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PELAS RUAS DE BELÉM


CECIM NA TELONA

O CINEMA KINEM ANDARA
TORNANDO VISÍVEL O INVISÍVEL

Imagino que se o escritor tcheco Franz Kafka tivesse feito algum filme, este seria na linha dos filmes do escritor e jornalista paraense Vicente Franz Cecim, assumidamente amante da obra de Kafka – “o escritor que mais amo”, afirmou ontem ao jornal O Liberal.

Acompanho a obra do Cecim desde seus primeiros passos públicos, nos anos 1970, tempo em que fomos colegas de trabalho na Mendes Publicidade (hoje Mendes Comunicação), sob a liderança do mesmo Oswaldo Mendes que até hoje inspira a criação nessa casa.

Às vezes conversar com ele era difícil, como seus textos, desafiantes. Todos muitos jovens – ele já a demonstrar que seria um dos mais brilhantes de nossa geração. Está ele aí, com reconhecimentos nacionais e internacionais – não sei de outro paraense a falar na Casa Fernando Pessoa e só por causa disso já saio gritando palmas para ele!, eu sou amigo dele!, meu colega!. O prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) para o Cecim, em 1988, surpreendeu muita gente aqui pelas ruas de Belém. O gente boa é fera. Seus livros, que continuam desafiantes, continuam ganhando prêmios: ainda ano passado levou um do IAP.

Mas se o Cecim é um dos mais brilhantes escritores paraenses dos séculos XX e XXI, por que aquela historinha de filme aí em cima?

É porque tem história aí. Nos anos 1970 ele fez diversos filmes. Era o tempo pré Andara – sua série de livros. Ele andava a procura do melhor caminho para mostrar a criatividade que enchia todos os seus espaços pensadores. Fazia filmes, como todos nós os fizemos naquela época, em Super 8, que editava, sonorizava, com seu comando criativo.


Estes filmes vão ser vistos este final de semana no Cinema Olympia, a partir de hoje, 10/04 até domingo 12, na mostra “Kinem Andara – A Irrealidade do Real”.

Com o fim dos 70s ele parou com a arte chamada sétima – para usar uma expressão do sempre lembrado jornalista Edwaldo Martins – e concentrou-se na literatura. Apenas nos 2000 voltou a empunhar a filmadora, aí já uma moderníssima digital, coisa arranjada por seu filho Bruno, fotógrafo e cineasta. Gostou e agora se expressa em texto e imagem. Obrigado, Bruno.

O título da mostra: “Kinem Andara: A Irrealidade do Real” é uma justa definição para o que poderá ser visto na centenária telona da praça da República.

Olha a programação, sempre às 18h, com entrada franca:

10/04 – Sexta
K+AFKA (2010/2012) – 60'
Sombras (1977) – 15’

11/04 – Sábado
A lua é o sol (2009) – 30’
Malditos Mendigos (1978) – 15’
Matadouro (1975) – 08'

12/04 – Domingo
Permanência (1976) – 20'
Rumores (1979) – 25’
Fonte dos que dormem (2009) – 30’

Na foto abaixo o encontro de dois artistas, que merece todo destaque: o escritor Vicente Cecim em sensacional trabalho da fotógrafa Paula Sampaio, foto publicada ontem em O Liberal (veja clicando aqui). A moldura branca que lhe cerca o rosto ficou muito bem, no Real e no Retrato. Parabéns a ambos, e vamos ao Cine Olympia!




Escrito por Fernando Jares às 10h09
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FESTIVAL GASTRONÔMICO

VAI COMEÇAR O MAIOR ESPETÁCULO DA COZINHA PARAENSE
AS ATRAÇÕES, OS CHEFS, OS RESTAURANTES


Cozinha paraense no centro da festa (ilustração do site VOP)

O festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense 2015 começa a agitar a cidade no dia 1º de maio próximo, com o Circuito Gastronômico.

O tema do VOP/2015 é o Marajó, com toda a fantástica variedade de ingredientes, técnicas culinárias e sabores únicos da grande ilha.

Este festival foi criado em 2000 pelo chef Paulo Martins como instrumento para valorizar, divulgar e qualificar a cozinha paraense, trazendo grandes chefs para conhecerem nossos ingredientes exclusivos, que muitos adotaram em seus badalados restaurantes, e transmitir seus conhecimentos e experiências em novas técnicas para os profissionais da cozinha pelas ruas de Belém.

O Circuito Gastronômico, este ano terá a participação de 16 restaurantes, todos eles apresentando um prato especialmente criado para o Festival: dentro de suas especialidades, esses pratos necessariamente remeterão ao Marajó, utilizando alguma coisa típica da cozinha da maior ilha fluviomarinha do mundo.

Olha só o time de primeiríssima que participará do Circuito Gastronômico, de 01 a 31 de maio, faltando apenas a divulgação dos pratos. Prepare-se para circuitar por mesas muito criativas:

A Forneria, Avenida, Benjamin, Brasileirinho, Buffalo Steack House, Famiglia Sicilia, Famiglia, La em Casa, La Madre, Manjar das Garças, Point do Açaí, Remanso do Bosque, Saldosa Maloca, Santa Chicória, Sushi Ruy Barbosa, Tutto.

PROGRAMAÇÃO

O festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense propriamente dito acontecerá de 23 a 31 de maio. Conheça aqui a programação preliminar, sujeita ainda a alterações:

·         23 a 31/05

Feira de Produtores (Boulevard Shopping) A melhor forma de conhecer os melhores produtos exclusivíssimos que formam a cozinha paraense, pelas mãos dos próprios produtores.

·         Sábado – 23/05

16h - Chefs na Praça - Comida de criança (Praça Batista Campos). Novidade neste ano: os chefs preparam comidinhas para a garotada em meio a atrações especiais para a turma miúda.

·         Domingo – 24/05

11h30 – Chefs na Praça - Marajó na Panela (Praça Batista Campos)

·         Quarta – 27/05

21h – Jantar Magno (Restaurante Benjamin). Um dos momentos mais tradicionais deste Festival Gastronômico, que já foi Banquete dos Chefs e Jantar Beneficente, continua beneficente, feito por grandes chefs, só que em dois restaurantes da cidade.

·         Quinta – 28/05

15h/17h – Chefs na Comunidade, em parceria com Senac
18h – Fórum Técnico (Estação Gasômetro)
21h – Jantar Magno (Restaurante Famiglia Sicilia)

·         Sexta – 29/05

09 às13h – Final do Concurso Chef Paulo Martins (Estação Gasómetro)
15h/17h – Chefs na Comunidade
14h/16h/18h – Aulas de Culinária (Estação Gasômetro)
19h – Boteco Veropa (Engenho do Dedé - Boulevard Shopping)

·         Sábado 30/05

14h/16h/18h – Aulas de Culinária (Estação Gasómetro)
19h – Jantar Popular das Boieiras (Estação das Docas)

·         Domingo 31/05

11h/14h/16h/18h – Aulas de Culinária (Estação Gasómetro)

CHEFS CONFIRMADOS

 

Alex Atala, 7º Melhor do Mundo, único 2 Estrelas Michelin no Brasil, estará no Jantar das Boieiras.

