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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


SORRISO POLIGLOTA

E a minha alma alegra-se com seu sorriso, um sorriso amplo e humano, como o aplauso de uma multidão
“Livro do Desassossego” (9) Bernardo Soares/Fernando Pessoa.

Centenas, milhares de pessoas viram e amaram o sorriso de uma paraense extraordinária, que completaria 90 anos neste sábado, 25/07. Mas ela foi chamada à Casa do Pai bem antes, aos 82 anos, em 2007.

Foi uma das pessoas mais simpáticas, cativantes, amáveis (literalmente amável), que conheci: d. Anna Maria de Araújo Leal Martins. Isso mesmo, a d. Anna, cozinheira de primeiríssima, mulher inteligente que divulgou e valorizou, dando nova dignidade e projeção à cozinha paraense tradicional; que motivou e ensinou seu filho, o arquiteto e chef Paulo de Araújo Leal Martins, a amar e compreender plenamente o valor da cozinha do Pará. O nome dela, aqui ao lado, está com a tipologia do seu restaurante “Lá em Casa”, que foi uma criação do arquiteto Jaime Bibas, amicíssimo do Paulo.

Fernando Pessoa, o maior dentre os poetas da língua portuguesa, pela pena de seu heterônimo Bernardo Soares, descreveu um sorriso amplo e envolvente como o de d. Anna, como se a tivesse conhecido pessoalmente. Um sorriso que alegrava-nos a alma!

Luiz Braga, nosso fotógrafo maior, criou a sua Mona Lisa particular com esta foto lindíssima que cedeu para esta publicação.

 

Relendo o que escreveu a jornalista Vera Castro, poucos dias após o falecimento de d. Anna, sobre como ela recebia os sempre muitos turistas que visitavam o “Lá em Casa” – “Ana Maria, falando ou não o idioma dos visitantes, recebendo a todos com carinho, exatamente como fazia com os clientes habituais”, imaginei mais uma qualificação para ela: teria um “sorriso poliglota”.

Este ofício de escriba, que sempre me traz inúmeras felicidades, possibilitou-me escrever diversas vezes sobre ela, inclusive em uma antológica publicação feita sobre seus 80 anos, em 2005, editada pelo Elias Ribeiro Pinto, onde o Paulo incumbiu-me de escrever sobre a história do restaurante “La em Casa”. Em página dupla central, com o título “Com o carinho de quem ama e faz”. A publicação tinha um título que bem resumia o “efeito colateral” do trabalho de d. Anna: “Uma história de Belém” – sua atividade profissional expandiu-se para toda a cidade, associando-se para sempre à história da gastronomia paraense, à história vivida pelas ruas de Belém. Bom para estes tempos prévios de quarto centenário da cidade.


Fazendo uma releitura do escritor paraense Leandro Tocantins em seu clássico livro-guia “Santa Maria de Belém do Grão Pará”, fiz nestas linhas virtuais um post sobre ela com o título “A sacerdotisa que transforma um pecado capital em um auto-de-fé” – que você pode ler clicando aqui.

chef e escritora Ana Luiza Trajano, do restaurante paulistano “Brasil a gosto”, no livro “Cardápios do Brasil”, lançado ano passado, dedicou um lindo espaço à d. Anna e qualifica-a como “Exemplo da mulher lutadora e dedicada, que fez da culinária seu propósito de vida, falava com orgulho das diversas formas de usar o tucupi, chamava o pirarucu do "bacalhau brasileiro" e emocionava-se ao descrever a festa do Círio de Nazaré”.

Há um depoimento de d. Anna Maria Martins (em debate na UFPA, perguntaram-me se éramos parentes: infelizmente não, tive de responder. Nem de longe, nem primo da prima do cunhado...) para um programa francês em que ela exprime seu amor pela cozinha: “Eu gosto de cozinhar, sinto prazer, adoro ouvir aquele barulho do óleo, da manteiga, fazendo thchic, thchic, thchic. Eu acho fantástico!”... Fofa, não é? Não sei se com a onomatopeia consegui traduzir o som que ela produziu, mas vocês entendem... Para vê-la dizendo isso, clique aqui.

O segredo dela, "quituteira de mãos de fada", como dizia o jornalista Edwaldo Martins - outro Martins, não parente dela nem meu, mas muito querido por ambos - é definido em suas próprias palavras: “Toda comida é maravilhosa quando tu fazes com amor, com carinho, com dedicação”.

Dizia que o momento de maior glória de sua vida, sua maior emoção, foi quando preparou o jantar para o Papa João Paulo II. Quem sabe já o pressentia santo, hoje reconhecido pela Igreja Católica. E olha que ela o fez também para reis, presidentes, intelectuais, grandes chefs internacionais, atores e cantores célebres e milhares de amigos e conhecidos paraenses - e, a Rita e as meninas, incluídos...

A foto lá em cima o Luiz Braga publicou-a no Facebook, este ano, na semana do Dia das Mães, para homenagear d. Anna, “generosa, elegante e criativa figura, que faz parte da minha e da história de muitos paraenses”. Muitos, como eu, emocionaram-se com esta mensagem, que divido com vocês.

“Foi-se um dos mais bonitos e aconchegantes sorrisos de Belém, cheio de paz e acolhimento”, disse-me a minha Rita, lá em 2007, quando soubemos do falecimento (para ler o que escrevi, clique aqui).

Passada a tristeza que nos impõe a morte dos que amamos e queremos bem, fica a alegria dos bons momentos que convivemos, a feliz lembrança do que essas pessoas fizeram em vida. E no caso de d. Anna, um sorriso eterno em nossos corações.

Obrigado, amiga. Desfrute da Paz Celestial em que agora vive.



Escrito por Fernando Jares às 09h45
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ORA ET LABORA

O PÃO QUE DEUS AMASSOU

Há um belo endereço em São Paulo que fornece, concomitantemente, o pão para a alma dos crentes em Cristo, para alimentar sua vida espiritual, e o pão para o corpo, para alimentar a vida material, inclusive dos não necessariamente crentes na vida espiritual...

É o Mosteiro de S. Bento, no centro da cidade, na praça do mesmo nome, justo onde está uma estação de metrô, também S. Bento.

Aos domingos, às 10h, a celebração eucarística conta com a apresentação de Cantos Gregorianos pelo coro de Monges. Em nossa recente estada em Sampa, lá fomos Rita e eu para essa celebração (dupla, digamos assim). É preciso chegar cedo, bem cedo, para garantir um lugar sentado. Chegamos antes das 9h.

Fazia um bom par de anos que não íamos lá. Continuam cantando uma maravilha, criando um ambiente favorável à oração e ao louvor ao Senhor. A bela igreja, do início do século passado (embora os monges beneditinos estejam lá desde os 1600) também contribui para o recolhimento e meditação, a despeito da multidão que vai ocupando o local. Não é permitido fotografar, embora uns tantos “captassem” imagens no celular, o que não deve ser o mesmo que fotografar...

