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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


MARAJÓ DESTACADO

ILHA É UM DOS MELHORES DESTINOS PARA IR EM 2016

A ilha do Marajó é um dos 14 lugares para visitar (ou ao menos sonhar em visita-los) em 2016, em lista anunciada pelo caderno de Turismo do jornal Folha de S. Paulo, coletando sugestões de “turistas profissionais”, isto é, gente que lida com turismo profissionalmente, basicamente jornalistas, blogueiros, gente da mídia e do turismo. As indicações são no Brasil e no exterior.

Do Brasil são apenas três indicações: Rio de Janeiro, Barra do Sahy (SP) e a paraense ilha do Marajó, a maior ilha fluviomarinha do mundo.

Marajó foi indicação da jornalista Adriana Setti, do blog “Achados”, no site “Viagem”, da Abril. Ela esteve recentemente na magna ilha e até elogia muito a lancha rápida que desde o final do ano passado, finalmente, faz um acesso de qualidade às maravilhas marajoaras. Sobre a passagem pelas ruas de Belém, elogiou o terminal hidroviário. Leia o que ela escreveu no “Achados”, muito bacana, sobre essa visita, justo comentando quando fez a indicação da ilha do Marajó, clicando aqui.

Para conhecer as 14 indicações da Folha de S. Paulo dê um pulo ao sítio eletrônico da Folha Turismo, clicando aqui.

A foto utilizada para ilustrar a indicação marajoara é do velho porto de Camará, para onde se ia no tempo do cansado ferry. Foto do excelente Janduari Simões para Folhapress:




Escrito por Fernando Jares às 17h47
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BELA GIL EM BELÉM

FILME SOBRE GASTRONOMIA BRASILEIRA
TERÁ PRÉ-LANÇAMENTO AQUI EM BELÉM


O destaque que a cozinha paraense vem obtendo no país e no exterior trouxe para Belém o pré-lançamento nacional do filme “Comer O Quê?”, do pesquisador cultural e filmmaker, Leonardo Brant. Será no próximo dia 11/02, às 18h30, na Estação Gasômetro. No filme, Brant promove uma série de questionamentos relacionados à alimentação. A produção servirá ao público brasileiro um prato cheio com sabores, reflexões, afeto, saúde, cultura e bem estar.

Segundo a sua produção, “Comer O Quê?” mostrará o cotidiano de personagens ligados à alimentação. Entre eles, a chef de cozinha natural Bela Gil, que estará presente na pré-estreia do filme aqui pelas ruas de Belém. Bela Gil é apresentadora do programa “Bela Cozinha”, no canal GNT e apresentadora do “Canal da Bela” do Youtube, que prega a alimentação consciente e saudável com sabor e qualidade. Além de Bela Gil, chefs de cozinha brasileiros renomados como Alex Atala, Helena Rizzo e Neka Menna Barreto compõem a história da produção, que conta ainda com produtores rurais, especialistas em nutrição, gastronomia e economia.

Todos esses chefs trabalham a valorização da cultura alimentar regional brasileira, mesmo que seja de outras regiões, como Atala, paulista que se embrenha na floresta amazônica a procura de sabores inovadores.

A produção do filme credita a paternidade desse movimento ao chef paraense Paulo Martins (1946/2010), que diz ser “o maior entusiasta e divulgador da cozinha amazônica. O impacto do trabalho de Paulo fez a gastronomia paraense ser percebida dentro e fora do Brasil. Se muitos jovens, hoje, podem seguir essa trilha parte disso se deve ao trabalho desenvolvido por ele de mostrar que uma nação só pode crescer culturalmente sabendo valorizar os frutos de sua terra. Paulo defendia que ter orgulho de nossas raízes seria o caminho mais rápido e efetivo para reconquistarmos nossa autoestima e brilharmos dentro e fora de casa.”

Veja o trailer do filme clicando aqui ou sobre a foto abaixo:


Segundo a assessoria de imprensa do filme “A escolha de Belém como cenário do pré-lançamento do filme “Comer O Quê?”tem um significado especial. A cidade recebeu recentemente, em dezembro de 2015, da Unesco, o título internacional de cidade criativa da gastronomia que oficializou não apenas a culinária, mas toda a cultura gastronômica de Belém como referência global. O título reforça o potencial da capital paraense de investir em atividades empreendedoras como, por exemplo, a criação do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade da Amazônia que será implantado ao longo dos próximos dois anos no centro histórico da cidade. O Centro prevê uma estrutura com escola de gastronomia, laboratório de alimentos, barco-cozinha, museu do alimento e restaurante, possibilitando ao público um mergulho em nossa cultura e biodiversidade, de maneira formal e legal. A criação do Centro é uma iniciativa do Instituto Paulo Martins, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Instituto Ata que tem como vice-presidente o cozinheiro Roberto Smeraldi que também estará presente no pré-lançamento.”

A especialíssima apresentação será no dia 11 de fevereiro, quinta-feira “santa”, após o carnaval, às 18h30, no Teatro Estação Gasômetro (Estação Gasômetro, Av. Magalhães Barata, 803, no Parque da Residência), com entrada grátis. Logo em seguida acontecerá um “papo gastronômico” com Bela Gil, Roberto Smeraldi e o diretor Leonardo Brant. Haverá um espaço para a aquisição dos livros da chef Bela Gil e um breve momento de autógrafos com a autora.



Escrito por Fernando Jares às 15h12
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UOL, OLHA BELÉM NA MÍDIA

UOL E FOLHA DE S. PAULO DESTACAM BELÉM

Olha a gastronomia trazendo mais boas notícias sobre Belém. É sem dúvida, a nossa pauta positiva, contra um monte de notícias negativas na mídia nacional!

O site de informações UOL publicou ontem dicas de pratos feitos, PFs ou pratos comerciais, representativos de cinco cidades brasileiras. O que o povo local gosta de comer na hora de matar a broca pelas ruas de cada cidade. E Belém é uma das cinco escolhidas em todo o país – e mais: Belém foi a cidade que rendeu a chamada na página inicial do UOL:

 

Com o título “De Belém a Porto Alegre, quais os PFs preferidos país afora?” o UOL publicou matéria sobre pratos popularmente consumidos no Rio de Janeiro, Salvador, Cuiabá, Porto Alegre e Belém.

