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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


GASTRONOMIA CONTEMPORÂNEA CARIOCA

 

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA:

 

“A ausência da fome é a felicidade. Comer é o meio de alcançá-la”
Atribuída a Thomas Jefferson, presidente dos Estados Unidos, gastrônomo, grande apreciador de vinhos – ele queria produzir, nos EUA, vinhos como os europeus.

 

Das minhas andanças pelo sudeste, semana passada, selecionei uma aventura gastronômica em um restaurante novo, no Rio, o “Salitre”, o nome não é novo, pode dizer algum conhecedor, pois havia um “Salitre” no Leblon. Mas fechou no começo deste ano, para dar lugar a este que acaba de inaugurar. Fica no Boulevard Gourmet, do BarraShopping. Esqueça o lance de praça de alimentação, que faz linha de shopping. Trata-se de um espaço de alta gastronomia, naquele lado do BarraShopping onde estão as lojas mais sofisticadas. São restaurantes mesmo. Este é o terceiro a abrir e lá já estão o tradicionalíssimo português “Antiquarius” e o contemporâneo e muito badalado Zuka. Quer dizer, só grifes de sucesso, na melhor gastronomia carioca.

A Vejinha/Rio da semana passada dedicou um grande espaço a este novo restaurante e foi o toque necessário a entusiasmar a visita.

Eu fui a um Bacalhau à moda Salitre, que nem está no cardápio, mas foi recomendação do chef. São 350g de bacalhau, como fez questão de salientar, desfiado (os portugueses o desfiam esfregando dentro de um pano grosso), batata palha da casa, ovos cozidos, parma e cenoura ralada. Como se vê, é o tradicional Bacalhau à Brás, com alguns incrementos. Estava muito gostoso, embora o parma tivesse passado um pouco do ponto, o que faz com que perca aquele paladar original. Prato de R$ 59,00, para uma pessoa.

A Rita ficou no tradicional filé, mas optou par uma versão com molho gorgonzola que estava sensacional, perfeito, o melhor prato da mesa. Acompanhado com comportado risoto primavera (abobrinha, berinjela e cenoura). Aliás a casa é especialista em risotos, tendo lá onze tipos diferentes. Prato a R$ 39,00, para uma pessoa, como convém a restaurantes não turísticos...

A Larissa escolheu uma posta de salmão assada, com manga e arroz negro com coco. O peixe estava muito bem assado, crocante no ponto certo na crosta, mas macio e agradável no interior. O arroz tinha pouco sabor, na minha avaliação, o que coloca o arroz negro do “Banana da Terra”, de Paraty, como o melhor que eu já comi. Atendendo a pedidos, aqui vai o valor deste prato: R$43,00.

Quando foi dobrada a página da sobremesa, tive de concordar inteiramente com a colega jornalista Fernanda Thedim, responsável pela seção de restaurantes da Vejinha/Rio, pela avaliação feita (leia aqui). É a melhor parte do cardápio. Pedimos duas: Torta de Doce de Leite crocante, com biscoitos, cobertura e recheio de doce de leite, com pedaços crocantes; e Torta de Trufas, um gateau de chocolate meio amargo, coberto com trufas de chocolate ao leite e meio amargo. Gente, é de ir ao paraíso! É de acreditar na competência do gênero humano em combinar as maravilhas que Deus criou na natureza, para causar prazer e satisfação ao paladar. Delícia pura. Cada sobremesa saiu por R$ 8,50.

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O Bacalhau à Moda Salitre e a Torta de Trufas de chocolate, esta em foto que foi publicada na Vejinha/Rio.

 

Equipe "Pelas Ruas de Belém"



Escrito por Bruna às 16h28
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A MOÇA DO PARÁ NO LIMITE

SALINAS É O PARAIZO DA MOÇA

A moça que vai representar o Pará na nova edição do “No Limite” – já teve uma edição que foi no Marajó e a galera circulou aqui pelas ruas de Belém – tem uns vídeos no YouTube. Pelo visto ela é veterana candidata em programas desse tipo, BBBs & cia. E até já foi vencedora de um concurso de coelhinhas da Playboy, segundo o jornal Diário do Pará. Mas há um vídeo que está tendo grande audiência na internet e que tem a ver com o renovado reality show. São quatro minutos e meio (embora informados sete) de muita areia de Salinópolis, a moça de biquíni ou alguma roupinha mais, mar, cenas da cidade, etc. E uma revelação: “salinas meu paraizo!!”. É assim mesmo que está escrito! Portanto, preparemo-nos (quem for acompanhar! Hoje, na estreia, estarei em Alter do Chão, se Deus quiser!) para o que vem por aí. Veja o vídeo, clicando aqui.

 

Equipe "Pelas Ruas de Belém"



Escrito por Bruna às 15h04
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EM VIAGEM

 

PELAS ÁGUAS DO OESTE PARAENSE

 

O blogueiro titular vai estar ausente alguns dias, até segunda-feira, navegando pelos rios do oeste paraense, entre Santarém (e Alter do Chão) e Oriximiná. Mas o blog estará atualizado, pela equipe do Pelas Ruas de Belém, formada por uma só voluntária, convocada ao voluntarismo filial. Eventualmente poderei entrar no ar, desde que em área de cobertura da internet – invasão a que muitos de nossos irmãos ribeirinhos daquelas áreas ainda estão imunes.

Navegarei pelo maior rio do mundo em volume d’água e em extensão, isto é, o maior rio do mundo, mesmo, o Amazonas. Subirei um dos rios mais bonitos do Brasil e, por consequência, do mundo, o Trombetas, com suas margens alagáveis maravilhosas, vegetação exuberante e uma infinidade de peixes de sabores inigualáveis.

Como atração central, o muito exclusivo Círio de Santo Antonio de Oriximiná, fluvial e noturno, manifestação única na região, em que a balsa com o andor do santo é precedida por milhares de velas acesas que flutuam ao sabor das águas trombeteanas, anunciando a chegada do padroeiro da cidade. Há muitas décadas sempre ouvia falar maravilhas deste evento religioso-popular. No ano passado fui lá, pela primeira vez, comprovar as anunciadas maravilhas. Encantei-me e volto este ano, com a Rita, cria e criada nas margens e nas águas embelezantes do lindíssimo rio. Cumpro esta peregrinação com extremo prazer e alegria.

Na volta, com a limitação das palavras, tentarei descrever o indescritível. É preciso ir lá, ver essa riqueza que Deus implantou no seio da Amazônia, para perceber a real dimensão de tudo isso.

 



Escrito por Fernando Jares às 10h50
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NOSSOS SABORES NA TEVÊ

GASTRONOMIA PARAENSE INVADE A TELEVISÃO

Ventos positivos na divulgação do produto (turístico) gastronômico paraense. Depois da equipe do programa “Menu Confiança”, comandado pelo chef francês Claude Troisgros na GNT, agora é a vez do canal "Discovery Travel & Living" circular pelas ruas de Belém.

Troisgros veio para o “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, Edição Especial em homenagem ao chef Paulo Martins, criador deste que é o mais bem sucedido festival gastronômico regional brasileiro, e trouxe a equipe da GNT para cobrir o evento e aprofundar na gastronomia paraense. O resultado será visto na telinha desse canal por assinatura, em setembro, dentro de uma programação especial do “Menu Confiança” (estreias às segundas, 22h) voltada inteiramente para a culinária brasileira, com o título “Brasileiríssimo”.

Quem foi na segunda passada ao restaurante “Lá Em Casa”, na Estação das Docas, encontrou lá instalada uma equipe do canal "Discovery Travel & Living", onde a jornalista Adelaide Souza, da equipe do programa, jantava as delícias do local e conversava com Tânia Martins. O ponto central do papo era, além da gastronomia paraense, a importante participação do inovador chef Paulo Martins na criação de uma da nova cozinha paraense, que resgatou os exclusivos produtos regionais e os transportou para a alta gastronomia, obtendo reconhecimento nacional e internacional. Com isso a culinária paraense é hoje referência para o maior conhecimento do Pará em todo o mundo. O material gravado em Belém será usado em uma série sobre a gastronomia nacional, que visita seis cidades brasileiras, uma delas, Belém, e será visto entre setembro e outubro na grade de programação do "Discovery Travel & Living".



Escrito por Fernando Jares às 09h36
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A ÓPERA DO PARÁ

 

UMA OPERA SINGER DO PARÁ PARA O MUNDO

A ópera vai marcar o tom da programação musical pelas ruas de Belém agora em agosto e setembro. As alegadas dificuldades financeiras que fazem o governo estadual cortar tudo pela metade, reduziram a verba, para a metade, obviamente. Mesmo assim, de 14/08 a 19/09, o festival acontece, embora com alguns cortes, como na obra que fecha a programação, “Carmen”, de Bizet (18 e 19/09), que não será completa, mas terá apenas algumas cenas famosas. Mas outras duas serão apresentadas integralmente: “Roméo et Juliette”, de Gounod (14, 16 e 18/08) e “La cambiale di matrimonio”, de Rossini (27, 28 e 29/08). Integram ainda o festival palestras, concertos, lançamento de DVD da Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz, etc. Procure inteirar-se da programação. Eu ainda não a encontrei no site da Secult.

Esse assunto serviu para lembrar-me que uma cantora paraense vai apresentar essa mesma “Roméo et Juliette”, no Teatro Belas Artes, em Bogotá, na Colômbia, em setembro.

Essa jovem cantora nascida em Belém, que faz 30 anos neste agosto, é Carmen Monarcha. Você a conhece? Ela ganhou o 2º Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão de 2001, aqui mesmo, em Belém. [Aliás era um evento respeitado no país e no exterior. Hoje, trocaram o nome e, parece, o rumo... como em muita coisa boa da Secult. Lembra das lojinhas? Lembra dos muitos CDs de música paraense?]

Mas voltando à Carmen Monarcha: ela é filha da grande estrela do canto paraense, Marina Monarcha. Depois do importante prêmio, foi para a Europa, fez excursões por muitos países desse continente, aos Estados Unidos e Canadá, já gravou CDs, DVDs, sendo nome consagrado lá fora. Neste julho ela cantou em Maastricht, nos Paises Baixos (Holanda, como mais conhecemos aqui), mas em abril apresentou-se no festival de ópera de Manaus.

O site dela está em desenvolvimento, mas é muito bonito e tem a programação de que falei aí em cima. Dê uma olhada, clicando aqui.

Agora, um convite: escute essa maravilhosa cantora interpretando “Ave Maria”, de Johann Sebastian Bach. Não se contenha, solte a emoção, como eu fiz. É uma interpretação primorosa, extraordinária, que nos leva a sentir orgulho em ser paraense. Merece o “bravo!”, “bravíssimo” que se ouve ao final. Clique aqui e delicie-se.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h18
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VAMOS AMAZONIAR!

SE É PELO BEM DE BELÉM, AMAZONIEMO-LA, MEU BEM! (*)

Imagino que nós, paraenses, vivamos uma das curvas mais baixas de nosso astral, pelo menos dos últimos tempos. Certo que eu ainda não havia nascido na época da gripe espanhola ou nas duas grandes guerras, quando faltava tudo. Mas a verdade é que as coisas não estão funcionando bem, dos governos aos times de futebol. E parece que só a torcida do Paysandu ainda acredita e luta pela sobrevivência.

