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PELAS RUAS DE BELÉM


JAMBU PASTRY

Pega-se o pastel recheado de jambu com alho e molha-se o mesmo no tucupi. Naturalmente o prato

vinha cheio deles, mas as minhas companhias na mesa quase não permitiam ao menos esta foto...

Nem o chef Paulo Martins pensou, com certeza, que ao fazer o jambu pular da cuia do tacacá (e das terrinas do pato no tucupi) para outras aventuras gastronômicas, a invenção iria tão longe. A façanha, segundo PM, aconteceu para atender um exigente cliente que queria arroz de brócolis. E não havia brócolis na hora... Com sua experiência, testou o jambu. Deu certo, agradou o cliente e muito mais gente. Até virou comida típica paraense, e hoje consta de sites de culinária que, sem a menor cerimônia, omitem o nome do autor. O que também acontece até em alguns restaurantes de Belém.

A “libertação” do jambu abriu um leque imenso à legião de chefs surgida na cidade nos últimos anos. E o jambu levou com ele outros ingredientes, como o tucupi. Paulo Martins não tem a menor dúvida de que, se bem trabalhado (produção, comercialização e divulgação) o tucupi pode ser o shoyu do século XXI.

Essa história toda é pra falar dos Jambu Pastry, os pastéis de jambu que constam do cardápio da Twist Burger, lanchonete ali na Boaventura. São pasteizinhos recheados com jambu frito ao alho, servidos com molho de tucupi. Aí está a novidade: o tucupi vem em um recipiente tipo aqueles dos japoneses para seus molhos. Gostei. Já fui a eles duas vezes, ontem inclusive, ambas aprovadas. Até adotei a idéia do molhinho de tucupi como acompanhante nas refeições (de acordo com o prato, evidentemente), o que ficou muito gostoso.

Essa entrada rompe completamente a filosofia da Twist Burger, onde a decoração é toda para os anos 1950, época em que o jambu ainda estava “amarrado” nas cuias das tacacazeiras pelas ruas de Belém.

Essa lanchonete tem outras coisas interessantes, como um burger com shitake bem legal; um burger com presunto cru e queijo com rúcula e tomate (anunciado em pão ciabatta, mas que vem em pão de hambúrguer); um burger de carne de cordeiro; entre outros.



Escrito por Fernando Jares às 17h16
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MOSQUEIRO, ARRULHOS D’ÁGUA

O mundão de água diante da gente, combinado com o sonoro bater das ondas na areia, produz uma sensação de tranqüilidade que só mesmo quem já foi à ilha de Mosqueiro conhece. Gosto de lá e lá estive hoje. É um arrulhar de meiguices da natureza, cantadas em nossos ouvidos. E pensar que é tudo um rio, um imenso rio, ou mar – como eles preferem dizer por lá (veja post de 02/09/2007) – de água doce. Um mar doce. Mar dulce?

Fomos em família, Rita, princesa das águas oriximinaenses, caiu n’água feliz da vida; Bruna, herdeira desses gostares também lá foi; Emerson com sua mineirice, não via porque meter-se naquela imensidão de águas; eu, com minhas práticas capanemenses de não-rios e não-nadares, fiquei fazendo o que mais gosto nessas horas: sentado, conversando, sentindo no corpo o vento apressado que sopra as ondas e sendo acarinhado por aqueles arrulhos descritos acima. Lógico, que com o devido acompanhamento de cerpinhas e peixe-frito.

 

 

A felicidade também é poder estar em Mosqueiro. Não é por acaso que esta é a praia do Paraíso. Estar aqui é estar lá.

 

Antes destes prazeres de beira-rio, fizemos uma visita sentimental à Vila, a “capital” da ilha, com o objetivo específico de ir à caça das valiosas tapioquinhas da praça da Matriz. Era quase meio dia. Mas a sorte nos sorriu e a barraca da Dalva ainda funcionava, embora iniciando sua desmobilização matinal, para voltar só no fim da tarde. Pra mim é, de muitos e muitos anos, a melhor das tapioquinhas. A Dalva não estava, substituída nestes dias de semana pelo filho e pela nora, esta no comando das frigideiras. Geração competente, que exercita com maestria os ensinamentos recebidos da mestra. Embora seja um religioso seguidor da fórmula original, somente com manteiga, não resisti a uma versão com ovo. Afinal, sou dos amantes do P. O., forma mais íntima de chamar o sanduíche de pão com ovo, de preferência esquentado na própria chapa que fritou o ovo (ufa, bateu vontade!). Não foi em vão a minha tentação e, ao contrário daquelas que levam ao inferno, esta levou-me a um céu de aprazíveis sensações gustativas... Ah, o cuscuz que a Bruna pediu, e que obviamente provei, também estava ótimo!

 

PEIXES & MARISCOS

 

Ficamos na praia em frente ao Hotel Paraíso, sendo muito bem atendidos pelo garçom do estabelecimento. As iscas de peixe para as beliscações estavam com tempero certo, crocantes como devem ser e em quantidade honesta.

Para a refeição, quando o estômago avisou que já havia espaço disponível, fomos a um risoto misto de camarão regional e caranguejo e a um pescadão frito, na telha, com os acompanhamentos de praxe, arroz, pirão e farofa, mais um feijão.

Belém anda com vocação para ser terra dos risotos. Todo restaurante que se preza, lá tem o prato italiano (risotto) no seu cardápio. Todos descendentes dos cursos ministrados em várias edições do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense. Claro que com “adaptações”, principalmente na substituição do arroz arbório... A presença reforçada do camarãozinho regional e de massa de caranguejo bem tirada, com temperos verdes em dose adequada, resultou em um prato agradável de ser degustado. Na próxima vez, espero lembrar-me de pedir para tirar o leite de coco, que não era necessário.

