Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog



Outros sites
 Cais do Silêncio - Literatura de Jason Carneiro
 Quarto Escuro - escritos, lidos, gostos e desgostos de Bruna Guerreiro
 Oníricos - O e-book de Bruna Guerreiro
 Cerveja que eu bebo - Cervejas bem bebidas, experiências compartilhadas.




UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


OS 90 ANOS DE UM ECLIPSE

A MINHA AVÓ, O ECLIPSE E EINSTEIN

Provavelmente poucos sabem que, no dia 29 de maio de 1919, há exatos 90 anos, aconteceu um eclipse total do sol, que deixou muita gente impressionada pelas ruas de Belém e de muitas cidades. Mas que serviu para uma grande conquista da ciência, onde o Brasil teve uma participação, digamos assim, espacial.

Minha avó, espanhola, que quando conheci tinha como atividade principal rezar por todos nós, o que começava, invariavelmente, às 4h da madrugada, mas que já tinha até sido agricultora ali pras bandas de Castanhal (meu amigo José Carneiro, jornalista, pesquisador e memorialista castanhalense, cuja página quinzenal "Memórias do Pará" em O Liberal completa hoje dois anos, ainda vai me ajudar a resolver esta parte da história), contava sobre o fato. Segundo ela, de repente, o dia virou noite, por volta do meio dia. Lembro-me bem dela dizer que os cachorros uivavam desesperados, os galos cantavam, muita gente corria para dentro de casa, para rezar. As crianças, umas choravam, mas outras faziam a maior farra, barulho muito. Os mais letradinhos esperavam o fato com pedaços de vidro esfumaçados pela chama de velas, como forma de ver o espetáculo sem “queimar os olhos”.

O que, provavelmente a minha avó não sabia, era que esse eclipse era importantíssimo para um dos homens mais inteligentes do século XX, Albert Einstein, então um jovem cientista alemão.

Neste mesmo dia, cientistas ingleses, norte-americanos e brasileiros estavam na cidade de Sobral, no interior do Ceará, para observar e fotografar o fenômeno, com a missão de comprovar a veracidade de uma das mais fantásticas descobertas científicas da ciência do século XX.

 EINSTEIN – O físico Albert Einstein havia apresentado, em 1915, a sua Teoria da Relatividade Geral, com o que revolucionou na ciência moderna os conceitos de espaço-tempo, avançando sobre as leis de Newton, a partir da sua própria Teoria da Relatividade Restrita. Cientistas renomados concordavam com a tese, mas precisavam de uma comprovação. E ela seria conseguida com um eclipse total do sol, quando se poderia identificar que a luz originada de estrelas que estavam atrás do sol desviaria dessa massa e seria vista ao lado do astro. Era impossível ver isso de dia, porque o sol não nos permite ver as estrelas – que estão lá no firmamento. Com o eclipse, as estrelas aparecem!

E o eclipse seria o de 1919. Foram escolhidos dois locais, a cidade de Sobral, no Brasil e a ilha Príncipe, na África. Para lá foram cientistas registrar o acontecimento, medir a luz das estrelas, seu deslocamento sobre o percurso original, etc. Em ambos os casos a teoria do grande físico foi comprovada.

Mas as imagens captadas no Brasil foram consideradas as melhores, segundo o próprio Einstein: “a questão que minha mente formulou foi respondida pelo radiante céu do Brasil”, afirmou.

A gente nem se apercebe hoje, mas os satélites só foram possíveis a partir das descobertas e formulações científicas de Einstein e com eles praticamente toda a nossa comunicação, incluindo o GPS. As viagens espaciais, a bomba atômica, tudo vem desse homem contemporâneo, que já foi assunto neste blog quando falei sobre o jornalista e publicitário Oswaldo Mendes, que entrevistou Einstein, nos Estados Unidos. Veja aqui.

Essa história toda foi contada com muita competência pela jornalista Yanna Guimarães, nas páginas do caderno “Ciência e Saúde”, do jornal O Povo, de Fortaleza, edição de domingo passado, 24. Um texto simples e primoroso, fácil de entender, com depoimentos de gente que entende e que contribui para o conhecimento. E olha que é um assunto complicado. Você pode ler no site de O Povo. Clique aqui, para ir diretamente para a matéria de abertura do caderno. Depois vá chamando as outras matérias, que são seis.

 CONFERÊNCIA – A Conferência Internacional O Sol, as Estrelas e a Relatividade Geral (Sobral Meeting), marca o grande acontecimento. Foi realizada nos últimos dias em Fortaleza, onde ando eu esta semana, e termina hoje, em Sobral. Cerca de 40 cientistas, de diversos países estão participando. É interessante registrar que em Sobral existe o Museu do Eclipse, inaugurado há 10 anos e, segundo se diz, muito bem equipado. Conheça-o, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 10h42
[] [envie esta mensagem] [ ]



DA CUIA E DOS LIVROS AOS BARQUINHOS

CULTURA PARAENSE EM PARIS

 Terminou ontem, em Paris, o colóquio internacional "Amazônias brasileiras: imaginário e criação contemporânea" que teve como destaque a obra dos autores Lindanor Celina e Dalcídio Jurandir. “Foi um verdadeiro sucesso”, no dizer da professora paraense Daniela Cruz, que leciona na Universidade de Naterre e foi uma das organizadoras do encontro. “Graças a Deus deu tudo certo e estamos vendo a possibilidade de fazer uma "repitota" como dizemos no Pará, mas ainda precisamos pensar direitinho”, declarou a este blogueiro (ou será poster?).

As fotos de Alexandra Dumas (que nome mais apropriado!) registram alguns momentos do evento:

1 – a professora paraense Daniela Cruz participa de uma table ronde.

2 – eles cortam os rios paraenses, transportando gentes e ligando culturas, e aqui a miniatura de um deles faz a alegria de Idelette Muzart, a chefe do Departamento de Português da Universidade de Nanterre, uma brasilianista muito reconhecida na França.

3 – a cuia do tacacá, do açaí com farinha, do mingau de tapioca, aqui é a cuia da melhor cultura paraense, que desfrutamos pelas ruas de Belém, para os franceses.

4 – As obras de Lindanor Celina e de Dalcídio Jurandir, mostradas na universidade francesa.

 1

2

3

4



Escrito por Fernando Jares às 12h52
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELAS RUAS DE FORTALEZA (I)

BEACH PARK, UM SUCESSO SEMPRE ATUALIZADO

Estivemos (domingo) no muito bem equipado Beach Park. É um conglomerado com três áreas principais: o Aqua Park, pioneiro de muitos anos e considerado o maior parque aquático da América Latina; o Beach Park Suítes Resort, à beira-mar, com 172 apartamentos, centro de convenções e toda infra; e ainda mais o Beach Park Praia, uma área de lazer e turismo com lojas, restaurante especializado em caranguejo e comidas típicas, gelateria, bares, o Museu da Jangada (muito simples e pouco cuidado), tenda de massagem e até escolinha de surf.

E como eles não param de se atualizar, há um projeto novo, em fase de vendas e início de construção – no espaço que era o estacionamento, de forma que agora não tem onde deixar os carros, que ficam pela rua, com flanelinhas aos montes –, o Beach Park Wellness Resort, anunciado como “última chance de viver em um resort integrado ao Beach Park”. Quem comprar uma unidade, de dois ou três quartos, vai ter acesso livre ao parque aquático por 10 anos.

É tudo um conjunto belíssimo e atraente, com centenas de pessoas circulando o tempo todo. São cerca de 2 mil por dia!

Almoçamos no restaurante ao ar livre, entre os coqueiros, na beira do mar, onde comemos os seus premiados caranguejos. O toc-toc é, em tese, igual ao nosso, com pauzinho pra quebrar e tudo. Mas no conteúdo, há diferença grande, já que os cearenses estão em um molho de coco e dendê. São bem gostosos, e o local muito agradável, predominantemente familiar. Mas confesso, embora eu não seja um grande caranguejeiro, que sou mais os que encontramos pelas ruas de Belém. O almoço teve também uma deliciosa carne de sol desfiada com macaxeira frita e cervejinha bem gelada. Saímos assim que a chuva começou a se armar pros lados do oceano.



Escrito por Fernando Jares às 17h05
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELAS CHUVAS DE FORTALEZA

Ora vivas, hoje Fortaleza amanheceu com sol aberto, digno das melhores tradições nordestinas. Mas nestes últimos dias, às vezes ele nem aparece. Fica igual ao daí de Belém, parece que de greve.

Estou aqui pela terra alencarina desde sábado e já cheguei debaixo do maior toró. Domingo o sol deu as caras pela manhã, meio fracote. De tarde e de noite, chuva. Fomos – estamos, eu e Rita, em casa dos amigos Edna e Carlos – caminhar pela feirinha da Av. Beira Mar, uma bela avenida na orla marítima, lotada de barraquinhas de todo tipo (como tem artistas plásticos, com belos trabalhos!), ainda compramos umas castanhas e tomamos um licorzinho de genipapo, de acelerar o papo. Mas a chuva atacou, de tal forma rápida e forte, que molhou todo mundo. Esta chuva emendou a noite com a manhã e só diminuiu próximo ao meio dia da segunda. Durante a noite voltou, amanheceu terça dona do pedaço e só foi descansar pelo meio da manhã.

Como chove em Fortaleza. E é cada aguaceiro, que mais parece aqueles que desabam pelas ruas de Belém. Fui criado na tradição das secas nordestinas, das levas de cearenses chegando a Belém (eram chamados de “arigós”), povoando a Amazônia. Minha Capanema querida teve ocupação predominantemente nordestina.

Ops, já estou vendo umas nuvens escuras e sol escondido atrás delas...

Mantive o texto porque já estava escrito. Mas, começou a chover! (12h).

Na foto, vista de minha janela, 8h de segunda-feira...



