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PELAS RUAS DE BELÉM


MANO, OLHE A VIGIA NA TEVÊ

PARA CONHECER AS BANDAS DA VIGIA DE NAZARETH


 A primeira vez que vi a Igreja de Pedra, estava detonada.
Agora está toda bonitinha e aparece assim na televisão.

Vigie só, mano, a Vigia tá na tevê! Justo e muito certo: a quase quadricentenária cidade de Vigia de Nazareth, logo ali, pertinho, mas que muita gente daqui nem conhece, vai ser mostrada nacionalmente em um documentário premiado pelo DOCTV - Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro.

Trata-se do “Saudades de Minha Terra”, que conta a história das duas grandes bandas musicais vigienses, a “31 de agosto”, fundada em 1876, e a “União Vigiense”, fundada em 1916. Atuais e ex-integrantes das duas instituições participam com depoimentos que possibilitam traçar a história das bandas e sua relação com a própria identidade do município. Quem, ouvindo falar de “Banda 31 de agosto”, por exemplo, não lembra de Vigia?

Entre 12 e 18 de julho o documentário estará sendo visto em todo o país, nas emissoras ligadas à rede DOCTV, que premiou o documentário.

Pelas ruas de Belém ele será visto na TV Cultura no dia 16/07, quinta-feira próxima, às 23h, com reprise no domingo, 19/07, às 22h. Os horários são meio avançados e bem que a TV Cultura poderia criar outros, que atingissem mais facilmente jovens, estudantes, para conhecimento do imenso patrimônio cultural que é a vizinha Vigia de Nazareth.

Um personagem revive o compositor vigiense Isidoro de Castro que, provavelmente em Cametá, no final do século XIX, compõe a música “Saudades de Minha Terra”, o que serve de linha condutora ao programa.

As imagens foram captadas em Vigia, de agosto de 2008 a janeiro deste ano e movimentam 15 entrevistados, quatro personagens, 38 figurantes e mais de 100 músicos. Cenas de época foram criadas, seja para esse compositor, seja, por exemplo, para a procissão do Senhor Morto, que foi gravada em janeiro, mas na verdade acontece na Semana Santa. Ao todo, quase 200 pessoas foram movimentadas para esta realização.

Com 52 minutos de duração, o argumento é do jornalista vigiense Nélio Palheta, o roteiro de Bernadete Mathias, a direção do Nélio e do Aladim Jr., da TV Norte Independente, que é produtora associada.

A obra que dá título ao documentário é executada no final, pela Vigia Big Band, a caçula das bandas, regida pelo mestre José Vale que é o intérprete do compositor.

Vamos ter a oportunidade de rever a beleza histórica da Vigia. Quem não conhece, não deve perder. E depois, ir lá conhecer pessoalmente. Muitas cenas foram gravadas na Igreja Matriz Madre de Deus e na Capela do Senhor dos Passos, muito conhecida como Igreja de Pedra, já que é toda construída em pedras sobrepostas, sem reboco! Obra do século XVIII, dos jesuítas, com mão-de-obra dos índios.

Nesses dias, vou estar congelando em Floripa, mas vou descobrir o dia em que será possível ver na TV Cultura de SC.



Escrito por Fernando Jares às 17h08
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A RAPIDINHA DE UM PORTUGUÊS EM BELÉM

PREMIER FAZ "VOO RASANTE" EM BELÉM

Na chegada ao aeroporto, o primeiro-ministro de Portugal fala aos jornalistas. Eu estou atrás dele, depois, o governador Alacid Nunes.
Em seguida, Abílio Couceiro, que já foi assunto neste blog (clique aqui), como um dos melhores repórteres de televisão do Pará,
estica o braço com o microfone – ouvindo o visitante para a Rádio Marajoara. Eu cobria a visita para a Rádio Clube do Pará.
Foto de A Província do Pará, 09/07/1969. Eram 5h30 da madrugada!

Pouco mais que um voo rasante. Foi assim a passagem do primeiro-ministro de Portugal por Belém, há exatos 40 anos, em 8 de julho de 1969. O prof. Marcelo Caetano, como era conhecido, era sucessor de Oliveira Salazar, ditador português que ficou no poder entre 1932 e 1968. Marcelo Caetano ficou poucos anos no cargo, apeado pela Revolução dos Cravos, o golpe militar de abril de 1974.

A visita foi mesmo parecida com voo rasante: o premier lusitano chegou às 5h15, em um “gigantesco Boeing 707 da TAP” como registrou o colega de A Província do Pará, na edição do dia seguinte, e embarcou novamente na mesma aeronave, às 7h25. Isso mesmo, 130 minutos. Ou 126 minutos, em cálculo ainda mais rígido do colega da Folha do Norte! Mais rápido do que a comitiva da FIFA que veio avaliar Belém...

