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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


SANTA POPULAR EM SEMINÁRIO

QUEM É SEVERA ROMANA?

Santa, digna de um dia estar nos altares da igreja católica? Personagem desenvolvida pelo povo, a partir de um fato real, em busca de destacar valores que preza e deseja ver praticados? Produto da mídia iniciante do começo do século XX, que circulava pelas ruas de Belém?

Essas indagações sobre quem é Severa Romana, maranhense, criada no Ceará e assassinada em Belém, em 1900, vão ser discutidas a partir de hoje no seminário “A memória de Severa Romana: de mulher a santa popular” que trabalhará sobre as várias linguagens e interpretações que se tem sobre Severa Romana, por parte de pesquisadores e devotos. Já falei sobre SR neste blog, ao comentar a encenação da peça sobre a vida dela.

Assim registrou sua morte um cordelista desconhecido:

 "Vencera-lhe o monstro a vida
mas a honra não tombou.
Fiel Severa morreu,
ao bruto não se entregou,
o mais sagrado dever
a jovem esposa elevou."

Segundo informa o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA, o evento acontece até o dia 2 de julho no auditório do Salão Transversal do Museu do Estado, promovido pelo Centro de Memória da Amazônia. O tema do Seminário também quer abrir espaço para discussões sobre a violência contra a mulher e a devoção popular.

“A história de Severa desperta muito interesse e curiosidade, por isso o evento não tem apenas o cunho acadêmico, mas quer agregar todas as informações, por meio dos relatos e testemunhos, que se tem sobre essa santa popular”, explica o historiador Otaviano Junior, docente da Faculdade de História da UFPA e diretor do Centro de Memória da Amazônia.

Espero, inclusive, que esclareça a dúvida existente na própria Universidade, sobre o dia da morte de Severa. No site do IFCH, aqui, afirma que é 2 de julho. O site da Imprensa da UFPA, aqui, afirma que é 2 de novembro (como já vi citações em outras fontes). Em ambos os sites está a programação completa.

No túmulo de Severa Romana, onde estive recentemente, está escrito 2 de julho, depois de amanhã. Por sinal este seminário seria exatamente para marcar os 109 anos do assassinato da jovem - e não 108 anos como registram as duas fontes citadas...

Local: Salão Transversal do Museu Histórico do Estado, Palácio Lauro Sodré Praça Dom Pedro II, s/n. Cidade Velha. Belém. PA.

Centro de Memória da Amazônia: Travessa Ruy Barbosa,491, bairro do Reduto, telefone 3252 2843.



Escrito por Fernando Jares às 11h58
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FAFÁ FALA FORTE DE BELÉM

“BELÉM É UMA CIDADE ÚNICA...MAS ESTÁ MUITO ABANDONADA”

 Fafá de Belém botou a boca no trombone e disse umas belas verdades ontem, sobre a cidade que lhe cedeu o nome e que ela ajuda a divulgar, quer alguns queiram ou não: na medida em que é profissional de sucesso, aqui e no exterior, leva de forma positiva (e alegre, principalmente, o que tanto precisamos!) o bom nome da cidade e de quem vive pelas ruas de Belém. Mas ela reclamou da cidade – e está coberta de razão, infelizmente!

Primeiro foi com o bom jornalista Ronaldo Brasiliense, paraense que também passou pela grande escola de A Província do Pará, em sua coluna “Por Dentro”, em O Liberal. Perguntou para a Fafá como ela vê nossa cidade. A resposta merece ser reproduzida:

“Belém é uma cidade única, mas está muito destruída. Belém tem um povo fantástico, um sabor especial, uma graça única, mas está muito abandonada e muito suja. Muitos monumentos nossos foram colocados abaixo, a praça da República está completamente insegura e a praça Batista Campos está cheia de carrocinhas de tudo. A impressão que fica para quem vem de fora é muito ruim.”

Mais adiante ela toca em um ponto importantíssimo: “Aqui em Belém não tem controle, não tem gabarito. Como é que pode em toda a beira do rio ter prédio de 37, 39 andares? Isso não pode! Não pode acabar com a ventilação, mudar o rumo dos ventos...”

A entrevista completa você pode ler no blog do Brasiliense, clicando aqui.

Mas não ficou aí. Na coluna que ela assina na revista Troppo escreveu que “Pará é Paris” e conta a brincadeira que sempre fez, dizendo que no Pará, “nosso verão é em julho”, como em Paris, gozando a cara de cariocas, paulistas, etc. Eu também acredito assim: vocês notaram que agora, no dia 21 de junho, quando a Europa festejava o primeiro dia do verão, foi também nosso primeiro dia inteiramente de sol da presente temporada?

(Ops, estou escrevendo isto e caiu o maior toró! Mas deve ser uma chuva de verão...)

Em sua coluna a nossa cantora maior passa dicas de programas super legais na capital francesa. Mas acontece que ela veio direto de Paris para Belém. Aí, o choque foi inevitável, ao comparar como as autoridades de lá tratam os bens públicos e o que acontece entre nós. Quem não leu na Troppo de ontem, pode ler clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 16h58
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O PAYSANDU ATLÉTICO É CARIOCA

EXISTE UM PAYSANDU DE UM TÍTULO SÓ!

O Paysandu Atlético Clube citado ontem na coluna do jornalista Ancelmo Gois, obviamente nada tem a ver com o Paysandu Sport Clube, de Belém. Esse outro Paysandu é do Rio de Janeiro e disputou o campeonato de futebol, tendo sido o primeiro vice-campeão do Estado, em 1906, quando o certame aconteceu pela primeira vez e teve o Fluminense como vencedor. O Paysandu Atlético foi campeão carioca de 1912, mas ficou nesse título, enquanto seu parceiro no primeiro, o Fluminense, tem hoje 30 títulos, apenas um a menos do que o Flamengo. O Paysandu de muitos torcedores pelas ruas de Belém é o líder em campeonatos estaduais no Pará, com 43 títulos, conforme o jornalista Ferreira da Costa em seu livro “Remo X Paysandu – 700 jogos”, recentemente lançado.

A versão carioca do clube ainda existe e segundo o colunista Ancelmo Gois, ontem, em O Globo/O Liberal, anda em bronca judicial: “a 20ª Câmara Cível do TJ do Rio determinou que o Paysandu Atlético Clube aceite o companheiro do sócio Klas Stefan Martinsson, Washington Carlos Santos Silva, como seu dependente. O clube negara a inscrição por entender que a categoria dependente não incluía casais homoafetivos. Causa ganha pelo advogado Manuel Peixinho.”



Escrito por Fernando Jares às 14h11
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ESTUDIOSO PESQUISA CULINÁRIA DO PARÁ

PRODUTOS PARAENSES NA GASTRONOMIA BRASILEIRA

Especialista em gastronomia, estudioso do tema e chef com passagem, como fundador e sócio, por restaurantes paulistanos como o “Santa Gula” e “Vira Lata”, Eduardo Duó esteve em Belém. Desde o ano passado, de posse de um diploma de especialização (e tem Tribunal que acha que diploma de nada vale...) e com a experiência acumulada, passou a prestar consultoria na área. Já colaborou até com roteiro de novela, na questão gastronômica. Por sinal, Eduardo Duó tem graduação em jornalismo e em gastronomia, além da pós (e tem Tribunal, etc.).

No desenvolvimento de seus conhecimentos acadêmicos, agora pesquisa para um livro sobre a gastronomia brasileira e seus produtos. “Não se trata de um livro de receitas”, faz questão de ressaltar, mas de uma análise sobre desenvolvimento da gastronomia em nosso país, “especialmente em relação ao momento atual, de grandes transformações”, ressalta.

E como ele veio parar aqui, pelas ruas de Belém? Porque muito por elas andou na semana passada e com ele jantei, no restaurante Lá em Casa/Estação das Docas, a convite de Tânia Martins. Que comento abaixo.

Nos estudos que Duó desenvolve, deparou com importância atual dos produtos da culinária paraense na composição gastronômica brasileira.

E aí, encontrou a figura exponencial do chef paraense Paulo Martins, como o grande divulgar deste tesouro gastronômico, para o Brasil e para o exterior, além de ser o grande renovador de nossa culinária, elevando-a ao mais alto nível, em escala mundial. Tanto que hoje ele é citado pelo mais importante chef do mundo, o catalão Ferran Adrià, que até já veio a Belém, para visitar Paulo Martins.

Eduardo Duó identifica dois grandes marcos na gastronomia nacional contemporânea:

(1) a chegada dos grandes chefs franceses ao Brasil, na década de 1980, como Claude Troisgros e Emmanuel Bassoleil, trazendo a novidade da Nouvelle Cuisine Française, que revolucionava a tradicional cozinha francesa desde a década anterior, e que permitiu que eles incorporassem aos seus cardápios as delícias tropicais como jabuticaba, maracujá, manga, etc.

(2) a escalada da culinária paraense, que se espalhou pelo Brasil, já neste século, fazendo com que especialidades como tucupi, jambu, açaí, farinha de tapioca, cupuaçu, bacuri, entre outros, aportassem nas cozinhas dos grandes chefs. Identificou então a presença do chef Paulo Martins como o principal responsável pela divulgação dos produtos e ingredientes paraenses em viagens, festivais, palestras e cursos, trabalho que culminou com o evento “Ver-o-Peso da Cozinha Paraense”, um dos mais bem sucedidos festivais gastronômicos do país.

Duó visitou restaurantes, feiras, sorveterias, conversou com muita gente e conheceu a diversidade de nossa culinária, para ter a base para seu trabalho.



Escrito por Fernando Jares às 16h32
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E O FILHOTE DA ESTAÇÃO?

FILHOTE DA ESTAÇÃO? TEM LÁ EM CASA!

 

Filhote novo na Estação das Docas!

O jantar que falei no post acima, no restaurante Lá em Casa/Estação das Docas, teve alguns dos expoentes do cardápio da casa como destaques.

Nas entradas, variadas tapiocas, seca, com manteiga ou com coco seco, molhada, etc. Também uns beijus torradinhos e ricos em boa manteiga.

Uma batida de bacuri deixou o chef Eduardo Duó nas nuvens. Adorou a suavidade do sabor desta fruta na composição da bebida. Tem toda a razão, também sou bacuriista, que tenho como a mais gostosa das frutas que se encontram pelas ruas de Belém.

Os pratos principais foram variados e todos os participantes tiveram direito, especialmente os visitantes, Duó e o arquiteto Fuad Murad, a provas dos pratos dos companheiros de mesa. Dessa forma circularam ali o “Hadock Paraense”, que vem a ser a prendada gurijuba defumada, o “Filé Marajoara”, que é filé de búfalo com queijo do Marajó e arroz de maniçoba, ambos pratos da Boa Lembrança, e o “Muçuã de Botequim”, sucesso da casa, hoje multiplicado por todo o país, já com gente aparecendo como dona da ideia...

Por minha parte fui ao “Filhote da Estação”, que não é nenhum animalzinho nascido naquele local de lazer, cultura e turismo criado por Paulo Chaves. Trata-se de uma bela posta de filhote grelhado, com molho de alcaparras e manteiga, servido com fatias de laranja e batatas sauté, que são aquelas batatas cozidas e temperadas com uns verdinhos (salsa, etc.) e que estavam no correto ponto de cozimento e paladar – se estiverem fora do ponto de cozimento, ficam duras e aí eu não quero. E veio ainda mais com arroz de jambu, outra criação de PM. O prato foi-me sugerido pelo Alcides, como novidade e, de fato, eu ainda não o conhecia. É cria do Lá em Casa/Estação, por isso o nome. Conjunto aprovado: o filhote grelhado é um peixe agradável e leve. Alcaparras sempre compõem bem. Enfim, estava delicioso. Como o disseram também os demais participantes do ágape.

A sobremesa foi comedida e ficou por conta de profiteroles com recheio de cupuaçu. Como diz a garotada: huhuuuu!!!!!!



