Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog



Outros sites
 Cais do Silêncio - Literatura de Jason Carneiro
 Quarto Escuro - escritos, lidos, gostos e desgostos de Bruna Guerreiro
 Oníricos - O e-book de Bruna Guerreiro
 Cerveja que eu bebo - Cervejas bem bebidas, experiências compartilhadas.




UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


XIXIS E LAMBIDAS NO FÓRUM

LAMBIDA E XIXI MINISTERIAL E SUAS IMPLICAÇÕES

 

O Diário do Pará publica hoje duas fotos envolvendo Ministros de Estado, feitas no Fórum Social Mundial, que merecem registro, pelo oportunismo jornalístico de ambas. O ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, fazendo xixi no mato (foto de Tarso Sarraf) e o ministro Tarso Genro, da Justiça, tendo a cabeça lambida por um cachorro (foto de Michele Magno).

O xixi do ministro, no mato, talvez esteja de acordo com a lógica de um grupo de ambientalistas presentes ao evento, que não estariam usando os banheiros químicos, preferindo ir ao mato, por motivos ideologicamente óbvios. Só há um perigo: como há cada vez mais, pelas ruas de Belém, gente fazendo xixi na via pública, que esses porcalhões achem que têm direito a fazer isso. Ora, o ministro do Meio Ambiente faz no mato e eles, que são cosmopolitas, fazem nas ruas da cidade...

Fico na torcida para que a lambida do melhor amigo do homem, na cabeça do homem da Justiça, seja benfazeja e inspire o excelentíssimo ministro a decisões sábias, tão necessárias a um país em que a justiça anda meio de cabeça para baixo. Extraditamos jovens atletas cubanos que desejam a liberdade, como a temos todos nós aqui no Brasil, tão duramente conquistada, e acobertamos um italiano que na sua democrática terra foi condenado como homicida. Tenho fé no cachorrinho. Tudo vai melhorar.



Escrito por Fernando Jares às 16h14
[] [envie esta mensagem] [ ]



DE D. BOSCO AOS MÁGICOS

D. BOSCO, BELÉM, BRASÍLIA E OS MÁGICOS

Hoje é o Dia de São João Bosco, o D. Bosco, tão ligado aos jovens em todo o mundo. Criador das ordens salesianas, temos, pelas ruas de Belém, diversas obras resultado de sua iniciativa, como o colégio do Carmo (Belém e Ananindeua) o colégio D. Bosco, a Escola Salesiana do Trabalho (EST), entre outras. Tenho uma ligação muito grande com esse movimento, afinal estudei no Carmo, dos 12 anos 20 anos. A missa dominical de que participo, hoje em dia, é na capela do D. Bosco. Como estudante salesiano eu estive no lançamento da pedra fundamental da EST, sonho e realização do padre Lourenço Bertolusso, um italiano que optou pelo Brasil, para onde veio recém-ordenado, vivendo aqui por 56 anos, até o Senhor o chamar de volta, aos 86 anos, em 27/10/2006, quando vivia em Manaus. Lembro-me que, naquelas épocas, o Pe. Lourenço recebeu um ministro da educação na EST em implantação que lhe disse que, se no Brasil houvesse uma dessas escolas em cada cidade grande, minimizaria os problemas de educação dos jovens (já naquele tempo...).

D. Bosco tem uma outra grande ligação com o Brasil: em um de seus sonhos/visões previu que, no centro do país, entre os paralelos 15º e 20º, apareceria “a terra prometida, onde correrá leite e mel”, usando uma linguagem bíblica. É onde foi construída Brasília, cidade que o tem como padroeiro, quase um século depois. Como o tempo na contagem divina é bem diferente do nosso, ainda deve faltar muito para ser ali um lugar de prosperidade e felicidade, como o previu o santo...

D. Bosco, canonizado por Pio XI em 1934, é também o padroeiro dos mágicos, tanto que hoje se comemora o Dia Internacional do Mágico. Conta a tradição que ele fazia mágicas e acrobacias quando jovem, seja para conseguir uns trocados e ajudar a mãe viúva, seja para atrair pessoas para a oração.



Escrito por Fernando Jares às 14h32
[] [envie esta mensagem] [ ]



LUIZ BRAGA, INTERNACIONAL

BRAGA NA BIENNALE DI VENEZIA

 

Enquanto não é escolhida a foto que vai a Veneza, apreciemos este noturno do Luiz Braga.

 O Pará vai representar o Brasil na 53ª Bienal Internacional de Veneza (La Biennale di Venezia), na Itália, que abre no dia 7 de junho, com vernissage nos dias 4, 5 e 6/06, com o tema “Construir Mundos”. A honra cabe ao fotógrafo Luiz Braga, o mais consagrado nome da fotografia neste Estado, parceiro na produção de excelentes fotos, nos pioneiros trabalhos publicitários dos anos 1970, quando ele, ainda muito jovem, iniciava carreira. São apenas dois os brasileiros que receberam essa missão: além de Braga, o pintor alagoano Delson Uchoa. Portanto, dois artistas reconhecidos nacionalmente, mas de fora do famoso eixo Rio-São Paulo e, um deles, caminhante pelas ruas de Belém!

O curador da representação brasileira virá a Belém agora em fevereiro para, junto com Braga, selecionar o trabalho que irá para a mostra internacional na belíssima cidade italiana.

Por sinal, agora em abril, Luiz Braga recebe uma outra grande distinção: participa da primeira mostra do calendário de promoções do Ano da França no Brasil, na Pinacoteca do Estado (espaço de arte maravilhoso, que não deixo de visitar quando vou a São Paulo). Vai exibir 25 imagens, ao lado de conhecidos fotógrafos franceses, como Marcel Gautherot e Pierre Verger.

Veja mais informações, inclusive uma entrevista com o Luiz, no Fotosite.



Escrito por Fernando Jares às 19h27
[] [envie esta mensagem] [ ]



PRESIDENTES, MANGUEIRAS E PATOS

DOS PRESIDENTES PELAS RUAS DE BELÉM

AO PATO INVENTADO PELO PAULO MARTINS

 A cidade está de novo em polvorosa, como se dizia. É motocicleta policial com sirene de um lado para outro, e helicópteros por cima. Afinal, são cinco presidentes a rodar pelas ruas de Belém. Tudo para conversarem sobre nossos destinos... dentro do Fórum Social Mundial. Passaram por mim, há pouco, num barulho e tanto. Atrás iam quatro ambulâncias tipo UTI móvel. Tomara que eu não precise de uma delas hoje...

Lembrei-me de uma velha piada que li, sabe Deus há quantos anos, na Seleções, que o papai comprava todo mês. Um morador de Washington recebe a visita de um primo do interior. Passeando pela cidade, assistem a passagem do presidente da república, como aqui hoje, motos com suas sirenes berrantes, luzes piscantes e militares pilotando. O morador da capital americana mostra orgulhoso: “é o Presidente da República!” Ao que o primo do interior responde, assustado: “Primo, o que ele fez, pra estar sendo levado por todos esses policiais, e com essa pressa toda?”

Continuo com a certeza de que o evento pode trazer bons dividendos para a cidade. Hoje pela manhã o presidente Chávez, por quem não morro de amores, mas que é indiscutivelmente o líder de um grande segmento de pessoas, disse uma frase que deveria ser bem aproveitada pelo turismo local: “Não há nada tão bonito quanto esses bosques de manga aqui de Belém”, quando falava sobre preservação de florestas, na questão ecológica. A notícia é da Agência Brasil e você pode ler aqui.

Por sinal o presidente Lula, que chegou faz pouquinho, janta hoje um risoto de pato com jambu e tucupi, segundo informa o Mauro Bonna. Vem a ser o “Pato do Imperador”, talvez com pequena variação, criado pelo chef Paulo Martins quando preparou um banquete para o Imperador do Japão. Bem que poderiam dar a este prato – que agora todo mundo faz em tudo quanto é restaurante – um nome em homenagem ao querido arquiteto da cozinha paraense. Que tal “Pato paraense à Paulo Martins”. Todo mundo adotaria esse mesmo nome.

Evitaríamos grosserias (e até uma grande injustiça) como a existente no Boteco das 11, que chama o prato de “Pato do Japa”. Essa é cruel!



Escrito por Fernando Jares às 17h40
[] [envie esta mensagem] [ ]



GOSSIPS

@ São Pedro deu, ontem, uma tremenda mãozinha para a manutenção de um mito dos mais tradicionais desta terra: de que, todo o dia, chove no meio da tarde. É a tal história: aqui marcamos encontros antes ou depois da chuva. Logo na saída da gigantesca passeata de abertura do Fórum Social Mundial (estimam 70 mil pessoas presentes), caiu o maior toró, rápido, logo substituído por um sol brilhante, formando uma bela tarde, moldura para muitas belas da tarde que circulam estes dias em Belém. Honestamente, sem trocadilho.

@ Essa monumental passeata – que parecia um Círio Social, como a qualificou a Rita – era formada por, provavelmente na maior parte, gente de fora da cidade, que não teve a menor dúvida: essa história da chuva da tarde é absoluta verdade! Mas, como os mitos são importantes para o desenvolvimento do turismo, obrigado a São Pedro pela chuvarada. Embora com um certo caos, na média a coisa saiu até bem. Os participantes passaram suas inúmeras mensagens, os profissionais da mídia puderam fazer uma cobertura diferente, dinâmica, etc.

@ O grande problema, conforme me disse um dos participantes, experiente neste tipo de grandes deslocamentos, ficou por conta da falta de compromisso da prefeitura. Nada fizeram pelo controle do trânsito, prejudicando o bom andamento da passeata e criando o caos na cidade. Centenas de carros ficaram presos nas ruas que cortavam o trajeto da manifestação, que não foram fechadas. Nenhum orientador de trânsito era visto no local. Os buzinaços eram constantes.

@ Muitas pessoas ficaram incomodadas por estarem causando tal transtorno à cidade e chegavam a improvisar corredores para desafogar as ruas cheias de carros. “Até parecia um caos fabricado” disse-me um dos presentes, que veio até aqui em busca de paz e de um mundo melhor. Acho que perdemos uma oportunidade de marcar um tento.

@ Sobre a cobertura jornalística, ponto para os veículos de Belém, especialmente os impressos. As fotos de capa de hoje, mostram a grandiosidade do evento, para os eternos insatisfeitos com o mundo, que ainda acham que o FSM não é nada do que anunciaram. Destaque para a qualidade das fotos. No Diário do Pará, de Tarso Sarraf, mostrando com grande profundidade a avenida Presidente Vargas tomada, na hora da tal chuva. E em O Liberal, de Marcelo Seabra, registrando com outro tipo de abordagem visual, a massa compacta ocupando a cidade.

@ Alias, esses dois jornais também criaram produtos especiais para o FSM. Ontem o Liberal circulou com uma revista, bilingue (português/espanhol) e o Diário do Pará saiu com um caderno, diário, também bilingue (português/inglês). O Fórum, sem dúvida, cria oportunidade de trabalho para muita gente, nos mais diversos segmentos da economia, formal e informal, principalmente a informal.

