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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


FESTIVAL PARAENSE NA SEXTA GASTRONÔMICA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Para uma salada é necessário que concorram quatro pessoas:
um pródigo para o azeite; um avaro para o vinagre;
um prudente para o sal; um tonto para mexê-la.”
RCM, chefe de cozinha, no livro “Cozinheiro Imperial” ou
“Nova Arte do Cozinheiro e do Copeiro em Todos os seus Ramos”, Rio de Janeiro, 1840
.

 

AS SENSAÇÕES DO PARÁ

 

Restaurante Le Panoramique, Assembleia Paraense.

A cozinha dos restaurantes da Assembleia Paraense, o clube (como sempre destaca Hélio Gueiros), é bastante festejada pelos sócios e visitantes. Tem uma equipe de chefs que encara a produção do alimento com muito profissionalismo e arte. São muitas centenas de pessoas, especialmente nos finais de semana, a bom (e bem) comer e beber. Mas a barca vai.

Para marcar gastronomicamente a temporada cirial deste ano a Assembléia realizou, semana passada, o Festival Gastronômico “Sensações do Pará”, no seu mais sofisticado restaurante, o Le Panoramique. Pratos à base de ingredientes regionais em buffet com 15 iguarias e mais seis opções de sobremesas.

Não resistindo à tentação da cozinha regional contemporânea, lá fui eu, encantado com as declarações da chef do restaurante, Ecléia Duarte, à revista da AP, que classificou o cardápio como “uma experiência incrível”.

Realmente o foi. Administrei, em conjunto com a Rita, a lista de pratos de forma a realizar uma degustação o mais completa possível, cuidando na mudança dos paladares, para conseguir aprofundar na essência de cada conjunto.

As entradas formavam uma comissão de frente ou comitê precursor, para usar linguagem carnavalesca ou protocolar, sem querer comparar... Começamos com o “Camarão regional cremoso com farofa de chicória”, com aquele camarãozinho delicioso de nossos rios e a tal farofa. Mas que farofa! Uma delícia com farinha média, não fina demais, muito torrada e a chicória casando maravilha. Sem exagero, foi-me o melhor prato. Depois, “Bolinhos de piracuí” no ponto como o fazem os mocorongos e “Bolinho de pato”, estes um pouco secos.

Fomos às saladas, onde nos aguardavam mais representantes do oeste paraense: “Salada de feijão de Santarém ao vinagrete” e “Salada de pirarucu com jambu”. Ambas no ponto que se deseja, com certeza com a colaboração das quatro pessoas indicadas lá em cima...

O desfile dos pratos principais foi digno do grupo A, para manter a linguagem carnavalesca. Ou presidencial, idem. Primeiro, os peixes: um “Filhote na chapa com molho cremoso de tucupi e purê de abóbora” onde o molho de tucupi também é estrela e não apenas coadjutor, dando ao purê um papel moderador. A “Moqueca de pirarucu com camarão seco e creme de milho” conseguia manter o difícil equilíbrio entre dois sabores fortes, atuando o creme de milho como “algodão entre vidros” e resultando perfeito. Seguimos a travessia dos rios na companhia de um “Purê de macaxeira com camarão e molho ao perfume de cupuaçu”: nota 10. Sem agressividade, sentia-se a presença do cupuaçu dando suavidade aos camarões. O purê (embora o previsto no cardápio fosse nhoque) estava no ponto agradável, geralmente difícil de acertar. O “Tucunaré na manteiga” era filetado e eu prefiro as postas ou o peixe inteiro, como o da Casa da Peixada, que o tem perfeito. Pulei o “Espetinho de pescada paraense”, por ser grande para este exercício...

As carnes tinham dois representantes: o “Filé recheado com castanha-do-pará fresca” e o “Filé com queijo do Marajó ao molho de vinho”. Ambos deliciosos, utilizando receitas tradicionais com o acréscimo dos ingredientes regionais, que lhes caíram bem.

Por fim, um “Risoto paraense com maniva e frutos do mar”. Não sei como se sentiram os camarões lulas e polvos submersos naquele ambiente tão escuro, abissal, apenas sei que o paladar bastante se aproximou da maniçoba, recomendável para aqueles que não comem carnes vermelhas.

No buffet de sobremesas encontrei “Musse de bacuri com tapioca”, “Pavê de cupuaçu”, “Cheesecake de açaí”, “Doce de cupuaçu com queijo do Marajó”, “Doce de banana” e sorvetes de açaí e tapioca. Verifiquei os quatro primeiros e destaco o cheesecake, gostoso e suave, mas poderia ter mais açaí... eu gosto. O doce de cupuaçu na versão marajoara do Romeu e Julieta estava com bom sabor, mas acima do ponto, difícil de servir.

Ops, o papo já foi grande, como o foi aquela opípara jornada gastronômica. Integralmente prazerosa. Como disse a Rita, as combinações estavam “delicadas e deliciosas”. O fundo musical tinha apropriadas músicas paraenses, discretas, compondo o ambiente para bons momentos.



Escrito por Fernando Jares às 12h58
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UM PORTAL (ELETRÔNICO) DE BELÉM

 

Na virada do século eu tinha um endereço de e-mail muito pai d’égua, com a terminação @belemdopara.com.br. E muita gente, especialmente o pessoal que morava fora de Belém, tinha o maior orgulho de usar este e-mail.

O endereço correspondia – e era uma cortesia – ao site belémdopará, que entrou no ar em 12/01/2000 e ficou dois anos em atividade. Uma revista eletrônica que fez o maior sucesso, chegando a 250 mil acessos mensais, de todo mundo. Naquela época a internet era muitíssimo menos popular que hoje e somente discada...

Uma equipe competente e interessada garantiu um produto de primeira, que inovou, realizou entrevistas antológicas, publicou crônicas, fotos, reportagens, tudo da melhor qualidade. Ganhou até o prêmio iBEST. Mas parou um tempo. Um tempão.

Agora o site voltou, muito mais moderno, portalizado, mostrando o que de melhor temos pelas ruas de Belém, inclusive este mesmo Pelas Ruas de Belém, como parceiro. São dirigentes do empreendimento Jair Ferreira (diretor de tecnologia), Antonio Mokarzel (diretor de conteúdo) e Tito Barata (diretor de jornalismo).

Caso ainda não tenha ido até lá (já usei como link de complementação para conteúdo), sugiro esse passeio.

Na home do portal você encontra um panorama da cidade, com as chamadas da Revista e as principais dicas do Guia, as animações ecológicas do Sérgio Bastos. Para acessar, clique aqui.

A Revista é muito boa. Tem colunistas, entrevistas, podcasts, reportagens e um monte de seções legais como Belém na Foto Fui e Gostei Meu garçom é um barato! Meus e minhas Monumentos urbanos Onde anda você? Três receitas Você conhece Belém? Na página Colunas e Blogs estão aqueles que eles convidaram para parceiros, inclusive este que você lê.

O Guia da cidade é útil para quem mora aqui, para quem está fora (aumenta a saudade!) e para quem logo virá, pois oferece informações sobre os hotéis; o que fazer por aqui: baladas, bares e choperias, casas de espetáculos, casas noturnas, fitness, gastronomia, humor, micro-cervejarias, música, peças teatrais, salas de cinema, teatros; o que e onde comer: açaizeiros, pães e biscoitos, quitutes, restaurantes, tacacás; compras e serviços: floriculturas, shopping centers, supermercados, tecnologia.

Você também pode seguir pelo Twitter: http://twitter.com/belemdopara

Bom passeio.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h55
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DIA NACIONAL DA COLETA DE ALIMENTOS

SOLIDARIEDADE PARA FLORESCER A ESPERANÇA

Reunir alimentos para quem precisa, com distribuição segura, por entidades com credibilidade. Isso passa pela cabeça de muita gente, principalmente na hora em que faz as compras no supermercado: algo poderia ser doado, sem pesar muito na conta final. A resposta a essa questão será dada, aqui em Belém, no dia 7 de novembro, sábado, no supermercado Líder da Doca.

A coisa é assim: voluntários em todo o mundo realizam ações de coleta de alimentos e até de excessos de produção agrícola e industrial, particularmente alimentícios, para redistribuí-los à entidades e outras iniciativas de ajuda aos pobres e aos marginalizados. No Brasil a organização é liderada pela Companhia das Obras do Brasil – CdO, desde 2006, com o apoio da Fondazione Banco Alimentare da Itália. Foi nesse país que o movimento teve início, com a missão principal de promover e defender a dignidade do indivíduo na sociedade e no ambiente de trabalho.

Os integrantes do Movimento Católico Comunhão e Libertação aqui em Belém estão organizando a primeira participação da cidade, integrando uma ação em 23 cidades brasileiras, sendo a coordenação local do jornalista Nélio Palheta.

Considerando a “Coleta de Alimentos um pequeno gesto de amor, um gesto simples que pode ajudar a florescer a esperança em você e no mundo inteiro” os organizadores desse gesto solidário marcaram para o dia 31, sábado próximo, o treinamento de voluntários. Será no Centro de Catequese da Paróquia dos Capuchinhos, sala 32, na trav. Castelo Branco, esquina da Conselheiro Furtado, às 17h.

PARTICIPAR - Quem puder, participa como voluntário. Ou no dia 7 de novembro passa no Líder/Doca e participa como doador. Há uma lista de produtos, elaborada por nutricionistas, para atender às necessidades dos programas nutricionais definidos pelas instituições: achocolatado, açúcar; arroz; enlatados: ervilha, milho, seleta de legumes; feijão; leite em pó; macarrão; molho de tomate; óleo de soja; sardinha. Tudo o que for coletado será distribuído por meio do programa Mesa Brasil, do Sesc, que abastece entidades de ação social pelas ruas de Belém.

Para inscrever-se, clique aqui. Aproveite e veja o vídeo sobre o evento. Participe e estimule seus amigos e parentes para esta ação solidária e de cidadania.



Escrito por Fernando Jares às 18h13
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RÁDIO DE 80 ANOS NO PALCO

A PEÇA DOS MUITOS APLAUSOS

Havia um grande número de cabeças de prata na plateia, mas também de jovens e, quase inacreditável, até dois bebês. Havia certa ansiedade, expectativa. Para muitos re-ouvir a rádio de sua juventude, de sua infância, que tantas vezes acompanhou, talvez até nela tenha trabalhado. Aos jovens a interrogação: como era isso? Aliás, para alguns, como é mesmo rádio? Como eles ouviam, diz-que não havia internet, dá para ouvir sem ser por link? Para alguns privilegiados, a felicidade de ver a peça pela segunda, pela terceira vez “É bom a gente ver encenado um pouco da história dessa rádio que faz parte da gente”, disse ao jornal “Diário do Pará” o radialista Guilherme Guerreiro, que assistiu à peça pela terceira vez.


O Theatro da Paz estava lotado, sábado último, para ver mais uma encenação da peça “PRC-5 – a voz que fala e canta para a planície”, com o Grupo Cuira, estreada ano passado, por ocasião dos festejos dos 80 anos da PRC-5 - Rádio Clube do Pará. O título recorda o prefixo e o slogan da emissora.

RÁDIO CLUBE – Três pioneiros, Eriberto Pio dos Santos, Roberto Camelier e Edgar Proença, fundaram a Rádio Clube do Pará, em 22 de abril de 1928, sendo a quarta emissora inaugurada no Brasil. Naquele tempo inicial era clube mesmo, com sócios que pagavam mensalidades para manter a rádio no ar. Com a chegada dos patrocinadores tudo mudou e Clube mantém-se no ar até hoje. Por quase 20 anos foi somente ela em Belém.

Trabalhei lá, aliás, iniciei lá em comunicação, nos 1960 e início dos 70, começando na base do amador (que virou amante) com “A Voz Secundarista” e passando ao profissional em parceria com Rosenildo Franco, em programas como “Sábado 15:05”, “Semanália”, “Sinal Vermelho” e “Gente Nova, Nova Gente”.


Foto do espetáculo PRC-5, no TP. Keilon Feio, no Diário do Pará.

