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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


TÁ CHEGANDO O ANO NOVO, GENTE.

2010 FELICIDADES E MUITAS MAIS!

 

Em dias como estes, de grandes festejos, mesmo naquele início do século XX, uns cem anos atrás, essa foto devia ser bem diferente: era aí o “Bar Paraense”, um point da época. Era casa de espetáculos, de teatro e até do iniciante cinema, localizada na avenida Independência, que hoje chamamos de Magalhães Barata. Ficava onde eu ainda conheci as ruínas de uma fábrica de cerveja (não lembro de nada deste bar, apenas revejo uma grande chaminé) e que hoje abriga o chamado Jardim Independência, logo próximo a Nazaré.

Pois é, naquele 1901, 1902, quando a foto deve ter sido feita, pouca gente aparecia na chapa, mas se era dia de comemorar, como deveria ser a virada do ano de início de século (como vivemos recentemente) os bondes que circulavam pelas ruas de Belém com certeza despejavam aí muita gente e não somente uns poucos. Por certo a comemoração não era tão antecipada como hoje em dia, onde muita gente já não trabalha amanhã (31/12), só para festejar. Bons tempos estes – e ainda tem gente que reclama.

O papo tá bom, mas vou aproveitar estes bons tempos e fechar o ano por aqui, desejando muita felicidade pra todo mundo. Aproveito e baixo de canudinho numa frase do publicitário Glauco Lima: “Felicidades mil a todos! Dois mil e dez pra ser mais exato!”

Feliz e abençoado 2010 e o muito que há de vir nele e após ele! Nos encontraremos lá, com a graça de Deus.



Escrito por Fernando Jares às 19h55
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CIDADE DE LUXO E DE VERDADE

REVISTAS DESTACAM BELEZA E LUXO DE BELÉM

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Carol Ribeiro, na capa, Joelma, no miolo da Mag!, lindezas de Belém que brilham lá fora.

De repente tenho diante de mim duas revistas em que Belém tem espaço de destaque. Uma é a Mag!, onde esta cidade é o foco central de um grande trabalho editorial, de textos riquíssimos, de autores diversos, e fotos deslumbrantes. Uma edição para amar Belém, feita por quem amou/ama Belém. Em alguns momentos, chega a ser emocionante. Vale plenamente o preço salgado do exemplar: R$ 22,90. Outra é a Próxima Viagem, onde a presença é mais modesta, mas o texto é honesto e sincero, do jornalista Cláudio Magnavita, a quem conheci nos tempos em que eu era Editor de Turismo de A Província do Pará e ele ligado ao Jornal do Turismo publicação pioneira no setor, dirigida por Araújo Castro.

A Mag! é uma publicação liderada pelo grupo que realiza a SPFW, Rio Summer e por aí. Gente de bom gosto e competência. Dedicou a Belém 183 páginas, a parte principal da publicação de 346 páginas! O tema é luxo. E como eles mostram bem o luxo pelas ruas de Belém. Mesmo reconhecendo que, infelizmente, que ela anda mal-tratada pelas autoridades. Mas o que temos de recursos naturais, históricos e humanos, supera o desleixo oficial. Tudo brilha ao longo da revista, principalmente Fafá de Belém, mote principal e musa inspiradora; brilha, literalmente, a Caroline Ribeiro, desde a capa; brilha o Dener; brilham André Lima e Lino Villaventura; brilha a arte plumária; brilha o Paris n’América; brilha a Joelma do Calypso, brilham personagens que fazem esta cidade, de mestre Laurentino a Paulo Chaves, Walda Marques, Lúcio Flávio Pinto, Junior da Portinha, Gabi Amarantos e outros mais; brilha Mosqueiro; e principalmente, brilha, com muito, muito brilho, Belém. Mereceria o “Troféu Sete Dias em Destaque”, nos velhos tempos da TV Marajoara, que reconhecia e valorizava quem fazia mais por Belém.

A revista Próxima Viagem apresenta Belém como uma cidade de verdade: “Quem anda pelas ruas de Belém, mesmo pelas atrações turísticas, não corre o risco de ser enganado por maquiagens. Aqui, vale a autenticidade.”, diz a publicação. E é essa a tese do texto: a autenticidade de tudo, pessoas, costumes, vida: “O caro leitor, portanto, deve estar pronto para desfrutar do estilo de vida do povo paraense. Seus hábitos e seus costumes são os maiores atrativos da cidade.” Infelizmente ele tem de alertar seus leitores: “é importante primeiro acostumar a visão com a desordem da Belém das regiões mais populares. A primeira impressão é de uma confusão urbana e de contrastes.” Para o autor, “o turista de camisa florida em busca de vendedores de lembranças ou atrás de parques temáticos ou ainda de atrações artificialmente montadas para ‘inglês ver’, terá motivos de sobra para não ir com a cara de Belém”. Mas, tirante esse tipo de visitante, garante: “Após meia dúzia de dias nesta cidade você estará amando este universo de valores autênticos”.

As fotos, de Anderson Espinosa, mostram muito bem a bela cidade e atrações. Há também um glossário da gastronomia paraense, que parece que já conheço, mas isto é outro assunto.



Escrito por Fernando Jares às 18h28
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UMA FESTA DE BOM HUMOR

MEIO AMBIENTE E HISTÓRIA NA MELHOR ILUSTRAÇÃO

Com pequena divulgação e muito em cima da data, pouca gente foi ver o “2º Salão de Humor da Amazônia – Ecologia no Traço”, que encerrou ontem, domingo, no São José Liberto. Além de centenas de trabalhos de excelente nível, de todo o mundo, tinha uma rara preciosidade: a exposição “João Carlos Wiegandt - Patrono da Caricatura no Grão Pará”. Trata-se de um alemão, Hans Karl Wiegandt, nascido em 1841, que decidiu, em 1870, viver e trabalhar pelas ruas de Belém, até o final de seus dias, o que aconteceu em 1908. Fui ver a exposição na manhã do sábado – haviam assinado o livro de visitantes pouco mais de 200 pessoas. Uma pena – tanta arte, tão boa, e de graça, deveria ter recebido milhares de visitantes!

A qualidade das peças apresentadas no salão internacional não foi surpresa: esta é uma arte que permite o pleno exercício da criatividade do artista e a dimensão mundial permite uma seleção apurada. Foram duas as categorias: (1) Meio Ambiente, com 70 cartuns e (2) Chuva, com 50 cartuns. Muita coisa boa. A visita que fiz teve de ser rapidinha, porque viajava logo no início da tarde. Mas curti muito. E até selecionei uns que, Rita e eu, “mais gostamos”, digamos assim. Fotografei do melhor jeito que pude. Como não coincidem com o pensamento dos juizes que escolheram os vencedores, passo o link do blog do Biratan Porto, que divulga os premiados. Clique aqui. Veja abaixo dois trabalhos da categoria Meio Ambiente: um preocupadíssimo ursinho fazendo download de uma árvore verdinha, na “floresta” de concreto, de Markus Grolik, da Alemanha:

e a fuga desesperada dos gregos da ânfora pré-histórica, cheia de lixo, de Serguey Sichenko, de Israel:


Na categoria Chuva, gostei demais deste trabalho do chinês Bilig, extremamente plástico.

 

Mas, aqui pra nós, o que gostei demais foi da exposição dedicada ao Wiegandt. Ano passado, no primeiro Salão, que eu não visitei, havia feito um registro dos 100 anos da morte dele. Eu não conhecia esta obra, acho que praticamente toda fora do Pará. Adorei.

É preciso resgatar essa obra. Ao que informa a apresentação da exposição, o incrível pesquisador Vicente Salles já o fez e a obra está inédita. É preciso resgatar esta outra obra. Não tenho muita esperança na Cultura do Governo, que anda parado na nesta questão de resgatar os grandes valores do passado. Prefeitura, parece que não existe mais. Valha-nos quem? (copyright Raymundo Mário Sobral).

Fotografei algumas peças de Wiegandt e reproduzo uma abaixo, sobre um “paticídio” (que vem a ser o assassinato de milhares de patos, transformados em patos no tucupi, em outubro, nos festejos nazarenos, o que ainda hoje praticamos no Pará...), só que, neste caso, com uma feição (sem trocadilho, só coincidência) política, segundo a legenda: “O paticídio, ou malhação do sr. João Crisóstomo da Mata Bacelar, tido como agnóstico, um dos festeiros de 1878 que se insurgiu contra as determinações das autoridades religiosas e foi malhado por toda a imprensa, satirizado n’O Puraqué, nº 7.” Note que o próprio O Puraqué coloca-se entre os "paticidas"... e o sr. Crisóstomo é barbudo e tem uma estrela no peito (ops!). Fiquei curioso com este sr. Bacelar. Havia uns Mata Bacelar amigos da família do papai, nos muito antigamente, sempre presentes nas histórias familiares. Salvo engano, um Bacelar, médico, muito velhinho, morreu lá pelos anos 1960 e tal. Um dia ainda busco por esse povo. Mas vamos ao "paticídio":

 



Escrito por Fernando Jares às 18h16
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UM BACALHAU DE FAMÍLIA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“O bacalhau é venerado em Portugal desde o século 16, quando pescadores portugueses trouxeram os primeiros exemplares da Terra Nova. Tornou-se no país o ‘amigo fiel’. Sua preparação é motivo de orgulho e sinal de respeito aos valores familiares.”

Elaine Sciolino, do The New York Times, em texto publicado no suplemento “Paladar”, do jornal O Estado de São Paulo, em 18/12/2008.

Tenho excelentes recordações de meus avós paternos, com quem vivi boa parte de minha vida – toda a infância mais infantil, parte da adolescência e a juventude, até que eles subiram para a morada de Deus.