@ Quem deve estar fazendo festa pra valer neste FSM são os carapanãs (mosquitos, pernilongos, para quem não sabe a que me refiro). Um sanitarista experimentado, dizia-me ontem à noite que a bicharada deve estar na maior farra, com tantos sangues diferentes à disposição. Cardápio multinacional. Depois do evento, eles voltam para a turma local, isto é, nós. Tomara que não tenham adquirido novidades contaminantes, alertava esse meu amigo.

@ Os Correios já foram a melhor prestadora de serviços públicos do país, ganhadora de todo tipo de pesquisa de satisfação. Infelizmente isso entra na lista dos sucessos do passado. Nos últimos tempos, tenho recebido correspondência cada vez mais atrasada. O recorde fica por conta de um envelope, postagem normal, colocada na agência Belocentro em 16 de dezembro de 2008, que me foi entregue no dia 21 de janeiro de 2009. Mais de 30 dias para fazer um trajeto que eu até costumo a fazer a pé, nas minhas caminhadas pelas ruas de Belém.

@ Muita gente nem sabe, mas Belém conta com uma Delegacia de Combate aos Crimes Discriminatórios (DCCD), responsável em apurar discriminação contra idosos, injúrias raciais, homofobia e ações discriminantes semelhantes. Fica ali na Santo Antônio, e a titular é a delegada Lucinda Pontes.

@ Não sei se certas piadas, digamos assim, internacionais, entram nesse rol. Por via das dúvidas, já faz tempo que mudei os personagens, daquelas que conheço, para macacos, papagaios e outros bichinhos espertos. Sem querer ofender os ditos cujos e seus incansáveis defensores, a quem muito respeito...

@ Como expliquei na primeira edição desta coluna, não é merchandising da série de televisão Gossip Girl, sobre estudantes americanos de colégios de elite. É uma simples homenagem ao já falecido jornalista Guaracy de Brito que mantinha, em sua coluna, um espaço de pequenas informações, com o título “Gossips”.



Escrito por Fernando Jares às 18h21
[] [envie esta mensagem] [ ]



GUIA DE BELÉM PARA O FSM

JOVENS FAZEM GUIA VIRTUAL DE BELÉM

 

Jovens da ilha de Cotijuba, em frente a Belém, oferecem à capital um novo guia da cidade. Virtual, prático e bonito. Foi criado para o Fórum Social Mundial, mas atende todo (o) mundo.O “Guia-me Belém”, nome da feliz iniciativa, de grande valor pela inclusão social que permite, reúne informações sobre pontos turísticos, restaurantes, hotéis, meios de transporte e os muitos atrativos que encontramos pelas ruas de Belém. Sua produção foi decorrência de oficinas de texto, fotografia, vídeo e turismo, do projeto 'Oi, Guia-me Belém', desenvolvido pela ONG Instituto Peabiru, com patrocínio da operadora telefônica Oi. Participaram do projeto 30 estudantes, de 16 a 24 anos, todos moradores de Cotijuba, que foram treinados por profissionais de diversas áreas como historiadores, fotógrafos e artistas plásticos.

Para utilizar plenamente os recursos da telefonia celular, os interessados que estão no FSM podem fazer um cadastro, em postos na UFPA e na UFRA, para receber torpedos. Mas além dos torpedos, o projeto também desenvolveu um mobile site e um website. Pelo celular é possível acessar o www.guiamebelem.mobi, especialmente desenvolvido para a tela do aparelho, com fotos e pequenos textos explicativos. Já o site www.guiamebelem.com.br oferece conteúdo mais abrangente, com informações sobre Belém. Além disto, o internauta pode fazer download de papéis de parede e cartões postais com fotografias tiradas pelos ribeirinhos. No site, o visitante também poderá se cadastrar para receber as mensagens via SMS no celular.

CONTEÚDO – É bastante rico, com grande número de informações, embora com algumas falhas que precisam ser corrigidas, urgentemente, pelo comprometimento de levar ao mundo o conhecimento sobre o Pará. Desde endereços de restaurante até a receita, exageradamente simplificada, do pato no tucupi. Um interessante “Pequeno dicionário paraense” ficou pequeno demais, com apenas 17 verbetes. Só o "Dicionário Papachibé”, do Comendador Raymundo Mário Sobral, tem três volumes...

Mas o visual do site é bonito, com praticidade na página inicial e material visual agradável. As fotos, de um modo geral são boas e, se efetivamente foram feitas pelos jovens, eles aprenderam bem a lição. Agora basta os orientadores da garotada darem uma revisada no trabalho, para que se torne uma boa referência sobre Belém. O mais difícil, a partida, isso já foi feito. Agora é aprimorar.

O ideal é que não fique apenas em um veículo temporário para atender o FSM. Abertos os relacionamentos com os usuários neste evento planetário, o serviço deveria ser mantido. Acho que seria extremamente simpático a OI patrocinar a perenidade desta iniciativa, permanentemente atualizada. Belém agradeceria, com certeza.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h42
[] [envie esta mensagem] [ ]



CAPITAL DO MUNDO SOCIAL

O MUNDO PELAS RUAS DE BELÉM

Já ouvimos muitas vezes a expressão de que Belém é a capital disto ou daquilo, por este ou aquele período. Mas agora é de verdade: Belém é a capital mundial dos temas sociais que mais agitam a humanidade, nos seus mais diversos enfoques, da política à religião, das ciências à literatura, das artes à tecnologia. Para o Fórum Social Mundial, entre 80 e 100 mil pessoas espalham-se pelas ruas de Belém, buscando o entendimento de e para um mundo melhor.

Muitos, a grande maioria, acredito, de vontade pura e sincera, na certeza de que um mundo novo e melhor é possível a partir do debate, da reflexão, chegando à formulação de propostas de ações concretas, baseadas em ampla troca de experiências e articulação entre os milhares de participantes. Outros, talvez, nem tanto, mais interessados em buscar aproveitamento pessoal dos acontecimentos, infelizmente (basta ver nos jornais de hoje, o cabeça nacional do MST, responsável por algumas das maiores recentes atrocidades feitas no país contra a democracia e o regime de liberdade em que insistimos em viver, desfrutando das melhores mordomias do Governo Federal, em Parauapebas, onde o representante do Ibama vociferou contra a Vale).

Mas o Fórum está aí, ou melhor, aqui, com centenas de eventos de todas as formas de cultura, quatro chefes de Estado da América Latina, dezenas de ministros de todo o mundo, centenas de entidades, governamentais e não governamentais, e até uma caminhada de naturistas, evidentemente pelados, da UFPA até a UFRA.

O FSM acontece desde 2001 e pretende ser uma contraposição ao encontro dos capitalistas em Davos, na Suíça (desde 1971). As três primeiras edições (2001, 2002, 2003) tiveram lugar na Porto Alegre petista, assim como a quinta (2005). Em 2004 foi a Índia que recebeu o evento. Em 2006 foi realizado em três continentes: Mali (África), Paquistão (Ásia) e Venezuela (Américas). Em 2007 o FSM teve lugar em Nairobi, no Quênia e em 2008 não foi realizado, sendo substituído por um Dia Mundial de Mobilização e Ação Global, com pequenos eventos espalhados pelo planeta. Neste ano o Fórum volta ao Brasil e ao domínio petista, no Pará.

Para acompanhar o evento, além da ampla cobertura dos veículos locais (o mesmo parece não acontecer nos nacionais), pode acessar o site do FSM.

BELÉM PREPARADA?

Com a boa vontade e hospitalidade natural dos paraenses, naturalmente que tudo vai dar certo. Mas, infelizmente, mais uma vez, as autoridades não agiram como seria de se desejar. Melhorias de fato foram feitas, mas tudo de afogadilho, em cima da hora. E, em muitos casos, cosméticas e não melhorias efetivas, seguras e duradouras. A questão é: ao que se informa, recursos havia e o que mais prejudicou foi a falta de gestão competente, entrosamento, vontade política. Menos atarantamento, diria a minha avó. Sei que não disse nada de novo, mas...

Até a campanha de mobilização, para motivar as pessoas para a importância do FSM, saiu a poucos dias de sua realização. Um mês antes, praticamente ninguém falava no assunto. O público não estava/está informado.

Diante da falência da segurança pública, vieram em auxílio uma Força Nacional e um grande contingente da Polícia Federal. A Polícia Militar também tem aparecido pelas ruas de Belém. Mas a bandidagem ignora a pressão, com assassinatos diários. Ontem mataram um que acabara de sair da prisão... Neste final de semana um órgão federal, bem no centro da cidade, foi arrombado e a gatunagem levou o que quis, especialmente computadores.

Mas tudo vai dar certo porque, como diz a sabedoria popular, Deus é brasileiro e já passou por aqui, tomando açaí, aprovando o tacacá e adorando (perdoem o trocadilho...) um pato no tucupi! Afinal, tudo criação Dele, que nós só fazemos utilizar bem, a despeito de... deixa pra lá.

NEM TODOS...

Infelizmente, nem todos colaboram com a cidade, para o sucesso do FSM. Uma das que mais me surpreende é a Celpa, a gigantesca empresa de distribuição de energia elétrica. Fotografei ontem e hoje pela manhã duas subestações encravadas na cidade, a Reduto, em área de acesso à Estação das Docas e a Independência (em São Braz), praticamente uma das entradas da cidade. Os muros estão nojentos, as calçadas detonadas. No passado a do Reduto teve uns grafites artísticos, mas estão destruídos. Merecem uma pintura. A cidade merece melhor tratamento dessa concessionária de serviço público. Sei que, depois de deixaram dezenas de milhares de pessoas sem luz, na ilha do Mosqueiro, na noite de 31 de dezembro (até alta madrugada), nem se pode esperar grande coisa... Mas a cidade que possibilita os lucros da companhia, merece melhor atenção. Acho que a Prefeitura deveria exigir isso. Mesmo depois do FSM!

1 2

As subestações Celpa, Reduto(1) e Independência(2). Tanta sujeira é um desrespeito à cidade e aos belenenses.



Escrito por Fernando Jares às 19h30
[] [envie esta mensagem] [ ]



UM TRIBUTARISTA A FAZER FALTA

Convivi, durante certo tempo de minha vida, com dois Aldebaro Cavaleiro de Macedo Klautau.

O primeiro foi o pai, mestre inegável em Direito Penal, dono de didática agradável, que facilitava o entendimento. Mas exigente. Havia até o ditado entre os alunos: “passou com o Daniel (Coelho de Souza, professor de Introdução à Ciência do Direito e que exatamente hoje é homenageado, emprestando seu nome ao Fórum de Belém), comprou o anel, passou com o Klautau, colou grau”. Sem demérito aos demais mestres da época, eram as duas pedreiras mais difíceis de superar...

O segundo Klautau foi o filho do mestre, que tinha essa condição no nome: Aldebaro Cavaleiro de Macedo Klautau Filho. Mas que, para todos os efeitos, era Baim. Apelido que virou nome. Ele nos iniciou, os alunos da Faculdade de Direito, nos meandros das normas que regulam o Direito Financeiro, que era a sua cadeira. Já tributarista muito respeitado, ainda jovem naquele final dos anos 1960, era fluente no conhecimento e nas teorias que o cercavam. Tornou-se um dos mais influentes juristas e conselheiros empresariais do Pará. Com 73 anos, o Baim Klautau foi-se esta noite. Agora está sendo velado na sede da OAB-Pará, exatamente na sala Aldebaro Klautau, homenagem ao pai – com quem já deve estar conversando, lá em cima, tendo o dr. Daniel como testemunha. O féretro segue em pouco, pelas ruas de Belém. Que Deus esteja com eles.



