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PELAS RUAS DE BELÉM


O PARAENSE VOADOR

VAMOS VOAR PELO JÚLIO CEZAR!

 

O aeroporto da cidade poderá ganhar o nome de um cientista paraense que construiu um artefato para voar há mais de 100 anos e conseguiu elevar-se efetivamente do chão, em Belém e em Paris.

Como nome de aeroporto é coisa federal, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou ontem PL que denomina de “Aeroporto Internacional de Belém Val-de-Cans-Julio Cezar Ribeiro” o nosso aeródromo principal. Para ser realidade, falta apenas a aprovação do Presidente da República (clique aqui).

A homenagem é mais do que justa a um grande paraense que muito andou pelas ruas de Belém em busca de recursos para transformar em realidade o seu sonho científico de voar. Existem algumas homenagens, como uma escola; a avenida que liga o aeroporto à Almirante Barroso; diversos livros e estudos científicos; o documentário premiado no DOCTV, “O homem do balão extravagante”; a premiada peça de Carlos Correia Santos, “Júlio irá voar” (de onde vem a foto que está aí em cima, captada do Guiart).

Apenas duas coisas merecem atenção. Primeira, manter o nome Val-de-Cans. Pode ser histórico, homenageia os pioneiros, até deu nome ao bairro. Mas nunca vai deixar de ser Val-de-Cans. Veja o exemplo do Galeão: quem, além das comissárias de voo quando estamos para pousar, chama o aeroporto do Rio pelo longo nome completo? Continua Galeão, porque o nome é “Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Galeão-Antonio Carlos Jobim”. A segunda coisa é que o nome do homem é Júlio Cezar Ribeiro de Sousa (como registra Ernesto Cruz) e no PL está faltando o Sousa.

Na adolescência e juventude li muitos artigos do médico Fernando Medina do Amaral, em A Província do Pará, sobre Júlio Cezar e passei a admirar este caboclo do Acará, nascido em 1843, pobre, mas lutador, que morreu aos 44 anos.

Vamos torcer para que o presidente não ache esta idéia uma m..., como ele agora usa falar, e aprove a lei. Esperemos que os políticos ajam para explicar quem é este nosso Júlio Cezar.

Como subsídio, leia, clicando aqui, o artigo “Julio Cezar, o revolucionário da aeronavegação” do jornalista Walter Pinto, de quem fui colega em “A Província do Pará”, para o jornal Beira do Rio, da UFPA, onde ele revela uma faceta pouco conhecida do inventor, o ser poeta. Aliás, foi desse artigo que captei a ilustração de JC com o balão “Victoria”: é trabalho do Walter, também excelente ilustrador.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h17
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O BACALHAU DE D. ORANI

ARCEBISPO DO RIO NA ALTA GASTRONOMIA

A gastronomia franco-carioca, quem diria, dobra-se a d. Orani João Tempesta: o simpático restaurante “Blason” lançou o “Bacalhau à dom Orani”, homenageando o simpático arcebispo do Rio. Trata-se do peixe desfiado, com batata sauté e cebola em um molho cremoso de bacalhau e gratinado com queijo. Já faz sucesso, com direito a destaque na Vejinha Rio.(na versão impressa, teve direito a foto). A novidade foi resultado de um jantar em homenagem ao antístite, quando o chef do restaurante desenvolveu o prato, aprovado por d. Orani e autorizado por ele a fazer parte do cardápio da casa, batizado com seu próprio nome. O homem está conquistando o Rio de Janeiro, como conquistou esta cidade, quando exercia seu apostolado pelas ruas de Belém.

O “Blason” é um restaurante de culinária francesa com toques contemporâneos, comandado pelo chef Elizeu Ferreira e que fica em um lugar belíssimo, a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, na praia do Flamengo, um belo casarão em estilo neoclássico francês construído em 1920. O lugar merece ser visitado, pois tudo é muito fino, requintado. Estive lá há alguns anos e fiquei cativado por tanta beleza. Fui visitar uma exposição de vestidos de altíssima costura, da Carmen Mayrink Veiga dos velhos e glamurosos tempos: tinha Givenchy, Saint Laurent, Pierre Cardin, Valentino, Azzaro, Ungaro e por aí. Pura arte em tecidos, agulhas e linhas. De imediato, você pode visitar o site da Julieta de Serpa, conhecer sua bela história e fazer um passeio por essa arte toda, clicando aqui.

 

No post em que comentei a transferência de d. Orani para o Rio de Janeiro,
em fevereiro último, reproduzi o cartum de A. Torres daquele dia no jornal
Diário do Pará. Acho que vale relembrar esse belo trabalho de ilustração,
mais do que nunca cheio de simbolismo... (leia aquele post clicando aqui).

 



Escrito por Fernando Jares às 18h59
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FLORESTA E CIDADE EM HARMONIA

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Se quiser que o amor lhe deixe, / coma carne e depois peixe, / se quiser que o amor lhe agarre / coma peixe e depois carne”

Quadra que era dita pelo grande oriximinaense Guilherme Imbiriba Guerreiro, meu sogro, que no sábado passado teria completado 90 anos de vida.