Ambos portugueses, ambos aqui chegados jovens, principalmente o avô, ainda rapazinho, recebi uma boa dose de lusitanidade na minha formação cultural. Inclusive gastronômica, especialmente bacalhônica. Sim, o bacalhau, a despeito de todas as dificuldades de importação e transporte, nos meus primeiros anos, era uma razoável presença lá por casa, pois não era tão caro como hoje. Depois sumiu, mas por falta de ter com que compra-lo. Mas isso é outra história.

Procuro manter algumas tradições daqueles tempos. Uma delas é comer um bacalhauzinho no Dia de Natal. Há um prato que se perde na minha mais ancestral memória. Parece-me que ele sempre existiu na família no Dia de Natal, mesmo nos momentos mais difíceis. Rende bastante e é extraordinariamente gostoso. Quando a vovó já não o fazia, as filhas mantiveram a tradição até que cada uma se foi. Hoje a Rita o sabe fazer, com a maestria de dosar certo os ingredientes e os combinar de forma adequada.

Decidi ontem compartilhar esta minha delícia com os leitores deste blog, numa forma alargada de fazermos um Natal em conjunto – e bem de acordo com o espírito fraterno de amor que deve presidir este re-nascimento de Menino Jesus.

Peguei um papel e caneta e fui para a cozinha anotar o que faziam Rita e Nazaré, sua fiel escudeira nas lides domésticas, no processo de produção do tal prato que não lembro se tinha nome específico. Parece-me que simplesmente era chamado de Bacalhau com Couve. Não vos posso dizer se e da culinária portuguesa ou não. Sei que era da culinária da vovó. Isso eu tenho certeza. Encontrei no Google umas dezenas de receitas de bacalhau com couve, mas nenhuma sequer semelhante a esta, basta logo ver pela quantidade de couve, que aqui é muito maior. Não sei se o devia chamar “Bacalhau Verde”, embarcando na onda ecológica, que não havia naqueles tempos, mas caberia para um prato desenvolvido na Amazônia. Ou “Bacalhau Verde e Amarelo”, buscando inspiração na cor do prato finalizado e em homenagem às cores pátrias. Veja como ficou o feito cá em casa:

 

Como é bom ter uma receita bacalhoeira para esta sexta gastronômica, lá vai o resultado da minha incursão pela cozinha. Os ingredientes são os seguintes:

1,5 quilo de bacalhau

6 maços de couve

10 batatas médias

1,5 cebola grande

Azeite de oliva

Azeitonas pretas

Primeiro, da véspera, colocar o bacalhau a dessalgar, como de costume e as trocas de água recomendadas. Depois, coze-lo em suas respectivas postas ou como seja de seu hábito, respeitada sua relação com o sal: há quem o goste mais salgadinho, há quem o goste assim, mas não o possa comer dessa forma, há os que o preferem com menos sal. Após cozido (reserve a água!) deve ser feito em lascas e desfiado. Esse desfiado deve ser entendido em termos: não é nada radical. Ficam sempre pequenos pedacinhos, para sentirmos o gosto bom desse peixe extraordinário.

As batatas devem ser cozidas na água em que foi cozido o bacalhau, o mesmo acontecendo com as folhas da couve. Às vezes é preciso colocar mais água, conforme a avaliação de quem as cozinha. Estas batatas devem ser amassadas. Isso mesmo, amassadas, com as mãos. Nada de processadores & cia para economizar trabalho. Elas ficam com alguns pedacinhos, não aquele amassado de purê.

Com as couves, que devem cozinhar bastante, as folhas inteiras, sem cortar ou quebrar, o trabalho é maior: é preciso tirar todos os talos, o que exige trabalhar folha por folha, puxando a massa verde: o que fica parece um “esqueleto” e o resultado a ser aproveitado é homogêneo, macio.

Em uma panela grande colocar a aquecer o azeite, em boa quantidade para dourar a cebola já cortada em quadradinhos pequenos. Quando estiverem como pedacinhos de ouro culinário, coloque o bacalhau desfiado e umas seis azeitonas cortadinhas, deixando refogar um pouco. Segue-se a colocação da couve, que será bem misturada a seus antecessores e, depois, a batata. Misturar bem é um segredo. Outro: ir derramando azeite. Não tem medida. Lembra daquela recomendação do Cozinheiro Imperial na preparação da salada, que o azeite deve ser colocado por um “pródigo”. É a mesma coisa. Aliás, a recomendação de que a salada deve ser mexida por um “tonto”, também se aplica neste caso... (para lembrar essa história, clique aqui). Pra decorar, umas azeitonas pretas, de que muito gosto.

Pronto! Agora, deliciar-se! Pode ser bem quente, pode ser morno e até gelado, depende do gosto e da urgência... Na foto acima está a metade do que foi obtido com esta receita. Bom proveito!



Escrito por Fernando Jares às 15h09
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ÁRVORES DE DESEJOS NATALINOS

Entre os cartões de Natal que aportaram por este espaço, física ou virtualmente, decidi-me pelo questionamento que está aí em cima: “Um pé de quê?” plantaremos neste Natal de tantas árvores natalinas ou não, espalhadas pela cidade, em casas, lojas e, principalmente edifícios.

Diz o texto:

“Plantar uma árvore é plantar um pé de esperança. É cultivar um sonho de ter um futuro e que esse futuro seja o melhor. Plantar uma árvore é plantar um pé de solidariedade. Não só com os que aqui estão, mas, com os que virão. É plantar um pé de felicidade, de família, de segurança, de respeito às diferenças. Plantar uma árvore é plantar um pé de possibilidades. De Natais sem fome, sem lamentos, sofrimentos. Plantar uma árvore é plantar um pé carregado de amanhãs. Mas para que esses amanhãs floresçam, você também precisa plantar um pé de quê... Que tal um pé de seus próprios desejos?”

É um desafio que liga a necessidade de árvores, que pelas ruas de Belém vão sendo cada vez mais exterminadas, à construção de sonhos que podem ser os nossos desejos.

Este cartão de Natal da Mendes Comunicação segue uma linha que eles vêm mantendo há anos, ligando a questão ecológica e de preservação ambiental, à preservação dos melhores valores e costumes de um santo espírito natalino, calcado no verdadeiro Natal de Jesus.

Liguei essa mensagem a uma outra que caladinha, recebo e difundo a quem me visita nesta época. A mensagem está contida em um elemento da decoração natalina de minha casa há uns 15 anos, por aí: uma pequena árvore de Natal feita com caroços de açaí e sementes, produzida pela artista plástica e ativista da preservação ambiental Cristina Tobias – a Cristal, como assina suas belas obras. É a foto que está aqui ao lado. Trabalhamos juntos na Albras, até ela optar pela carreira de educadora, com forte raiz ambientalista. Parece-me que ainda é professora na Vila dos Cabanos. Durante esses anos em que trabalhamos juntos, era a fornecedora dos cartões dos Natal que eu distribuía, todos decorados com folhas secas e sementes que ela coletava pela mata e nas margens dos rios. Cada peça era uma obra de arte. Cada cartão era um presente. Faziam o maior suvesso!

Com a mensagem da Mendes, com a árvore da Cristal, passo a todos o meu desejo que o Menino Jesus, re-nascido neste Natal, traga tudo que vocês desejam de melhor, para vocês mesmos, para todos que amam, e para todos que amam vocês. E que no Ano Novo somente aconteçam nas suas vidas e nas de quem vocês amam, coisas boas, maravilhosas, com as bênçãos de Deus e de Nossa Senhora.

FELIZ NATAL!



Escrito por Fernando Jares às 19h25
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CARTUNISMO DO BOM EM BELÉM

CARTUM DE HOJE E DO PASSADO

História, caricatura, humor, reflexão, beleza, realidade, imaginação, arte. Tudo isso é possível encontrar em uma boa exposição de ilustradores e cartunistas. É isso que anuncia o “2º Salão de Humor da Amazônia – Ecologia no Traço”, que acontece até domingo (27), no Espaço São José Liberto, com entrada franca. A visitação é das 9h às 19h, mas amanhã só vai até às 16h e no dia 25 está fechada, por motivos óbvios.

O Salão tem grandes nomes do humor gráfico de todo o mundo. Clicando aqui você conhece os participantes. Mas também resgata um pouco da história do cartunismo no Estado, ao homenagear Hans-Karl (João Carlos) Wiegandt, aclamado como o patrono da caricatura no Pará. Ele é homenageado com uma das quatro exposições do Salão

Segundo o site Guiart, Wiegandt nasceu em 1941 na Prússia Renana (atual Alemanha) e morreu em 1908, em Belém. Ao passar a viver pelas ruas de Belém, em 1870, adotou a tradução de seu nome para João Carlos.

Transcrevo a seguir texto do Guiart:

De acordo com o historiador Vicente Salles, na obra “João Carlos Wiegandt – Pioneiro da caricatura no Grão-Pará”, Wiegandt chegou ao Brasil por volta de 1868, com cerca de 27 anos de idade. Inicialmente, ele se estabeleceu em Recife, onde, junto com o litógrafo W. de Melo Lins, lançou o jornal caricato “A Careta”, ilustrado com desenhos de Wiegandt.

Sua vinda a Belém, em 1870, permitiu o surgimento da imprensa ilustrada no Pará, principalmente a caricata. Em 1878, depois de ilustrar com caricaturas, charges e composições grotescas o semanário “O Postilhão”, Wiegandt lançou o semanário “O Puraqué”, publicado aos domingos, um conjunto de ilustrações caricatas anônimas de cunho republicano, com unidade estilística creditada ao artista.