Escrito por Fernando Jares às 17h05
[] [envie esta mensagem] [ ]



DE NOVO, O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

QUEM TEM MEDO DO NOVO
ACORDO ORTOGRÁFICO?

"Daqui a pouco, escrever "ideia" e "jiboia" com acento agudo vai ser igual escrever "ele" com circunflexo. E "linguiça" com trema vai ser que nem "farmácia" com "ph". Coisa mais antiga, não é ?
Mantenha-se atualizado. O Acordo Ortográfico é também questão de informação.
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é uma realidade. Podemos discordar, argumentar, mas não dá para ser contra a ponto de fechar os olhos para ele. Ou ficar desinformado..."
Este texto faz parte da divulgação de uma palestra sobre o novo Acordo Ortográfico entre os países de língua portuguesa, que terá lugar na Unama. Será no dia 4 de fevereiro, quarta-feira, às 18h30, no Auditório David Mufarrej, Campus A. Cacela.
A palestrante será a Prof. Dra. Amarílis Tupiassú.
A entrada é livre e para os estudantes da casa vale como atividade complementar (mas eles devem preencher uma ficha apropriada).
Este blog, contribuindo para a prática da nova forma de escrever pelas ruas de Belém, já divulgou algumas dicas bem objetivas para a adoção das novas regras. Quem não leu, ou quem quer rever, pode dar uma olhada aqui.



Escrito por Fernando Jares às 11h56
[] [envie esta mensagem] [ ]



SOS MATA DA PIRELLI

IRÁ O ROCINANTE À PIRELLI?

Uma das lacunas no turismo natural ou ecológico, em Belém, é a falta de uma boa área de floresta e de rios ou igarapés grandes, de água límpida - assim como no Tapajós, por exemplo. Os turistas gostam desse tipo de produto.
Quer dizer, algumas áreas assim ainda existem, mas não estão transformadas em produto turístico, para uso pelos visitantes.
Por exemplo, há um trecho bastante próximo, que "é mata nativa, com ecossistema consolidado, com rios e igarapés. Com fauna e flora preservadas. Com patos, marrecos, garças, araras, porcos, capivaras, veados, pacas, cutias, saguis e um mundo de vida a preservar (...) Aqui mesmo, a dez minutos de Belém. Mata nativa, às margens do rio Guamá nos municípios de Ananindeua, Marituba e Benevides. 8.000 hectares."
Esses trechos estão aspeados porque são do, entre muitas outras coisas, escritor (autor de "A Batalha do Riozinho do Anfrísio" e "Agenda do Velho Comunista") e morador naquela área, André Costa Nunes. E ele os escreveu no artigo "SOS Mata da Pirelli", ontem (21/01), em O Liberal.
Essa descrição do André corresponde à chamada Fazenda da Pirelli.
Era propriedade dessa empresa italiana e, alguns anos depois de desativada, foi desapropriada pelo Governo do Estado. Nunca entendi o motivo. Virou um elefante branco na mão do governo, motivo de idéias fantásticas e de chacotas diversas. Era para ser um grande centro administrativo, praticamente mudando a capital de Belém para lá; era para ser parque de diversões ao estilo do Beto Carrero World - até lembro que uma caravana de altos dirigentes do Estado foi a esse parque, em Santa Catarina, para estudar a possibilidade de trazer para cá algo semelhante, assim como a diversos países, com objetivos semelhantes. Nesta fase (2002/2003) surgiu o projeto da empresa Morris Architets, projeto da ordem de US$ 400 milhões, com recursos da iniciativa privada.
Esse local serviu de locação para o filme "Brincando nos Campos do Senhor", permitindo que a atriz Daryl Hannah circulasse, pelas ruas de Belém, por um bom tempo...
Agora o governo pretende construir lá 9.000 casas!
Sem dúvida, as pessoas necessitam de casas e é obrigação do governo garantir o direito à habitação. Mas, precisa construir exatamente nesse local, preservado, inclusive, com a participação das comunidades locais?
"Os rios Uriboca e Uriboquinha, com aproximadamente 30 quilômetros, desaguando no Guamá, são seguramente os únicos rios ainda não poluídos de todas as áreas metropolitanas do Brasil. Nesses rios não há pesca predatória, ninguém mais caça em suas matas, tira madeira ou palmito. No início deu algum trabalho, mas logo os moradores, principalmente os quilombolas do Abacatal, entenderam a importância da preservação" afirma o André Nunes em seu artigo. E, segundo garante, grande parte é terra alagável, mangue, igapó.
Lembro-me que, há muitos anos, acho que ainda antes da desapropriação, foi apresentado em Belém, na Secretaria de Indústria e Comércio, um projeto para transformação do local em um grande parque ambiental, com um hotel ecológico, uma estação de pesquisas científicas e outros quetais. Havia uma consultoria internacional, salvo engano norte-americana, que prometia, inclusive, captar investidores para o projeto. Mas, como centenas de outros projetos ligados ao turismo neste Estado, nada aconteceu. Algum tempo depois o Amazonas anunciou um parque ambiental com características semelhantes...
Fica o desabafo/delírio do André: "Só me resta desenterrar a velha armadura, a lança, encilhar o Rocinante e carregar contra os moinhos de vento." Quem vai com ele?



Escrito por Fernando Jares às 18h09
[] [envie esta mensagem] [ ]



DALCÍDIO E A RATUINIDADE

RATUÍNOS REGISTROS DE DALCÍDIO. RATUÍNOS?

"Dalcídio merece bem mais do que os ratuínos registros acadêmicos dedicados à sua obra" escreveu o jornalista Elias Ribeiro Pinto, sábado último (17/01), em sua crônica no Diário do Pará.
Ratuíno! Mas Elias, há quanto tempo eu não ouvia essa palavra! Veio-me a dúvida: é uma palavra papachibé? Achei que sim, pois é bastante ligada aos meus tempos de infância. Depois, com a adultice e as influências globais em nossa linguagem, nunca mais a ouvi.
Para tirar logo a dúvida, fui ao Aurélio. E lá estava:
Adj. Bras., N. Pop.
1. Ordinário, reles: sujeito ratuíno; tecido ratuíno.
Portanto, um termo aqui do Norte, indicado pelo "N".
O Houaiss ainda foi mais explícito:
Regionalismo: Norte do Brasil.
1. sem nenhum préstimo ou valor; ordinário
2. de qualidade inferior.
Então, fui à pesquisa nos regionais. E aí a surpresa: não consta. Não está em nenhum dos três volumes do já clássico (e de muito bom humor) Dicionário Papachibé, de Raymundo Mário Sobral; nem no Glossário Paraense, de Vicente Chermont de Miranda; nem no heróico Glossário abaeteense, organizado por Jorge Machado; nem naqueles mais especializados, como os sobre o próprio Dalcídio Jurandir. Até o Vocabulário Crioulo, de Vicente Salles, eu consultei. Nada.
Afinal, é ou não é paraensês? Fica a indagação aos especialistas. O Sobral pode logo pesquisar, arrumar uma piada legal (nada ratuína!) e incluir no seu quarto volume...
E O DALCÍDIO? O Elias tem lá sua razão, mas parece que alguma coisa começa a acontecer. O Governo, que está muito ocupado com o Fórum Mundial Social, deve fazer as coisas acontecerem lá mais adiante. Também, quem manda fazer centenário logo no mês do FMS!
Mas a Escola de Governo promove, nesta sexta (23), o seminário "Dalcídio Jurandir - literatura e história", no auditório Eduardo Lauande. Vão debater o grande escritor marajoara os professores Marly Tereza Furtado, João de Jesus Paes Loureiro e Paulo Nunes, além do jornalista e pesquisador Avelino do Vale.
No encerramento será apresentado um show da escola de samba "Quem São Eles", que neste ano homenageia o grande escritor, mostrando sua literatura, animadamente, pelas ruas de Belém.
As inscrições são gratuitas. A Escola de Governo fica na Almirante Barroso, no prédio que abrigou, por muitos anos, o asilo D. Macedo Costa. Informações: 9983-8920.
A UNAMA tem uma programação de primeira, que vou esmiuçar em outro post, mas agora para fevereiro (de 10 a 28) tem uma exposição na galeria de arte Graça Landeira, intitulada "Dalcídio Jurandir - barro de princípio do mundo" e a aula inaugural, dia 05/02, 18h30, com a conferência "Amazônia - chão de Dalcídio Jurandir", pelo prof. dr. Paulo Nunes e apresentação do Coro Cênico da Unama, "Trilhas d'água" no chão encharcado de Dalcídio.
Para março eles programam uma série de encontros da obra de DJ com grandes nomes da literatura, como Bruno de Menezes, Graciliano Ramos, Eneida, Benedito Monteiro, Ferreira de Castro, Lindanor Celina, apresentados por grandes nomes da academia.
A UEPA também tem uma programação prevista para acontecer ao longo do ano, que reúne mesa-redonda, apresentações de vídeos e defesas de dissertações do Programa de Mestrado em Educação na Linha de pesquisa Saberes Culturais e Educacionais da Amazônia.



Escrito por Fernando Jares às 17h53
[] [envie esta mensagem] [ ]



GESTÃO DE CRISES EM BELÉM

UM ESTUDO SOBRE GERENCIAMENTO DE CRISE

Detalhe da Capa do TCC Gerenc. de Crise

Detalhe da capa do trabalho.

