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AMAR COM TERNURA EM 2009
Este é o 366º dia de 2008. Sim, um ano com um dia a mais, ano bissexto, um dia a mais, aumentando os bons ou os maus momentos, as certezas e as dúvidas. Que fizemos naquele 29 de fevereiro, o tal dia a mais? Mas, que importa agora? O dia a mais pode ser exatamente o de hoje, para viver um grande amor, uma experiência nova, um desafio desconhecido, uma grande dificuldade, uma grande comemoração, a preparação para um ano novo. Você, que está lendo este texto tem, sim, o que comemorar. Estamos vivos, ambos, eu, na hora que escrevo estas linhas, você, na hora em que as lê. Nossa visão funciona (mesmo que possa ter algum probleminha, como a minha), mas lemos bem. Estamos conscientes, capazes de acionar este maravilhoso equipamento que permite o contato entre o meu pensamento e sua liberdade de ler-me. Ah, e temos liberdade para isso! Então? Não há muito a festejar, a agradecer a Deus? E a melhor forma de festejar e agradecer a Deus é olhar para frente, buscando no passado, sabiamente, as melhores lições e os melhores exemplos daquilo que vivemos ou vimos viver. E amar. O que Deus mais nos estimula a fazer é amar, mesmo àqueles que não nos amam. E para isso temos de saber manejar a ferramenta do perdão. Saber amar com ternura. Pincei, de um artigo do Mons. Aderson Neder, na Voz de Nazaré, esta pista dada pelo profeta Miquéias, que viveu oitocentos anos antes de Cristo: "O Senhor já nos mostrou o que Ele quer de nós, a cada dia da vida: amar com ternura, praticar a justiça e caminhar, humildemente com Deus em nossa história" (Mq 6, 8). De nossa capacidade de amar, com ternura, depende o mundo em que vivemos. Está difícil, sim. Muito difícil. Este é um momento histórico gravíssimo. Há crises por todos os lados. Parece que as pessoas falham em cascata. Os grandes capitalistas erraram na conta da ganância/ganhancia e estão destruindo o sistema econômico mundial; as nossas autoridades, especialmente as locais, erraram nas políticas públicas implantadas e perderam o controle da segurança; as lideranças políticas dão plena demonstração de manipular interesses pessoais (deles) ou corporativos; até a justiça, grande esperança de todos nós, nos deixa perplexos com algumas decisões que favorecem a quem é publicamente condenado. Só o efetivo entendimento entre os seres humanos, com base no amor, pode nos ajudar a construir esse mundo novo com que os profetas sonharam desde sempre e que Cristo nos garantiu ser possível. E amar com ternura. Ternura de irmão, de filho, de pai, de mãe, de amigo, de vizinho, de colega, de esposo ou esposa, de desconhecido. Aqui pelas ruas de Belém e pelo mundo onde andarmos. Quando alcançarmos essa plenitude, os tempos estarão completos. A felicidade deixará de ser um momento fugaz em nossas vidas, para ser eterna para todos. Vamos aumentar a nossa dose de amor ao próximo. Ao ponto de nossa taça de amor transbordar e saciar aqueles que nos rodeiam. Com fé! Com otimismo! Feliz 2009!
Vamos comemorar a chegada do Ano Novo com poesia em duas dimensões. Algo bem leve. Inicialmente, um painel em que grandes líderes mundiais unem-se, na imaginação e no sonho de Pedro Galvão, poeta e publicitário dos melhores, para defender otimismo para 2009. E que o excelente J. Bosco deu forma gráfica. Está na fachada da Galvão Propaganda, onde o fotografei. A outra dimensão é um poema do grande Rodrigues Pinagé. Gosto muito dos versos dele. Romântico, apaixonado, satírico. Fez/faz muita gente sonhar, fez/faz muita gente sorrir.
Otimismo em 2009

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Folhinha do Anno, na parede
Meu doce amor: em nossa casa não tolero Folhinha do Anno, na parede Ellas têm a mania de contar, dia a dia, a minha vida a todo mundo!
Quem quer que passe pela rua, vê a tal Folhinha, branca e nua, mostrando, em algarismos descortezes, que já vivi mais nove mezes!
Não toléro! Sou contra esse processo. Seja doçura a vida, ou seja fel, quero viver, mas, não quero saber quanto vivi. Não incumbi a esses futeis pedaços de papel, de contar meus instantes de existência.
Vejam: Saio de casa, a vinte e nove, e se demoro, as vezes, quando chove, (por outra cousa, não!) a tal Folhinha não descansa!... É bastante eu entrar, já madrugada, e eil-a, a exhibir, interessada: - Quinta! 30 Não encommendei esse sermão!
Não ha genio sensato que tolére, Folhinha do Anno na parede! É mimoso o ornamento, mas... suggere A Morte encadernada, Bem vestidinha de papel impresso, Interessada em diminuir a vida...
Meu amor!... Quero a Folhinha atraz da porta, Bem recatada... Bem escondida... bem torta... e... tem piedade de mim!... bem atrazada!
Rodrigues Pinagé nasceu em Natal, em 1895 e veio criança para Belém, onde faleceu em 1973. Eu o conheci e tenho até um LP autografado, em que declama seus poemas. Teve uma longa e proveitosa vida intelectual entre nós, sendo jornalista, poeta dos mais queridos, tanto que em 1964 foi eleito, pela Academia Paraense de Letras, o Príncipe dos Poetas Paraenses. Começou carreira n'A Província do Pará, ainda em 1911, como tipógrafo, mas logo estava na redação. Este poema saiu em seu primeiro livro, Azas, de 1929. Respeitamos aqui a grafia com que o poema está publicado nas Obras Completas de Rodrigues Pinagé, da Cultural Cejup, de 1987. Pode não ser a original, pois há caso em que a mesma palavra aparece grafada de formas diferentes. Mas é interessante ver quanta diferença. E amanhã já entra em vigor outra reforma ortográfica...
