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PELAS RUAS DE BELÉM


ONDE ESTÁ O NATAL DE BELÉM?

O ILUSTRADOR VÊ O NATAL PELAS RUAS DE BELÉM

O ilustrador Sergio Bastos, um emérito registrador das coisas e momentos que vê acontecer pelas ruas de Belém, acaba de criar cartões de Natal, em parceria com a Jokerman Postais Publicitários – empresa responsável por aqueles postais que você encontra, gratuitamente, em displays dispostos em locais de muito movimento. Inicialmente são três, que a Jokerman vai negociar com organizações locais e distribuir nesses pontos, como mensagem de final de ano dos anunciantes. Segundo me informou o Sérgio, são “imagens que publiquei na minha coluna ‘Belém Tem Disso’, em O Liberal. Todos eles foram publicados em anos seguidos, sempre na época do Natal.”

Os três cartões estão aqui abaixo e, sob cada um deles, uma frase do criador sobre o momento que ele retrata na peça:

 

“Apesar da vida dura, o catador de lixo não deixa de lado o amor pelo Brasil e a esperança em dias melhores.”

 

“A árvore que servia de estacionamento para as bicicletas dos operários que construíram o Hangar, virou Árvore de Natal e os trabalhadores, em Papais-Noéis.”

 

“Vi esta árvore feita de garrafas pet, na porta de uma casa há alguns anos. Agora, árvores desse tipo já fazem parte da decoração oficial da cidade.”

Você pode ver estas e muitas outras criações do Sergio, acessando o endereço dele na internet, clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h21
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DE BENEDITO NUNES A FOUCAULT

O ILUMINISTA DOS TRÓPICOS NO DORSO DO TIGRE

Explicitamente tietado por um auditório de múltipla formação, de jovens estudantes elétricas, querendo tirar uma foto ao lado do dele, a professores renomados, mestres, doutores, pós-doutores, locais e de outros Estados, escritores de renome, curiosos interessados em cultura, todos fãs, o Pensador Brasileiro Benedito Nunes é o centro das atenções estes dias, no esplendor dos seus 80 anos, mais de 50 em atividade intelectual brilhante.

A extensa obra do grande escritor, crítico literário, filósofo, professor de privilegiadas gerações, que nasceu, desenvolveu e fixou seu grande talento pelas ruas de Belém, especialmente na travessa da Estrela (nome mais que justo, ao qualificar o ilustre morador), vem sendo apresentada, explicada, interpretada, revista, relida, debatida ao correr do “Congresso Benedito Nunes – Pensador Brasileiro”, realização do Centro de Cultura e Formação Cristã (CCFC) da Arquidiocese de Belém no auditório David Mufarrej, da Unama.

Modesto, universalista, sem prender-se a especializações, como disse o palestrante Sílvio Holanda (UFPA) ao falar sobre “Guimarães Rosa e Benedito Nunes em clave hermenêutica”; dialogando ao mesmo nível dos grandes escritores que analisa, colocando “a voz no mesmo patamar”, como afirmou professor Adalberto Muller (UFF) na palestra “João Cabral e Benedito Nunes: um diálogo entre a poesia e a crítica”, produz textos que “ultrapassam a fronteira da crítica literária, uma vez que ele se difere dos críticos que vivem apenas no universo das letras. Ele transita entre a literatura e a filosofia”, destacou o mesmo Muller.

Um homem envolvido com sua geração, é presença forte na cultura e junto aos intelectuais paraenses, como ao lado do grande Mário Faustino, de quem foi “não apenas leitor e crítico, mas autor em conjunto e ator”, expôs a professora Lília Chaves, na terna palestra “Benedito Nunes e Mário Faustino: o filósofo e o poeta”.

Não apenas nas palestras, mas nos cursos que ocorrem nas tardes destes três dias – “A crítica de Benedito Nunes”, por Jucimara Tarricone (Estácio-SP) e “Passagem para o poético: filosofia e poesia em Heidegger, de Benedito Nunes”, por Marco Antonio Casanova (UERJ) – apresentação e mediação são de um jovem estudioso e entusiasta da obra de Benedito Nunes, Victor Sales Pinheiro, que enriquece todas as palestras, contribuindo, ou instigando, os palestrantes.

O congresso chega hoje ao seu momento culminante onde a estrela, presente até agora em todos os momentos como observador, assume o papel central, com a palestra de encerramento “Meu caminho na crítica” e o lançamento da terceira edição “de um dos livros clássicos do nosso ensaismo nacional, ‘O dorso do tigre’, de Benedito Nunes”, explica Victor Sales Pinheiro. A edição original, esgotadíssima, é de 1969. Segundo apresentação da Editora 34, responsável por esta edição, “No todo, o leitor não deixará de notar o firme compromisso com o trabalho intelectual, a larga erudição e o discernimento profundo no trato com a cultura. Tudo isso não para ‘domar o esquivo tigre da criação – como assinala Affonso Ávila em texto incluído como posfácio a esta edição –, mas sim ‘iluminá-lo pela reflexão crítica, para então compreender, com olhos de inteira lucidez, as cores reais de seu dorso cambiante, o seu exato sentido e destinação".

O ILUMINISTA DOS TRÓPICOS E FOUCAULT – Para saber mais sobre este grande paraense, sugiro ler “Benedito Nunes, o iluminista dos trópicos”, da jornalista Adriana Klautau Leite, na revista Brasileiros, que pode ser acessado clicando aqui.

Como na sessão de ontem do Congresso encontrei algumas pessoas discutindo sobre a estada do filósofo Michael Foucault em Belém – que teria sido hóspede de Benedito Nunes – reproduzo a seguir trecho da entrevista feita por Adriana Klautau Leite com o mestre Benedito sobre esse encontro: “Estávamos no período do regime militar, quando ele veio proferir algumas conferências no Pará, a convite meu. Foucault foi extraordinário. Eu fazia a intermediação, as pessoas faziam as perguntas, eu traduzia. Eu tinha um terreno na praia do Maraú, perto de Belém. Pois bem, levamos Foucault até lá. Não tinha nem a casa, ainda era só o terreno. Ele amou. Era um brilhante nadador. Um atleta. Disse que era a primeira vez que o levavam a uma praia assim no Brasil. Ele nadou muito lá. Depois, fomos em um bar muito vagabundinho, tomamos banho lá mesmo e almoçamos." Embora não seja citada a data, essa visita deve ter ocorrido em 1976. E existem preciosas fotos do filósofo francês... nadando em Mosqueiro!



Escrito por Fernando Jares às 12h16
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RECORDE EM ALUMÍNIO

8 MILHÕES DE TONELADAS DE ALUMÍNIO PARAENSE

A produção de alumínio no Pará acaba de alcançar um recorde muito expressivo: 8 milhões de toneladas de lingotes do metal, produção acumulada ao longo de 24 anos de operação da fábrica da Albras, em Barcarena, município próximo a Belém. A grande maioria desta produção é exportada para todo o mundo, gerando um volume extraordinário de divisas.

Para que se tenha ideia do que essa marca representa, é metal mais que suficiente para atender toda a demanda brasileira, por cerca de oito anos, segundo informou o diretor industrial da fábrica, Luis Jorge Nunes, no jornal interno da companhia. Como engenheiro ele gosta de números: foram consumidos “cerca de 16,5 milhões de toneladas de alumina e 31 milhões de toneladas de bauxita”, indicando as matérias-primas diretamente impactadas pelo processo de produção.

É importante lembrar que esse alumínio produzido na Albras é um produto inteiramente local, paraense, uma vez que utiliza como insumo a alumina da Alunorte, empresa vizinha no mesmo município. Por sua vez a alumina é obtida por meio do refino do minério bauxita, que tem duas origens, ambas neste Estado: Trombetas, em Oriximiná, no oeste paraense, e em Paragominas. O outro grande insumo utilizado na produção do alumínio é a energia elétrica, que tem como fornecedor a Eletronorte, via Hidrelétrica de Tucuruí – que foi construída graças à garantia de consumo das plantas industriais de alumínio da Albras, em Barcarena e da Alumar, em São Luís, Maranhão, viabilizando o empreendimento. Ambos os megaconsumidores contam com preços especiais, obtidos em leilões públicos de energia, justificados pelo grande volume de compra e, embora ninguém diga isto, pela garantia de pagamento do consumido...

Esse alumínio atende à pequena demanda local e é exportado pelo porto de Vila do Conde – porto de maior calado e movimento do Pará – para grandes consumidores de todo o planeta, como a indústria automobilística, de aviação, máquinas pesadas, utilidades de todos os tipos, cabos de transmissão de energia e até moedas.

Nos registro da conquista os dirigentes da empresa barcarenense enfatizam a participação da equipe no esforço para alcançar este resultado, como afirmou o diretor de controle, Takashi Nakamura, para quem foi fundamental “a dedicação de todos os empregados e também das empresas contratadas”, o que acontece desde o início da operação, em 1985, gente espalhada pela região, que circula pelas ruas de Belém, de Barcarena, Vila dos Cabanos, Abaetetuba e localidades vizinhas.