Fiquei feliz quando fui convidado a participar de uma Banca Examinadora no Curso de Comunicação Social da Unama. Cativou-me especialmente o tema do trabalho sobre o qual fui convidado a opinar: Gerenciamento de Crise. É assunto razoavelmente novo em todo o mundo, com ainda rara literatura séria por aqui. Pouquíssimas empresas têm seus planos para gerenciamento de crise - e a comunicação tem tudo a ver, especialmente quando a crise estoura. Aí, todo mundo olha para a assessoria de comunicação, procurando a solução mágica, para tudo acabar bem... Trabalhei muitos anos nesta área e sei bem o que é e como é.
Minha satisfação foi ver que pelas ruas de Belém existem jovens preocupados em estudar e desenvolver um trabalho sobre este tema, gerando um TCC que, além de subsidiar estes novos profissionais, para este ramo da atividade de comunicação, é uma contribuição importante para o conhecimento do assunto na comunidade. É a universidade em seu pleno papel de contribuir para a evolução da cultura, neste caso, gerencial, na sociedade em que ela está implantada.
O convite veio do professor Marcelo Vieira, jornalista, com boa militância na comunicação corporativa, em empresas de grande porte, hoje inteiramente voltado à área acadêmica. Isso é importante: a academia mesclando o conhecimento teórico com a experiência profissional.
O trabalho, intitulado "Assessoria de Imprensa no Processo de Gerenciamento de Crise - Estudo do caso Imerys Rio Capim Caulim", é um mergulho fundo, realizado pelos jovens formandos, no grave problema de um evento de poluição ocorrido em Barcarena, com um vazamento nos tanques da empresa produtora de caulim Imerys Rio Capim.
Os responsáveis pelo TCC foram Nihara Pereira, Rodrigo Maia, e Rubenilzo Muniz. Tive oportunidade de fazer uma análise cuidadosa de todo o trabalho, sob vários aspectos, e apresentei um resumo na jornada de defesa do mesmo. Posteriormente, enviei à equipe todas as minhas observações sobre o estudo. Espero que ele seja disponibilizado na biblioteca da Unama e em outros meios, de forma a servir a mais pessoas como referência sobre gerenciamento de crise na Amazônia.
Para os mais curiosinhos: os jovens conquistaram nota máxima, pelo belo estudo de caso apresentado. E já receberam o respectivo diploma, integrando mais uma turma de jornalistas formados, na última sexta-feira, pela Unama.
Aproveito e faço aqui um registro social/profissional, com a maior satisfação: nessa mesma turma colou grau um sobrinho, sendo mais um da família a entrar, formalmente, no mundo comunicação: Guilherme Guerreiro Neto. O seu trabalho, elaborado em conjunto com Amanda Pereira, mais uma jornalista, que ele traz para a família,  foi "Jornalismo e construção social de fragmentos da realidade: o desmatamento nas páginas do Diário do Pará", sendo a banca formada pela professora Ana Prado e por Joice Santos, do Museu Paraense Emílio Goeldi.



Escrito por Fernando Jares às 18h58
[] [envie esta mensagem] [ ]



CHUPA ESSA MANGA!

BELÉM DE MANGAS E MANGARES

Hoje encerro a semana de homenagens a Belém, uma semana de desaniversário (vide o Chapeleiro Maluco, de Alice no País das Maravilhas...) da cidade.
A série começou na terça-feira com o poema "Túneis de Mangueiras" e vamos concluir com a manga como tema.
Busquei este poema em um precioso livro comprado na última Feira do Livro:" Gaveta de Guardados", de Tiana Ribeiro. Na verdade, quem primeiro teve a atenção despertada pelo livro foi a Rita, percebendo que a autora era de Capanema, a terra da minha infância, e gostando logo, de cara, do que leu.
Quando peguei o livro, não tive dúvida de que seria uma grande aquisição. Bastava ver a equipe que me garantia o acerto dessa decisão, com tanta gente querida... e qualificada. Começando pela ilustração, trabalho do iluminado Antar Rohit (quanta falta faz à cidade, embora sua memória venha sendo bem mantida); o projeto gráfico e a produção editorial, de Laïs Zumero (ops, aqui o trema continua!) colega querida de tantos anos, competência reconhecida nacionalmente; editoração eletrônica de Israel Gutemberg, a quem uma vez disse que, com esse sobrenome, ele era, definitivamente, um profissional gráfico; impressão da Supercores, de tantas boas parcerias; e, coroando, a contracapa assinada por Amarílis Tupiassú, com trecho da apresentação que faz internamente, sempre agradável em ser lida.
E o conteúdo?
A menina de Capanema, de uma era muito posterior a minha, escreve leve, com simplicidade e alegria de quem domina as palavras, uma forma amiga, transparente, bonita, que nos leva a ir devorando o livro, onde até o Pessoa tem presença - o que, por si só, já me compra...

O poema que escolhi, "Mangando", nos fala de mangas & mangares, um jeito gostoso de falar de um dos símbolos mais representativos que encontramos pelas ruas de Belém e de um comportamento muito característico de nossa gente, principalmente na infância paraense.
Mas antes, aproveitando a carona das mangas, quero destacar um dos melhores anúncios em homenagem ao aniversário de Belém, publicado na segunda-feira passada, quem sabe, o melhor de todos. Foi da Unimed/Belém, assinado pela Mendes Publicidade, "Chupa essa manga", mostrando todo o valor da manga.
Mas vamos ao poema:


mangando
Tiana Ribeiro

Eu mango
Tu mangas
Ele manga
Nós mangamos

                   ( e nos lambuzamos )
Vós mangais
                   ( e vos lambuzais
                   com os mangueirais
                   dos quintais
                   dos mangais
                   dos manguezais
                   dos etcs. e tais )
Eles mangam

eles mangam do quê?

mangar é um verbo de muita fibra
só manga quem
tem a coragem
de fazer bem
ao coração

mangar faz bem
também aos dentes
santo remédio
- excelente! -
para quem sofre de riso duro
a tão falada prisão de ventre!

Eles mangam do quê?

de fome e de tristeza
meus irmãos
não haveremos de morrer!



Escrito por Fernando Jares às 17h26
[] [envie esta mensagem] [ ]



BELÉM REVISITADA

UM OLHAR DISCRETO... UM SUSPIRO PROFUNDO

Doca de Souza Franco / Wikimapia

A Doca de Souza Franco que o poeta revisita, aqui em foto captada do wikimapia.

Na série sobre Belém, nesta semana de desaniversário da capital, o convidado de hoje vem de Marabá: Ademir Braz. Jornalista, poeta e advogado militante, ele morou em Belém, sendo da famosa (e boa) turma de A Província do Pará, onde começou em 1972. Tem diversos livros publicados.
Ademir mantém o blog "Quaradouro", que ele logo explica que é um método antigo de lavar roupa. Ao que acrescento: quando eu era pequeno, em casa de meus avós, ali no Jurunas, tinha um quaradouro. Era como que uma grande mesa ao ar livre, cujo tampo era de folhas de flandres. Ali eram estendidas as peças de roupa para "quarar" que, segundo o Aurélio, é "branquear, expondo ao sol". Tempo em que não havia os sabões em pó e suas fórmulas mágicas de embranquecimento, mas um tempo em que não se poluía tanto, pois se usava um recurso natural, o sol, para obter o mesmo resultado.
Mas, minhas reminiscências à parte, vamos à participação de Ademir, que busquei diretamente de um post de 2007, do Quaradouro. Ele revisita Belém, como Fernando Pessoa revisita aquela Lisboa ("Outra vez te revejo, / Sombra que passa através de sombras, e brilha / Um momento a uma luz fúnebre desconhecida, / E entra na noite como um rastro de barco se perde / Na água que deixa de se ouvir..."). Busca suas lembranças, suas gentes, seus encontros.

Belém Revisitada
Ademir Braz

Dedicado a R. José Pinto e Elias Pinto

Os prédios são antigos e seus inquilinos, muitos,
precipitam-se diariamente elevador abaixo,
mal amanhece. Vão caminhar ao largo das Docas,
em bermudas, ensapatados, resfolegantes.
Do oitavo andar levei manhãs olhando-os
- formigas ao longo do canal insalubre.
Há anos não via Belém assim:
as notas desordenadas de seus prédios
- altos e agudos, baixos e graves -
dó ré mi fá sol lá sim
fonia sem fim
da baía ao brejal dos excluídos.

Morei aqui uma vida e quase já nem a reconheço.
Até hesitei em vir, afeito à faina rasa do sertão
em que cultivo filhos e orquídeas.

Dos amigos de outros tempos, se os encontro,
ponho-me a redesenhar-lhes divertido
o ar agora disfarçado em óculos de grau,
cabelo enevoado e ar distante e severo;
eles, eles não escondem o espanto ao ver
em mim a odisséia da cerveja e da inércia.
Se nada dizemos, sorrimos.
Assim tecemos, num jogo, a seda de codificações
que nos resgata da desmemoria
deste tempo presente e menos veloz.

Um pacto secreto e não celebrado
nos cala sobre o que fizemos dos sonhos.
Pomos, entre parênteses, desde as lembranças
comuns mais remotas até o instante
que antecedeu este encontro.
Tentamos ludibriar o tempo.
E o que fizemos de nós,
velamos sob casto silêncio.

Então a cidade passa entre uivos,
alheia e célere com sua juventude
de desejo e músculos
umbigos e piercings
enquanto arriscamos um olhar discreto
e dói no peito um suspiro profundo.



Escrito por Fernando Jares às 14h15
[] [envie esta mensagem] [ ]



BOM DIA, BELÉM

RESPINGOS DE AUSÊNCIA DA POETA

Como hoje é sábado ou, porque hoje é sábado, como preferiria Vinicius, a homenagem ao aniversário de Belém, no quinto dia de seu desaniversário, é musical.
Busco uma canção que é referência da cidade, fazendo a felicidade de quem a canta e de quem a ouve: "Bom dia, Belém". A letra é um apaixonado poema de Adalcinda Camarão, com música de Edyr Proença, mestre do rádio com quem convivi nos meus jovens tempos na Rádio Clube do Pará. Eram cunhados, pois o dr. Edyr era casado com d. Celeste, irmã de Adalcinda.
Adalcinda Camarão Luxardo (foi casada com o cineasta Líbero Luxardo) nasceu em Muaná, em 1914 e faleceu aqui em Belém, em 2005, depois de ter vivido 44 anos nos Estados Unidos, onde lecionou português em universidades e até na Casa Branca. Meus primeiros contatos com a obra dela foi lendo suas poesias em "A Província do Pará".
Edyr de Paiva Proença, nome completo com certeza muito conhecido dos muitos milhares que acompanhavam seus comentários esportivos na Rádio Clube foi, além de radialista famoso e reconhecido nacionalmente, letrista, compositor, advogado, bancário e jornalista. Nascido em 1920, faleceu em 1998, legando à cidade uma obra importante e filhos que formam uma geração de midiáticos da melhor qualidade. Há um disco produzido pela UFPA, com algumas de suas excelentes composições, incluindo esta, cantada pelo próprio Edyr Proença. Eu o tenho, e estou ouvindo agora, nesta tarde de sábado, desculpem. Só que não tem o livreto: comprei numa Feira do Livro, já sem o livro, parece que era o último. Há uma certa emoção nisso, para advinhar o nome da música, o cantor(a), etc...

Vamos ouvir "Bom dia, Belém" em duas apresentações, com dois tratamentos bem diversos, para o mesmo canto de amor, que nos faz mais felizes pelas ruas de Belém. Na primeira (clique aqui), a gravação completa de Jane Duboc e Sebastião Tapajós, do antológico CD "Da minha terra", da série Pará Instrumental, da Secretaria de Cultura do Estado de outros tempos, em um vídeo amador com fotos de Belém e de outros locais do Estado (André Coelho, 2005). A outra apresentação é um comercial do Governo do Estado em homenagem aos 390 anos de Belém, com um trecho da mesma gravação de Jane e Tião (veja aqui). Criação da Griffo Comunicação e requintada produção da Imagem, de Ronaldo Salame. A moça que passeia por diversos pontos de Belém é Paloma Massoud. Faz bem aos ouvidos, aos olhos e ao amor por Belém. Acompanhe com a letra:

Bom Dia, Belém
Edyr Proença / Adalcinda Camarão

Há muito que aqui no meu peito
Murmuram saudades azuis do teu céu
Respingos de ausência me acordam
Luando telhados que a chuva cantou
O que é que tens feito
Que estás tão faceira
Mais jovem que os jovens irmãos que deixei
Mais sábia que toda a ciência da terra
Mais terra, mais dona do amor que te dei

Onde anda meu povo, meu rio, meu peixe
Meu sol, minha rede, meu tamba-tajá
A sesta o sossego da tarde descalça
O sono suado do amor que se dá
E o orvalho invisível na flor se embrulhando
Com medo das asas do galo cantando
Um novo dia vai anunciando
Cantando e varando silêncios de lar

Me abraça apertado, que eu venho chegando
Sem sol e sem lua, sem rima e sem mar
Coberta de neve, lavada no pranto
Dos ventos que engolem cidades no ar
Procuro o meu barco de vela azulada
Que foi de panada sumindo sem dó
Procuro a lembrança da infância na grama
Dos campos tranquilos do meu Marajó

Belém minha terra, minha casa, meu chão
Meu sol de janeiro a janeiro a suar
Me beija, me abraça que quero matar
A doída saudade que quer me acabar
Sem Círio da Virgem, sem cheiro cheiroso
Sem a "chuva das duas" que não pode faltar
Cochilo saudades na noite abanando
Teu leque de estrelas, Belém do Pará!