Finda a celebração, parte dos presentes dirige-se à lojinha da Padaria do Mosteiro. Ali os monges exercem a regra de seu fundador S. Bento: “ora et labora” – reza e trabalha. Disse ele que "são verdadeiros monges, se vivem do trabalho de suas mãos". A padaria paulistana é nova e vale a visita: tem, inclusive, produtos sem glúten e sem lactose!

Donos de receitas centenárias, talvez milenárias, produzem delícias. Vou mostrar algumas delas, que provamos. São muitas mais, mas tem que haver limitação...


Esta é uma das “joias da coroa”, o simpático bolo “Laetare” (R$ 70,00), elaborado a base de farinha de amêndoas, ovos, canela em pó, suco natural de limão e amêndoas. Embora a vendedora tenha anunciado que não tem glúten nem lactose e os ingredientes sejam livres disso, a embalagem exibe a advertência: “contém traços de glúten”.
Abrindo a caixa...


...interior estimulante. E pronto para fatias reveladoras.

 

Este aí é o “Pão de São Bento” (20,00), uma criação dos monges beneditinos paulistanos. Um miolo macio a não mais poder, a textura como que faz um afago na boca, fazendo as papilas gustativas revirarem de prazer. Cerca de 750g com farinha de trigo, açúcar, sal, ovos, margarina, óleo de soja, mandioquinha e fermento biológico seco.


Há uma boa coleção de biscoitos. Trouxemos dois tipos salgados.

Primeiro o “Abbas”, feito com farinha de trigo, azeitonas verdes e azeite de oliva, leite, fermento fresco, açúcar e sal. Pacotinhos de 200g (R$ 20,00). Tem um gostinho predominante de azeite, tipo um pão com azeite, refletindo bem a composição. Saiu-se bem acompanhando um vinho.

Também aprovei com prazer gustativo o biscoito “Petrus”, grissinis de farinha de trigo, alho poró, queijo parmesão, muçarela, provolone, azeite de oliva, fermento fresco, sal e açúcar. 150g. (R$ 20,00). Embora com três queijos o sabor predominante é do azeite de oliva, bem agradável – afinal adoro pão com azeite...

A Padaria do Mosteiro tem ainda biscoitos doces (até com mel de cana), geleias, chocolates, etc.

Poucas vezes a expressão popular “comer de joelhos” poderia ser tão bem empregada como neste caso... com pães que homens de Deus amassaram...

E ao lado tem ainda uma lojinha de lembranças como medalhinhas, imagens, etc. e uma exposição de peças centenárias do mosteiro, como hábitos dos monges, imagens, livros antigos, inclusive com iluminuras! No prédio funciona ainda uma faculdade de filosofia ciências e letras (graduação e mestrado) que, uma vez por mês, oferece gratuitamente uma palestra por um de seus mestres.

Agora a grande notícia para você que vive aqui pelas ruas de Belém ou em outras cidades brasileiras: a padaria tem uma loja virtual!!!! Isso mesmo. É só clicar aqui e ir até lá fazer suas comprinhas. Bom apetite!



Escrito por Fernando Jares às 19h37
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MAIS UM NA COLEÇÃO

FILÉ COM CUPUAÇU: NÃO HÁ COMO
NÃO DEIXAR UMA BOA LEMBRANÇA

Acho que a primeira vez que comi um prato com cupuaçu em sua composição foi, há uns tantos anos, no emblemático restaurante “Resto’s”, do sempre lembrado chef Paulo Martins (1946/2010), caldeirão mágico onde ele “botou pra fora” a revolução que fez na cozinha paraense. Já contei essa história, que você pode ler clicando aqui. Antes estas frutas eram apenas para a sobremesa...

Lembrei-me disso diante deste “Prato da Boa Lembrança” do restaurante “Lá em Casa”:


Apresentado no cardápio como “Prato Especial” este “Filé Ilha de Marajó” (R$ 59,00) é um filé ao molho de cupuaçu, com gratin de batata, jambu e queijo do Marajó, criação da jovem chef Daniela Martins, que comanda a cozinha da tradicional casa fundada por seu pai e sua avó (Paulo e Anna Maria Martins) nos idos de 1972.

No que me foi servido trata-se de um filé muito bem temperado, em ponto que lhe dava uma textura como desejável, coberto por uma geleia de cupuaçu com um leve toque de pimenta rosa, que também é usada para decorar o prato. Acompanhando vem outra delícia: um gratinado de camadas de batatas cozidas com jambu e queijo do Marajó, terminando com o queijo. Ficou um conjunto muito saboroso, tudo harmonizando agradavelmente.

O “Lá em Casa” é um dos fundadores da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança do Brasil, confraria que concede a cada pessoa que degusta um dos pratos especiais dos restaurantes associados um prato-lembrança em cerâmica, com representação simbólica e artística do prato servido, cujo bom sabor, com certeza, ficara para sempre na lembrança do felizardo comensal... Este já é o 12º prato do “Lá em Casa”, de uma série iniciada em 1995 – tenho todos eles em uma parede em casa! Para ter acesso à receita do “Filé Ilha de Marajó”, clique aqui.

No Pará existem mais três Restaurantes da Boa Lembrança: o “Famiglia Sicilia” e o “Benjamin” aqui pelas ruas de Belém e o “Dom Mani”, em Santarém.



Escrito por Fernando Jares às 22h20
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COLEGAS & AMIGOS

SIMPATIA SANTARENA ESPRAIADA PELA PLANÍCIE

Colegas e companheiros de trabalho são pessoas que se tornam extremamente importantes na vida da gente, do trabalhador. De um modo geral é com essas pessoas que passamos a maior parte ativa de nossas vidas. É no local de trabalho que se permanece a maior parte do dia em que estamos acordados. Especialmente em uma organização onde você almoça em restaurante no próprio local. De vez em quando se encontra nos fins de semana, viaja junto para reuniões, treinamentos ou apresentações.

Como trabalhei os meus últimos 20 anos antes da aposentadoria em uma mesma grande organização, a Albras, em Barcarena, vivi essa experiência em sua plenitude. Com quantas pessoas convivi diuturnamente nesses 20 anos!

(Ops, este post está muito mais com cara de crônica do cotidiano... Mas vai.)

Este papo todo é para contar que esta semana fui convidado para as homenagens a um desses personagens, com quem tanto convivi, que se aposentava. O Paulo Ivan. O Paulo Ivan de Faria Campos. Só que agora ele estava na Vale, que vendeu a Albras, mas espertamente absorveu um time de gente boa. Foram 31 anos nas duas empresas!

Por sinal, gente boa é o que o Paulo Ivan é, por inteiro, em cada célula. Paraense por completo, é santareno até a medula. Acho que é mais santareno do que brasileiro! Sabe e canta centenas de músicas daquela criativa e musical região, inclusive todas as mais populares do Maestro Isoca/Wilson Fonseca. Canta e toca. Não vai a um evento, um jantar, uma festinha, sem que o violão esteja no porta-malas do carro. Dando oportunidade, os trinados mocorongos invadem o espaço, acariciando os ouvidos dos sortudos que lá estejam. Até já gravou em CD músicas do queridíssimo maestro Isoca.