Escrito por Fernando Jares às 16h29
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FRANÇA GASTRONÔMICA EM BELÉM

DO CASSOULET AO NOUGAT GELADO

Vivemos o ano da França, nem tão festejado pelas ruas de Belém, mas a cidade procura engajar-se nos acontecimentos. Esta semana o Hilton Belém realizou um Festival Gastronômico Francês, trazendo até chef convidado. Com cardápio que ia mudando a cada dia, ofereceu algumas das delícias gastronômicas de uma das cozinhas mais famosas do mundo. Aliás, até o surgimento, na década passada, da escola gastronômica espanhola, comandada por Ferran Adrià, eles eram os maiorais.

Estive uma das noites no festival do Hilton. Fazia tempo que não ia a esse hotel, mas foi bem agradável. Está bem cuidado, desde a garagem. E, o que importa no caso deste comentário, cozinha no ponto.

As entradas já apresentavam a marca francesa, embora eu esperasse mais queijos e pães... Mas o quiche estava delicioso, por exemplo.

Os pratos quentes foram o grande destaque da noite. Comecei por um peixe ao molho de uvas que estava no equilíbrio que se deseja para as combinações sal/doce. O polvo ao molho concassé reduzido, acompanhado por pão para aproveitar a delícia do molho estava ótimo.

Um arroz cremoso de champignons atendia a quem gosta destes pratos, risotos & cia, eu pelo meio...

As massas estavam representadas por um talharim com estufado de pato que, não sendo um pato no tucupi, fazia gosto a quem por ele optava. Como era de noite, não enfrentei o cassoulet, que vem a ser uma feijoada francesa, com feijão avermelhado, onde além de nossos ingredientes típicos deste prato podem entrar ganso, pato, cordeiro, por aí. A Bruna, que gosta tanto da França, que além de lecionar francês, sonha em francês, não deixou passar. É um símbolo da gastronomia popular desse país.

À sobremesa optamos por um nougat gelado de frutas secas com calda de pêssego e um suflê de ricota com passas perfumadas ao rum.

Por uma questão meramente econômico-financeira, acompanhamos o jantar com um tinto nacional, Almadén, que eu gosto muito. Os franceses estavam por preços inalcançáveis por um cidadão aposentado... É melhor ir à França e lá beber um nacional!

Registre-se um grupo de música ao vivo muito agradável de ouvir, que trabalha regularmente no Hilton, Apresentaram músicas brasileiras, da linha MPB, e francesas, com alguns clássicos que todos nós amamos. Anotei os nomes da cantora, Gigi Furtado, de muito boa voz, inclusive em francês, e Guilherme Martins, também muito correto na interpretação das músicas da França.

O próprio gerente da casa, Klaus Ziller, lá estava, acompanhando o festival, onde também encontramos bons amigos jantando e curtindo a boa música.



Escrito por Fernando Jares às 16h05
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SÃO JOÃO PARAENSE EM VERSO

COMO ERAM OS FESTEJOS JOANINOS

Aproximando-se o final da quadra junina, vamos recordar um pouco como era essa festa aqui pelas ruas de Belém, há uns 80 e poucos anos.

Para isso, consultei o cordel “A festa de São João no Pará”, que foi “escrito por ele, o tal! Apolinário de Souza”, como se anunciava esse autor nos folhetos de cordel da famosa editora Guajarina. Foi mesmo um sucesso essa editora, uma das mais importantes do país na especialidade. Com um grande catálogo, editava até autores do nordeste.

Segundo Vicente Sales, Apolinário de Souza teria nascido em Abaetetuba (Abaeté, na época), mas vivia em Belém, tendo sido operário gráfico.

Este poema ele o escreveu em 1931. Selecionei um conjunto de oitavas em que o autor descreve as festas em Belém, a partir de uma publicação bem mais recente, da UFPA, sem data declarada (deve ser entre 1993 e 1997, já que aparece o nome do reitor Marcos Ximenes).

Repare em algumas curiosidades, como o fato do autor falar em “festa joanina”, como se dizia na época, quando o santo se sobrepunha ao mês...

A festa de São João no Pará

Deixando os outros lugares
onde adoram São João,
farei uma descrição
dos festejos no Pará;
neste Estado todo o povo
em junho rejuvenesce
e faz ardorosa prece,
pede ao santo o que ele dá.

Na capital de Belém
é memorável a festa
a que a sociedade empresta
um caráter popular;
bois-bumbás por toda a parte,
festejos aqui e ali,
mesas com bom açaí
para o povo "petiscar".

A tradição desses bois
não pode se desfazer,
e a gente gosta de ver
o boi pular no terreiro;
uma casinha enfeitada
de palhas verdes à frente
e cantando, muita gente,
ao som marcial do pandeiro.

As cantigas populares
fazem lembrar os sertões
onde os moços foliões
costumam brincar também;
e essa festa conserva
durante a quadra joanina
todo esplendor que ela tinha
na antiga Jerusalém.

Nas casas onde os bois vão
chamados para dançar,
as moças vão namorar
com qualquer almofadinha;
e depois de 24
de junho, que é o mês do santo
há saudade em cada canto
da bela festa joanina.

Em diversos arrabaldes
também fazem arraiais,
ao centro armam currais
para o boi sapatear;
e durante essas noitadas
diverte-se a mocidade
numa doce alacridade
de pombo em doce arrular.

As pequenas de Belém
gostam muito de ir à festa,
porque lá se manifesta
o bom riso da alegria;
conversam com seus eleitos
durante as noites, depois
os rapazes, dois a dois,
no "flirt" fazem porfia.

As "titias", recostadas,
passam as horas pensando
em ver outras namorando
com suprema liberdade,
enquanto elas, coitadinhas,
expostas ao abandono
cochilam sentindo sono
na mais completa "orfandade".

De todos os arraiais
se eleva o do "Boi Canário"
pelo brilho extraordinário
que nos folguedos se nota;
ali frequenta a decência
da nossa sociedade
e não se encontra a maldade
que, às vezes, causa derrota.

O largo do padroeiro
desta quadra - São João,
junto ao antigo esquadrão
é o ponto "chic" da festa;
a fina flor da beleza
em "toilettes" variadas,
também durante as noitadas
brilhantismo ao largo empresta.

Muitas pequenas formosas
de formas esculturais,
vestidos curtos demais
ali vão dar seu passeio;
e são, a todo momento,
alvejadas por olhares
daqueles que vão aos pares
fazer também seu recreio.

Muita velhusca pintada
fazendo-se melindrosa
também vai dar sua prosa
no largo de São João;
e ficam todas zangadas
porque há muita menina
e nenhum moço se inclina
a lhes prestar atenção.

As barraquinhas armadas
com cerveja e com café,
com guaraná e até
com roletas para o jogo,
isto tudo reunido
durante noites inteiras,
dá congestões e tonteiras,
faz a gente pegar fogo.

A partir daí ele descreve as festas em outras cidades do interior, que nem são tão diferentes daqueles que se faziam na capital. Mas isso é outro assunto, porque está prosa virtual já está bastante comprida.



Escrito por Fernando Jares às 18h24
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TERRA DO MEIO EM MARITUBA


CANOA, COTIA DISTRAÍDA, PÁSSAROS E BOA COMIDA


Um restaurante rural inaugurado há menos de um mês é cenário para diversas fotos de moda em encarte publicitário do Magazan, que circulou hoje. Como alguém pode não ter notado a citação, faço este destaque. Vale dar uma olhada na peça, criação da Mendes Publicidade - são as páginas 2 a 5.

Para uma terra como a nossa que não tem hotéis de selva, tão comuns (e bons) no vizinho Amazonas, a inauguração de um restaurante rural é uma notícia muito boa. A iniciativa é do André Nunes, de tantas outras boas iniciativas. Já falei dele aqui, quando discutimos a utilização das terras da Pirelli.

É o restaurante Terra do Meio, ali em Marituba. Tem sido assunto muito presente na comunidade blogueira.

Anuncia uma cozinha regional e caseira, de filhote, obviamente o peixe, à galinha caipira, passando pela tartaruga (fantástico!), pirarucu & cia. A inspiração é na gastronomia do oeste paraense – talvez o lugar da melhor culinária do Pará e, consequentemente, no Brasil. E o André, sempre esperto, foi às melhores fontes: a família Guerreiro, de Oriximiná, abastecendo-se no precioso livro “Receitas da minha história", de Rose (Guerreiro) Salame.

Qualquer dia vou dar uma volta por essas mesas e conto a história. Por ora, transcrevo o texto de apresentação do restaurante:

Terra do Meio – restaurante rural
Um lugar para ser feliz.
Enfim um restaurante rural paraense!
Maniçoba, pato no tucupi, caruru e vatapá (à moda do Pará), claro que tem, mas tem também as peixadas.
Filhote, pescada, tamuatá no tucupi, tucunaré, pirarucu, tambaqui, camarão e caranguejo, de toda maneira, galinha caipira, daqui mesmo, do terreiro, assada e ao molho pardo.
Baião de dois com torresmo.
Tem tartaruga, sim senhor! Paxicá, guisada, picadinho, meu Deus. São de comer rezando.
A inspiração foi, inicialmente, da maravilhosa cozinha do Baixo Amazonas, by Rose Salame.
Tem picanha e filé-mignon. Alto, mal passado, bem passado, com fritas, purê, farofa de ovo.
E, agora, vem o mais importante:
Tudo isso em um parque ecológico, em Marituba, a 15 minutos de Belém, com 200.000 metros quadrados de rios, e floresta.
Dois quilômetros de trilhas. O silêncio, a toda hora é quebrado pelo cantar dos pássaros, ou pelo papo dos visitantes. E o assunto é sempre o mesmo, as plantas, as árvores, os pássaros e, quem sabe, uma cotia distraída almoçando debaixo de uma castanheira ou cumaruzeiro.
Tem ainda o passeio de canoa pelo rio, debaixo das árvores do igapó ou em meio ao tapete de mururé.
Pode até dar comida para os peixes. Comida que peixe gosta. Peixe e tartaruga.
É programa para homem, mulher, menino e menina, grandes e pequenos. Aquilo que os antigos chamavam de família.
É programa para a turma.
Para o almoço do executivo que tem pouco tempo durante a semana.
Enfim, é a Terra do Meio.
Um lugar para ser feliz.
Abre para o almoço desde sábado, 30.05.
Venha. Vai ser bom.

BR-316, km 10 – Estrada do Uriboca Nº 3000, Marituba, Pará, Amazônia, Brasil. - (91)3255-1882 / 2377-2975



Escrito por Fernando Jares às 23h26
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NO DIA DE SÃO JOÃO, A JOÃO ALFREDO

A JOÃO ALFREDO PRECISA DE UM BANHO DE SÃO JOÃO

Dia de São João, dia de uma das igrejas mais bonitas de Belém, carinhosamente chamada por quem anda pelas ruas de Belém de igreja de São Joãozinho, pelo seu tamanho, obra privilegiada de Landi, no largo de São João (onde estudei o cursinho para o exame de admissão ao ginásio...), na verdade, praça República do Líbano.

Dia de tanta coisa bonita, de novamente tomar banho de cheiro, e eu achei de olhar a cidade. E olhe no que deu:


É isso que as administrações municipais estão fazendo com Belém. O centro comercial (aqui, a rua João Alfredo), de prédios tão bonitos, de ruas calçadas com paralelepípedos, que um dia Said Xerfan (antes de ser político) sonhou em ser um BeloCentro, está transformado em uma feira de baixíssima qualidade.

Essa foto é um símbolo, um símbolo denunciante, nem precisa de palavras. O fotojornalista Ary Souza usou toda a sua experiência e competência e mereceu o destaque de primeira página em O Liberal de hoje.

Vejam a ainda resistente beleza das fachadas à esquerda. Jóias perdidas. Dia destes arrisquei-me nesses meandros, certo que lá bem mais para cima, na Santo Antonio. Estava eu na livraria Paulinas quando houve uma algazarra e correria na rua: estavam à caça de um ladrão que, obviamente, fugiu. Disse-me uma vendedora: isso é todo dia!

O Ministério Público Estadual exige agora que a prefeitura retire os marreteiros dessa rua e os remaneje, especificando os locais. Muito bem, alguém precisa agir em favor desta cidade. Deveria ser o executivo e o legislativo municipais, afinal foram eleitos para isso – e recebem muito bem para tal. Mas parece que... deixa pra lá.