Escrito por Fernando Jares às 12h57
[] [envie esta mensagem] [ ]



BRASIL SABORES EM BELÉM

DIAS PANTAGRUÉLICOS NA CIDADE DO TUCUPI

Quem gosta da fina gastronomia paraense, está em semana de festa (e eu estou longe, 1.500 km distante... perdendo esses dias pantagruélicos pelas ruas de Belém). É que está rolando, até domingo, 31, a versão belenense do festival “Brasil Sabor”, promovido pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Nossas mais requintadas iguarias ganham, via de regra, releituras caprichadas, assinadas por alguns dos melhores chefs da cidade. São 22 os restaurantes participantes.

Você tem opções como risoto de pirarucu com camarão (La Traviata); tapioquinha recheada com queijo de búfala, pirarucu e jambu (Tapioquinha da Amazônia); um filhote na crosta de castanha-do-pará (Capone); confit de pato ao molho de taperebá, com risoto de castanha-do-pará (La Madre); ou o filhote empanado em farinha crocante, recheado com queijo do Marajó e castanha-do-pará, no leite da castanha, e servido com arroz de aviú no tucupi (Avenida). Deu para sentir o drama? Tenho que voltar correndo, para pegar pelo menos um dia...

Veja a lista completa dos restaurantes e respectivos pratos, com espaço para opinar sobre eles, clicando aqui, diretamente na lista dos que participam pelo Pará, no site do festival Brasil Sabores.

Veja abaixo fotos dos pratos do La Traviata (1) e do Avenida (2), captadas do site da Abrasel.

 1 2



Escrito por Fernando Jares às 11h20
[] [envie esta mensagem] [ ]



COLÓQUIO LITERÁRIO EM PARIS

O BOM DESTAQUE PARA A CULTURA

O colóquio internacional "Amazônias brasileiras: imaginário e criação contemporânea" que começou no domingo em Paris e que tem Lindanor Celina e Dalcídio Jurandir como homenageados, ganhou destaque na mídia local: além de ser assunto do Diário do Pará on-line (leia aqui), foi matéria de página inteira, na capa do caderno “Você”, no jornal Diário do Pará de hoje (25/05). Esse material foi elaborado a partir do post com que o Pelas Ruas de Belém anunciou, em primeira mão, a realização do simpósio, reproduzindo trechos daquele texto, inclusive qualificações de nossa criação, como aquela sobre o grande escritor Ferreira de Castro, que nomeamos como “português menino-amazônico”. Legal isso, deste blog pautar a grande imprensa. Tudo pela valorização desta terra, de nossa cultura, de nossa gente, pelo amor a Belém e ao Pará.

Aberto no domingo, o evento teve hoje a sua jornada literária, sendo a conferência inaugural do professor Gunter Pressler. Como amanhã haverá uma grande greve de transportes nessas terras francesas (sim, também lá eles fazem dessas, prejudicando todo mundo – é o preço que temos de pagar para manter a liberdade de pensamento e expressão!), o colóquio pula esse dia e vai ser prolongado até quarta-feira.



Escrito por Fernando Jares às 22h24
[] [envie esta mensagem] [ ]



O PARÁ VENCE EM LAS VEGAS

 

A ESTRELA DO PARÁ BRILHA LÁ EM CIMA!

A estrela paraense brilhou mais uma vez lá em cima – como na histórica campanha criada pela Mendes Publicidade para a ADVB, nos anos 1970: “Pará, a estrela que brilha lá em cima”.

E desta vez foi, literalmente, lá em cima, no hemisfério norte, com a vitória impressionante de Lyoto Machida em Las Vegas, sobre o campeão mundial de sua categoria de vale tudo. Temos um atleta de primeiríssima, que vive cá, pelas ruas de Belém, desde os três meses de idade. Esse garoto nosso mostrou ao mundo a competência paraense, também na briga. Aliás, já temos uma boa tradição em esportes marciais.

Para quem, como eu, na juventude vibrou com os programas ao vivo de luta livre na TV Marajoara, onde os dois grandes heróis eram Tourinho (o do bem, que sempre sofria golpes desleais, mas ganhava as lutas) e Búfalo (o do mal, traiçoeiro, que geralmente se dava ruim), foi um momento tele-cath sensacional. Com uma grande vantagem: a vitória internacional de quem vive no Pará.

E acho que para quem cultiva o amor a nossa terra, o melhor veio depois da luta, quando a bandeira do Pará foi exibida ao mundo, com destaque, no ringue e na torcida. Aliás, na torcida, mais coisa bonita: as cores azul celeste e branca, em uma camisa do Paysandu, participando da grande conquista e completando a alegria do povo.

A luta em si foi muito boa. Era para ser em cinco assaltos, mas o Machida liquidou a fatura no meio do segundo, ao estilo Mike Tysson, triturando o adversário, que até agora deve estar procurando o trator...

O agradecimento do vitorioso, mostrando humildade e simpatia, chorando de emoção pela conquista, foi outro momento grandioso.

Quem não viu a luta, inclusive com a entrevista de novo campeão mundial no vale tudo, pode ver clicando aqui.

Aliás, peguei uma declaração bem política, consciente, do Machida no UOL:

"Fico muito feliz para quem saiu de um Estado onde tem poucas oportunidades, um lugar onde o governo não dá muito apoio. Além disso, dentro do Brasil, querendo ou não, existe uma discriminação com o Norte e Nordeste. Então isso mostra uma grande evolução, um grande crescimento, e fico feliz de estar participando", afirmou o lutador.

 



Escrito por Fernando Jares às 12h09
[] [envie esta mensagem] [ ]



ELVIS JONES ESTÁ DE VOLTA

GAROTO BOM DE SOLETRAÇÃO!

Elvis Jones, o simpático garoto de Tailândia, aqui no interior do Estado, entre em campo, ou melhor em palco, ou em cabine de soletração, para defender nosso Estado, nas semifinais do quadro Soletrando do programa de Luciano Hulk, na Globo, que começam amanhã. São nove os Estados semifinalistas: Alagoas, Amapá, Ceará, Pará, Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Tocantins. Um desses campeões estaduais de soletração levará o troféu Monteiro Lobato.

Fiquei fã do menino ao ver a participação dele, quase por acaso, quando se classificou. Estava almoçando na casa de minha cunhada no Rio e, com o componente de estar longe de casa, o paraensismo gritou: “Elvis Jones é o cara!”. Naquele dia registrei a vitória do herói de Tailândia, que você pode ler, clicando aqui. Para chegar lá ele venceu, inclusive, estudantes que andam por cá, pelas ruas de Belém.

E, pelo jeito, não fui só eu que gostei da simpatia de nosso conterrâneo vencedor. Veja só o que diz dele o texto da Globo sobre as semifinais:

Elvis Jones, do interior do Pará, também tem vaga garantida nas semifinais. O garoto, de 12 anos, além de encantar o Caldeirão com sua simpatia e bom humor, conquistou Sandy, arrancando uma homenagem da cantora no palco. A jurada cantou e dedicou “Love me tender” de Elvis Presley ao menino da cidade de Tailândia. Elvis contou para a produção que já é conhecido pela cidade dele e até distribui autógrafos e tira fotos com fãs.” A matéria completa está aqui.

Amanhã, sábado, é a primeira semifinal. Vamos torcer por ele. Como vou estar a voar nessa hora, torço para que ele fique para a próxima semifinal. Mas é melhor todo mundo fazer aquilo que, em 1970, chamaram de “corrente pra frente”, e deu muito certo!



Escrito por Fernando Jares às 18h16
[] [envie esta mensagem] [ ]



TROFÉU RM PARA ALAN

MEDALHISTA DE PEQUIM GANHA TROFÉU

Deu a lógica e o justo ontem, na premiação do Troféu Romulo Maiorana para os esportes. O Atleta do Ano foi Alan Fonteles, nosso medalhista paraolímpico do ano passado, na China. O menino merece! Trouxe para nosso Estado uma de nossas raras medalhas conquistadas em olimpíadas: medalha de prata no revezamento 4x100m nas Paraolimpíadas de Beijing/2008, além de outras importantíssimas conquistas nacionais. Como é dos nossos, que circula pelas ruas de Belém, já foi assunto aqui no blog. Sou da torcida desse menino. Aliás, os meninos paraenses dominam a pauta deste blog hoje.

Segundo o Comitê Paraolímpico Brasileiro, “O atleta de apenas 16 anos é o único brasileiro que corre com próteses e treina, em média, três horas por dia.”

Alan tem o patrocínio da Guerreiro Consult, que tem sede em Brasília, mas é comandada por Renato Guerreiro, um paraense, de uma das mais tradicionais (e grandes) famílias de Oriximiná. Esta empresa, de consultoria em tecnologia, comunicação e informação, tem um ativo programa de responsabilidade social.

Um registro interessante: no ano passado o título de Atleta do Ano desta premiação também foi destinado a uma para-atleta, a simpática Batatinha, da seleção brasileira de basquetebol em cadeira de rodas feminino.



Escrito por Fernando Jares às 18h06
[] [envie esta mensagem] [ ]



REFLEXÕES SOBRE PETECAS

AS PETECAS DO SODRÉ E OS MEUS TUCUNS

Quem lembra do jogo de peteca? Aquelas de vidro, que as crianças jogavam (jogam ?), não aquele jogo tipo vôlei que jogam pra lá e pra cá algo que tem umas peninhas em cima.

Melhor chamar um entendido no assunto: “petecas são aquelas esferas de vidro, coloridas, que são atritadas umas contra as outras em diversas modalidades de competição (triângulo, sete-quatorze-vinte e um, corre atrás...) e com regras adaptáveis para cada ocasião, que podiam ser do bem (permitiam o ‘ispa’, por exemplo) ou do mal (que compunham um feixe de normas radicais: escapole, deixa; fedeu, morreu; palmo, mata), estas eram impiedosas, imponderáveis”.