Alter-do-Chão para ele é o lugar mais lindo, dito “Caribe brasileiro”, melhor que o tal original, com o que concordo inteiramente. Melhor seria chamar-se “Alter-do-Céu”...

Ele é o que se pode traduzir por um cara simpático, de fácil e agradável relacionamento. No trabalho é dedicado ao que faz, com os amigos é incondicional no relacionamento. A melhor simpatia santarena espalhada pela planície e até pelas ruas de Belém.

Seus colegas da Vale prepararam uma revista com dezenas de testemunhos contando sobre a convivência com o Paulo Ivan, desde presidentes, diretores (da Vale e da Albras), uns que estiveram mais próximos, outros mais distantes, uns que estão por aqui perto, outros que hoje estão bem distante. Um festival de emoções.

Pediram-me que fizesse um pequeno depoimento sobre os tempos em que trabalhamos juntos. Escrevi isto, com direito a uma brincadeira sobre o que alguns entendem por “sorte”, mas que se traduz por competência:

DE TENACIDADE, LUA E VIOLÃO
Trabalhei com o Paulo Ivan uns 20 anos, alguns diretamente, lado a lado, outros mais distante, mas sempre com atividades interligadas, sempre próximos.
Posso assegurar que é um
cara que faz tudo com a certeza de que vai fazer bem feito, que as dificuldades serão vencidas, que a coisa vai dar certo, que tudo vai acabar bem. E sempre é assim. Uns dizem que “nasceu com o bumbum virado pra lua”, que é sortudo. Discordo! A tenacidade, a fé no que faz, a dedicação às tarefas e aos amigos é que garantem seu êxito e simpatia. O violão e as belas canções santarenas só ajudam...

A festinha foi em torno de uma mesa farta em guloseimas que todo mundo gosta. E tinha até um violão. Seus colegas descobriram que, coincidentemente, estava em Belém nessa data, um dos maiores violonistas de Santarém, Djalma Pereira, o Djalma de Santarém, parceiro do Sebastião Tapajós (já ouvi os dois no Teatro da Paz e tenho CDs em que tocam juntos), amigão do Paulo Ivan, e não tiveram dúvida: convidaram-no para o encontro. Vejam na foto abaixo (do Aquiles Alcântara, que captei de seu facebook) como o Paulo Ivan, à direita, com a mão no bolso, ouve emocionado uma belíssima canção que fala da saudade de Santarém, sentimento que marca fortemente todos os nascidos lá que deixam a cidade e até aqueles que um dia tiveram a ventura de visitar a “pérola do Tapajós” – de minha parte sou viciadão nela e vou estar novamente por lá ainda este mês, se Deus quiser.




Escrito por Fernando Jares às 19h05
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TAM, TAM, TAM, TAM

BELÉM COMO MELHOR OFERTA URBANA
PARA TURISMO NA AMAZÔNIA

A Amazônia é a capa da revista TAM Nas Nuvens, leitura de bordo da voadora TAM e Belém ganhou um bom espaço nessa matéria de capa, da série “Experiências – Destinos e roteiros para inspirar sua viagem”. Distribuída gratuitamente durante o mês em todos os voos nacionais e internacionais da companhia, esta revista tem tiragem de 146 mil exemplares e número muito maior de leitores, já que muitos leem durante a viagem e não levam o exemplar, deixando-o para o próximo passageiro. Outros levam para casa ou escritório e os leitores se multiplicam. E há os que escrevem um post, como eu, que peguei a revista retornando após uma pequena andança lá pelo frio do sul... (conto depois).

 

A capa da revista chama para uma Conexão Natureza: "Amazônia - um mergulho na maior floresta tropical do mundo, entre o Norte do Brasil e o Peru”. A ilustração é da “Imensidão do rio Amazonas na reserva de Pacaya Samiria, no Peru”. E a matéria tem o título “3X Amazônia”:


Logo indicando as três dimensões em que a imensa região é apresentada – Uma cidade: Belém; Um lodge: Anavilhanas; Uma reserva: Pacaya Samiria. Com texto rico em informações de Priscila Pastre e fotos de Belém e Anavilhanas de Valdemir Cunha a matéria é assim apresentada, justificando a escolha dos três focos:

Durante 15 dias a equipe de TAM Nas Nuvens mergulhou fundo na selva brasileira e em sua extensão peruana em busca de experiências que unissem floresta e conforto. E encontrou. Hoje existem opções que aliam uma imersão na natureza e na cultura local a regalias como camas confortáveis, banho quente, piscinas de sonhos, restaurantes gourmet e ótimo serviço. Welcome to the jungle!”

A revista apresenta um roteiro bem simplificado daquilo que o visitante pode conhecer pelas ruas de Belém, destacando a barraca de tacacá da D. Maria (na calçada do Colégio Nazaré); os restaurantes “Remanso do Peixe” e “Remanso do Bosque”, citando que um deles é o “34º melhor restaurante do mundo”, o que, na realidade, é menos um pouquinho: o ”Remanso do Bosque”, dos irmãos Thiago e Felipe Castanho é, efetivamente, o “34º Melhor”, mas da América Latina, por seleção da revista inglesa Restaurant. A TAM Nas Nuvens ainda indica uma visita ao Ver-o-Peso e a hospedagem no hotel Radisson Maiorana Belém. E descreve um dia em uma comunidade ribeirinha, em Boa Vista do Acará. Como agência sugere a Rumo Norte Expedições, cujo site está em manutenção.

 

O açaí ganha, com muita justiça, uma página inteira com fotos da Feira do Açaí e de um prato de açaí com farinha de tapioca e camarão. Mais adiante, quando o texto fala sobre Manaus, afirma que uma diferença entre o Pará e o Amazonas está no hábito de consumir o dito açaí. Enquanto lá é servido com açúcar, pois “pode ser consumido docinho”, diz a revista, isso seria “um verdadeiro pecado para os paraenses, para quem esse fruto tem que ser comido salgado, com farinha e camarão”. Há controvérsias, diria o jornalista Ancelmo Góis.

 

As cores da vida ribeirinha: “Casa de palafita a poucos minutos de barco de Belém”, informa a legenda nesta bonita e alegre foto, que serve de fundo para a página inteira.

Você pode ler a revista toda (tem também reportagem sobre os Lençóis Maranhenses, aqui no nosso vizinho Maranhão), clicando aqui.

Uma curiosidade sobre estas revistas de bordo: um amigo meu em viagem para São Paulo ficou tão sensibilizado com o anúncio de check-ups de um desses hospitais bacanas de SP que sempre anunciam nestas revistas que, chegando em Sampa, ligou para lá e marcou um. Pois não é que estava precisando e teve de fazer uma série de cuidados com a saúde.