Acontece que esta parada foi uma escala, já que a visita oficial do presidente do Conselho de Ministros de Portugal ao Brasil começava por Brasília.

O mandatário luso foi recebido pelas mais altas autoridades locais, à frente o governador Alacid Nunes e o prefeito Stélio Maroja e tomou café ainda no aeroporto. Depois seguiu para um passeio pelas ruas de Belém, estilo visita panorâmica, para ver o Forte do Castelo, os palácios Lauro Sodré e Antonio Lemos, as principais igrejas e casarios coloniais. Houve uma parada no monumento a Pedro Teixeira, ali no início da Presidente Vargas, doação da colônia portuguesa que havia sido inaugurado três anos antes, em 1966, dentro das comemorações dos 350 anos de fundação da cidade. O visitante depositou uma corbeille aos pés da estátua do desbravador e foi homenageado com a medalha dos 350 anos de Belém.

Falando à imprensa (eu estava lá, como repórter da Rádio Clube do Pará), Marcelo Caetano disse da satisfação de fazer sua primeira visita ao Brasil como presidente do Conselho de Ministros e “que esta satisfação é maior ainda por fazê-lo em Belém, a mais lusitana das cidades brasileiras”.

Uma curiosidade, para entender a importância desta visita para as autoridades lusas: a comitiva contava com 59 jornalistas convidados. Outra: o comandante do avião era o coronel João Craveiro Lopes, filho do ex-presidente de Portugal, Francisco Higino Craveiro Lopes, que visitou Belém em junho de 1957, quando cá veio também o jovem João. Mas isto é história para outra vez.

Quando referi acima que a Província publicara a matéria no dia seguinte, assim como também o fez a Folha do Norte, foi porque O Liberal publicou a cobertura da visita ainda no mesmo dia. Justifique-se: o jornal ainda era vespertino, embora já comandado por Romulo Maiorana. A primeira página foi quase inteiramente ocupada por este assunto, com um pequeno boxe sobre um incêndio, ocorrido na madrugada, em uma loja de motores e máquinas, na Castilhos França – que veio a atrapalhar o roteiro da visita das autoridades, desviando-o para a 15 de novembro.

Após o golpe de abril, Marcelo Caetano veio viver no Brasil, onde foi professor na Universidade Gama Filho, pois era jurista, especializado em direito administrativo e história do direito, autor de diversos livros.


 Alacid Nunes apresenta ao premier o monumento a Pedro Teixeira,
aparecendo ainda Abílio Couceiro e o prefeito Stelio Maroja.
Eu estou aqui na ponta esquerda, a postos com meu gravador Phillips (quase pré-histórico, aquele tijolo branco, embaixo...).
Foto na Folha do Norte, 09/07/1969.

 O primeiro-ministro ladeado por Walter Guimarães (O Liberal) e Abílio Couceiro (Marajoara).
Eu (Clube) estou de sombra, atrás do premier, tendo ao lado o governador Alacid Nunes.
Foto em O Liberal, 08/07/1969.



Escrito por Fernando Jares às 16h55
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A BÍBLIA, A SEVERA E O MACHADO

DA BÍBLIA MILENAR AO INTELECTUAL PARAENSE CENTENÁRIO

Uma bíblia com mais de 1.600 anos, considerada a mais antiga do mundo, agora está disponível, em grande parte, na internet. Isso é fantástico. Qualquer pessoa pode acessar o precioso documento que, antes, era privilégio das pessoas que podiam ir a um dos museus onde estava uma parte do livro.

Segundo o G1, “Por 1,5 mil anos, o manuscrito ficou preservado em um mosteiro na Península do Sinai, no Egito. Em 1844, ele foi encontrado e dividido entre Egito, Rússia, Alemanha e Grã-Bretanha.” (texto completo, aqui).

Agora, juntaram as partes e colocaram o texto restaurado disponível no site Codex Siniaticus. Para acessar, basta clicar aqui. O milenar livro foi não apenas digitalizado, mas também transcrito, para que todos possam entender, mais facilmente, o que lá está escrito.

Essa notícia entra aqui porque me lembrou duas histórias interessantes.

A primeira é que algo semelhante acaba de ser feito aqui mesmo em Belém. Um documento quase centenário, o processo do assassinato de Severa Romana, foi integralmente digitalizado e também transcrito (digitado) pelo Centro de Memória da Amazônia e está disponível para qualquer pessoa consultar. Foi um trabalho cuidadoso, paciente, que Amanda Cristina, do CMA, realizou ao longo de sete meses, mergulhando em cada página, em cada personagem. O resultado, além do produto disponível no site do CMA, foi motivo para uma palestra feita por ela em recente seminário sobre Severa Romana. O link direto para o processo transcrito está aqui. Aí você pode também fazer um passeio pelas ruas de Belém dos tempos de Severa Romana, em fotos muito bem cuidadas.