Quem desobstruiu a presidente Vargas foi um juiz, quem mandou recuperar a 25 de Setembro também foi o Ministério Público, etc., etc. Ops, quem administra a cidade?

E a prefeitura vai obedecer? O exemplo do palacete Pinho, objeto de post mais abaixo, indica que... (de novo) deixa pra lá.

Para compensar, veja abaixo uma nostálgica João Alfredo do início dos 1900, sempre com muita gente na rua, mas até árvores tinha. A foto (cartão-postal) é do começo da rua, do cruzamento com a avenida Portugal, na época 16 de novembro. Faz parte do magnífico álbum “Belém da Saudade – a Memória de Belém do Início do Século em Cartões-Postais”, edição da Secretaria de Cultura do Estado (Paulo Chaves), de 1996.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h49
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HOJE É DIA DE CHEIRO-CHEIROSO

 

BANHO DE CHEIRO E CAPELINHAS. VIVA SÃO JOÃO.


Hoje é véspera de São João, dia que já foi de muitas festas nesta Belém, onde o santo era mesmo muito importante. Hoje, nem tanto. Há muitas festas e quadrilhas, de um modo geral descaracterizadas, infelizmente.

Mas ainda encontramos vendedores de “chêro-cherôso” pelas ruas de Belém, empurrando seus carrinhos de mão cheios de ervas para fazer o banho, que deve ser tomado logo mais. Garante, pelo menos, a manutenção de uma tradição que resiste e que temos obrigação de ajudar a conservar. O meu está lá dentro de molho, preparando a infusão para ser jogada sobre o corpo no banho. Os ingredientes foram comprados hoje de manhã, pela Rita, pelas bandas de Batista Campos. Também ganhei a minha capelinha, feita com as ervas trançadas, como está na foto aí em cima...

Dizem algumas pessoas que este hábito recorda o batismo de Cristo, feito exatamente por este homenageado São João Batista, nas margens do rio Jordão. Por isso deve ser caprichado e cheiroso. Com o tempo a tradição popular agregou aos efeitos o livrar-nos de males que nos afligem ou podem vir a afligir.

Leandro Tocantins, escritor a quem sempre refiro, descreve muito bem a velha tradição junina, no insuperável livro “Santa Maria de Belém do Grão Pará”, de 1963:

“O banho-de-cheiro (deu título a livro da belemense Eneida) é o resumo de todos os anseios de felicidade. Quase ninguém deixa de fazer escorrer pelo corpo a água de perfumes bons, preparada em casa ou adquirida nos mercados e casas do ramo.”

Observe que ele escreve belemense. Ninguém o convence a escrever “belenense”, como grafam os dicionários e o vocabulário oficial.

Leandro Tocantins, no capítulo “Noites de São João, banhos-de-felicidade e cheiro-de-papel” desse livro, assim descreve a festança: “A sorte, a alegria, a prosperidade, a saúde, o dinheiro, dominam o pensamento de todo o mundo. Expulsos a caipora, o azar, a panemice. E os convidados vão aos comes e bebes: canjica, mugunzá, pamonha, pé-de-moleque, bolo de macaxeira, beijus, bolinhos de milho, pato-no-tucupi, maniçoba, refrescos de frutas típicas.”

A escritora Eneida de Moraes, que ele cita acima, escreveu muito, e muito bem, sobre o banho de cheiro. Aliás, Leandro refere-a assim:

“Recorro ao testemunho de Eneida, figura tão cariocamente integrada na paisagem do Rio de Janeiro, mas não tanto como na vida de sua terra e de seu povo. Eneida que não dispensa perfume de jasmim-bogari ou de ervas arrancadas do mato: ‘Até hoje nunca me faltou o banho-de-cheiro, o banho da felicidade que vou buscar, anualmente, na minha terra. Enormes garrafas trazem, pelos ares, as águas cheirosas de minha gente’".

Em “Banho de Cheiro” a grande Eneida recorda uma vendedora de cheiro de sua infância: “Estou a revê-la como sempre num trecho do Mercado de Belém, bem próximo ao Ver-o-Peso, sentada num banquinho, tão cheirosa na sua roupa clarinha de limpeza, nos cabelos jasmins bogaris, rodeada de um mundo vegetal, cercada de tabuleiros com folhas, raízes, madeiras. Chamava-se Sabá e foi uma das pessoas mais amadas da minha infância e mocidade. Contava-me histórias maravilhosas dos vegetais de quem era íntima. Sabá, cabocla paraense vendendo banhos de felicidade.”

O cheiro-de-papel que o autor refere no título é o Cheiro do Pará em saquinhos de papel (ou plástico), na forma de sachês, para odorizar a roupa.

Quer ler o texto completo deste capítulo de Leandro Tocantins? Está disponível no site Jangada Brasil.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h27
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MEMÓRIA CONTEMPORÂNEA?

Foi bastante divulgada a reinauguração, ontem, do Museu da UFPA, com uma exposição de gravuras de alguns dos mais importantes artistas brasileiros e latino-americanos desta arte, e mais a mostra "Memória Contemporânea" sobre os 25 anos da instituição. Fui lá hoje à tarde, por volta das 15h30, conhecer as melhorias introduzidas na casa e ver as exposições. Mas pouco consegui ver...

Está bem pintado e bonito externamente o Museu. Por dentro, ainda devemos aguardar. Não havia atendente. Andei, andei, e ninguém apareceu, a não ser um operário instalando alguns fios. Escada suja. Calor altíssimo, o ar condicionado ainda deve estar vindo, já que observei, em bom bate-papo, à sombra de uma árvore, alguns trabalhadores de uma empresa que me parece ser fornecedora desses equipamentos.

A exposição de gravuras está lá, tem coisa muito bonita, mas foi dificílimo saber quem fez o quê. É que a indicação das peças está em plaquinhas de acrílico transparente, com as legendas em preto, sobre uma parede em verde musgo, bem escuro. Daí...

Vou ter de voltar lá depois, esperando que terminem a obra, etc. Outra coisa: embora a divulgação e o site do Museu digam que o endereço é av. governador José Malcher, dei com a porta fechada com grossas correntes e um cadeado. A entrada é pela Generalíssimo.



Escrito por Fernando Jares às 18h19
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UM TESOURO SENDO DESTRUÍDO

MINISTÉRIO PÚBLICO TENTA SALVAR PALACETE PINHO


 O palacete Pinho já bastante deteriorado, em ilustração de Tom Maia,
de 1978, no livro Grão Pará, de Leandro Tocantins.

Estudei todo o curso médio no Colégio do Carmo. Foram milhares de caminhadas pelas ruas da Cidade Velha, em contato com aqueles casarões, hoje muitos mutilados, abandonados, mas havia um que era marcante, um ícone. Era o Palacete Pinho. Entre meus colegas havia dois Pinho, da família que construíra o prédio. Foi assim que, um dia, início dos anos 1960, lá consegui entrar, pois ainda era habitado, acho que pela avó de meus colegas. Nem lembro de detalhes, talvez não tivesse ainda idade para me preocupar com detalhes e, por certo, não imaginava que os deveria guardar em lugar especial da memória, uma vez que os da minha geração destruiriam o prédio. Do que me recordo é que não estava mais cuidado como um dia deveria ter sido – cheio de brilhos e reflexos, imaginava – e da carcaça de uma carruagem, no porão. Isso nos impressionava a todos, nos remetendo para uma história de época...

Tudo isso me veio à lembrança hoje, ao ler em O Liberal a notícia “MPF cobra retomada das obras do Palacete Pinho” sobre o desinteresse da autoridade municipal na preservação desse patrimônio de Belém. Leia a notícia clicando aqui. O texto contém foto do estado do prédio, de Dirceu Maués, que você vê abaixo. Leia notícia do próprio MPF sobre o assunto, aqui.

É meio fantástica a história da destruição desse símbolo de uma era da capital paraense. Entendo que o Ministério Público, além de cobrar essa agilidade, no que defende a própria história da cidade, quando a prefeitura parece considerar que nossa memória histórica de nada vale, também deveria procurar definir quem é culpado por essa destruição.

O prédio era de uma família. Foi comprado por uma empresa comercial, no final dos anos 1970, que anunciou que ali instalaria uma loja de móveis de estilo, coisa fina, de acordo com o prédio, – eu mesmo escrevi essa notícia, como redator substituto da coluna “Edvaldo Martins”, em A Província do Pará, nessa época. Mas o prédio continuou fechado. Alguns anos depois a Prefeitura comprou o imóvel, aparentemente, sem nenhum plano definido para o local. Continuou fechado. Diante do problema, a companhia Vale decidiu participar da recuperação, em convênio com a prefeitura. Repassou mais de R$ 3 milhões. As obras arrastaram-se e não foram concluídas. Já na atual administração, desmoronou um pedaço. A Eletrobrás veio em socorro, entregou dinheiro, alguma coisa foi feita, mas também parou. Acho que estamos nesse estágio. O roteiro, de memória, é mais ou menos esse. Mas acho que é uma pista... para ajudar a salvar esse tesouro histórico, um dos últimos exemplares dessa época pelas ruas de Belém.

Ou será que o Mosaico de Ravena estava certo, em 1985, em “Belém, Pará, Brasil”:

“Vão destruir o Ver-o-Peso
Pra construir um Shopping Center
Vão derrubar o Palacete Pinho
Pra fazer um Condomínio
Coitada da Cidade Velha,
que foi vendida pra Hollywood,
pra ser usada como albergue
no novo filme do Spielberg”,

que o brilhante Nilson Chaves canta aqui.

O palacete Pinho como está hoje, em foto de Dirceu Maués, em O Liberal.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h18
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UMA CASA PARA TER DE ONDE SE IR

ESCRITORES PARAENSES NA CASA DA LINGUAGEM

 O escritor paraense, especialmente aquele que, com grande dificuldade, batalha para conquistar um lugar no mundo da literatura, ganhou um espaço no sábado.

É o Espaço do Escritor Paraense "Max Martins", que fica na Casa da Linguagem (av. Nazaré com Assis de Vasconcelos, na praça da República), que funcionará como um espaço de troca de experiências, comercialização e exposição de obras, e dará a oportunidade para a população conhecer mais sobre os escritores locais. É uma conquista, de quem já teve de brigar por um cantinho na Feira do Livro...

Não por acaso foi no sábado, 20/06. É que é o dia do aniversário do grande poeta falecido este ano, que faria 83 anos. O espaço, que funciona no piso inferior do coreto da Casa da Linguagem, atenderá de segunda a sexta.

O sistema de funcionamento é bem interessante: o escritor interessado faz um cadastro, onde apresenta as suas obras. Essas informações formam um banco de dados para orientação aos frequentadores do espaço, que se espera sejam principalmente  estudantes que pesquisam pelas ruas de Belém. Tomara que os professores os incentivem a isso.

Segundo informa a Agência Pará, cada escritor faz uma doação de dois exemplares da obra inscrita para consulta e, assim, terá o direito de colocar até cinco exemplares para comercialização. A renda das vendas é repassada integralmente para os autores que, em contrapartida, farão uma dinamização do espaço.

O convite para a inauguração me foi entregue pelo poeta trovador Antonio Juracy Siqueira, no “I Ciclo do Extremo Norte da Literatura: A Prosa de Dalcídio Jurandir e a Poesia de Paulo Plínio Abreu”, sexta última na UFPA e tem estes versos do grande e magro Max Martins:

“É preciso dizer-lhe que tua casa é segura
Que há força interior nas vigas do telhado
E que atravessarás o pântano penetrante e etéreo
E que tens uma esteira
E que tua casa não é lugar de ficar
mas de ter de onde se ir.”

Muito bom tudo isso, muito bom.



Escrito por Fernando Jares às 17h53
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DO COMER BRASILEIRINHO MODERNO

Eu ainda não conhecia, a Rita já tinha estado por lá – e elogiado. Logo que cheguei, pedi os famosos pastéis de vatapá, que a Rejane Barros sempre elogia na Troppo. Já perceberam que estive no “Brasileirinho”, um amoreco de lugar, com um monte de coisas bem brasileiras decorando. Logo de entrada encontrei o Luís Moura, que não via há dezenas de anos. Era um bom publicitário nos anos 70, trabalhamos juntos na Mendes e aprendi atendimento com ele (e com a Marina Matta, já falecida). Depois ele virou um bom engenheiro.