A CONTEMPORÂNEA COZINHA AMAZÔNICA DE THIAGO CASTANHO

A revolução da gastronomia paraense, que começou nos anos 1990, pelas mãos do chef Paulo Martins, prossegue com novos valores profissionais. Conheci o trabalho de um novo talento, de quem já referi neste blog elogios a ele dirigidos: Thiago Castanho. Leia sobre isso, clicando aqui.

Herdeiro de uma experiência de sucesso com a tradicional cozinha paraense, passada por seus pais, Carmem e Francisco, que comandam há anos o restaurante “Remanso do Peixe”, Thiago acrescenta aos produtos gastronômicos locais, modernos conhecimentos, inclusive acadêmicos.

Acompanhamentos até inesperados fazem companhia ao pirarucu, à pescada, às carnes, que ganham releitura no preparo, no cozer e na apresentação. Recursos da melhor gastronomia contemporânea, associados ao que a floresta nos oferece.

Na quinta-feira passada experimentei um menu degustação, com algumas das receitas que fazem o sucesso do jovem chef nos melhores salões de São Paulo, harmonizadas essas preciosidades gastronômicas com vinhos chilenos e argentinos da linha da Grand Cru.

Pensei na didática quadrinha que abre a coluna, sempre citada pela Rita, inclusive na educação das meninas, ao participar desse menu degustação, onde a etiqueta foi rigorosamente seguida. Aliás, o meu avô também me ensinou essa regra, apenas sem a quadrinha.

O desfile começou com um agrado fora do cardápio: alho assado com azeite de trufas e farofa de azeitonas pretas. E começou bem: o alho estava no ponto ideal, pelo menos para mim, quando fica sem o ardido. E ainda teve a “ajuda” do azeite. Amante de farofas e crocantes de um modo geral, é covardia defrontar-me com uma boa farofa. E esta estava ótima.

O primeiro prato foi um “Carpaccio de polvo com pescada defumada e cogumelo paris”. As finas fatias de polvo ganharam a influência da pescada defumada, completando-se e causando uma sensação agradável ao paladar. Foi harmonizado com um Espumante Nocturno Brut, argentino.

Veio em seguida o gigante dos rios amazônicos, nosso queridíssimo pirarucu, só que numa reengenharia danada: “Pirarucu defumado com purê de banana da terra e farofa de castanha-do-pará”. O peixão defumado eu já conhecia de outros manjares e este estava muito bom! Destaque para a farofa de castanha-do-pará, que complementou de tal forma o prato, que o pirarucu deve ter ficado todo vaidoso, harmonizado com um Tabalí Impetu Chardonnay, chileno.


A “Pescada confitada com banana nanica, quiabos assados e farofa de coco” (foto acima) veio a seguir, com o confit como deve ser (talvez pudesse ter um pouco menos de gordura). Os quiabos assados ganham uma função além de decorativa: como eu gosto de quiabo, os adorei assados e bem temperadinhos. A harmonização foi com um Tabalí Impetu Sauvignon Blanc.

 

Saímos dos habitantes dos rios e a aventura em terra começou com um “Ragout de costela bovina, com pirão de leite e queijo parmesão e jambu (foto acima). Disse-me uma vez o István Wessel, um dos magos das carnes Wessel, que a costela é uma das partes mais gostosas da carne bovina. Concordo inteiramente. E mais uma vez comprovei isso neste ragu. Estava bem macia e temperada, mantendo a consistência da costela e associando-se bem aos acompanhamentos. Servida com um vinho Sta. Rita Gran Hacienda, chileno.

 

Para completar, chegou à mesa um “Carré de cordeiro com mousseline de pupunha (foto acima), que merece ser observado em dois aspectos. O cordeiro estava perfeito – sou fã desta carne que nem sempre recebe o tratamento adequado, mas este, além de gostoso, estava bonito, brilhante. A mousseline de pupunha tinha uma textura delicada como deve ser, mas guardava no fundo um sabor um pouco amargo – e esse é um desafio da pupunha, magnífica quando consumida ao natural no acompanhamento de carnes, queijos, etc., mas traiçoeira quando processada. Concentrei-me no cordeiro e as papilas gustativas estão a agradecer até agora! O acompanhamento ficou por conta do Sta. Rita Gran Hacienda.

Encerramos o pantagruélico festival com um primor: “Graviola com calda de chocolate branco, finas lascas de castanha-do-pará, suspiro de cumaru e tapioca caramelizada”. Imagine os grãozinhos de tapioca caramelizados: não deixei escapar nenhum deles. A graviola, fruta pela qual nem morro de amores, deu um salto qualitativo extraordinário ao ser acompanhada pela calda de chocolate branco, docinha. O suspiro de cumaru trouxe um toque de sabor de floresta ao conjunto. O vinho Tabalí Late Harvest completou a harmonia e a leveza do prato, ajudando a perdurar o doce sabor da fruta amazônica.

Ops, papo ficou longo, mas como o jantar foi de longo alcance e de alto nível, merecia ser todo partilhado com vocês.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h33
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MARAVALHO NARCISO BELO

MADEIRA? FLOR? MITO? POLÍTICO? RUA?

Quando eu era criança lembro que muito ouvi o nome Maravalho, nos assuntos relacionados à segurança e a problemas com o trânsito, com os antiquíssimos ônibus que circulavam pelas ruas de Belém ou com os carros de praça (táxis, na época). Além disso, intrigou-me sempre este nome absolutamente diferente: Maravalho Narciso Bello. Vamos tentar desvendar essa história.

