Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog



Outros sites
 Cais do Silêncio - Literatura de Jason Carneiro
 Quarto Escuro - escritos, lidos, gostos e desgostos de Bruna Guerreiro
 Oníricos - O e-book de Bruna Guerreiro
 Cerveja que eu bebo - Cervejas bem bebidas, experiências compartilhadas.




UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


DATA A NÃO SER ESQUECIDA

A proximidade da data de hoje (31/03), que registra os 45 anos do golpe militar que derrubou o capenga governo da época e levou o Brasil a uma ditadura de longa duração, e nada branda, parece que inspirou, ultimamente, algumas posições pelo menos estranhas.

Primeiro a defesa de que se deve esquecer a data. Discordo. Tem que ser lembrada, como precisam ser sempre lembradas as atrocidades do nazismo, dos anos Pinochet, etc. Ainda assim, vemos ressurgindo, exatamente em nosso continente, arremedos de ditadores que, sob a capa de um socialismo do século XXI, cuidam em montar um cenário de poder absoluto, tão ruim para as sociedades. Isto é, todos nós.

Um grande mau exemplo foi dado por um senador, que bradou, diante dos problemas de corrupção e má administração no Senado, que melhor seria fechar o Congresso. Que é isso, cidadão? Será ele uma viúva dos tempos da ditadura? Ou será que não tem a menor noção do que é um país sem a representação das diversas tendências do pensamento político nacional? Tá ruim, conserta! Não vamos cortar o braço de quem tem uma unha encravada. Temos que ter capacidade de consertar.

Por fim – e sem ser fim – vi no domingo um anúncio de revenda de carros com um carimbo vermelho de “censurado” sobre o preço. Que é isso, colega? Um carimbo de “censurado” é coisa séria: representa o cerceamento da sua liberdade de expressão! Quem fez esse anúncio, obviamente, não tem a menor ideia do que foram aqueles tempos. Por isso, a data não pode ser esquecida!

Apenas recordando o campo da propaganda, aqui mesmo, pelas ruas de Belém, tivemos a intervenção da censura na atividade. Lembro do anúncio de um edifício chamado Presidente, que tinha o título “Eleja o Presidente”, com o óbvio sentido de opção pela compra de apartamento no tal edifício, mas que foi retirado de publicação por ser considerado “subversivo” pelos censores... Ou o caso do dono de uma agência de publicidade chamado a depor no Exército para explicar um anúncio que dizia “Ele voltará!” Na verdade era um teaser (chamada de expectativa que geralmente antecede grandes campanhas). Desconfiavam que era campanha subliminar de algum político afastado... Ficaram surpresos ao descobrir que era apenas a campanha de relançamento do tradicionalíssimo Guaraná Simões...



Escrito por Fernando Jares às 16h46
[] [envie esta mensagem] [ ]



CAPELA DE SANTO AMARO

Quem circula pela Arthur Bernardes (que alguns chamam de rodovia e outros de avenida), na altura em que corta a Base Naval de Val-de-Cans vê, à esquerda de quem saiu do Aeroporto, uma bonita área gramada tendo ao centro uma pequena igreja. Tive a oportunidade de visitar esse local há algum tempo.

Trata-se da capela militar de Santo Amaro, construída em 1967, para atender as famílias do 4º Distrito Naval, que integram a comunidade católica da Marinha que circula pelas ruas de Belém. Recebeu uma completa reforma, onde praticamente foi reconstruída, no dizer do capelão militar Pe. Lenilson Duarte. A estrutura, que era de madeira, foi mudada para concreto e o prédio ganhou janelas com esquadrias de alumínio, portas de vidro com sensor para abrir automaticamente, novos bancos (estofados), ar condicionado, nova Via Sacra, entre outras melhorias.

Nesta sexta-feira, 04/04, com a presença do Administrador Apostólico da Arquidiocese de Belém, D. Orani João, o templo será reinaugurado, possibilitando aos fiéis mais conforto para a participação nos eventos religiosos.

E com uma importante novidade: considerando a grande tradição mariana da Amazônia, por decreto de D. Osvino Both, Arcebispo Militar do Brasil, será entronizada a imagem de uma copadroeira da capela da Marinha, N. S. dos Navegantes, a Mãe de Jesus invocada como protetora dos que navegam pelos mares e rios.

Santo Amaro – Este santo, do século VI, foi grande amigo de São Bento. Escreveu São Gregório que, certa vez, São Bento, por revelação, soube que um jovem estava para se afogar em um açude. Disse ao então discípulo Amaro que fosse ao encontro daquele jovem. Ele não duvidou e foi. Sem perceber, com tanta obediência, ele caminhou sobre as águas do açude e salvou o tal jovem. Somente depois percebeu que havia acontecido um milagre. Amaro atribuiu ao já grande Bento, pois ele, só obedeceu.

Nossa Senhora dos Navegantes – este um título dado à Mãe de Jesus teve início no século XV, com a navegação dos europeus, especialmente os portugueses que a ela rezavam pedindo proteção para retornarem aos seus lares após as grandes aventuras marítimas. A primeira imagem trazida ao Brasil o foi pelos primeiros navegadores que aqui aportaram.



Escrito por Fernando Jares às 17h35
[] [envie esta mensagem] [ ]



FESTEJANDO O MAGRO POETA

UM SARAU COM MAX MARTINS

Você sabe o que é um sarau? Para o Aurélio é uma “festa literária noturna, especialmente em casas particulares”, entre outros sentidos. Na festa pelos meus 60 anos – faz pouquinho tempo! – filhas, genros e a Rita abriram, entre os comes e bebes, espaço para um sarau onde disseram poemas de Fernando Pessoa, tudo, para mim, surpresa absoluta, como de resto o que lá aprontaram naquela noite, para minha alegria aqui na terra e do Pessoa lá por onde ele estiver.

Quando eu era pequeno, ouvia falar de uns saraus aqui, pelas ruas de Belém, inclusive na Sociedade Artística Internacional, na João Diogo, em frente aos Bombeiros, onde hoje é a Academia Paraense de Letras. Mas nunca fui a nenhum.

Pois bem, fui, na semana passada, a um sarau, na Unama, em homenagem a Max Martins, recentemente falecido. O evento eu divulguei aqui: “MAX: todas as maneiras de dizer o verso”, para comemorar o Dia da Poesia (a foto ao lado, de Helder Leite, foi publicada no Unama Comunicado). Em um cenário armado ao jeito de reunião bem informal, vimos um vídeo documentário, produzido pelo Núcleo Cultural da Unama; ouvimos o poema “A Casa”, lindamente cantado, em versão musical aprovada pelo poeta; assistimos o competente Coro Cênico da Unama (eles têm um som maravilhoso, que gosto muito). Em seguida, tempo e espaço abertos para ouvir Max. Professores como Paulo Nunes, Josse Fares, Amarílis Tupiassu, Rosa Assis, Francisco Cardoso (que, como sempre, fez uma declaração de amor a sua Célia), e outros que, me desculpem não saber os nomes, nos brindaram com momentos muito agradáveis e comentários de grande conhecimento, no que foram acompanhados por alunos. Um sarau na universidade. Há algo de diferente naquelas letras. E eu gosto disso!

Publico abaixo o poema “A casa”, de Max Martins, um dos preferidos do nosso filósofo maior Benedito Nunes, (“As preferências não elidem o juízo crítico”, diz ele na revista Estudos Avançados, da USP).

Neste encontro na Unama foi distribuído um livreto com o programa e pequenos artigos sobre o magro poeta, com rápidos traços biobibliográficos e uma breve antologia.

Josse Fares e Paulo Nunes, assim apresentam esse poema:

“Alguém já disse que a poesia é a infância revisitada. O gênero lírico, segundo Staiger, é recordis, de volta ao coração. Em H’Era, livro de 1971, a velha casa, bacia matriarcal, é revisitada pelo poeta sob a égide de Mnemosyne, a deusa da memória, e a batuta do ritmo drumoniano (Drummond, influência confessa do início de carreira de Max Martins)”:

 A casa

Esta casa é uma ruína,
quase terreno baldio:
coração de minha mãe
– esta terra de ninguém,
está cheio e está vazio.
Esta casa vem abaixo,
está prestes a cair.
Esta casa foi à lua,
esta casa foi um tronco,
foi navio
com seu mar encapelado
e bandeiras em abril
(minha mãe na capitânea,
na janela minha irmã).
Tantos anos se passaram,
tantos sonhos se esgotaram;
minha mãe nos sustentava,
nos amava e costurava
nossa vida à sua alma
como a roupa que vestia.
Esta casa é uma ruína
que dá pena a seus vizinhos.
Sobem ervas nas paredes
desta casa-soledade
encolhida pela vida
que dentro dela cresceu;
esta vida que é poeira
esta vida que é silêncio
esta vida que é fechada
esta vida que é goteira
nesta casa condenada.
Esta casa tinha escada,
esta escada três degraus.
E no último tropeçaram
estes sete filhos seus.
Nesta casa inda ressoa
o pigarro de meu pai
(seu cigarro era uma brasa
nessa noite que o escondeu
de seus filhos tropeçados
nesta vida que os comeu).
Esta casa vai cair!
Veio abaixo nossa vida,
veio a chuva, foi-se o sol;
a lama sobe a escada,
às paredes sobe o limo:
esta casa enlouqueceu!

 

Nossa mãe se ressequiu.
Sua vida é uma máquina
que de surda enrouqueceu
(único sinal de vida
que a escada não desceu).
Mas é forte esta sua lida,
sua máquina que não pára
que nos cose e nos trabalha.