Escrito por Fernando Jares às 17h30
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PELAS RUAS, PRAIAS E COMIDAS DE MOSQUEIRO
Para que não apareçam os que reclamam pela falta de posts gastroturísticos por aqui, vamos logo com dois deles. Neste, vou contar uma ida ao Mosqueiro. No seguinte, uma aventura bem mais distante das minhas habituais andanças pelas ruas de Belém: em terras paulistanas. Mas ambas com vocação bastante popular. Na semana passada estive no Mosqueiro, desta feita com a Lara e o Jason, em tour sentimental de quem ama esta terra. Passeio pela ilha, que vem a ser um distrito de Belém, incluindo a Igreja Matriz, para conhecer pessoalmente, eu só a vira em fotos, a nova imagem de Nossa Senhora do Ó, que aparece grávida, e já foi objeto de post neste blog. É bonita mesmo, trabalho de primeira categoria. Parabéns ao artista que a esculpiu, ao Pe. José Maria Ribeiro, que o localizou e aprovou o trabalho, e aos católicos de Mosqueiro, pela bela imagem da padroeira. Depois, às tapioquinhas e aos mingaus. A barraca da Dalva estava fechada e ficamos em outra, vizinha. Minha dedicação quase religiosa às tapiocas da Dalva e a lembrança do mingau do Tutu, comprometem o melhor esforço de qualquer concorrente. Mas, comemos bem. Afinal, tapioca de Mosqueiro é sempre muito boa. Uma curiosidade: a quantidade de abelhas, viciadonas no cafezinho. Já viu isso? Bastou colocar um copo para elas no balcão e tirar os copos da nossa mesa, que elas mudaram-se. Passeios outros e lá fomos para a praia do Paraíso, minha preferida de muitos anos, embora prejudicada pela invasão imobiliária no pedaço. A água estava beleza e quem gosta lá meteu-se nela, um público pequeno, bom de conviver. Havia até uma família judia, acho que ele seria rabino, tomando banho rigorosamente dentro das práticas que lhe prescrevem a religião. Bonito. Teve chuva e não saímos de lá - tem coisa mais gostosa do que pegar chuva em praia de rio? Por causa dos chuviscos o almoço foi no restaurante do Hotel Fazenda Paraíso, debruçado sobre a praia. Da última vez que lá almocei, o famoso pescadão frito, na telha, não havia correspondido, como registrei em post anterior. Mas confiamos. Pedimos também uma pescada com molho de camarão.
Hallelujah! (do Messias, de Handel) seria uma boa trilha sonora, até por ser a semana do Natal. O peixe estava delicioso. Na verdade os peixes, pois eram dois pescadões, que já começaram enchendo os olhos (confira na foto abaixo) e depois agradaram com ternura o paladar, oferecendo aquele sabor resultante do equilíbrio da arte de temperar, onde cada elemento entra na quantidade exata, com a técnica de fritar, alcançando uma crosta torradinha, que eleva a salivação (até agora, quando escrevo...), mas com o interior do peixe cozido como é de se desejar. Foi bola dentro, inclusive nos acompanhamentos, como a farofa. A pescada ao molho de camarão também estava supimpa, como diria o meu avô.

Os pescadões do Paraíso. Sem trocadilhos. Mas até merecedores.
Escrito por Fernando Jares às 01h43
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EU COMI A “MORTANDELA”!
 Os famosos vitrais do Mercado Central de São Paulo.
A revista Veja elegeu o Mercadão, de São Paulo, como uma das 500 grandes atrações do país para sua publicação O Melhor do Brasil. E eu, que ando por SP há muitos anos, até já passei lá diversas férias, nunca tinha ido ao grande Mercado Central, que já foi até estrela de novela, com a barraca do Juca, em A Próxima Vítima. Mas fui lá há alguns dias, num pulo que dei em SP. É efetivamente um mundo fantástico. Tudo é gigantesco. Um folheto dos fruteiros anuncia: "Tem tanta Qualidade e frutas de tantos países, que dá para chamar de Salada de Frutas Globalizada!" Só de barracas com alimentos, condimentos e todo tipo de variante, são mais de 300. O bacalhau era de dar água na boca, pela espessura das peças - e mais barato que o fininho que a gente encontra aqui... Diz a Veja que é "onde os chefs estrelados se abastecem". O prédio tem belezas como esses vitrais que vemos acima. Pra você ter uma idéia da importância e do volume do que acontece por lá, a revista Playboy anunciava: "Confira de perto o recheio da edição de dezembro. Só aqui, no mercadão, você autografa sua Playboy com as Coelhinhas oficiais". Isso mesmo, as coelhinhas foram lá, na revistaria do Box 31. Mas não foi no dia em que eu fiz esta visita... Talvez a atração mais popular do Mercadão esteja no mezanino, onde ficam os restaurantes: os pastéis de bacalhau e os sanduíches de mortadela. Muita gente por lá fala "mortandela", que juram ser mais gostosa do que a mortadela do dicionário. O curioso é o há até fórum discutindo o assunto. Veja neste do Yahoo! Respostas. Mas, voltando a minha aventura gastronômica. Fui firme. O pastel foi do Hocca Bar, indicado pela Veja, que achei um tanto seco, precisava de mais azeite, que não estava disponível nas centenas de mesas existentes. O sand foi do Mortadela Brasil, que vem com um pouco de queijo. Olha, que não sou fã de mortadela, ou melhor, não era. Quando vi o tamanho, achei que ia só provar... Mas tracei o sanduba inteirinho. É gostoso mesmo. Delícia! Uma "mortandela" como eu nunca provara, provavelmente porque sempre comi mortadela... E combinou beleza com uns chopes. Quando você andar pelas ruas de SP, reserve um tempo para um passeio até o Mercadão. Fui no domingo, tipo 13h, quando o movimento estava um pouquinho menor, mas ainda era gente pra caramba.
1 2 O conjunto da obra (1) e o sanduíche de mortadela em detalhe (2).
Escrito por Fernando Jares às 01h11
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FELIZ NATAL A QUEM ANDA, VIVE OU SONHA, PELAS RUAS DE BELÉM
Nesta véspera de Natal, deixo aos visitantes deste blog dois poemas de autores nossos, de dois tempos bem diferentes. O primeiro é da grande Eneida (de Morais), paraense, nascida nesta Belém, em 1903, aculturada fora (Sion, de Petrópolis) e aqui mesmo (Gentil e Faculdade de Odontologia). Mas o que melhor sempre fez foi escrever, poemas, crônicas, contos, reportagens, tanto em jornais locais como do Rio de Janeiro, onde viveu muitos anos, até morrer, em 1971. Mas nunca esteve ausente da cidade que sempre amou e muito divulgou. Fez política, foi presa, foi companheira de cárcere de Graciliano Ramos, que a cita em Memórias do Cárcere. Em seu primeiro livro Terra Verde, de 1930, há um Poema em que ela descreve os sinos de três grandes igrejas de Belém, que na noite de Natal anunciavam a chegada do Menino Jesus. A escolha deste texto é, especialmente, uma homenagem aos sinos de dois desses templos, que estão mudos, em obras de restauração que se arrastam e arrastam. O segundo é de um poeta nascido em Santos, mas que, literalmente pelo amor, quando experimentou andar pelas ruas de Belém com a sua Luiza, paraense que ele veio conhecer aqui, optou definitivamente por esta cidade, isso desde os anos 70 do século passado. Ela é uma pianista e tanto! Ele é autor de renome nacional na literatura infantil - seus livros estão no Submarino, na Saraiva, nas Americanas.com, etc. Foi também publicitário (trabalhamos juntos na Mendes Publicidade) e professor na Escola de Comunicação da UFPA. Mas, acima de tudo, é um poeta de estilo agradável. Seu primeiro livro de poesias é de 1971, O Caminho do Cais. É deste livro que vem o Poema de Natal que está mais abaixo. Ambos os poemas com que desejamos Feliz Natal, pinçamos tal qual estão na publicação Festas, de 1992, com que a Editora Cejup, de Gengis Freire, presenteou os seus clientes e amigos naquele final de ano.
Que o Menino Jesus que renasce a cada ano na noite de 24/12,
renasça, pra valer, em todos os nossos corações e neles habite para sempre.