Este “especialista” que eu cá chamei, foi um bom moleque pelas ruas de Belém, enquanto eu o era lá por Capanema. É o Raimundo Sodré, cronista, contista, um cara gente boa, que escreve todos os sábados em O Liberal. Sodré é operário, da indústria e da palavra, mora em Barcarena, onde também é líder sindical. Tem diversas publicações, acho que possuo todas, ou quase isso, inclusive autografadas. Tenho a grande satisfação de ter editado uma de suas primeiras publicações, talvez a primeira, no jornal interno da Albras, o BIF – Boletim Informativo da Fábrica, embora ele trabalhasse na Alunorte (é que essa empresa estava começando e ainda não tinha um jornal). Hoje ele é escritor de destaque, encontro-o sempre na Feira do Livro, e já foi até tema de trabalho acadêmico: “O feminino nas crônicas de Raimundo Sodré”.

Lendo a crônica de sábado passado, onde conta uma história do Sting e sua passagem por estas bandas, em 1989, encontrei metida pelo meio a história do jogo das petecas. Joguei isso, com algumas mudanças no nome e nas “regras”, se é que elas existiam... A diferença mais destacada é que, na maioria, jogávamos com tucum, que vinha a ser o caroço do tucumã, muito bem raspado, limpo no interior da melhor forma e no qual era colocado chumbo derretido (alguns “especialistas” faziam isso e vendiam), depois era dar uma envernizada, com óleo e ficava lindão. Alguns radicais jogavam com “aço”, que vinha a ser uma esfera de aço, dessas usadas em balanças grandes. Mas isso era terrível, pois quebrava as petecas e até os tucuns que não estivessem bem cheios, já que eles arremessavam com violência, de propósito.

Sabe qual era o prêmio ao vencedor? O Sodré conta assim: “Bolo, ao contrário de alguns entendimentos achocolatados, é uma palmada na mão que é recebida como prenda quando nossa peteca é atingida pelo adversário e perdemos o jogo”. A seguir ele enumera outras formas de “pagamento”, do chope-de-uvita até uma volta-de-ônibus. Lá, nós tínhamos hábitos diferentes. Havia quem usasse o tal bolo. Mas ao que lembro na minha turma o perdedor pagava com cédulas... de carteira de cigarros. Isso mesmo, vivíamos catando carteiras abandonadas (para mim era terrível, pois o papai não fumava, isto é, eu não tinha abastecimento em casa), das quais se tirava o forro aluminizado e a parte de papel era aberta e dobrada como uma cédula de dinheiro. Segurávamos entre os dedos, como os cobradores dos ônibus faziam em Belém. Chique. Cada marca tinha um valor. A mais valiosa de todas era a dos cigarros Columbia Cheguei a ter uma, não sei se ganha no jogo ou achada. (consegui essa imagem na internet). Mas ela foi motivo de uma inesquecível infelicidade minha. Eu tinha de esconder muito bem as tais carteiras, porque a mamãe tinha horror ao cheiro de cigarro. Bem, as danadas cheiravam sempre, inclusive no bolso da calça e... no esconderijo. Um dia, logo quando eu tinha a dita Columbia, mamãe as descobriu e o resto vocês imaginam muito bem e poupam-me mais (ou más) recordações.



Escrito por Fernando Jares às 18h13
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELAS RUAS DE PARATY (II)

BANANA DA TERRA DE PARATY


Das minhas andanças recentes pelas ruas de Paraty, já disse aqui, resultaram experiências muito agradáveis no campo da culinária. A gastronomia mais regional, mais típica, é a chamada “cozinha caiçara”, baseada em produtos da terra e, principalmente, do mar. Na área existem até fazendas marinhas que criam mexilhões, ostras, camarões e outros frutos do mar, o que permite aos restaurantes trabalhar com produtos fresquinhos.

Um dos endereços da cidade que já levei anotadinho na minha agenda foi do restaurante “Banana da Terra”. Isso se justifica pelo fato de que é um dos restaurantes da Boa Lembrança, aquela associação que reúne os melhores restaurantes e chefes do Brasil – que tem Belém dois integrantes, o “Lá Em Casa” e o “Dom Giuseppe”. Quando vou a uma cidade, antes visito o site da Boa Lembrança, para saber quem é o associado, conhecer o prato da Boa Lembrança, aquele que ao pedir, você ganha um prato em cerâmica, sempre bonito, para decoração – os meus estão todos na parede. Assim, por conta dessa fé e desse seguimento, já estive em alguns lugares realmente extraordinários, como o Locanda della Mimosa, em Petrópolis ou o Zé Maria, em Fernando de Noronha.

E foi dessa forma que minha incursão no “Banana da Terra” foi plenamente gratificante. O local é muito agradável e bom de estar. Ele fazia parte do Circuito Gastronômico Paraty Delícias do Mar, que acontecia naqueles dias. Mas eu me ative ao Prato da Boa Lembrança: “Camarão flambado na cachaça”.

Como todos sabem, a cachaça de Paraty é clássica, das melhores do país, como era a nossa azulzinha de Abaeté, que infelizmente acabou. A de lá é de tal forma conhecida que virou uma das centenas de sinônimos de cachaça (como em “Camisa Listrada”, de Assis Valente: em vez de tomar chá com torrada, ele bebeu parati).

Pois bem, os tais camarões, fresquinhos como é de se esperar, são flambados em cachaça, depois de rapidamente passados no azeite quente. O charme do prato fica por conta do arroz negro, um cereal de origem mediterrânea, originário da China, onde é cultivado há milhares de anos – e até diziam ser afrodisíaco... Veio também com uma juliene de abobrinhas e azeite aromatizado com salsa e pimenta rosa.

O conjunto, pelo uso correto e adequado dos temperos, inclusive sem exageros da pimenta, bastante leve, formou uma harmonia que agradou os diversos sentidos: os olhos, pela beleza da montagem do prato, o olfato, pelo bom aroma da iguaria requintada e, principalmente, ao paladar. Crédito seja feito à chef do restaurante, Ana Bueno, das mais estreladas do país.

À sobremesa, fomos a uma torta quente de banana com sorvete de canela e calda de vinho do porto. Outro conjunto para ganhar nota 10 em qualquer avenida e com os júris mais exigentes. Lembra daquela banana que a gente faz em casa, quente com canela e mel ou açúcar? É, lembra, mas tem um sabor ainda muitos pontos acima.

A descrição aqui feita do Camarão Flambado na Cachaça, que corresponde ao prato que nos foi servido, difere daquela que está no site da Associação da Boa Lembrança, onde o prato é acompanhado, além do arroz negro, de um creme de açafrão e crocante de aipim. E, segundo a descrição, tem 32 camarões, o que deve ser erro na grafia, porque o meu prato teve apenas seis camarões...!

Nesta mesma noite, após um jantar tão agradável, Paraty ainda tinha reservado para nós outro momento extraordinário, para satisfazer os sentidos: o Teatro de Bonecos. Mas sobre eles vou falar em outro post.



Escrito por Fernando Jares às 18h33
[] [envie esta mensagem] [ ]



UMA FESTA PARA OS MUSEUS

A RELAÇÃO MUSEUS E TURISMO EM FOCO

 

Museu de Arte de Belém e Museu do Estado, em traço de Tom Maia, anos 1970, quando
ainda eram apenas Palácio Antonio Lemos e Palácio Lauro Sodré. No livro “Grão-Pará”.

Começa amanhã, quarta-feira, 20, uma programação especial, paralela à 7ª Semana Nacional de Museus, promoção da Unama em torno do Dia Mundial dos Museus, que foi comemorado ontem, e integrada às comemorações, realizadas em nível nacional pelo Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan.

O tema central é bastante objetivo: “Museus e Turismo”, com a proposta de ampliar a discussão sobre a importância dos museus como instrumento de educação e desenvolvimento social, por meio de ações patrimoniais que gerem mecanismos de compreensão e práticas conscientes para a defesa e valorização do patrimônio cultural. E naturalmente, embora não conste do programa, com um viés econômico, uma vez que o turismo é um dos negócios que mais movimenta recursos em todo o mundo e os museus são um de seus produtos culturais de maior aceitação. Eu, por exemplo, sou um verdadeiro rato de museus: quando viajo em turismo, tenho os museus como uma de minhas principais agendas. E conheço muita gente que procede da mesma forma.

Para dar uma volta pelos museus que existem pelas ruas de Belém, você pode clicar aqui, no Cultura Pará.

O evento da Unama é organizado pela Superintendência de Extensão e Núcleo Cultural – Casa da Memória, e se estende até 30 de maio.

Veja abaixo o ótimo programa de abertura, amanhã.

Espetáculo Musical, no hall de entrada, campus Alcindo Cacela, às 19h:

- “Belém de outrora”, performance lítero-musical, com o excelente Coro Cênico da Unama. Em cena: final do século XIX e início do século XX.

Abertura das exposições, na Galeria de Arte Graça Landeira, campus Alcindo Cacela, às 20h:

- Vivamemória – Acervo da Unama – Casa da Memória – Curadoria: Emanuel Franco e Jonise Nunes.

- Largo das Mercês – Projeto Largo das Mercês – Associação Fotoativa – Curadoria: Guy Veloso.

A programação completa está no site da Unama. Acesse direto, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 20h01
[] [envie esta mensagem] [ ]



ESCRITORES COLONIAIS

OS JESUÍTAS ESCRITORES NO MARANHÃO E GRÃO-PARÁ

Este final de semana tem o seminário histórico “Biobibliografias dos Jesuítas Escritores no Maranhão e Grão-Pará”, promoção do CCFC - Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém, que será realizado na CESUPA/Almirante Barroso. Entrada Franca.