Essa história da copa do mundo provocou reações de todo tipo, algumas até ridículas, que vão de boicotar Coca-Cola (patrocinadora da Copa) até entrar na justiça contra a Fifa. Entendo que perdemos para políticas e políticos. Faltam-nos políticas claras e objetivas, profissionais. Por exemplo, muita coisa foi feita em equipamentos turísticos, mas cadê a política de turismo do Estado? Só construir, não resolve. E assim com investimentos, com educação, com a cultura, etc., etc. Também não vemos políticos preparados – gastam tempo discutindo ameaças recíprocas, cpis, interesses indefinidos, os de uma facção (não mais apenas dos partidos) querendo destruir os outros, mas não vemos um seminário, uma reunião pra valer, para discutir objetivos estratégicos para o Estado, para o município.

Na última sexta-feira, no fervor (literalmente, no sentido de ferver...) do verão paraense o publicitário Glauco Lima, da DC-3, postou um excelente artigo a respeito desta nossa situação. Sou fã explícito do trabalho do Glauco, redator de primeira, especialista como poucos no jogo competente de palavras, com quem trabalhei nos anos 1980, na Mercúrio e por algum tempo na Albras, e de quem fui colega recentemente na Unama, na pós de Comunicação Institucional.

“Amazoniar Belém” é o título do artigo e eu o transcrevo a seguir, porque concordo com muitas coisas do que aí está escrito, algumas até já defendi há anos passados, quando escrevia em jornalão. Hoje, neste espaço virtual procuro mostrar as coisas boas de nossa cidade, destacar que é bom estar pelas ruas de Belém.

Em suma, de imediato, precisamos discutir o assunto, levantar o astral, e entendo que cabe aos profissionais de comunicação fazer isso.

O Glauco levantou muito bem a bola e eu passo em frente:

AMAZONIAR BELÉM

"Depois da derrota na escolha das cidades-sede para a Copa do Mundo Brasil 2014, Belém do Pará precisa parar de ficar se auto-flagelando, se dizendo o pior dos seres e dos lugares ou de ficar na cômoda posição de demonizar "uspulíticus" e todo mundo achar que não é responsável por nada que acontece por aqui.
Todos os segmentos da vida na cidade precisam se unir para pensar como não ficar fora da próxima oportunidade de renascimento. Sim, porque a Copa não era uma oportunidade meramente esportiva, era, depois de muito tempo, a chance de um novo salto cultural, urbanístico, econômico, social e político, como não se vê desde o ciclo da borracha. Talvez uma das causas da perda da disputa foi termos visto a Copa como um campeonato de futebol. E ficarmos falando de Mangueirão, Remo e Paysandu, que para o mundo são o mesmo que nada.
Bem, mas não adianta ficar chorando sobre o açaí derramado. Temos que ter um pensamento que unifique a cidade e faça com que todas as ações, desde as mais pequenas até os grandes projetos estruturais, contribuam para construir uma marca mundial para a cidade. E esta marca está em nossas mãos, ou quase escorrendo, mas aí está: AMAZÔNIA. A marca querida, percebida, desejada, discutida, visualizada, imaginada, entendida e desentendida no mundo inteiro.
Belém precisa se amazoniar. Passar por um grande processo de amazoniação. Querer o amazoniamento de suas ruas, avenidas, praças, casas, hábitos, cheiros, cores, valores, atributos, estilos, personalidade. Isso não é fácil. Mesmo porque, em termos de associação com a marca Amazônia, estamos bem atrás de nossa concorrente Manaus, que certamente por essa vantagem levou a Copa para a capital do Amazonas. Superar Manaus é quase impossível, até mesmo porque algumas condições na natureza e da geografia são irreversíveis. Mas podemos fazer muito e competir em termos mais igualitários, até vencendo em algumas pelejas.
Amazoniar inclui idéias e ações de governo, de prefeitura, mas também de empresários, da indústria, das universidades, da mídia, das Igrejas, das comunidades, de todo o mundo. Amazoniar pode ser ir mudando aos poucos os nomes de todas as ruas da cidade para nomes de peixes, pássaros, flores, rios, fenômenos da Amazônia. Acho que São Paulo, que é chamada de selva de pedra, tem mais ruas com nomes da natureza do que Belém.
Amazoniar pode ser construir aquários nas principais praças de Belém, com quatro, cinco metros de altura, onde as pessoas possam ver pirarucus, tambaquis, tamuatás, tartarugas. Amazoniar pode ser parar de querer ser Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo e assumir uma alma cabocla morena, ribeirinha, perceber que somos a capital do império dos rios, das praias de água doce com ondas, da chuva, do pitiú; que somos a capital do novo mundo cuja pauta primeira é a questão ambiental.
Amazoniar pode ser pagar à Madonna pra tomar banho em Mosqueiro e arrastar com ela toda a imprensa do planeta. Pode ser pagar o cachê do Kaká para passar uns dias tomando açaí e comendo pato no tucupi atraindo os olhares da Terra inteira. Pode ser trazer U2 para fazer show no Theatro da Paz, trazer a Amy Winehouse para se jogar do alto de uma mangueira abraçada com uma cobra e dizer que Belém é a loucura mais deliciosa. É, amazoniar não custa barato, mesmo porque o retorno do investimento vai ser mil vezes maior, trazendo ganhos como eventos do porte de uma Copa do Mundo.
Amazoniar Belém é tornar a cidade desejada por quem quer ecoturismo e aventura na natureza, como a Disney é desejada por quem quer fantasia infantil. Belém desejada por quem quer a Amazônia como o Peru é desejado por quem quer a mística de Machu Picchu. E esse negócio de dizer que nossa cidade é feia e suja não pode nos desanimar. Se fosse por pobreza e feiura essa multidão de gente que vai na Índia mudar a alma com seus gurus passaria longe de Nova Délhi. É claro que temos que resolver problemas, mas não podemos ficar achando que os lugares mais procurados do mundo são perfeitos. Ou alguém acha que Manaus e Cuiabá, para ficar só no tema da Copa 2014, já resolveram suas crises e são cidades de primeiro mundo?
Amazoniar pode ser assumir que sim, aqui jacarés andam pelas ruas, e criar miniparques onde as pessoas possam ver jacarés, cobras, peixe-boi. É virar a cidade de frente para o rio e para a baía, invertendo um equívoco de séculos que criou uma cidade envergonhada de sua geografia, evitando que tívessemos uma das maiores e mais belas avenidas beira-rio do mundo, indo do Guamá a Icoaraci. Nesta gigantesca orla poderíamos virar uma Copacabana Amazônica, com espaços de arte, cultura, lazer, esportes e entretenimento. Efervescência, gente criando música, poesia, uma bossa nova da selva.
Amazoniar não significa de nenhuma forma romper com a modernidade. Muito pelo contrário, é ir buscar o que a tecnologia tem de mais avançado para permitir um contato cada vez mais encantador com a natureza. É preciso criar equipamentos de entretenimento e acomodação seguros, inovadores e confortáveis para agregar ao encanto amazônico. É também fazer de Belém uma referência mundial na pesquisa de alimentos, perfumes, cosméticos e medicamentos feitos a partir da biodiversidade amazônica, atraindo para cá centros de pesquisa e pesquisadores, tudo integrado ao meio-ambiente, permitindo que as pessoas de Belém e do Pará vivam da natureza e deixem a natureza viver.
Esse amazoniamento iria criando interesse cada vez maior, gerando mídia espontânea no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos, na China, aumentando a demanda do turismo, de congressos, de seminários, de eventos, fluxo de gente interessada em Belém. Só assim poderemos ter condições de receber e remunerar empreendimentos como hotéis de selva, restaurantes típicos, lanchonetes, casas noturnas, teatros, estabelecimentos amazônicos, criando uma atmosfera mágica, gerando por Belém o mesmo interesse que o mundo tem pelo açaí, que ao ser bebido parece dar a sensação de estar ingerindo a selva e o vigor dos índios.
É preciso começar logo o amazoniamento de Belém, para que no médio prazo, depois de uns dias passeando na capital do Pará, uma pessoa lá no Japão, ainda cheirando a patchuli, responda assim quando perguntarem o que ela fez nas férias: - Fui amazoniar! Estava em Belém do Pará."

 

Fecho com um tacacá-mundi da DC-3, que representa muito bem a cara mundializada de Belém em um de seus mais fortes ícones:


 

(*) Variação sobre a expressão “Óticas Belém, meu bem”, de uma campanha da Mendes Publicidade para essa ótica, sabe-deus-lá-quando, mas faz tempo...



Escrito por Fernando Jares às 16h03
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EVANDRO BONNA SEGUIU PARA O CÉU

Este mais ou menos final de férias, entre uma viagem e outra, leva-nos a viver mais devagar. Com isso, só fiquei sabendo no final da manhã do falecimento do dr. Evandro Bonna. Assim, não pude ir ao funeral e nem irei à Missa de 7º Dia, já que estarei fora de Belém. Conheci-o desde muitos anos, eu ainda estudante, ele “sub-prefeito” de Icoaracy, como se dizia do hoje agente distrital.

Depois, já profissional, tempos do governo Fernando Guilhon, atendi-o na área de relações públicas, quando eu trabalhava na Mendes Publicidade e ele, engenheiro muito respeitado, era do DER, o Departamento de Estradas de Rodagem. Até andei por aí pelo interior, participando da inauguração de algumas estradas.

É diretor benemérito da festividade de N. S. de Nazaré e sua esposa Mizar, especialista no Círio, seus elementos, a presença da Senhora de Nazaré entre os paraenses, etc. Ela sabe tudo nesse campo, com os privilegiados olhos da fé. Ainda agora mesmo levei uns tantos exemplares do livro “Maria, seu povo e suas estórias” (que comprei na “Lírio Mimoso”) escrito por ela, que juntamente com um folhetinho que fiz sobre o Círio, demos, Rita e eu, a novos amigos que conhecemos no encontro nacional das Equipes de Nossa Senhora, em Florianópolis.

À família, sentimentos, incluindo aí o Mauro, antigo companheiro na ADVB e cuja carreira jornalística acompanho desde os primeiros momentos. O Deus em que ele sempre acreditou e a quem serviu, como filho fiel, já o tem ao lado, nas delícias do paraíso celeste.



Escrito por Fernando Jares às 15h44
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GENTE QUE FAZ NOSSA ESTRELA BRILHAR

CAMPEÃO NACIONAL DE PANIFICAÇÃO É DO PARÁ!


Adilson Pereira dos Santos e seus troféus, regional e nacional,
hoje de manhã, na panificadora Umarizal.

O grande vencedor da categoria Talentos em panificação foi o padeiro paraense Adilson Pereira dos Santos, da panificadora Umarizal, de Belém (PA), com a Rosca de Bacuri.” É assim que se conta mais uma grande conquista paraense. É assim que o site Padaria Bunge anuncia a conquista do conterrâneo Adilson, campeão brasileiro em panificação, feito que ele alcançou em São Paulo. A vitória dele na semifinal regional e a premiada rosca já foram assunto neste blog (para ler, clique aqui).

Embora haja um monte de pessimistas que só destacam as coisas ruins que andam acontecendo aqui pelo nosso Estado – e até acho que muitas vezes temos razão em reclamar! – tem gente competente, gente otimista, fazendo sucesso e elevando o brilho da estrela paraense – a estrela que brilha lá em cima!

A arena em que Adilson defendeu as cores paraenses, aliás da região Norte e parte da região Nordeste, sagrando-se vencedor, foi a 3ª Copa Bunge de Panificação e Confeitaria, promoção da Bunge, uma indústria de produtos para panificação e alimentos, em parceria com a Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria), que visa revelar as melhores receitas de pães e doces do país. Na fase regional, em Fortaleza, participaram 10 padeiros dos Estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Roraima e Amazonas. Chegaram à etapa final apenas sete concorrentes de todo o país, vencedores das etapas regionais. Além da categoria Panificação, há também a categoria Confeitaria e, em ambas, uma premiação para estudantes. O paraense grande vencedor nacional trouxe como prêmio um caminhão cheio de móveis e eletrodomésticos, para equipar sua casa. E a padaria foi premiada com uma reforma.