Poema Eneida
O sino da Sé pousado, lento, sonolento, de cabellos brancos, - velhinho vestido de tradições - elle que vio tantas gerações, curvado, e enrugado canta devagarinho: "Be-lem... Be-lem.."
O sino de Sant'Anna mais moderno, mais leve, mais esguio, Ainda tem cabellos pretos. - Não é velho nem é moço - Sorri ainda, e ainda espera Sino que canta numa voz sincera "Belem... Belem..."
O sino de Nazareth moderno, elegante, perfumado, rico, risonho, feliz, contente põe arrepios na alegria da gente! É o sino da mocidade e da alegria: Belém... em... em... em...
Sinos festivos da minha cidade onde tudo canta!
Poema de Natal Milton Camargo
I
Deitado nessa manjedoura, meu filho, pobrezinho. Eu preparei um colchão macio, um lençol de linho.
Eu bem falei a José que isto podia acontecer. Meu filho, como será quando você crescer?
II
No meio da palha nasceste, Jesus. Cresceste entre os pobres, morrestes na cruz.
Minha alma é tão pobre, tão cheia de mal. Por isso ela serve para o teu Natal.
Escrito por Fernando Jares às 17h47
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UM TIGRE NO CÉU

O jornalista Isaac Soares, o primeiro à esquerda, em um jantar em que o Banpará homenageava a Mendes Publicidade, em 02.07.1976. Estou em frente ao Isaac, ambos atentos ao que dizia o jornalista e radialista Orlando Carneiro. Ao fundo, a partir da esquerda, o presidente do Banpará, João Elias Nazaré Cardoso, e os jornalistas Romulo Maiorana, Roberto Jares e Linomar Bahia.
Tomo emprestado o título que O Liberal usou na capa da edição de sábado (20/12) e como selo em páginas internas, para anunciar a morte do jornalista Isaac Soares, ocorrida na sexta-feira. Muitas figuras importantes da cidade manifestaram-se ao longo destes dias, para registrar a personalidade exemplar desse cidadão paraense, que foi advogado, político e jornalista, em atividades sempre comprometidas com o público. Praticamente não deve haver ninguém pelas ruas de Belém, aqui nascido ou aqui vivente há anos, que não saiba quem é Isaac Soares. Ou Tigre, quase um heterônimo por ele criado, que nominou grandes promoções sociais nesta cidade. Conheci pessoalmente o Isaac há, sei lá, uns 35 anos ou mais, provavelmente. Mas antes, ainda jovem e interessado em política, acompanhei sua vitoriosa carreira. Foi vereador e vice-prefeito. Em 1964 tomaram-lhe o cargo, apenas porque era do partido que pretendiam exterminar. Mas o Isaac, todos sabiam, era um homem sério. E a sociedade tratou de demonstrar isso, sempre, muito claramente. Homem de relacionamento grande e qualificado, foi convidado a escrever na Folha do Norte, saindo-se muito bem. Depois passou para o Liberal e nessas páginas militou por dezenas de anos, até o final, quando já não podia ir lá, escrever os textos. Mas o jornal respeitou sua vontade de ser, de existir como jornalista, mantendo viva a griffe que ele criou e deu longa vida. Tivemos muitos contatos, inclusive quando ele foi o dirigente do escritório local da Bloch Editores, cujo grande destaque era a revista Manchete, e eu trabalhava em publicidade. Outros contatos inúmeros, quando eu fazia assessoria de imprensa e fornecia informações para sua sempre preciosa coluna. "Sair no Isaac" sempre foi símbolo de prestígio, de status na sociedade. Agora o velho e querido Isaac se foi. Junto meu pranto ao de tantos outros. Teve perdas grandes, de cargos, de amores, de quereres, mas sempre sorriu. Quem convivia com ele, no dia-a-dia, diz isso com a emoção saltando aos olhos. A quem, como eu, o via só de vez em quando e, ultimamente, bem muito menos vezes (acho que a última vez, foi em uma confraternização do Sindicato dos Jornalistas), sempre agradavam a forma elegante e simpática dele ser, dele tratar as pessoas, dele sorrir.
Escrito por Fernando Jares às 17h37
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40 ANOS DE UM LANÇAMENTO QUE NÃO HOUVE

Há 40 anos, em um dezembro, um livro reunindo poesias de um grupo de jovens, ia ser lançado em Belém. Não o foi. Seria lançado em um happening, como se dizia na época, na praça da República, com presença de escola de samba, conjunto de música jovem, banda de música, artistas da terra e os jovens autores. Seria no dia 14 de dezembro, um sábado. Mas não foi. Porque 14 de dezembro foi o dia seguinte ao AI-5 e tudo ficou proibido, muito especialmente, eventos públicos pelas ruas de Belém - e de todo o Brasil - promovidos por jovens, com música, para lançar poesia. Quantas coisas "subversivas" juntas! Era uma ameaça à "segurança nacional"! Tudo foi mudado: um novo dia, 24, véspera do Natal, não mais com happening, mas com Missa campal, no Largo da Trindade, às 17h. Mas, como persistiam a poesia, os jovens universitários e, quem sabe, até alguma música (embora sacra), os militares resolveram atacar o "problema" na raiz. Foram à gráfica (Grafisa) e confiscaram os livros todos. Sem livro, não haveria lançamento. Não haveria "subversão". O LIVRO O livro era o Cantação, uma antologia de novíssima poesia paraense, reunindo jovens universitários, primeiro volume de uma imaginada série Cadernos da Cultura Universitária, editada e organizada pelo Diretório Acadêmico de Direito. Mário Cláudio Tavares era presidente do Diretório e Gengis Freire o coordenador do Departamento Cultural, responsável pela edição. A apresentação era feita pelo Pedro Galvão de Lima, jovem publicitário, que em 1964, como presidente da UAP (União Acadêmica Paraense), escrevera a orelha-apresentação de Tarefa, primeiro livro de João de Jesus Paes Loureiro, que seria lançado no dia 2 de abril do fatídico 1964. Mas não foi. Porque 2 de abril foi o dia seguinte ao golpe militar, que invadiu a sede da UAP e confiscou os livros todos. Mas já estou entrando em outra história. Falaremos disto em outro momento. Os autores de Cantação eram, por ordem alfabética: Carlos Queiroz, Fernando Jares Martins, Gengis Freire, José-Arthur Bogéa, José Maria de Villar Ferreira, Lúcio Flávio Pinto, Rosenildo Franco, Sérgio Darwich, Walter Pinheiro. Para contar mais detalhes sobre este lançamento (que afinal não aconteceu), cedo o espaço para a Lana, a sempre lembrada Elanyr Pessoa Gomes da Silva, com sua coluna Em Tom Maior, em A Província do Pará, de 08/12/1968, que publicou, inclusive, pequenos trechos dos poemas censurados e embargados.