Casa lotada, fomos para um andar superior, tipo um mezanino acima do segundo piso. Aí tivemos sérios problemas de atendimento. Mas isso é outra conversa.

Caprichamos nas entradas. Além do recomendado pastel de vatapá, fomos aos bolinhos de feijoada e aos pastéis de roupa velha. Todos, realmente, muito bons e, a classificar, cravo primeirão nos bolinhos de feijoada, uma ótima idéia (criada no Rio de Janeiro), uma delícia. Mas esta classificação fica tipo nota para escola de samba, a diferença é de zero vírgula. Os pastéis de roupa velha também atendem plenamente e, se os de vatapá ficam por último, deve-se apenas ao fato que, dos três elementos, está nessa ordem no meu gosto. Mas, estavam muito bons, sim.

No prato principal (serve muito bem duas pessoas) fomos a uma criação contemporânea sobre a culinária paraense. Um peixe, no caso pescada amarela, em crosta de farinha de Bragança, acompanhado de risoto de tucupi com jambu e uma pequena porção de purê com lascas de pirarucu. Estava tudo no ponto certo, em tempero, cozimento, crocância, equilíbrio dos elementos e visual, de forma a agradar e satisfazer plenamente. Apenas o tal purê estava meio deslocado na engenharia do prato – provavelmente para o forte sabor do pirarucu não brigar com a pescada, eram poucas as anunciadas lascas, não dizendo a que vinham.

Foi também pedida uma picanha grelhada na manteiga de garrafa do sertão, servida com maionese de batata, arroz, farofa de ovo e vinagrete. Bruna e Emerson aprovaram plenamente, comeram bem e ainda levaram para casa. A farofa de ovo, um dos prazeres gastronômicos domésticos da Bruna, ganhou elogios.

O que não teve como ganhar elogios foi o atendimento – se é sempre assim, revista-se de muito savoir-faire, ligue o modo relax total e vá lá. A qualidade da cozinha justifica as dificuldades no serviço, mas...

Tudo começou no começo, dentro da obviedade das coisas como não devem ser: a cerveja Devassa, que estava no cardápio, não tinha na casa. A Eisenbahn, citada na Vejinha/Belém, não tinha no cardápio, o atendente até achava que tinha, mas não sabia quais os tipos nem o preço. Demorou uma enormidade para voltar com a informação. Tivemos que pedir auxílio a outro atendente. Optamos por uma Strong Golden Ale, muito mais pelo conhecimento do Emerson, bom cervejeiro, do que pela informação que recebemos. As entradas, todas, também só vieram após reclamação. Para completar a lambança, deixaram de cobrar uma das entradas e mais uma vez tivemos de reclamar.



Escrito por Fernando Jares às 14h16
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OS 700 JOGOS REMO x PAYSANDU

COM O PAPÃO NA CABEÇA E, NO LIVRO, PAPÃO E LEÃO


Dono de maior número de vitórias nos confrontos com o Paysandu, segundo o livro “Remo x Paysandu – O clássico mais disputado do futebol mundial”, o Remo perdeu em performance na noite de autógrafos de Ferreira da Costa, ontem, na Newstime, no shopping Pátio/Belém. Estava lá um bom time de bicolores, a partir da estrela deputado Robgol. Mas sucesso mesmo fez o torcedoríssimo que atende pelo nome de Romário, do gigantesco escudo em prata ao peito, pendurado em grossas correntes, até a cabeça, onde tem gravada a frase “vamos subir” e o escudo do Papão. Aí em cima você pode ver a cabeça artística desse nosso Romário e, ao lado, o radialista Guilherme Guerreiro, da RBA/Rádio Clube e o Romário bicolor.

Mas Ferreira da Costa, que a par do excelente trabalho de reconstituição da história do futebol paraense que tem realizado, não é bobo, colocou na capa da livro a informação: “Papão tem mais títulos de Campeão do Pará” e, ao lado, “Leão venceu maioria dos jogos”. Assim, agrada gregos e troianos, ou melhor, bicolores e azulinos...

A foto da capa é também muito interessante, um jogador de cada time disputando a bola, em campo alagado, quando o remista tenta segurar o bicolor...

Os 700 jogos listados são apresentados em súmulas e um único merece maior espaço – nove páginas! –, o histórico clássico de 22.07.1945, pelo Campeonato Paraense, em que o PSC levou de vencida seu mais tradicional adversário pelo elástico marcador de 7x0! Embora o clube tenha em seu cartel grandes conquistas nacionais e até maiúsculas vitórias internacionais, como sobre o Peñarol e o Boca Juniors (dentro do La Bombonera), esta vitória doméstica é, sem dúvida, a mais cultuada pela torcida pelas ruas de Belém.

Note-se que, segundo comprova este livro, esse foi um ano bicolor: dos nove jogos disputados em 1945, dois foram empate e o Paysandu venceu sete, ops, novamente sete.



Escrito por Fernando Jares às 14h12
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MARAJÓ, DE DALCÍDIO, EM EDIÇÃO DA UFPA

 

 “Marajó”, de Dalcídio Jurandir e a bonita ilustração
do evento, unindo DJ e Paulo Plínio Abreu.

Amanhã, após a realização do “I Ciclo do Extremo Norte da Literatura: A Prosa de Dalcídio Jurandir e a Poesia de Paulo Plínio Abreu", inaugurando o Centro de Convenções da UFPA, a Editora da Universidade lança três livros: “Poesia”, de Paulo Plínio Abreu, “Três sentidos fundamentais na obra de Paulo Plínio Abreu”, de Célia Bassalo (ambos assunto do post abaixo) e “Marajó”, de Dalcídio Jurandir, que se integra aos muitos eventos que marcam o centenário de nascimento do grande escritor paraense. Dessa forma, populariza-se a obra de DJ, até porque os livros da Edufpa são vendidos a preços populares, justo com a finalidade de irradiar o conhecimento paraense pelas ruas de Belém e por todo o Estado. Eu mesmo, compro livros com o selo da antigamente chamada “Gráfica da Universidade”, desde a juventude. Tenho preciosidades dos anos 60.

Amanhã também teremos algumas performances, imediatamente antes do lançamento dos livros:

- Performance: Paulo Plínio Poesia, com Paulo Vieira e Alessandra Nogueira (Grupo Palarvore)

- Performance: Marajó – Fragmentos, com Grupo Pau e Corda (Escola de Teatro e Dança da UFPA)



Escrito por Fernando Jares às 17h08
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AMANHÃ, A POESIA DE PAULO PLÍNIO ABREU

 

UFPA lança amanhã dois livros sobre o poeta Paulo Plínio Abreu.

“Se soubéssemos, desde criança, que temos tanta riqueza cultural em nossa terra, talvez não teríamos tanta violência em nosso Pará!” Esse comentário, feito por um impreciso Cesar, refere-se à obra do poeta Paulo Plínio Baker de Abreu e está no blogPoesia – Paulo Plínio Abreu”, postado agora domingo, dia 14/06.

Nascido em Belém em 1921 e aqui mesmo falecido em 1959, Paulo Plínio Abreu foi um dos “10 melhores poetas paraenses da atualidade”, em 1950, segundo registrou o Suplemento Literário do jornal Folha do Norte, dirigido por Haroldo Maranhão e Ruy Barata e consta da Antologia da Cultura Amazônia, de Carlos Rocque.

Ao melhor do estilo Fernando Pessoa, pouco publicou em vida e nem teve livro impresso. Mas deixou selecionados 21 poemas para um provavelmente desejado primeiro livro: “Poesias”, que será lançado amanhã pela Editora da Universidade Federal do Pará (Edufpa), nos 50 anos de sua morte (05/09/1959). Leia sobre essa programação cultural da UFPA, clicando aqui.

“Este foi o único livro que ele escreveu e nem conseguiu lançar, já que morreu muito cedo. Entretanto, é uma obra de fundamental importância para a nossa literatura”, disse a diretora da Edufpa, Laïs Zumero, domingo, ao Diário do Pará, afirmando estar muito feliz, pois “fizemos um resgate completo da primeira edição, com todos os textos que faziam parte dela, mas com um novo design gráfico”. É importante destacar que esse trabalho teve orientação da professora Célia Bassalo, especialista neste autor (e que também lança um livro amanhã, sobre Paulo Plínio Abreu) e inclui outros poemas que não constavam da seleção inicial do autor, assim como uma tradução feita por Paulo do poeta alemão Rainer Maria Rilke. Esse tipo de tratamento altamente profissional, como o que foi feito inicialmente por Benedito Nunes com a “Poesia de Mário Faustino”, de 1966, valoriza o trabalho do criador que já não está presente para conduzir a classificação de seu trabalho.

Antecipando um pouquinho o lançamento de amanhã, veja abaixo dois trabalhos de Paulo Plínio Abreu. “Polichinelo”, que hoje é até nome de uma revista literária, e “Hora Grave”, que vem a ser uma tradução de Rilke, que busquei no Cultura Pará. E tomara que aquele Cesar lá do início esteja certo, contribuindo contra a violência que nos oprime, pelas ruas de Belém.

 

O Polichinelo

O seu segredo era como o dos outros.
Seus olhos eram de vidro azul
e na boca vermelha
o riso da ironia.
O humor profundo, amargo e doloroso
vinha de sua boca;
o riso da sabedoria
e do desespero
gritava da sua boca aberta em sangue.
O riso do polichinelo
vinha do coração ausente, era uma advertência.
Era apenas o riso
e falava de um mundo
maior que sua alma.

 

 

Hora Grave

Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.

Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.

Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.

 (Tradução: Paulo Plínio Abreu)

 



Escrito por Fernando Jares às 16h21
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OS BICHOS OFF-GOELDI

CARACOL, OS BICHOS DO BARÃO E OUTROS


O Museu Paraense Emílio Goeldi é, sem dúvida, o melhor e maior conjunto de animais amazônicos, vivos ou conservados, muito mais, portanto, que um simples zoológico. Desenvolve importantíssimas atividades de pesquisa científica dos sistemas naturais e socioculturais da região. Mas para o público, principalmente para as crianças, é o lugar onde vamos passear, ver as onças, dar pipoca aos macacos, olhar os peixes, ver as aves. Faço isso desde menino. Portanto, os bichos é que comandam a festa.

Mas existem alguns bichos que andam por fora do Goeldi que, para quem não é de Belém, fica bem no centro da cidade. Na calçada em volta do Goeldi, fazemos caminhadas, de manhã cedo, à tardinha, etc. Mas não é a estes bichos que me refiro.

Um dia destes, caminhava eu tranquilamente quando reparei em pequeno caracol, desses de jardim, descendo pelo muro. Logo imaginei o destino do pequeno molusco, ao chegar à calçada... e decidi salvar a vida do bichinho! Com todo cuidado tirei-o da parede (como fica grudado, quando quer!) e levei-o até o interior do parque, tendo de entrar pela porta de acesso dos empregados. Eram 7 e pouco da manhã, mas alguns já chegavam. Apresentei-me ao segurança, explicando que havia resgatado um caracol que fugia do parque. Confesso que, pela cara dele, não ficou muito entusiasmado. Chegou mesmo a afirmar que o animal não seria do Museu. Argumentei sobre como o havia capturado e propus-me e colocá-lo em uma árvore, com o que ele concordou. Acho que fiz a minha boa ação do dia, a menos que o caracol estivesse com ideias suicidas...

No mesmo ambiente off-Goeldi, bem em frente, há um outro estabelecimento especializado em bichos. Não propriamente concorrente, é muito mais modesto: trabalha apenas com 25 deles. Recebe o palpite de bichos-homens, à procura da emoção de ganhar dinheiro sem muito trabalho. Eles abrem cedinho, talvez porque os bichos acordam cedo... Na foto abaixo dá para ver que as lojas vizinhas ainda estão fechadas. Essa coisa de termos estabelecimentos comerciais (???) para captar o jogo do bicho já foi até notícia nacional na televisão. Não deixa de ser curioso, afinal a atividade é uma contravenção. Mas, pelas ruas de Belém tem mesmo muita coisa diferente.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h07
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UM CRIME DE SAN FRANCISCO EM BELÉM

 

Vamos rir no teatro, com inteligência. Quatro autores paraenses são envolvidos em um único crime e ainda conseguem fazer rir. Foi assim que tudo começou: três dos mais presentes autores paraenses foram convidados a escrever, em pouco menos de 20 minutos cada, a solução de um complicado crime ocorrido em San Francisco, em 1944. Os autores devem descobrir quem matou, com que arma, qual o motivo. Quem respondeu foi: Edyr Augusto Proença, Carlos Correia Santos e Rodrigo Barata. Percebeu o peso do time?

