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PELAS RUAS DE BELÉM


MUITO MAIS QUE ENSAIO

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A voz muito bem colocada, embora com a improvisação do acompanhamento, em play-back, deu a uns poucos privilegiados a possibilidade de sentir a força do cantor: Alberto Guerreiro mostrou esta noite, num microshow como maneja a voz, em uma vocação revelada no momento exato. Ele apresentou in family e para poucos amigos algumas músicas que interpretou no Outro Ensaio, que ele cantou em São Paulo, em julho passado (veja post Um Ensaio em Sampa, de 23/07). Foi uma noite muito agradável, com música de qualidade, voz e gente bonita. Valeu e merece a celeridade de postar este material. Parabéns ao Bebeto e a quem o ouviu com a satisfação com que se vivem os bons momentos. Vale o registro também para o acompanhamento, com o piano de Samuel Gustinelli. Este show precisa ser mostrado em uma das boas casas que temos pelas ruas de Belém. Merecemos.



Escrito por Fernando Jares às 23h03
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MOSQUEIRO: MAR E RIO

Para quem não costuma ler os comentários: Jason Carneiro, que é poeta e dos muito bons, postou um verso sobre Mosqueiro ao comentar o post “Mar ou Rio?”, aqui embaixo, esclarecendo em definitivo a dúvida:

“Não há dúvida: mar E rio. Pleno de sentido e força, é rio; grávido da infinitude, é mar.”



Escrito por Fernando Jares às 22h50
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MAR OU RIO?

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Socorro, Rachel de Queiroz!

  

Mosqueiro vive uma questão existencial de muitos e muitos anos: suas praias são de rio ou de mar?

Parece algo muito simples, que a geografia resolveria sem problema algum. Mas não é. Geograficamente, de fato, não há dúvida: em frente à ilha está, gigantesca, a baia do Marajó, com águas doces de diversos grandes rios. Mas as ondas que batem sincopadamente, gerando uma sonorização que atravessa as noites, agradando os ouvidos, parecem de mar. As praias de areias limpas (que os humanos sujam diariamente, mas que a maré cheia limpa sistematicamente) parecem coisa de mar. Quando descansando na praia, ou caminhando pela sua grande extensão, olhamos para o horizonte, não divisamos o fim das águas imensas, como ocorre nos mares. E mais, vez por outra a água está salobra, com aquele gostinho de sal (fruto da pressão das águas oceânicas, lá distante). Aí, bate a dúvida: será um mar disfarçado de rio?

O mosqueirense manifesta plenamente a sua dúvida e, em muitos casos, opta pelo mar. Não há outra justificativa para a rua que margeia as praias chamar-se Avenida Beira Mar. Na praia do Farol há até a barraca Balanço do Mar. Veja as fotos aí em cima.

A grande escritora cearense Rachel de Queiroz (que também assinou Raquel) esteve em Mosqueiro no início dos anos 1900. Sua família (o pai era juiz de direito) saiu do Ceará, fugindo de uma grande seca, mudando-se para o Rio de Janeiro, em 1917. No mesmo ano muda-se para o Pará, onde fica dois anos, retornando após ao Ceará.

Na sua estada pelas ruas de Belém, o pai de Rachel adoece e precisa repousar na praia. Chapéu Virado e Murubira foram as escolhidas, no balneário preferido dos belenenses.

Mais tarde Rachel de Queiroz registrou essa passagem de sua infância (nasceu em 1910 e faleceu em 2003), colocando bem essa questão “existencial”:

“Lá o mar não é mar, é rio; nas praias de areia branca há enormes mangueiras centenárias, e aqui e além, debaixo das árvores, pequenos chalés de madeira, leves e rústicos, pintados de listras de cor”.



Escrito por Fernando Jares às 19h24
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FAROL MOSQUEIRENSE

 

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O Hotel Farol visto da praia e sua vista frontal, na praça Princesa Isabel.

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Vista do Salão Nobre do Hotel Farol e detalhe do piso em madeira.

O Hotel Farol é uma empresa que se transformou em símbolo de Mosqueiro. Não é para menos: tudo começou em 1929, com o desejo do advogado Zacharias Mártyres e sua esposa, d. Adelaide, então recém-casados, de criar uma hospedagem naquele mesmo local paradisíaco do já aquela altura balneário preferido dos belenenses, onde está até hoje.

O hotel conserva muita coisa de sua melhor tradição, o que o torna uma ótima opção para estar em Mosqueiro, principalmente pela esplêndida visão da imensa baia (do Marajó) à frente, incluindo aí a ilha dos Amores.

Por exemplo: o Salão Nobre, com piso em madeira, o chamado parquê, mas o antigão, de tacos em “acapu e pau amarelo” em uma profusão de desenhos. Nas paredes, banners com a história da cidade, fotos da família, pinturas. Móveis também antigos completam o conjunto.

O serviço merece registro: o pessoal é simples e atencioso, esquema quase familiar. Os equipamentos deixam a desejar. O aparelho de ar condicionado não resfria o suficiente (teria apenas 7.500BTU, segundo um técnico do hotel, para um quarto relativamente grande) e foi preciso um ventilador para enfrentar a noite – mas não foi feito nenhum desconto na cobrança das diárias... O chuveiro aquecia a água em excesso, talvez por ser pouca, e teve de ser desligado. O colchão era forrado por um plástico, exigência da Vigilância Sanitária, explicaram, era desconfortável. Mas, aberta a janela, tudo era superado, pela beleza da paisagem e pelo vento, forte, agradável e quase permanente.

O café da manhã é incluído na diária e servido individualmente, pelo menos em nossa estada, quando aparentemente não havia mais hóspedes.

O restaurante atende no almoço e no jantar. O cardápio é simples, tradicional como a casa. Tem o bife a cavalo, servido com dois ovos fritos, quer dizer, tem garupa... mas é gostoso. A fritada de camarão é também uma delícia e substitui muito bem a omelete, que não faz parte do cardápio. Tem uma refeição caseira, que vem a ser um prato comercial e tem arroz, feijão, farofa, peixe frito (ou bife) – achei uma delícia. Entre as sobremesas um surpreendente doce de jambo. Ora, jambo praticamente não tem gosto, então, vamos provar. Surpreeeesa: tem gosto (detestável, para mim) de cravinho da Índia, presente em profusão na porção servida. Mais uma vez xinguei esta especiaria trazida para o ocidente pelo Vasco da Gama.



Escrito por Fernando Jares às 19h00
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