De 1889 a 1893, com a chegada da República, Wiegandt tornou-se professor de desenho da Escola Normal e fez parte da primeira diretoria da Sociedade Propagadora de Ensino, da qual é fundador, reeleito sucessivamente para três mandatos, e do clube de Artistas Nacionais, tendo então participação ativa no movimento artístico e intelectual de Belém. Na mesma época, aderiu ao Partido de Artistas e Operário do Pará, editor em 1901 do jornal “O Trabalho”, tendo estampado no cabeçalho a efígie de Carlos Marx, em desenho de Wiegandt.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h25
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TURISMO E DIVULGAÇÃO

O NORTE QUE O TURISMO PRECISA

A revista “Mag”, uma das mais luxentas publicações brasileiras da atualidade, dedicou parte de sua mais recente edição a Belém. Lançada com requinte para alguns privilegiados, no shopping novo, etc. e tal. Depois vou comentar a revista. Ela foi o mote para um registro do jornalista Ismaelino Pinto, domingo (20/12), em O Liberal, que merece ser transcrito:

“REVISTA 1 - Basta uma revista, um grupo de pessoas e uma mente criativa como Paulo Logulo e Paulo Borges, do SPFW, pra colocar a mangueirosa em estado de graça, inclusive como um produto turístico da melhor qualidade.

REVISTA 2 - A MAG, revista lançada esta semana, além de dar um gás no universo local com luxo, beleza e exuberância, mostra que por aqui o exótico e o sofisticado estão juntos há décadas.

REVISTA 3 - Coisas que o governo, tanto municipal quanto estadual, através de suas ações minguadas de gerar este produto para o mundo, como bem faz Manaus, por exemplo, são incapazes, ou melhor, incompetentes para gerar o que nós temos de melhor para o planeta.

REVISTA 4 - Ler a MAG, edição luxo Belém, é obrigatório. Aumenta nossa autoestima e nos deixa ver que pagamos sempre um preço muito alto pela mediocridade que a politicagem faz nesta terra de Santa Maria de Belém do Grão-Pará.”

O pensamento do jornalista, nos itens 3 e 4, coincide com o que eu penso sobre este assunto e já tenho esboçado em posts anteriores. Tenho destacado as oportunidades de promoção das atrações existentes pelas ruas de Belém e pelo Estado, notadamente com o destaque que a gastronomia local vem recebendo.

Infelizmente, essa postura pública é a mesma dos tempos em que eu era Editor de Turismo de A Província do Pará (1984/2001!). A despeito de tanto se falar em mudança, parece que nada mudou no turismo estando até pior, porque nem o pouco que havia foi mantido. Veja só:

NO NORTE, SEM NORTE

O governo do Estado não investe e não vai investir em turismo, no próximo ano. Isso foi dito com todas as letras por um secretário de estado aos líderes do trade turístico, em reunião do Fórum de Desenvolvimento Turístico do Estado do Pará, conforme me disse um dos integrantes do Fórum. A importância e a necessidade da comunicação para o desenvolvimento do turismo foram reconhecidas, mas a ausência do Estado, confirmada. Quer dizer: a voz deste blog clama, efetivamente, no deserto administrativo estadual – onde não há ninguém disposto, ou com competência, a entender a importância do turismo para a economia e para as pessoas do Pará.

Exemplo: o governo havia assumido resolver o transporte turístico para o Marajó. O empresariado conseguiu uma solução provisória, com uma lancha em condições. O governo entrava com a divulgação. O transporte começou, mas não houve a divulgação, o que o inviabilizou comercialmente. Dizem os empresários do turismo que a solução definitiva não é difícil: basta abrir uma licitação da linha para Soure ou Camara, com exigência de qualidade, especificação de tipo de transporte, etc. (o que existe hoje é péssimo!). Tem gente, com experiências de sucesso em outros Estados, querendo. Mas é preciso o governo querer fazer a licitação...

REFLEXÃO: Só um lembrete aos técnicos do governo popular: pesquisem sobre a capacidade do turismo em distribuir renda. Turismo pode ser coisa de rico, mas para os ricos lá de fora, que queremos gastando o dinheiro deles aqui, comprando artesanato, andando de táxi, contratando guias, alimentando-se em restaurantes, lanchonetes e até em feiras, bebendo água mineral, refrigerante ou cerveja do Pará, indo a shows e boates, visitando museus, gerando ICMS, ISS, e um mundo de coisas. Não esquecer, também, a elevação de renda que anda acontecendo nos outros Estados. Há, portanto, muita gente podendo vir a Belém & cia. É hora de ir buscar essa gente. De aproveitar as oportunidades que a gastronomia paraense está abrindo ao turismo: quanto vale a exposição, positiva, obtida para Belém no “Fantástico”, domingo (assunto no post imediatamente abaixo)?

Ou o turismo do Estado fica no paradoxo deste título: embora no Norte, sem um norte!

 



Escrito por Fernando Jares às 18h29
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MAIS UMA CONQUISTA GASTRONÔMICA

MELHOR FAROFA DO BRASIL É PARAENSE!

Farinha paraense, a melhor do Brasil + criatividade de uma gastronomia única = a melhor farofa do Brasil. Quem disse foi o “Fantástico”, da Globo, esta noite, para todo o país.

O “Fantástico” inventou um desafio a cinco chefs: quem prepararia a melhor farofa para este final de ano. Participaram representantes de Belém, Belo Horizonte, Campo Grande, Fortaleza e Porto Alegre.

Dois artistas globais experimentaram as farofas e elegeram a campeã: Fábio Porchat e Fabiana Karla. A preparação, na hora, para eles provarem, foi da badaladíssima chef de cozinha Roberta Sudbrak. Mas cada chef concorrente fez uma produção prévia, apresentada (em parte) intercalando o trabalho de Roberta.

Quem entrou em campo, ou melhor, na cozinha, para defender Belém, foi a jovem chef Daniella Martins, do restaurante “Lá em Casa”, filha e herdeira do talento culinário do chef Paulo Martins.


Foi interessante a classificação à farofa de Belém por Fábio Porchat: “é uma farofa segura de si”. Foi fundo, entendeu a coisa! As farofas foram servidas em cuias, batizadas por Fabiana Karla de “potes”... isso acontece, pela falta divulgação das coisas nossas.

Você pode ver todo o quadro no site do “Fantástico”, clicando aqui.

A receita da “Farofa Natalina”, de Daniela Martins, você encontra clicando aqui, inclusive com o vídeo completo da preparação pela chef paraense.

Parabéns! É mais uma conquista independente, baseada na competência da gente desta terra.

Prossegue a fase de reconhecimento nacional, por mérito, de um dos valores culturais mais representativos deste Estado: a cozinha paraense!



Escrito por Fernando Jares às 00h19
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O MUNDO QUER O TUCUPI

FRASES GASTRONÔMICAS DA SEMANA

“O tucupi vai ser o shoyo do século XXI”
Paulo Martins, o chef paraense do “Lá Em Casa”, fez-me essa afirmativa,
acho que em 2005, após ele retornar da Espanha, onde esteve com Ferran Adriá.

“Queremos comprar tucupi com a mesma facilidade que vinagre balsâmico”
Rodrigo Oliveira, chef do restaurante paulistano “Mocotó”, no Mesa Tendências, citado por
Fernanda Thedin, crítica de gastronomia da Veja/Rio, no blog D.O.C. – De Origem Carioca.

“Em São Paulo é mais fácil achar açafrão iraniano que jambu”
Alex Atala, o mais famoso chef de cozinha do Brasil,
do restaurante paulistano “D.O.M.” à revista Época, em 2005.
 

Esse painel de frases, juntamente com outras que já publicamos, mostra a potencialidade econômica dos componentes da culinária paraense, no Brasil e no exterior. É algo que precisa ser tratado profissionalmente, seja pelo governo, na busca de alternativas para o desenvolvimento sustentável dos pequenos produtores rurais, seja pelo empresariado, como oportunidade de investimento saudável, o tipo de investimento mais procurado atualmente no mundo.

Existem experiências independentes em andamento, ainda modestas, por pequenos os recursos, na busca de solução para a industrialização e regulamentação dessas riquezas naturais de tão fácil (mas exclusiva) obtenção, objetivando a exportação – com garantia de fornecimento. Para fornecimento interno, no Brasil, o Amazônia Empório oferece esses produtos enviados aqui de Belém. Clique aqui.

Enquanto isso, no reino de D. Juan Carlos I, a profecia de Paulo Martins toma corpo...

O TUCUPI DO ADRIÁ

O mais famoso cozinheiro do mundo, o espanhol Ferran Adriá, apaixonou-se pela cozinha amazônica desde o dia em que, lá no seu quartel-general, ou melhor, seu laboratório gastronômico, em Roses, na Catalunha, provou alguns de nossos ingredientes, como o jambu e o tucupi, levados pelo chef paraense Paulo Martins. Prometeu que vinha conhecer aquelas maravilhas ao vivo, e veio, no final do ano passado, para comer bem e passear pelas ruas de Belém. Infelizmente, nesse meio tempo, Paulo adoeceu e não pode receber o catalão como desejaria. Mas Adriá conheceu em profundidade a culinária paraense, no Lá em Casa, no Ver-o-peso, nos rios paraenses, no Marajó, etc. Deliciou-se.

Pois bem: de volta a sua terra, já começou a aprontar. Uma das novidades do seu hiperfamoso restaurante “El Bulli” é um prato em homenagem ao Brasil e, particularmente à Amazônia: “Pasión”. Olhe a foto:

 

Quem apresenta o prato é um dos principais jornalistas especializados em gastronomia no Brasil, Josimar Melo, de cujo blog capturei a foto acima, feita por Bárbara Kerr. Diz ele que é um maracujá feito na brasa, com as sementes, em um molho de tucupi.

Gostei do nome do prato, que faz uma inteligente ligação com o nome popular da flor do maracujá, conhecida como “flor da paixão”, por sua cor predominantemente roxa, o que remete à Paixão de Cristo. Aprendi isso ainda criança, em Capanema, e nem imaginava que lá pela Espanha fazem a mesma associação. Além disso, pasión é paixão mesmo e tem tudo a ver com gastronomia.