Escrito por Fernando Jares às 16h51
[] [envie esta mensagem] [ ]



BELÉM, POR QUEM PARTE

O POETA PARTIDO, DIANTE DA PARTIDA

Assim, em dias de pouco sol e bastante chuva, como os atuais, Belém esconde sob a copa das mangueiras,
pelas esquinas, os encantos que ficam para sempre na lembrança de quem parte.

Um dia o poeta precisa partir da cidade que sempre amou e que o acolheu como se acolhe a quem muito se ama. Mas há um dia em que é preciso partir e o poeta, dividido, reconhece: "não parto bem, vou partido".
No entanto, a lembrança fica para sempre, precisando ser a cidade revisitada. Como ele o faz regularmente.
O meu convidado de hoje, nesta semana de aniversário de Belém, ou melhor, quando comemoramos uma semana de desaniversário da cidade, é o poeta Jason Carneiro. É "um paraense nascido em Santos e criado no Rio", como afirma no seu site "Cais do Silêncio". Ele aqui viveu e aprendeu o quanto é bom andar pelas ruas de Belém, consolidando uma paixão.
Ivan Junqueira afirma que os poemas de Jason "aliam emoção verdadeira a uma apuradíssima técnica do verso e, particularmente, da rima, elementos que, como todos sabemos, estão de todo ausentes na poesia (ou suposta poesia) que hoje se escreve (ou se garatuja?) entre nós". Dele já conversamos aqui, em post anterior.
Trago dose dupla de poemas de Jason Carneiro, ambos do livro "Assim nascem os horizontes" (Ibis Libris, Rio de Janeiro, 2003, que você pode encontrar no Submarino, na Cultura, etc.):


Partindo
Jason Carneiro

Prende, memória dos olhos,
o chão e o facho de azul
do azulejo das fachadas
em que o meu rosto, o meu rosto,
desencantou dos espelhos.
Meu rosto como eu não vira
antes nem nunca: ele inteiro,
ruas, mangueiras e casas.
Disperso estou entre as coisas
e nunca fui tão perfeito.

O rio sem margens que deste
ao meu viver esquecido,
eu levo, Belém. O resto,
memória dos olhos, prende:
não parto bem, vou partido.


Evocação
Jason Carneiro

Descalça lembrança da chuva
escorre nas ruas de outrora,
nos pingos de tarde na tarde
de um fluido domingo perdido
nalguma semana passada.

Lembrança em mim trespassada
(serpente de serpentina):
é preciso ir a Belém
rever-me nalguma esquina.



Escrito por Fernando Jares às 17h48
[] [envie esta mensagem] [ ]



MAYSA EM BELÉM

NÃO FOI FÁCIL...

A cantora Maysa, cuja vida vem sendo mostrada, até hoje, em série na televisão (Globo/Liberal) esteve em Belém. Mas sua vinda teve a dose de emoção que, ao que se vê no seriado, acompanhou a artista em toda sua vida pública.
Fui buscar essa história no blog do jornalista Joaquim Antunes, profissional de longa atividade na imprensa paraense (jornal, rádio, televisão), sempre muito bem informado, mestre nos trocadilhos. Hoje aposentado, rabisca de vez em quando uns registros (de grande valor, diga-se) daquilo que ele acompanhou no dia-a-dia pelas ruas de Belém. Irremediavelmente alegre e irreverente, sempre dizia que tinha sete leitores ou sete telespectadores, e a eles se dirigia. Mas, a contar apenas pelos que eu conhecia, eram sete vezes muitas vezes sete... Antunes também desempenhou alguns cargos públicos, inclusive na diretoria da telefônica estadual, nos anos 1970, Cotelpa, salvo engano. Eu, que gosto dessas histórias, continuo "um dos sete"!
Mas vamos à história da Maysa:
"Quando a tv mostra uma série lembrando a cantora Maysa, vale recordar que, no auge da fama, a Rádio Marajoara a trouxe até Belém para cantar no seu auditório durante a Festa de Nazaré. O jornalista Frederico Barata, Diretor Geral dos Associados em Belém, foi contratá-la no Rio de Janeiro. Tudo acertado, mas quando o diretor dos Associados chegou ao Galeão (antigo) encontrou a Maysa completamente embriagada e fazendo bagunça no aeroporto. A Panair negou-se a embarcar a cantora bêbeda e foi uma luta para conseguir trazer a famosa cantora para nossa Capital, o que aconteceu só em outra oportunidade. Isso se deu no final dos anos cinquenta do século passado e nós estavamos trabalhando em A Província do Pará."

Quem quiser lembrar da vida da Maysa real, pode ver aqui matéria apresentada no Fantástico, um ano após a morte da cantora. São vistos quadros pintados por ela e entrevistado o filho, Jayme Monjardim, àquela altura com 21 anos e ainda não famoso personagem global.



Escrito por Fernando Jares às 16h56
[] [envie esta mensagem] [ ]



SER OU NÃO EM BELÉM

NÃO SERIA SEM BELÉM

Na semana do desaniversário de Belém vamos com mais uma poesia. Desta vez é o Carlos Correia Santos quem fala pra cidade. Fui buscar um poema do CCS publicado em 2001, no caderno especial "Viva Belém", do jornal A Província do Pará, reunindo trabalhos de gente boa, de diversas gerações, como Acyr Castro, Alonso Rocha, Adalcinda, João de Jesus Paes Loureiro, Leandro Tocantins, Max Martins, Milton Camargo, Oswaldo Orico ou Paulo Nunes.
Carlos Correia Santos é poeta, jornalista, dramaturgo, cronista, bacharel em direito, contista, acima de tudo, um ativo produtor de cultura, sempre presente em múltiplas frentes, sempre bem presente no que acontece pelas ruas de Belém. Já ganhou prêmios locais e nacionais e seus trabalhos têm projeção em todo o país, como a peça "Nu Nery", encenada em diversos Estados. Trabalhamos juntos em uma revista empresarial (Vida Saudável), onde ele escrevia deliciosos textos sobre qualidade de vida. Aliás, o Carlos é responsável pela minha ida ao único auditório de tevê a que já fui, para ver, ao vivo, o programa "Fatos e Idéias", apresentado por ele no canal 26 (ORM Cabo), em homenagem a Fernando Pessoa. Atualmente, também é editor de cultura de O Liberal.
Mas vamos ao poema sobre Belém:


Não seria sem Belém
Carlos Correia Santos

Eu não seria o que não pára
O que não Pará.
Se eu não fosse rio-rua
Cloro filia nua
O que s'umedecerá

Eu não seria
Se não fosse um chover mansinho,
Sol nascido tão cedinho
Além do verde lá

Eu não seria
Nem ia ser tão bem Guamá.
Amar, eu não amaria
Se não fosse Guajará

Eu não seria o grão, não.
Eu não seria nem...
Nada, algo, tudo, vão
Não seria se não fosse só Belém.



Escrito por Fernando Jares às 17h27
[] [envie esta mensagem] [ ]



MÚSICA PARA BELÉM

A BELA FLOR DO GRÃO PARÁ

No segundo dia do desaniversário de Belém, a homenagem é musical. O convidado é Chico Sena, compositor que a cidade perdeu em 1986, jovem de 25 anos, mas que deixou uma excelente produção, até hoje gravada pelos melhores intérpretes locais. E cantada por muita gente que anda pelas ruas de Belém.
"Crítico por excelência e dotado de uma forte personalidade artística, Chico Sena nos legou um acervo belo e surpreendente, eivado de toques pessoais e de terno sentimento que o tornou, desta forma, o cronista musical da cidade", escreveu Margaret Refkalefsky, na capa do CD "Chico Sena", editado pela UFPA, com alguns trabalhos de Chico Sena (que estou ouvindo agora).
A sua composição mais popular, um ícone de Belém, é "Flor do Grão-Pará", a única que ele gravou. Uma preciosidade, que integra esse CD da série Música e Memória.
Nas homenagens que fez ao aniversário da cidade a TV Liberal produziu matéria sobre esta música, que você pode ver aqui, ou na gravação que está no YouTube.
Um pouco da vida desse competente compositor e cantor, que nasceu em Abaetetuba, berço de tantos outros grandes valores culturais, você pode ver em "Chico Sena em Memória".
Para quem ama Belém, é uma felicidade ouvir e cantar "Flor do Grão Pará". A letra está a seguir (na versão do CD da UFPA) e você pode ouvir, em interpretação de Nilson Chaves, que declara seu amor a esta composição, também no YouTube.


Flor do Grão Pará
Chico Sena

Rosa flor vê quanta mangueira
E o cheira-cheira do tacacá
Meu amor ata a baladeira
Imbalança beira do rio mar
Belém, Belém... Acordou a feira
Que é bem na beira
do Guajará
Belém, Belém,
Menina morena
Vem ver-o-peso
Do meu cantar
Belém, Belém
És minha bandeira
És a flor que cheira
No Grão Pará.
Belém, Belém do Paranatinga
Do Bar do Parque
Do Bar Fafá
Bem-te-vi
Sabiá palmeira
Não, não baladeira
Deixa voar.
Belém, Belém, menina morena...

 



Escrito por Fernando Jares às 18h30
[] [envie esta mensagem] [ ]



DESANIVERSÁRIO

FELIZ DESANIVERSÁRIO, BELÉM!