Escrito por Fernando Jares às 16h41
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JOSÉ BORGES CORREA

VIVA O CENTENÁRIO DO ZÉCO!
VIVA O DESENHADOR SEM ALARDES!

O Zéco completou 100 anos de nascido! Viva o Zéco, um portuga muito gente boa que veio trabalhar no Brasil e escolheu viver e formar família entre nós.

A maioria dos profissionais de propaganda, com um pouco mais de idade, que trabalha ou trabalhou em agências ou veículos em Belém, conheceu este personagem, só que por outro nome: José Borges Correa, o “seu” Borges, da Borges Publicidade. Este nome Zéco ele o usava para assinar seus trabalhos de artes plásticas, quando ainda vivia em Portugal. E assim fez exposições, recebeu críticas elogiosas, ilustrou trabalhos gráficos, etc.

Pois bem, o “seu” Borges, com quem tive inúmeros encontros nos começos de minha vida profissional, a quem aprendi a respeitar pela dedicação e cordialidade, educação, nasceu em Lisboa, em 23 de maio de 1915. Teria feito cem anos há pouco mais de um mês, não tivesse sido levado por Deus, subitamente, em 21 de maio de 1993. Foi um dos grandes pioneiros da publicidade pelas ruas de Belém.

Era já um artista de sucesso em Lisboa, trabalhando como ilustrador em jornais e revistas, quando em 1951 recebeu convite para trabalhar no Brasil, em Porto Alegre, na Editora Globo (nada a ver com O Globo ou Rede Globo, esta nem existia na época...). Trabalhou, inclusive, na agência de publicidade da editora, a “Clarin” e foi professor de arte. A grande estrela desta editora era o genial Érico Veríssimo, e o jovem Borges logo ilustrou um de seus livros: “Gente e bichos – histórias infantis”. Olha a capa:

 

A vida lhe deu um amor paraense e assim aqui casou com d. Helena, em 1954. Moraram inicialmente em Porto Alegre, passaram uma temporada em Portugal e se decidiram por viver em Belém. Aqui logo criou o E.T.P. – Estúdio Técnico de Publicidade, em 1958, em sociedade com seu concunhado Benedito Celso de Pádua Costa (que posteriormente foi Secretário de Educação e, em 1982, o primeiro diretor de redação do jornal Diário do Pará, e que faleceu em 2010) e o advogado Eudiracy Silva.

Resgatei, do Anuário Brasileiro de Propaganda, edição de 1960, a “ficha técnica” do E.T.P.:

 

Eram clientes do E.T.P. a Cidade das Sedas, Tecidos Lua, Casa Martelo, A Granfina, Soares Coelho & Cia., Caixa Econômica Federal do Pará. Dessa época, pouco mais adiante, é o anúncio abaixo, publicado na Folha do Norte, em outubro de 1964, época das festas de Nazaré:

 

O tema desses anúncios era sempre as vantagens “na lua” associadas a estas lojas de tecidos (lembre que era o início da corrida espacial, o Sputnik 1 foi de 1957!). O anúncio não tem a tradicional assinatura de agência, prática já em uso na época, presente em anúncios de outras agências – embora existam agências que, até hoje, não assinam anúncios. Mas o anúncio deve ser do “seu” Borges, seja pelo seu inconfundível traço, seja por uma observação que fiz na peça. Não sei se estou “viajando”, mas vi claramente a assinatura do ETP meio camuflada ao pé da ilustração do “astronauta”. Está aqui do lado. Bem que poderia ser uma brincadeira do ilustrador do anúncio... Com a saída dos sócios surgiu a Borges Publicidade, mas a data de fundação foi mantida a do E.T.P.

 

Artista plástico por toda a vida, inclusive com belos painéis, o “seu” Borges, ou seria aqui o Zéco?, deixou um acervo de centenas de obras e selecionei apenas as duas acima para mostrar aspectos paraoaras por ele eternizados. Mas há desenhos e pinturas de todo o Brasil. Na primeira, um registro simbólico visto habitualmente pelas ruas de Belém: mangueiras e urubus. Infelizmente cada vez menos mangueiras, maltratadas pelas autoridades, e mais urubus, bem tratados pela sujeira da cidade... Olhe no tronco das mangueiras uma faixa branca: é que em outros tempos havia o hábito de pintar os troncos das mangueiras com cal, no sentido de enfeitá-las às proximidades de datas festivas, visitas de altas autoridades, etc. Dizia-se que serviria também para afastar insetos e pragas. Até o dia em que Burle Max, em visita a Belém, espantou-se com aquelas “mangueiras de polainas”, criticando o hábito, que foi abandonado... Ao lado, uma cena ribeirinha, com um pescador e sua rede, um barco e uma mulher de turbante (?) fumando cachimbo...

Para conhecer mais um punhado de peças do querido “seu” Borges sugiro uma visita ao endereço “O desenhador sem alarde” clicando aqui.

Parabéns pelo centenário, bom amigo, aí em sua nova morada. Parabéns aos familiares descendentes, por terem tido a felicidade de conviver, ou aos mais novos, de cultivar a memória desse grande português-paraense gente boa.



Escrito por Fernando Jares às 19h01
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WINE DINNER/JUNHO

VINHOS PARA O FIM DO INVERNO.
OU INÍCIO DO VERÃO.

Para comemorar o final do inverno amazônico, de muitas chuvas e temperaturas levemente mais baixas, nada melhor do que um bom jantar acompanhado por vinhos selecionados para fazer harmonização com pratos escolhidos, de forma a aumentar o prazer da degustação.

Aliás a ideia serve também para saudar o verão amazônico que se aproxima e logo brilhará em belas praias, arrebatando os moradores pelas ruas de Belém a endereços movimentados à beira mar ou à beira rio como Mosqueiro, Salinas, Algodoal, Caripi, Outeiro, Marudá, Alter do Chão, Ajuruteua e tantas muitas outras opções.

Para fazer essa festinha, esta semana tem o “Wine Dinner” mensal do restaurante “Benjamin”, sempre na última quinta-feira do mês: 25/06.

Veja aqui o cardápio preparado pelo chef Sérgio Leão:

Primeira Entrada
Espumante Cava Toro Loco
Queijo Brie panado com folhas verdes em coulis de damasco

Segunda Entrada
Vinho Branco Quinta do Vallado Reserva 2011
Vieiras em cama de mix de cogumelos e azeite trufado

Primeiro Prato
Vinho Tinto Caliterra Reserva 2012 Cabernet Sauvignon
Camarões à Provençal, com arroz "puxado" no próprio molho

Segundo Prato
Vinho Tinto Reynolds Reserva 2007
Rabada desossada em molho de Cabernet Sauvignon, com mini cebolas e cenouras, acompanhada de purê de macaxeira (mesma produção de boeuf bourguignon).