O problema vem com o molho: tucupi? Ele tem isso por lá? Evidente que não. Não temos, até hoje, uma tecnologia que permita a conservação, tipo estabilizante natural, para este caldo da mandioca. Sua duração é muito pequena, por aí uns sete dias, para manter as propriedades naturais de acidez. E, também, não há registro que permita a entrada do tucupi na Europa.

E aí? Como o Adriá trabalha com sensações gustativas, muito mais que sabores reais, não teve dúvida: criou um tucupi genérico, desenvolvido em seu laboratório, cuja fórmula, é evidente, não entregou, a despeito do esforço do Josimar que, no máximo, desconfia que entram na gororoba caldo de galinha, gengibre, erva-cidreira e temperos (argh!). Deve ser algo tipo o caldo arroxeado que bebem lá pelo Sul, como sendo açaí... O Josimar, que conhece o tucupi de verdade, fresquinho, não gostou, como era de se esperar. Eu engasguei só de pensar. Mas quem não conhece é capaz de adorar. Afinal, é criação do Adriá.

Mas é importante conhecer a história como a viveu e contou o jornalista, no “Blog do Josimar”, que apresenta também magníficas novidades da visita que fez, mês passado, ao “El Bulli” – clique aqui.

Acho que não estou enganado: se houvesse possibilidade de produzir industrialmente o tucupi, lá ia ele para a Europa, com certeza, nas asas da mais importante marca da alta gastronomia mundial na atualidade. Gerando trabalho e renda para pequenos agricultores, indústrias, etc. É preciso chegar lá.



Escrito por Fernando Jares às 18h02
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PSC, REMO: ORGULHO NA PELE

CERPA HOMENAGEIA FUTEBOL PARAENSE. E ARGENTINO?

A Cerpa tem agora rótulos e latinhas que homenageiam as duas maiores torcidas paraenses, do Paysandu e do Remo. Atitude a ser muito elogiada, até porque lançada no período do maior baixo astral do futebol paraense que tenho notícia. Parabéns, Cerpa. Tomara que contribua para melhorar a autoestima dos torcedores, tão sofridos todos nós. Como torcedor e fiel consumidor da Cerpinha, agradeço a iniciativa.

Pois bem, no tal comercial um dos personagens de destaque é o conhecido bicolor que corta o cabelo artisticamente em homenagem ao Papão. Como é atração pelas ruas de Belém, já andou neste espaço, com foto e tudo, como você pode ver clicando aqui, no lançamento do livro “Remo x Paysandu – O clássico mais disputado do futebol mundial”, do jornalista Ferreira da Costa. Naquela altura, alimentava o desejo de sair dessa malfadada terceira divisão, com um “Vamos subir” gravado no couro cabeludo. Mais apropriadamente, para este comercial, clama por “Fé e Paz”. Veja o fotograma baixado do YouTube:


Gostei desse comercial, até porque considero que a Cerpa não se tem saído bem na comunicação mercadológica e o que nos vale é que o produto é sempre superior aos anúncios...

Mas aí apareceu um lance: é bom, sem dúvida. Mas antes já fizeram algo muito parecido, na Argentina. Também em futebol, também em período de baixo astral, também de exortação, também um anunciante cerveja. Pode ser homenagem aos hermanos, considera o “Bitácora do Pedrox”, descobridor da coincidência. Será? Mesmo com tudo que eles sugerem no filme, ou afirmam, sobre os adversários (nosotros?)? Eu acho pouco provável...

Esta história você confere, inclusive vendo e comparando os dois filmes, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 22h24
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GASTRONOMIA GANHA MAIS DIVULGAÇÃO

BACURI, CAPPUCCINO E CAMAPU

A divulgação de nossa melhor culinária, em dimensão nacional, continua. Os profissionais da área ocupam cada vez melhor espaço e respeito. Enquanto isso a Paratur segue sem direção – literalmente. O Estado precisa transformar esta riqueza em produto turístico, mas o bonde, quer dizer o barco, vai passando... em direção ao Amazonas, ao Maranhão, etc.

Deixando estas amargas reflexões de lado, vamos ao que é bom e doce, aliás, literalmente doce: a receita de um pudim criado pelo chef Thiago Castanho, do “Remanso do Peixe”, que é destaque na revista ”Espresso”.

A receita e uma ótima entrevista com Thiago estão no bojo de matéria (texto de Patrícia Malta de Alencar e fotos de Roberto Seba) em que a revista desafia chefs de diversas escolas para inovarem na criação de receitas com frutas.

Thiago explica as bases: “é a cozinha do tucupi e do jambu, é também uma culinária predominantemente de peixes, porque temos três regiões de pesqueiras. Além da variedade de frutas.” Fala das técnicas locais, da caldeirada, do pirarucu seco, do piracuí, comenta do açaí daqui e lá do Sul e das inovações que está desenvolvendo. Ele situa a chegada da cozinha paraense à alta gastronomia: “A culinária da Amazônia estava fechada para o mundo. Aí o chef Paulo Martins - a gente deve muito a ele -, e também o Alex Atala, começaram a levar os ingredientes daqui do Pará para fora. E eles são uma boa referência.”

Depois vem a tal parte doce: a receita de um pudim de cappuccino com doce de bacuri, crocante de tapioca, farofa de castanha-do-pará e sopa fria de taperebá. “O crocante e a farofa harmonizam-se bem com o cremoso do café e do chocolate e com a acidez dessas frutas do Norte. Para finalizar, usei um camapu, que é a nossa physalis.”

Qualquer dia vou conversar aqui sobre camapu, que eu tanto comia quando criança pequena lá em Capanema e também aqui, pelas ruas de Belém, pois tinha nos quintais dos avós, tios, etc. E agora, nunca mais a vi. Soube que ficou sofisticada, é physalis, e a Colômbia ganha uma grana exportando essa frutinha, principalmente para a Europa e... eu não comi mais.

Você pode ler a entrevista, clicando aqui. E, para a receita, basta clicar aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h57
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O PARAENSE VOADOR

VAMOS VOAR PELO JÚLIO CEZAR!

 

O aeroporto da cidade poderá ganhar o nome de um cientista paraense que construiu um artefato para voar há mais de 100 anos e conseguiu elevar-se efetivamente do chão, em Belém e em Paris.

Como nome de aeroporto é coisa federal, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou ontem PL que denomina de “Aeroporto Internacional de Belém Val-de-Cans-Julio Cezar Ribeiro” o nosso aeródromo principal. Para ser realidade, falta apenas a aprovação do Presidente da República (clique aqui).

A homenagem é mais do que justa a um grande paraense que muito andou pelas ruas de Belém em busca de recursos para transformar em realidade o seu sonho científico de voar. Existem algumas homenagens, como uma escola; a avenida que liga o aeroporto à Almirante Barroso; diversos livros e estudos científicos; o documentário premiado no DOCTV, “O homem do balão extravagante”; a premiada peça de Carlos Correia Santos, “Júlio irá voar” (de onde vem a foto que está aí em cima, captada do Guiart).

Apenas duas coisas merecem atenção. Primeira, manter o nome Val-de-Cans. Pode ser histórico, homenageia os pioneiros, até deu nome ao bairro. Mas nunca vai deixar de ser Val-de-Cans. Veja o exemplo do Galeão: quem, além das comissárias de voo quando estamos para pousar, chama o aeroporto do Rio pelo longo nome completo? Continua Galeão, porque o nome é “Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Galeão-Antonio Carlos Jobim”. A segunda coisa é que o nome do homem é Júlio Cezar Ribeiro de Sousa (como registra Ernesto Cruz) e no PL está faltando o Sousa.

Na adolescência e juventude li muitos artigos do médico Fernando Medina do Amaral, em A Província do Pará, sobre Júlio Cezar e passei a admirar este caboclo do Acará, nascido em 1843, pobre, mas lutador, que morreu aos 44 anos.

Vamos torcer para que o presidente não ache esta idéia uma m..., como ele agora usa falar, e aprove a lei. Esperemos que os políticos ajam para explicar quem é este nosso Júlio Cezar.

Como subsídio, leia, clicando aqui, o artigo “Julio Cezar, o revolucionário da aeronavegação” do jornalista Walter Pinto, de quem fui colega em “A Província do Pará”, para o jornal Beira do Rio, da UFPA, onde ele revela uma faceta pouco conhecida do inventor, o ser poeta. Aliás, foi desse artigo que captei a ilustração de JC com o balão “Victoria”: é trabalho do Walter, também excelente ilustrador.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h17
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O BACALHAU DE D. ORANI

ARCEBISPO DO RIO NA ALTA GASTRONOMIA

A gastronomia franco-carioca, quem diria, dobra-se a d. Orani João Tempesta: o simpático restaurante “Blason” lançou o “Bacalhau à dom Orani”, homenageando o simpático arcebispo do Rio. Trata-se do peixe desfiado, com batata sauté e cebola em um molho cremoso de bacalhau e gratinado com queijo. Já faz sucesso, com direito a destaque na Vejinha Rio.(na versão impressa, teve direito a foto). A novidade foi resultado de um jantar em homenagem ao antístite, quando o chef do restaurante desenvolveu o prato, aprovado por d. Orani e autorizado por ele a fazer parte do cardápio da casa, batizado com seu próprio nome. O homem está conquistando o Rio de Janeiro, como conquistou esta cidade, quando exercia seu apostolado pelas ruas de Belém.

O “Blason” é um restaurante de culinária francesa com toques contemporâneos, comandado pelo chef Elizeu Ferreira e que fica em um lugar belíssimo, a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, na praia do Flamengo, um belo casarão em estilo neoclássico francês construído em 1920. O lugar merece ser visitado, pois tudo é muito fino, requintado. Estive lá há alguns anos e fiquei cativado por tanta beleza. Fui visitar uma exposição de vestidos de altíssima costura, da Carmen Mayrink Veiga dos velhos e glamurosos tempos: tinha Givenchy, Saint Laurent, Pierre Cardin, Valentino, Azzaro, Ungaro e por aí. Pura arte em tecidos, agulhas e linhas. De imediato, você pode visitar o site da Julieta de Serpa, conhecer sua bela história e fazer um passeio por essa arte toda, clicando aqui.