Passe lá no site Padaria Bunge para ver uma entrevista do Adilson.



Escrito por Fernando Jares às 17h19
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CAMARÕES NA LAGOA CATARINENSE

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA:

 

O gourmet é um comilão erudito.

Millôr Fernandes, no Twitter, em 6/7/2009

 

BOAS PEDIDAS GASTRONÔMICAS EM FLORIANÓPOLIS

O camarão tem sido uma constante nestas minhas últimas viagens, ele e seus bons parentes e amigos, os frutos do mar, sem trocadilho, frutos por demais saborosos dos destinos: Paraty, Fortaleza e, semana passada, Florianópolis.

Para esta sexta gastronômica, escolhi duas experiências muito positivas vividas em Floripa, bem distante das minhas habituais andanças pelas ruas de Belém.

Comecemos pela “Toca da Garoupa”. É um dos melhores restaurantes da cidade, bonito e agradável, escolhido pela Vejinha versão local como “O melhor do pescado”. E faz jus ao título.

 

 

Camarões ao catupiry e a lula em sua tinta.

A Toca é especializada em moquecas e em caldeiradas, mas, sem nenhuma conotação política, eu optei por uma “Lula em sua tinta”, que vem a ser a lula preparada em vinho branco, azeite, alho e cebola, acompanhada por arroz negro, a partir da tinta (negra) da própria lula, tendo sobre ela um bom queijo ralado e gratinado. É um prato, obviamente, bem escuro e muito gostoso, onde o arroz negro desponta com sabor, pois há quem o prepare (o arroz naturalmente negro, mediterrâneo) sem uma água apropriada e acaba sem sabor nenhum – apenas tendo como atração a cor. E, diante de um prato, eu admiro muito a sua beleza estética, mas não dispenso um sabor total, superior. Um prato completo deve despertar todos os sentidos humanos...

A Rita manteve a linha camaronística e foi a um “Camarão à Toca com catupiry”. Magnífico. Trata-se de um conjunto de camarões, com vinho branco, molho branco, mostarda, catchup, queijos parmesão, catupiry e mussarela, gratinado. Vem acompanhado de arroz de açafrão, com batata cozida, passada na manteiga e temperos verdes. Esse arroz de açafrão merece a nota de destaque. Como nosso contrato nupcial permite, também fui ao prato da Rita e ela também teve acesso ao meu.

Como recebi pedido, em comentário em uma sexta-feira anterior, cobrando a divulgação dos preços dos pratos, vamos a eles. Este restaurante apresenta duas versões de preço para cada prato, para uma e para duas pessoas. A Lula custa R$ 45,00 para uma pessoa e R$ 65,00 para duas, enquanto o camarão vai a R$ 70,00 e R$ 100,00, respectivamente.

Um dos pratos mais populares em Florianópolis, aventura gastronômica que ninguém deve deixar de viver, é a “Sequência de Camarão”. É o que lembra, um desfile de camarões e acompanhantes em nossa mesa. E eu escolhi viver este momento lindo em um restaurante mais popular, dos mais tradicionais da cidade, a “Casa do Chico”, em plena belíssima Lagoa da Conceição. É um estabelecimento que começou lá nos anos 1970, como barraca à beira da lagoa e hoje oferece um ambiente de bom gosto, climatizado, atendimento legal e simpático. Com a lagoa a nossa frente. Leia citação na Vejinha local.

Como gosto muito de pastéis, fui a uns de camarão como entrada, que foram prenúncio de acerto na escolha do restaurante.

 

Camarões à milanesa e casquinha de siri.

A “Sequência de Camarão” nos chegou em três etapas. Na primeira vêm as saladas, o arroz (que ficaram praticamente intocados...), um camarão à milanesa maravilhoso e duas casquinhas de siri, algo totalmente diferente de nossa casquinha de caranguejo, mas muito saborosas, com uma cobertura rígida, torradinha, huuuu.

Na segunda etapa comparecem os camarões fritos ao alho e óleo e o camarão ao bafo, talvez para aqueles que não querem muita gordura...

A terceira etapa nos apresenta dois filés de pescada amarela à milanesa, com molho de camarão, arroz e batatas fritas.

Haja disposição, que, justiça seja feita, foi fortemente estimulada pelo excelente sabor das diversas espécies marinhas. E lá se foi tudo.

Também neste caso há duas opções de preço. A com camarões pequenos (R$ 59,00) e com camarões grandes (R$ 160,00). Orientado pelo garçom, ficamos com a dos pequenos, que de pequenos não tinham nada, pois seriam de médios para cima. Os pastéis custaram R$ 3,50 a unidade.



Escrito por Fernando Jares às 13h15
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CASAIS CATÓLICOS EM REUNIÃO

MILHARES DE CASAIS CATÓLICOS VIRÃO AO BRASIL EM 2012

2.375 casais, 214 sacerdotes e 170 inscrições individuais foi o balanço do 2º Encontro Nacional de Equipes de Nossa Senhora o movimento de espiritualidade destinado a casais católicos, que aconteceu em Florianópolis, no último final de semana. Sem esquecer os cerca de 300 voluntários que trabalharam na realização do Encontro, pertencentes à equipes de Santa Catarina, capital e interior, e até de cidades paulistas próximas. Mais de 5 mil pessoas.

Este movimento, oficialmente reconhecido pela Igreja Católica, tem como objetivo ajudar os casais a descobrirem a grandeza do sacramento do matrimônio e a usufruírem dele plenamente, valorizando a família. Sob a proteção de Nossa Senhora, Mãe de Jesus, oferece aos casais instrumentos e pedagogia para desenvolverem uma espiritualidade conjugal, ao mesmo tempo em que se apóiam mutuamente.

Conta com mais de 60 mil casais, organizados em 10.442 equipes, em 73 países, nos cinco continentes. No Brasil são 3.040 equipes (com, no máximo sete casais e um sacerdote ou acompanhante espiritual) que reúnem 18.303 casais, 377 viúvas ou viúvos e 2.033 conselheiros espirituais.

Mais de uma centena de pessoas daqui foi a Florianópolis representar os 353 casais que formam a Região Norte II – Belém, Icoaraci, Abaetetuba, Castanhal, Capanema, Salinópolis e São Miguel do Guamá.

O Brasil apresenta um crescimento de participantes da ordem de 3 a 4% ao ano, sendo o primeiro no mundo, liderança que alcançou este ano, seguido pela França (onde o movimento foi criado, em 1938), com 2.136 equipes.

Com essa representatividade, o Brasil foi convidado a organizar o 11º Encontro Internacional das ENS, em 2012. Esses encontros acontecem a cada seis anos e sempre foram na Europa: Lourdes, Fátima, Roma, Santiago de Compostela. O de 2006, do qual participamos Rita e eu, levou a Lourdes (França), mais de 9 mil pessoas. A cidade que receberá os equipistas de todo o mundo ainda não está definida. Pode-se pensar em trazer, para circular pelas ruas de Belém esses milhares de pessoas? A cidade tem um dos mais importantes santuários marianos do mundo, condição muito importante. Mas precisa ter a infra-estrutura para receber um volume tão grande de visitantes.

Para maiores informações sobre as ENS: http://www.ens.org.br/



Escrito por Fernando Jares às 11h00
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22/7/1945: DIA DE ELEVADOS ESCORES

UM DOMINGO QUE ENTROU NA HISTÓRIA DO ESPORTE

A data de hoje, 22 de julho, em 1945, foi um domingo, que já era o dia do futebol no Brasil. E neste domingo, grandes partidas foram disputadas pelo país. Por exemplo, no Rio de Janeiro o Botafogo empatou em 1x1 com o Fluminense, mesmo dia em que o Flamengo disparou 4x0 sobre o pobre Madureira. Em Minas Gerais o Uberaba carimbou 3x2 no Vila Nova. Em São Paulo o Corinthians enfiou 8x1 no Comercial.

O Pará também entrou na história dos grandes jogos do dia 22/07/1945: o Paysandu foi implacável com seu mais tradicional adversário e marcou o famoso 7x0, se não o maior escore do dia, a mesma diferença conseguida pelo Corinthians em SP. E até hoje um dos mais dilatados resultados em clássicos regionais no país.

Por sinal em um mesmo dia 22 de julho, mas em 1926, o norte-americano Babe Ruth, considerado o maior jogador de beisebol de todos os tempos, conseguiu pegar uma bola arremessada de um avião voando a 100 milhas por hora, a uma altura de 100 pés. Ainda em um 22 de julho, em 1900, era encerrada a segunda Olimpíada Moderna. Uma data importante nos esportes!

O clássico paraense é cantado em verso e prosa pelas ruas de Belém há 64 anos e tem até livro, “A história dos 7x0”, que o registra a cada passo, com depoimentos dos heróis da jornada, fotos, dados estatísticos, etc. O autor é o pesquisador da história de nosso futebol, jornalista Ferreira da Costa.

O Prefácio desse clássico da literatura esportiva regional é de outro jornalista muito conhecido, o Mestre Calá, Moacir Calandrini para os registros oficiais e documentais. Figura simpática e querida nos meios profissionais e na sociedade, católico militante (foi atuante no movimento de casais católicos Equipes de Nossa Senhora), já foi chamado pelo Senhor para a morada celeste.

Em homenagem ao sempre bem lembrado Calandrini, certo de que ele incluiria esta ação na sua crítica e equilibrada avaliação “Mestre Calá Gostou” (na coluna “Mestre Cala Manda Brasa”, que assinava), transcrevo a seguir o delicioso prefácio de “A História dos 7x0”, livro que foi lançado em data mais que apropriada, 7/7/77:

Pede-me o Ferreira da Costa - que é um cara virado, pesquisador, que andou de seca a meca prá ouvir a palavra viva e bem auditiva dos heróis, que fale sobre os sete. Sim, os sete a zero do Papão sobre o Leão, neste 77.

O sete, sabeis, é tido como um número especial, cabalístico, que causa grandes alegrias (como causou aos bicolores do Paissandu naquela tarde memorável de 22 de julho de 1945) como pode ser também fatídico, azarado para outros (como o foi naquela tarde para os remistas, que até hoje tem tal placar atravessado na garganta ao ponto de tentarem amenizar as coisas, arranjando a forra num joguinho entre segundos times, nos tempos de Dom Miguel Charuto, quando a bola era quadrada). Mas, para falar nos Sete do Papão, a gente lembra que o sete é um número especial. Por exemplo, sete dias depois de haver criado o mundo, DEUS descansou. Já para quem morre, o destino são sete palmos de terra e missa de 7º dia. E em quase todos os rituais, seja qual religião for, o sete é um número sensacional. Daí, porquê, dizem, que o gato tem sete fôlegos; a gente pinta o SETE; quando se quer guardar um segredo é a SETE chaves e quando um cara é virado é o homem dos SETE instrumentos. Os macumbeiros usam o Sete prá tudo. Encruzilhadas, Exús, Giras, etc. Vai daí que os bicolores mandaram aquela brasa e enfiaram SETE bolinhas no seu mais tradicional e ferrenho adversário, em jogo que é anualmente recordado com festas. Sim, SETE a ZERO desde aí ficou sendo quase que um placar exclusivo. Justo, portanto, que o Da Costa que é Ferreira, fale dele agora, com todas as minúcias e detalhes.

O Mestre não registrou, mas reparem que Da Costa tem sete dígitos, ou sete toques, como se dizia naquela época das máquinas de escrever.