Escrito por Fernando Jares às 11h17
[] [envie esta mensagem] [ ]



JESUS FALOU NO SEMINÁRIO

A ARTE COMO ENCANTARIA DA LINGUAGEM

As mais variadas implicações do homem perante a arte e da arte perante o homem, todo esse intrincado relacionamento, do homem que vivia nas cavernas da pré-história ao homem de hoje, que vive até em estações espaciais. Foi por aí, nesse emaranhado de teorias e com visões e abordagens extremamente práticas e agradáveis, que passei parte do fim de semana passado, nas manhãs de sábado e domingo, com o professor e poeta João de Jesus Paes Loureiro e mais umas 60 pessoas, na maioria jovens estudantes de letras e artes e professores. Poderiam ser mais. Os que poderiam ter ido e não foram, perderam. Tudo bem, tivemos de enfrentar um grande engarrafamento (sábado, 8h!) e uma falta de luz durante a manhã – ô lugar comum pelas ruas de Belém.

Jesus Paes Loureiro nos falou no CCFC – Centro de Cultura e Formação Cristã, esse empreendimento extraordinário da Arquidiocese de Belém, ali na BR-316, integrado ao Seminário São Pio X.

Como o tema prometia, foi um verdadeiro “encontro de arte com Paes Loureiro”. Vasculhamos com ele os conceitos clássicos da arte, os grandes filósofos e estudiosos do assunto. Andamos por Aristóteles, Platão, Kant, Max Weber, Jung, Heidegger, Benjamin, Ortega y Gasset, Arthur Danto e tantos outros. Desembocamos, como não poderia deixar de ser, na Amazônia, com a teoria do processo de criação desenvolvida pelo próprio Paes Loureiro, bem explicitada em “A arte como encantaria da linguagem”. Onde nossos mitos (boiúna, boto, iara e tantos outros) poetizam os rios, que deixam de ser apenas água, leito e margem, mas adquirem também, lá no fundo, as encantarias. Lá estão depositados todos esses valores culturais, os nossos encantados. São como que o nosso Olimpo.

A linguagem, forma de manifestação das artes, é um caminho que caminha, conforme sua evolução, no que se assemelha aos rios amazônicos, identificando rio e linguagem.

A arte, contida em potencial em tudo, com o toque do artista, vem à tona. Aflora às linguagens existentes a linguagem poética nelas contida. De Leonardo da Vinci e sua Mona Lisa a Eloy Iglesias em sua performance de açaí/tapioca. A obra de arte é legitimada pela sua aceitação pela cultura.

Assim, pudemos trafegar – ou navegar, melhor dizendo – dos grandes artistas da antiguidade greco-romana, da Idade Média, da Renascença, do romantismo, dos modernistas, dos artesãos marajoaras, aos mais recentes contemporâneos e aprofundar os conceitos sobre a arte de hoje, as instalações, a arte multiplicada, tecnicamente reproduzível, massificada, não aurática, que vem até nós, por discos, cartazes, dvds, etc.

Foi assim (pensando em Ruy Barata e Paulo André), quando o mundo era quase meu, acabou o encontro no CCFC. Todo mundo feliz. De uma jovem estudante, ouvi, entusiasmada: “estou encantada!”. As encantarias deste Jesus caboclo, um deus conosco, sempre encantando...

Convivo com esse abaetetubense há muitos e muitos anos. Parece incrível, mas, ele ainda muito jovem, foi meu professor de literatura no cursinho vestibular. Já lá vão mais de 40 anos! Mas isso fica para outra vez. Por agora, fique de olho na programação do CCFC, que é ótima. E geralmente com estrada franca...



Escrito por Fernando Jares às 18h22
[] [envie esta mensagem] [ ]



O CAOS URBANO ILUSTRADO

 

O descuido generalizado do poder público, com a ausência da autoridade fiscalizadora, especialmente municipal, juntamente com o abuso e falta de civilidade e educação de muitas pessoas, está fazendo com que flagrantes absurdos sejam constantes pelas ruas de Belém. Os dois acima são exemplos claros, feitos em pleno domingo, em uma mesma rua, em quarteirões seguintes!

Na primeira foto um pobre cavalo recebe em sua carroça os destroços de uma árvore cortada a terçado por ordem de algum abusado, que assim contribui para o desflorestamento da região e agrava o calor na sua rua, etc., etc.

Na outra foto um ônibus está estacionado sobre a calçada! Estava a serviço de uma empresa multinacional que fica próxima e que promovia algum tipo de encontro da equipe, em pleno domingo. Com tamanho avantajado, o tal ônibus ocupava todo o espaço da calçada e quem por lá transitava tinha que ir para a rua. Aliás, isso acontece regularmente nesse local, mesmo em dias de semana, quando ali estacionam grandes caminhões... e o povo tem que ir para o leito da rua, escapando dos muitos carros que passam por lá.

Quando eu escrevia sobre turismo, mantinha uma série na minha coluna, que em que abrigava o caos que acontecia na cidade. Era o “caos urbano”. Estes são bons exemplos.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h11
[] [envie esta mensagem] [ ]



THEODORO PULA DA GALERIA PARA O PALCO

Desde o último final de semana há peça paraense nova no Espaço Cuíra. Trata-se de “Theodoro”, mais uma criação do Carlos Correia Santos. A estreia foi sexta-feira.

Theodoro Braga foi um grande artista plástico, introdutor da charge na região, nome do maior destaque na pintura nacional, sendo homenageado como nome de galeria de arte, no Centur. A montagem é do Grupo de Teatro Palha. Bom teatro para nós que andamos pelas ruas de Belém.

Como disse ao jornal O Liberal o autor, dramaturgo Carlos Correia Santos, “Theodoro é um expoente da chamada Belle Époque, período em que a França ditava todas as modas e costumes aqui no Pará, a peça bebe desta fonte. Há um certo clima de cabaré em cena. Os atores cantam, dançam. Paulo Santana fez uma montagem que é bastante física. Um desafio mesmo para os atores”.

A direção e encenação é de Paulo Santana. Também vencedora do Edital Estadual de Fomento às Artes Cênicas, da Secretaria de Cultura do Estado do Pará, como aquela recentemente vista sobre Antonio Tavernard, a produção ficará em cartaz até o dia 13 de abril. Sessões sempre às 21h, nas sextas e sábados, e às 20h, nos domingos.

No elenco estão Luiz Girard, Abigail Alves, Nelson Borges, Arnaldo Ventura, Nelson Oliveira e Ângela do Céo. Produção: Tânia Santos

O Espaço Cuíra fica na Primeiro de março, 524, esquina com a Riachuelo, mas a entrada é pela Riachuelo.

Carlos Correia vem desenvolvendo, como já escrevi neste espaço, um projeto de investigação histórica, que já permitiu a encenação de peças que mergulham no legado de grandes personalidades nortistas, transformando o autor em um “ressuscitador de paraenses” de grande valor, como aqui o denominei. Assim aconteceu com "Nu Nery" (sobre o pintor Ismael Nery) e "Júlio Irá Voar" (sobre o aviador Júlio Cezar Ribeiro), ambas realizadas com o Palha, e a mais recente, "Duelo do Poeta com Sua Alma de Belo" (sobre Tavernard).

Não deu para ir à estreia e nem neste próximo fim de semana, mas no outro pretendo estar lá.



Escrito por Fernando Jares às 19h34
[] [envie esta mensagem] [ ]



O NOVO ARCEBISPO PARA BELÉM

NOMEAR ARCEBISPO NÃO É COMO NOMEAR PARA CARGO PÚBLICO

 

 D. Alberto Ramos (à esquerda) sucessor de D. Mário Vilas-Boas.
Foto do livro “D. Alberto – o pastor da Amazônia”, de José P. Ramos.

As mudanças na igreja católica são tradicionalmente lentas, talvez porque raciocine com a proximidade da eternidade, o que é imanente em suas ações. Por isso, a nomeação de novo Arcebispo para Belém pode demorar.

Há pessoas que parecem preocupada com isso, cobrando a decisão.

Pela tradição, um Papa, para decidir, solicita informações sem pressa, sem açodamento, analisa, busca a inspiração divina, ele que é o legítimo representante da hierarquia iniciada e concedida por Jesus Cristo.

Como, há muitos anos, não ocorre esse tipo de substituição na Arquidiocese de Belém, isto é, por transferência do titular para outro posto, não há prática sobre o assunto.

A última vez que tal ocorreu foi com a saída de D. Mário de Miranda Vilas-Boas que, em 23 de outubro de 1956 foi nomeado Arcebispo Coadjutor de Salvador (e depois foi ser Arcebispo na Paraíba). A nomeação do novo titular para Belém, D. Alberto Gaudêncio Ramos, só ocorreu em 9 de maio de 1957. Mais de seis meses após.

Aliás, a substituição de D. Vicente Zico, que sucedeu D. Alberto, de quem era Bispo Coadjutor, é outro bom exemplo desses tempos: ele renunciou em 2002, quando completou 75 anos (em janeiro) como prescreve o Código Canônico. Mas a renúncia só foi aceita em 2004, quando foi nomeado d. Orani. Mais de dois anos de espera, embora D. Vicente continuasse como titular, aqui pelas ruas de Belém.