O comprometimento desse time com a organização pode ser aferido não apenas pela boa performance industrial, mas pelo reconhecimento nacional em diversos campos, com a conquista de prêmios nas áreas de ambiente de trabalho e gestão de pessoas, desenvolvimento tecnológico, preservação e controle ambiental, etc.

 

 



Escrito por Fernando Jares às 18h39
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NOSSA GASTRONOMIA EM SAMPA

A FORÇA DOS SABORES PARAENSES

 

Já contei aqui a história do restaurante “Emprestado”, de São Paulo, que negociou com alguns dos melhores restaurantes do Brasil o “empréstimo” de receitas famosas, adotando-as em seu cardápio. Assim, eles oferecem aos clientes paulistanos um turismo gastronômico de alto nível, sem precisar sair de São Paulo...

Os donos do restaurante andaram pelo Brasil até aqui, pelas ruas de Belém, e convidaram o “Lá em Casa” a ser um dos parceiros na novidade gastronômica. Acertaram tudo, inclusive o fornecimento dos ingredientes que não existem lá pelo Sul. Você pode ler essa história toda, clicando aqui.

Pois bem, a ideia está dando tão certo, que eles decidiram realizar a “Semana do Lá em Casa, de Belém”, até este sábado. Isso mesmo: não mais apenas pratos “emprestados”, mas o “Lá em Casa” ao vivo, com a cozinha sendo comandada por Daniela Martins, uma das filhas do consagrado chef paraense Paulo Martins, legítima herdeira do talento paterno. O banner promocional do evento é esse que você vê aí em cima. No cardápio tem o petisco “Biju Marajoara”, a entrada “Muçuã de Botequim”, os pratos principais “Pato no Tucupi”, “Maniçoba”, “Filhote Pai D’égua”, “Filé Marajoara” e na sobremesa, “Mundico e Zefinha”.

Este festival gastronômico, anunciado como “A força dos sabores paraenses”, ganha espaço na mídia paulista e nacional, confirmando o que escrevi na sexta-feira passada sobre o extraordinário momento de aceitação da gastronomia paraense, resultado direto da ação divulgadora que Paulo Martins empreendeu no país e no exterior, nos últimos anos. Hoje pela manhã a jovem Daniela Martins esteve no programa “Dia Dia”, na Band, comandado por Silvia PopPovic, e apresentou duas criações de Paulo: o “Muçuã de Botequim” e a sobremesa “Mundico e Zefinha”. Sexta-feira eu conto mais sobre esta semana. Olha a chef Daniela Martins em ação, ao vivo na Band, ao lado do apresentador Daniel Bork:

 

 



Escrito por Fernando Jares às 19h27
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OLHO D’ÁGUA DO CONHECIMENTO

O OLHO DO CONHECIMENTO À VISTA DO ARTISTA

 

Lá pelo começo deste semestre fui ao campus da UFPA, na verdade Cidade Universitária José da Silveira Neto, uma homenagem ao criador daquilo tudo, reitor no início de minha vida universitária, na segunda metade dos anos 1960. A grandiosidade dos prédios, do arruamento, tudo impressiona. Mas algo me chamou particularmente a atenção. Desci do carro, fui ver de perto, andei à volta e fotografei: era uma grande e belíssima escultura, ou uma instalação, de traços brancos, muito bem equilibrados, que emergia em meio a uma área verde e elevada. Extremamente agradável à vista. Atraente.

No local encontrei a placa com a explicação:

“Olho d’água – A Cidade Universitária, pela localização às margens do rio Guamá reflete a marcante confluência do manancial das águas, dos rios e das chuvas, intermediado pela floresta, no espaço amazônico. Esta é a referência simbólica que transparece no Olho d’água. A Universidade Federal do Pará é uma nascente, um OLHO D’ÁGUA, uma fonte de conhecimentos diversificados.”

Acácio Sobral – junho de 2009.

Depois descobri que, para o criador da obra, o artista plástico Acácio Sobral, era uma pintura em 3D, uma instalação feita especialmente para onde foi instalada. Confesso que adorei a definição de “pintura em 3D” era isso mesmo que tinha sentido ao ver a peça, sem ter percebido essa definição.

“Para mim, o que caracteriza a Universidade é a sua relação com os fluxos de água, com os rios, com a chuva e com a floresta. A escultura é sinuosa para representar os movimentos da água e ela se alonga e ramifica até o chão. No Centro, não temos água, mas uma árvore, porque a UFPA é uma nascente, uma nascente do conhecimento sempre crescente”, explicou o artista na oportunidade, segundo a Ascom - Assessoria de Comunicação da UFPA.

Guardei a foto para publicar em momento oportuno, sempre adiado. Publico-a em momento absolutamente inoportuno, no dia seguinte à morte de Acácio Sobral, um dos mais respeitados artistas plásticos dos que derramaram sua arte pelas ruas de Belém, cidade onde nasceu, há 66 anos. É a homenagem que posso fazer ao criador, confessando: sua criação cumpriu o objetivo da obra de arte, de sensibilizar, de emocionar, de provocar, de levar a uma atitude. Foi tudo que senti e fiz naquele dia na UFPA. Só faltou o último ato. Faço-o agora, penitente.

Conheça mais algumas obras de Acácio Sobral no belíssimo site do artista, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 21h36
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NAS ASAS DA PALAVRA

BENEDITO NUNES NAS ASAS DA CIDADE

O mais importante intelectual paraense, um dos maiores pensadores do Brasil, completou 80 anos no sábado passado, com um viço extraordinário. Benza-o Deus, como diziam os antigos. Nos últimos dias, ele vem sendo alvo de importantíssimas homenagens, de São Paulo a Belém. Leia aqui e aqui posts sobre essas homenagens.

Hoje começa o que poderia ser chamado de “Semana Benedito Nunes”, uma oportunidade extraordinária e rara, pelas ruas de Belém, para desenvolvermos maior contato com a obra do grande mestre do pensamento.

A partir de quarta-feira acontece o congresso “Benedito Nunes: pensador brasileiro”, promovido pela Unama, onde, além de cursos e palestras sobre a obra de BN, teremos o lançamento de três obras, o livro “Pensamento poético”, em homenagem a Benedito Nunes; um livro do próprio homenageado, “O dorso do Tigre”, e a edição 25 da revista Asas da Palavra, da Unama, a principal publicação acadêmica da cidade. Leia aqui post anterior com o programa do congresso. Ou no Guiart. E tem mais, no sábado e no domingo, no CCFC – Centro de Cultura e Formação Cristã, Benedito fala sobre filosofia, romance e drama, em Sartre, Camus, Machado de Assis, etc.

REFLEXÃO – Não percebi, até o momento, qualquer ação das autoridades ligadas, no Estado e no município, para destacar este momento, para reconhecer a importância de um pensador de tão alto quilate, um tesouro paraense, ao menos fazendo coro ao que acontece em outros pontos do país. É oportunidade para valorizar, entre nós, entre a juventude, nas escolas, um grande valor paraense. É interessante observar, ao ler artigos sobre o professor Benedito Nunes, que muitos autores destacam o fato de, a partir de sua cidade amazônica, BN distribuir conhecimento e brilhar entre as maiores estrelas do pensamento. Mas sempre aqui, fiel a sua terra. Vamos torcer para que venha por aí o que ele bem merece, além do que já está sendo feito por entidades acadêmicas.


ASAS DA PALAVRA - Em setembro apresentei neste blog, em primeira mão, a pauta da revista, e agora publico o sumário, com a introdução de mais alguns trabalhos e o registro da concessão a BN do título doutor Honoris Causa, por esta universidade. Com o título “Benedito Nunes, pensador brasileiro”, a revista tem a organização de Victor Sales Pinheiro e Maria Célia Jacob.