O padre Ilario Govoni vai falar sobre quem escrevia, quanto escreviam e o que escreviam os jesuítas nesta região nas épocas coloniais. Os escritores a serem estudados, alguns dos quais andaram com suas grandes batinas pelas ruas de Belém, são:

Luís Figueira (1575-1643) "Arte da gramática" e "Relação da Missão do Maranhão"

Bettendorf (1625-1698) e sua "Chronica"

Malagrida (1689-1751): epistolografia, o "Juízo" e apócrifos

Matias Rodrigues (1729-1780) "Historia pro-Provínciae Maragnonensis" e "Vida do Ven. Pe. Malagrida"

João Daniel (1722-1776) "Tesouro escondido do máximo Rio Amazonas".
Destinado a universitários, profissionais da área de letras, história, sociologia, filosofia, teologia e público em geral, será no sábado, 23, das 9h às 19h e domingo, 24, das 9h às 12h.



Escrito por Fernando Jares às 20h01
[] [envie esta mensagem] [ ]



QUE BELA HOMENAGEM A PAULO MARTINS!

EMBAIXADOR DA COZINHA PARAENSE


Entre os dias 20 e 21 de julho será realizada uma versão reduzida do Festival Ver o Peso da Cozinha Paraense, em Belém do Pará. O evento completaria 10 anos em 2009, mas foi interrompido em 2006. Os colegas Alex Atala, César Santos, Dânio Braga e Claude Troisgros - em parceria com a Associação da Boa Lembrança - farão uma coletiva de imprensa e um jantar beneficente a oito mãos. O chef Paulo Martins será o homenageado. 'Vamos homenagear o coração enorme que ele tem e o carinho dedicado à cozinha, marca registrada desse embaixador do Pará”, declara Dânio. O pernambucano César Santos diz que o considera um dos mestres mais importantes da gastronomia brasileira. “O chef com sua experiência profissional soube, com sua excelência, levar os sabores de Belém do Pará para o Brasil e para o mundo”, completa.

Esse texto eu copiei de uma lindíssima homenagem ao chef Paulo Martins, com o título “Embaixador da cozinha paraense”, feita pelo Informativo Malagueta, que vem a ser uma newsletter virtual dedicada ao tema alimentação e cuja sede é o Rio de Janeiro.

A homenagem marca a 100ª edição do informativo. Foi a melhor forma que eles escolheram para festejar a data, “por ter sido (o Paulo Martins) nosso primeiro entrevistado. Ele abriu com chave de ouro a empreitada de valorizar a gastronomia brasileira, a partir da comunicação. Ao acompanhar o seu afastamento da cozinha, decidimos ressaltar seu comprometimento com a cultura alimentar do Brasil e compartilhar com admiradores de seu trabalho e entusiastas da gastronomia a figura de um cozinheiro extraordinário, inquieto e persistente, que revelou um pouco da diversidade e nobreza dos produtos nacionais para os brasileiros. É um privilégio poder divulgar a gastronomia brasileira por meio de homens engajados como Paulo Martins.”

O texto, da jornalista Juliana Dias é um primor, delicioso, emocionante mesmo, que merece ser lido por todos. Basta você clicar aqui para ter acesso. Enche de orgulho e até de lágrimas, o coração e os olhos, dos amigos do Paulo e qualquer paraense que o leia. É uma felicidade ter um conterrâneo assim, com uma vida dedicada a valorizar o nome de nosso Pará, um homem sério e alegre, respeitado no país e no exterior, a dignificar as gentes que circulam pelas ruas de Belém.

Acompanho o Paulo Martins há algumas décadas. Tenho a maior admiração por ele e a honra de termos feito, juntos, inúmeros trabalhos, seja eu como publicitário (na Mercúrio Publicidade), seja como relações públicas (na RELP-Relações Públicas), seja como jornalista especializado em turismo (n’A Província do Pará). A pedido do Paulo, fiz todos os textos de apresentação do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense. Quantos sonhos embalaram as reuniões de briefing.

Tenho que confessar uma coisa: não tive, até hoje, coragem de falar aqui sobre a doença do Paulo. Todas as vezes que comecei a escrever, o coração doeu e eu parei. Afinal, não criei o Pelas Ruas de Belém para sofrer ou para fazer sofrer. Agora, deixo esse encargo para a colega Juliana Dias. E você, se ainda não foi, vá lá, leia o texto. Repito o link.



Escrito por Fernando Jares às 16h31
[] [envie esta mensagem] [ ]



LITERATURA PARAENSE NA FRANÇA

NOSSOS CABOCLOS EM PARIS

 

Neste ano da França, nossa cultura paraense faz bonito em Paris. No próximo domingo começa na capital francesa o colóquio internacional “Amazônias brasileiras: imaginário e criação contemporânea” (Amazonies Brésiliennes: imaginaires et création contemporaine), que homenageará Lindanor Celina e Dalcídio Jurandir. Outros temas regionais farão presença, como o lançamento da revista PZZ, do intrépido jornalista Carlos Pará, que lá estará, mais o professor Gunter Karl Presler, da UFPA, e Carlota Brito, do Museu Goeldi, que formam a delegação daqueles que vivem cá pelas ruas de Belém.

O encontro é organizado pelo CRILUS (Centre de recherches interdisciplinaires sur le monde lusophone), da Université Paris Ouest Nanterre La Défense, a conhecida universidade Paris-Nantarre, com apoio de várias instituições brasileiras: Universidade Federal do Pará (UFPA), com o apoio do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e a Embaixada do Brasil na França.

Veja a seguir o valioso programa do colóquio francês que homenageia nosso querido caboclo marajoara Dalcídio Jurandir e a cabocla bragantina-parisiense Lindanor Celina. Para completar, o evento é aberto com um filme sobre o português menino-amazônico Ferreira de Castro, como nos informou a professora, paraense, nessa mesma Université Paris Ouest Nanterre, Daniela Cruz.

Para maiores informações você pode acessar o blog do colóquio, clicando aqui.

Amazônias Brasileiras: imaginários e criações contemporâneas

Colóquio Internacional - 24 a 26 de maio de 2009

Programa

Domingo 24 de maio de 2009 – Maison du Brésil, Cité Internationale Universitaire de Paris

16h – Recepção dos participantes

17h – Filme: A Selva, de Leonel Vieira (2002) segundo o romance de Ferreira de Castro (104’)

Apresentação do filme por José Manuel Da Costa Esteves, Chaire Lindley Cintra do Instituto Camões / Université Paris Ouest Nanterre La Défense.

18h45 – Filme documentário: Verde terra prometida: laços amazônia & nordeste (32’) de Claudia Kahwage de Estado do Meio Ambiente por Idelette Muzart.

Lançamento da Revista PZZ, Pará Zero Zero, por Carlos Pará, jornalista paraense.

Momento poético-musical:

Performance de Fabio Araújo e coletivo Laborieur,

Canções amazônicas por Augusto Velloso Pampolha

Segunda-feira 25 de maio de 2009 – Université Paris Ouest Nanterre La Défense, Prédio K

9h 30 – Abertura: pelo Adido Cultural da Embaixada do Brasil na França; pelo Vice-Presidente de Relações internacionais da Universidade Paris Ouest; pela Diretora da UFR de Línguas e Culturas Estrangeiras; pela Diretora da Equipe de Estudos romanos da Universidade Paris Ouest e pela Diretora do CRILUS.

Primeira sessão: Amazônia e Amazônidas

10h - Conferência inaugural: Gunter Karl Presler, Universidade Federal do Pará:

Um romancista da Amazônia, Dalcídio e o mundo do arquipélago do Marajó.

Debate

11h – Vernissage da exposição virtual: Lindanor Celina,

Exposição realizada por Sara Barbosa e Claudia Costinha, estudantes de Nanterre

Conselhos artísticos: Sarah Glaisen

Apresentação da Exposição por Idelette Muzart – Fonseca dos Santos

Testemunho: Ana Maria Cortes Gomes, Universidade Paris XIII - Villetaneuse

Segunda sessão: Leituras críticas e dramáticas

Moderador: Gunter Karl Pressler, Universidade Federal do Pará

14h: Daniela Cruz, Universidade Paris Ouest Nanterre

Dalcídio Jurandir por Lindanor Celina

14h30 - Véronique Sémik, Universidade Paris Ouest Nanterre

‘Por que pecaste Irene’: um julgamento na Amazônia. Estudo da ficção dramática em ‘Eram seis assinalados’ de Lindanor Celina

15h – Elanir França Carvalho, Universidade de São Paulo

Imagens do sagrado em Lindanor Celina: o humor e o grotesco no olhar dessacralizante da criança

15h30 – Alexandra Gouveia Dumas, Universidade da Bahia / Universidade Paris-Ouest-Nanterre.

Cuca Pingo de Ouro de Lindanor Celina: Leitura dramática

17h: Show literário Cobra Norato com Frédéric Pagès e Xavier Desandre-Navarre

 Terça 26 de maio de 2009 – Université Paris Ouest Nanterre La Défense, prédio K

Terceira sessão: Terras Amazônicas

Moderador: Larissa Latif, Universidade da Amazônia

9h30 – Emmanuel Lézy, Universidade Paris Ouest Nanterre

Amazônia: uma farsa geográfica?

10h - Clotilde Gadenne, Universidade Paris Ouest Nanterre

Amazônia selvagem dos viajantes franceses (1840-1900)

10h30 – Hélène Rivière d’Arc, CNRS

Araguaia, anos 70

11h – Stéphanie Nasuti, Institut des Hautes Etudes de l’Amérique Latine

Novos territórios do desenvolvimento sustentável da Amazônia Brasileira

Quarta sessão: saberes e representações

Moderador: Emmanuel Lézy, Universidade Paris Ouest Nanterre

14h – Carlota Brito, Museu Paraense Emílio Goeldi

Magüta Arü Inü : um CD-ROM de múltiplos saberes

14h30 - Larissa Latif, Universidade da Amazônia

Poéticas da narrativa, comunicação e formas de sociabilidade no Mercado do Ver-o-Peso em Belém do Pará.

