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PELAS RUAS DE BELÉM


CÍRIO 1964 (3)


A matéria de capa do caderno especial do jornal A Província do Pará em 11/10/1964, Dia do Círio daquele ano, foi assinada por um destacado intelectual paraense: o jornalista e escritor Georgenor Franco (1919-1985). Teve ele grande militância na imprensa paraense, começando como revisor na Folha do Norte, trabalhando em diversos outros jornais, sendo um dos fundadores do Sindicato dos Jornalistas. Como escritor assina clássicos da literatura paraoara e foi membro da Academia Paraense de Letras. Aposentado pelo Banco da Amazônia (onde foi Assessor de Relações Públicas), teve funções públicas relevantes, como Secretário de Estado de Governo, na administração Alacid Nunes. É pai do Magistrado do Trabalho Georgenor Franco Filho, de brilhante carreira e autor de destacados livros em sua especialidade, com destaque nacional.

Nesta quinzena de Círio de século XXI publico na íntegra este valioso trabalho de resgate do passado de nossa monumental romaria, que todos os anos serpenteia pelas ruas de Belém, com depoimentos aspeados, na primeira pessoa. (O texto foi digitalizado o mais possível igual ao original, embora o digitalizador insista em fazer atualizações ortográficas...)

A matéria é aberta com um painel de três fotos mostrando o comércio de ex-votos, com legenda apresentando o assunto:

 

Também é singular, porque é humilde e cheio de fé, as diversas maneiras de o povo pagar suas promessas à Santíssima Virgem de Nazaré: uma vela, uma perna amputada de cera, uma mão, um braço, tudo, enfim, constitui a grandiosidade da maior festa de todos os tempos. Eis uma rememoração desse fato de 171 anos.”

Vamos ao texto:

O CÍRIO DE NAZARÉ DE OUTRORA

Georgenor FRANCO

O Cirio de hoje será melhor que o de ontem? A Festa de Nazaré de antigamente seria melhor do que a de agora? As opiniões divergem. De nossa parte, entendemos que o Cirio continua a ser a maior de-monstração de fé de um povo. Entendemos ainda que muita coisa que dele foi retirada devia voltar, como os barcos com as crianças vestidas de marujos. Era um aspecto bonito, interessante, diferente. Quanto a festa de Nazaré, propriamente dita, ficamos com o dr Otávio Meira, cuja opinião abalisada e justa os leitores encontrarão no decorrer desta reportagem, feita à base de elementos que dispomos nos nossos arquivos de jornalista de 26 anos de profissão.

O CIRIO DE ANTIGAMENTE

No livro inédito do saudoso mestre Manuel Lobato, intitulado "Casa Desarrumada", fomos encontrar uma descrição do Cirio de Nossa Senhora de Nazaré pelos "idos de mil oitocentos e tantos”, quando ele ainda usava calças curtas.

Assistia o extinto jornalista e escritor paraense, sócio fundador da Academia Paraense de Letras, o Cirio, com outras crianças, de uma das janelas de "vistoso sobrado sito no Largo da Sé esquina da Calçada do Colégio, por alguns anos, Pedro Raiol".

Ao chegar ali, juntamente com sua família, ainda madrugada, já formigava gente em procura de lugar melhor para tudo observar.

"Fraques e mangas de camisa, vestidos rendados, por vezes cobertos de fitas e cabeções coloridos, pés metidos em botinas, chinelos e descalços, tudo isso concorria – escreveu Manuel Lobato – para o tom festivo daquele alvorecer de uma frescura estival, deliciosa".

O DIRIGÍVEL DE JULIO CESAR

Revela Manuel Lobato: - "Ia ensaiar vôo o grande dirigível "Santa Maria de Belém" construído por Julio Cesar Ribeiro de Sousa para admiração de seus coestadanos e glória dos compatriotas. O balão fôra depositado no interior da Sé Catedral, e de lá, ao amanhecer, conduzido para o Arsenal de Guerra, tudo existente nas cercanias, segundo ouvi dizer.

"Ministrava Julio Cesar os indispensáveis elementos para a ascenção de sua aeronave, quando descobriu que mão criminosa havia aberto rasgões no bojo da construção, impedindo-a de conservar o gás recebido.

O sol, bastante elevado, aquecia a terra, quando a desoladora notícia percorreu a praça e encheu, depois, toda a cidade.

Ocorria, mais, a circunstância, ao que parece, de parentesco a fim, solidificado por laços de velha e cordial amizade, entre o aviador e o dono da casa, a densar o véu de tristeza que se desdobrou em torno de nós.

Fixei-a, por isso, e hoje, a revelo, sem propósitos historiógrafos, mas apenas como fixador de fatos desenrolados diante de meus olhos infantis". PADROEIRA E MONARQUIA

Àquela época, o pequenino vulto da padroeira, em mãos humanas, só transpunha a distância da nave da Sé até o seu carro triunfal, colocado à porta do templo.

"Nêsses oitenta e que – diz o autor de "Casa Desarrumada" – o regime dominante era a monarquia, e a escravidão, a mancha que homens notáveis tentavam lavar de nosso país".

"A pobreza também era desconhecida em Belém, onde as utilidades, de tôdas as espécies, estavam ao alcance das bolsas menos recheiadas. Ora, ao chegar o grande dia, todos se cobriam de roupas novas, e ninguém se incomodava com os tropeços da caminhada, nem com o pó vermelho, que os milhares de pés, em movimento, ajudavam o vento a carregar por sobre os viandantes e para o interior das casas".

PES ESCRAVOS E CHOCOLATE

Havia muita gente descalça, não por promessa, mas por hábito. Eram os escravos ou os crias de casas ricas, para o serviço doméstico.

Naquela época, os dois Marques de Carvalho, como outros jornalistas, se revoltavam contra os catraieiros, carroceiros, escravos e crias de casa, "que não expunham aos visitantes aqui chegados senão os sapatos com que vieram ao mundo..."

Depois do Cirio transpor as ruas de seu trajeto, nas residências das vias públicas por onde passara, eram servidas fartas mesas de frios, doces, chocolate, café, leite, tudo em abundância, para os convidados.

A CORDA – CLARINS

A tradicional corda da Berlinda sempre teve os seus opositores. Recorda que num dos primeiros cirios que assistiu, ao chegar a Berlinda no Ver-o-Peso, a diretora da festa tentou fazer substituí-la por uma junta de bois. A repulsa foi imediata e tão violenta que não mais ouviu ninguém contar o fim dado aos bovinos.

Anos depois, Manuel Lobato passou a apreciar o Cirio da rua 15 de Novembro, do estabelecimento comercial de Marques, Valente & Cia., conceituada firma daqueles dias, e poude distinguir a sequência das várias partes.

Cavaleiros montando cavalos ajaezados com luxo, procedidos de soldados de cavalaria a soprarem os seus estridentes clarins, o carro precursor, o de D. Fuas Roupinho, o carro dos milagres, escalares, tudo isso acompanhado de muito povo que se comprimia na pouca largura da rua.

Depois, Manuel Lobato deixou Belém, foi ao sul e à América do Norte, retornando a Belém e passando a ver o Cirio da porta do edifício da "Folha do Norte", e acabou sendo "pontual conviva do Palacete Bolonha". E é mais ou menos daí que começou o uso das promessas dos vestidos velhos e pés descalços.