A PEÇA – Edyr Augusto Proença, que conheci ainda garoto, lá pela PRC-5, e a quem devemos a autoria de boas peças e livros, escreveu mais esta, com certeza com a emoção na ponta dos dedos. O criador apresenta a criatura, com o direito a abrir a peça, interpretando o querido Edgar Proença, seu avô, que anuncia mais uma festa de aniversário da emissora, no Theatro da Paz. Foi o que vivemos os que lá estávamos. Como se o velho pioneiro ali estivesse ao vivo. Afinal, se não era o Proença, era um Proença – um pouquinho mais gordo, é justo que se diga, se bem me lembro...

A peça, com direção de Karine Jansen e Wlad Lima, faz um corte na programação da emissora, aproximadamente entre 1939 e 1945. Há alegria, emoção, suspense, muita música, propaganda (inclusive jingles ao vivo). Até a entrada do Brasil na Segunda Guerra é anunciada no “Jornal Falado”.

Vimos o desfilar dos programas de grande sucesso do passado radiofônico paraense: Oração do Meio Dia, Calendário Social, Mensageiro para o Interior, Colcha de Retalhos, radionovelas, Jornada Esportiva Gillete - onde acontece, no palco, a transferência da narração dos jogos de Edgar Proença para o filho, Edyr Proença, uma verdadeira “sagração”, com forte simbolismo. Emocionante. Aliás, nesta cena “vimos” grandes nomes com quem ainda convivemos, como Grimoaldo Soares, João Álvaro, José Maria Nobre Gonçalves, e com uma “licença” histórica, vindo até nossos dias, com o Guilherme Guerreiro e seu grito gol que “balança, sacode, estremece” o Mangueirão...

No palco, dez atores, um grupo musical delicioso e até um sonoplasta, que faz a festa no seu canto. É como se fosse um estúdio em ação.

Os números musicais foram colocados ao vivo e não nos velhos discos 78rpm – que ainda vi muitos na discoteca do antigo prédio da Aldeia do Rádio, no Jurunas, onde hoje está um edifício com o mesmo nome. E com estes números musicais, o público foi se integrando, aplaudindo, cantando junto, participando do espetáculo. Uma peça com inúmeras intervenções de aprovação (aplausos) do público, merecidas. Muito merecidas.

Para quem não viu, a recomendação: fique atento para não perder a próxima temporada. Mas tem um consolinho: uma reportagem feita pela equipe da TV JA/JAFilmes sobre a encenação do ano passado, no Espaço Cuira – que tinha uma ambientação de época na sala de entrada (como eles sempre fazem lá) e que infelizmente não tinha no Da Paz. Veja clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 21h17
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CÍRIO, CARNAVAL OU POROROCA?

POROROCA HUMANA OU CARNAVAL
DEVOTO, O CÍRIO É SEMPRE O MAIOR

Basílica Santuário de N. S. de Nazaré, onde aconteceram, hoje pela manhã,
os atos finais do Círio 2009. A ilustração é do ainda jovem jornalista
Walmir Botelho, em 1970, para um livro sobre a história do Círio,
de João Alfredo Mendonça, que cito mais abaixo neste post.

 

Encerro hoje a série sobre o Círio, com que me ocupei estas duas semanas correspondentes à Festa de Nazaré. Nesta série o grande evento popular/religioso do Pará, que hoje pela manhã Roberto Sena, supervisor do Dieese, classificou de “maior evento religioso do mundo, pois não se tem notícia de outra procissão que reúna, num só dia, dois milhões de pessoas” foi mostrado sob variados aspectos pelas ruas de Belém, como música, gastronomia, poesia popular, jornalismo, quadrinhos, publicidade, teatro...

Diante da grandeza e sobrevivência histórica do grande acontecimento, que remonta mais de dois séculos de continua realização, fica uma indagação: como melhor definir o Círio de Nazaré. Para isso lanço mão de duas grandes metáforas que, nos últimos anos, são aceitas como um retrato da grandiosa romaria:

  1. Um carnaval devoto
  2. Uma pororoca humana

O primeiro vem de Dalcídio Jurandir, quando no livro “Belém do Grão Pará” definiu classicamente: “Na manhã do Círio, à janela, viu aquela massa meio infrene, numa espécie de Carnaval devoto, tirando a santa do seu bom sono na Sé, trazendo-a na Berlinda, como num carro de Terça-Feira Gorda.” O livro foi publicado em 1960, mas a história é ambientada em 1922, segundo estudo sobre o livro, de Marta de Sena e Soraia F. Reolon Pereira, da Fundação Casa de Rui Barbosa, na introdução da edição de 2004 da Edufpa/Casa de Rui Barbosa. Mas quem celebrizou esta definição foi o antropólogo Isidoro Alves, no magnífico ensaio “Carnaval Devoto: um estudo sobre o Círio de Nazaré, em Belém”, de 1980, hoje referência fundamental no estudo sobre o Círio.

O segundo conceito, “pororoca humana”, é creditado ao professor, jornalista e escritor Eidorfe Moreira (1912-1989), quando mais precisamente se refere “às sucessivas ondas de devotos no rio-humano corrente do Círio, avolumando progressivamente as ruas e travessas do percurso durante sua passagem, como o fenômeno da pororoca de alguns rios do Pará, próximos da foz do rio Amazonas”, refere o poeta e escritor João de Jesus Paes Loureiro. A imagem é muito forte e tem muito a ver com o regionalismo. Consta como epígrafe no “Cadernos de Cultura” sobre o Círio, editado em 1984 pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura. No entanto, é imagem muito utilizada pelo mundo: basta fazer uma pesquisa no Google para ter uns tantos retornos, associando “pororoca humana” ao carnaval do Rio, ao intenso movimento de catalães e visitantes em Las Ramblas, Barcelona, etc. Eidorfe Moreira foi patrono da X Feira do Livro, de 2006 (por que empurraram a Feira do Livro deste ano para novembro, quase se misturando com o Natal? Ato falho!).

Por sinal, pesquisando sobre o Círio, encontrei uma outra utilização desta metáfora, desta feita atribuída a Francisco Xavier Ney, que vem a ser irmão do famoso poeta e boêmio cearense, Paula Ney, que viveu quase toda a vida no Rio de Janeiro. A citação consta de um parecer do escritor Inocêncio Machado Coelho, em processo do Conselho Estadual de Cultura, em 22/09/1970, aprovando a edição do livro “Um culto religioso que atravessa os séculos – Nossa Senhora de Nazaré”, do jornalista e escritor João Alfredo de Mendonça, em edição póstuma, uma vez que o autor já havia falecido em 1958, deixando pronta a obra, que é muito interessante e busca a origem da devoção desde Portugal.

Mas vamos ao parecer do professor Machado Coelho. No trecho que nos interessa, diz ele:

“Ora, quem fala do Pará, fala do Círio, romaria única no seu aspecto e no seu espírito, que inspirou a Francisco Xavier Ney, irmão de Paula Ney e poeta também, os versos abaixo, com que presenteou, um dia, seu amigo, autor destas linhas:

‘Chegou, enfim, a rútila semana
Da memorável festa do Pará;
Quem nunca viu a pororoca humana
Vá ver o Círio, no domingo, vá!’”

É muito possível que Xavier Ney tenha tido contato anterior com a expressão cunhada por Eidorfe Moreira e a tenha usado nesta quadrinha-presente com que brindou seu amigo e que acabou virando elemento de parecer. Está a merecer um aprofundamento de pesquisa, na tentativa de determinar as datas de uma e de outra afirmativa.

De qualquer forma, são dois importantes slogans para o Círio. Particularmente, sou fã incondicional do “Carnaval Devoto”, porque descreve com rara maestria até o estado de espírito de muitos dos participantes da romaria, a diversidade das cores (especialmente quando vista de cima), o alegre burburinho, a cantoria constante, as festas paralelas, etc.

Pra encerrar, belíssima foto de Dilermando Cabral Jr. para a revista eletrônica Belém do Pará, que retrata os aspectos profano e religioso do evento. E que enquadra modernamente o conceito de festa estabelecido por Dalcídio Jurandir:

 

Complementos de conteúdo para estudo sobre o Círio:

- A Corda do Círio, por João de Jesus Paes Loureiro, 2007, em seu excelente “Blog do Paes Loureiro” – clique aqui.

- A festiva devoção no Círio de Nossa Senhora de Nazaré, por Isidoro Alves, no site SciELO - The Scientific Electronic Library Online, clique aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h39
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O CÍRIO NO CORDEL (I)

A POESIA POPULAR LOUVA O CÍRIO DE NAZARÉ

.

Como elemento da cultura local o Círio é registrado, e muito especialmente, na poesia de cordel, talvez a forma mais popular de comunicação no Brasil – e que teve no Pará um momento áureo nos começos do século passado, com a Editora Guajarina. Mas isso é outra história. Agora vamos falar do Círio no cordel.

Vou começar com aquele que Vicente Sales considera possivelmente o primeiro folheto a tratar do Círio. Mas não pense que isso é coisa fora de moda. Nada disso,pois o folheto  o mais recente que tenho é de 2006, produzido logo ali Itaiteua, ilha de Caratateua, que aqui Belém chamamos genericamente de Outeiro.

Iniciemos com “A festa de Nossa Senhora de Nazareth no Pará” de Firmino Teixeira do Amaral, um piauiense que viveu aqui, pelas ruas de Belém, durante muitos anos. Poeta e tipógrafo, ele veio atraído pela fama da Guajarina, cuja produção se espalhava pelo Brasil e editava poetas conhecidos do Nordeste. Este folheto foi reproduzido na série “Cadernos de Cultura”, da Secretaria Municipal de Cultura, em 1984, quando era dirigida por João de Jesus Paes Loureiro. Autor de folhetos de grandes tiragens, como o famoso “Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum”, Firmino escreveu este sobre o Círio em 1923, dele fazendo muitas tiragens. Mantendo, neste e nos outros, o texto original, do longo poema de Firmino apresento apenas algumas partes representativas do Círio daqueles tempos, em muito ainda semelhante ao dos dias de hoje, já que buscarei outros aspectos em outros autores:

Salve 14 de Outubro
glória de toda Belém
data da festa galante
que em nosso Brasil
tem é rica formosa e bella
toda gente que vem nella
sempre sae falando bem.

Leitores tive lembrança,
escrevo a primeira vez
este Cyrio  glorioso,
sahe a 14 do mez
adimira o  mundo inteiro
no vosso céo brasileiro
do anno de vinte e três.

Já é muito conhecida
a festa de  Nazareth
pode se julgar feliz
todos que nella tem fé,
até lá do extrangeiro
já tem vindo aqui romeiro
trazer promessas a pé.

Situado o evento, e depois de contar inúmeros milagres, o poeta apresenta o público que participa e detalhes da romaria:

Pega da classe mais tenra
a alta estrocacia
todos contemplam o vulto
da Virgem Santa Maria
desde o rico ao plebeu
ainda sendo um atheu
tem de respeitar o dia.

A virgem de Nazareth
quando sae da Cathedral
de oito p'ra nove horas
ve-se um grande festival
com respeitável cortejo
houve-se o grande festejo
que extremece a capital.

É uma festa galante
para rico e proletário
acompanha o santo andor
um eminente vigário,
com o coração genuíno
conduz o santo divino
o segredo do sacrário.

Mas depois do Círio, existiam as festas profanas, que Firmino descreveu assim:

Padre Nosso, Ave Maria
reza quem está na egreja
e cá fora nas bancadas
outros tomando cerveja
as moças apreciando
com fino cuidado olhando
para ver quem mais deseja.

Vendo alli seu bem amado
parece que está no céo
com seu olhar prazenteiro
faz aceno no chapéo
seu amor no peito arde
com esperança mais tarde
da palma, grinalda e véo.