15h – Brígida Ticiane Ferreira da Silva, Université de Franche-Comté

Amazonie et Guyane française: des représentations et des altérités en contact

Quinta sessão: Imagens e Criações

16h15 – Augusto Velloso Pampolha, Universidade de São Paulo

‘Foi Boto, Sinhá!’: O carimbópera na circularidade das estéticas

16h45 - Rosangela Asche de Paula Maceira, Université Paris Ouest Nanterre

‘De arte que se apreende à arte que se aprende’: considerações sobre Macunaíma de Mário de Andrade e sua transcriação na ópera tupi de Iara Rennó

17h45 – Conclusões do colóquio

18h15 - Coquetel



Escrito por Fernando Jares às 09h42
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELAS RUAS DE PARATY

A HISTÓRIA NOS CONTEMPLA EM PARATY

 

Centro Histórico de Paraty.

Andei mês passado a passear pelas ruas de Paraty, no Rio de Janeiro. Bem diferente do andar cá pelas ruas de Belém, sem dúvida. Refiro-me ao chamado Centro Histórico, um precioso quadrilátero formado por umas sete ruas, cortadas por outras seis ruas, onde estão valiosos prédios residenciais, comerciais, públicos e religiosos, tudo centenário, dos tempos coloniais e imperiais.

As ruas digo-as muito diferentes porque são todas em pedra. Não em paralelepípedos, todos certinhos, como um dia o foram as ruas de Belém, mas em pedras mesmo, a maioria de formatos irregulares, muitas arredondadas, inclusive na superfície, o que exige um cuidado especial ao pisar. O leito das ruas tem uma certa inclinação, das margens para o centro, onde forma um “corredor”, para escoar a água, seja da chuva, seja do mar, que muitas vezes invade essa parte da cidade. Os locais tiram tudo isso de letra, até andam de bicicleta, sacolejando, mas o visitante, nem tanto, especialmente com a presença constante da chuva nos três dias em que lá estivemos, Rita e eu...

Mas é tudo muito lindo, limpo, casas pintadinhas, parece que na semana passada, com uma bela e agradável combinação de branco e azul celeste.

Os principais templos religiosos católicos, as igrejas Matriz e de Santa Rita, estão fechados, em restauração, com muita gente trabalhando lá dentro. Mas ao lado da de Santa Rita há um Museu de Arte Sacra, pequeno, mas muito legal, inclusive com peças muito valiosas, apresentadas em uma vitrine caixa-forte. Aprende-se lá muita coisa.

Mas há também muitos templos gastronômicos. Come-se muito bem naquela cidade! De um modo geral, os bons restaurantes são caros, mas valem o investimento, pela qualidade que oferecem. Nos dias em que por lá andei, acontecia o festival “Circuito Gastronômico de Paraty”, com a participação de 15 restaurantes, sendo 12 no centro histórico, dois na saída da cidade e um em uma ilha próxima.

Estive em alguns, no que foi possível, considerando a capacidade de resistência física e econômica. Depois vou contar as experiências. Posso adiantar que foram, em sua maioria, muitíssimo agradáveis.

Mas há muito mais o que fazer em Paraty, como compras em inúmeros ateliês de artesãos; passeio de charrete; a Casa da Cultura, com sua livraria (lembre que em Paraty acontece anualmente a FLIP, em julho) e uma inteligente exposição histórica interativa, com muitos recursos eletrônicos; um Teatro de Bonecos muito bom, imperdível.

Há hotéis para todos os gostos e bolsos. Ficamos no “Pousada do Cais”, bem em frente ao mar, um apartamento com sacadinha muito esperta. Gente atenciosa e simpática no serviço. Não tem restaurante e só servem o café da manhã.

Os turistas são uma atração. Tem gente de todo o mundo. No nosso hotel havia um grande número de italianos. Nos restaurantes, ouvia-se espanhol, italiano, inglês, francês, alemão e outros indecifráveis... É um turismo fluente, de sucesso.

Uma coisa importante: lá a terça-feira é o dia de folga. Muita coisa está fechada nesse dia, até alguns restaurantes. Mas não se preocupe. Há muito o ver, mesmo assim.

Em outros posts vamos ainda conversar sobre Paraty. Aqui já deixamos (em azul) muitos links interessantes.



Escrito por Fernando Jares às 18h15
[] [envie esta mensagem] [ ]



O TUCUNARÉ SORRIDENTE

A CASA DO TUCUNARÉ FELIZ

 

Você conhece o Bastos? Se não conhece, com certeza não conhece o melhor tucunaré de Belém. Se conhece, com certeza concorda comigo. Ou não?

O Bastos é o dono da Casa da Peixada, ali na 14 de Março.

Escrevo estas linhas ainda sob o impacto gustativo de um magnífico tucunaré frito na manteiga. Um tucunaré fresquinho e inteirinho que até estava sorrindo, boquinha entreaberta, como a dizer xis, esperando ser fotografado... Quer dizer, provavelmente teve um final de vida feliz, glorioso, sabendo que no pós-morte teria o destino só reservado aos bons tucunarés: ser muito bem tratado, bem temperado, frito em boa manteiga, na temperatura ideal, o que transforma aquela pele originalmente de coloração prateada e sépia, que por tantas águas amazônicas nadou, em um revestimento dourado, levemente crocante, a cobrir uma carne excelente, de sabor único.

Mas voltemos ao início, antes da chegada triunfal do peixe.

Chegamos lá, Rita, Rosalba e eu, por volta das 13 horas e já fomos recebidos pelo Bastos oferecendo uma das exclusividades da casa: o palmari, um licor de produção artesanal própria, que ele escreve com “y”, a partir de receita original indígena – quem sabe tenha sido criada pelos paumaris, índios que vivem nas margens do Purus, pelo sul do Amazonas. O que ele nos serviu era de jenipapo, delicioso, dosagem alcoólica e doce no ponto certo, pra Odorico Paraguassu nenhum botar defeito. Mas já tomei lá de açaí e um fabuloso, de cupuaçu.

Como entrada, fomos a uns bolinhos de piracuí, aquela farinha de peixe que no oeste do Pará fazem com primor inigualável e que o Houaiss chama de iguaria. Acho que já falei dela em post anterior.

Feita esta ambientação tipicamente amazônica, estávamos preparados para o momento maior: a degustação do tucunaré frito na manteiga. Para mim, é a perfeição maior da cozinha da Casa da Peixada... desde os tempos que era Caranguejão. Voto nele desde os tempos do concurso “Restaurantes Recomendados”, da ADVB/Pará. Foi servido acompanhado de pirão, farofa torradinha e arroz de jambu, a criação do chef Paulo Martins que virou prato típico do Pará, presente em todos os melhores restaurantes da cidade.

A casa oferece uma variação ampla de pescados, das caldeiradas e moquecas aos peixes na brasa, que o Bastos oferece como especialidade e que vão das costelas do tambaqui ao filhote, pescada amarela, etc., com passagem por camarões de variados tipos. Eu não consigo pedir outro prato que não seja o bendito tucunaré frito na manteiga – e hoje o desejo era unânime na mesa. Veio o já citado belíssimo espécime, em versão para três pessoas. Mas da última vez que lá estive, com um grupo grande, diante de oferecimentos generosos dos demais comensais, não me fiz de rogado e provei outros acepipes, como um rosbife de filhote, uma caldeirada de filhote e um filé de pirarucu na brasa e de mais não lembro...

O almoço foi encerrado com um finíssimo doce de goiaba, também produção caseira, digno de fechar com louvor o encontro.

Daí, saímos pelas ruas de Belém, gratos a Deus por aqueles momentos e felizes em sermos paraenses, terra abençoada que fornece a seus filhos tantas preciosidades. E vim direto redigir estas linhas.



Escrito por Fernando Jares às 17h05
[] [envie esta mensagem] [ ]



POR UMA BELÉM SUSTENTÁVEL

 

O conteúdo do relatório socioambiental Belém Sustentável, realizado pelo muito respeitado instituto Imazon, é a base de uma exposição aberta hoje ao público no ICA (Instituto de Ciências da Arte da UFPA/Escola de Música), na Praça da República e do site Belém Sustentável.

Esse site é muito legal e merece ser visitado. Começa logo com um painel para você deixar um recado e uma ilustração do Ver-O-Peso. Você encontra nele um grande volume de informações sobre a Região Metropolitana de Belém, um fórum esperto, com diversos temas em debate, publicações disponíveis e até uma enquete que pergunta: “Você joga lixo na rua?” Estava hoje com 123 participantes e a surpreendente estatística: 50,4%, dizendo que sim e 49,6%, afirmando que não! Será por isso que a gente encontra essa lixaria toda pelas ruas de Belém?

A exposição mostra, em dez painéis os temas Floresta Urbana, Praças, Lixo, Esgoto, Água, Transporte, Poluição Visual, Poluição Sonora e Patrimônio Histórico. Para que a leitura seja fácil e rápida são utilizados recursos visuais e interativos (tabelas, mapas, gráficos, fotografias e pinturas).

De olho na interatividade, após a leitura de cada painel, as pessoas encontram uma pesquisa Para responder basta pressionar o botão verde para "sim" ou o vermelho para "não". As respostas são colocadas em um painel na própria exposição e vão para o site do programa.

A exposição percorrerá os cinco municípios da Região Metropolitana de Belém.

O programa Belém Sustentável é uma realização do Imazon que tem como objetivo gerar e divulgar informações sobre a situação socioambiental da Grande Belém, estimular o debate por cidades justas e sustentáveis e contribuir para formulação de políticas públicas.

E o Imazon, para quem não conhece, é um instituto de pesquisa cuja missão é promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia por meio de estudos, apoio à formulação de políticas públicas, disseminação ampla de informações e formação profissional. O Instituto foi fundado em 1990, e sua sede fica aqui mesmo, em Belém. Nestes anos já publicou cerca de 300 trabalhos técnicos, publicados em revistas, livros, livretos e outros recursos de comunicação. Para conhecer melhor o Imazon, visite o site da instituição, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 16h30
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM BANQUETE ALVIAZUL... EM 1916

PAYSANDU HOMENAGEIA “DISTINCTO SPORTSMAN”

Nestes tempos de comemorações alviazuis pelas ruas de Belém, por mais um campeonato estadual conquistado pelo Paysandu, tenho aqui um registro interessante.

