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PELAS RUAS DE BELÉM


VICENTE SALLES

GARIMPEIRO CULTURAL TERÁ LIVRO RELANÇADO
E SERÁ PATRONO DE UMA BIBLIOTECA

Vai ser homenageado pela Fundação Cultural do Pará um dos principais nomes da intelectualidade paraense, o mestre, ou melhor, Doutor Honoris Causa, Vicente Salles, falecido em 2013, pesquisador incansável de nossa melhor cultura, que deixou tantos livros com os resultados de seu dedicado trabalho pelas ruas de Belém, de “garimpeiro da memória cultural paraense”, como foi qualificado pela Secretaria de Cultura/Governo do Estado quando de sua morte e magnificamente retratado pelo igualmente mestre, do traço, Biratan Porto. Você pode ver isso e o que escrevi sobre VS na sua morte, clicando aqui.

Vicente Salles publicou em vida 24 livros e 51 microedições, livretos artesanais de pequena tiragem (de 20 a 50 exemplares), patrocinados e preparados por ele mesmo para difusão de seus trabalhos entre estudiosos e instituições de pesquisa, indiscutível ato de amor à cultura!

No dia 9 de junho a Fundação Cultural do Pará (FCP), a partir das 18h, promoverá uma noite dedicada a esse ilustríssimo paraense, contando com a presença de Marena Salles, viúva e grande colaboradora do pesquisador, vinda do Rio de Janeiro, onde reside atualmente, e a participação espontânea de músicos paraenses, como homenagem ao ilustre mestre. A programação festiva tem como objetivos inaugurar a Biblioteca Vicente Salles – recentemente montada na Casa das Artes e ligada ao Sistema de Bibliotecas do Estado, administrada pela Biblioteca Arthur Vianna, e o (re)lançamento do livro “Música e músicos do Pará”, de autoria de Vicente Salles, em terceira edição, desta feita publicada pela FCP.

 

Esta caricasímbolo de Vicente Salles, assinada por Luiz Pê (Luiz Antônio Faria Pinto) é uma perfeita tradução do mestre. Bem que serviria de símbolo para a biblioteca ou para seu acervo no Memorial do Livro. Fica a dica.

A BIBLIOTECA VICENTE SALLES

Aberta ao público, com acesso informatizado a todo o sistema, a Biblioteca Vicente Salles contém acervo que prioriza títulos voltados às diversas linguagens artísticas. O nome que recebe, do ilustre pesquisador e professor, é uma justa e significativa homenagem a quem sempre demonstrou grande apreço aos livros, a espaços de leitura, e dedicou grande parte da vida à pesquisa e aos registros sobre cultura popular e mapeamento dos quilombos paraenses, música erudita e popular, política, humor. E, ainda, à organização de seu acervo composto de partituras manuscritas e impressas, discos, fitas, imagens, livros, caricaturas, folhetos e recortes de jornais, sempre alimentado de materiais novos pelo próprio escritor até as vésperas de sua morte.

“MÚSICA E MÚSICOS DO PARÁ”

A terceira edição do livro Música e músicos do Pará, conforme o desejo da família, não é uma edição ampliada. Trata-se de uma edição revisada que teve como consultores o regente Jonas Arraes e a professora Marena Salles, viúva do autor, informa a FCP.

A primeira edição é de 1970, do Conselho Estadual de Cultura (impressão Grafisa), em sua época áurea, presidido pelo já falecido professor Clóvis Silva de Moraes Rego. O CEC dessa época teve uma intensa produção de livros e revista, publicando muitos trabalhos importantíssimos para a cultura estadual, hoje referenciais.

A segunda edição, de 2007, da Secretaria de Cultura em época de afundamento, embora com capa dura e caixa própria, teve um projeto gráfico que deixou a desejar e impressão pior ainda, especialmente nas ilustrações, em P&B, cheias de efeito moiré, provavelmente fotografadas de originais impressos, talvez até de jornais antigos, sem tratamento adequado...

Segundo a FCP esta edição terá “projeto editorial simples, do jeito de ser de Vicente Salles e como ele gostava de viver, esta edição produzida pela FCP contém registros que o professor Vicente Salles fez, em forma de verbetes, até o ano de 2004, além de um ensaio produzido pelo próprio autor e contido na primeira edição, em que ele historia e contextualiza com fotos a música no Estado do Pará, transitando pelas expressões e manifestações que vão do erudito ao popular, como muito bem fez ao longo de sua vida de pesquisador.” A presente edição tem também uma coleção de imagens e fotografias antigas e muitas delas, raras, que fazem parte do acervo da família e, na maioria, do acervo do autor que hoje está no Museu da UFPA e que ainda este ano deve ser transferido para o Memorial do Livro, que ocupará uma das casas em restauração na Ladeira do Castelo, na lateral do Museu de Arte Sacra, com vista para a baia.

PROGRAMAÇÃO CULTURAL

A programação em homenagem ao autor e pela inauguração da Biblioteca  Vicente Salles, na casa das artes/FCP, aberta ao público, conforme fornecida pela FCP, é a seguinte:

Dia 09/06/2016 (quinta-feira) no Auditório da Casa das Artes.

18h às 19h – Diálogo público sobre Vicente Salles, música e músicos do Pará com a professora Marena Salles e o Maestro Jonas Arraes.

Nos Espaços da Galeria e Varanda, Apresentação Musical com repertório popular e erudito com o objeto de estudo e da produção intelectual do homenageado.

19h10 – Duo de violino e piano – Violinista convidado  e Luís Pardal ao piano: “Melopeia op.6” – composição de Marena Salles em homenagem ao esposo, Vicente Salles.

19h15 – Quarteto de cordas da Fundação Carlos Gomes – Repertório: Meneleu Campos

19h30 – Choro do Pará, projeto da Fundação Cultural do Pará

19h45 – Trio canto percussivo de Lundu

20h – Inauguração da Biblioteca Vicente Salles

20h10 – Lançamento da 3ª edição do livro “Música e músicos do Pará”, pela FCP – Sessão de autógrafo, por Marena Salles

 

Vicente Salles, Garimpeiro Cultural, no traço de Biratan Porto.



Escrito por Fernando Jares às 15h13
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VER-O-PESO DA COZINHA PARAENSE

NOVOS E DESAFIANTES PRATOS PARAENSES
NO CIRCUITO GASTRONÔMICO


A 14ª edição do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense transformará maio no mês da gastronomia pelas ruas de Belém, do começo ao fim. Neste domingo (01), começa o Circuito Gastronômico em 17 restaurantes da cidade, que prepararam pratos ousados e diferenciados para o evento.

“O que é mais legal no circuito é poder experimentar os novos pratos criados especialmente para o festival. É um momento para provar novos sabores e acompanhar o trabalho do chef daquele restaurante”, explica Joanna Martins, diretora do Instituto Paulo Martins, que promove o festival.

A tarefa é desafiante para gourmets e gourmands: fazer o circuito gastronômico de 17 restaurantes em 29 dias. No primeiro circuito, em 2012, havia um passaporte fidelidade para carimbar em cada restaurante visitado e o prêmio de um avental autografado por grandes chefs para quem o completasse. Eram 11 restaurantes. Consegui e tenho um valioso avental do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense autografado! (Para ler sobre essa “peregrinação”, clique aqui). Hoje não dá para refazer a aventura. Além de serem bem mais restaurantes, os custos subiram bastante com esta tal crise (uns e outros “comeram” a grana nacional e a gente que leva o farelo... aliás, come o farelo!).