Outro piauiense que andou por aqui, em Círios mais recentes, foi José Cunha Neto, que escreveu dois folhetos bastante populares, onde busquei algumas estrofes. Do primeiro, de 1957, peguei uma descrição do “arraial de Nazaré”, (o trânsito era fechado nas ruas da praça, o que acontecia até poucos anos):

A Praça Justo Chermont
Antes vai iluminada
Com lâmpadas multicores
Ficando assim transformada
E a Basílica com seus adornos
Fica também encantada

Os veículos mudam logo
O seu tráfego rotineiro
Ficando a praça somente
Para o povo e os romeiros
Que sempre estão presentes
Com os traços costumeiros

Tem centenas de barraquinhas
Que preciso destacar
Para venda de comidas
Que existem no lugar
E bebidas refrigerantes
para quem quiser tomar

Depois de relatar as barracas (inclusive as famosas, dos guaranás Soberano e Simões, Cunha Neto espantou-se com os preços e as dificuldades para os pobres:

Tem pato no tucupi
Comida de tradição
Mas só come quem tem gaita
Porque o bicho é gostosão
E o casco de Caranguejo
Que um prato vale um milhão

E muitas outras coisas
O romeiro pode encontrar
Com gaita suficiente
Chegando pode mandar
Tudo isso nas barraquinhas
Que estão expostas ao luar

E reparou que, depois do arraial, a turma caia nas baladas da época:

E depois que deixam o largo
A morena vae ao baião
Dança frevo e dança mambo
Dança tudo no cordão
Esquecendo as velhas mágoas
E alegrando o coração



Escrito por Fernando Jares às 13h29
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O CÍRIO NO CORDEL (II)

(Continuação do post anterior)

Adalto Alcântara Monteiro, outro paraense, “fecundo cordelista”, como registra Vicente Salles, escreveu “A grandeza de Belém do Pará e o Círio de N. S. de Nazaré”, por volta de 1968, onde ultrapassa os limites da romaria e escreve até sobre futebol, que era bem diferente do atual...

O futebol paraense
É grandioso em ação
Os jogadores são craques
Formando uma seleção
Quando estão sobre o gramado
O povo grita animado
O Pará é campeão!

Tuna Luso Brasileira
Está jogando de pá
Mas, jogando com o Remo
Se quebra a pá e não dá
Mais o Paissandu desconta
Pega o Remo pela ponta
Que faz um Parapapá

Para ele durante a festa acontece muita confusão, que a polícia logo resolve, também bem diferente...

Enquanto os humildes pedem
À Virgem de Nazaré
O perdão, a santa paz,
Muita gente de má fé
Estão bebendo e jogando
Brigando desarrumando
Morrendo  no cabaré

Há mesmo muita desordem
Durante o Círio em Belém
Porque quem é vagabundo
Não vive fazendo o bem
Mas a força da Polícia
Age com muita perícia
Contra os bandidos que tem

Na contracapa o autor deseja felicidade a quem comprar o folheto, com um acróstico:

A quem comprar estes versos
Desejo prosperidades
A Virgem mãe lhe abençôe
Lhe dê mais felicidades
Te agradece leitor
O poéta de novidades

Jonas de Oliveira é outro paraense a louvar o Círio e sua santa. Seu folheto não tem data, mas deve ser dos anos 1970, pois na contracapa faz propaganda da Rádio Marajoara, com destaque para o “repórter peito de aço” Paulo Ronaldo, que faleceu em 1980. Depois das descrições habituais, chama a atenção para um aspecto especificamente religioso:

Aqui em Belém do Pará
Temos só sua imagem
Mas ela mora no céu
Socorre qualquer personagem
É a mãe de todas as mães
É a mão da Divinagem

E termina com identificação e assinatura:

Moro na cidade morena
Na cidade das mangueiras
onde mora esta santa
Que é a nossa padroeira
E aqui eu me assino
Snr. Jonas de Oliveira

Os grandes anunciantes também já usaram a literatura de cordel. É o caso do refrigerante GuaraSuco, que contratou Joaquim M. do Nascimento, muito ativo nos anos 1970, vendedor de deliciosas tapioquinhas, intitulava-se, inclusive nos folhetos, “O Rei das Tapiocas”. Tive muitos contatos com ele e o chamava de “seu Rei”. Ele gostava. Neste folheto, datado de 12/10/1969, além das saudações, faz muita propaganda e até futurologia que, infelizmente, não deu certo, porque a Antarctica veio por cá, comprou o GuaraSuco e acabou com a marca:

O Trio de refrigerantes
Deseja a todos romeiros
A Paz e tranquilidade
Para todos brasileiros
Que a Virgem de Nazaré
Rainha de nossa Fé
Abençoe nossos herdeiros

GuaraSuco está em todas
Pepsi Cola também
Como bom refrigerante
LaraSuco vai além
Você ainda não sabia ?
Pois o "Trio" da alegria
É quem manda agora em Belém

Só em Belém? Não senhor
Manda no Pará inteiro
Futuramente abrangerá
Todo solo brasileiro
Em caso de concessão
Com licença e permissão
Chegará ao estrangeiro

Apolo Monteiro de Barros, orgulhosamente morador da ilha de Caratateua, é de tempos modernos e garante a manutenção da tradição cordelista em Belém. São dele os versos a seguir, escritos em outubro de 2005 e editados em 2006, onde registra a Missa do Mandato e as Peregrinações:

Com a missa do mandato,
celebrada há trinta dias,
Pelo metropolitano
É o arcebispo que inicia

Logo após o mandato
Vem as peregrinações
Onde as família de fato
Se reunem em orações

Também Ducarmo Souza busca o cordel para registrar, o Círio de nossos dias. O folheto não tem data, mas relata acréscimos ao Círio nos anos 1990 e é o único em que encontrei a corda cantada em versos:

O povo fica ancioso
Na Br a esperar
Todo mundo concentrado
Para ver a Santa passar

No sábado pela manhã
Ela vai pra Icoaraci
A romaria fluvial
É iniciada ali

Depois da missa campal
Lá vem a nossa Rainha
Numa lancha especial
A "Corveta da Marinha"

A Baía do Guajará
Trazendo a Virgem Maria
Neste dia é abençoada
Com a linda romaria

A corda! Lá vem a corda
É sensacional!
Os promesseiros da corda
Muitos chegam a passar mal

Contritos juntinhos um ao outro
Pé descalço e muito esforço
Todos na mesma emoção
Colados até o pescoço

É uma coisa misteriosa
que chega até o delírio
Quem não vê esse fenômeno
É como não vê o Círio



Escrito por Fernando Jares às 12h14
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PARA VENDER NO CÍRIO

VIVA O MEZ DAS COMPRAS!

Quem reclama da exploração comercial do Círio de Nazaré, com tudo quanto é loja jurando que vende mais barato e mais facilitado nesta época, precisa ver o anúncio que está aqui a seguir. É praticamente do início do século passado, 1938, publicado na Folha do Norte. Eu captei este anúncio, como os demais que mostro hoje, do livro “Festas profanas e alegrias ruidosas”, em que Heraldo Montarroyos estuda a imprensa no Círio. Diz a anunciante “A Pernambucana”, que existiu até anos recentes e tinha presença pelas ruas de Belém e também no interior do Estado (lá em Capanema tinha uma), que a “Festa de N. S. Nazareth” é “o tradicional MEZ DAS COMPRAS!” Com caixa alta berrante e exclamação. Havia o popular hábito de estrear roupa nova no dia do Círio, coisa que resistiu até alguns anos e, com certeza, ainda tem gente que tenta manter a tradição. Por isso, esqueceram até do Círio e trataram mesmo foi de vender seus tecidinhos. Há 71 anos.

 

Tempos bem mais modernos, em 1959, as iniciantes lojas RM Magazine, de Romulo Maiorana, – que viriam a ser das mais bonitas da cidade, cheias de vitrines e muita luz – anunciam roupas (paletós), camisas, gravatas, cintos, sapatos, etc. em uma quinzena de “vendas-novidade”, naturalmente após saudar “o povo do Pará pelas comemorações alegres do Círio de Nazaré”. Aparentemente nessa data tinham ainda apenas a da Presidente Vargas e já anunciava uma “no quarteirão de ouro da João Alfredo”, onde fui muitas vezes, não como comprador, que não era para o meu bico, mas em serviço, pois a firma onde eu trabalhava, Victor C. Portela S.A., fornecia para a RM. Veja o anúncio, publicado em A Província do Pará:

 

O Pará tinha a sua companhia aérea nos idos de 1965, a Paraense Transportes Aéreos, inicialmente PTA, mas já chamada apenas de Paraense, em ação de modernização de imagem (e, talvez, para esquecer a tradução infame dessa sigla para Prepara Tua Alma...). Mas a verdade é que a companhia comparece com um anúncio em que aproveita a festa de Nazaré para vender seu produto: “mande vir alguém para a festa de Nazaré”. Uma forma de capitalizar uma das tradições da festa, que é receber parentes e amigos de todo o país. Com um detalhe: uma criança é acompanhada por uma aeromoça, passando a mensagem que os vovôs poderiam mandar buscar os netos, os titios os sobrinhos... Não identifiquei assinatura de agência, mas já devia ser da Mendes, que atendeu a Paraense por muitos anos. Este anúncio estava em A Província do Pará:

 

Lembram dos Supermercados São João (que depois foram vendidos para o Bom Preço e depois para o Líder, salvo engano)? Pois é, olha aí o São João desejando aos seus clientes um Círio Feliz e valorizando o almoço dessa data “uma tradição na família paraense”. Este dá para identificar a assinatura da Ivo Amaral Publicidade, do publicitário e radialista Ivo Amaral.

 

Para encerrar esta série olha quem volta: A Pernambucana, agora renovada para Casas Pernambucanas, mas mantendo ainda a loja da João Alfredo com a av. Portugal, onde invariavelmente os jornais registravam – e registram – a maior maré do ano... É de 1981 e foi publicado em O Liberal. Trata-se de anúncio, evidentemente, feito por agência de fora de Belém: o título diz que “No Círio de Nazaré entre no cordão do menor preço”. Cordão? Tem cordão no Círio? Só aqueles nos pescoços, que os ladrões costumam a puxar... No briefing falaram na corda e o redator entendeu (na verdade não entendeu nada) que era cordão. E na assinatura identifica uma loja “Pedreiras” – que devia ser a loja da Pedro Miranda, bairro da Pedreira!

 

Quem gosta de anúncios antigos, aproveite, que isto me deu um trabalhão...

Nesta quinzena ciriana, fiz dois posts anteriores sobre propaganda. Para ler, clique sobre os títulos: “Variadas formas de dizer Feliz Círio” e “Anúncios fazem parte da história do Círio”.

 



Escrito por Fernando Jares às 21h57
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VIVA QUEM VIVE O CINEMA NO PARÁ!

O MÉDICO E O MONSTRO... SAGRADO, DO CINEMA


Poucas pessoas “vestem a camisa” do cinema no Pará melhor do que o jornalista e crítico da arte chamada sétima (copyright Edwaldo Martins), Pedro Veriano. Portanto, ninguém melhor do que ele para ter o nome impresso em uma camisa para ser usada por quem gosta de cinema nesta terra. E mais do que isso: associado a um cineclube. Fundador de cineclubes, agora seus admiradores fundaram um com o nome dele: “Cineclube Pedro Veriano”. Justíssima homenagem.

Pedro deliciou os que estivemos ontem na Casa da Linguagem com pouco mais de uma hora de papo – que poderia ter ido muito mais longe – sobre a sua aventura de mais de 50 anos no cinema que se faz e exibe no Pará. Mais do que entrevistado, ele foi instigado por um outro grande nome da cinematografia paraense, Januário Guedes. Muita coisa interessante e agradável rolou no papo, como a “nomeação” de Marco Antonio Moreira (filho de outro grande nome do cineclubismo e da crítica, Alexandrino Moreira) como “sucessor” de Pedro, pelo próprio, ao declarar que “o Marco é a minha reedição”.

A história dos cineclubes no Pará foi passada a limpo, desde o pioneiro “Os espectadores”, de 1955, “Os neófitos” e o cineclube da Casa da Juventude, no início dos anos 1960, o Cineclube da APCC (Associação Paraense de Críticos Cinematográficos), aí pelo meio da década, etc.