Essas escolhas e nomeações não são feitas com pressa, como geralmente acontece nas nomeações para cargos públicos, por exemplo. Talvez a forma como acontecem ultimamente aqui em Belém influencie as pessoas angustiadas pela nomeação do antístite – basta ver os jornais diários: sem mais nem menos, membros do partido tal são removidos de um órgão para outro, porque um acordo novo pintou. Parece até não haver preocupação com a especialização e perfil, ou são todos multiespecialistas... Aliás, algumas vezes, basta ter sido derrotado em alguma eleição...

Mas voltando ao nosso Arcebispo. Como indicativo de que a nomeação não é esperada imediatamente, um encontro entre movimentos eclesiais, novas comunidades, padres, religiosos, seminaristas, diáconos, etc., com o Arcebispo, programado para 7 de junho, no CCFC – Centro de Cultura e Formação Cristã, até já foi cancelado!

A escolha do novo administrador diocesano, que será responsável pelos destinos da igreja católica paraense após a ida de D. Orani João Tempesta para a Arquidiocese do Rio de Janeiro, só deve acontecer depois da viagem desse bispo. Isto é, depois de 19 de abril.

“Enquanto isso, qualquer nome anunciado é apenas pura especulação”, disse Monsenhor Marcelino Ferreira, presidente do Conselho de Consultores da Arquidiocese de Belém (por ser o sacerdote mais antigo em ordenação entre os integrantes do colegiado) ao jornal Voz de Nazaré. Na vacância entre D. Mário e D. Alberto, respondeu pela Arquidiocese o cônego Milton Pereira.



Escrito por Fernando Jares às 19h11
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELOS BURACOS DA ALÇA

Fui ao vizinho município de Barcarena. Vizinho, vizinho, mesmo, não é. Mas, geograficamente, Belém e Barcarena limitam-se, embora com um enorme volume de água entre elas, formado por rio e baia... Para chegar lá, travessia fluvial ou por uma estrada que corta vários municípios, a Alça Viária, inaugurada há coisa de seis anos, para ser um canal de transporte para as riquezas produzidas em nosso Estado. E de fato é. Liga a capital e seu eixo rodoviário (para o Nordeste e para o Sul do país) a uma grande parte do Estado, inclusive o sul paraense. Para chegar ao Distrito Industrial de Barcarena utiliza-se também a PA-483. Mas estão ambas muito mal-tratadas. Em péssimo estado, cheias de buracos, muitos bem grandes ou daqueles que cortam o pneu com a maior facilidade. Sem contar o permanente risco de assaltos. Fiz essa aventura rodoviária, que muitos trabalhadores e estudantes da área são obrigados a fazer diariamente! Sobrevivi, como vou sobrevivendo aqui pelas ruas de Belém, graças a Deus.

Não consigo entender qual a estratégia da área econômica do governo do Estado e dos municípios em relação a essa área, onde há um grande conglomerado de indústrias, além de muita beleza natural e oportunidades para o turismo. Grosso modo, esses empreendimentos representam em torno de 6 bilhões de dólares em investimentos e ocupam mais de 8,5 mil pessoas, com empregos qualificados diretos! Sem falar no Porto de Vila do Conde, o principal do Estado, com intensa movimentação de navios e cargas, de e para todo o mundo. Mas, para chegar até lá é preciso enfrentar uma terrível estrada ou atravessar um rio em lanchas ou barcos geralmente muito sujos e com péssima manutenção, ou ainda em umas poucas balsas.

Encontrei uma equipe, na Alça, tampando buracos. Pelo que soube, é mesmo só uma que, se chegar ao final, já terá, lá no começo da estrada, tudo esburacado novamente... O movimento é intenso, carros, ônibus, caminhões e carretas que, como me disse um usuário da estrada, nem sempre respeitam o limite de peso por veículo. E há uma curiosidade nesse trabalho de tapar buracos: por algum motivo desconhecido, eles consertam um trecho e depois vão outro lá mais adiante, deixando buracos entre um e outro. Quer dizer: vira pegadinha! Nunca é possível saber onde há um buraco esperando por você.



Escrito por Fernando Jares às 21h11
[] [envie esta mensagem] [ ]



A MANGA DE OURO

ACERTEI NO OURO!

Em janeiro, quando fiz aqui neste blog uma semana de desaniversário de Belém, no dia 19/01 fiz um post com o título Chupa essa manga!”, aproveitando o título de anúncio da Unimed (criação da Mendes Publicidade) em saudação à cidade. Reproduzi o poema “mangando”, de Tiana Ribeiro.

Aproveitando a carona das mangas, como escrevi na oportunidade, disse que esse anúncio era um dos melhores entre os publicados no dia 12/01, nas edições especiais dos jornais locais em homenagem a Belém, “quem sabe, o melhor de todos”, arrisquei num julgamento.

Pois bem, acertei na mosca, ou melhor, no ouro!

Agora, a Mendes Publicidade divulgou, em anúncio domingo passado, que o tal anúncio da manga conquistou ouro no Prêmio Voto Popular, da tradicional revista especializada (em publicidade) About, de São Paulo. Um prêmio onde os jurados, as pessoas que votam indicar os vencedores, são consumidores comuns, aqueles para quem, geralmente, são feitos os anúncios.

Nas megasenas da vida eu nunca acertei (aliás, nem jogo...). Mas em propaganda, valeu.

Como pode não dar para ler, o copy, ops, o texto, em homenagem a essa deliciosa fruta, tão marcante pelas ruas de Belém, está aqui ele:

Chupa essa manga.

 Ajuda na digestão
Reduz a absorção de açúcares
Traz benefícios ao cérebro
Fortalece o coração
Baixa caloria
Vitamina C
Vitamina B
Vitamina A
Rica em fibra
Sais minerais
Baixa a glicose
Excelente purificador de sangue
Diurética
Antioxidante
Reduz o colesterol
Expectorante

Em pleno aniversário de Belém as mangueiras estão repletas da rainha das frutas tropicais, a manga. Ela toma conta da cidade, brindando a todos com seu sabor e suas qualidades. Os benefícios são tantos que até parece a Unimed: faz bem para a mente, o corpo e o coração. E, para completar, é a cara de Belém.

Agora, se me permitem, vou a uma manga bem suculenta, que me aguarda, ali na cozinha, ansiosa pelo destino esplendoroso de alimentar e ajudar a vida saudável de um ser humano faminto!

 



Escrito por Fernando Jares às 19h24
[] [envie esta mensagem] [ ]



ABL LANÇA NOVO VOLP AMANHÃ

AMANHÃ É O DIA DO NOVO VOCABULÁRIO BRASILEIRO

A Academia Brasileira de Letras apresenta amanhã, 19/03, na sede da instituição, o Petit Trianon (é um belo prédio a ser visitado no Rio de Janeiro, há até visita guiada), o novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), já com as novas normas estabelecidas pelo Acordo Ortográfico em vigor desde 1º de janeiro deste ano.

O volume tem 887 páginas e contém 349.737 vocábulos, em ordem alfabética, incluindo a classificação gramatical de cada um, além dos estrangeirismos (cerca de 1500), que aparecem na parte final da obra.

A ABL também apresentou hoje texto de Nota Explicativa na qual informa sobre os procedimentos metodológicos seguidos na elaboração desta 5º edição do VOLP. A Comissão de Lexicografia, integrada pelos acadêmicos Evanildo Bechara, Eduardo Portella e Alfredo Bosi, informa que “com a realização deste trabalho, a ABL traz contribuição relevante ao sonho de unificação ortográfica acalentado por tantos filólogos portugueses e brasileiros. Acreditamos ter contribuído para a elaboração do futuro Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, tarefa não só proposta pelos signatários do novo Acordo, mas que foi também sonho dos fundadores da ABL em 1897".

A Nota Explicativa anuncia como foi feita a aplicação dos enunciados do Acordo ao vocabulário brasileiro. É importante ler este documento, cujo link está aqui. Basta clicar.

Mas os esclarecimentos de diversas dúvidas só vão surgir, de verdade, com a leitura do VOLP. O disponível na internet ainda continua com a versão anterior, de 1971. Torçamos para que amanhã o novo já esteja disponível. É uma publicação que será muito bem-vinda. Até para sabermos, de fato, como se escreve agora esta forma de bem receber as pessoas... e vocabulários.



Escrito por Fernando Jares às 17h37
[] [envie esta mensagem] [ ]



HOJE TEM SARAU PARA MAX MARTINS

TODAS AS MANEIRAS DE DIZER O VERSO DE MAX

A Unama, que transferiu a semana sobre Dalcídio Jurandir, que estaria acontecendo, tem hoje uma programação cultural dupla, coisa a não perder.

Primeiro é a vez do programa “MAX: todas as maneiras de dizer o verso”, um sarau que comemora o Dia da Poesia, que foi dia 14 de março, sábado passado, e homenageia o grande poeta Max Martins, que tanto circulou pelas ruas de Belém, recentemente falecido. É hoje mesmo, 18/03, às 18h, no Auditório David Mufarrej, no Campus Alcindo Cacela. A promoção é do Curso de Letras e do Núcleo Cultural. Entrada livre.

Veja o programa, a partir das 18h:

Max, poeta fundamental – Vídeo documentário, com roteiro de Paulo Nunes, Josse Fares e Abdias Pinheiro; Produção: Núcleo Cultural - Casa da Memória – Unama.

A casa, poema de Max Martins, apresentado pelo poeta e músico Marcílio Costa.

O Signo Max, com o Coro Cênico da Unama.

E por falar em Max...: criar e transgredir sempre. Sessão aberta ao público para recitação e leitura de poemas do homenageado e dos a ele dedicados.