A seguir, a lista completa dos restaurantes, os chefs responsáveis, os pratos e uma pequena descrição deles e o seu valor, de acordo com a divulgação do Festival. Façam suas escolhas, discutam os nomes desafiantes de alguns pratos, suas composições e conheçam seus sabores. Bom apetite!

A Forneria
Chef: Hemilio Yokoyama
Camarão do Pará
Camarão empanado com castanha-do-pará, acompanhado de purê de pupunha gratinado com queijo do Marajó (R$ 86,90)

Avenida
Chef: Evandro Costa
Filhote Papa-Chibé
Filhote recheado com caranguejo refogado, acompanhado de arroz de pirarucu, tucupi e jambu (R$ 58,00)

Benjamin
Chef: Sergio Leão
Pirarucu Dessalgado com Feijão de Santarém
Pirarucu dessalgado em cubos, com feijão de Santarém, banana da terra e farofa de piracuí (R$ 32,00)

Brasileirinho
Chef: Alexandre Barros
Caldeirada Paraense Desconstruída
Filhote (ou pescada amarela), camarão rosa e patinhas de caranguejo, com tucupi e ervas frescas da Amazônia. Servida com pirão de camarão com jambu (R$ 60,00)

Cachaçaria do Dedé
Chef: André Parente
Filhote Echaporã
Filhote grelhado em posta acompanhada de pirão de farinha de tapioca com tucupi e jambu (R$ 44,90)

Cia Paulista Gourmet
Chef: Carlos Lisboa
Sorvete de Açaí Frito (R$ 12,00)

Família Sicilia
Chef: Angela Sicília
Fondente G
Minichurros crocantes, servidos com um fondant de castela, creme de cacau da Amazônia com castanha-do-pará (R$ 39,00)

Lá em Casa
Chef: Daniela Martins


Puqueca de Camarão
Com Chibé de Piracui e Sautê de Cará e Pupunha (R$ 58,00)

La Madre
Chef: Ronaldo Barros
Gnocchi de batata cozida no vinho de açaí
Com camarões, tomate cereja, chicória, vinho branco, finalizado com queijo Marajó cremoso, parmesão e azeite extra virgem (R$ 54,00)

Manjar das Garças
Chef: Nelson Silva
Filhote em crosta de castanha-do-pará
Com gnocchi de pupunha e emulsão de tucupi (R$ 71,00)

Mazza
Chef: Paulo Anijar
Risoto de Vatapá com dueto de camarões
Camarões salgado e fresco salteados no dendê, servidos com risoto de vatapá no leite de coco e jambu (R$ 59,00)

Point do Açaí
Chef: Nazareno Alves
Filé de filhote ao molho de tucupi
Com arroz de jambu e camarão (R$ 51,00)

Remanso do Bosque
Chef: Thiago Castanho
Camurim na manteiga
Com purê de banana da terra e cuscuz de farinha d'água (R$ 65,00)

Saldosa Maloca (Ilha do Combu)
Chef: Prazeres Quaresma
Enrolado de Vatapá
Rolinho de pastel recheado com camarão com jambu, acompanhado de creme de tucupi (R$ 25,00)

Santa Chicória
Chef: Ilca Carmo

Peraburu
Corte de babybeef de búfalo grelhado em pedras fumegante, servido com terra (farofa de grãos) e carvão comestível(macaxeira negra) (R$ 62,00)

Santa Orgânica
Chef: Michelle Murchio
Pirarucu Funcional
Pirarucu refogado em Ora pro Nobis, em cama de biomassa e farofa funcional (R$ 44,90)

Sushi Ruy Barbosa
Chefs: Cleyton Gonçalves e Ray
Muçuã de botequim
Acompanhado com purê de pupunha com leve toque de gorgonzola e farinha molhada de Bragança com Chicória (R$ 45,00)

Para outras informações, como endereço, telefone e horário de funcionamento dos restaurantes, consulte o sítio eletrônico do festival, clicando aqui. Para o almoço é oportuno consultar se o prato é servido. Ano passado voltei de restaurante que no almoço serve apenas buffet...



Escrito por Fernando Jares às 15h36
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VER-O-PESO DA COZINHA PARAENSE

“A GENTE GOSTA MUITO DAQUI, DE CORAÇÃO... E DE ESTÔMAGO.”

 

Vai começar o mais tradicional e conhecido festival gastronômico do norte do Brasil, o “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”!, um dos mais importantes do Brasil. Criação do chef Paulo Martins (do restaurante “Lá em Casa”), em sua maratona de divulgador da cozinha paraense pelo Brasil e pelo mundo, reúne anualmente pelas ruas de Belém grandes chefs que trazem seus conhecimentos e técnicas, transmitidos em cursos, palestras e oficinas, e levam a experiência do contato com os ingredientes únicos da cozinha paraense. E se apaixonam pela culinária local. Como disse Dânio Braga, no primeiro festival, em 2000, “A gente gosta muito daqui, de coração... e de estômago”! Para saber sobre o primeiro festival, clique aqui.

Desde esse primeiro festival somente ocorreram interrupções quando o chef adoeceu – e veio a falecer em 2010. Foi retomado pelo “Instituto Paulo Martins”, fundado pela família após a morte de PM – instituto que trabalha pela educação, pesquisa e divulgação da cozinha paraoara.

ASSOCIADOS

O instituto tem como sócios fundadores membros da família, admiradores e amigos d Paulo Martins, pessoas que gostam e valorizam o trabalho de Paulo Martins e querem perpetuar e ampliar esse trabalho, mantendo viva a sua memória, deste escriba a Alex Atala...

Com o crescimento do assunto gastronomia e o destaque do IPM, diversas pessoas passaram a manifestar interesse em associar-se ao Instituto.

Pois bem, uma das grandes novidades paralelas ao Ver-O-Peso da Cozinha Paraense deste ano vem daí: o Instituto Paulo Martins vai admitir novos sócios, tendo sido para isso criadas duas categorias de sócios pessoa física e duas categorias pessoa jurídica. A apresentação da novidade vai ser feita no próximo mês, com a divulgação de todos os detalhes, de como fazer o pedido de associação, valor da contribuição, etc.

A PARTIDA: CONCURSO

A primeira atividade já está nas ruas: a inscrição para o “Concurso Chef Paulo Martins”, que revela novos talentos da gastronomia. Participantes de todo o país podem se inscrever até o dia 13/05: apresentarão receitas criadas por eles e que utilizam ingredientes regionais paraenses. O evento este ano será na praça Batista Campos, no dia 28/05, sábado. O prêmio para o primeiro lugar é tentador: uma viagem para o “Mesa Tendência 2016”, o maior congresso gastronômico do país, em São Paulo, com passagem e hospedagem paga!. A inscrição deve ser feita no sítio eletrônico do festival, inclusive com o envio da receita. Para ir até lá, clique aqui.

A PARTIDA: CIRCUITO

A segunda grande atividade do festival paraense começa neste domingo, 01/05: o Circuito Gastronômico. Este ano, 17 dos melhores restaurantes da cidade participam com pratos especialmente criados, ligados ao tema do festival, os 400 anos da cidade de Belém, sejam criações absolutamente novas ou releituras de clássicos ou pratos tradicionais destes estabelecimentos.