Não são aqueles pratos que conhecemos pelas ruas de Belém como PFs, tipo arroz, bife, feijão, saladinha, farofa, ovo, por um precinho camarada, mas típicos regionais que o povo local adora e traça com felicidade e fidelidade. Por exemplo, representando Belém está o peixe frito com açaí – que eles dizem que se come salgado... quando o certo seria sem açúcar, como acompanhamento de pratos salgados... e quanto mais salgadinho, melhor, sumano, tipo pirarucu, jabá, etc.

Olha a dica sobre Belém. Para conhecer as outras cidades, clique aqui.


GASTRONOMIA INVENTIVA E PASSEIOS DE BARCO

O Caderno de Turismo do jornal Folha de S. Paulo, da semana passada deu um tremendo destaque a Belém, assunto da capa da publicação. Olha só:


Gostou dessa belíssima foto de Bruno Polinero/Folhapress? Então veja essa e outras de áreas próximas a Belém em um álbum da Folha, clicando aqui.

Na matéria “Esse rio é minha rua” são mostrados rios e furos por onde andamos quando não estamos pelas ruas de Belém. Em “Belém esconde a ‘Paris tropical’ do passado” fala de nossas riquezas arquitetônicas, destacando em belíssima foto de Paulo Lisboa/Brazil Photo Press o magnífico conjunto de casarões na margem da doca do Ver-o-Peso, um primor de lindeza que muito amo. Espie só:


Essa e outras fotos belíssimas você pode ver em outro álbum da Folha, clicando aqui.

A riqueza gastronômica belenense desponta em “Criatividade gastronômica pulsa e estimula turismo e produtores”, que conta da importância da gastronomia da cidade e valoriza o título de Cidade Criativa da Gastronomia, recebido da UNESCO; de como tudo começou, com o chef Paulo Martins (1946/2010); do restaurante “Lá em Casa” e as comidas regionais; dos restaurantes “Remanso do Bosque” e “Remanso do Peixe”, de Thiago Castanho; do Centro Global de Gastronomia e Criatividade, que começa a ser implantado este ano; do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, em maio e do festival internacional Encontros Gastronômicos, em agosto.



Escrito por Fernando Jares às 14h19
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DA AMAZÔNIA PARA O MUNDO

INGREDIENTES AMAZÔNICOS MOSTRAM VALOR

O sucesso dos ingredientes amazônicos para a alimentação ganhou destaque na edição do jornal paulista Valor Econômico de quinta-feira passada (30/01) que mostrou que esses produtos ganham, cada vez mais, espaço nas mesas de grandes restaurantes paulistas: “Produtos vindos da Amazônia ganham espaço nas mesas”. O texto é da jornalista Maria da Paz Trefaut, que conhece bem os ingredientes desta região, pois já escreveu o livro “Dona Brazi” sobre essa famosa cozinheira amazonense, parceira de Mara Sales, do paulistano restaurante “Tordesilhas”.

Veja o trecho inicial da matéria, que mostra que tudo começou pelas ruas de Belém:

Há cerca de uma década, alguns gurus da cozinha, como o catalão Ferran Adrià, apostavam que a descoberta dos produtos da Amazônia abriria uma nova fronteira gastronômica. Parece que a ideia, aos poucos, começa a se concretizar. Do cacau aos cogumelos, produtos nativos são identificados, cultivados e ganham espaço nas mesas de restaurantes.
Um personagem importante desse movimento foi Paulo Martins (1946-2010), criador do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, que apresentou a chefs de todo o mundo os ingredientes amazônicos. Hoje, em Manaus, há jovens seguidores desse movimento, como o catarinense Felipe Schaedler, do restaurante Banzeiro, que não só se rende aos temperos regionais como cultiva uma variedade local de cogumelos em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).”

Vale ser lida por inteiro, pois seguem relatos do trabalho de gente competente ligada aos produtos alimentares amazônicos, como Ana Luiza Trajano, do “Brasil a Gosto” (SP); o Felipe Schaedler e suas pesquisas pelo interior do Amazonas; destas bandas está lá o Cesar de Mendes e sua experiência de caçador/descobridor de cacau selvagem por nossos interiores, que já manda para o mundo; a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), que exporta cacau para o Japão; Alex Atala, que tem dado uma dimensão internacional a estes produtos; Morena Leite, do Capim Santo, que esteve recentemente em Belém (leia sobre a visita dela, clicando aqui); e o cativante Ofir Oliveira (que faz aniversário justo hoje, 01/02), que ganhou um merecido destaque na matéria com suas pesquisas e “restauros” de petiscos pinçados da história da gastronomia paraoara. O caboclo Ofir Nobre Oliveira, paraense nascido no Amapá, quando ainda era Estado do Pará, é o único Doutor em gastronomia na região.

O acesso à versão digital do jornal pode ser feito clicando aqui:




Escrito por Fernando Jares às 17h43
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IRAM DE SOUZA – JORNALISTA/CRONISTA

CRÔNICA HISTÓRICA E SENTIMENTAL DE BELÉM

O jornalista Iran de Souza, companheiro de lides jornalísticas de muitas luas amazônicas, embora nascido em terras outras (Pernambuco), mas cedo migrado para cá, aqui formado e aqui atado, lança proximamente um livro. Bom em entrevistar, dono de texto agradável, vai mostrar uma outra faceta, o cronista. E todos os que o conhecem estão ansiosos por ver e ler “Crônica histórica e sentimental de Belém” – o passado e o presente da primeira metrópole amazônica em 60 textos ilustrados. Pois é, não bastassem os valores intrínsecos do Iram, ele nos traz outro grande, de que este blog é fã desde muitos carnavais e que muitas vezes já andou cá por estas linhas virtuais, o artista plástico Sérgio Bastos, carioca por cá aportado desde criança, um verdadeiro parioca... ele sabe transformar comportamentos e formas de ser da cidade e dos belenenses, cenários pelas ruas de Belém, em belas ilustrações.

Segundo o Iran “o livro é um exercício de reflexão sobre a cidade à luz da história e da minha experiência pessoal. Ao escrevê-lo, busquei compreender objetiva e subjetivamente o lugar em que a Amazônia se inaugurou no tempo e no espaço, suas raízes, sua formação, sua cena contemporânea”. São 60 textos em 10 seções temáticas, crônicas que muitas vezes flertam com o ensaio e o jornalismo histórico.