Às 20h, será aberto o Salão Unama de Pequenos Formatos, um dos mais tradicionais da cidade, já com 15 anos de existência, que este ano faz homenagem a Max Martins. Na galeria de arte Graça Landeira, também entrada livre. (Informações: 40093077 / 40093145; letras@unama.br)



Escrito por Fernando Jares às 10h22
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM CARDEAL PARA A AMAZÔNIA

A idéia de criar uma sede cardinalícia na Amazônia, que este blog sigeriu no dia 28 de fevereiro, ao comentar a saída de d. Orani da Arquidiocese de Belém, parece que foi encampada por organizações católicas e por parlamentares aqui da região... É o que anuncia a coluna do jornalista Ancelmo Gois de hoje, publicada em jornais de todo o Brasil, a partir de O Globo, e inclusive em O Liberal, aqui em Belém. Não é possível reproduzir o texto, que tem restrições. Mas as tais lideranças estariam pensando em ir ao Núncio Apostólico no Brasil, para reivindicar a tal nomeação. O Núncio, Dom Lorenzo Baldisseri, é um Arcebispo muito simpático, que esteve aqui no Círio do ano passado, emocionou-se com a romaria, passeou pelas ruas de Belém, e conversou bastante com d. Orani – quem sabe até sobre isso. Foi até notícia neste blog. Bem, a igreja não costuma a se impressionar muito com pedidos de políticos... mas com certeza eles serão muito bem recebidos por Sua Excelência Reverendíssima.

Naquele dia 28/2 o postDe Belém Para o Rio de Janeiro” publicou este trecho sobre o assunto: “Mas eu alimentava uma esperança: com esse valor todo, seu crescimento fosse aqui mesmo: com a elevação ao cardinalato, entre nós. Um cardeal na Amazônia! Sonho antigo dos católicos da região. Afinal, somos um dos principais centros marianos do mundo, criação de uma imensa população católica, na maior floresta do mundo, às margens do maior rio do mundo, todos grandiosas criações de Deus. População que precisa de um pastoreio forte, ativo, para livrá-la dos lobos vestidos de cordeiros que infestam a área.”



Escrito por Fernando Jares às 18h40
[] [envie esta mensagem] [ ]



O ANJO ALADO RENASCE NO CUÍRA

O RESSUSCITAMENTO DE ANTONIO TAVERNARD


Em cena, Tavernard e sua Alma.

                 “Cada um dá o que tem!
                 Ah! Que verdade!...
                 A vida deu-me a dor, eu dou-lhe versos...”

                                                       Antonio Tavernard

 Na noite de ontem, domingo, acomodados nas poltronas no Espaço Cuíra, com um agradável cenário em frente, os poucos (e privilegiados) lá presentes foram sendo arrebatados, cada vez mais e mais, pelo encantamento das palavras que ouviam. Palavras poéticas. Palavras de Antonio de Nazareth Frazão Tavernard. O paraense, de Icoaraci, Antonio Tavernard. Arrebatamento é mesmo o termo que acho certo para o que aconteceu ali. Pelo menos Rita e eu ficamos presos ao palco, ao desenrolar do texto, durante todos os minutos da peça. Confesso que não sou grande conhecedor de Tavernard, mas do que já li, muito gosto, e sei que quem o conhece bem, o coloca entre os maiores, como é o caso de seu ardoroso leitor, o físico Sérgio Vizeu.

Carlos Correia Santos, também poeta, escritor e dramaturgo, o ressuscitou no palco do Cuíra, no espetáculo “Duelo do Poeta com Sua Alma de Belo”, que ficou em cartaz no final de semana.

Os personagens são o poeta e sua alma. Ele busca “renascer”, mas não fisicamente e sim na memória das pessoas. Sente-se esquecido – e o poeta só vive com a vida de sua poesia, na vida das pessoas que a consomem.

Naquele espaço e naquele tempo ele renasce de fato, no corpo e na arte do ator Luis Girard que o interpreta com segurança e emoção, em um texto bastante longo, pois inclui inúmeros poemas de Tavernard, e ele o disse muito bem. Vívido.

A alma do poeta ganha vida na atriz Vaneza Oliveira, que sobrevive muito bem a bruscas mudanças de comportamento, de cúmplice, quase apaixonada pelo poeta à uma postura agressiva, em duelo com o ansioso jovem. O duelo de palavras que eles travam, estilo desafio, em que ela dá os motes ao artista, é um grande momento.

O texto de Carlos Correia Santos, que já fora o responsável pela exposição comemorativa “100 anos de Antônio Tavernard: A Eternidade do Anjo Alado por Versos”, que vimos na Feira do Livro do ano passado, corresponde plenamente ao que eu esperava: completo, bem estruturado, informativo, explorando de forma inteligente o universo poético do homenageado. Curiosamente, Tavernard é o autor das letras de algumas das músicas paraenses mais gravadas e mais executadas, como “Foi boto, Sinhá” e “Matintaperera”. Mas todo mundo só lembra e só fala no autor da composição musical, o extraordinário maestro Waldemar Henrique, figura cintilante do firmamento artístico paraense, que acaba por abafar o poeta, tão prematuramente desaparecido. Mesmo quem sabe direitinho o nome do autor dessas letras, na maioria das vezes, não conhece sua produção poética.

Ainda não há data para o espetáculo voltar. Mas, para quem não viu, vale ficar atento. Foram momentos muito agradáveis, aqueles de ontem.

Professores poderiam dar uma atenção especial a trabalhos como este. Acredito que, com pequena adaptação, o espetáculo poderia ser levado às escolas, estendendo aos nossos jovens esse precioso conhecimento.

 O RESSUSCITADOR DE PARAENSES

Aguardando o início do espetáculo sobre Tavernard, ontem, matutei e conversei sobre essa vocação – sublime – do Carlos Correia Santos, de ressuscitador de paraenses de valor, que caminharam pelas ruas de Belém.

Assim já fez, na peça “Nu Nery”, com o grande poeta e pintor Ismael Nery, de quem vi uma fantástica coleção de trabalhos no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, na USP (quantas peças dele existem em Belém?). Assim o fez com o jornalista, escritor e inventor paraense Júlio Cezar (Ribeiro de Souza), nome de uma das vias de acesso ao aeroporto, que muita gente ainda pensa ser homenagem ao imperador romano..., com a peça “Júlio irá voar”. Agora o faz com Antonio Tavernard. Já logo vai fazer com Theodoro Braga, a ver se ele deixa de ser apenas nome de galeria de arte, que já foi no Theatro da Paz e hoje está no Centur...



Escrito por Fernando Jares às 20h43
[] [envie esta mensagem] [ ]



HOJE É DIA DE POESIA!

  

Galeria de nossos grandes da poesia, reproduzindo o poético e inspirado traço de J. Bosco, pinçados de seu blog Lápis de Memória: Bruno de Menezes e Max Martins, este último recentemente falecido e que foi assunto aqui neste blog.

Hoje é dia da Poesia e dia do Poeta – poeta e poesia são um só, ela é a obra dele e ele é obra dela. Muito mais do que os casais convencionais, aqui a simbiose é perfeita. E tem que ser perfeita, para que não sofram, em casal, a poesia e o poeta.

Quando aflora diante de nossos olhos, a poesia nos invade, literalmente. Como um sangue intelectual, a poesia é capaz de circular por todo o corpo, emocionando.

Não existem poemas e poemas. São sempre poemas. O gosto estético, o apuro de linguagem, o refinamento, variam. Mas é sempre a poesia que o poeta cria, desenvolve, cultiva, exibe. Com orgulho. O poeta tem que ser orgulhoso do que produz. Ele sabe manejar as palavras com habilidade especial, tirando delas som (como os músicos), cor (como os pintores), imagens (como os fotógrafos), formas (como os escultores), movimento (como os dançarinos), atualidade (como os jornalistas), expressões (como os caricaturistas), vidas (como Deus!).

Publico hoje, aqui a seguir, três poemas, de três poetas que muito gosto, transeuntes pelas ruas de Belém.

João de Jesus Paes Loureiro nos trás, com a profundidade de sempre, um momento do cotidiano, da série Antipoemas, que publica em seu Blog do Paes Loureiro. De Jason Carneiro fui buscar um poema muito especial, do livro "Assim Nascem os Horizontes", que você pode ler no seu excelente site Cais do Silêncio. E mais o clássico “Batuque” do nosso maior modernista, Bruno de Menezes.

Crianças assassinadas
João de Jesus Paes Loureiro

O que faz a mão
levantar uma arma
contra uma criança?
O que faz a mão
cortar o fio
entre o real e o sonho
que equilibra no ar
uma criança?
O que faz a mão
trazer a morte
para quem traz a vida?

Deus,
porque não afastas esse cálice
de amargura
de teus próprios lábios?
E dos nossos, também?
Por que não abates essa mão
no caminho do crime?
Não podes mais, meu Deus,
manter esse descanso
que mereceste após a criação.
Acorda, Deus do amor,
reassume o caos do mundo
e tenta recriar a humanidade…

O Louco
Jason Carneiro

Meu coração traz todo o mal do mundo
guardado num recanto tenebroso.
Às vezes chora sem porquê; às vezes ri
da inútil encenação.

Meu coração é o louco. Eu não.
Vivo bem entre os iguais.
Guardo entanto no peito fundo e escuro, esconso,
este coração tocado pelo mal, e tão tomado,
que já o meu sorriso é um enfado
e minhas mãos como o mármore gelado.

Batuque
Bruno de Menezes (1893-1963)

— "Nêga qui tu tem?
— Maribondo Sinhá!
— Nêga qui tu tem?
— Maribondo Sinhá!"