Hoje é o primeiro dia de desaniversário de Belém, neste ano. Por isso, Feliz desaniversário! Bem, estou apenas pegando uma carona do Chapeleiro Maluco, da fábula "Alice no país das Maravilhas" (1865, Lewis Carroll), que define o dia do Desaniversário como todos os 364 dias restantes do ano, que devem ser comemorados. Não vamos aqui fazer festinha todos os dias para Belém, embora ela bem que precise. Mas vamos fazer uma semana de festejos.
No post aí de baixo publico a foto de um dos diversos túneis de mangueiras que existem/resistem pelas ruas de Belém.
Agora vamos homenagear esses túneis. Para isso o convidado é o poeta, teatrólogo e letrista José Maria de Vilar Ferreira. Já falei nele aqui, quando publiquei matéria sobre o lançamento que não houve, do livro "Cantação".
Mas muitos outros livros o Vilar produziu. Entre eles, o "Roteiro Pessoal & Poético da Querida Santa Maria da Graça de Belém do Grão Pará", de 2003, edição da Prefeitura Municipal de Belém, com fotos de Janduari Simões, outro grande artista, da fotografia. Gosto destas poesias e vou dividir com vocês. Diz o Vilar, na abertura do livro, após apresentação pelo Ronaldo Franco: "Este ‘Roteiro...' não deve ser entendido apenas como peça literária. Deve sim, ser assumido, também, como um registro do meu amor por Belém. A vida tem me ensinado que qualquer bem querer é irremediavelmente forte. Irreversível mesmo. Daí minha desarvorada e descabida identidade amorosa com esta cidade".
Saboreemos este poema como hoje, ao almoço, eu saboreei uma deliciosa manga, fruto abençoado de um desses túneis:

Túnel de Mangueiras
José Maria de Vilar Ferreira

Respingos
na pele alfavaca.
Sabor de fruta doce,
Galho verde, talo azul.

Mangas sonhos desfeitos
Manas mais-que-perfeitas
Matronas de ocasião.

Andarilho de pós-tunel,
andante de contramão.
Quase tudo está perdido,
Tudo, tudo, por achar.

Passado, presente, futuro,
Ouro e prata Dona Sancha,
Senhora, deixai passar.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h33
[] [envie esta mensagem] [ ]



12 DE JANEIRO

DIA DE ANIVERSÁRIO DA CIDADE

O aniversário de uma cidade deve ser momento de festa?
É para governantes alardearem que fazem aquilo que têm a obrigação de fazer?
Ou para a reflexão sobre a vida na cidade?
Sobre a relação entre seus moradores, destes com as autoridades que elegeram?
Ou de cobrança aos responsáveis por suas possíveis irresponsabilidades?
Acima de tudo, entendo que, como no aniversário das pessoas, o aniversário da cidade deve ser um momento de reflexão e de comemoração.
Belém hoje faz 393 anos de fundada, naquele distante 1616, quando aqui aportou Francisco Caldeira Castelo Branco.
Sem dúvida há motivo para festejar, com os 13 presentes (quanta coincidência com um número de partido...) oferecidos pelo Governo do Estado. Há motivo para comer um bolo de não sei quantos metros. Há motivo para shows, placas, livros e parabéns. Mas também há motivos para chorar os que são assassinados diariamente; os assaltos constantes; os reféns pelas esquinas e nas casas - e nem sabemos quantos são esses crimes, pois a polícia afirma que sonega essa informação para não alarmar a população!; lamentar as centenas de guardas municipais demitidos às vésperas do Fórum Social Mundial, bem no meio dessa crise fantástica da segurança, etc.

O AMOR A BELÉM - Amo esta cidade não apenas porque nasci aqui, porque estudei aqui, porque casei aqui, porque minhas filhas nasceram aqui, porque morei a vida toda aqui, porque sou feliz por andar pelas ruas de Belém. Também amo Belém porque tive professores que me ensinaram a conhecer a cidade; porque vivi com um avô que tinha um olhar amável pela cidade; porque li - e leio - muito sobre Belém; porque conheci, convivi ou trabalhei com gente que sempre quis bem a Belém, como Augusto Meira Filho, Edwaldo Martins, Porfírio da Rocha, Carlos Rocque, João de Jesus Paes Loureiro, Oswaldo Mendes, Luiz Braga, Abílio Couceiro e tantos outros.


Por falar no Porfírio da Rocha. Um dia, lá pelos anos 1980, quando eu era editor de turismo
de A Província do Pará, pedi a esse excelente e experiente fotógrafo, que me fizesse umas
fotos de túneis de mangueiras. O querido Popó saiu em campo e voltou com os túneis da
praça da República, quase ao vivo. Esta é uma das fotos, provavelmente nem a melhor,
porque essa deve ter sido a publicada e perdeu-se pelos arquivos do jornal. Acho linda!
O túnel tem profundidade, quase terceira dimensão, e parece que vem sobre nossas cabeças.
É presente de aniversário!

DIA DE REFLEXÃO - O Arcebispo de Belém, d. Orani João Tempesta, vem conduzindo, a par de suas inúmeras atividades de pastor, uma constante campanha pela paz na cidade. Para isso, inclusive, orienta sua atividade midiática, que não é pequena. Ontem ele publicou artigos nos jornais, dos quais busquei alguns parágrafos, para ajudar na reflexão que se faz necessária:
"O clamor das ruas chama a nossa atenção de um povo querendo outra cidade, não tanto na questão física ou arquitetônica - esta, todos admiram -, mas sim do relacionamento humano e respeitoso. Queremos paz e fazemos passeata pelas nossas ruas" (O Liberal). "Mesmo as novas e modernas técnicas de transformação, que fazem com que a comunicação eletrônica aconteça ao apontarmos uma antena para um ponto no céu que não vemos a olho nu, não consegue fazer com que as pessoas se comuniquem, falem, ajudem, respeitem! ...não conseguimos fazer progressos no relacionamento humano, continuamos com a maneira primitiva de nos comportar uns com os outros quando somos contrariados ou quando não concordamos com as idéias dos outros" (Diário do Pará). "Começamos o nosso tempo chuvoso a que chamamos de ‘inverno'. Nessa época, em outros lugares do mundo o tempo faz com que as pessoas fiquem mais em casa, e isso ajuda a refletir. Que esse tempo chuvoso e ‘invernal' da Região Norte nos ajude a refletir sobre que passos poderíamos dar para que a curto, médio e longo prazo construamos uma sociedade em que os direitos humanos estejam presentes e as pessoas tenham o necessário para viver bem" (Voz de Nazaré).

PARA GOSTAR E REFLETIR - Belém tem muitas faces, muitos rostos, muitos símbolos. Um dos mais marcantes, que reúne história, geografia, economia, sociologia e outros tantos "ias" é o Ver-o-Peso. Tricentenário entreposto comercial, é um local onde pulsa a cidade, onde Belém mostra seu coração. É cantado em todas as artes. Ainda recentemente ganhou um livro álbum só seu, com fotos de Luiz Braga e poemas de João de Jesus Paes Loureiro.
De muitas décadas antes, há um clássico entre as poesias a ele dedicadas, é "Ver-o-Peso", do poeta Max Martins, que, para a prof. Amarílis Tupíassú, não se limita "a um arrolamento das ações, das dores, do não-senso, do apuro que se abate sobre os seres do Ver-o-Peso, eco do encanto e das existências reduzidas da Amazônia. Dizendo com mais acerto: há esse inventário circulando às claras à mancha do texto, cujo assunto são as velações e os vedamentos do porto Ver-o-Peso; está tudo lá, flagrante, as figurações das mazelas, as representações do expoliado e do expoliador. Para a recepção dessa informação, basta quase tão-só o assomo do olhar à folha de papel." ("Amazônia, das Travessias Lusitanas à Literatura de até Agora", Revista Estudos Avançados, da USP, Janeiro/Abril, 2005).
Transcrevo a seguir o poema na versão publicada no número 1 da revista "Esquema", dirigida por Gengis Freire e Rosenildo Franco, nos idos de 1966, quando Belém fez 350 anos.

ver-o-pêso
max martins

a canoa traz o homem
a canoa traz o peixe
a canoa tem um nome
no mercado deixa o peixe
no mercado encontra a fome

a balança pesa o peixe
a balança pesa o homem
a balança pesa a fome
a balança vende o homem

            vende o peixe
            vende a fome
            vende e come

a fome
vem de longe
nas canoas
ver o pêso

come o peixe
o peixe come
                    - o homem?

o homem não come
come o homem
compra o peixe

compra a fome
vende o nome
vende o pêso
                    -pêso de ferro
                    -homem de barro

pese o peixe
pese o homem
é a fome
vem do barro
vem da febre
(a febre vê o homem)

veja a lama
veja o barro
veja a pança
                   o homem
                   come a lama
                   lambe o barro

ver o verde
ver o verme
o verme é verde

está na lama
está na alma
é só escama
a pele do homem

está com fome
vê o peixe
vê o prato
não tem peixe
tem fome
a fome pesa
o pêso da fome
peça por peça

pese o peixe
deixe o peixe
peixe é vida
pêso é morte
homem é fome
pêso da morte
peixe de morte
a sorte do peixe
é o pêso
azar do homem

pese o peixe
pese o homem
o peixe é prêso
o homem está prêso
prêsa da fome

ver o peixe
ver o homem

vera morte
vero pêso.

AMAR CONHECENDO - O velho Ver-o-Peso, do início do século XX, está muito bem mostrado no álbum "Belém da Saudade" fantástica coleção de postais do início dos 1900, editado pela Secult em 1996. Tive oportunidade de acompanhar diretamente da execução deste trabalho, representando um dos apoiadores do empreendimento, a Albras (Alumínio Brasileiro S/A), testemunhando o entusiasmo do secretário, Paulo Chaves, pelo projeto. Tinha razão. Ficou primoroso e hoje é referência da Belém daquela época. Saudades outras, antes daquelas que recordamos porque vimos, mas daquelas saudades que carregamos no coração e ajudam a forjar o amor por Belém. Aqui vai um dos postais, da coleção de Victorino C. Chermont de Miranda, que está na página 57 do álbum.



Escrito por Fernando Jares às 17h09
[] [envie esta mensagem] [ ]



CENTENÁRIO DE DALCÍDIO

VIVA DALCÍDIO JURANDIR!


Jorge Amado cumprimenta Dalcídio Jurandir na ABL, tendo ao lado,
Austregésilo de Athayde. Gosto de Dalcídio não apenas pela forma
de escrever. Lembro nele, sempre, o meu pai. Não no rosto, mas no
perfil, no cabelo. Nessa foto, então. E Dalcídio morreu em um dia de
aniversário do papai.