Já o peixe não estava no mesmo nível. Faltou-lhe tempero, desde o simples sal, até os outros adereços que se dão tão bem com o peixe. A crocância ficou um ponto acima do ideal, por vezes endurecendo as partes externas do peixe. O pirão estava bom e ajudou a temperar o principal. O feijão agradou quem o comeu. A farofa também ficou devendo. Uma observação: este peixe é apenas servido em uma telha, nada a ver com o peixe na telha da culinária goiana, que vem em molho – este é sequinho.

Em outras oportunidades, já fui servido com peixes bem melhores neste hotel muito agradável, cujo restaurante fica debruçado sobre a praia.

 

AS LOMBADAS

 

Agora, um registro sobre a estrada para chegar ao Mosqueiro: está razoavelmente bem conservada. A viagem foi boa, sem atropelos. A não ser uma praga de lombadas feitas ao bel-prazer de quem o quer, onde as decide fazer. O professor Mário Guzzo teve toda a razão quando, estarrecido com o desrespeito na construção dessas lombadas, clamou: “Esta é uma terra de direitos?” (em O Liberal, 19/10/2008, pág.8, Atualidades). O curioso é que estas coisas, as da estrada, estão a alguns metros de um posto policial. Com sua omissão, as autoridades endossaram esse absurdo.

Mas as lombadas também infestam as vias internas da ilha, cada uma de uma forma, altura ou largura, a maioria sem sinalização. No trecho entre S. Francisco e Carananduba, chega ao absurdo. Por questão de segurança é recomendável que ninguém se arrisque a andar, de carro, moto ou bicicleta, de noite, nessas paragens. As autoridades (???) que permitem construir esses monstengos, não garantem o passar por lá sem o alto risco de assaltos.



Escrito por Fernando Jares às 23h58
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MAIOR EVENTO RELIGIOSO DO MUNDO

 

Os periquitos do Círio, vistos por Mário Barata II, em 1999.

Os fogos do Círio, vistos pelo Emerson, ontem

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Hoje terminou oficialmente, aqui em Belém, o maior evento religioso do mundo: o Círio/2008. Foi o maior Círio de todos os tempos, segundo afirmou esta manhã Roberto Senna, coordenador o Dieese do Pará. Nas 11 romarias que integram o evento religioso, devem ter participado mais de 4 milhões de pessoas, considerando participações múltiplas. A grande romaria do segundo domingo de outubro, em homenagem à N. S. de Nazaré, reuniu 2 milhões de pessoas, o que a credencia como “o maior espetáculo religioso em um só dia no mundo”, nas palavras de Senna.

Pelos números que forneceu, as 11 romarias (a última, o Recírio, foi hoje pela manhã) que aconteceram nestes 15 dias, desde 12 de outubro, percorreram 126 quilômetros, gastando para isso 37 horas. 21 mil pessoas, de dezenas de instituições, trabalharam ininterruptamente para que o evento fosse perfeito, como de fato o foi. Tudo certinho, reloginho.

Isso orgulha quem é paraense, quem é cristão de verdade. Uma gigantesca multidão, irmãos nossos, homenageia a Senhora de Nazaré, Mãe de Cristo, o Salvador, na nossa cidade, coincidentemente chamada Belém. É emocionante. É um privilégio ter nascido aqui (três dias antes de um Círio!) e viver aqui.

Ilustrações: Aquarela do artista plástico e arquiteto Mário Barata II, que integrou exposição “Círio em Postais”, aqui em Belém, em 1999, na sede da Paratur, e que serviu de base para uma coleção de belíssimos postais, impressos pela gráfica Supercores. Neste, ele mostra uma revoada de periquitos ao lado de uma das torres da Basílica Santuário. Eles vivem nas sumaumeiras do largo de Nazaré e, nas noites da quadra nazarena, cantam animados (ou assustados) com toda aquela movimentação...

Na outra ilustração, a grande queima de fogos na última noite da quinzena, ontem, às 23h. Foto feita da minha varanda, pelo Emerson, mostra o que a explosão imobiliária do bairro vai nos deixando ver, do que acontece logo ali...



Escrito por Fernando Jares às 17h45
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O CÍRIO DAS CRIANÇAS

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 Foto do Círio das Crianças (Tarso Sarraf), publicada no site do jornal Diário do Pará.

Um dos momentos mais singelos que acontece pelas ruas de Belém, como parte das festividades em torno do Círio de Nazaré, é a Romaria das Crianças, ou Círio das Crianças, que acontece neste segundo domingo da Festa Nazarena.

Criação recente, começou em 1990, com cerca de 1.500 pequeninos participando. Hoje, segundo o DIEESE, já superaria a casa de 200 mil! Um crescimento fantástico, que mostra de forma inquestionável o crescimento da devoção mariana em Belém.

É um espetáculo belíssimo, ver aqueles milhares de pequenos romeiros participando da caminhada, com seus bonezinhos (cerca de 100 mil foram distribuídos hoje), cada um expressando a sua adesão de uma forma peculiar.

A imagem de N. S. de Nazaré não vai em berlinda, como é habitual nestas romarias, mas em um cibório, que vem a ser um tipo de andor, redondo, com quatro colunas, que o Houaiss diz que na Roma antiga eram usados para proteger estátuas. É diferente e bonito.