O lançamento será na quinta-feira, 26/11, às 18h, na Galeria de Arte Graça Landeira, no campus Alcindo Cacela, da Unama. Veja o Sumário da revista:

I – APRESENTAÇÃO

II - INTRODUÇÃO (Victor Sales Pinheiro)
A formação de Benedito Nunes; Bibliografia de Benedito Nunes; Nota Biográfica de Benedito Nunes

III – CONVERSAS COM BENEDITO NUNES
O roteiro dos livros de um sábio paraense - entrevista concedida ao jornalista Lucio Flávio Pinto
 Encontro com Benedito Nunes - entrevista concedida ao filósofo Edson Coelho
 A filosofia nossa de cada dia – entrevista concedida à revista Mão Livre
 A outra vereda – entrevista concedida à professora Rosa Assis

IV – CRÔNICAS SOBRE BENEDITO NUNES
Uma posição singular (Maria Anunciada Chaves)
Benedito Nunes , o professor (José Maria Bassalo)
Benedito Nunes e o cinema (Pedro Veriano)
Benedito Nunes: sedutor convite ao banquete filosófico (Ângela Maroja)
A travessa da Estrela e o metonímia Be(n)edito (Paulo Nunes)
A presença de Benedito Nunes no ciberespaço (Stella Pessoa)
Multímodo, profuso, inquieto Benedito Nunes (Amarílis Tupiassú)
Benedito Nunes: a inteligência presente (Nelly Cecília Paiva Barreto da Rocha)

V – ESTUDOS SOBRE A OBRA DE BENEDITO NUNES
Reflexões acerca da crítica de Benedito Nunes (Jucimara Tarricone)
O Filósofo e o Poeta (Lilia Chaves)
Contribuição de Benedito Nunes à bibliografia rosiana (Sílvio Holanda, Aldo José Barbosa, Loíde Leão dos Santos,Marcellus da Silva Vital,Johann Raphael Gomes Guimarães)
O universalismo de Benedito Nunes (Victor Sales Pinheiro)
Da floresta Negra ao Verdevagomundo – o pensamento de Heidegger em Benedito Nunes (Gunter Karl Pressler)

VI- ENSAIOS EM HOMENAGEM A BENEDITO NUNES
João Guimaraes Rosa - um mestre que ensina a dialogar com o povo (Willi Bolle e Maira Dalalio)
O encoberto que vem no desejo (Alcir Pécora)
Paixão e ciúme: uma abordagem “problemática e aproximativa” de um poema de Safo (Adélia Bezerra de Meneses)
Drummond e o livro inútil (João Adolfo Hansen)
Ode Marítima (Audemaro Taranto Goulart)
Nietzsche, Freud e Marx:  Ricouer, Foucault e a questão da hermenêutica (Ernani Chaves)
Para que Fenomenologia "da" Educação e "na" Pesquisa Educacional? (Aniceto Cirino da Silva Filho)

VII – HOMENAGENS POÉTICAS A BENEDITO NUNES
H’era (Max Martins)
Canção (Age de Carvalho)
Para Bené (Dina Oliveira)
Para e pelo Ser (Lilia Chaves)
Isso, o Aquilo (Vicente Cecim)
A natureza ri da cultura (Milton Hatoum)
Réquiem profano e glorioso para Carlos Drummond de Andrade (Pedro de Assis)

VIII- ESCRITOS DE BENEDITO NUNES
Meu caminho na crítica
Quase um plano de aula
A Filosofia e o Milênio 
Universidade e Regionalismo
Um conceito de cultura

IX – BENEDITO NUNES E O TÍTULO DE DOUTOR HONORIS CAUSA
Como saudação (Amarílis Tupiassú)
Como agradecimento (Benedito Nunes)

X - CADERNO ICONOGRÁFICO
Fotos de Luiz Braga, Elza Lima, Rosário Lima, David Jackson e do acervo pessoal de Maria Sylvia Nunes, João Guilherme Vianna, Lília Chaves, Rosa Assis, Dina Oliveira, Stella Pessôa.

Foto da capa: Luiz Braga
Projeto gráfico: José Fernandes            



Escrito por Fernando Jares às 20h06
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GASTRONOMIA COMO FONTE DE CRIATIVIDADE

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

 

“O produto gastronômico do Pará, o produto da Amazônia, é muito valorizado. É uma fonte de criatividade e de qualidade.”

Claude Troisgros, ao jornalista Ismaelino Pinto, no programa “Ponto de Encontro”, na NTV, canal23 (ORM)

 


O pato no precioso tucupi, em foto caprichada de Luiz Braga, no site da Paratur.

A declaração aí de cima, de um dos mais conceituados – e populares – chefes de cozinha do Brasil – embora nascido na França e integrante de uma das mais bem conceituadas famílias de chefs da Europa – bem representa o que o produto gastronômico pode render ao Pará e aos paraenses – caso tenhamos competência no aproveitamento dessa riqueza.

Disse mais Troisgros nessa entrevista: “A França vive um novo momento, que valoriza os ingredientes brasileiros e, principalmente, da Amazônia. Muitos chefs franceses, espanhóis, enfim, europeus, que vieram ao Brasil, fizeram questão de passar no Belém do Pará e conhecer tudo que a gente tem.” Foi nesse contexto que ele afirmou a frase que destaquei lá em cima: “E no Brasil, para os chefs, hoje em dia, quer sejam franco-brasileiros, como eu, ou brasileiríssimos, o produto do Pará, o produto da Amazônia, é muito valorizado. É uma fonte de criatividade e de qualidade.”

À pergunta, muito apropriada, sobre qual é a piece de resistence da gastronomia paraense, respondeu: “Tem muitas, mas o que marca a culinária, o produto da culinária do Pará, e que a gente está atrás desse produto, é a mandioca, que tem várias formas, nas farinhas, a tapioca, as gomas e tem o tucupi!” Para referir em seguida que, no jantar do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense Especial” em homenagem ao chef paraense Paulo Martins, realizado este ano em Belém, os quatro pratos feitos pelos chefs convidados, “do Alex (Atala) ao Cezar Santos, ao Dânio Braga e o meu prato, todos tinham tucupi.”

Exatamente essa mesma certeza teve o jornalista Thiago Ney, da Folha de São Paulo, que recentemente andou pelas ruas de Belém. Na semana passada ele escreveu assim sobre o tucupi na FSP: “esse caldo de origem indígena, derivado da mandioca, é uma das peças de resistência da culinária paraense, que, até que enfim!, está recebendo a devida reverência nas cozinhas do Sudeste.” E mata a charada da dificuldade: “Se diversas regiões do Brasil já exportam seus alimentos e pratos para o restante do país (Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul etc.), a culinária do Pará não foi adotada em outros lugares pela dificuldade em transportar ingredientes como jambu”. Thiago ouviu Tânia Martins, do restaurante “Lá em Casa” e Mara Salles, do “Tordesilhas”, de São Paulo, que reafirma a importância de nossa culinária: "É a mais particular, a mais genuína cozinha do Brasil, porque foi a que ficou mais preservada, até pela dificuldade de acesso à Amazônia”, disse Mara. Para ler a matéria completa, clique aqui – mas é preciso ser assinante UOL ou Folha, para ter acesso.

Outro bom espaço na mídia ganhou a gastronomia paraense no Sul: no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, sob o título “Sabores da cultura indígena” a jornalista Juliana Vines escreveu: “Há quem diga que a culinária amazônica é a verdadeira cozinha brasileira. Se muitos pratos nordestinos surgiram do contato com a cultura africana e o Sul do país foi influenciado pela imigração europeia, na Amazônia é a tradição indígena que dá nomes a receitas, ingredientes e formas de preparo”. Ela até descobriu um chef paraense lá, Paulino da Costa, do restaurante “Dop Cuccina”, especializado em gastronomia italiana, que deu dicas preciosas. Ela ouviu também Joanna Martins, do “Lá em Casa”. Para ler esta matéria, clique aqui.

REFLEXÃO – A verdade é que o barco está aí, passando em águas tranquilas, mas parece que nenhuma liderança, pública ou oficial, cuida para aproveitar a viagem e divulgar convenientemente o produto turístico paraense e fazer bons negócios com o regatão. A Paratur, a quem cabe o papel de liderar o segmento, orientando a política turística do Estado, pelo que leio nos jornais, está implodindo, presidente renunciante, sem verbas, resultado da miopia dos dirigentes estaduais, que não conseguem ver o turismo como fonte privilegiada de recursos e distribuição de renda. Infelizmente, nos últimos anos, têm sido nomeados para o órgão políticos derrotados em eleições populares...



Escrito por Fernando Jares às 18h47
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FLASH MOB EM BELÉM

BEAT IT NO TÚNEL DAS MANGUEIRAS

O som do Michael Jackson de repente baixou (sem segunda conotação) sob o túnel das mangueiras da Praça da República, domingo passado, e agitou aquele mundão de gente que passeia pelo feirão. Uma turma esperta tocada por Beat it foi aparecendo, não se sabe de onde e dançando, no melhor flash mob. E, de repente, sumindo entre a multidão que circula pelas ruas de Belém. Quem estava por lá parece que curtiu, aplaudiu, fotografou.

Esse tipo de performance rapidinha, em lugar com muita gente, é uma intervenção urbana da dança muito legal e vem se espalhando pelo mundo. Foi bonita essa de Belém e você pode ver no YouTube, clicando aqui. Antes, teve um outro flash mob para homenagear a Madonna, em frente ao Theatro da Paz (veja aqui), mas este de domingo parece que foi mais natural, digamos assim. Veja outros no YouTube, por exemplo, em Hong Kong, que tem mais fotógrafo do que dançarinos – o que é natural, pois parece que por aquelas bandas adoram fotografar tudo...

Pra turma do flash mob de Belém, fica a ideia de produzir em cima da criação musical regional, saindo para algo efetivamente novo. Não foi “apoteótica” a apresentação do Pinduca no Festival Se Rasgum? Não está uma delícia a Fernanda Takai cantando Sinhá Pureza, por sinal pela primeira vez cantada em Belém nesse festival? Sempre é possível a recriação. Aliás, veja essa festa toda, no Bitácora do Pedrox, clicando aqui.

Ainda para o pessoal do flash mob: tem uns tecnobregas com coreografias que podem agitar bem na rua. Não será?