A CANTAÇÃO DOS NOVOS POETAS
Um livro esperado há muito tempo - "Cantação", antologia da novíssima poesia paraense - vai ser finalmente editado pelo Diretório Acadêmico de Direito e lançado no próximo dia 14, na Praça da República, em um "happening" de que participarão escolas de samba, conjuntos de música jovem, bandas de música, além de um "show" com a presença dos jovens compositores da terra. Da antologia fazem parte os poetas: Carlos Queiroz, Fernando Jares Martins, Gengis Freire, José Arthur Bogéa, José Maria Villar, Lúcio Flávio Pinto, Rosenildo Franco, Sérgio Darwich e Walter Pinheiro. Sobre essa realização, procuramos ouvir a opinião de um dos participantes da antologia, o universitário Gengis Freire, POR QUE "CANTAÇÃO"? O nome foi escolhido porque expressa uma ação plural, quase coletiva, e o livro - para início de conversa - além de ser uma antologia em que estão reunidos vários poetas universitários, não é mais de que um esforço de todos nós para que seja despertado em nossa terra um interesse mais significativo pela poesia. Além do mais, como já disse, o livro é uma antologia de poetas jovens, comprometidos, portanto, com o seu tempo e conscientes dos problemas de seu povo. E "Cantação" traduz exatamente aquilo que esses poetas, coletivamente, quiseram expressar: a luta pela liberdade, pela paz e por todos os direitos fundamentais do homem, tão ameaçados e vilipendiados. QUAIS AS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA ANTOLOGIA? Sou suspeito para falar, Lana, porque há trabalhos meus incluídos no livro. E, além do mais, acho que não se poderá fazer um juízo definitivo da qualidade ou da validade dos poemas, uma vez que a antologia é, fundamentalmente, uma antologia de circunstância, onde deverão necessariamente estar colocados bons poemas ao lado de maus poemas, de autores que são poetas e até mesmo não poetas. Isso, é claro, não tira, por si só, a validade do livro. Mas apresenta uma característica que eu acredito importantíssima: alguns dos poetas que fazem parte de "Cantação", apesar de exercerem com seriedade e honestidade o ofício da poesia, ainda procuram um caminho, ainda pesquisam uma expressão adequada para a sua arte. Eu, principalmente, acho que devo me incluir nesse caso. EM RELAÇÃO À "CANTAÇÃO", QUAIS SÃO AS TENDÊNCIAS DA POESIA NA AMAZÔNIA? Já foram várias as tentativas de se fazer, na Amazônia, uma arte não só bem informada de nossos problemas, inerentes ao subdesenvolvimento, mas também recriando, em termos artísticos válidos, a realidade amazônica. Na poesia, que eu me lembro, isso já foi (e continua sendo) tentado pele Ruy Guilherme Barata,, sobretudo no poema "O Nativo'*, ainda inacabado; pelo Élson Farias, em toda sua obra; por João de Jesus, a partir das "Cantigas", sem falar nos poemas ainda inéditos do "Click dos Cânticos", em que JJ trabalha atualmente. Ah, ia esquecendo o Bruno, que, apesar das condições peculiares em que produziu, deixou uma obra em que a Amazônia está sempre presente. Em "Cantação", esse esforço continua. Exemplo: as "considerações sobre o rio", de Sérgio Darwich, poema em que se nota a pergunta formal tem uma finalidade única: fazer uma poesia tipicamente amazônica, não se preocupando o poeta unicamente com o tema ou o vocabulário, mas também com a sintaxe na reconstrução do verbo. E A APRESENTAÇÃO GRÁFICA? A capa, uma montagem fotográfica sobre fundo negro, é de Berenice Carvalho. A composição e impressão foram feitas na Grafisa, aliás, um trabalho muito bom. Galvão de Lima assina a introdução. O livro, depois do lançamento aqui, vai ser lançado em Manaus e Vitória. DEPOIS DESTA ANTOLOGIA, HÁ PROJETO DE LANÇAMENTO, PELO DAD, DE OUTROS LIVROS? Depois da antologia, nós pretendemos publicar, logo no início de 1969, uma coletânea de contistas novos, dentro da série "Cadernos de Cultura Universitária", cujo primeiro volume é "Cantação". Mas aí, nessa segunda publicação, não estarão apenas universitários, mas todos os que, de uma forma ou de outra, representam as novas tendências do conto no Pará.
"MOSTRA DA CANTAÇÃO"
Mulheres da missa o sigilo nesta praça só é válido para o amor. Trazei convosco vestígios da última aventura, a do sábado gordo, por exemplo, -------------------- Mulheres da missa a hora avança. Breve sereis ninfas e não arcanjos. Mulheres da missa, Urgente! (José Maria Villar - "Mulheres da Missa")
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Até quando, Víetnam? Talvez até novembro, talvez até janeiro, Até. qualquer dia, talvez. Até quando os homens se cansem de matar, Até quando a morte cansar os homens, Até que a lágrima se dissolva. (Lúcio Flávio Pinto - "Vietquando")
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Há um lado ocidente e doutro lado o sol nascente. Por isso há trigo e há fome há pão pelas ruas pedindo preço, há uma vida sem preço pedindo pão. (Walter Pinheiro - "A criação do mundo"
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Serão adultos esses meninos Que desenham no arrebol O retrato verdadeiro do fruto Eles renovam a humanidade O toque de alvorecer Da rubra corneta vietnamita (Carlos Queiroz - "Ciclo asiático"
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De repente alguém sobre no palanque do tempo: "- Aos lavradores: o arado "- Aos andarilhos: o sol "- Aos amantes: as estrelas "- Ao povo: os fuzis da verdade e da primavera!". (Rosenildo Franco - "Os Pássaros"
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Só então posso amar-te, vencer tua cidadela e beijar por toda parte teu corpo de mar-e-vela - abstrato aquário exato, leque limpo de granito, solitário como um ato de momento e de infinito. (Gengis Freire - "A Cidade")
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Nós os malditos os que nasceram do acaso e não da paixão vivemos o dia que amadurece em raízes falhadas para o eterno. Somos o gesto que murchou sobre si mesmo como um pássaro tomba sobre sua própria sombra -------------------- Nós os malditos cansados hóspedes da madrugada. (José-Arthur Bogéa - "Poema-Manifesto")
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No mesmo instante, o medo espalha suas manhãs de ódio e as notícias se sucedem num desmaiar O homem é morto! nada mais. (Sergio Darwich - "VI Elegia")
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Entre estrondos e raios, bombas tiros e rajadas, ele cresce! cresce e amanhã será homem cresce e amanhã será vietnamita. (Fernando Jares Martins - "Canto a uma criança que cresce")
30 ANOS DEPOIS Em 1998, quando o lançamento que não houve completou 30 anos, Lúcio Flávio Pinto comentou o acontecimento no seu Jornal Pessoal 199, da primeira quinzena de novembro:
Reminiscência dos anos negros
Cantação, uma antologia reunindo jovens poetas paraenses, seria lançada na semana do natal de 1968, 30 anos atrás. O livro foi impresso e uma missa campal, que seria realizada no final da tarde, no Largo da Trindade, foi encomendada pelo promotor do acontecimento, o Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Agentes da Polícia Federal chegaram antes: mesmo sem convite, ficaram com todos os exemplares do livro, recolhidos na gráfica. Não houve festa nem poesia. Os poetas, como sempre alertou Sócrates através da pena de Platão (ou este, usando a memória de Sócrates) são perigosos. Eles sonham. Os ditadores, sofisticados ou não, detestam quem sonha. Os federais, que provavelmente não leram nenhum dos dois filósofos, deram-lhes razão com seus atos. O livro foi formado com poesias de Carlos Queiroz (hoje o cronista-mor da noite popular, nas páginas do Diário do Pará), Fernando Jares Martins (assessor da Albras), José Arthur Bogéa (professor de literatura e crítico literário), José Maria Villar (se aposentou da Secretaria de Agricultura?), Rosenildo Franco (publicitário, recém-retornado da Bahia), Sérgio Darwich (continuará advogando em Rondônia?), Walter Pinheiro (veterano técnico da delegacia do MEC) e este recalcitrante repórter (poeta e socialista é preciso ser na juventude, sem que a maturidade imponha o cinismo até a velhice, fazendo os "convertidos" atravessar os anos negando o que foram). Quando a PF fez o seu arrastão anti-literário eu já estava morando em São Paulo. Soube, por carta, da apreensão. Vários anos depois, já de volta a Belém, vi um único exemplar do livro, nas mãos da Elanir Gomes da Silva, a nossa Lana. Tentei convence-la a me presentear com a raridade. Não tive sucesso. Ela prometeu tirar uma cópia xérox, mas ficou na palavra. O livro perdeu-se nas prateleiras, é sua justificativa. Comprometi-me a ir ajudá-la a procurar, mas a expedição tem sido transferida para um futuro incerto e não sabido. É melhor que seja assim? Talvez. Pelo menos no meu caso, as três poesias que os organizadores do livro incluíram na antologia tem apenas valor sentimental (uma das quais descaradamente nerudiana). Resta o consolo desta nota para registrar o 30º aniversário do nosso Cantação, o mais inédito dos livros de poesia já publicados no Pará, graças as críticos literários - muito bem armados, aliás, para a tarefa - dos tempos do obscurantismo.