Veja o time de grandes chefs, locais, nacionais e internacionais já confirmados para participar do 13º Festival Gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, nas diversas atividades, como Aulas, Jantar Magno, Jantar das Boieiras, Fórum, Boteco, etc:

Adriana Lucena (Taiá Bistrô) RN
Alex Atala (D.O.M.) SP
André Parente (Engenho Dedé) PA
Angela Sicilia (Famiglia Sicilia) PA
Daniela Martins (Lá em Casa) PA
Felipe Gemaque (2+1 Produções Gastronómicas) PA
Flávio Myamura (Mya) SP
Gabriela Carvalho (Quintana Café) PR
Gustavo Rinkevich (Rocka) RJ
Hugo Nascimento (Tasca da Esquina) PORTUGAL
Ivan Achcar (Alma Cozinha) SP
Leo Paixão (Leo Paixão) MG
Lui Veronese (Cru) DF
Mariana Sebes (Escola Mause Sebess) ARGENTINA
Mônica Rangel (Gosto com Gosto) RJ
Neka Mena Barreto (Neka Gastronomia) SP
Paulo Anijar (Mazza) PA
Paulo Machado (Instituto Paulo Machado) MS
Pedro Schiafino (Malabar) PERU
Re Cruz (Amici Buffet) SP
Sergio Leão (Benjamin) PA
Thiago Castanho (Remanso do Bosque) PA



Escrito por Fernando Jares às 19h34
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PAPRIKA

PÁPRICA ALL’ITALIANA EM BELÉM

Paprika. Quando ouvi pela primeira vez o nome deste restaurante, imaginei diversas especialidades, menos a italiana... Conhecia páprica como tempero nascido no México mas que virou húngaro, especialmente por sua presença no gulache. Até já andou por estas linhas virtuais, em um frango com mel de tâmaras, à moda israelita, que fizemos Cá em Casa... (veja clicando aqui). Mas o Paprika identifica-se como “Italian Restaurant”. Fomos lá noite dessas, Rita e eu, com um casal que é fã da casa, Lorena e Sérgio.

O endereço pode confundir: Rua Padre Champagnat, quando para mim seria praça Frei Caetano Brandão. Fica no correr da Sé Catedral, na direção da Siqueira Mendes, de frente para o Forte do Castelo. Lembra do antigo Marujo’s? – pois é lá.

O lugar é cenário da mais pura história belenense. Tudo começou lá – os fundadores desceram lá em frente, em 1616, fizeram morada naquelas margens de rio/baía. O ambiente é agradável, a decoração bem interessante, com bom atendimento do proprietário, a dar informações sobre as sugestões do cardápio, e até fora dele, etc.

Para entradas oferecem bruschettas, gamberetti, carpaccio e uma “Entrada italiana”, que foi a nossa opção:

 

A tal “Entrada italiana” (R$ 39,00) vem em diversos pratinhos, como na foto acima, com legumes grelhados (berinjela e abobrinha), molhos, tomates + pimentões, queijos e pão italiano de fabricação própria, que vai sendo reabastecido. Uma boa pedida que abriu bem os trabalhos.

Em conformidade com a onda regionalista dos restaurantes pelas ruas de Belém o cardápio oferece opções com a cara da cozinha paraense. Por exemplo, como casa italiana, tem uma variedade de pizzas, juntando uma opção de pizza de jambu!

Pois a minha escolha recaiu em um prato com ingredientes locais, o que nem é novidade...


Olhaí o “Filhote do Norte” (R$ 49,00), que vem a ser um filé de filhote na chapa, com jambu apimentado, castanha-do-pará, sal grosso, azeite extra virgem, arroz dito all’parmegiana, queijo parmesão e salada verde. Dois reparos: o peixe estava queimado em certa parte, isto é “pregou” na chapa... e mesmo assim foi servido, mas não chegou a contaminar o sabor. Embora oferecida a escolha do nível da pimenta no jambu, com opção pela mais moderada, estava bem forte. Tudo bem, dirá alguém: “mas vais pedir prato paraense em restaurante italiano! Devias pedir uma massa, uma pizza, um risoto!”. Mas veja, está no cardápio, a gente confia. Fora estes malfeitos técnicos, coisa provavelmente pontual, a festa prosseguiu.

 

Não, não repeti a foto anterior em ângulo diferente. Este é o “Filé do Norte” (R$ 45,00), opção da Rita, que é um filé com jambu, castanha-do-pará, sal grosso, azeite extra virgem, risoto com parmesão e salada verde, pedido com arroz branco (sem o queijo, que ela não pode comer). Veio direitinho. O leiaute é o mesmo do meio-irmão filhote, mas dá para ver que, embaixo do farto jambu, um tem espaços claros (peixe) e o outro escuros (carne). Mas nada queimado, no ponto pedido, ela ficou feliz.

 

Esta opção não está no cardápio e foi pedida pelo Sérgio, já veterano na casa, prato identificado na conta como “File Alla Italia” (R$ 56,00), que mereceu elogios e tinha uma cara agradabilíssima. A Lorena optou por um “Risotto Alla Parmegiana” (R$ 33,00), que a agradou.


O “Tiramisu” (R$ 22,00), tradicional sobremesa italiana, tem versão muito elogiada nesta casa e eu não deixei escapar. Realmente uma delícia, valeu, para fechar a noite e recuperar a imagem diante do percalço com o filhote meio-queimado...



Escrito por Fernando Jares às 21h24
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PADRE ZÉ, CIÊNCIA E FÉ

JOSÉ MARIA DE ALBUQUERQUE
15.05.1924
04.04.2010

“A Arquidiocese de Belém agradece ao Senhor da Messe os 85 anos de vida e 58 anos de Sacerdócio bem celebrados pelo saudoso Cônego José Maria Albuquerque.
Neste Ano Sacerdotal, fica para o Clero e toda a Igreja de Belém, a feliz lembrança de um Padre santo, sábio, nobre e digno. Viveu com fidelidade e simplicidade a vocação sacerdotal. A doença não tirou o sorriso dos seus lábios, nem a ternura do seu coração sacerdotal”

Era assim o texto no “santinho” que os amigos do sacerdote, cientista e professor universitário José Maria de Albuquerque receberam, em 2010, ao final da celebração da Santa Missa de Sétimo Dia por esse boníssimo obidense.

Foi um homem marcante para todos com quem conviveu. Sacerdote, pastoreou fiéis por diversos interiores paraense, convivendo com gente simples, que ele tanto gostava. Gosto que o fez pedir autorização ao Arcebispo da época, para estudar agronomia – queria ter mais conhecimentos para partilhar com os muitos lavradores de suas paróquias. Assim o fez. E fez mais, muito mais, destacou-se na profissão, chegou ao doutorado em Botânica e foi um dos maiores especialistas em plantas medicinais da Amazônia – seus livros são referenciais. Levou para a academia o amor aos irmãos que Cristo lhe ensinara – o que testemunham seus inúmeros alunos.

Tive com ele uma relação de muito bem-querer, desde a infância, quando foi pároco lá em Capanema e ficou um grande amigo do papai. Muito mais recentemente tivemos um reencontro, quando o procurei para atender a uma necessidade espiritual de meu irmão. Sua disponibilidade para um imediato atendimento cativou-me – e assim iniciamos, Rita e eu, uma caminhada juntos que, infelizmente, foi breve, porque poucos anos depois sofreu um AVC que o deixou parcialmente paralisado e logo o levou para a morada do Pai.

A foto abaixo, de Luiz Estumano, do arquivo do jornal Voz de Nazaré, publicada em 09/04/2010, é um retrato fiel desse grande paraense, fazendo uma das coisas que mais gostava de fazer: lendo, pesquisando!