Isso tudo acontece no espetáculo “Quatro Versus Cadáver”. Em cartaz todos os sábados e domingos deste mês, no “Espaço Cuíra” – Riachuelo esquina com 1º de Março. 21h (sábados) e 20h (domingos).

O autor da idéia, e dos convites, Saulo Sisnando, escreveu o quarto episódio, fechando as criações. Tudo com muito humor, para rir do começo ao final, garantem os organizadores. A inspiração foi no conhecido jogo de tabuleiro “O Detetive”. Uma oportunidade, para quem não conhece, de ter contato com o trabalho de quatro nomes com intensa atividade no meio teatral paraense e ver que pelas ruas de Belém produz-se teatro da melhor qualidade. Pra quem já os conhece, mais momentos de boa diversão made in Pará.

Direção geral: Saulo Sisnando. Com Adelaide Teixeira, Gisele Guedes, Luíza Braga, Marcelo Sousa, Rony Hofstatter, Saulo Sisnando e Flávio Ramos – como “o cadáver”. Contra-regra: Nayla Portal. Iluminação: Sonia Lopes. Sonoplastia: Leonardo Cardoso



Escrito por Fernando Jares às 17h25
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CLARICE E BENEDITO, HONORIS CAUSA

BENEDITO E SYLVIA NA GAVETINHA DE CLARICE

Em setembro do ano passado, estava eu cuidadosamente abrindo as centenas de gavetinhas que integravam uma das salas da exposição “Clarice Lispector – A hora da estrela”, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, quando me deparei com um dos objetos pessoais da escritora, que fez subir a minha felicidade paraensista. Um cartão postal assim:

2/6/75 (data do carimbo dos Correios)

“Clarice - Lembrei-me de você há instantes, ouvindo os concertos 2 e 3 de Beethoven para piano e orquestra." O texto continuava e era assinado por Benedito Nunes e sua esposa Maria Sylvia, que até mandava um beijo para a grande autora.

Não me autorizaram fotografar o documento, porque inventei de perguntar se podia... mas anotei essa parte do texto. Sabia da boa ligação entre eles, que Benedito Nunes conta em “Dona Clarice”, no livro “Dois ensaios e duas lembranças”, Belém: Secult/Unama, 2000; do clássico livro "O drama da linguagem, uma leitura de Clarice Lispector", etc. Mas encontrar o postal foi uma emoção muito legal, naquele mundão de cultura clarissal.

Você pode ver algo da exposição em matéria na revista Veja (onde aparece bem a sala dos segredos com as gavetinhas que citei), clicando aqui e ainda visitar o site sobre a versão paulista da mostra, no Museu da Língua Portuguesa, bem aqui.

Lembrei-me deste momento ao saber que a Unama vai homenagear o grande mestre, que neste 2009 chega aos 80 anos!, com o título de Doutor Honoris Causa. A professora Célia Jacob manda dizer que representantes do Conselho Universitário dessa universidade visitaram Benedito “em sua casa da travessa da Estrela”. Outra coincidência: travessa da Estrela, A Hora da Estrela...

Justíssima homenagem ao crítico e filósofo que eleva o nome do Pará no universo da melhor cultura. Um homem com direito a essa honra.

Ainda agora em abril, o consagrado contista e romancista João Gilberto Noll, disse que “Belém é a cidade de um crítico que eu adoro, que é o Benedito Nunes. Ele é um crítico que sabe ler muito bem a Clarice Lispector, tem uma crítica excelente sobre a obra dela” falando ao jornalista Iran de Souza, em O Liberal (06/04/2009).

Benedito Nunes também será assunto na mais que excelente revista Asas da Palavra, da Unama.

Nesta sexta-feira ele estará mais uma vez compartilhando seu conhecimento com a comunidade em que vive, fazendo uma conferência na UFPA, assunto do post abaixo, de hoje de manhã.



Escrito por Fernando Jares às 15h52
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LITERATURA PARAENSE NA UFPA

PROSA E POESIA EM FINÍSSIMO TRATO

Sexta-feira (19/06) é dia de apreciar, ouvir, participar e ler do melhor da literatura paraense, no I Ciclo do Extremo Norte da Literatura: A Prosa de Dalcídio Jurandir e a Poesia de Paulo Plínio Abreu". O evento, carregado de excelentes atrações culturais, durante todo o dia, marca a inauguração do Centro de Convenções da UFPA (ao lado da Reitoria). Oportunidade única, pelas ruas de Belém, a não perder!

Começa às 11h, com a conferência que tem o mesmo título do tema do evento, proferida pelo nosso mais importante pensador e um dos mais brilhantes do Brasil, professor Benedito Nunes (UFPA).

Para a tarde teremos um belo conjunto de oportunidades de nos encontrar com grandes valores literários. Veja só a programação:

14h30: Palestra: O Marajó de Dalcídio Jurandir, prof. Rosa Assis (UFPA/Unama)

15h20: Palestra: Três sentidos fundamentais na obra de Paulo Plínio Abreu, prof. Célia Bassalo (UFPA)

16h20: Mesa-redonda: Imaginário e Cultura em Dalcídio Jurandir, prof. Heraldo Maués (UFPA), José Guilherme Fernandes (UFPA), Paulo Nunes (Unarna). Coord. Prof. Sílvio Holanda (UFPA)

17h25: Mesa-redonda: Paulo Plínio Abreu, Poeta e Tradutor, Nilson Oliveira (Escritor/Editor Polichinello), Sílvio Holanda (UFPA), AmarílisTupiassú (UFPA/Unama). Coord. Josebel Fares (UEPA).

E a programação se estende pela noite, com estas atrações:

18h30: Performance: Paulo Plínio Poesia, com Paulo Vieira e Alessandra Nogueira (Grupo Palarvore)

19h: Performance: Marajó – Fragmentos, com Grupo Pau e Corda (Escola de Teatro e Dança da UFPA)

19h30: Lançamento dos livros “Marajó”, de Dalcídio Jurandir, “Poesia”, de Paulo Plínio Abreu, “Três sentidos fundamentais na obra de Paulo Plínio Abreu”, de Célia Bassalo.

Nas terças-feiras seguintes o Ciclo prossegue, na Livraria do Campus. Dia 23/06, das 15h às 18h, minicurso “Paulo Plínio Abreu – Poeta e Tradutor”, com o prof. Sílvio Holanda (UFPA). Dia 30/06, das 15 às 18h, “Encontro com Dalcídio Jurandir: comunicação de trabalhos científicos sobre o autor”, e às 18h, performance “Marajó – Fragmentos”, com o Grupo Pau e Corda (Escola de Teatro e Dança da UFPA).



Escrito por Fernando Jares às 10h58
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O PRAZER DE ESTAR LÁ

SINCE 1984. PARA BEM VIVER

 

Hoje 15 de junho, o Roxy Bar faz 25 anos. Dizer que parece que foi ontem é lugar comum demais, atesta falta de criatividade e... que nós, os frequentadores, estamos ficando velhinhos. Mas, com muito orgulho, junto com a casa.

No anúncio dos 25 aninhos há uma ilustração do prédio do Roxy. Lembro-me muito bem daqueles primeiros tempos: a gente estacionava bem do lado, sem aquele tumulto de hoje. Tinha um vovô flanelinha que ajudava no estacionamento e tomava conta. Mas, que se registre, o carro não era tão antigo como o da ilustração! Infelizmente nunca tive um desses.

O texto do anúncio faz agradecimento em primeiro lugar aos funcionários, pela dedicação, o que é muito justo. Legal essa primazia. Depois entram os que frequentam o Roxy, classificados por diversos tipos: (1) gente de paletó e de bermuda; (2) vestidinhos de noite e shortinho; (3) que lê todo o cardápio e pede o mesmo prato; (4) conhece os garçons pelo nome e também são conhecidos. A enumeração não está no texto.

Cada um que se ache. Eu não tenho dúvida: sou um daqueles que lê todo o cardápio, etc. Assumo e assino embaixo: peço sempre, há muitos anos, o histórico Frango Sophia Loren, que vem a ser um peito de frango desossado, recheado de manteiga congelada, à milanesa. Com a temperatura, a manteiga derrete, derrete, e penetra totalmente. Servido com bolinhas de batatas, arroz à grega e farofa. Pela intimidade dos anos, já até chamo mesmo de “galinha Sophia Loren”. Sou também fã incondicional do Catfood a Gary Cooper, bolinhas fantásticas de carne, comidinha digna dos melhores gatos – como posso deixar de pedir... Agora, ler o cardápio é uma delícia quase tão agradável quanto saborear o que descreve.

É bom ver o tempo passar assim. Foram tantas as emoções (ops!), as experiências. Foram tantas as decorações, as inovações. Since 1984. Afirmação da segurança e fé em uma ideia, que deu certo, apostando em que, pelas ruas de Belém é possível “o prazer de estar lá”.

Deixei este post mesmo para a noite, como justa homenagem a um local tão bom de estar à noite.



Escrito por Fernando Jares às 23h47
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TECENDO MANHÃS (E ERAS) CULTURAIS

OS GALOS DE JOÃO CABRAL INSPIRAM O TECER CULTURAL

Linguagens, Culturas e Identidades: "Um galo sozinho não tece uma manhã".

É a partir desse tema que teremos este ano o XV Fórum Paraense de Letras, da Unama, de 9 a 12 de setembro. A inscrição para apresentação de trabalhos começa hoje (15/06), via site dessa universidade.

Os organizadores do evento afirmam que “a poética de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) é, como sabemos, inspiradora em mais de um sentido. Entre as muitas direções para as quais ela se abre e aponta, escolhemos para definir a perspectiva desse XV Fórum Paraense de Letras - encontro anual  de estudantes, professores, pesquisadores e  profissionais da linguagem - uma imagem que decorre da leitura generosa do poema "Tecendo a manhã".

Vale, portanto, irmos à fonte, ao poema de João Cabral, tal qual está, atualizados apenas os acentos, no seu clássico livro “A Educação pela pedra”, que reúne poemas escritos entre janeiro de 1962 e dezembro de 1965, em Madrid, Sevilha, Genebra e Berna, da Editora do Autor, primeira edição, de 1966 (exemplares numerados, o meu é 2682):

1
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

2
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

Para a equipe organizadora, que tem à frente a incansável professora Célia Jacob, “a metáfora do engenho, do esforço  coletivo - 'um galo sozinho não tece uma manhã' - presente no poema de João Cabral - foi pensada para fazer parte do tema do nosso XV Fórum com o objetivo de nos fazer lembrar  que um pensamento único não permite que se entenda tudo o que ocorre na educação no tempo presente, e nem define o que poderemos construir para o tempo futuro, pelas situações que a nós se apresentam como desafios no mundo das linguagens, da comunicação, da informação, da cultura.”

Afirmam ainda que “é preciso que muitos outros pontos de vista ('ele precisará sempre de outros galos') concorram para isso. Do cruzamento dessas perspectivas, de muitas perspectivas que se manifestarão nas Sessões de Comunicações, nos Minicursos, nas Palestras, nas Mesas Redondas, nas Exposições, se poderá  ter um pouco de um panorama mais abrangente, mais fiel - ainda que mais complexo -, 'encorpado em tela', do mundo, do universo das várias linguagens.”

Entendem assim que “uma possível compreensão da realidade, da nossa realidade amazônica, brasileira, universal, pode surgir desse esforço coletivo, concomitante, solidário. Tal como a manhã, não é resultado espontâneo do sol que se levanta, mas, antes, de uma trama dos 'gritos de galo', a compreensão das linguagens, das culturas e das identidades - e do papel do educador e do pesquisador nesse processo - é produto de vários pontos de vista, 'não um depois do outro, não um mais os outros, mas do seu cruzamento'. Nosso desejo é que este XV Fórum Paraense de Letras seja erguido como uma grande tenda de reflexões e de solidariedade, onde entrem todos, sem excluídos, 'todos se entretendendo para todos'”.