 



Escrito por Fernando Jares às 19h02
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UM NOVEMBRO BENEDITIANO

UM MÊS DEDICADO AO SABER

Auditório lotado com gente em pé, uma longa e demorada fila para cumprimentar o autor e receber um autógrafo. Não, não era um artista global lançando alguma autobiografia precoce... Esse foi o cenário, na noite desta quarta-feira, no CCBEU – Centro Cultural Brasil-Estados Unidos, para o lançamento do livro “A Clave do Poético”, do professor, filósofo e crítico literário Benedito Nunes. Isso mesmo, um livro que trata de literatura e filosofia mobilizando centenas de pessoas. Gente jovem e gente nem mais tanto, em um arco que ia, ao que observei, dos 15 aos mais de 80 anos. Gente pensante pelas ruas de Belém. Entusiasmante.

Os mais de 40 minutos na fila foram recompensados pela oportunidade de cumprimentar um dos maiores pensadores brasileiros, sem dúvida o maior intelectual paraense, e ter um livro com seu autógrafo. Cumprimentos com gosto de “parabéns pra você” antecipados: Benedito Nunes completa 80 anos neste sábado, dia 21/11.

No encontro, Victor Sales Pinheiro, organizador do livro, fez a apresentação “Benedito Nunes, filósofo da literatura”, quando destacou a publicação e o trabalho de BN, “um filósofo da literatura, muito mais do que um crítico literário”, como destacou. E o próprio Benedito nos falou sobre “A poesia confluente de T. S. Eliot”, uma condensação de um denso artigo que faz parte do livro – denso, mas de agradável assimilação, característica do autor, que fascina pela erudição. Durante a palestra fiquei em posição privilegiada, ao lado do publicitário e escritor Pedro Galvão de Lima e logo próximo ao José Otávio Pinto, crítico e grande conhecedor de cinema e um dos mais competentes especialistas e revisores em língua portuguesa que conheço, lógico, logo depois da Bruna, minha filha (nepotismo explícito na blogosfera...he, he, he).

Este lançamento faz parte da maratona de homenagens ao grande professor, iniciada pela concessão do título de doutor “Honoris Causa” pela Unama, que teve semana passada seu desdobramento em São Paulo, na Unicamp e na USP – onde aconteceu o lançamento nacional do livro, editado pela Companhia das Letras. Leia o que publiquei, clicando aqui.

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Duas belas fotos de Antonio Scarpinetti, da Unicamp.

Nesta quinta-feira a maratona prossegue, com o minicurso “Benedito Nunes: Olhares sobre o poético”, na UFPA, Instituto de Letras e Comunicação, auditório Francisco Paulo Mendes. Das 8h30 às 12h e das 14 às 16h45. Em seguida, a partir das 17h, prosa, poesia, pintura, música e textos do mestre em um Sarau Literário – é bom ir, porque eles fazem isso muito bem por lá.

E na semana que vem, mais cinco dias do melhor de e sobre Benedito Nunes, em uma programação imperdível.

Na quarta-feira começa o congresso “Benedito Nunes, pensador brasileiro”, realizado pela Unama em parceria com o CCFC. Um magnífico conjunto de apresentações de grandes nomes da intelectualidade local e nacional, de 25 a 27/11, das 15h às 18h15 (cursos); 19h às 21h45 (palestras e lançamentos). No Auditório David Mufarrej. Entrada franca. Leia sobre a programação, clicando aqui.

E logo em seguida, no sábado e domingo, 28 e 29/11, acontece o curso “Filosofia com Benedito Nunes – Romance, drama e filosofia” relacionando o romance, o drama e a filosofia, estabelecendo uma conexão entre a Literatura e a Filosofia. Para tanto, utilizará como eixo central de sua análise reflexiva as obras Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Merleau-Ponty e Machado de Assis. Será das 8h30 às 12h30, no CCFC, Centro de Cultura e Formação Cristã, da Arquidiocese de Belém, na BR 316, km 6, Ananindeua/PA. Entrada franca.

Diante de tudo isso, com licença dos publicitários, aproveitando um mote incomparavelmente menos criativo do que o mestre do pensamento nos oferece, diria que “neste mês, Benedito Nunes faz aniversário, mas quem ganha os presentes somos nós!”



Escrito por Fernando Jares às 01h50
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DIA DE SHOPPING NOVO

O SHOPPING DOS 128 MUNICÍPIOS

16 anos após a inauguração, quase simultânea de dois grandes shoppings, Belém vê nascer o terceiro empreendimento deste tipo, construído em área central da cidade, o Boulevard Shopping Belém.

O Iguatemi, hoje Pátio Belém, foi inaugurado em 27 de outubro de 1993 e o Castanheira, logo em seguida, em novembro. Revolucionaram o comércio e o trânsito, até hoje complicado na frente de ambos.

O novo Boulevard, como é lógico, parte de novos conceitos muito mais modernos de arquitetura, planejamento e comercialização, incorporando o que há de mais novo nesses campos, resultando naquilo que os empreendedores afirmam ser o mais moderno do Brasil.

Um empreendimento de tal porte, com 2 mil vagas de estacionamento e 250 lojas, cinemas, etc., deve atrair diariamente dezenas de milhares de carros e de pessoas, que usarão como acesso ruas muito estreitas e já anteriormente congestionadas. O problema é de quem tiver de andar por lá, causado pelas autoridades municipais que aprovaram o projeto para esse local e com acesso de por essas artérias. Mas eles devem ser especialistas e não deverá haver nenhum problema. O empreendedor já investiu muito em infra-estrutura externa, ao que anuncia, R$ 1,7 milhão, em lugar da Prefeitura (que deveria realizar as obras necessárias e cobrar do beneficiado, conforme a legislação permite).

A campanha publicitária de lançamento, pelo que já vi, está bonita e não seria para menos: contrataram uma grande agência local, a Mendes Comunicação, com competência e linguagem e visão do mercado paraense, ao contrário de outras empresas de outros Estados, que trazem as campanhas prontas e cometem gafes antológicas... A contratação de Caroline Ribeiro, a modelo paraense padrão beleza-mundial, reforçou essa cor local de sucesso e a associação das imagens do novo shopping com a o Ver-o-Peso integra a modernidade com o tradicional, o histórico da cidade.

O que, surpreendentemente, está totalmente desatualizado é o site, http://www.boulevardbelem.com.br, ainda voltado para os investidores, com um pop up no meio da tela sobre a “feijoada da reta final”, musiquinha chinfrim de entrada em loop, quando podia ser algo regional e, pelo menos até às 16h de hoje, nada da inauguração. É interessante alguém da agência dar uma olhada, pois isto compromete o esforço de comunicação, de construção de imagem corporativa e causa frustração nos clientes que procuram informações sobre o novo estabelecimento. E muita gente usa a internet para isso. Aliás, tem uma informação na home, que não entendi, pois agrediu meus conceitos de espaço geográfico: “São mais de 128 municípios e 2,1 milhões de habitantes em todo o entorno da cidade.” Diz o iDicionário Aulete (agora disponível no UOL, com a nova ortografia) que entorno é “O que está ao redor de uma casa, de um lugar, de uma população etc.: a adjacência, a circunvizinhança.” E adjacente, o que está “junto, próximo, contíguo”. Existem 128 municípios próximos, adjacentes, contíguos a Belém? E em 128 municípios paraenses vivem apenas 2,1 milhões de habitantes? Afinal, em 143 municípios, somos 7 milhões de pessoas... No entorno (real) de Belém podem ser os 2,1 milhões. Êta salada geográfica.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h02
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ÁRVOREMÓVEL

ÁRVORES PASSEANDO PELA CIDADE

Assim como o Papa tem o seu papamóvel, que vem a ser um veículo apropriado para seus deslocamentos em segurança, cá em Belém podemos dizer que temos um árvoremóvel (ops, dois acentos? Talvez seja melhor florestamóvel) – nada mais natural, em se tratando de uma grande cidade periférica da maior floresta tropical do globo. Um veículo dedicado ao deslocamento de pedaços da floresta, não com as seguranças do papamóvel, pelo visto. Encontrei-o no fim de semana circulando pelas ruas de Belém, levando uma beleza de contribuição para alguma decoração (natalina?) ou algum novo jardim. Caso você tenha interesse em comprar umas arvorezinhas assim, aproveitei e anotei o nome, que estava impresso na porta do florestamóvel: Yamanaka. Pelo Google fui bater em no endereço que você pode acessar, clicando aqui. Não sei se é barato ou caro, se é bom ou não, pois só tive esse rápido encontro virtual e fotográfico:

 

Deixei de propósito a velha kombi na foto. Este veículo é o mais antigo em fabricação no Brasil, e essa aí deve ser um tanto velhinha – mas o pior é que está muito maltratada. E circula, sem problema. Quem sabe, até faz transporte coletivo! Quando teremos autoridade de trânsito para coibir esses abusos. Já vi kombis piores carregando (e não transportando...) pessoas. Depois, o governo gasta nosso dinheirinho em campanhas para diminuir acidentes. O que precisa, primeiro, é aumentar é a autoridade no trânsito.