No site do Paysandu é possível conhecer os detalhes deste jogo, tal como foram publicados originalmente em A Vanguarda, (um vespertino ligado ao jornal A Província do Pará). Para ler, clique aqui.

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A capa do histórico livro e o Mestre Calá, mandando brasa em sua máquina de escrever.



Escrito por Fernando Jares às 14h03
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AS PEDRINHAS DA LUA E A GRIPE “A”

A AVENTURA FANTÁSTICA DE CATAR PEDRINHAS

 

Acima, o cartum deste domingo do Diário Catarinense, de Florianópolis, assinado por Zé Dassilva que, utilizando a força da comunicação gráfica e a capacidade crítica do humor, mostra a discussão em torno da questão espacial mundial, em especial dos Estados Unidos. O cartunista catarinense refletiu muito bem, na véspera do 40º aniversário da chegada do homem à Lua: valeu a pena ir à Lua? Valerá a pena voltar lá?

Para quem viveu aquele momento mágico, valeu ao menos, pela magia do momento, sentir que o homem contemporâneo era capaz de viajar por espaços nunca dantes viajados, parafraseando Camões. Em muito e para muitos, a aventura era idêntica a dos grandes navegadores do século XVI.

O jornalista Boyce Rensberger cobriu o programa Apollo para grandes jornais americanos, incluindo o The New York Times, e escreveu, para a Folha de São Paulo deste domingo, um artigo onde questiona o tema. Defronta a sua experiência há 40 anos e os seus conceitos de hoje, com a perspectiva da análise histórica: o que aconteceu com a humanidade nestes 40 anos, teve alguma coisa a ver com aquela viagem? Foi mesmo “um grande passo para a humanidade”, como afirmou Neil Armstrong?

“40 anos atrás havia o aspecto da aventura: os bravos astronautas, o foguete retumbante, a ousadia do pouso na Lua, o esforço e o gasto! São coisas que nunca vou esquecer. A cobertura das missões do programa Apollo foi um dos grandes marcos da minha carreira jornalística”, afirma Rensberger, para refletir em seguida: “Durante anos depois disso eu saía de casa à noite, com meus dois filhos, para lhes apontar a Lua e lhes dizer que muito tempo atrás, numa era que, para eles, poderia muito bem ter sido pré-histórica, seres humanos voavam até a Lua e caminhavam em sua superfície – apenas para buscar pedras e traze-las para casa. Eles são crianças da geração “Guerra nas Estrelas”, e, para eles, aqueles pousos na Lua parecem bem sem sentido.”  Para ler o artigo completo, clique aqui, mas precisa ter senha da Folha ou do UOL.

Milhares de quilômetros ao sul, naquele 20 de julho de 1969, eu não vi o momento mais glorioso da televisão naquela época, transformada, de fato, no maior espetáculo da terra, ao transmitir ao vivo, da Lua, um outro corpo celeste, a primeira vez que um homem “tomava posse” de um território no distante espaço. A ficção tantas vezes imaginada por escritores e sonhadores, ao longo de séculos, tornava-se realidade – e todo o planeta Terra podia ver, como se fosse “no quintal de casa”. Era final da tarde no Brasil quando isso aconteceu. Pelas ruas de Belém ainda não tínhamos o benefício das imagens diretas “via Embratel” e a cidade veria o grande feito com algumas horas de defasagem, na TV Marajoara, assim que chegasse um avião com a fita do teipe gravado em Brasília ou Fortaleza. Mas eu viajei para o Rio de Janeiro nessa noite. Não vi o teipe. No Rio de Janeiro o feito fantástico fora visto por milhares de pessoas, ao vivo, ...na véspera da minha chegada. Assim, vi somente os resumos e edições nos noticiários das tevês de lá. Mas tenho até hoje a edição especial da revista Manchete sobre a chegada do homem à Lua, que tinha anexo um compacto (vinil) com a narração (radiofônica!) do acontecimento. Ainda não havia o Video Home System (VHS), muitíssimo distante ainda o DVD, para que se pudessem gravar e guardar aquelas imagens...

Para relembrar esse momento, veja um resumo muito bem editado de toda a viagem, desde a saída até o retorno à Terra, em 2,5 minutos, como foi mostrado ontem, no blog do Noblat, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 10h14
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UM FESTIVAL PARA PAULO MARTINS

VER-O-PESO DA COZINHA PARAENSE

HOMENAGEIA SEU CRIADOR

Enquanto o próprio Pará não presta a ele a devida homenagem, como o mais importante divulgador – em escala nacional e mundial – de um dos grandes valores culturais e turísticos do Estado, a nossa culinária, o chef Paulo Martins segue sendo homenageado pelos principais nomes da gastronomia nacional e internacional.

Hoje e amanhã Alex Atala, o mais famoso chef brasileiro, reconhecido internacionalmente, sendo o seu restaurante D.O.M. (São Paulo) listado pela revista Restaurant como um dos 50 melhores do mundo e o único do continente na relação, por sua iniciativa, comanda a sétima versão do festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”. Este, que é considerado um dos festivais gastronômicos de maior sucesso e repercussão no país, foi criado, organizado e mantido pelo Paulo Martins em todas as edições anteriores. No momento PM está afastado das atividades em virtude problemas com a saúde. Mas Alex e alguns amigos decidiram tocar o barco – quase uma alegoria amazônica, independente do comandante e em homenagem a ele – e fazer a versão 2009 denominada “Especial Grandes Chefs”, que acontece hoje e amanhã, no Belém Hilton, inteiramente dedicado a homenagear Paulo Martins. Participam ainda da iniciativa Danio Braga, Claude Troisgros e César Santos.

“Vamos homenagear o coração enorme que ele tem e o carinho dedicado à cozinha, marca registrada desse embaixador do Pará”, disse Danio ao informativo eletrônico Malagueta.

No programa de hoje, visita ao mercado do Ver-O-Peso, para adquirir ingredientes para o jantar beneficente de amanhã e mesa-redonda “Gastronomia regional: desdobramentos na gastronomia brasileira e como apelo internacional” reunindo os chefs e 50 pessoas entre jornalistas, empresários e chefs locais (para a qual fui convidado, mas não pude estar presente em virtude de viagem programada com antecedência – escrevo estas linhas em Niterói).

Para amanhã a grande pedida é o jantar beneficente, no Belém Hilton, onde Alex Atala, o paulista do restaurante “D.O.M”, de quem já falei aqui, apresenta sua grande inovação, que é usar nossa perfumaria, como a priprioca, na alta gastronomia, com uma paleta de cordeiro.

Danio Braga, italiano convertido à brasilidade, dono do famoso “Locanda Della Mimosa”, em Petrópolis, entre os que conheço, um dos que melhor unem a sofisticação do ambiente, a finíssima gastronomia e a sensação de muito bem estar, apresenta mini orelhas de massa com camarões paraenses, creme de feijão de Santarém e pesto de jambu.

O irrequieto pernambucano César Santos, do restaurante “Oficina do Sabor”, que é presidente da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, decidiu pela surpresa e apresenta um prato denominado Fantasias do Pará.

O clássico francês Claude Troisgros, do “Olympe” do Rio de Janeiro, originário de uma família de chefs consagrados mundialmente, comparece com um tartare de atum e surubim defumado.

Todos eles já circularam pelas ruas de Belém e participaram de edições anteriores, ou até em todas elas, e conhecem muito bem nossas características. Em seus cardápios constam elementos originários do Pará, principalmente no “D.O.M.”

Como sempre, o “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” contibui para irradiar esse nosso importante valor cultural, atração turística de valor extraordinário. Desta vez é o programa de televisão “Menu Confiança”, que Troisgros apresenta no GNT, que senta praça na cidade e vai mostrar tudo sobre nossa melhor cozinha e os produtos que a integram, naturalíssimos, porque originários da floresta.

Cumpre assim este festival o objetivo traçado pelo seu criador. Até independentemente da presença, momentânea, do criador, a criatura engrandece o nosso Estado, enche de orgulho e deve funcionar como exemplo para aqueles que acreditam na capacidade criativa e empreendedora de nossa gente.



Escrito por Fernando Jares às 16h41
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ROSCA DE BELÉM É CAMPEÃ

ROSCA REPRESENTA O PARÁ EM COPA NACIONAL


Rosca de Bacuri é campeã regional.

Na próxima semana um padeiro paraense defende a região na 3ª Copa Bunge de Panificação e Confeitaria, em São Paulo, no setor Panificação. O nome dele é Adilson Pereira dos Santos e conquistou o posto na etapa realizada em Fortaleza, com a “Rosca de Bacuri”, que ele produz na Panificadora Umarizal, ali na 14 de março. O nosso Estado ficou também com o segundo lugar nesse segmento com o “Folhado de Banana e Cupuaçu”, de Ronald Nascimento Mota, da panificadora Buon Grano, e ainda mais com o terceiro lugar na categoria Confeitaria com o “Bolo Carimbó”, da confeiteira Maria de Lourdes Mendes Coelho, da panificadora Santa Rita.

A Copa é um concurso nacional, promovido pela Bunge, em parceria com a Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria), que visa revelar as melhores receitas de pães e doces do país e esta regional teve a participação de 10 padeiros dos Estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá, Roraima e Amazonas. Na grande final nacional os vencedores levam um caminhão repleto de móveis e eletrodomésticos para equipar a casa, enquanto a padaria e confeitaria campeãs faturam uma reforma em seus estabelecimentos.

ROSCA DE BACURI – Fui lá na Umarizal experimentar a tal rosca campeã, que está na foto aí em cima. Esta panificadora tem uns doces e salgadinhos muito gostosos e um pão de muito boa qualidade. Embora o meu pão preferido pelas ruas de Belém continue a ser o da Bijou, que até já foi motivo de um post neste blog, que você pode ler clicando aqui.

Mas voltando a esta rosca premiada: a massa era bem leve, fácil de cortar. Mas a distribuição do doce de bacuri não estava bem feita, concentrada em uns dois ou três lugares. Na maioria das fatias, nada do doce que, diga-se, era muito gostoso, quando encontrado na feliz fatia. Na cobertura, uma leve pincelada de uma calda de bacuri com castanha torrada e bem moidinha, fazia um bom "acabamento". No mesmo dia comprei lá uns muffins com queijo cuia que estavam sensacionais. Acho que não tive sorte com a rosca... mas também acho que isso não pode acontecer e torço para que não ocorra na final em São Paulo.



Escrito por Fernando Jares às 06h31
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CASAIS CATÓLICOS EM ENCONTRO NACIONAL

Cerca de 60 casais católicos paraenses estão em Florianópolis nestes dias de frio e chuva, participando do encontro brasileiro de um movimento internacional pela espiritualidade conjugal, denominado Equipes de Nossa Senhora. Aberto na noite desta quinta-feira, reúne cerca de 2.200 casais que representam os 25 Estados em que o movimento está presente. No Brasil participam das ENS quase 20 mil casais. Ao todo, são mais de 5 mil pessoas, lotando o centro de convenções da capital de Santa Catarina. Rita e eu participamos deste Encontro.

Fundado há 70 anos por casais franceses, sob a liderança do padre Henry Caffarel, está hoje espalhado em 73 países, em permanente expansão – inclusive pelas ruas de Belém e de outras cidades paraenses. O Brasil tem o maior contingente de “equipistas” do mundo, já tendo superado a França.

Na solenidade de abertura, udo muito bonito e bem cuidado, estavam presentes, além desses 5 mil participantes, altas autoridades, desde o governador do Estado, o prefeito, o Núncio Apostólico, d Lourenço Baldisseri (quase pergunto a ele se o Papa Bento XVI já deu alguma pista sobre quem será nosso novo arcebispo...), o Arcebispo Metropolitano de Florianópolis, de Manaus e bispos de muitas localidades, mais um contingente de mais de 200 padres, de todo o país – conselheiros espirituais dessas equipes de casais.