Diz que "a impontualidade no pagamento dos funcionários públicos, levou muita gente a essa contingência. A seguir "a devoção reparou que a penitência poderia ser oferecida per grandes graças alcançadas, e se foi vulgarizando" MODIFICAÇÕES NA IMPONÊNCIA

Depois que D. Irineu vetou o uso da corda, e outros a restabeleceram, o Cirio sofreu sensíveis modificações na imponência, embora profana, do seu antigo aspecto.

A respeito da abolição da corda na procissão, Manuel Lobato presta o seguinte depoimento: "E como há quem atribua ao dr. Dionísio Bentes uma grande parcela de responsabilidade no ato de D. Irineu, como testemunha preferencial do ocorrido, aproveito a oportunidade para repor as coisas em seu lugar..

"Ainda estão vivos os drs. Deodoro Mendonça  e Eurico Vale, que, como eu, ouviram daquele  extinto governador a declaração de que "nada tinha a opor a cordinha', mas sentia de seu dever prestigiar a autoridade eclesiástica, a quem competia resolver o caso, mantendo a ordem pública".

DEPOIMENTO DE JOSÉ SANTOS

O nosso confrade e amigo José Santos — quatrocentos anos de Mares e Rios — respondendo, em 1955, à enquete da revista "Amazónia", de H. Barra, se "era melhor o Cirio de outrora", escreveu: "Tudo mudou na face da terra, pois desde quando transformaram o Cirio em uma simples procissão, fazendo desaparecer do cortejo o tradicional "brigue" São João Batista, pejado de crianças vestidas de marujo, as pequenas montarias e canoas, da mesma maneira, conduzidas nos ombros de estivadores, gingando, dando a impressão de maresia, os leiteiros, com os animais enfeitados, cavaleiros com os seus ginetes, viaturas com autoridades e representações diversas, deixou a tradicional romaria católica de. ser o que foi outrora. Com a evolução do tempo desapareceu por completo a sua tradicional feição característica. Basta referir que em outras épocas, sendo o Cirio, ou a Festa de Nazaré, os habitantes do Pará preocupavam-se de tal maneira que, três meses antes, iam guardando as suas economias para gastar nos 15 dias da popularíssima festividade. Ninguém faltava, mesmo porque, na época, o Pará tinha de tudo e do melhor, a começar por intelectuais de reconhecido valor, muitos dos quais teatrologos, escreviam peças com motivos regionais, como o "Tacaca", do sempre lembrado Euclides Farias, que eram exibidas nos teatrinhos do arraial. Infelizmente, com o desaparecimento de Euclides Farias, Elmano Queiroz, Eustáquio de Azevedo, Genaro Ponte e Souza?. Eduardo Nunes e tantos outros, tudo morreu, ficando o Pará sujeito aos elementos contratados no sul. Havia alegria, sendo a boêmia entre os intelectuais de deixar saudades. A imprensa local mantinha cronistas especializados para os 15 dias da festa, os quais davam as suas impressões através de crónicas chistosas".

Depois de falar em Zé Vicente e citar versos seus, que serão aproveitados em outra reportagem, Zé Santos assim encerra:

"Há cerca de 40 anos, quando a frota fluvial da Amazônia era composta de mais de 300 barcos, todos eles ficavam ao largo, depois de terem despejado romeiros de toda a Amazônia, engalanados e apitando, saudando a Santa que passava.

Que o Cirio de antanho era melhor, mais bonito, mais imponente, mais empolgante e mais paraense, não se discute. Se os moços de hoje tivessem ensejo de contemplar o Cirio como o do meu tempo, também diriam a mesma coisa.

O Passado é sempre o passado e há muita poesia na saudade daquilo que se foi".

OTÁVIO MEIRA: A FESTA CONTINUA A SER BOA

Já o dr. Otávio Meira, ilustre presidente do Banco do Estado do Pará, ouvido à mesma época sobre se era melhor o Cirio de outrora, declarou: "Tudo depende do modo como se encare o assunto. Quando somos mais moços, as festas têm para nós um sabor especial. Depois, vêm chegando os anos e o nosso próprio modo de ver as coisas se transforma. Quando eu era rapaz, em plena adolescência, não perdia uma noite da festa. Hoje, Já quasi lá não vou. Os moços de agora é que estão na vez de se divertirem e para êles certamente, a festa continua a ser tão boa como foi para mim outrora".

O LARGO DE NAZARÉ

Nas páginas de "Casa Desarrumada", Manuel Lobato revela que, naqueles tempos, o Largo de Nazaré apresentava, de frente, a pequena ermida, erigida no mesmo sitio da primeira palhoça, sob que Plácido resguardara a milagrosa imagem das intempéries. Era muito menor do que a outra, cujos corredores ainda ampliam acomodações, ao lado da imponente Basílica, monumento de arte iniciado pelo Padre Richer e desenvolvido pelo padre Afonso.

No Pavilhão de Vesta — que hoje não mais existe — e quando "a área era desprovida de qualquer calçamento", exibiam-se cordões de cantores e improvisados atores.

Antes de ser fixado o Cirio no segundo domingo de outubro era realizado por vezes no terceiro e isso levava a festa a quase acabar com o mês, de tal maneira que a de São Braz, ou dos barraqueiros, que lhe seguiam, destinada a indenizar os que haviam tido prejuízos, abrangia o dia de Finados, de luto obrigatório ao tempo. O arraial ficava deserto, pois os bondes, trens da Urbana e de Bragança, rumavam todos para o Cemitério de Santa Isabel. O da Soledade não exigia transporte para a grande maioria dos visitantes".

AQUI TUDO É BOM, ATÉ EU,.,

Pela leitura das páginas inéditas de Manuel Lobato, ficamos sabendo que com a aproximação do mês de outubro, o Largo de Nazaré começava a receber os primeiros cuidados, tanto de pintura como de construção de barracas, "feitas de sarrafos ou de restos de madeira tirados de prédios demolidos". Essas barraquinhas encostavam-se umas às outras, "às margens das ruas que contornavam o quadrilátero principal, ainda sem qualquer bordadura, que lhes traçassem limites, para venda de brinquedos, disputa de sorte, jogos de azar e comidas.

"Algumas casas de moradia se transformavam em pequenos pontos de comércio, com títulos extravagantes, como êstes: "Se não corro, quatí me lambe" — "Aqui tudo é bom, até eu".

E havia lugares especiais para os jogadores de bom tom, com títulos em francês, inglês e alemão, línguas de uso vulgarizado em Belém, "pelo grande número de moços educados na Europa e de famílias que todos os anos visitam o velho continente.

Completando esta página de A Província do Pará, um anúncio da Fábrica Palmeira, de ¼ de página com mensagem de homenagem e agradecimento a Nossa Senhora de Nazaré. A foto mostra a multidão em um Círio do início dos anos 1960, provavelmente na Avenida Presidente Vargas, pois dá para identificar um dos anúncios que havian por lá, atravessando a rua de lado a lado, neste caso do “Refrigerador Consul a kerozene”...