A segunda história, que lembrei, a partir da tal divisão da bíblia milenar, eu a ouvi da professora Célia Bassalo, em recente evento literário na UFPA, sobre seu pai, o escritor, leitor, tradutor, homem de letras, Machado Coelho, que neste 2009 completa centenário de nascido. Dono de uma fantástica biblioteca, cuidava de cada livro como se fora único, insubstituível (eu sempre gostei dele e, ao saber este pormenor, esta afinidade, fiquei mais fã ainda...). Certo dia ia Machado Coelho no bonde, pelas ruas de Belém, lendo atentamente um livro novo. Senta-se a seu lado um conhecido que comenta sobre o livro e interessa-se por ele. Machado Coelho diz então que, emprestaria o livro, após a sua leitura, obviamente. O conhecido pede então o livro e diz algo assim: “vamos dividir o livro e eu começo a ler logo”, rasgando-o ao meio, separando as páginas já lidas, com as quais ficou, e devolvendo as ainda não lidas ao atônito Machado Coelho. Que desceu na parada seguinte e foi a uma livraria comprar um livro novo!

Encontrei um artigo de Machado Coelho, publicado em A Província do Pará, em 1976, no blog Haroldo Baleixe. É sobre o patrimônio cultural de Belém, chegando até ao hoje quase destruído palacete Faciola, em possível restauração. Vale a leitura!  Está aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h11
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UM CARRO PARA DOIS

O NOVO FORTWO JÁ ANDA CÁ

 

Lançado no Brasil há uns dois meses e com apenas uma revenda no país, em São Paulo, o smart fortwo já circula pelas ruas de Belém. Não sei se há mais, mas um eu fotografei, noite destas, em frente ao palácio Antonio Lemos, na praça D. Pedro II. Vermelho com detalhes em preto, como na foto acima – a luz era muito pouca no local, mas deu para aplicar um trato e ficou assim. Para compensar, tem uma foto oficial do carrinho, lá embaixo.

O smart fortwo (é assim que se escreve, tudo minúsculo, para passar a idéia de que é mesmo pequeno) é um compacto tipicamente urbano, para duas pessoas, como o nome indica, marca da Mercedes-Benz, que faz muito sucesso, já há tempos na Europa. No começo do ano passado ganhou os Estados Unidos e o sobrenome fortwo, pois antes era apenas smart City-Coupé. Conheci-o na Europa, em 2006, presença em todo canto. Gostei dele e trouxe... uma miniatura, que comprei em Roma.

O que está sendo comercializado no Brasil é importado da França, tem motor traseiro, de 999cm³, velocidade máxima de 145km/h, câmbio automático, freios ABS, airbags, controle de estabilidade, ar condicionado, CD, etc. e custa em torno de R$ 60 mil. Na Europa anda ao redor dos 11 mil euros. Usados em Portugal, há muitos na faixa de 7 a 9 mil euros.

O nome é uma combinação de Swatch (isso mesmo, dos relógios, pois é criação de Nicolas Hayek, que concebeu os Swatch), Mercedes e “art”.

Conheça o smart fortwo diretamente na revenda, clicando aqui.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h55
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SACRABALA EM NOVOS TERRITÓRIOS

O ÔNIBUS QUE VIROU MÚSICA

Um texto legal abriu matéria sobre mudanças na linha de ônibus mais famosa de Belém, dos conhecidos Sacrabala, ops, Sacramenta-Nazaré, em O Liberal, nesta sexta. Tão pelas ruas de Belém... que decidi transcrever esse trecho. Pena que não esteja assinada, para saber quem a escreveu. Veja só:

Rodando pelas ruas de Belém desde a década de 1970, a linha de ônibus Sacramenta-Nazaré faz parte de muitas histórias da cidade. Difícil achar entre os que dependem ou já dependeram do transporte público coletivo quem não tenha atravessado parte da travessa 14 de março a bordo de um Sacramenta - ou 'sacrabala', como tornou-se conhecido graças, segundo a lenda, à velocidade com que passava pelas paradas de ônibus. Em sua homenagem, Almirzinho Gabriel compôs uma música homônima. Os versos exageram: 'O lance é que esse bonde passa perto de qualquer lugar'. A partir de amanhã, no entanto, o exagero poético volta a ganhar corpo. A linha Sacramenta-Nazaré ampliará seu trajeto e passará também pela avenida Pedro Álvares Cabral e pela travessa Alferes Costa.

Quem quiser ler o texto integral, basta clicar aqui.

E, para festejar o final se semana, vamos ouvir a conhecida criação de Almirzinho Gabiel, um canto às linhas de ônibus que circulam pelas ruas de Belém, na voz de Mahrco Monteiro e Lucinnha Bastos, como está no BregaPop, o site que tem as nossas músicas. Clique aqui.

Para acompanhar, a letra de “Sacramenta Nazaré” está aqui.