Para o lançamento do livro foi criada uma campanha de financiamento coletivo (Crowdfunding) onde os amigos podem adquirir previamente o livro, contribuindo para sua edição. São valores a partir de R$ 40,00 (apenas um livro) até pacotes de 20 livros autografados com mais alguns itens promocionais. Para saber tudo sobre esta oportunidade, vá ao sítio eletrônico do livro, clicando aqui. Tem tudo sobre o livro, os autores, pacotes para compra, etc. Mas é somente até terça-feira, dia 02/02. Há que correr!! O meu eu já encomendei!!!


Olhaí uma das ilustrações do livro: o antigo trem da EFB – Estrada de Ferro de Bragança. Quando eu era criança pequena lá em Capanema, muito vi esse trem passar (minha escola, da professora Malcher, ficava na Barão de Capanema, em frente à estação do trem!) e muito andei nele nas idas e vindas a Belém – queimando a camisa com as fagulhas que voavam da locomotiva durante a viagem...



Escrito por Fernando Jares às 15h07
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VER-A-BOIA/2016

PROGRAMA HOMENAGEIA BOIEIRAS DO VEROPA

“Boia” quer dizer “comida, refeição”, segundo Vicente Chermont de Miranda no “Glossário Paraense”, que o autor explica ser termo de origem tupi, sendo equivalente no guarani a bohyi, sustento, comida. É termo muito usado nos interiores: os católicos têm a prática de pedir ao Senhor que abençoe a refeição que vão fazer. Uma vez ouvi, em andança por um desses interiores a seguinte oração: “Cristo que é joia, abençoa nossa boia”!

É boia a comida que se come em feiras e assemelhados. É boia a comida que se come na feira do Ver-o-Peso. Essa comida é feita por cozinheiras experientes, que dominam, de geração em geração, os segredos da melhor comida paraense tradicional ou até já modernizada. Elas são a alegria de milhares que, com fome, deliciam-se com seus pratos diariamente e são também a alegria daqueles que estudam/pesquisam a cozinha paraense. Assim como cozinheiros de restaurantes viraram chefs, sem deixarem nunca de ser cozinheiros, as cozinheiras do Ver-o-Peso viraram as boieiras, sem deixarem nunca de ser cozinheiras.

Não tenho certeza se foi o falecido chef Paulo Martins (1946/2010) que assim as denominou, mas sei que foi dele que ouvi, pela primeira vez, a expressão, justo quando ele pensava em integra-las ao festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”. Assim nasceu o “Jantar das Boieiras”, a mais completa tradução desse festival, integrando a cozinha paraense de raiz (...sem trocadilho com a mandioca sempre presente) com os conhecimentos de grandes chefs nacionais e internacionais: elas fazem seus pratos tradicionais e os convidados fazem os acompanhamentos.

O trabalho delas foi valorizado, conhecido, receberam visitas ilustres, especialmente de muitos chefs, deram entrevistas.

No bojo dos festejos dos 400 anos de fundação de Belém elas ganharam um programa criado pela Universidade Estácio de Sá do Pará, (que em breve vai ter seu curso de gastronomia): o programa Ver-a-boia – Qualificação, Cultura e Gastronomia no Veropa. Para conhecer sobre o programa visite seu sítio eletrônico, clicando aqui.

Na primeira etapa do projeto, dez boieiras participaram de um curso para capacitação que teve início no dia 11 de janeiro com duração de cinco dias. Na capacitação elas puderam trocar conhecimentos com chefs de cozinha paraenses e, com eles, produziram novos pratos. O projeto realizado pela Universidade Estácio de Sá contou com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Instituto Mix de Profissões, Associação Comercial do Pará (ACP) e da Prefeitura Municipal de Belém com o projeto “Belém 400 anos”.

 

Esta semana as dez boieiras que fizeram parte desta primeira etapa do Ver-a-Boia receberam o certificado de participação no Projeto (foto acima, de Tiago Silva), assim como as donas dos três melhores pratos, escolhidos em concurso popular, participando de cerimônia na Secretaria de Turismo, que apoiou o evento.

A primeira colocada foi Lúcia Torres, que ganhou uma passagem aérea Belém/São Paulo/Belém ofertada pela ACP e também um estágio de imersão no restaurante Capim Santo, sob a orientação da chef Morena Leite. A premiada integrará ainda a equipe de chefs de cozinha que representará o Pará no “Paladar-Cozinha do Brasil”, a ser promovido em setembro, em São Paulo, pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

A segunda colocada, Eliana Ferreira, ganhou duas passagens Belém/Salvaterra/Belém na lancha rápida da Tapajós. Por fim, a terceira colocada Maria Luíza ganhou um final de semana com acompanhante em Belém, no Hotel Princesa Louçã, oferecido pelo Belém Convention & Visitors Bureau (BCVB) e Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH/PA).

Além dos prêmios entregues, uma parceria entre a Setur e Ceasa garantiu a concessão de um bônus no valor de trezentos reais em produtos alimentícios para as três primeiras colocadas do festival.

 

Na foto acima (Divulgação Setur) da cerimônia de premiação aparecem o diretor geral da Estácio, Ricardo Gluck Paul; o coordenador da comissão organizadora do Belém 400 anos, Eduardo Klautau; o Diretor do Instituto Mix de Belém, Hugo Fischer; o vice-presidente da Associação Comercial do Pará, Miguel Sampaio; a Gerente de Unidade de Comércio e Serviço do Sebrae – PA, Renata Rodrigues; a vencedora do concurso, Lúcia Torres; o Secretário de Estado de Turismo, Adenauer Goés; e Uênia Lira, da Ceasa. Os coordenadores do Projeto são Ney Messias e Lorena Saavedra.



Escrito por Fernando Jares às 18h40
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COMIDA DE RUA

CENTRO DE EXCELÊNCIA

O Grupo Formador que trabalha para a implantação de um Centro de Excelência de Comida de Rua em Belém teve na semana passada a sua primeira reunião deste ano. O grupo reúne instituições e profissionais ligados à alimentação e gastronomia pelas ruas de Belém, interessados em criar condições de melhor qualidade na comida de rua desta cidade, tanto em termos de ingredientes como na qualificação de quem a produz. O grupo trabalha com apoio da Universidade Federal do Pará/Fórum Landi para montar fisicamente a instituição naquelas outrora belíssimas casas da chamada Ladeira do Castelo, que liga a área do Ver-o-Peso ao Largo da Sé. Para saber mais sobre este projeto, inclusive as fotos do local e do projeto de restauro das casas que a UFPA já está implantando lá, leia “Excelência em comida de rua em Belém” clicando aqui.