Escrito por Fernando Jares às 18h44
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PIRAPITINGA

UMA CARNE DELICADA, DE GOSTO MUITO EXCELENTE

Quando o pesquisador e escritor francês Paul Le Cointe, que por muitos anos estudou a Amazônia e, particularmente o Pará, listou “os melhores peixes de escama” no seu megaclássico livro “O Estado do Pará – a terra, a água e o ar”, Companhia Editora Nacional, 1945, colocou a pirapitinga em primeiro lugar. Não deve ter sido ao acaso, mas resultado de sua experimentação de anos e anos pelos rios da região. E ele explica: “A pirapitinga e o tambaqui são bonitos peixes que podem ter mais de 60cm de comprimento, com 30 de altura e 10 a 12 de espessura. O primeiro tem a carne mais delicada, mas o segundo é mais abundante, de agosto a setembro.” Concordo inteiramente com o cientista francês. E gosto de ficar confirmando de vez em quando. Por estas linhas virtuais já disse desse meu (bom) gosto, tanto aqui pelas ruas de Belém como pelo oeste paraense.

Ainda recentemente tive duas oportunidades de confirmar, com testemunhas, o acerto da opinião do mestre Le Cointe. Primeiramente vamos ao nordeste paraense, em Abaetetuba, pertinho de Belém (uma hora de balsa e uma hora de carro, em estrada boa em sua quase totalidade). Veja aqui como uma fresquíssima pirapitinga, comprada de manhã na beira do rio, chegou à mesa de nossos amigos Lucimar e Altair, ali em Abaetetuba: douradinha, orgulhosa de seu destino em ter sido temperada e assada por quem entende o riscado, ou melhor, da arte de cozinhar. Obra-prima da Lucimar, que é mestra nessa arte:


A bem citada pirapitinga foi, neste caso, recheada com uma farofa molhada daquelas para alimentar os deuses comilões de religiões antigas, que os criavam para justificar a glutonice... Depois do desfile eis que ela se apresenta no ponto de ser servida e rapidamente detonada, por um time de amantes do bom peixe daquelas bandas tocantinas:


Parece que no passado havia pelas águas amazônicas um parente grandão da pirapitinga, algo como um irmão gigante. Foi o que encontrei no livro “Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas”, do padre João Daniel, obra dos anos 1700, em que narra suas andanças por estas bandas do mundo e refere um peixe grande com esse nome. Para depois registrar um de tamanho menor:

Porém entre os mais célebres, e estimados peixes do Amazonas, merece não o primeiro lugar, ao menos o segundo, o que chamam pirapitinga, e por outro nome mais comum entre os índios piraíba remuia, que quer dizer avó das paraíbas. A figura, e parecença é toda de piraíba; e toda a diferença está na grandeza e gosto; porque um pirapitinga é maior que duas grandes piraíbas; e de gosto muito mais excelente que as piraíbas. Porém, com serem do peixe da primeira estimação, por não excederem menos no gostoso que na grandeza as piraíbas, os pescadores não gostam que lhes peguem no anzol, tanto pelo risco de o quebrarem, como também pelo grande trabalho que lhes causa a sua condução, e pelo grande perigo de vida em que os põem, quando o querem segurar, e meter na canoa, por não andarem nunca nestas canoas mais que 2 homens (e às vezes só um, que pesca só para seu amo, ou senhor) e não haver naquele estado pescadores públicos, e de ofício, que em tais ocasiões ajudem uns aos outros, e ser claro que um só, ou dous homens, não bastam para segurar um tão grande animal, sem evidente perigo de vida. Há outro peixe mais pequeno, que terá até dous palmos, com o mesmo norne de pirapitinga, também de pele, e da mesma figura, e bom gosto; entendo que outra espécie ínfima, e de ambas há muita abundância.” (nas páginas 143 e 144 da Edição de 2004, Contraponto, patrocinada pela Prefeitura de Belém).

Há diferenças nos quase 300 anos que nos separaram desse autor, inclusive que a nossa pirapitinga é de escamas e a que ele descreve é de pele. Mas numa coisa concordamos: no paladar superior da pirapitinga!

Tenho uma cunhada, a Rosalba, que mora no Rio e não dispensa, em suas incursões belenenses, um peixe do Bastos, da “Casa da Peixada”. Como eu também sou fã da casa (desde os tempos em que era “Caranguejão”, lá no Entroncamento), não dispenso a companhia. Da última vez que lá estivemos fomos a uma pirapitinga na brasa para três (R$ 120,00). Na verdade repetimos o cardápio do ano passado, abrindo os trabalhos com muito bem feitos casquinhos de caranguejo (R$ 16,00 o par). Olha a senhora Pirapitinga que nos chegou à mesa:




Escrito por Fernando Jares às 19h35
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CÍRIO 1964 (2)

OS JORNAIS E O CÍRIO

Ao contrário do que já é uma tradição dos últimos anos, os jornais de décadas passadas não focavam tanto na celebração do Círio de Nossa Senhora de Nazaré na data de sua realização. Eram edições normais, com grande destaque para a magnífica romaria, mas as capas das edições tratavam de outros assuntos.

Inspirado pela pesquisa que fiz para o post imediatamente abaixo, fiz umas observações interessantes. Veja aqui abaixo a primeira página da poderosa Folha do Norte de 11 de outubro de 1964, há justos 50 anos (feitos ontem!).


Com manchetes manifestamente favoráveis ao golpe militar de abril daquele ano (que era chamado por todos de “revolução”), e olha que a censura ainda nem era feroz, o que aconteceu a partir de 1968, havia uma ilustração alusiva ao Círio, assim explicada pelo jornal, em texto logo abaixo dela:

CÍRIO DE NAZARÉ, centenária manifestação em que toda a alma de um Povo se ilumina de esperanças renovadas a cada ano que a repete, contrita, ungida de piedade, joelhos em terra, à passagem da Berlinda da Excelsa Virgem Mãe de Deus, Rainha dos Céus, Consolação de todas as horas para os homens aflitos na sua triste condição humana, assoberbados de ambições, heroísmos e misérias. Oferendas de ex-votos, às vezes extravagantes, mas que toda gente compreende e respeita, a Romaria imensa dos Paraenses está numa síntese feliz assinalada na alegoria que Andrelino Cotta, artista conterrâneio festejado,  traçou e que, com propriedade denominou “Promessa e Devoção”, oferecendo-o à edição da FOLHA DO NORTE neste Círio de 1964”.

A Folha não teve um caderno especial sobre o evento, mas tinha matérias ao longo do jornal e diversos anúncios saudando Nossa Senhora de Nazaré e a data.

Outro jornal da época, A Província do Pará, teve Caderno Especial sobre o Círio, com um excelente artigo do escritor Georgenor Franco (falecido em 1985), nome dos mais respeitados na literatura paraense naqueles anos, que vem a ser pai do hoje magistrado do trabalho, prof. dr. Georgenor Franco Filho. Não tenho a primeira página desta edição, só o Caderno Especial, ao qual ainda voltarei nos próximos dias.

O vespertino Jornal do Dia não circulava pelas ruas de Belém aos domingos (os matutinos não circulavam às segundas), mas no dia do Círio ele teve edição especial, cuja parte superior da primeira página está aqui:

 

Da mesma forma o Círio não era o tema exclusivo, embora ocupasse meia página. Abaixo há uma mensagem do Governador do Estado, Ten. Cel. Jarbas Gonçalves Passarinho, também publicada na Folha e, quase certo, na Província (onde Jarbas escrevia, ainda antes do movimento militar).