Desaparecido dos noticiários, ele faleceu na semana passada e eu não vi nenhum registro na imprensa, a não ser o convite para a Missa de 7º dia, publicado pelas filhas. Ultimamente eu só ouvia o nome ligado a uma rua na Marambaia. Será que quem mora ou trabalha lá, sabe quem foi o homenageado?

 

 Magalhães Barata assina o termo de posse no governo do Estado, 1956,
ao lado do deputado João Camargo. Aparecem ainda Maravalho Bello,
o jornalista Ubiratan de Aguiar, Waldir Bouhid, Lameira Bittencourt e outros.
Foto captada do livro “Magalhães Barata” (2º volume, pág. 879).

Maravalho Narciso Braga foi um militar, homem público e político com grande ação no Pará nos tempos de Magalhães Barata, especialmente no final dos anos 1950. Foi comandante da Polícia Militar e delegado de trânsito. Homem de confiança do velho caudilho, realizou misssões políticas audaciosas, inclusive no interior do Estado, bem ao estilo baratista. Em 1957 era o preferido de Barata para a eleição à prefeitura de Belém – mas foi derrotado internamente em manobra de uma ala mais chegada ao líder (essas tendências não são novidade do PT, portanto...). O jornalista e historiador Carlos Rocque, no livro “Magalhães Barata” (volume 2, página 894), relata a reunião realizada em 9 de julho, quando MB apresentou seu candidato (Dionísio Bentes, que acabou derrotado por Lopo de Castro). Barata fez uma análise dos possíveis candidatos, detendo-se em Maravalho, “ressaltando as suas qualidades, confessando que, apesar de ser um candidato talhado para ser o prefeito de Belém, jamais iria poder indicá-lo, pois iria perder um comandante da Força Pública e um supervisor de Trânsito”. Para o PSD havia incompatibilidade constitucional para a candidatura, o que Maravalho contestava, mas Barata assim o considerou, segundo Rocque: “disse estar satisfeito com a incompatibilidade, pois ‘não seria negócio perder um auxílio como esse”.

Maravalho foi candidato a prefeito em 1965, a primeira eleição, ainda direta, sob o regime militar (vencida por Stélio Maroja). Foi eleito deputado estadual e vitimado pelo AI-5, em 14/03/1969, tendo suspensos seus direitos políticos e cassado o mandato (leia aqui). Participou do Movimento Militar Constitucionalista, que tinha como inspirador o general Zenóbio da Costa, que foi Ministro da Guerra de Getúlio Vargas (leia aqui).

ESTRAMBÓTICO – As pessoas têm nomes próprios que, normalmente, são apenas nomes próprios. Fernando, por exemplo, é Fernando apenas, um nome próprio – no máximo há quem faça algumas interpretações do significado: ousado, alto, etc.

Mas Maravalho Narciso Bello é um nome formado por substantivos ou adjetivos, de sentido dicionarizado e até complementar, pode-se dizer.

Maravalho, que consta do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, é o mesmo que maravalha, segundo o dicionário iAulete, que cita “Não ter talho nem maravalho”. Lembra de Barata ter dito ser ele um “candidato talhado” – conheceria este ditado? Maravalhas são fitas estreitas que se formam ao aplainar a madeira. Para o Houaiss são “aparas ou lascas de madeira”.

Narciso é homem extremamente vaidoso, que admira a própria beleza, a partir do mito grego, diz o iAulete. E tem até uma flor com esse nome, veja aqui.

Bello, embora com dois eles, o que seria uma forma antiga de escrever esse adjetivo, é algo muito bonito, que tem proporções e traços que satisfazem a padrões estéticos de harmonia e beleza, cfe. o iAulete.

O nome de nosso personagem consta até em listas especializadas em nomes diferentes, como a de “Nomes estrambóticos”, do Recanto das Letras (clique aqui).

Fica este pequeno registro na blogosfera, que pode servir de pauta para aprofundamento maior sobre essa figura de nossa história recente, por jornalistas, historiadores, escritores.



Escrito por Fernando Jares às 19h06
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COLUNA GASTRONÔMICA

A coluna gastronômica das sextas-feiras será publicada apenas segunda-feira, com o sabor de uma experiência muito agradável.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h37
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OS DO DIREITO, EM 1971 (1)

11 DE DEZEMBRO, UM DIA, UMA DATA

Em um 11 de dezembro, como hoje, em 1971, quando a cidade assistia ao filme “O padre que queria casar-se”, no cine Palácio; em que no ginásio do Sesc acontecia a final do I Festival Estudantil da Canção Popular, coordenado pelo sempre lembrado Eduardo Abdelnor, na época, professor, e que trouxe a Belém o maestro Erlon Chaves para o júri e o compositor e homem de tevê Sérgio Bittencourt, como apresentador; quando se aguardava a estreia, no dia seguinte, de “O corcunda de Notre Dame”, com Gina Lolobrigida e Anthony Quinn, no Nazaré; quando Fernando Guilhon era governador do Estado e Nélio Lobato o prefeito da capital, 82 novos bacharéis em ciências jurídicas, formados pelo Curso de Direito da UFPA, passavam a circular pelas ruas de Belém. Olha a maioria da turma:

 

Quase todos se reuniram para esta foto, na praça em frente à faculdade,
inclusive alguns mestres. Olhe só esse time deles, à direita, no “térreo”:
Orlando Bitar, Aldebaro Klautau e Daniel Coelho de Souza! No outro extremo,
 quase fora da foto, o professor Diniz Lopes Ferreira, em seguida a Rutnea
Guerreiro e eu. Não dá para nominar todos, mas lá em cima junto ao busto do
Ruy Barbosa, estão a Maria Eugênia Rio, o Mário Chermont, o Vanilson Hesketh e o Jader Barbalho.
Qualquer dia vou fazer um levantamento de todo mundo, para saber por onde andamos.
Talvez para festa dos 40 anos, em 2011. A lista completa está no post a seguir.