Trata-se de um requintado banquete realizado pelo time alviceleste em 1916, no refinado Café da Paz, um dos lugares mais chiques da Belém daquela época. Era um prédio todo bonitinho, dois andares, que ficava na Presidente Vargas com a Carlos Gomes, onde hoje está o prédio sede do Banco da Amazônia.

O jantar foi para homenagear o “distincto spormann tenente Benjamin Sodré, famoso e applaudido ‘pleyer’ do ‘Botafogo’ do Rio de Janeiro”, informou a revista Caraboo.

Benjamin Sodré, ou Mimi Sodré, a quem conheci pessoalmente, no Rio de Janeiro, lá por 1968 ou 1969, quando ele tinha uns 77 anos, foi um grande jogador, inclusive da seleção brasileira. Ele jogou entre 1910 e 1916. Foi militar da marinha, chegando a almirante, em 1954. Mas foi, talvez, o maior de todos os escoteiros brasileiros, organizando e espalhando o movimento, pelo qual era verdadeiramente apaixonado, por todo o país. Escreveu um clássico, o “Guia do Escoteiro”, que assinou como Velho Lobo, nome como ficou conhecido no escotismo. Lá em casa tinha um exemplar. Quando criança, aprendi lá muitas coisas interessantes. Mimi teria fundado o primeiro grupo escoteiro de Belém. Faleceu em 1982.

Mas voltando ao banquete do Papão. Veja aqui uma foto da mesa dos homens, todo mundo chiquérrimo para a época, coisa muito fina. As senhoras estavam em mesa ao lado. Por sinal, depois, tenho um comentário interessante sobre o encontro...


Baby Gommensoro, que seria a cronista social da citada revista Caraboo, fez um comentário sobre esse encontro.

Ao longo de seu longo texto, queixa-se de que em Belém os “hotéis chics são tristonhos” e comenta que “os diners seguidos de tour de valse, o cabaret familiar, como em Paris, como no Rio, podia ser uma nota de alegria aqui, por elles adoptada com successo. E uma revelação disso coube ao Paysandu dar com o seu elegantíssimo diner em honra do festejado sportsman Mimi Sodré”.

“Foi uma noite deliciosa e uma inovação chic bem lançada”, comenta a cronista, que conta com espaço de algumas páginas.

Ela só lamentou que “não prevenissem as senhoras que, a festa era num salão e que, realisada a noite, abrigava o toilette du soir, sem chapéu”.

Na foto abaixo, realizada após o grande ágape, vemos os cavalheiros e as damas, que estão com os chapéus criticados pela colega jornalista especializada em eventos sociais.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h26
[] [envie esta mensagem] [ ]



O INSÓLITO DE BELÉM: SERVIÇO DE MASSAGEM

HÁ ALGO DE NOVO NO REINO DAS MASSAGENS?

Há uma placa, na verdade um pequeno banner, anunciando serviços de massagem em uma casa na rua Manoel Barata. Não sei a qualidade dos serviços, nem sei se o tal serviço esta sendo prestado, porque a casa está meio assim, assim.

Mas a placa está ficando famosa. Ontem, foi assunto em O Liberal (fica aqui o crédito, para quem “descobriu” a placa) e hoje está neste blog. Como não tinha foto, fui lá hoje de manhã e fotografei o insólito meio de informação – veja no final do texto.

A “atração” fica por conta do redator ou produtor da placa e não por conta do massagista que tenta vender seu serviço.

É que os tratamentos ganharam denominações, ou totalmente novas, ou totalmente diferentes da grafia correta...

Imaginem que o presidente Lula (com todo o respeito, como diria o jornalista Ancelmo Gois) estando em Belém, precisasse de uma massagem em seu famoso ombro, diante de um inesperado ataque de sua presidencial bursite.

Que chance teria este prestador de serviços, que anuncia massagens para “Bóciti”. Será que é a mesma coisa?

Outros serviços “especiais” estão na placa: erne de disco, astrosse, nervoceático. Além de manjadas massagens para escoliose, torcicolo, bico de papagaio, coisa que todo mundo faz...

Lembrei-me de uma antiga piada. Uma professora em viagem de turismo vê, na banca de um artesão, um produto identificado como “Lenbranssa de ...” e o nome da cidade que ela visitava. Pressurosa, no exercício de seu sagrado ofício, ela conversa com o artesão, explicando a ele os erros da palavra. Ao que o artesão replica: “Eu sei que tá errado, dona professora. Mas é que uma vez eu consertei a palavra e não vendi mais nenhuma. Aí, eu escrevi errado de novo e é o meu maior sucesso de venda”.

Será também uma estratégia mercadológica pelas ruas de Belém? Lamentável, mas... quem sabe, com a reforma ortográfica ou com uma boa campanha de alfabetização a gente resolve essas coisas.




Escrito por Fernando Jares às 18h14
[] [envie esta mensagem] [ ]



GANHAMOS UM PRÊMIO NACIONAL!

PELAS RUAS DE BELÉM É UM BLOG LEGAL!

 

Sabe surpresa de verdade, aquela que nem passou pela cabeça, coisa que nem se imagina? Pois é, passei por essa. Primeiro, a Bruna avisa que o Emerson havia descoberto que o Pelas Ruas de Belém era um dos blogs legais do Uol nesta semana. Logo em seguida, leio o comentário de um leitor (Felipe Silvino, SP), parabenizando pelo prêmio. Depois, mensagem (de Érika) da China!

Aí é que eu fui procurar no site do Uol Blog, e lá estava: este Pelas Ruas de Belém foi eleito, pelos seus leitores, como um dos “Legais do Público”, de todo o Brasil! Ficou entre os dez mais votados nesta semana. E olha que são muitas e muitas centenas de blogs no universo on-line.

Absolutamente inesperado, este é um prêmio produzido pelas pessoas que leram estes escritos, gostaram, votaram. Por isso, muitíssimo OBRIGADO! Assim mesmo, grandão, gritadão!

Que é mais que preciso dizer? Obrigado, de novo, por poder trazer este título para o Pará!

Criar e manter este blog, fruto do amor que tenho por Belém, tem sido para mim uma grande satisfação, um prazer permanente. Mas também um compromisso. Agora, com essa manifestação de vocês, leitores, o comprometimento ficou ainda maior.

Representando o prêmio, tenho direito de usar o selo “Blog Legal”, que já está instalado aqui do lado. Clique nele e você ira conhecer os demais vencedores, em ordem alfabética.

Pra completar o gostinho de vitória, o meu Paysandu conquistou hoje o título de Campeão Paraense de Futebol/2009. É o seu 43º campeonato estadual, com o que se consagra como o maior vencedor do Pará e um dos líderes do Brasil, em número de títulos!



Escrito por Fernando Jares às 22h57
[] [envie esta mensagem] [ ]



TERRA DE GREVES

Mais um dia dominado pela chuva, nesta Terra de Greves, que o governo, por meio de grandiosas verbas de publicidade, tenta nos impingir como Terra de Direitos.

Belém, e grande parte do Estado, vivem um estado de greves que, naturalmente, muito tem a ver com a república sindicalista brasileira. Tem greve dos funcionários municipais, incluindo os pronto-socorros, tem greve dos professores estaduais, tem greve no Hospital Ophir Loyola, tem greve dos médicos da Santa Casa, tem greve dos ônibus, que desde ontem inferniza a vida das pessoas que precisam se deslocar pelas ruas de Belém (prometem acabar hoje). Ainda há pouco andavam aí umas greves de fim de semana (às sextas-feiras) na polícia...

Mas, principalmente, acho que há uma grande greve não declarada, mas praticada: uma greve de governo, uma greve de autoridade, uma greve de liderança, uma greve de respeito ao cidadão. Embora de partidos diversos e divergentes, Estado e Prefeitura (de Belém), aproximam-se muito nessa falta com o cidadão. Direitos são desrespeitados, esbulhados, sem que as autoridades – e aqui amplio a crítica a todos os poderes – tomem qualquer providência. Soube, há pouco, que ditos integrantes do MST invadiram área de preservação ambiental em Barcarena e estão destruindo um espaço que tive a honra de participar da implantação, cinturão verde em torno das indústrias do complexo de produção de alumínio, onde foram plantadas mais de 600 mil árvores. Há uma bandeira do MST lá plantada, como a identificar que aquela terra agora é de propriedade do movimento, intocável, inclusive pela Justiça – que já expediu mandado de reintegração, mas não tem poder de exigir seu cumprimento pelo executivo.

Diante de tudo isso, até o sol está de greve, muito pouco aparecendo durante a semana. Hoje, nem deu as caras...



Escrito por Fernando Jares às 17h43
[] [envie esta mensagem] [ ]



AMAZÔNIA ABANDONADA PELA OI

Os antigos clientes da Amazônia Celular andam “comendo o pão que o diabo amassou”, para usar um dito de meu avô, na mão da operadora Oi. Quem tinha um dos planos corporativos, oferecidos pela antiga companhia, então, coitados. São ignorados pela nova operadora, que os eliminou do cadastro de clientes. Até da conta – invariavelmente cobrada, é óbvio, independente do mau serviço – o nome deles foi tirado, aparecendo o nome da entidade convenente do antigo plano corporativo. Lembro-me que a operadora, há muitos anos, firmou convênio com o clube Assembléia Paraense, para conceder vantagem (desconto na assinatura) aos associados que optassem por essa operadora. Muitos aceitaram a oferta e agora estão tendo que procurar a Assembléia para “desvincular” o telefone e recuperar o seu direito. O pior é que o pessoal do atendimento da Oi está pessimamente informado, despreparado para a função, acha que a Assembléia é uma empresa e o dono do telefone um usuário por concessão, algo de favor. Hoje, porque uma linha foi desligada, sem qualquer aviso, uma dessas atendentes, grosseiramente, desligou o telefone quando eu falava com ela! Eu procurava resolver o problema de outra pessoa, porque o meu Amazônia Celular eu já abandonei. Aliás, eles que me abandonaram...