 

No post em que comentei a transferência de d. Orani para o Rio de Janeiro,
em fevereiro último, reproduzi o cartum de A. Torres daquele dia no jornal
Diário do Pará. Acho que vale relembrar esse belo trabalho de ilustração,
mais do que nunca cheio de simbolismo... (leia aquele post clicando aqui).

 



Escrito por Fernando Jares às 18h59
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FLORESTA E CIDADE EM HARMONIA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Se quiser que o amor lhe deixe, / coma carne e depois peixe, / se quiser que o amor lhe agarre / coma peixe e depois carne”

Quadra que era dita pelo grande oriximinaense Guilherme Imbiriba Guerreiro, meu sogro, que no sábado passado teria completado 90 anos de vida.

A CONTEMPORÂNEA COZINHA AMAZÔNICA DE THIAGO CASTANHO

A revolução da gastronomia paraense, que começou nos anos 1990, pelas mãos do chef Paulo Martins, prossegue com novos valores profissionais. Conheci o trabalho de um novo talento, de quem já referi neste blog elogios a ele dirigidos: Thiago Castanho. Leia sobre isso, clicando aqui.

Herdeiro de uma experiência de sucesso com a tradicional cozinha paraense, passada por seus pais, Carmem e Francisco, que comandam há anos o restaurante “Remanso do Peixe”, Thiago acrescenta aos produtos gastronômicos locais, modernos conhecimentos, inclusive acadêmicos.

Acompanhamentos até inesperados fazem companhia ao pirarucu, à pescada, às carnes, que ganham releitura no preparo, no cozer e na apresentação. Recursos da melhor gastronomia contemporânea, associados ao que a floresta nos oferece.

Na quinta-feira passada experimentei um menu degustação, com algumas das receitas que fazem o sucesso do jovem chef nos melhores salões de São Paulo, harmonizadas essas preciosidades gastronômicas com vinhos chilenos e argentinos da linha da Grand Cru.

Pensei na didática quadrinha que abre a coluna, sempre citada pela Rita, inclusive na educação das meninas, ao participar desse menu degustação, onde a etiqueta foi rigorosamente seguida. Aliás, o meu avô também me ensinou essa regra, apenas sem a quadrinha.

O desfile começou com um agrado fora do cardápio: alho assado com azeite de trufas e farofa de azeitonas pretas. E começou bem: o alho estava no ponto ideal, pelo menos para mim, quando fica sem o ardido. E ainda teve a “ajuda” do azeite. Amante de farofas e crocantes de um modo geral, é covardia defrontar-me com uma boa farofa. E esta estava ótima.

O primeiro prato foi um “Carpaccio de polvo com pescada defumada e cogumelo paris”. As finas fatias de polvo ganharam a influência da pescada defumada, completando-se e causando uma sensação agradável ao paladar. Foi harmonizado com um Espumante Nocturno Brut, argentino.

Veio em seguida o gigante dos rios amazônicos, nosso queridíssimo pirarucu, só que numa reengenharia danada: “Pirarucu defumado com purê de banana da terra e farofa de castanha-do-pará”. O peixão defumado eu já conhecia de outros manjares e este estava muito bom! Destaque para a farofa de castanha-do-pará, que complementou de tal forma o prato, que o pirarucu deve ter ficado todo vaidoso, harmonizado com um Tabalí Impetu Chardonnay, chileno.


A “Pescada confitada com banana nanica, quiabos assados e farofa de coco” (foto acima) veio a seguir, com o confit como deve ser (talvez pudesse ter um pouco menos de gordura). Os quiabos assados ganham uma função além de decorativa: como eu gosto de quiabo, os adorei assados e bem temperadinhos. A harmonização foi com um Tabalí Impetu Sauvignon Blanc.

 

Saímos dos habitantes dos rios e a aventura em terra começou com um “Ragout de costela bovina, com pirão de leite e queijo parmesão e jambu (foto acima). Disse-me uma vez o István Wessel, um dos magos das carnes Wessel, que a costela é uma das partes mais gostosas da carne bovina. Concordo inteiramente. E mais uma vez comprovei isso neste ragu. Estava bem macia e temperada, mantendo a consistência da costela e associando-se bem aos acompanhamentos. Servida com um vinho Sta. Rita Gran Hacienda, chileno.

 

Para completar, chegou à mesa um “Carré de cordeiro com mousseline de pupunha (foto acima), que merece ser observado em dois aspectos. O cordeiro estava perfeito – sou fã desta carne que nem sempre recebe o tratamento adequado, mas este, além de gostoso, estava bonito, brilhante. A mousseline de pupunha tinha uma textura delicada como deve ser, mas guardava no fundo um sabor um pouco amargo – e esse é um desafio da pupunha, magnífica quando consumida ao natural no acompanhamento de carnes, queijos, etc., mas traiçoeira quando processada. Concentrei-me no cordeiro e as papilas gustativas estão a agradecer até agora! O acompanhamento ficou por conta do Sta. Rita Gran Hacienda.

Encerramos o pantagruélico festival com um primor: “Graviola com calda de chocolate branco, finas lascas de castanha-do-pará, suspiro de cumaru e tapioca caramelizada”. Imagine os grãozinhos de tapioca caramelizados: não deixei escapar nenhum deles. A graviola, fruta pela qual nem morro de amores, deu um salto qualitativo extraordinário ao ser acompanhada pela calda de chocolate branco, docinha. O suspiro de cumaru trouxe um toque de sabor de floresta ao conjunto. O vinho Tabalí Late Harvest completou a harmonia e a leveza do prato, ajudando a perdurar o doce sabor da fruta amazônica.

Ops, papo ficou longo, mas como o jantar foi de longo alcance e de alto nível, merecia ser todo partilhado com vocês.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h33
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MARAVALHO NARCISO BELO

MADEIRA? FLOR? MITO? POLÍTICO? RUA?

Quando eu era criança lembro que muito ouvi o nome Maravalho, nos assuntos relacionados à segurança e a problemas com o trânsito, com os antiquíssimos ônibus que circulavam pelas ruas de Belém ou com os carros de praça (táxis, na época). Além disso, intrigou-me sempre este nome absolutamente diferente: Maravalho Narciso Bello. Vamos tentar desvendar essa história.

Desaparecido dos noticiários, ele faleceu na semana passada e eu não vi nenhum registro na imprensa, a não ser o convite para a Missa de 7º dia, publicado pelas filhas. Ultimamente eu só ouvia o nome ligado a uma rua na Marambaia. Será que quem mora ou trabalha lá, sabe quem foi o homenageado?

 

 Magalhães Barata assina o termo de posse no governo do Estado, 1956,
ao lado do deputado João Camargo. Aparecem ainda Maravalho Bello,
o jornalista Ubiratan de Aguiar, Waldir Bouhid, Lameira Bittencourt e outros.
Foto captada do livro “Magalhães Barata” (2º volume, pág. 879).

Maravalho Narciso Braga foi um militar, homem público e político com grande ação no Pará nos tempos de Magalhães Barata, especialmente no final dos anos 1950. Foi comandante da Polícia Militar e delegado de trânsito. Homem de confiança do velho caudilho, realizou misssões políticas audaciosas, inclusive no interior do Estado, bem ao estilo baratista. Em 1957 era o preferido de Barata para a eleição à prefeitura de Belém – mas foi derrotado internamente em manobra de uma ala mais chegada ao líder (essas tendências não são novidade do PT, portanto...). O jornalista e historiador Carlos Rocque, no livro “Magalhães Barata” (volume 2, página 894), relata a reunião realizada em 9 de julho, quando MB apresentou seu candidato (Dionísio Bentes, que acabou derrotado por Lopo de Castro). Barata fez uma análise dos possíveis candidatos, detendo-se em Maravalho, “ressaltando as suas qualidades, confessando que, apesar de ser um candidato talhado para ser o prefeito de Belém, jamais iria poder indicá-lo, pois iria perder um comandante da Força Pública e um supervisor de Trânsito”. Para o PSD havia incompatibilidade constitucional para a candidatura, o que Maravalho contestava, mas Barata assim o considerou, segundo Rocque: “disse estar satisfeito com a incompatibilidade, pois ‘não seria negócio perder um auxílio como esse”.

Maravalho foi candidato a prefeito em 1965, a primeira eleição, ainda direta, sob o regime militar (vencida por Stélio Maroja). Foi eleito deputado estadual e vitimado pelo AI-5, em 14/03/1969, tendo suspensos seus direitos políticos e cassado o mandato (leia aqui). Participou do Movimento Militar Constitucionalista, que tinha como inspirador o general Zenóbio da Costa, que foi Ministro da Guerra de Getúlio Vargas (leia aqui).

ESTRAMBÓTICO – As pessoas têm nomes próprios que, normalmente, são apenas nomes próprios. Fernando, por exemplo, é Fernando apenas, um nome próprio – no máximo há quem faça algumas interpretações do significado: ousado, alto, etc.

Mas Maravalho Narciso Bello é um nome formado por substantivos ou adjetivos, de sentido dicionarizado e até complementar, pode-se dizer.

Maravalho, que consta do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, é o mesmo que maravalha, segundo o dicionário iAulete, que cita “Não ter talho nem maravalho”. Lembra de Barata ter dito ser ele um “candidato talhado” – conheceria este ditado? Maravalhas são fitas estreitas que se formam ao aplainar a madeira. Para o Houaiss são “aparas ou lascas de madeira”.

Narciso é homem extremamente vaidoso, que admira a própria beleza, a partir do mito grego, diz o iAulete. E tem até uma flor com esse nome, veja aqui.