Escrito por Fernando Jares às 20h17
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D. HELDER NO CENTUR

Fui ver D. Helder no cinema. Sou admirador do corajoso sacerdote deste priscas eras e não poderia deixar passar a oportunidade de ver o documentário “D. Helder Câmara - O Santo Rebelde”. Valeu muito. Como sempre – e ele foi muito bem apresentado neste trabalho da cineasta ÉrikaBauer – o grande pregador mostrou sua capacidade de apóstolo, cativante. É muito bom ouvir ou re-ouvir suas mensagens. O filme é de 2004 e está no Cine Libero Luxardo, no Centur, às 17h30, até domingo.

 

D. HELDER EM BELÉM

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Ao vivo só ouvi D. Helder uma vez, em 1990, aqui em Belém, quando ele já tinha 81 anos, mas ativo, (um exemplo para os que vão ganhando mais anos de vida). Para mim foi um momento extraordinário a Missa concelebrada na Igreja da Trindade, pelo Bispo Emérito de Olinda e Recife e pelo Monsenhor Geraldo Menezes, outro brilhante orador sacro, de rara erudição, de quem também sou “macaco de auditório”, ou melhor, “de igreja”... Fiquei na primeira fila, naturalmente. Máquina fotográfica em punho. Não tenho mais as fotos originais, mas a publicação que delas foi feita, no “Elos”, boletim da Paróquia da Trindade.

Do texto, vale um registro, que retrata muito bem a personalidade desse valente, mas sempre humilde, nordestino: “Monsenhor Geraldo Menezes fez questão que D. Helder fosse o celebrante principal, mas ele não aceitou, atribuindo a função ao Pároco”. Além da celebração, ele fez uma palestra para os paroquianos, especialmente os participantes do Encontro de Casais com Cristo. Uma dessas oportunidades que a gente nunca esquece.



Escrito por Fernando Jares às 18h57
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A RENDEIRO, RENDEIRA DA ESPERANÇA

Box destaque na IstoÉ

 

A jornalista Ruth Rendeiro é uma dessas pessoas que, todo mundo que a conhece, gosta. Sempre ouvi falar sobre ela, acompanhei de longe sua carreira, até que em 2007 fomos colegas de turma na pós da Unama. Logo parecíamos amigos de longa data. Afinal, carreiras paralelas, muitíssimos amigos em comum, alguns gostos convergentes, alem de sermos os dois mais, digamos assim, “antigos profissionais” da turma (ela, muito mais nova que eu, registre-se...). Mas isso é outra história.

Hábil com os textos especializados em ciência agropecuária e semelhantes, é redatora respeitada nacionalmente não apenas entre seus colegas da comunicação e pesquisadores da Embrapa, mas também entre os melhores profissionais do jornalismo científico do Brasil.

Repentinamente manifestou-se nela uma identidade secreta: a mestra no manejo das palavras ditadas pelo coração. Diante do desafio de ter câncer de mama e, no auge de sua própria crise, descobrir que o seu (e nosso) querido Manoel estava com leucemia, fez da palavra virtual a espada e a pluma, para o combate e para o afago. O blog que havia criado dias antes de ter seu primeiro diagnóstico, foi sendo transformado em uma fortaleza. São textos que tocam fundo, que emocionam – em muitos, eu e Rita não escapamos sem os olhos umedecidos. Ela teve de mudar de cidade, o Manoel se foi para Deus, o blog até mudou de nome, pois era “Eu, Belém e muitas histórias”, mas hoje é mesmo “Minha história”. Você não o conhece? Então clique aqui.

Ela tece, com as palavras, as rendas da esperança, usando como matéria-prima fé e coragem!

Eu já sabia que essa experiência estava tendo muita repercussão, inclusive entre pessoas com o mesmo nível de sofrimento e coragem. Agora, esse trabalho heróico recebe reconhecimento nacional, sendo assunto na revista IstoÉ. Caso não tenha lido, procure o endereço: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2031/artigo104504-1.htm



Escrito por Fernando Jares às 20h26
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PROPAGANDA INDEVIDA

Entre as coisas bizarras que aparecem no Círio, esta ficou entre as “melhores” de ontem: uma horrorosa faixa de pano anunciando um festival (para venda) de flores vindas da cidade de Holambra, lá de São Paulo. Mau gosto generalizado, na qualidade da comunicação e desrespeito com um espaço de oração e homenagem de uma população católica a sua padroeira. Desrespeito aos paraenses. Como imaginar que os organizadores desse “evento”, provavelmente empresários, lancem mão de tal recurso para vender. É ridículo.

Trazem o produto para concorrer com os produtores locais, utilizam um local nobre, um bem público do Estado (espero que, pelo menos, paguem pelo uso do Centur, e bem pago) e ainda fazem esse tipo de papel...

Tem gente propondo boicote a esses vesguetas mercadológicos. Capazes de deixar assustadíssima a Delyse Braun, do blog especializado em marketing Direto dos Estados Unidos. Coitadinha dela... e de nós todos.



Escrito por Fernando Jares às 00h14
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DEU BOI NO CÍRIO DO BASA

De uns anos para cá, algumas empresas inventaram “homenagens” à N. S. de Nazaré, na passagem da imagem no Círio. Confesso que não gosto disso, pois de um modo geral, tumultua a regularidade da romaria, distrai a atenção de quem está ali para rezar. E, no fundo, tem mesmo é objetivo mercadológico, embora tentem esconder, sob um véu institucional de responsabilidade social, de proximidade ao povo.

Homenagem, mesmo, é rezar a Jesus, com Nossa Senhora. É para isso que existe o Círio e não para botar gente famosa cantando na porta de um estabelecimento comercial. De Fafá de Belém a Ângela Maria, Leila Pinheiro e outros que nem lembro.

