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PELAS RUAS DE BELÉM


UM PRATO FRANCO-AMAZÔNICO NA FLORESTA

DE JACARÉ NA BRASA A RATATOUILLE


Surubim com ratatouille na floresta amazônica.

D. Bacu, a índia Sahu-apé, de uma comunidade próxima a Manaus, roubou a cena do último programa da série “Menu Confiança – Amazônia”, no GNT. Esperta e inteligente, falando na sua língua nativa e em português, recebeu Claude Troisgros com um jacaré na brasa e uma daquelas bebidas que eles fazem a partir da mandioca fermentada e de patauá.

Claude tentou explicar como é a carne do jacaré: “É carne branca, lembra peixe. Tem uma textura fibrosa, parece bacalhau”, falou olhando para d. Bacu, ao que ela de pronto reagiu: “Não sei de bacalhau, mas de jacaré eu sei”. Lembrei-me da primeira vez que comi jacaré, lá mesmo em Manaus, uma delícia. Ainda não era proibido. Aqui, pelas ruas de Belém também havia jacaré, como no restaurante do Círculo Militar, onde o Carlos garantia um churrasco de rabo de jacaré digno dos melhores paladares.

A índia serviu como acompanhamento um belo dum beiju.

Em outro momento, diante de um bom naco de peixe, o chef francês afirma que comeria só ele todo o peixe, ao que d. Bacu disse que, com os índios é diferente: vão dividindo, um pedacinho para cada um, até acabar – e todos comem igual...

A grande atração do programa ficou por conta de três belos surubins assados, servidos com ratatouille, tradicional e popular prato da França, baseado em legumes – que até foi “estrela” e deu o nome a um filme de animação da Pixar, que fez muito sucesso com um rato cozinheiro.

Troisgros preparou a base do prato no hotel, com apoio do chef local Gabriel Lima, e levou para a tribo, onde serviu a sua criação franco-brasileira em um verdadeiro banquete para 30 pessoas e, ainda ao final, fez uma surpresa: um bolo para comemorar os nove anos de uma menina da tribo, quando todos cantaram o mais que conhecido “Parabéns pra você”.

Gostei de d. Bacu e seus parentes terem colocado farinha na ratatouille, no que foram acompanhados pelo visitante. Imagino que deve ter ficado maravilhosa a combinação, especialmente com farinha fresquinha, feita pelos índios.

No Rio a sommelière Deise Novakovski, que apresenta o “Menu Confiança” com Claude Troisgros, foi ao restaurante “Aconchego Carioca” para fazer uma harmonização à distância, sugerindo os vinhos para o prato servido na floresta: o francês “Cuvée des Ardoises Château des Erles” e o californiano “Sonoma County Zinfandel”.

Para saber como se faz um surubim com ratatouille, vá até o site do programa, clicando aqui.

E, para encerrar a série sobre a gastronomia amazônica no “Menu Confiança”, nada melhor do que curtir alguns erros de gravação ou brincadeiras, que estão aqui.



Escrito por Fernando Jares às 19h59
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COZINHA AMAZÔNICA NA TV

CLAUDE TROISGROS SERVE AOS ÍNDIOS


O chef francês Claude Troisgros, vive hoje seu quarto e último programa da série “Menu Confiança – Amazônia”. Os primeiros dois foram um tour gastronômico pelas ruas de Belém, e merecem entrar nas antologias eletrônicas da gastronomia paraense. Excelentes. Saiba sobre eles, clicando aqui e aqui. Os outros foram no Amazonas.

No de hoje (GNT, 22h) Claude passa o dia em uma tribo indígena às margens do rio Negro e prepara um típico jantar francês para os índios, com três surubins frescos e o tradicional prato francês ratatouille. Imaginem no que vai dar...

Deise Novakoski, sua parceira na apresentação do programa, faz uma harmonização à distância, já que não o acompanhou na aventura amazônica...

TERCEIRO PROGRAMA

No programa visto segunda passada, Claude Troisgros viveu uma experiência única para a maioria das pessoas das grandes cidades, mesmo das nossas aqui do Norte: às margens do rio Negro, a bordo de um bote do Ariaú, aquele hotel que tem uma casa no topo de uma árvore, foi pescar piranhas. Vexame: não fisgou nenhuma, mas seu guia, Abdias, pegou 13! Com elas, na casa de Dorian, um “rrribeirinha”, como disse, d. Neide, a esposa de Dorian, fez uma sopa de piranha.

Claude também acompanhou a produção de derivados da mandioca: tucupi, polvilho, farinha, sempre metendo a mão, participando. No final, comandou a preparação de um “Tambaqui Grelhado com Molho de Piranha”. O molho era a sopa, com tucupi e pimenta, que ele deitou sobre os pedaços do peixe. Só tinha que estar maravilha: ao tambaqui, basta grelhar e já é delicioso. E este, tinha uma cara espetacular... D. Neide ainda ganhou um elogio extra: “Já cozinhei em muitas casas e muitos restaurantes. Mas nunca vi uma faca tão bem afiada”, disse fascinado com o instrumento com que cortava os ingredientes.

Além disso, CT acompanhou o processo do açaí: a colheita, a limpeza e a retirada da polpa, esta feita manualmente, no pilão. O resultado foi um Troisgros lambendo-se de felicidade, muito justa, com um açaí tirado na hora, literalmente, acompanhado de uma farinha fresquíssima. Quer melhor? Teve: tapioquinha com o polvilho novíssimo, assada e cheia de margarina (eu prefiro manteiga...). Um processo um pouco diferente deste nosso, mas com um visual que deu vontade de mastigar a tevê.

Metendo a mão na massa amazônica, Troisgros não cansava de elogiar a gastronomia da região, até à emoção: “ah se meu pai, lá de Roanne, me visse”...

As receitas da sopa de piranha e do tambaqui na brasa estão no site do programa, que você acessa clicando aqui.

E você também pode conhecer um pouco do Claude Troisgros, no Correio Gourmand, clicando aqui. Ou no site do grande chef, clicando aqui.

Horários alternativos do “Menu Confiança – Amazônia”: terça, às 13h30; quinta, às 12h; sexta, às 7h; domingo, às 17h; segunda, às 9h30.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h23
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MAIS UM DALCÍDIO JURANDIR

UEPA RELANÇA “PRIMEIRA MANHÔ

No centenário de nascimento do escritor marajoara Dalcídio Jurandir, mais uma obra será lançada este mês. Como se sabe, quase todos os livros do consagrado autor de “Chove nos campos de Cachoeira” estão esgotados, há anos. O movimento pela reedição destas obras é uma contribuição notável à literatura paraense.

Agora é a vez da Editora da UEPA, a Universidade do Estado, contribuir com a reedição de “Primeira Manhã” (1968), que vem a ser o sexto livro do ciclo “Extremo Norte”, de Dalcídio, um dos romances dalcidianos de uma única edição. Como destaca a Assessoria de Comunicação da UEPA, através da ficção, o autor abre a discussão sobre práticas educativas no Brasil-Amazônia. Alfredo, protagonista, vivencia os desencantos com a escola, as percepções sobre as mazelas humanas e a saga do personagem por uma vida melhor. Dalcídio estudou aqui pelas ruas de Belém (no Barão do Rio Branco e no Paes de Carvalho) e, como nunca li este livro, estou curioso por essas observações.

Com "Primeira Manhã" a universidade estadual abre a linha editorial “Memórias Reeditadas”, onde promete resgatar obras literárias ou científicas esgotadas que tenham a região como tema.

O lançamento será na próxima terça-feira, 29, às 18h, na Editora da UEPA, na travessa Dom Pedro I, 519, onde o livro já pode ser adquirido, em pré-venda, por R$ 40.

Mas no dia do lançamento vai ter festa bonita em homenagem ao grande paraense, com piano e canto (Eliana Cutrim e Rafael Nolleto), literatura de cordel (alunos de Letras), teatro (grupo de Ponta de Pedras, cidade natal de Dalcídio) e samba enredo (Quem São Eles). Veja a programação detalhada e mais informações no site da UEPA, clicando aqui.

Para saber mais sobre Dalcídio Jurandir, você pode ir ao site “Dalcídio Jurandir – romancista da Amazônia”, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 12h02
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JESUÍTAS NO GRÃO-PARÁ

PRESENÇA E EXPULSÃO DOS JESUÍTAS

 

Igreja de Santo Alexandre/Museu de Arte Sacra, no centro da presença jesuítica no Pará. Foto da Wikipidia.

A importância cultural dos jesuítas na história colonial paraense é muito grande e, neste ano que marca os 250 anos da expulsão desses padres do Brasil, é oportuno estudar, entender mais e discutir a presença da ordem inaciana nesta região.

O Museu de Arte Sacra realiza uma programação de exposição e palestras com o objetivo de revisitar o patrimônio deixado pelos jesuítas.

A exposição "A presença e a expulsão dos jesuítas no Pará", montada com o acervo do MAS, está aberta até o dia 30 na Galeria Fidanza, nesse museu, das 10h às 16h. São imagens de santos da Companhia de Jesus, como São Francisco Xavier, Santo Ignacio de Loyola e São Francisco de Borja.

Um valioso ciclo de palestras e mesas redondas, sempre às 19h, começa no dia 28, segunda-feira, na igreja de Santo Alexandre, como informa a Agência Pará, com a conferência de Geraldo Mártires Coelho, "A presença e a expulsão dos jesuítas no Pará - O patrimônio jesuítico revisitado". No dia seguinte, 29, terá lugar a mesa-redonda "Presença jesuítica: experiências na Amazônia", com Décio Gusmão discorrendo sobre "Os aldeamentos jesuíticos e seu significado para a colonização portuguesa na Amazônia colonial (1653-1759)", e Rafael Chambouleyron falando sobre "A companhia de Jesus e o ensino na Amazônia seiscentista".

No dia 30, uma atraente mesa-redonda abordará “A escrita jesuítica no Pará”, com a participação de Karl Heinz Arenz, apresentando o trabalho "Uma rede tecida com papel - os escritos jesuíticos e sua importância no contexto da expansão européia dos séculos XIV a XVIII", e do padre Ilário Govoni sobre "O inventário dos bens dos jesuítas e outros documentos".

Com entrada franca e certificados a realização é da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), por meio do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIM) e Museu de Arte Sacra (MAS); e apoio do Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Associação Amigos dos Museus do Pará (AMU).



Escrito por Fernando Jares às 18h14
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O MIRITI COMO INSUMO DA ARTE

AS MIRIBOLANTES ESCULTURAS DO FRANCELINO

 

O artista plástico Francelino Mesquita é um abaetetubense que entende tudo de miriti, como se diz lá e aqui pelas ruas de Belém, ou buriti, como dizíamos quando eu era criança pequena lá em Capanema. Aliás, o dicionário Houaiss diz que miriti é o mesmo que buriti, privilegiando esta palavra, uma palmeira que produz a fibra com que se fazem brinquedos, enfeites e adereços dos mais diversos tipos, as talas para os papagaios (pipas), etc. Cujo fruto também é delicioso: “D. Amélia, chegue e prove deste doce de miriti” escreveu Dalcídio Jurandir em “Primeira Manhã”. Um elemento recorrente na vida do paraense, desde a infância, alimentando sua fantasia, seu imaginário, especialmente na época do Círio de Nazaré, quando os “brinquedos de miriti” fazem a alegria da criançada: barquinhos; casinhas; pássaros; brinquedos articulados com movimento como os passarinhos que bicam a comida, a cobra que se mexe ou o ratinho que corre; instrumentos musicais (reco-reco, por exemplo) e por aí. Mas há também miniberlindas, santinhas e, mais recentemente, até aviões... Quando eu trabalhava na Mercúrio Publicidade, tinha uma estante decorada com brinquedos de miriti. Belíssimo efeito visual que até serviu de inspiração a um anúncio para o Basa.

Pois bem, o Francelino Mesquita, menino criado fazendo pipas e papagaios, que empinava e vendia, como todo garoto esperto do interior, agregou os conhecimentos que obteve ao se tornar técnico em edificações a essas informações que estavam no seu DNA cultural e não deu outra: conseguiu transformar o miriti em “Miribolantes” 40 esculturas, em exposição na Galeria de Arte Graça Landeira, na Unama!