A variedade é grande, de típicos regionais, italianos, japonês, cozinha contemporânea, cozinha funcional, cozinha brasileira.

Veja a lista preciosa dos participantes: A Forneria, Avenida, Benjamin, Brasileirinho, Cachaçaria do Dedé, Cia Paulista Gourmet, Família Sicilia, Lá em Casa, La Madre, Manjar das Garças, Mazza, Point do Açaí, Remanso do Bosque, Saldosa Maloca, Santa Chicória, Santa Orgânica, Sushi Ruy Barbosa.

Para ajudar na maratona que os gourmets belenenses vão empreender a partir de domingo pelos restaurantes de Belém, publico amanhã aqui, neste mesmo bat-canal, ops, neste mesmo bat-blog, a lista completa deles com os pratos, chefs responsáveis e o valor de cada um. Vai ficar fácil, fácil. Vá logo pensando nas suas preferências para a montagem deste roteiro gastronômico. Atenção que este ano é somente até o dia 29/05.



Escrito por Fernando Jares às 20h02
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WINE DINNER BENJAMIN

Καλή Όρεξη

Desde os tempos em que o Hilton fazia festivais gastronômicos internacionais, inclusive trazendo cozinheiros de restaurantes especializados (geralmente de São Paulo, a cidade que tem cozinhas de todo o mundo) que não tínhamos, ao que eu lembre, opções da cozinha grega em restaurantes pelas ruas de Belém.

Pois bem, no Wine Dinner do restaurante Benjamin deste mês, excepcionalmente na próxima terça-feira, 26/04, o chef Sérgio Leão apresenta um cardápio grego, harmonizado com os melhores vinhos de sua conhecida e elogiada adega.


Desde a antiguidade comer bem é um imperativo na Grécia.

Propõe-se o chef a fazer as pessoas “viajarem” até a Grécia, muito apropriadamente nestes dias pré-olímpicos, para experimentar uma amostra do conhecimento secular dos gregos, que trazem em sua gastronomia a tradição de seus antepassados helênicos, utilizando até hoje os mesmos insumos e técnicas para produzir uma cozinha simples e variada, cujas características marcantes representam as várias regiões da Grécia. Chama a atenção da mesa grega a presença indissolúvel do trio: azeite de oliva (de sabor muito especial), pão e vinho que, juntos, já fazem uma refeição completa.

Amouse Bouche
Consomé de ervilhas secas

Entradas
Vinho Leyda Pinot Noir
Tzatzíki - Pepino com iogurte e hortelã
Melitzanossaláta – Purê de beringelas assadas
Flórinis – Pimentões vermelhos assados com azeite e alho
Koliós – Filetes de cavala em azeite
Antzúges - Salada de sardinha
Chtapódi - Polvo refogado com massa e azeitonas pretas
Pães Diversos

Primeiro Prato
Vinho San Pancrazio Chianti (Sangiovese)
Mussaká – Carne moida de forno em camadas com batatas e beringelas

Segundo Prato
Vinho Toro Loco Crianza Tempranillo
Juvétsi me Arnáki – Cordeiro guisado com kritharáki (massa em forma de arroz)

Sobremesa
Esporão Late Havest
Pagotó me Frouta – Sorvete de creme com frutas maceradas em vinho

O início é às 21h e o preço por pessoa é R$ 165,00.

Καλή Όρεξη (Kali órexi), Bom Apetite, como escrevem os gregos.



Escrito por Fernando Jares às 18h09
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NA ESTAÇÃO DAS DOCAS

TACACÁ, VATAPÁ E O PÔR DO SOL BELENENSE

Um dos melhores pontos para curtir o pôr do sol belenense é a orla da Estação das Docas. Tem muito espaço pra todo mundo, sem pagar nada, a não ser agradecer a Deus pela beleza da natureza amazônica que se derrama em frente a esta cidade. E a luz do sol poente vai desenhando visões únicas nas nuvens que dançam de alegria, criando novos desenhos.

No conjunto de restaurantes que a Estação oferece está o mais completo dos dedicados à comida regional paraense pelas ruas de Belém, o “Lá em Casa”.

Tarde dessas, sem chuva, decidimos aproveitar a belezura do sol a caminho de sua caminha, lá pro lado das ilhas e fazer um programa paraoara de verdade: tomar um tacacá de fim de tarde, vendo essa maravilha. De uma mesa externa do “Lá em Casa”.

Bem que devíamos valorizar mais este hábito vespertino paraense. Os ingleses fazem o maior auê com aquele chá deles às 5 da tarde, mas pensa na diferença de um chá para isto aqui:


O restaurante montou uma banquinha do lado de fora, onde é produzida a iguaria. “Tacacá” (R$ 15,00). Para quem pensa que tacacá em restaurante não dá certo só digo: vai lá, sumano. A composição gastronômica de tucupi, jambu, camarão seco e goma de tapioca estava muito bem feita, adubada nos bigodudos. Sem excesso de goma e muuuuuito tucupi de ótima qualidade. Gostei por demais.

Mas não fiquei só nele. Avancei mais, em direção a este um:


O “Vatapá paraense” (R$ 25,00) é outro clássico da comida de rua paraense que, com todo o respeito, é muito mais gostoso que o baiano. Composição bem temperada de camarão seco, dendê, leite de coco, trigo, tomate, cebola e temperos regionais, acompanhado de uma farinha d’água belezura. A textura do vatapá é fundamental para seu destaque e este merecia. Estas especialidades estão disponíveis no restaurante de terça a domingo das 18h às 22h.

A Rita, cujo estômago não se acerta com alguns ingredientes desses petiscos, foi radical, não ficando para trás em termos de classicismo. Olha a pedida dela:


“Picadinho de tambaqui” (R$ 60,00), um clássico da moderna cozinha paraense, criação do chef Paulo Martins (1946/2010), fundador do “Lá em Casa”. Vem a ser o tambaqui moído e refogado com azeite e temperos regionais, misturado com pedacinhos de banana frita, acompanhado de arroz de jambu (outra criação do Paulo) e farofa. Até contei a história do nascimento deste prato no livro “Gastronomia do Pará – O sabor do Brasil” assim:

Picadinho de tambaqui - Mesmo este peixe amazônico de escama, de grande porte, do qual se comem habitualmente as costelas na brasa, não inspirava ninguém a fazer picadinho de peixe. Até que um dia Paulo Martins viu uma senhora fazer, em Manaus, a carne do tambaqui cortada miudinha, na ponta da faca, o que dava um trabalho imenso para tirar as espinhas. Chegado de volta, experimentou fazer picadinho de verdade, na máquina de moer carne – e as espinhas ficaram fora, fácil assim. Adotou a prática e desenvolveu o prato, que é servido com arroz de jambu, bananas fritas e farofa. Ah, ele mandou um aviso à senhora amazonense das suas experiências e resultado obtido.