Nessa reunião foram tomadas providências de andamento dos acertos que estão acontecendo visando estabelecer condições de criação e funcionamento do projeto, com apoio do Senac – fundamental para que a ideia se torne realidade, pela experiência do Senac em ações deste tipo, que terá a qualificação dos agentes como um dos pontos de destaque. A UFPA também participará ativamente no que se refere à pesquisa em relação aos ingredientes utilizados na comida de rua belenense.

Veja abaixo uma preciosidade: o conjunto de casas históricas da Ladeira do Castelo – cedidas pela Arquidiocese de Belém à UFPA – como estará na monumental maquete do centro histórico de Belém que está em produção e montagem (na foto, feita na mesa de montagem das maquetes, vê-se ao fundo o Solar da Beira). A maquete, que ficará no prédio do Fórum Landi, no Largo do Carmo, vai abranger os bairros da Cidade Velha e Campina, da Presidente Vargas para baixo, até o rio. Todos os principais prédios dessa área merecerão reprodução detalhada, com modernos recursos de plotagem, como se vê nesse conjunto de casas. Os demais prédios terão apenas a indicação de volume.

 



Escrito por Fernando Jares às 18h49
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SU’AVES RENASCEU

A VOLTA DO FRANGO MAGUENHÉFICO

Quem tem um pouquinho mais de idade lembra que, há uns tantos anos, o sucesso em aves (e muitos outros produtos alimentares) aqui em Belém era a “Su’Aves”´, um estabelecimento ali na Alcindo Cacela, mais ou menos na altura do Umarizal, onde havia de um tudo em assados e congelados. Mas o forte era o frango assado, que levava uma multidão lá todos os domingos pela manhã, disputando um lugar para deixar o carro, numa época em que não se praticava esse estúpido exercício da fila dupla... Foi um dos pioneiros na cidade, se não foi o primeiro, ainda no tempo em que chamavam esses assadores de frango de “tevê de cachorro” (os bichinhos olhavam extasiados para os frangos assando – assim como muitos humanos também olhavam...) e utilizavam carvão para assar. A casa tinha uma variedade de alimentos como peixes, mariscos, aves diversas e etcs que nem lembro mais. Só lembro que Rita e eu fazíamos uma festa cada vez que lá íamos, ela controlando a conta e eu querendo tudo quanto era petisco...

Mas o tal frango era o motivo de tudo. Tinha até um apelido promocional: “Maguenhéfico”, notória homenagem ao jornalista e radialista Edgar Proença, que usava o termo associando-o a magnífico (até acho que ele criou esse termo). Ao que me confirmou o Janjo Proença, neto de Edgar (fundador da Rádio Clube), o proprietário da Su’Aves era amigo e fã do queridíssimo Edgar.

Pois bem, o seu Hermógenes, fundador da Su’Aves, de saborosa memória em muitos belenenses, deve estar satisfeito: a Su’Aves voltou!

Uma outra ave que renasce, desta vez pelas ruas de Belém, a quatrocentona. Voltou pelas mãos da terceira geração da família, com Fabrício Paiva, neto do “seu” Hermógenes.

Por enquanto a "Galeteria Su'Aves" tem somente o produto que era o principal ícone da antiga casa: o frango na brasa, agora nas assadeiras mais modernas, pois eles ainda não conseguiram encontrar um modelo só no carvão.

O tempero foi preservado o mesmo dos antigamente, fórmula ainda mantida por um tio do proprietário, que veio a Belém para ensinar sua preparação exclusiva.

O resultado? Um frango macio, textura agradável, perfumado, cheio de sabor, um sabor natural que, juro, trouxe à lembrança aquele antigo paladar que tanto nos atraía à Alcindo Cacela. Um frango verdadeiramente maguenhéfico! Em nada lembra esses frangos tipo de supermercado, que só tem gosto de glutamato... A farofinha ainda precisa de pequenos ajustes.

Olha, que se eu fosse a jornalista Rejane Barros este post teria como título: “Encare que eu garanto”!!!

A nova “Galeteria Su”Aves” fica na Diogo Móia, entre Generalíssimo e 14 de março, nas proximidades do antigo endereço. Funciona de 10h às 14h. Quando lá estive tinha frangos de R$ 20,00 e R$ 25,00, optei pelo segundo, mais gorducho...




Escrito por Fernando Jares às 18h16
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WINE DINNER/JANEIRO

MENU PARAENSE COM VINHOS SELECIONADOS

O primeiro Wine Dinner do restaurante “Benjamin” neste ano que é agora, quinta-feira, 28/01, associa-se aos festejos dos 400 anos de Belém e festeja também a indicação de Belém como Cidade Criativa da Gastronomia no mundo, pelas Nações Unidas, via UNESCO. O chef Sérgio Leão preparou um cardápio todo sobre delícias de diversas regiões do Pará, utilizando insumos legitimamente paraoaras de forma criativa e com técnicas da gastronomia contemporânea, para produzir delícias pelas ruas de Belém, cuidadosamente harmonizadas com vinhos por ele pesquisados, provados e aprovados, como informou a este blog. Veja a seguir o cardápio previsto para esse pantagruélico encontro:

Wine Dinner do dia 28/01/2016

MENU PARAENSE

Amuse Bouche

Primeira Entrada
Do Estuário ao Manguezal
Ostras, Caranguejos e Camarões
Harmonização – Espumante Chandon Reserve Brut

Segunda Entrada
Do Tapajós e Arredores
Pirarucu dessalgado, Feijão de Santarém, Piracuí e Banana da Terra
Harmonização – Vinho Remhoogte Chenin Blanc

Primeiro Prato
Do Araguaia e Tocantins
Tucunaré, Manteiga de Garrafa, Mandioca e Castanha-do-pará
Harmonização – Vinho Morandé Pioneiro Chardonnay

Segundo Prato
Dos Campos e Florestas Marajoaras
Mignon de Búfalo, palmito e bacuri
Harmonização – Vinho Canepa Gran Reserva Carmenere

Sobremesa
Da Floresta
Pupunha, Mel de Uruçú e Café
Harmonização – Vinho Sauternes

O jantar, nesta quinta-feira, 28/01, começa às 21h e é importante chegar na hora para não perder as rodadas dos pratos & vinhos. O valor por pessoa é R$ 160,00, incluindo ainda água mineral, refrigerantes e café expresso.

 

Dos rios e da floresta vêm boa parte do cardápio paraense deste Wine Dinner. (Foto João Ramid/Divulgação Setur)



Escrito por Fernando Jares às 19h14
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BIODIVERSIDADE CULINÁRIA

SANTO DE CASA FAZ MILAGRE, SIM SENHOR!