O professor e desembargador Silvio Hall de Moura era o patrono e emprestava seu nome à turma, sendo paraninfo outro querido mestre, Júlio Alencar. O reitor da UFPA era também professor de Direito, Clóvis Malcher, e o coordenador do curso era Adherbal Meira Mattos.

A solenidade de colação de grau foi no Palácio da Justiça, às 20h – foi a primeira vez que uma cerimônia deste tipo ocorreu no plenário do Tribunal, àquela altura na praça Felipe Patroni.

Era uma turma festeira e amiga, a despeito do tamanho: geralmente era dividida em duas, mas, às vezes, a aula era para todos e aí tinha que ser no auditório. Tudo festejávamos – pois é, eu estava no meio – desde a primeira série. No último dia de aula, a cada ano, havia uma bandinha muito ruim, dirigida por um bedel, nos esperando para “animar” festinha na praça em frente à faculdade (onde hoje é a OAB, no largo da Trindade), naturalmente com as batidas do Primavera sendo vitais para o bom êxito... Depois de formados, os encontros continuaram, no dia 11 de dezembro, naturalmente com muito menos gente, pois alguns não se ligavam nesse tipo de encontro, outros viajaram para longe e, alguns, infelizmente, porque a vida é assim mesmo, nos deixaram em definitivo, indo para a morada de Deus. Mas alguns e, especialmente algumas, heróis/heroínas, mantiveram a tradição. Nas datas redondas a festa era maior: teve no Iate Clube, no Signos Clube, etc. Fiquei fora por muitos anos, trabalhando demais nas lides da comunicação. Hoje, 38 anos depois, lá estarão reunidos e, desta vez, pretendo estar no meio. Talvez façamos menos macaquices, mas talvez nos amemos mais.



Escrito por Fernando Jares às 13h21
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OS DO DIREITO, EM 1971 (2)

Aqui está a relação dos que concluíram o Curso Direito pela UFPA em 1971:

adra elisa henriques gaia

adriano gustavo seduvim

aglício de sousa carvalho

alcyr monteiro cecim

álvaro odernes muniz carvalho

américo bêdê freire

ana maria crispino

ana maria melo castelo branco

ana maria ribas magno

antônio carlos teixeira de oliveira

antônio ferreira magalhães

antônio henrique de oliveira valle

antônio raimundo de oliveira paula

arnaldo augusto martins meira

aylton da silva pinheiro

carlos augusto menezes sampaio

dagoberto maia de carvalho

delio chuquia mutran

djalma machado

domingos emmi

eduardo ferreira pinto

eva maria pinto da silva godinho

expedito leal ribeiro

fabiano cândido ferreira

fernanda iglesias de melo

fernando antonio jares martins

fernando da silva gonçalves

francisco brasil monteiro

getúlio barbosa aguiar

iracema cassiano viana

jader fontenelle barbalho - orador

joão custódio ebling nunes dos santos

josé arimathéa vernet cavalcanti

josé maria leal paes

josé maria martins dias

josé maria paes lourinho

josé ribamar loureiro braga

josé de sousa forte filho

laércio de almeida larêdo

lais izabel peres zumero

lélio railson dias de alcântara

leonor severa de oliveira miglio

luiz miguel negrão machado

manoel augusto de lima borges

maria dos anjos serra freire

maria da conceição colino pina

maria ediná dias da rocha

maria eugenia marcos rio

maria de fátima vasconcelos penna

maria das graças cabral viégas

maria das graças contente de oliveira

maria das graças meira abnader

maria das graças da rocha rodrigues pereira

maria helena loureiro chaves

maria de lourdes nascimento gama azevêdo

maria lúcia magno patriarcha

maria luiza negreiros

maria de nazaré dias

maria sílvia de magalhães corrêa

márioo cláudio tavares

mario moraes chermont

mariza machado da silva lima capucho

marlene rodrigues medeiros

mírian paulo de oliveira

moacir guimarães moraes filho

nortemires moraes dos santos

paulo castro de pinho

pedro monteiro dos santos

regina das graças nunes

regina maria gama de carvalho

regina maria moraes de carvalho

reinaldo de jesus castro dos santos

risonete botelho patêlo

rubem conde de almenda

rutnea guerreiro dos santos

sérgio torres do carmo

sílvia mary lima cardoso

somira souza leão de sales

vanilson ferreira hesketh

vicente josé molheiros da fonseca

zacarias augusto sardinha corrêa

wilson da silva lobato

 



Escrito por Fernando Jares às 13h16
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A CORNETA DA LIQUIGÁS

PERSEGUIÇÃO SONORA AO CONSUMIDOR

Quando a Petrobrás comprou a Tropigás, eu juro que pensava que eles acabariam com o som insuportável daquela cornetinha berrando pelas ruas de Belém: “Olha a Tropigás!”. Afinal, uma das maiores empresas do mundo, teria forma mais racional e respeitosa de se dirigir ao ilustre público consumidor do que aquele barulho infame – principalmente logo de manhã cedo, incluindo sábados e alguns feriados.