Além da composição conseguida com o uso criativo da fibra e das talas, o artista jogou, e muito bem, com a iluminação, obtendo um belo efeito de sombras. Criatividade legitimamente paraense, que merece ser visitada – e rapidinho, porque a exposição só fica até o dia 8 de outubro.

Para conhecer um pouco mais do Francelino e de suas criações, vamos à fonte abaetetubense, clicando aqui. Mais uma obra em miriti:


 



Escrito por Fernando Jares às 17h33
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NARRATIVAS VISUAIS E PROCESSO CRIATIVO

CULTURA VISUAL DEBATE PROCESSO CRIATIVO E LINGUAGEM

Um seminário sobre “Narrativas Visuais: processo criativo e linguagem”, no próximo dia 1º de outubro, desdobra a mesa redonda com o mesmo título realizada no XV Fórum Paraense de Letras, da Unama. Acontece que os debatedores tinham tanto a ofertar e os participantes tanto a perguntar, contribuir, discutir, que a organização do evento decidiu dar prosseguimento ao encontro, uma excelente oportunidade para estudar a cultura visual pelas ruas de Belém.

Participam Armando Queiroz, “Processo criativo e poéticas visuais”, Mariano Klautau Filho, “Processo criativo e linguagem na fotografia”, João Inácio, “Processo criativo e linguagem nos curtas do cinema paraense”. Mediadora: Ana Del Tabor. Coordenação: Francisco Cardoso

Será às 19h no auditório David Mufarrej, Campus Alcindo Cacela, com acesso pela Galeria de Arte UNAMA.

O acesso é livre, sendo uma programação aberta à comunidade interna e externa, com certificação de Atividade Complementar para os alunos.

A promoção é do Núcleo Cultural, Curso de Letras, Curso de Artes Visuais e Tecnologias da Imagem da Universidade da Amazônia – UNAMA.

Segundo a organização do Seminário, “quase tudo do pouco que conhecemos, em relação ao conhecimento produzido, nos chega pelos meios de informação e comunicação. Essas, por sua vez, também constroem imagens do mundo. Imagens e narrativas visuais existem em nossa sociedade contemporânea. Conexões entre os saberes se fazem necessárias. Para alguns, a cultura visual é uma estratégia para compreender a vida contemporânea. Discute-se a necessidade de uma alfabetização visual que se expressa em várias designações como: leitura de imagens e compreensão crítica da cultura visual. Fora isso, frequentes mudanças de expressões e conceitos dificultam o entendimento dessas propostas para o currículo escolar, a definição do/a professor/a responsável por tal conhecimento e o referencial teórico do mesmo.

Diante disso, como forma de ampliar as conexões com outros saberes para que, juntos, possamos tentar organizar outros discursos com os saberes mosaicos que todos possuem, organizamos, em um primeiro momento, este seminário.”



Escrito por Fernando Jares às 18h51
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O MELHOR DO NORTE

“LÁ EM CASA” GANHA PRÊMIO GUIA QUATRO RODAS

O restaurante “Lá Em Casa” foi proclamado o Melhor Restaurante da Região Norte, em cerimônia na noite de ontem, em São Paulo, na entrega do prêmio “O Melhor do Guia Quatro Rodas 2010”, uma seletíssima lista entre as muitas centenas de organizações ligadas ao turismo, alimentação, hospedagem, etc. que o G4R visita anualmente, para avaliação.

O título conquistado pelo restaurante da família Martins consagra, mais uma vez, o trabalho extraordinário do chef paraense Paulo Martins (foto), com inspiração e liderança de sua mãe, a sempre querida e lembrada d. Anna Maria Martins que, reescrevendo as melhores receitas praticadas pelas ruas de Belém, criou pratos que são referência nacional.

Apresentando este restaurante, o site do prêmio informa:

“Pertence ao chef Paulo Martins, o maior propagador da culinária amazônica no Brasil. Embora esteja afastado devido a problemas de saúde, ele mantém suas criações no cardápio, como o filhote com bacuri e o hadoque paraense – uma posta de gurijuba banhada no urucum e defumada. Também monta bufê no almoço (12h/16h), com pequena oferta de receitas típicas.”

Divulguei a notícia ontem à noite no Twitter, no momento em que o site ViajeAqui, da Abril, colocava a informação no ar e a filha de Paulo, Joanna Martins, recebia o prêmio em São Paulo. O “Lá Em Casa” é o único estabelecimento da região a participar na lista desta premiação. O Guia relaciona outros restaurantes avaliados, mas apenas um foi o eleito por esta criteriosa seleção.

Veja aqui os principais premiados pelo Guia Quatro Rodas, de acordo com o blogDireto do Forno”, do próprio Guia, e faça a agenda de suas visitas gastronômicas nas próximas viagens nacionais:

Chef do Ano - Roberta Sudbrack - (Roberta Sudbrack, Rio de Janeiro, RJ)
Chef Revelação - Fernando e Juliano Basile - (Le Gourmet Bistrot, Gonçalves, MG)
Novidade do Ano – Oscar - (Brasília, DF)
Restaurateur do Ano - Junior Durski - (Durski e Madero, Curitiba, PR)
Melhor Carta de Vinhos – Varanda - (São Paulo, SP)
Melhor Restaurante da Região Norte - Lá Em Casa - (Belém, PA)
Melhor Restaurante da Região Nordeste – Nostradamus - (Fortaleza, CE)
Melhor Restaurante da Região Centro-Oeste - Al Manzul - (Cuiabá, MT)
Melhor Restaurante da Região Sudeste – Fasano - (São Paulo, SP)
Melhor Restaurante da Região Sul – Durski - (Curitiba, PR)
Melhor Restaurante do Brasil – Fasano - (São Paulo, SP)
Os restaurantes 3 Estrelas:
- Antiquarius (Rio de Janeiro, RJ)
- D.O.M. (São Paulo, SP)
- Fasano (São Paulo, SP)
- Le Pré Catelan (Rio de Janeiro-RJ)
- Locanda della Mimosa (Petrópolis-RJ)
- Olympe (Rio de Janeiro-RJ)

Veja que nesta lista dos três estrelas, os ultra-melhores do Brasil, estão três dos chefs que vieram a Belém para o festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, edição especial em homenagem a Paulo Martins (leia sobre, clicando aqui): Alex Atala (D.O.M.), Dânio Braga (Locanda Della Mimosa) e Claude Troisgros (Olympe)!

Mais informações sobre o prêmio do Guia Quatro Rodas, como a relação dos restaurantes que receberam duas estrelas e uma estrela, os hotéis premiados, etc., clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 14h18
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MUVUCA HISTÓRICA NA SÉ

O BELO ENCARTE E A HISTÓRIA DA CATEDRAL

Um belo encarte de quatro páginas publicado ontem (domingo, 20/09) em um jornal de Belém, pelo governo do Estado, sobre a requintada restauração da Catedral de Belém, instaurou uma muvuca histórica, uma confusão sobre as origens da monumental igreja.

Diz o texto do encarte: “A Catedral da Sé, um dos mais importantes símbolos paraenses, nasceu no coração da Cidade Velha, em 1713, inicialmente chamada de Igreja Cathedral de Santa Maria de Bellem do Grão Pará...”. Ora, não parece ter havido uma igreja dedicada a N. S. de Belem. Isso pode parecer estranho hoje: mas Francisco Caldeira de Castello Branco, ao fundar a cidade, em 1616 mandou construir na fortaleza que estabelecera (o hoje Forte do Castelo), “uma pequena igreja inaugurada a Nossa Senhora da Graça, que foi a primeira Matriz da Colônia. Lança os humildes cimentos de uma cidade (1616): declara-lhe Padroeira Nossa Senhora com o título de Belem”, conforme registrou Antonio Ladislau Monteiro Baena em “Compêndio das Eras da Província do Pará” (1838), página 23 da edição de 1969, da Universidade Federal do Pará.

A igreja daquela época não poderia ser catedral, pois o Pará não era diocese, não tinha bispo para sentar-se na “sede” da catedral. Aliás, o próprio texto do encarte afirma, “Belém foi definida como sede episcopal em 1719”. Aqui houve uma antecipaçãozinha de um ano: “A 13 de novembro de 1720 o Pará foi constituído em Bispado e concedidos à matriz de Nossa Senhora da Graça os direitos e honras da Sé Episcopal”, afirma o historiador Ernesto Cruz em sua “História do Pará” (1963), volume I, página 206.

Neste mesmo texto Ernesto Cruz deixa muito claro que a igreja que foi elevada à catedral sempre foi N. S. da Graça, como já visto em Baena.

Embora afirme inicialmente que a Sé originou-se dessa “Cathedral de Santa Maria de Belém” o texto do encarte logo a seguir diz que “a pequena igreja dedicada a Nossa Senhora das Graças transformou-se em sede da diocese do Pará”, quase acertando, não fosse que o nome efetivo do orago é N. S. da Graça. Na verdade a invocação à Nossa Senhora das Graças só entrou história da igreja católica muitíssimo depois, em 1830, com as aparições da Virgem Santíssima à Catarina Labouré, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris. A invocação Nossa Senhora da Graça, ao contrário, era muito usual em Portugal naqueles tempos – existem ainda cidades com esse nome, no Portugal de hoje.

Diversamente do que afirma o encarte, Landi não é o responsável pelo “plano de construção” do templo, pois quando aqui o italiano começou a trabalhar, em 1759, as obras já haviam sido iniciadas. Por muito tempo a Catedral foi considerada obra integral de Landi, mas não o é mais, e vemos isso até no ótimo site do Fórum Landi, que apresenta assim a participação do genial artista na Sé: “Landi trabalhou no projeto de conclusão da igreja e de seus anexos, além da fachada com seu remate e as duas torres. Para o interior, o artista desenhou os retábulos, o transepto da capela-mor, os púlpitos, o órgão e o guarda-vento. De todas essas contribuições, só permanecem os retábulos das capelas laterais da nave”. Infelizmente, acrescento eu.

Ah, o bispo responsável pela pedra fundamental da obra da catedral, em 1748, não é “Dom Frei Guilherme de São João”, como informa o encarte, mas “Dom Frei Guilherme de São José”, pequena troca de santos, mas que muda a personagem da história... Tanto Cruz como Baena confirmam o nome deste que foi o segundo bispo de Belém, aqui chegando em 1739.

Uma bela peça como este encarte, muito mais que uma simples propaganda do governo, até pela sua origem oficial, torna-se um documento que, com certeza já deve estar sendo lido com carinho, estudado por jovens e professores, podendo ser referência nas salas de aula. Com a beleza das fotos, o leiaute atraente, é um excelente material para trabalho dos mestres. Além disso, entra para as bibliotecas, circula pelo mundo via internet.

E como ficam as escorregadas históricas nele contidas? Imagino que a Secretaria de Cultura, ou da Educação, ou da Comunicação devam encontrar uma solução para restaurar a verdade histórica do mais tradicional templo religioso de quantos existem pelas ruas de Belém.

Este blog, na abertura da Sé restaurada, publicou diversos posts com essa história, tal qual contada por nossos mais respeitados historiadores, como acima. Para ler, clique aqui, e aqui sobre o grande órgão da igreja.



Escrito por Fernando Jares às 18h14
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BILLY BLANCO HOJE NA ESTAÇÃO

O MESTRE PARAENSE DA MPB LANÇA SEU DVD

“Billy Blanco, o compositor”, um DVD gravado aqui mesmo em Belém, ano passado, com participação do grande compositor paraense e Leila Pinheiro, Pedrinho Cavallero, Ângela Carlos, Lucinnha Bastos, Hélio Rubens, Maca Maneschy, será lançado neste sábado, 19/09, às 20h, no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas.

O grande mestre, autor de sucessos nacionais de grande popularidade, desde os anos 1950, terá no palco a companhia de intérpretes locais de primeira grandeza, como Paulo André Barata, Sebastião Tapajós, Lívia Rodrigues, Juliana Sinimbú, Nana Reis, Eloy Iglesias, o violonista Billynho Jr, o piano de Tynnôko Costa, o contrabaixo de Mário Jorge e a percussão de Thiago D’Albuquerque e os dançarinos Roberto e Lana, que vão fazer um espetáculo de samba de gafieira.