Rufa o batuque na cadência alucinante
— do jongo do samba na onda que banza.
Desnalgamentos bamboleios sapateios cirandeios,
cabindas cantando lundus das cubatas.

Patichouli cipó-catinga priprioca
baunilha pau-rosa orisa jasmin.
Gaforinhas riscadas abertas ao meio,
crioulas mulatas gente pixaim...

— "Nêga qui tu tem?
— Maribondo Sinhá!
— Nêga qui tu tem?
— Maribondo Sinhá!"


Sudorâncias bunduns mesclam-se intoxicantes
no fartum dos suarentos corpos lisos lustrosos.
Ventres empinam-se no arrojo da umbigada,
as palmas batem o compasso da toada.

— "Eu tava na minha roça
maribondo me mordeu!..."


Ó princesa Izabel! Patrocínio! Nabuco!
Visconde do Rio Branco!
Euzébio de Queiroz!

E o batuque batendo e a cantiga cantando
lembram na noite morna a tragédia da raça!
Mãe Preta deu sangue branco a muito "Sinhô moço"...

— "Maribondo no meu corpo!
— Maribondo Sinhá!

Roupas de renda a lua lava no terreiro,
um cheiro forte de resinas mandingueiras
vem da floresta e entra nos corpos em requebros.

— "Nêga qui tu tem
— Maribondo Sinhá!
— Maribondo num dêxa
— Nêga trabalhá!..."


E rola e ronda e ginga e tomba e funga e samba,
a onda que afunda na cadência sensual.
O batuque rebate rufando banzeiros,
as carnes retremem na dança carnal!...

— "Maribondo no meu corpo!
— Maribondo Sinhá!"
— É por cima é por baxo!
— E por todo lugá!"



Escrito por Fernando Jares às 14h20
[] [envie esta mensagem] [ ]



O RECONHECIMENTO ENTRE O TUCUPI E O LINCE

 

 

 

 

 

 

Olha aí como o Biratan flagrou o pobre Atlas, nestes tempos de crise mundial.
Condenado por Zeus a carregar eternamente sobre os ombros o globo terrestre,
ainda passa pelo aperreio de ter de estender o chapéu...

Não é segredo minha radical inclinação pela culinária regional, seja nas suas formas mais tradicionais, seja naquelas mais contemporâneas, que se desenvolvem, até se alastram, em Belém, a partir das criações pioneiras do chef Paulo Martins.

Por isso, o cartunista Biratan (Porto) dizer-me, sobre este blog, que está “curtindo a leitura, como se fosse um bom caldo de pato no tucupi”, é o que se pode chamar de um elogio muito gostoso!

E no Jornal Pessoal da segunda quinzena de março, que acaba de chegar às bancas, Lúcio Flávio Pinto qualifica o Pelas Ruas de Belém como um “interessantíssimo blog”. Isso para contar a história da revelação, feita neste espaço, do nome do palhaço Nequinho, talvez o primeiro palhaço de grande popularidade em Belém, fruto da penetração da TV Marajoara, nos inícios da televisão no Estado, 1961 em diante.

Depois de transcrever parte do post que trata do assunto (pode ver esse post clicando aqui) o Jornal Pessoal orienta que “quem quiser mais, vá ao blog, no qual ele (no caso, eu!) vasculha seus enormes arquivos e circula pela cidade com seu olhar de lince”. Menos, menos, eu complemento. Os arquivos, nem tão enormes, até que foram bem selecionados ao longo do tempo, e o olhar anda bem menos lincento do que eu gostaria...

A ambos, o blog agradece a suave música do reconhecimento, acima de tudo, incentivo a esta nova jornada.

No embalo do tema, reproduzo aqui ao lado uma foto dos palhaços Alecrim e Nequinho, entregando um prêmio a uma criancinha, em pleno programa “Aí vem o circo”, na TV Marajoara. Quem será ela? Publicada em A Província do Pará em setembro de 1963, no suplemento especial pelo segundo aniversário dessa emissora.



Escrito por Fernando Jares às 17h58
[] [envie esta mensagem] [ ]



PELO RESGATE DE TAVERNARD

“Um poeta em confronto com sua alma”. É assim que o autor, dramaturgo Carlos Correia Santos, apresenta seu mais recente trabalho, que estreia neste fim de semana, em Belém: o espetáculo “Duelo do Poeta com Sua Alma de Belo”. Carlos mergulha na vida do poeta paraense Antônio Tavernard, cujo centenário de nascimento foi comemorado no ano passado. Sobre ele vimos, na Feira do Livro, uma exposição, que teve a curadoria do próprio Carlos. Quer dizer: é um especialista em Tavernard.

Fala-nos o CCS sobre a trama que desenvolveu: “Um criador de lirismos que decide travar um embate com sua verve porque exige voltar a viver. Mas o que está em questão não é um óbvio voltar a viver. O que esse criador quer não é a existência terrena, tão simples, tão banal. Em cena, um poeta que implora a sua alma para voltar a viver na memória das pessoas”.

Uma justa reivindicação que o Carlos tenta transformar em realidade – mudando uma realidade ingrata ao poeta que tanto sofreu em vida. Mas que belamente produziu. Escreveu letras para Waldemar Henrique, como o megaclássico "Foi Boto, Sinhá" e "Matintaperera", além de ter tido a peça "Casa da viúva Costa" musicada pelo maestro. Mas, como nem tudo é perfeito, ele é o autor do hino do Clube do Remo...

A montagem estará no Espaço Cuíra (trav. 1º de março, 524, c/Riachuelo), amanhã, sexta-feira, 13/03, às 21h, sendo ainda apresentada, no mesmo horário, no sábado, data em que se festeja o Dia do Poeta e da Poesia, e terá uma última apresentação no domingo, às 20h. Ingressos a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

Com produção executiva de Márcio Mourão e trazendo no elenco os atores Vaneza Oliveira e Luis Girard, o projeto de “Duelo do Poeta” foi um dos vencedores do Edital Estadual de Fomento às Artes Cênicas – Prêmio Cláudio Barradas, promovido pela Secult. Vamos lá.

Em homenagem ao grande poeta icoaraciense, nascido em uma véspera de Círio (10/10/1908), por isso batizado de Antônio Nazareth, e ajudando na cruzada por ele almejada de viver na memória das pessoas, aqui está um poema de Tavernard, como foi publicado na Revista da APL (março 1964):

SOB AS BRUMAS, EM SURDINA
Esta é a canção do outono,
a canção que compus,
a meio tom, na meia luz,
num começo de ocaso e de abandono,
para os que lembram e que não são lembrados.
Para os que amam sem dizer, fechados
num silêncio de orgulho e de humildade;
para os monjes da ausência e da saudade;
para os que, lentamente, lentamente,
renunciaram: para os que sonharam inutilmente
e para os que inutilmente não sonharam.
Esta é a canção do outono, a canção imprecisa,
crepuscular, efêmera, indecisa,
entre o riso e o soluço.
Motivo musical desses poemas tristonhos,
que, sem querer se aprende e sem querer se esquece.
Genuflexório de sons sobre que me debruço,
para soltar, ao leu, numa última prece,
a mística sensual do meu último sonho.
A suave canção,
crepuscular, efêmera, indecisa,
que uma harpa aprendeu a ouvi-la de uma brisa,
para só ensinar, depois, a um coração.
Este meu coração inquieto, dorido,.
que aqui vai a vibrar,
como se fosse um pássaro ferido
morrendo em pleno vôo, a cantar, a cantar.



Escrito por Fernando Jares às 18h21
[] [envie esta mensagem] [ ]



A CAPELA DO SANTO ANTONIO

UM FORRO SETECENTISTA

 

Há anos que eu não entrava na sacristia da capela do Colégio Santo Antonio. Acho que desde o tempo em que as meninas estudavam lá. Um domingo destes decidi matar essa saudade. Após a missa das 9h, celebrada pelo padre Antonio Beltrão (um capanemense dos bons), lá fui eu e a Rita à nossa pequena incursão nestes domínios históricos de Belém, guardados (e muito bem, diga-se) pelas irmãs Dorotéas.

Lembrava que era um local precioso, um teto de cores bonitas e atraentes. Leandro Tocantins diz que essa sacristia é “uma pequena obra de arte”. Lembranças confirmadas. Mais uma vez tive que render homenagens ao velho Leandro e sua (também) muito preciosa obra o guia “Santa Maria de Belém do Grão Pará”, cuja primeira edição é de 1963 e a terceira, acho que a mais recente, de 1987.

O local merece uma foto muito especial. Fiz o que pude com minha maquininha, e está aí em cima. O grande destaque é o forro, à moda da capela Sistina. Como lá, dá vontade de deitar no chão para ver melhor...

Abobadado, tem essa bela pintura a óleo, de 1774, segundo identifica o autor desconhecido, provavelmente um humilde franciscano que, naqueles tempos desenvolvia suas atividades no “novo” convento de Santo Antonio, de 1743, que substituiu o original, de 1626, destruído pelo tempo.

Cedo o espaço a Leandro Tocantins, a nos deliciar com sua linguagem característica de bom marajoara, aculturado ao Rio de Janeiro:

“A pintura simboliza a Sagrada Eucaristia: uma figura de mulher, de olhos vendados, representando a Igreja Católica, levanta a Hóstia – o Santíssimo Sacramento. Fides et silentium, escreveu o artista para significar o ritual de fé, silencia e concentração, a ser observado pelos sacerdotes qua ali se paramentam para irem rezar a Santa Missa. Nos cantos do painel o artista pintou emblemas simbólicos: o lírio, a cruz e o brasão franciscano.”