Sobremesa
Vinho Herdade Esporão Late Harvest
Crème Brûlée

Nesta quinta-feira, 25/06, a partir das 21h, R$ 140,00 por pessoa, incluindo ainda água mineral, refrigerantes e café expresso.




Escrito por Fernando Jares às 19h00
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CASTANHOS & REMANSOS

MARCANDO QUATRO TENTOS EM CERTAME NACIONAL

Os Castanho/Santos e os Remansos (do Peixe e do Bosque) deram de quatro no importante prêmio nacional de gastronomia “Melhores do Ano Prazeres da Mesa / Cacau Show”, comandado pela revista especializada Prazeres da Mesa, de São Paulo. Conquistaram quatro destaques!

Restaurantes e profissionais de gastronomia pelas ruas de Belém emplacaram sete citações no prêmio deste ano, como você verá a seguir:

 

Vamos aos vencedores paraenses na lista dos campeões “Melhores do Ano Prazeres da Mesa / Cacau Show”, divulgada esta semana:

Chef do ano
Thiago Castanho (Remanso do Bosque – Belém, PA)
A mais badalada categoria do prêmio este ano é paraense. Mais um ponto favorável para a agenda positiva do Pará, conquistado com o valor de nossa gastronomia e sua gente criativa!
Veja o que a revista Prazeres da Mesa publica sobre Thiago, justificando a conquista do valioso título:
O jovem chef paraense Thiago Castanho vem se destacando como um dos grandes nomes da culinária brasileira dos últimos anos e faz questão de levar sua cozinha do Norte, com ingredientes ainda pouco conhecidos do público, e disseminar sua cultura por todo o Brasil e em eventos internacionais. À frente dos restaurantes Remanso do Bosque e Remanso do Peixe, com o irmão Felipe Castanho, ele aproveita o que há de melhor em sua terra, Belém, no Pará, e é figurinha garantida no Mercado Ver-o-Peso, onde usa e abusa de peixes, farinhas, tucupi, tacacá, açaí, jambu, cachaça, sempre com um toque criativo e inovador. Neste ano, além dos dois restaurantes, o chef está com um novo projeto: um espaço em que possa fazer apenas menu degustação, com reservas. Formado na Faculdade Senac, de Campos do Jordão, em São Paulo, Thiago nunca pensou em abandonar sua terra e agora colhe os frutos de seu trabalho.

Livro do Ano
Thiago Castanho classificou como finalista seu “Cozinha de Origem” (Editora Publifolha), feito em parceria com a jornalista e escritora brasileira Luciana Bianchi, livro com repercussão em todo o mundo, na versão em inglês, “Brazilian Food”. O vencedor da categoria foi de Rita Lobo – “Pitadas da Rita” (Editora Panelinha).

Restaurante do ano – região Norte
Remanso do Bosque (Belém, PA)
Referindo-se aos irmãos Felipe e Thiago a revista destaca o quanto eles valorizam a cozinha amazônica de origem: “Os meninos fazem questão de trabalhar com produtores familiares e oferecem tanto menu à la carte quanto menu degustação, ambos com base na essência de sua terra, com a valorização dos ingredientes paraenses.
Vale ressaltar que dos outros quatro destacados como finalistas um é de Manaus (Banzeiro) e três de Belém:
“Famiglia Sicilia”, “Manjar das Garças”, e “Remanso do Peixe”, a grande criação do “seu” Francisco Santos, o querido Chicão que, com d. Carmen, são os pais de Thiago e Felipe.

Restaurante de cozinha brasileira
O “Remanso do Bosque” emplacou mais um título de finalista, agora na lista que indicou o Melhor restaurante de cozinha brasileira do país, título que ficou com o “Esquina Mocotó”, do simpático e criativo Rodrigo Oliveira, em São Paulo.

Melhor sorveteria
Mais um título para Belém: a Cairu foi finalista na categoria vencida pela “Bacio Di Latte”, de São Paulo. Foi a única do Norte.



Escrito por Fernando Jares às 17h32
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MONUMENTAL!

TEM UM URUGUAIO NO CORREDOR

Nestes tempos de Copa América e de manifestações explícitas de nacionalismo esportivo (ainda abalado pela derrota para a Alemanha na Copa do Mundo, cada vez mais suspeita...), você lembra da anterior, a Copa América de 2011?

Isso mesmo. Foi disputada na Argentina e o Uruguai foi o campeão, com elástico marcador na final, sobre o Paraguai...

Agora uma pergunta para os mais ligados no futebol: Você lembra do atacante uruguaio Blanco? Mario Cesar Blanco?

Muito provavelmente você não o conheça, mesmo que você seja uma enciclopédia ambulante do futebol sul-americano. É que ele é um produto ficcional, criado pela escritora Bruna Guerreiro para seu romance “Monumental”, uma história paralela à Copa América de 2011 cujo nome homenageia o estádio em que foi jogada a final dessa Copa, o conhecido Monumental de Núñes, estádio do River Plate e dos jogos da Seleção Argentina.

A história nos leva a acompanhar a súbita paixão do ídolo nacional uruguaio, comandante da seleção, “El General” Blanco, por uma jornalista brasileira, com lances inesperados de emoção crescente, desde o encontro em cabines de elevadores até noites de amores na véspera de jogos decisivos, com direito à fuga da concentração, etc.

O romance é escrito em estilo que agrada a quem gosta do futebol, e até para quem não o tem como paixão esportiva, construindo a história sobre o desenrolar dos jogos da Copa, especialmente a campanha da “celeste” em terras argentinas – ou melhor, em campos e hotéis argentinos, abrindo espaços na realidade do que aconteceu naquele 2011, para a ação dos personagens da história, o que dá um ritmo bem legal.

Veja a sinopse divulgada pela editora: “A paixão do sul-americano pelo futebol no seu ápice: a Copa América. Uma seleção encantada, celestial, conquistando o mundo inteiro com sua raça, sua história, sua graça e sua paixão. Uma partida que começa num andar errado, um jogador, uma jornalista, driblando elevadores, recuperando posição, avançando no mata-mata, disputando cada bola. Uma história para apaixonados por futebol ou não!”

A autora, Bruna Guerreiro (Martins), é paraense, vivente aqui pelas ruas de Belém, apaixonada por futebol, é apresentada pela editora como “historiadora por formação, professora de francês por paixão e escritora por vocação, escolha e destino, De diários a cartas, de blogs a e-mails, de twitter a facebook, de contos a romances, escrever lhe é tão necessário quanto falar. Senão mais. Lê – e rele – por prazer, mas deu para escrever as histórias que gostaria de ler: é sua primeira leitora por excelência”. E é minha filha...

Gosto muito destas histórias que trançam a realidade com a ficção, envolvendo o leitor em algo que ele sabe que existiu, mas que cede de bom grado um pouco da realidade para viver a ficção do escritor/a... e exigindo atenção para separar os dois mundos. Às vezes uma consulta ao Google ou a Wikipedia ajuda a definir esses limites.