Escrito por Fernando Jares às 23h25
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DO COMER DECENTE EM FORTALEZA

Conjunto da obra: nas laterais, o feijão verde, no centro, a carne de sol.

Sexta-feira destas contei aqui sobre um requintado restaurante de Fortaleza, o Camarões/Beira Mar. Hoje vou falar de outro restaurante muito bom da capital cearense, onde estive há poucas semanas, até para atender leitor novo por aqui: é o “Docentes e Decentes”. Muito bom. É numa linha mais popular, bem simples, mas muito conhecido e tradicional na cidade. Você encontra lá um tal “Feijão Verde à Docentes e Decentes” que, pelo menos para a Rita e para mim, tornou hoje impossível ir a Fortaleza e não pintar por lá. Sem implicações heréticas: é divino! Dizem os bons frequentadores de restaurantes que o prato que leva o nome da casa é meio caminho andado para ser o melhor, por motivos óbvios. Concordo – e, neste caso, confirma-se a regra sem necessidade de exceção.

O feijão verde, sempre muito fresquinho, vem em uma terrina de barro, borbulhante, em creme de leite, queijo coalho em cubos, charque, legumes, salsa, cebolinha e os temperos adequados, segredo da cozinha.

Acompanhamos com uma “Carne de sol à Docentes”, que é uma segunda confirmação à regra sobre o nome da casa etc. Recomendação do garçom. Ela vem acompanhada de baião de dois, macaxeira frita, paçoca (mas fazem muito bem esta paçoca!) e banana à milanesa.

Como é restaurante aberto para a rua (Santos Dumont) a cerveja, bem gelada, é servida em uns copos de corpo baixinho, para não esquentar com o vento. Gostei disso, com minha mania de cerveja sempre bem gelada.

Conheci um blog italiano, o Conosciamo Fortaleza, de um apaixonado pela cidade (e por uma cearense...) que afirma sobre este restaurante: “Garantisco: una delizia”. Aproveite para dar uma olhada em outras dicas culinárias desse italiano sobre a terra de Iracema no “Piccola guida culinária di Fortaleza”.



Escrito por Fernando Jares às 17h16
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PULANDO N’ÁGUA NO SHOPPING


Maior sol pelas ruas de Belém, megacalor do verãozão que está chegando, entro no shopping Pátio Belém e dou de cara com uma piscinona ali naquela arena do piso térreo. Bolas gigantes flutuando na água, com gente dentro! Eu também quero!

Miragem?

Avancei e encarei a realidade: uma grande instalação, "Fantastic Ball", informam as atendentes. É o que você vê na foto aí em cima. Duas grandes bolas infláveis, transparentes. Crianças são colocadas em seu interior, as bolas são infladas e, então, jogadas em uma piscina. Aí bate a criatividade da galerinha. Levantam, caem, pulam, algumas conseguem descobrir o ritmo que faz as bolas “andarem” sobre as águas.

A vontade era entrar na brincadeira, mas, prudentemente, procurei uma atendente, para saber qual o limite de peso para entrar nas bolas. 60 quilos ela disse. Ufa, tenho 40 a mais! Fiquei ali, olhando aquela felicidade da molecada, invejando os pequeninos e os magrinhos. Meu amigo Edvaldo, com seus 55 quilinhos, se quiser, pode entrar, recordando-se de quando pulava no rio Tapajós, em dias de calor mocorongo.



Escrito por Fernando Jares às 21h45
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DIA DE SANTA SEVERA ROMANA

SERÁ ESTA UMA SANTA DO PARÁ?

Túmulo de Severa Romana no cemiterio de Santa Isabel. Fiz esta foto domingo passado, 28/06.

“Jovem e pobre criatura que, assediada pela conquista de um celerado, resistiu à sedução e, assim, preferiu morrer às mãos do cruel conquistador a manchar a sua honra de esposa amantíssima, ciosa de seus deveres conjugais”.

É assim que a “santa” popular paraense Severa Romana – cuja data de morte é celebrada hoje, 2 de julho – é descrita pelo escritor Jacques Flores, no livro “Severa Romana (A Mártir Paraense)”. Trata-se da primeira obra que efetivamente estudou este caso, tendo sido lançada em Belém em 1956. Jacques Flores era como assinava seus livros de crônicas e poesias, artigos para revistas e jornais, o paraense Luis Teixeira Gomes (1898-1962). Anteontem conheci a edição original desta obra, com dedicatória do autor a Nazareno Tourinho. A citação feita aí na abertura do texto eu a busquei no livro “Memória do Cotidiano”, volume 1, de Lúcio Flávio Pinto.

Fosse Severa inscrita nos livros dos santos da igreja católica, hoje seria o dia de Santa Severa Romana. Enquanto isso não acontece, o povo usa-a como intermediária na apresentação a Deus de seus pedidos de graças e de agradecimentos, na certeza de que ela, pelo martírio que sofreu, vive nos esplendores da luz perpétua.

