Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog



Outros sites
 Cais do Silêncio - Literatura de Jason Carneiro
 Quarto Escuro - escritos, lidos, gostos e desgostos de Bruna Guerreiro
 Oníricos - O e-book de Bruna Guerreiro
 Cerveja que eu bebo - Cervejas bem bebidas, experiências compartilhadas.




UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


A VOLTA DA CATEDRAL

A MONUMENTAL OBRA DE ARTE ESTÁ DE VOLTA

 

Nesta terça-feira, 01/09, a cidade tem de volta um de seus monumentos religiosos de maior valor: a Sé Catedral de Nossa Senhora da Graça. Templo quase tricentenário, tem a participação do maior dos arquitetos estrangeiros que por cá andaram no passado, Antonio José Landi, nas torres e no frontão entre elas. Ele também havia desenhado o retábulo do antigo altar-mor, que foi eliminado e substituído no final do século XIX. A foto externa do grande tempo, que está aí em cima, é da Bruna Guerreiro Martins, dentro do ensaio que fez com a boneca Barbie Amazônia, em pontos turísticos pelas ruas de Belém. Já foi assunto neste blog, na visita da boneca à Estação das Docas. Leia, clicando aqui.

A Catedral está fechada desde 2005, metida em um imbróglio sem mais tamanho, envolvendo lances políticos, orçamentários, administrativos, egos, etc. Como sempre, prejudicando todo mundo. Mas, afinal, ei-la de volta com seu esplendor. Vamos conhecer amanhã, como ficou o trabalho. Hoje, na primeira página do jornal Diário do Pará, há uma foto magnífica, de Rogério Uchoa, mostrando o interior da igreja. Veja abaixo parte dessa foto. Para ver completa, vá lá ao site do Diário (em Edições, indique a data de hoje, 31.08.2009). Também em O Liberal a obra ganhou destaque, veja aqui.

 

A Catedral é dedicada a Nossa Senhora da Graça, denominação originária da primeira igreja construída naquela localidade. E, quando foi constituído o primeiro bispado da cidade, em 1720, foram concedidos “à matriz de Nossa Senhora da Graça os direitos e honras da Sé Episcopal”, registra Ernesto Cruz em sua “História do Pará”, volume I, página 206. A primeira pedra do alicerce do novo prédio para a catedral de Belém somente foi lançada em três de maio de 1748, “no mesmo sitio da antiga Matriz de Nossa Senhora da Graça defronte do Collegio de Santo Alexandre dos Padres da Companhia”, como escreveu Antonio Ladislau Monteiro Baena em “Compêndio das Eras da Província do Pará” (1838), página 155 da edição de 1969, da Universidade Federal do Pará. A obra demorou um bocado, muito mais que esta longa restauração atual... e ficou pronta no dia 8 de setembro de 1771. Quer dizer: a Sé está acostumada a grandes demoras dos poderes constituídos.

Nossa Senhora de Belém é, há muito, a padroeira desta capital. Baena, na mesma obra, página 144, refere-se a um evento em setembro de 1723, com “um grande concurso de povo de um e de outro sexo á festividade de Nossa Senhora de Belém, Padroeira da Cidade”.

Em 1892, quando da restauração (na verdade, uma reforma) realizada por D. Macedo Costa, este ofereceu o templo à Nossa Senhora de Belém “conforme promessa que lhe fizera”, afirma Leandro Tocantins em “Santa Maria de Belém do Grão Pará”. Mas continuou sob o orago de N. S. da Graça. E, como insistia Augusto Meira Filho, é “da Graça” e não “das Graças”, como muitas vezes é denominada.

A monumental imagem do frontão é de Nossa Senhora de Belém e datada do século XVIII.



Escrito por Fernando Jares às 18h20
[] [envie esta mensagem] [ ]



OMELETE SENTIMENTAL E ROSCA STAR

FRASES GASTRONÔMICAS DA SEMANA

 

“Não se prenda ao arroz com feijão.”

“O prazer começa pela boca.”

Frases de peças da coleção verão/2010, “Da farofa ao caviar”, da grife Daspu.

 

A ARTE ESPALHADA PELO SÃO JORGE

 

O omelete que provoca reações sentimentais.

Antes de tudo começar, já havia a mercearia (que antigamente se chamava taberna) São Jorge. Aí, a talentosa fotógrafa Walda Marques, mostrando um novo talento, transformou o local em um barzinho muito legal, com pouco espaço, inclusive para estacionar o carro, mas atrás da igreja de São Joãozinho e com comidinhas espertíssimas e gente fina.

Depois que mudou, recentemente, para novo endereço, bem pertinho do original, ganhou muito mais espaço, mais facilidade de estacionar – pra mim perdeu um pouquiiinho do charme, mas continua muito atraente. Tem arte espalhada por todo canto, pelas paredes, embaixo do tampo transparente das mesas, balcões – o que exige um agradável exercício exploratório, renovável a cada incursão na casa, porque há sempre o que descobrir. O lance das mesas é imperdível e justifica chegar cedo, quando muitas ainda não estarão ocupadas. Aliás, logo na entrada há um simpático trio para a recepção: São Jorge, o cavalo e o dragão, com cara de quem quer ser fotografado com os visitantes...

Numa noite do final de julho, cedo, portanto com o movimento ainda pequeno, era terça ou quarta-feira, fomos lá conhecer a casa nova e tomar umas cervejinhas, sempre bem geladas.

Começamos com pastéis de carne seca com jambu e de picadinho com bacon, bem torradinhos, para abrir os trabalhos. R$ 16,00 a dose de dez unidades.

Os pedidos foram variados, conforme cada gosto, coisa leve. Por exemplo, o sanduíche de filé com queijo do Marajó (R$ 14,00) foi bastante elogiado, pelo sabor e pela textura. O sanduíche de picadinho com banana (R$ 10,00) levou a uma comidinha dignamente caseira.

Eu fiz uma opção sentimental: Omelete Iara Bar, de carne assada (R$ 15,00) que era a única opção disponível, embora haja também de camarão e de carne seca, ingredientes que chegariam mais tarde. Veio com uma saudável saladinha e uma farofinha ótima. Estava gostoso como deve ser um bom omelete, especialmente para quem, como eu, que adoro ovo, das mais variadas formas ou origens. O sentimental fica por conta do velho Iara Bar, que existia ali bem perto, na Dr. Assis esquina com a trav. D. Bosco, que vem a ser aquela ruazinha que sai do largo do Carmo. Estudante no Colégio do Carmo ao longo de oito anos, inevitavelmente volta e meia entrava no Iara Bar. Pra dizer a verdade, nem eram assim tantas, porque, na maioria dos dias, o dinheiro disponível era apenas o do ônibus... não havia mesada lá por casa, nem o hábito dos lanches na escola. Tempos bicudos. Mas sempre havia tempo para um papo rápido, um alô ao Feola, os Morgado, que moravam em frente, e outros mais. Veja só o que um bom omelete é capaz de fazer.

A Taberna São Jorge, atração desta sexta gastronômica, é a melhor cozinha dos bares pelas ruas de Belém, segundo a Vejinha.

 

ADILSON, O PADEIRO-STAR

Sábado passado fui à panificadora Umarizal para comprar umas premiadas Roscas de Bacuri. Você sabe que com elas Adilson Pereira dos Santos faturou o título de Melhor Pão do Brasil – leia aqui.

Pois bem, nosso padeiro campeão nacional havia dado uma fugidinha lá dos fornos e massas e circulava no salão, todo paramentado em seu traje oficial, atendendo pessoalmente a clientela. Era um sucesso, todo mundo falava com ele, rapaz muito educado e gentil. Uma consumidora logo pediu para tirar uma foto junto com ele: “vai para o meu orkut”, afirmou feliz, como antigamente se ficava ao conseguir o autógrafo de alguém famoso. E o Adilson o é – afinal é um campeão nacional. E nesta terra, em que os antigos campeões despencam, literalmente, pelas tabelas, em direção à letras cada vez mais distantes, festejemos este nosso campeão.

Por sinal as duas roscas que trouxe estavam divinas. O recheio do gostoso doce de bacuri muito bem distribuído, a massa levezinha e a cobertura com pinceladas de bacuri e castanha quebradinha faziam um conjunto muito harmônico.



Escrito por Fernando Jares às 00h16
[] [envie esta mensagem] [ ]



MARAJÓ, BARREIRA DO MAR

UMA BELEZA EM DIMENSÃO PLANETÁRIA

 

 Marajó em fotos do site da Paratur.

O Pará tem algumas das atrações naturais mais conhecidas do mundo: o maior trecho navegável do Amazonas, que é o maior rio do mundo em volume d’água e em extensão; Marajó, a maior ilha flúviomarítima do mundo; pescamos no oeste do Estado o pirarucu, maior peixe fluvial do planeta; e muitas outras. Só ainda não conseguimos transformar essas atrações – que as pessoas aprendem nas escolas primárias aí pelos continentes – em produto turístico, uma forma de obter resultados econômicos e sociais sem necessariamente destruir isso que Deus nos deu. No turismo ordenado por políticas adequadas e que visam o desenvolvimento sustentável, o turista só leva imagens em suas digitais, na memória e no coração, além de produtos artesanais que, via de regra, geram trabalho e renda até para quem não tem maior qualificação/especialização. Faltam-nos essas políticas e políticos que acreditem nisso.

A ilha do Marajó é um exemplo que interessa muito a Belém, pela sua proximidade. Barreira entre o mar, o Amazonas e outros rios, tem condições para ser um desejado destino para turistas de todo mundo.

Ainda recentemente, em 14/08, a Globo dedicou um bom espaço à ilha, com matéria muito bem produzida e exibida no Jornal Hoje. Coisa rara, já que a maioria das notícias locais, em rede nacional, são sobre violência, invasões, etc. Para ver a bela reportagem mostrada no Hoje, clique aqui.

Essa divulgação caia como uma luva, pois desde 22 de junho havia um transporte apresentado como confiável e de qualidade, a lancha Álamo, fazendo a ligação de Belém com Marajó. Essa novidade, anunciada, inaugurada e festejada com pompa e circunstância como grande iniciativa do governo estadual, de fato o era.

Era tão importante que a viagem inicial foi adiada e adiada porque a governadora tinha de estar presente e sua agenda...

A Álamo resolvia finalmente o crônico problema do transporte dos turistas e de quem faz esse trajeto, já que os barcos e balsas que atendem a ilha são, normalmente, sujos, lentos e tendentes a defeitos, por problemas de manutenção.

Notaram o passado: era, caia, resolvia? Pois é, virou passado, rapidinho. Dia 18 acabou a tal linha. Sem explicações para quem acreditou em ser feliz. O sonho acabou, e pronto. Parece que amanhã (sexta) haverá uma reunião entre os atônitos agentes de viagens e hoteleiros e os responsáveis pelo empreendimento, na busca de uma solução.