O livro impresso você pode adquirir (R$25,55) diretamente da editora Clube dos Autores clicando aqui. Ou na versão e-book (R$ 1,99), para ler em seu computador ou no leitor “Kindle”, na Amazon, clicando aqui. A Bruna tem outros onze e-books na Amazon (clique aqui) e outro livro, “Catarina”, em meio impresso, nessa mesma editora, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h08
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CONCURSO GASTRONÔMICO VOP

PREMIANDO A CRIATIVIDADE NA COZINHA

Uma das atividades integrantes do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense que empolgava o criador do festival, chef Paulo Martins (1946/2010), era o concurso para revelar novos criadores e novas criações na cozinha paraense, inclusive com o resgate de receitas e modos de preparo em risco de desaparecimento. Ele chegou a organizar dois concursos, um para profissionais ligados a restaurantes, hotéis, etc e um para donas de casa, cozinheiras domésticas, etc.: eram os concursos “Sabor Pará” e o “Descobrindo a Cozinha do Pará – Novos Talentos”.

Após a sua morte e nesta nova fase do festival, desde 2012 o concurso ganhou o seu nome em muito justa homenagem. Ampliou o universo de participantes e já tivemos até vencedores de outros Estados. Tenho participado em diversas oportunidades do júri. Este ano não estive lá porque coincidiu com a participação no painel “A arte de cozinhar um livro: a produção da obra ‘A gastronomia do Pará: o sabor do Brasil’” onde estive, juntamente com o prof. Álvaro do Espírito Santo, na Feira do Livro, justo no mesmo dia e hora. Mas não deixarei de fazer o registro dos ganhadores de 2015, embora não possa fazer maior descrição dos pratos. E lá no fim, tem até um resgate histórico, do VOP há dez anos.

A proposta atual do Concurso Gastronômico Chef Paulo Martins é premiar receitas que aliem sabor, criatividade, qualidade, apresentação, além de ingredientes paraenses, que neste ano deveriam ser originários da ilha do Marajó, tema do VOP/2015.

Portanto, os vencedores em 2015 foram (fotos Pop Filmes, Acervo VOP/2015):

1º lugar:
Leonardo Modesto de Sousa (Belém-PA)
Espetinho Marajoara ao pesto de castanha-do-pará e flor de jambu. Acompanhamento: farofa de farinha d'água e folha de cipó d'alho.


2º lugar
Maria Adrina Paixão de Souza da Silva (Belém-PA)
Filhote grelhado ao pesto de alfavaca com nhoque de pupunha, purê de uxi e farofa de castanha-do-pará.

 

3º lugar
Sônia Neila Medeiros Pereira (Belém-PA)
Ragu marajoara com ravioli de queijo e castanhas

 

O primeiro lugar ganhou inscrição para o Congresso “Mesa Tendência 2015”, promovido pela revista Prazeres da Mesa, em São Paulo, de 27 a 29 de outubro, incluindo passagem e hospedagem em hotel 3 (três) estrelas para uma pessoa. O segundo lugar levou um Kit Chef Inox 12Pcs Profissonal Tramontina e para o terceiro lugar o prêmio foi um Jogo de panelas Aço Inox 5Pcs Profissional Tramontina.

Na foto abaixo, os vencedores/2015 com o Alex Atala, uma das atrações do VOP deste ano – o único chef brasileiro com estrela do Guia Michelin:

 

HISTÓRIA

No V Festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, realizado em 2005, há dez anos!, onde fiz parte do júri do concurso (que teve o Claude Troisgros como presidente), o chef Paulo Martins prepara-se para anunciar os vencedores. Ao lado dele estou eu e o jornalista Mauro Bonna, que mediou a mesa-redonda “A cozinha paraense no século XXI” (Foto Ray Nonato, cedida pelo jornalista Nélio Palheta).

 

Realizado na Unama, campus Alcindo Cacela, havia até arquibancada para assistir ao concurso gastronômico, em 2005, aqui pelas ruas de Belém. Nesse ano teve Feira dos Produtores, uma famosa “farinhada dos chefs” e show do Mestre Vieira. Na foto abaixo, no momento do anúncio dos ganhadores, os participantes estavam junto ao público, aguardando a proclamação/sagração dos vencedores...(foto Acervo Ver-O-Peso da Cozinha Paraense)




Escrito por Fernando Jares às 14h35
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FESTA JUNINA

TEM PÁSSAROS ALI EM NAZARÉ

Culminando uma programação sobre os festejos juninos que ainda acontecem pelas ruas de Belém, com enfoque especial para os cordões de pássaros, que no passado foram uma marca da cidade (a programação teve oficinas, palestras e apresentações), a Casa das Artes, antigo IAP, faz festa junina nesta quinta-feira (11/06), véspera do Dia dos Namorados, em seu endereço na rua D. Alberto Ramos, ali na ilharga da Basílica de Nazaré. Começa às 18h.

O grande momento é o lançamento do livro “Escola de Pássaros: uma reflexão sobre o teatro popular do Pará”, por quatro autores: o poeta, educador e escritor João de Jesus Paes Loureiro; a atriz e diretora Olinda Charone; Rodolpho Sanchez (do Dirigível Coletivo de Teatro) e a professora Rosa Silva, da Universidade da Amazônia (Unama). O livro reúne quatro textos, cada um de um dos autores, em que analisam essa manifestação cultural tão paraense que é o pássaro junino, uma forma de teatro popular que resiste às intempéries culturais que tem atingido outras manifestações (como a quadrilha!) e ainda tem características dos antigamente. E iniciativas como estas nos garantem que deverá sobreviver aos tempos bicudos (sem trocadilho...) da massificação pela indústria cultural. Esta programação da Fundação Cultural do Estado do Pará conseguiu reunir até uma “revoada”, com a participação de entusiasmantes 16 grupos de pássaros!

Além do lançamento do livro quem for ao antigo IAP (que para os mais antiguinhos ainda é o antigo CPOR) vai ter muita alegria com o “Auto da Lua Crescente”, a banda “Três do forró”(?!) e com o Cordão de Pássaros do Araçari, de Outeiro.




Escrito por Fernando Jares às 22h28
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RAYMUNDO MÁRIO SOBRAL

O CATADOR DE PALAVRAS*

 

Foi um upgrade que nós, os leitores/consultadores do “Dicionário Papachibé”, do jornalista e escritor Raymundo Mário Sobral, estávamos a merecer. Entenda: são quatro os volumes do dicionário, todos independentes, com verbetes de A a Z. Isto é, cada vez que se precisava checar uma palavra da língua paraense era preciso consultar cada volume, até achar a dita cuja que, invariavelmente estava no último consultado... E, eventualmente, podia até não estar registrada (o que nos garante que não é termo paraoara...), mas era preciso checar nos quatro!