Faz muitos anos que esse barulho apareceu, como novidade mercadológica, anunciando os carros de distribuição da Tropigás. Contrapunha-se a um sino utilizado pela concorrência e ao bater de dois ferrinhos, pelos distribuidores em bicicletas. Todos imaginavam que era uma coisa temporária, de lançamento. E penso que, na concepção de quem criou o monstrinho, deveria ser por aí. Temporada de lançamento. Naquela época a Tropigás pertencia ao grupo Belauto, do audacioso empreendedor Jair Bernardino de Souza, morto  prematuramente em 1989, em acidente em seu jatinho aqui em frente a Belém. No que conheci o Jair (fiz atendimento da conta Belauto, logo que ele chegou a Belém) deveria ser mesmo apenas para essa fase da empresa.

Mas ficou. Ao longo dos anos, sempre pipocando aqui e ali uma reclamação na mídia. Mas ficou. Quando a empresa foi comprada pela Petrobrás... continuou. Apenas melhorou porque, talvez por ser estatal, relaxou mais no horário: antes, o primeiro carro passava exatamente às 8h – pense no sábado, único dia que eu podia dormir até mais tarde, a cornetinha berrando embaixo da janela. E quem tem um doente em casa? E aquele bebê que não dormiu a noite toda...

Registrei no Twitter: leia clicando aqui sobre o feriado de 15 de agosto. Ou mais recentemente, quando meteram texto de uma promoção, aqui.

Será que a Secretaria do Meio Ambiente não pode agir neste caso? Ou a polícia ambiental?

Para quem tem dúvida sobre o que é esta perseguição sonora, ouça no YouTube, clicando aqui.

Eu, como não posso fazer outra coisa, não compro mais da Liquigás.

 



Escrito por Fernando Jares às 19h24
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UMA FILMAGEM PIONEIRA

1974, UM COMERCIAL

 

A foto acima é um registro profissional de 35 anos atrás: 04 de maio de 1974. Desencavei-a de meu arquivo fotográfico e mostra a captura de imagens para um dos primeiros comerciais filmados em Belém, seguramente. Muito diferente da parafernália hoje movimentada por produtoras como a Imagem, para gravar um comercial...

Naquela época os comerciais eram feitos por produtoras do Rio de Janeiro e de São Paulo. A Mendes, por exemplo, onde eu trabalhava na época, tinha até um escritório no Rio principalmente para atender a grande demanda de produção. A criação era aqui mesmo, mas a produção tinha que ser lá fora. Lembro da PPP, no Rio – ainda recentemente, na Albras, trabalhei com Hubert Perrin, um dos Ps (o outro era René Persin), na produção de documentários –; e da Lynxfilm, do grande pioneiro da produção comercial brasileira, César Mêmolo Jr, que veio algumas vezes a Belém e muitas vezes alguém da agência ia a SP para acompanhar a produção. Quer saber mais sobre a Lynxfilm? Veja um documentário da TV Sesc/Senac, clicando aqui. Acho que os mais antigos pouquinha coisa na profissão e os que pesquisam propaganda, vão adorar...

Mas voltando à foto lá de cima. Era a produção local de um comercial para a Belauto, que apresentava o novíssimo Centro de Diagnose dessa revenda Volkswagen. O equipamento permitia fazer um chek-up no veículo, rapidinho, coisa de alta tecnologia, na época. Na retaguarda técnica estão Rosenildo Franco, com seu porte antecipador do Michael Jackson (penso que na época saindo do Jackson Five...) e eu, com meu “braço de açucareiro” como dizia o papai. Ambos de grandes cabelos. Acho que era um sábado, pra eu não estar de paletó...

Mas o grande destaque da foto é quem está com a câmera: o cinegrafista Milton Mendonça, um documentarista pioneiríssimo, de quem lembro sempre com grande respeito. Muitas cenas ele registrou pelas ruas de Belém, inclusive para documentários que rodavam o Brasil, exibidos em cinema, antes dos filmes, os chamados “fox jornal”. Nos anos 40, ele já tinha a produtora Jussara Filmes. Também trabalhou em televisão, como na Guajará e na TV Liberal, logo no início. Mestre de todos que com ele se relacionavam, contribuiu para grandes profissionais da imagem, do Rubens Onetti (TV Marajoara) ao Gouveia Jr., recentemente falecido.

Milton até ajudou-me a montar o delicioso filme, em super-8, do meu casamento... mas isso é outra história.



Escrito por Fernando Jares às 19h47
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FLEXIBILIDADE NAS LEIS

CASSA, DESCASSA; PRENDE, SOLTA; É FERIADO, MAS TRABALHA!