Este fenômeno popular está sendo estudado estes dias em Belém, como já noticiado neste blog, em um evento de muito boa qualidade, promovido pelo Centro de Memória da Amazônia.

Os registros sobre Severa são poucos. Além do livro de Jacques Flores, há a peça de Nazareno, que no original é drama em três atos, de que já tratamos anteriormente aqui, e um famoso cordel, de autor e data desconhecidos, possivelmente dos anos 1940, que foi reeditado pela Edufpa para o Museu da UFPA, também sem data, mas com introdução de Vicente Sales e com atualização linguística. E o famoso processo judicial, restaurado, digitalizado e todo digitado, o que facilita enormemente o trabalho dos pesquisadores, até porque está disponível no site do CMA. Não esquecer que o original era manuscrito...

Abaixo veja duas capas do cordel com a “História Completa de Severa Romana”, na versão mais antiga, não sei se a original, com ilustração sem autor identificado. Acho que a comprei pelo final dos anos 1960, com o sr. Oliveira, no Aparador 26, no Mercado de Ferro. No meio daquela imensidão de peixes amazônicos, este Oliveira vendia uma infinidade de folhetos de cordel, pois, além de ter lá quase tudo que se editava em Belém, era representante das maiores editoras do Ceará. Ao lado, a versão mais recente, com ilustração de Marcus Reis de Queiroz.

 

SEMINÁRIO – Prossegue hoje o seminário “A memória de Severa Romana: de mulher a santa popular”, onde o prof. doutor Heraldo Maués conversará sobre a devoção popular na Amazônia (vi um livro dele na livraria NewsTime, sobre este assunto, mas caríssimo!) e apresentação do documentário “Severa Romana” seguida de bate-papo com os diretores Sue Pavão, Rei Helyan e Bio Souza.



Escrito por Fernando Jares às 14h19
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SEVERA ROMANA E O NAZARENO

SEVERA ROMANA DEIXA NAZARENO EM ESTADO DE GRAÇA

O escritor Nazareno Tourinho foi longamente aplaudido ontem, ao encerrar sua palestra sobre Severa Romana, a santa popular paraense, no seminário “A memória de Severa Romana: de mulher a santa popular”, promovido pelo Centro de Memória da Amazônia. Uma platéia jovem – Nazareno e eu éramos os mais velhos, bem distantes do terceiro colocado... – aplaudiu entusiasticamente o escritor que apresentou uma pesquisa riquíssima em fatos e dados, sobre a figura em estudo no evento. Declaração notoriamente emocionada de NT ao final da longa salva de palmas:

- Estou em estado de graça!

Como sempre, competente e irreverente, o autor da peça “Severa Romana” (e outras tantas de sucesso nacional) soube agradar a todos. Foi uma tarde muito boa, da qual vou falar outro dia, ao comentar o encontro. Mas não poderia deixar de registrar este momento. Nazareno tem sido muito esquecido, para o muito que ele já produziu na cultura paraense.

Hoje o seminário prossegue e vamos ouvir a história de Severa Romana cordelizada, por contadores de histórias (ontem publiquei uma quadra deste poema popular) e conhecer trabalhos de pesquisa sobre devoção popular.

Ah, esclarecendo uma dúvida do post de ontem: a data da morte de SR é mesmo 2 de julho, não há a menor dúvida. Foi erro mesmo de quem escreveu que foi em novembro...

Quem quiser saber mais sobre Severa Romana (inclusive conhecer o processo judicial do julgamento do assassino), assim como as ações do Centro de Memória da Amazônia, dê uma passada no site deles. Tem coisas muito legais. Basta clicar aqui.



Escrito por Fernando Jares às 13h26
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A OUTRA GRANDE GRIPE

 

COMO FOI A GRIPE ESPANHOLA NO PARÁ

No início do século passado uma gripe varreu o mundo, entre 1918/1919, no final da 1ª Grande Guerra Mundial. Morreram entre 20 e 40 milhões de pessoas – a diferença é tão gritante porque os controles eram deficientes, mas há pesquisadores que apontam para número até acima desse máximo. Foi a chamada gripe Espanhola, um dos maiores eventos de doença contagiosa da história.

Ela também andou cá, pelas ruas de Belém. Lembro-me de ter ouvido, mais de uma vez, quando criança, a história de um médico amigo da família que, atendendo centenas de doentes, alojados até nos corredores do hospital onde atendia, chegou a um momento tal que, bateu no ombro de um paciente e disse: “por favor, afaste-se um pouco, que chegou a minha hora de deitar, a gripe pegou-me também”. Obviamente, ele escapou... pra contar a história.

Mas muitos morreram, talvez uns mil. Número altíssimo para aquela época.