No ano passado o Comendador (da Ordem do Macaco Torrado) Raymundo Mário Sobral lançou a grande novidade: o quinto volume, sendo uma coletânea dos quatro. Agora a busca é em um volume só!!!! Não pude ir àquele lançamento, mas procurei redimir-me nesta Feira do Livro e fui ao relançamento, no estande os Escritores Paraenses. Olha o Sobral aí quando ia iniciar seu trabalho autografatório:


Foi um encontro cheio de emoção para mim. Conheço o Sobral de priscas eras, tempos da TV Marajoara; tempos do jornal A Província do Pará, onde fomos colegas; tempos de livros vários, desde “O Candiru do Ocrides”, de 1976; tempos do PQP – um jornal Pra Quem Pode, órgão anárquico-construtivo que circulou pelas ruas de Belém por 22 anos!, cujo primeiro número eu apresentei por estas linhas virtuais nos idos de 2011: para ler “O primeiro PQP a gente nunca esquece”, clique aqui. Fazia tempo que não nos víamos, ele vencedor de graves adversidades que a saúde coloca diante dos homens, mais vivo que nunca, com sua verve única, na ponta da língua; eu seu leitor regular e admirador para sempre.

Vejam aqui a coleção dos quatro volumes do “Dicionário Papachibé” – o primeiro, tenho-o autografado pelo autor, em 1996:


Os leitores desta série acostumaram-se a ler o autor a escrever a orelha do livro, o que não é habitual... Mas o Sobral não é habitual! e esse é um de seus grandes valores! E neste quinto volume lá está ele novamente a assinar a primeira orelha, que transcrevo:

LEGADO

“Tudo nesta vida tem prazo de validade, inclusive as palavras: nascem, são usadas e tendem a ser esquecidas. As palavras da chamada ‘língua culta’ vão parar nos ‘Orélios’ da vida, as demais, coitadas, desaparecem mesmo, são esquecidas.
Meu trabalho neste dicionário é tentar preservar essas palavras cujo destino seria desaparecer. Foi mais de uma década de pesquisa que rendeu quatro volumes que agora reúno num volume só.
Espero com isso contribuir para que o prazo de validade dessas palavras seja dilatado, se isso acontecer, meu trabalho valeu a pena.”

(*) Este título, "Catador de palavras", Sobral se autoatribuiu, comparando-se a um catador de caranguejos, só que ele catando palavras, ambos com a mesma felicidade ao encontrar um caranguejo/uma palavra. Achei adequadíssimo! 



Escrito por Fernando Jares às 19h22
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GASTRONOMIA & LITERATURA

DE COMO “COZINHAR” UM LIVRO DE GASTRONOMIA

 

Como se “cozinha” um livro a quatro mãos, em duas panelas? O professor Álvaro do Espírito Santo e este jornalista que vos escreve, Fernando Jares, relatamos isso no painel “A arte de cozinhar um livro: a produção da obra ‘A gastronomia do Pará: o sabor do Brasil’”, logo no segundo dia (30/05) da XIX Feira Pan-Amazônica do Livro, quando apresentamos como trabalhamos para produzir um livro escrito pelos dois sobre a gastronomia paraense. (A foto acima é da Ascom/Feira do Livro, capturada do Facebook).

Homenageamos o querido amigo Genildo Mota, profissional de primeiríssima, responsável pela capa e a bonita diagramação do livro, além da seleção das fotos. Genildo foi estupidamente assassinado pela irresponsabilidade com que se comportam alguns motoristas pelas ruas de Belém. Destacamos também os fotógrafos que compareceram com seus belos trabalhos no livro, como João Ramid e Walda Marques, tendo sido utilizadas ainda fotos dos acervos da Paratur e do Instituto Paulo Martins; ilustração de Sebastião Godinho; revisão de Ana Diniz; e normalização bibliográfica de Ana Negrão do Espírito Santo.

Álvaro explicou que o livro mostra a evolução da gastronomia paraense desde o século XVII até o século XIX, resultado das pesquisas que realiza para a sua tese de doutorado na Universidade de Coimbra. Utilizou, principalmente, as narrativas dos viajantes estrangeiros que andaram por nossas terras e nos deixaram legados importantes sobre a vida naqueles tempos e as influências das cozinhas externas.


Eu mostrei que o conteúdo do capítulo que assino mostra a gastronomia contemporânea, dos séculos XX e XXI e disse que estes estudos começaram há quase 30 anos. Em 1986 Belém sediou um congresso nacional da ABAV – Associação Brasileira de Agências de Viagens e o jornal A Província do Pará, onde eu era Editor de Turismo, editou um caderno especial sobre o evento:

 

Nesse caderno publiquei uma reportagem sobre a culinária paraense, com o título que agora reaproveitei no livro. Mas o livro foi um tremendo up grade sobre aquela primitiva reportagem...

 

Ao final, respondemos a perguntas dos presentes:


E após o painel autografamos no “Ponto do Autor”, quando tivemos a companhia de gente famosa como Roberto Smeraldi, Regina Casé e Estevão Ciavatta. Os três, mais os chefs Alex Atala e Thiago Castanho participaram do painel “Literatura e Sustentabilidade” nesta mesma tarde na Feira do Livro:




Escrito por Fernando Jares às 14h03
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JANTAR DAS BOIEIRAS

PARCERIA E COMPLEMENTARIDADE NOS SABORES

Um dos mais importantes eventos do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense é o chamado “Jantar das Boieiras”, que reúne grandes chefs e as cozinheiras das barracas de comidas do mercado do Ver-o-Peso, que fazem a “boia” na grande feira, sendo estas responsáveis pelo prato principal, do tipo que fazem habitualmente, e os convidados o pelo acompanhamento. É um encontro/parceria da manifestação mais completa e natural da cozinha paraense feita pelas ruas de Belém, com técnicas e conceitos de outras culturas. Criação ainda do chef Paulo Martins (1946/2010), fundador do festival, ele o imaginava nos mercados do Ver-o-Peso, como conseguiu fazer o primeiro – mas dificuldades operacionais e até burocráticas afastaram o evento de seu lugar de origem.

A edição deste ano reuniu dez duplas, sendo os chefs todos de fora do Estado. Foi o exercício pleno da filosofia do evento: um verdadeiro encontro de culturas gastronômicas. Uma parceria em que ambos os participantes, normalmente, gostam bastante, pela troca de conhecimentos e experiência. Para conhecer as dez duplas que este ano cozinharam na Estação das Docas para uma multidão que ocupava todo o espaço, clique aqui. E veja a seguir quatro exemplos do que foi servido:

 

Frito do Vaqueiro com Biju com Manteiga de Chicória
Boieira: Glauce Kelly Ferreira de Castro
Chef: Alex Atala (D.O.M., São Paulo)

Este “frito” é prato tradicional da cozinha marajoara, é a carne frita de forma a ter longa duração, que é levada pelos vaqueiros para alimentação no seu trabalho nos campos da ilha. Geralmente consumido com beiju, foi esta a opção do chef Alex Atala, que inovou com um beiju mais grosso e molhado com manteiga temperada com chicória. Ambos estavam muito saborosos.

