samarina”, de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, chegando a Waldemar Henrique, o que me fez descer, parabenizar a pianista, Adriana Paiva, e fazer esta foto, em ambiente natalino de bom gosto:

 

Só falta mesmo, o som ser levado às salas dos exames (nem sei se isso é permitido pelas normas médicas...), o que sugeri à médica que me examinou. Imagine que o título deste post poderia ser: ULTRASSONOGRAFANDO A PRÓSTATA AO SOM DE PIANO!



Escrito por Fernando Jares às 20h00
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UM NOVO BISPO PARA BELÉM

A indicação de um novo Arcebispo de Belém, nos tempos dessa foto, início do século passado, provavelmente 1902, era uma grande festa popular. A chegada de um novo pastor para liderar a igreja, era um grande acontecimento. Com a instituição da Arquidiocese de Belém, em 1906, continuou um grande acontecimento. E durante muitos anos foi assim.

Lembro-me bem da indicação de D. Alberto Ramos, em 1957: eu era molecote em Capanema, estudava no Colégio São Pio X, e muito tocamos o sino da igreja Matriz, logo em frente ao colégio, para anunciar aos fiéis a boa nova. Tempos pioneiros do Pio X. A mudança de d. Alberto para d. Vicente Zico não teve uma expectativa desse porte, afinal ele era bispo auxiliar, com direito á sucessão. A substituição de D. Vicente também não gerou expectativa maior, porque ele, já renunciante pela idade, continuava no posto enquanto aguardava as andanças do processo sucessório, no Brasil e no Vaticano. Embora a indicação de d. Orani João Tempesta possa ter sido surpreendente, não teve o componente expectativa, afinal a sede episcopal não estava vacante.

No atual processo sucessório, com a súbita transferência de d. Orani, considerado um dos bispos mais brilhantes e ativos do país, para o Rio de Janeiro, visando atender uma séria demanda daquela Arquidiocese, ficamos sem um líder maior da igreja católica nomeado pelo Papa, experiência há muito não vivida pelas ruas de Belém. Embora os católicos contassem com a experiência, a serenidade e a simpatia de d. Vicente Zico, Arcebispo Emérito (aposentado) e a liderança de um Administrador Apostólico.

Provavelmente por isso, uma grande expectativa foi criada em torno do nome do novo dirigente católico de Belém, com especuladores aproveitando-se do fato para, em muitos casos, fazerem um jogo de informação (ou desinformação...).

Para os católicos a indicação de um bispo, feita exclusivamente pelo Papa, após ouvir interlocutores locais (sob rigoroso sigilo, que chamam de segredo do Vaticano) é sagrada: o mandatário maior da igreja católica, sucessor em linha direta do apóstolo Pedro, nomeado dirigente por Cristo, age sob a inspiração do Espírito Santo. É obra de Deus, portanto. E ele o faz para todo o mundo. Quem acompanha os boletins de imprensa da Santa Sé sabe quantas destas nomeações acontecem permanentemente.

No início do século passado, um novo bispo de Belém tinha a visão dessa foto aí em cima. Hoje, não mais. O antigo Palácio Episcopal, de onde foi feita a foto e onde morava e trabalhava o bispo, foi transformado no Museu de Arte Sacra e a Cúria Metropolitana tem outro endereço, onde trabalhará o novo Arcebispo, d. Alberto Taveira Corrêa. É homem que conhece Belém e é bem conhecido por muitos padres, porque já pregou retiro para os sacerdotes locais. Deve ser um grande líder para a igreja católica.

Leia o que ele disse sobre essa expectativa toda, em entrevista publicada em página inteira na edição de ontem de O Liberal:

“Peço a vocês que rezem para que Nosso Senhor me dê a graça para que eu possa ser fiel à expectativa de viver com toda a disposição tudo aquilo que Nosso Senhor está pedindo de mim neste momento. E espero que não só com a minha vida, mas com a vida da Arquidiocese de Belém, e aí incluído todo o pessoal, como vocês que trabalham no campo da comunicação, um campo que é tão importante. Eu tenho a clareza de que nós vamos responder a essa expectativa que é a expectativa do povo de Deus, não em torno da pessoa de dom Alberto Taveira, mas em torno da Igreja, que é mais importante. A Igreja vale mais que tudo. Por isso, eu fico contente, porque essa é uma expectativa de confiança na Igreja de Jesus Cristo e é essa Igreja que deve continuar a responder com fidelidade aos apelos em vista da evangelização na, agora, nossa Arquidiocese de Belém.”

E, para quem gosta de documentos, transcrevo abaixo o comunicado da Santa Sé, de 30/12/2009, que anunciou ao mundo a nomeação de d. Alberto Corrêa para Belém:

Il Santo Padre ha nominato Arcivescovo Metropolita di Belém do Pará (Brasile) S.E. Mons. Alberto Taveira Corrêa, finora Arcivescovo di Palmas.