Já não é de hoje que brasileiros, especialmente aqueles que têm poder político ou econômico, decidem se devem, ou não, seguir uma lei que os incomoda. Tem até lei que não pegou e foi revogada, como aquela que antecipava feriados para as segundas-feiras, nos anos 1980! Isso se aplica aos mais diversos campos. Independente da questão partidária, como entender que um juiz cassa um prefeito, alegando evidências de desrespeito à lei, e horas depois, outro juiz derruba essas tais evidências, invocando o mesmo respeito à legislação? Vemos isso também em relação às ações policiais: políticos, traficantes, empresários, presos acusados por corrupção, tráfico de drogas, sonegação, etc., geralmente os graúdos, são soltos horas após a prisão, por decisão judicial. Essa quase livre interpretação das leis não será perigosa para o equilíbrio da sociedade?

Como essas coisas se espalham, as leis dos feriados são grandes vítimas. O feriado existe, mas respeita a lei quem o quiser. Hoje, por exemplo, é feriado municipal na cidade, mas tem um monte de gente trabalhando pelas ruas de Belém. Não é feriado nacional, como alguns afirmam. É um dos quatro feriados municipais a que o belenense teria direito... Não é nacional: estou em Niterói, onde não é feriado. No Rio também não é feriado. Em Barcarena, Pará, não é feriado, mas é em Abaetetuba e Santarém. Para a igreja católica, é Dia Santo de Guarda e quem tiver condições tem obrigação de ir à Missa. Quem tiver de trabalhar, está dispensado. Hoje, na festa da ganhância, até repartições públicas arrecadadoras funcionam e, segundo os jornais, até a Justiça!

Veja bem: quem regula feriados é a lei federal, que autoriza quatro para os municípios, incluindo a Sexta-Feira da Paixão. Estadual existe apenas um, a chamada Data Magna do Estado. Nacionais são oito: 01/01, Confraternização Universal; 21/04, Tiradentes; 01/05, Dia do Trabalho; 07/09, Independência do Brasil; 12/10, N. S. Aparecida – Padroeira do Brasil; 02/11, Finados; 15/11, Proclamação da República; 25/12, Natal.

No ano passado escrevi sobre isto, detalhando a legislação. Você pode ler clicando aqui.

Existem ainda alguns feriados de classes profissionais, como Dia do Funcionário Público, com lei própria, que permite aos barnabés um dia de bubuia... Há também feriados locais, de categorias trabalhadoras, acertados entre empregados e empregadores, como Dia do Comerciário, em Belém.

Portanto, 8 de dezembro é feriado em Belém. É lei e, como tal, deveria ser obedecida, independente dos (cruéis) desejos capitalistas de ganhar mais e mais.



Escrito por Fernando Jares às 15h11
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OS INFLUENTES DE BELÉM

TRÊS ENTRE OS MAIS INFLUENTES DO BRASIL

Três do Pará estão na lista dos 100 Brasileiros Mais Influentes de 2009, apresentados pela revista Época desta semana, sendo que dois nomes aparecem ali por serem destaques internacionais.

São o procurador da República Daniel Avelino, a cantora (soprano) Adriane Queiroz e o lutador Lyoto Machida. Embora nem todos nascidos no Pará, são gente que circula pelas ruas de Belém e foi aqui que mostraram o talento que os coloca em uma seleta relação de apenas 100 brasileiros.

Daniel Avelino é um dos “Líderes e Reformadores”, em um elenco que inclui os presidentes Lula e FHC, Aécio Neves, Dilma Russef, José Serra, Guido Mantega e outros tantos. Cada selecionado tem um perfilador que, no caso de Daniel, é o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, para quem o eleito “faz parte de um time de jovens e corajosos procuradores da República que, em regiões remotas da Amazônia, constrói pontes entre a justiça distante e as comunidades da floresta – as maiores vítimas da destruição da biodiversidade e da desagregação social provocada pelas motoserras que derrubam a floresta”. Ele é o homem que, com o poder da legislação, conseguiu impedir que desmatadores vendessem seus bois obtidos de forma irregular. Enquanto outras autoridades apenas faziam blá-blá-blá a respeito.

A paraense Adriane Queiroz, soprano das mais respeitadas no mundo, divide a página com o pianista Nelson Freire e está no time que tem a cantora Céu, Juliana Paes, osgemeos, Glória Perez, Paulo Coelho, Cristóvão Tezza, Marcelo Adnet, etc. Seu perfilador é o muito respeitado diretor de ópera William Pereira (até semana passada estava com uma montagem de “O Barbeiro de Sevilha”), que coloca a moça na posição de medalhista olímpica com um conceito definitivo: “No universo da música erudita, ser solista da Staatsoper de Berlim (a principal casa de ópera alemã), ser regida por Daniel Baremboim e gravar Mahler, com o lendário Pierre Boulz, equivale a conquistar medalhas de ouro na Olimpíada. E o Brasil pode celebrar essas medalhas”. E acha que é uma “carreira em ascensão”.

O terceiro nome do Pará a integrar a lista das personalidades brasileiras mais influentes do ano é mais um destaque internacional, o lutador Lyoto Machida, nosso campeão mundial, primeirão nos meio-pesados do Ultimate Fighting Championship. Ele aparece entre os “Ídolos e Heróis”, tendo a companhia de Ronaldo Fenômeno, César Cielo, Gisele Bündchen, Roberto Carlos (o cantor), Kaká, Dunga e mais outros. Machida, nisei-paraense nascido em Salvador, tem como surpreendente perfilador o senador pelo Amazonas, Arthur Virgílio Neto, que a revista revela ser faixa vermelha e preta em jiu-jitsu. Diz o senador, afirmando ter presenciado “seu lançamento ao estrelato nacional em Manaus”, que “Lyoto emociona. Provoca admiração. Vence. Enche de orgulho milhões e milhões de brasileiros”.