Escrito por Fernando Jares às 17h44
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O PESSOA, FERNANDO, QUE ERA ANTONIO

OS ANOS DE FERNANDO ANTÔNIO NOGUEIRA PESSOA

Hoje é o dia dos anos de Fernando Pessoa, o poeta. Digo-o assim, porque temos cá um Fernando Pessoa, que é arquiteto e design dos mais renomados – por sinal criador dos orelhões temáticos que em tempos já vimos pelas ruas de Belém.

Chamar o Pessoa português apenas de o poeta, já é um designativo claro, afinal, é um dos maiores versejadores em língua portuguesa, em todos os tempos, se não o maior, e um dos maiores poetas do mundo no século XX. O “Poeta Universal da língua portuguesa”, no dizer do professor Jorge Gandra Mendes.

Sou fiel amador (para usar a autoclassificação de Amarílis Tupiassu em relação a Vieira) da obra de FP, desde meus tempos de aluno do colégio do Carmo. Foi lendo Pessoa e, pouco depois, tendo aulas com João de Jesus Paes Loureiro, na preparação ao vestibular, que aprendi a ler e gostar de poesia. E até meti-me a fazer alguns poemas, como é plenamente aceitável e justificável para os jovens...

Mas como hoje, dia de Santo Antonio, é aniversário do Pessoa (nasceu em 1888), faço este post em um sábado e trago cá um poema dele. Escreveu-o em 1917. A seleção não é propriamente minha, apenas com ela concordei e cá a reproduzo. A escolha é do pessoal da Assírio & Alvim, na produção do “Diário 2009 – Fernando Pessoa”, editado em parceria com a Fnac/Portugal, a agenda onde registro compromissos e delicio-me com poemas pessoanos. Para cada semana, escolheram um texto, associado a um dia, e o que publico a seguir, é o de hoje. Ganhei esta agenda da minha sobrinha Cristina Helena, incentivadora do meu pessoismo, que tem abastecido de preciosidades a minha coleção de objetos ligados ao FP, inclusive a famosa cédula de 100 escudos dedicada ao maestro das palavras, mais valiosa ainda porque essa moeda não mais existe, substituída pelo Euro.

Mas vamos ao Pessoa:

Não sei. Falta-me um sentido, um tacto
Para a vida, para o amor, para a glória...
Para que serve qualquer história,
Ou qualquer facto?

Estou só, só como ninguém ainda esteve,
Oco dentro de mim, sem depois nem antes.
Parece que passam sem ver-me os instantes,
Mas passam sem que o seu passo seja leve.

Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li.
Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.
O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir
É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.

Não ser nada, ser uma figura de romance,
Sem vida, sem morte material, uma ideia,
Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,
Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.



Escrito por Fernando Jares às 13h04
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CARA A CARA COM UM CARDUME DE PIABAS

DE PIABAS A CAMARÕES IRACEMA,
DELICIOSA AVENTURA GASTRONÔMICA


“Meninos, eu vi!”, poderia eu exclamar, como o personagem do “I-Juca Pirama”, de Gonçalves Dias, que, por sinal, semana destas, foi tema do “Quarta é dia de poesia” – você já recebe seu poema às quartas? Basta inscrever-se no site Cais do Silêncio. Já tratei disso aqui.

Mas, voltando à exclamação: foi o maior cardume de piabas com que já me defrontei – e olhe que fui criança em Capanema, morando vizinho a um igarapé (o Atolador, imagine só) e com um igarapezinho sazonal dentro do nosso terreno, com água apenas no inverno. Pesquei muitas piabas, quer dizer, nem tantas, pois a gente pescava de búzio e de litro, raramente de anzol, e sempre eram poucas.

Pois bem, este cardume tinha uma vantagem sobre os lá de Capanema: estava sobre a minha mesa, as piabas fritinhas, crocantes, a maioria delas com uma carinha simpática, leve sorriso. Deviam ser em torno de 40 ou 50 delas, em uma travessa alta (foto acima) e chegaram até mim atendendo ao pedido da entrada “Piabinhas Fritas”, do restaurante Camarões/Beira-Mar, em Fortaleza.

A cerveja estava geladíssima e o restaurante é muito bonito, na avenida Beira-Mar, de frente para o Atlântico, um prédio construído para ser restaurante, com arquitetura caprichada, do rústico ao sofisticado, fazendo um conjunto agradável de ver e estar. Foi um almoço supimpa, como diria o meu avô.

Mas as atraentes e deliciosas piabas eram só a entrada. O prato principal foi camarão, óbvia especialidade da casa. Optamos, Rita e eu, pelos “Camarões Iracema”, logo eu imaginando um sabor correspondente ao encantado... da virgem dos lábios de mel, apropriadamente em terras alencarinas.

Pois bem, fomos muito bem servidos com uma grande quantidade de camarões refogados na manteiga do sertão, com cebola, alho, tomate, coentro e nata fresca e cubinhos de queijo coalho, como na foto abaixo. O lance do serviço é que é especial: vem em uma terrina, sobre arroz de leite e gratinado com mais queijo coalho. Esse arroz abaixo do creme coalhado (sem trocadilho com o queijo tão presente, justamente presente, diga-se, na cozinha cearense) de camarões é uma delícia à parte. Acompanhado de macaxeira frita, macia e crocante.

A indicação do restaurante foi de nossos amigos Edna e Carlos. Está na lista do melhores de Fortaleza, sempre com muita gente, atendimento simpático e manobrista. De minha parte, já listei nos favoritos, mais um a não perder em viagem a Fortaleza.

 



Escrito por Fernando Jares às 15h47
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TRABALHANDO, TRABALHANDO, TRABALHANDO...

A tradição brasileira de maior nação católica do mundo, parece estar fazendo água, pelo menos aqui em Belém. E olhe que temos aqui, provavelmente, a maior manifestação de veneração mariana do mundo! Mas há gente trabalhando, firmemente, contra.

O curioso é que é gente que, de um modo geral, se diz católica ou, pelo menos, cristã.

Quem andou hoje pelas ruas de Belém, deparou com lojas, shoppings, supermercados, tudo funcionando, como se fosse um dia normal. Bem, normal não é, porque os funcionários públicos não trabalharam (ops...), os bancários, os professores (bem, os estaduais estão em greve proibida, desafiando a ordem constituída que deveriam ensinar...) e outras categorias. Mas os comerciários estão lá, no seu trabalhinho escravo.

A sociedade, por seus sistemas de representação e gestão, acima mesmo da questão religiosa, decidiu que o dia de Corpus Christi é um feriado no município de Belém. A lei deveria ser obedecida. Acontece que o poder capitalista, em sua variável mais temível, em nome da ganhança incontrolável e de olho no dia dos namorados, decidiu fazer trabalhar seus empregados. Certo, há acordos com sindicato e mais o que for devido, mas quem pode ir contra? Deve entrar uns trocados extras, imagino e espero, no salário desses trabalhadores e, nesse aperto todo, acaba sendo muito útil. Mas a lei foi pro espaço. Ou a “lei é potoca”, como teria dito Magalhães Barata.

Já escrevi sobre essa anomalia, do lado perverso do capitalismo pisar nas leis dos feriados. O trabalhador de supermercado não tem o direito de aproveitar o domingo com os filhos de folga da escola, com a mulher de folga do seu trabalho, de ir ver o Papão jogar, ou o Remo (quando ele voltar a jogar), o Águia, etc. Imagine o comerciário ou supermercadista, católico, que hoje pretendesse acompanhar o Corpo de Deus pelas ruas de Belém, nas procissões realizadas. Ficou na vontade.

Pelo lado religioso, hoje é dia santo de guarda e domingo é o Dia do Senhor. Não se deve trabalhar nesses dias, a não ser naqueles ofícios em que é impossível parar, sem grave prejuízo para a comunidade. Mas isso é coisa de católico, de nação católica, etc.

E por causa disso, olha eu trabalhando aqui...



Escrito por Fernando Jares às 19h31
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ROBERTO CARLOS EM BELÉM, ONTEM E HOJE

CALHAMBEQUE ESTREOU EM BELÉM!

 

Marketing do início dos anos 60: Roberto Carlos vendendo canetas escolares.

Hoje é Dia de Roberto Carlos em Belém. O dono da mais longa e bem sucedida carreira como cantor no Brasil, praticamente sempre no topo, volta a cantar entre nós.

Apresentação de gala, no Hangar, cercada de números estonteantes, que os jornais reproduzem hoje em páginas inteiras. Bem diferente da primeira vez em que aqui se apresentou, em 1964, como atração em um circo, armado em São Braz... Simplinho, o ainda inimaginado Rei, circulou pelas ruas de Belém no side car da famosa Lambretta de Abílio Couceiro.

Nunca fui o que se pode chamar de robertocarlista, mas sempre gostei dele. Não tenho todos os discos e, na verdade, a coleção só aumentou depois da chegada da Rita em minha vida. Mas tenho uns compactos lá dos inícios – os compactos, com duas ou quatro músicas, saiam bem mais em conta que os LPs... Inclusive essa preciosidade que publico aí em cima e que vem a ser um compacto simples (ou single, em linguagem mais recente), gravado em apenas um lado. O vinil da gravação é transparente, colado sobre um cartão impresso. A música é “O calhambeque”. Foi brinde na compra de uma caneta Sheaffer Colegial, que vinha fixada à direita. Tocava de verdade, aliás, ainda toca, hoje com bastante chiado, obviamente, até porque os sulcos são bem rasinhos.

Mas a história da primeira apresentação de RC em Belém é interessante, especialmente neste dia de festejar jubileu. Sempre ouvi falar dela, principalmente em meus tempos de rádio, e decidi pesquisar mais fundo para este post.

Abílio Couceiro, um dos mais competentes repórteres de televisão do Pará em todos os tempos, completíssimo entrevistador, era um dos apresentadores do “PT Show”, com o José Severo de Souza, na TV Marajoara, programa que tinha o patrocínio da Phebo e da Tágide, daí o PT, nada político, portanto... Uma terça-feira, 19 de maio de 1964, havia necessidade de uma atração para o programa (ao vivo! Não havia gravações, na época), já que a acertada avisou que não poderia comparecer. Na busca, Abílio falou com o radialista Almir Silva (o “Armir”, do “Alor, Alor, interior”), que estava mais ou menos empresariando um cantor novo em Belém, Roberto Carlos. Combinaram um cachê modesto, já que ele ganharia a promoção, garantida pela televisão, disse-me hoje de manhã o Raymundo Mário Sobral, testemunha ocular do fato. Eu bem que assistia o “PT Show”, mas nesse dia dei vacilo. E deixei de testemunhar um pedaço da história.

É legal ouvir o próprio Abílio Couceiro, sobre o episódio:

Roberto Carlos não era um desconhecido. Já despontava como um nome a compor o cenário nacional. Mas ainda não era a grande estrela que viria a ser, uma das maiores da MPB em todos os tempos. A entrevista foi muito a favor do futuro Rei, com amenidades que permitiriam que ele se promovesse e apresentasse canções que já faziam sucesso e outras que ainda estavam sendo trabalhadas. Ao concluir sua apresentação, Roberto Carlos falou mais ou menos assim: ‘Agora, para encerrar, vou cantar pela primeira vez em público uma música que faz parte do LP que vou lançar no fim do ano. Ela se chama Calhambeque’.

Nesse depoimento, publicado no livro “Memória da Televisão Paraense”, de 2002, Abílio ainda acrescenta, mostrando que é excelente repórter acima de tudo, que “por ocasião dessa temporada em Belém, Roberto Carlos tirou aqui sua habilitação como motorista, na então Delegacia Estadual de Trânsito. O número da carteira é 30.510 e lhe foi entregue dia 22 de maio de 1964.”

Por sinal, por muitos anos, sempre que vinha a Belém, Roberto Carlos fazia questão de receber seu amigo Almir Silva, hoje já falecido.