40 ANOS DEPOIS Não mais que meia dúzia de livros foram salvos do assalto militar à cidadela cultural grafisiana e hoje são mesmo uma grande raridade bibliográfica. Mas o que importa é que as mentes sobreviveram. Com uma única exceção, do José-Arthur Bogéa, que já se foi, todos os demais continuam produzindo. Aposentados, muitos de nós, mas produzindo, e muito, e bem, cada um na sua especialidade. Não sei onde andarão os que levaram os livros, nem sei o que fizeram com os livros. Algumas idéias mudaram, daquela juventude para a maturidade de hoje. Alguns desistiram da lide poética (eu hoje, muito pouco faço de poesias, e essas poucas são sempre dedicadas a mesma musa, que me acompanha desde pouca coisa depois dessa aventura livresca). Fiz hoje pela manhã, junto com o Lúcio Flávio, uma recapitulação de por onde andam estes escribas pelo mundo. Ele, Lúcio, referência jornalística mundial quando o assunto é Amazônia, está em fase cada vez mais produtiva; Gengis Freire é livreiro, com os altos e baixos dessa profissão, já foi proprietário da saudosa A Província do Pará; Carlos Queiroz, aposentado, continua produzindo, não devendo ter deixado de lado as lebres que cobria (jornalisticamente); José Maria de Villar Ferreira, depois que se aposentou parece produzir ainda mais; Rosenildo Franco é nome consagrado nacionalmente na publicidade e brilha no elenco da Galvão Propaganda; Sérgio Darwich está no Rio de Janeiro; Walter Pinheiro, também aposentado, continua ativo na produção literária. Este escriba, recém-aposentado, vivendo seu período sabático a que todos devem ter direito, escreve estas linhas. Ufa! Para um livro que era para ter saído da história, até que o Cantação tem muita história. Valeu, turma! Agora, a capa do livro:

Escrito por Fernando Jares às 19h38
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DOMINGO, CAMINHADA PEDE PAZ

Neste domingo, 21/12, vamos todos participar de uma grande Caminhada pela Paz, pelas ruas de Belém. Um alerta às autoridades, uma manifestação de insatisfação do povo belenense, diante da descontrolada escalada da violência. A concentração é na praça da República e o destino é a praça Santuário de Nazaré. Os participantes estão sendo estimulados a vestir roupas brancas ou pretas, uma forma de simbolizar o luto pelas pessoas que são assassinadas diariamente na cidade. Mas pode ir como puder. Muitas entidades e igrejas estão confirmando participação e anuncia-se a presença do Arcebispo de Belém. A ilustração acima foi pinçada de um anúncio do jornal Diário do Pará. SOLUÇÃO - A polícia acaba de anunciar uma prisão que desvenda o assassinato do médico Salvador Nahmias. Um fato a meditar: todas as vezes em que há grande repercussão e cobrança da sociedade, os crimes são rapidamente esclarecidos. Deve ser coincidência. CAOS URBANO - Colaborando com o caos do trânsito, hoje pela manhã, um grande número de carros novos da polícia desfilou em carreata pela cidade, em atividade nitidamente promocional, tocando sirenes, gastando combustível, etc. Tinham chapa de diversos municípios. Umas três horas depois de passarem pela Alcindo Cacela, a bandidagem aproveitou a euforia da polícia a festejar os novos carros: dois estabelecimentos foram assaltados, na esquina da João Balbi. De moto, os ladrões levaram note-book, impressora, celulares, etc.
Escrito por Fernando Jares às 23h39
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SAUDADES DO VELHO BURACO

O trânsito em Belém é complicado por muitas coisas, uma delas, com certeza, é o número de carretas e caminhões que circulam em qualquer lugar. Não há restrições e, se as há, não há quem as faça cumprir. Ontem pela manhã, uma gigantesca carreta, daquelas de dois corpos, transitava pela av. Nazaré, por volta de 13h. Já vi enormes caminhões na Cidade Velha, subindo em calçadas, depredando nosso sofrido Centro Histórico. Um pouco antes, 12h30, fotografei um monumental trio elétrico em plena av. Presidente Vargas, na Praça da República, berrando em alto som, ensurdecedor! Com uma agravante: parava de vez em quando, como em frente à banca do Alvino, para saudar o mais famoso jornaleiro da cidade, e em frente ao Bar do Parque, aparentemente para vender CDs. Tudo isso anunciado pelo locutor, que cumprimentava pessoas, avisava que ia parar (provavelmente para que os carros não ficassem atrás dele...), pedia isto ou aquilo. Os mais velhos coisinha pouca (para lembrar o estilo de Edwaldo Martins) devem lembrar do que eu lembrei: do Buraco, o lendário Manoel Gaspar, que circulava pelas ruas de Belém, fazendo propaganda de lojas, saudando todos os que conhecia, etc. Só que era em um Fusca, lá pelos anos 60 do século passado. O trânsito era muitíssimo menor e ele só tinha duas bocas de ferro, pequenas, sobre seu carrinho. Que saudades do Buraco, diante da agressão sonora que sofremos hoje.