 

Encarnava muito bem a difícil dobradinha Ciência e Fé. Foi um homem muito ativo até a doença, embora já aos 80 anos! Dirigia seu “histórico” fusca com rara habilidade pelas ruas de Belém – segui-lo exigia boa disposição e competência do motorista! Viajou muito. Na última, pouco antes de sofrer o AVC, esteve uma temporada em N. S. de Medjugorje (Bósnia e Herzegovina), dedicando-se a confessar peregrinos, daí seguindo para a Terra Santa, que ele tanto gostava – trouxe como lembrança para os amigos areia do mar da Galileia e raminhos de oliveira – uma delicadeza, que só ele conseguiria trazer de Israel...

Dos muitos posts que escrevi sobre ele, gosto particularmente do que conta como deve ter sido a “Chegada do padre Zé Maria no Céu”, ao estilo das histórias de cordel, mas sem a versejação. Acho que ele teria gostado, mas não sei se tem internet no Céu.. Podem ler clicando aqui.

Um belo texto sobre ele escreveu o Monsenhor Geraldo Menezes, decano dos sacerdotes da Arquidiocese de Belém, homem de mente e cultura privilegiadas: ”Páscoa no Céu”, que você pode ler clicando aqui.

Amanhã seus amigos estaremos rezando por ele na Igreja de Santa Terezinha, no Jurunas, às 8h30 (ou às 18h) – veja abaixo o que saiu esta semana na Voz de Nazaré.

Intercede a Deus por nós, amigo.

 



Escrito por Fernando Jares às 11h51
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LAVA-PÉS - 1989

IGREJA LAVA OS PÉS DA COMUNICAÇÃO

Em uma Quinta-feira Santa como hoje, há 26 anos – era 24 de março de 1989 – na Basílica de Nazaré o vigário padre Paulino Brambilla, na Cerimônia do Lava-pés, lavou os pés de 12 jornalistas, convidados em função do tema da Campanha da Fraternidade daquele ano: “Comunicação para a verdade e a paz”. Naquele fim de tarde fui um dos doze! Entrei no time representando o jornal A Província do Pará, onde era Editor de Turismo. Foi uma novidade pelas ruas de Belém.

Veja o registro feito em O Liberal:

Com o Título “Vigário alerta sobre o papel da imprensa durante celebração”, tinha este texto:

O sermão da missa da liturgia da Ceia do Senhor, realizada ontem a noite na Basílica de Nazaré, foi todo relacionado ao tema da Campanha da Fraternidade deste ano — "Comunicação para a justiça e a verdade". O vigário celebrante. Paulino Brambilla, disse que o gesto de servir, feito por Jesus Cristo ao lavar os pés de seus 12 discípulos um dia antes de ser crucificado, deve ser seguido para que haja justiça e verdade. A mensagem foi dirigida, principalmente, ás pessoas que trabalham nos meios de comunicação de massa.

Ele disse que a imprensa escrita, falada e televisionada não deve ser olhada apenas como "um ganha pão", mas como um serviço fundamental na formação de uma sociedade fraterna e que caminha para o progresso. "Quanto mais aceitamos a nossa profissão como um serviço, mais caminhamos para uma comunicação sem escravidão; só assim podemos construir uma sociedade na justiça e na paz".

Depois. Brambilla deu um conselho aos comunicólogos: "Profissionais, assumam esta profissão como se fosse uma missão. Fico triste quando vejo páginas Inteiras de jornais de Belém e do Brasil colocando gestos que embrutecem as pessoas". O vigário da Basílica pediu, em seguida, para que os jornalistas sejam críticos, sem, porém, deixar de detectar gestos positivos. "Vocês devem criar coragem para denunciar e criticar a incompetência do governo e as injustiças que acontecem na sociedade", observou.

A fim de demonstrar o gesto de servidão de Jesus Cristo, ocorreu, durante a liturgia, a tradicional cerimônia de lava-pés, para a qual foram escolhidos 12 profissionais de imprensa: Luiz Paulo Freitas (Sistema Romulo Maiorana de Comunicação), David Souza (TVS), José Lessa (TV e Rádio Cultura), Fernando Jares Martins (A Província do Pará), Eduardo Queiroz e Ronaldo Huhn (Voz de Nazaré). José Maia (Diário do Pará), Edson Matoso (Rádio Rauland), Ronildo Rosa (Rádio Marajoara), Jones Lara Tavares (Rádio Cidade), Luiz Euclides Araújo (Rádio Liberal) e Elias Daibes. É a primeira vez que profissionais ligados aos meios de comunicação fazem parte da cerimônia de lava-pés na Basílica.”

A matéria acima, em detalhe abaixo. Estou logo ao lado do sempre lembrado Luiz Paulo, que os leitores conheciam mais como Paulo Zing:

A Província do Pará fez uma página para tratar das cerimônias do dia em diversas igrejas da cidade:


Aqui o trecho em que refere sobre a cerimônia do Lava-pés na Basílica:

A cerimônia do Lava-pés na Basílica de Nazaré teve início ao final da tarde, com maciço comparecimento dos fiéis, e foi presidida pelo vigário Paulino Brambilla, acompanhado pelos diáconos Afonso Freire e Alaci. Em seu pronunciamento aos presentes, o padre Paulino Brambilla enfatizou a Nova Aliança instituída por Jesus Cristo "não por palavras, mas pelo sangue". Ao destacar que "Cristo não veio para ser servido, e sim, para servir", o vigário ressaltou que o ato de servir é reinar, e a humanidade precisa aprender a servir: "Precisamos aprender a nos lavar os pés uns aos outros".

Paulino Brambilla destacou a presença dos representantes dos veículos de comunicação, enfatizando o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, a cargo da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB: "Comunicação para a Verdade e a Paz". Ele afirmou que os veículos de comunicação têm uma grande influência nas massas, e que o profissional de Imprensa deve encarar seu trabalho não como um ganha-pão, mas como uma missão de serviço, para uma sociedade mais justa e fraterna, no caminho do progresso. "Ao aceitarmos a nossa profissão como uma missão de serviço, criamos espaços para uma comunicação verdadeira para a justiça reinar dentro de nós".

O vigário da Basílica de Nazaré afirmou que "é triste vermos em páginas inteiras de jornais gestos de violência que embrutecem", antes de proceder ao ritual do Lava-pés, o padre Paulino Brambilla solicitou aos profissionais de comunicação para que sejam "criativos e saibam detectar os gestos positivos que constroem, e saibam divulgar esses gestos”.

A seguir listava os doze que tiveram os pés lavados. Elias Daibes, bancário, deve ter substituído algum jornalista que não compareceu.

O colega fotógrafo Braz de Rocha registrou o momento em que meus pés eram lavados – devido à posição em que estava, a careca, já definitivamente instalada, foi o destaque...



Escrito por Fernando Jares às 16h22
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GASTRONOMIA & CULTURA

DIÁLOGOS E REFLEXÕES SOBRE A ARTE DA GASTRONOMIA

O Governo do Estado do Pará confirma, na prática, o reconhecimento da gastronomia como manifestação cultural. Em oportunidades anteriores já registrei aqui momentos como a mensagem de “Apresentação” do governador Simão Jatene, no livro “Gastronomia do Pará – O sabor do Brasil”, onde afirma que “A gastronomia talvez seja o elemento cultural que carrega os traços mais reveladores de um povo” (Leia clicando aqui). Sendo Jatene um homem de cultura, além de economista e administrador público, essa afirmativa ganha contornos definitivos. Como resultado à I Conferência Livre de Gastronomia da Amazônia (leia clicando aqui), liderada pelo Instituto Paulo Martins, o Governo do Estado incluiu este segmento nas discussões para a Conferência Estadual de Cultura, que resultou na ida de propostas tiradas na Conferência Livre para a Conferência Nacional de Cultura, que aprovou a inclusão da gastronomia como forma de manifestação cultural no Brasil.

