NOVO RECONHECIMENTO INTERNACIONAL PARA PAULO MARTINS
O paraense Paulo Martins, falecido em 2010, foi apresentado, ontem, domingo, 22/01, como o responsável pela introdução, uso e divulgação de componentes nacionais/regionais na gastronomia brasileira, em busca de alternativas sustentáveis, como forma de redescobrir sua própria identidade culinária. Este novo reconhecimento internacional valoriza, ainda mais, a cozinha paraense, que teve em Paulo Martins um grande pioneiro e seu maior expoente inovador/renovador, ao mesmo tempo em que ferrenho batalhador para a preservação das tradições culinárias paraenses praticadas pelas ruas de Belém e pelo Estado. O texto aí em cima foi publicado ontem em Londres, no site “The World’s 50 Best Restaurants”, da Restaurant Magazine, publicação responsável por essa promoção, que escolhe anualmente os melhores restaurantes do mundo. O texto é assinado pela jornalista Luciana Biancchi, chef de cuisine e editora internacional especializada em gastronomia, que trabalha na Europa para grandes publicações e, no Brasil, para a revista Prazeres da Mesa, como correspondente internacional. O Brasil vai participar do evento “Identita Golose”, em Milão, agora em fevereiro, com dois chefs nacionais convidados: Rodrigo Oliveira, do restaurante “Mocotó”, de São Paulo, e Alex Atala, do “D.O.M.”, também de São Paulo, por sinal o 7º melhor restaurante do mundo em 2011, justo pelo “The World’s 50 Best Restaurants”. Ao fazer a contextualização da cozinha brasileira, para apresentar o chef Rodrigo Oliveira a seus leitores de todo o mundo, a jornalista destaca a liderança de Paulo Martins como o “grande chef da Amazônia”, responsável pelo início desse movimento de repercussão nacional e internacional. Luciana Bianchi situa junto ao chef paraense dois grandes chefs franceses, Claude Troisgros e Laurent Suaudeau, que muito contribuíram para a incorporação dos ingredientes nativos às fórmulas da cozinha clássica da França (a partir do conhecimento e das experiências de Paulo Martins, com eles generosamente compartilhada). Leia o texto completo (em inglês) clicando aqui.
“A pintura de Emmanuel Nassar experimenta o limite da quebra de conexões simbólicas” Paulo Herkenhoff, crítico e um dos maiores especialistas em artes plásticas do Brasil.
Um dos principais artistas plásticos do Brasil na atualidade, expoente máximo desse segmento nestas terras, Emmanuel Nassar lança hoje o livro que leva o seu nome. Emmanuel Nassar é responsável por algumas boas emoções em minha vida. Uma delas, muito forte, tive-a no Rio de Janeiro, ao entrar no magnífico prédio do Centro Cultural Banco do Brasil, nos idos de 2003, julho ou agosto, não lembro ao certo. Fomos, Rita e eu, visitar a exposição “A poesia da gambiarra”, uma retrospectiva do trabalho desse caboclo paraoara, nascido em Capanema*. A emoção foi da entrada, onde havia magnífica instalação, ao terceiro andar. Peças pra cá, instalações pra lá. Andávamos, parávamos, subíamos, descíamos, cercados pelo talento do Nassar. A emoção subia e descia junto: não apenas pela beleza cativante de suas criações, mas, e talvez principalmente, misturada com o orgulho paraensista, pela grandiosidade da exposição. Escrevo agora e ainda sinto a força daqueles sentimentos. Vez por outra pego o livro que tem o título da exposição e fico passeando entre as obras, olhando-as com a satisfação com que olhei há quase nove anos. O Nassar, que hoje vive mais para as bandas de São Paulo, lança nesta quinta (19/01), às 19h, na Fox Vídeo (Dr. Moraes) um novo livro, que leva por título o seu nome:
Publicação caprichadíssima, bilíngue, com 220 páginas/190 fotos e obras, capa dura, tem o texto crítico de Tadeu Chiarelli (diretor Museu de Arte Contemporânea da USP) com cronologia crítica sobre o artista, design gráfico de Rico Lins para a editora Francisco Alves, com impressão da Gráfica Ipsis (a mesma dos livros da Cosac Naif). Formado em arquitetura ele teve uma boa experiência em publicidade, trabalhando na Mendes e na Mercúrio Publicidade, aqui pelas ruas de Belém entre os anos 1970 e 80. Trabalhamos juntos, em ambas. E aí as emoções eram diante das criações dele. Note bem: quando começou, era redator de grandes ideias. Depois incorporou o lado diretor de arte e virou “dupla de criação de um homem só”. Era meio inédito, na época. E desconfio que continue assim... O artista plástico revelou-se nessa época – vinha sendo moldado desde muito. Da revelação ao reconhecimento, foi um pulo. E à consagração, outro pulinho.