Vale ler o texto que estava ao lado da foto de uma apresentação da imagem, ao que parece na porta da Catedral de N. S. da Graça – devia ser foto de arquivo, já que aparece d. Alberto Ramos que, neste ano, não estava em Belém, sendo o Círio presidido por d. Tadeu Prost, Bispo Auxiliar de Belém:

CUMPRINDO a tradição de tantos anos, reafirmando a fé cristã que tem sido uma constante na formação do Brasil, o povo paraense sai hoje em romaria na homenagem à Mãe de Deus. invocada entre nós sob o nome milagroso de Virgem de Nazaré.
Todas as classes sociais de Belém, ricos e pobres, poderosos e humildes, estão hoje nas ruas desta velha cidade para acompanhar, alma de joelhos, corações em orações, o Círio cuja marca deixa fundo, no espírito de cada um a consciência de que está no mundo para a Fraternidade e a Paz. Nós os paraenses, no dia de hoje, reverenciamos Nossa Padroeira, que tem abençoado, através dos anos nosso trabalho e nossa luta comum pelo destino da terra que nos foi ofertada como berço e como território onde construímos nossas vidas.
A data é feliz para todos – o Pará antecipa no congraçamento de seu povo, as festas de um Natal cabôclo  - razão pela qual o JD, comungando com a família paraense circula hoje, em caráter extraordinário para estar mais próximo dos lares de nossa terra na festa que nos reúne e nos aproxima indistintamente
.”

O JD teve Caderno Especial com textos da folclorista e relações públicas Maria Brígido e desenhos do artista Augusto Morbach, uma dupla de primeiríssima na cultura paraoara daquele meio do século passado.

UM FELIZ E ABENÇOADO DIA DO CÍRIO para todos vocês. Eu já rezei, escrevi e agora vou almoçar ciriesticamente.



Escrito por Fernando Jares às 13h03
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CÍRIO 1964(1)

O TRAJETO DA TRASLADAÇÃO

Ao falar, hoje pela manhã, sobre a culinária paraense e o Círio, na TV Liberal, a chef Daniela Martins fez uma citação de que a Trasladação, ao seu tempo de menina – já vendo sua avó, Anna Maria Martins produzir a mais autêntica cozinha paraense – , passava em frente à sua casa na Governador José Malcher.

O trajeto da Trasladação, que leva a imagem de Nossa Senhora de Nazaré pelas ruas de Belém da capela do Colégio Gentil Bittencourt para a Sé Catedral de Nossa Senhora da Graça, na noite do sábado, hoje é exatamente o inverso do trajeto da romaria do Círio, na manhã seguinte. Mas nem sempre foi assim. Essa mudança é de não há muitos anos. Antes ela até passava por dentro do “comércio”, pelas estreitas Santo Antonio e João Alfredo. Como cresceu muito em número de participantes, teve que mudar, em 1988, não sem muita reclamação dos comerciantes da área, que consideravam a passagem da imagem uma benção dos céus para seus negócios.

Escarafunchando uns jornais antigos, encontrei em uma Folha do Norte de 1964 o trajeto da Trasladação na época (muito antes da Daniela nascer...), que vale como recordação:

“A Trasladação deixou a Basílica de Nazaré precisamente às 20,00h, indo à frente, ao interior da corda, a banda da Aeronáutica.
Grande multidão afluiu para o cordão, especialmente na parte às proximidades da berlinda.
Deixando a Praça Justo Chermont, tomou a Generalíssimo Deodoro, derivando para a São Jerônimo, que seguiu até a travessa Magalhães Barata. Daí, rumou pela Av. Nazaré, Praça da República, Conselheiro João Alfredo, Santo Antonio, Praça do Relógio, Padre Champagnat até o Seminário Arquidiocesano, onde ficou a imagem depois das orações
”.

Para entender melhor: a São Jerônimo é hoje a governador José Malcher; o redator fez alguma confusão, omitindo a Presidente Vargas e inverteu a ordem, colocando a João Alfredo antes da Santo Antonio, o que é impossível... A trav. Magalhães Barata é como, por algum tempo, foi chamada parte da Dr. Moraes, logo após a morte do governador Magalhães Barata, justo em uma casa nesse primeiro trecho da rua, onde morava. A Padre Champagnat era uma microrrua que ligava a D. Pedro II a D. Macedo Costa (Largo da Sé), que deixou de existir com a demolição de alguns prédios para seu alargamento, na administração de Alacid Nunes na prefeitura de Belém. O Seminário era no prédio que hoje faz parte da Feliz Lusitânia, naquele conjunto do Museu Arte Sacra. O fato da imagem ter “dormido” no Seminário foi uma excepcionalidade naquele ano, explica a reportagem em outro local.

A foto abaixo, publicada nessa edição de 11/10/1964, mostra a Trasladação da noite anterior pois dá para ver o Ten. Cel. Alacid Nunes, prefeito municipal nomeado/eleito naquele ano pelo regime militar, à frente parece-me Augusto Meira Filho, pesquisador da história de Belém, vereador, um eterno “namorado da cidade” e na ponta, Clóvis Moraes Rego, professor, escritor, que chegou a ser vice-governador do Estado.




Escrito por Fernando Jares às 12h55
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SENHORA DE NAZARÉ!

“A Rainha da Amazônia vem chegando
Vem navegando pelas ruas de Bélem

Da música “Círio outra vez” do Pe. Fábio de Melo. Ouça aqui.

 A imagem de Nossa Senhora de Nazaré já navega pelas ruas de Belém, nos braços do povo, levada por milhares de braços e mãos que seguram firmemente, com fervor e orgulho religioso, a corda que faz a pequena imagem deslocar-se para receber o olhar acolhedor de amor e esperança de seus milhões de fiéis que se deslocam até aqui. A Trasladação está na rua, levando a berlinda com a imagem milagrosa para a Sé, Catedral de Nossa Senhora da Graça, de onde amanhã pela manhã sairá, novamente pelos braços de seu povo, para a Basílica Santuário que foi erguida por este mesmo povo devoto em sua honra. É Círio outra vez!


O manto que cobre a imagem nas romarias e peregrinações deste ano tem a suavidade do amor materno de Nossa Senhora.

Toda esta multidão, avaliada em mais de 2 milhões de pessoas, move-se pela fé em uma santa grandiosa, representada por uma pequena imagem, reproduzindo aquela que, um dia, o cabôco Plácido encontrou na margem de um igarapé e que o poeta maior João de Jesus Paes Loureiro cantou assim:

Senhora de Nazaré

Senhora,
talvez aqueles que te levam
pelas ruas
no azul levíssimo da alma
nem percebam
que é por todos nós que passas…

Senhora,
tu que passas sobre todas as cabeças,
coroa de cantares e perfumes,
entre pedras, paus, penas e espinhos
hás de tornar cada vez mais suaves
nossos caminhos…

Senhora,
barca de flores
caviana mística
coração de pétalas no peito da manhã
Iara boiando em águas encantadas
rosa mística, “lírio mimoso”, cântico dos cânticos…

Senhora de Nazaré,
tu que passas pisando nosso chão
coroada de sonhos e de flores,
só não hás de passar no ardor do meu coração…

(Oratório do Círio de Nazaré, Belém, 1986, que você pode ler completo no Blog do Paes Loureiro, clicando aqui.)