Escrito por Fernando Jares às 15h26
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NOSSA SENHORA DO Ó EM MOSQUEIRO
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(1) Nossa Senhora do Ó, em Mosqueiro e (2) uma Nossa Senhora também gestante, em Paris.
Hoje, 18/12, é o dia de Nossa Senhora da Expectação do Parto, aquela imagem que representa Maria grávida, nos últimos dias que antecedem o nascimento de seu filho Divino, que se comemora em 25 de dezembro, exatamente uma semana depois. Este registro prende-se ao fato de que agora, para quem anda pelas ruas de Belém, existe a possibilidade de ver uma imagem publicamente venerada dessa denominação da Mãe de Cristo, na igreja matriz da vila de Mosqueiro. Esta imagem tem outros nomes, como N. S. da Esperança ou N. S. do Ó, pelo qual é mais conhecida no Brasil e denomina a matriz da vila. A representação da Mãe de Deus gestante era habitual até o início do século XX, quando houve uma campanha contra a exibição da gravidez de Maria, sob a alegação de que, falando-se na virgindade permanente da Mãe de Jesus, pareceria estranho ser representada com o ventre dilatado. Por causa disso, as imagens quase sumiram dos altares no mundo. Movimento semelhante ocorreu em relação à N. S. da Lactação ou do Leite (de que há uma imagem belíssima no Museu de Arte Sacra). Eu tive a oportunidade de ver uma imagem desta Senhora da Expectação na catedral de Notre Dame, em Paris, onde fiz a foto que está acima, à direita, isso em 1997. A barriguinha era pequena, mas era muito fotografada pelos turistas. Existem outras na Europa, como na Sé de Évora, em Portugal, que tem uma mão sobre o ventre. O atual pároco de Mosqueiro, Pe. José Maria Ribeiro, decidiu resgatar o antigo culto à gravidez de Maria, em oportuna homenagem às mulheres e aos dilemas que hoje envolvem a concepção e a manutenção da vida dos fetos, e conseguiu que a imagem fosse esculpida aqui mesmo em Belém, em cedro, pelo artista paraense Afonso Falcão de Oliveira. A foto, publicada no jornal Voz de Nazaré, está aí em cima, à esquerda. Tem 60 cm. de altura e detalhes interessantes, como o rosto e as mãos inchadas, algo comum entre as mulheres neste estágio da gestação. Existem muitas explicações para a denominação "do Ó", como comumente usada no Brasil, entre elas a de que a letra representa o ventre dilatado das grávidas, ou o infinito, pois é a Mãe de Deus e de todos os homens, por todo sempre, o que se representa por uma letra que não início nem fim. Mas a justificativa mais conhecida é de que o "Ó" vem das antífonas do Magnificat, alusivas à vinda do Senhor, cantadas nestes dias na igreja católica, mas também às ladainhas, tão ao gosto brasileiro, com que se homenageia a Mãe do Salvador.

Domingo passado foi a "estréia" da nova imagem de Nossa Senhora do Ó, no Círio de Mosqueiro. Aí esta ela, em sua berlinda, em bela foto de Marco Santos, na capa do Diário do Pará, de 15/12/2008.
Escrito por Fernando Jares às 13h52
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EXTERMÍNIO DAS PESSOAS DE BEM
A cidade está assustada com o extermínio das pessoas de bem e com a desenvoltura com que agem os bandidos, que sobrepujam as forças da segurança, assassinando quem querem, de conhecidos profissionais a anônimos jovens. Quem vive honestamente, estudando, trabalhando, conquistando alguma coisa na vida, está na lista dos condenados, na mira de perigosos bandidos que circulam com tranqüilidade, sob o olhar complacente de quem os deveria trancafiar. Em plena época de Natal, em Belém, mata-se um Salvador, nome mais que justo para um homem que tantas vidas salvou e que muitas ainda haveria de salvar. Foi morto apenas porque os bandidos não conseguiram pará-lo para o assalto. Ele não reagiu, apenas fugiu - e foi morto pela raiva ou pelo prazer de matar, por alguém que pode estar andando ao seu ou ao meu lado, pelas ruas de Belém. Não é dessa Belém que este blog gostaria de tratar. Mas é preciso falar. Quantas pessoas que você conhecia, entre famosos e quase anônimos, foram assassinadas nestes tempos? Eu tenho a minha lista. As pessoas de bem e do bem vão sendo eliminadas, exterminadas. Diante desse quadro de caos, espera-se um pronunciamento da autoridade eleita para cuidar de nossa segurança. Apenas o Secretário de Segurança, e somente hoje, concedeu uma entrevista sobre o assunto. Não, não foi só ele. A Assembléia Legislativa publicou hoje um surpreendente anúncio assinado pelo presidente da casa. Surpreendente porque, ao invés de anunciar medidas para nos garantir a segurança, com leis urgentes que ajudem a coibir o morticínio das pessoas de bem, limita-se a merecida homenagem ao cardiologista Salvador Nahmias, que era médico da casa. E afirma que, "neste momento de perda irreparável e despedida, é a fé que nos fortalece, para continuarmos serenamente o nosso dia-a-dia". Problema transferido para Deus, embora Ele não esteja citado. E quem não tiver fé, não terá como continuar. O mais surpreendente, no entanto, vem a seguir, quando é anunciada uma ação: suspensão do expediente nesta data, no Departamento de Bem-Estar Social da Assembléia, uma vez que seus "servidores estarão de luto". A cidade clama ao poder público por ações efetivas, ações que enfrentem o problema de frente, inclusive das polícias, que agora fazem minigreves de um dia, de dois dias, quase toda a semana.
Escrito por Fernando Jares às 23h34
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PAULO MARTINS VENCE NA “QUEM”
PAULO MARTINS VENCE O PRÊMIO QUEM ACONTECE - GASTRONOMIA
A revista Quem anunciou, em seu site: Paulo Martins, do restaurante Lá em Casa, de Belém, foi eleito o Melhor Chef do país, conquistando o Prêmio Quem Acontece 2008, na categoria Gastronomia. A festa de consagração será em 16 de dezembro, no Hotel Fasano, no Rio, com direito a muitas celebridades. São 20 os eleitos, em 20 categorias de televisão, cinema, teatro, música, gastronomia, literatura, moda e esportes. A gastronomia é do Pará! A votação foi pelo público de todo o Brasil (pela internet), durante o mês de novembro e os indicados, que concorreram ao título em cada categoria, foram selecionados por um júri de 24 especialistas. Você pode ver fotos desses destaques nacionais na Galeria dos Vencedores. O Paulo Martins está na página 5, junto com a vencedora de Literatura, a escritora Bruna Beber e do primeirão dos Esportes, o goleiro Marcos. Só tem famosos na lista. Esta conquista é de todos que se mobilizaram para fazer chegar à vitória e homenagear um paraense que tem dedicado grande parte de sua vida a divulgar nosso Estado, por todo o Brasil e no exterior, mostrando a nossa cultura e nossa criatividade - além de ser um inovador nato, o grande renovador da culinária paraense.