O historiador Ernesto Cruz (em História do Pará, vol. 2, pág. 793, Univ. do Pará, 1963), registra o relatório de 1919 do governador Lauro Sodré (referente a ocorrências de 1918) onde se afirma que “a epidemia aumentou no mês de novembro e decresceu e extinguiu-se no mês de dezembro, atingindo, nesses três meses a 757 óbitos a cifra da mortalidade”. Números oficiais, portanto, reduzidos a três meses.

Ernesto Cruz descreveu assim a situação da cidade naquela época:

“A gripe tomou conta de Belém. Os jornais de 20 de outubro noticiavam que mais de 3.000 pessoas estavam gripadas. Todos os Hospitais, Casas de saúde, ficaram repletos de doentes. A cidade perdeu sua característica habitual. Tudo era desolação. Sucediam-se os enterramentos, a todas as horas do dia ou da noite. As Farmácias não tinham mais capacidade para atender os doentes. Uma autêntica calamidade pública.”

O mestre pode ter carregado nas cores, até ajudado pela linguagem, geralmente um tanto escandalosa, dos jornais da época neste tipo de assunto, mas a verdade é que a cidade foi bastante atingida.

Lembro de gripes como a Asiática, que derrubou muita gente por aqui, muita falta em aula, etc. Mas a Espanhola foi a campeã, inclusive pela sua alta letalidade.

Naquele 1918, além dos hospitais de isolamento – S. Sebastião e S. Roque – “que foram adaptados a receber doentes acometidos do mal”, diz o mesmo relatório, o governo estadual criou mais um, temporário, “que funcionou no Grupo Escolar ‘Benjamin Constant’ e que, instalado em 11 de novembro, funcionou até 15 de dezembro”. A escola existe até hoje, na Manoel Barata. Segundo o relatório de Lauro Sodré citado por E. Cruz, “nestes hospitais foram admitidos 458 gripados, sendo registrados 90 óbitos”. Comparando com o número de mais de 3 mil doentes, apenas em outubro, o atendimento estatal foi bem fraquinho... a coisa já vem de longe, portanto.

Uma curiosidade: alguns registros apontam que na ilha do Marajó não foi registrado nenhum caso de contaminação da gripe Espanhola.

Neste século XXI esperemos que a nova gripe mundial, que acaba de aportar por aqui, seja melhor controlada e confiemos na sua baixa letalidade, pelo que anunciam e apontam as estatísticas. Sem pessimismos. Fé em Deus e na Severa Romana! Que sejamos marajoaras!

 



Escrito por Fernando Jares às 13h04
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SANTA POPULAR EM SEMINÁRIO

QUEM É SEVERA ROMANA?

Santa, digna de um dia estar nos altares da igreja católica? Personagem desenvolvida pelo povo, a partir de um fato real, em busca de destacar valores que preza e deseja ver praticados? Produto da mídia iniciante do começo do século XX, que circulava pelas ruas de Belém?

Essas indagações sobre quem é Severa Romana, maranhense, criada no Ceará e assassinada em Belém, em 1900, vão ser discutidas a partir de hoje no seminário “A memória de Severa Romana: de mulher a santa popular” que trabalhará sobre as várias linguagens e interpretações que se tem sobre Severa Romana, por parte de pesquisadores e devotos. Já falei sobre SR neste blog, ao comentar a encenação da peça sobre a vida dela.

Assim registrou sua morte um cordelista desconhecido:

 "Vencera-lhe o monstro a vida
mas a honra não tombou.
Fiel Severa morreu,
ao bruto não se entregou,
o mais sagrado dever
a jovem esposa elevou."

Segundo informa o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA, o evento acontece até o dia 2 de julho no auditório do Salão Transversal do Museu do Estado, promovido pelo Centro de Memória da Amazônia. O tema do Seminário também quer abrir espaço para discussões sobre a violência contra a mulher e a devoção popular.

“A história de Severa desperta muito interesse e curiosidade, por isso o evento não tem apenas o cunho acadêmico, mas quer agregar todas as informações, por meio dos relatos e testemunhos, que se tem sobre essa santa popular”, explica o historiador Otaviano Junior, docente da Faculdade de História da UFPA e diretor do Centro de Memória da Amazônia.

Espero, inclusive, que esclareça a dúvida existente na própria Universidade, sobre o dia da morte de Severa. No site do IFCH, aqui, afirma que é 2 de julho. O site da Imprensa da UFPA, aqui, afirma que é 2 de novembro (como já vi citações em outras fontes). Em ambos os sites está a programação completa.

No túmulo de Severa Romana, onde estive recentemente, está escrito 2 de julho, depois de amanhã. Por sinal este seminário seria exatamente para marcar os 109 anos do assassinato da jovem - e não 108 anos como registram as duas fontes citadas...

Local: Salão Transversal do Museu Histórico do Estado, Palácio Lauro Sodré Praça Dom Pedro II, s/n. Cidade Velha. Belém. PA.

Centro de Memória da Amazônia: Travessa Ruy Barbosa,491, bairro do Reduto, telefone 3252 2843.