Segundo José Severo, RC confirmou, em entrevista na Globo, no final dos 1900, que Calhambeque foi lançado em Belém!

O radialista e publicitário Abílio Couceiro no cenário do "PT Show", da TV Marajoara, nesta
foto entrevistando os senadores Catete Pinheiro e Lobão da Silveira. (Foto do livro citado)



Escrito por Fernando Jares às 16h23
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UMA VOZ EXTRAORDINÁRIA

OS GUARDADOS ETERNOS DE WALTER BANDEIRA

 

A ideia era vender o tão esperado CD do Walter Bandeira para ser presente para o Dia dos Namorados. Muito apropriado. Tem muito romantismo, tem muito amor, tem uma voz privilegiada e um acompanhamento musical extraordinário, principalmente do pianista Paulo José Campos de Melo.

Mas o Walter foi-se antes, inesperadamente. Não entendi o motivo de tanta pressa. O maldito câncer, geralmente, demora mais. Mas talvez seja muito egoismo querer esse ficar mais. Tudo bem, eu até poderia ter ido visitá-lo. Mas, com a demora, ele ia sofrer mais e mais. Como tinha que ser, foi logo, pragmaticabandeiramentemente.

Ainda bem que ficamos com o “Guardados e Perdidos”, este CD que está sendo lançado. Nem preciso dizer que tem músicas ótimas, afinal, foram escolha pessoal do melhor cantor dos que nasceram e cantaram, pelas ruas de Belém. Mas tenho que acrescentar que tem fotos ótimas, para recordar aquele sorriso maroto, que nos inspira a sorrir. Também tenho que acrescentar que, quase como bônus, vêm inúmeras aquarelas do próprio WB ilustrando a capa e as páginas do folheto do CD.

Walter canta em inglês, francês e português, Chico Buarque, Suely Costa, João Bosco, Fátima Guedes. Mas quero destacar a faixa “Guardados”, de autoria dele e de Paulo José, “uma canção dedicada à minha irmã Maria Lúcia e a Maria Lúcia Medeiros”, como afirma e assina o Walter. Ambas já falecidas, a primeira, irmã dele, a segunda uma das melhores escritoras paraenses. Letra e música primorosas, merecendo atenção especial a interpretação de Paulo José Campos de Melo ao piano (por sinal, ele é o piano de todas as faixas).

Este CD é uma excelente dica de presente: ter o Walter Bandeira presente, em qualquer momento. O meu, comprei com a Mônica, mas domingo já encontrei na loja Na Figueiredo, na Estação. Soube hoje que tem também na Fox.

Agora, a letra do Walter. Preste atenção nos versos.

GUARDADOS

Guardei tanto
Primeiro
Na concha entrelaçada dos meus dedos
Depois por medo
Sob o colchão
Entre os seios
Trincando entre os meus dentes um segredo
Por tanto tempo eu fiz
Torcendo a natureza
E desse modo fui me convencendo
Não era dor a perda
Era sossego
Eu não estou
Está a sua ausência
Sendo clara eu, e basta
Eu quis morrendo
(Esse limite existe?)
Me livrar de nós
Dito e feito
Hoje me escrevo
Me entendo
E é certo o endereço
Deito no colchão
E exibo os seios
Mordendo com prazer
O coração alheio.

Ontem foi sétimo dia de sua partida, infelizmente não pude ir à Igreja de Santo Alexandre, rezar e cantar por ele. Perdi muito. Uma pena.



Escrito por Fernando Jares às 17h42
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RESGATADA AUTORIA DO “MUÇUÃ DE BOTEQUIM”

VEJA/RIO REGISTRA AUTORIA PARAENSE

A denúncia feita por este espaço de que a chef de um badalado boteco do Rio de Janeiro havia, de acordo com a revista Veja/Rio, assumido a paternidade do “Muçuã de Botequim”, criação do chef Paulo Martins, apresentando o prato, com o mesmíssimo nome, como sendo de sua criação, teve boa repercussão.

Sugerimos manifestações à revista solicitando a correção da informação. Na edição desta semana a Veja/Rio publica duas Opiniões do Leitor, reivindicando a autoria paraense do prato. Eu sabia, com certeza, de três e-mails enviados e como nenhum deles foi publicado, mas dois outros, pelo menos cinco manifestações foram feitas, o que é ótimo. Importante é que fica registrado (embora apenas por inciativa dos leitores...) que a chef do boteco “Mas será o Benedito?” apenas aproveitou uma ideia já existente e disse que era sua...

Leia abaixo o que foi publicado na Veja-Rio. Caso queira ir à revista, o link está aqui.

A OPINIÃO DO LEITOR

O prato muçuã de botequim é criação do chef Paulo Martins, de Belém, no Pará, que o concebeu ainda na década de 80 ("Alta gastronomia de boteco", 3 de junho). É muito feio chefs de outros estados colocarem uma castanhinha em cima e dizerem que a criação é sua.
Carmen Cal”

O muçuã de botequim é e sempre foi paraense. Antes comíamos a carne do muçuã de verdade, mas, assim como acontece com a tartaruga, atualmente é proibido caçá-lo. Então inventamos o de botequim para enganar a vontade.
Jacqueline Ulbricht”

Fiz a minha parte. Leitores deste espaço, também. Mas bem que gostaria que alguma autoridade estadual, destas que que passeiam pelas ruas de Belém, seja ligada à cultura ou ao turismo, cuidasse de salvaguaredar este nosso patrimônio cultural paraense. Antenas ligadas, gente!



Escrito por Fernando Jares às 16h45
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FILHOTES & CAMARÕES EM FESTIVAL

A VITÓRIA RÉGIA DO GRÃO PARÁ

O filhote tal qual chegou a minha frente. Uma vitória régia.

Foi no feeling, mas acertei em cheio quando, ao noticiar aqui o festival gastronômico “Brasil Sabor”, promovido pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Belém, ilustrei aquele post com duas fotos, sendo uma delas do prato com que participava o restaurante Avenida.

Mal chegando de Fortaleza, rompi pelas ruas de Belém, no domingo, último dia do festival, quase diretamente para o Avenida.

Obviamente logo pedi o anunciado “Filhote Vitória Régia”. Antecedido por alguns camarões grelhados como entrada, com fino tratamento pela cozinha, sóbrio tempero como é recomendável aos bons camarões com este tratamento culinário.

Mas a expectativa se concentrava no prato principal, um filhote empanado em farinha crocante, recheado com queijo do marajó e castanha-do-pará, coberto com leite de castanha-do-pará, servido com arroz de aviú no tucupi.

Deu pra sentir a ansiedade? Que me perdoe a Rita, mas nem o Freud explica...

Por tudo isso, o pouso do prato a minha frente foi um momento quase triunfal. Primeiro registro: bonito! O ser agradável aos olhos é um elemento importantíssimo na alta gastronomia. Evidentemente não é essencial para um bom prato – já degustei comidas saborosíssimas sem nenhum trato visual, por essas esquinas do mundo. Mas que o belo visual agrada, não há dúvida. E este tinha ainda uma vantagem: a montagem correspondia exatamente a foto usada na divulgação do festival.

Mas vamos ao conteúdo. Aliás, nem precisa dizer muita coisa. Tudo isso aí descrito é delicioso e, com o tempero adequado, sem exagero ou arroubos contemporanísticos, correspondeu perfeitamente à adrenalina que provocou.

O chamado leite da castanha-do-pará, extraído da castanha verde, é pouco usado na composição de pratos. Mas já o conhecia, desde os tempos em que era possível consumir um jabuti no leite da castanha, seguramente a iguaria paraense mais requintada que jamais provei. O arroz de aviú (um pequeníssimo camarão, que mede em torno de um centímetro, encontrado na foz dos grandes rios aqui da região, especialmente pelo Marajó) com tucupi é um caso especial: no ato de consumo, levemente misturado ao leite da castanha, justifica plenamente a existência das papilas gustativas. Acompanhei o conjunto com cerpinhas geladas no ponto que me agrada.

Mas o almoço teve outro lance grandioso: a Bruna pediu “Camarão ao Grão Pará”, o vencedor do festival Brasil Sabor 2007. Crianças, é de ir para baixo da mesa festejar. Vem a ser um belo conjunto de camarões rosa, recheados com queijo do marajó, empanados na farinha de tapioca e servidos com creme de jambu e risoto de tomate seco e manga. Eles pegam os camarões aos pares, fazem um engatezinho deles e aí recheiam com o queijo, depois fecham o conjunto com o empanamento. Como boa filha, deu-me o direito de provar e compartilhar a satisfação. Acompanhou-o com um bom Miolo branco.

O buffet atendeu plenamente a Rita e ao Emerson, este um mineiro gastronomicamente convertido ao requinte da culinária paraense, que consumiu toda a maniçoba a que tinha direito. Com cerpinhas.

AVENIDA – O restaurante Avenida talvez seja o mais antigo em atividade em Belém. São 63 anos, desde 1945, na mesmíssima esquina da Generalíssimo Deodoro com a Nazaré, de frente para a Basílica. Nestes anos todos, só mudou de um lado para outro da rua e subiu para o primeiro andar. Fazia tempo que eu não ia lá, mas já por lá andei muito, tempos do pianista Álvaro Ribeiro, da mesa cativa do Romulo Maiorana, etc. Aliás, foi lá que pela primeira vez ouvi um “teclado” e seus acompanhamentos eletrônicos embutidos... Mas isso é outra história.

 

Dois dos camarões ao Grão Pará.

OBS.: por sugestão da Bruna, às sextas-feiras vamos conversar sobre gastronomia neste espaço.



Escrito por Fernando Jares às 17h28
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NOVO PRATO DA BOA LEMBRANÇA NO PARÁ

HADDOCK PARAENSE É BOA LEMBRANÇA

 

Assim como criou um sucedâneo para o protegido e proibido quelônio muçuã, o clássico “Muçuã de Botequim”, hoje praticamente incorporado à gastronomia nacional, embora muita gente que o faça nem saiba o que é um muçuã, o chef Paulo Martins, do restaurante “Lá em Casa”, criou um sucedâneo para o sofisticado haddock, que vem a ser um peixe semelhante ao bacalhau, que vive também nas águas muito frias do Atlântico Norte. Para tal proeza o Paulo, fiel à divisa, “bom gosto apurado e temperado pela imaginação”, fez um tremendo up-grade na nossa popular e por aqui pouco valorizada gurijuba, peixe símbolo de Vigia de Nazareth, cujos deliciosos bolinhos são inspiradores e estimuladores de longas cervejadas pelos melhores vigienses.

A denominação sucedâneo ele a foi buscar naquelas letras pequeninas, que quase ninguém consegue ler, nas latas do caviar que não é caviar de verdade, isto é, não utiliza as valiosas ovas de esturjão.

Joanna Martins, filha do Paulo, da terceira geração do “Lá em Casa”, explica e anuncia: “ele fez os cortes certos da carne, banhou-a em urucum e defumou. Nasceu assim o oitavo, e mais novo Prato da Boa Lembrança do ‘Lá em Casa’, o Haddock Paraense”. Que está aí em cima, em foto, assinada, de João Ramid. Dupla obra de arte.

Nas palavras do premiado chef paraense, trata-se de “uma falsificação legítima, que eu atesto!”.

Essa “pirataria gastronômica” elevou o status da gurijuba boa de guerra e criou um novo mercado para o peixe. Uma criação valiosa, como o seu precioso “Arroz de Jambu”, onde o tradicionalíssimo acompanhante do tucupi pulou das cuias de tacacá ou das terrinas de pato no tucupi para se tornar um novo prato de muito sucesso na gastronomia paraense. Hoje tem de um tudo com jambu, pelas ruas de Belém...

Quem pedir o “Haddock paraense” no restaurante “Lá em Casa”, leva como lembrança um belíssimo prato, em cerâmica artesanal, da série dos Restaurantes da Boa Lembrança. Veja-o logo abaixo. Colecioná-los é mania para muita gente no Brasil: eles têm até um Clube do Colecionador. Os do “Lá em Casa” eu coleciono e tenho todos os sete anteriores, expostos com muito carinho. Fico feliz porque a coleção vai aumentar.