E o DVD, que Billy vai apresentar durante o encontro desta noite, reúne mais um naipe de estrelados nomes locais, que falam sobre a obra desse grande nome da MPB, como Sebastião Tapajós, Paulo André, Paulo José Campos de Melo, Edgar Augusto Proença, Tinnoko Costa, Nilson Chaves, Alfredo Oliveira.

O ingresso custa R$ 20,00 e meia para estudante. O ingresso inteiro recebe um DVD. Informações, (91)8134-7719.

Eu entrevistei Billy nos idos de 1968, para a Rádio Clube do Pará, quando de uma de suas andanças pelas ruas de Belém. Ele havia conquistado o quarto lugar na 1ª Bienal do Samba, com a composição “Canto Chorado”, interpretada por Jair Rodrigues. A Bienal foi vencida por “Lapinha”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, com interpretação de Elis Regina.

Conversamos sobre isso e sobre sua trajetória de sucesso no melhor samba brasileiro. Durante muitos anos convivi com Milton (Blanco de Abrunhosa) Trindade, irmão de Billy, no jornal A Província do Pará, que ele dirigia e onde era um amigo de todos.

Ao final ele me ofereceu um compacto simples, com o “Canto Chorado”, por Jair Rodrigues, que hoje é uma das preciosidades de minha discoteca: está autografado! E eu mostro pra vocês, com a data: 28/7/68. No lado 2 do compacto está a música “Coisas do mundo, minha nega”, de Paulinho da Viola, também interpretada por Paulinho da Viola, e que levou o sexto lugar nessa Bienal. Veja o compacto autografado:

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Para ouvir, como não encontrei “Canto Chorado”, você tem aqui uma deliciosa interpretação de “Tereza da Praia”, com o velho Billy e seu neto Pedro Sol Blanco. Que tal, não é uma boa pedida para um final de semana?

Para ler notícias dos jornais locais sobre o show de hoje, clique aqui e aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 12h52
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SABORES MARAJOARAS CONTEMPORÂNEOS

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Junta a fome de escrever sempre, com a vontade permanente de comer”.

Rita Martins, minha consorte (e põe sorte nisso) sobre este escriba ao escrever sobre gastronomia...

 

DELÍCIAS DOS BUBALINOS NA TERRA DOS GUARÁS

 

A carne e o queijo de búfala ganharam importância e consumo em todo o país a ponto de ter lido, há algum tempo, o questionamento de um cronista gastronômico, que não lembro agora o nome, sobre a capacidade de produção de leite pelas búfalas marajoaras, para atender a tão alta demanda...

Portanto, o melhor para ter garantia da origem, é ir ao local, lá na fonte: na ilha do Marajó, no melhor turismo gastronômico. É claro que qualquer restaurante sério que anuncia carne ou mussarela de búfala, deve utilizar esses produtos na manufaturação do prato. Mas, para visitar o Marajó, ir atrás de um autêntico filé de búfala, é uma ótima desculpa.

Essa introdução toda é para falar da atração desta sexta gastronômica, o “Filé Fechado”, que comi na Pousada dos Guarás, em Salvaterra, ilha do Marajó. Juro que a única coisa que não é boa no prato é o nome, muito pouco criativo para uma deliciosa preciosidade, servida com a simplicidade vista na foto acima.

É um filé de búfalo recheado com queijo-do-marajó, mussarela, empanado e frito, servido com molho de tomate, bacuri e manjericão, acompanhado de arroz branco e purê de macaxeira. É um conjunto pra lá de harmonioso, sendo que o molho fica com um gosto suave, com o bacuri e o tomate interagindo bem (não sou fã dos parmegiana da vida), sob a inspiração do manjericão. O filé estava macio e frito no ponto adequado, de forma que os queijos, no interior, derreteram naquela forma que dá água na boca. Como o queijo-do-marajó não derrete tão bem, a mussarela cumpriu seu papel. Custa R$ 25,00, como porção individual. Mas dá bem para dois, não muito brocados... Gostei tanto que comi duas vezes em três dias de andanças pelos campos marajoaras.

Acompanhamos este prato, Rita e eu, com um “Baião de Dois” em versão local, composto de charque, calabresa, baycon (tal como está no cardápio!), feijão colônia e arroz, refogados com macaxeira cozida e cheiro verde. Digna companhia para formar um trio saboroso com filé do búfalo. Custa R$ 15,00.

A sobremesa, ah!, a sobremesa. Fui a um “Romeu e Julieta do Marajó” (R$ 7,00), que está aí na foto abaixo. Simples assim: pedaços de queijo-do-marajó estreladamente colocados em volta de uma generosa porção de doce de leite de búfala. Um queijo de primeiríssima, idem o doce. Aí, meu filho, é que nem carinho da mulher amada: degustar com muito bem-querer...

Como é fácil de perceber, o queijo-do-marajó comandou este espetáculo gastronômico. E ainda em outras versões, que vou contar outro dia. Nunca comi tanto do tal queijo, e com tamanha frequência. E gostoso, puro, não daquele que às vezes a gente encontra por aqui, pelas ruas de Belém, que parecem ter farinha de trigo na massa...

 



Escrito por Fernando Jares às 17h56
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PRA COMER BEM GOSTOSO

DICAS DE UM BEM NUTRIDO ESPECIALISTA GASTRONÔMICO

Nelson Duailibe Forte é empresário, profissional de comunicação, consultor, professor de marketing e propaganda e cerimonialista. Mas acima de tudo isso, o boa praça Nelsão, que foi até meu professor na pós na Unama, sabe da vida pelas ruas de Belém muitas coisas, especialmente o que é melhor na gastronomia. Por isso vou reproduzir abaixo o depoimento dele para a coluna do Mauro Bonna (responsável por todo esse currículo aí), na terça-feira passada, no Diário do Pará, apontando dicas gastronômicas da cidade:

“Os grandes restaurantes e locais badalados, todo mundo já conhece. Agora, se você quer descobrir sabores extraordinários e sem frescuras, anote lá: a unha de caranguejo do restaurante Tetto, na orla de Icoaraci é um caso de polícia! A maniçoba, o vatapá e o caruru do Quincas, na Conselheiro Furtado, à partir`das 16 horas. Para esse se prepare com antecedência; o churrasco do Costa Nua, na 1º de dezembro, somente à noite, não há nada igual; a caldeirada de camarão do Churrasquinho de Gato, na Antonio Everdosa é um acontecimento! Outra recomendação é a costelinha de leitão do restaurante Leite, na Doutor Freitas. E para comer com as mãos, o cachorro quente de picadinho do Bombom de Alho, na 1º de Dezembro, com uma Coca Zero bem gelada!".

 



Escrito por Fernando Jares às 17h39
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LINGUÍSTICA E LINGUAGEM COMO ATRAÇÃO

FÓRUM ACADÊMICO DEBATE AS TESSITURAS DA LÍNGUA

Versos de Antonio Juracy Siqueira abriram, de Augusto de Campos deram o tom(zé) do desafio do palestrante principal e um texto do índio Kapjêre Jõpaipaire nos fez refletir, na abertura do XV Fórum de Letras da Unama, evento que se encerra nesta sexta-feira.

Foi uma noite marcante, com o auditório lotado, principalmente de estudantes de letras, mas também de outros cursos, a ouvirem o reitor Edson Franco discorrer sobre a importância do Fórum, realizado pela 15ª vez consecutiva, numa resistência única, que ele creditou à “habilidade extraordinária” da professora Célia Jacob, que o dirige. Mas Edson também falou, como sempre de forma fascinante, sobre os 50 anos de sua formatura em Direito, pela UFPA, que comemora dia 4 de outubro.

A professora Leopoldina Araújo, da UFPA foi homenageada como Patrona do Fórum: é uma das maiores linguistas brasileiras, respeitada internacionalmente pelo conhecimento e intransigente defesa, registro e preservação das línguas indígenas da Amazônia. Foi saudada pela também professora Socorro Cardoso.

Ausente de Belém, a homenageada foi representada por outro grande nome de nossa cultura regional, Zélia Amador de Deus, que apresentou o belo discurso da professora Léo. Além de discorrer sobre o fantástico trabalho que desenvolve, desde 1974, junto aos índios prakatêjê, cuja terra localiza-se no hoje município de Bom Jesus do Tocantins, nos presenteou com palavras muito interessantes, do índio Kapjêre Jõpaipaire Jõkorenhum – segundo a professora, há um til sobre o “u”, mas o meu computador recusou-se a grafar tal sinal sobre essa letra... É o assunto do post imediatamente abaixo.

Falando sobre “Linguagens e identidades não identitárias”, o professor João Wanderley Geraldi, da Unicamp, começou com trecho do poema “Cidade”, de Augusto de Campos, que faz a música de Tom Zé, “Senhor Cidadão” (se quer ouvir a música, clique aqui):

Oh senhor cidadão,
eu quero saber, eu quero saber
com quantos quilos de medo,
com quantos quilos de medo
se faz uma tradição?

Tendo circulado pelas ruas de Belém antes da palestra, especialmente fascinado pelos centenários casarões da Cidade Velha, que colocou em contraste com os modernos prédios hoje construídos, com “data de validade”, teceu o cenário de seu estudo, na saga do homem no planeta terra diante de seus desafios múltiplos, ao longo da história, até hoje quando vivemos em uma sociedade da velocidade, onde “o ontem, hoje, já é obsoleto”, como afirmou. Uma sociedade onde o ser novo é que está na ordem do dia, de tal forma veloz, que “somos trans, pós alguma coisa que não chegamos a ser”. Uma palestra atraente, com texto limpo e fácil de entender, para um tema muita das vezes complexo.

O programa do Fórum você pode conferir mesmo neste blog, clicando aqui.

 

 



Escrito por Fernando Jares às 18h52
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O PARKATÊJÊ E A VIDA ATUAL

A MATA NÃO DEIXA PASSAR A DOENÇA

O lúcido pensamento de um índio parkatêjê, apresentado na abertura do XV Fórum de Letras da Unama, nesta quarta-feira, revelou um texto valioso para todos os que se interessam pela cultura paraense, diante dos desafios, especialmente ambientais, em um momento em que, parece, autoridades, especialmente aquelas com seus gabinetes cá, pelas ruas de Belém, andam um tanto esquecidas desses aspectos da vida do povo de nosso Estado.

Tal pronunciamento fez parte do discurso da homenageada pelo Fórum, professora Leopoldina Araújo. Publicamos abaixo a parte final do agradecimento da mestra (ou melhor, doutora) e, em seguida, o precioso texto desse índio, paraense como nós:

“Para finalizar, e considerando a também poética epígrafe deste XV Fórum de Letras da UNAMA: ‘Um galo sozinho não tece uma manhã / ele precisará sempre de outros galos’ quero compartilhar com vocês as palavras de Kapjêre Jõkorenhum - irmão do chefe Krôhôkrenhum (que ela já havia apresentado na palestra como o líder do grupo) - um dos Conselheiros da Escola que coordenei na aldeia. Sintam e absorvam sua sabedoria, poeticamente expressa e que se coaduna perfeitamente com o conhecimento científico de nossos dias. Essas ideias, ele as expressou conversando à mesa da escola, com nossa assessora pedagógica, a Professora Marineusa Gazzetta, da UNICAMP, que lhe pediu permissão para anotá-las e divulgá-las. Para a publicação, pela SEDUC/PA, nós lhe pusemos um título: O homem e a natureza.

 

O homem e a natureza

Kapjêre Jõpaipaire (Jõkorenhum)

No verão esquenta e a água sobe; o corpo está quente e a água sobe; à noite esfria e volta de novo a água no corpo da gente. O calor da água está em tudo: em nós, na madeira, nas plantas e sobe e vai juntando, forma nuvem e, quando está no dia da chuva, cai pra nós bebermos, para os animais, para as plantas...