Por justiça é preciso citar que a Assembléia Paraense, procurada depois desse desagradável incidente, mostrou-se totalmente o inverso da Oi. Uma senhora muito educada prestou as informações necessárias para que se chegue a uma solução para esse imbróglio. Eles estão tendo de atender dezenas de associados com o mesmo sofrimento nas mãos da Oi.



Escrito por Fernando Jares às 17h34
[] [envie esta mensagem] [ ]



SEVERA ROMANA

A HEROÍNA DA FIDELIDADE VOLTA AO PALCO

Domingo à noite. Chegamos ao Centur, Rita e eu, para ver a peça “Severa Romana”, em montagem (nova) da Companhia de Artes Cênicas Fato em Ato. Subimos as escadas e ao dobrar em direção à bilheteria, dou de cara com o autor da peça, Nazareno Tourinho. Não o via há algumas décadas. De verdade, pelo menos mais de duas... Foi um falar rápido, pois estava em cima da hora e eu precisava alcançar logo à bilheteria, pois tinha muita gente chegando.

A primeira vez que vi uma peça de Nazareno Tourinho foi lá pelo final da década de 60. Lembro bem: "Lei é lei e está acabado", que envolve uma prostituta, um policial, um mendigo e um play-boy, como se dizia na época. Nazareno, já autor respeitado, era também conhecido como especialista em uma técnica de administração, TWI, que ele disseminava em seminários pela Federação das Indústrias, salvo engano. Era um trabalho pioneiro na área motivacional, para obter mais produtividade e redução de custos. Jornalista, é um estudioso do espiritismo, sendo referência nacional, com diversos livros publicados.

Como autor de teatro, tem peças encenadas em todo o Brasil.

“Severa Romana”, que é de 1969, ganhou montagem com linguagem teatral mais moderna e conforme a linha de trabalho da companhia responsável, mantendo a essência do trabalho do autor.

Um detalhe chamou-me atenção. Tanto na divulgação, no folheto/programa, como na apresentação feita antes e após a encenação, a peça foi sempre apresentada como “Severa Romana de Nazareno Tourinho”. O nome do autor incorporado a sua criação. Dando-lhe um sobrenome, por assim dizer. Um sobrenome famoso, que alavanca a montagem.

A história de Severa Romana é por demais conhecida em Belém: a jovem casada, grávida, que resiste ao assédio de um amigo (e superior hierárquico) de seu marido, pagando com a vida a defesa da honra e da fidelidade ao esposo. Seu túmulo, no cemitério de Santa Isabel, é dos mais constantemente visitados. Em dias como este domingo que se avizinha, Dia das Mães, deve ficar coberto de velas, em meio às muitas placas de agradecimento de graças ditas alcançadas.

O tom leve seguido pela montagem não carregou na dramaticidade do acontecimento, que chocou a Belém pacata do início do século XX – era o ano de 1900. Talvez por isso, a idéia de colocar em debate o tema da violência contra a mulher, naqueles tempos e nos dias atuais, não transparece.

O elenco, possivelmente por estar em momento de estréia, ainda não adquiriu o ritmo que a montagem possibilita, inclusive no uso da linguagem paraense, ora praticada, ora esquecida. O cenário é inteligente e atende a mobilidade almejada: a peça pode ser montada em qualquer espaço. Também valoriza o movimento dos atores no palco, além de permitir, com auxílio de boa iluminação, cenas paralelas, independentes, o que acelera o ritmo.

Ao final da apresentação o mestre de cerimônias do grupo fez um grande número de agradecimentos (todos muito merecidos), chegou a citar a presença de Nazareno Tourinho, tipo: o autor está aqui? Ah, ali, palmas, etc. Acho que deixaram passar uma bela oportunidade de destacar e homenagear, chamando ao palco, um valoroso e premiado escritor paraense, que é membro da Academia Paraense de Letras.



Escrito por Fernando Jares às 20h44
[] [envie esta mensagem] [ ]



CARTAZ DO CÍRIO 2009

 

CENTENÁRIO DA BASÍLICA EM DESTAQUE

 

O Círio 2009 já tem o seu cartaz. O cartaz do Círio é um dos ícones mais populares do grande evento católico do Pará, que vem a ser a maior festa mariana do mundo. Talvez o seja por ser a peça que mais perto chega do povo, porque representa a grande romaria junto a cada pessoa, que geralmente é exposta na porta, na janela de milhares de casas e mesmo em apartamentos, pelas ruas de Belém. É enviado para os parentes e amigos distantes, é levado como lembrança nas viagens. Com tiragem da ordem de 800 mil exemplares é um verdadeiro best-seller.

Como todo ano há um novo, a expectativa é grande em torno da peça. Será mais bonito que o do ano passado? Por isso seu lançamento é um grande acontecimento. E esse acontecimento foi ontem à noite.

O cartaz do Círio é elemento da festa desde o século XIX, mas nos últimos 20 e tantos anos ganhou um tratamento especial, profissional, sob a orientação da Mendes Publicidade.

A importância desta peça pode ser medida pelo destaque que ganha nos jornais locais, assunto de primeira página, sendo que o Diário do Pará dedicou a ele um espaço muito grande, reproduzindo-o, na capa da edição de hoje.

Fazer a foto da imagem de Nossa Senhora de Nazaré para o cartaz é sempre uma honra para o fotógrafo convidado. O deste ano é um profissional de altíssima qualidade, um perfeccionista: Miguel Chikaoka, com uma carreira de mais de 30 anos, que acompanho sempre com grande admiração. Mas o cartaz tem também o trabalho de dois outros grandes artistas, Geraldo Ramos, com a foto do interior da Basílica Santuário e Octávio Cardoso, responsável pela foto externa da igreja. Sem dúvida, um trio que garante o sucesso da obra. Tudo exposto em um leiaute harmonioso, que buscou elementos naturais, folhagens, para receber os textos. Essa folhagem evoca o verde da paisagem em que a imagem original foi encontrada, às margens de um riacho e a grandiosidade da região que venera a Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia.

O motivo porque o templo ganhou o destaque de cenário do cartaz está explicado no rodapé: os 100 anos do início de sua construção, com o lançamento de sua pedra fundamental, em 24/10/1909, por Dom Santino Coutinho, arcebispo de Belém (que depois foi arcebispo de Maceió), presentes o governador Augusto Montenegro e o prefeito Antonio Lemos. Meu Deus, vendo esses dois nomes, que time bom já tivemos na administração pública – sem saudosismos, mas dá uma inveja diante de hoje...

O tema do Círio 2009 é outro elemento da composição: “Em Maria, a Palavra se fez Carne”.

Indo ao site da Basílica Santuário de Nazaré você pode encontrar uma coleção dos cartazes do Círio pela história, que estão aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h19
[] [envie esta mensagem] [ ]



MARAVILHA NATURAL DO PARÁ

ALTER DO CHÃO, LUGAR FANTÁSTICO

Alter do Chão salvou a pátria paraense na relação das 31 maravilhas naturais do Brasil, “lugares fantásticos”, segundo a revista Viagem, o Guia Quatro Rodas e um corpo de jurados, “onde quanto mais verde e selvagem, melhor”. A lista foi divulgada no UOL (você pode acessar clicando aqui) e é matéria de capa da revista.

A região Norte teve seis atrações selecionadas: (1) Floresta Amazônica; (2) Monte Roraima; (3) Anavilhanas, no Amazonas; (4) Encontro dos rios Negro e Solimões; (5) Jalapão, em Tocantins; (6) Alter do Chão, no Pará.

O Amazonas, além de ter cravado duas atrações, o fantástico arquipélago das Anavilhanas e o Encontro das Águas (embora eu ache que o encontro do Amazonas com o Tapajós, em Santarém, seja mais bonito...), ainda dominou inteiramente a genérica indicação Floresta Amazônica, com o total dos dez hotéis de selva, todos nas cercanias de Manaus e ainda com mais um anunciado para este ano. São, em sua maioria, hotéis de primeiríssima. O Ariaú Lodge, por exemplo, tem diárias de R$ 2.048,00. O Juma Lodge cobra R$ 2.800 para duas diárias. A maioria está na faixa de R$ 1 mil por dia. Por aqui, infelizmente, não temos nenhum.

Apresentado como Caribe Amazônico, de Alter do Chão é dito que é uma praia “de areias brancas banhada pelas águas verdes do Rio Tapajós só existe na época seca, a partir de julho. A Ilha do Amor, de frente para a orla da cidade, também aumenta de tamanho nessa época do ano, quando dá pra chegar lá caminhando. No período de cheia, o rio invade quase tudo e é preciso contratar os serviços de um canoeiro para conhecer as poucas praias que se mantêm a salvo.”

Sou fã incondicional de Alter do Chão e vou lá quantas vezes puder – é um dos lugares mais bonitos que conheço. Aliás, agora no meio do ano devo estar lá novamente. É realmente um local paradisíaco, que me arrasta com facilidade dos meus andares pelas ruas de Belém. O nível de transparência da água é extraordinário. Além da natureza, a vila tem hotéis, uma orla com barraquinhas e outras atrações. Ano passado, retornando de Oriximiná, fui, com a Rita, levado pelos amigos Márcia e Luís Rodolfo Carneiro, ícones do bem receber na Pérola do Tapajós, fazer um passeio na vila e, antes de um gostoso banho de fim de tarde, lanchei um hambúrguer de piracuí! Modernidade na gastronomia mocoronga. Que só tem lá.

Para você conhecer mais sobre este mundo mágico de águas (neste momento estão mais elevadas do que o costume, escondendo a beleza das praias, mas logo tudo voltará ao normal) você pode dar um pulo ao site “Alter do Chão”, clicando aqui. Foi de lá que peguei a lindeza de foto abaixo.