O resultado prático no Pará – antes mesmo de ação deste tipo na esfera federal – está na inédita concessão de bolsas para a gastronomia dentro do Edital de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística da FCP - Fundação Cultural do Estado do Pará. E mais: pela realização de evento com o significativo tema “Diálogos e Reflexões Sobre a Arte da Gastronomia”, na série Diálogos Criativos, cujo objetivo foi reunir profissionais da gastronomia, com experiência em projetos de pesquisa com candidatos às bolsas, especialmente estudantes de Gastronomia – e havia bastante deles entre os presentes.

Fizeram exposições aos presentes profissionais ligados ao tema, gente jovem que se dedica ao desenvolvimento e valorização da atividade, em um momento único na história da relação cultura & gastronomia no Pará. Quem participou fez parte de um acontecimento da maior importância no processo de reconhecimento da atividade gastronômica como manifestação cultural. Lá estavam:

Tainá Marajoara, do Instituto Iacitata Amazônia Viva, que historiou a relação gastronomia X cultura e sua ação nesse processo e a experiência com pesquisas no Pará, especialmente no Marajó, a identificação de técnicas e preparos próprios da tradição amazônico-paraense em farinhas, mingaus, peixes, doces, caças, etc., defendendo ações efetivas considerando a sociobiodiversidade da região e a relação da culinária com os hábitos, encantarias e costumes locais.

Fábio Sicilia, Presidente da Abrasel Pará, que narrou a sua vivência na formação profissional e obtenção de técnicas e conhecimentos no exterior e sua aplicação aos recursos locais, incluindo pesquisas no interior do Estado, com alguns ingredientes, como o cacau/chocolate, especialmente em Medicilândia, aonde vem atuando.

Joana Martins, do Instituto Paulo Martins, que ressaltou os objetivos do IPM, na continuidade das pesquisas e estudos do chef Paulo Martins (1946/2010), pioneiro nesse campo na Amazônia e na divulgação nacional e internacional da cozinha paraense. Destacou a iniciativa ousada do Governo do Estado em criar estas bolsas e aceitar a inclusão de projetos gastronômicos na Lei Semear (de incentivos). Apresentou exemplos de projetos culturais/gastronômicos de diversos locais do Brasil como exemplos que podem ser replicados pelas ruas de Belém e no Estado.

Solange Saboia, da 2+1 Produções Gastronômicas, que disse de sua experiência de ser cozinheira do Pará e da necessidade de defender a verdadeira cozinha paraense.

Ivie Maneschy, convidada especial, cozinheira e nutricionista, retornando após dez anos fora do Estado, em estudos e aprimoramento profissional, mostrou aspectos de sua experiência em pesquisa com enfoque científico, sugerindo linhas de pesquisa que podem ser trabalhadas nestas bolsas, como frutas da Amazônia, mandioca, pimentas, chocolate, gastronomia infantil, cervejas artesanais. Focou também a relação de pesquisas com o mercado, sugerindo parcerias com indústrias e instituições.

Rolaram ainda algumas discussões muito interessantes, como sobre cultura alimentar x gastronomia; realidade da gastronomia X academia e versus ambiente empresarial, especialmente grandes indústrias, etc.

As inscrições para a bolsa vão até 22 de abril. Todas as informações estão disponíveis no site da Fundação Cultural do Estado do Pará: clique aqui.

A foto lá em cima é da Agência Pará/Secretaria de Comunicação do Estado, captada de seu perfil no Facebook.



Escrito por Fernando Jares às 18h18
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D. ALBERTO RAMOS

CENTENÁRIO DE UM GRANDE BISPO PARAENSE

Celebra-se hoje o centenário de nascimento de um paraense que foi destaque na atividade que abraçou: Alberto Gaudêncio Ramos, nascido neste dia, em 1915. Ordenado sacerdote, teve carreira de destaque na Igreja Católica, reflexo de uma cultura exemplar, nas coisas da Igreja e nas coisas do mundo. Primeiro Arcebispo de Manaus, foi o mais jovem Arcebispo do mundo. Pouco depois era nomeado pelo Papa o sétimo Arcebispo de Belém – o primeiro paraense a ocupar esse posto de alta dignidade na Igreja Católica.

Era eu ainda muito jovem, tendo vindo estudar aqui pelas ruas de Belém, morava em casa de meus avós, praticamente adotado pela tia Carmen. Ela era colega de trabalho de uma jovem que veio a casar-se com um irmão de D. Alberto – a Eulina e o Zé. Dessa forma, nos aniversários dos filhos desse casal, lá ia eu com a tia Carmen – e ficava fascinado ao ver o Arcebispo circulando por lá como um homem qualquer e ainda abençoando os alimentos! Moleque aluno no Colégio do Carmo, imagina como isso era importante!

Ele já andou cá por estas páginas virtuais diversas vezes. Por exemplo, quando mostrei O Círio em Quadrinhos, em 2009, destacando dois trabalhos, sendo um deles de Raimundo Aguiar Matos, que teve “aprovação eclesiástica”, em um estímulo de D. Alberto ao trabalho do humilde desenhista (você pode ler clicando aqui):

 

Contaram-me que, quando o pouco conhecido cardeal polonês Karol Wojtyła foi eleito Papa (João Paulo II), alguém perguntou a D. Alberto se o conhecia e ele respondeu afirmativamente: “Uma vez, quando ainda era bispo, nos encontramos e conversamos”, disse. Ao que o interlocutor indagou: “Em polonês?” e D. Alberto respondeu tranquilamente: “Em latim”.

Certa vez tive que fazer uma pesquisa para o Círio e ele me franqueou um vasto arquivo no antigo Palácio Episcopal, onde hoje está o Museu da Arte Sacra. Ele se empolgava com a valorização da cultura.

Um colega jornalista, que também é escritor dos melhores, professor de primeiríssima e membro da Academia Paraense de Letras, João Carlos Pereira, escreveu uma série de três artigos sobre D. Alberto no jornal A Voz de Nazaré, nestas últimas semanas.

Convido-os a ler esses três artigos, a seguir transcritos, com autorização muito gentil de seu autor. Você também pode ler no Portal Nazaré, da Fundação Nazaré de Comunicação, acessando “Voz Digital” – para facilitar, no título de cada parte, coloquei o link do jornal – o artigo está sempre na segunda página. Boa leitura para vocês, como foi para mim.

NO CENTENÁRIO DE D. ALBERTO

PARTE I (13/03/2015)

A Academia Paraense de Letras tinha – como de resto toda a cidade também – um apreço enorme pela figura de D. Alberto Gaudêncio Ramos. O ex-Arcebispo, nascido em Belém, no ano de 1915, e morto aqui também, em 1991, já na condição de emérito, teve uma vida intelectual riquíssima. Ele era tido – porque, de fato, era – como um dos homens mais preparados do seu tempo. Não por acaso, D. Alberto integrou e presidiu a Academia Paraense de Letras, o Conselho Estadual de Cultura e o Instituto Histórico e Geográfico do Pará.

Na Academia, era quase alvo de uma veneração. Pontualíssimo, observava rigidamente os ritos académicos. Conduzia as sessões com elegância e disciplina. Os confrades daquela época – hoje cada vez menos – a lembram do tratamento cordial que D. Alberto dispensava a todos. Era um homem simples, que sabia ouvir e respeitava a opinião dos membros das casas a que pertencia. Sabia que nem todos comungavam da mesma fé que professava e nem por isso discriminava ou cerceava a palavra de quem quer que fosse.