Sobre as Equipes de Nossa Senhora fiz um post a quando da passagem de seus 70 anos, que você pode ler clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 06h29
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A PRESENÇA DE BELÉM NA FLIP

BELÉM FOI SUCESSO NA FLIP

A recente participação do escritor português António Lobo Antunes na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) teve grande repercussão no Brasil e lá fora, especialmente em Portugal, onde ganhou destaque na mídia.

O bom disso é que Belém foi junto, pelo que ele falou sobre nossa cidade e o tempo em que seus antepassados viveram cá, pelas ruas de Belém.

Infelizmente andamos sem esquema de promoção para nossos autores em nível nacional e somos ausentes nesses eventos. Manaus este anos emplacou o excelente Milton Hatoum (de quem, pelo menos, Luiz Braga tem ilustrado alguns de seus livros...) conversando com a grande estrela do ano, Chico Buarque e seu “Leite Derramado”.

Mas voltando ao Lobo Antunes, quero registrar esse sucesso e, para tal, vou buscar um trecho de crônica do jornalista Elias Ribeiro Pinto, no Diário do Pará, em que ele, que estava lá na FLIP, nos conta essa bela história e lança uma idéia, que o avô de Lobo Antunes consideraria supimpa, com certeza:

“BELÉM, SUCESSO NA FLIP

Belém foi muito bem representada na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Calma, não é que tenha me faltado a modéstia. Não estou, claro, fazendo uma autorreferência, no caso, à minha presença no encontro. Belém fez bonito na palestra do escritor português António Lobo Antunes, que teve uma mesa, só para ele, intitulada "Viver é preciso", no sábado passado. Antes, para quem não o conheça, deixem-me apresenta-lo. Vencedor do prêmio Camões em 2007, António Lobo Antunes (1942, Lisboa, Portugal) é tido, por muitos, como o maior escritor lusitano após Eça de Queiroz. O caráter autobiográfico é um marco na sua obra. Em janeiro de 1971, aos 28 anos, recém-formado em medicina, partiu com a tropa portuguesa para Angola, onde iniciou uma "viagem apocalíptica" de 2 mil quilômetros até o posto militar, próximo à fronteira com a Zâmbia. A experiência de servir em Angola (onde permaneceu até 1973) durante a guerra colonial portuguesa aparece em "Memória de Elefante" (1979), seu livro de estreia, "Os Cus de Judas" (1979), "Conhecimento do Inferno" e outros. Lobo Antunes é famoso pela escrita sofisticada, com uso de narrativa não-linear e de múltiplos narradores, assim como pelo tom pessimista com relação ao progresso político-social de seu país. Após 23 livros, entre romances e volumes de crônicas, lançou "Meu Nome É Legião" (2007), ficção baseada na criminalidade juvenil entre descendentes de africanos da periferia de Lisboa. Esta foi a segunda viagem do escritor ao Brasil, onde esteve há mais de 20 anos. Tido como irascível, amargo e intimidador, Antunes parecia confirmar esses "predicados" ao, aparentemente, ignorar a presença do entrevistador da mesa, o jornalista e escritor mineiro Humberto Werneck, que lhe fazia a apresentação. Mas tudo não passava de jogo de cena, como que para corresponder à figura de maus-bofes pintada pela imprensa. Disse que, para ele, o Brasil não era exatamente um país, como Alemanha, França e outros, mas sim uma reunião de cheiros, uma maneira de falar e de viver, uma afetividade latente. Explicou então que devia essa visão do país, mais um sentir, um sentimento, que uma vivência, à figura de seu adorado avô, que por muitos anos, disse, viveu em Belém. E entremeou as lembranças do avô, que, para Antunes, personificava Belém, durante toda a sua conversa com Werneck e com o público. Acrescentou que passara a noite anterior encantado com o livro que Werneck escreveu e lhe passara um dia antes, a biografia do compositor Jayme Ovalle. Este livro, "O Santo Sujo", descreve, em seu capítulo inicial, a vida em Belém no princípio do século XX. Ovalle nasceu na capital paraense, de onde partiu para o Rio de Janeiro e daí para o mundo. O escritor português se disse maravilhado ao ler sobre aquela Belém que o seu avô encarnara.

Com essas e outras confissões ­ numa palestra recheada de tiradas e achados ­, António Lobo Antunes conquistou a plateia e acabou por ser o escritor mais aplaudido da Flip. Dizem que ele não suporta José Saramago (o vice-versa também seria verdadeiro), e Antunes não se empenha nem um pouco em desmentir essa antipatia. Daí, garantem, a origem de uma espécie de ressentimento em relação ao Brasil, que parece preferir Saramago, tantas vezes convidado para vir ao país. Ao final de sua fala em Paraty, ovacionado de pé pelos presentes, Lobo Antunes e o Brasil parecem ter feito as pazes. Recomendaria à organização da feira do livro de Belém convidá-lo, no embalo desse clima afetivo.

Veja aqui o que disse o jornal português Público, de Lisboa, sobre este evento.



Escrito por Fernando Jares às 16h47
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GLOBALIZAÇÃO NA FLORESTA

UMA BARBIE INDÍGENA, NA VISÃO MULTINACIONAL

Uma índia estilizada, cocar com penachos e tatuagens imitando desenho marajoara nos braços e nas pernas. É assim a Barbie Amazônia, que está sendo lançada no Brasil neste dia 15 de julho. Tiragem limitada a 5.000 exemplares, destina-se, principalmente, a colecionadores de bonecas em todo o mundo.

Ela foi apresentada em um evento sofisticado em 30 de junho e neste final de semana quem participou da II Convenção de Colecionadores de Barbie no Brasil ganhou uma, oferta da Mattel. Logo, logo circulará pelas ruas de Belém. Já falei aqui sobre essa Convenção.

Para conhecer a boneca, dê um pulo ao site da Mattel (fabricante) para colecionadores e use o cursor sobre a foto, como uma lupa, para ver os detalhes.

A novidade já provoca polêmica, obviamente, e uma boa sugestão, no Blog do Jeso, é de que a Mattel poderia reverter os ganhos com a poderosa marca Amazônia, para projetos de preservação de nossa região. Acho que para a Mattel poderia ser uma boa idéia.

O vizinho Amazonas, que não é bobo, já está faturando prestígio com a novidade, veja aqui. Eles não deixam a oportunidade passar. Qualquer hora, o governador paraense de lá vai homenagear a boneca com o título de Amiga da Floresta ou algo semelhante...

Sobre o lance de colecionadores, quem for a São Paulo ainda este mês pode visitar o Museu Encantado Barbie, no Shopping Cidade Jardim, que conta a história dos 50 anos da boneca de maior sucesso do mundo. Veja como é essa expo, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 00h20
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DIA INTERNACIONAL DO HOMEM?

SIM SENHOR, VAMOS FESTEJAR NOSSA DATA!

Hoje é o Dia Internacional do Homem. A data ainda é pouco conhecida aqui no Brasil, mas em outros países já ganha um bom destaque. É pouco conhecida porque, ao que se sabe, foi comemorada pela primeira vez em Trinidad-Tobago, em 1999, mas no dia 19 de novembro, data também adotada nos Estados Unidos. Este dia teria sido escolhido por ser aquele em que Abraham Lincoln fez um famoso discurso sobre o heroísmo dos homens que foram mortos por seus ideais na Guerra Civil Americana.

A ideia original teria sido do antigo primeiro-ministro da URSS, Mikhail Gorbachev, apoiado pelas Nações Unidas.

No Brasil a data foi fixada em 15 de julho, não sei exatamente por qual motivo. Mas existe. Acho que é porque é no dia seguinte a Queda da Bastilha, onde os homens, via Revolução Francesa, tanto mudaram o comportamento... dos próprios homens. Há uns tantos anos ela foi identificada por um colega (Alfredo Miranda) em uma agenda Pombo e, no ano seguinte, começamos a festejar a data na Albras, uma empresa onde o percentual masculino – pelas características operacionais de seu processo produtivo – é superior a 90%. Portanto, nada mais justo. Não lembro quando isso aconteceu pela primeira vez, mas seguramente já lá vão mais de 10 anos. E não foi diferente hoje, quando aos homens foi até dedicada uma publicação interna da empresa (Informativo Vida Saudável), sobre os cuidados que eles devem ter com a saúde, especialmente nesta época do ano, de muito sol e calor.

Foi desse informativo que pesquei este trecho:

“Esta data não se limita a um evento isolado, sendo, pelo contrário, uma expressão que envolve aprendizados de diferentes ordens e que integra o processo do que é hoje “ser homem” e qual a sua contribuição positiva sobre a comunidade que o cerca.

“Durante muitos anos os homens eram vistos apenas com a visão do patriarca, do provedor do sustento de sua família, e a mulher era a cuidadora do lar e dos filhos, no entanto, tanto o Dia Internacional da Mulher como também o Dia Internacional do Homem combatem esses papéis e promovem a igualdade dos gêneros”, explica a psicóloga do programa Vida Saudável, Ana Brito. Ela detalha que se tem visto novas imagens se construindo, fazendo mudanças que estão se consolidando cada dia mais em nossa sociedade atual. A saúde masculina também é um dos principais temas promovidos pela data. “Neste dia vamos todos reconhecer e celebrar a essas pessoas tão importantes em nossas vidas, principalmente incentivando uma Vida mais Saudável para todos”, frisou.

Quando grifei lá em cima que a data ainda é pouco conhecida é porque isso começa a mudar. O varejo nos descobriu! E o perfumista O Boticário decidiu atacar forte, usando preferencialmente o marketing viral (que vem a ser utilizar meios de comunicação digital para a divulgação de produtos). Eles até fizeram um remake no perfume Dimitri, agora Dimitri Revolution, especial para a data.

Veja só a beleza de filme que o Boticário produziu, para distribuição em mídia alternativa, sobre o Dia Internacional do Homem. Clique aqui.

E aqui, uma versão comercial, de 30 segundos.

Agora é partir pro abraço, festejar o nosso dia (he, he, he),mesmo estando eu aqui em Florianópolis, com a temperatura despencando neste final de tarde.



Escrito por Fernando Jares às 17h49
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EM VIAGEM

Até o fim da semana estarei em viagem pelo sul, trocando o verão torrante destes dias em Belém pelo inverno ultra frio do outro extremo do país. Tomara que, nesta mudança radical de clima, eu não encontre um suíno voador por lá... Uma agenda cheia pode prejudicar a frequencia diária de nosso encontro. Vou tentar manter o ritmo.

Bom dia. Rezemos pelo Juvêncio.



Escrito por Fernando Jares às 00h08
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BLOGOSFERA PARAENSE DE LUTO!

 

Estava escrevendo meu post de hoje quando o Twitter piscou aqui no cantinho direito, com a mensagem que não gostaria de ver, com a violência dos monstrengos que aterrorizavam os corajosos dos mares no passado:

Tristeza demais. O jornalismo sério e comprometido com a Amazônia perde uma de suas principais vozes.” - Helena Palmquist.

“O maior blogueiro do Pará acaba de falecer. Adeus Juvêncio, a blogosfera sem você não será a mesma coisa.” - Pedro Loureiro de Bragança (pedrox)

Transcrevo o blog Espaço Aberto:

“Adeus Juca!

Juvêncio de Arruda Câmara, 54 anos de idade, economista, cientista político e publicitário e editor de blog Quinta Emenda, nos deixou.

Juca faleceu há pouco, por volta das 14h15, no Hospital Porto Dias, onde estava internado desde a última sexta-feira.