 



Escrito por Fernando Jares às 15h52
[] [envie esta mensagem] [ ]



ENCONTROS DO DALCÍDIO

Os encontros programados da obra de Dalcídio Jurandir com a de grandes nomes da literatura, utilizando a referência do autor marajoara, “a farinha d'água dos meus beijus", como fala de suas referências, a formação de seu universo linguístico, temático, etc, ele que foi “menino de beira-rio, do meio do campo, banhista de igarapé”, teve uma nova (pequena) alteração. Continua nos mesmos dias, hora e local. Apenas diminui um encontro, com Ferreira de Castro, por Amarílis Tupiassu. Eu fico torcendo para que uma nova oportunidade seja criada para apresentar este trabalho. Gosto dos dois. Qualquer dia explico minha relação com Ferreira de Castro.

A programação será assim:

Auditório B 100 (pátio UNAMA, bloco B)

Hora: 19h

Mediador Paulo Nunes (UNAMA)

 

07/05 (quinta-feira):

- Dalcídio Jurandir e Bruno de Menezes - Maria de Belém Menezes e Rosa Assis ( UNAMA)

- Dalcídio Jurandir e Graciliano Ramos - Marli Furtado (UFPA)

- Dalcídio Jurandir e Eneida - Josse Fares ( UNAMA) e Josebel Akel Fares (UEPA /UNAMA)

08/05 (sexta-feira)

- Dalcídio Jurandir e Benedito Monteiro - José Guilherme Castro (UNAMA)

- Dalcídio Jurandir e Lindanor Celina - Rosa Assis e Paulo Nunes (UNAMA)

- Dalcídio Jurandir e Guimarães Rosa: na recepção e crítica de Álvaro Lins - Günter Pressler (UFPA)



Escrito por Fernando Jares às 18h22
[] [envie esta mensagem] [ ]



OPERÁRIOS HOMENAGEADOS

UMA RELEITURA PARA A OBRA DE TARSILA

A releitura do quadro “Operários” de Tarsila do Amaral, utilizada como ilustração para o anúncio com que a FIEPA (Federação das Indústrias do Estado do Pará) saudou o Dia do Trabalho, homenageando os trabalhadores que circulam pelas ruas de Belém e de todo o Estado, transmitiu uma forte carga simbólica à peça publicitária. O anúncio foi publicado nos jornais locais, na última sexta-feira, 1º de maio.

A direção de arte ao estabelecer a ilustração buscou um ícone das artes plásticas nacionais, em que os personagens originais (operários de uma grande indústria, ou de muitas indústrias, representadas no cenário da pintura, por chaminés e prédios) são estáticos, apáticos, com um semblante forte, que remete à incerteza, insegurança, uma dose forte de abstração, mas com o olhar fixo para frente, encarando o interlocutor, que pode ser o observador da obra ou o dirigente da fábrica, o patrão. Uma das obras-primas de Tarsila (de 1933, abre a presença da temática social na pintura brasileira), consegue em tão pequeno espaço, fazer um recorte que mostra com invulgar força a formação étnica do trabalhador brasileiro e suas dificuldades naquele difícil período das relações trabalhistas, quando uma grande revolução social acontecia no mundo.

Pois bem, ao transpor o clássico de Tarsila para ilustrar o anúncio saudatório da entidade patronal industrial paraense, a agência responsável (Griffo) realizou uma interferência criativa no trabalho original. Os personagens utilizados (apenas uma parte do total) foram mantidos com as suas características pessoais, menos aquele semblante indefinido, insatisfeito. A intervenção foi meticulosa, rosto a rosto, colocando em todos eles um sorriso. Em alguns casos foram realizados pequenos retoques, valorizando aquilo que daria um ar alegre ao personagem.

O provável objetivo buscado na ilustração foi atingido – se Tarsila concordaria, ou não, é outra discussão, que sempre envolve estas releituras, principalmente com objetivos mercadológicos ou institucionais.

A mudança da significação do ícone tarsiliano instiga especialistas em um universo mais acadêmico, mais para os mestres em semiologia. Aliás, como reagiria Ferdinand de Saussure?

O texto do anúncio deixou de explorar a força simbólica da ilustração, pois se prende a listar serviços da FIEPA e seus organismos, voltados ao trabalhador, não aproveitando a carga emocional disponível. Traçar um paralelo focando a evolução dos tempos/evolução da ilustração, daria um bom caldo...

Veja aqui embaixo o quadro original de Tarsila do Amaral (óleo sobre tela) e o anúncio da FIEPA.




Escrito por Fernando Jares às 17h28
[] [envie esta mensagem] [ ]



AYRTON SENNA DO BRASIL!

15 ANOS SEM AQUELAS MANHÃS DE DOMINGO

Há 14 anos, no dia 1º de maio, quando saio de casa, uso a mesma camiseta branca com a marca do Ayrton Senna e o boné azul do Banco Nacional, com a assinatura do piloto. Durante a semana, nas camisas, uso um pin do capacete amarelo de Ayrton. É que há 15 anos, em um dia como hoje, em uma manhã como a que escrevo este texto, o carro de Senna, criminosamente ou não, rebentou-se na curva Tamburello, em Ímola. E foi-se o ídolo nacional, por quem o país parava nas manhãs de domingo de GP de Fórmula 1. Por quem, não apenas aqui pelas ruas de Belém, mas todo o país parou no dia do enterro, nem que por alguns minutos, para verter uma lágrima, ainda que escondida, furtiva, diante da televisão a transmitir o funeral.

Lembro perfeitamente da data, principalmente porque fiquei estático diante da tragédia, olhos grudados na televisão, durante bastante tempo. E nem lembrei da Bruna, adolescente, que tinha verdadeira adoração pelo piloto e que, em seu quarto, acompanhava a corrida. De repente, entendi que ela deveria estar sofrendo também. Corri para o quarto e lá estava ela, um rosto de sofrimento, os olhos vermelhos, as lágrimas muitas, molhando a roupa. Como consolar, se eu também queria chorar?

Mas é melhor lembrar um momento de alegria com Senna: o GP Brasil de 1993 (28/03), sua última vitória no Brasil – e eu estava lá, em Interlagos, como editor de veículos de A Província do Pará, a convite da Fiat Automóveis. É que a Fiat lançou, na véspera, o Tempra 16 válvulas, de 127cv, com direito a test-drive na própria pista de Interlagos.

Esse GP foi uma corrida emocionante, onde uma chuvarada rápida, mas daquelas, – até aplaudida no camarote em que eu estava – mudou tudo, principalmente tirando da pista o Alain Prost com sua poderosa Williams, “como acontece em praticamente todas as competições em que chove e o piloto francês está na pista”, escrevi na oportunidade. Aí foi só o brasileiro exercitar sua competência e ganhar. Aliás, nessa corrida, deu para entender melhor o Michael Shumacher (Benneton) e sua fantástica obstinação em vencer, mesmo com um carro inferior e condições adversas.

O final do GP Brasil de 1993 foi particularmente emocionante para os brasileiros: o Senna deixou seu McLaren e foi para carro madrinha (que pela primeira vez na F1 fora utilizado em bandeira amarela) onde, sentado na janela, com as pernas para dentro, acenava, bandeira do Brasil na mão, para a multidão que tinha o coração feliz. Uma “surperconsagração popular”, escrevi.

Na visita que fizemos aos boxes, antes da largada, Senna esteve rapidamente no da Mclaren, Rubens Barrichello, da Jordan, muito mais acessível, dava autógrafos, e famosos desfilavam, de Nelson Piquet a Cláudia Raia.

Um ano depois ele encerrava, de forma trágica, sua carreira. Na época, escrevi: “Como vai ser agora?”, em minha página em A Província do Pará, de 08/09/1994. Eis um trecho:

A Nação chorou a morte de um de seus filhos mais populares, subitamente transformado em herói nacional. O brasileiro, um povo sem líder, fez de Senna o herói que gostaria fosse seu líder. É sintomático e natural. Todos choraram, homens e mulheres. O choro das dificuldades, o choro do fracasso do dia a dia, justificado pela tragédia que se abateu sobre o brasileiro que deu certo.

O motivo do terrível acidente até hoje é discutido. Para a revista italiana AutoSprint, foi um problema na manutenção do carro. Muitos saberiam que havia risco, mas assim mesmo o carro foi para a pista e aconteceu o que vimos e até hoje lamentamos. Por isso durante anos um processo investigatório corria na Justiça Italiana. E recentemente até foi reaberto.

“Desde que Senna não corre mais... não é mais domingo”, cantou o italiano Cesare Cremonini. 15 anos passados, como “nas calhas da roda, gira a entreter a razão” (Fernando Pessoa), a F1 sobreviveu, nós sobrevivemos, há novos nomes na pista, mas aquelas emoções das manhãs de domingo, que Ayrton Senna do Brasil nos proporcionava, só vendo nas gravações da época.

Senna era a pátria sobre rodas, parafraseando Nelson Rodrigues (“A pátria em chuteiras”).

Quer ver esse GP de 1993, que falei aí? Clique aqui para ir ao YouTube.

Hoje no UOL há um Especial sobre esses 15 anos, que você pode ler, clicando aqui. A página de Senna na Wikipedia também tem muitas informações.

E aqui embaixo estão duas fotos que fiz naquele distante 1993, no box da McLaren em Interlagos. Senna, com seu inseparável boné azul, na rápida visita, e uma borboleta pousada em uma parte da carenagem do carro de Ayrton, mostrando a tranquilidade que reinava naquele boxe, a despeito dos problemas que estavam tendo com a potência do motor. A McLaren, no dizer do santareno Edvaldo Menezes Salles, era a perfeição em qualidade, a partir da limpeza, que ele comparava a um hospital, dos melhores. E olha que Edvaldo é um dos maiores especialistas em qualidade neste Estado.

Senna, segundo à esquerda, no boxe da McLaren.

 

A borboleta enfeita o carro de Ayrton.



Escrito por Fernando Jares às 16h30
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]