Um dos maiores defensores de D. Alberto era o ex-governador Hélio Gueiros. Presbiteriano, Dr. Hélio jamais aceitou – e dizia isso publicamente – a acusação de que o Arcebispo havia entregado padres de tendência comunista ao regime de 64. Ele ficava furioso, quando alguém falava disso. Se fosse necessário buscar uma comparação, diria que D. Alberto tinha um perfil mais próximo de Bento XVI do que do que do Papa Francisco, o que não é demérito para ninguém. É apenas uma questão de estilo.

Até hoje, a memória do sucessor daquele que foi o mais jovem Arcebispo do mundo – tinha apenas 37 anos, quando foi nomeado para dirigir a Arquidiocese de Manaus – é largamente respeitada e honrada na APL, que vai fazer sessão especial, pelo transcurso de seu centenário, no dia 26 de deste mês. A entrada é franca e é sempre bom conhecer exemplos que edificam.

NO CENTENÁRIO DE D. ALBERTO

PARTE II (20/03/2015)

Por ser um homem habituado à mídia - escrevia para jornal e tinha programa em rádio, na época que a Fundação Nazaré não era sequer um sonho - D. Alberto Gaudêncio Ramos não fugia da imprensa. Pelo contrário: mantinha com jornalista uma relação cordial. Distante, muitas vezes, mas cordial. Graças a essa cordialidade que me aproximei do Arcebispo e pude entrevistá-lo muitas vezes. Foi a partir desses encontros que descobri quem era D. Alberto.

Numa das vezes em que o entrevistei, o governo havia decretado que o horário de verão vigoraria em todo o país. Aqui, como no Nordeste, foi um fracasso. Antes que isso ficasse constatado, D. Alberto se manifestou contrário à medida e praticamente liderou uma desobediência civil. A matéria completa saiu numa edição de domingo, de O LIBERAL, com o religioso fotografado na Praça do Relógio, mostrando a incoerência entre a hora oficial e a claridade. Sua voz foi ouvida e escapamos disso.

Em outra ocasião, o governo Sarney proibiu a exibição do filme "Je Vous Salue, Marie", de Jean-Luc-Godard, que sugeria a vida de Nossa Senhora entre a carne e o espírito, digamos assim. A igreja foi contra a exibição e, questionado sobre a censura, D. Alberto me disse: "eu sei que está proibido, mas eu queria ver, para poder explicar às pessoas o porquê da proibição". Não sei se viu, mas o filme é tão chato, que nunca mais ninguém falou dele. O que impressionou foi a naturalidade do Arcebispo, quando afirmou que gostaria de ter visto. Como não guardo nada, não tenho a matéria que escrevi e O LIBERAL publicou num domingo. Mas quem quiser ler, é só buscar no Centur.

D. Alberto era um intelectual aberto ao debate. Claro que, como chefe da Igreja em Belém, não podia dar um passo maior ao que as pernas, mas a verdade é que ele sabia pensar e usava sua inteligência como dom de Deus e não como rédea para a erudição.

NO CENTENÁRIO DE D. ALBERTO

FINAL (27/03/2015)

Acho até muita coragem de minha parte ficar escrevendo sobre D. Alberto, quando seu irmão e biógrafo, além de colega de página, o prezado senhor José Ramos, já disse tudo sobre ele, numa alentada publicação da Secretaria de Cultura. Mas me valho de um depoimento de meu confrade e amigo padre Ronaldo Menezes, afilhado de D. Alberto, para finalizar esta simples homenagem ao querido confrade da Academia.

Padre Ronaldo me contou que, quem morava em Belém, conhecia apenas o D. Alberto administrador da Arquidiocese, o homem de vida pública intensa, ligado a todos os órgãos de cultura do Estado e convidado de dez entre dez eventos importantes da cidade. O D. Alberto pastor, aquele que nunca deixou de ser o simples padre Alberto, era o homem que pegava a estrada e ia visitar o povo de Deus, no interior.

Era lá, nas terras distantes, que o ex-Arcebispo podia, enfim, ser o padre de aldeia, tal como no romance de Bernamos. Se não fosse apresentado como o Arcebispo, talvez as pessoas nem imaginassem que estavam diante de um religioso tão importante. Ele visitava os doentes, conversava com lodos, sentava nos alpendres, tomava café, rezava a missa, ouvia confissões, dava conselhos, batizava crianças sem nenhuma pompa.

Longe aos compromissos oficiais e das agendas, D. Alberto tinha tempo e espaço para ser o padre disponível, íntimo do rebanho que lhe fora confiado. E como as pessoas gostavam da simplicidade do sacerdote que não precisava citar grandes autores – bastava-lhe o Evangelho – para se fazer entender. Como a gente humilde se identificava com aquele senhor...

Precisava escrever isso sobre D. Alberto, para deixar às novas gerações, que já viveram a Igreja de Belém sob o comando de seus sucessores, a imagem de um grande homem, cujo centenário deve ser largamente celebrado.


Capa do excelente livro biográfico sobre D. Alberto, escrito pelo seu dedicado irmão José Ramos, citado acima pelo João Carlos.



Escrito por Fernando Jares às 18h17
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IMBRÓGLIO VEROPESIANO

HOJE NÃO É O ANIVERSÁRIO DA FEIRA DO VER-O-PESO.
NEM ELA TEM 388 ANOS!

Esta é mais uma lambança histórica. Quem terá decidido, em que momento, que se festeja o aniversário do Ver-o-Peso em 27 de março. E mais grave: que a feira existe há 388 anos! Não é o que diz a história vivida pelas ruas de Belém.

Nos idos de 1988 o jornal A Província do Pará noticiou os 300 anos do Ver-o-Peso e fiz registro do feito na página “Pró-Turismo”, que assinava, como Editor de Turismo desse jornal, lamentavelmente extinto já neste século XXI. A data fora identificada no ano anterior pela colega jornalista Telma Pinto em reportagem no mesmo jornal. A data apontada, 21 de março de 1688 é da assinatura da Provisão Régia que concedeu à Câmara de Belém a renda originária de um posto fiscal estabelecido na doca formada pelo igarapé do Piry.

Recentemente, em 2011, vendo os festejos do aniversário em data diversa e, o que era mais estranho, dando ao local vida muito superior à real, publiquei um post recordando a data da criação do posto fiscal de “haver do peso”, embrião da futura feira, que você pode ler clicando aqui. Quer dizer: a feira é ainda mais nova, pois deve ter nascido em volta do posto fiscal, como é comum até hoje pelos interiores de meu Deus. Faz um posto, uma barreira fiscal, logo aperecem vendinhas disto e daquilo – isso é natural.