Escrito por Fernando Jares às 19h58
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INDICAÇÕES “VEJA BELÉM” (2)

OS DESTAQUES EM LAZER, CULTURA E SERVIÇOS


Como expliquei no post imediatamente anterior, a revista Veja mudou sua edição guia dos melhores restaurantes, bares e pontos de comidinhas, para uma publicação bem menor, sem os rankings dos melhores e sem a listagem (sempre muito completa e atual) desses estabelecimentos. Aliás, informei sobre as mudanças que deveriam acontecer em agosto passado (leia clicando aqui), mas foram bem maiores...

Faço parte do júri de 14 pessoas selecionadas pela Veja, entre residentes pelas ruas de Belém, de perfis profissionais diversos, para fazer as indicações, que foram computadas pela publicação e divulgadas na revista “Veja Belém – O Melhor da Cidade” – que circula encartada na edição desta semana para os assinantes e que ficará disponível nas bancas.

A foto acima ocupa quase duas páginas da revista, mostrando o esplendor do Theatro da Paz que, como você vê logo abaixo, ganhou dois títulos. (A foto deve ser do acervo da revista, ou divulgação do teatro, pois não tem crédito do autor).

A Melhor atração histórica
1) Theatro da Paz
2) Mercado Ver-o-peso
3) Casa das Onze Janelas

O Melhor espaço cultural
1) Theatro da Paz
2) Centro Cultural Sesc Boulevard
3) Gotazkaen Estúdio

O Melhor programa grátis
1) Fim de tarde na Estação das Docas
2) Portal da Amazônia
3) Centro Cultural Sesc Boulevard

A Melhor Praça/Parque
1) Batista Campos
2) Praça da República
3) Mangal das Garças

A Melhor viagem de fim de semana
1) Ilha de Mosqueiro
2) Ilha do Combu
3) Salinas

O Melhor Shopping
1) Shopping Boulevard
2) Parque Shopping
3) Pátio Belém

A Melhor Academia
1) Companhia Athletica
2) Bodytech
3) Bio Ritmo

Após essas indicações a revista apresenta "O Melhor do Círio de Nazaré", trabalho de sua equipe de reportagem, com redatores locais, desfilando uma série de curiosidades e dicas sobre este nosso magnífico evento religioso, a maior manifestação popular mariana do mundo.

Parte da revista pode ser lida no site http://vejabrasil.abril.com.br/belem/o-melhor-da-cidade



Escrito por Fernando Jares às 15h12
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INDICAÇÕES “VEJA BELÉM” (1)

OS DESTAQUES EM COMES E BEBES

Quem esperava para este final de semana que passou a tradicional edição especial da Veja Belém sobre o Círio de Nazaré recebeu a edição “O Melhor da Cidade”. Quem estava a espera, há alguns meses, da edição deste ano da também tradicional edição ”Comer & Beber”, com a completíssima relação dos melhores restaurantes bares e pontos de comidinhas da cidade, assim como o ranking dos melhores da cada categoria, também foi surpreendido: não existe mais esse excelente guia gastronômico de Belém, que tantos usávamos o ano todo em busca de referências, endereços, deliveries, etc.

O novo produto “O Melhor da Cidade” é muitíssimo mais “magro” que seu antecessor, com apenas 50 páginas (ano passado teve 122 páginas!) e como não tem nem a relação nem os rankings, transformou-se em um concurso e na publicação do respectivo resultado, com apenas 32 indicações para comes e bebes e 21 outras atrações.

A seleção dos Melhores foi feita pela revista e por um time 27 moradores da cidade, de diferentes perfis profissionais, que formaram dois juris, um para “Comes e Bebes” e um para “Lazer e Cultura – Serviços”. Como redator deste blog participo do júri que indicou as melhores sugestões no grupo de lazer, cultura e serviços pelas ruas de Belém.

A última parte da publicação é “O melhor do Círio de Nazaré”, sem premiações, mas com dicas diversas de como melhor aproveitar Belém nestes dias, inclusive com comidas: receita de pato no Tucupi da Fafá de Belém e de maniçoba da chef Daniela Martins, do “Lá em Casa”.

A revista anuncia uma extensão eletrônica, no site www.vejabelem.com.br. Fui lá, mas encontrei a mesma relação do ano passado, até referindo a premiação conquistada em 2013...

Como na revista deste ano não tem os rankings, você pode seguir os do ano passado: fiz parte do júri que os indicou em 2013 os melhores restaurantes e não mudaria meus votos. Veja a relação dos melhores clicando aqui e, no post seguinte, as justificativas das minhas indicações naquele momento.

Conheça agora a relação dos vencedores do concurso Os Melhores da Cidade da Veja Belém/2014, na versão Comes e Bebes (Lazer, cultura e serviços estarão no próximo post).

A Melhor comida de rua
1)Tacacá do Colégio Nazaré
2) Tacacá do Renato
3) Big Mengão Lanches

O Melhor Hamburger
1) Circus
2) Black Burger
3) The Nine

O Melhor Boteco
1) Bar Meu Garoto
2) Rubão
3) Bar do Bacú

O Melhor para beber ao ar livre
1) Palafita
2) Boteco das Onze
3) Marujos

O Melhor Petisco
1) Pastel de Jambu (Boiuna)
2) Esfiha de Pato com Jambu (Portinha)

O Melhor para comer na madrugada
1) Roxy Bar
2) Esther Lanches
3) Milleo

A Melhor pizza de camarão com jambu
1) Xícara da Silva
2) Cia. Paulista
3) Pizzaria Vitória

O Melhor lugar para levar um amigo turista
1) Manjar das Garças
2) Amazon Beer
3) Saldosa Maloca

O Melhor com vista para o rio Guamá
1) Saldosa Maloca
2) Amazon Beer
3) Boteco das Onze

A Melhor receita de filhote
1) Filhote na Brasa (Remanso do Bosque)
2) Caldeirada Paraense (Remanso do Peixe)
3) Filhote Pai d’égua (Lá em Casa)

A Melhor sobremesa regional
1) Musse de chocolate do combu (Remanso do Bosque)
2) Sorvete Carimbó (Cairu)
3)Sorvete Paraense (Cairu)

Complemento: cascavilhando mais tarde na internet, com apoio do sempre solícito Google, encontrei o site que contém esta publicação, e que está neste endereço: http://vejabrasil.abril.com.br/belem/o-melhor-da-cidade. De lá capturei a foto abaixo, do Melhor Petisco, o famoso e premiadíssimo "Pastel de Jambu" do Espaço Cultural Boiúna:




Escrito por Fernando Jares às 13h10
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DIA DO DIDI

75 ANOS DE EDWALDO MARTINS

Vivo ainda estivesse, ficaria hoje ”mais velho pouquinha coisa”, para usar uma expressão cunhada por ele mesmo, o jornalista Edwaldo Martins, falecido em 2003. Faria hoje 75 anos.

Colunista social na linguagem classificadora do jornalismo na época, preferia ser um colunista eclético, no dizer dele mesmo. Era o cronista dos costumes  - e das esperanças – da cidade e de seus habitantes. Nascido em Bragança, criou-se, desde muito pequeno, em Belém, cidade que amava e que chamava ternamente de “terrinha”, termo que saudosos portugueses usavam comumente para nominar o distante e amado Portugal. Edwaldo criou muitos termos no jornalismo paraense. Não esqueço o “mídia brega” para as faixas de pano, de propaganda, que em tempos eram espalhadas desordenadamente pelas ruas de Belém, inclusive por grandes anunciantes, poluindo visualmente especialmente as esquinas das principais ruas da cidade. Muito as combateu e hoje ficaria feliz com, praticamente, seu desaparecimento. Uma história que não se resolvia pelas autoridades ou partes interessadas, que rendia notícia anos a fio era, indiscutivelmente uma “novela” – como o foi a da chegada de um hotel com a etiqueta Hilton para Belém, que ele tanto defendeu e que um dia tornou-se realidade.