Diante de um fim de tarde e início de noite tão clássico, uma sobremesa na mesma linha:

 

Mundico e Zefinha (R$ 16,00), outra criação de Paulo Martins que virou clássico. A releitura marajoara de uma sobremesa que é a cara do Brasil, “Romeu e Julieta”, queijo e goiabada, dois personagens que teriam tudo para não combinar, mas que geraram um fantástico e centenário shakespeariano caso de amor (Viva Shakespeare que agora no sábado faz 400 anos de morto!). Doce de cupuaçu em ponto de corte coberto com o autêntico queijo do Marajó, gratinado (Tempo de preparo 20 minutos). Olha a carinha de amor da dupla aí em cima! Montecchios e Capuletos à parte, esta nossa dupla é ótima, nem se compara ao melhor “Romeu e Julieta” que já comi, no “Villarino”, no centro do Rio. Em post anterior já contei a origem do nome: que “homenageia dois nomes que eram muito populares na ilha do Marajó: Mundico (Raimundo) e Zefinha (Josefina).”



Escrito por Fernando Jares às 18h45
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MÚSICA BOA

A BELA, AS FERAS E SEUS CANTARES


Gabriella Florenzano em foto Walda Marques (Divulgação)

Gabriella Florenzano se apresentará no próximo dia 30 de abril, sábado da semana que vem, às 19h30 no Museu Histórico do Estado do Pará, acompanhada pelo pianista e maestro Robenare Marques, tendo como convidados especiais o barítono Mílton Monte e o cantor popular Paulo Ivan Campos, um santareno intérprete apaixonado das canções do maestro Isoca/Wilson Fonseca. O recital integra o programa Bravíssimo, iniciativa da Secult, Sistema Integrado de Museus e Memoriais do Pará e MHEP.

Jovem paraense, bacharelada em Canto Erudito pela paulistana Faculdade de Música Carlos Gomes, Gabriella Florenzano é contralto, voz rara, escura e grave. Reside há oito anos em São Paulo (SP), onde continua seus estudos vocais, pós-graduação, sob a tutela do baixo Eduardo Janho-Abumrad e do pianista correpetidor João Moreira Reis.

Aqui tem feito diversas apresentações, como no último Círio, em que foi a solista oficial da Prefeitura e cantou para os milhões de pessoas que participam da romaria. Ou como em 2014 quando participou do show “Fado Tropical”, de Fafá de Belém, ao lado de artistas consagrados como Wagner Tiso, Márcio Malard, Cristóvão Bastos e Sebastião Tapajós, no Theatro da Paz. Tem também sido presença no consagrado “Festival de Ópera do Theatro da Paz”.

Selecionada entre jovens cantores líricos do mundo inteiro, Gabriella foi a única brasileira a integrar, em 2015, o programa “Ópera Viva”, em Verona (Itália), em junho e julho, período em que fez recitais na Basílica de Sant’Anastasia, na igreja de San Giorgetto e no Castel Vecchio.

E muitas outras apresentações, pelas ruas de Belém ou pelo mundo afora.

Ainda no começo desta década, em 2011, ela foi vocalista da clássica banda paraense de rock “Álibi de Orfeu”.

Gabriella criou um projeto musical com releitura de obras eruditas em linguagem jazzística, acompanhada por músicos integrantes da belenense Amazônia Jazz Band. Assim, estreou no Teatro Maria Sylvia Nunes, em outubro de 2013, o concerto “Nera”, referência ao repertório e às origens negras do jazz e à luta dos negros para entrar no mercado musical exprimindo suas raízes, ritmos e crenças.

Gabriella estará no palco com feras como:


Maestro Robenare Marques, também de Belém, graduado em Composição e Arranjo pela UEPA com formação técnica em piano pela Escola de Música da UFPA. Foto de Walda Marques (Divulgação)


O barítono paraense Milton Monte, graduado pela Guildhall School of Music and Drama, de Londres, Bacharel em Canto pela UNESP, Mestre em Música pela UFBA. Foto de Márcia Barbosa (Divulgação)


O cantor popular santareno Paulo Ivan de Faria Campos, criado nas serenatas mocorongas, seja nas janelas das casas de namoradas ou com os amigos amantes das músicas de seresta. Paulo Ivan participou do CD do "Projeto Uirapuru", da Secult de outros tempos, que homenageou o grande compositor paraense, também santareno, Maestro Isoca (Wilson Fonseca), cantando a música "Um Poema de Amor", até hoje muito rodada em aparelhagens e festas diversas. Participou, ainda, do CD “Made in Pará II", com a música "Pérola do Tapajós", também de autoria do Maestro Isoca. Paulo Ivan e eu trabalhamos muitos anos juntos, muitas vezes ouvi seus cantares em festinhas e eventos na Vila dos Cabanos e, quando ele se aposentou, ano passado, escrevi sobre ele “Simpatia santarena espraiada pela planície”, que você pode ler clicando aqui. (Foto Divulgação)

Para este texto utilizei informações do Blog da Franssinete Florenzano, que vem a ser a mãe da bonita virtuose. 



Escrito por Fernando Jares às 22h00
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REFEIÇÕES AO MAR (8)

SOBRE A RICA COZINHA DA SARDENHA

Uma cozinha rica em perfumes naturais que se apresentam em muitos pratos é uma das características da Sardenha, uma ilha no mar Mediterrâneo que é região autônoma da Itália. Os pratos a seguir, de alguma forma ligados à cultura sarda, foram servidos em um dia dedicado a esta parte da Itália, nos restaurantes principais do navio "Costa Fascinosa", em cruzeiro no Cone Sul (Brasil, Uruguai, Argentina).

Primeiro as opções escolhidas no almoço:

Primi Piatti


Nhoque sardenho com creme de leite e açafrão

Prato emblemático da região da Sardenha, estes nhoques são uma massa de semolina de trigo duro, típica dali, cujo formato lembra pequenas conchas, originalmente enroladas na ponta dos dedos, quando eram chamadas “malloreddus” (muitos lugares ainda usam esta denominação), que em sardo significa “vitela”, por causa da forma barrigudinha, associando a qualidade a essa carne tenra e saborosa... Também nos antigamente o açafrão era misturado com a semolina, dando-lhe uma cor dourada. Foi servido no molho com creme de leite, delicioso, formando um piatto bastante saboroso e aromático.

Piatti Unici

 

Pão Carasau com ovos pochés, molho de tomate, queijo Pecorino e salada.

Esse finíssimo pão Carasau (que no Brasil é conhecido como crostata), é tópico desta ilha sempre torradinho, mas que neste caso já chegava demolhado e somente as beiras ainda tinham a famosa crocância. Os ovos com textura aveludada, no ponto certo de cozimento – com cuidado para não ser visto por alguém da cozinha, muito menos pela minha cardiologista, acrescentei mais sal aos ovos... Molho de tomate como sempre sabendo bem.

Dolci


Bolo de chocolate fondente

Embora para o meu gosto levasse mais açúcar, estava de acordo com as recomendações culinárias. Textura semelhante à mousse, era leve e se dissolvia no contato da língua como se recomenda.

Vamos aos selecionados para o jantar:

Antipasti

 

Selezione di formaggi

Boa companhia para o vinho, ou ficavam bem acompanhadas pelo vinho estas amostrinhas de queijos italianos: Curado, Pecorino di Pienza e Bel Paese, servidos com pães de nozes e passas e uma geleia levemente picante, que fazia lembrar a Geleia de Pimenta de Cheiro que temos aqui pelas ruas de Belém como da Manioca, por exemplo.


Cestinha de pães

Companheira inseparável das refeições a oportunidade de passear entre variados pães europeus, sempre fresquinhos, produzidos na excelente padaria do navio.