Leandro ainda destaca “uma bela cômoda de jacarandá” que lá está firme e outros adereços que, confesso, não reparei, pois fiquei com o olhar preso ao teto.



Escrito por Fernando Jares às 16h47
[] [envie esta mensagem] [ ]



FARAHZINHOS: 70 ANOS

123

Os Farahzinhos(1); em miragem nas areias árabes dos ancestrais(2); e em um anúncio, recomendando um bar(3).

10 de 03 de 39.
Muita chuva e nevoeiro.
Seu Salles, o motorista
caía em um boeiro,
Juntamente com seus pais
E o médico parteiro.

Generalíssimo Deodoro,
A rua do acidente,
Dr. Acilino de Leão,
Atendeu a parturiente
As 7:00 e as 7:15 horas,
Nasciam os inocentes

Quem é rápido em conta já viu que o episódio narrado aí em cima, faz hoje 70 anos. Facinho, né. Pois é, hoje pela manhã completaram 70 anos os famosos irmãos Farahzinhos, Joseph e Alexandre Farah. Fazem parte da história desta cidade, tantas aprontaram pelas ruas de Belém e de Mosqueiro, nas passadas décadas de 50, 60, 70. O poeta apresenta a família e seu projeto:

Sua mãe, Maria de Lourdes.
Seu pai, Raymundo Farah.
Genitores destes jóvens
Que em cordél, vou narrar
Os quais são irmãos gêmeos
E deram muito que falar.

Um episódio armado por esses dois “inocentes”, em Mosqueiro, foi recentemente contado no programa Big Brother Brasil 9, pela paraense que dele participava. Numa noite de Sexta-feira Santa eles colocaram velas acesas sobre caranguejos e os soltaram em uma rua, em Mosqueiro, pelo Chapéu Virado. Naquela época não havia luz por ali. Portanto, dá para imaginar que muita gente pegou belo susto, pensando que as velas estavam andando sozinhas ou... que eram “almas penadas” em desespero!

Mas sempre se sabia que eram eles que faziam essas “estripulias”, como o jornalista e radialista Edyr Proença qualificou essas armações dos dois. São muitas, renderam um jornalzinho, de umas poucas edições e uns três livros, inclusive o “Cordel dos Farahzinhos”, de onde transcrevo algumas estrofes – exatamente como estão publicadas. O autor é o mosqueirense, “poeta e intelectual”, Antonio Fernando Cohen, que apresenta o trabalho como “seistilhas de pé quebrado”. Pioneiramente impresso em papel reciclado, em 1990, é fartamente ilustrado com caricaturas, pelo que consegui identificar, do Walter Pinto e do Felix, embora a maioria delas não tenha assinaturas.Reproduzo três delas, aí em cima.

Pra concluir o registro o poeta, amigo dos personagens de sua história, empolga-se:

Belém já teve de tudo
Trem, bonde e zepellin
Teve gente de caráter
Também gentalha ruim
Mas tudo virou história
nesta vibrante memória

Tudo passa nesta vida
Fome vento paixão
Passa boi passa boiada
Passa também ilusão
Se a vida é passada a limpo
O que fica é os dois irmãos.



Escrito por Fernando Jares às 16h39
[] [envie esta mensagem] [ ]



AGORA A GENTE APRENDE!

UMA CRÔNICA SOBRE O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

Recebi um desses e-mails circulares que já vem desde não sei quem, mandando, remandando, trimandando, que soube estar fazendo o maior sucesso entre os internautas, professores especialmente. O assunto é: “Genial !!! Agora a gente aprende”.

Apresenta um anexo em PowerPoint sobre o Acordo Ortográfico, com uma crônica em linguagem muito agradável, específica para jovens. Teria sido escrito para despertar o interesse na garotada sobre as novidades de nossa língua. Segundo depoimento de quem seria iniciadora da corrente (argh!) o resultado foi muito bom. E vem sendo repetido em outras classes.

Li e gostei muito da forma como a questão é posta. O título da crônica é “Como será daqui pra frente?” e a autora é a escritora Elida Kronig.

Mas, na leitura fui encontrando alguns errinhos, do tipo “24hs”, ou “sufixo”, quando o exemplo era claramente de um “prefixo”. Fiquei desconfiado e fui fazer uma pesquisa na internet – esse saco de gatos maravilhoso, onde é preciso muito cuidado para não levar gato por lebre. Logo descobri que era gato! Um gato meio sem querer, mas era gato. E arranhava bastante!

O texto apresentado pelas professoras, lá no início da história, continha alguns errinhos propositais, para que os alunos os descobrissem. Depois de trabalho em classe é que o texto certo foi apresentado. Os alunos, empolgados, querendo homenagear a autora e dividir seu conhecimento, fizeram uma apresentação em pps, mas usaram o arquivo errado, despachando-o para o mundo virtual! Vem rodando pelo Brasil até dar com os costados (?!) aqui pelas ruas de Belém.

Descoberto o imbróglio, achei que devia dividir com vocês, principalmente com quem tenha recebido o tal e-mail. E mostrar a solução. Atenção: vale também para quem não recebeu o dito cujo. Dê uma olhada no endereço adiante.

A autora, Elida Kronig, considerando a importância do fato, até criou um blog específico para a tal crônica, cujo endereço está aqui. Tem o texto correto da crônica e algumas considerações, no final, que esclarecem e até acrescentam novidades sobre a versão original. É que ela foi escrita ano passado e, de lá para cá, estão surgindo novas interpretações para o complexo texto do Acordo. Por sinal, só vamos saber tudo certo quando sair o novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) que, segundo informa o site da Academia Brasileira de Letras, será divulgado este mês. Aguardemos.

Ah, a escritora Elida Kronig, além de escrever bem, tem outro valor: é torcedora, como eu, do América, do Rio de Janeiro. Vou ver se, quando for ao Rio, combino com ela para ir a um jogo do nosso centenário diabo rubro, e ela me consegue um lugar na kombi que leva toda a torcida americana aos jogos... Brincadeira à parte, eu sofro deste criança pequena lá em Capanema, quando ganhei meu primeiro “time de botão” (como se chamava na época) de plástico, obviamente do AFC! Assim escolhi meu time do Rio! E confirmei quando cheguei a Belém para estudar, em 1959: o vermelhão foi campeão em 1960 – que poderia eu querer mais! Pra completar, o Paysandu foi campeão em 1959, 1961, 1962, 1963... Eu era um torcedor feliz!!!!! E acho que estou voltando a ser!



Escrito por Fernando Jares às 16h30
[] [envie esta mensagem] [ ]



WATERLOO NAPOLEÃO

 

Waterloo fazendo uma das coisas de que mais gostava: transmitindo seus conhecimentos. E sendo homenageado pelo Conselho Regional de Química.

Como pode uma pessoa ter um nome tão contraditório, até aparentemente conflitante, pelo menos à luz da história, e ser um homem bondoso, amigo, carinhoso, competente, valoroso e valioso, amado por gerações?

A ciência e a academia paraenses perderam na madrugada de hoje um dos mais valiosos integrantes dessas comunidades: Waterloo Napoleão de Lima. Os parentes e amigos dele perderam uma referência de ser humano, com um comportamento que, imagino, seja como Deus gostaria que todos nós fôssemos. “Estou perdendo um pai pela segunda vez”, disse-me o genro, Nelson Dourado.

Um mestre na química. Mais que mestre, doutor, mais que doutor, pós-doutor. Títulos que obteve na USP e na França. “Ele sabia tudo sobre química. Sua aula nos empolgava. Era impressionante seu domínio sobre a química. Suas aulas eram magníficas”, afirmava Guilherme Epifânio, um de seus antigos alunos, hoje também um profissional brilhante, referência em conhecimento na indústria do alumínio.

Havia em todos que nos encontramos na capela mortuária dos Capuchinhos um sentimento muito grande de perda, como que tomados de assalto. Porque foi assim que a doença agiu, não dando chances às defesas internas e externas, escaladas pelos médicos.

Minha relação com o sr. Waterloo fez-se, ao longo dos últimos 18 anos, por meio de sua filha Andréa, de quem fui colega no trabalho todos esses anos. Desde que ela era estagiária na empresa, até a minha aposentadoria. Uma relação forte e amiga. As referências dele tinham esse filtro de amor filial e de grande admiração, até que o fui conhecendo mais, especialmente quando o descobri um avô extraordinário, incondicionalmente apaixonado pelos netos. Viveu plenamente a netocracia, que prega com extrema felicidade o jornalista Joaquim Antunes.

À saída do féretro, as lágrimas que saltavam dos olhos e do coração, transferiram-se para as mãos, em uma prolongada salva de palmas ao corpo do amigo que se ia. E que fez, há pouco, sua última caminhada pelas ruas de Belém.

Assim, Deus leva-me um segundo dos que quero bem e admiro, em uma semana, deixando somente a saudade e a boa lembrança. Mas, em compensação, dá-me a alegria da chegada de Maria Fernanda, sobrinha-neta que nasceu exatamente nesta manhã.

Somente o Senhor sabe os insondáveis mistérios da vida.



Escrito por Fernando Jares às 15h19
[] [envie esta mensagem] [ ]



TEM UM BR BONITÃO CIRCULANDO AÍ

Caso o engenheiro paulista João Augusto do Amaral Gurgel, falecido no último dia 30 de janeiro, circulasse pelas ruas de Belém por estes dias e encontrasse o BR-800 com que deparei semana passada, e que está aí na foto que fiz, na hora, ia ficar feliz.