Por experiência anterior, sei que se trata de fina iguaria, que vou comentar proximamente, assim que a degustar nesta bela apresentação. Por hora, a receita de como fazer o prato pode ser encontrada no site dos Boa Lembrança. Clique aqui.




Escrito por Fernando Jares às 14h41
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TEM BOI NA ACADEMIA!

BELEZA DO BOI DE MÁSCARAS INSPIRA UNIVERSIDADE

 

 O simpático Boi Faceiro, um dos bois de máscaras de
São Caetano de Odivelas, que já foi assunto neste blog.

A riqueza de sons e imagens dos bois juninos faz o apelo principal estes dias na Unama, que traz para o ambiente acadêmico o melhor da cultura popular paraense, unindo as mais diversas formas de expressão (e experimentação) artística. Além de ver alguma coisa pelas ruas de Belém, você pode curtir um São João cultural na Unama.

O Pará tem manifestações próprias e exclusivas do Bumbá e de outras brincadeiras juninas, infelizmente pouco conhecidas pelo próprio público e em nada pensadas em ser transformadas em produto turístico, de forma a trazer renda para o público que tem nisso apenas boa diversão. É a indústria do turismo, tão pouco valorizada em Belém e no Estado.

Mas, voltando à Unama e sua boa iniciativa, está aberta na Galeria de Arte Graça Landeira a exposição “Bumbá”, com trabalhos dos alunos do curso de Moda desta Universidade, sobre o universo da visualidade popular, característica dos autos dos bois bumbás. Eles pesquisaram particularmente os bois de máscaras de São Caetano de Odivelas, onde pontuam os bois Tinga e Faceiro. Você conhece o boi de S. Caetano? Gente, é muito mais alegre do que o boi tradicional, como o do Maranhão ou o enfeitadão e globalizado de Parintins... Atenção: a exposição fica até o dia 22 de junho, podendo ser visitada, de segunda a sexta, das 8h às 12h e de 15h às 21h e no sábado das 8h às 12h.

“Minha terra, Meu quintal” é a apresentação do Coro Infantil da Unama, amanhã, às 19h, no auditório David Mufarrej. O grupo estará no dia 6, sábado, no Curro Velho, às 18h.

Mas hoje o pessoal do cinema vai poder curtir o filme “Viva São João”, retrato do sertão brasileiro, “que mostra a alegria de seu povo, festeiro por natureza, apesar de todas as situações adversas que enfrenta”, afirma o material de divulgação do evento. O diretor é Andrucha Waddigton e mostra um punhado de gente famosa, como Gilberto Gil, Dominguinhos, Marinês, Alceu Valença, Elba Ramalho e outros tantos. Às 19h na sala de cinema do campus Alcindo Cacela.

O Coro Cênico da Unama apresenta na sexta, dia 5, o espetáculo “Trilhas D’Água”, no Espaço de Experimentação Cênica.

Por seu turno a Casa da Memória disponibiliza a seus usuários livros CDs e DVDs sobre estas manifestações folclóricas paraenses.

Para ver o folder com a programação toda explicadinha, basta clicar aqui.

E, o que é importante, como diz uma amiga minha, tudo de grátis.



Escrito por Fernando Jares às 14h44
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MENOS MÚSICA PELAS RUAS DE BELÉM

A BANDEIRA DO WALTER TREMULA LÁ EM CIMA


 Walter Bandeira visto pelo ilustrador J. Bosco, em 2007.
Fiquemos com essa imagem e sua voz maravilhosa.

“Logo no pulmão, ele com aquele vozeirão”, foi a reação da Rita ao saber do câncer que matou hoje, pela manhã, o melhor cantor paraense de quantos já tive conhecimento, Walter Bandeira. Rita, administradora pela UFPA, foi aluna do Walter em matéria optativa, no Curso de Teatro. Eu, parceiro em inúmeros trabalhos de publicidade e relações públicas. Ambos, fãs.

Cantor, pintor, músico, locutor, professor das melhores artes, poeta, artista na acepção do termo, multimídia, dizemos hoje, irreverente como ele só, brincalhão, alegre e tímido. Competente.

Quantas vezes aplaudi o Walter? Com certeza, bem menos do que poderia e deveria ter ido atrás de sua voz maravilhosa.

Quantas gravações de comerciais acompanhei! Era de uma vez só, direto, dificilmente precisava fazer de novo. A menos que ele estivesse a fim de brincar. Como brincava nos shows, quando tinha amigos por perto. E sempre os tinha. E sempre podia brincar.

O Walter foi-se, fica a voz em nossos ouvidos, na nossa memória, em nossos corações e em uns poucos registros fonográficos. Tenho alguns, desde o vinil.

Para lembrar desse grande nome de nossa cultura, vamos ouvir sua voz, com aquela a quem ele chama de “neta”, Fafá de Belém. Repare no olhar embevecido de Fafá para o Walter, enquanto canta. Repare na timidez dele no palco, de onde sai quase correndo diante da possibilidade de ser homenageado pela Fafá. Clique aqui para ver e ouvir “Foi Assim”, de Paulo André e Ruy Barata, que alguém copiou do DVD Fafá de Belém ao Vivo, no Theatro da Paz e disponibilizou no YouTube.

Em agosto de 2007 dei aqui uma dica sobre o Walter pintor. Leia aqui.

Menos música pelas ruas de Belém, como disse minha amiga publicitária Andrea Lima, também fã de carteirinha do Walter.



Escrito por Fernando Jares às 18h09
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HA 50 ANOS, O FUNERAL DE MAGALHÃES BARATA

Primeira página do vespertino A Vanguarda,
inteiramente dedicada ao funeral de Magalhães Barata

Há 50 anos, no dia 2 de junho de 1959, foi feriado em Belém e eu, no meu primeiro ano voltando a viver e estudar na capital, estava instalado no apartamento de amigos da família, no quarto andar do edifício Piedade (Pres. Vargas com Riachuelo), para ver a passagem do cortejo fúnebre com o féretro de Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, até pouco, governador do Estado, já pela terceira vez.

O grande líder populista do Pará morrera no dia 29 de maio e ficara em câmara ardente no Palácio Lauro Sodré, visitado por milhares e milhares de pessoas, como atestavam os jornais daqueles dias, para ser enterrado no dia de seu aniversário, 2 de junho.

Foi algo monumental, principalmente para quem tinha 12 anos. Alguns o comparavam ao Círio de Nazaré. Era gente a não mais acabar caminhando pelas ruas de Belém. “Nunca houve algo assim”, diziam os mais velhos. Era principalmente gente do povo, gente simples para quem o “velho” Barata era muito mais que um líder político.

Ficou-me na memória o depoimento de uma senhora idosa, por certo publicado no jornal A Província do Pará, que líamos sempre em casa, que rasgou o título eleitoral sobre o túmulo de Barata: já que não mais teria em quem votar!

Barata nasceu em Belém a 2 de junho de 1888 e fez uma carreira política com altos e baixos – muitos estudiosos hoje alegam que mais favorecido por nomeações, resultado de golpes políticos, do que por eleições livres.

Mas é fato que comandou o partido mais forte de sua época entre nós, que elegeu muita gente. Que cunhou frases que ficaram para a história, como, talvez, a mais célebre: “lei é potoca”, que teria dito aos seus advogados, que tentavam convencê-lo de que não poderia nomear seu secretário de Justiça, Aurélio do Carmo, governador interino, durante viagem do titular ao Rio, em 1958. Pela lei, deveria assumir o presidente da Assembléia Legislativa, Max Parijós. Nomeou Aurélio, viajou, deixou a maior crise, Max ficou tentando assumir, voltou rápido e a crise acabou. Lógico que essa história eu não sabia na época, embora a frase eu a tenha ouvido por toda a vida. Encontrei esta explicação no segundo volume do livro “Magalhães Barata”, do jornalista e historiador Carlos Rocque. Embora ele ressalve haver quem afirme que Barata poderia nunca ter dito isso, que seria mais uma das lendas sobre o grande caudilho do Norte.



Escrito por Fernando Jares às 16h41
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O MUÇUÃ VIROU CARIOCA?

BOTECO DO RIO ASSUME “CRIAÇÃO”
DO MUÇUÃ DE BOTEQUIM

Deu na Veja Rio desta semana, que está nas bancas do Rio de Janeiro, dentro da matéria “Alta gastronomia de boteco”:

Um corte como o músculo, por exemplo, não costuma empolgar a maioria das pessoas, mas na versão da chef Nadja Pimentel, do Benedito, virou sucesso: a carne refogada é cuidadosamente desfiada e arrumada, recoberta por uma camada de farofa salpicada com pedaços de castanha-do-pará, torradinhas e molho à campanha. Batizado de muçuã de botequim (R$ 18,90), o prato é lindo de ver e tentador.”

Esse Benedito vem a ser o recém-inaugurado, em abril passado, boteco “Mas será o Benedito?”, na Lapa, Rio de Janeiro, do mesmo dono do tradicionalíssimo “Bracarense”.

Pois é, dona Nadja Pimentel “criou” o muçuã de botequim, que eu degusto desde os anos 1980, ainda no famoso JB, o bar-restaurante-lanchonete de Paulo Martins, na rua João Balbi, há muitos anos já encerrado. Íamos lá, com as meninas, quase todos os domingos, à noite, após a Missa das 19h, na Trindade. E continuei cultuando o prato no "Lá em Casa", ao longo dos anos!

O copyright é do Paulo, sim senhor, disso não tenho a menor dúvida e a Tânia Martins, a quem telefonei hoje perguntando, confirmou. Acontece que ele levou a criação para os inúmeros festivais que participou pelo Brasil, difundindo a gastronomia paraense e, hoje, a receita consta em muitos sites especializados. Infelizmente, omitindo o autor. Como no site da revista “Prazeres da Mesa”, cujos editores devem saber muito bem que a criação é deste chef paraense. Mas devem ter esquecido... pois não consta o crédito na receita que publicam.

Ao criar a variante de colocar castanha-do-pará no prato, que não consta da versão original, d. Nadja poderia, ao menos, ter criado um nome novo, mas não é o que transparece no texto da Veja Rio.

O muçuã de verdade é uma pequena tartaruga de água doce, tipo um palmo de comprimento, de carne deliciosa, comum nos restaurantes pelas ruas de Belém até os anos 1960/70, quando foi proibida a sua captura, para assegurar a sobrevivência do bichinho. Principalmente porque gente inescrupulosa os pegava ainda pequenos, antes sequer de poderem procriar.

Como era um produto muito desejado pelos comensais da cidade e visitantes saudosos, Paulo Martins descobriu um sucedâneo. Um genérico, como se diria hoje... Identificou o músculo como uma carne com características muito semelhantes que, recebendo um tempero idêntico e bem dosado, gerava um sabor muito semelhante ao quelônio. Tiro certíssimo. Delícia garantida. Sucesso total. Mesmo quem nunca provou o muçuã, adora o prato. Como a equipe da Vejinha Rio, que o conheceu com nova dona...

Existem histórias interessantes acerca deste prato. Lembro-me que, em uma das primeiras vezes que o pedi no JB, o garçom explicou, insistentemente, que não se tratava da tal tartaruguinha, mas de músculo tratado e temperado de forma criativa. E só fez o pedido quando eu garanti que não estava esperando o animal proibido!

Há também a história – e nem faz muito tempo – que, tendo Paulo Martins colocado o Muçuã de Botequim no cardápio que serviria em jantar especial em um aristocrático clube de Belém, recebeu a visita de fiscais, preparados para apreender os muçuãs. Ao que parece, alguém que joga mais na turma do mal, fez “denúncia anônima” (ou invejosa e ignorante) a respeito, levando as tais autoridades ao vexame de encontrarem apenas peças de músculo na cozinha do clube...

Bem, infelizmente o registro da paternidade (ou maternidade) indevida foi feito por revista de muita credibilidade. Só nos resta manifestar a insatisfação, pedindo a correção à Veja Rio. O endereço é vejario@abril.com.br. Já vou mandar a minha. E a Larissa, que me ligou de Niterói, ontem à noite, indignada, já deve ter feito a dela. Faça também a sua manifestação.

Ah, leia a matéria da Vejinha Rio clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 16h37
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