Nos idos de 2005 o jornalista Paul Richardson ouviu do chef Ferran Adriá, em uma palestra sobre culinária na Espanha, que a grande fronteira desconhecida da culinária mundial era a Amazônia. E Adriá citou um chef no Brasil que estava fazendo grandes coisas com alguns dos ingredientes mais estranhos da terra. Citou, inclusive um tal “eletric cress”, ou “agrião elétrico”! O nosso jambu. (ele conhecera o jambu levado à Espanha por Paulo Martins, justo nesse ano – já contei essa história aqui no blog, sobre a visita de Adriá a Paulo Martins. Para ler, clique aqui).

Richardson muito se interessou pela história, passou a ler sobre o tema e acompanhar sua evolução. Não demorou muito e lá estava ele a andar pelas ruas de Belém em busca dessa cozinha exclusiva. E do mestre dela, Paulo Martins, aquele mesmo que Adriá havia elogiado na palestra um ano e meio antes, que Richardson qualificou como “um chef visionário” na abertura da longa matéria que escreveu para a conceituada revista nova-iorquina Gourmet Magazine, em novembro de 2006. “Jungle Fever”, titulou a matéria, antevendo a verdadeira “febre” pela cozinha amazônica paraense que se espalhou pelo Brasil e no mundo nos anos seguintes.

Joanna Martins, filha de Paulo, desencadeou todo esse assunto ao publicar no Facebook um anúncio de 2006, do restaurante “Lá em Casa”, veiculado na revista “Prazeres da Mesa” de dezembro desse ano:


Caso esteja difícil ler o texto acima, ele está cá a seguir:

QUEM DISSE QUE SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRE?

A edição de novembro da revista Gourmet, editada em Nova Iorque e uma das mais importantes publicações sobre gastronomia do mundo, brinda seus leitores com a matéria Jungle fever, uma reportagern especial de oito páginas sobre a exótica culinária amazônica que esta sendo conhecida e apreciada agora pelos mais renomados chefs de cozinha do mundo Para a Gourmet o principal responsável por essa nova tendência que mistura ervas e raízes amazônicas, peixes de rio e frutas tropicais é o chef Paulo Martins, do restaurante Lá em Casa, de Belém do Para, que existe desde 1972 e até hoje é comandado por Paulo e sua mãe Anna Maria. E naquela época, muita gente dizia que só por um milagre um restaurante que funcionava no porão da casa da família daria certo.

Quando vier a Belém, conheça o restaurante Lá em Casa e descubra o paladar que está conquistando o mundo. Mesmo que o Paulo Martins esteja de mala, cuia e isopor em alguma cidade do planeta divulgando a nossa gastronomia você não vai esquecer do sorriso contagiante e do abraço amigo da dona Anna. E esse também e um tempero que nenhum outro restaurante do mundo tem.

Paul Richardson derrama-se em detalhes e elogios ao que viu e experimentou pelas mãos de Martins, confirma o pioneirismo de sua ação inovadora na cozinha e divulgadoras pelas cozinhas país afora e divulga com ênfase a tradição indígena conservada na cozinha paraense. Ao final ainda faz um glossário, explicando ao mundo, com suas palavras, o que é açaí, alfavaca, bacuri, chicória, guaraná, cupuaçu, jambu, maniçoba, pirarucu, pupunha, tacacá, tambaqui, tamuatá, tapioca, tucupi, etc.

Você pode ler esse interessantíssimo texto, de quase dez anos passados, indo ao sítio eletrônico da Gourmet Magazine, clicando aqui.

 

Na ilustração um painel das gostosuras exclusivas de nossa gastronomia como açaí, farinha de tapioca, buriti, chicória, cupuaçu, tucunaré, jambo, guaraná em pó, jambu, maniva, mandioca, peixes do Ver-o-Peso, maxixe, papaya, tamuatá e pimentas.



Escrito por Fernando Jares às 18h53
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ATRAÇÕES DE QUATROCENTONA

CORES, CHEIROS E SABORES DE BELÉM

A gastronomia talvez seja o elemento cultural que carrega os traços mais reveladores de um povo. Ela diz muito sobre a sua história, seus hábitos, sua economia, sua visão de mundo e até sobre suas relações interpessoais.
A gastronomia paraense confirma cabalmente essa afirmação. Original, autêntica, forte no paladar e na lembrança, índia, negra, portuguesa, caribenha, rio, terra, raiz, floresta, tradicional e moderna, caseira e universal. Feita em grandes porções, para compartilhar, para celebrar a vida e a amizade
.”
 Simão Jatene, Governador do Pará, na Apresentação, por ele assinada, do livro “Gastronomia do Pará – Sabor do Brasil”, de Álvaro do Espírito Santo e Fernando Jares Martins, lançado em 2014.

Da mesma forma como Simão Jatene considera que a gastronomia paraense confirma cabalmente o valor cultural da gastronomia como manifestação humana, o programa “Belém 400 anos”, produzido pela TV Liberal, de Belém, confirma cabalmente o raciocínio de Simão Jatene sobre a nossa exclusivíssima cozinha paraense. O programa, de 35 minutos, faz um percurso completíssimo pelas Cores, Cheiros e Sabores de Belém. Tá tudo lá, sumano. Do tradicional ao mais moderno, do tacacá ao cachorro quente de picadinho (que agora também já chamam de carne moída... coisa de sulista) petisco que só existe pelas ruas de Belém! os sorvetes, os peixes, o chef Ofir, a participação onipresente de Paulo Martins, as meninas do Paulo Martins, que continuam sua revolução, bebidas nossas, cafés. E tem os perfumes mais tradicionais da cidade. O Ver-o-Peso virado do avesso com ervas, erveiras e boieiras.

Texto correto, cenas bonitas, apresentação dinâmica, um conjunto muito bom, que precisa ser registrado, preservado, difundido para suas listas de amigos, parentes e aderentes. Uma sugestão: que a TV Liberal o preserve entre seus “Especiais”, garantindo longa vida no arquivo da emissora aberto ao público.

A cena abaixo, captada logo no início do programa, mostra uma convivência de diferenças no Veropa (como é chamado o Ver-o-Peso na intimidade belenense). Urubus e garças observam a diversidade de alimentos para o dia, provavelmente eles de olho nos mortos e elas de olho nos vivos. Como os milhares de pessoas que circulam por lá todos os dias.