A madeira (o mato) é nosso pai, dá a produção pro filho comer e defende a gente. A terra diz: "Eu sou a mãe de vocês; agora vocês têm que me gostar e me usar para viver." A terra é nossa mãe - cria a gente. A terra quer que a gente produza para comer. A terra - não sabemos de demarcação – não tem limite, é aberta, índio anda 60 Km num dia. Mato diz pro filho: "Olha, filho, eu vou me produzir pra você comer, mas você tem que me olhar e não deixar me prejudicar."

O céu é nosso irmão mais velho. Ele manda na chuva e manda a chuva pra nós, pra beber, molhar as plantas, criar peixes, tomar banho, lavar...

A mata é um lençol para nós, por isso índio morava na mata. É saúde. O sol é forte, traz doença e o vento carrega a doença pro mundo (não é só para o índio); a mata atrapalha o vento e não deixa passar a doença. Agora não tem mais mata, por isso está aparecendo muita doença.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h45
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CÍRIO DO RIO NESTE FIM DE SEMANA

ARTIGO DE D. ORANI E QUATRO FILMES APRESENTAM CÍRIO DO RIO

Neste final de semana acontece o Círio de Nazaré/Rio, a versão para os católicos cariocas da grandiosa romaria dos católicos paraenses. Agindo muito rápido e com eficiência, como é seu perfil, d. Orani João Tempesta já implantou o evento nazareno na Arquidiocese que agora dirige, com apoio da Prefeitura da Cidade Maravilhosa.

O belíssimo cartaz criado especialmente para o Círio/Rio, pela Mendes Comunicação, já foi mostrado neste blog, quando anunciamos os eventos programados. Veja, inclusive, a programação, clicando aqui.

Mas a campanha, além do cartaz e folhetos, teve também belas peças para televisão. A Mendes, que é agência voluntária do Círio, criou quatro filmetes, que foram produzidos pela Imagem Produções, de Ronaldo Salame, e que estão sendo veiculados somente no Rio de Janeiro, na Globo, Rede Vida e outras emissoras.

As peças apresentam para os cariocas toda a grandiosidade do Círio de Nazaré, mostrando a monumental romaria que acontece anualmente pelas ruas de Belém, servindo como excelente divulgação para o Estado do Pará.

Conheça, clicando aqui, os quatro filmes da campanha do Círio de Nazaré/Rio.

Em artigo de hoje, d. Orani apresenta aos cariocas a grandiosa celebração mariana de Belém que ele lidera a implantação no Rio. Leia, clicando aqui, no site da Arquidiocese do Rio de Janeiro.



Escrito por Fernando Jares às 18h08
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TENHA CONFIANÇA NESTE MENU

THIAGO ENTREGA A RECEITA DA MOQUECA PARAENSE


 Esta vai para o porta-retratos da família Remanso do Peixe:
 Felipe, Claude, d. Carmem, Francisco e Thiago.

Como havia prometido, Claude Troisgros fez um tour gastronômico pelas ruas de Belém no segundo programa da série “Menu Confiança na Amazônia”, no canal GNT. Começou com o chef francês sendo acordado, estremunhado, e partindo célere para tomar um café muito paraense: tapioquinha do Mosquerrô, como ele anunciou. Acompanhou o Joel Gonçalves na produção das tapiocas e apaixonou-se pela molhada com coco: “uma delícia!”, exclamou.

Passou pelo Ver-o-Peso, escolheu peixes, tendo como guia o jovem chef paraense Thiago Castanho. Depois foi para a cozinha do restaurante Remanso do Peixe acompanhar o Thiago na preparação de uma adubadíssima Moqueca Paraense (que já foi assunto neste blog e você pode ler clicando aqui). Passaram dicas preciosas, como a melhor forma de tirar o pitiú do peixe e o lance de um tempero de aviú que valeu a matéria (vou correndo comprar um aviú na feira da 25, pra testar). Almoçou com a família do Remanso: d. Carmem, o Francisco e os filhos do casal, o elogiado Thiago e o jovem Felipe, que segue o mesmo caminho – fez uma batida de cupuaçu que Claude não parou de elogiar! Troisgros também gostou da farofa que foi servida com o Filhote Assado na Brasa: “nunca comi uma farofa tão boa”, exclamou.

A sobremesa foi na Cairu, da Estação das Docas. Ao escolher seu sorvete, o chef exclamou: “Amo cupuaçu!” e partiu para ele. Mas, diante do sorvete de castanha, não se fez de rogado: “Graças a Deus que a castanha-do-parrá existe” e traçou o sorvete.

Como este francês é duro na queda, foi ao lanchinho da tarde: um tacacá da d. Marina Barros, na João Balbi. Com o tacacá na mão, e na boca, Claude Troisgros chegou ao êxtase: “estou emocionada de comer tudo isto!” e lá se foi a concordância do gênero... Fechou a noite com uma bordejada pelo Boteco das Onze.

Para ver as receitas destes pratos, inclusive da festejada Moqueca Paraense e da elogiada farofa, clique aqui.

Uma dica para os paraenses espalhados por esse mundo de Deus: há como pedir esses ingredientes pela internet, no Amazônia Empório, veja neste post.

TACACÁ DO NORTE – Do Rio de Janeiro a sommelière Deise Novakoski, parceira na apresentação do programa, entrou com o drinque “Bombom de Cupuaçu”, que alcooliza o nosso tradicional bombom de cupu... Ela misturou sorvete de cupuaçu, calda de chocolate e cachaça. Clique aqui para ver como ela fez.

O que tem a ver o drinque com o tacacá deste entretítulo? É que ela produziu o dito cujo drinque com sorvete Cairu, no “Tacacá do Norte”, que vem a ser um estabelecimento existente no Flamengo, no Rio de Janeiro, onde é possível degustar, além desses saborosos sorvetes, unha de caranguejo, casquinho, tacacá, açaí de verdade, suco de cupuaçu feito na hora, etc. Além de poder comprar farinha, tucupi decente, bombons de cupuaçu (sem o álcool), e outras coisas de paraense. Esta parte das dicas quem me deu foi a Larissa, que vai lá habitualmente, com o seu Jason, como o fazem os bons paraenses, saudosos da agradável prática do paraensismo gastronômico.

PROGRAMAÇÃO – Você ainda pode ver este programa no GNT quinta, às 12h; sexta às 07h; domingo às 17h; segunda às 9h30. O terceiro programa vai mostrar a gastronomia amazônica, vista a partir de Manaus.



Escrito por Fernando Jares às 17h11
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GALOS CANTAM NA UNAMA

"um galo sozinho não tece a manhã
ele precisará sempre de outros galos
."
(j. cabral de melo neto)

OS GALOS DE JOÃO CABRAL NA
TESSITURA CULTURAL AMAZÔNICA

Começa amanhã o XV Fórum Paraense de Letras: Linguagens, Culturas e Identidades da Universidade da Amazônia, um dos mais importantes – se não o principal – eventos culturais que se realiza pelas ruas de Belém, relacionados com este campo da cultura regional.

Para este ano, inspiraram-se no poema “Tecendo a manhã”, de João Cabral de Melo Neto. Em junho, apresentei neste blog o tema do encontro e o motivo da escolha desse tema, inclusive com a publicação do texto joãocabralino que inspirou a Equipe de Letras da Unama. Você pode ler, clicando aqui.

Em pouco mais de dois dias teremos a oportunidade de acompanhar grandes estudiosos, cientistas de nossa linguagem, estudantes aplicados na melhor das pesquisas, conhecer lançamentos literários, enfim, fazer uma imersão cultural amazônica do mais alto valor. Lá estaremos.

Veja a seguir a programação que aguarda quem puder ir até lá:

Quarta–feira (16/09)
ABERTURA
Auditório David Mufarrej
19h Abertura Oficial - Palavra do Reitor Édson Franco
19h 05 Apresentação do sempre muito bom Coro Cênico da UNAMA
19h15 Homenagem à prof. Leopoldina Araújo, Patrona do XV Fórum de Letras
19h30 Conferência de abertura: “Linguagens e Identidades não Idênticas”, prof. Dr. João Wanderley Geraldi - UNICAMP/Universidade do Porto

Quinta- feira (17/09)
SESSÕES DE COMUNICAÇÕES COORDENADAS
8h30 às 12h
Auditório B 100
Mesa 1 - Saberes Culturais e Educação na Amazônia - Coordenação Josebel Akel Fares (UEPA), Denise Simões (UEPA)
Mesa 2 - Linguagens,Tecnologias e Inclusão Social no Contexto Cultural
Amazônico. Ivanilde Apoluceno de Oliveira (UEPA). Coordenação: Emmanuel Ribeiro Cunha (UNAMA/UEPA)
Auditório D 200
Mesa 3 - Construção da identidade regional por meio da linguagem: territórios e fronteiras - Coordenação: Ma. do Socorro Cardoso da Silva (UNAMA/UEPA)
Por que estudar análise do discurso na Amazônia? - Ivânia Neves (UNAMA)
Léxico regional e identidade cultural: fronteiras e veredas - Rosa Assis (UNAMA)
O papel dos atlas linguísticos na recuperação de traços etnolinguísticos - Ma. do Socorro Cardoso (UNAMA/UEPA)
Literatura de cordel sem fronteiras na Amazônia - José Guilherme Castro (UNAMA)
Mesa 4 - Regionalismo e identidade cultural: outras margens - Coordenação: Paulo Nunes (UNAMA), Luis Heleno M. Del Castilo (UFPA), José Guilherme Fernandes (UFPA), Marisa Mokarzel (UNAMA)
SESSÃO DE CINEMA - Audit. D 200 - Cine UNAMA
14 às 15h - O Povo Brasileiro - Direção: Isa Grinspum Ferraz
MINICURSOS & OFICINAS - dias 17 e 18 - 15h às 18h
MESA REDONDA - Auditório David Mufarrej
19h - Linguagens, Multiculturalismo e Inclusão Cultural - Ivone Xavier (UNAMA), Josebel Akel Fares (UEPA), Debatedores: Paulo Nunes e Amarílis Tupiassú (UNAMA)

Sexta- feira (18/09)
SESSÕES DE COMUNICAÇÕES INDIVIDUAIS
08h30 às12h – Coordenação: Luci Teixeira, Maria das Graças Salim
SESSÃO DE CINEMA - Auditório D 200
14 às 15h - O Povo Brasileiro – 2ª parte
MINICURSOS - 15h às 18h ( continuação)
MESA REDONDA - Auditório David Mufarrej
16h 18h - Narrativas Visuais: processo criativo e linguagem - Armando Queiroz - Processo criativo e poéticas visuais, Mariano Klautau Filho - Processo criativo e linguagem na fotografia, João Inácio - Processo criativo e linguagem nos curtas do cinema paraense - Coordenação: Ana del Tabor (UNAMA)
SESSÃO DE PÔSTERES - 18h às 19h
Hall em frente ao Auditório. B 100
ENCERRAMENTO
19h - Linguagens- Estudos interdisciplinares e multiculturais - Lançamento do nº 2 da coleção. Apresentação:
Amarílis Tupiassu(v1), Paulo Nunes(v2), Lucilinda Teixeira (v3), Maria do Socorro Cardoso (v4), Marisa Mokarzel (v5), Rosa Assis (v6).
19h45 - Apresentação do Coro Cênico da UNAMA
Aud. David Mufarrej
20h - Sessão de autógrafos - Galeria de Arte
Você encontra o Fórum em detalhes, especialmente os Minicursos & Oficinas, com temas que vão de Chico Buarque a jogos teatrais, cinema, etc., no site da Unama, clicando aqui.
Inscrições ao evento na SUPEX, campus Alcindo Cacela, 2º andar, bloco A ao custo de R$ 50,00.



Escrito por Fernando Jares às 17h48
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SAIRÉ OU ÇAIRÉ, TERMINA HOJE

300 ANOS DE TRADIÇÃO EM ALTER-DO-CHÃO


O Sairé, em foto de “O Estado do Tapajós”

Quem não foi à festa do Sairé, em Alter-do-Chão, Santarém, agora só no ano que vem. É que acabou hoje a festança deste ano com a varrição, a derrubada dos mastros e a cecuiara, confraternização e a festa dos barraqueiros.