Hoje o Basa homenageou a imagem com uma chuva de pétalas de rosa. 500 mil, segundo anunciaram, não deixando de destacar que a homenagem era ecologicamente responsável, substituindo balões ou papel picado, como faziam antes, no que fizeram muito bem.

Só que a homenagem incluiu uma apresentação do cantor Elymar Santos. Entrou de músicas adequadas, tipo Jesus Cristo, de Roberto Carlos. Só que ele foi se empolgando e, de repente, atacou de “Elymar de Todos os Santos” (Chico Anísio e Sarah Benchimol), onde faz uma misturada de santos seus protetores e que tem este incrível refrão:

"Tem que ter fé, tem que acreditar
Eu canto aqui em qualquer lugar
Sou abençoado, não temo quebranto
Eu sou Elymar de todos os Santos
Eu sou Elymar de todos os Santos."

Não satisfeito, ele decidiu que estava na hora de entrar com algo mais “animado” e sapecou uma daquelas toadas de Boi de Parintins, talvez perdido na questão geográfica, pensando estar no Amazonas... Disse-me há pouco o jornalista Nélio Palheta que, “diante do verdadeiro insulto e desrespeito à padroeira do Pará, houve protestos de romeiros. Mas o cantor, exibindo os peitos, sob um paletó branco com zíper, foi em frente com o seu repertório animado.”

Além destas “homenagens” serem destoantes dos objetivos da romaria, ainda ficamos sujeitos a ouvir uma patuscada assim. Imagino que não tenha sido nada positivo para a imagem corporativa do Basa.

E pensar que, além de tudo, já faz uma semana que eles não trabalham, numa confortável greve pré-cirial!

Obs: A grande chuva do post abaixo, não durou muito. Foi uma colaboração do São Pedro para refrescar os romeiros.



Escrito por Fernando Jares às 15h22
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CHUVEIRAL APÓS CÍRIO

A previsão do tempo dizia que deveria chover hoje em Belém, provavelmente na hora do Círio. Durante todo o trajeto o sol foi inclemente, a temperatura entre 31 e 32 graus, mas com sensação de uns 40 graus.

Pois bem, a Missa de encerramento do Círio terminou não faz meia hora e acaba de desabar um chuvaréu daqueles em Belém. É água, vento, raios e trovões que não acabam mais.

São Pedro cumpriu sua escala de serviço, mas segurou um pouco enquanto sua amiga Maria de Nazaré era homenageada pelo povo paraense.

Os turistas, que segundo a Paratur são mais de 65 mil, vão sair dizendo que chove todo dia às 15h. Só que neste caso não é após o almoço, porque paraense, de um modo geral, só almoça depois da chegada do Círio.



Escrito por Fernando Jares às 14h45
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UM CÍRIO GLOBALIZADO


Este é o Glória, da Basílica Santuário de N. S. de Nazaré, acima do altar mor do templo. Ao centro está a imagem original, encontrada pelo caboclo Plácido neste mesmo local.


 


As novas tecnologias da comunicação, como esta que você utiliza neste momento para ler este blog, possibilitam ao Círio de Nazaré alcançar uma escala global, mais fantástica a cada ano.


A necessidade que tem o paraense católico em estar ligado a este momento, onde quer que esteja exigia dele a volta, em outubro a Belém para o encontro com sua Mãezinha do Céu. Como nem sempre isso era possível e, para alguns, infelizmente, era praticamente impossível, desenvolvia-se um forte sentimento de infelicidade, em múltiplas manifestações, por não estar em Belém no segundo domingo de outubro.


Agora é diferente. Há gente de todo o mundo, literalmente, ligada a cada momento do Círio. Estou escrevendo este texto, tendo no computador, via internet, a imagem ao vivo e o som da TV Nazaré, a televisão católica do Pará.


Para mim que estou em Belém, não é vantagem. Posso acompanhar a romaria, se assim o quiser, posso vê-la passar na esquina, ou acompanhar a imagem diretamente na televisão. Mas, para os paraenses que estão por esse imenso mundo de Deus, a internet é o caminho de estar aqui.


Pelas palavras das repórteres dessa emissora e dos padres Ederaldo Silveira e Wiremberg Silva, que nos ajudam a meditar sobre o acontecimento, é possível estar presente ao acontecimento, onde o elemento maior é a fé em Cristo e sua Mãe. Isso é possível em qualquer lugar do mundo.


Vamos ouvindo um rico desfilar de depoimentos de “romeiros virtuais” ao longo da transmissão, gente que está no Japão, na China, na Espanha, em Portugal, nos Emirados Árabes, na Holanda, na Suíça (este, Márcio Warris, com entrada ao vivo, com imagem direta, também via internet), entre outros. Além de todo o Brasil, de Roraima ao Rio Grande do Sul, e de inúmeros municípios paraenses. Devotos da Virgem de Nazaré que fazem questão de registrar a felicidade de participar deste momento.


No Portal ORM é possível ver fotos da grande romaria. Aliás, neste portal, há até um recurso de GPS que vai apresentando a localização da Berlinda que leva a imagem de S. S. de Nazaré em cada ponto da longa caminhada entre a Sé Catedral de N. S. da Graça e a Basílica Santuário.


Um bom e abençoado Domingo do Círio a todos.