O carro está lindão, muito bem tratado. Ao que soube, é de um professor. Amaral Gurgel foi o idealizador e construtor desse carro, considerado o primeiro e único automóvel legitimamente nacional.

Como editor de veículos que fui, durante alguns anos, acompanhei de perto a trajetória desse sonhador da indústria automobilística nacional. Lutador, não acreditava na panacéia do álcool combustível como o era apresentado nos tempos do Proálcool. Tinha razão, tanto que tudo foi álcool, ops, água abaixo... só recentemente retomado. Foi um dos primeiros a dizer que terras férteis deviam produzir alimentos e que deveriam ser encontradas novas alternativas para os motores. Batalhou muito pelos carros elétricos. Chegou a lançar o Itaipu, que abastecia em uma tomada doméstica. Mas as baterias pesavam muito e duravam pouco e o carro não desenvolvia. Sobreviveu pouco mais de um ano no mercado.

Os grandes fabricantes multinacionais não lhe davam trégua. Aliás, ele costumava a dizer: “não sou multinacional, sou muitonacional. O capital é 100% brasileiro”.

Mas voltemos ao BR-800. Com motor (da Gurgel) de dois cilindros e 800cc, foi produzido de 1988 a 1995, quando já se chamava Supermini. Uma vez, em São Paulo, tive dificuldade em subir uma ladeira íngreme, no centro da cidade – certo que eu e motorista pesávamos bastante... Mas o carrinho era novo.

Originou-se de um projeto audacioso do engenheiro Gurgel: o Carro Econômico Nacional (Cena), que ele sonhava barato, de menos de US$ 3.000, manutenção de pequeno custo e consumo baixo. Inicialmente o “E” era de “elétrico”, mas pelos problemas com o desenvolvimento desse modelo, mudou para “econômico”. Desconfio que os indianos da Tata, com o tal Nano, andaram lendo os projetos do velho Gurgel.

Na época contava-se que o carrinho seria lançado com o nome do projeto, isto é, Cena, mas teve de mudar porque assessores jurídicos do piloto, campeão mundial de F-1, Ayrton Senna, o embargaram na justiça. De fato, embora com grafia muito diferente, há uma grande semelhança sonora entre os dois nomes. Gurgel não teria nem discutido e logo mudou o nome para BR, mas disparou: “Não vamos esquecer que o rio Senna já corria na França muito antes do Ayrton ser piloto...”.



Escrito por Fernando Jares às 17h53
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM BLOG LEGAL PARAENSE

SACO LARANJA, UM DOS MAIS LEGAIS DO BRASIL

 

Um blog paraense está entre os mais “Legais do público” do Uol, em todo o Brasil! O anúncio foi feito ontem e isso representa que ele foi eleito pelos leitores, já que é uma indicação do público.

O vencedor é o “Saco Laranja”, que já está aí nos meus favoritos faz tempo. É referência nacional para colecionadores de bonecas, principalmente das séries Barbie e Tyler. Tem tudo lá. E a notícia está aqui porque, além de ser uma vitória de gente paraense, a dona do site é a Bruna, minha filha que, depois de dez anos em São Paulo, voltou à terra natal e anda agora, ainda mais feliz, pelas ruas de Belém! Motivo mais que justo para festa. Concordam?

Pra completar, a conquista acontece na semana em que a Barbie comemora 50 anos (sem envelhecer, muito pelo contrário...), ganhando festas pelo mundo inteiro, inclusive na New York Fashion Week, mês passado. Veja aqui.

A Bruna explica tudo sobre esta conquista. Para saber, clique aqui e conheça ou revisite o Saco.



Escrito por Fernando Jares às 12h42
[] [envie esta mensagem] [ ]



PROGRAMAÇÃO CULTURAL DE ALTO NÍVEL

 Gabriel Malagrida (1689-1761) foi um jesuíta italiano que trabalhou no Pará, Maranhão e todo o nordeste, com notável presença por onde andou – e construiu conventos, seminários, casas de retiro, etc. Pregou para índios, colonos, governantes, prostitutas, religiosos, enfim, gente daquele Brasil Colônia. Acabou na fogueira da inquisição, por manobra do Marquês de Pombal. Mas seu nome permanece vivo até hoje, principalmente no nordeste. Clique aqui para ler matéria sobre ele no CorreioWeb (do Correio Braziliense, de Brasília).

Neste final de semana um seminário estudará Malagrida, abrindo as atividades culturais do Centro de Cultura e Formação Cristã (CCFC) da Arquidiocese de Belém. Falará o também jesuíta Ilario Govoni, autor de um livro sobre Malagrida: “O missionário popular do Nordeste”.

Na pauta, assuntos como o contexto histórico da ação jesuítica no Maranhão e Grão Pará no século XVII e XVIII, inclusive pelas ruas de Belém; a atuação de Malagrida no Nordeste; além da projeção do documentário “Malagrida”, de Renato Barbieri.

Anote: sábado (07), das 9h às 19h e 08, domingo (08), das 9h às 12h, no Cesupa da Almirante Barroso, com entrada franca.

Veja algumas das excelentes pedidas da programação cultural do CCFC para o primeiro semestre:

- Curso livre de filosofia sobre Santo Agostinho, com Minoru Matsumoto, 14 e 15 de março, 09 e 10 de maio, 20 e 21 de junho.

- Encontro de arte com Paes Loureiro, 21 e 22 de março.

- Literatura com Benedito Nunes, sobre a poesia e o misticismo em São João da Cruz, Santa Teresa d’Ávila, Ângelus Silesius. Dias 28 e 29 de março e 04 e 05 de abril.

- Biobibliografias dos jesuítas escritores no Maranhão e Grão Pará, com Ilario Govoni, 23 e 24 de maio.

As atividades de evangelização e formação, para o primeiro semestre, incluem um estudo do Catecismo da Igreja Católica, por Ricardino Lassadier, iniciado em fevereiro, com nove módulos, até novembro.

Curso livre de teologia, iniciado neste último final de semana, que vai até dezembro, com dez módulos.

São Paulo e suas cartas, com o padre Giovanni Martoccia, dias 07/03, 04/04, 09 e 23/05, 06/06.

Matrimônio, uma missão de amor, com o professor, em quatro módulos, sendo o primeiro agora dias 07 e 08/03.

Estudos do Documento de Aparecida, dias 21/03 e 29/08.



Escrito por Fernando Jares às 11h32
[] [envie esta mensagem] [ ]



PALMEIRA DE VALIOSAS LEMBRANÇAS

MINHA TERRA JÁ TEVE PALMEIRA

 

Esta ilustração não está digna do texto que destaco abaixo.
Foi o que consegui nos arquivos internéticos. Tenho postal melhor,
mas não posso escanear porque minha "multifuncional" Epson está
na assistência técnica... mais uma vez, ainda na garantia! Quando voltar, troco a carinha da Palmeira.

  Lembro-me muito bem do Edwaldo Martins, já falecido e sempre muito querido jornalista, que pontificou (para usar a linguagem dele) entre os melhores de nossa geração de escrevedores, a dizer-me que “o Eliasinho” era um excelente redator. Que escrevia muito bem. Isso lá pelos anos 80 do século passado. Referia-se ao jovem jornalista Elias Ribeiro Pinto. Mais um ramo de uma família de escribas, honrava a tradição. Filho de um político santareno de quem já escrevi aqui anteriormente, famoso por falar muito bem, tem irmãos como o paladino Lúcio Flávio, o meticuloso Raimundo José, o ilustrador Luís Antônio (fez uma caricatura minha, que ganhei de presente dos colegas na despedida da Albras que, como diria o meu avô, é supimpa. Supimpíssima, digo eu!).

Isso tudo é pra dizer que eu gosto do que o Elias escreve, principalmente quando ataca com suas crônicas evocativas da cidade de outrora, do que tínhamos ou ainda temos pelas ruas de Belém. Hoje (no Diário do Pará, 04/03, página A8) ele escreveu uma delas, sobre a Fábrica Palmeira, com aquele título lá em cima.

Como diz algumas coisas que eu diria, como lembra lembranças que estou lembrando agora (inclusive o sabor finíssimo dos biscoitos, da rosca de Natal!), escolhi transcrever, mesmo sem prévia autorização, o que escreveu sobre a Palmeira:

 Quem já leu o seu Proust básico deve conhecer a historinha do biscoitinho mergulhado no chá (não me vão ler o amofinado francês feito uma Cassandra Rios, confundindo biscoitinho mergulhado com afogar o ganso) que desperta a memória do narrador do romance "Em Busca do Tempo Perdido", o edifício imenso da recordação recomposto, aos goles, no perfume e no sabor daquele pedaço de madalena molhado no chá, que evoca um tempo redescoberto, a força e a permanência de uma consciência adormecida, a alma do tempo.

Ai. Suspiro. Mas deixemos de frescura, ainda que seja um tanto quanto impossível com o Proust por perto.

Ainda hoje eu sinto, deveras, o perfume dos biscoitos preparados na Palmeira, a padaria, a Fábrica Palmeira. E cheirados lá mesmo, dentro da panificadora, no momento em que eram assados. E o cheiro do pão...