Essa é uma tradição tricentenária, que seria realizada em homenagem à Santíssima Trindade. Segundo Socorro Santiago, da UF do Amazonas (Çairé, uma festa na Amazônia – 1999) os “padres jesuítas a teriam adaptado de antigo ritual indígena. Ao que se sabe, sempre foi um misto de religioso e profano”. De fato, em “Inventário Cultural e Turístico do Médio Amazonas Paraense”, Violeta Refkalefsky Loureiro e João de Jesus Paes Loureiro (Belém, 1987) citam a pesquisadora do folclore de Santarém, Nice Lobato Gonçalves: “O Sairé é um símbolo de respeito dos índios, usado para homenagear os portugueses. A sua origem está no fato de que os portugueses que aportavam em nossas terras, exibiam seus escudos. Os índios, então, fizeram o seu, imitando o mesmo modelo da forma dos escudos dos portugueses. Era feito de cipó, recoberto de algodão e outros adornos”. A mesma professora informa que, como nos portugueses, havia cruzes que, neste caso, eram três, que “representam o mistério da Santíssima Trindade. Daí ele ter-se tornado um instrumento religioso”.

Esta festa acontecia em dezembro, junto com as comemorações da padroeira de Alter-do-Chão, N. S. da Saúde, dia 28.

Em 1943, segundo a prof. Nice, a festa foi encerrada, com a chegada de novos padres (americanos), porque haveria uma exagerada veneração ao sairé (o tal escudo, usado até hoje), “e isso tudo não passava de idolatria”.

O Sairé foi retomado “com cunho folclórico a partir de 1973, como elemento da Cultura Popular Brasileira”, diz a professora, desvinculado das festas religiosas e deslocado para junho.

Em 1997, nova mudança, com a entrada em cena de uma visão, digamos, mercadológica, com forte interveniência do poder público. Passou para setembro, quando o Tapajós está mais baixo e as praias despontam em toda sua beleza (e também fugindo da concorrência da festa dos bois de Parintins); a grafia foi mudada para “Çairé”, considerando que assim está na Grande Enciclopédia da Amazônia, do jornalista e historiador Carlos Rocque e que essa forma teria mais apelo publicitário (ao menos, polêmico...); foi criada uma área própria para os festejos, a “Praça do Çairé”; e a apresentação dos grupos Boto Tucuxi e do Boto Cor-de-Rosa.

A mudança da grafia do Sairé para Çairé gerou uma boa discussão, que persiste. Como o governo municipal atual decidiu voltar a escrever com “s”, há quem continue com o “ç”, como o jornal O Estado do Tapajós. “A palavra correta é Çairé, de origem nheengatu. Em português é grafada com 'S'. Por ser uma tradição de mais de 300 anos, a grafia deve permanecer como é originalmente”, explicou-me, via Twitter, o jornalista Miguel Oliveira.

De fato, não existe nenhuma palavra em português que se inicie por “ç”, basta consultar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (5ª edição -2009), que registra “sairé”, com “s”.

Sendo nheengatu, teria apenas a versão falada, já que os índios não tinham escrita. E a polêmica está novamente armada. O santareno Nicolino Campos, professor, articulista e ex-deputado estadual, pensa dessa forma: “O índio apenas falava, isto é, produzia som, não sabia como nem tinha como representar esse som de sua fala. O português, ouvia esse som, e sabia como reproduzi-lo, pois tinha o alfabeto e assim a palavra era indígena mas a representação gráfica era portuguesa” escreveu ele no livro “Mosaico Amazônico” (Santarém, ICBS, 2001). Ele encontrou, em muito remoto tempo, palavras iniciadas com o tal ce-cedilha, mas conclui que a forma correta de escrever é com “s”. Quer ver a polêmica na internet, clique aqui.

Acredito que, se há uma “licença poética”, se Guimarães Rosa, James Joyce ou Ziraldo podem criar termos, a propaganda também o pode, desde que inteligentes. Nicolino Campos concorda com esse pensamento, mas recomenda: “há que alertar a juventude estudiosa, que hoje não se escreve Ç no início de qualquer palavra da língua portuguesa”.

Mas não façamos da polêmica um valor maior do que o S(Ç)airé! Como nos ensina o mestre Fernando Pessoa, “A linguagem fez-se para que nos sirvamos dela, não para que a sirvamos a ela" (em “A Língua Portuguesa”). Já escrevi demais para uma segunda-feira!

Veja aqui um belo documentário sobre a festa do Ç(S)airé e ouça aqui uma bonita música daquela boa terra, com Nato Aguiar. Aliás, como tem belas músicas por lá, minha gente!

EXTRA: O Boto Cor-de-Rosa foi o grande vencedor de 2009. É tri, como dizem os alegres corderosistas. Eles já ganharam sete vezes: 2001, 2002, 2003, 2005, 2007, 2008, 2009.



Escrito por Fernando Jares às 17h34
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HOJE, 22h, MENU CONFIANÇA BELÉM

UM CHEF FRANCÊS PELAS RUAS DE BELÉM


Claude Troisgros compra peixes no Ver-o-Peso. Todo feliz!

Hoje é dia do segundo programa da série especial “Menu Confiança Amazônia” (GNT, 22h), em que o chef Claude Troisgros visita a região. O primeiro programa foi centrado no evento “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, que teve uma edição em homenagem ao seu criador, o chef paraense Paulo Martins e trouxe até Belém quatro das maiores estrelas da alta gastronomia brasileira: Alex Atala, César Santos, Claude Troisgros e Danio Braga. O açaí também foi atração especial. Leia aqui comentário deste blog sobre o programa.

Hoje Claude Troisgros continua sua viagem pelas ruas de Belém. Neste programa, segundo anuncia a produção, o chef faz uma maratona gastronômica, provando pratos típicos como o tacacá e a tapioquinha, volta ao Ver-o-Peso e se encontra com o jovem chef paraense Thiago Castanho, do Remanso do Peixe. A parceira de Claude no programa, que não veio na viagem, não perde o pique e prepara um drinque com sorvete de cupuaçu. Deve ser ótimo para este verãozão que assola Belém. Leia a sinopse do programa clicando aqui.

Após a estreia desta noite este “Menu Confiança Amazônia” terá novas edições amanhã, terça, às 13h30; quinta às 12h; Sexta às 7h; domingo às 17h e na segunda às 09h30.

 



Escrito por Fernando Jares às 10h46
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AÇAÍ, A ESTRELA DESTA SEXTA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“O açaí é o ouro preto do Pará. A superfruta”.

Nazareno Alves, do “Point do Açaí” – programa “Menu Confiança – Amazônia", no GNT

 

PARA SER FELIZ, PÕE-TE FRENTE A UM BOM AÇAÍ

 

Uma chapa mista com cara paraense. O açaí está aqui deste lado...

Quase que me preparando para a apresentação do primeiro programa da série “Menu Confiança Amazônia”, no GNT, fui almoçar na segunda-feira, feriado, no “Point do Açaí”, o restaurante especializado em açaí e seus acompanhamentos. Quer dizer, peguei leve, não fui direto à fonte, lá no Ver-o-Peso ou no porto...

Mas havia um objetivo secreto nesta minha investida gastronômica: pratiqueiras fritas, com açaí, obviamente. Soubera que ali as encontraria fritinhas como gosto. Telefonei antes, tive confirmação das peixinhas e lá fui. Mas, infelizmente, as pratiqueiras me deram bolo! Não tinha! Umas iscas de pirarucu, para começar a concentração, também não foram atendidas, porque não tinha pirarucu!

O ambiente do restaurante é bastante agradável, estava lotado (tipo 13h30) de gente com cara de estar feliz, e deixei-me contagiar. O garçom foi atencioso, embora com a dificuldade de atender os meus pedidos.

A saída encontrada foi partir para uma “Chapa Mista Paraense”, no estilo tradicional das chapas de restaurantes japoneses, com filé de filhote, filé de frango, charque, camarão, legumes na chapa (cenoura e repolho) e batata frita (???). Mais arroz, farofa e molho vinagrete. E um litro de açaí, acompanhado de sua fiel companheira a farinha, na verdade, duas companheiras, as farinhas d’água e de tapioca, mais o açúcar e o adoçante (argh!). Do açaí existem opções de preto, branco ou bacaba, mas fui ao pretinho, optando pelo “grosso”, que representa um acréscimo de mais R$ 8,00 no valor do prato, que custa R$ 50,00.

O peixe estava muito bom, bem com cara de filhote, sequinho e com o tempero certo. O frango merece um registro especial: macio e saboroso, mesmo. O camarão, sempre bom, embora com o grave problema de ter de tirar-lhe as cascas, um trabalhinho chato – mas bem recompensado. O charque estava macio, beeem temperado, bem gordinho, bom para o meu paladar, mau para a minha saúde, sentenciou a Rita, que fugiu daqueles cubinhos gostosos, valorizando mais os legumes, o peixe.

Por engano, serviram um açaí fininho, embora tivesse sido pedido do grosso, mas logo foi recusado e substituído por um delicioso, com gosto de recém-amassado, daquele tipo que dá felicidade, mesmo (acho que era por isso que o pessoal estava com cara feliz quando cheguei...). Acompanhei toda essa comedoria com o açaí puro, sem açúcar, como eu gosto. Para o final reservei uma dose para, com açúcar, virar a sobremesa.

Feito o desconto da frustração inicial, esta foi uma aventura gastronômica agradável, com um açaí a ser recomendado, com certeza. Aliás, não foi por acaso que foi a estrela do primeiro programa da série “Menu Confiança – Amazônia”, o açaí e o Nazareno. E anote: segunda-feira (22h, GNT) tem a estréia do segundo programa da série.

O site do Point do Açaí está aqui com fotos muito boas, inclusive das minhas desejadas pratiqueiras. A Vejinha Belém também informa sobre o Point, veja (ops) aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h25
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SEMANA PARA ISMAEL NERY

PELO RESGATE UM GRANDE TALENTO


Obras de Ismael Nery: Cortesã e Autorretrato.

O paraense Ismael Nery é considerado um dos maiores pintores do Brasil, do mesmo nível de outros monstros de sua geração, como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti. Nasceu aqui em 1900 e aos nove anos foi para o Rio. Mas fez questão de fazer pelas ruas de Belém, cidade natal, a primeira grande individual: de 7 a 15 de setembro de 1929, no Palace Theater, do Grande Hotel, onde hoje está o Hilton.

Com a “Semana Ismael Nery: oitenta anos exposto de Belém para o mundo” um multievento, o governo estadual pretende comemorar o acontecimento e, muito mais do que isso, tentar tornar conhecido esse grande artista paraense. Infelizmente, muitos não sabem quem é o pintor que assinava “IN”. E que também foi poeta, escritor.

O evento atual começou nesta quarta, vai até o dia 18 e constará de palestras, performances cênicas e leituras dramáticas inspiradas no legado de Ismael Nery, em espaços do Centur: Hall Benedicto Monteiro, Cine Líbero Luxardo, Teatro Margarida Schivasappa e na Biblioteca Arthur Vianna.

Na biblioteca há uma exposição de obras sobre Ismael; no dia 14, às 19h, no hall Benedicto Monteiro, sarau com Josette Lassance, Luís Carlos França e Carlos Correia Santos. Ainda no dia 14, às 20h, no Margarida Schivasappa, leitura dramática da peça “Nu Nery”. No dia 15, às 15h, na Arthur Vianna, leitura dramática da peça “Alma Imaginária” (sobre Adalgisa Nery, a esposa de Ismael) com o Grupo Palha. Nos dias 16, 17 e 18, no Líbero Luxardo, sempre às 10h, ciclo de palestras com convidados como Sheila Maués e Carlos Pará. E sempre às 16h, apresentação da performance “Ismael Em Três Traços” e bate papo sobre a vida de Ismael Nery.

Há uns anos eu visitei, em São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (USP), onde sabia que havia obras de IN. Não só estavam lá a encantar os visitantes, como fui surpreendido pela quantidade de desenhos desse conterrâneo lá existente.

Bem mais detalhes sobre a programação você pode encontrar aqui, no blog do poeta, escritor, dramaturgo e pesquisador Carlos Correa Santos, que será figura central nesta programação, ele que é um estudioso, há anos, da vida e obra de Ismael Nery.