Bello, embora com dois eles, o que seria uma forma antiga de escrever esse adjetivo, é algo muito bonito, que tem proporções e traços que satisfazem a padrões estéticos de harmonia e beleza, cfe. o iAulete.

O nome de nosso personagem consta até em listas especializadas em nomes diferentes, como a de “Nomes estrambóticos”, do Recanto das Letras (clique aqui).

Fica este pequeno registro na blogosfera, que pode servir de pauta para aprofundamento maior sobre essa figura de nossa história recente, por jornalistas, historiadores, escritores.



Escrito por Fernando Jares às 19h06
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COLUNA GASTRONÔMICA

A coluna gastronômica das sextas-feiras será publicada apenas segunda-feira, com o sabor de uma experiência muito agradável.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h37
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OS DO DIREITO, EM 1971 (1)

11 DE DEZEMBRO, UM DIA, UMA DATA

Em um 11 de dezembro, como hoje, em 1971, quando a cidade assistia ao filme “O padre que queria casar-se”, no cine Palácio; em que no ginásio do Sesc acontecia a final do I Festival Estudantil da Canção Popular, coordenado pelo sempre lembrado Eduardo Abdelnor, na época, professor, e que trouxe a Belém o maestro Erlon Chaves para o júri e o compositor e homem de tevê Sérgio Bittencourt, como apresentador; quando se aguardava a estreia, no dia seguinte, de “O corcunda de Notre Dame”, com Gina Lolobrigida e Anthony Quinn, no Nazaré; quando Fernando Guilhon era governador do Estado e Nélio Lobato o prefeito da capital, 82 novos bacharéis em ciências jurídicas, formados pelo Curso de Direito da UFPA, passavam a circular pelas ruas de Belém. Olha a maioria da turma:

 

Quase todos se reuniram para esta foto, na praça em frente à faculdade,
inclusive alguns mestres. Olhe só esse time deles, à direita, no “térreo”:
Orlando Bitar, Aldebaro Klautau e Daniel Coelho de Souza! No outro extremo,
 quase fora da foto, o professor Diniz Lopes Ferreira, em seguida a Rutnea
Guerreiro e eu. Não dá para nominar todos, mas lá em cima junto ao busto do
Ruy Barbosa, estão a Maria Eugênia Rio, o Mário Chermont, o Vanilson Hesketh e o Jader Barbalho.
Qualquer dia vou fazer um levantamento de todo mundo, para saber por onde andamos.
Talvez para festa dos 40 anos, em 2011. A lista completa está no post a seguir.

O professor e desembargador Silvio Hall de Moura era o patrono e emprestava seu nome à turma, sendo paraninfo outro querido mestre, Júlio Alencar. O reitor da UFPA era também professor de Direito, Clóvis Malcher, e o coordenador do curso era Adherbal Meira Mattos.

A solenidade de colação de grau foi no Palácio da Justiça, às 20h – foi a primeira vez que uma cerimônia deste tipo ocorreu no plenário do Tribunal, àquela altura na praça Felipe Patroni.

Era uma turma festeira e amiga, a despeito do tamanho: geralmente era dividida em duas, mas, às vezes, a aula era para todos e aí tinha que ser no auditório. Tudo festejávamos – pois é, eu estava no meio – desde a primeira série. No último dia de aula, a cada ano, havia uma bandinha muito ruim, dirigida por um bedel, nos esperando para “animar” festinha na praça em frente à faculdade (onde hoje é a OAB, no largo da Trindade), naturalmente com as batidas do Primavera sendo vitais para o bom êxito... Depois de formados, os encontros continuaram, no dia 11 de dezembro, naturalmente com muito menos gente, pois alguns não se ligavam nesse tipo de encontro, outros viajaram para longe e, alguns, infelizmente, porque a vida é assim mesmo, nos deixaram em definitivo, indo para a morada de Deus. Mas alguns e, especialmente algumas, heróis/heroínas, mantiveram a tradição. Nas datas redondas a festa era maior: teve no Iate Clube, no Signos Clube, etc. Fiquei fora por muitos anos, trabalhando demais nas lides da comunicação. Hoje, 38 anos depois, lá estarão reunidos e, desta vez, pretendo estar no meio. Talvez façamos menos macaquices, mas talvez nos amemos mais.



Escrito por Fernando Jares às 13h21
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OS DO DIREITO, EM 1971 (2)

Aqui está a relação dos que concluíram o Curso Direito pela UFPA em 1971:

adra elisa henriques gaia

adriano gustavo seduvim

aglício de sousa carvalho

alcyr monteiro cecim

álvaro odernes muniz carvalho

américo bêdê freire

ana maria crispino

ana maria melo castelo branco

ana maria ribas magno

antônio carlos teixeira de oliveira

antônio ferreira magalhães

antônio henrique de oliveira valle

antônio raimundo de oliveira paula

arnaldo augusto martins meira

aylton da silva pinheiro

carlos augusto menezes sampaio

dagoberto maia de carvalho

delio chuquia mutran

djalma machado

domingos emmi

eduardo ferreira pinto

eva maria pinto da silva godinho

expedito leal ribeiro

fabiano cândido ferreira

fernanda iglesias de melo

fernando antonio jares martins

fernando da silva gonçalves

francisco brasil monteiro

getúlio barbosa aguiar

iracema cassiano viana

jader fontenelle barbalho - orador

joão custódio ebling nunes dos santos

josé arimathéa vernet cavalcanti

josé maria leal paes

josé maria martins dias

josé maria paes lourinho

josé ribamar loureiro braga

josé de sousa forte filho

laércio de almeida larêdo

lais izabel peres zumero

lélio railson dias de alcântara

leonor severa de oliveira miglio

luiz miguel negrão machado

manoel augusto de lima borges

maria dos anjos serra freire

maria da conceição colino pina

maria ediná dias da rocha

maria eugenia marcos rio

maria de fátima vasconcelos penna

maria das graças cabral viégas

maria das graças contente de oliveira

maria das graças meira abnader

maria das graças da rocha rodrigues pereira

maria helena loureiro chaves

maria de lourdes nascimento gama azevêdo

maria lúcia magno patriarcha

maria luiza negreiros

maria de nazaré dias

maria sílvia de magalhães corrêa

márioo cláudio tavares

mario moraes chermont

mariza machado da silva lima capucho

marlene rodrigues medeiros

mírian paulo de oliveira

moacir guimarães moraes filho

nortemires moraes dos santos

paulo castro de pinho

pedro monteiro dos santos

regina das graças nunes

regina maria gama de carvalho

regina maria moraes de carvalho

reinaldo de jesus castro dos santos

risonete botelho patêlo

rubem conde de almenda

rutnea guerreiro dos santos

sérgio torres do carmo

sílvia mary lima cardoso

somira souza leão de sales

vanilson ferreira hesketh

vicente josé molheiros da fonseca

zacarias augusto sardinha corrêa

wilson da silva lobato

 



Escrito por Fernando Jares às 13h16
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A CORNETA DA LIQUIGÁS

PERSEGUIÇÃO SONORA AO CONSUMIDOR

Quando a Petrobrás comprou a Tropigás, eu juro que pensava que eles acabariam com o som insuportável daquela cornetinha berrando pelas ruas de Belém: “Olha a Tropigás!”. Afinal, uma das maiores empresas do mundo, teria forma mais racional e respeitosa de se dirigir ao ilustre público consumidor do que aquele barulho infame – principalmente logo de manhã cedo, incluindo sábados e alguns feriados.

Faz muitos anos que esse barulho apareceu, como novidade mercadológica, anunciando os carros de distribuição da Tropigás. Contrapunha-se a um sino utilizado pela concorrência e ao bater de dois ferrinhos, pelos distribuidores em bicicletas. Todos imaginavam que era uma coisa temporária, de lançamento. E penso que, na concepção de quem criou o monstrinho, deveria ser por aí. Temporada de lançamento. Naquela época a Tropigás pertencia ao grupo Belauto, do audacioso empreendedor Jair Bernardino de Souza, morto  prematuramente em 1989, em acidente em seu jatinho aqui em frente a Belém. No que conheci o Jair (fiz atendimento da conta Belauto, logo que ele chegou a Belém) deveria ser mesmo apenas para essa fase da empresa.

Mas ficou. Ao longo dos anos, sempre pipocando aqui e ali uma reclamação na mídia. Mas ficou. Quando a empresa foi comprada pela Petrobrás... continuou. Apenas melhorou porque, talvez por ser estatal, relaxou mais no horário: antes, o primeiro carro passava exatamente às 8h – pense no sábado, único dia que eu podia dormir até mais tarde, a cornetinha berrando embaixo da janela. E quem tem um doente em casa? E aquele bebê que não dormiu a noite toda...

Registrei no Twitter: leia clicando aqui sobre o feriado de 15 de agosto. Ou mais recentemente, quando meteram texto de uma promoção, aqui.

Será que a Secretaria do Meio Ambiente não pode agir neste caso? Ou a polícia ambiental?

Para quem tem dúvida sobre o que é esta perseguição sonora, ouça no YouTube, clicando aqui.

Eu, como não posso fazer outra coisa, não compro mais da Liquigás.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h24
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UMA FILMAGEM PIONEIRA

1974, UM COMERCIAL

 

A foto acima é um registro profissional de 35 anos atrás: 04 de maio de 1974. Desencavei-a de meu arquivo fotográfico e mostra a captura de imagens para um dos primeiros comerciais filmados em Belém, seguramente. Muito diferente da parafernália hoje movimentada por produtoras como a Imagem, para gravar um comercial...