Escrito por Fernando Jares às 17h40
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40 ANOS DA VISITA DE JK
UMA APOTEOSE PARA JUSCELINO EM BELÉM
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O ex-presidente JK quando falava para a Rádio Clube do Pará, ao vivo, pelo telefone (foto 1). Estou ao lado dele. A foto é de A Província do Pará e também aparecem Mário Chermont, o jornalista Rubens Silva, Newton Miranda, José Luis Coelho, entre outros. Na foto 2, o mesmo momento, na Folha Vespertina. Todo mundo de paletó e gravatas fininhas.
Há 40 anos, em um dia como hoje, 11 de dezembro, entrevistei Juscelino Kubitschek, como repórter da Rádio Clube do Pará. Primeiro foi por telefone, ao vivo, na sua chegada ao Hotel Grão Pará, na praça da República, na época, o melhor de Belém. Pouco depois, em seu apartamento, fiz uma exclusiva em que conversamos, principalmente, sobre política internacional - seu nome era citado como possível candidato ao posto de Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos. Ele condicionou a exclusiva a não tratar da política nacional e, graças a Deus, eu conhecia bem política internacional... Entre uma entrevista e outra, participei, como convidado, de um almoço onde JK foi homenageado por políticos paraenses. Entre eles, nomes tradicionais, como Aurélio do Carmo, Newton Miranda, Moura Carvalho, Moura Palha, Laércio Barbalho, José Luis Coelho e jovens como Mário Chermont, Fernando Velasco, Jader Barbalho. O deputado Arnaldo Morais Filho, que fez a saudação oficial pelos políticos emedebistas (o partido de oposição era o MDB) e Elias Ribeiro Pinto, prefeito recém-cassado de Santarém, em episódio estritamente político e muito conturbado, que fez um duro discurso, em nome dos políticos do interior do Estado. JK veio a Belém para ser o patrono dos formandos de 1968 da Faculdade de Medicina da Universidade (Federal) do Pará, cerimônia que aconteceu no ginásio do Clube do Remo. A recepção a JK foi um momento extraordinário. Soldados na Aeronáutica não conseguiram conter a multidão que invadiu a pista e carregou JK até o carro. O deslocamento até o centro, pelas ruas de Belém, foi apoteótico (a primeira carreata de que participei - e nem se chamava assim). Mereceu páginas inteiras dos jornais no dia seguinte. O Liberal não titubeou: três fotos de meia página, uma da carreata (foto3), na capa do segundo caderno e duas na última página do mesmo caderno, com o título "Juscelino recebeu a gratidão do povo" e JK cercado pela multidão (e eu estou em uma das fotos, a 4). A legenda, reproduzimos abaixo das fotos.
3 4 "Carregado nos ombros pelos jovens universitários paraenses que romperam cordões de isolamento e foram buscá-lo à porta do avião da Vasp que o trouxe, chegou ontem a Belém o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Recebido por grande massa composta de amigos, de admiradores e do povo. JK desceu do avião, como sempre, muito sorridente, sendo logo cumprimentado por alguns amigos, que subiram a escada do avião, após o que foi literalmente arrebatado pelos jovens, que aos gritos de JK! JK! levaram-no até o automóvel do senador Moura Palha, no qual se transportou para a cidade, seguido de várias centenas de carros, lambretas e outros veículos, sempre palmeado pelo povo, que, nas esquinas, apesar do sol escaldante das duas horas da tarde, se aglomerava, para vê-lo e vivá-lo. Os flagrantes que estampamos, muito mais que as palavras, dizem do entusiasmo popular manifestado em Belém em torno da pessoa de Juscelino Kubitschek." REVIRAVOLTA - No dia seguinte, 12/12/1968, Juscelino viajou para São Luís. Nesse mesmo dia, em Brasília, a Câmara negou ao governo militar a licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves, por um pronunciamento que desagradou as Forças Armadas. No dia posterior, 13/12, mudaram a história do Brasil, com a decretação do Ato Institucional 5 (AI-5), que implantou um regime de força no país, eliminando as liberdades democráticas e do cidadão. Durante 20 anos.
ADENDO EM 17/12/2008:
O jornalista Bernardino Santos, em sua coluna de hoje, 17/12, em O Liberal, noticia as comemorações dos 40 anos de formatura da turma de médicos de 1968, que teve JK como patrono. Foram fazer a festa em São Luís. Curiosamente, seguiram a mesma rota do ex-presidente, que de Belém viajou para a capital maranhense. Bernardino lista alguns dos integrantes da turma: Francisco Oliveira, Fernando Fiuza de Mello, Glória Marques, Manoel Moreira, Alice Puga Rebelo, Pedro Noleto, Rui Donate, Pedro Turriel, Ana Maria Sombra, Raimundo Lustosa, Iris Barbosa, José Monteiro e Nilma Farias.
Escrito por Fernando Jares às 11h47
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NATUREZA EXUBERANTE EM ORIX
Esta foto eu a fiz muito longe de Belém, no oeste do Pará, subindo o rio Trombetas, bem acima de Oriximiná. É uma homenagem aos muitos oriximinaenses que circulam pelas ruas de Belém, e que fazem confraternização de final de ano amanhã, em seu clube.
Em águas tranqüilas como essas que compõem o belíssimo cenário da foto acima, ricas em alimentos puros, naturais, vivem milhares de peixes, de todas as espécies. Nas margens, gente feliz e animais bem tratados. Andei por aí há alguns meses, eu e a Rita, que tem a felicidade de lá ter nascido, pois fomos ao Círio de Oriximiná (segundo domingo de agosto). E usufruímos, além da extraordinária hospitalidade e amizade dessas pessoas, da imensa riqueza que Deus plantou em paisagens tão belas. Descanso para a vista (bem que precisando...) e o paladar saltitando de felicidade, diante dos sabores únicos, principalmente dos habitantes daqueles rios - e os havia de todos os tipos imagináveis - sempre fresquinhos, pescados ali mesmo. Foram dias de alegria e muita festa, como é também o nosso Círio de Belém e canta o samba famoso. E também de oração, diante da imagem de Santo Antonio, padroeiro da cidade, homenageado com uma procissão fluvial noturna, de características únicas. Mas isso será outro assunto.
Lembrei de escrever este post revendo essa foto e outras que fiz, dias depois, já aqui mesmo em Belém, em casa de um amigo, em um alegre e agradável cerimonial para o consumo de um tambaqui. Atenção senhores fiscais do Ibama:não se trata de peixe capturado no período de defeso da espécie, que começou em outubro e vai até março do ano que vem. Fiquem tranqüilos. Aliás, gosto muito dessa idéia do defeso, quando não se pode matar os indivíduos de determinada espécie. Tomara que os senhores governantes criem também um defeso para os humanos.
O tambaqui, fresquinho, foi preparado da forma mais simples, na brasa, temperado com sal e limão. E pronto, estava excelente! Vejam só as fotos, uma do peixe prontinho para a degustação, um estágio do corte e o que restou dele, após o "sacrifício".