Eu, de minha parte, caí no conto da Álamo. Programei voltar ao Marajó neste final de semana, todo ansioso pela nova opção de transporte. Como sou teimoso, vou assim mesmo, com a Rita e sem a lancha, em um dos barcos da linha, da empresa Arapari, que (infelizmente) conheço muito bem. Disse-me um agente de viagens que está tendo problemas em explicar aos seus clientes a mudança no transporte informado e o que efetivamente será usado. É lógico.

Tomara que venha uma solução inteligente e competente. Será possível?



Escrito por Fernando Jares às 16h32
[] [envie esta mensagem] [ ]



TECNOBREGA É COISA DE DOUTOR!

TESE DE DOUTORADO ESTUDA O TECNOBREGA

O tecnobrega (ou será technobrega?), como produção autenticamente regional, é um fenômeno cultural que merece a atenção, cada vez maior, dos estudiosos. É o caso do professor de música e pesquisador paraense, Paulo Murilo Guerreiro do Amaral. Depois de ter trabalhado sobre o carimbó em sua tese de mestrado, em São Paulo, agora ele elevou o tecnobrega às glórias da academia, com nossa popular manifestação musical sendo o tema de sua tese de doutorado, obtido em Porto Alegre.

O título é bem acadêmico, mas não se assuste: “Estigma e cosmopolitismo na constituição de uma música popular urbana de periferia: etnografia da produção do tecnobrega em Belém do Pará”.

O trabalho pesquisa a produção desse estilo musical associado à periferia de Belém e com grande aceitação pelo público dessas áreas.

Segundo o autor o tecnobrega vem a ser o resultado “de manipulações computacionais de timbres, ritmos e melodias realizadas em estúdios por produtores musicais, ainda que o tecnobrega não se encontre relacionado exclusivamente à síntese digital sonora.”

Identifica o seu surgimento nos anos 2000, a partir do estabelecimento do brega no Brasil (na década de 1960), como um tipo de música popular, identificado pela mídia, principalmente, como característico das classes médias urbanas emergentes.

E aponta que, “igualmente ao brega, o tecnobrega (uma techno-versão do brega, pelo que o próprio nome sugere) também se destaca como música estigmatizada, tanto quanto personagens ligados ao universo da produção musical local carregam o estigma de ser “brega”.

Isso leva produtores, cantores, compositores, ligados à produção desse estilo na cidade, pela própria condição de se sentirem estigmatizados, utilizarem “o tecnobrega como música de resistência, ao mesmo tempo (e ambiguamente) contestando a cultura “dominante” e nela se espelhando.”

Paulo Murilo Amaral apresenta esta manifestação musical tantas vezes encontrada pelas ruas de Belém, como uma típica expressão de caráter cosmopolita, sendo esta produção “conseqüência de um ser/agir cosmopolita refletido em comportamentos, práticas culturais/musicais e no discurso sonoro.”

Ao longo de sua pesquisa o autor acompanha as reações dos atores envolvidos, especialmente os artistas da área e sua produção musical, multimídia e tecnológica – esta, na verdade, a principal característica do tecnobrega.

“Cosmopolitismo e globalização, mídias e tecnologias, regionalismo e construção de identidades aparecem como questões tratadas dentro de um campo teórico amplo que intersecta a Etnomusicologia, a Sociologia e a Antropologia Social” explica Paulo Murilo sobre sua tese.

O movimento em torno do tecnobrega envolve milhares de pessoas com bandas, cantores, cantoras, músicos, compositores, produtores, promotores, enfim uma engrenagem que garante emprego e renda para um grande contingente e alegria e felicidade para uma enorme parcela da população. Quem gosta de dançar coladinho, sabe o valor de um brega bem dançante...

O cuidado em destacar esses valores de nossa cultura popular é fundamental para a construção de uma consciência de regionalismo, daquilo que adoto chamar de paraensismo e que tenho defendido, ao longo de muitos anos de atividade profissional, na imprensa, no rádio, na comunicação em grandes empresas. Quando editor de turismo de A Província do Pará, defendi um carnaval que incorporasse elementos regionais (“Carinval, por que não?”, escrevi na época) ao ritmo que se quer na animação desse período. Quando o brega começou a fazer sucesso fora do Estado, sugeri pelas páginas daquele jornal que Belém assumisse o título de “capital do brega”, como forma de criar um fluxo turístico para trazer quem quisesse curtir o brega verdadeiro. Não faltaram críticas...

Fico feliz com a iniciativa desse jovem doutor, em levar ao nível da pesquisa acadêmica esta manifestação cultural de boa parcela de nossa gente. Mais feliz ainda pelo fato de que se trata de um querido sobrinho, que contribui para o nosso orgulho de ser paraense.

Há um site em Belém que tem muita música paraense, inclusive os hits do brega e do tecnobrega, o Bregapop. Um exemplo, com a conhecida Banda Caferana Melodia, mostra o que é o “Techno”, com circunflexo no ô, talvez para rimar com “essa onda já pegô”... clique aqui para ouvir.

Uma dica interessante é o CD de Betty Max (foi casada com o cantor Ted Max, sempre lembrado e tão cedo falecido), que tem uns arranjos techno, outros calypsentos, etc.



Escrito por Fernando Jares às 18h20
[] [envie esta mensagem] [ ]



MENDES, CASA (d)E COMUNICAÇÃO

 

DAS MUDANÇAS DA MENDES E DOS MENDES

 A Mendes mudou, os Mendes mudaram. Para anunciar a mudança de endereço, fazendo um xis na rua, de um lado para outro e de um quarteirão para outro, assim como a mudança do nome, de Mendes Publicidade para Mendes Comunicação, a campanha fala, apenas, que a Mendes mudou. Mas os Mendes também mudaram: quando lá trabalhei, na década de 70 dos 1900, era apenas um, o Oswaldo Mendes (Senior), de quem já falei aqui, pelos seus 80 anos. Hoje são muitos os Mendes – três gerações estão lá, em plena atividade.

O que não mudou nadinha foi a capacidade de trabalho, a criatividade, a busca, quase obsessiva, da qualidade em tudo que faz, que o Mendes Senior criou, quando ainda ninguém falava em qualidade na produção. Tudo havia de ser cuidadosamente planejado e executado: “propaganda é detalhe”, dizia-me ele a todo o momento, como a incutir-me esse preceito.

Fui lá, semana passada, conhecer a casa nova da Mendes, ciceroneado pelo próprio Oswaldo Mendes, pai.

Daqueles tempos pioneiros, de quando lá cheguei (1970) ainda estão o mestre Mendes e o Paulo Coelho, companheiros de pioneiras batalhas. De quando saí (1978) revi, além dos dois, o Mendes filho, o Sebastião, o José Otávio e a Sandra. E vi um time de gente nova, ativa, herdeira e executante daquela competência que a empresa consolidou, pioneiramente, neste extremo do país.

Emoções à parte, foi a oportunidade de conhecer um prédio cuidadosamente planejado e construído para abrigar, em três andares, uma agência moderna, com conforto, praticidade e beleza.

A cara paraense revela-se logo na entrada, com linda homenagem à N. S. de Nazaré: dois belos painéis fotográficos do Círio cobrem parte de uma das paredes e, entre eles, um pequeno santuário com a réplica da imagem tendo como cenário a foto do interior da Basílica que vemos no cartaz deste ano (veja o cartaz aqui).

O hall de entrada do primeiro andar (foto abaixo) tem como grande atração a única peça conservada da casa que havia no local: uma bela escada de madeira de lei, trabalhada, bonitona. Atraente. Embora haja elevador, o Mendes disse-me que preferia o prazer de subir pela escada. Tinha razão. Ao lado, um discreto e belo móvel, abriga alguns dos mais importantes prêmios da organização. Senti falta do primeirão, conquistado com uma campanha para o Hirondelle, da Paraense Transportes Aéreos, em concurso promovido pelo Jornal do Brasil, nos idos de 1966. Segredou-me o Mendes: não está ali, porque está desgastado, pela exposição ao longo destes mais de 40 anos! Mas está guardado carinhosamente, aguardando uma possível restauração. Ah, sim. Porque a gente tinha um orgulho danado daquele um. Olha só o hall de entrada, em foto do Luiz Braga, que captou as belas fotos da nova Mendes:


Todas as salas estão muito bem montadas, mas uma delas me atraiu especialmente: a da Criação. Em plena Benjamim Constant, rua de muito movimento, conseguiram fazer um local agradável e tranquilo para trabalhar, para criar, para deixar o talento saltar para os teclados e telas. Um ambiente propício a grandes ideias, como defende o Washington Olivetto. Fica no segundo andar e uma gigantesca janela de vidro mostra as copas das grandes mangueiras, cara a cara com o verde mais cara de Belém que existe. Fiquei logo pensando em colocar uns bebedouros para os passarinhos, como tenho aqui no meu pátio, onde recebo a visita de beija-flores e outros mais graúdos...

Veja só a foto que o Braga fez desta sala:


Pra fechar, uma foto do meu álbum “amigos de trabalho”: a equipe que a revista Propaganda chamou de “1º escalão da Mendes”, em 1976. Acompanhe a galera, da esquerda para a direita: Cláudio Barreiros (Administração), Paulo Coelho (Mídia), Oswaldo Mendes Filho (Estúdio de Fotografia), eeeu (Atendimento), Rosenildo Franco (Criação), a sempre bonita Oneide Barroso (Finanças) e Nirlando Lopes (Produção Gráfica).

 

Ah, você encontra uma bela matéria sobre as mudanças da Mendes, no Portal da Propaganda. Passe lá: basta clicar aqui.



Escrito por Fernando Jares às 20h40
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM MENINO QUE COZINHA BEM E É INTELIGENTE

UMA TERRA ENCANTADA ONDE AROMAS CANTAM E DANÇAM

Sexta passada, no post imediatamente abaixo, comentei o restaurante Remanso do Peixe e citei o jovem Thiago Castanho, segunda geração da casa, como um promissor valor da gastronomia paraense.

Promissor? Diz o Houaiss que promissor é o “que promete ser bom, feliz, bem-sucedido”. Considerando o que li de quando escrevi esse texto para agora, sobre as artes que esse jovem criado pelas ruas de Belém anda fazendo pelas ruas de São Paulo, promissor é termo do passado. O futuro é agora.

Nina Horta, uma das mais importantes escritoras brasileiras de gastronomia, cozinheira respeitada, que assina coluna semanal na Folha de S. Paulo (desde 1987), escreveu uma crônica deliciosa (olha o trocadilho... mas é justo) na quinta-feira passada. Ora, na véspera do meu escrito. Mas só soube ontem, em pequeno registro na coluna do Mauro Bonna. Fui atrás e deliciei-me. Na verdade, emocionei-me. A autora de “Não é sopa” nos leva a passear pelos sabores, saberes, aromas, gostos e viveres amazônicos, manejando o verbo ao encontro do Verbo, guiados pelo “menino Thiago Castanho, que cozinha tão bem e é inteligente, debaixo dos caracóis dos seus cabelos, uma história pra contar, de um mundo tão distante, no restaurante Remanso do Peixe, no Pará”.