Uma pessoa, um profissional inesquecível para quem conviveu com ele, no trabalho ou em encontros casuais. Embora tenhamos um sobrenome em comum, não fomos parentes, nem de longe e só nos conhecemos bem adultos. Fomos colegas na redação de A Província do Pará e fui seu redator substituto em inúmeras oportunidades – férias, viagens e até em afastamento por problema de saúde. Tivemos uma boa amizade e até fomos sócios em uma agência, a Relp – Relações Públicas, juntamente com Orlando Carneiro.

Ano passado, para marcar os 10 anos do falecimento do Didi, como o chamavam os mais chegados, publiquei uma série de posts sobre esse inesquecível profissional, que nos dá verdadeiro orgulho de ser paraense. Você pode ler a série  "Edwaldo Martins, Ano 10” clicando ao lado de cada título:

TARCISIUS, O MÁRTIR CRISTÃO, POR EDWALDO MARTINS", clicando aqui;
“UMA SAUDADE QUE NÃO TERMINA, NEM VAI EMBORA (LFP)", clicando aqui;
EM MEMÓRIA DE EDWALDO MARTINS", clicando aqui;
e UM AUTORRETRATO FALADO, clicando aqui.

Catando na minha caixinha de fotos de eventos, olha que eu achei uma digna do Tunel do Tempo do Ismaelino...


Edwaldo, Américo Pinho, eu e Orlando Carneiro, em um evento no sempre lembrado “Signos Club”, de Paulo Martins. Edvaldo, Carneiro e eu fomos sócios na Relp, no final dos anos 1970. Américo Pinho era editor e apresentador de telejornais, acho que na época estava na TV Guajará – tinha uma curiosidade, em que antecipava os tempos de hoje: andava habitualmente de bicicleta.



Escrito por Fernando Jares às 14h52
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CULTURA GASTRONÔMICA

GASTRONOMIA EM FILME E LIVRO

A gastronomia tomou conta das dicas de cultura na edição de hoje da coluna do jornalista Mauro Bonna, no jornal Diário do Pará. Convidados a recomendar algum bom assunto em torno de Cultura, a chef Angela Sicilia, do restaurante “Famiglia Sicilia” e o redator deste blog, indicamos aspectos da cultura gastronômica:


Ângela deu a dica de um filme sobre uma perfeccionista chef, de um sofisticado restaurante em Manhattan, com Catherine Zeta Jones. O título original (No Reservation), como se vê, nada tem a ver com o programa de tevê homônimo, comandado por Anthony Bourdain, que até já fez episódios aqui pelas ruas de Belém.(para ler “Sabor paraense sem reservas”, clique aqui).

Naturalmente por questão de espaço editorial não foi publicada a minha dica completa, que incluía também o precioso livro “Cozinha de Origem”, do chef Thiago Castanho, resumindo-a apenas à citação do livro que escrevi em parceria com Álvaro do Espírito Santo.



Escrito por Fernando Jares às 16h54
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INTERDISCIPLINARIDADE

TURISMO E GASTRONOMIA NA UFPA

 

Hoje e amanhã (25 e 26/09) a Faculdade de Turismo da Universidade Federal do Pará – UFPA, por meio do Escritório Modelo de Práticas Acadêmicas em Turismo- Empactur e Centro Acadêmico de Turismo – Catur, realiza a Jornada Acadêmica de Turismo 2014, com o tema "Turismo e interdisciplinaridade: Uma janela aberta para as diversas faces do turismo".

O evento se associa ao Dia Mundial do Turismo, que se comemora no dia 27/09, este sábado.

Haverá palestras, mesas-redondas, gincana e programação cultural. O evento objetiva promover uma maior integração, um intercâmbio sociocultural e uma socialização de conhecimentos científicos e populares entre discentes, docentes, empreendedores, profissionais, órgãos e instituições públicas ligadas ao turismo e à sociedade em geral.

O redator deste blog participa da mesa redonda “Gastronomia: Um olhar teórico e prático”, logo mais às 16h. Veja a programação, que começou às 8h, no Auditório Setorial Profissional/ITEC, Campus Profissional, UFPA – Guamá:

 1º DIA 25/09/14

LOCAL: AUDITÓRIO PROFISSIONAL DO ITEC

7h CREDENCIAMENTO

8h CERIMÔNIA DE ABERTURA

Prof. Dr. Carlos Alberto Batista Maciel – ICSA
Prof.ª Msc. Diana Alberto Sá - FACTUR
Profª Drª Sílvia Helena Cruz - EMPACTUR

9h MESA REDONDA

Tema: Turismo e Interdisciplinaridade
Prof. Edmílson Rodrigues, Arquiteto, Dr em Geografia Humana pela FFCH/USP.
Prof. Danilo Araújo Fernandes, Economista, Dr em Ciência Socioambiental/NAEA/UFPA.
Prof Neila Cabral, Turismóloga, Dra em Ciência Socioambiental/NAEA/UFPA.

14h Exposição dos Projetos – Banner

16h MESA REDONDA

Tema: Gastronomia: Um olhar teórico e prático
Palestrantes: Prof. Msc. Álvaro do Espírito Santo – Doutorando/Universidade de Coimbra/Portugal/UFPA
Fernando Jares Martins – Jornalista especialista em Turismo
Chef Felipe Gemaque
Moderador: Prof. Laércio Falcão - UFPA

2º DIA 26/09/14

LOCAL: AUDITÓRIO PROFISSIONAL DO ITEC

9h MESA REDONDA

Tema: Educação Patrimonial - A subutilização do patrimônio em Belém
Raul Lobo – Diretor de Cultura e Turismo do município de Vigia/PA
Prof.ª Msc. Maria Dorotéa de Lima – Superintendente do IPHAN
Prof. Fernando Tavares Marques, Drº em Arqueologia, Museu Goeldi.
Prof. Raul Campos, Drº em Ciência Socioambiental, NAEA FACTUR/UFPA.
Moderador: Diana Priscila Sá Alberto - UFPA

11h MESA REDONDA

Turismo de Base Comunitária
Prof Jacirene Queiroz – Mestre em Agricultura Amazônica/Turismóloga/Professora do IFPA
Adriana Lima – Diretora do MMIB
Prof Dra Suzy Simonetti – Universidade do Estado de Amazonas e Representante do Fórum de Turismo de Base Comunitária do Estado do Amazonas



Escrito por Fernando Jares às 10h44
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SORVETERIA Nº 1

“SE HÁ ALGO QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER É O SORVETE DA CAIRU”

A frase acima não é de um anúncio da Sorveteria Cairu, tradicionalíssima na produção dos melhores sorvetes pelas ruas de Belém. Pesquei-a em um depoimento de cliente dessa sorveteria no site de viagens TripAdvisor, onde os “contribuintes” qualificam os estabelecimentos que visitam pelo mundo afora.

Avaliada por 714 visitantes da casa a Cairu recebeu, até ainda há pouco, 532 referências “Excelente” e 170 “Muito Bom”, algo como quase unanimidade, pois apenas 10 a consideraram “Razoável” e somente 2 deram a classificação “Ruim”, provavelmente duas pessoas que estavam de mal com o bom gosto...