Para conhecer vida e obras de IN, visite o site do MAC/USP, clicando aqui ou do Colégio São Francisco, aqui.



Escrito por Fernando Jares às 22h40
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HISTÓRIAS DE NÚMEROS

IMPLICAÇÕES MATEMÁTICAS EM TORNO DOS 48 ANOS

Na voragem dos noves de ontem (veja post abaixo), não fiz aqui um registro bem interessante. A Mendes Comunicação, nesse mesmo Dia Mundial dos Beatles, comemorou seus 48 anos de fundação. Nasceu um pouquinho depois deles, que já acabaram, mas ela tem um corpinho de 20... como garante.

Salamaleques devidos à parte, o curioso, que faz com que esse aniversário empresarial vire notícia, está na porta da nova sede da agência, para onde mudou recentemente e que foi motivo de um post aqui neste blog.

Repare na foto que está no blog da Mendes:

O número que identifica o novo prédio da agência é 1548, dezena igual ao número de anos que completa a organização, quando muda para este prédio. E mais: a soma do primeiro (1) com último (8) algarismo é nove, a dita cuja data de fundação e a terminação deste ano! Por favor, nada a ver com teorias conspiratórias pelas ruas de Belém. Mas dava um bom palpite para uma fezinha num “jogo popular”, como diz o Houaiss... Alguém aproveitou a dezena?

Aliás, esse 1548 tem outra curiosidade: somados os quatro algarismos, o total, 18, é formado pelos algarismos do milhar e da unidade, 1 e 8.



Escrito por Fernando Jares às 15h58
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9/9/9 = É HOJE!

SERÁ HOJE O DIA DA REVOLUTION 9?


Edgar Augusto deve estar animadíssimo hoje, com tantos acontecimentos envolvendo os Beatles. Afinal hoje é um dia “number nine, number nine, number nine”, talvez o dia dos noves mais certinho. Outro, só daqui a cem anos.

A ligação Beatles x noves tem a ver com a composição “Revolution 9”, a faixa 5 do lado 4 do long-play (vinil) duplo “The Beatles”, mas que todo mundo (literalmente) conhece como “White Álbum”, onde se ouve repetidamente a expressão “number nine”. É um desfile longo de sons e efeitos sonoros de todo tipo, inclusive falas humanas, com vozes de Lennon, Harrison, Yoko, George Martin, um pouquinho de músicas deles próprios e de outros, fitas em looping, outras com músicas invertidas, por aí. Muito barulho. A autoria é atribuída à dupla Lennon-McCartney, mas parece que aquela loucura toda foi apenas do Lennon, que teria preferido chamar a faixa de “Number Nine Dream”, algo mais lógico... Tudo isso aconteceu em junho de 1968. O disco duplo foi lançado no Brasil em 1969, com fotos individuais dos quatro de Liverpool e um grande pôster cheio de fotos deles, tendo as letras no verso (ainda poucos discos traziam as letras, nessa época), sendo que obviamente “Revolution 9” não tinha letra. A capa do disco é toda branca, apenas com o nome The Beatles em relevo seco (sem impressão). Escaneei o selo do lado que tem a faixa “Revolution 9”, do meu exemplar deste disco. A capa não dá, porque precisaria de um recurso muito bom de iluminação para obter algum efeito.   

A tal criação virou prato cheio para quem logo queria entender o que nem fora dito. São aqueles que o mestre Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) qualifica como os “que vêem em tudo o que lá não está”... Virou uma grande lenda urbana. Quer ver: ouça aqui a faixa invertida e pretensamente transcrita.

Toda essa história justifica mercadologicamente terem marcado para hoje o lançamento do game “The Beatles: Rock band” e do catálogo original remasterizado, pela EMI. Ontem Yoko Ono anunciou que toda a obra dos Beatles seria lançada hoje no iTunes, contratinho aí da ordem de US$ 400 milhões, mas deve demorar mais um pouco. Aliás, nessa onda, já há quem queira que este seja o Dia Mundial dos Beatles!

Bem, e o Edgar lá no começo do post?

O Edgar Augusto Proença entra nesta história com muita justiça. Jornalista, radialista, crítico musical, professor universitário muito querido, é um especialista em Beatles. “O cara que mais entende de Beatles na Amazônia”, anunciávamos eu e Rosenildo Franco, nos idos dos anos 60. Ele era dono absoluto da posição, com a sequência “Cantinho dos Beatles” no programa “Gente Nova, Nova Gente”, que produzíamos e apresentávamos na Rádio Clube, cantinho que logo virou programa inteiro, de sucesso! Mano, o cara realmente sabia de tudo. E toda a galera jovem o ouvia pelas ruas de Belém. Aliás, continua ouvindo, e muito, nos programas “Feira do Som” e “Raridades da MPB” na Rádio Cultura.

Para quem quiser saber mais sobre os Beatles, a UOL tem um material muito legal: clique aqui . Pode ver também este material do canal ABC.



Escrito por Fernando Jares às 15h53
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TROISGROS: “NÃO VIVO SEM FARINHA!”

GARRAFADA PARA GARANTIR A ALTA GASTRONOMIA FRANCO-BRASILEIRA

 

Açaí foi estrela no “Menu Confiança Amazônia”

“Vou levar uma para o restaurante”, anunciou Claude Troisgros, dublê de grande chef e apresentador de televisão, diante da garrafada “Chama Freguês”, em uma barraca de banhos & cia no Ver-o-Peso, no primeiro programa “Menu Confiança Amazônia”. Diante da crise atual, todos os cuidados são válidos... mesmo para quem tem um dos restaurantes de maior sucesso do Brasil.

Essa foi uma das muitas cenas agradáveis do “Menu Confiança Amazônia”, que estreou ontem no canal pago GNT – e que ainda pode ser visto na quinta, 10, às 12h; na sexta, 11, às 7h; no domingo, 13, às 16h e ainda na segunda, 14, às 9h20. Nesta mesma segunda, às 22h, estréia o segundo programa, de uma série de quatro. Já divulguei o programa neste blog e você pode ler, clicando aqui.

Outra frase lapidar do Troisgros, digna de ir para minha lista das melhores Frases Gastronômicas:

“Hoje em dia eu não vivo sem farinha!” depois de analisar inúmeras farinhas na feira do Ver-o-Peso. Concordo inteiramente, pois eu também...

Mas não esqueça que ele é um chef francês, que optou por viver no Brasil, onde está há 30 anos, originário de uma família de grandes e reconhecidos chefs franceses.

O passeio pelo Ver-o-Peso foi muito legal e Alex Atala, o mais conhecido chef brasileiro no mundo, mostrou seu conhecimento, explicando detalhes do que iam encontrando, da castanha-do-pará ao tucupi. Eles compraram os ingredientes para produzir os pratos do Banquete dos Chefs (Troisgros, Alex, Danio Braga e César Santos) do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, edição 2009, em homenagem ao chef paraense Paulo Martins, criador deste festival gastronômico, para eles o “mestre da culinária local”.

Aliás, neste particular, foi o lado pura emoção do programa, dedicado a Paulo Martins, a quem declararam “nosso amor por você”. Orgulho para quem ama ser paraense.

O programa ainda mostrou o que é o açaí, de onde ele vem, como é processado, as espécies, etc. e Troisgros afirmou que gosta mais do preto em relação ao branco.

A receita do dia ficou por conta do próprio Troisgros, com o “Tartar de atum com surubim”, entrada que ele preparou e serviu no banquete. Não fique só na vontade: conheça aqui a requintadíssima receita.

A parceira de CT no programa, que não veio a Belém, Deise Novakoski, entrou no clima e preparou um drink em homenagem à série do Menu Confiança na Amazônia, o "Açaí Tã-Tã" que mistura um espumante com creme de açaí, coisa muito simples, que ela afirmou ficar deliciosa e que você aprende a fazer clicando aqui.

Um bom resumo: foi uma festa gastronômica paraense, com a cidade como cenário, onde pitadas da alta gastronomia mostraram o que é possível fazer com os ingredientes que temos em abundância, vindos da grande floresta amazônica, numa atividade toda sustentável, que em nada degrada o ambiente e distribui renda para muita gente pelos nossos interiores.

Encerrando, Claude Troisgros convidou para o próximo programa, quando fará “um tour gastronômico pelas ruas de Belém”. No que este blog ficou todo metido...

 



Escrito por Fernando Jares às 18h14
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VIEIRA E AS MINAS PARAENSES

REFLEXÃO PARA UM DIA DE INDEPENDÊNCIA

 

Decidi refletir um pouco sobre a data de hoje, 7 de setembro, Dia da Pátria (e não dia feriado...) e fui em busca de um texto para iluminar. Sabem onde fui parar? Pois é, a pista está aí em cima. No Sermão da Primeira Oitava da Páscoa, pregado pelo padre Antonio Vieira, na “Matriz da Cidade de Belem no Gram Pará: ano de 1656”. Faz tempo. Mas continua atual e cabe, nestes dias de festejos pela reabertura da Igreja da Sé – essa “Matriz da Cidade” é o que era naquele tempo a atual catedral da cidade. Aliás, bem mais atualidades...

“O Imperador da Língua Portuguesa”, como o denominou quem o poderia coroar, o outro grande das letras portuguesas, Fernando Pessoa, falou naquele dia para uma cidade chocada, triste, que se achava sem esperança pelas ruas de Belém (já?!). Chegara a notícia “de se ter desvanecido a esperança das minas, que com grande empenho se tinham ido descobrir”.

Vale ler o relato do argumento principal deste sermão, escrito por um dos maiores especialistas em Vieira no Brasil, Alcir Pécora:

Em vista da tristeza dos habitantes do Pará pelos rumores do fracasso da expedição que havia sido enviada ao sertão em busca de minas de ouro, o sermão considera qu estão são fontes de flagelo para os indígenas e para os moradores mais pobres, que não participam da ambição de ostentação de riqueza em Lisboa e Europa. O outro tem um alto custo, que desvaloriza a agricultura e empobrece os bens úteis e essenciais. A não descoberta das minas em tempo de Páscoa, é interpretada pelo sermão como favor divino, que alerta para o cuidado com a salvação da alma, único bem real. O esforço da conversão do indígena, sob responsabilidade cristã, é parte essencial desse cuidado.

O resumo de mestre Pécora é muitíssimo bom. Vieira, ao longo do sermão, coloca para reflexão os problemas que a descoberta das minas traria para o Estado. Quase premonitório, mais de três séculos antes, diante da realidade da exploração de nossas minas, desde serra Pelada, onde tantos viveram a miséria no sonho da riqueza, onde tantos morreram, até aos minérios hoje exportados para todo o mundo.

Na segunda parte do sermão, página 567 da edição da Hedra, de 2000, Antonio Vieira coloca a questão:

Que práticas são estas que ides conferindo entre vós, e de que estais tristes? Esta foi a pergunta que fez Cristo, Redentor nosso, aos dois Discípulos que iam de Jerusalém para Emaús. E se eu fizesse a mesma no nosso Belém, e perguntasse às vossas Conversações, porque estais tristes; é certo que me havíeis de responder como eles responderam: Nos autem sperabamus: Esperávamos de ter minas, e estamos desenganados de que as não há: ou esperávamos que se descobrissem e não se descobriram. E se eu instasse mais em querer saber o discurso ou consequência com que sobre este desengano fundais a vossa Tristeza; também é certo havíeis de dizer, como eles disseram, que no sucesso que se desejava e supunha, estavam livradas as esperanças da redenção, não só desta vossa Cidade, e de todo o Estado, senão também do mesmo Reino: Nos autem sperabamus, quia ipse esset redempturus Israel. Ora ouvi-me atentamente, e (contra o que imagináveis, e porventura ainda imaginais) vereis como nesta, que vós tendes por desgraça, consistiu a vossa redenção; e de quantos trabalhos, infortúnios e cativeiros vos remiu e vos livrou Deus em não suceder o que esperáveis.

Primeiramente, havemos de supor que muitas vezes está a nossa perdição em sucederem as coisas corno esperamos, e, pelo contrário, está o nosso remédio e a nossa conservação, em não terem o sucesso que se pretendia.