Queria ver a cara alegre da d. Carmen e do Francisco, os olhos brilhantes como melhor brilham os olhos de pais orgulhosos, diante de tão grande elogio ao seu pimpolho, aventureiro-conquistador e vitorioso entre gentes gastronômicas da paulicéia, desvairada por novas aventuras e conhecimentos nesta área, como Nina Horta explica:

O povo gastronômico anda ouriçado. O Grão Belém do Pará baixou por aqui, a Amazônia quer se dar a conhecer. Chovem informações novas, há que se reler Euclides da Cunha, refazer territórios, medir limites, inventar terroirs de pupunhas e açaís, olhar, cheirar, pegar. E os muito urbanos se confundem, os ribeirinhos da América Pescados, os farinheiros do Pão de Açúcar, os caçadores da Sadia, perdidos, o olhar de quem come tatu pensando que é coelho.”

É a cara dos paulistanos, correndo atrás das novidades, querendo quebrar a rotina pesada da cidade, não é? E como melhor fazer isso, que não com um cardápio rico das melhores riquezas da cozinha paraense? Temos toda a natureza que eles desejam tão ardentemente, porque os ingredientes de nossa culinária nós os vamos buscar diretamente na grande floresta, naturais e límpidos como as águas dos grandes rios.

Tem dúvida? Leia este delicioso trecho da crônica de Nina Horta, forma explícita de degustar palavras, letras, verbos, substantivos, adjetivos:

“Já provamos todas as papas, as frutas, os sorvetes, as ervas. E cada vez nos parecemos mais com aqueles macaquinhos de Rousseau, espreitando intrigados entre as folhas, como se fosse o primeiro dia do mundo. Cheiramos a comida da Amazônia como se cheiram os vinhos, trincando as castanhas, amassando as folhas, abanando a mão sobre as panelas, respirando-lhes o vapor, comendo o pato, chupando o azedo do tucupi, engrolando as farofas e os peixes, ah, as farofas, como se tivéssemos nascido de cuia na mão, tomando açaí branco.”

O texto completo desta crônica você pode ler clicando aqui. (mas acho que para ter acesso é preciso ser assinante UOL ou da Folha)

Thiago Castanho comandou o cardápio de um jantar para imprensa e alguns chefs estrelados, que deixou foi todo mundo nas estrelas, flutuando sobre o que de melhor temos cá por estas nossas terras.

Olha só o que disse a Neide Rigo, outra jornalista de primeira, nutricionista e consultora de cozinha e nutrição, que escreve na Caras, tem passagem pela Cláudia, etc.:

“Os pratos foram chegando bonitos, cheirosos, coloridos. Me senti em Belém como se aqueles aromas de jambu, tucupi e chicória-do-pará cantassem e dançassem carimbó com saias rodopiantes de chita alegre.”

Aaaai, sinto esses aromas aqui sobre meu computador, os outros sentidos estão sentidos, ardentes de desejos por esses temperos e, de alguma forma, até arriscam rodopios com o carimbó trazido pela Neide para esta festa gastronômica da cultura paraense.

Vamos ter a companhia dela nesse evento, indo até a cobertura que produziu para seu afamado e muito visitado blog “Come-se”, onde se come, virtualmente, excelentemente bem, e onde somos motivados a correr atrás dos melhores pratos... presenciais (ops!).

Além de um texto muito agradável, Neide nos presenteia com as fotos dos pratos que Thiago Castanho produziu para esses afortunados paulistanos que viveram uma noite gloriosa. Clique aqui para ir até lá.

Bem, a pauta de hoje era outra, mas não resisti a voltar ao tema da culinária e a dividir com vocês esses momentos de pura ufania, euforia e orgulho de ser paraense.



Escrito por Fernando Jares às 17h35
[] [envie esta mensagem] [ ]



TEM PEIXE DE BELÉM NA SEXTA GASTRONÔMICA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Não comerei ostras. Quero minha comida morta. Não enferma, não ferida, morta.”

Woody Allen – no site Cocina Real (Argentina)

 

PEIXE GOSTA DE UM REMANSO

 

 

Da mojica deliciosa à moqueca fumegante, o bom resultado dos peixes em remanso.

A primeira vez que fui lá, eram apenas uns poucos lugares, na sala, ou na garagem, de uma casa no fim de uma vila (quer coisa mais a cara de Belém), e você tinha que agendar o pedido na véspera, no caso, um tucunaré recheado. Uma delícia, perfeita, fazendo jus à recomendação do Guilherme Guerreiro, que tanto entende muito de futebol como de um bom peixe! Mas a casa não tinha nome, apenas a indicação de que era o peixe da d. Carmen.

Uns tempos depois, recebi um folheto, simples, xerografado: tinha virado restaurante/peixaria/pizzaria, com “ambiente refrigerado” e entrega em domicílio – tenho a peça nos meus guardados, não sei a data, mas o telefone, só tem sete dígitos... E a casa não tinha nome.

Passado algum tempo, num domingo, voltei lá, e... quem disse! Não tinha nem onde estacionar. Na vila, via-se fila de espera na rua, solzão.

Uma noite, no lançamento da primeira Vejinha Belém, ao ser anunciado o Melhor Pescado, uma surpresa: no grupo em que eu estava, formado por bons frequentadores de restaurantes, ninguém conhecia o escolhido, anunciado como Remanso do Peixe! Mas quando os premiados foram chamados para receber seus troféus, o mistério foi desfeito – era a peixaria da d. Carmen e do Chicão.

Este ano eles foram premiados, pela quinta vez, pela Vejinha/Belém, como o Melhor Pescado que se pode encontrar pelas ruas de Belém. Fazem uma comida com muita competência, o Francisco continua selecionando magnificamente o pescado e comandando a criação dos pratos e já tem até um filho com formação superior em gastronomia e que foi apontado, no final do ano passado, pela revista Menu, como um dos “10 chefs do futuro”, “cozinheiros que devem brilhar na gastronomia da próxima década”. Leia a matéria da revista, clicando aqui.

Sábado desses fui almoçar no Remanso, escoltado por um santareno de sete costados, daqueles que sabem tudo sobre os bons peixes. Aliás o Francisco foi criado em Santarém, tendo as boas águas e os excelentes peixes do oeste paraense como parte integrante de sua cultura.

Começamos por uma entrada recomendada pelo Francisco, um “Mojica de peixe com crocante de pão”, que vem a ser um caldo com peixe desfiado, engrossado com farinha e acompanhado de croutons. Delícia que soou como devem soar as trombetas na entrada do Paraíso. Sai por R$ 6,00.

O prato principal é também uma recomendação do dono da casa (ele, eu e o meu parceiro de mesa, temos em comum o trabalho, passado ou atual, em uma mesma empresa): a “Moqueca de Peixe à Paraense”. Sem dendê, muito bem esclarece o Francisco, com o que me conquista a aprovação, já que não sou fã desse óleo baiano, que deixa toda comida com o mesmo gosto esquisito. Só vai mesmo em doses homeopáticas... como no nosso vatapá paraense.

Mas a Moqueca Paraense é mesmo digna das melhores trombetas paradisíacas. Vinha fumegante em uma panela de ferro, oferecendo odores e sabores do conjunto muito bem medido e acertado de filhote, unhas de caranguejo, camarões, pimentões, os demais temperos de um bom peixe, tudo no tucupi e jambu. Acompanhamento de um bom pirão (um bom pirão é tão bom quanto o melhor peixe, não gostasse eu tanto de farinha!) e de arroz. Custa R$ 58,00 e atende muito bem a duas pessoas. Precisamos de umas boas cerpinhas para alongar o papo e conseguir degustar todo aquele pratão.

Mas nada exagerado a ponto de inviabilizar a sobremesa! Um creme de cupuaçu com seu doce (aquele douradinho) e crocante de tapioca. Mas não anotei o valor, acho que por causa das tantas cerpinhas...

A casa agora tem nome, continua no mesmo local, no fundo de uma vila, mas não tem placa na porta! Contrariando certas regras da comunicação, todo mundo vai lá, vive lotado, com gente de todo o Brasil.

O tucunaré que falei lá no começo ainda hoje é referência da casa, já foi atração no programa do Olivier Anquier e tem a receita aqui. Vá fundo.



Escrito por Fernando Jares às 17h56
[] [envie esta mensagem] [ ]



ADESÃO DO PARÁ À INDEPENDÊNCIA

A ADESÃO FOI EM 11, OU 15 OU 16/08/1823?

 

 Esta cena histórica será da adesão, da
festa da adesão ou do juramento de submissão?

A Adesão do Pará à Independência do Brasil foi, de fato, a 11 de agosto de 1823. Lembro-me que o Carlos Rocque dizia isso. O dia 15 de agosto, escolhido para comemorar, e que hoje é a Data Magna do Estado, feriado, marca a data em que o povo saiu pelas ruas de Belém a festejar o fato, aguardado por muitos paraenses – os mais pobres e excluídos, porque os endinheirados e poderosos estavam ao lado dos governantes lusitanos, que não consideravam as ordens que já recebiam do Império do Brasil e mantinham os laços diretos com Portugal. Naquela época a ligação com Lisboa era mais fácil do que com o Rio de Janeiro. E Belém era (e é) a grande cidade brasileira mais próxima da Europa. Muita gente foi às ruas e fez a festa da libertação do povo brasileiro do Grão-Pará. Houve até salva de 21 tiros, inclusive na Fortaleza da Barra. No dia 15/08.

Hoje foi divulgado no jornal Diário do Pará o achamento, no Arquivo Público, de um documento que mudaria a data da Adesão para o dia 16 de agosto: “Documento muda data de adesão à independência” – para ler a reportagem, clique aqui. E logo é proposta a mudança nos livros escolares e até na lei que criou a Data Magna Paraense, infelizmente quase esquecida, transformada em mero feriado. Propositadamente não escrevi sobre isso aqui, apenas no Twitter – para ler, clique aqui e depois aqui, pois são dois tuites.

É preciso ter cuidado. Não vamos fazer como a tal história, recentíssima, da mudança da estrela na bandeira, onde um monte de gente comeu mosca. E bastava ter pesquisado no site do Congresso Nacional – serviço que lá, funciona.

Acontece que no dia 16 houve, sim, uma grande cerimônia, mas de Juramento de fidelidade das pessoas de Belém, dos graduados, das chamadas famílias, ao novo regime. Aliás, o título do documento que ilustra a notícia, tem exatamente o nome de “Auto de Juramento”.

Mário Barata, em “Poder e Independência no Grão-Pará”, página 237, edição do Conselho Estadual de Cultura do Pará, 1975, afirma que “o juramento de fidelidade ao imperador foi posterior, no dia 16 e, em alguns casos, em dias seguintes”.