Escrito por Fernando Jares às 11h58
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FAFÁ FALA FORTE DE BELÉM

“BELÉM É UMA CIDADE ÚNICA...MAS ESTÁ MUITO ABANDONADA”

 Fafá de Belém botou a boca no trombone e disse umas belas verdades ontem, sobre a cidade que lhe cedeu o nome e que ela ajuda a divulgar, quer alguns queiram ou não: na medida em que é profissional de sucesso, aqui e no exterior, leva de forma positiva (e alegre, principalmente, o que tanto precisamos!) o bom nome da cidade e de quem vive pelas ruas de Belém. Mas ela reclamou da cidade – e está coberta de razão, infelizmente!

Primeiro foi com o bom jornalista Ronaldo Brasiliense, paraense que também passou pela grande escola de A Província do Pará, em sua coluna “Por Dentro”, em O Liberal. Perguntou para a Fafá como ela vê nossa cidade. A resposta merece ser reproduzida:

“Belém é uma cidade única, mas está muito destruída. Belém tem um povo fantástico, um sabor especial, uma graça única, mas está muito abandonada e muito suja. Muitos monumentos nossos foram colocados abaixo, a praça da República está completamente insegura e a praça Batista Campos está cheia de carrocinhas de tudo. A impressão que fica para quem vem de fora é muito ruim.”

Mais adiante ela toca em um ponto importantíssimo: “Aqui em Belém não tem controle, não tem gabarito. Como é que pode em toda a beira do rio ter prédio de 37, 39 andares? Isso não pode! Não pode acabar com a ventilação, mudar o rumo dos ventos...”

A entrevista completa você pode ler no blog do Brasiliense, clicando aqui.

Mas não ficou aí. Na coluna que ela assina na revista Troppo escreveu que “Pará é Paris” e conta a brincadeira que sempre fez, dizendo que no Pará, “nosso verão é em julho”, como em Paris, gozando a cara de cariocas, paulistas, etc. Eu também acredito assim: vocês notaram que agora, no dia 21 de junho, quando a Europa festejava o primeiro dia do verão, foi também nosso primeiro dia inteiramente de sol da presente temporada?

(Ops, estou escrevendo isto e caiu o maior toró! Mas deve ser uma chuva de verão...)

Em sua coluna a nossa cantora maior passa dicas de programas super legais na capital francesa. Mas acontece que ela veio direto de Paris para Belém. Aí, o choque foi inevitável, ao comparar como as autoridades de lá tratam os bens públicos e o que acontece entre nós. Quem não leu na Troppo de ontem, pode ler clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 16h58
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O PAYSANDU ATLÉTICO É CARIOCA

EXISTE UM PAYSANDU DE UM TÍTULO SÓ!

O Paysandu Atlético Clube citado ontem na coluna do jornalista Ancelmo Gois, obviamente nada tem a ver com o Paysandu Sport Clube, de Belém. Esse outro Paysandu é do Rio de Janeiro e disputou o campeonato de futebol, tendo sido o primeiro vice-campeão do Estado, em 1906, quando o certame aconteceu pela primeira vez e teve o Fluminense como vencedor. O Paysandu Atlético foi campeão carioca de 1912, mas ficou nesse título, enquanto seu parceiro no primeiro, o Fluminense, tem hoje 30 títulos, apenas um a menos do que o Flamengo. O Paysandu de muitos torcedores pelas ruas de Belém é o líder em campeonatos estaduais no Pará, com 43 títulos, conforme o jornalista Ferreira da Costa em seu livro “Remo X Paysandu – 700 jogos”, recentemente lançado.

A versão carioca do clube ainda existe e segundo o colunista Ancelmo Gois, ontem, em O Globo/O Liberal, anda em bronca judicial: “a 20ª Câmara Cível do TJ do Rio determinou que o Paysandu Atlético Clube aceite o companheiro do sócio Klas Stefan Martinsson, Washington Carlos Santos Silva, como seu dependente. O clube negara a inscrição por entender que a categoria dependente não incluía casais homoafetivos. Causa ganha pelo advogado Manuel Peixinho.”



Escrito por Fernando Jares às 14h11
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ESTUDIOSO PESQUISA CULINÁRIA DO PARÁ

PRODUTOS PARAENSES NA GASTRONOMIA BRASILEIRA

Especialista em gastronomia, estudioso do tema e chef com passagem, como fundador e sócio, por restaurantes paulistanos como o “Santa Gula” e “Vira Lata”, Eduardo Duó esteve em Belém. Desde o ano passado, de posse de um diploma de especialização (e tem Tribunal que acha que diploma de nada vale...) e com a experiência acumulada, passou a prestar consultoria na área. Já colaborou até com roteiro de novela, na questão gastronômica. Por sinal, Eduardo Duó tem graduação em jornalismo e em gastronomia, além da pós (e tem Tribunal, etc.).