Em seguida coloca o que vê como perigos, relacionando-os com figuras bíblicas de Jô e de Jacó/Esaú e explica na terceira parte, página 568 da edição citada:

“E para que comecemos pelos perigos que podem vir de fora, e de mais longe; se este Estado sem ter minas, foi já requestado e perseguido de armas e invasões estrangeiras; que seria se tivesse esses tesouros? Lá traz Cristo Senhor nosso, a comparação de um campo, que era cultivado somente na superfície da terra, fértil de flores e frutos: porém, sabendo um homem acaso, que no mesmo campo estava enterrado e escondido um tesouro: Thesauro abscondito in agro o que fez com todo o segredo e diligência, foi ir logo comprar o campo a todo o custo, e deste modo ficou Senhor, não do campo por amor do campo, senão do campo por amor do tesouro. De sorte que toda a desgraça do campo em mudar de senhorio, e passar de um dono a outro dono, esteve em ter tesouro dentro de si, e saber-se que o tinha. Contentemo-nos de que nos dêem os nossos campos pacificamente, o que a agricultura colhe da superfície da terra, e não lhes desejemos tesouros escondidos nas entranhas, que esperte a cobiça alheia: principalmente quando os mesmos campos não estão cercados de tão fortes muros que lhes possam facilmente defender entrada.”

Já na quarta parte (página 570) deste seu sermão o padre Vieira alerta para a desgraça da exploração do homem pelo homem, para as “misérias domésticas” decorrentes do achamento das minas:

Mas dado que as minas tão esperadas e apetecidas não tivessem por consequência de sua fama estes perigos de fora, bastava a consideração dos trabalhos e misérias domésticas, que com elas se vos haviam de levantar de debaixo dos pés, para que o vosso juízo, se o tivésseis, tratasse antes de sepultar as mesmas minas depois de achadas, que procurar de as desenterrar e descobrir, ainda que foram muito certas. Um dos maiores castigos que Deus podia dar a esta Cidade a este Estado, era descobrirem-se nele minas. E não sou eu o que o digo, senão a prudência e a verdade de quem se não podia enganar”.

Ele até expõe, com a moderna técnica de fatos e dados, exemplos desastrosos para os nativos, com a exploração de minas famosas, como as de prata em Potosi, naquela época Peru, hoje na Bolívia. E as minas de Salomão. Questiona o que ganharia o Reino (Portugal) com tais Minas, etc.

Em seguida, de forma magistral, expõe as verdadeiras minas para a redenção do homem, que se encontram na Palavra de Deus e em Jesus Cristo.

Sei não, mas acho que nesse dia a elite de Belém deve ter saído acalmada na Matriz. Quem puder, deve ler. Não é muito grande e nos leva a pensar que o velho sacerdote estava no caminho. Explorar as riquezas naturais é bom, mas a que preço? Ele alertou magnificamente para esse preço. Com tal alerta, a inevitável exploração dessas riquezas deveria ser cercada de maiores e mais sérios cuidados, para que não acontecessem esses erros. Mas, infelizmente, muita gente decide e aprova sem tal cuidado. Aí, é o que se vê.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h28
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UMA SAGA GASTRONÔMICA NA AMAZÔNIA

TACACÁ, TUCUPI E TROISGROS!

Cenas dos chefs em Belém, do site do “Menu Confiança”.

Nesta segunda-feira, 07/09, às 22h, será mostrado, no canal GNT, o primeiro programa da série “Menu Confiança na Amazônia”, sob o comando do chef Claude Troisgros. O material foi captado em Belém e Manaus e será a pauta durante este mês.

Aqui em Belém Claude, Alex Atala, Danio Braga e César Santos, todos grandes nomes da alta gastronomia nacional, realizaram uma edição especial do festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, em homenagem ao chef paraense Paulo Martins, “responsável por revelar os segredos da cozinha paraense”, segundo informa o site do programa. Eles visitaram o Ver-o-Peso, para rever nossos melhores ingredientes naturais e conhecer as novidades por lá, além de adquirir elementos para a preparação desse grande jantar que marcou o evento. No mercado, até comeram peixe frito com açaí – tudo paraense de verdade! Claude também foi aprender como se prepara o açaí.

Depois dos dias de Belém, Claude Troisgros foi para Manaus, acompanhado por sua equipe do Menu Confiança. Lá ele participou de uma pescaria de piranhas e preparou um prato típico francês, servido para uma tribo indígena. Passou um dia com uma família de caboclos para aprender como extrair o tucupi, etc.

A série deve fazer uma boa divulgação da nossa melhor culinária, já que mostrará, inclusive, a preparação dos tais pratos servidos no jantar dessa versão especial do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, inteiramente dedicado ao seu criador, o chef Paulo Martins.

Claude ficou tão empolgado que até “compôs” uma musiquinha especial para animar a equipe, na qual homenageia dois elementos fundamentais de nossa gastronomia, o tacacá e o tucupi, e ainda cita a Casa das 11 Janelas. Não deixe de ver, clique aqui. Quem sabe, qualquer dia vai ser gravada pela AR-15 ou Fafá de Belém, Calypso, Lucinnha Bastos, Techno Show, por todos eles, quem sabe...

Para ir entrando no ritmo do programa, veja aqui a aventura de Troisgros com uma cacauroska e enfrentando um toc-toc. Basta clicar aqui.

Vá ao site Gourmet da GNT, para saber ainda muito mais. Você pode acessar clicando aqui.

Agora é esperar a série. Depois a gente comenta.



Escrito por Fernando Jares às 17h32
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COLUNA GASTRONÔMICA

Hoje não circula a coluna gastronômica das sextas-feiras.

Desculpem-nos. Até para a semana.



Escrito por Fernando Jares às 17h37
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PINTÃO, O REPÓRTER!

UM RASTRO DE ESTRELAS

 

Um Repórter, um Jornalista, um Homem Sério, tudo assim, com letras maiúsculas, ou melhor, um REPÓRTER!, um JORNALISTA!, um HOMEM SÉRIO!, assim mesmo, gritado, com a alma chorando, com as lágrimas na margem dos olhos, querendo saltar para fora, na emoção da perda irreparável.

Foi-se o Raimundo José Pinto! Só a Deus cabem essas coisas e só Ele sabe o momento e o porque. Mas que nos faz sofrer, lá isso faz.

Conheço o Raimundo José há muitos anos, na maioria destes, ele na trincheira do divulgador da notícia, eu na trincheira da produção da informação. Sempre tivemos uma relação de afetividade, de respeito. Sempre o admirei muito, gosto de seu texto, tanto ao tratar de uma questão seriíssima da Amazônia, como ao descrever um boteco preferido (eram muitos), em deliciosas, literalmente, crônicas na Gazeta Mercantil, versão local de Belém. Era um santareno com grande vivência pelas ruas de Belém.

Tremem-me os dedos aos dedilhar estas teclas. Deve ser assim que se sente um violonista ao tocar uma canção para seu amigo que se foi. É triste escrever sobre quem, se sabe, deixará um vazio entre os humanos. Insubstituível. Virão outros, talvez bons e sérios. Mas nenhum Raimundo José Pinto, o Pintão. Um homem, um colega, que nos enche de orgulho em ser jornalista e em ser paraense.

Ao Lúcio, ao Luis Antonio, ao Elias, aos demais familiares, um abraço forte na dor irmã.

Como não sei mais o que escrever, busco o que sobre ele escreveu seu irmão Lúcio Flávio Pinto, diante da difícil e cruel doença que açoitava esse nosso “patrimônio comum”, que deixou para nós um rastro de estrelas, como afirma a ilustração lá em cima, de seu irmão Luis Antonio:

 

PINTÃO, O REPÓRTER

Lúcio Flávio Pinto, in Jornal Pessoal 446, 1ª quinzena de agosto 2009

Logo que assumi (por curtíssimo período, de três meses) a chefia de reportagem de A Província do Pará, em 1971, decidi dar um curso de jornalismo para recrutar novos repórteres. Três foram aprovados nessa iniciação, desenvolvida na própria redação do jornal: Ademir Silva, Guilherme Augusto Pereira e Raimundo José Pinto (José Augusto Potiguar tomou outros rumos, tornando-se procurador da república). Meu irmão estava então com 20 anos, dois anos mais novo do que eu. Ficaríamos juntos na profissão pelos 18 anos seguintes.

Ele me sucedeu como correspondente de O Estado de S. Paulo quando fui para a sede, um ano e meio depois. Voltei a Belém para criar a primeira sucursal regional da empresa e ele se manteve no lugar. Permaneceu quando o projeto fez água e a brilhante equipe formada foi se desfazendo. Ninguém jamais questionou a relação de parentesco: Zé se firmara por seu valor. O mesmo valor que o credenciou a ser presidente do sindicato dos jornalistas, em 1982. Quando deixei o cargo, ele foi vice-presidente de Emanoel Ó de Almeida, mas podia ter sido o meu candidato sem o risco de nepotismo. O intervalo, porém, foi importante. Nunca mais ocupei qualquer posição na diretoria, cargo de sacrifício, que só os mal intencionados (ou masoquistas) querem bisar na íntegra. Raimundo ganhou a eleição sem precisar da minha participação.

Durante 15 anos dividimos o escritório do Estadão em Belém, cobrindo o Pará e, às vezes, a Amazônia toda, para aquele que era o mais influente jornal do país (posição que perdeu, não por acaso, quando a família Mesquita, fragmentada, deixou o topo da empresa e permitiu que sua mística virasse pó). Saí em 1989, mas ele ainda ficou por dois anos, até que a base física fosse desfeita e o serviço voltasse a ser como era antes: um único correspondente, acionado pela pauta paulistana. A transformação que operamos na cobertura jornalística da Amazônia, buscando dar-lhe autonomia e paridade, virou miragem. O exotismo amazônico voltou a ser a marca da linha editorial imposta de cima para baixo.

Quando desisti de assumir a sucursal da Gazeta Mercantil em Belém, repassei-lhe o lugar, que ele ocupou com a naturalidade das outras vezes, impondo-se na função por seu desempenho, sem abandonar o seu modo discreto e afável de exercer a chefia, como um colega e igual. E sem deixar de acompanhar os fatos, como repórter, que sempre foi, nas ruas e nos gabinetes. Dedicando mais tempo ao jornalismo científico.

Em tantos anos de parceria profissional, a relação fraterna sempre foi um detalhe. Tratávamo-nos como dois repórteres, sem diferença hierárquica, sem favorecimentos. Havia respeito entre nós, admiração recíproca. Como pessoas, éramos bastante diferentes, mas uma coisa nos unia: o humor. Quando as rodas se formavam, com outros irmãos e amigos, ou mesmo estranhos, a ironia ficava solta. Ninguém estava protegido da gozação, do chiste, da maledicência inofensiva.

Posso dizer que a maior característica de estarmos juntos na mesma profissão e na mesma empresa por tanto tempo foi a de jamais imaginarmos e arquitetarmos o mal a qualquer personagem, mesmo o mais ignóbil da cena pública. Os gostos (e desgostos) pessoais nunca contaminaram nossa pauta nem se infiltraram em nossos textos. Raimundo fez o melhor dos jornalismos de 1971 até uma semana atrás, quando o câncer, que combateu durante longos e sofridos quatro anos, o derrubou numa cama de hospital, colocando-o à mercê de sua crueldade e fatalidade.

Abracei e beijei meu irmão, dividi com ele nossas lágrimas, numa intimidade rara no nosso cotidiano de trabalho pesado. Ele sempre encarou a doença com a indestrutível vontade de viver, o sempiterno amor pela vida, pela fruição da existência, a boa conversa, a mesa apetitosa, os amigos, as pessoas queridas e o jornalismo, que foi a sua paixão. Ele superou todas as expectativas, mesmo as mais otimistas, quando da sua internação, para travar o maior combate da sua vida com altivez, com muita seriedade e, ao mesmo tempo, como se estivesse dançando o carnaval pelas ruas de Belém, num bloco, com seu pareô, seu colar de flores, seu boné, sua barba e aquele jeito característico de ser Raimundo José de Faria Pinto, marca pessoal, intransferível e que vencerá todas as formas de morte. O Pintão de todos os seus muitos amigos e admiradores, como eu. Nosso patrimônio comum.