Escrito por Fernando Jares às 12h28
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A TRASLADAÇÃO NAS RUAS DE BELÉM

A Trasladação é o deslocamento da imagem de N. S. de Nazaré, de seu nicho permanente, no Colégio Gentil Bittencourt, para a Sé Catedral de N. S. da Graça – que está fechada, em obra de restauração realizada pelo Governo do Estado que, provavelmente sem dar prioridade às coisas da cultura, passa de ano a ano.

A romaria está acontecendo neste momento, com centenas de milhares de pessoas, fazendo o mesmo trajeto do Círio, que acontece amanhã, só que em sentido inverso. Levam a imagem que será trazida amanhã para a Basílica Santuário de Nazaré.

Na foto acima, feita há pouco, mãos estendidas pedem as graças de Jesus por intermédio de sua mãe, Maria de Nazaré.

Escrito por Fernando Jares às 20h29
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A ROMARIA FLUVIAL TEM UM “PAI” QUASE ESQUECIDO...

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A primeira Romaria Fluvial em foto de A Província do Pará, publicada na revista Círio 87, editada por Walbert Monteiro. Ao lado. D. Lorenzo Baldisseri, hoje, na TV Nazaré.

 

“Eu nunca pensava que fosse tão grande e tão espetacular”, exclamou hoje pela manhã, ao participar da Romaria Fluvial de N. S. de Nazaré, o núncio apostólico do Brasil, d. Lorenzo Baldisseri (embaixador da Santa Sé, é o representante do Papa no país). Para ele há uma beleza de coreografia nos movimentos dos barcos, trazendo um tipo de arte ao louvor à Mãe de Deus.

É apenas mais uma pessoa que se deslumbra com o nosso Círio das Águas. Com a autoridade do cargo, é uma pessoa especial, mas ele mesmo se colocou como mais um romeiro a homenagear a Virgem de Nazaré.

Trata-se de um evento recente, uma das muitas romarias que integram o conjunto do Círio de Nazaré, talvez a segunda mais destacada, logo após a Trasladação (hoje à noite) esta vigente desde o primeiro Círio. Transporta a imagem representativa de Mãe de Jesus da Vila de Icoaraci até o porto de Belém.

Assim como o Círio tem um “pai”, o governador da província naqueles idos de 1793, Francisco Coutinho, a Romaria Fluvial também tem um “pai”, o jornalista, escritor e historiador Carlos Rocque. Ele teve a idéia de trazer para o corpo das homenagens à N. S. de Nazaré os barcos que, às centenas, chegavam a Belém para o Círio. Em uma terra de águas, os ribeirinhos homenageariam a santa maior de suas devoções. Como presidente da Paratur naquele ano, colocou mãos à obra, encontrou resistências, venceu-as, e no segundo sábado de outubro de 1986 realizou a primeira romaria fluvial. Um sucesso. Os barcos não eram muitos, mas a grande maioria era dos fiéis ribeirinhos, muitos, emocionados pela oportunidade.

O evento cresceu muito. Falam em milhares de embarcações.

Infelizmente andam esquecendo do criador. Mesmo no site da Paratur (http://www.paratur.pa.gov.br/para/religiosidade_ciriobelem.asp#2) não consta o nome dele. Poucas notícias creditam o criador. Vale salientar que, na notícia de hoje, no portal Basílica Santuário, há referência ao Rocque (http://www.ciriodenazare.com.br/v2.0/?action=Noticia.show&id=66), mas na página em que é apresentada a história da Romaria Fluvial (http://www.ciriodenazare.com.br/v2.0/?action=Menu.detalhe&id=39) ele foi esquecido. E faz tão pouco tempo...

Fica aqui o registro, para que a história não atropele o historiador (mas, fundamentalmente, jornalista) que a construiu.

Veja as fotos da Romaria Fluvial de hoje no hot site  do Círio de O Liberal: http://www.orm.com.br/projetos/cirio/2008/fotos/5/galeria.html

 



Escrito por Fernando Jares às 10h24
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ALMOÇO DE PRÉ-CÍRIO

Alguns dos produtos listados no post aí de baixo (que escrevi de manhã cedo, mas só postei à noite) já foram consumidos no almoço de hoje.

Na entrada, bolinhos de piracuí, feitos com maestria pela Nazaré, a medida certa desta farinha de peixe originária de Santarém com um pouco de batata. Fritos no ponto, crocantes como convém ao melhor paladar.

Depois uma salada com o delicioso feijão manteiguinha, também de Santarém – vem a ser o menor feijão que jamais vi, de um creme muito branquinho, sem a famosa “boquinha” que caracteriza aquele que a gente em Capanema chamava de feijão da colônia e hoje é o caupi.

O filé de pirarucu virou um Pirarucu ao Ver-O-Peso, uma receita muito antiga que a Rita recuperou e que era do restaurante Regatão, que ficava na Senador Lemos. O prédio lembrava a proa de um navio e era especializado, obviamente, em peixes. O proprietário vestia uma roupa de comandante. Isto é, lá pelo início dos anos 1970 já tínhamos um restaurante temático... Trata-se de um pirarucu (de primeira, muito bem selecionado) frito, servido com um molho branco com muita cebola e uma farofa molhada. Tudo acompanhado por um arroz de jambu, neste caso uma criação, muito mais recente, do chef Paulo Martins.

Na sobremesa, um creme de bacuri, feito com a tal polpa que falei antes. Uma delícia, favorecida pela qualidade da polpa, de primeira, pura e gostosa, como são gostosas as coisas puras.



Escrito por Fernando Jares às 20h46
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FAZENDO A DESPENSA PRO CÍRIO

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Um dos pontos mais marcantes do dia do Círio, afora a parte religiosa, é o grande almoço. Dia de reunião das famílias em torno da mesa, dom do Senhor, para aqueles que crêem em Deus.