A Cairu é uma completíssima sorveteria, onde as estrelas são os sabores regionais, que eles sabem fazer como ninguém. Em seus mais de 50 anos (completados ano passado) a cada tem mais de 60 tipos de sorvetes diferentes – se deixa a gente, que aqui nasceu, doidinho na hora de escolher, imagina a cabeça do visitante, o que roda, diante daquele fantástico cardápio a desafiá-lo com nomes surpreendentes para quem os vê, muitas vezes, pela primeira vez. Haja a querer provar!

Com uma aprovação tão fantástica pelos clientes que provaram e foram ao site TripAdvisor, não deu outra: foi pra cabeça no ranking nacional! Foi a mais bem avaliada do país e é a melhor sorveteria do Brasil!


Mais uma vitória para a gastronomia paraense, que se afirma, cada vez mais, como a melhor e mais brasileira do Brasil.

Com essa qualificação, dada voluntariamente por pessoas que a visitam, a Cairu ainda fatura o primeiro lugar entre todos os estabelecimentos de alimentação de Belém, aparecendo em primeiro no setor de restaurantes.

A Cairu já foi assunto de uma interessantíssima história neste blog, sobre um texto do intrépido repórter Arthur Veríssimo. Para ler “Arthur Veríssimo acha os frutos (congelados) da floresta” clique aqui.

Veja a lista das 10 Melhores do Brasil, na opinião dos associados ao TripAdvisor. Note que São Paulo emplacou três, mas são da mesma rede. Para conferir no TripAdvisor, clique aqui.

1. Cairu, Belém, PA
2. Bacio Di Latte, São Paulo, SP
3. Sorveteria Italiana Monte Pelmo, Florianópolis, SC
4. Bacio Di Latte- Bela Cintra, São Paulo, SP
5. Bacio Di Latte – Shopping Morumbi, São Paulo, SP
6. Momo Gelato, Rio de Janeiro, RJ
7. San Paolo, Fortaleza, CE
8. Los Paleteros, Curitiba, PR
9. Sorveteria 50 Sabores, Fortaleza, CE
10. Gelateria Preciosa, Praia da Pipa, RN

Este tipo de conquista rende sempre uma boa exposição na mídia nacional. Veja o que disse o site da UOL, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h20
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QUINTA DOS VINHOS

SELEÇÃO E HARMONIA NO “BENJAMIN”

O restaurante “Benjamin” realizará nesta quinta-feira, 25, seu tradicional Wine Dinner, programa de todas as últimas quintas-feiras do mês. É necessário reserva prévia e confirmação no dia, uma vez que todos os meses há uma apreciável lista de espera e ninguém deve dar no show...

A “culpa” do sucesso da promoção mensal é não apenas da cuidadosa seleção de vinhos, criteriosamente harmonizados com os pratos servidos, mas também, e especialmente, pela qualidade destes, criados e preparados sob comando do chef Sérgio Leão, titular da casa.

Vejam aqui o que vai rolar nas mesas do “Benjamin” nesta quinta, onde os vinhos são a atração:

Primeira Entrada
Espumante Veuve D'Argent Blanc des Blancs Brut – França
Prato: Salada de Frango defumado com maçã verde

Segunda Entrada
Vinho Bordeaux Rosé La Belière 2011 – França
Prato: Sardinha a escabeche

Primeiro Prato
Vinho Morandé Chardonnay 2012 – Chile
Prato: Peixe Branco, Camarões e manga ao curry com arroz jasmim

Segundo Prato
Vinho Chateau Grevière 2005 – França
Prato: Risotto de ragu de ossobuco

Sobremesa
Vinho do Porto Quinta do Crasto – Portugal
Prato: Ganache de chocolate do Combu com sorvete de paçoca e sal negro

 

O valor por pessoa desta degustação é de R$ 140,00 e inclui ainda água mineral, refrigerantes e café expresso.



Escrito por Fernando Jares às 16h14
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DA HISTÓRIA PARA AS CUIAS

UM ARROZ COLONIAL EM LISBOA E BELÉM

No lançamento do livro “Gastronomia do Pará – O Sabor do Brasil” (para saber sobre o livro, clique aqui), tanto em Lisboa como pelas ruas de Belém, em evento no Espaço São José Liberto, uma atração circulou e fez um grande sucesso junto aos paladares dos presentes: o “Arroz de carril”, em versão histórica (quando se escrevia “de caril”).

Trata-se de um prato cuja descrição se encontra no livro “Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas”, escrito pelo Padre João Daniel, onde relata suas andanças pela região entre 1741 e 1757, quando viveu por estas bandas em missão religiosa. É considerado o melhor e mais detalhado relato da Amazônia e da vida por aqui nessa época colonial.

O tal “Arroz de caril” existe até hoje em alguns cardápios, especialmente na Índia ou em restaurantes indianos bem especializados. Mas aqui na região desapareceu... mas no passado foi importante item da alimentação dos colonizadores, conforme relata esse padre.

Sua presença no lançamento do livro – que faz um histórico da cozinha paraense desde os tempos da conquista da região pelos europeus – deveu-se a um desafio. O pesquisador e professor Álvaro do Espírito Santo, que comigo assina o livro, em seus estudos para a tese que prepara para doutorado em Coimbra, localizou a receita no citado livro e desafiou o chef e pesquisador Ofir Oliveira a refazer o prato para o evento de lançamento. Ofir, que é dado a encarar desafios, pegou mais este e saiu-se muito bem, inclusive na versão que fez em Lisboa! Sobre a receita original acrescentou  tapioca e tucupi, atualizando o sabor, bem ao gosto dos paraenses. E ficou só elogios!!!!!

Na versão lisboeta (leia sobre esse lançamento clicando aqui) foi servido em buffet, mas aqui o foi em cuias, bem mais paraensemente:

 

O padre João Daniel em seu livro, entre as muitas descrições, faz um detalhado relato da produção e consumo do arroz na Amazônia daquela época, comparando-o com o da Ásia, por onde já andara. No trecho em que relata a receita do arroz de “caril” o faz assim (note que, como se usava na época, esse “Amazonas” refere-se à Amazônia, ou a região ao longo do rio Amazonas):

Mas nestas, além das que já usam, têm os povoadores do Amazonas, ou podem Ter, muita abundância, com que não só façam ricas as suas casas, mas também o possam transportar à Europa, aonde terá boa aceitação, e melhor preço. Resta-me o dizer alguns usos do arroz à indiática, e rios de Sena [na África], aonde se guisa com facilidade, e sempre apetitosamente, além dos já sabidos, e comuns, visto ter falado naquelas terras, e suas searas de arroz. O primeiro uso é o celebrado caril, que consiste em um molho composto de manteiga, coco, açafrão, ou açafroa, e engrossado com camarões, ou mexilhões, ou com qualquer outro marisco, outras vezes com peixe desfeito, isto é, feito em pequenos pedaços, a que no Brasil chamam piracuí. Vindo pois o arroz para a mesa cozido só em água e sal, vem juntamente em [porcelanas o] caril, lança-se em cima do arroz, e está feito o arroz de caril, menestra ordinária na Índia, e em muitas outras partes da Ásia, aonde o comum sustento é o arroz.