Segunda-feira passada (23/03/2015) o pesquisador, escritor e professor Flávio Nassar, a quem a cidade já deve inúmeras iniciativas em favor da história melhor respeitada e melhor tratada, publicou em sua página no Facebook uma contribuição muito importante para este imbróglio, que você pode ler clicando aqui, mas que reproduzo abaixo, com autorização dele:

 

Na inauguração do restauro do Mercado Ver-o-Peso, publico uma imagem que desmente uma maluquice, que pasou a ser tomada como verdade: o mercado teria sido inaugurado em 27 de março de 1627, 11 aninhos depois da fundação de Belém. Assim Belém e o Veropa seriam a mesma coisa, gêmeas siamesas para o gáudio dos Veroperistas e Veropólogos.
Procurem na imagem de Leon Righini, de 1868, mercado ou a feira. A construção à esquerda é a Casa das Canoas, espécie de garagem para as embarcações dos governadores e presidentes da Província. Não existia nem o Boulevard da República, hoje Castilho França, construído na mesma época do aterro do porto quando foi inaugurado o Mercado de Peixe do Veropa.
As construções que vemos na imagem são da atual 15 de novembro, rua da Praia, vejam, havia uma praia.
Mas onde estaria a feira?
Há registro de uma feira na frente da Igreja das Mercês, representada
num desenho de Freire e Codina com barraquinhas, pregoeiros tudo o que se tem direito.
Por que ali ficou conhecido como Ver o Peso?
Porque ali, como em Lisboa e tantas cidades lusitanas havia a balança da Alfandega para pesar os produtos que entravam e saiam do porto e onde eram recolhidos os impostos. O 27 de março de 1627 seria a data da instalação da balança e não da feira.
Veja como havia muitos navios.
Estão lançadas opiniões para o debate, vamos lá!

O Flávio tem razão: a data da criação do posto não é a data da feira, e a data do posto é 1688 e não 1627 como se diz agora! Então a feira é muito mais recente. Quanto mais falar nessa data para o “complexo do Ver-o-Peso”, coisa muito mais nova.

Naqueles tempos longevíssimos a feira que havia era ali na igreja das Mercês, que Flávio mostrou no Facebook – clique aqui.

Quando lá em cima falei em mais uma lambança é que me lembrei de uma outra maluquice que vai acabar virando verdade, por mais absurda que seja. Veja no post abaixo.



Escrito por Fernando Jares às 18h11
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PERMANECE A BURRADA

A PLACA DO SANTO CERTO NA IGREJA ERRADA


A foto aí em cima eu fiz hoje pela manhã, com o celular mesmo, da fachada da igreja de Santo Antônio de Lisboa, na praça Batista Campos. Caso esteja difícil  ler o que está escrito na placa, olhe ela mais próxima:


Pois é, na placa está escrito o seguinte:

Igreja de Santo Antônio
Abrigou o Conselho de Guerra Cabano;
Estilo barroco colonial

poliglotamente em português, inglês e francês, para enganar os incautos que cá vivem e os heroicos turistas que nos visitam...

Já contei essa história em 2009 (para ler clique aqui) e em 2010 (clique aqui), mas continua lá a aberração histórica feita por alguém que tem o poder de colocar a placa, mas nenhuma noção da história vivida pelas ruas de Belém!

Na data da Cabanagem nem havia praça por ali... e esta igreja tem pouco mais de 50 anos! A igreja “personagem” da história cabana é a outra, do mesmo lusitano santo, mas na praça D. Macedo Costa (na ilharga da Gaspar Viana) onde hoje está o Colégio Santo Antônio! Ainda tem a vergonha de identificar algo moderno como “barroco colonial”!!! A lambança está contada nos dois posts lincados acima.

A cidade não merecia chegar aos 400 anos com trapalhadas desse tipo e a da  adulteração da data do Ver-o-Peso, como contada no post imediatamente posterior (acima) a este. Mas...



Escrito por Fernando Jares às 18h11
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GUIA MICHELIN

O BRASIL JÁ TEM SUAS ESTRELAS

O Brasil já tem os seus restaurantes estrelados Michelin, um dos principais indicadores de restaurantes de alto nível do mundo. Talvez o prêmio mais desejado por qualquer chef!

É certo que, em sua primeira edição o guia vai mostrar apenas restaurantes do Rio e São Paulo. E que nenhum restaurante recebeu as desejadas três estrelas, dentro dos critérios considerados: a qualidade dos produtos, a técnica na cozinha, o equilíbrio de sabores entre outros ítens.

Apenas um restaurante brasileiro recebeu duas estrelas, o premiadíssimo D.O.M., de Alex Atala, de São Paulo, que habitualmente circula pelas ruas de Belém, absorvendo conhecimentos e novos ingredientes. E olha que ele é o 7º Melhor no ranking Restaurant-World’s 50 Best e o terceiro lugar na lista dos 50 melhores da América Latina em 2014! Veja a exigência para a concessão de estrelas! Recentemente o D.O.M. foi assunto neste blog. Para ler “D.O.M.GUSTAÇÃO” clique aqui.

Alguns obtiveram uma estrela, sendo 10 em São Paulo e seis no Rio de Janeiro. Em Sampa tivemos, por exemplo, o premiadíssimo “Mani”, da requintada chef Helena Rizzo, que já andou cá por estas linhas virtuais, como você pode ler, clicando aqui, o badalado “Epice”, de Alberto Landgraf, que já cozinhou cá pelas ruas de Belém, com Thiago e Felipe Castanho, alguns japoneses (“Jun Sakamoto”, “Kinoshita” e “Kosushi”), o italiano Fasano, e o brasileiríssimo “Esquina Mocotó”, de Rodrigo Oliveira, que já cozinhou em Belém, no “Remanso do Bosque” em uma “Visita Gourmet”. No Rio entre os premiados com uma estrela estão o “Roberta Sudbrack”, da chef do mesmo nome, que já andou na lista dos melhores do mundo e foi assunto por estas bandas: clique aqui, o Olympe, do francês que muito tem andado por cá, Claude Troisgros, o “Le Pré Catelan”, os badalados “Oro” e “Lasai”, entre outros.

Há também uma lista grande de restaurantes "bib gourmand", laureados por oferecerem uma boa relação custo benefício, como o “Sal Gastronomia”, de Henrique Fogaça, que também já por cá andou, no “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, o “Mocotó”, de Rodrigo Oliveira e muitos outros.

Para ler a lista completa dos destacados pelo Guia Michelin, clique aqui. Agora é esperar chegar a publicação e só viajar para o Rio e SP com ela...


Pirarucu com tucupi e tapioca, no “D.O.M.”



Escrito por Fernando Jares às 15h16
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INOVAÇÕES

GLUTAMATIZAÇÃO DA COZINHA AMAZÔNICA?


Isso que está aí na foto acima é um “Pirarucu curado, tapioca de açaí, queijo frescal cremoso e torresmo”, tal como foi divulgado pelo sítio eletrônico da prestigiosa revista Prazeres da Mesa. A receita é do chef Ivan Lopes, do restaurante “Mukeka Cozinha Brasileira”, de Curitiba.

O site da Prazeres divulga os ingredientes necessários e o modo de fazer, algo desafiante para quem está acostumado a outros modos de conviver com os ingredientes amazônicos. O curioso é que o prato não consta do cardápio do restaurante na internet – eles têm um pirarucu grelhado “servido com couscous de farinha uarini (ovinha), legumes da estação, regados ao leite de castanhas” (para ver, clique aqui)

Veja abaixo a lista dos ingredientes para cada etapa. Caso deseje encarar o desafio de fazer o prato, o Modo de Preparo você encontra no site da Prazeres, clicando aqui.

Cura do pirarucu:
440 g de glutamato monossódico
400 g de filé de pirarucu fresco
160 g de açúcar refinado
25 g de curry de madra
2 cardamomos amassados
Raspas de 1 laranja,
1 limão-taiti e
1 limão-siciliano

Tapioca
500 g de polvilho doce;
300 ml de suco de açaí

Queijo cremoso
300 g de queijo de minas frescal;
150 ml de creme de leite fresco;
100 ml de leite integral
Cebolinha e salsa picadas a gosto

Torresmo
200 g de pele de pirarucu limpa;
pimenta e glutamato monossódico a gosto;
óleo para fritar

Veja que a cura do pirarucu leva mais glutamato monossódico (440g) do que pirarucu (400g)! Fiquei com vontade de provar, porque me veio a desconfiança que o prato fique com gosto daquelas sopas de saquinho, que tem todas o mesmo sabor...