É um dia de festa, onde a rica e exclusivíssima culinária paraense tem todo destaque. Assim como os e as especialistas que a sabem manipular, com competência e arte.

Comprar os elementos para o almoço do Círio é outro ritual. A maniva, o jambu, o tucupi, o pato, a chicória, a alfavaca, o cheiro-verde, salsa, o pirarucu, o porco, o camarão e a infinidade de frutas para os doces deliciosos para a sobremesa.

Ontem acompanhei a Rita em algumas compras e registrei os dois momentos que estão aí em cima, ambos na famosa Feira da 25 de Setembro.

Na Casa do Pirarucu compramos um filé do dito cujo peixe, com aspecto muito agradável e feijão manteiguinha de Santarém com cara de novinho, que d. Luzia, a proprietária, garantiu ter recebido na véspera. Mas ela também tem piracuí, aviú, etc.

No Tucupi da Eliete adquirimos o próprio, indispensável para as melhores atrações da nossa cozinha. Amarelinho que até brilha.

Em frente, na Casa de Marisco Estrela do Mar, nos abastecemos de camarão rosa, aviú, caranguejo e polpa de bacuri. Nesta casa encontrei uma preciosidade, o famoso guaraná Jesus, líder em vendas em São Luís do Maranhão, que eu não bebia há muitos anos. Pronuncía-se Jésuis... em bom maranhãoês. É um estranho refrigerante cor de rosa, que se diz guaraná, tem gosto tutti-frutti, que vem a ser um não gosto, correspondente nos sabores à cor de burro quando foge. Deu pra entender? Bem, é o melhor que posso fazer para descrever este refrigerante. É um produto da Coca-Cola, que chega aqui por um preço alto: R$ 4,50 (dois litros). Para os que estão com mais de 30, digamos, 40 aninhos, lembrarem: havia em Belém um produto praticamente igual, chamado Pirulito.

Escrito por Fernando Jares às 20h38
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PARA RECEBER O CÍRIO

 

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No Itaúba, mesmo após a celebração, havia sempre gente junto à imagem de Maria de Nazaré (1), em uma berlinda muito bem enfeitada (2) e iluminada (3).

 

Belém vive nestes dias, uma revolução religiosa, que acontece a cada ano, há mais de 200. Cada vez crescendo mais, com mais gente participando da grande preparação para a romaria, com mais eventos. Há pouco mais de três décadas, eram três: Trasladação, no sábado à noite, o Círio na manhã de domingo e o Recírio, 15 dias depois. Hoje são dezenas, desde a sexta-feira pela manhã e durante a quinzena da “festa”.

Nestes dias próximos procissões cortam a cidade, dia e noite. Ainda hoje, uma de razoável porte, formada por centenas de estudantes passou aqui por casa. Domingo passado, mesmo com chuva, Rita e eu acompanhamos uma peregrinação da imagem favorita dos paraenses no bairro de Val-de-Cans, pelas ruas dos conjuntos onde moram militares da Marinha. Esta noite, nós dois estivemos na procissão de encerramento das peregrinações no conjunto Itaúba, com intensa participação dos moradores, as ruas e as casas decoradas, terminando com a Celebração Eucarística. Muitos casais presentes, muitos jovens, muitas crianças. Tudo intenso e bonito.

Na homilia o Pe. Luís destacou que é “uma ilusão pensar em viver o Círio sem viver o Evangelho de Jesus e todos os seus ensinamentos”.



Escrito por Fernando Jares às 00h14
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IMPRENSA EM EXPOSIÇÃO

Termina nesta sexta (10/10), no Hangar, uma exposição sobre os 200 anos da imprensa no Brasil, pois tudo começou em 1808, no Rio de Janeiro, com o “Correio Braziliense”. Quem foi até lá, viu uma exposição modesta, é verdade, mas bem feita, sobre a imprensa nacional, inclusive com uma exibitécnica bastante criativa. Iniciativa da Vale.

Mas, pelo menos para mim, o melhor foi mesmo ver a parte referente à história da imprensa no Pará. Ainda mais modesta, mas já algo muito importante, especialmente para a juventude. Milhares devem ter estado lá, pois foi paralela a diversos acontecimentos, inclusive a Feira do Livro. Vi muitos estudantes lá. Por aqui tudo começou com “O Paraense”, de Felipe Alberto Patroni Martins Maciel Parente, que hoje é praça (Felipe Patroni) em Belém. Em 1822. Era um cara audacioso e empreendedor, com uma vida extraordinária. Muito louco. Vale a pena conhece-la.

A expo mostra diversos jornais locais já extintos, como “A Vanguarda”, aí na foto, que vinha a ser o vespertino de “A Província do Pará”. Naqueles tempos os diários matutinos tinham seus vespertinos, geralmente menores. A “Folha do Norte”, que também está na foto, publicava a “Folha Vespertina.

Obviamente, tanto A Vanguarda como O Paraense, citados aqui, nada têm a ver com os jornais homônimos que circularam aqui em Belém nesta época pré-eleitoral. Com gente competente à frente de ambos, tomara que continuem no mercado e não tenham sido episódicos.