Consciente de que “A felicidade não se compra” e de que esse não é apenas o título de um grande filme de Frank Capra, que ele tanto admira e que nos ensinou, a toda uma geração de cinéfilos, a também amar e emocionar-se, ano após ano, no Natal, Pedro construiu uma vida real de médico respeitado, como dr. Pedro Direito Álvares e uma segunda vida, também muito real, do homem apaixonado pelo cinema, o crítico Pedro Veriano. E como base de tudo isso, uma bela família, com ele e Luzia Miranda Álvares vivendo um amor de décadas – e ele cita cá e ali, “eu namorava com a Luzia, que era interna no Santa Rosa”. Ela entende muito bem essa dualidade, vive-a também. O médico e o monstro... sagrado, do cinema, no tucupi, mas isso é outra história que, segundo o Pedro, ainda vai virar livro.

O “Cineclube Pedro Veriano” representa um novo espaço para exibição de cinema em Belém, contando com um kit com equipamento de projeção digital, obras do acervo da Programadora Brasil e oficinas de exibição, sendo resultado de parceria entre a Fundação Curro Velho e a Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas (Seção Pará), como parte do projeto programa federal “Cine Mais Cultura”, do MC.

Vimos ontem sete curtas realizados pelo PV:

- O Desastre (1952) Mudo-P&B- Filmado em 16 mm, 10 min
- Brinquedo perdido (1962) Mudo-P&B- Filmado em 16mm, 7 min.
- 2001, uma odisséia sem espaço (2000) - Gravado em VHS, 8 min.
- Boas Festas (2006) - DVD, 7 min.
- O palhaço e a flor (2006) - DVD, 6min.
- O palhaço, o que é? (2007) - DVD, 8 min.
- O Natal do mendigo (2008) DVD, 10 min.

Os dois primeiros são hoje preciosidades históricas, rodados pelas ruas de Belém, com sensacionais imagens da cidade daqueles tempos, que levaram os que somos pouquinha coisa mais velhos (de novo, copyright Edwaldo Martins – mas é também uma forma de homenagear o PV, pois eram grandes amigos) a recordar aquela gostosa e simples cidade de nossa infância.

Veja as sínteses desses curtas no Blog da Luzia, clicando aqui.

O novo cineclube terá programação semanal, seguida de debate sobre o filme exibido. Veja só a lista já programada até o final do ano:

. 27/10 - Sessão dos Clássicos do Cinema (programada pela ACCPA - Associação dos Críticos de Cinema do Pará)
. 03/11 - "Chama Patativa" (Programa do circuito ABDn, com os filmes "Chama Verequete" de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira e "Patativa do Assaré" de Rosemberg Cariry.
. 10/11 -"Terra em Transe" de Glauber Rocha
. 17/11 - "Macunaima" de Joaquim Pedro de Andrade
. 24/11 - Sessão dos Clássicos (Programação da ACCPA)
. 01/12 - "O Pagador de Promessa" de Anselmo Duarte
. 08/12 - "O Cineasta da Selva" de Aurélio Michilis
. 15/12 - "Toda nudez será Castigada" de Arnaldo Jabor
. 22/12 - Sessão dos Clássicos do Cinema *Programação da ACCPA. Neste dia deverá ser visto “A felicidade não se compra”, de Frank Capra... eu espero.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h22
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O TEATRO DO CÍRIO

A LONGEVIDADE CRIATIVA DE UM ESPETÁCULO

 

É sem dúvida a maior concentração de grandes e experientes atores paraenses por metro quadrado de palco. Há 27 anos eles sobem à ribalta para encenar o mesmo roteiro, nunca a mesma peça. E aí estão dois segredos dessa longevidade atípica no teatro cá pelas ruas de Belém. Vi, no sábado, a “edição” para o Círio 2009 do espetáculo “Ver de Ver-o-Peso”, no teatro Margarida Schivasappa. A cada ano piadas são atualizadas e/ou renovadas, a peça está sempre fresquinha e todo Círio, lá estão eles com mais uma bela montagem. O outro segredo é o time de atores, gente que acompanho desde a juventude, como esses extraordinários Armando Pinho e Nilza Maria, de cuja arte me benefício há muitos anos, ainda nos tempos da TV Marajoara. O Geraldo Salles – com dois eles, como chamava a atenção dos professores, no pouco tempo em que fomos colegas de colégio – criador e eterno diretor da peça, onde participa também como ator. Natal Silva, que consagrou sua personagem muito além dos palcos. E toda uma troupe de atores competentes, que nos enchem de alegria, dentro do espírito que pregavam os colegas da fugaz (apenas um número) “Revista Paraense”, nos idos de 1889: “Brincando castigaremos os costumes”, inspirados pelo dito de alguns críticos romanos, “ridendum castigat mores”. As brincadeiras da peça fazem uma atenta e engajada crítica social.

A cantora Lucinnha Bastos viveu, mais uma vez, o seu próprio papel de visitante da feira, muito justamente homenageada por todos os “feirantes” e cantando, para a felicidade da platéia teatral e real. Em edições anteriores já foram recebidos nesse palco itinerante o sempre lembrado Walter Bandeira e Nilson Chaves.

O cenário caracteriza bem aquelas cúpulas espaciais implantadas sobre as barracas dos feirantes e a diversidade de produtos comercializados, dos passarinhos às garrafadas e ervas – que muitas vezes destinadas, até como contrabando, para o exterior, como denunciam. A presença constante dos ladrões na feira real é registrada até na música tema do espetáculo, como também na personagem “turista francesa”, que tem sua máquina fotográfica levada por um meliante, como destaca a Natal Silva, uma vez que chamar de bandido é politicamente incorreto... E por ao vai a história.

O “Ver de Ver-o-Peso” é tombado como patrimônio da cidade e conhecido em muitos outros Estados, por onde andou em apresentações, confirmando a competência de nosso teatro e divulgando um dos ícones da representação turística do Pará, a grande feira do Ver-o-Peso.

Foi noite de casa lotada, o que estimula e anima a equipe, com certeza – os cacos, principalmente da Natal Silva, que estava impossível (como ela fica tão caboclamente acocorada, tanto tempo!), demonstravam isso. Casa cheia que satisfaz também quem lá foi para divertir-se e prestigiar estes valores paraenses.

No final, todo mundo cantou parabéns para o Luciano Bastos, pai da Lucinnha, que fazia aniversário e estava lá firme, aplaudindo a cria, muito bem criada.

 



Escrito por Fernando Jares às 22h42
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MORRE MAIS UM EXPERIENTE JORNALISTA

GOUVEIA JR. FALECEU HOJE

Acho que estão montando uma redação de alto nível lá do outro lado da vida: para lá foi convocado, hoje pela manhã, mais um bom jornalista paraense, com longa carreira: o repórter cinematográfico Antonio Gouveia Jr., da TV Liberal. Mais um competente que é sacado da comunicação no Pará, com Raimundo Pinto, Juvêncio Arruda, Raul Tadeu. Gouveia Jr. tinha 51 anos de idade, 32 na TV Liberal, uma vida inteira dedicada à emissora, onde era o cinegrafista mais antigo. Por muitos anos a dupla formada por ele e pela jornalista Leni Sampaio, com quem era casado, foi a “cara” da Liberal. Presença constante e ativa na cidade, no ar, onde as coisas aconteciam, com criatividade.

Não o via fazia tempo. Mas, nos tempos de atividade em publicidade e assessoria de imprensa, muitas matérias acompanhei, atendi, informei.

Foi coisa rápida: pancreatite em estado avançado, informa o Portal ORM. Leia a notícia clicando aqui.

ADENDO EM 20/10

Reproduzo abaixo o belo trabalho do cartunista J.Bosco, com que homenageia o colega falecido e anuncia a chegada de Gouveia Jr. no céu. Está publicado em O Liberal de hoje (20/10) e no site “Lápis da memória”, do Bosco, que você pode acessar clicando aqui.


 



Escrito por Fernando Jares às 22h34
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PROPAGANDA NO CÍRIO

VARIADAS FORMAS DE DIZER FELIZ CÍRIO

Volto hoje com alguns anúncios de empresas e organizações em homenagem ao Círio de Nazaré, aos romeiros do Círio e aos paraenses que circulam pelas ruas de Belém nesta data. Anúncios para venda de imagem corporativa, mas às vezes para a venda bem mais direta de produtos – mas destes vou falar em outro post. Coincidentemente cobrem dos anos 1970 aos anos 2000, exatamente as quatro décadas em que estou diretamente envolvido com o processo de comunicação, tanto jornalismo como publicidade.

Comecemos por um anúncio de 1975, publicado por uma empresa nacional, no jornal A Província do Pará, onde a transportadora aérea Vasp professa sua fé: “Nós acreditamos.” Curiosamente o anúncio refere a “Festa do Círio de Nazaré – Belém, PA, 12 a 26 de outubro de 1975”. Como não tem assinatura de agência, pela forma desse fechamento, ficou no ar a pista de que foi produzido lá em São Paulo...


Dos anos 1980 busquei um do Basa, publicado em 1986 e assinado pela Mercúrio Publicidade. Este tem historinha. Eu trabalhava na Mercúrio nessa época e atendia o Basa. Ao discutir o briefing com o Glauco Lima, redator na agência, decidimos trabalhar em cima da imagem popular do Círio. Para isso buscamos versos cordelistas – da minha coleção de poesia de cordel – e para ilustração brinquedos de miriti – eu tinha ao meu lado uma estante toda decorada com eles. Mas Walter Rocha, diretor de arte, preferiu “lembranças” do Círio, fazendo link com as "lembranças" da festa no texto – algumas haviam na tal estante e outras foram facilmente adquiridas. Glauco fez uma seleção de estrofes de dois autores (Adalto Alcântara Monteiro e Jonas de Oliveira) encadeando uma história e, inspirado no ritmo dos cordelistas, escreveu o fechamento do anúncio: “O Basa pede licença / Pra junto com a nossa gente / Pedir a sua bênção / Ó Virgem de Nazaré / Mostrando também sua crença / Sua devoção e sua fé”.  Aqui pra nós, uma forma muito mais criativa de professar a fé, comparada àquela da Vasp...

 

Vou dar um pulo de 23 anos, para 2009, com outro anúncio do Basa, agora assinado pela DC-3. Imagine quem está por trás do anúncio? O mesmo Glauco Lima, um dos fundadores e titulares desta agência, e que o criou junto com o diretor de arte Antonio Coelho. A peça conseguiu destaque na selva de anúncios das edições especiais do dia do Círio, porque inovou no formato – a barra verde com o título ocupou duas páginas, obrigando o corpo do anúncio a ficar no meio de uma página central. Trabalho para o pessoal da mídia para especificar a peça e para a diagramação do jornal, pois os quatro cantos em branco devem ser ocupados com matérias... Para o leiaute usaram um jogo de duas fotos que ficou muito legal: um rio de água e um “rio de gente”, com praticamente o mesmo desenho, emoldurados pelo verde amazônico.

 

Pulei os anos 1990 para juntar esses dois anúncios anteriores, mas aqui está um dessa década, de 1995, também do Banco da Amazônia, desta feita assinado pela Mendes – como se vê o Basa mantém um sistema de rotatividade de agências. Uma por década, pelo menos. No primeiro tivemos um anúncio de texto preponderante, no segundo, o leiaute torna-se a atração. Neste a foto é o forte: dois ícones da festa, os fogos e os brinquedos de miriti fazem a composição, não havendo nem gente nem a imagem/berlinda. Mas a mensagem está completa, no objetivo de transmitir a saudação aos paraenses católicos. Foi publicado na edição da revista Ver-o-Pará (de Walbert Monteiro) para o Círio de 1995, editada em quatro idiomas!

 

 



Escrito por Fernando Jares às 20h02
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A SOBREMESA DO CÍRIO

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Certamente é por uma falha do meu caráter, mas não gostei do açaí – tem gostinho de bambu. Fiquei escravo do cupuaçu.”