O falecimento foi, infelizmente, confirmado há pouco por Ângela, uma de suas irmãs.

O corpo, segundo ela, será levado até o final da tarde para a capela mortuária da Beneficente Portuguesa.

O sepultamento será amanhã, no cemitério de Santa Izabel, em horário a ser confirmado.”

Acompanhei, de leitura diária, seu trabalho importantíssimo para a informação séria no Pará, no Quinta Emenda.

Trabalhei anos com a Ângela, na Mendes Publicidade, onde ela começou como redatora. Depois, em algum tempo, ainda acompanhei sua carreira em São Luís. Depois, perdemos contato.

Do Juca, pelo que fez de importante para a sociedade e para os seus contemporâneos, ficará a lembrança e, nos que crêem, a certeza de que Deus já o recebeu. Deus é bom com os que são bons.

Aos que ficam sem ele, que sejamos consolados por termos tido o privilégio de conviver com um homem e um profissional do mais alto nível, que orgulha a sua geração.

 



Escrito por Fernando Jares às 15h55
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BARBIE DE BELÉM PARA SÃO PAULO

Neste final de semana acontece em São Paulo a II Convenção de Colecionadores de Barbie no Brasil, reunindo centenas de especialistas em bonecas Barbie Colecionáveis, um modelo muito mais sofisticado do que esses que vemos nas mãos da meninada, brincando de casinha. Elas vestem figurinos históricos, de personagens famosas, têm figurinos de griffe, onde até grandes nomes da alta costura fazem questão de assinar, tiragens limitadas, etc. O encontro, que é realização da Mattel, com apoio do Senac, comemora os 50 anos de lançamento desta boneca.

Pois não é que tem lá participante que circula pelas ruas de Belém? Não apenas no evento, mas atuando até em mesa-redonda. É a Bruna Guerreiro, titular do blog “Saco Laranja”, especializado em bonecas colecionáveis de todo o mundo, cuja sede é aqui mesmo em Belém. Mantendo o blog já há seis anos, informando de um tudo sobre este segmento que não para de crescer, é hoje referência nacional na especialidade. Por isso o convite para participar da mesa-redonda “O fascínio de Barbie”, que tem como atração principal o maior especialista no assunto no país, Carlos Keffer e provavelmente o maior colecionador nacional. Ela, que entende muito destas e de outras bonecas colecionáveis, e que gosta de falar – e de escrever – sobre elas, vai bombar amanhã na Convenção, divertindo-se muito, com certeza. Até porque é filhota... desculpem a imodéstia.

Pra quem não conhece a magia destas bonecas, sugiro um passeio pelo “Saco Laranja”. Vale rolar a tela. Tem não apenas Barbies, mas outras colecionáveis, verdadeiras obras de arte.



Escrito por Fernando Jares às 17h56
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A HISTÓRIA DO ARROZ DE JAMBU

O DIA EM QUE JAMBU SEPAROU-SE DO TUCUPI

 

 

Hoje todo mundo faz arroz de jambu, em casa, nos restaurantes, nas lanchonetes. Mas houve tempo, e recente, em que não havia arroz de jambu. Arroz era arroz, jambu era jambu. Aliás, o jambu era para andar com o tucupi, casamento sólido, vanguardeiro dos relacionamentos homoafetivos. Apareciam no tacacá, no pato no tucupi, numa saidinha, o jambu enfeitava o caruru, mas podia ir parando por aí. Alguém arriscava um leitão no tucupi ou o camarão (como o “Camarão à Didi”, do Lá em Casa, que homenageava o jornalista Edwaldo Martins).

Nesta sexta de gastronomia, vamos conhecer a história do Arroz de Jambu, assim com letras maiúsculas, nome próprio de um prato com certidão de nascimento e pai definido e assumido. E contada pelo seu próprio criador, o chef Paulo Martins. Vai, inclusive, a receita, explicada por ele mesmo. Atenção que para fazer arroz de jambu não é só misturar arroz com jambu, como tem gente fazendo por aí – e produzindo um negócio não gostoso.

A questão da propriedade autoral na gastronomia é ainda um pouco insegura, mas já há formas de impor esse direito. Ainda vou tratar do assunto neste espaço.

Por hoje, reproduzo a seguir o texto que o próprio Paulo escreveu para o jornal Gazeta Mercantil, publicado há exatos nove anos e quatro dias, em um 6 de julho de 2000. Com certeza o verão naquele ano foi mais gostoso, com a solidária distribuição (e execução) desta receita:

 “Arquiteto de formação, cozinheiro por opção, desde muito cedo convivi com as panelas. D. Anna, minha mãe, de família tradicional, mas não muito abastada, logo após o casamento começou a trabalhar, fazendo salgados e docinhos para ajudar na renda familiar. Cresci ajudando D. Anna - é bem verdade que ao lado das panelas e não mexendo com elas. Minha ajuda era na feitura das caxetas e na arrumação dos tabuleiros, onde salgados e docinhos eram entregues.

Minha curiosidade e imaginação fértil me levaram a fazer arquitetura. Eu não queria ser somente um construtor, tinha necessidade de criar, imaginar novas formas, fazer diferente. O convívio com as panelas e a atração pela vida noturna, desde o inicio da faculdade, me levaram a pensar em ter um bar, alguma coisa ligada à noite.

Minha casa não era rica, mas sempre farta. Meu grupo de estudo usava os porões do casarão da "São Jerônimo" e toda vez que dava, bicava a comidinha caseira que D. Anna preparava.

Tive escritório de projetos com outros colegas arquitetos desde o 3° ano da faculdade, fui presidente de órgão de planejamento, montei construtora, e criei, sem me dedicar muito, em 1972, no grande porão onde estudávamos, o "Lá em Casa", que eu administrava e D. Anna, magistralmente, toca até hoje. O "Lá em Casa" foi a brincadeira de um sonho que virou negócio.

Em 78, me desiludi com os desmandos da vida pública e optei por tocar meus negócios, onde eu não teria patrão e nem "chefe". Eu seria, como sou hoje, o "Chef". Criar é a meta dos bons arquitetos, como é a dos grandes "Chefs". O processo de criação é o mesmo: imaginação e muita transpiração. Na culinária, como ern qualquer outra atividade, não tem fórmula mágica nem inspiração divina.

A cozinha paraense, da qual me orgulho de ser um dos grandes divulgadores, é sem dúvida alguma a mais brasileira de todas por ter seus elementos básicos originários da cultura indígena.

Quando me dediquei quase exclusivamente ao restaurante senti a necessidade de continuar criando. Passei então a estudar e a pesquisar os nossos sabores. Ao jambu, que era usado somente como o companheiro inseparável do tucupi, dei a ele, na minha cozinha, destaque e passei a usá-lo como um alimento e não só como acompanhamento. O arroz de jambu, que hoje já faz parte de muitos cardápios e pratos da nossa culinária, foi criado por nós e tem uma "história" gostosa.

No Lá em Casa tinha um prato que era o bacalhau com arroz de brócolis. Certa noite, um jornalista amigo nosso, acompanhado de muitos amigos, veio jantar e pediu para todos o bacalhau. Pedido feito, pânico na cozinha: não havia chegado brócolis a Belém. O que fazer? Só me restou, inventar, criar algo para sair daquela situação. O nosso amigo adorava bacalhau e nunca comia o arroz. O jambu, levemente cozido, escorrendo em uma peneira, aos meus olhos saltou como folhas mais tenras do melhor brócolis. Mãos à obra: jambu cortadinho ao alho e óleo com um pouco de cebola bem miudinha, azeite de primeira e aquele arroz. Criava-se assim, o arroz de jambu. O bacalhau à R.M. e arroz de jambu são sucessos até hoje.

(*) Proprietário e Chef do Restaurante "Lá em Casa"/0 Outro" em Belém

 Arroz de jambu

Ingredientes:

  Arroz.................................400 gramas

• Jambu.....................................4 maços

• Alho.................................... ....2 dentes

• Cebola pequena..........................l und.

• Azeite de oliva.......................... 150 ml

• Manteiga..............................3 colheres

• Sal............................................a gosto

Modo de preparar:

Catar o jambu, separando as folhas com os talos mais tenros. Lavar em água corrente.

Em panela com água fervente e sal a gosto, escaldar levemente. Escorrer e reservar o jambu e a água do cozimento.

Picar os dentes de alho e a cebola em pedaços miudinhos.

Fazer o arroz com parte do azeite, do alho, da cebola e parte da água em que foi cozido o jambu.

Quando ficar pronto, acrescentar a manteiga para que o arroz fique bem solto.

Em uma frigideira grande, com o restante do azeite quente, fritar o alho e a cebola até dourar, puxar o jambu e acrescentar o arroz. Corrigir o sal.



Escrito por Fernando Jares às 17h04
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MANO, OLHE A VIGIA NA TEVÊ

PARA CONHECER AS BANDAS DA VIGIA DE NAZARETH


 A primeira vez que vi a Igreja de Pedra, estava detonada.
Agora está toda bonitinha e aparece assim na televisão.

Vigie só, mano, a Vigia tá na tevê! Justo e muito certo: a quase quadricentenária cidade de Vigia de Nazareth, logo ali, pertinho, mas que muita gente daqui nem conhece, vai ser mostrada nacionalmente em um documentário premiado pelo DOCTV - Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro.

Trata-se do “Saudades de Minha Terra”, que conta a história das duas grandes bandas musicais vigienses, a “31 de agosto”, fundada em 1876, e a “União Vigiense”, fundada em 1916. Atuais e ex-integrantes das duas instituições participam com depoimentos que possibilitam traçar a história das bandas e sua relação com a própria identidade do município. Quem, ouvindo falar de “Banda 31 de agosto”, por exemplo, não lembra de Vigia?

Entre 12 e 18 de julho o documentário estará sendo visto em todo o país, nas emissoras ligadas à rede DOCTV, que premiou o documentário.

Pelas ruas de Belém ele será visto na TV Cultura no dia 16/07, quinta-feira próxima, às 23h, com reprise no domingo, 19/07, às 22h. Os horários são meio avançados e bem que a TV Cultura poderia criar outros, que atingissem mais facilmente jovens, estudantes, para conhecimento do imenso patrimônio cultural que é a vizinha Vigia de Nazareth.

Um personagem revive o compositor vigiense Isidoro de Castro que, provavelmente em Cametá, no final do século XIX, compõe a música “Saudades de Minha Terra”, o que serve de linha condutora ao programa.

As imagens foram captadas em Vigia, de agosto de 2008 a janeiro deste ano e movimentam 15 entrevistados, quatro personagens, 38 figurantes e mais de 100 músicos. Cenas de época foram criadas, seja para esse compositor, seja, por exemplo, para a procissão do Senhor Morto, que foi gravada em janeiro, mas na verdade acontece na Semana Santa. Ao todo, quase 200 pessoas foram movimentadas para esta realização.

Com 52 minutos de duração, o argumento é do jornalista vigiense Nélio Palheta, o roteiro de Bernadete Mathias, a direção do Nélio e do Aladim Jr., da TV Norte Independente, que é produtora associada.

A obra que dá título ao documentário é executada no final, pela Vigia Big Band, a caçula das bandas, regida pelo mestre José Vale que é o intérprete do compositor.

Vamos ter a oportunidade de rever a beleza histórica da Vigia. Quem não conhece, não deve perder. E depois, ir lá conhecer pessoalmente. Muitas cenas foram gravadas na Igreja Matriz Madre de Deus e na Capela do Senhor dos Passos, muito conhecida como Igreja de Pedra, já que é toda construída em pedras sobrepostas, sem reboco! Obra do século XVIII, dos jesuítas, com mão-de-obra dos índios.