Diz-que aqui pelas ruas de Belém e em outras cidades têm uns adulteradores de tucupi que usam misturar-lhe glutamato, diz-que para avivar o sabor (como se um bom tucupi precisasse disso!!!). Sei de gente que já se deu mal ao tomar a gororoba...

Há dias mostrei aqui um tacacá dito oriental, com ingredientes orientais que levam a produzir sabor semelhante.

Estará havendo uma glutamatização dos pratos amazônico-paraenses? Uma orientalização deles? – ainda bem que em plagas distantes...

Das novas utilizações do açaí apareceu esta colorização da tapioca, que parece bem interessante – ao menos é atraente na montagem do prato.

O torresmo da pele de peixe é uma delícia das cozinhas de Thiago Castanho e Alex Atala – só que na receita do Thiago não leva glutamato... tá no livro “Cozinha de Origem”.

O professor e pesquisador prof. Álvaro do Espírito Santo foi quem me chamou a atenção para esta receita, perguntando, pelo Facebook, “Que tal essa tapioca de açaí?” Fui escrever a resposta e saiu tudo isto, que divido com vocês.



Escrito por Fernando Jares às 21h19
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EDYR AUGUSTO

A ESCRITA PARAENSE PARA O MUNDO!


O caboco aí na ponta direita de quem olha, junto ao painel, é um gente boa que eu quero muito bem e fico todo feliz ao escrever estas linhas: Edyr Augusto Proença. Conheci o avô dele, Edgar Proença, o pai dele, Edyr de Paiva Proença, ambos mestres inesquecíveis na Rádio Clube do Pará dos velhos tempos, por onde comecei no mundo da comunicação. Trabalhei com o irmão dele Edgar Augusto, “o cara que mais entende de Beatles na Amazônia”, eu dizia todo domingo anunciando-o no programa “Gente Nova, Nova Gente”, que eu fazia com o Rosenildo Franco.

Mas eu quero falar é desse grande autor internacional, Edyr Augusto. Sua capacidade em escrever é extraordinária, dominando as palavras como poucos – faz delas o que melhor deseja, e faz bem feito.

Essa foto, em que tem ao lado dele o Edney Silvestre, é do dia de autógrafos dos dois no Salão do Livro de Paris, que termina justo hoje, 23/03. É um dos eventos mais importantes do mundo em termos da indústria livreira. Vai todo mundo lá. Coisa de 1.200 editores, 35 mil profissionais, 50 países participando, em quatro dias.

Este ano o Brasil é o país homenageado e levou 43 escritores convidados, o Edyr Augusto entre eles. Mas ele não é exatamente um novato nas livrarias francesas. O livro que lançou agora, "Nid de Vipères", pela Asphalte Editions, com tradução de Diniz Galhos já é o terceiro em francês. Os dois anteriores, "Belém" (título original "Os Éguas") e "Moscow", foram agora relançados em formato de bolso.

 

Os três livros ao centro são do Edyr Augusto.

Ele concedeu entrevistas, falou na Biblioteca de Literatura Policial. Escreveu sexta-feira em sua crônica semanal no Diário do Pará: “Este país respira Literatura. Nas ruas, nos bares, cafés, metro, alguém está sempre lendo livro, jornal, revista. No colégio as crianças leem os clássicos, discutem e tornam-se leitores, claro. Imagino que, como todas as crianças de hoje, também gostem de games, celular e iPads. Mas leem.”

No Reino Unido ele já tem "Casa de Caba", com o título "Hornets'Nest".

Ano passado ele teve noites de autógrafo e participou de um grande festival na costa da Bretanha, em Saint Malo. “Falar em um teatro belíssimo para oitocentas pessoas foi algo inesquecível.”, escreveu ele.

Leia uma crítica sobre o livro, clicando aqui.


Agora Edyr Augusto já está em Lyon, recebendo o prêmio Caméléon, na Université Jean Moulin, como o melhor livro de autor brasileiro, traduzido para o francês, com "Belém", em uma escolha feita por um júri de 100 estudantes. Concorreram com ele Milton Hatoum (Orphelins de l’Eldorado), Adriana Lisboa (Bleu corbeau) e Frei Betto (Hôtel Brasil).

Em Lyon ele ainda participa, neste próximo fim de semana (27, 28 e 29/03) do "Quais du Polar", um super festival de literatura policial, com a participação de autores do mundo inteiro.


Ainda faltou dizer de sua bibliografia no Brasil. Sua editora é a Boitempo, em São Paulo, da paraense Ivana Jinkings, que tem em catálogo seis obras do Edyr! Mas isso vai ser assunto de outra conversa.

Taí um caboco que nos dá um orgulho danado de ser paraense, de verdade!

Fico feliz em escrever sobre uma pessoa que, como a gente, vive, trabalha e escreve pelas ruas de Belém e mostra o valor da escrita paraense ao mundo. Garoto pai d’égua!



Escrito por Fernando Jares às 20h07
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CRIME CULTURAL CORRIGIDO!

SITE CORRIGE ERRO SOBRE O TACACÁ.
A RECEITA NOVA AGORA É DE
“TACACÁ ORIENTAL”

O site Umami foi rápido na decisão, reconhecendo o erro de denominar de “Tacacá” a receita de algo totalmente diferente, em flagrante desrespeito à cultura alimentar paraense.

A história está no post imediatamente abaixo, colocado no ar hoje às 14h16, tendo eu divulgado no Facebook às 14h40.

Logo às 17h38 o site Umami postou comentário no Facebook, reconhecendo o erro, anunciando a alteração e pedindo desculpas pelo mal-entendido, assim:

“Essa receita foi uma releitura da original feita pelo Chef Shin Koike, realmente não é a original paraense. Nós quisemos mostrar que essa receita pode ser bem versátil e também ficar bem saborosa com uso de outros ingredientes. Para deixar isso mais claro, estamos alterando o título da receita e da postagem.
Agradecemos o contato e pedimos desculpas pelo mal entendido.”

O desejo de mostrar a versatilidade da receita não estava explícito e, aliás, continua oculto. Mas agora sabemos que ele existe. O “Tacacá” teve o nome alterado para “Tacacá Oriental”, por sinal uma das sugestões oferecidas por este blog para repor a verdade. Adotaram a nossa sugestão, como podem ver abaixo e clicando aqui:

 

Fica assim evitado que alguém, pesquisando sobre tacacá na internet, acabe pensando que é uma iguaria originária do Oriente, pelo seu conteúdo. Agora se sabe que existe uma versão oriental para o tacacá paraense...

Muito boa a agilidade do site Umami e a atitude de respeito à cultura paraense. Fizemos a nossa parte e eles também.



Escrito por Fernando Jares às 19h59
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CRIME CULTURAL

ASSASSINARAM O TACACÁ!


Misturando nomes e fatos da história do Brasil de forma desordenada, mas aparentemente formando um enredo, o escritor Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) compôs o antológico “Samba do Crioulo Doido”, paródia a um samba de enredo, com o objetivo de criticar uma determinação do governo da época (1968), de que as escolas de samba somente poderiam usar em seus enredos figuras e fatos históricos. Nesta música o “compositor” de uma escola mistura tudo criando uma história absurda...