Antonio Ladislau Monteiro Baena, no “Compêndio das Eras da Província do Pará”, de 1838, deixa muito claro que a Adesão já ocorrera, tendo aquele ato a finalidade de ser assinado “espontaneamente” um “formulario ordenado no Rio de Janeiro”. Ele escreveu assim, conforme está na página 385, da edição da UFPA, de 1969:

Recebe-os na Sala do Docel: e alli o Bispo Presidente junto a uma mesa forrada de damasco e sobre ella um Missal e um tinteiro, pennas, e um livro deputado a encerrar em si um Termo do objecto da convocação e as assinaturas dos convocados, expõem que tendo-se assentado que a Província entre no numero dos membros do Império do Brazil era preciso que todos individual e espontaneamente prestassem juramento segundo o formulário ordenado no Rio de Janeiro. Lavra o Secretario o Auto; e o subscrevem todos depois de jurarem pondo a maõ no Missal, e seguindo as mesmas expressoens do indicado formulário.”

Naqueles dias o Pará estava em grande agitação, e já fazia tempo, principalmente com a chegada das notícias de que o Brasil se havia separado de Portugal. E as autoridades locais continuavam obedientes ao rei de Portugal.

No tal dia 11/08 chegou aqui o brigue de guerra Maranhão, comandado pelo capitão John Pascae Grenfell, com a bandeira verde-amarela içada, para exigir a adesão do Grão-Pará ao Império do Brasil. Fez saber que era uma nau avançada, de uma frota que estaria aguardando sinalização para entrar em ação, caso houvesse reação negativa. O que foi apenas um blefe. Mas as pessoas acreditaram, menos o comandante das armas, que foi voto vencido e, posteriormente acabou preso...

O mesmo Antonio Baena, no livro citado (página 382) explica a reunião da Junta Provisória, no mesmo dia 11, aliás, à noite, já que a mesma começou às 7h e terminou às 11h da noite, como registrou Ernesto Cruz em “História do Pará”, Universidade do Pará, 1963. Escreveu Baena:

Recebe a Junta Provisória um Officio do referido Commandante, em que se lhe dá a saber que o objecto da sua vinda he annunciar que está de ferro lançado na bahia do Sol uma Esquadra debaixo do mando do Almirante Cockrane incumbido pelo Imperador do Brazil de subsidiar qualquer partido que haja da nova Ordem Política proclamada no Rio de Janeiro: e pede consentimento para unhar ancoras no surgidouro da Cidade. Trava conselho entre o Governador das Armas, o Marechal de Campo, os Chefes da Tropa e outras mais pessoas de qualificação transordinaria para ventilar sobre a união exigida, aplacar a effervescencia começada com a noticia da apresentação da Esquadra na sobredita bahia, e reprimir as impetuosidades dos espíritos inquietos para que com o pretexto de estabelecer a independência naõ commettaõ á sombra della excessos escandalosos.”

E mais adiante, Baena dá a notícia do resultado da dita reunião de 11 de agosto:

Propende a maioria da Assemblea para a opinião dos partidistas do systema Brazilico; e decide que o Brigue aferre o porto, e que a Província reconheça solemnemente o Senhor Dom Pedro de Alcantara por seu Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil”.

Mas ainda é necessário pesquisar na totalidade o documento agora encontrado, para identificar, em seu teor, a possibilidade de estarem em erro todos esses eméritos historiadores do passado. Muitas vezes, como se dizia antigamente, as aparências enganam e dependem do lado que se olha...



Escrito por Fernando Jares às 19h11
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM DIA DA FOTOGRAFIA

UM CICLO REVERTIDO EM BELÉM

.

Um clássico: foto do início de 1900, feita em Belém. Em cartão, tinha frente e verso!

Entre as muitas coisas boas que Belém sempre teve e de que não nos podemos queixar estão os fotógrafos e a fotografia. Existem registros fotográficos feitos pelas ruas de Belém desde o século XIX, dentro dos 170 anos que a fotografia faz este ano – quando ainda havia gente que tinha medo de fotografia, que “apagaria” ou “captaria” a alma...

D. Pedro II, um dos grandes incentivadores da fotografia no mundo, quando veio a Belém nos trouxe Fidanza, que por cá ficou e hoje até é nome de galeria.

Neste dia 19 de agosto, em que se comemora o Dia Mundial da Fotografia, vejamos três momentos importantes dessa trajetória.

Comecemos por um dos grandes nomes que marcou época na cidade, o português Julio Siza, que chegou em 1897 e ficou até 1910. Quando chegou, já era um nome reconhecido e com larga experiência, inclusive em outros países. Imediatamente antes estivera em Barbados. Em junho do ano passado ele foi muito bem lembrado entre nós com a exposição “Siza: Júlio e Álvaro”, que vimos na sede do Fórum Landi, no largo do Carmo, Cidade Velha. Lá estavam expostos trabalhos fotográficos feitos na Belém da virada do século, inclusive com registros mostrando a arquitetura e os logradouros públicos. O Álvaro da exposição, que também é Siza, é também português, arquiteto, bisneto do fotógrafo e um dos grandes nomes da arquitetura contemporânea. Quem teve a oportunidade de ir até lá viu trabalhos belíssimos assinados por ele.

Em homenagem a essa fotografia pioneira em Belém, aí em cima está um autêntico Julio Siza, sem data – mas fácil de determinar a época, que deve ser o início dos 1900. A peça está impressa em um cartão espesso e rígido, tendo na frente a assinatura da casa fotográfica, sob a foto do retratado, e no verso uma verdadeira mensagem comercial do seu realizador. Imaginem como era importante ter uma fotografia naquela época. Imaginem ter uma foto feita pelo artista Julio Siza. Pois o cidadão aí registrado, todo empertigado, bonitão, flor na lapela, bigode bem aparado, é o meu avô paterno. Ééé, pensando bem, acho que tenho de dar uma cuidada no visual, para honrar mais o ancestral... esta minha barba ao vento...

Para conhecer mais sobre este Siza, pode ir até a Associação Portuguesa de Photographia, clicando aqui.

O segundo registro é sobre o trabalho importantíssimo, nestes últimos 25 anos, da Associação Fotoativa, criação do fotógrafo Miguel Chikaoka, um batalhador pela socialização do conhecimento da fotografia. Agora a Fotoativa tem sede própria em lugar maravilhoso, o Largo das Mercês, onde tem a igreja das Mercês, criação de Landi, onde Fidanza teve estúdio de photographia, e onde eu tive o meu primeiro trabalho, em Victor C. Portela S/A.

E a Fotoativa agora também tem site. Clique aqui e veja como está bonito e rico em informações.

Por fim, como terceiro registro, o que poderíamos chamar de cume da internacionalização do trabalho fotográfico paraense: Luiz Braga, como representante do Brasil na Bienal de Veneza/2009. Invertemos aquele movimento com que começamos este post, quando os estrangeiros vinham para cá. Hoje os nossos vão para lá, para lugares nobres, como esta Bienal, com a responsabilidade de representar a arte fotográfica brasileira.

Veja o portfólio Bienale Venezia do Braga, clicando aqui.

Para a festa do Dia da Fotografia ser completa, você pode ir até o site Diário de um Repórter e ver algumas das mais importantes fotos da história, saber como tudo começou, etc. com um texto bastante legal. Clicando aqui você tem acesso direto.



Escrito por Fernando Jares às 17h11
[] [envie esta mensagem] [ ]



E A INAUGURAÇÃO DO BELÉM HILTON?

OS 25 ANOS DO HOTEL QUE NÃO FOI INAUGURADO

.

No primeiro folder do Hilton Belém os principais modelos fotográficos, profissionais,
que fazem o miolo da peça, vieram de São Paulo. Um deles ficou aqui para sempre.
Ao lado o folder principal da campanha "O Pará é um show".

Em um dia 18 de agosto, em 1984, começou a operar o Hilton International Belém, em regime de soft-opening. Não houve inauguração. O que aconteceu naquela data foi uma festa de lançamento da campanha promocional “O Pará é um show”, da Embratur, presidida por Miguel Colassuono e Paratur, presidida por Edna Nóbrega, em espaço cedido pelo Hilton. Os convites – feios, porém disputadíssimos pelas ruas de Belém – foram de responsabilidade das duas estatais, donas da festa. Esse sistema de funcionamento representava um crescimento gradual na ocupação e na prestação de serviços, de forma a ir aprimorando o pessoal, já previamente preparado, algo do tipo on the job training (OJT). A inauguração aconteceria depois. Mas não aconteceu.

A grande atração nessa tarde se sábado, e isso acirrou o interesse em todo mundo para obter um convite, era a cantora Fafá de Belém, a garota-propaganda da campanha de promoção do produto turístico paraense, que contava com folheto, cartaz, shell-folder, shell-letter, display, selo adesivo, etc.

Para esse lançamento vieram jornalistas de grandes veículos nacionais de comunicação, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, TV Globo, entre outros.

 123

Foto 1- Jornalistas no Hilton: Odacyl Catete, Luis Paulo Freitas, Ronaldo Arouck, Mauro Bonna, eu e Fernando Castro Jr.
Foto 2- Visita às obras: Fernando Flexa Ribeiro, Romulo Maiorana, Oswaldo Melo, Antonio Farias Coelho e Armando Carneiro.
Foto 3- Jornalistas no Hilton: Linomar Bahia, Edwaldo Martins, Sebastião Nunes e Bernardino Santos.
São fotos pioneiras, dos inícios do Hilton.

A chegada do primeiro hotel cinco estrelas a Belém, com griffe internacional das mais respeitadas, causou muito alvoroço e muita expectativa. Como muita coisa nesta cidade, tinha tido muita complicação, muito vai-e-vem para se chegar ao bom resultado: foi mais uma das muitas “novelas” paraenses, como bem chamava o jornalista Edwaldo Martins a esses imbróglios. Um dos que mais lutou, durante anos seguidos, para trazer a marca Hilton para Belém, e isso não pode ser esquecido, foi Olavo Lyra Maia, cujo currículo de homem público está diretamente ligado ao desenvolvimento do turismo no Estado e em Belém.

O primeiro gerente do Hilton foi Peter Schaepe, sendo gerente de vendas Thomas Humpert. A área de alimentos e bebidas era gerenciada por Dietmar Grether; Plínio Luis Carvalho estava na gestão de pessoas; Carlos França o gerente de recepção; e Regina Ventura, gerente de compras.

Entre os sucessores de Schaepe estão Johannes Trenkle, Frank Rosheuvel e Sebastião Nunes.

Como Editor de Turismo do jornal A Província do Pará, escrevi naquela data, fechando a matéria de apresentação do hotel:

“O que se espera do Hilton – além, naturalmente, da geração de novos empregos numa época de crise tão acentuada, ou da geração de tributos tão ansiados pelo poder público – é que ele seja o ponto de atração de turistas internacionais para a Amazônia. Isso já é um bom motivo para muita festa.”

Para reflexão: poderia, se o Hilton começasse a operar hoje, 25 anos depois, escrever de novo a mesma coisa... Continuamos, etc.