Leia sobre o Raimundo José Pinto, aqui.



Escrito por Fernando Jares às 10h07
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OLHA O PARÁ CHEGANDO EM SUA CASA!

COISAS DO PARÁ, ONDE ESTIVER O PARAENSE

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Jambu(1), embalagem de miriti(2), gravura rupestre de Prainha(3), coisas paraenses.

Acho que acabou a dificuldade em conseguir produtos amazônicos legítimos, especialmente pela imensa legião de paraenses que vivem por esse Brasil. Coisas que geralmente só se conseguia aqui, pelas ruas de Belém. E nem sempre.

Você pode ter uma lista variada, que vá dos absolutamente necessários ingredientes para o pato (jambu, chicória, alfavaca e tucupi) a que todo paraoara tem direito, ou o livro com a receita para fazer o dito cujo, até uma gravura rupestre em argila, de Prainha, para definir a decoração paraense de seu espaço. Ou brinquedos de miriti. Ahh, para o patoso, a farinha d’água e a pimenta de cheiro. E para a sobremesa, doces e bombons de cupuaçu, de castanha, etc. Ops, deu água na boca...

Essa história toda é para dizer que agora há uma loja virtual com tudo isso: Amazônia Empório.

De acordo com as sócias no empreendimento, Joanna Martins e Renata Valente, “todos os produtos são feitos com matérias-primas selecionadas e confeccionados pelas melhores empresas e artesãos, o que garante a alta qualidade das peças disponíveis no site, que entrega no Brasil inteiro com toda a comodidade e facilidade de pagamento”.

No site é possível encontrar cerâmica, miriti, madeira, balata, bijuterias, camisetas, papelaria, brinquedos, perfumes e cosméticos, sementes, objetos para casa e decoração, além de itens da culinária paraense e muito mais. O site ainda disponibiliza seções de brindes corporativos e de projetos especiais.

Em conformidade com as exigências de sustentabilidade ambiental a empresa certifica-se de que seus fornecedores extraem a matéria-prima de modo responsável. “Buscamos trabalhar com associações de artesãos e atuar junto a eles para constante melhoria da qualidade do produto final”, afirmam as empreendedoras.

Dei uma volta pelo Amazônia Empório (você também pode ir, clicando aqui) e vi que tem de um tudo para atender as exigências paraensistas. Imagine que tem até aquelas embalagens de miriti. Que tal um paraense que dá presentes em embalagem de miriti. É criar marca! O presente em si, nem é importante, mas a embalagem... e se o conteúdo também for do Pará, então. O importante é que tem muita coisa baratinha: essas caixinhas andam ao redor de R$ 5,00. Um aromatizador de cheiro do Pará, custa R$ 17,50. Agora, se você tem um amigo juiz, taqui a ideia: martelo para juiz ou leiloeiro, peça artesanal feita com aproveitamento de madeira (Ipê) que custa R$ 22,50.

E vai por aí. Fiquei feliz em encontrar também o DVD e o livro de receitas de Culinária Paraense, do chef Paulo Martins, que vem a ser o pai da Joanna.



Escrito por Fernando Jares às 17h37
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BENEDITO NUNES NAS ASAS DA PALAVRA

VIAGEM A UMA OBRA EXTRAORDINÁRIA E SEU AUTOR


Esta foto de Benedito Nunes, que está na capa do livro “Dois ensaios e duas lembranças”, merece uma legenda muito especial, que fui buscar nas abas (ou orelhas) do mesmo livro, assinadas por Lilia Silvestre Chaves, que assim escreve sobre “a belíssima fotografia que capturou para sempre (e para o mundo) um instante inesquecível: Benedito Nunes, em primeiro plano, sentado em um degrau das escadarias da Biblioteca Nacional de Paris, com os prédios elevando-se ao fundo. Não só para a autora da foto, Rosário Lima, como para todos nós, seus amigos, que lá estávamos, na verdade, o monumento era ele, ali sentado. É para ele que os olhares convergem. Sempre.”

 Mais destacado nome das letras deste Estado, luminar da inteligência local, maior filósofo brasileiro vivo, homem de conhecimento, que nos enche de orgulho de ser paraense. São palavras ainda muito modestas, diante da grandiosidade de Benedito Nunes.

Pois bem, o grande mestre, no frescor dos 80 anos que completa este ano, em novembro, vai ser homenageado com uma edição da revista “Asas da Palavra”, da Unama – Universidade da Amazônia, sem dúvida a principal publicação acadêmica sobre literatura no Pará, cujos últimos números foram dedicados a Antonio Vieira, Machado de Assis e Guimarães Rosa.

A revista tem organização de Maria Célia Jacob e Victor Sales Pinheiro.

Vamos conhecer, em primeira mão, o cardápio que a publicação vai oferecer.

Na introdução, apresentará (1) A formação de Benedito Nunes, (2) Bibliografia de Benedito Nunes e (3) Nota Biográfica de Benedito Nunes.

No capítulo “Conversas com Benedito Nunes”, algumas preciosidades:

- O roteiro dos livros de um sábio paraense - entrevista concedida ao jornalista Lucio Flávio Pinto

- Conversa com Benedito Nunes - entrevista concedida ao filósofo Edson Coelho

- A filosofia nossa de cada dia – entrevista concedida à revista Mão Livre

- A outra vereda – entrevista concedida à professora Rosa Assis.

A seguir encontraremos “Crônicas sobre Benedito Nunes”, com um elenco de primeira entre os nomes da cultura paraense:

- Uma posição singular - Maria Anunciada Chaves

- Homenagem ao professor Benedito Nunes - José Maria Bassalo

- Benedito Nunes e o cinema - Pedro Veriano

- Benedito Nunes: sedutor convite ao banquete filosófico - Angela Maroja

- A travessa da Estrela e o metonímia Benedi(c)to - Paulo Nunes

- A presença de Benedito Nunes no ciberespaço - Stella Pessoa

- Multímodo, profuso, inquieto Benedito Nunes - Amarílis Tupiassú

- A Universidade e Benedito Nunes - Nelly Cecília Paiva Barreto da Rocha.

Prepare-se para um mergulho profundo na obra de nosso mestre maior, em “Estudos sobre a obra de Benedito Nunes”:

- Reflexões acerca da crítica de Benedito Nunes - Jucimara Tarricone

- O Filósofo e o Poeta - Lilia Chaves

- Contribuição de Benedito Nunes à bibliografia rosiana - Silvio Holanda

- O universalismo de Benedito Nunes - Victor Sales Pinheiro.

No capítulo seguinte a “Asas da Palavra” nos coloca diante do pensamento de alguns dos grandes estudiosos e pensadores, locais e nacionais, com “Ensaios em homenagem a Benedito Nunes”:

- João Guimarães Rosa - um mestre que ensina a dialogar com o povo - Willi Bolle e Maira Dalalio

- O encoberto que vem no desejo - Alcir Pécora

- Paixão  e ciúme: uma abordagem “problemática e aproximativa” de um poema de Safo - Adélia Bezerra de Meneses

- Drummond e o livro inútil - João Adolfo Hansen

- Ode Marítima - Audemaro Taranto Goulart

- Nietzsche, Freud e Marx - Ernani Chaves

- Para que Fenomenologia "da" Educação e "na" Pesquisa Educacional? - Aniceto Cirino da Silva Filho.

A próxima etapa de nossa viagem gráfica, sobrevoados ou sobrevoando BN e sua obra, mostra um conjunto de “Homenagens poéticas a Benedito Nunes”. Prepare-se, porque o empuxo será grande! São obras dedicadas por seus autores ao professor/inspirador, ou a ele e sua permanentemente querida Sylvia, como no caso de “H’era”. Mire o elenco que desfilará diante do feliz leitor da publicação, pelas ruas de Belém e outras paragens:

- Max Martins – H’era

- Age de Carvalho – Canção

- Lilia Chaves – Para e pelo Ser

- Vicente Cecim – Isso, o Aquilo

- Pedro de Assis – Réquiem profano e glorioso para CDA

- Milton Hatoum – A natureza ri da cultura.

Por fim chegamos ao ápice. O homenageado entra em cena, com alguns exemplos, fundamentais, de sua produção, nos “Escritos de Benedito Nunes”:

- Meu caminho na crítica

- Quase um plano de aula

- A Filosofia e o Milênio

- Universidade e Regionalismo

- Um conceito de cultura

Fechando a obra, um precioso “Caderno iconográfico”, a partir do acervo de fotos cuidadosamente guardado e selecionado por Maria Sylvia Nunes, a privilegiada que o tem permanentemente junto, há mais de 50 anos.



Escrito por Fernando Jares às 17h28
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O CAVAILLÉ-COLL DE BELÉM

UMA PÉROLA DA ARTE MUSICAL

O monumental órgão da igreja da Sé, reaberta hoje, é considerado o maior dos Cavaillé-Coll da América Latina, de tração mecânica. Essa marca é criação do francês Aristide Cavaillé-Coll (1811-1899), o maior construtor de órgãos do século XIX, responsável por uma revolução nesse instrumento, na época uma modernização, que praticamente reabilitou o órgão no mundo. Inovações que influenciaram os órgãos ao longo do século XX, já que a produção continuou após a sua morte. Este senhor foi tão importante que há um asteróide do sistema solar, batizado com seu nome, o 5184-Cavaillé-Coll, descoberto em 1990.

O monumental órgão de Belém foi recebido em cerimônia no dia 9 de setembro de 1882, por d. Antonio Macedo Costa, o autor da reforma da Catedral. Descobri hoje, graças ao Monsenhor Nelson Soares, que Sé Catedral é pleonasmo, pois toda catedral (que vem do latim catedra) é a sede, igreja-mãe, matriz de uma diocese e tem uma cadeira/catédra destinada a esse pastor. Por isso essa igreja matriz é conhecida como igreja da Sé e é uma Catedral...

Veja aqui o texto da ata de aceitação, por autoridades e pela sociedade paraense, do novíssimo órgão, em 1882:


Mas o Mons. Nelson entra nesta história porque ele foi o responsável pela recuperação de diversos ambientes da Catedral de Nossa Senhora da Graça, especialmente o órgão. O instrumento, depois de ser usado por mais de 70 anos, ficou abandonado e deteriorou-se, ao longo de cerca de 40 anos.

A campanha para a recuperação, que teve de ser feita na França, foi bastante difícil, mas o batalhador sacerdote conseguiu os recursos e, em 14 de junho de 1996, realizou a reinauguração do órgão, quando aconteceu concerto com o organista convidado padre Hans Bonish e com o paraense Paulo José Campos de Melo.

Passou novamente um bom tempo parado, mas agora voltará aos seus grandes momentos para alegria dos viventes pelas ruas de Belém, que gostam de boa música. Esperamos todos. Inclusive a urgente necessidade da realização de um registro musical (CD ou DVD) para mostrar ao mundo nosso valioso instrumento e o talento de Paulo José Campos de Melo.

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O órgão da Sé (1), após a recuperação de 1996 e o da capela de Coimbra(2).

COIMBRA – Li nos jornais de hoje que o Cavaillé-Coll é “similar ao órgão da capela da Universidade de Coimbra”. Fiquei em dúvida. O setecentista órgão da capela de São Miguel, em estilo barroco, é de 1733 e foi construído pelo mestre organeiro espanhol Manoel Benito Gomes Herrera. Portanto, muitíssimo antes do senhor Cavaillé-Coll nascer. Também não parece que se tenha ele ido inspirar lá em Coimbra, já que ele foi um grande inovador e, na altura em que produziu o que veio para Belém, já estava longe de qualquer possível inspiração de início de carreira... Inclusive o desenho do órgão de Coimbra é bem diferente deste da Catedral. Veja aqui outras fotos do órgão de Coimbra. Tive a oportunidade, em 1997, de acompanhar uma parte de um ensaio do organista de Coimbra, quando Rita e eu visitamos essa belíssima universidade, fundada em 1290, uma das mais antigas do mundo. Até perdi uma parte do passeio pelos prédios, para curtir estes sons magníficos. No ano anterior, eu ouvira o ressuscitado órgão de Belém. Ambos maravilhosos.



Escrito por Fernando Jares às 19h04
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