Foi o que fez um site dedicado a divulgar o sabor do glutamato e assemelhados, sob o título de Umami, ao “recriar” o tacacá, um dos ícones da cozinha paraense, alterando totalmente a composição da iguaria regional, mas mantendo o nome, como se aquilo fosse o nosso tacacá. Sem bairrismos. É uma questão de honestidade, de seriedade com os leitores do citado site. Estão vendendo rato por lebre – que aquilo nem gato é...tão diferente.

A mistura dos ingredientes, desrespeitando a receita original, que faz parte do patrimônio cultural paraense, resultou, no máximo, em uma sopa de tendência oriental, já que contém um monte de elementos da cozinha oriental... Ao menos poderiam chamar de “Tacacá Oriental”, ou “Tacacá do Japonês”, ou lá o que fosse, mas nunca apenas “tacacá”, que é outra coisa!!!! Pode até ser uma sopa gostosa, mas não é tacacá!

Joanna Martins, do Instituto Paulo Martins, foi quem descobriu o embuste gastronômico e o denunciou em sua página no “Facebook”, tornando pública a trapalhada e publicando o e-mail que mandou, em protesto.

Vamos fazer o mesmo! Vamos defender a nossa cultura culinária! Entre no site e mande uma mensagem solicitando a correção, clicando aqui.

Como diz a Joanna, “não sou contra criações com base na tradição, mas daí a inventar uma receita e usar o nome de um prato tradicional sem fazer referência, é um pouco de abuso”.

A criação sobre pratos tradicionais, utilizando ingredientes amazônicos, por vezes associados a ingredientes de outras culturas, inclusive japonesa, é uma prática salutar, inclusive entre os chefs paraenses, como Thiago Castanho. O próprio chef Paulo Martins (1946/2010), pioneiro na divulgação da cozinha paraense, usou dessa técnica para criar pratos novos. Mas dava nomes novos, deixando claro que não era o original.

Veja a seguir a receita do tal tacacá, como publicada no site: 1L de Tucupi; 1 cebola; 1 pimentão vermelho; 1 pimentão verde; 1 pimentão amarelo; 4 dentes de alho; 3 colheres de sopa de coentro picado; 8 unidades de tomate cereja; 1 março pequeno de Shungiku; 60 g de camarão seco dessalgado; 8 pedaços de 05 cm de congrio; 8 unidades de camarão fresco; 8 unidades de vieira; 50 ml de azeite; 60 ml de Sake Kirin; 15 ml de Nampla. Para ler no site, clique aqui.

Diante do imbróglio, fui pesquisar um pouco mais e juro que tomei um susto:


Em postagem no Facebook “Gosto Umami” a criação deste Tacacá é atribuída ao chef Shin Koike, que sabe muito bem o que é um verdadeiro tacacá – ele já esteve aqui pelas ruas de Belém, cozinhando no Remanso do Bosque, em uma “Visita Gourmet” que eu divulguei como “Vanguarda Nipo-Paraense” e você pode ler clicando aqui. Portanto, o resultado da mistura deve ser uma sopa gostosa e moderna. Fica a impressão que houve confusão na edição da coisa e esqueceram de colocar um nome que informe que se trata de uma sopa criada pelo respeitado chef nipônico, com base no tradicional prato paraense, mas que não é tacacá de verdade!

Esperemos a correção.

ADENDO EM 21/03: Apenas três horas após este post ter sido publicado o site Umami reconheceu o erro aqui denunciado e fez a correção, pedindo desculpas pelo que classificou de mal-entendido, inclusive corrigindo a postagem no Facebook. Ontem mesmo fizemos o registro da ação rápida e responsável desse site, em respeito à cultura gastronômica paraense, que você pode ler no post a seguir a este ou clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 14h16
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CHEFS NO SHOPPING

LEMBRANDO O “COME EM PÉ”, DO OLIVEIRA

No sábado passado (14/03) a Praça de Eventos, no 1º Piso do Boulevard Shopping, virou exposição de comidinhas glamorosas, assinadas por alguns dos chefs que fazem a alta gastronomia pelas ruas de Belém, com a edição de março do “Comida de Chef”. A mudança trouxe confortos como o ar condicionado, estacionamento e segurança, em relação ao pouso anterior, a Fundação Curro Velho, à margem da baia do Guajará. Mas os habitués do festival sentiram falta das mesinhas e cadeiras, para comer com tranquilidade seus pratinhos. Alguns, com molho e acompanhamentos, superquentes, exigiam malabarismos para conseguir comer em pé, sem derramamentos...

Aí que eu me lembrei do “Come em pé” de Mosqueiro, o restaurante de refeições rápidas do Oliveira, no Ariramba. Quem lembra? Tinha um subtítulo: “Agoniado porém gostoso”. Ao lado tinha o melhor pastelzinho já feito na ilha e arredores. Mas isso é outra história...

Digamos que, ao menos no que provei aqui, pode ser aplicada a qualificação do mestre Oliveira: foi agoniado, porém gostoso...

Tomara que na edição de abril ganhe esse necessário item de conforto. Também ficou faltando a parte dos líquidos: porque tinha um estabelecimento do shopping em frente que vendia refris, sucos, etc. não foi autorizada a venda na praça dos chefs...

Segundo a organização, foram vendidos 850 tickets, número superior ao evento de fevereiro.

 

Maniçoba de mariscos

O tradicionalíssimo restaurante Avenida, do alto de seus 70 anos de existência (Desde 1945!) inovou a valer. Ao longo destas muitas décadas já deve ter servido milhares de vezes uma boa maniçoba. Mas neste festival o chef Evandro Costa apresentou uma novidade, sem romper a tradição da casa: sua Maniçoba de Mariscos agradou muita gente. Podia causar certa estranheza a substituição dos ingredientes à base do porco pelos mariscos, mas o sabor premiou quem optou por ela. Só faltou uma farinha, daquela de Bragança, sumano.


Canederli com ragu de búfalo, rúcula fresca e parmesão

Prato apresentado pelo chef Guilherme Cardadeiro, do restaurante “La Madre”. Canederli vem a ser uns bolinhos tiroleses, famosos na cozinha italiana da região dos Alpes, feitos com massa de pão amanhecido. Neste caso acompanhados de um ragu de carne de búfalo, de sabor muito agradável e carne macia. Para o meu gosto os bolinhos estavam acima do ponto de solidez, digamos assim, al dente forte... A rúcula combinava bem com o sabor do molho e do farto parmesão.

 

Ragu de carne com purê de macaxeira e salada de jambu.

Ano passado Danielle Serrão ficou com o segundo lugar no “Concurso Gastronômico Chef Paulo Martins”, do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”, com um hot sushi “Tapioca com Açaí” (que você pode conhecer clicando aqui). Estreou no “Comida de Chef”, pelo bufê “Patê Patuá”, com este bem temperado ragu. A carne estava muito macia, facilitando o ato de “comer em pé”... assentada sobre o sempre delicioso purê de macaxeira. A saladinha de jambu foi uma boa experiência.


Bolo de colher

Na verdade o anunciado “Bolo de colher” era, como se vê na foto, um Naked Cake, o famoso “bolo pelado” de camadas expostas, espertamente instalado em um pote de vidro, pela chef Taiana Lauin, da Brigaderie. Acreditasse eu nesse lance de vidas passadas, poderia imaginar-me uma formiga em alguma delas... daí que adorei o conteúdo desse precioso potinho de vidro, tudo muito gostoso, fazendo uma festa e tanto no encerramento deste apetitoso almoço.



Escrito por Fernando Jares às 18h28
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