Quando eu era criança pequena, lá em Capanema, muitas vezes farinhei, no barracão atrás de nossa casa, na Granja Santo Amadeu, na Colônia Agrícola Pedro Teixeira, logo na saída da cidade, em direção a Salinas. Moleque por ali, nunca fui um menino feridento, pois a mamãe cuidava muito bem das minhas feridinhas, inclusive dos muitos bichos-de-pé. Naquele tempo, nunca vi ninguém mundiado. Mesmo antes, quando morava em Belém, na beira do rio Guamá, ali na Conceição com a Estrada Nova, onde de vez em quando passava um boto, que a gente via do trapiche da casa Caçula, e onde era cheio de cobras. Em casa mesmo, no forro, tinha uma jiboia, para comer os ratos. Pelo menos, eu nunca me apercebi de ninguém mundiando... quem sabe teve.
No trecho acima, contei um pouquinho da minha infância, buscando palavras que Dalcídio Jurandir consagrou em seus romances.
É que esse paraense, mestre das letras caboclas, ou melhor, marajoaras, faz hoje 100 anos. Muitas comemorações estão marcadas para o ano que começa nesta data, criando a expectativa de que, em 2010, seja ele um escritor mais conhecido, estudado nas escolas de todos os níveis. Hoje ele é admirado e respeitado, especialmente no meio acadêmico. Mas tem que ir ao e para o povo. É dessa forma que se fortalece o paraensismo, valorizando a nossa cultura, nossos vultos mais importantes. Que ele viva sempre nas letras paraoaras!
Dalcídio Jurandir nasceu em Ponta de Pedras, viveu a infância em Cachoeira do Arari, de fortíssima influência em sua obra, veio estudar na capital e viveu intensamente pelas ruas de Belém. Cresceu profissionalmente no Rio de Janeiro. Escreveu em grandes jornais e revistas, inclusive na famosa O Cruzeiro. Morreu no Rio, em 16 de junho de 1979, e está enterrado no cemitério São João Batista.
Com o livro Chove nos Campos de Cachoeira ganhou, em 1940, prêmio da Editora Vecchi, que o editou, e em 1972 um reconhecimento da Academia Brasileira de Letras, o "Prêmio Machado de Assis", pelo conjunto de sua obra. Foi o primeiro paraense a receber esta honraria e foi elogiado por Jorge Amado:
"Trabalhando o barro do princípio do mundo, do grande rio, a floresta e o povo das barrancas, dos povoados, das ilhas, da ilha de Marajó, ele o faz com a dignidade de um verdadeiro escritor, pleno de sutileza e de ternura na análise e no levantamento da humanidade paraense, amazônica, da criança e dos adultos, da vida por vezes quase tímida ante o mundo extraordinário onde ela se afirma."
Ao que parece, tanto seus filhos, como as lideranças intelectuais locais, estão vivamente preocupados em relançar, ao menos, sua obra de 11 livros. Tomara que seja assim.
Você pode encontrar Dalcídio nas bibliotecas, em alguns livros no mercado, embora em poucas livrarias (e sebos). Há uma excelente publicação, feita pela Secult ao tempo de Paulo Chaves, "Dalcídio Jurandir - Romancista da Amazônia", de 2006, organizada por Benedito Nunes, Ruy Pereira e Soraia Reolon Pereira. Também existem, nesta linha, diversas publicações acadêmicas. Na internet há um site chamado Dalcídio Jurandir, dedicado ao centenário. Mas há muitos outros, como se vê no artigo "Panorama de Dalcídio Jurandir na internet: a literatura marajoara no ciberespaço". Também vale ser visitado o site Louca por Dalcídio.

OBS.: No meu texto inicial, as ruas Conceição e Estrada Nova são agora Fernando Guilhon e Bernardo Sayão. Segundo a prof. Rosa Assis, em "O vocabulário Popular em Dalcídio Jurandir" (Editora da UFPA, 1992), farinhar é fazer ou vender farinha; feridento é cheio de feridas e mundiar é encantar, atrair.

 



Escrito por Fernando Jares às 13h56
[] [envie esta mensagem] [ ]



GOSSIPS

@ Esta coluna, que vou fazer aqui, de vez em quando, não é uma central de fofocas, nem tem nada a ver com a série de televisão Gossip Girl, sobre estudantes americanos de colégios de elite, onde as histórias são narradas por uma voz anônima, identificada como Gossip Girl, que vem a ser a dona de um blog do mesmo nome.
@ Este nome é uma homenagem a uma coluna, durante muitos anos feita pelo jornalista Guaracy de Brito, no jornal Folha do Norte. Também não era de fofocas... Ele era um cara muito legal, bem informado, amigo de todo mundo, que circulava bastante pelas ruas de Belém. Foi diretor do "Jornal do Dia", assinou coluna social e de negócios. Era "Guaracy de Brito Informa" e depois "Homens e Negócios" onde as pequenas informações tinham o título Gossips.
@ O Guaracy, ou Guará, como todos o chamavam, ia todos os dias ao aeroporto, buscar jornais do Rio e São Paulo, nos aviões que chegavam a Belém. Esses jornais não eram vendidos na cidade (aliás, agora, está quase da mesma forma...). Ele tinha amizades com o pessoal de terra que ia a bordo e recolhia os jornais já lidos pelos passageiros. Assim, tinha fontes exclusivas para a coluna. Mais de uma vez precisei recorrer a ele, para conseguir acesso imediato a um jornal do sul.
@ Falando em aeroporto: Val-de-Cans tem sofrido muitos fechamentos quando chove. Que estará havendo? Já soube de diversas ocorrências. Até fiquei lá horas, um sábado, esperando uma aeronave da TAM, que teve de ir a São Luís, por não poder pousar aqui. O pior é que o painel é extremamente lacônico. Entre o pessoal da companhia, é preciso ter sorte para achar o cara que sabe o que está acontecendo. E, como ele tem tarefas rotineiras para fazer, trata de livrar-se logo da gente... Esperando o avião voltar, descobri que os pastéis de bacalhau na lanchonete de baixo não são mais os mesmos; comprei um livro na La Selva; e almocei uma feijoada no Palheta. A companhia aérea devia indenizar a gente por estas despesas não previstas! E ainda teve não sei quantas horas do estacionamento.
@ Os alertas da insatisfação da sociedade, inclusive deste blog, parece que repercutiram junto às autoridades. A governadora convocou uma reunião, hoje pela manhã, para tratar do assunto. Inclusive representantes de entidades da sociedade civil.
@ Os resultados foram surpreendentes, inclusive com a afirmativa, ao que foi divulgado, de que efetivamente as estatísticas policiais não são reais, para não alarmar a população! Foram anunciadas algumas medidas para aparelhamento das polícias. Mas, não bastam equipamentos. Espera-se ações efetivas, tipo polícia na rua; tipo controle de motociclistas, principalmente levando gente na garupa; postos fixos de policiais em locais que todo mundo sabe que acontecem assaltos.
@ Ignorando e passando ao largo destas ações burocráticas, trabalhador de uma gráfica no centro da cidade (28 de setembro) foi feito refém por assaltantes, que no final de muita negociação, foram presos. O motorista de um ônibus, na Alça Viária, foi assassinado, durante o assalto a um ônibus. A família de um gerente do jornal "Público" foi assaltada em seu apartamento. Tudo hoje à tarde!
@ A operadora de celular Tim está homenageando a cidade, que faz aniversário dia 12, com o concurso Escolha a Cara de Belém, que vai apontar o lugar que mais representa a cidade. Para isso criou um "concurso cultural", cujas instruções estão em anúncio publicado nos jornais. Colocou como opções (quem terá escolhido?) o Teatro da Paz, o Ver-O-Peso e a Basílica de Nazaré. Há prêmios aos participantes, que votam por mensagem de texto. O SMS terá apenas uma palavra, indicando o escolhido. Mas só clientes da TIM podem votar desta forma, e ainda assim pagam a mensagem (R$ 0,39).
@ Quem não for cliente da Tim pode participar, mas deve enviar uma carta com a sua opinião! Carta, isso mesmo. Não há opção via celular ou internet! O vencedor? Ah, são "os participantes que mais mensagens ou cartas registradas enviarem". Não entendi em que o concurso é "cultural". Parece mais promoção de vendas. Aliás, lembra mesmo aqueles concursos beneficentes de Miss Caipira, onde as candidatas vendem os votos. Concorda?



Escrito por Fernando Jares às 20h16
[] [envie esta mensagem] [ ]



PROSSEGUE O MASSACRE DE BELÉM

O assassinato ontem, a sangue frio, de um procurador da Prefeitura de Belém, em seu carro, porque não teria colaborado com bandidos que acabavam de fazer um assalto, mostra, infelizmente, como está a situação pelas ruas de Belém. Não basta ser assaltado, agora é preciso colaborar com a bandidagem. Já tratei disso em post anterior, mostrando que está havendo um extermínio das pessoas de bem. Veja aqui.
Qual é a posição das autoridades diante desse quase assassínio em massa das pessoas de bem, que trabalham, geram riquezas, pagam impostos, os mesmos impostos que sustentam os salários, ajudas de custo, diárias, carros oficiais e outras vantagens dessas mesmas autoridades?
O Portal ORM tem hoje uma denúncia seriíssima sobre essa omissão:
"Até mesmo o Secretário de Segurança, Geraldo Araújo, se nega a vir a entrevistas ao vivo. Como acontece com a TV Liberal, que, há três meses, tenta trazê-lo, sem sucesso, ao estúdio da emissora para falar sobre o assunto no Jornal Liberal 1ª Edição."
O secretário está nesse posto por delegação que recebeu da governadora do Estado, que recebeu delegação do povo para, entre outras coisas, garantir a segurança dessas pessoas. Ele tem que prestar contas do que faz! Deve achar que vai ser "massacrado" pelas perguntas dos jornalistas, mas parece esquecer que a população de Belém está sendo massacrada (de verdade) nas ruas.
Na mesma matéria a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/Pará, Ângela Sales, faz declarações assustadoras, do tipo: "Agradeço a Deus todos os dias por ter chegado em casa, mas sempre fico pensando: será que vou chegar no dia seguinte?". Leia o texto completo aqui.
A OAB promete ação urgente, para pressionar as autoridades. Essa é a questão. Até agora, com gente sendo assassinada todo dia, nada vimos como ação concreta da polícia, em busca de solução.
Tudo bem, eles têm resolvido muitos casos, com sucesso. Parabéns! Mas são ações reativas. O mais urgente são ações proativas! Corrigir políticas públicas (se existem) ineficientes ou mal implantadas, para evitar o problema.
A cada morte de um inocente a dívida do governo fica maior com o povo do Pará.



Escrito por Fernando Jares às 17h28
[] [envie esta mensagem] [ ]



HOJE É DIA DA CABANAGEM

CABANAGEM, ONTEM E HOJE

Memorial da Cabanagem
O Memorial da Cabanagem, em foto da época da inauguração,
utilizada como material de divulgação da Paratur
.