 

Uma curiosidade que noticiei na época: o primeiro hóspede do Hilton chegou dez dias antes de sua abertura. No dia 8 apresentou-se, vindo de Natal, RN, enviado por uma agência, com voucher e tudo. Naturalmente trocaram 18 por 8... Deve ter ficado muito surpreso pelo local, afinal ainda estava lá o tapume da obra, e pelo corre-corre que causou!

Outra curiosidade que também publiquei: criada e produzida por uma agência paulista, a campanha tinha algumas incorreções e uma delas chamava atenção: na planta de Belém, dessas com poucas ruas nomeadas, o grande destaque da festa, o novíssimo hotel Hilton, não estava na praça da República! Por um erro do desenhista ou de quem fez a locação das atrações da cidade ele foi transferido para a Benjamin Constant, bem depois do Vanja (que hoje é parte integrante do Crowne Plaza)...



Escrito por Fernando Jares às 16h22
[] [envie esta mensagem] [ ]



FESTA DE NAZARÉ NO RIO

IMAGEM DE N. S DE NAZARÉ VISITARÁ OS CARIOCAS

Será de 19 a 21 de setembro a Festa de Nazaré no Rio de Janeiro, com a nossa santinha (a imagem peregrina), com círio, com romaria fluvial, procissão luminosa, com corda e muitos romeiros, com certeza. Porque tem paraense que não acaba mais no Rio e porque os cariocas católicos são devotos de Nossa Senhora.

E também porque tem um cartaz que está muito bonito. O cartaz é um dos ícones modernos mais populares de nossa secular festa religiosa, e assim segue para o Rio, com a mesma alta qualidade que o caracteriza. É, mais uma vez, criação da Mendes Publicidade, agência voluntária do Círio. Veja só:

 Para ver o cartaz em dimensão maior, clique aqui.
Aí você lerá também a programação.

Gostei demais do título:

Um povo que é abençoado pelo Cristo, agora vai
receber a bênção de Nossa Senhora de Nazaré.

Há também um folheto e o material vai ser distribuído pelas 250 paróquias da Arquidiocese do Rio de Janeiro que, como todo mundo sabe, é comandada pelo arcebispo D. Orani João Tempesta. A realização tem o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Para ter mais informações você pode ir ao site da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Clicando aqui o acesso é direto à notícia sobre a Festa de Nazaré no Rio.



Escrito por Fernando Jares às 16h50
[] [envie esta mensagem] [ ]



OS 40 ANOS DE WOODSTOCK

QUANDO OS JOVENS MUDARAM O RUMO DO COMPORTAMENTO

.

 Original Soundtrack de “Woodstock”, de 1970. Capa e selo do disco 1. Foram três LP.
Comprei o disco no dia em que chegou a Belém. E guardo até hoje, de onde escaneei.

Um acontecimento mudou a cultura da humanidade há 40 anos. O Festival de Woodstock – se mudou para melhor ou para pior, talvez precisemos de mais 40 anos para saber. Mas mudou, e como mudou. Eu não estive lá, mas fui inteiramente envolvido pela (r)evolução que partiu daquela fazenda, daquela música, daquele meio milhão de pessoas. Quem nasceu de lá para cá, nos novos conceitos, nem percebe. Como a maioria não sabe o que era a vida sem televisão. Como os mais novinhos não podem conceber o mundo sem celulares ou uma foto que se vê na hora!

Lógico que antes já tinha rolado o Maio de 68 em Paris, Daniel Cohn-Bendit, as passeatas brasileiras de 1968, os Beatles, enfim, os jovens dos anos 60 queriam marcar presença na história universal. E a década estava acabando!

Assim, inesperados 500 mil deles invadiram aquela fazenda e fizeram a festa. Um documentário, do ano seguinte, registrou o que pode. Muita coisa nem foi vista por câmeras...

Os monstros sagrados da época estavam lá, de Jimi Hendrix a Joan Baez, Santana, Joe Cocker, tudo gente que eu muito programei, junto com Rosenildo Franco, na Rádio Clube (no programa “Gente Nova, Nova Gente”).

Tinha que ser uma zoeira, com tanta gente boa e doidona. Ouça e veja, clicando aqui o Santana e aqui o Jimi Hendrix.

Woodstock foi assim, mudou tudo e a mudança permaneceu revolucionando, evoluindo, abrindo pensamentos, portas e porteiras.

Há um site oficial de Woodstock, aqui. Naquele tempo ainda não existiam os computadores pessoais, quanto mais interligados em rede mundial...

O portal G1 tem uma matéria sobre estes 40 anos. Leia aqui.

O jornal Hoje apresentou reportagem, ontem, sobre o evento. Veja aqui.

Justificado um post no sábado.



Escrito por Fernando Jares às 20h17
[] [envie esta mensagem] [ ]



SEXTA DA GASTRONOMIA NO OESTE PARAENSE

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA:

 “A fauna ichthyologica paraense, como de toda a Amazônia, é mais notável ainda pela extrema variedade das espécies que a abundância mesma do peixe, natural em tão vasta bacia fluvial”. “O amazônida, particularmente ichthyophago, pode dar-se ao luxo de escolher...”

Paul Le Cointe, no livro “O Estado do Pará – a terra, a água e o ar”, 1945

 

BENDITA ICHTHYOPHAGIA PARAENSE!

 O grande naturalista francês Monsieur Le Cointe, que viveu cá pelas ruas de Belém na primeira metade do século passado, tendo sido o primeiro diretor da “Escola de Chimica Industrial” do Pará, nos idos de 1920, e que andou a estudar esta imensa Amazônia, foi perfeito na qualificação: o paraense é um ictiófago! E o escreveu com bem mais letras, seguindo uma ortografia que até já havia sido alterada... Na verdade, usou o termo “amazonense”, que na época referia o habitante da Amazônia. Atualizei-o para “amazônida”, palavra que ainda não havia naquele tempo, já que começou a ser usada exatamente em 1945 (cfe. Houaiss). Mas é sobre o paraense que ele fala, já que todo o livro é sobre nosso Estado.


O pacu é um peixe que desce redondo.

Um povo “que se alimenta de peixes”, sim, senhor Le Cointe. E dos melhores e mais saborosos peixes do mundo, com certeza. É um desfilar de tipos e espécies que desafiam a capacidade de identificação para os amadores. Mas os nossos caboclos, sabem muito bem qual é qual. Com boa orientação, tive recentemente a ventura de relacionar-me, e muito bem, com diversos destes aquáticos habitantes dos melhores rios paraenses.

Bendito o momento em que Deus me colocou no mundo na Amazônia.

Na viagem que fizemos recentemente pelo oeste paraense e que ando a contar aqui, privamos de peixes extraordinários. Hoje não falo de restaurantes, como o faço habitualmente às sextas, mas de dois almoços em Oriximiná, no privilegiado lago Iripixi. Ainda falo nele, outro dia. Hoje é dos peixes.

 

Pirapitinga tem sabor incomparável.

O primeiro destes pantagruélicos almoços teve ambiente pra lá de natural, em propriedade à margem do lago, com direito a mergulhos na água limpinha e fria. O desfile começou com um tucunaré assado de forno. Este é, para mim, o mais saboroso dos peixes amazônicos e, aquele era, seguramente, o maior que já vi. Imaginei-o fisgado, que trabalho daria para colocar na canoa. Com ele disputava a preferência dos presentes uma grande família de pacus, cada qual mais gordinho, redondinho, tipo querendo agradar os comensais. Tenho que confessar que minha radical preferência pelo tucunaré foi abalada nesse dia. Estavam com o tempero exato e assadinhos como deve ser, a pele tostadinha e carne macia. Um tambaquizão daqueles tinha um grande espaço na mesa e oferecia suas belas costelas para serem saboreadas gostosamente. Preciso registrar a atração que, sobre os participantes do ágape, exerciam as cabeças dos grandes peixes. É uma arte destrincha-las (será certo este termo?), separando cuidadosamente as carnes, nada a perder. E vi que o privilégio foi cedido aos visitantes, aqueles filhos da terra há muito dela afastados, por compromissos da vida. Ao Bacelar, que nos recebeu com maestria, que fique aqui consignado um grande muito obrigado.

 

Tucunaré, o prazer começa na pesca.

No domingo do Círio o almoço foi a bordo do Búfalo, balouçando suavemente sobre as águas tranquilas do ventilado lado Iripixi. Naturalmente que os peixes foram assados em terra, com a supervisão e orientação da Márcia Carneiro. Veio para a festa uma bem fornida pirapitinga, de sabor incomparável. Este peixe é aparentado do pacu e conserva a linhagem nobre de sabor. Mas ela não era a única a atrair os olhares: lá estava, altaneiro, um reforçado tucunaré, ritualmente preparado com o carinho que merece. Em ambos, a classe em aplicar os temperos e em controlar o ponto do assado combinou-se de forma quase mágica. Mas ainda havia uma caldeirada de tambaqui. Olha que caldeirada de tambaqui, só se come mesmo por lá.

Nas refeições regulares a bordo sempre tivemos a voluntária participação da Márcia, ela mesmo uma Guerreiro, de Oriximiná, herdeira e cultivadora das melhores tradições culinárias dessa terra maravilhosa. A natureza comandou o espetáculo, que começava no café da manhã, com cará branco, ou do roxo, batata doce, uns beijus de farinha fininha, quentinhos onde a manteiga derretia, mingaus, etc. Por opção, não comi pão nem tomei leite, todos os dias... Nas refeições os peixes sempre foram presença. Certa noite, um pirarucu na manteiga elevou ao prazer máximo as células receptoras do paladar de minhas papilas gustativas. Bolinho e/ou farofa de piracuí, eram tira-gosto. Mas também circularam por aquela mesa maniçoba, arroz de carreteiro, galinha caipira e outros animais bem cotados.



Escrito por Fernando Jares às 17h19
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELOS RIOS DO OESTE PARAENSE (4)

 

VIVA SANTO ANTONIO DE ORIXIMINÁ!


A balsa-andor navega pelo Trombetas. Foto do blog de Jeso Carneiro.

Santo Antonio é um dos santos mais populares da igreja católica, responsável por conseguir para seus devotos, de casamentos a localização de objetos perdidos. Para achar coisas, tenho experiência: é um santo remédio, perdoem o trocadilho... Para o casamento não precisei dele, isto é, será mesmo que ele nada teve com essa história? Afinal, “ela” é nascida em Oriximiná! Pois não é que o dito santo é o padroeiro de Oriximiná, belíssima cidade, incrustada em um cenário de rara lindeza natural, no oeste paraense.

Você conhece Santo Antonio, de Lisboa ou de Pádua (que nasceu numa e morreu noutra), mas muita gente não conhece o Santo Antonio de Oriximiná. Não se trata de um padroeiro em um sentido, digamos, clássico da palavra. Sim, isso ele o é, mas é muito mais: é gente da cidade, da comunidade, fala-se no Santo como de seu Eluzio, d. Dica, do Manoel, do Gabriel, do Argemiro ou do Gonzaga. Contam-se piadas sobre ele, gente boa, cantam-se paródias (engraçadíssimas, no contexto local) de seu hino e por aí. E fazem para o santo um belíssimo círio, que muitos consideram o mais bonito do Pará. Os mais exagerados pouquinha coisa, para usar a linguagem do jornalista Edwaldo Martins, até dizem ser o mais belo círio fluvial noturno... do mundo!