Escrito por Fernando Jares às 19h00
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N. S. DE NAZARÉ NA AVENIDA

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A foto (de Shirley Penaforte) com que O Liberal ilustrou a matéria “Procissões do Círio sofrem mudanças”, publicada no domingo, 05/10, provocou a imaginação de muitos leitores-fiéis de Nossa Senhora de Nazaré. O trabalho mostra de forma forte e impactante a grandiosidade da romaria-nazarena pelas ruas de Belém, na subida da av. Presidente Vargas, em frente ao Banco do Brasil (ainda estarão em greve no dia do Círio, prejudicando tanta gente...?). Demarcado pela corda que puxa a imagem da Santa Virgem de Nazaré, há um espaço que, curiosamente, faz o contorno da imagem venerada pelos paraenses católicos, como vemos na foto acima, à esquerda. Logo recebemos uma foto onde foi desenhado o perfil da imagem milagrosa, trabalho desenvolvido e distribuído pelo casal amigo Suely e Heleno, devotos de N. S. de Nazaré.

As manifestações de Deus vêem-se, pelos olhos da fé, em todos os lugares.



Escrito por Fernando Jares às 15h41
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AMBIENTE MAIS BONITO PARA A SANTA

O chamado Conjunto Arquitetônico de Nazaré (CAN), na praça em frente à Basílica Santuário de Nazaré – que já foi Largo de Nazaré e depois Praça Justo Chermont – ganha este ano uma revitalização, para valorizar elementos já existentes, mas desgastados pela habitualidade da paisagem. E pelo mau gosto do projeto original, que nunca foi um “conjunto”, tão diametralmente oposto ao restante do cenário com que, obrigatoriamente, em nome do bom gosto, deveria interagir.

Parece que dá uma virada. Pelo menos na belíssima foto de Everaldo Nascimento, que fez a primeira página do jornal Diário do Pará, desta sexta-feira (03). Ainda vou lá ver. Mas a beleza da foto já garante este registro. Caso queira ver no original, clique aqui e procure a edição de 03/10/2008.



Escrito por Fernando Jares às 23h39
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A BELA DE QUARENTA ANOS

Quando vi Belle de Jour, filme que Luis Buñuel fez em 1967, tinha menos idade do que a atriz principal, Catherine Deneuve, dona absoluta do filme, de beleza extraordinária nos seus 24 anos. Admirador do grande cineasta e deslumbrado com a beleza de Catherine, não lembro de ter visto muito além da crítica social e política à vida da burguesia e da impressionante beleza estética do filme, a linguagem forte do mestre surrealista do cinema.

Esta semana, quarenta anos depois, revi A Bela da Tarde, no programa Diálogos em Cena – as relações entre psicanálise e cinema. Foi uma experiência tão extraordinária como aquela primeira vez. Só que agora os olhos, bem mais cansados e sacrificados, cederam mais espaço a um olhar muito mais intimista, muito mais a partir dos novos conhecimentos reunidos ao longo desta longa jornada. E mais: com a colaboração do filósofo Ernani Chaves.

Fui, a convite da Rita, para uma emoção nova – como tantas as que vivo sempre, ao lado dela. De Chaves, sabia de seu valor como erudito respeitado, não apenas cá em nossas ruas de Belém, mas em todo o país e além-mar. Sabia de sua ligação à psicanálise, sempre ouvi elogios às suas aulas e palestras. No recente Fórum Paraense de Letras, da Unama, estava eu lá, à espera de sua fala sobre Guimarães Rosa no cinema, mas Ernani não participou, porque estava na Alemanha.

Voltando à Belle de Jour, gostei muito do que disse Ernani Chaves, principalmente porque ele não fez aquelas famosas análises paraescolares, do tipo o diretor fez isto porque pensou assim e assado. Prendeu-se mais à relação de Buñuel com Freud, à psicanálise no surrealismo, situando a criação de Freud na revolução buscada pelos surrealistas. Não deixou de fazer a análise do filme, trabalhando sobre a fantasia da flagelação da personagem e relacionando-a com o texto “Uma criança é espancada” do mestre da psicanálise. Foi uma noite muito agradável e compensadora.



Escrito por Fernando Jares às 23h18
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O ESPÍRITO DO CÍRIO

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Marketing doméstico, para N. S. de Nazaré ajudar nas vendas...

 

Com a chegada do Círio de Nazaré, a cidade vai mudando. Não apenas os belenenses. Mas a cidade também muda – ora, se até a surda muda, como diz meu sobrinho Marcelo, por que não a cidade? A gente vê isso pelas ruas de Belém. São outdoors, cartazes, vitrines, fachadas comerciais, tudo usando o tema para alguma mensagem. Algumas de bom gosto, outras nem tanto e muitas apenas aproveitamento da ocasião. A volta das eleições para o início de outubro foi ótima – antes dos militares era 3/10 (por sinal hoje, aniversário do inesquecível Edwaldo Martins, com quem tanto aprendi sobre o bom jornalismo); com os militares passou para 15/11; e mais recentemente foi para o primeiro domingo de outubro. Com isso, ficamos livres de certos políticos que se aproveitavam da romaria para tentar capturar votos.

Ora, isso que se sente em Belém, às proximidades desta data magna é o que se chama de Espírito do Círio. Mexe com as pessoas, aproxima, solidariza, mobiliza quem é do bem. E até nem tanto, porque há os que se aproveitam do evento para fins duvidosos. O comendador Raymundo Mário Sobral, antigo companheiro das páginas de A Província do Pará e hoje no Diário do Pará, captou bem isso com um bordão que ficou famoso: “Olha do Espírito do Círio!”, “Cuidado com o Espírito do Círio”. Dono de espírito criativo e crítica social afiada (e cortante), soube, como ninguém, qualificar esse “espírito”, embora ainda não o tenha dicionarizado no seu clássico Dicionário Papachibé.