Nesses dias, vou estar congelando em Floripa, mas vou descobrir o dia em que será possível ver na TV Cultura de SC.



Escrito por Fernando Jares às 17h08
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A RAPIDINHA DE UM PORTUGUÊS EM BELÉM

PREMIER FAZ "VOO RASANTE" EM BELÉM

Na chegada ao aeroporto, o primeiro-ministro de Portugal fala aos jornalistas. Eu estou atrás dele, depois, o governador Alacid Nunes.
Em seguida, Abílio Couceiro, que já foi assunto neste blog (clique aqui), como um dos melhores repórteres de televisão do Pará,
estica o braço com o microfone – ouvindo o visitante para a Rádio Marajoara. Eu cobria a visita para a Rádio Clube do Pará.
Foto de A Província do Pará, 09/07/1969. Eram 5h30 da madrugada!

Pouco mais que um voo rasante. Foi assim a passagem do primeiro-ministro de Portugal por Belém, há exatos 40 anos, em 8 de julho de 1969. O prof. Marcelo Caetano, como era conhecido, era sucessor de Oliveira Salazar, ditador português que ficou no poder entre 1932 e 1968. Marcelo Caetano ficou poucos anos no cargo, apeado pela Revolução dos Cravos, o golpe militar de abril de 1974.

A visita foi mesmo parecida com voo rasante: o premier lusitano chegou às 5h15, em um “gigantesco Boeing 707 da TAP” como registrou o colega de A Província do Pará, na edição do dia seguinte, e embarcou novamente na mesma aeronave, às 7h25. Isso mesmo, 130 minutos. Ou 126 minutos, em cálculo ainda mais rígido do colega da Folha do Norte! Mais rápido do que a comitiva da FIFA que veio avaliar Belém...

Acontece que esta parada foi uma escala, já que a visita oficial do presidente do Conselho de Ministros de Portugal ao Brasil começava por Brasília.

O mandatário luso foi recebido pelas mais altas autoridades locais, à frente o governador Alacid Nunes e o prefeito Stélio Maroja e tomou café ainda no aeroporto. Depois seguiu para um passeio pelas ruas de Belém, estilo visita panorâmica, para ver o Forte do Castelo, os palácios Lauro Sodré e Antonio Lemos, as principais igrejas e casarios coloniais. Houve uma parada no monumento a Pedro Teixeira, ali no início da Presidente Vargas, doação da colônia portuguesa que havia sido inaugurado três anos antes, em 1966, dentro das comemorações dos 350 anos de fundação da cidade. O visitante depositou uma corbeille aos pés da estátua do desbravador e foi homenageado com a medalha dos 350 anos de Belém.

Falando à imprensa (eu estava lá, como repórter da Rádio Clube do Pará), Marcelo Caetano disse da satisfação de fazer sua primeira visita ao Brasil como presidente do Conselho de Ministros e “que esta satisfação é maior ainda por fazê-lo em Belém, a mais lusitana das cidades brasileiras”.

Uma curiosidade, para entender a importância desta visita para as autoridades lusas: a comitiva contava com 59 jornalistas convidados. Outra: o comandante do avião era o coronel João Craveiro Lopes, filho do ex-presidente de Portugal, Francisco Higino Craveiro Lopes, que visitou Belém em junho de 1957, quando cá veio também o jovem João. Mas isto é história para outra vez.

Quando referi acima que a Província publicara a matéria no dia seguinte, assim como também o fez a Folha do Norte, foi porque O Liberal publicou a cobertura da visita ainda no mesmo dia. Justifique-se: o jornal ainda era vespertino, embora já comandado por Romulo Maiorana. A primeira página foi quase inteiramente ocupada por este assunto, com um pequeno boxe sobre um incêndio, ocorrido na madrugada, em uma loja de motores e máquinas, na Castilhos França – que veio a atrapalhar o roteiro da visita das autoridades, desviando-o para a 15 de novembro.

Após o golpe de abril, Marcelo Caetano veio viver no Brasil, onde foi professor na Universidade Gama Filho, pois era jurista, especializado em direito administrativo e história do direito, autor de diversos livros.


 Alacid Nunes apresenta ao premier o monumento a Pedro Teixeira,
aparecendo ainda Abílio Couceiro e o prefeito Stelio Maroja.
Eu estou aqui na ponta esquerda, a postos com meu gravador Phillips (quase pré-histórico, aquele tijolo branco, embaixo...).
Foto na Folha do Norte, 09/07/1969.

 O primeiro-ministro ladeado por Walter Guimarães (O Liberal) e Abílio Couceiro (Marajoara).
Eu (Clube) estou de sombra, atrás do premier, tendo ao lado o governador Alacid Nunes.
Foto em O Liberal, 08/07/1969.



Escrito por Fernando Jares às 16h55
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A BÍBLIA, A SEVERA E O MACHADO

DA BÍBLIA MILENAR AO INTELECTUAL PARAENSE CENTENÁRIO

Uma bíblia com mais de 1.600 anos, considerada a mais antiga do mundo, agora está disponível, em grande parte, na internet. Isso é fantástico. Qualquer pessoa pode acessar o precioso documento que, antes, era privilégio das pessoas que podiam ir a um dos museus onde estava uma parte do livro.

Segundo o G1, “Por 1,5 mil anos, o manuscrito ficou preservado em um mosteiro na Península do Sinai, no Egito. Em 1844, ele foi encontrado e dividido entre Egito, Rússia, Alemanha e Grã-Bretanha.” (texto completo, aqui).

Agora, juntaram as partes e colocaram o texto restaurado disponível no site Codex Siniaticus. Para acessar, basta clicar aqui. O milenar livro foi não apenas digitalizado, mas também transcrito, para que todos possam entender, mais facilmente, o que lá está escrito.

Essa notícia entra aqui porque me lembrou duas histórias interessantes.

A primeira é que algo semelhante acaba de ser feito aqui mesmo em Belém. Um documento quase centenário, o processo do assassinato de Severa Romana, foi integralmente digitalizado e também transcrito (digitado) pelo Centro de Memória da Amazônia e está disponível para qualquer pessoa consultar. Foi um trabalho cuidadoso, paciente, que Amanda Cristina, do CMA, realizou ao longo de sete meses, mergulhando em cada página, em cada personagem. O resultado, além do produto disponível no site do CMA, foi motivo para uma palestra feita por ela em recente seminário sobre Severa Romana. O link direto para o processo transcrito está aqui. Aí você pode também fazer um passeio pelas ruas de Belém dos tempos de Severa Romana, em fotos muito bem cuidadas.

A segunda história, que lembrei, a partir da tal divisão da bíblia milenar, eu a ouvi da professora Célia Bassalo, em recente evento literário na UFPA, sobre seu pai, o escritor, leitor, tradutor, homem de letras, Machado Coelho, que neste 2009 completa centenário de nascido. Dono de uma fantástica biblioteca, cuidava de cada livro como se fora único, insubstituível (eu sempre gostei dele e, ao saber este pormenor, esta afinidade, fiquei mais fã ainda...). Certo dia ia Machado Coelho no bonde, pelas ruas de Belém, lendo atentamente um livro novo. Senta-se a seu lado um conhecido que comenta sobre o livro e interessa-se por ele. Machado Coelho diz então que, emprestaria o livro, após a sua leitura, obviamente. O conhecido pede então o livro e diz algo assim: “vamos dividir o livro e eu começo a ler logo”, rasgando-o ao meio, separando as páginas já lidas, com as quais ficou, e devolvendo as ainda não lidas ao atônito Machado Coelho. Que desceu na parada seguinte e foi a uma livraria comprar um livro novo!

Encontrei um artigo de Machado Coelho, publicado em A Província do Pará, em 1976, no blog Haroldo Baleixe. É sobre o patrimônio cultural de Belém, chegando até ao hoje quase destruído palacete Faciola, em possível restauração. Vale a leitura!  Está aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h11
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UM CARRO PARA DOIS

O NOVO FORTWO JÁ ANDA CÁ

 

Lançado no Brasil há uns dois meses e com apenas uma revenda no país, em São Paulo, o smart fortwo já circula pelas ruas de Belém. Não sei se há mais, mas um eu fotografei, noite destas, em frente ao palácio Antonio Lemos, na praça D. Pedro II. Vermelho com detalhes em preto, como na foto acima – a luz era muito pouca no local, mas deu para aplicar um trato e ficou assim. Para compensar, tem uma foto oficial do carrinho, lá embaixo.

O smart fortwo (é assim que se escreve, tudo minúsculo, para passar a idéia de que é mesmo pequeno) é um compacto tipicamente urbano, para duas pessoas, como o nome indica, marca da Mercedes-Benz, que faz muito sucesso, já há tempos na Europa. No começo do ano passado ganhou os Estados Unidos e o sobrenome fortwo, pois antes era apenas smart City-Coupé. Conheci-o na Europa, em 2006, presença em todo canto. Gostei dele e trouxe... uma miniatura, que comprei em Roma.

O que está sendo comercializado no Brasil é importado da França, tem motor traseiro, de 999cm³, velocidade máxima de 145km/h, câmbio automático, freios ABS, airbags, controle de estabilidade, ar condicionado, CD, etc. e custa em torno de R$ 60 mil. Na Europa anda ao redor dos 11 mil euros. Usados em Portugal, há muitos na faixa de 7 a 9 mil euros.

O nome é uma combinação de Swatch (isso mesmo, dos relógios, pois é criação de Nicolas Hayek, que concebeu os Swatch), Mercedes e “art”.

Conheça o smart fortwo diretamente na revenda, clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h55
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SACRABALA EM NOVOS TERRITÓRIOS

O ÔNIBUS QUE VIROU MÚSICA

Um texto legal abriu matéria sobre mudanças na linha de ônibus mais famosa de Belém, dos conhecidos Sacrabala, ops, Sacramenta-Nazaré, em O Liberal, nesta sexta. Tão pelas ruas de Belém... que decidi transcrever esse trecho. Pena que não esteja assinada, para saber quem a escreveu. Veja só:

Rodando pelas ruas de Belém desde a década de 1970, a linha de ônibus Sacramenta-Nazaré faz parte de muitas histórias da cidade. Difícil achar entre os que dependem ou já dependeram do transporte público coletivo quem não tenha atravessado parte da travessa 14 de março a bordo de um Sacramenta - ou 'sacrabala', como tornou-se conhecido graças, segundo a lenda, à velocidade com que passava pelas paradas de ônibus. Em sua homenagem, Almirzinho Gabriel compôs uma música homônima. Os versos exageram: 'O lance é que esse bonde passa perto de qualquer lugar'. A partir de amanhã, no entanto, o exagero poético volta a ganhar corpo. A linha Sacramenta-Nazaré ampliará seu trajeto e passará também pela avenida Pedro Álvares Cabral e pela travessa Alferes Costa.

Quem quiser ler o texto integral, basta clicar aqui.

E, para festejar o final se semana, vamos ouvir a conhecida criação de Almirzinho Gabiel, um canto às linhas de ônibus que circulam pelas ruas de Belém, na voz de Mahrco Monteiro e Lucinnha Bastos, como está no BregaPop, o site que tem as nossas músicas. Clique aqui.

Para acompanhar, a letra de “Sacramenta Nazaré” está aqui.



Escrito por Fernando Jares às 23h25
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DO COMER DECENTE EM FORTALEZA

Conjunto da obra: nas laterais, o feijão verde, no centro, a carne de sol.