Jornalista e escritor Marques Rebelo (1907-1973), no jornal Última Hora, edição de 14/05/1953, sobre sua passagem por Belém,
citado por Elias Ribeiro Pinto, na crônica “Escravo do Cupuaçu”, no Diário do Pará, em 19/11/2008.

 

ESCRAVO DO CUPUAÇU

O almoço do Círio, uma das grandes tradições gastronômicas do Pará, é cantado em prosa e verso. No que se refere aos pratos principais: pato no tucupi (e seus variantes, como o frango, o invasor peru (argh!), o leitão, o camarão), a maniçoba, o vatapá paraense, uma caldeirada, um tucunaré e por aí... Mas muito pouco se ouve falar da sobremesa do almoço do Círio. Andei pesquisando em eméritos escritores, e não achei uma definição de qual seja a sobremesa que mais represente essa especialíssima refeição.

Conversei com um e outro, pelas ruas de Belém, e cheguei à conclusão que ela deve passar pelo cupuaçu – ou o bacuri – para ter representatividade. Pode ser sorvete, creme, suco, doce, bolo, docinhos e lá se vai a lista. Como eu concordo com o Marques Rebelo aí de cima – embora não chegue às raias da loucura, talvez por equilibrar esse desejo com o sabor também fantástico do bacuri – fiquei com esta fruta.

Olha ele aqui embaixo, em foto de Pedro Spoladore que captei da Wikimidia:


Segundo Paul Le Cointe, no livro “O Estado do Pará” (Cia. Editora Nacional, 1945), o cupuaçu (que ele grafa “cupu-assu”), é uma fruta “de casca dura, lenhosa de cor castanho-escuro – a polpa que envolve as sementes é abundante e exhala, quando madura, um aroma agradável; serve para preparar deliciosos refrescos, sorvetes, compotas. Com as sementes pode-se fazer chocolate.” Donde fica claro que é parente próximo do cacau, sendo ambos da família Theobroma.

No dia do Círio eu comi, na sobremesa, uma das muitas variantes de doces de cupuaçu de que muito gosto: “Siricaia de Cupuaçu”. Essas siricaias são doces muito doces e parece-me que se originam naqueles doces muito doces de Portugal. Que eu sempre gosto muito... Existem muitas formas de preparar o cupuaçu, mas esta, talvez seja a de que eu mais goste. Nunca há uma certeza: o cupuaçu é sempre bom! Agora mesmo, fiz um lanchinho com simples “croissants de cupuaçu”, da La Maison du Pain, fresquinhos, uma delícia.

Para que não fiquem com água na boca, aqui vai a receita da “Siricaia de Cupuaçu” tal como foi apresentada pela professora Marialba de Oliveira Duarte, no Curso de Culinária mantido na Igreja da Santíssima Trindade, destinado a qualificar empregadas domésticas:

SIRICAIA DE CUPUAÇU

Ingredientes: 2 latas de creme de leite, 2 latas de leite condensado, 2 latas (medida) de leite líquido, 8 ovos, 1 e 1/2 kg de cupuaçu, 1 e 1/2 kg de açúcar.

Modo de Fazer: Bata no liquidificador o leite condensado, o leite líquido e as gemas. Retire e coloque num pirex levando ao forno em banho-maria. Quando estiver firme retire, deixe esfriar e coloque o doce de cupuaçu e o chantilly. Leve à geladeira.

Chantilly: Bata as claras em neve, acrescente o açúcar, (2 colheres de sopa, para cada ovo) bata novamente e acrescente o creme de leite sem o soro.

Doce de Cupuaçu: Leve ao fogo o cupuaçu (massa), que deverá ser batido no liquidificador, e a mesma quantidade em peso de açúcar, mexendo até dar o ponto. (Aqui em casa usa-se o doce já pronto, da marca local “Feito por nós”, muito gostoso).

Bom apetite!

 



Escrito por Fernando Jares às 15h26
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OUTUBRO E NOVEMBRO BENEDITIANOS

BENEDITO NUNES

80 ANOS DE SABEDORIA

O grande mestre Benedito Nunes (aí em cima, com seus muitos livros, mas muito maior que eles, no traço de Biratan Porto), professor, filósofo, crítico e ensaísta, o maior intelectual paraense ativo, que para orgulho desta cidade, circula pelas ruas de Belém, completa 80 anos no dia 21 de novembro. Vai receber algumas homenagens, mas com certeza nós vamos ganhar mais dele do que ele receberá da comunidade para a qual dedica uma vida inteira de estudo e produção cultural, reconhecida nacional e internacionalmente. Bom pra nós, que temos a ventura de ser seus contemporâneos, pena que nossa sociedade não seja capaz de reverenciar seus verdadeiros talentos.

Veja só: neste outubro o ilustre professor Benedito José Vianna da Costa Nunes vai ser homenageado pela Universidade da Amazônia com o título de Doutor Honoris Causa, a condecoração máxima dessa instituição, em cerimônia que terá lugar no próximo dia 23, sexta-feira, às 18h, no Auditório David Mufarrej.

Logo no dia seguinte ele dá o troco e devolve à sociedade a homenagem, homenageando-nos com o seu saber com o curso “Romance, drama e filosofia – Filosofia com Benedito Nunes”, no CCFC - Centro de Cultura e Formação Cristã, da Arquidiocese de Belém, (BR 316, km 6). Entrada Franca. O curso relacionará o romance, o drama e a filosofia, com o objetivo de estabelecer uma conexão entre a Literatura e a Filosofia, colocando-as num diálogo mutuamente enriquecedor. BN utilizará como eixo central de sua análise reflexiva as obras de Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Merleau-Ponty e Machado de Assis. Será em três fins de semana: 24 e 25 de outubro, 07 e 08 de novembro e 28 e 29 de novembro, sempre de 8h30 às 12h30. Informações: 4009-1550.

No próximo mês a Unama volta a homenagear BN, com um evento de altíssimo nível: o congresso “Benedito Nunes, pensador brasileiro”, realizado em parceria com o CCFC. Será um magnífico conjunto de apresentações de grandes nomes da intelectualidade local e nacional, de 25 a 27 de novembro, das 15h às 18h15 (cursos); 19h às 21h45 (palestras e lançamentos). No Auditório David Mufarrej. Entrada franca. Não há inscrição.

Veja a programação:

25 de Novembro, quarta-feira

15h às 16h30 – Curso de teoria literária "A crítica de Benedito Nunes", com Jucimara Tarricone (Estácio, SP) - Aula 1: O intérprete hermenêutico: fundamentos do método crítico

16h45 às 18h15 – Curso de filosofia “Passagem para o poético: filosofia e poesia em Heidegger, de Benedito Nunes", com Marco Antonio Casanova (UERJ) - Aula 1: A caminho de Ser e tempo: fenomenologia e dasein

18h15 – Lançamento do livro Pensamento poético – homenagem a Benedito Nunes (Organizadores Victor Sales Pinheiro e Luiz Costa Lima. Editora Azougue)

Sessão de palestras I: Benedito Nunes e a prosa moderna brasileira: Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

19h às 20h15 – Palestra de Silvio Holanda (UFPA) - “Guimarães Rosa e Benedito Nunes em clave hermenêutica”

20h30 às 21h45 – Palestra de Nádia Gotlib (USP)

“Perto de Clarice Lispector – o leitor Benedito Nunes

26 de Novembro, quinta-feira

15h às 16h30 – Curso de teoria literária "A crítica de Benedito Nunes" - Aula 2: O diálogo crítico: historiografia literária e crítica nacional

16h45 às 18h15 – Curso de filosofia “Passagem para o poético: filosofia e poesia em Heidegger, de Benedito Nunes" - Aula 2: Do ser ao tempo: angústia, liberdade, cuidado, temporalidade e historicidade

18h15 – Lançamento da Revista Asas da Palavra n. 25 – edição comemorativa a Benedito Nunes (O conteúdo da revista já foi apresentado neste blog. Leia aqui)

Sessão de palestras II: Benedito Nunes, leitor de poetas brasileiros: João Cabral de Melo Neto e Mário Faustino

19h às 20h15 – Palestra de Adalberto Müller (UFF) - “João Cabral e Benedito Nunes: um diálogo entre poesia e crítica”

20h30 às 21h45 – Palestra de Lilia Chaves (UFPA) - “Benedito Nunes e Mário Faustino: o filósofo e o poeta”

27 de Novembro, sexta-feira

15h às 16h30 – Curso de teoria literária "A crítica de Benedito Nunes" - Aula 3: A construção da linguagem crítica: o conceitual e o metafórico

16h45 às 18h15 – Curso de filosofia “Passagem para o poético: filosofia e poesia em Heidegger, de Benedito Nunes" - Aula 3: Do tempo ao ser: a essência da verdade, niilismo, poesia e pensamento.

Sessão de palestras III: O pensamento filosófico de Benedito Nunes.

19h às 20h – Palestra de Marco Antonio Casanova (UERJ) - “Poesia e pensamento entre Martin Heidegger e Benedito Nunes”

20h às 21h – Conferência magna de Benedito Nunes (UFPA) - “Meu Caminho na crítica

21h – Coquetel de encerramento, lançamento do livro O dorso do tigre, de Benedito Nunes (3ª edição. Editora 34)



Escrito por Fernando Jares às 12h30
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O CÍRIO EM QUADRINHOS

ARTISTAS DESENHAM A HISTÓRIA DA GRANDE ROMARIA


O Círio de Nazaré é registrado por todas as formas de mídia, e no-midia, pelas mais diversas manifestações das artes. Há filmes, peças de teatro, muita música, pinturas, revistas, jornais, instalações, propaganda, fotografia e quadrinhos, entre outras.

Nos quadrinhos, há um trabalho muito bom, de Luiz (Antonio de Faria) Pinto, um desenhista publicitário, diagramador, chargista, ilustrador, resumindo, um artista gráfico, de primeira. Santareno, de família com tradição na comunicação, dele conheço trabalhos excelentes, como as ilustrações do “Jornal Pessoal”, de seu irmão Lúcio Flávio, e até uma caricatura minha, que ganhei de presente na empresa, quando me aposentei...

Em 1993 Luiz Pinto concluiu e lançou uma história do Círio de Nazaré quadrinizada, resultado de longa pesquisa histórica, sendo os textos da jornalista Socorro Costa. Os desenhos foram criados a partir de referências originais, cuidadosamente pesquisadas, de forma a ser feita a reconstituição o mais real possível. Um trabalho precioso, que conta a história dos dois séculos da romaria que consagra a devoção dos católicos paraenses à Virgem de Nazaré.

A primeira publicação foi na revista Círio/93, que comemorou o bicentenário da Festa de Nazaré. A chamada Revista do Círio era editada anualmente pela Agência Ver Editora de Walbert Monteiro, responsável pela revista Ver-o-Pará, uma das melhores referências jornalísticas sobre o Estado, em tempos recentes. Ocupava 30 das 70 páginas da revista. O sucesso foi grande e, no ano seguinte, a História do Círio ganhou carreira solo, com a publicação novamente pela Ver Editora e grande tiragem – foi impressa nas gráficas da Abril.

Veja a riqueza do quadro, em perspectiva “aérea”, em que Luiz Pinto registra o primeiro Círio saído da Catedral de Nossa Senhora da Graça, pelas ruas de Belém, em 1882.

 

Há um outro trabalho que conta a história da devoção à N. S. de Nazaré desde o achado da imagem: “Como surgiu a Virgem de Nazaré”. De autoria de Raimundo Aguiar de Matos, desenhista industrial, quadrinhista, escultor (com obras em alumínio), decorador e líder escoteiro, que conheci há anos, quando ele trabalhava na Albras. Dono de recursos mais modestos do que os vistos na peça de Luiz Pinto, Matos é um trabalhador dedicado. Fez tudo sozinho, imprimindo na Sagrada Família sua 1ª edição, em 1978. Veja abaixo a capa da publicação e a forma como o Matos imaginou ter sido o achamento da imagem da Senhora de Nazaré, naquele distante 1700. Em 1990 esta publicação ganhou edição especial em A Província do Pará, um tabloide que circulou no dia do Círio.