Segundo a revista Época (leia matéria clicando aqui) a lista, apresentada pelo terceiro ano, reúne brasileiros que se destacaram “pelo poder, pelo talento, pelas realizações ou pelo exemplo moral. Para integrar a lista, é preciso satisfazer pelo menos um desses critérios de modo destacado ao longo do ano.” Além das três já apresentadas, as outras três categorias são: Empreendedores & Pioneiros, Guias & Pensadores e Benfeitores.

 



Escrito por Fernando Jares às 20h20
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NOSSO URUBU NO MARACA

URUBU DE BELÉM TIRA ONDA DE CARIOCA

 

Uma turma de intrépidos torcedores paraenses devora milhares de quilômetros, atrasos nos aeroportos (mais de 15%, hoje), torradinhas a bordo, para participar do jogo com que o Flamengo deve receber o título de campeão nacional, outorgado por estranhos gaúchos decididos a perder a qualquer custo, ao que comenta a crônica especializada... neste caso, sou apenas espectador, porque o meu Papão há muito está perdido desses campeonatos superiores.

Muitos desses paraenses usarão a camisa que está aí em cima, que captei do site Pó de Vídeo. Com a frase “Urubu do Ver-o-Peso no Maraca” homenageia um dos personagens mais populares da peça “Ver de Ver-o-Peso”, justamente o urubu do Ver-o-Peso, que faz a condução entre as diversas cenas do espetáculo. Um dos criadores do personagem, o ator Mário Filé, deu tal interpretação ao simpático urubu que lhe deu vida própria, inclusive com esquetes sobre comportamento ambiental correto, combate ao lixo, etc., que a criançada sempre gosta.

Hoje almocei, aqui em Niterói, onde passo alguns dias, com o Guilherme Guerreiro, que vai transmitir o jogo para a Rádio Clube do Pará, com a correção habitual, e virar eco pelas ruas de Belém, como sempre acontece. Para quem não aguenta mais o Galvão, uma alternativa é “ver o jogo” ouvindo a Rádio Clube. Ou tirar o som da tevê e ouvir a rádio – mas aqui há o problema da defasagem técnica, pois devido à diferença de sistemas de transmissão, áudio e vídeo não ficam simultâneos - mas o rádio chega na frente, o que é vantagem... Quem está fora de Belém e tem Sky, pode ouvir o som da Clube, e muito bem.

 



Escrito por Fernando Jares às 16h15
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GASTRONOMIA: DIVULGAÇÃO E RECEITAS

FRASE GASTRONÔMICA DA SEMANA

“Não podemos deixar que o peru no tucupi invada como um vírus a nossa grande festa paraense, o Círio de Nazaré”

Thiago Castanho, chef do restaurante “Remanso do Peixe”, à revista Troppo (O Liberal), edição de 22/11/2009

JOIAS GASTRONÔMICAS DO PARÁ

Gostei de ler essa declaração de Thiago Castanho, que coincide, em gênero, número e grau, com a defesa desse nosso patrimônio cultural gastronômico, que fizemos neste espaço virtual, em outubro, ao mostrar a desigual batalha marketeira que se desenvolve na cidade entre nosso bípede palmípede e o peru sulista: “A emocionante peleja do patarrão com o peru rico”. Há que resistir! Leia o post que escrevi em 09/10, clicando aqui.

Tenho registrado a boa escalada da divulgação de nosso produto gastronômico, que necessita, urgente, de uma contrapartida profissional para fixar essa informação aos valores turísticos paraenses e gerar produtos que tragam os preciosos turistas. Essa divulgação não acontece por acaso, obviamente. É resultado da cruzada criada e empreendida pelo chef paraense Paulo Martins, desde o final do século passado, levando a culinária paraense aos grandes centros consumidores, no Brasil e no exterior, e trazendo a Belém grandes chefes, novamente do Brasil e do exterior, notadamente para o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”.

Viajei ontem pela Gol e, na revista de bordo da companhia, lá estava a nossa comidinha regional, na forma de indicações (“Joias do Pará”) da cantora e compositora curitibana Thaís Gulin, “fã de Belém”: a cozinha do Remanso, o Ver-o-Peso com suas comidas, temperos, perfumes, etc., além do Theatro da Paz e dos discos paraenses do Ná Figueiredo. Nesta mesma revista tem um texto muito agradável, do excelente e tarimbado jornalista Arthur Veríssimo, sobre o Sairé, de Alter do Chão. Muito legal.

Por sinal, em setembro, nesta mesma revista, o jornalista Kike Martins da Costa traçou um roteiro gastronômico pelas ruas de Belém, mais ou menos sobre o trajeto do Círio, com as principais atrações gastronômicas da cidade. Fotos de Felipe Gombossy. E em outubro Carla Conte contou uma aventura pelo Marajó, com fotos de Caio Vilela. Registre-se uma mancada grave, de edição: os voos para acesso foram indicados por Manaus...