Os portugueses em seu processo de colonização, espalhado pelos diversos continentes, fizeram intenso intercâmbio de ações culturais, comportamento, etc. Graças a isso temos a Belém “Cidade das Mangueiras”, os africanos têm a mandioca, todos temos a nossa língua portuguesa, afinal uma pátria geral, como bem poderia imaginar o Fernando Pessoa, e pudemos saborear este elogiado arroz à moda colonial, contemporaneamente atualizado...




Escrito por Fernando Jares às 12h17
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PANIS NITEROIENSIS

VOCÊ GOSTA DE PÃO DE QUEIJO?

Você gosta de pão de queijo. Esqueça os seus bons gostares. Encontrei em Niterói um novo conceito em delícia de pão de queijo, bem diferente do pão de queijo que encontramos habitualmente aqui pelas ruas de Belém, e olha que temos por aqui alguns que eu até gosto. E mesmo em Niterói, bem distantes das Minas Gerais, a terra natal dessa especialidade brasileira. Tire um fino deles, como se dizia antigamente:

 

São diferentes a partir do formato, o que em si não é uma diferença tão importante... A diferença mesmo está na massa, gostosíssima, macia e na crocância, com um parmesão dos bons, a reforçar o sabor interno.

Essa delícia toda está na padaria “Boulangerie 403”, também café e confeitaria, que fica na rua Mariz e Barros, em Icaraí, Niterói. A casa é fina. Tem uns planos arquitetônicos discutíveis, mas nos balcões e vitrines estão expostas preciosidades para os melhores paladares – e isso é o que interessa. E o preço nem é exagero. O pão de queijo custa R$ 46,53 o quilo. Comprei quatro, que pesaram 150g ao custo de R$ 6,53, quer dizer, um pouco mais de R$ 1,50 por unidade. No dia seguinte repetimos a dose, com 10 unidades, que custaram R$ 15,33, confirmando o valor médio.

Entre as outras preciosidades que tem por lá estão baguetes, da tradicional francesa à de trigo integral, pães especiais com azeitonas (uma delícia carregada na azeitona preta gostosa), com passas, nozes, etc. E uma tal “pizza branca”, que vem a ser uns quadradinhos de massa de pizza fininha com tempero de ervas, ao valor de R$ 42,56 o quilo. Uma delícia, também. Até fiz uma foto para vocês verem as gostosinhas.

A padaria do Líder da Doca teve, há tempos, produto semelhante, muito bom, mas sumiu. A primeira vez que provei destas gostosuras foi no extinto restaurante “P&F”, do Paulo Martins e Fernando Torres, que tinha entre as atrações do couvert umas tirinhas com esta massa.

 

Ano passado o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publicou matéria sobre a concentração de boas padarias nessa rua de Niterói: “Mariz e Barros, a rua dos pães” (leia, clicando aqui) sobre esta “Boulangerie 403” e mais duas excelentes, por onde também já andei a beliscar pães maravilhosos, na mesma rua: “Frisée Gourmet” e “Emporio del Gusto”.

Para fechar, festejando o elogiado pão de queijo niteroiense, outra foto deles:




Escrito por Fernando Jares às 19h16
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PAULO MARTINS, ANO -4

ESTRELA DO NORTE
E O CHEIRO DAS CAROLINAS PARAENSES

Hoje quando vamos a um aniversário, festa de colação ou de casamento, é muito comum estar com destaque na mesa do anfitrião uma bela travessa ou uma terrina com um atraente “Arroz paraense”. Os "mais velhos pouquinha coisa” (© do saudoso jornalista Ewaldo Martins) sabem que há uns tantos anos esse prato não existia pelas ruas de Belém... Trata-se de um arroz que leva tucupi, jambu e camarão seco, ingredientes do tacacá, um dos ícones da cozinha paraense. Pois bem: a audácia de pegar os ingredientes do tacacá e misturar com arroz (que substituiu a goma) tem nome e sobrenome: Paulo Martins, o arquiteto por formação e cozinheiro por vocação, que se tornou o primeiro chef famoso em Belém, praticamente institucionalizando essa nomenclatura para os chefes de cozinha entre nós. Este tal “Arroz paraense” dos dias de hoje foi batizado por ele simploriamente de “Arroz de Tacacá” e está lá no primeiro cardápio do restaurante “Lá em Casa” da Estação das Docas, nos idos de 2000. Fica na categoria “Pratos típicos de nossa criação” e aparece junto com “Picadinho de tambaqui”, “Haddock Paraense”, “Peru no tucupi”, “Filé Marajoara”, “Piramanga” e “Talharim à marajoara”. A descrição do prato é direta: “arroz feito no tucupi, jambu e camarão seco”.

 

Hoje é o “Ano -4” de Paulo Martins, que se foi em 2010, deixando um legado de extraordinária criatividade, hoje espalhado pelas cozinhas de casas e restaurantes de todo o Estado e pelo Brasil afora. Rompeu a tradição no uso de ingredientes centenários paraenses, de nossa melhor tradição indígena, dando a eles novos tratos e novas combinações, alcançando sabores únicos e, acima de tudo, gostosos.

Parte do título aí em cima “Estrela do Norte”, fui buscar em uma entrevista de Paulo Martins publicada em duas páginas da revista Cláudia Cozinha, em fevereiro de 2006, resultado de um papo dele com a chef dessa revista, Bettina Orrico:


CAROLINAS PARAENSES – Luiz Gonzaga ficaria espantado ao provar o cheiro das carolinas paraenses: priprioca, patchuli e cumaru. Ele, que cantou “O cheiro da Carolina”, a moça cheirosa em que todo mundo queria dar uma fungadinha... saberia que aqui era possível comer os deliciosos cheiros que antes apenas eram os perfumes das mais belas morenas paraenses. Foi outra das reconstruções gastronômicas de Paulo Martins, trazendo para a gastronomia o que antes só era usado pela cosmética e perfumaria, industrial ou popular: no VI Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, em 28/04/2006, ele apresentou a sobremesa “Sabores e Odores do Pará”, justamente três carolinas (o doce, obviamente) com três sabores/odores: priprioca, patchuli e cumaru. O patchuli não pegou, mas a priprioca e o cumaru são hoje atrações de primeira linha na cozinha contemporânea paraense e brasileira. A priprioca é uma queridinha de Alex Atala e o pudim com cobertura de cumaru frequenta os melhores restaurantes da cidade. Joanna Martins, filha de Paulo, resgatou a receita original da Carolina em Calda de Priprioca e publicou no perfil Facebook do Instituto Paulo Martins:


A cada ano, desde que o Paulo se foi, tenho dedicado espaço especial recordatório nos dias 9/9 a ele – além das citações durante o ano. É freguês deste blog... como eu tantos anos fui freguês dele, no “Lá em Casa”, restaurante que fundou e onde gestou tantas criações, tamanha revolução cultural na forma de tratar e apresentar a cozinha paraense, ampliando, mas sempre respeitando, profundamente, as nossas raízes culturais, com a utilização de nossos mais tradicionais ingredientes. Acho que este é o Dia da Cozinha Paraense!

Recorde as recordações:

2013 – “Um revolucionário no tratar e apresentar os ingredientes paraenses” – clicando aqui.

2012 – “A herança de Paulo Martins” – clicando aqui.

2011 – “Um legado de criatividade gastronômica” – aqui.

2010 – “Paulo Martins” – aqui



Escrito por Fernando Jares às 06h55
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