Veja o programa na página do G1, disponível inteiro ou em três blocos, clicando aqui. O endereço, para você copiar e enviar aos amigos é este, para deixar a turma com água na boca...: http://g1.globo.com/pa/para/belem-400-anos/noticia/2016/01/conheca-cores-cheiros-e-sabores-de-belem.html

 



Escrito por Fernando Jares às 19h01
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400 ANOS DE ALIMENTAÇÃO

APROXIMAÇÃO GASTRONOMIA & ACADEMIA

Iniciando um acervo de trabalhos de cunho acadêmico sobre a alimentação e cultura gastronômica do Pará, o Instituto Paulo Martins premiou ontem os vencedores do concurso “400 anos de alimentação em Belém”, promovido por esse Instituto visando aproximar-se mais da academia, como disse Joanna Martins, diretora executiva do IPM. Joanna, falando ao final da cerimônia, destacou a importância da aproximação de todos os segmentos que trabalham com a gastronomia paraense, especialmente no momento em que esta conquista reconhecimento e projeção internacional, como no recebimento do título de Cidade Criativa da Gastronomia pelas Nações Unidas (UNESCO.).

O ato de premiação teve lugar na sede do Instituto Paulo Martins, que vai aproveitar uma antiga casa a ser restaurada, onde funcionou a lanchonete “JB-254” de Paulo Martins. Na parte posterior do prédio já estão sendo feitas obras como a construção de salas de aula – como esta onde foi feita a premiação.


Os premiados ou seus representantes receberam certificado e o prêmio em dinheiro, como informado em post anterior, que você pode ler clicando aqui. Em virtude de dois estarem morando em outras cidades, enviaram representantes.

Na fotos acima Daniela Martins, vice-presidente do Instituto Paulo Martins e Elenice Teixeira, representante do primeiro lugar Fabrício Herbert da Silva; a chef Ilca Carmo, membro do júri que escolheu os melhores trabalhos e Leonardo Guerreiro, representando Hellen Christina de Almeida Kato que conquistou o segundo lugar; e o redator deste blog, que também fez parte desse júri, com Wilma Marques Leitão, o terceiro lugar no concurso.

 

Na foto acima parte dos presentes: os já citados nas premiações com Joanna Martins e Mônica Maia, do Instituto Paulo Martins.



Escrito por Fernando Jares às 17h24
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TURISMO

ATRAÇÕES DA BELÉM QUATROCENTONA

O que mostrar ao visitante na quatrocentona Belém do Pará? Foi mais ou menos respondendo a essa indagação a pauta da conversa que tive, na noite de ontem, com o jornalista Mauro Bonna, no “Argumento”, programa que comanda às segundas-feiras na RBA/Band. Mauro tem um conceito muito realista do turismo, afinal já foi do ramo, quando presidiu a Paratur – época em que tínhamos papéis invertidos: entrevistei-o muitas vezes, pois eu era Editor de Turismo do jornal A Província do Pará, onde assinava a coluna dominical “Pró-Turismo” e ainda produzia e apresentava o programa semanal (aos sábados) “Cultura Turismo”, na Rádio Cultura FM.

Foi uma conversa agradável de 25 minutos (foto abaixo), que você pode ver no canal do “Argumento” no You Tube, clicando aqui.




Escrito por Fernando Jares às 21h37
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BELÉM, 400 ANOS

BELÉM, BELÉM, BELÉM,
BIMBALHAM OS SINOS,
PELAS RUAS DE BELÉM

Os que dormem um pouco mais hoje foram acordados por alguns fogos, tiros de canhão no Forte do Castelo e pelos sinos de igrejas a bimbalhar pelas ruas de Belém, como acontecia nos séculos passados, quando um grande evento marcava a vida da cidade. Era alguma festa grande, a morte de alguém importante, posse de dirigentes ou de novo bispo, chegada de um ilustre ao porto, etc.

Essa festa lembrou-me um conto (será mesmo um conto?) muito interessante, “A conversa dos sinos”, com que o escritor, professor e acadêmico vigiense, José Ildone Favacho Soeiro conquistou o primeiro lugar na categoria “Igrejas” e em todas as categorias no “1º Concurso Literário Funtelpa/Rádio Cultura”, nos idos de 1987 – época em que o radialista e escritor Orlando Carneiro presidia a Funtelpa. No texto o consagrado escritor registra um diálogo entre os sinos das diversas grandes igrejas de Belém. E com ele comemorou os 371 anos de Belém. Há 29 anos!

Vale ler. Vale recordar. É grandinho, mas é muito bom e praticamente serviria para hoje. Por exemplo, a igreja de Santo Alexandre, que naquela época padecia looooonga restauração está prontinha, desde 1998 – mas os sinos não tocam mais.

 

O Forte do Presépio, no tempo em que foi escrita esta história, como no postal daqueles tempos.

Adequado para um presente à cidade e aos leitores, neste dia festivo belenense:

A CONVERSA DOS SINOS

José Ildone Favacho Soeiro

(Domingo. Antemanhã. Trânsito mínimo. Parte da cidade ainda dorme; parte acorda. Madrugadores conversam nos bares. As feiras se agitam na penumbra. Abrem-se as portas dos templos. Falam os sinos.)

DA SÉ

- Mais um domingo, dos incontáveis que marcam meu bronze. Preciso avisar que hoje é dia de missa. Quantas vezes já fiz isso? Minha velhice não se mede pelos cabelos brancos, mas pelos dobres e este amolgamento das minhas bordas seculares. Ah, escuto outro.

DO CARMO

- Oi, sino da Catedral. Você hoje acordou mais cedo. Será verdade que quanto mais se vive, mais se acorda cedo?

DA SÉ

- É verdade, amigo velho. Quanto mais se vive, mais se precisa ganhar tempo e ir vencendo os galos no despertar do dia.

DO CARMO

- Mas já não temos os galos com que porfiar. Isso há muito. O arvoredo, nos grandes quintais, foi derrubado As casas se multiplicaram. Os galos estão no Ver-o-Peso, postos à venda. Já não cantam mais, chamando o sol e os trabalhadores de enxada aos ombros. A cidade cresceu e silenciou os poleiros.

DA SÉ

- Em compensação, encheu as ruas de muito barulho. Mesmo agora num domingo preguiçoso, os carros passam acordando muita gente com o ronco dos motores.