Naquela época os comerciais eram feitos por produtoras do Rio de Janeiro e de São Paulo. A Mendes, por exemplo, onde eu trabalhava na época, tinha até um escritório no Rio principalmente para atender a grande demanda de produção. A criação era aqui mesmo, mas a produção tinha que ser lá fora. Lembro da PPP, no Rio – ainda recentemente, na Albras, trabalhei com Hubert Perrin, um dos Ps (o outro era René Persin), na produção de documentários –; e da Lynxfilm, do grande pioneiro da produção comercial brasileira, César Mêmolo Jr, que veio algumas vezes a Belém e muitas vezes alguém da agência ia a SP para acompanhar a produção. Quer saber mais sobre a Lynxfilm? Veja um documentário da TV Sesc/Senac, clicando aqui. Acho que os mais antigos pouquinha coisa na profissão e os que pesquisam propaganda, vão adorar...

Mas voltando à foto lá de cima. Era a produção local de um comercial para a Belauto, que apresentava o novíssimo Centro de Diagnose dessa revenda Volkswagen. O equipamento permitia fazer um chek-up no veículo, rapidinho, coisa de alta tecnologia, na época. Na retaguarda técnica estão Rosenildo Franco, com seu porte antecipador do Michael Jackson (penso que na época saindo do Jackson Five...) e eu, com meu “braço de açucareiro” como dizia o papai. Ambos de grandes cabelos. Acho que era um sábado, pra eu não estar de paletó...

Mas o grande destaque da foto é quem está com a câmera: o cinegrafista Milton Mendonça, um documentarista pioneiríssimo, de quem lembro sempre com grande respeito. Muitas cenas ele registrou pelas ruas de Belém, inclusive para documentários que rodavam o Brasil, exibidos em cinema, antes dos filmes, os chamados “fox jornal”. Nos anos 40, ele já tinha a produtora Jussara Filmes. Também trabalhou em televisão, como na Guajará e na TV Liberal, logo no início. Mestre de todos que com ele se relacionavam, contribuiu para grandes profissionais da imagem, do Rubens Onetti (TV Marajoara) ao Gouveia Jr., recentemente falecido.

Milton até ajudou-me a montar o delicioso filme, em super-8, do meu casamento... mas isso é outra história.



Escrito por Fernando Jares às 19h47
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FLEXIBILIDADE NAS LEIS

CASSA, DESCASSA; PRENDE, SOLTA; É FERIADO, MAS TRABALHA!

Já não é de hoje que brasileiros, especialmente aqueles que têm poder político ou econômico, decidem se devem, ou não, seguir uma lei que os incomoda. Tem até lei que não pegou e foi revogada, como aquela que antecipava feriados para as segundas-feiras, nos anos 1980! Isso se aplica aos mais diversos campos. Independente da questão partidária, como entender que um juiz cassa um prefeito, alegando evidências de desrespeito à lei, e horas depois, outro juiz derruba essas tais evidências, invocando o mesmo respeito à legislação? Vemos isso também em relação às ações policiais: políticos, traficantes, empresários, presos acusados por corrupção, tráfico de drogas, sonegação, etc., geralmente os graúdos, são soltos horas após a prisão, por decisão judicial. Essa quase livre interpretação das leis não será perigosa para o equilíbrio da sociedade?

Como essas coisas se espalham, as leis dos feriados são grandes vítimas. O feriado existe, mas respeita a lei quem o quiser. Hoje, por exemplo, é feriado municipal na cidade, mas tem um monte de gente trabalhando pelas ruas de Belém. Não é feriado nacional, como alguns afirmam. É um dos quatro feriados municipais a que o belenense teria direito... Não é nacional: estou em Niterói, onde não é feriado. No Rio também não é feriado. Em Barcarena, Pará, não é feriado, mas é em Abaetetuba e Santarém. Para a igreja católica, é Dia Santo de Guarda e quem tiver condições tem obrigação de ir à Missa. Quem tiver de trabalhar, está dispensado. Hoje, na festa da ganhância, até repartições públicas arrecadadoras funcionam e, segundo os jornais, até a Justiça!

Veja bem: quem regula feriados é a lei federal, que autoriza quatro para os municípios, incluindo a Sexta-Feira da Paixão. Estadual existe apenas um, a chamada Data Magna do Estado. Nacionais são oito: 01/01, Confraternização Universal; 21/04, Tiradentes; 01/05, Dia do Trabalho; 07/09, Independência do Brasil; 12/10, N. S. Aparecida – Padroeira do Brasil; 02/11, Finados; 15/11, Proclamação da República; 25/12, Natal.

No ano passado escrevi sobre isto, detalhando a legislação. Você pode ler clicando aqui.

Existem ainda alguns feriados de classes profissionais, como Dia do Funcionário Público, com lei própria, que permite aos barnabés um dia de bubuia... Há também feriados locais, de categorias trabalhadoras, acertados entre empregados e empregadores, como Dia do Comerciário, em Belém.

Portanto, 8 de dezembro é feriado em Belém. É lei e, como tal, deveria ser obedecida, independente dos (cruéis) desejos capitalistas de ganhar mais e mais.



Escrito por Fernando Jares às 15h11
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OS INFLUENTES DE BELÉM

TRÊS ENTRE OS MAIS INFLUENTES DO BRASIL

Três do Pará estão na lista dos 100 Brasileiros Mais Influentes de 2009, apresentados pela revista Época desta semana, sendo que dois nomes aparecem ali por serem destaques internacionais.

São o procurador da República Daniel Avelino, a cantora (soprano) Adriane Queiroz e o lutador Lyoto Machida. Embora nem todos nascidos no Pará, são gente que circula pelas ruas de Belém e foi aqui que mostraram o talento que os coloca em uma seleta relação de apenas 100 brasileiros.

Daniel Avelino é um dos “Líderes e Reformadores”, em um elenco que inclui os presidentes Lula e FHC, Aécio Neves, Dilma Russef, José Serra, Guido Mantega e outros tantos. Cada selecionado tem um perfilador que, no caso de Daniel, é o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, para quem o eleito “faz parte de um time de jovens e corajosos procuradores da República que, em regiões remotas da Amazônia, constrói pontes entre a justiça distante e as comunidades da floresta – as maiores vítimas da destruição da biodiversidade e da desagregação social provocada pelas motoserras que derrubam a floresta”. Ele é o homem que, com o poder da legislação, conseguiu impedir que desmatadores vendessem seus bois obtidos de forma irregular. Enquanto outras autoridades apenas faziam blá-blá-blá a respeito.

A paraense Adriane Queiroz, soprano das mais respeitadas no mundo, divide a página com o pianista Nelson Freire e está no time que tem a cantora Céu, Juliana Paes, osgemeos, Glória Perez, Paulo Coelho, Cristóvão Tezza, Marcelo Adnet, etc. Seu perfilador é o muito respeitado diretor de ópera William Pereira (até semana passada estava com uma montagem de “O Barbeiro de Sevilha”), que coloca a moça na posição de medalhista olímpica com um conceito definitivo: “No universo da música erudita, ser solista da Staatsoper de Berlim (a principal casa de ópera alemã), ser regida por Daniel Baremboim e gravar Mahler, com o lendário Pierre Boulz, equivale a conquistar medalhas de ouro na Olimpíada. E o Brasil pode celebrar essas medalhas”. E acha que é uma “carreira em ascensão”.

O terceiro nome do Pará a integrar a lista das personalidades brasileiras mais influentes do ano é mais um destaque internacional, o lutador Lyoto Machida, nosso campeão mundial, primeirão nos meio-pesados do Ultimate Fighting Championship. Ele aparece entre os “Ídolos e Heróis”, tendo a companhia de Ronaldo Fenômeno, César Cielo, Gisele Bündchen, Roberto Carlos (o cantor), Kaká, Dunga e mais outros. Machida, nisei-paraense nascido em Salvador, tem como surpreendente perfilador o senador pelo Amazonas, Arthur Virgílio Neto, que a revista revela ser faixa vermelha e preta em jiu-jitsu. Diz o senador, afirmando ter presenciado “seu lançamento ao estrelato nacional em Manaus”, que “Lyoto emociona. Provoca admiração. Vence. Enche de orgulho milhões e milhões de brasileiros”.

Segundo a revista Época (leia matéria clicando aqui) a lista, apresentada pelo terceiro ano, reúne brasileiros que se destacaram “pelo poder, pelo talento, pelas realizações ou pelo exemplo moral. Para integrar a lista, é preciso satisfazer pelo menos um desses critérios de modo destacado ao longo do ano.” Além das três já apresentadas, as outras três categorias são: Empreendedores & Pioneiros, Guias & Pensadores e Benfeitores.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h20
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NOSSO URUBU NO MARACA

URUBU DE BELÉM TIRA ONDA DE CARIOCA

 

Uma turma de intrépidos torcedores paraenses devora milhares de quilômetros, atrasos nos aeroportos (mais de 15%, hoje), torradinhas a bordo, para participar do jogo com que o Flamengo deve receber o título de campeão nacional, outorgado por estranhos gaúchos decididos a perder a qualquer custo, ao que comenta a crônica especializada... neste caso, sou apenas espectador, porque o meu Papão há muito está perdido desses campeonatos superiores.

Muitos desses paraenses usarão a camisa que está aí em cima, que captei do site Pó de Vídeo. Com a frase “Urubu do Ver-o-Peso no Maraca” homenageia um dos personagens mais populares da peça “Ver de Ver-o-Peso”, justamente o urubu do Ver-o-Peso, que faz a condução entre as diversas cenas do espetáculo. Um dos criadores do personagem, o ator Mário Filé, deu tal interpretação ao simpático urubu que lhe deu vida própria, inclusive com esquetes sobre comportamento ambiental correto, combate ao lixo, etc., que a criançada sempre gosta.

Hoje almocei, aqui em Niterói, onde passo alguns dias, com o Guilherme Guerreiro, que vai transmitir o jogo para a Rádio Clube do Pará, com a correção habitual, e virar eco pelas ruas de Belém, como sempre acontece. Para quem não aguenta mais o Galvão, uma alternativa é “ver o jogo” ouvindo a Rádio Clube. Ou tirar o som da tevê e ouvir a rádio – mas aqui há o problema da defasagem técnica, pois devido à diferença de sistemas de transmissão, áudio e vídeo não ficam simultâneos - mas o rádio chega na frente, o que é vantagem... Quem está fora de Belém e tem Sky, pode ouvir o som da Clube, e muito bem.