 

Bruschetta com presunto e tomate

Duas bruschettinhas preciosas, tamanho fácil de pegar, pão agradável e o tomate perfeito. O presunto italiano de verdade, nem precisa comentar. Um conjunto harmonioso e saboroso.

Primi Piatti


Massa Fregola amanteigada com verduras frescas

Mais uma massa em desfile: fregola, típica da Sardenha, no forma de minúsculas esferas irregulares de uma sêmola de trigo tostada, que lembram o cuscuz marroquino. Era feita pelas senhoras mais velhas da comunidade. Fica sempre macia. Neste caso com sabor amanteigado, com verduras frescas. À esquerda, o prato ao natural. À direita, coberto de queijo ralado!

Secondi Piatti

 

Costeleta de cordeiro assada com pão Carasau e óleo de ervas.

Os pratos de carne são fortes na Sardenha, naturalmente de pequenos animais lá criados. E as costeletas de cordeiro assadas e aromatizadas com ervas locais, especialmente o funcho selvagem, são uma característica. Neste caso o sabor agradável do cordeiro, servido quentinho, mais que reforçado pelas ervas, tendo o Carasau sobre ele.

Dolci


Creme com licor de Mirtilo

A frutinha europeia, que muitos preferem referir como blueberry, dá sempre uma composição agradável ao visual e ao sabor. Este licor resultou em uma coloração levemente avermelhada, fugindo do azul que costuma a predominar. Mas foi delícia.



Escrito por Fernando Jares às 17h44
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HISTÓRIA CONSERVADA

BELÉM HISTÓRICA MAQUETEADA

Está nascendo, no Fórum Landi, no Largo do Carmo, uma monumental maquete do centro histórico de Belém, com 36 metros quadrados, abrangendo os bairros da Cidade Velha e Campina, da Presidente Vargas para baixo, até o rio. Os principais prédios dessa área têm reprodução detalhada, com modernos recursos de plotagem, sobre o “corpo” do prédio, sendo que os demais prédios terão apenas a indicação de volume – está na fase de produção de centenas destes prédios “avulsos” que, sem os detalhes das estrelas da maquete, terão reprodução fiel.

Visitei esta semana o magnífico trabalho da equipe do Fórum Landi, da UFPA, em parceria com o Estúdio Tupi, de São Paulo, do arquiteto paraense, Aldo Urbinati. Será um grande presente a Belém nos seus 400 anos de modestíssimas comemorações. Ainda não há data para inauguração. É um trabalho muito grande, desde a identificação de cada prédio, foto do mesmo, processamento no computador, construção da miniatura de cada prédio, montagem, colagem das fachadas – muita paciência e dedicação de uma equipe de estudantes da UFPA e de outras escolas superiores, sob a liderança do arquiteto e professor Flávio Nassar, que dirige o Fórum Landi.

Vejam algumas fotos da maquete e comecem a trabalhar a ansiedade para conhecer esse “retrato” de uma Belém que, em parte não existe mais, em outra parte ainda permanece – mas quem sabe por quanto tempo... diante do descaso da cidade com seus principais e históricos monumentos.


Uma vista geral de alguns dos prédios já prontos, alguns mesmo já nos seus locais definitivos, como você pode ver com o Forte do Castelo, à esquerda. Esta foto eu captei do Facebook do Fórum Landi.

 

Veja aqui como estará na maquete o magnífico Theatro da Paz, já tendo ao seu lado o tradicionalíssimo Bar do Parque, de tantas histórias de tanta gente boa paraoara...

 

Um dos mais belos prédios comerciais do centro histórico de Belém, a fábrica Palmeira, foi reconstruído e estará no lugar de onde nunca deveria ter sido destruído, nos anos 1970, para ser transformado em um buraco sem destino adequado, a causar milhões em despesa para a Prefeitura – mais corretamente, ao dinheiro que todos recolhemos à municipalidade. Esse prédio maqueteado é a segunda Palmeira, inaugurada em 1929, a versão que muitos de nós ainda conhecemos e que está neste postal:

 

Houve antes outra Palmeira no local, inaugurada em 1892 e destruída por um grande incêndio em 1924. Já contei essa história nestas linhas virtuais. Para ler “Um prédio com duas belas versões” clique aqui. Veja a antiga Palmeira, em outro postal:


Voltando à maquete. Veja abaixo a Igreja de Santana, uma das mais belas criações de Antonio Landi pelas ruas de Belém. Acha que falta alguma coisa? As torres! Isso mesmo! Como elas não faziam parte da construção original do artista bolonhês, não foram colocadas na maquete...


Uma curiosidade: uma mesa de trabalho, que fotografei em visita anterior, justo quando estava sendo montada a maquete da igreja de Santana:


A grande maquete terá uma interface com o site do Fórum Landi – com o recurso do QR Codes será possível obter informações sobre cada uma das principais atrações reproduzidas, como você vê abaixo. O serviço, obviamente está em implantação e testes, mas eu consegui acessar...




Escrito por Fernando Jares às 19h16
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COMIDA DE RUA

APOIO DA UFPA AO CENTRO DE
EXCELÊNCIA DE COMIDA DE RUA

Os membros do Grupo Formador que trabalha para a implantação de um Centro de Excelência de Comida de Rua em Belém estivemos reunidos hoje, no Fórum Landi, consolidando importantes decisões sobre o andamento do projeto.

A obra de restauração do prédio que abrigará o Centro está em franco andamento, sob o comando da UFPA, responsável pelo local – os casarões da Ladeira do Castelo, cedidos pela Arquidiocese de Belém. Para conhecer mais sobre este projeto leia “Excelência em comida de rua em Belém” clicando aqui.

Continuam as negociações com o Senac para obter a participação dessa entidade, que detém grande conhecimento na implantação e gestão de empreendimentos como este, que se propõe a trabalhar com formação, pesquisa e divulgação de critérios e práticas para a comida oferecida e comercializada pelas ruas de Belém, desde a qualidade dos ingredientes, manipulação higiênica de alimentos, qualificação de pessoal envolvido, procedimentos de segurança alimentar como já existe em outras grandes cidades brasileiras.

Representantes das diversas das entidades participantes receberam a visita do Reitor da UFPA, Carlos Maneschy, que reafirmou o apoio da Universidade a este projeto, que envolve diversas áreas que trabalham com alimentos, cultura local, turismo, etc. Ficou acertada a criação de um grupo de trabalho integrando as diversas áreas da Universidade que apoiam este projeto, assim como convidados de outras entidades. Será o passo inicial para institucionalização do Centro de Excelência de Comida de Rua de Belém. Será desenvolvido um convênio entre Governo do Estado e UFPA em torno deste Centro.

 

A reunião, esta manhã, no Fórum Landi.



Escrito por Fernando Jares às 18h26
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HOBBY

HISTÓRIAS DE MINIATURAS DE CARROS ANTIGOS

Ano passado, em setembro, recebi uma mensagem do fotógrafo Luiz Braga, que estava na Europa, dizendo: “Passeando ontem pela bela Madri, encontrei essa loja e lembrei de ti.” Anexadas duas fotos que o turista Braga flagrara pelas ruas de Madri. O interior da loja (de miniaturas de carros):

 

E uma das vitrines:


O Braga lembrou-se de uma coleção de miniaturas de carros antigos, em escala, que mantenho há muitos anos aqui pelas ruas de Belém. Teve seu momento de glória, exibida, Hoje está guardada em caixas, esperando...