Escrito por Fernando Jares às 16h36
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A BELA PRAÇA DA REPÚBLICA

O ACORDAR DO ARTISTA DIANTE DA BELEZA

Maurício de Sousa não é apenas o genial criador da Turma da Mônica, que participa do sonho de crianças de todo o mundo e contribui para a formação de milhões de cidadãos, brasileiros e de outros países, de diversas gerações. Ele também é um excelente fotógrafo. Por onde anda, tudo registra e partilha com os amigos que, só de seguidores no Twitter, são 68.800!

Ontem ele esteve aqui no blog com as frases gastronômicas da semana (veja no post imediatamente abaixo). Hoje ele volta por bons motivos: porque, com sua arte fotográfica, mostra um cantinho das belezas que vemos pelas ruas de Belém; embelezar o blog com duas lindas fotos; porque ajuda a divulgar Belém por esse mundo de Deus.

Bem-vindo o artista que acompanho desde tantos anos e que continua me fazendo sentir criança diante de cada aventura da Turma. Aqui vão as duas fotos e os links para o arquivo do Twitter.

A primeira, da praça da República, de madrugada, ele já se preparando para a maratona da Feira do Livro:

 

A segunda, já pela manhã. Vejam quantos comentários nos links de cada foto, declarações de amor a Belém. Linda cidade que amamos.




Escrito por Fernando Jares às 10h54
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ARTE, HISTÓRIA E GASTRONOMIA

FRASES GASTRONÔMICAS DA SEMANA

“Amanhã vou para a Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém do Pará. Cidade linda, de gente amiga e comida boa. Vou curtir muito.”
Maurício de Sousa, em mensagem no Twitter, final da noite de ontem, 12/11.
“Com todo o prazer. E com pato no tucupi nos intervalos das sessões de autógrafos, mais um guaraná Garoto, para reenergizar.”
Maurício de Sousa, em 03/11, confirmando que viria a Belém, via Twitter, para Bruna Guerreiro.

 PARA COMER COM OS OLHOS E COM A BOCA

Um restaurante onde você fica entre admirar o belo ambiente, que resgata um pouco da memória da cidade, tão alienada pelas ruas de Belém, e deliciar-se com os pratos oferecidos. Um restaurante onde você come com a boca... e com os olhos. É o “Doca Reduto”, aberto no início deste ano, na esquina da Doca de Souza Franco com a 28 de setembro, bairro do Reduto.

Estive lá no último fim de semana: casa cheia, encontrei o jornalista Carlos Mendes e a equipe da Rádio Tabajara, o jornalista e publicitário Orly Bezerra, dono da casa, o arquiteto Paulo Chaves, responsável por toda a beleza plástica do “Doca Reduto”. No post abaixo, o que ele diz da casa.

Vamos à incursão gastronômica.

Começamos com pastéis variados de carne, bacalhau, camarão e queijo provolone, saborosos, principalmente para quem estava brocado, após andanças pela Feira do Livro (por sinal, criação do Paulo Chaves, que também criou o Hangar, onde a Feira acontece: PQÑ ele para prefeito?). O bom destes pastéis variados é a surpresa: qual eu peguei? Troca comigo, pois eu prefiro esse outro... Dose de oito unidades de bom tamanho, R$ 16,00.

Emerson e eu fomos à cerveja. Deixei de lado meu cerpismo e aventurei-me – no bom sentido – com a uruguaia Patrícia, um garrafão de 910ml, geladíssima, baixa fermentação, gostosa.

O cardápio oferece alternativas como os Pratos da Memória, “receitas do passado que vão ficar na sua lembrança”, do Omelete de Camarão do Mosqueiro à Roupa Velha da Mamãe, passando Língua à Pixito, Arroz de Pato à Beto Grill, Silveirinha de Camarão (lembrei-me de d. Anna Maria Martins, mestra em fazer esta silveirinha, no seu “Lá em Casa”), o velho e heróico Filé a cavalo, etc.

A Bruna ficou neste capítulo e pediu Picadinho Caseiro, carne moída temperada, banana frita, farofa de ovo e batatinhas noisettes. Conjunto bonito, você vê na foto abaixo. Tempero acertado, apenas o picadinho estava um pouco seco. R$ 24,00.


De minha parte, obedeci recomendação médica e preferi um salmão, comida saudável, disse-me a doutora. É um dos Pratos do Reduto, criações da casa: o Salmão Crocante, grelhado em crosta de castanha-do-pará e acompanhado de risoto de manga (na foto abaixo). R$ 38,00. Gosto muito destas crostas e a de castanha combinou bem. Apenas o salmão estava um pouco mais seco do que devia – merecia um molhinho (como do pirarucu fresco, assado, que comi hoje em casa, com molho de manteiga e alcaparras, feito pela Nazaré, mas receita do amigo Almério, lá de Barcarena). O risoto estava ótimo. Nesta seção há também um “Filhote Pai D’égua” que, embora repita o nome do prato da Boa Lembrança criado por Paulo Martins para o “Lá Em Casa”, no final dos anos 1990, tem receita diferente, mais próxima do conhecido Filhote no Tucupi.

 

Rita e Emerson pediram Picanhas Maturadas, bela fatia de picanha, grelhada no ponto e saborosa, R$ 28,00. Para acompanhamento, Rita pediu Arroz de Brócolis (R$ 4,00) e o Emerson, Purê de Macaxeira (R$ 4,00).

Um almoço satisfatório e agradável. Lembrei-me do Juvêncio Arruda, o criador do blog Quinta Emenda, muito prematuramente falecido em julho que, quando visitou o recém-inaugurado “Doca Reduto”, em maio, informou: “Fui de filé a cavalo, delicioso” um belo elogio para seu estilo, muitíssimo mais voltado à política.



Escrito por Fernando Jares às 19h21
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AMIZADE, ALEGRIA E PRAZER

O CRIADOR APRESENTA SUA CRIAÇÃO

Senti-me bem no restaurante “Doca Reduto” – e refiro-me além gastronomia. O prédio, quantas centenas de vezes o vi: no passado, ainda como “Tabacaria Democrata” – o vovô era amigo, e fora concorrente, do pessoal de lá, afinal fora o dono da “Tabacaria Tigre”, na Independência (hoje Magalhães Barata). Acho que lá pelos anos 1930, bem antes de eu nascer... Mais recentemente, farmácias, comprando, comprando, afinal, morei no bairro mais de dez anos.

Passeei pelo salão. Tem uma cristaleira, com utensílios antigos como xícaras (seriam chávenas?) até do Grande Hotel. Tem um quadro-display sobre marcas originais que sobrevivem aos tempos (As coisas boas não mudam), muito adequado ao prédio restaurado, como Maisena, requeijão Catupiry, manteiga Aviação, sabonete Odor de Rosas, da Phebo, palitos Gina, fósforos Fiat Lux, Bom Bril e a cerveja Original, patrocinadora da peça. Veja foto abaixo, by Emerson. Tem a reprodução de páginas de jornais que circulavam pelas ruas de Belém nos inícios do prédio, que fazem o frontal do balcão.


Agora leia aqui o que o arquiteto Paulo Chaves Fernandes escreveu na “orelha” do cardápio do “Doca Reduto”:

O PALADAR DA MEMÓRIA

Quase no ocaso do século XIX, no correr de 1899, S. Araújo & Cia abriam a matriz da Tabacaria Democrata. Situada na esquina da Avenida São João, depois 1° de Maio e atualmente Senador Lemos, com o Igarapé das Armas, ou Almas, como preferirem.

Belém vivia o esplendor do látex, e as tabacarias, tal como na Europa fin de siècle, inspiradora de hábitos e costumes locais, eram estabelecimentos de obrigatória presença.

O Reducto, onde se localizava o endereço, e assim denominado em função do antigo reduto militar de proteção da cidade, era, e apesar dos pesares ainda é, um bairro de forte identidade na prestação de serviços e pequeno comércio, incluindo a sua Doca, hoje aterrada, que mantinha intensa movimentação portuária de vigilengas, canoas e barcos de pequeno porte.

O tempo e os seus insondáveis desígnios foram transformando o bairro e com ele novos usos para o prédio da Tabacaria, tais como, Taberna Veneza e, sucessivamente, as farmácias Doca de Souza Franco, Democrata e Extra Farma.

Ao abrir o Doca Reduto, 110 anos depois e no mesmo local, presta-se uma homenagem ao bairro e sua história. Além da restauração do térreo do edifício, abrindo-se os antigos vãos de porta, instalamos, no seu interior, um pequeno memorial do Reducto e, por extensão, da cidade abrangente, incluindo alguns dos seus tradicionais sabores caseiros.

Assim, com alguma nostalgia, inevitável e denunciador lamento da desmemória em marcha, mas, acima de tudo, com o objetivo de servir de estímulo a outras iniciativas do gênero, a Casa espera ser, tal como outrora a Tabacaria, um novo ponto de encontro da amizade, da alegria e do prazer em Belém.