O consumir um tambaqui tem segredos, como por exemplo, no corte, conhecimento valioso que algumas pessoas cultivam com orgulho. Merecido. O peixe tem carne saborosa, que provoca as mais agradáveis reações nas nossas papilas gustativas, levando-as ao êxtase sensorial. Maravilha! Isso tudo, na companhia de um grupo de pessoas simpáticas, com um papo agradável, fizeram-nos viver uma noite especial, onde a lua pontificava alta, clara (como a sonha Fernando Pessoa) e com um jeitinho de inveja...
Escrito por Fernando Jares às 13h29
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PARIS NA HISTÓRIA DE BELÉM
PARIS N'AMÉRICA, NA PARIS TROPICAL

O postal comercial da época reproduz o belíssimo prédio. Este meu postal é um pouco diferente daquele que está no álbum "Belém da Saudade", embora da mesma época: o nome Grandes Armazéns Paris N'América sobrepõe-se um pouco ao desenho, enquanto no livro está mais abaixo. Ao lado, visão recente do prédio, foto que a Bruna fez para um trabalho sobre a Belle Epoque em Belém, que apresentou na Alliance Française, em São Paulo.
Um dos mais belos monumentos arquitetônicos que podemos admirar pelas ruas de Belém é o prédio da loja Paris N'América, na rua Santo Antonio, no centro comercial da cidade. Pena que o entorno dele tenha sido destruído, pela sujeira e péssimo visual de centenas de barracas armadas no leito daquelas ruas, autorizadas pela ausência das autoridades (que deviam ser) competentes.
Como um dos principais monumentos art-nouveau da cidade, o Paris N'América recebeu hoje homenagem muito especial: uma placa do programa "Belém da memória" da Unama - Universidade da Amazônia. É um alerta à cidade, sobre seus valores históricos. Com este projeto eles já plantaram, desde 1999, 42 dessas bandeiras de alerta às nossas coisas memoriais. Não sei quantas ainda estão de pé, pois já as vi vandalizadas, infelizmente, outro atestado do vazio de autoridade que vivemos. A Unama é uma das vozes que clamam neste deserto de moucos oficiais.
O Paris N'América é um estabelecimento comercial fundado em 1870 - quando a região vivia seu ápice econômico, pelos negócios com a exportação da borracha - pelo português Francisco de Castro, que mandou vir tudo da Europa, do projeto - ao estilo das grandes galleries francesas - até grande parte do material para a construção do prédio, que lhe servia de casa e comércio. Os atuais proprietários, de alguma forma, procuram preservar o monumento, e parte da história da cidade, de que são depositários. A placa lá colocada reproduz um trecho de "Pour monsieurs et madames", artigo do intelectual Cândido Marinho da Rocha, da Academia Paraense de Letras: "(...) Passaram pelo belo edifício de mármore português "Paris N'América", majestoso, repleto de "voiles" suíços, nas mais belas e finas padronagens. O tafetá, o organdy, a casemira, o linho, entre os quais o famoso HJ, os botões de madrepérola, os enfeites, as alamares, as fitas, gazes, crepes - tudo do exterior - havia ali em profusão (...)". Vem do tempo em que Belém era a Paris Tropical. "Para viver como em Paris, basta Vossa Excellência ir ao Paris N'América", faria eu o slogan, se andasse por cá à época...
Este tipo de ação devia ser prestigiada por todo mundo. Cada pessoa que vive ou trabalha às proximidades de uma das placas devia zelar por ela e pelo bem que ela tenta defender, lembrar, eternizar. Infelizmente, não é o que se vê. Hoje mesmo o jornalista Bernardino Santos, em O Liberal, dá um alerta: "Nem ao menos uma placa as Lojas Americanas colocaram como memória do que foram os Cinemas Nazaré e Iracema. Velhos tempos, velhos dias e nós desmemoriados". Em seguida ele lembra o Cinema Independência, na Magalhães Barata (antiga avenida Independência), em cujo local há hoje um edifício. A construtora Freire Melo, respeitando a história da cidade, colocou lá um totem sobre o cinema e até criou um espaço para recordar o estabelecimento.

Os tecidos hoje vendidos na loja indicam caminho para a fantástica escada central, com sua estátua de bronze. No topo, a marca da casa, vista ao lado com detalhe.
Escrito por Fernando Jares às 17h49
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A CRISE, DE ONDE PROVÉM
"A nossa crise provém, essencialmente, do excesso de civilização dos incivilizáveis."
Fernando Pessoa, em entrevista à Revista Portuguesa (Lisboa, 13 de outubro de 1923), registrada por João Alves das Neves em "Fernando Pessoa e a Comunicação Social" (Universitária de Lisboa, 2003).
Não resisto a colocar para vocês este texto do poeta fingidor, que deixa os fingimentos de lado e provoca frontalmente. Falava sobre uma das muitas crises lusitanas de sua época. Que, aliás, continuam até hoje. Como as nossas. Como as do mundo.
Nestes dias conturbados, de indefinições de toda ordem, sentida e comentada pelas ruas de Belém e de qualquer lugar, acho que vêm a calhar estes versos finais da Mensagem, do Pessoa:
Ninguém sabe que coisa quer. Ninguém conhece que alma tem, Nem o que é mal nem o que é bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Nevoeiro (Os Tempos/Quinto)
Escrito por Fernando Jares às 14h15
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PAULO MARTINS: 30% DOS VOTOS NA “QUEM”!

Gente, foi a maior virada da história!
Dos 11% de votos na noite de sexta-feira, para 30% e, com isso, a liderança nacional na seleção do Prêmio Quem Acontece.
Tudo iniciou com a notícia publicada na sexta-feira, na coluna do Guilherme Augusto, no Diário do Pará. A corrente começou. Só entrei de noite, pois foi só quando li essa coluna – o que comprova que jornal deve ser lido logo cedo! mas...
E-mails para todos da minha lista que eu sabia terem algum tipo de relação com o Paulo e que poderiam abrir a mensagem no final de semana. E ainda telefonemas, orkut e um post aqui no blog.
No domingo novo post (aqui abaixo) anunciando os 15% com que amanhecera. A mobilização continuou, muita gente reenviando o e-mail original e o link. Às 18h30 estava em 17%, aumentando o tempo todo (pelo visto, a computação é um pouco lenta). Às 24 horas bateu os 22%, já na liderança.E os concorrentes não cresciam mais, por força da matemática, diminuíam. Os dois mais próximos baixaram para 19%. Imaginei que tinha terminado aí, porque acabara o período de votação. Fui dormir.
Pela manhã cedo, a surpresa: como a “apuração” parece ser lenta, estava em 25%. E durante o dia continuou aumentando até estes fantásticos 30% de votos, em um total de 3.577. Empatados em segundo lugar na votação, com 17%, Helena Rizzo e Rodrigo Oliveira.
Estou muito feliz com isso, é a vitória da solidariedade, da mobilização, da força da comunicação, é vitória do paraensismo. Vamos aguardar a formalização do resultado pela revista.
Escrito por Fernando Jares às 20h27
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