No desenvolvimento de seus conhecimentos acadêmicos, agora pesquisa para um livro sobre a gastronomia brasileira e seus produtos. “Não se trata de um livro de receitas”, faz questão de ressaltar, mas de uma análise sobre desenvolvimento da gastronomia em nosso país, “especialmente em relação ao momento atual, de grandes transformações”, ressalta.

E como ele veio parar aqui, pelas ruas de Belém? Porque muito por elas andou na semana passada e com ele jantei, no restaurante Lá em Casa/Estação das Docas, a convite de Tânia Martins. Que comento abaixo.

Nos estudos que Duó desenvolve, deparou com importância atual dos produtos da culinária paraense na composição gastronômica brasileira.

E aí, encontrou a figura exponencial do chef paraense Paulo Martins, como o grande divulgar deste tesouro gastronômico, para o Brasil e para o exterior, além de ser o grande renovador de nossa culinária, elevando-a ao mais alto nível, em escala mundial. Tanto que hoje ele é citado pelo mais importante chef do mundo, o catalão Ferran Adrià, que até já veio a Belém, para visitar Paulo Martins.

Eduardo Duó identifica dois grandes marcos na gastronomia nacional contemporânea:

(1) a chegada dos grandes chefs franceses ao Brasil, na década de 1980, como Claude Troisgros e Emmanuel Bassoleil, trazendo a novidade da Nouvelle Cuisine Française, que revolucionava a tradicional cozinha francesa desde a década anterior, e que permitiu que eles incorporassem aos seus cardápios as delícias tropicais como jabuticaba, maracujá, manga, etc.

(2) a escalada da culinária paraense, que se espalhou pelo Brasil, já neste século, fazendo com que especialidades como tucupi, jambu, açaí, farinha de tapioca, cupuaçu, bacuri, entre outros, aportassem nas cozinhas dos grandes chefs. Identificou então a presença do chef Paulo Martins como o principal responsável pela divulgação dos produtos e ingredientes paraenses em viagens, festivais, palestras e cursos, trabalho que culminou com o evento “Ver-o-Peso da Cozinha Paraense”, um dos mais bem sucedidos festivais gastronômicos do país.

Duó visitou restaurantes, feiras, sorveterias, conversou com muita gente e conheceu a diversidade de nossa culinária, para ter a base para seu trabalho.



Escrito por Fernando Jares às 16h32
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E O FILHOTE DA ESTAÇÃO?

FILHOTE DA ESTAÇÃO? TEM LÁ EM CASA!

 

Filhote novo na Estação das Docas!

O jantar que falei no post acima, no restaurante Lá em Casa/Estação das Docas, teve alguns dos expoentes do cardápio da casa como destaques.

Nas entradas, variadas tapiocas, seca, com manteiga ou com coco seco, molhada, etc. Também uns beijus torradinhos e ricos em boa manteiga.

Uma batida de bacuri deixou o chef Eduardo Duó nas nuvens. Adorou a suavidade do sabor desta fruta na composição da bebida. Tem toda a razão, também sou bacuriista, que tenho como a mais gostosa das frutas que se encontram pelas ruas de Belém.

Os pratos principais foram variados e todos os participantes tiveram direito, especialmente os visitantes, Duó e o arquiteto Fuad Murad, a provas dos pratos dos companheiros de mesa. Dessa forma circularam ali o “Hadock Paraense”, que vem a ser a prendada gurijuba defumada, o “Filé Marajoara”, que é filé de búfalo com queijo do Marajó e arroz de maniçoba, ambos pratos da Boa Lembrança, e o “Muçuã de Botequim”, sucesso da casa, hoje multiplicado por todo o país, já com gente aparecendo como dona da ideia...

Por minha parte fui ao “Filhote da Estação”, que não é nenhum animalzinho nascido naquele local de lazer, cultura e turismo criado por Paulo Chaves. Trata-se de uma bela posta de filhote grelhado, com molho de alcaparras e manteiga, servido com fatias de laranja e batatas sauté, que são aquelas batatas cozidas e temperadas com uns verdinhos (salsa, etc.) e que estavam no correto ponto de cozimento e paladar – se estiverem fora do ponto de cozimento, ficam duras e aí eu não quero. E veio ainda mais com arroz de jambu, outra criação de PM. O prato foi-me sugerido pelo Alcides, como novidade e, de fato, eu ainda não o conhecia. É cria do Lá em Casa/Estação, por isso o nome. Conjunto aprovado: o filhote grelhado é um peixe agradável e leve. Alcaparras sempre compõem bem. Enfim, estava delicioso. Como o disseram também os demais participantes do ágape.

A sobremesa foi comedida e ficou por conta de profiteroles com recheio de cupuaçu. Como diz a garotada: huhuuuu!!!!!!



Escrito por Fernando Jares às 16h29
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