Agora, além da alma, tratemos de forrar o corpo que ninguém é de ferro. Tenhamos todos, entre beberagens e petiscos de fino trato, um bom apetite.

Paulo Chaves Fernandes



Escrito por Fernando Jares às 19h21
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NA FLOR DOS 80 ANOS

RECONHECIMENTO NACIONAL AO PENSADOR

O mais importante intelectual paraense vive dias de reconhecimento, no mês em que completa 80 anos (é no dia 21, que devia ser o Dia da Cultura Paraense). “É embaraçoso. Não posso deixar de me sentir um pouco póstumo, que morri e estão falando de mim; ao menos, que falem bem”, brincou ele, em São Paulo, onde está. Ontem ele foi a estrela maior do congresso em sua homenagem, “Benedito Nunes, o diálogo entre literatura e filosofia”, na Unicamp, onde fez a conferência magna “Meu caminho na crítica”. Você pode ler sobre este evento, clicando aqui. Aliás, um texto muito agradável e rico, assinado pelo jornalista Luiz Sugimoto, do Jornal da Unicamp, que explora muito bem a verve e o bom humor de Benedito Nunes, no frescor dos seus 80 anos.

Sinto o maior orgulho em escrever um post como est! Olhe só: hoje o mestre esteve na USP, para pronunciar, no final da tarde, a conferência “Volta ao mito na ficção brasileira” na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. E em seguida autografar o livro “A clave do poético”, editado pela Companhia das Letras!

Agora em outubro ele recebeu uma honraria muito importante: o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade da Amazônia.

O filósofo paraense é o tema da próxima edição da revista “Asas da Palavra”, da Unama, sem dúvida a principal publicação acadêmica sobre literatura no Pará, cujos números mais recentes foram dedicados a Antonio Vieira, Machado de Assis e Guimarães Rosa. Esta edição terá a organização de Maria Célia Jacob e Victor Sales Pinheiro. Sobre esta edição de “Asas da Palavra”, leia mais clicando aqui.

E muito mais: agora, nos dias 25 a 27 de novembro, a Unama, em parceria com o Centro de Cultura e Formação Cristã, da Arquidiocese de Belém, realiza o congresso “Benedito Nunes, pensador brasileiro”, que terá cursos; palestras e lançamentos de livros e da revista “Asas da Palavra”. Leia sobre este evento e sua programação, clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h33
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UM APAGÃO PARAENSE, EM 1991

FALTOU ENERGIA, SOBROU SINERGIA!

O mega-apagão nacional desta noite provocou muitas reações, sensações e lembranças. Desde muitas piadas a análises valiosas. As lembranças foram provocadas pelo jornalista Tito Barata, no Twitter, hoje à tarde: “Lembram do Apagão em Belém nos anos 90? Hotéis e botecos lotaram, mesmo com a cerveja quente.”

Lembrei, não exatamente disso, porque eu não estava aqui, no caos que se instalou pelas ruas de Belém, durante 12 horas, no dia 8 de março de 1991, das 12h21 às 23h50. Um apagão regional.

Eu estava do outro lado do rio, em Barcarena, na Albras, onde trabalhava na Comunicação Empresarial. Vivi essas 12 horas de muita tensão e expectativa, de informações desencontradas sobre a volta da energia, sobre o motivo do desligamento – que numa primeira hora foi técnico e depois foi culpa de uma tempestade de raios ou coisa semelhante (parecido hoje, né?).

A grande angustia era porque, a cada hora sem energia, a sobrevivência da fábrica estaria comprometida. As equipes operacionais deram uma demonstração de grande competência e dedicação. Praticamente ninguém saiu de seus postos, ao final do turno, os do novo turno se engajaram e muitos, de folga, apresentaram-se espontaneamente para as tarefas de tentar garantir que os fornos de produção de alumínio, sem energia, conservassem o calor. O resfriamento total representaria o endurecimento do metal e a destruição dos fornos.

Engenheiros, técnicos, operadores, sabiam, em teoria, o que deviam fazer. Mas nunca alguém tinha vivido algo assim: foi o mais longo desligamento do mundo em uma indústria de alumínio!

Lembro que no dia seguinte chegavam a Barcarena operadores e técnicos de uma indústria norte-americana, que viveram uma situação semelhante, para dividir sua experiência na tarefa de recuperar a fábrica.

O esforço de mais de um milhar de pessoas foi bem sucedido. Conseguiram manter o mínimo de temperatura dentro da grande maioria dos fornos, o que possibilitou a recuperação deles. Um processo lento, complexo e altamente custoso. Foram milhões de dólares em prejuízo, já que a produção normal somente foi atingida em setembro! Seis meses depois. A perda não foi apenas das horas sem produção, mas da longa recuperação dos fornos.

A comunicação teve uma ação muito forte nesse momento. Na madrugada, assim que a energia voltou, circulava um boletim informativo, xerografado, distribuído aos trabalhadores, com as informações mais recentes e mensagens de confiança. Redigi o informativo ainda no blecaute, na única máquina de escrever que ainda sobrevivia, do Setor de Pessoal, usada para preencher formulários para recolhimento de taxas, etc. Já trabalhávamos em computadores, aqueles das letrinhas verdes... parece que eram os XT, socorre-me a Andrea Lima.

Passado o sufoco, dentro da campanha de comunicação interna que se seguiu, criamos um concurso de redação, aí por agosto/setembro, para os empregados, que contariam como viveram aqueles momentos. O resultado foi muito bom, especialmente o conteúdo.

Aí pelo final de outubro, escolhidos os melhores para serem premiados, tive uma “fuga de ideia” (copyright Raymundo Mário Sobral): editar um livro, com todos os trabalhos, para ser brinde de Natal aos empregados. Proposta aprovada pela diretoria, com elogios e um adendo: o livro deveria ser lançado em novembro, na grande festa para empregados e familiares, que marcava a pela recuperação da fábrica. Pânico! Os textos estavam nos originais, muitos manuscritos. Mensagem a Garcia, disse o meu gerente, o paraibano Eldemir Moreira de Oliveira. O desafio foi vencido e o livro circulou no dia certo (ficou pronto exatamente na véspera da festa, ufa!). Olha ele aqui:


O Superintendente Geral de Operação da Albras, Maurício José Schettino, afirmou na apresentação: “São trabalhos carregados de emoção, depoimentos de quem viveu um momento único. São textos que traduzem o pensamento, as preocupações, a decisão e a garra de quem aqui estava naquelas horas difíceis e nos dias que se seguiram”. Uma publicação que valorizou a equipe de trabalho, um grupo de heróis internos. Como disse Antonio Claré Lara Camargo, no fechamento de seu texto, premiado com o terceiro lugar: “Faltou energia, mas sobrou sinergia! Estamos vivos e vivos graças ao nosso próprio esforço!”.



Escrito por Fernando Jares às 20h17
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MAIS UM BOA LEMBRANÇA EM BELÉM

"REMANSO DO PEIXE" NA ASSOCIAÇÃO
DOS RESTAURANTES DA BOA LEMBRANÇA

Não podia ser diferente: o “Remanso do Peixe” é o novo Restaurante da Boa Lembrança pelas ruas de Belém. É o terceiro a entrar na confraria que reúne os melhores restaurantes de todo o Brasil. O anúncio foi feito no final da tarde de hoje, como resultado do congresso anual da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, quando novos associados são aprovados. Este ano o congresso foi em Belo Horizonte.

O primeiro restaurante paraense a integrar a associação foi o “Lá em Casa”, ainda no início, na fundação da entidade. Depois veio o “D. Giuseppe”. E agora emplacamos o terceiro. Isso é muito bom, porque divulga mais o Estado, credencia ainda mais a nossa gastronomia, já conhecida e respeitada nacionalmente.

Sobre o “Remanso do Peixe”, que logo terá seu “Prato da Boa Lembrança”, com direito a um prato em cerâmica que a pessoa leva como lembrança, já comentei aqui algumas vezes, inclusive o sucesso que faz o jovem chef paraense Thiago Castanho, que comanda a cozinha da casa, ao lado do pai e da mãe, que criaram o restaurante. Podem ler o resultado de um almoço por lá, clicando aqui e, depois, sobre os sucessos de Thiago por terras paulistanas, com textos pra lá de elogiosos, de jornalistas especializadíssimas em gastronomia, como Nina Horta e Neide Rigo, clicando aqui. E ainda a participação do jovem chef paraense no programa “Menu Confiança na Amazônia”, do canal GNT, comandado por Claude Troisgros, o grande chef franco-brasileiro, ao clicar aqui.



Escrito por Fernando Jares às 20h44
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DENER, UM PARAENSE

TRÊS DÉCADAS SEM O LUXO

Um dos maiores nomes da alta costura brasileira, da qual é absoluto pioneiro, na verdade sua primeira estrela, com fulgor internacional, o paraense Dener Pamplona de Abreu fez ontem 31 anos de morto. Nasceu em Belém, em 03/08/1936 e morreu de cirrose em São Paulo, em 09/11/1978. Como não lembro de ter visto registros por aqui no ano passado, aqui vai um memorial.