 



Escrito por Fernando Jares às 16h15
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GASTRONOMIA: DIVULGAÇÃO E RECEITAS

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Não podemos deixar que o peru no tucupi invada como um vírus a nossa grande festa paraense, o Círio de Nazaré”

Thiago Castanho, chef do restaurante “Remanso do Peixe”, à revista Troppo (O Liberal), edição de 22/11/2009

JOIAS GASTRONÔMICAS DO PARÁ

Gostei de ler essa declaração de Thiago Castanho, que coincide, em gênero, número e grau, com a defesa desse nosso patrimônio cultural gastronômico, que fizemos neste espaço virtual, em outubro, ao mostrar a desigual batalha marketeira que se desenvolve na cidade entre nosso bípede palmípede e o peru sulista: “A emocionante peleja do patarrão com o peru rico”. Há que resistir! Leia o post que escrevi em 09/10, clicando aqui.

Tenho registrado a boa escalada da divulgação de nosso produto gastronômico, que necessita, urgente, de uma contrapartida profissional para fixar essa informação aos valores turísticos paraenses e gerar produtos que tragam os preciosos turistas. Essa divulgação não acontece por acaso, obviamente. É resultado da cruzada criada e empreendida pelo chef paraense Paulo Martins, desde o final do século passado, levando a culinária paraense aos grandes centros consumidores, no Brasil e no exterior, e trazendo a Belém grandes chefes, novamente do Brasil e do exterior, notadamente para o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”.

Viajei ontem pela Gol e, na revista de bordo da companhia, lá estava a nossa comidinha regional, na forma de indicações (“Joias do Pará”) da cantora e compositora curitibana Thaís Gulin, “fã de Belém”: a cozinha do Remanso, o Ver-o-Peso com suas comidas, temperos, perfumes, etc., além do Theatro da Paz e dos discos paraenses do Ná Figueiredo. Nesta mesma revista tem um texto muito agradável, do excelente e tarimbado jornalista Arthur Veríssimo, sobre o Sairé, de Alter do Chão. Muito legal.

Por sinal, em setembro, nesta mesma revista, o jornalista Kike Martins da Costa traçou um roteiro gastronômico pelas ruas de Belém, mais ou menos sobre o trajeto do Círio, com as principais atrações gastronômicas da cidade. Fotos de Felipe Gombossy. E em outubro Carla Conte contou uma aventura pelo Marajó, com fotos de Caio Vilela. Registre-se uma mancada grave, de edição: os voos para acesso foram indicados por Manaus...

Vou fechar esta sexta gastronômica com as duas receitas que foram apresentadas, em outra boa ação de divulgação, pela jovem chef Daniela Martins, no programa “Dia Dia”, na Band, em rede nacional, na semana passada. Ela participava, em SP, de um festival paraense no restaurante “EmpreStado” – leia, clicando aqui, o que escrevi sobre. Dani esteve recentemente no festival “Porto Amazônia”, no festejado restaurante paulista “Porto Rubaiyat”, tendo como foco a sustentabilidade. A jornalista Cléo Soares fez um texto muito legal sobre o assunto na Revista do jornal Diário do Pará de 15/11:

Agora, as receitas, de “Muçuã de Botequim”, que você pode ler no site da Band, clicando aqui e da sobremesa “Mundico e Zefinha”, que está aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h25
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LIBERDADE NO PALCO

A RECRIAÇÃO EM “LIBERDADE, LIBERDADE”

Um dos clássicos do chamado “teatro de protesto” do Brasil, nos inícios da ditadura militar, quando ainda liberavam espetáculos desse tipo, “Liberdade, Liberdade”, ganhou recentemente nova vida em palcos paraenses, com o título “Liberdade, liberdade: Exercício n. 1”.

Foi o resultado de uma oficina com o Grupo de Teatro da Unama sendo a montagem uma livre adaptação inspirada na obra de Flávio Rangel e Millôr Fernandes - como permite a boa liberdade na criação teatral.

Esse exercício lembrou-me a peça que tanto sucesso fez nos idos de 1965. Também não era para menos, além dos dois gênios que a criaram, a peça tinha em cena: Paulo Autran, Nara Leão, Oduvaldo Vianna Filho, com participação especial de Tereza Rachel. Entendeu? Os melhores em cada especialidade! Tinha que ser sucesso!

O trabalho era uma colagem de textos e músicas de grandes autores, nacionais e estrangeiros, novidade na época, ligados por textos produzidos pela dupla Millôr e Rangel. Sou apaixonado por essa peça. Tenho o livro com o texto completo, tenho o LP (vinil) e o CD (o vinil remasterizado), que faz parte da caixa dupla com toda a discografia de Nara Leão. Você vê ao lado o selo da bolacha negra e, abaixo, capa e contracapa:

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Na contracapa, Paulo Autran “encena” a estátua da Liberdade (NY), “com aquelas coisas pontudas”.

Não, não vi “Liberdade, Liberdade” no palco, pois naquela época era difícil e raro este vivente pelas ruas de Belém ir ao “sul”, imagine para ver uma peça no teatro.

No entanto, na mesma linha de colagem, vi alguns anos depois, acho que em 1967 ou 68, no Rio, a peça “Meia volta, volver”, do Vianinha, salvo engano com Armando Costa, a dupla criadora da série “A grande família” para a televisão e que ainda hoje está no ar, na Globo. Lembro que tinha no elenco a Mariana de Moraes, neta do Vinicius e acho que a Odete Lara. Vou pesquisar o que tenho a respeito e volto com ela. Foi meu primeiro contato pessoal com este estilo de criação. E já em 1969, Rosenildo Franco e eu, criamos e montamos o espetáculo “Receita de Mulher”, também colagem de textos e músicas, tendo a mulher como foco central que, acabei de descobrir (!) em uma matemática muito simples, fez 40 anos! E eu nem lembrava. Vamos ver se pra semana eu escrevo a respeito.



Escrito por Fernando Jares às 19h03
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HEROÍNA POPULAR DE VOLTA

O TEATRO COM A MAIS POPULAR SANTA POPULAR

Severa Romana, de Nazareno Tourinho, volta ao palco. A peça sobre a “santa popular” dos belenenses ganha mais uma encenação a partir de hoje, pela Trupe de Teatro Flor de Lyz, que assim comemora seu nono aniversário de atividades. Nesta montagem tem o nome de “Severa Romana a Mártir Popular”. Trata-se, possivelmente, da peça teatral paraense com maior número de montagens, não apenas aqui em nosso Estado, mas por todo o Brasil, inclusive São Paulo, um grande consumidor de teatro.

Nazareno Tourinho, o autor, é uma figura de que muito gosto, jornalista, pesquisador, autor de várias peças e muitos livros.

Somente este ano, aqui em Belém, ao que eu saiba, é a segunda vez que um grupo teatral leva Severa à cena. Em maio foi a Companhia de Artes Cênicas Fato em Ato, que eu tive oportunidade de ver, no Centur, e de comentar – você pode ler o que escrevi, clicando aqui.

Volta a heroína da fidelidade conjugal a ser tema pelas ruas de Belém, justo no ano em que já ganhou até um seminário – muito bom – sobre o fascínio do mito sobre a cidade. Será apenas mito? Leia, clicando aqui, o que escrevi sobre esse seminário a respeito de Severa Romana/santa popular.

Não poderei ir ver a montagem que hoje inaugura temporada, no Teatro Experimental Waldemar Henrique, e que foi contemplada pela Funarte com o “Prêmio Funarte de Teatro Myrian Muniz 2009”. Aguardo as datas de novas apresentações para ir lá conferir.

Veja mais informações sobre a peça “Severa Romana a Mártir Popular” no Guiart, clicando aqui. Ou no Portal ORM (de onde captei a foto de divulgação acima), clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h29
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A CRÔNICA DA DOCA

UMA LEVE HISTÓRIA DA DOCA, SEM LOROTA

A chamada Doca de Souza Franco, ou apenas Doca, mais propriamente Avenida Visconde Souza Franco, é um símbolo de Belém. Símbolo de um sonho de fazer desta cidade a Veneza Amazônica, cortada por canais. Símbolo de uma transformação rapidíssima, de enclave pouco habitado, por trabalhadores da área central vizinha, geralmente pobres, para um dos metros quadrados mais caros e disputados da cidade. Símbolo da especulação imobiliária selvagem, que resultou na expulsão dos primitivos habitantes do lugar (processo mais recentemente instalado no Umarizal) – como sempre acontece nas invasões por colonizadores, neo-colonizadores, invasores de um modo geral, mesmo os autodenominados “invasores sociais”. Andei muitas vezes por lá nos velhos tempos de canal abandonado – tinha um colega que morava ali por onde hoje é o Líder, mais ou menos. Até namorei lá por perto, no tempo em que a Antonio Barreto era de terra e cheia de buracos. E isso tem uns 35 a 40 anos...

Este lari-lari todo vem por conta de um post interessantíssimo, de domingo último, que li no “Lorotas da Doca”, um blog que conta boas histórias vividas, acontecidas ou sonhadas pelas ruas de Belém, especialmente na dita cuja Doca. O autor, o Loro da Doca, vivente daquele pedaço de alguns anos e muitas gerações, como confessa, produziu um texto que merece ser lido: “O postdadoca: memórias de uma Doca que não existe mais”. Leve, brincalhão e descomprometido, mas que mostra conhecimento do redator (professor de história). Para ler o texto, clique sobre o título, ou aqui.

Captei desse post duas fotos, que mostram dois estágios da Doca de Souza Franco como ele a apresenta, em 1972 e nos dias atuais, como aperitivo. Passe lá.

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Escrito por Fernando Jares às 19h43
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