S.E. Mons. Alberto Taveira Corrêa
S.E. Mons. Alberto Taveira Corrêa è nato a Nova Lima, arcidiocesi di Belo Horizonte, il 26 maggio 1950. Ha frequentato il ginnasio e il liceo nel Seminario minore arcidiocesano e la teologia e filosofia nel Seminario maggiore di Belo Horizonte.
È stato ordinato sacerdote il 15 agosto 1973.
Dopo l'ordinazione sacerdotale è stato Parroco di Nossa Senhora do Pilar in Nova Lima, Cappellano dell'ospedale locale; dal 1978 al 1984 Rettore del Seminario maggiore e contemporaneamente Coordinatore della pastorale vocazionale, membro del Consiglio Presbiterale e del Collegio dei Consultori; successivamente Parroco di São Geraldo; quindi Parroco di Senhor Bom Jesus in Bonfim e di Santo Antônio a Vargem Alegre; Vicario Foraneo della Forania São Caetano.
Nominato Vescovo titolare di Sinnipsa e Ausiliare di Brasília il 24 aprile 1991, ha ricevuto l'ordinazione episcopale il 6 luglio dello stesso anno.
Il 27 marzo 1996 è stato nominato Arcivescovo di Palmas.
Incarichi svolti come Vescovo: Vice-Presidente del Consiglio Amministrativo della Fondazione Populorum Progressio dal 1998; Assistente Nazionale del R.C.C. – Movimento Rinnovamento dello Spirito (1995-2000); Membro della Commissione Episcopale del D.E.V.Y.M. (Departamento Vocaciones y Ministerios) del C.E.L.A.M (Consejo Episcopal Latinoamericano) (1995-1999); Membro effettivo della Commissione di Testi Liturgici della CNBB (Conferenza Episcopale Nazionale Brasiliana); Membro del Consiglio Permanente della CNBB; Presidente del Regionale Centro Ovest (2003-2007); Delegato alla V Conferenza Generale del CELAM (2007).

Para consultar diretamente o site da Santa Sé, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 07h52
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ANO DO NÃO E DO SIM


Diga não a todas as guerras.
Diga não a todo terrorismo.
Diga não a tudo que ameace, despreze ou
destrua a vida,
a vida humana e a liberdade.
Diga não às invasões de um país por outro.
Diga não à violência doméstica.
Diga não á violência contra a mulher
Diga não aos assaltos.
Diga não às drogas.
Diga não à corrupção.
Diga não aos corruptos.
Diga não à intolerância.
Diga não à intolerância política.
Diga não à intolerância religiosa.
Diga não a todo autoritarismo.
Diga não a todo preconceito:
Racial, religioso, sexual ou de classe social.
Diga não às injustiças.
Diga não à poluição, ao desmatamento,
aos gases do efeito estufa e a tudo que
produza a destruição da vida na Terra.
Diga não a não fazer nada contra tudo isso.
Diga aqui o seu não.

E feliz Ano do Não.

Os jornais deste 1º de janeiro que circularam ontem pelas ruas de Belém, (datados de 31/12-01/01) publicam um anúncio da Galvão Propaganda, que reproduzo acima e cujo texto transcrevi. É um alerta. Uma profissão. Uma proposta de código de ética.

Mas confesso que fiquei assustado. Está tudo certo, certinho. Há que dizer, com urgência e determinação, não a tudo isso, especialmente à corrupção/corruptos, que está na base de tudo.

Mas, e o sim? Eu não quero ser um homem apenas do não. Eu tenho vontade de dizer muitos sins.

A quem? A quê?

Socorro-me do apóstolo Paulo, na segunda carta aos Coríntios, que todos conhecemos:

“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, e não tivesse o amor, seria como o sino ruidoso ou o címbalo estridente. E ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e toda a ciência; ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu não seria nada. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, nada disso me adiantaria, se não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é paciente, é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará.”

Mais uma vez o apóstolo Paulo mata a pau... É o amoooor!

Senti-me desafiado, estimulado por esses dois belos textos, da Galvão e de Paulo, a fazer minha proposta, minha confissão, meu alerta, a partir de um foco positivo, libertador. Talvez amar seja muitíssimo mais difícil do que negar. Mas é preciso tentar:

Dizer sim ao amor!

Dizer sim ao amor ao próximo,
dos próximos mais próximos aos próximos mais distantes.
Dizer sim ao amor aos pais, à mulher ou ao marido.
Dizer sim ao amor aos filhos e aos avós.
Dizer sim ao amor aos amigos, aos colegas do trabalho,
aos colegas da escola,
ao vizinho de apartamento ou de casa, da rua ou do prédio.
Dizer sim ao amor ao vizinho no banco do ônibus
ou ao motorista do carro ao lado, à prostituta na esquina.
Dizer sim ao amor ao parceiro no bar, no campo de futebol,
no bloco de carnaval.
Dizer sim ao amor ao desconhecido no mercado, na feira,
ao mendigo na rua.
Dizer sim ao amor de quem nos agride, para transformá-lo.
Dizer sim ao amor aos sérios e honestos.
Dizer sim ao amor aos excluídos e aos abandonados.
Dizer sim de amor à paz.
Dizer sim com amor à preservação ambiental.
Dizer sim com amor à vida, desde a concepção.
Dizer sim ao amor à diversidade humana.
Dizer sim ao amor agape.
Dizer sim ao amor phileo.
Dizer sim ao amor eros.
Dizer sim ao amor, para valorizar tudo isso.
Dizer sim ao amor por nós mesmos!
Dizer sim ao amor de Cristo, que Paulo relata de forma tão empolgante, emocionante, transformadora.
Dizer sim ao amor por 2010!

 

Dizer, com amor: Feliz Ano Novo!

 

(Amor como este flash mob, no Mercado Central de Valência, na Espanha, onde cantores de ópera interpretam trechos de “La Traviata”, de Verdi. Veja quanta emoção, confraternização... amor ao próximo. É possível! - para ver, clique no flash mob)

 

 



Escrito por Fernando Jares às 12h54
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