O trabalho de Raimundo Matos teve quase uma “aprovação eclesiástica”, como era comum nos livros antigos: o Arcebispo de Belém à época, d. Alberto Gaudêncio Ramos, aplaudiu a ideia do jovem, como vemos abaixo.

  

 



Escrito por Fernando Jares às 19h01
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A TELEVISÃO E O CÍRIO

A PRIMEIRA TRANSMISSÃO DO CÍRIO PELA TV


O carro de externas da TV Marajoara era um ícone do desenvolvimento das comunicações no Pará.
Veja-o aí, na praça D. Pedro II (Largo do Palácio), pronto para acompanhar o Círio, esperando a
berlinda de Nossa Senhora, que logo, logo passaria por ali.

Comunicação e Círio de Nazaré estão bastante ligados ao longo dos séculos e especialmente nos tempos atuais. Heraldo Montarroyos, em “Festas profanas e alegrias ruidosas (A imprensa no Círio)” registra que “Até 1877, os jornais geralmente noticiam o Círio em pequenos espaços, que descrevem o seu trajeto e sua estrutura.” Na festa desse ano, em que o jornal Diário de Belém denunciou “representações indecorosas e indecentes” em torno da igreja, é que o Círio passou a ter espaços grandes nas páginas, que também alimentavam a polêmica, além de abrigarem mensagens publicitárias das empresas e organizações, em homenagem à Santa e aos romeiros. Ontem vimos alguns anúncios de 45 anos atrás, numa tradição que se mantém até hoje. Com a chegada das rádios, elas transmitiam a grande romaria. No final dos anos 1960 eu participei de algumas dessas transmissões, pela Rádio Clube. A televisão parece que chegou pensando no Círio e não era para menos. A TV Marajoara foi inaugurada no dia 30 de setembro de 1961 e o Círio era logo ali depois. Portanto, todos tinham de estar a postos, dando tudo de si, embora a maioria ainda com muito pequena experiência com este novo veículo. A Marajoara era a pioneira em televisão na região. Naquele tempo eu morava perto da TV Marajoara (que tinha prédio próprio, na gov. José Malcher, onde hoje há uma escola) e lembro muito bem da movimentação por lá e do carro de externas da emissora, um orgulho tecnológico para a cidade.

Vale, portanto, buscar o testemunho de um desses pioneiros, o radialista Luiz Brandão, a grande estrela da transmissão esportiva importada pela Rádio Marajoara da Tupi, mestre destes grandes nomes que ainda hoje nos trazem a emoção dos melhores jogos pelas ondas do rádio, como Ivo Amaral, Carlos Castilho e Jones Tavares. Aliás, lembro-me de ouvir as transmissões do Brandão com sua voz forte e clara e de algumas campanhas que ele realizou. Como quando ele queria trocar os nomes de alguns jogadores locais, que achava muito feios para denominar pessoas. Afinal, tínhamos jogadores chamados Urubu, Macaco, Pau-Preto, etc. Foi um precursor do politicamente correto!

Mas, voltando à televisão e o Círio, aqui está o que escreveu o Brandão sobre essa sua experiência, para o excelente álbum “Memória da Televisão Paraense” (Org.: João Carlos Pereira, ORM, 2002):

“A inauguração da TV Marajoara não havia passado nem um mês e o Canal 2 partira para uma reportagem que chegou a abalar pelo que de importante significava: a cobertura do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Fizemos vários ensaios. Usei o fizemos porque também fui escalado para aquela que seria a reportagem marcante na história da grande procissão em homenagem à Rainha Padroeira do Pará.

Lá no caminhão estavam o dr. Frederico Barata, o técnico Bosco, o repórter cinematográfico Rubens Onetti, o motorista Rui e eu. Foi algo emocionante que jamais poderei esquecer. Quem já acompanhou o Círio sabe o quanto é envolvente o deslocamento daquelas milhares de pessoas cuja fé é contagiante. Todos vivemos momentos de grande enlevação espiritual. Andávamos lentamente, de acordo com os fiéis. O Rui estava um bagaço, tal o movimento de 1ª e 2ª levado a efeito durante todo o trajeto. Eu, lá da torre do caminhão, procurava transmitir fielmente todos os detalhes do maravilhoso cortejo.

Em determinado instante, no auge da emoção, disse, com a voz embargada pela vibração que todos vivíamos: "O público, tomado de grande emoção, aplaude, delirantemente, a passagem da milagrosa Santa". Não demorou muito e se ouviu a voz do dr. Barata, em tom pouco amistoso: "Público? Brandão, público é de teatro. Isso aí é povo. Povo Brandão!" Uma lição que aprendi com orgulho, pois partiu daquela figura maravilhosa. Um poço de cultura.”

As emissoras de televisão hoje fazem grandes coberturas acompanhando a romaria pelas ruas de Belém, com muitos profissionais e muito equipamento e até buscam recursos paralelos, como é o caso da TV Cultura do Pará, que criou um hot site sobre o Círio, que você pode ver clicando aqui. Ou uma chamada caprichada para sua programação do Círio, como a da TV Liberal, que vemos aqui.

Quando eu comecei a escrever este post era para tratar da história do Círio em quadrinhos. Acabei enveredando para a televisão. Mas amanhã a gente conversa sobre o trabalho de quadrinhistas retratando o grande momento da fé dos paraenses católicos.



Escrito por Fernando Jares às 17h38
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A PROPAGANDA NO CÍRIO

ANÚNCIOS FAZEM PARTE DA HISTÓRIA DO CÍRIO

É uma tradição muitíssimo antiga, pelo menos centenária, as empresas paraenses publicarem anúncios de saudação à Nossa Senhora de Nazaré no dia do Círio, a monumental romaria que hoje reúne em torno de 2 milhões de participantes, sendo a maior manifestação mariana do mundo. Eu já vi anúncio de 1902. Os jornais também capricham, com edições especiais.

Neste domingo que passou tivemos edições muito volumosas, homenageando a santa e os romeiros. Infelizmente, a maioria desses anúncios deixa muito a desejar. Parece que são feitos apenas para cumprir a tabela: estar presente na data, não decepcionar algum eventual cliente mais religioso, agradar o veículo de comunicação, por aí, com as habituais exceções, para garantir a regra... Em alguns anos é possível botar o olho neste ou naquele anúncio e considerar destaque. Este, achei a safra meio fraca. O colega jornalista Luís Paulo Freitas, que todos conheciam como Paulo Zing, já falecido, tinha o hábito de escolher os melhores anúncios do Círio. Este ano ia roer uma pupunha, como dizia o meu pai...

Por isso escolhi dois. Mas de televisão. E decidi fazer uma homenagem ao veículo impresso, publicando aqui três anúncios veiculados em um domingo de Círio, exatamente como o deste ano, dia 11/10, só que em 1964.

As mensagens de televisão que achei as melhores peças publicitárias relacionadas ao acontecimento foram a da Vale, criação da Galvão Propaganda, que você pode ver clicando aqui e a da Unimed, criação da Mendes Comunicação, que você verá clicando aqui.

Agora vamos às peças de jornal que escolhi, passeando pelas edições que circularam pelas ruas de Belém em 11/10/1964, nos jornais A Província do Pará, Folha do Norte e Jornal do Dia, que tenho em meu arquivo.

O primeiro é do anunciante GuaraSuco, o guaraná dono absoluto do mercado naquela época. A criação, da Mendes utiliza o desenho, como uma boa alternativa: não existiam por aqui fotógrafos especializados em produção publicitária e a gravação dos clichês comprometia bastante. Eu gostei muito desse traço, com uma pessoa em atitude de oração e, no rodapé como que um sky-line em silhueta da romaria. Curioso é que a assinatura do GuaraSuco é discretíssima no anúncio, no rodapé, à direita, deixando a peça inteiramente focada na homenagem.

 

A tradicionalíssima Fábrica Palmeira, produtos saborosos e prédio belíssimo, vitimado pela especulação imobiliária (que acabou fracassando) e hoje um espaço inaproveitado no centro de Belém, estava presente com um anúncio assinado pela Norte Propaganda, a agência de José Severo de Souza, que utilizou uma foto da própria romaria do Círio (na avenida presidente Vargas) e, para a santa, buscou o recurso do desenho.

 

Por fim, um anúncio das lojas RM, de Romulo Maiorana, um comerciante de sucesso, mas já com atividades jornalísticas, pois assinava uma coluna muito lida, quase página inteira, na Folha do Norte – e também neste ramo já fazia sucesso. O anúncio não tem assinatura de agência, mas mostra um tratamento profissional, seja no leiaute limpo e moderno para a época, seja na ilustração muito bem feita. Lembra o traço do ilustrador e diretor de arte Walter Rocha, da Mercúrio Publicidade. Seria dele?

 

 



Escrito por Fernando Jares às 18h18
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A MANIÇOBA DO CÍRIO TÁ NO FOGO?

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“A maniçoba é como se fosse uma feijoada sem feijão, que é substituído pela maniva, as folhas da mandioca.”

Anna Maria Martins ao programa Globo Rural, em junho de 1986.

 

UMA IGUARIA DE SABOR INIGUALÁVEL


Uma bela maniçoba. Foto de folder (antigo!) da Paratur. Criação da Griffo.

Estava eu posto em sossego, em abril deste ano, passeando por uma daquelas ruas de pedras de Paraty, no Rio de Janeiro, quando entro em uma das muitas lojinhas da cidade. Logo vejo um pequeno panfleto a um canto do balcão com o título “Maniçoba”. Saltaram-me os olhos e os sentidos: que fazia um folheto sobre maniçoba naquele local? Vendia maniçoba. Isso mesmo: vendia a maniçoba da Gracinha. O folheto explica que é “uma iguaria da culinária paraense” e mais: “o preparo da maniçoba é feito com as folhas da mandioca brava, moídas e cozidas por aproximadamente uma semana, acrescida dos ingredientes nobres usados na feijoada completa”. Vendem-se porções de ½ e 1kg.

Nesta sexta-feira de Círio, mais gastronômica do que todas as outras, os odores mágicos e agradáveis da cozinha da Nazaré (não a Santa, mas a nossa cozinheira) invadindo este espaço de escrivinhações, penso na maniçoba e outros manjares destes abençoados dias.

É preciso dizer que a maniçoba que vamos comer no domingo, depois de ver o Círio passar, não foi feita cá em casa. Compramo-la de quem a melhor faz pelas ruas de Belém, a equipe responsável pela produção da famosa Maniçoba da Trindade, vendida uma vez por mês por um grupo voluntário de ação social da igreja da Santíssima Trindade. É a mais deliciosa maniçoba que jamais comi.

A maniçoba é um clássico da gastronomia paraense, que ganhou essa definição de d. Anna Maria, definição que também virou um clássico. Hoje todo mundo cita, tem até em trabalho acadêmico. A complexidade do prato é associada ao tempo de cozimento: sete dias, afinal, o tempo que Deus levou para fazer o mundo todo. Talvez por isso a maniçoba seja um mundo de sabores inigualáveis.

O aspecto escuro do prato afasta algumas pessoas que comem com os olhos. Mas quando colocam a primeira porção na boca, desfaz-se a desconfiança e cria-se uma relação de amor, geralmente imorredoura. Tenho que confessar que comigo foi assim... resisti uns tantos anos, mas lá pela adolescência, ao encarar uma maniçoba adubada, na casa de minha tia Amélia (onde, aliás, comia-se o melhor arroz de cuxá do mundo!), nunca mais larguei o garfo.

Ah, deixa eu contar a história da maniçoba de Paraty: quem faz é a Gracinha (Santana), paraense sim. Ela é nutricionista e culinarista, com mãos de fada em uma panela, como dizem os que a conhecem. Sucesso entre os amigos, não é que ela decidiu fazer a maniçoba para vender? E não chega pra quem quer. Aliás, uma vez por mês ela faz o Sábado Paraense na casa dela, para vender pato no tucupi, tacacá, sorvete de cupuaçu, etc. tudo com ingredientes originais, garante. Agora já tem até nome: “Quitutes da Gracinha”.