No meu andar embarcado pelos rios dessa região, fui participar do Círio de Santo Antonio de Oriximiná, no último dia 2, primeiro domingo de agosto.

Notaram que a festa é em agosto e não em junho, quando todo mundo festeja este santo? É porque agosto é o mês de nascimento dele! Aniversário dos amigos a gente festeja no dia do nascimento. (junho é a morte, que a igreja festeja como a data de entrada na vida eterna).

É a segunda vez que Rita e eu vamos nesta agradabilíssima peregrinação, junto com um punhado de parentes e amigos, “Guerreiros de Fé”. O que vi, mais uma vez, foi deslumbrante.

Dele já disse João de Jesus Paes Loureiro, que “uma liturgia de mistérios se instaura, sob os olhares de todos que assistem a cena”.

A imagem é trasladada na manhã do sábado, da igreja matriz na cidade, para uma vila ribeirinha. Este ano foi para a comunidade de N. S. do Rosário, no lago Caipuru – cada ano vai para uma comunidade em um rio ou lago. É de lá que o belo andor vai sair, no finalzinho da tarde de domingo, quando o sol já se encaminha para sua dormida diária (ou melhor, noturna).

A imagem começou transportada em um pequeno barco, nos idos de 1947, passou para um navio-andor e hoje vai em uma balsa ornamentadíssima, cheia de efeitos mecânicos e elétricos – até especialistas de Parintins, logo ali perto, são chamados para ajudar na decoração. Fica linda, festiva, com cara de alegria. É essa balsa, levando a imagem do santo, que vai liderar um grande grupo de barcos que fazem o corpo do círio fluvial, todos enfeitados, brilhantes, verdadeiro festival de criatividade e muitas luzes, luzinhas e luzonas.

Mas o especial, o único, vem antes de tudo isso: um tapete de pequenas luzes que flutuam pelo rio, ao sabor da correnteza, antecedendo a balsa-andor, transformando o leito do rio em um leito de luzes, um leito lindo e brilhante, nupcial, para a realização do amor do humano com e pelo divino. Um “lago de luzes”, como o chamou o Paes Loureiro. É sobre esse leito/lago que navegam a balsa-andor e as embarcações-romeiras.

Esse tapete luminoso flutuante é formado por milhares de velas, colocadas em pequenas rodelas de aninga, de 10, 12 cm de diâmetro, tendo no centro uma vela e, em torno dela, uma proteção de papel colorido. Dá para imaginar o efeito, nas águas escuras do Trombetas? Neste ano, a lua olhava lá de cima, quase enciumada, diante de tanta beleza conseguida pelo trabalho do homem. Foram mais de 12 mil destas velas espalhadas de pontos cuidadosamente escolhidos ao longo do rio – são colocadas n’água a partir de pequenos barcos (pô-pô-pôs), onde voluntários acendem as velas e colocam-nas a navegar.

Como elas são feitas? Aqui entra algo também muito importante: por estudantes de dezenas de escolas. Exercitam o voluntariado e aprendem a conservar uma belíssima tradição. Lição de cidadania.

O resto, é emoção. Dos que revêem, dos que vêem pela primeira vez, dos que o acompanham todos os anos. Não é um espetáculo: é uma manifestação de fé, cada um com sua forma particular, peculiar, de manifestar-se.

Quando chega ao porto de Oriximiná o andor com a imagem de Santo Antonio, que vem na balsa, é descido sob aclamação da população e de um festival de fogos de artifício, e segue um pequeno trajeto até a igreja que lhe é a morada durante o ano.

Em frente ao templo é celebrada missa com a participação de grande multidão – este ano foi presidida pelo novo bispo da região, d. Bernardo Johannes Bahlmann, da prelazia de Óbidos. E depois, já no caminho da meia noite, hora de jantar no Clipper de Santo Antonio, ao lado da igreja.

O professor, estudioso e pesquisador de nossa cultura e poeta João de Jesus Paes Loureiro tem um excelente trabalho sobre o Círio de Oriximiná, em seu livro “Cultura Amazônica: uma poética do imaginário”.

E o escritor, poeta e compositor J. Coelho é o autor de “Círio de Santo Antonio” que você pode ler abaixo e ouvir, clicando aqui, com arranjo e voz de Dudu Fagundes.

CÍRIO DE SANTO ANTONIO

É agosto, domingo.
Domingo primeiro.
Estouro de fogos
e repicar de sinos.
Acorda Oriximiná,
pro teu padroeiro celebrar.

Sobre o cristalino do Trombetas,
nas sombras do alvorecer,
serpentes de luz de velas,
como velas de barquetas,
deslizam para indicar
de Santo Antônio, a passarela.
Enquanto o azul esverdeado
do belo Nhamundá,
faz-se mais azulado,
para a festa da fé iniciar,
homens, com o coração mais encantado,
dirigem ao porto seu caminhar.

Vivas, aplausos, exclamações
saúdam o  dragão iluminado,
cortejo de embarcações,
num rio de velas, como céu estrelado.

Dos fogos, o colorido,
relevo em céu prateado,
vivas ao desembarcar,
de Santo  Antonio mui amado,
menos de Lisboa, ou de Pádua,
muito mais de Oriximiná.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h29
[] [envie esta mensagem] [ ]



TFP AGORA ATACA DEVOTOS DE NAZARÉ!

BASÍLICA ALERTA PARA AÇÃO SUSPEITA

Como muita gente já está recebendo e muitos devem receber, transcrevo a seguir um alerta da Basílica de Nazaré sobre uma ação indevida que está rolando por aí, usando o nome de N. S. de Nazaré. Trata-se de um sistema de distribuição de malas diretas pedindo auxílio. Mandam logo uns brindes, para forçar uma reação da vítima que, como já recebeu alguma coisa, sente-se “obrigada a retribuir”. Aí é que mora o perigo! Depois de uma doação, não param de perseguir o doador, pedindo mais e mais. Parece a tal LBV, só que esta persegue pelo telemarketing. Usavam N. S. de Fátima e agora, parece que, segmentando o mercado, decidiram atacar (mercadologicamente) aqui na nossa área, utilizando a Senhora de Nazaré. Há anos, tivemos uma experiência dessas na família. Como não houve uma segunda doação, após inúmeras cartas, até um “agente” ou coisa semelhante queria fazer uma “visita para esclarecer os irmãos” e só desistiu diante da ameaça de chamar a polícia.

A entidade “arrecadadora” pertence à ultra-direitista TFP (o endereço é o mesmo!) que, tendo perdido espaço político, voltou-se para as coisas de Deus, e deve ter encontrado um campo fértil. Agem na linha de certas seitas que se dizem evangélicas, e que arrancam o que podem de seus fiéis.

Quer dizer, agora lá de São Paulo, querem faturar em cima do Círio e da fé dos paraenses! Reagiu bem a Basílica Santuário e a Diretoria da Festa de Nazaré.

Aqui em casa ainda não recebemos a tal mala direta, mas como estão espalhando o material pelas ruas de Belém, aqui vai um serviço público, para que os amigos não caiam nessa esparrela, como diria o meu avô:

ALERTA AO POVO DO PARÁ.

Estão explorando a fé na Rainha da Amazônia para arrecadar dinheiro.

A Basílica-Santuário de Nossa Senhora de Nazaré e a Diretoria da Festa de Nazaré não participam dessa campanha da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, com sede em São Paulo, que angaria recursos respaldada na fé em Nossa Senhora de Nazaré e sob o título de “Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis”.

Muitas famílias no Pará já receberam e outras estarão recebendo hoje e nos próximos dias correspondência anexando pin, folheto e boleto bancário com vista a arrecadação de recursos para pagar despesas de uma promoção que a TFP se propõe realizar tomando por base a devoção na Rainha da Amazônia.

A TFP, sigla pela qual é mais conhecida a sociedade Tradição, Família e Propriedade, com sede em São Paulo, não tem nem nunca teve qualquer vínculo com a nossa Festa de Nazaré.




Escrito por Fernando Jares às 18h03
[] [envie esta mensagem] [ ]



CULTURA E RELIGIÃO NO CCFC

JUSTIÇA, HISTÓRIA, RELIGIÃO & CINEMA

Já conversamos antes sobre a importância dos cursos e seminários que o CCFC – Centro de Cultura e Formação Cristã, da Arquidiocese de Belém, oferece à comunidade, reunindo alguns dos melhores especialistas em diversas áreas, em Belém, de Benedito Nunes a João de Jesus Paes Loureiro, discutindo de filosofia e arte a história ou bioética. Vejam estas próximas opções:

Curso Livre História da Justiça”, nos dias 22 e 23/08 e 19 e 20/09, das 8h30 às 12h30, no CCFC, na BR-316, km 6, Ananindeua, ao lado do Seminário Arquidiocesano. Entrada Franca. Objetiva traçar uma trajetória da idéia da justiça na tradição ocidental, com suas rupturas e continuidades, que permita uma conjugação de elementos valorativos e materiais profundamente assentados na ética judaico-cristã e nas concepções políticas greco-romanas até sua formalização a partir de um modelo científico-racionalista. Será ministrante Sandro Alex de Souza Simões, professor de História do Direito e do Pensamento Jurídico do curso de Direito do CESUPA.

Nos passos do apóstolo Paulo”, aprofunda-se na identidade do apóstolo São Paulo, bem como o desenvolvimento de sua atividade missionária e os frutos que gerou para o cristianismo. Tem sessões em 22/08, 19/09, 14/11, 05/12, sempre das 8h30 às 12h30, no CCFC, em Ananindeua. Será ministrado pelo padre André Maia Teles e tem entrada franca.

 A Expulsão dos Jesuítas do Maranhão e Grão Pará”, dias 12 e 23 de setembro, das 9h às 19h. Este seminário será na Cesupa da Almirante Barroso, com entrada franca. A ministrar estará o estudioso padre Ilário Govoni, da Capela de Lourdes, que é a base atual dessa congregação em Belém. Sobre jesuítas já foi realizado um encontro sobre o padre Gabriel Malagrida e um seminário histórico sobre a bibliografia dos jesuítas escritores na região. A expulsão dos jesuítas do Brasil deu-se há 250 anos, em 1759, e teve forte repercussão na história local. Vale acompanhar este estudo. Informações, pelo telefone 4009-1550.

O “Curso Livre Roteiro Cinematográfico” está programado para os dias 16, 17, 21, 23, 24, 28 e 30 de setembro, pelo roteirista João Inácio, no auditório D 200 da Unama da Alcindo Cacela, das 19h às 22h. O curso destina-se a pessoas interessadas em roteiros cinematográficos, abordando aspectos teóricos e práticos da dramaturgia, da construção de roteiros e do argumento cinematográficos, até a construção e elaboração de um roteiro de curta-metragem. Informações 4009-3122 e 4009-3118.