Descendente de família marajoara de Soure, pouco circulou pelas ruas de Belém: aos nove anos a família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a cultivar a sua arte, que explodiu mesmo em São Paulo, nos anos 1960/1970.

Foi figura controvertidíssima, motivo de elogios, paixões, deboche, elogios, críticas. Foi personalidade marcante no cenário nacional, especialmente quando aceitou participar do júri do “Programa Flávio Cavalcanti” (O Senhor dos Domingos, na época, segundo a Veja), onde popularizou sua expressão preferida para qualificar o que era bom: “é um luuuuuxo!”, dito com muita afetação. Lembro de um colega, também marajoara, com parte do sobrenome igual, que detestava quando a gente dizia que eram parentes... Dener foi capa de revistas, motivo de páginas inteiras de jornal, entrevistas em televisão. Seu primeiro casamento foi acontecimento de primeiríssima na mais alta sociedade brasileira, uma festa para a mídia – e a noiva, Maria Stella Splendore, lindíssima. Para saber mais sobre Dener, leia no UOL a respeito do relançamento de sua autobiografia, em 2007, clicando aqui ou no portal Universo da Mulher, clicando aqui.

Famoso, andou por cá algumas vezes. Em uma delas participou de um evento na Assembléia Paraense e aparece, na foto abaixo, ao lado do jornalista e colunista social Edwaldo Martins e da socialite Dayse Mendonça:

 

Como tradição por aqui, este é mais um paraense esquecido pela cidade. Não conheço nenhuma ação ou marco de sua existência, que preserve essa memória entre nós, que o vincule ao Pará, que reivindique a condição de terra natal do primeiro grande estilista brasileiro.

Veja um belo álbum de fotos de Dener no UOL, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h36
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O POETA HOMENAGEIA VEREQUETE

O CANTOR CANTADO POR ANTONIO JURACI SIQUEIRA

Hoje, sétimo dia da morte de Mestre Verequete, um dos maiores nomes dos cantares populares paraenses, aqui vai uma homenagem viva, que ele recebeu em vida, quando completou 85 anos, muito merecendente. O homenageante é um dos mais queridos poetas populares deste Estado que afortunadamente encontramos pelas ruas de Belém, Antonio Juraci Siqueira (foto abaixo), artista do povo, como Verequete. O poema faz parte do livro artesanal “Mensagens e Louvações”, que o poeta editou e vende na Feira do Livro.

 

Destino de Sabiá

(Aos 85 anos de vida de Verequete)

Hoje, na minha janela,
vi pousar um beija-flor
e então, tomado de encanto,
coração prenhe de amor,
fiz do verbo um ramalhete
para saudar Verequete,
rei-menino en/cantador

Verequete da Coluna,
Verequete do Pará,
desfolha teu canto ao vento
que o vento carregará.
Canta, meu negro menino,
e cumpre, assim, teu destino
que te irmana ao sabiá!

Vou escrever um bilhete
nas asas de um passarinho
para fazer-te um pedido
com respeito e com carinho:
- Canta, caboclo bonito,
que o povo, ouvindo o teu grito,
há de seguir teu caminho!

O teu canto tem mandinga,
tem ginga, tem catimbó;
é vigilenga bailando
nas águas do Marajó...
Teu peito quando se inflama
transforma-se em viva chama
que se chama Carimbo!

O teu rosto guarda traços
tribais de nossas avós;
o encanto e a forma da raça
renascem na tua voz!
Solta teu canto, meu mano,
E acorda o orgulho Cabano
Que dorme dentro de nós!


Encontrei o poeta Antonio Juraci Siqueira, paraense de Afuá, em plena ação de contador de histórias (geralmente em forma de poesia) e de brincadeiras para crianças no estande da Secretaria de Educação, na Feira do Livro, frente a uma turminha ligada nos seus contares e saberes, incluindo dobradura de lenço – que até eu gostei demais...



Escrito por Fernando Jares às 20h42
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QUAL A MELHOR TAPIOQUINHA?

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

 “O homem gosta de novas sensações, e eu adoro despertá-las”
Paulo Martins, chef paraense, para a revista IstoÉ Gente, dezembro/2006,
edição “Os Melhores de 2006”, onde foi o destaque em Gastronomia.

 TAPIOQUINHAS DESPERTAM SENSAÇÕES

Tapioquinha. Já viu coisa mais simples e gostosa? Basta aquela goma de bom fornecedor, peneirada (ou polvilho), sal no ponto, colocar a quantidade certa na frigideira, pontaria na virada, dar um banho de manteiga e pronto. Dizem que o comportamento do paninho com que limpam a frigideira, entre uma e outra, também é fundamental para nos despertar sensações.

Tem tapioquinha espalhada por esse brasilzão todo, com os nomes mais variados. Até aqui mesmo na Amazônia, em alguns lugares chamam de beiju, quando pra nós isso é outra coisa. Uma vez, encontrei um tapioqueiro de rua, em São Paulo, ali por perto da Rebouças, rua de muito movimento. Tinha uma banquinha e lá as preparava. Tinha com manteiga, com queijo, com leite moça, etc. O cidadão era moreno claro, baixo, uma cara bem amazônica. Não tive dúvida, parei e pedi uma de manteiga e fui logo puxando papo: “De que Estado você é?”, sapequei. A resposta não podia ser mais surpreendente: “Soy peruano!” E mais não disse, porque não era tipo de querer conversa. Já estava a atender outro cliente, mais paulistano, menos conversador.

Pelo que conheço, cada pessoa tem seu fornecedor preferido pelas ruas de Belém, que, jura, faz a melhor da cidade. Eu, por exemplo, tinha como a melhor uma ali na 14 de março, próximo à Magalhães Barata, na entrada de um estacionamento. Mas fechou. Hoje ando amesendado em uma na Antonio Barreto, em frente ao laboratório Amaral Costa. Fácil de entender: uma vez saí apitando de fome após um exame de sangue, só com aquele cafezinho e dois bolinhos que se ganha após a sangria, e fui direto lá. Gostei e fiquei freguês. Cada um tem sua melhor da cidade...

Mas, acho que quando se fala na melhor tapioquinha, de verdade mesmo, o pensamento pula para Mosqueiro. Como sabem fazer bem uma tapioquinha na Vila. Como no último final de semana andei por lá, não deixei de tomar um café da manhã na Tapiocaria da praça da Matriz, na foto abaixo.


Já disse aqui, em post anterior, que a minha preferência ali é pela barraca da Dalva e seu respectivo mingau, que peço metade de banana e metade de tapioca.

Nesta visita, demos um mergulho em uns anos passados. Arriscamos, Rita e eu, ir ao mercado municipal procurar os pastéis da d. Manuelita – uma senhora que vende frutas, mas que tinha sempre, sábado e domingo, uma cesta de pasteizinhos de farofa de camarão, dos quais muito fomos fregueses lá pelo final dos anos 70, início dos 80. Pois ela está lá, firme, com seus deliciosos pastéis! Fizemos a festa. Mingau, pastéis, tapioquinha, café.

Para completar, indo à Vila, não pode faltar um raspa-raspa. Aquele refresco vendido nos carrinhos, em que um suco mais forte (pelo menos deve ser...) está nos litros e é derramado sobre o gelo raspado, no copo. Ô coisa com gosto de meninice! Para representar a valorosa categoria dos produtores de raspa-raspa de Mosqueiro, que garantem a sobrevivência desta preciosa tradição, aqui está o raspa-raspa de seu Raimundo. E põe tradição nisso: ele trabalha com este mesmo carrinho, há mais de 50 anos, pelas ruas de Mosqueiro. Merece a foto e a homenagem:


Fecho a sexta gastronômica com um merchandising (voluntário!) familiar... Olha aí embaixo o “Point do Alemão”, que vem a ser um antigo trailler que evoluiu e hoje é um ponto de encontro movimentado no Ariramba, mais ali pras bandas do S. Francisco, sob a batuta de um primo. Cara de espanhol, legitimamente descendente, virou alemão na linguagem popular mosqueirense e assim o assumiu, virando marca. A fama da casa corre as praias, principalmente por conta de suas sopas variadas e muito procuradas. Foto feita cedinho, quando estava armando a tenda e toda hora alguém dava um bom dia, avisava que passava mais tarde, dava um alô...


 



Escrito por Fernando Jares às 18h33
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DESEJOS EMANCIPATIVOS EM MOSQUEIRO

ONDAS DE RIO DA AMAZÔNIA

 

Bonita camisa esta com que conheci o mosqueirense Oswaldo Spinelli,
pelas ruas de Mosqueiro, aliás, no “Point do Alemão".

O valoroso jornal “Folha de Mosqueiro” anuncia na sua edição de outubro que a vila está integrada ao grupo de 29 localidades paraenses que lutam por sua emancipação, naturalmente embaladas pelo fato de Mojuí das Cruzes ter conseguido este ano emancipar-se de Santarém e já estar preparando a eleição de vereadores, prefeito, vice, nomear funcionários, temporários, assistentes, etc. Mosqueiro quer deixar de ser Belém. Pelo menos algumas lideranças pensam e agem assim...