Você quer uma receita de maniçoba? Pegue a do chef Paulo Martins, que está no site do CyberCook (clique aqui) e que vem a ser a que ele apresenta no livro “Cozinha Paraense”.

Em abril deste ano o “Globo Rural” apresentou uma maniçoba feita por d. Maria Odete Montenegro, até com a presença do chef Fábio Sicília. Acompanhe aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h15
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BATALHA MARKETEIRA EM BELÉM

A EMOCIONANTE PELEJA DO PATARRÃO COM O PERU RICO

Há uma batalha mercadológica na cidade. A poderosa força de mídia do peru Sadia vem, há anos, lutando nas arenas ciriais para desbancar o velho pato, heroi principal das mesas no almoço do dia do Círio, orgulhosamente sobrenadante em tucupi e cercado por jambu, nas casas dos paraenses. Produção local ou do vizinho Estado do Maranhão, o pato luta sozinho contra o peru, produzido em outras plagas bem mais capitalizadas. Sem apoio das organizações, o pobre pato vai sendo esmagado, mas ainda resiste naqueles arraiais efetivamente paraensistas, que nem pensam em trocar a carne forte e resistente aos processos de cocção (assado e fervura no tucupi) de um bom patarrão, por aquela carne esbranquiçada do peru. A força dos exércitos do peru não dá trégua, beneficiada com os preços cada vez mais elevados do pato regional, pela produção que diminui a cada ano, e até ameaçado de ser banido das feiras no ano que vem, imaginem!

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A ação da comunicação do peru é envolvente, cada vez mais utilizando recursos de no-media. Por exemplo, milhares de ventarolas são distribuídas todos os anos na romaria do Círio e eventos paralelos. Além, obviamente, da mídia convencional. Este ano, acho que é novidade, o peru anuncia em paradas de ônibus espalhadas pelas ruas de Belém, como esta que eu fotografei, próximo à Doca (acima, 1). É uma forma de cercar o consumidor, enquanto espera seu bus, momento propício à reflexão ou a um bom papo. O pato, por sua vez, abandonado por quem deveria defender este nosso patrimônio cultural e gastronômico, agarra-se com a santinha padroeira dos paraenses, como nesse anúncio que fotografei hoje pela manhã, na rua Domingos Marreiros (acima, 2), que diz: "Vende-se pato. Nossa Senhora de Nazaré, rogai por nós!"

Vale um registro sobre a campanha do peru: esqueceram o principal do Círio, a santinha, N. S. de Nazaré. “Círio é família, amigos e peru sadia no tucupi”, diz o mote da campanha. Coisa feita por agência de propaganda que nada sabe do nosso viver, com certeza... Tipo aquele anúncio da loja Citylar, que fala em “Círio de Belém”. Provavelmente o redator de Cuiabá não sabe que o Círio é de Nazaré, e que ninguém por aqui fala nesse tal Círio de Belém...

Mas, mancadas publicitárias à parte, resistamos.

O patarrão tem que sobreviver. O Dia do Círio, o Dia dos Paraenses, é dia de pato no tucupi e não dia do Peru no Tucupi (peru é comida de casamento – sem segundas intenções – todo cercadinho de frutas, fritas e farofa). O pato cá de casa veio de Gurupi, ali na fronteira com o Maranhão, trazido pelo meu amigo Vitão. Assim vamos garantindo trabalho e renda para os nossos irmãos daqui mesmo. E o seu pato? Ou você prefere um peru?



Escrito por Fernando Jares às 17h15
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LOUVOR MUSICAL NO CÍRIO

ALEGRIA DA BOA MÚSICA PARA NOSSA SENHORA


Quatro mulheres de Belém do Pará cantando em louvor a uma mulher que, em Belém de Judá, deu à luz o mais importante dos homens. Pode ser assim a síntese do espetáculo “Canções em Romaria”, visto por uma platéia que lotou o teatro Margarida Schivasappa, na noite desta quarta-feira. Escolhi este entre os muitos espetáculos semelhantes em Belém nestes dias. E escolhi bem.

Quatro vozes fortes, definidas, cantando com emoção fizeram uma noite que deixou todo mundo feliz: Andréa Pinheiro, Lucinnha Bastos, Marianne Lima e Martha Serrano, soprano, em participação especial.

A direção musical foi do professor Luiz Pardal.

Ao longo do espetáculo elas passearam por autores paraenses, brasileiros e internacionais, de Edyr Proença, Almirzinho Gabriel, Vital Lima, Euclides Faria, Aderbal Moreira, Francis Hime, Cartola, Fátima Guedes, Bach, Gounod, Schubert, etc.

O público participou em diversas delas, especialmente no “Zouk da Naza”, de Almirzinho. Mas a emoção subiu com “Vós Sois o Lírio Mimoso”, fechado com um magnífico “Magnificat” ao estilo happening, com partículas de alumínio caindo sobre o palco. Mas as meninas guardaram para o “bis” um momento especial de alegria (após a comemoração, por todo o teatro, do aniversário de Andréa Pinheiro, com parabéns, bolo e velinha pra soprar!) com o samba-enredo “A festa do Círio de Nazaré”. Alegria tipicamente paraense em louvar a Mãe de Jesus, louvando a boa música e nossas melhores intérpretes. Foi muito bom, muito legal. Coisa de quem vive ou já andou pelas ruas de Belém.



Escrito por Fernando Jares às 18h31
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A CENSURA AO COMERCIAL DO CÍRIO

EMPRESA PROÍBE DIVULGAR IMAGENS DO CÍRIO

É comum o evento Círio de Nazaré trazer para a mesa de discussão assuntos ligados, direta ou indiretamente, a este monumental acontecimento, que é a maior manifestação cristã mariana do mundo. Apenas esse enunciado de grandeza já identifica a seriedade com que deve ser encarado o Círio, que há muito transcende apenas ao viés religioso. Como se vê, por mobilizar muitas centenas de milhares de pessoas, - os mais avançados falam no deslocamento de 2 milhões de pessoas na romaria, pelas ruas de Belém, - é também um acontecimento político, econômico e social.

Esse introdutório é para comentar a desastrosa atuação da TAM no episódio em que um representante da companhia se recusou a exibir em suas aeronaves, no tempo destinado a projeções publicitárias, um vídeo comercial (exibição paga) do Hangar – Centro de Convenções do Pará, que usava imagens do Círio de Nazaré. A alegação da censura foi explícita: imagens excessivamente religiosas, conforme amplamente publicado nos jornais locais.

Esperei um bom tempo para não comentar o assunto sem uma manifestação da companhia. Até hoje, não aconteceu.

Quer dizer: a ação de um despreparado empregado da companhia converteu-se em uma atitude corporativa da organização. A empresa assume que censurou uma manifestação cultural, popular e religiosa dos paraenses, consubstanciada em mensagem institucional de uma entidade do Governo do Pará, destinada a divulgar este Estado para o publico nacional, utilizando recursos de mídia ofertados publicamente por essa companhia, mediante pagamento dos espaços utilizados.

Houvesse sensibilidade profissional (tipo relações públicas, networking, etc.) em algum escalão gerencial da empresa, um esclarecimento deveria ter sido feito. Da forma como está, caracteriza-se, da parte dessa companhia aérea, a face mais perversa do capitalismo, de explorar o usuário, pouco se importando com a opinião pública.

É inconcebível a recusa, até porque o tal vídeo institucional nada tem de exageradamente religioso (para ver, clique aqui). Sob que foco terá sido olhado? De um xiita de alguma dessas seitas radicais que se dizem evangélicas e odeiam a representação da Mãe de Cristo? De algum amalucado que não gosta de paraenses – que, no entanto, compram milhares de passagens dessa empresa? De um míope marqueteiro, incapaz de ver uma realidade de mercado? A quem a empresa delega essa atribuição? Parece ser a um incompetente. Aí, rezo eu a Nossa Senhora de Nazaré, para que os demais empregados sejam selecionados com mais critério, especialmente aqueles que operam as aeronaves!

Essa é a imagem que tenho agora da companhia. Mas ainda espero uma explicação, como milhares de pessoas neste Estado.

Do contrário, vai ficar valendo a piadinha que já circula por aí: nesses aviões só é permitido falar em Nossa Senhora quando o avião está caindo.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h31
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UM FILHOTE ENTRE ESTRELAS

GASTRONOMIA AMAZÔNICA: MAIS PROMOÇÃO


Josimar e NatGeo pelos rios da Amazônia.

Vocês nem imaginam quem eu encontrei domingo à noite, no programa “O Guia”, do Josimar Melo, no canal fechado NatGeo: o guia Abdias e a índia Baku. Lembram deles? Andaram aqui por este blog na semana passada, quando fiz a resenha dos dois programas da série “Menu Confiança – Amazônia”, com o Claude Troisgros visitando o Amazonas, depois de ter feito um tour gastronômico pelas ruas de Belém nos dois programas anteriores. Pra ler, basta clicar aqui e aqui.

“O Guia” é um programa de viagens, rico em informações, mas com foco na gastronomia, isto é, um guia turístico gastronômico – da melhor qualidade. Gosto de ver. O Josimar Melo é um jornalista especializado no assunto, com muita tarimba, um dos principais do país, atuando na Folha de S. Paulo, com blog no UOL e autor de diversos livros. Agora vara o mundo com a bandeira National Geographic Channel e apresenta, todas as semanas, este programa, às 20h dos domingos.

Visita os melhores restaurantes, conversa com os maiores chefs do mundo, acompanha a produção dos pratos, às vezes até dos ingredientes (apanhando trufas na Toscana foi magistral).

Pois bem, domingo ele mostrou o Amazonas e suas iguarias em “O Guia” fazendo o roteiro do Abdias (do Ariaú Tower), que incluiu a pesca de piranhas para fazer uma sopa. Depois foram a uma tribo e lá estava d. Baku, com seu jacaré defumado e uns goles. Antes ele conheceu a farmácia natural da aldeia, e Josimar bem que precisava: na véspera tinha participado de um ritual do Santo Daime...

Encantado com os peixes amazônicos, Josimar pegou um filhote e levou para São Paulo, direto para o D.O.M., o restaurante de Alex Atala, destacando a importância dos ingredientes amazônicos no cardápio desse que é um dos 50 melhores restaurantes do mundo.

Mas olha só: vai chegando e encontra “casualmente” o espanhol Ferrán Adrià, o mais famoso chef do mundo. Adrià estava de passagem por São Paulo, vindo para sua visita à Amazônia, quando cá esteve, pelas ruas de Belém, pelos campos do Marajó, etc.

Juntos foram à feira (em SP), compraram os ingredientes e fizeram o peixe, em meio a grandes elogios ao filhote (“de sabor delicado”) e aos produtos amazônicos.

Mais promoção de altíssimo nível, em mídia altamente qualificada, para a culinária amazônica. E, aparentemente, as autoridades, turísticas e culturais, vão deixando o gaiola passar...

 



Escrito por Fernando Jares às 18h05
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VEÍCULO PUBLICITÁRIO À VENDA

OUTDOOR VOLANTE NATUREBA

Pode ser negócio de ocasião, pegar ou largar. Depende de sua capacidade de investimento e do foco de seu negócio. Parece que o vendedor está interessado em uma boa proposta. Há um veículo publicitário à venda. Vi-o ali no início da Pedro Miranda. Veja você:

 

Trata-se de uma carrocinha-publicitária, toda em aço, construída para ser um outdoor-volante, para circular pelas ruas de Belém com suas mensagens. Veja que, além do anúncio de “Vende-se” ainda aparecem as peças do último anunciante que utilizou essa mídia natural (conduzida por um cavalo, não polui o ambiente com gases venenosos, como os carros, e a poluição que gera é biodegradável...). Mostrando a tendência publicitária do investidor, o veículo estava estacionado em frente a um grande painel pintado.