Existem ainda outros cursos e seminários, de natureza cultural ou religiosa, geralmente com entrada franca ou por valores de inscrição muito pequenos, que você pode acompanhar indo ao site do CCFC: www.ccfc.com.br. Ou lendo matéria publicada pelo jornal católico A Voz de Nazaré, que você encontra clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 15h58
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELOS RIOS DO OESTE PARAENSE (3)

ALTER-DO-CHÃO, A TERRA DOS BOTOS

Em muitos locais ainda estava tudo sob as belas águas tapajônicas.

Este blog continua com um passeio bem distante de sua base habitual, pelas ruas de Belém: hoje a visita é a Alter-do-Chão, um distrito de Santarém, o mais belo conjunto de praias que conheço. Já lá estive diversas vezes. Nesta ida, integrante da viagem dos “Guerreiros de Fé” em direção a Oriximiná, foi a vez em que havia menos areia. As praias daqui, durante determinados meses, ficam encobertas pelas belíssimas (e piscosas) águas do rio Tapajós – mas, quando as águas baixam, surgem praias que nos remetem para um estágio da mais pura beleza.

Mas as grandes enchentes deste ano no oeste paraense, talvez as águas mais altas dos últimos 50 anos, ainda estão com suas marcas por lá. Por isso as praias não estavam ainda como deveriam, nesta época. Mas o rio está baixando rápido, informam os moradores.

Em setembro acontece em Alter-do-Chão a festa do Sairé, uma antiga manifestação popular-religiosa ao Espírito Santo, que durante muitos anos esteve abandonada e foi resgatada no final do século passado. Mais recentemente, adaptando-a aos interesses turísticos e das disputas, que caracterizam estes tempos de dicotomias, inventaram um festival de botos (tucuxi versus o cor-de-rosa) ao estilo do que acontece em Parintins com os bois ou em Juruti com as tribos. Ouça, clicando aqui, uma bela composição sobre esta festa mocoronga: “Auto e festa do Sairé”, música de Sebastião Tapajós e letra de Avelino do Vale, na voz mais que linda de Kaila Moura, acompanhada de Tião e Derek, com percussão de Arlindo Castro (Dadadá), no show de lançamento do CD duplo “Cordas do Tapajós”, no SESC de Santos, SP.

No rio Tapajós, vêem-se normalmente botos dando seus pulinhos exibicionistas, tanto aqui em Alter-do-Chão como em frente a Santarém. Tem que ficar de olho, que eles são rápidos.


Em setembro Alter-do-Chão estará assim. Foto de Ronaldo Ferreira no site da Prefeitura de Santarém. Para ver mais fotos, clique aqui.

Dei uma circulada pela vila, que tem um bom número de lojinhas de artesanato. Mas, infelizmente, não tem quase nada local. Por exemplo: música de Santarém, região tão rica em produção musical – não encontrei nada. Como regional, ofereceram-me uns discos de música indígena, de tribos de... Manaus. Procurei, procurei e encontrei uma única peça de cerâmica tapajônica. Peças marajoaras (ou algo semelhante) existem muitas. Muito voltadas para os turistas estrangeiros que visitam a vila, estas lojas têm produtos de todo o Brasil, menos locais.

Na praça há uma curiosidade muito legal: um quadro de aviso bem grande, onde as pessoas colocam seus avisos, seus anúncios. Casas bonitas na orla, barcos de passeio, também. Bares e restaurantes.

 Em uma barraca na orla há uma atração bastante interessante para quem gosta de curiosidades regionais. Já havia conhecido no ano passado e não tive dúvida em repetir a experiência, no X-Bom Sanduíches: Hambúrguer de Piracuí (que vem a ser uma farinha de peixe, geralmente de acari, que permite fazer coisas saborosas). Deliciei-me com um deles, a despeito da certeza de que logo, no jantar, teria um churrasco de costela caprichadíssimo... Depois deste sanduíche, completei a festa gustativa com um delicioso sorvete de cupuaçu na barraca ao lado, o Sorvete Nido. Na sua ida a este paraíso amazônico, não deixe de provar estas duas preciosidades. Bem, o churrasco foi extraordinário, mas foi na casa de uns amigos, portanto, sem indicações. Só o registro de que deve ter sido a costela mais bem preparada (por um churrasqueiro amador paranaense, amigo do dono da casa) que já saboreei.



Escrito por Fernando Jares às 18h41
[] [envie esta mensagem] [ ]



SEXTA DA GASTRONOMIA DE SANTARÉM.

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA:

 

"São pratinhos delicados / saborosos a valer!
Bem comidos, bem provados, / dão mais gana de comer.
Que pratinhos saborosos / minha terra sabe ter!..."
("Pratos regionais", letra de Felisbelo Sussuarana, para a revista teatral santarena "Olho de boto" (1936), música de Wilson Fonseca e José Agostinho da Fonseca)

 

PRATINHOS DELICADOS, PEIX(Õ)ES SABOROSOS

No oeste paraense estão alguns dos pratos mais exclusivos da melhor gastronomia paraense. São pratos deliciosos, sabor requintado, envolvente, tendo ainda forte relevância de uma cozinha artesanal, quase de autor, de mãe para filha, ou filho, ou genro, ou neto. É um povo que sabe muito guardar essas boas tradições, por isso sabe preparar, como ninguém, iguarias extraordinárias. Na próxima semana vou comentar algumas das experiências gustativas quase extrassensoriais, que vivi por lá nos últimos dias.

Hoje, dia de divulgar gastronomia pelas ruas de Belém, concentro-me em dois restaurantes santarenos onde nosso grupo almoçou, nas duas passagens por Santarém, na ida e na volta de Oriximiná. Não são estabelecimentos requintados ou de luxo, são simples, mas com uma qualidade absolutamente indiscutível.

.

Pirarucu grelhado e ao molho de camarão com coco, na Rayana.

Começo pela Peixaria Rayana (tem este nome por ser do Ray e da Ana, nada de viagem sobre a cultura da índia, primeiro raio de sol, etc...). Aqui se reúne muita gente boa para comemorar o que a vida tem de bom, do vice-governador Aldair Corrêa à cantora Elba Ramalho.

Devidamente alertados para a chegada do grupo, nos aguardaram além da hora do fechamento, oferecendo um cardápio, que cardápio.

Havia uma ventrecha de pirarucu grelhada que, para mim, foi o ponto alto. Preparar uma ventrecha exige arte e ciência na cozinha, caso contrário, não atento à gordura do peixe, o cozinheiro pode ser traído por um pitiú desagradável. Mas esta estava perfeita.

Uma pirapitinga assada enchia os olhos e enviava um comando de gula ao cérebro. Linda e gostosa (gente, a peixa, digo, o peixe!). Trata-se de um dos peixes mais gostosos daquelas bandas – esta noite vi alguns no Líder da Doca, mas gelados.

Um tucunaré no escabeche circulou instalado em uma travessa, fazendo travessuras com os sentidos dos participantes do ágape. Não sou um grande escabecheiro, porque acho que interfere muito no sabor original do peixe, mas como tucunaré é tucunaré, o rei dos sabores, fiz-me presente, embora com pequena porção, que estava muito bem equilibrada. O tucunaré com molho de camarão e coco fez muito sucesso, mas como não sou fã do coco, deixei-o à disposição dos demais...

Fecha-se a festa com que o grupo dos “Guerreiros da Fé” foi recebido nas terras do oeste com um magistral tambaqui grelhado. Estas formas, grelhado, assado, são as que mais me atraem no peixe. Ao bom peixe, bastam-lhe limão e sal, para que sejam perfeitos, e assim estava este tambaqui, que me leva á salivação exagerada até agora!

No retorno, nesta terça-feira, almoçamos no restaurante Sabor Caseiro, um bem cuidado a quilo, no centro da cidade, bastante frequentado, inclusive por executivos.

É outro cardápio de gosto requintado e sabor aprimorado. Vou relacionar os que tive oportunidade de provar, na minha atividade profissional de obter informações para transmiti-las a vocês.

Comecei por umas entradas: bolinhos de piracuí, bolinhos de aviú (que eles chamam de avium) e de bacalhau, farofa de piracuí e um delicioso aviú refogado.

Havia um quase inesperado pirarucu à portuguesa com suas batatas, cebolas, pimentos, como dizem lá, e... molho de coco. Mas o sabor estava supimpa e degustei um bom pedaço do peixe. O mesmo que fiz com um pirarucu ao molho de camarão, este ainda mais gostoso, no meu conceito anticoquista.

Um tambaqui em caldo grosso fez a festa dos paladares.

No conjunto o restaurante oferece 32 pratos quentes e 12 pratos frios.

Preciso registrar ainda o excelente suco de cupuaçu, um dos melhores que tomei nestes últimos tempos. Classe A. Na sobremesa prossegui o ritmo, com uma musse de cupuaçu que estava impecável (ainda bem, que sendo impecável, afasta o pecado da gula desta festança...).

Para encerrar, um pouco de música: “Santarém, pérola do Tapajós”, com Jana Figarela, e imagens da cidade. Clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h15
[] [envie esta mensagem] [ ]



AGOSTO BUARQUE NA UNAMA

AÇÚCAR E AFETO NA ABERTURA DO SEMESTRE

Os alunos da Unama vão ser recebidos com uma programação cultural diferenciada e atraente: “Agosto Buarque, com açúcar e com afeto”, obviamente tendo Chico Buarque como mote central – até eu, que não sou aluno, pretendo ir lá participar. Como tudo na produção cultural de Chico Buarque é grande e nos engrandece, muito justo discutir academicamente o grande compositor/escritor, que transcreve tão bem o ser humano em sua obra.

A programação, organizada pelo Núcleo Cultural, que homenageia o ícone da Música Popular Brasileira inclui palestras, cinema, exposições sobre a vida e obra do autor. Tudo será apresentado aos estudantes nos campi da instituição, durante este início de agosto.

São duas as exposições: “Com Açúcar e Com Afeto” e “Básico”, realização da Casa da Memória e Galeria de Arte Graça Landeira. A primeira faz alusão à trajetória artística de Chico Buarque e é composta de fragmentos das letras de autoria do compositor, ilustradas por obras de arte das mais diferentes técnicas de representação, pertencentes ao acervo da instituição. A exposição ficará de 11 a 29 de agosto. “Básico” é mostra individual do paraense Neuton Chagas, com uma parte física (instalação multimídia) e uma parte visual (vídeo arte projetado ao longo da exposição), que fica de 20 de agosto a 10 de setembro.

Discussões literárias sobre o homenageado acontecem dia 13, no seminário “Chico é Todo Ele Palavra”, com as palestras “A Presença de Clássicos da Literatura na MPB de Chico Buarque”, pela escritora Stella Pessoa e “Leite Derramado: Chico Buarque com o Brasil nas Mãos”, pela professora Amarílis Tupiassu. Mesa-redonda abordará diferentes dimensões da obra do artista, nas palavras das professoras Ivone Xavier Almeida, Rubia Pimentel e outros convidados.