Sexta-feira destas contei aqui sobre um requintado restaurante de Fortaleza, o Camarões/Beira Mar. Hoje vou falar de outro restaurante muito bom da capital cearense, onde estive há poucas semanas, até para atender leitor novo por aqui: é o “Docentes e Decentes”. Muito bom. É numa linha mais popular, bem simples, mas muito conhecido e tradicional na cidade. Você encontra lá um tal “Feijão Verde à Docentes e Decentes” que, pelo menos para a Rita e para mim, tornou hoje impossível ir a Fortaleza e não pintar por lá. Sem implicações heréticas: é divino! Dizem os bons frequentadores de restaurantes que o prato que leva o nome da casa é meio caminho andado para ser o melhor, por motivos óbvios. Concordo – e, neste caso, confirma-se a regra sem necessidade de exceção.

O feijão verde, sempre muito fresquinho, vem em uma terrina de barro, borbulhante, em creme de leite, queijo coalho em cubos, charque, legumes, salsa, cebolinha e os temperos adequados, segredo da cozinha.

Acompanhamos com uma “Carne de sol à Docentes”, que é uma segunda confirmação à regra sobre o nome da casa etc. Recomendação do garçom. Ela vem acompanhada de baião de dois, macaxeira frita, paçoca (mas fazem muito bem esta paçoca!) e banana à milanesa.

Como é restaurante aberto para a rua (Santos Dumont) a cerveja, bem gelada, é servida em uns copos de corpo baixinho, para não esquentar com o vento. Gostei disso, com minha mania de cerveja sempre bem gelada.

Conheci um blog italiano, o Conosciamo Fortaleza, de um apaixonado pela cidade (e por uma cearense...) que afirma sobre este restaurante: “Garantisco: una delizia”. Aproveite para dar uma olhada em outras dicas culinárias desse italiano sobre a terra de Iracema no “Piccola guida culinária di Fortaleza”.



Escrito por Fernando Jares às 17h16
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PULANDO N’ÁGUA NO SHOPPING


Maior sol pelas ruas de Belém, megacalor do verãozão que está chegando, entro no shopping Pátio Belém e dou de cara com uma piscinona ali naquela arena do piso térreo. Bolas gigantes flutuando na água, com gente dentro! Eu também quero!

Miragem?

Avancei e encarei a realidade: uma grande instalação, "Fantastic Ball", informam as atendentes. É o que você vê na foto aí em cima. Duas grandes bolas infláveis, transparentes. Crianças são colocadas em seu interior, as bolas são infladas e, então, jogadas em uma piscina. Aí bate a criatividade da galerinha. Levantam, caem, pulam, algumas conseguem descobrir o ritmo que faz as bolas “andarem” sobre as águas.

A vontade era entrar na brincadeira, mas, prudentemente, procurei uma atendente, para saber qual o limite de peso para entrar nas bolas. 60 quilos ela disse. Ufa, tenho 40 a mais! Fiquei ali, olhando aquela felicidade da molecada, invejando os pequeninos e os magrinhos. Meu amigo Edvaldo, com seus 55 quilinhos, se quiser, pode entrar, recordando-se de quando pulava no rio Tapajós, em dias de calor mocorongo.



Escrito por Fernando Jares às 21h45
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DIA DE SANTA SEVERA ROMANA

SERÁ ESTA UMA SANTA DO PARÁ?

Túmulo de Severa Romana no cemiterio de Santa Isabel. Fiz esta foto domingo passado, 28/06.

“Jovem e pobre criatura que, assediada pela conquista de um celerado, resistiu à sedução e, assim, preferiu morrer às mãos do cruel conquistador a manchar a sua honra de esposa amantíssima, ciosa de seus deveres conjugais”.

É assim que a “santa” popular paraense Severa Romana – cuja data de morte é celebrada hoje, 2 de julho – é descrita pelo escritor Jacques Flores, no livro “Severa Romana (A Mártir Paraense)”. Trata-se da primeira obra que efetivamente estudou este caso, tendo sido lançada em Belém em 1956. Jacques Flores era como assinava seus livros de crônicas e poesias, artigos para revistas e jornais, o paraense Luis Teixeira Gomes (1898-1962). Anteontem conheci a edição original desta obra, com dedicatória do autor a Nazareno Tourinho. A citação feita aí na abertura do texto eu a busquei no livro “Memória do Cotidiano”, volume 1, de Lúcio Flávio Pinto.

Fosse Severa inscrita nos livros dos santos da igreja católica, hoje seria o dia de Santa Severa Romana. Enquanto isso não acontece, o povo usa-a como intermediária na apresentação a Deus de seus pedidos de graças e de agradecimentos, na certeza de que ela, pelo martírio que sofreu, vive nos esplendores da luz perpétua.

Este fenômeno popular está sendo estudado estes dias em Belém, como já noticiado neste blog, em um evento de muito boa qualidade, promovido pelo Centro de Memória da Amazônia.

Os registros sobre Severa são poucos. Além do livro de Jacques Flores, há a peça de Nazareno, que no original é drama em três atos, de que já tratamos anteriormente aqui, e um famoso cordel, de autor e data desconhecidos, possivelmente dos anos 1940, que foi reeditado pela Edufpa para o Museu da UFPA, também sem data, mas com introdução de Vicente Sales e com atualização linguística. E o famoso processo judicial, restaurado, digitalizado e todo digitado, o que facilita enormemente o trabalho dos pesquisadores, até porque está disponível no site do CMA. Não esquecer que o original era manuscrito...

Abaixo veja duas capas do cordel com a “História Completa de Severa Romana”, na versão mais antiga, não sei se a original, com ilustração sem autor identificado. Acho que a comprei pelo final dos anos 1960, com o sr. Oliveira, no Aparador 26, no Mercado de Ferro. No meio daquela imensidão de peixes amazônicos, este Oliveira vendia uma infinidade de folhetos de cordel, pois, além de ter lá quase tudo que se editava em Belém, era representante das maiores editoras do Ceará. Ao lado, a versão mais recente, com ilustração de Marcus Reis de Queiroz.

 

SEMINÁRIO – Prossegue hoje o seminário “A memória de Severa Romana: de mulher a santa popular”, onde o prof. doutor Heraldo Maués conversará sobre a devoção popular na Amazônia (vi um livro dele na livraria NewsTime, sobre este assunto, mas caríssimo!) e apresentação do documentário “Severa Romana” seguida de bate-papo com os diretores Sue Pavão, Rei Helyan e Bio Souza.



Escrito por Fernando Jares às 14h19
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SEVERA ROMANA E O NAZARENO

SEVERA ROMANA DEIXA NAZARENO EM ESTADO DE GRAÇA

O escritor Nazareno Tourinho foi longamente aplaudido ontem, ao encerrar sua palestra sobre Severa Romana, a santa popular paraense, no seminário “A memória de Severa Romana: de mulher a santa popular”, promovido pelo Centro de Memória da Amazônia. Uma platéia jovem – Nazareno e eu éramos os mais velhos, bem distantes do terceiro colocado... – aplaudiu entusiasticamente o escritor que apresentou uma pesquisa riquíssima em fatos e dados, sobre a figura em estudo no evento. Declaração notoriamente emocionada de NT ao final da longa salva de palmas:

- Estou em estado de graça!

Como sempre, competente e irreverente, o autor da peça “Severa Romana” (e outras tantas de sucesso nacional) soube agradar a todos. Foi uma tarde muito boa, da qual vou falar outro dia, ao comentar o encontro. Mas não poderia deixar de registrar este momento. Nazareno tem sido muito esquecido, para o muito que ele já produziu na cultura paraense.

Hoje o seminário prossegue e vamos ouvir a história de Severa Romana cordelizada, por contadores de histórias (ontem publiquei uma quadra deste poema popular) e conhecer trabalhos de pesquisa sobre devoção popular.

Ah, esclarecendo uma dúvida do post de ontem: a data da morte de SR é mesmo 2 de julho, não há a menor dúvida. Foi erro mesmo de quem escreveu que foi em novembro...

Quem quiser saber mais sobre Severa Romana (inclusive conhecer o processo judicial do julgamento do assassino), assim como as ações do Centro de Memória da Amazônia, dê uma passada no site deles. Tem coisas muito legais. Basta clicar aqui.



Escrito por Fernando Jares às 13h26
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A OUTRA GRANDE GRIPE

 

COMO FOI A GRIPE ESPANHOLA NO PARÁ

No início do século passado uma gripe varreu o mundo, entre 1918/1919, no final da 1ª Grande Guerra Mundial. Morreram entre 20 e 40 milhões de pessoas – a diferença é tão gritante porque os controles eram deficientes, mas há pesquisadores que apontam para número até acima desse máximo. Foi a chamada gripe Espanhola, um dos maiores eventos de doença contagiosa da história.

Ela também andou cá, pelas ruas de Belém. Lembro-me de ter ouvido, mais de uma vez, quando criança, a história de um médico amigo da família que, atendendo centenas de doentes, alojados até nos corredores do hospital onde atendia, chegou a um momento tal que, bateu no ombro de um paciente e disse: “por favor, afaste-se um pouco, que chegou a minha hora de deitar, a gripe pegou-me também”. Obviamente, ele escapou... pra contar a história.

Mas muitos morreram, talvez uns mil. Número altíssimo para aquela época.

O historiador Ernesto Cruz (em História do Pará, vol. 2, pág. 793, Univ. do Pará, 1963), registra o relatório de 1919 do governador Lauro Sodré (referente a ocorrências de 1918) onde se afirma que “a epidemia aumentou no mês de novembro e decresceu e extinguiu-se no mês de dezembro, atingindo, nesses três meses a 757 óbitos a cifra da mortalidade”. Números oficiais, portanto, reduzidos a três meses.

Ernesto Cruz descreveu assim a situação da cidade naquela época:

“A gripe tomou conta de Belém. Os jornais de 20 de outubro noticiavam que mais de 3.000 pessoas estavam gripadas. Todos os Hospitais, Casas de saúde, ficaram repletos de doentes. A cidade perdeu sua característica habitual. Tudo era desolação. Sucediam-se os enterramentos, a todas as horas do dia ou da noite. As Farmácias não tinham mais capacidade para atender os doentes. Uma autêntica calamidade pública.”

O mestre pode ter carregado nas cores, até ajudado pela linguagem, geralmente um tanto escandalosa, dos jornais da época neste tipo de assunto, mas a verdade é que a cidade foi bastante atingida.

Lembro de gripes como a Asiática, que derrubou muita gente por aqui, muita falta em aula, etc. Mas a Espanhola foi a campeã, inclusive pela sua alta letalidade.

Naquele 1918, além dos hospitais de isolamento – S. Sebastião e S. Roque – “que foram adaptados a receber doentes acometidos do mal”, diz o mesmo relatório, o governo estadual criou mais um, temporário, “que funcionou no Grupo Escolar ‘Benjamin Constant’ e que, instalado em 11 de novembro, funcionou até 15 de dezembro”. A escola existe até hoje, na Manoel Barata. Segundo o relatório de Lauro Sodré citado por E. Cruz, “nestes hospitais foram admitidos 458 gripados, sendo registrados 90 óbitos”. Comparando com o número de mais de 3 mil doentes, apenas em outubro, o atendimento estatal foi bem fraquinho... a coisa já vem de longe, portanto.

Uma curiosidade: alguns registros apontam que na ilha do Marajó não foi registrado nenhum caso de contaminação da gripe Espanhola.

Neste século XXI esperemos que a nova gripe mundial, que acaba de aportar por aqui, seja melhor controlada e confiemos na sua baixa letalidade, pelo que anunciam e apontam as estatísticas. Sem pessimismos. Fé em Deus e na Severa Romana! Que sejamos marajoaras!

 



Escrito por Fernando Jares às 13h04
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