Ao que apurei a desistência do proprietário deve-se a problemas de operação do veículo e não do negócio em si. Ah, o preço do veículo estava em R$ 1.000,00, ...antes da divulgação deste post.

 



Escrito por Fernando Jares às 15h05
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EDWALDO MARTINS PARA A HISTÓRIA

UMA ANTOLOGIA EM FRENTE


Os 70 anos de nascimento do jornalista Edwaldo Martins foram assinalados com uma missa celebrada sábado, na igreja de Santo Alexandre. Caso ele pudesse opinar, não sei se seria essa a igreja que ele escolheria. Mas tenho certeza absoluta que concordaria com ela. Defensor intransigente dos melhores valores paraensistas, por certo ficou muito alegre, lá onde estiver agora, em ver a data celebrada em um dos patrimônios culturais mais valiosos dos que temos pelas ruas de Belém, cuja “novela” de recuperação (mais de 20 anos) ele acompanhou e participou, com a intervenção e participação que o bom jornalismo deve proporcionar a sua cidade.

“Quanta falta faz o Edwaldo Martins à imprensa paraense! Foi um profissional único. A correção no apresentar a notícia, a responsabilidade em checar a informação. A batalha diária para obter, para seus leitores, as melhores notícias, em primeira mão. Havia prazer no fazer, que gerava o prazer em ler.

Era especial não apenas no estrito sentido do jornalismo. Era amigo, era cordial, era solidário, era participante. Quem com ele convivia, gostava dele.

Estivemos muito próximos, muitos anos. Fomos sócios (na Relp-Relações Públicas & Comunicação, mais o Orlando Carneiro) e fui redator substituto de sua coluna na Província, nas férias, nas viagens, e até em doença. Com ele aprendi muita coisa, da técnica e da ética. Ficou-me inesquecível. Cito-o sempre que posso. Para que não seja esquecido.”

Com esse texto aí em cima participo da antologia de depoimentos sobre Edwaldo Martins, denominada “EM Frente” (título de coluna que assinou durante muitos anos) uma feliz idéia realizada por Paulo Verbicaro Giestas e outros grandes amigos deste querido jornalista, lançado sábado, durante a missa dos 70 anos do homenageado.

A igreja estava cheia e lá estavam aqueles que a gente sabe que Didi queria bem. Foi bonito ver aquela gente rezando pelo amigo, que todos queriam imensamente. Todos que ali estavam, estavam por amor.

Era para ser 70 depoimentos, mas acabaram sendo mais e logo notei que tem uma penca de gente faltando, por falta de espaço, oportunidade de contato, etc. Tem “de um tudo”, como ele gostava de dizer. Do lancinante “Didiiiiiiiiiiiiiiiiii” cheio de saudade que encerra o depoimento de Augusto Rodrigues a mensagens de gente daqui e d’alem mar, em ordem alfabética. Na contracapa há um texto fora dessa ordem porque é acompanhado de uma ilustração e merece o destaque. Escreveu-o e ilustrou-o Dina Oliveira, cuja arte ele tanto admirava. Reproduzo a seguir uma parte do texto de Dina e a ilustração:

Um homem que com sensibilidade e inteligência escreve a cidade, o rio, a cultura, os homens e mulheres na (e além da) linha do horizonte do Guamá.

Um amoroso cavalheiro que usou sua língua delicadamente afiada, sua percepção cotidianamente aguda, e seu espírito sempre ético, jovem, atrevido, moleque e, sobretudo, amigo como o traço que correndo na ponta do lápis indica, ainda, a possibilidade de sermos humanos.

Obrigada Didi por generosamente existires.”


Por fim, não resisto a publicar uma foto que marca uma boa parte da história do melhor jornalismo paraense: Edwaldo Martins ao lado de Edgar Proença, jornalista e radialista, considerado o primeiro colunista moderno da sociedade paraense, que teve atuação importante na comunicação no Estado, de fundador da Rádio Clube do Pará a sua grande participação em veículos impressos, como a revista “A Semana”. Tenho a ventura de ter convivido com ambos. O Didi também gostaria de ver esta foto publicada, com certeza.


 



Escrito por Fernando Jares às 17h23
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COPENHAGUE, BELÉM, BRAGANÇA E PARIS.

FRASES GASTRONÔMICAS DA SEMANA

“Comida de avião me dá azia”

Presidente Luís Inácio Lula da Silva, citado por Ancelmo Gois em sua coluna de 21/09/2009.

“A qualidade da comida é inversamente proporcional à altitude da sala de jantar, com os aviões sendo o melhor exemplo”

Bryan Miller, jornalista gastronômico do "The New York Times".

 

A MELHOR GASTRONOMIA EM UMA BOA LEMBRANÇA

Ao ver o presidente Lula festejar a sua segunda grande conquista esportivo-popular internacional, a Olimpíada 2016, imaginei-o mais tarde, jantando em um bom restaurante de Copenhague. O que, aliás, é muito justo. E logo me veio à lembrança que ele vai pegar um avião para voltar ao Brasil e ter alguma azia... como afirma aí em cima.

Parece que ele tem razão. Li, há tempos, na coluna do Josimar Melo, no site do Basilico, que o chef Wolfgang Puck, do Spago, de Los Angeles, afirma que "Uma linha aérea é um ótimo lugar para fazer dieta". Além do colega do NYT, citado aí nas frases.

Essa foi uma das mudanças da modernidade, ou melhor, da globalização, pelo menos aqui no Brasil. Antes, ao menos a Varig, tinha uma alimentação ótima. Eu adoooorava voar para comer aquele tipo de refeição diferente. A primeira classe da Varig teve até chef e pertenceu à Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança. Por diversas vezes foi eleita a companhia internacional com o melhor serviço, por revistas especializadas, que ouviam viajantes habituais.

Mas hoje as coisas mudaram muito... Já não existe aquela Varig e as comidinhas, quase minimalistas (sem depreciar este ramo da alta gastronomia...), servidas a bordo são fast-food velhão. Ano passado tive de fazer um desses roteiros malucos de três escalas: quase passei mal de tanta sanduíche sem graça. E olha que eu sou malucão por sanduíche (exatamente por isso, sempre dava uma chance a do novo trecho, a ver se seria melhor que a anterior – argh).

Lembrando-me da Varig, desses áureos tempos, veio-me à mente (e ao coração) o nome de Edwaldo de Souza Martins que, se não tivesse sido levado por Deus antes da data que a gente gostaria, amanhã (03/03) faria 70 anos. Foi um dos maiores jornalistas do Pará e, seguramente, o mais completo de todos os colunistas paraenses. Lê-lo era um momento especial, ouvi-lo, um privilégio.

Edwaldo era um viajante por excelência. Em viajar e conhecer o mundo, concentrava grande parte de suas melhores energias. Viajante inveterado, globe-trotter no mais completo sentido do termo – “o que eu fiz de melhor na minha vida foi viajar”, afirmou em entrevista a Karime Darwich Barra, em 2002, tinha na gastronomia outra de suas paixões. Frequentava os melhores restaurantes pelas ruas de Belém, do país e do mundo, mas não desprezava uma comidinha simples, popular ou caseira.

Assíduo ao “Lá em Casa”, desde os primeiros tempos, tinha lá um prato em sua homenagem, o “Camarão à Didi”, que consagrava o nome como era chamado pelos amigos, em um prato que ele amava. Depois o prato migrou para o cardápio do restaurante “Chatinha”, em um navio ancorado no porto de Belém (onde hoje está a Estação das Docas) e é dele que reproduzo uma parte. Tive duas ótimas ligações aqui: participei da primeira degustação do “Camarão à Didi”, para receber a aprovação do “muso inspirador” e redigi esse cardápio para a ”Chatinha”.

Por isso, o post desta sexta gastronômica – em uma semana em que este blog esteve voltado para eventos ligados à gastronomia – é reservado para homenagear esse homem de grande valor, um paraense, de Bragança, que amou sua terra (a terrinha, como chamava) como se fosse uma parte de si mesmo. E completo a homenagem com uma foto que ele, por certo, gostaria de ver publicada. O caboclo bragantino aboletado no, àquela altura, mais requintado e luxuoso restaurante do mundo, o Maxim’s, de Paris. Ao lado, dois grandes amigos do Didi: Marizita e Manoel (Nelito) Pinto da Silva Jr. (que fazia uma pós-graduação por lá, acho que doutorado). Imagino que, neste momento, lá em cima, devem, os três, estar olhando para esta foto e recordando o bom momento. Vamos, os outros que ainda cá estamos, ver também a foto:

 



Escrito por Fernando Jares às 17h36
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UM PRATO PARAENSE EM SAMPA

TAMBAQUI EMPRESTADO PARA O "EMPRESTADO"

Belém é uma das sete cidades brasileiras convidadas a emprestarem um prato para o cardápio de um restaurante em São Paulo. Tudo dentro dos conformes, autoria reconhecida, “empréstimo” autorizado pelo autor, sem pirataria ou coisa semelhante...

Tudo começou com a ideia de Nana Tavares e Renato de Souza, de poder degustar “um prato maravilhoso, de um restaurante tão maravilhoso quanto, de fora de São Paulo, mas aqui em São Paulo”.

A dupla escolheu as cidades e saiu pelo Brasil para negociar. Daí surgiu o “Emprestado”, com sua proposta de reunir receitas de restaurantes consagrados em várias cidades do Brasil. “São sete pratos emprestados, com receitas fiéis às matrizes e autorizados”.

É novidade mesmo: o restaurante abriu na segunda quinzena de julho, em um sobrado na Vila Madalena.

Vejam as cidades/restaurantes escolhidos:

- Belém – Lá em Casa

- Natal – Camarões Potiguar

- Salvador – Paraíso Tropical

- Pirenópolis – Empório Cerrado

- Tiradentes – Pau de Angu

- Paraty – Banana da Terra

- Vale dos Vinhedos – Hostaria Casacurta

Eles estiveram no “Lá em Casa” e assim registraram o contato: “contamos agora com o fantástico Paulo Martins e seu delicioso ‘Lá em Casa’. Não pudemos estar com ele, mas estivemos com sua esposa, Tânia e suas filhas Joanna e Daniela”. Optaram pelo “Picadinho de Tambaqui” para ser o primeiro prato “made in Pará” para fazer sucesso legal em São Paulo.

 

O “Picadinho de Tambaqui” servido no “Emprestado”. Foto do Estilo de Vida/MSN, aqui.

Para conhecer os pratos emprestados, como aconteceu tudo isso, o endereço, e o cardápio do próprio restaurante, dê uma passadinha no site do “Emprestado”, clicando aqui.

A idéia permite aos paulistanos fazer turismo gastronômico sem sair da cidade, com os pratos na versão original, inclusive ingredientes. Veja o caso do chef Paulo Martins: picadinho do tambaqui, arroz de jambu, banana frita e farofa, com material fornecido daqui de Belém.

Mas, o que eu acho mais importante, é o crédito, o respeito ao criador do prato, dono do legítimo direito autoral sobre sua criação. Não como fazem, até aqui mesmo, pelas ruas de Belém, onde tem restaurante fino e boteco sem-vergonha, que lança mão das criações de Paulo Martins (como o Arroz de Jambu, o Muçuã de Botequim, o Pato do Imperador, o Filé Marajoara) e manda ver, sem ao menos o crédito. Às vezes, mudam o nome, como o tal “pato do japa”, igualzinho ao “Pato do Imperador”, reconhecendo que o prato foi criado para o Imperador do Japão em visita a Belém e, de quebra, desrespeitam essa autoridade estrangeira... Outro bom (aliás, mau) exemplo é o que fez um restaurante no Rio com o “Muçuã de Botequim”, que denunciamos neste blog, em junho passado, que você pode ler clicando aqui e que rendeu até cartas na Vejinha/Rio, aqui.

De minha parte, já está na listinha para visitar na próxima parada em São Paulo.

 



Escrito por Fernando Jares às 11h51
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