O Cine Unama apresenta “Chico em cenas”. O Coro Cênico e Grupo de Teatro vão apresentar o espetáculo “Chico Buarque” especial, cujo roteiro é baseado em carta enviada por Tom Jobim a Chico, em New York, em 1989, onde Tom exalta o amigo e compositor. Foram incluídas 15 músicas no roteiro, entre as quais, “A Banda”, “Construção”, “Roda-Vida”, com arranjos especiais.

Para o professor Francisco Cardoso, coordenador do Núcleo Cultural, “esta é uma iniciativa para recepcionar os alunos e professores, e fortalecer ações de parceria entre a academia e os setores culturais e acadêmicos. Os temas abordados por Chico Buarque, multiculturais, propiciam a interação”, explica.

Programação:

Coro Cênico e Grupo de Teatro Cantam Chico Buarque: dias 11/08 às 19h, Unama Alcindo Cacela; dia 12/08, às 19h, na Unama BR; e dia 14/08, às 19h, no campus Senador Lemos.

Exposição “Com Açúcar e Com Afeto”: Galeria de Arte Graça Landeira, de 11 a 29/08.

Exposição “Básico”: Galeria de Arte Graça Landeira, de 20/08 a 10/09.

Chico em Cenas: Sessões às 19h, nos dias 11; 12 e 13/18, no campus Alcindo Cacela.

Seminário “Chico é Todo Ele Palavra" dia 13, às 19h, no campus Alcindo Cacela, Auditório David Mufarrej.

Entrada Franca. Mais informações: 4009-3077 e 4009-3024.



Escrito por Fernando Jares às 17h43
[] [envie esta mensagem] [ ]



BARBIE NA ESTAÇÃO

BARBIE AMAZÔNIA: ENSAIO NA ESTAÇÃO DAS DOCAS


A novíssima boneca Barbie Amazônia, lançada no Brasil agora em junho, e que vem fazendo sucesso pelo mundo, entre quem brinca e quem coleciona fashion dolls, ganhou fotos especialíssimas pelas ruas de Belém.

A que está aí em cima é uma delas e a aqui ao lado, também. A beleza da Estação das Docas serviu de cenário para a badalada boneca, que até parece gente.

A iniciativa é do Saco Laranja, o blog referência para colecionadores de bonecas no Brasil e até no exterior. A Bruna, responsável pelos seis anos de sucesso do Saco, para mostrar o ensaio fotográfico, criou um perfil especial no Orkut, que você pode acessar clicando aqui., mas precisa ser membro da comunidade Orkut.

Por sinal, aproveito para agradecer a força que a Bruna deu para manter o Pelas Ruas atualizado na ausência deste escriba, editando e postando os textos que deixei. Brigadíssimo. A Equipe Pelas Ruas de Belém, com uma única voluntária, foi show...

Que venham novos ensaios barbísticos, que também ajudam a divulgar nossa cidade.



Escrito por Fernando Jares às 18h28
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELOS RIOS DO OESTE PARAENSE (2)

 

EM SANTARÉM, TERRA QUERIDA, A PARTIDA

 

 Este é o “Búfalo”, já decorado para as festas em Oriximiná,
onde ficamos seis dias, navegando e hospedados.

Milhares de pequenas borboletas amarelas atravessavam as pistas do aeroporto de Santarém, quando lá descemos, início da tarde da quarta-feira da semana passada (29/07). Sol em carga máxima, calor fantástico. E as borboletinhas lá, na sua viagem de destino desconhecido – já vi algumas vezes espetáculo semelhante, com o mesmo tipo de borboletinhas, em Mosqueiro, aonde milhares delas chegam do rio, vindas do Marajó, disse-me um residente da ilha.

Santarém foi a escala inicial das andanças de semana passada, pelos belíssimos rios do oeste paraense, denominação que prefiro a Baixo Amazonas. Acho mesmo que é porque lá está o ponto alto (em sentido figurado, não geográfico, obviamente) do rio e da região, em termos de belezas naturais.

“Minha terra tão querida,
Meu encanto, minha vida,
Santarém do meu amor,
Deus te deu tanto riqueza,
Enfeitando a natureza
Que inspira o teu cantor.”

Diz assim o maestro Wilson Fonseca (Isoca) em “Terra Querida”, sobre sua amada cidade, onde construiu a mais copiosa e completa obra musical paraense de todos os tempos. Compositor de centenas de peças, muitas vezes autor de letra e música, manteve sempre um elevadíssimo nível de qualidade, sempre apaixonante. Aliás, foi ao som de sua música, no longínquo 1972, que me apaixonei por essa cidade. Nesse ano ouvi, pela primeira vez, uma composição do maestro Isoca, “Canção da Minha Saudade”, em um compacto produzido pelo Governo do Estado do Pará (Fernando Guilhon) – depois, toquei-a muitas vezes no programa “Cultura Turismo”, que produzi e apresentei na Cultura FM. Outros privilégios: fui colega do maior especialista em Wilson Fonseca, seu filho, o desembargador federal do Trabalho, Vicente Fonseca; e estive no “Encontro com o Maestro Isoca – Um poema de amor”, em 08/02/2002, no Art Doce Hall. Faleceu poucos dias depois, em 24 de março, aos 89 anos.

Você pode ouvir, clicando aqui, “Terra Querida”, na voz lindíssima de Kaila Moura, violões de Sebastião Tapajós e Derek, percussão de Arlindo Castro (Dadadá), em gravação no lançamento do CD “Cordas do Tapajós”, no SESC de Santos, agora em junho. Vimos o espetáculo de lançamento deste CD no ano passado, no Theatro da Paz.

A Santarém de hoje está um pouco mal. Parece imitar o que vemos pelas ruas de Belém, em certos aspectos, da falta de limpeza aos buracos nas ruas. Mas o motorista do táxi logo explicou que estiveram sem prefeito por seis meses (na tentativa, das oposições insatisfeitas, em afastar a prefeita eleita, que acabou tomando posse). Eles, pelo menos, têm uma boa explicação...

Após as formalidades no aeroporto, deslocamento direto para o almoço, na peixaria Rayana, um festival que anunciou o que nos esperava nos dias seguintes e nos proporcionou muito prazer gastronômico. Mas isso eu deixo para comentar amanhã, na coluna semanal de gastronomia.

Aliás, vou comentar também o almoço da volta, nesta terça, no “Sabor Caseiro”.

Após acomodação a bordo do navio “Búfalo”, nele mesmo tivemos o jantar. Vou fazer um post exclusivo sobre a cozinha que nos atendia. Foi criada e comandada por Márcia Carneiro, oriximinaense, figura notável da melhor sociedade santarena, que sabe receber com requinte e bom gosto, além de liderar uma equipe de cozinha com extraordinária maestria.

O dia seguinte, quinta, foi dedicado a Alter do Chão, assunto para outro post.

Tem aqui um documentário sobre Santarém.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h04
[] [envie esta mensagem] [ ]



BRAZILIAN AÇAÍ BERRY SORBET

O AÇAÍ AGORA TAMBÉM EM HÄAGEN-DAZS!

 

Quem conhece a marca Häagen-Dazs sabe que eles produzem um dos mais finos sorvetes do mundo, em mais de 50 países, inclusive no Brasil. De origem norte-americana, está há dezenas de anos no mercado.

Foi esse sucesso que motivou, dia destes, a troca de e-mails entre alguns brasileiros e seus amigos, nos Estados Unidos, informando que essa marca havia lançado dois novos sabores: açaí e maracujá! Além de uma imediata ida ao supermercado, André e Delyse, sobrinhos que moram por lá, logo avisaram a família. Tudo bem, foi o orgulho de ser paraense que os motivou, ele belenense e ela bragantina, mas criou uma expectativa... e eu soube lá em Oriximiná!

Mas é isso mesmo, o nosso bom açaí, que consumimos pelas ruas de Belém (mais caro do que nunca!), e que já é muito apreciado pelas terras de Tio Sam, agora é um Häagen-Dazs. Um complexo nutritivo, destaca o fabricante, que explica a pronúncia (ah-sigh-EE), e afirma ser “potente fonte de antioxidantes, encontrado exclusivamente na floresta tropical brasileira”.

O site do produto, que você pode acessar clicando aqui, ainda sugere seu consumo associado ao gorgonzola – gostei da ideia e vou experimentar um Cairu com esse queijo, já que picolé de cupuaçu com um queijo de sabor forte é uma delícia... Ainda afirmam que combina com um Lambrusco tinto.

Agora, se você quiser saber como se faz um bombom gelado para a sobremesa, com a força antioxidante de nosso poderoso açaí, com vinho tinto (pinot noir), chocolate escuro e o novo sorvete, a receita também está na internet (e, por enquanto, gerando uma quantidade imensa de água na boca deste escriba). Basta clicar aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h00
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELOS RIOS DO OESTE PARAENSE (1)

GUERREIROS DE FÉ

Navegar no maior rio do mundo, o Amazonas, e em dois dos mais lindos rios do país (e, possivelmente, do mundo), o Tapajós e o Trombetas, durante seis dias, instalado em um navio funcionando como hotel, o “Búfalo”, de Santarém; participar de manifestação religiosa católica das mais bonitas que já vi, o Círio de Santo Antonio de Oriximiná; conviver com um grupo simpaticíssimo e amigo; apreciar algumas das mais finas iguarias originárias desses rios e vizinhanças, visitar lugares de rara beleza. Foi esse o programa que Deus me permitiu viver, desde quarta-feira passada.

Integrado ao grupo “Guerreiros de Fé”, que reúne membros da família Guerreiro, de Oriximiná (não sou Guerreiro de nascença, mas por opção de amor), fizemos, Rita e eu, pela segunda vez, este belíssimo passeio-peregrinação, de volta às origens da maioria, com participantes que residem em Santarém, em Belém, em Brasília, no Rio de Janeiro, em São Paulo. Foram 38 adultos, oito crianças, mais a simpática tripulação, em roteiro que começou em Santarém, seguiu para um dia em Alter do Chão (a mais bela praia que conheço) e navegou para Oriximiná.

Ao longo dos próximos dias vou comentar diversos aspectos dessa incursão por águas e terras paraenses ainda pouco conhecidas por nós que caminhamos pelas ruas de Belém, mas que são únicas, exclusivíssimas, que reforçam o paraensismo daqueles que têm a ventura de andar por esses locais, de conhecer essa cultura, de conviver com essas pessoas.



Escrito por Fernando Jares às 17h59
[] [envie esta mensagem] [ ]



LIXO LEGISLATIVO

 

 

Noite destas, quem estava em um bar ao lado da Assembleia Legislativa do Estado, surpreendeu-se com a grande demora do caminhão do serviço municipal de recolhimento do lixo, coletando a lixaria gerada por esse poder. Como trabalharam os lixeiros, na faina de botar o lixo legislativo para o veículo...

 

Equipe "Pelas ruas de Belém"



Escrito por Bruna às 09h44
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]