Hoje é o Dia da Cabanagem. Para dar maior visibilidade ao evento e criar oportunidades de estudo e reflexão sobre este acontecimento, entendo que hoje é que deveria ser o feriado estadual paraense, e não a Adesão do Pará à Independência (15/08). A importância do movimento deflagrado em Belém, em 07 de janeiro de 1835, que levou pela primeira vez na história da América Latina e única no Brasil, o povo sublevado a realmente assumir o poder, justificaria a escolha. Mas a Assembléia Legislativa preferiu uma data mais nacional, muito mais óbvia, evidentemente.
O conhecimento da Cabanagem, seja nacionalmente, seja aqui no Pará, é muito pequeno, infelizmente. A coisa é tão séria que o famoso "História do Povo Brasileiro", de Jânio Quadros e Afonso Arinos, onde deveria ser grande destaque, pelas suas características sociais e políticas, é chamada de... Cabanada! Hoje mesmo, nos jornais locais, quase passou despercebida.
As próprias autoridades dão muito pouco valor a este movimento que aconteceu pelas ruas de Belém. Basta ver a situação do Memorial da Cabanagem, o grande monumento desenhado por Oscar Niemeyer, e o Museu Cripta dos Cabanos, que o integrava e homenageava quatro grandes cabanos: Batista Campos, Feliz Clemente Malcher, Francisco Vinagre e Eduardo Angelim. Estavam lá suas cinzas simbólicas e pinturas e peças alusivas, do muito pouco que existe a respeito. Este monumento, uma iniciativa do jornalista Carlos Rocque, foi inaugurado na festa do sesquicentenário da Cabanagem, em 7 de janeiro de 1985. Nesse ano tivemos alguns acontecimentos importantes, de lançamento de livros a uma grande peça de teatro, "Angelim", escrita por Edyr Augusto Proença, sobre os acontecimentos cabanos, encenada no Teatro da Paz. Depois, silêncio, intercalado por algumas tentativas de aproveitamento político do movimento.
Uma curiosidade: Niemeyer, conhecendo a importância deste movimento revolucionário, sentiu-se honrado com o convite para projetar o monumento e nada cobrou pelo seu valiosíssimo trabalho.
GAME CABANAGEM - A boa notícia de hoje é que o pessoal do Laboratório de Realidade Virtual, da UFPA, está desenvolvendo um jogo de estratégia totalmente paraense, com a finalidade de ser, além de um game como outros, tão consumidos pelos jovens, um veículo para conhecimento da Cabanagem. É o "Jogo Eletrônico Lúdico Educacional de Estratégia: A Revolta da Cabanagem.", que já existe em versão para demonstração e que estará completo até o meio deste ano. Quem quiser conhecer, pode baixar o jogo no www.larv.ufpa.br. É preciso ter processador 3.0 GHz, 1 GB de memória RAM e placa de vídeo de 256 MB. Ainda não fui lá, mas torço para que a história esteja bem contada. Imagino que o pessoal do Curso de História entre com o conhecimento específico. Mais informações você pode encontrar no site da Fadesp, aqui.

Para comemorar esta data, contribuo com a divulgação da ata de aclamação do primeiro presidente cabano, conforme está terceiro tomo de "Motins Políticos", de Domingos Antonio Raiol (autor que não gostava nada dos cabanos...), publicado originalmente em 1883. A transcrição é feita a partir da edição destes livros, em três volumes, pela Universidade Federal do Pará, em 1970, página 550, 2º volume:

"Aos 7 dias do mês de janeiro de 1835 anos, nesta cidade de Santa Maria de Belém, capital da província do Grão Pará, e no Palácio do Govêrno da mesma, onde se achavam presentes os mais conspícuos cidadãos abaixo assinado, congregados para testemunharem o ato da aclamação que o povo e tropa reunidos no Largo de Palácio acabavam de fazer do Exmo. Sr. Presidente desta província Felix Antonio Clemente Malcher, por falecimento do ex-Presidente Bernardo Lobo de Souza, a quem já estavam cansados de sofrer por causa da prepotência e arbitrariedade que sempre praticou em todos os atos do seu governo, foi pelo mesmo povo e tropa que o aclamou, requerido que se desse conta do acontecido à Regência, pedindo-lhe que não nomeasse mais Presidente para esta província até que S. M. I. o Senhor D. Pedro II chegasse à idade marcada pela constituição para dirigir as rédeas do govêrno do império, pois que a experiência tem desgraçadamente mostrado que eles, em vez de cuidarem do bem público, só tratam de seus interesses que protestavam não receber qualquer Presidente que a Regência lhes mandasse, pela certeza que esta malfadada província não poderá prosperar se não fôr administrada pelo benemérito e patriota cidadão a quem com tanto júblico acabavam de aclamar. E para constar mandou lavrar esta ata, que foi assinada pelo mesmo Exmo. Sr. Presidente, chefes de corpos e mais cidadãos congregados. Eu, Miguel Antonio Nobre, secretário do Govêrno a escrevi."
Seguem-se mais de 400 assinaturas, a partir de Felix Malcher, os Vinagre, altos dignitários da igreja, militares de elevada patente, etc. A espontaneidade dessas assinaturas é colocada em dúvida em correspondência diplomática do ministro de Sua Majestade britânica no Rio de Janeiro, Henry Stephen Fox, baseado em relato de seu representante no Grão Pará. Ele afirma que "os principais habitantes e proprietários da cidade foram arrastados contra a sua vontade à casa Governamental e forçados, sob pena de serem massacrados, a assinar uma comunicação endereçada ao Imperador e ao Governo Central, no Rio de Janeiro, aprovando as violentas mudanças de autoridade acima mencionadas", conforme documentos recentemente descobertos na Inglaterra, que constam do livro "Cabanagem - Documentos ingleses", de David Cleary (pág 155), edição Secult/Imprensa Oficial, de 2002.



Escrito por Fernando Jares às 10h23
[] [envie esta mensagem] [ ]



A PLACA DE SANTO ANTÔNIO

ACERTARAM O SANTO, ERRARAM A IGREJA

A placa indicativa de monumento histórico, colocada em frente à capela de Santo Antonio de Lisboa (SAL).

Alguém, com autoridade suficiente para determinar onde se coloca uma placa pública de informação, mas sem conhecimento de história ou de arte, mandou afixar uma dessas placas em local aparentemente bem diverso de onde deveria estar.
Eu vi no sábado e não sei há quanto tempo está lá. Na frente da Capela de Santo Antônio de Lisboa, na praça Batista Campos, há uma placa que diz o seguinte:

Igreja de Santo Antônio
Abrigou o Conselho de Guerra Cabano;
Estilo barroco colonial

Ora, nem precisa ser grande conhecedor de arte para perceber que aquele templo não tem nada de barroco ou colonial, pelo contrário, é dos anos 1960. E, com alguma informação histórica, dá para saber que na época da Cabanagem não devia haver nem igreja por lá. Segundo Carlos Rocque, no fascículo 10 de "A História dos Municípios do Pará" (jornal A Província do Pará, 1998), o que é hoje a praça Batista Campos "em 1874 era um matagal pantanoso; dez anos depois, uma simples savana coberta de capim". E a Cabanagem é de 1835...
Bem, então a igreja deveria ser outra. Sim, há outra, a do antigo Convento de Santo Antônio, que hoje é o Colégio Santo Antônio, onde tantas vezes já estive. Ah, esse prédio e essa igreja já existiam até bem antes da Cabanagem. Além da beleza da igreja - onde acontece todos os anos, na Sexta-Feira Santa, o Sermão das Sete Palavras, ou das Três Horas da Agonia - a sacristia é uma obra de arte. "No forro baixo e abobadado surge interessante pintura a óleo, que conserva o frescor das tintas setecentistas", afirma Leandro Tocantins em "Santa Maria de Belém do Grão Pará" (pág. 252 da 3ª edição, 1987).
Para não ter dúvida, fui pesquisar e encontrei no clássico "História do Pará", de Ernesto Cruz, que o velho convento fora em parte ocupado pelos rebeldes cabanos "devido sua excelente posição estratégica" e que "instalaram no cais adjacente várias peças de artilharia, abrindo trincheiras em derredor. No átrio da igreja esteve instalado o Conselho de Guerra que julgou e condenou à morte o Padre Jerônimo Pimentel" (vol. I, pág. 211, Univ. do Pará, 1963). Naqueles tempos a baia vinha até o que é hoje a rua Gaspar Viana, batendo no paredão do convento. Só pra tranquilizar: o citado padre não chegou a ser executado, pois foi salvo, na ultima hora, por Eduardo Angelim. Essa é uma das muitas histórias interessantes da Cabanagem.
Assim sendo, vê-se que os colocadores da placa acertaram no santo, mas erraram na igreja, desorientando quem anda pelas ruas de Belém. Acho que não fica dúvida: a placa era para estar em frente à igreja de Santo Antônio, mas a da praça D. Macedo Costa, que já foi largo de Santo Antônio.


A placa era para estar aqui, em frente à Igreja de Santo Antônio. O portão é o mesmo para o Colégio Santo Antônio,

na praça D. Macedo Costa. Ao lado é a capela da Ordem Terceira de São Francisco.



Escrito por Fernando Jares às 18h17
[] [envie esta mensagem] [ ]



MUDANDO A ORTOGRAFIA

A reforma ortográfica, com validade desde o dia 1º deste mês, provoca muita discussão. É natural a reação e resistência às mudanças, principalmente algo tão grande, quanto a nossa própria língua. A língua escrita, diga-se de passagem, porque a falada continua como está.
Mas nada de estresse. Até 2012 podemos escrever pela forma antiga, sem pegar zero em língua portuguesa, inclusive placas e anúncios pelas ruas de Belém. Embora alguns bem mereçam o tal zero, independente das novas regras...
Já passei por uma dessas reformas, a dos anos 1970. Uma dificuldade foi a retirada do acento circunflexo diferencial, onde sobreviveram algumas exceções. Igualzinho agora. Lembro que trabalhava em uma grande agência de propaganda e muito discutimos, especialmente a palavra "você". Depois de muito estudar a lei, chegamos à conclusão que desaparecia o acento. Até fizemos (e publicamos) um anúncio sem o dito cujo. Logo descobrimos que o acento continuava - e corrigimos o anúncio.
Lendo a crônica de João Ubaldo Ribeiro de ontem, em O Liberal, "Despetalando a flor do Lácio", vi que ele viveu exatamente a mesma dificuldade com o "você": "Chefiei redação no tempo da abolição do acento diferencial e dedicava grande parte de meu tempo a explicar que, de então em diante, não se escreveria "voce", mas "você" mesmo, como sempre. Foi difícil, muito mais difícil do que qualquer um imaginaria, tratando-se de gente instruída e, em muitos casos, talentosa...".
Vamos absorvendo a novidade aos poucos. Hoje está muito mais fácil, pela agilidade da comunicação. Na internet existem dicas preciosas. Um dos manuais mais interessantes que encontrei é do Estadão, que você pode ler aqui. Um dos mais práticos é do G1 (Globo), que cabe em uma folha A4 - leia aqui. A Folha de S. Paulo também tem um manual bastante prático e o endereço está aqui.
Para quem quer ir mais fundo, sugiro o livro "Escrevendo pela nova ortografia", do Instituto Antônio Houaiss, que já comprei e vou lendo devagar.
O médico Sérgio Martins Pandolfo escreve hoje (05/01), no Espaço do Leitor do Diário do Pará, o artigo "Voltar à orthographia?" em que apresenta e até justifica as mudanças, que finaliza assim: "O acordo não foi completo, é vero, mas avançamos muito. A língua é algo vivo, mutante, por isso precisa de periódicos acertos. Não fora assim estaríamos a escrever à moda de Camões. Que falta fará o trema? Portugal nunca o usou e todos reconhecem a correção do falar luso, ó pá! Aprende-se primeiro a falar e somente depois a escrever. A pronúncia correta independe da grafia. Havia acentos demais. Eliminaram-se os inúteis. Padronizou-se a utilização do hífen. Por fim, a imprensa, em especial os jornais, jogam um papel fundamental na assimilação das novas regras. Deles se espera a pronta adesão ao Acordo Ortográfico, para bem de todos e felicidade geral das nações que compõem a comunidade lusófona."
Agora, adaptemo-nos. Atenção especial ao corretor ortográfico eletrônico, que ainda está pela forma antiga. Cada novidade corrigida, é só clicar no "adicionar ao dicionário". Mas cuidado: só clique quando tiver certeza ou souber como alterar a palavra. Eu não sei como tirar de lá uma palavra errada!



Escrito por Fernando Jares às 11h00
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]