A coleção era exclusivamente de miniaturas de modelos antigos e foi assunto no jornal Zeppelin, que circulava encartado em O Liberal, lá pelos anos 1970 – e o Luiz Braga era o Editor de Fotografia, juntamente com os manos Edyr Augusto Proença, Redator Chefe, e João Augusto Proença (ainda não era oficialmente Janjo...), como Produtor Gráfico, e o José Lobato Franco, o Zé Franco era o Diretor Comercial.

Olha o cabeçalho do Zeppelin:


E o expediente da publicação, só fera. Além do time de editores, veja só o alto quilate dos qualificados como colaboradores! : Austerlitz Erse e Dirceu (Fotografia), Sônia Coutinho (Edição de Moda), Giusseppe Tommaso (Reportagem), Donizete Cesar (Reportagem), Luiz Pinto (Diagramação), mais os do comercial: Cláudio Dias Filho, Silas Carvalho, Marcelino Coutinho. Espia:

 

Na edição de 10 de fevereiro de 1979 a página “Hobby” apresentou a coleção de miniaturas de carros antigos do escriba deste blog (àquela altura com barba e cabelos escuros e estes em quantidade muito maior que hoje...). A conversa e as fotos foram feitas na sala de reuniões da Mendes Publicidade, hoje Comunicação, para onde levei alguns dos carrinhos. Note que naquela época publicitário trabalhava de paletó e gravata! Não lembro quem foi fazer a entrevista, mas acho que não foi nenhum dos que estão no expediente, pois lembraria desses. Falei a um gravador e a publicação foi na primeira pessoa!


Olha o texto:

Comecei a minha coleção de carrinhos com o tempo, mais como peça de decoração, um visual bonito. O que eu gosto dos carros antigos é o visual, mil vezes melhor que os fabricados nos dias de hoje, quando as linhas são todas certinhas. Você pega uma miniatura inglesa, feita em escala autêntica, e você tem os detalhes todos como as lanternas externas, as rodas raiadas tipo pneu de bicicleta, e isso tudo faz com que o carro fique com uma plástica bonita. A partir daí eles começaram a ser vendidos, e eu fui fazendo a coleção. Não tenho um grande número, é apenas razoável. O que acontece é que algumas marcas estão repetindo muito os modelos, e a gente tem de ter cuidado para não comprar repetido. Os mais fabricados que eu tenho visto são os "Ford modelo "A", "T", carros do inicio do século, mais ou menos 1911 e 1915. São os mais produzidos talvez porque ainda existam. Os mais sofisticados são muito difíceis, como da Mercedes e Rolls Royce, que normalmente são aproveitados por sua extrema beleza, pois continuam a ser os carros mais bonitos, mais bem acabados. O Ford é o que se encontra mais, mas há muitos carros europeus com miniaturas da Match Box, na Inglaterra, que infelizmente ficam por lá, como modelos exclusivos.

Na minha seleção, da Match Box só falta um, que eu vi no catálogo, isso dos carros antigos. Uma miniatura de um carro antigo é altamente complexa, com detalhes mínimos como guidons, bancos diferentes, que não são lisos como os de hoje, afinal aqueles antigos eram cheios de fofuras e botões. A minha coleção tem cerca de 40 carros, mas eu tenho outras coisas como porta-lápis, pesos de papel, abajur e tal, que os amigos vão me dando, desde que tenha carro antigo metido no meio. Tenho carros de vários países como os franceses que são muito bonitos, ingleses, e até brasileiros embora estes sejam de plástico, lançados pela Troll.

 

Quem quiser começar a coleção, vai ter que rebolar, porque por aqui não há muita coisa para comprar. Miniatura de carro normal tem, inclusive com lojas possuindo grandes coleções de carros de transporte de bois, caçambas... São brinquedos de verdade, mas a gente fica até com pena de dar para as crianças destruírem, de tão perfeitos e bonitinhos que são.

Agora, enquanto aqui a gente faz coleção de miniaturas de carro antigo, muitos europeus colecionam mesmo os modelos em tamanho normal. Houve um escândalo no ano passado, quando descobriram na França um museu particular, com carros do passado, pertencente a uma dupla de irmãos milionários, evidentemente; Eram uns trinta a quarenta carros que, haviam sido roubados de outros colecionadores! Um escândalo. Um certo dia, descobriram que estes dois sujeitos tinham dois galpões nos fundos de uma fábrica, completamente fechados, onde eles botavam os carros apenas para seu próprio deleite.

O país que fabrica mais miniaturas de carros, e exporta também, é a Inglaterra pelo padrão de qualidade altíssimo. A China fabrica aos montões, mas em termos de qualidade, o carro inglês é o mais perfeito, fabricado com seriedade, todo de metal, rodinha de borracha, miniatura perfeita. O chinês, se você pega com força, ele acaba quebrando. No Brasil eles estão sendo montados em Manaus, mas não sei se fazem os carros mais antigos porque não tenho ido por lá.

No Brasil, estes modelos mais antigos não tem preço, porque a minha coleção, por exemplo, eu transo independentemente de outros, não é pra competir. A minha funciona como decoração, acho muito bonito, e os mantenho em uma estante que fica no meu quarto, todos arrumados, quando chegam os amigos, eu vou e mostro, acabando por transformar o bate papo, porque sempre tem alguém que diz que o avô ou bisavô teve um daqueles, e por aí vai.

Miniatura de carros antigos, é o meu Hobby.



Escrito por Fernando Jares às 20h15
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REFEIÇÕES AO MAR (7)

TOSCANA, PÃO, AZEITE E VINHO

Hoje é dia de mostrar os cardápios de mais um dia nos restaurantes do navio Costa Fascinosa, em cruzeiro que acompanhamos pelo Cone Sul.

O tema do dia foi a região italiana da Toscana, na costa mediterrânea da Itália, no centro da “bota”, onde estão províncias muito conhecidas como Arezzo, Florença, Livorno, Luca, Pisa ou Pistoia. O pão sem sal e o azeite são marcas da cozinha da região acompanhando sempre as refeições.

Zuppa

 

Caldo de peixe à moda de Livorno.

Almoço aberto com esta sopinha, um clássico da Toscana, que as lendas dizem centenário. Na versão original seria apenas o caldo de peixe com temperos e legumes do quintal de uma viúva em Livorno, que o fazia com peixes recebidos dos pescadores amigos de seu falecido esposo, para assim alimentar suas crianças – lembra muito o caldo de cabeça de peixe, comum entre os mais pobres pelas ruas de Belém, (há não muito tempo as cabeças de peixe eram doadas pelas empresas de pesca a longas filas de pessoas necessitadas – não sei se isso ainda acontece) e igualmente muito saboroso. Nesta versão recebeu uma releitura gourmetizante e ganhou a reforçada companhia de frutos do mar, o que aumentou ainda o sabor excelente.

Primi Piatti


Massa Maccheroncini com molho de cordeiro e alecrim

Outro clássico da região homenageada. O sabor ativo do cordeiro, bem tratado no molho que eles sabem fazer muito bem na cozinha do navio, encheu de sabor característico a massa, como sempre da muito bem conceituada marca italiana “Barilla” Seleção Ouro.

Secondi Piatti

 

Filé de truta com molho de vinho branco e legumes

O melhor peixe desta temporada. Tudo bem, truta já é um peixe delicioso, mas este estava muito bem temperado, favorecido pelo vinho e, principalmente muito bem tratado, um verdadeiro filé de peixe, sem nenhuma espinha – e a truta tende a ser espinhenta...! Servida sobre caminha de legumes.