Houve um tempo em que minha família morou bem ao lado da Palmeira, ali, na Padre Prudêncio, logo passando a igreja de Santana, pouco antes de chegar na 13 de Maio. Moleque, quase toda tarde eu dava um jeito de ir à Palmeira, nem que fosse para comprar o pão nosso de cada dia, para a merenda familiar com o ­ deus-que-me-livre de recordar essa josta ­ não menos rotineiro Ki-Suco. Melhorava um pouco quando era o Guarasuco.

Sobrava sempre um tempinho para, na compra do pão, lamber com os olhos, nas prateleiras da Palmeira (que eram então minhas insuspeitadas asas da Panair), todo aquele sacrilégio de doces, nos formatos mais divinos.

Havia uma espécie de edição especial desses biscoitos, delicadamente acomodados em latas decoradas, envoltos em papel de seda, a marca Palmeira tatuada na pele crocante de biscoitinhos que se dissolviam na boca.

Ai. Suspiro. Deixa a frescura passar na avenida das lembranças.

À clientela seleta a Palmeira dispunha um catálogo ilustrado com suas principais marcas de biscoito, arranjados em latas diversas, como a gente encontra hoje nos biscoitos que vêm da Holanda, da Noruega, da Finlândia, essas coisas nórdicas que vêm dar por cá, nesses baixios equatoriais.

Lembro do pé-direito alto, altíssimo, da Palmeira. De um lado ficava o balcão do lanche, que se pedia para comer ali mesmo. E correndo de um lado a outro ficava o imenso balcão, de mármore, onde se vendia o pão quentinho do dia a dia. Aqui e ali, rolos de papel para embrulhar o pão, que eram puxados de cima, de uma armação, um suporte, e, puxado de baixo, vinha o barbante, o fio para amarrar o embrulho.

Claro, posso estar sendo traído pela memória, que é, por natureza, uma traidora, uma personagem de Nelson Rodrigues. Como disse, eu era um moleque, e a Palmeira, já decadente, vivia seus últimos dias, suas últimas fornadas. Eu precisaria mergulhar um daqueles biscoitos num Guarasuco para recompor, hoje, aquelas tardes adocicadas (não vão me pôr o Beto Barbosa como trilha sonora) em que eu ia à Palmeira em busca do pão.

Para lembrar cada detalhe, eu precisaria estar na pele de um Leonardo DiCaprio revisitando seu naufragado Titanic cinematográfico. A Palmeira é o meu Titanic naufragado no mar da memória, mar de histórias que me atira de um lado para o outro, até que eu venha, náufrago, dar nesta ilha deserta em forma de coluna de jornal.



Escrito por Fernando Jares às 11h56
[] [envie esta mensagem] [ ]



A VOZ DA FÁBRICA AO TEATRO

Um grupo de filhos de empregados da Albras em performance dos “Aluminados de Teatro”

Faleceu ontem (02/03), à noite, um profissional por quem tenho o maior respeito, de quem me tornei admirador. Vi-o realizar, com a sua competência, verdadeiros “milagres”.

Faleceu o ator, diretor e consultor cultural Jocel Mendonça. Conheci-o em 2002, quando chegou à Albras com a proposta de implantar um grupo de teatro com a participação de empregados e familiares. A idéia partira de um grupo de trabalhadores. Mas, para muitos, ele teria de tirar água de pedra. Tirou leite. Tirou ouro. Tirou talentos, Tirou vidas novas.

Transformou metalúrgicos em atores. Montou peças belíssimas. O grupo ganhou prêmios e elogios. Ele mesmo, foi o Melhor Diretor em um festival em Belém. Quando vi a primeira montagem, “A voz que vem da fábrica”, lá mesmo em Barcarena, na quadra do Cabana Clube, emocionei-me. E escrevi a minha emoção no jornal interno da empresa. Aí foi ele quem se emocionou. E fiquei duplamente feliz.

Até uma família, prestes a separar-se, por falta de diálogo, de entendimento, foi salva pelo trabalho do Jocel no grupo “Aluminados de Teatro”. Pai, mãe e filhos, fazendo juntos o treinamento nas oficinas e subindo ao palco irmanados, descobriram como ser felizes novamente.

Ele transformou a arte teatral em algo vivo para centenas de pessoas na comunidade dessa empresa. Um eficiente instrumento para elevar a qualidade de vida, combater o estresse da vida moderna. Incentivar a criatividade individual e coletiva – pois todas as peças montadas foram resultado de um coletivo.

Seus “Aluminados de Teatro” também estiveram aqui, pelas ruas de Belém, mostrando talento. Suas peças lotaram o Theatro da Paz e uma delas até foi mostrada no Hilton, em um evento de RH. Alguns destes atores amadores nunca haviam entrado em um teatro, quanto mais no magnífico Da Paz. Uma grande emoção.

Assim era o Jocel. Assim o será sempre para quem o conheceu e vai ficar lembrado por muitos e muitos anos.

Tinha plena consciência da importância do teatro como moderno recurso de gestão de pessoas. Pincei isto de O Liberal, de 23/01/2006:

“O diretor dos Aluminados, Jocel Mendonça, avalia que a utilização do teatro na gestão empresarial é ‘uma ferramenta capaz de gerar um registro muito mais consistente na memória dos empregados e atinge o espectador em três níveis: racional, emocional e estético’. Mendonça observa ainda que, no teatro empresarial, não existe tema impossível de abordar. ‘Além disso, o teatro também aproxima os empregados, sendo um momento de descontração no trabalho. É a arte usada para desenvolver os profissionais e proporcionar a reeducação do indivíduo’, teoriza.”

De outra feita, falando ao jornal interno da Albras sobre a Semana do Ser Humano, afirmou que: “a Fábrica é um grande laboratório de relações humanas, onde percebemos qual o nosso papel. É uma oportunidade para reeducarmos o nosso olhar sobre o que somos e o que fazemos”.

Que estejas com Deus, amigo.



Escrito por Fernando Jares às 14h37
[] [envie esta mensagem] [ ]



DIA NACIONAL DO TURISMO

Hoje é o Dia Nacional do Turismo, uma data destinada a refletir sobre como transformar esta atividade em grande fonte de renda para uma região. O turismo é conhecido como atividade de baixo impacto ambiental, desde que cercada de um mínimo de atenções por parte de seus executores (privados ou públicos). E tem uma característica extremamente útil em uma economia concentrada como a nossa: a sua capacidade de distribuição de renda. O turista demanda serviços tanto de altos especialistas com grandes investimentos, como de pequenos produtores, como artesãos, taxistas, engraxates, etc.

No Brasil a atividade vem tendo incremento, mesmo com a crise internacional, ou exatamente por causa da crise.

Segundo o blog do Favre (esse mesmo, o Luis, ou Luiz, tanto faz, porque na verdade não é nem um nem outro, mas Felipe, o ex da Marta que é ex do Suplicy, uff...) “em janeiro de 2009, o número de passageiros em voos nacionais cresceu em média 10% em relação ao mesmo mês de 2008. No dia 4 de janeiro, a TAM registrou recorde histórico no transporte de passageiros: 112,5 mil pessoas. O recorde anterior havia sido registrado na Páscoa de 2008, quando 100 mil passageiros foram transportados em um único dia. Os números da rede hoteleira também reforçam essa tendência. Em São Paulo, a ocupação cresceu 5% em janeiro em relação ao primeiro mês de 2008. Dois dias antes do início do Carnaval, a ocupação dos hotéis do Rio de Janeiro chegou a 82%, índice maior do que o registrado no ano passado.”

Aqui no Pará, segundo a Paratur, o crescimento no ano passado foi de 5%. Pelo que acompanhamos, ainda estamos à margem do filão. Há dezenas de anos canta-se o potencial paraense, dezenas de estudos e planos (geralmente custando fábulas de dinheiro) já foram elaborados e nada acontece.

Durante 16 anos, até 2001, fui editor de turismo em A Província do Pará. Acompanhei de perto e por dentro, digamos assim, a questão.

No momento em que os dirigentes do Estado adquirem a consciência da importância do turismo como gerador de recursos para a economia local, as coisas costumam a mudar de rumo. Há exemplos de sucesso no Brasil, Amazonas e Bahia, por exemplo. De tal forma que a eventual mudança de governantes, para aqueles que só pensam em acabar com o que o anterior construiu, ainda assim o turismo sobrevive e prevalece.

Existem por aqui lacunas fantásticas. Como se pode admitir que, estando na maior floresta equatorial do mundo, tendo o maior e mais belo trecho do Amazonas, o maior rio do mundo, ou a maior ilha flúvio-marítima do mundo, não tenhamos hotéis de selva como manda o figurino. Não há bons navios para aproveitar turisticamente os nossos magníficos rios. Pelas ruas de Belém existem atrações extraordinárias, algumas até abandonadas, como o Memorial da Cabanagem, um autêntico (e raro) Niemeyer em praça pública, se bem que nos últimos anos criamos atrações e recuperamos algumas, mas é preciso ir buscar, profissionalmente, os turistas, no Brasil e no mundo. E as ilhas em torno de Belém? Infelizmente não são aproveitadas turisticamente. Na verdade, em algumas não há nem água potável...

O importante é que haja uma ação conjunta, pública e privada. É impossível, neste caso, a ação isolada.

Essa discussão que está havendo na cidade, sobre qual é o mais importante, turismo de negócios ou turismo convencional (lazer, ecológico, etc.) não tem cabimento. Ou será que pode haver, por trás, uma ação para sobrevalorizar o Hangar, pomposamente inaugurado pela atual administração estadual (embora seja obra do governo anterior)?

Sobre esta data o Jornal Liberal 1ª edição teve hoje matéria especial. Para ir direto, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 19h01
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]