DO CARMO

- Neste caso, os motoristas é que são os sineiros. Os carros são o bronze que rola no asfalto

DA SÉ

- E nós, aqui, solitários. Não será porque nos colocaram muito alto, nestas grossas e orgulhosas torres?

DE SANTANA

- Ah meus amigos, deixem eu entrar na conversa. Mas antes, uma reclamação: vocês nem ouviram minha voz, porque acordaram hoje muito tagarelas.

DA SÉ

Desculpe, amigo. Não foi de propósito. É que, nesta fase da velhice, alguns assuntos nos absorvem demais.

DO CARMO

- Você notou, Sino de Santana, que nós comentávamos a ausência dos galos cantando para a manhãzinha e o barulho dos carros sufocando nossos dobres.

DE SANTANA

- Notei, amigos. Inclusive o Sino da Sé reclamando da solidão e do distanciamento das torres. Os barulhos lá de baixo são mais poderosos para quem vive lá embaixo.

DA SÉ

- Já pensaram, amigos, se nós não pudéssemos conversar um pouco, durante a semana, nestas raras vezes que os irmãos sineiros nos dão voz?

DE SANTANA

- Mas nós temos amigos que vivem calados, infelizmente. . .

DO CARMO

- Nem é preciso procurar a causa, nestes tempos de desprestígio que atravessamos.

DE SANTANA

- Dias atrás, o Sino das Mercês me segredou que já se considera quase morto. Essa confissão me deixou muito triste.

DO CARMO

- Não é para menos, companheiro...

DA SÉ

- Se no mínimo os viventes desta época lembrassem quanto anúncio já fizemos, durante nossa vida...

DO CARMO

- São poucos os que lembram o passado. Há em torno de nós uma sede mortal de viver o presente.

DA SÉ

- E tudo passa com os nossos dobres...

DO CARMO

- Mas é preciso levantar o moral, amigos. Lembremos nossos tempos de brilho: o repicar para as missas solenes, as grandes ladainhas do mês de Maria...

DA SÉ

- A posse dos governantes.

DO CARMO

- A morte dos governantes e dos mais humildes governados.

DE SANTANA

- Nós já fomos o relógio da cidade, também, tocando em três momentos importantes: o amanhecer, o meio-dia e o anoitecer.

DA SÉ

- Nós vimos o chão destas ruas sombreado pelas ramas, amolecido pelas chuvas, empoeirado no verão. Tudo era muito natural e gostoso, no colorido dos frutos, flores e folhas, no ranger das rodas das carroças...

DO CARMO

- Mas vimos também muita fumaça, correrias medonhas, sangue derramado. Ouvimos discursos inflamados, brados de comando, ovações de vitória e soluços, gemidos...

DE SANTANA

Um momento, amigos. Escutem! Há vários repiques nesta redondeza. Devem ser os companheiros de Santo Antônio, do Rosário da Campina, da Trindade. E de outras igrejas mais novas.

DA SÉ

- Com certeza são eles chamando quem gosta de rezar. E nisto alguns levam vantagem sobre nós: é que as igrejas modernas são mais baixas e seus campanários mais ao rés-do-chão e dos homens.

DO CARMO

- Temos um amigo que faz grande falta nesta conversa domingueira.

OS DEMAIS SINOS

- O Sino de Santo Alexandre.

DA SÉ

- Exatamente, amigos. Quando havia seminaristas por aqui, Santo Alexandre tinha voz e encantava a gente. Agora, miro aquela torre soturna. Tudo é silêncio por lá. O bronze tem a forma de uma gota chorada pelo templo.

DO CARMO

- Lembram da saída do Círio, quando todos os sinos de Santo Alexandre tocavam a Ave Maria? Lembram o imenso olhar dos romeiros, cheio de emoção?

DE SANTANA

- Falou em Círio, agitou os mais orgulhosos sinos de Belém.

DA SÉ

- É verdade, amigos. Escutem. O carrilhão da Basílica acordou.

DA BASÍLICA

- Bom dia, amigos. Estávamos escutando essa gostosa conversa entre lábios seculares. Esses queixumes, cobertos de razão. Mas não pensem que somos, aqui, nestas torres tão admiradas, os sinos mais felizes. Agora, por exemplo, suamos o bronze para vibrar as paredes indiferentes dos edifícios. Os espigões nos cercam e é como se vivêssemos entre muros. E lá de baixo, sobem as buzinas e o vozerio do trânsito, numa agitação que vai se estender pelo dia inteiro... Nós também temos nossas mágoas.

DA SÉ

- Entendemos, amigos. Muitas vezes o rosto não reflete o que anda no coração.

DE SANTANA

- Mas os amigos da Basílica de Nazaré têm sua quinzena de glória, em outubro.

DA BASÍLICA

- Nem sempre é assim, amigo, pois o barulho do trânsito, somado ao do arraial e dos foguetes sempre afoga nossa voz...

DO CARMO

- Que direi eu, companheiros, distante que fico dessa rota maravilhosa de outubro. Um irmão enjeitado — é como me sinto.

DE SÃO RAIMUNDO

- Consola-te, meu amigo do Carmo. Estou eu aqui em São Raimundo e sofro os mesmos problemas.

VÁRIOS OUTROS SINOS

- Ah, nós também curtimos essa dor. Nós que estamos espalhados pela periferia de Belém.

DA SÉ

- Calma, amigos. Por que tantas lamúrias? Vejam como o sol chega e vai polindo toda esta querida Santa Maria de Belém! Observem que só nós e os poetas estamos, por ora, bebendo este licor solar. Isto já é um motivo de alegria. Nenhum de nós deve querer ser mais do que é. Cumprir uma missão, com fidelidade, é ato nobre. Que outros objetos podem imitar os nossos puros dobres? Cada vez que nós quebramos o silêncio, nossa existência fica mais sagrada.

DO CARMO

- Belém cresceu demais. Entretanto, não cresceu sem nós.

DE SANTANA

- Que seria desta metrópole sem os campanários que a viram nascer e se espraiar nos bairros mais distantes, que reuniram e reúnem na fé, tantos habitantes?

DA BASÍLICA

- Seria menos festiva esta cidade ornada de mangueiras, se nós não tocássemos, alegres, no seu mais emocionante dia de outubro.

DA SÉ

- E temos outro motivo de alegria: pela tricentésima septuagésima primeira vez, Belém renasce, neste 12 de janeiro. Ela volta a ser aquele aglomeradozinho do Presépio dentro duma paliçada, humilde, mas voltada para o futuro como uma ponta de lança.