Dolci


Marquise de chocolate

Sobremesa de chocolate preparada com chocolate escuro. E olha lá quem aparece novamente, como coadjuvante, agora com sua capinha que virou decoração e instalado sobre uma base de chantilly: nosso popularíssimo camapu, que nos ambientes gourmetizados e nos mercados internacionais virou o chic physalis, geralmente com passaporte colombiano... Metiiido.

No jantar seguiu o tema da Toscana, com as opções dos pratos abaixo:

Antipasti


Cesta de pães

A cestinha de pães em todas as refeições era um brinde de alegria aos comensais. Produto da padaria do navio, eram sempre fresquinhos e saborosos e variavam de tipo praticamente todos os dias. Um desfile. Pra quem gosta de pão, uma festa.

 

Presunto Toscano e torradas de pão com fígado de frango

Esse presunto Toscano é outra coisa, uma delícia equilibrando a suavidade e força do sabor das carnes e gorduras. O tradicional pão Toscano sem sal, levemente tostado, intermediava o diálogo de um creme, quase um patê, de fígado de frango (bastante saboroso) com o presunto – dois sabores fortes que se complementavam e exigiam um bom vinho.

Primi Piatti


Risoto com molho de vinho Chianti

A percepção da presença do vinho toscano, de sabor marcante, era bastante leve. Nada de mais. Lembrei-me dos ótimos risotos do restaurante “La Traviata”...

Secondi Piatti


Bacalhau à moda de Livorno com tomate e vinho

Uma bela peça de bacalhau de primeira com a capa levemente tostada, coberta de molho de tomate também sequinho e o vinho atuando suavemente no conjunto. Muito bom. O mesmo elogio para a fatia de pão assada, com um sabor agradável remetendo ao alho.

Dolci

Zuccotto

Uma sobremesa tradicional de Florença, com creme de baunilha e chocolate gelados, aninhados sob uma concha, como recheio, de bolo bem macio, tipo pão-de-ló. Simples e de bom sabor. Imagino isso com chocolate e doce de cupuaçu, sumano...



Escrito por Fernando Jares às 17h39
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DOCUMENTÁRIO PAULO MARTINS

ESSÊNCIA PARAOARA

 

Segundo o dicionário Houaiss, Essência é “aquilo que é o mais básico, o mais central, a mais importante característica de um ser ou de algo, que lhe confere uma identidade, um caráter distintivo; a ideia central, o argumento principal; a razão de ser”. E mais uma meia dúzia de conceitos filosóficos, etc.

Com base nesse entendimento dá para compreender o que virá aí no documentário “Paulo Martins: a essência” que faz uma grande viagem investigativa pela vida e a obra desse grande paraense, arquiteto e cozinheiro, chef por excelência, líder, executivo, empreendedor, paraensista convicto.

O homem que, a partir do que aprendeu e fazia pelas ruas de Belém deu dimensão planetária à fantástica cozinha amazônica, precursor de um movimento nacional pela valorização da cozinha com ingredientes e técnicas brasileiros, numa época em que só se olhava para as “matrizes gastronômicas” europeias, vai ter sua essência mostrada em um documentário dirigido por Riccardo Rossi, italiano radicado no Brasil, por meio de um retorno histórico – vida, trabalho e ativismo - com a ajuda de personagens, histórias e depoimentos que resgatam a importância regional e nacional deste ícone.

Lembremos que essência é também, conforme o dicionário, “óleo fino e aromático, extraído por destilação de flores, folhas, frutos ou raízes de certos vegetais”. E aí o uso de essência no título do filme ganha outra conotação: entre as inúmeras inovações, releituras, reconstruções gastronômicas de Paulo Martins tivemos também a reutilização, um verdadeiro ressignificado para tradicionalíssimas essências da Amazônia, como priprioca, patchuli e cumaru, que deixaram seu centenário uso na perfumaria, na cosmética, para pular para dentro das panelas. E hoje está todo mundo usando... como a coisa mais natural, mas foi ele que começou. Até já contei essa história em “Estrela do Norte e o cheiro das carolinas paraenses”, onde celebrei o quarto ano de saudade de Paulo Martins, em 2014 – para ler, clique aqui.

 

O filme, que tem tudo para virar um clássico, uma referência em gastronomia no cinema (especialmente pelo conteúdo da história de PM), está em fase final de produção/edição e em alguns dias será lançada a campanha de Crowdfunding para a conclusão do documentário.

"O que seria hoje da cozinha brasileira sem Paulo Martins?", questiona a chef potiguar Adriana Lucena (Taiá Bistrô, RN) Temática essa que é um dos pilares do documentário. Veja uma amostra do filme, com Adriana Lucena, clicando aqui.




Escrito por Fernando Jares às 18h47
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PADRE JOSÉ MARIA DE ALBUQUERQUE

SERVIU, COM DEDICAÇÃO E ALEGRIA,
A DEUS E À CIÊNCIA, DOM DE DEUS.

SEIS ANOS LONGE DAQUELE HOMEM DE DEUS

Há seis anos, em 04 de abril de 2010, só que um Domingo da Ressurreição/Páscoa, pela madrugada, mais ou menos na hora em que Cristo Ressuscitou, faleceu o Cônego José Maria de Albuquerque, um homem extraordinário, a mais completa e harmônica união religião/ciência que conheci. Um cientista/religioso ou religioso/cientista, como queiram.

Sacerdote de quem D. Vicente Zico disse ser exemplo para qualquer sacerdote, “para que todos sejamos como ele foi, um homem de Deus”!

Era um homem alegre, feliz toda a vida. Vocação vivida intensamente, testada nas coisas do mundo – começou jovem trabalhando no cartório na sua Óbidos natal. Já ordenado estudou agronomia – como era pároco pelos interiores, entendeu que melhor poderia ajudar os agricultores com mais conhecimento. Acabou ajudando centenas de novos agrônomos paraenses, como um querido professor na outrora Escola de Agronomia da Amazônia, hoje UFRA. Também aí cresceu e até fez doutorado, escreveu livros que viraram referência sobre plantas medicinais e plantas tóxicas da Amazônia – sempre sacerdote ativo em paróquias. Ainda sábado ouvi a explicação: “ele era pároco da Santíssima Trindade quando foi estudar o doutorado, em Manaus”, onde também atuou pastoralmente como pároco. Servia, com dedicação e alegria, a Deus e à ciência, dom de Deus.

Estava pensando no que escrever mais uma vez sobre ele quando lembrei como estaria feliz com o Papa Francisco, um alegre pregador da alegria do Evangelho.

Na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” parece que o Papa Francisco conhecia o padre Zé Maria e sobre ele escrevia:

A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.” (EG 1)

 

Padre Zé Maria fazendo uma das coisas que mais gostava: lendo e pesquisando. Foto de Luiz Estumano para a Voz de Nazaré.

Sabia ser dom de Deus sua inteligência privilegiada e perspicaz, pesquisador emérito, e alegrava-se e louvava o Senhor por isso. Com alegria. Tinha tiradas sempre bem humoradas. Como dizia D. Vicente, “sempre tinha uns chistes interessantes, para alegrar a conversa”.