Andei pela vila “bucólica”, como a denominou o jornalista Ubiratan Aguiar (Pierre Beltrand), no fim de semana. Acho que entendi alguns motivos dos mosqueirenses andarem insatisfeitos com Belém. Tá mal cuidadinha a vila. E, neste quesito, eles levam uma vantagem sobre nós, viventes pelas ruas de Belém, também malcuidadas ultimamente: podem emancipar-se!

Mosqueiro continua um lugar maravilhoso para se estar. As más administrações, de resto e infelizmente, característica comum a muitas cidades brasileiras, não conseguem abalar o prazer daquelas praias de rio com ondas, a simpatia do seu povo, a comidinha gostosa que fazem por lá, com peixe fresquinho. Sou fiel amante da vila, desde muito tempo. Tive uma casinha por lá e, aos amigos salinenses sempre dizia que, enquanto eles ainda rodavam para chegar a Salinas, eu já tinha gelado minhas cervejas e já tomava a primeira...

Desta feita fiquei no Hotel Fazenda Paraíso, na praia do mesmo nome. Bem, hotel é, e muito bem instalado, mas não é fazenda. Tem lá um haras, com alguns cavalos. Mas não tem o conceito de hotel fazenda. O pessoal é atencioso e a cozinha é muito boa. Já tratei dela anteriormente neste blog: para ler, clique aqui. Por sinal há um outro post sobre Mosqueiro, que discute a situação psicológico-geográfica: “Mar ou rio?”, que você lê clicando aqui.

Sobre a tendência emancipante mosqueirense, veja só esta foto:


 Pois é, a prefeitura colocou por lá uma placas indicativas, novinhas, bem cuidadas, mas nem souberam grafar o nome de Carananduba de forma correta. Comeram um "a" e colocaram um “m” antes do “d”, o que é erro não apenas com a toponímia mosqueirense... E logo agora que Carananduba está crescendo tanto... Aliás, essa placa tem uma ilustração que eu não entendi. Tudo bem, que Mosqueiro é um distrito de Belém, mas sendo uma localidade de tantos atrativos, precisava ilustrar a placa de sinalização (turística?) com o mercado do Ver-o-Peso, de Belém? Sei não, mas acho que esse pode ser outro bom motivo para eles quererem tratar da própria administração.

 

 



Escrito por Fernando Jares às 19h01
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DALCÍDIO, BRUNO, MAX, AFRANCESADOS

AUTORES PARAENSES EM VERSÃO MUSICAL FRANCESA

Textos de Bruno de Menezes, de Dalcídio Jurandir e outros autores paraenses, musicados e apresentados por uma dupla de artistas franceses. É o que anuncia a dupla Frédéric Pagès (voz) e Xavier Desandre Navarre (percussão) em um show literário, bilíngue que, prometem, será atração na XIII Feira do Livro, que começa agora, sexta-feira, 6, no Hangar.

O espetáculo é denominado “Ave-Césaire” com textos de Aimé Césaire, Léon-Gontran Damas, Ernest Pépin, Bruno de Menezes, Max Martins, Dalcídio Jurandir, João Guimarães Rosa, Raul Bopp. O título homenageia Césaire, grande poeta da negritude francófona, associando a este autores paraenses “que têm forte ligação com o ritmo, tais como Max Martins, Bruno de Menezes, que tem certas temáticas semelhantes, como Dalcídio Jurandir ou Lindanor Celina, e alguns trechos das obras de dois grandes escritores brasileiros, João Guimarães Rosa e Raul Bopp”, explicam os artistas. Estes se apresentam regularmente em eventos literários com espetáculos “onde tecem uma trama com palavras e músicas, verbos e ritmos que se misturam e dialogam para apresentar e re-encantar os textos escolhidos”, como explicam os produtores.

Este ano eles participaram com o programa “Cobra Norato” do colóquio internacional em homenagem a Dalcídio Jurandir e Lindanor Celina, realizado na Universidade Paris Ouest-Nanterre, em Paris, tendo como parceiras a UFPA, Unama e o Museu Emilio Goeldi, que foi assunto neste blog (clique aqui para ler “Nossos caboclos em Paris”). Mas Frédéric Pagès já andou antes por cá, pelas ruas de Belém, como em 2004, com o show “Tam-tam les mots” durante a “Bienal Internacional da Música”, quando convidou a chanteuse Andrea Pinheiro e o grupo Manari e com o show “A Palavra Música”com a participação de Albery Albuquerque, Andrea Pinheiro e o grupo Manari. Ele também cá esteve em 2002, na Feira do Livro.

Frédéric Pagès tem um site onde mostra, inclusive, sua produção. Para visitá-lo, clique aqui.

Esta informação recebi esta tarde, de Paris, via Daniela Cruz, paraense, professora na Universidade Paris Ouest-Nanterre e do próprio Frédéric Pagès. O curioso é que não encontrei este espetáculo na programação da XIII Feira do Livro em um blog que divulga a Feira (não há site para consultas...). Para acessar a programação da Feira, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 19h58
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O CARIMBÓ NUNCA MORRE!

OUVIDO NO CÉU: “CHAMA VEREQUETE! CHAMA VEREQUETE!”

No dia programado para exibição do filme "Chama Verequete" de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira, no Cineclube Pedro Veriano, no dia em que se anuncia na Europa a morte de grandes nomes da cultura universal, como Claude Lévi-Strauss e Francisco Ayala, Mestre Verequete aproveitou o movimento e o ambiente propícios, inclusive por ser logo em seguida ao dia de Finados, e lá foi ele ser finado também. Estava muito doente, a medicina não sabia mais o que fazer por ele, mereceu o descanso. Agora merece todas as homenagens – muitas das quais, graças a Deus, recebeu ainda em vida. Teve o prazer, muitas vezes negado aos grandes criadores, como ele, de ser reconhecido pela sua geração. De ter a certeza de que sua obra ficará como marco na história cultural de sua terra. Essa obra prevalecerá sobre a curta vida terrena de 93 anos e, daqui a outros 93 e até muitos mais, outras gerações continuarão ouvindo, por meios que não imaginamos quais, ícones verequeteanos como: “Chama Verequete, oh! Verê / Chama Verequete, oh! Verê” ou “O carimbó nunca morre, quem canta o carimbó sou eu”. Este último, a partir de agora, passa a ser verdade eterna, definitiva – acho que os matemáticos chamam isso de axioma.

Augusto Gomes Rodrigues, aqui no traço do Biratan, nasceu em Quatipuru, por onde andei quando criança, pois é cidade vizinha de Capanema. Mas se fez grande em Icoaraci e aqui, pelas ruas de Belém.

Já estava eu com este post pronto, inclusive o título, quando pipocaram no meu computador sete tuítes (as mensagens de 140 dígitos, do Twitter) da minha querida professora Ana Prado, hoje a fazer seu doutorado em Portugal e, muito apropriadamente, um valor mais alto se alevantou, exigindo-me incluí-las no meu texto. São uma delícia, lembrando pessoas queridas, inclusive a irmã de Ana (Sandra) que faleceu recentemente aqui em Belém, vítima da gripe A.

“Verequete chega ao céu e fala: ei, seu Lévy, vem cá que eu quero te mostrar o que os tristes tropicais fazem lá em Quatipuru...
De repente o Juca se aproxima e comenta: - Ah! Prof. Lévy, em
Nova Delhi as coisas pioram a cada dia e ninguém prende o falsário...
De longe, Walter Bandeira ouve a conversa entre o mestre do carimbó, o centenário estruturalista e o cientista político...
E com irreverência abre o vozeirão e canta: Esse rio é minha rua, minha e tua mururé....vamos deixar de papo e toca o tambor aí..
Quando ouve os tambores, Sandra corre e veste a saia rodada, se perfuma de patchouli.
E de forma convincente chega perto do grupo e conclama: vamos todos fazer a roda que o carimbó vai começar, São Pedro tá impaciente!
E assim se conta mais uma festa no céu. Na vida após a vida, no sonho dos que ficam.

Obrigado Ana, pela contribuição!

O programa "Chama Patativa" do circuito ABDn, com os filmes "Chama Verequete" de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira e "Patativa do Assaré" de Rosemberg Cariry é hoje, 18h30 com entrada franca, na Casa da Linguagem (Av. Nazaré com Assis de Vasconcelos).

Como a melhor forma de homenagear um talento é reverenciar sua criação, ouça clicando aqui o excelente Trio Manari interpretando músicas do Mestre do carimbó.

Verequete atravessou o oceano pela arte e fama de Fafá de Belém, que o canta muito bem, como tudo que canta. Veja, clicando aqui, a nossa estrela em uma gostosa entrevista no programa de Herman José, de muita audiência na televisão portuguesa, quando ela lançou por lá, em 2003, em notória dublagem, o excelente CD “Canto das Águas”, produzido pela antiga Secult.



Escrito por Fernando Jares às 19h13
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