Só para ilustrar, aí em cima está um cartaz (in)devidamente afixado em uma jovem árvore, na Domingos Marreiros, que vi ainda hoje pela manhã. O texto diz: "VENDE-SE PATO. N. S. de Nazaré Rogai por nós. Fone tal".

A importância do pato nisso tudo é outra história. Qualquer dia a gente conversa sobre ele.



Escrito por Fernando Jares às 17h48
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AS MANGUEIRAS DE BELÉM

Túnel de mangueiras da Trav. 14 de Março, Belém. Fiz a foto hoje (01/10), às 10 da manhã.


No último sábado, estive entre os privilegiados belenenses que, na Feira do Livro, fugiram do movimento fantástico de milhares de pessoas – com destaque para os jovens – circulando entre os estandes, azarando gentes e livros. E fazendo muito barulho. Fugi, com a Rita, lá dentro mesmo, para o segundo andar, atendendo ao chamado público do poeta maior João de Jesus Paes Loureiro. Foram momentos extremamente agradáveis, ouvindo, de viva voz pelo autor, um desfile de poemas extraordinários (no contraponto das passarelas convencionais, Giseles Bündchens da poesia) que valorizam a inteligência, o conhecimento, a sensibilidade, o amor, a palavra.

Em “O poeta e seu canto”, Paes Loureiro mostrou suas parcerias com a música de Salomão Habib, de Cabinho, Adamor do Bandolim, Beto Meireles e a voz inspiradíssima de Jeanne Darwich. Ela se superou em uma nova experiência de dizer poemas, quase cantando, ou melhor, num falar cantante, tipo cantochão, ou solfejando, tudo a capela.

Para completar, em homenagem ao Japão, o poeta nos disse seus poemas do belíssimo livro “Iluminações/Iluminuras”, com sua experiência de viajante na terra do sol nascente. Mas não foi isso que você pensa. Foi muito mais. O fundo musical foi com um conjunto japonês de koto, aquele instrumento musical de cordas, semelhante a uma grande cítara, com um som exclusivo que, para mim, é a “cara musical” do Japão. E ainda mais: os poemas também foram ditos em japonês, pela professora Julia Nagashima, com o mesmo acompanhamento. Momentos de enlevo.

Ao final, Paes Loureiro homenageou Belém com a poesia “Mangueiras de Belém”, que transcrevo abaixo, e o Círio, com trechos das “Palavras Amorosas à Virgem de Nazaré”, assunto para outro post.

MANGUEIRAS DE BELÉM

João de Jesus Paes Loureiro

 

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
O rio se curva e te oferta
um branco buquê de espuma.
A noite deita nos becos
e a cuia da lua derrama.

 

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
Ruas de anjos com asas
de verde beleza arcana.
Ai! Mangueiras da Cidade,
que o sol esculpiu na sombra,
por vós o poeta implora,
por vós a poesia clama…
Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?

 

Por que vagam na cidade
assassinos de mangueiras,
matando-as por querer
ou matando de encomenda,
matando à sombra da lei,
essa lei sem lei, sem lenda?
Essa triste lei da morte
que tem na morte sua vida.
Não deixem que passe impune
esse crime, essa desdita.
Fotografem, multipliquem
vosso “não” pela internet,
pelos blogs, no youtube,
nos orkuts, nos e-mails,
nas asas dos passarinhos
que estão perdendo seus ninhos,
no peito dos que se amam,
nos muros e nos caminhos…

 

Quem pode lavar a mão
olhando esse arvorecídio?
Que frutos hão de brotar
nos galhos da solidão?
Que é feito do coração
desses que sem piedade
arrancam pela raiz
as raízes seculares
da alma desta cidade?

 

Ai! Mangueiras de Belém!
Anjos de verde folhagem,
que fazem sombra com as asas
mas são em poste enforcadas.
Verdes berlindas de mangas
no Círio de cada dia.
Campanários de andorinhas
nos corais da ave-maria.

 

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
Tua leve melancolia
presa em gaiolas de chuva.
Teu dia, garanhão de auroras
tua noite sempre viúva…
Belém, donzela das águas,
no rio do verso encantada.
Oh! Barca de verdes velas,
no Ver-o-Peso aportada.

Fonte: Blog do Paes Loureiro. Post de 5 de fevereiro de 2007 (7:12pm)



Escrito por Fernando Jares às 17h53
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A VOLTA, OUTUBRO, O CÍRIO

Outubro é o mês das ruas de Belém. Este é o mês em que, provavelmente, mais gente circula pelas ruas de Belém. Somente no segundo domingo (dia 12, neste ano) são centenas e centenas de milhares. Mais de 1 milhão, dizem os mais conservadores. Mais de 2 milhões dizem os mais entusiasmados. Todos envolvidos com a maior romaria das Américas, um dos maiores deslocamentos de fiéis no mundo, seguramente o maior do lado ocidental. É o Círio de Nazaré. Mas o Círio não é esta única romaria. Há mais de uma dezena delas, antes e depois da principal. E, no mês que antecede o Círio, milhares de microrromarias circulam por ruas, praças, travessas, avenidas, vielas, corredores de edifícios, elevadores. São as peregrinações de casa em casa. Por toda a cidade.

Por isso, este é um bom momento para retomar o Pelas Ruas de Belém, onde escrevo sobre a amada Belém, suas belezas, suas gentes, suas atrações, suas decepções – fruto de minhas andanças e observações. Na primeira pessoa, mesmo.

Agora aposentado, espero ter mais tempo para garantir o compromisso destes encontros. O Círio e estas ruas são um grande estímulo.



Escrito por Fernando Jares às 17h47
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