 

Camarão Seco no Creme de Macaxeira com
Bolinho de arroz com castanha e chicória
Boieira: Maria de Fátima da Silva Ferreira
Chef: Ivan Achcar (Alma Cozinha Brasileira, São Paulo)

O saboroso camarão seco ganhou companhia da macaxeira, sempre uma dupla agradável e teve como acompanhamento um bolinho de arroz que agregou os paraenses castanha-do-pará e chicória -–ingredientes que sempre encantam os chefs visitantes, especialmente por estarem sempre fresquinhas. Outra dentro na minha escolha, embora o bolinho estivesse um pouco durinho.


Torta Marajoara com Sorvete de Leite de Búfala
Boieira: Deiseane Ferreira Buriti
Chef: Léo Paixão (Glouton, Belo Horizonte)

Deiseane fez uma torta com queijo do Marajó, bacuri e castanha-do-pará – sinta na boca a combinação, delícia sumano. O sorvete utilizou leite do Marajó com técnica mineira, levemente queimadinho, explicou-me o chef Leo Paixão e harmonizou bem, embora a torta estivesse disparada na frente no GP do Sabor...


Pretinho (Açaí) com Quadradinho de Castanha
Boieira: Jorgia Meireles Progênio
Chef: Mônica Rangel (Gosto com Gosto, Visconde de Mauá, RJ)

O tal “Pretinho” foi um dos sucessos do jantar. Jorgia Progênio acertou na mão e na ideia, pois fez um bolinho que logo foi identificado por todo mundo como “brigadeiro de açaí” – e como brasileiro adora brigadeiro e paraense adora açaí, a festa foi completa. Disse-me ela que faz o bolinho com açaí, farinha fina, tipo suruí e açúcar. Bombou. O acompanhamento tinha a assinatura de uma das grandes defensoras da cozinha brasileira de raiz, Mônica Rangel, que produziu um “quadradinho” que combinou maravilha com o bolinho, sem choque, mas com parceria e complementaridade nos sabores.



Escrito por Fernando Jares às 16h51
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BOTECO DO VEROPA

PETISCANDO GOURMETICAMENTE

Novidade lançada ano passado, que bombou logo na primeira edição, o “Boteco do Veropa” repetiu o sucesso na versão 2015 do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense.

Trata-se de um evento realizado em um bar badalado, com samba e cerveja, onde os grandes chefs convidados (locais e de fora) criam petiscos com ingredientes regionais – este ano obrigatoriamente com origem no Marajó, tema do VOP/2015. E os chefs que não estão trabalhando, estão nas mesas, dispostos a um bom papo...

O “Boteco do Veropa” aconteceu no “Engenho do Dedé” a simpática e barulhenta casa recém-aberta no Boulevard Shopping. A cartela/ingresso custou R$ 80,00 dando direito a uma porção de petisco elaborada por cada chef participante. O ambiente esteve muito legal e o evento só perdeu para a distribuição dos petiscos – ou eu peguei um garçom embaralhadíssimo... Vamos fazer um passeio pelos petiscos:


DANIELA MARTINS – Lá em Casa (Belém)
Chip de mandioca com fouettée e crocante de linguiça marajoara

Da mandioca ela fez os chips, ao estilo do que é feito comumente com as batatas. O creme fouettée (algo semelhante ao chantilly, não doce) foi produzido com gorduras de linguiça marajoara e a carne das linguiças foi tostada, fazendo o crocante sobre o creme. Ficou beleza, que combinei com cerveja da Amazon Beer, a artesanal produzida aqui pelas ruas de Belém.

Só que o garçom fez aqui uma confusão generalizada e, ao invés de trazer apenas o petisco da Daniela, trouxe-me também outros que eram, provavelmente, para outras pessoas, mas não avisou... e eu fotografei tudo junto. Veja na foto um copinho que não tem nada a ver com este prato, é outro petisco que ele colocou dentro do prato, arrumadinho no canto! E ainda havia outra vasilha que colocou ao lado – e eu só descobri ao provar e ver que algo estava muito errado. Foi como uma “sinfonia de petiscos”, brincou o chef Hugo Nascimento (Tasca da Esquina, Lisboa) que estava ao meu lado...

 

ANDRÉ PARENTE – Engenho Dedé (Belém)
Costela Kariboca

Uma costelinha de porco defumada e cozida em tucupi reduzido com melaço de cana acompanhada de jambu frito. Obra do dono da casa (André, vem a ser o mesmo Dedé...), vindo de larga experiência no Amazonas, portanto conhece os ingredientes. E fez uma bela obra, a costelinha saborosa e macia, o mel de cana a “amaciar” o sabor, dicou legal. O jambu frito é sempre uma delícia. Esta foto é de Divulgação do festival. O nome homenageia uma tribo indígena... de São Paulo.

 

LUI VERONESE – Cru Balcão Criativo (Brasília)
Casquinha de linguiça marajoara

Foi buscar a linguiça marajoara para fazer um petisco crocante, de sabor forte, típico de “tira-gosto” de barzinho, servido em saborosas “casquinhas”. Ficou um conjunto bem a chamar mais cervejinha...

 

GUILHERME CARDADEIRO – La Madre (Belém)
Bolinho de pirarucu e piracuí com molho de tucumã e pimenta de cheiro

Pra ser sincero, não tem o que errar. O chef sendo competente, com estes ingredientes, tem que ser um petisco de primeira. Como de fato o foi. O tucumã é um ingrediente de origem marajoara (base da canhapira) muito bem aceito e formou um conjunto harmonioso com os bolinhos. Uniu um ícone do oeste paraense, a farinha de piracuí (de peixe) com um elemento muito representativo da cozinha marajoara.


IVAN ACHCAR – Alma, Cozinha Brasileira (São Paulo)
Kafta de Búfalo e molho de coalhada de búfala com tahini

O chef paulista, de origem árabe/italiana, sentiu-se à vontade com os excelentes ingredientes da ilha do Marajó e foi buscar um clássico da cozinha do Oriente Médio para fazer sua redução marajoara.

 

FLÁVIO MIYAMURA – Miya (São Paulo)
Camarão com queijo do Marajó e cupuaçu

Famoso em São Paulo por suas criações bem equilibradas, tendo como base uma sólida formação em restaurantes clássicos paulistanos, o Japa, como é conhecido, harmonizou beleza o queijo do Marajó com o camarão e temperou com o sabor forte do cupuaçu, mas com o sabor do queijo aparecendo muito bem, o que não aconteceu com muitos pratos que provei neste festival... Reeditou em forma de petisco, um “casamento” criado para sobremesa pelo chef Paulo Martins: “Mundico e Zefinha”, doce de cupuaçu com queijo do Marajó, digamos um Romeu e Julieta paraense.



Escrito por Fernando Jares às 22h07
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