Vou fechar esta sexta gastronômica com as duas receitas que foram apresentadas, em outra boa ação de divulgação, pela jovem chef Daniela Martins, no programa “Dia Dia”, na Band, em rede nacional, na semana passada. Ela participava, em SP, de um festival paraense no restaurante “EmpreStado” – leia, clicando aqui, o que escrevi sobre. Dani esteve recentemente no festival “Porto Amazônia”, no festejado restaurante paulista “Porto Rubaiyat”, tendo como foco a sustentabilidade. A jornalista Cléo Soares fez um texto muito legal sobre o assunto na Revista do jornal Diário do Pará de 15/11:

Agora, as receitas, de “Muçuã de Botequim”, que você pode ler no site da Band, clicando aqui e da sobremesa “Mundico e Zefinha”, que está aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h25
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LIBERDADE NO PALCO

A RECRIAÇÃO EM “LIBERDADE, LIBERDADE”

Um dos clássicos do chamado “teatro de protesto” do Brasil, nos inícios da ditadura militar, quando ainda liberavam espetáculos desse tipo, “Liberdade, Liberdade”, ganhou recentemente nova vida em palcos paraenses, com o título “Liberdade, liberdade: Exercício n. 1”.

Foi o resultado de uma oficina com o Grupo de Teatro da Unama sendo a montagem uma livre adaptação inspirada na obra de Flávio Rangel e Millôr Fernandes - como permite a boa liberdade na criação teatral.

Esse exercício lembrou-me a peça que tanto sucesso fez nos idos de 1965. Também não era para menos, além dos dois gênios que a criaram, a peça tinha em cena: Paulo Autran, Nara Leão, Oduvaldo Vianna Filho, com participação especial de Tereza Rachel. Entendeu? Os melhores em cada especialidade! Tinha que ser sucesso!

O trabalho era uma colagem de textos e músicas de grandes autores, nacionais e estrangeiros, novidade na época, ligados por textos produzidos pela dupla Millôr e Rangel. Sou apaixonado por essa peça. Tenho o livro com o texto completo, tenho o LP (vinil) e o CD (o vinil remasterizado), que faz parte da caixa dupla com toda a discografia de Nara Leão. Você vê ao lado o selo da bolacha negra e, abaixo, capa e contracapa:

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Na contracapa, Paulo Autran “encena” a estátua da Liberdade (NY), “com aquelas coisas pontudas”.

Não, não vi “Liberdade, Liberdade” no palco, pois naquela época era difícil e raro este vivente pelas ruas de Belém ir ao “sul”, imagine para ver uma peça no teatro.

No entanto, na mesma linha de colagem, vi alguns anos depois, acho que em 1967 ou 68, no Rio, a peça “Meia volta, volver”, do Vianinha, salvo engano com Armando Costa, a dupla criadora da série “A grande família” para a televisão e que ainda hoje está no ar, na Globo. Lembro que tinha no elenco a Mariana de Moraes, neta do Vinicius e acho que a Odete Lara. Vou pesquisar o que tenho a respeito e volto com ela. Foi meu primeiro contato pessoal com este estilo de criação. E já em 1969, Rosenildo Franco e eu, criamos e montamos o espetáculo “Receita de Mulher”, também colagem de textos e músicas, tendo a mulher como foco central que, acabei de descobrir (!) em uma matemática muito simples, fez 40 anos! E eu nem lembrava. Vamos ver se pra semana eu escrevo a respeito.



Escrito por Fernando Jares às 19h03
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HEROÍNA POPULAR DE VOLTA

O TEATRO COM A MAIS POPULAR SANTA POPULAR

Severa Romana, de Nazareno Tourinho, volta ao palco. A peça sobre a “santa popular” dos belenenses ganha mais uma encenação a partir de hoje, pela Trupe de Teatro Flor de Lyz, que assim comemora seu nono aniversário de atividades. Nesta montagem tem o nome de “Severa Romana a Mártir Popular”. Trata-se, possivelmente, da peça teatral paraense com maior número de montagens, não apenas aqui em nosso Estado, mas por todo o Brasil, inclusive São Paulo, um grande consumidor de teatro.

Nazareno Tourinho, o autor, é uma figura de que muito gosto, jornalista, pesquisador, autor de várias peças e muitos livros.

Somente este ano, aqui em Belém, ao que eu saiba, é a segunda vez que um grupo teatral leva Severa à cena. Em maio foi a Companhia de Artes Cênicas Fato em Ato, que eu tive oportunidade de ver, no Centur, e de comentar – você pode ler o que escrevi, clicando aqui.

Volta a heroína da fidelidade conjugal a ser tema pelas ruas de Belém, justo no ano em que já ganhou até um seminário – muito bom – sobre o fascínio do mito sobre a cidade. Será apenas mito? Leia, clicando aqui, o que escrevi sobre esse seminário a respeito de Severa Romana/santa popular.

Não poderei ir ver a montagem que hoje inaugura temporada, no Teatro Experimental Waldemar Henrique, e que foi contemplada pela Funarte com o “Prêmio Funarte de Teatro Myrian Muniz 2009”. Aguardo as datas de novas apresentações para ir lá conferir.

Veja mais informações sobre a peça “Severa Romana a Mártir Popular” no Guiart, clicando aqui. Ou no Portal ORM (de onde captei a foto de divulgação acima), clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h29
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