Foi um apóstolo da alegria, para a alegria dos amigos com quem conviveu. Transmitia segurança, esperança, felicidade. Contei em diversos posts essa experiência de um Homem de Deus, um homem que viveu Cristo. Como escreveu o Papa Francisco na Evangelii Gaudium: “A nossa alegria cristã brota da fonte do Seu coração transbordante (EG 5), referindo Cristo: “Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa.”(Jo 15,11).

Mesmo doente, vítima de um severo AVC que lhe deixou sequelas físicas desagradáveis, não abandonou a alegria e a esperança. Era uma felicidade visitá-lo. Até arrisquei uma brincadeira, ao escrever sobre a “Chegada do Padre Zé Maria no céu”, inspirado nas histórias de cordel, que você pode ler clicando aqui. Espero que ele tenha gostado.

Nossas vidas se entrelaçaram desde eu criança pequena em Capanema e ele pároco da cidade e amigo do papai. Contei isso no dia de sua morte. Leia clicando aqui.

Rezamos, Rita e eu, diariamente: "Padre José Maria, rogai por nossa família".



Escrito por Fernando Jares às 16h41
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REFEIÇÕES AO MAR (6)

ENTRE SABORES DA LIGÚRIA
E UM CARDÁPIO DE GALA

Voltando a série com que, às sextas-feiras, estamos acompanhando refeições servidas no dia a dia de um cruzeiro do navio Costa Fascinosa, no Cone Sul.

Neste dia o almoço homenageou a região italiana da Ligúria, no noroeste do país, já chegando a fazer fronteira com a França e com muita história e beleza, bastando lembrar que a capital é Gênova. Também na gastronomia é forte, com pratos considerados simples e inesquecíveis.

O jantar foi de muita festa, uma tradição nestes cruzeiros: o “Jantar de Gala”, com a presença do Comandante. Mas comecemos com o almoço:

Primi Piatti


Massa Corzetti com pinhões e alcachofras cozidas (Vegetariana)

São discos de massa que no original medieval eram prensados com um “carimbo” de madeira que indicava a origem da massa e criava sulcos para melhor receber o tempero – um formato exclusivo da região. Massa como sempre saborosa e bem preparada, pinhãozinho aqui e outro acolá, idem a alcachofra – formando um sabor muito agradável e com um odor das especiarias que os italianos sabem trabalhar muito bem – acariciava todos os sentidos...

Secondi Piatti

 

Focaccia, atum grelhado e lascas de queijo Pecorino com favas

Como não usam nestas cozinhas lavar o peixe com limão, como fazemos pelas ruas de Belém, aparece um certo pitiuzinho que não faz parte de nossos prazeres gustativos..., a lasca finíssima de pecorino fazia jus ao bom sabor deste queijo e as favas estavam ótimas.

Dolci

 

Mil-folhas de baunilha e chocolate sem açúcar

Massa folhada de boa qualidade, como era de se esperar. Mas bateu saudade do chocolate da ilha do Combu 100% cacau... Um dia eles o conhecerão!

O “Jantar de Gala” teve um brinde com espumante e a presença do alto escalão do navio, a partir do Comandante, o Capitão Massimo Penisi. O pessoal dos restaurantes e das cozinhas faz um show caprichado, cantando e dançando pelas escadas, mezaninos e salões dos restaurantes e até tiram para dançar passageiros/as que assim o queiram...

Antipasti


Mousse de formaggio Grana Padano

Mousse de queijo Grana servido com focaccina de pimenta chili (Opção vegetariana) – o pão sem estar muito duro e com presença muito discreta da pimenta (o que achei ótimo) e mousse com sabor suave do queijo (poderia ser mais forte...).

Primi Piatti

 

Trofie com pesto, patate e fagiolini

Massa Trofie com pesto, batatas e vagens (Outra opção vegetariana)

Tipo de massa também de origem da Ligúria, como sempre corretamente preparada, o pesto muito bom!, batatas e vagens desaparecidas no conjunto da obra.

Secondi Piatti

 

Meca Santista

Peixe Meca Santista servido com camarão grelhado, sobre cama de arroz e banana frita. Este peixe é muito saboroso e já andou cá por estas páginas digitais, originário de Fernando de Noronha, no famoso restaurante do Zé Maria, com a Fafá de Belém como inspiração (leia clicando aqui). Este prato ítalo-santista, tirando um pitiuzinho aqui ou acolá, estava agradável. O camarão decorava e apetecia. A banana frita contrabalançava brasileiramente de forma muito agradável o sabor forte do peixe.

Dolci


Torta Sacripantina

Centenária torta típica genovesa. Em camadas, com creme de chocolate e baunilha, uma combinação sempre bem comportada, aqui sem excessos de doçuras. Leva um toque de vinho Marsala. E ainda vem com um cremezinho “de ganho”... completando a festa do paladar.



Escrito por Fernando Jares às 16h22
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KANDINSKY À MESA

GASTRONOMIA & ARTES PLÁSTICAS
A BELEZA ESTÉTICA NAS MESAS

Quando vi, recentemente, o prato da alagoana Giovanna Grossi vencedor da eliminatória latino-americana do concurso gastronômico “Bocuse D’Or” 2016, um peixe que levou, entre outros ingredientes, tucupi, jambu e chicória paraenses (leia “Pará na copa do mundo de gastronomia”, clicando aqui) gostei imensamente do lado estético, da beleza plástica da composição do prato. Veja:

 

De imediato lembrei-me do pintor russo Wassily Kandinsky, um dos melhores do mundo, de quem vi uma exposição no ano passado, no Rio. Vejam o fantástico “No branco” (1920), que fotografei na mostra no CCBB:


Até penso que ele fazia criações deste tipo pensando profeticamente na cozinha contemporânea deste século... Veja só esta peça também em exposição no CCBB/Rio: uma porcelana por ele criada para uma fábrica de louças em Moscou.

 

O astro maior das cozinhas brasileiras, Alex Atala, tem um prato que nos remete diretamente a Kandinsky. Ou será que o Kandinsky nos remete à “Salada de abobrinha caipira e lagostim” da foto abaixo, que Alex Atala serve no Menu Degustação do seu D.O.M., que mostrei aqui no ano passado. Para ler “D.O.M.Gustação” clique aqui.


Encontrei também semelhança estética em um prato servido no "RS", o restaurante de Roberta Sudbrack, no Rio de Janeiro: “Marinados: mar, terra, quintal” (foto abaixo), uma composição finíssima e saborosa, que você pode conhecer com mais detalhes clicando aqui.


Aqui pelas ruas de Belém temos visto bons estudos transformando a apresentação de pratos obras de valor estético, claro que dentro das mais diversas correntes de criação, por conta do artista/chef. Escolhi uma de Thiago Castanho, do “Remanso do Bosque”, que classifico de estilo “rústico ribeirinho”, com elementos que invocam e estetizam a vida do caboclo na ribeira de nossos rios. Trata-se de “Mapará moqueado”, embrulhado na folha de guarumã, acompanhado de açaí e farinha, ao qual dei o nome de “Sinfonia Tocantina” – pode ter mais cara de um prato bem rústico das margens abaetetubenses, etc. do Tocantins? Lógico que esses ingredientes ganharam a interpretação contemporâneo-regionalista de Thiago Castanho, como contei em “Entre o global e o regional, a tradição reinventada”, que você pode ler clicando aqui.




Escrito por Fernando Jares às 17h44
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