DO CARMO

- Desde o primeiro dia de colonização até hoje, ela se fortaleceu no sangue dos heróis e nos planos dos construtores, no dom dos artistas e na ação dos homens públicos, na atividade das máquinas e na palavra da imprensa, no turvo das águas e na luz das escolas, nos ângulos semelhantes e nos contrastes.

DE SANTANA

- Ela chega hoje à condição de cidade principal da Amazónia, reunindo mais de um milhão de criaturas, na ânsia eterna de vida sadia e de prosperidade.

DA SÉ

- Amigos, o sol está bem alto, as ruas se agitam bastante, o ofício está terminando. É hora de sossegarmos. Antes, porém, saudemos este aniversário de Belém, com a sagrada vibração da nossa voz!

(Quem está nas ruas, avenidas, bares, praças, janelas, ergue o rosto e põe-se a escutar. Um bimbalhar enorme cobre todos os demais ruídos da urbe. Por que tantos sinos tocam assim, inesperadamente, uníssonos, sobre Belém do Pará?)

FELIZ ANIVERSÁRIO, QUATROCENTONA BELÉM!

FELIZ ANIVERSÁRIO, BELENENSE!



Escrito por Fernando Jares às 10h42
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400 ANOS DE ALIMENTAÇÃO

A QUATROCENTONA COZINHA PARAENSE
PELAS RUAS DE BELÉM

O Instituto Paulo Martins premia amanhã os trabalhos vencedores do concurso “400 anos de alimentação em Belém”, promovido por esse Instituto com o objetivo de estimular a pesquisa sobre a alimentação e ingredientes consumidos na capital ao longo de sua história. O concurso faz parte das ações do IPM voltadas para o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” que, neste 2016, irá homenagear os 400 anos da capital paraense. O edital foi lançado no dia 09 de setembro e as inscrições encerraram em 09 de dezembro passado.

Trata-se de um precioso levantamento de estudos acadêmicos que resultaram de pesquisas cuidadosamente realizadas por estudantes ou profissionais, embrenhando-se na história ou na vida de quem se relaciona com a alimentação pelas ruas de Belém, desde os inícios de nossa civilização belenense.

Vamos aos vencedores, com as resenhas elaboradas pelo Instituto Paulo Martins:

1º lugarFabrício Herbert da Silva natural de Santa Izabel do Pará e que atualmente mora em Itaquaquecetuba (SP). Fabrício é estudante da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e inscreveu o trabalho "Uma receita da Belle-époque. O Receituário da Mãe de Família e os hábitos alimentares da população de Belém entre 1897 e 1900". O trabalho aborda os hábitos e práticas alimentares da classe mais abastada da população de Belém a partir da publicação de receitas culinárias na coluna “Receituário da Mãe de Família”, entre os anos de 1897 e 1900, no centenário jornal A Província do Pará – que circulou até o início deste século XXI. A publicação de receitas diversificadas na coluna popularizou o saber culinário. As recomendações e dicas tinham como objetivo auxiliar as esposas, mães e donas de casa nas atividades e administração do lar. Por outro lado, as receitas culinárias abordavam as experiências gastronômicas das famílias abastadas e suas tentativas de modificar os cardápios e a substituição dos ingredientes locais pelos da cozinha europeia. As receitas sugeriam, por exemplo, que o pirarucu fosse feito com molho de coco ou desfiado com ovos e ainda ensinavam a fazer doces com o pastel de nata.

2º lugar – Hellen Christina de Almeida Kato, paraense, moradora de Palmas (TO) e estudante da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Hellen inscreveu o trabalho "Aldeia dos Tupinambás, Santa Maria do Grão Pará, Belém: 400 anos de saberes e sabores". Um dos destaques da pesquisa diz respeito aos hábitos alimentares dos índios Tupinambás, que estão entre os primeiros habitantes da Amazônia. Os Tupinambás plantavam milho, mandioca, batata doce, taioba (folha rica em amido e vitamina A usada na alimentação humana e animal), cará, jerimum, feijões e pimenta. Os indígenas se dedicavam ainda à caça, pesca e criação de tartarugas. De acordo com o trabalho de pesquisa, além da variedade de plantios, a natureza havia presenteado as terras Tupinambás com uma grande variedade de frutos como cajus, araticu, cupuaçu, araçá, piquiá, cumaru, urucum e ingá os quais os indígenas transformavam em deliciosos vinhos.

3º lugar – Wilma Marques Leitão, também paraense, autora do trabalho "Patrimônio culinário e economia regional no mercado do Ver-o-Peso". Wilma mora em Belém e é formada pela Universidade do Rio de Janeiro. Sua pesquisa aborda como a venda de produtos típicos da culinária paraense, sejam os pratos consumidos no mercado, ou os ingredientes vendidos para a sua preparação, movimenta extensas redes de comercialização no entorno de Belém, identificando os circuitos regionais de produtos e a importância do próprio mercado no contexto da região. As informações levantadas constataram o importante papel desempenhado pelo mercado do Ver-o-Peso como centro de redistribuição para outras feiras da cidade, supermercados e até feiras de outras localidades do Pará, mas sua área de influência se estende pelo estuário e pelas localidades do rio Guamá e do interior.

Três profissionais integraram a banca de avaliação dos trabalhos: a chef de cozinha Ilca Carmo, proprietária do restaurante “Santa Chicória”; o historiador e professor da Universidade Federal do Pará, Aldrin Moura de Figueiredo; e o escriba cá deste blog, jornalista especializado em gastronomia Fernando Jares Martins.

O concurso premia amanhã, na sede do Instituto, o primeiro lugar com a quantia de R$ 3.000,00 (três mil reais) em dinheiro. O segundo e terceiro lugares vão receber a quantia de R$ 1.500,00 (hum mil reais) em dinheiro cada um.

 

O jornalista Ismaelino Pinto publicou ontem, em sua coluna no jornal O Liberal, esta belíssima foto de d. Anna Maria Martins, por Luiz Braga. Uso-a hoje para ilustrar este post porque ela é a grande dama da cozinha paraense, a fada-madrinha da cozinha paraoara, sua grande patrona. Matriarca de uma linhagem de profissionais de cozinha que inclui seu filho, neta e bisneta! Soube elevar os chamados pratos regionais a um patamar de reconhecimento internacional. Só merece nossas homenagens e eterna admiração e saudade. Lá de cima deve estar feliz com tudo que está acontecendo na gastronomia paraense.



Escrito por Fernando Jares às 17h45
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