Arraial, 1984. Tinta industrial sobre chapa, 100x200cm.
A capacidade de juntar em uma peça a cor local paraense, com uma simbologia de entendimento nacional e uma linguagem capaz de varar fronteiras internacionais, ao mesmo tempo em que quebra essas mesmas aparentes conexões simbólicas, como diz Paulo Herkenhoff, o tornou um artista maior. Imagens do nosso cotidiano, brinquedos de miriti, uma simples chapa usada de propaganda vira obra admirada, porque alguém consegue ver a beleza que ele, pioneiramente, viu nela e a assinou E.N. A arte simples das bandeiras do interior paraense tornam-se instalação de sucesso. O arquiteto por formação universitária vê as formas que outros desconhecem; o publicitário transforma a visão em símbolos fortes de comunicação; o artista plástico molda sua arte para o consumo do observador mais exigente/crítico. Ou o mais simples. Diz o crítico Tadeu Chiarelli (em “Uma conduta consumidora crítica”, que você pode ler na íntegra clicando aqui): “Para muitos, a produção de Emmanuel Nassar chega a ser desconcertante: obras que se assemelham a pinturas, mas feitas a partir de pedaços modulados de placas de metal usado para propaganda – riscados, corroídos, e sem nenhum sinal aparente de intervenção manual do artista – que Nassar combina e recombina (muitas vezes no computador, a partir de fotos digitais), até chegar a um resultado que mais o agrada e ao cliente (um colecionador ou um curador, não importa); pinturas que se assemelham a fotografias modernas, de detalhes de objetos ou ornamentos populares; fotografias que se assemelham a pinturas modernas de detalhes de objetos ou de ornamentos populares; obras em tecido, que parecem bandeiras; bandeiras que mais parecem obras em tecido.”
“Há 8 anos atrás conheci um orgulhoso guarda do Museu Van Gogh, em Amsterdam. Paraense, como eu. Acho que quis retratá-lo, ou retratar-me, tomando conta do meu próprio trabalho.”(E.N.) Instalação “Boa Romaria Faz Quem Em Casa Fica Em Paz”. Galeria André Milan, São Paulo, 2003. – Este senhor guardisticamente empertigado, estava n’ “A Poesia da Gambiarra” – a foto, no livro de mesmo nome, é do Luiz Braga.
Com uma dúzia de Euricos Valles governando Estados no Brasil, em 1930, talvez a Revolução de 30 não tivesse acontecido, pelo menos da forma como ocorreu. Essa é uma das ilações possíveis após ler o livro “O homem que venceu Getúlio Vargas”, de Paulo Sérgio (Kostenbader) Valle, que será lançado nesta quinta-feira, dia 19, às 19h, no IAP (ao lado da Basílica Santuário de N. S. de Nazaré). Eurico de Freitas Valle foi advogado e político com brilhante e rápida carreira que o levou a altos postos locais e excelente reputação nacional. O livro é escrito por seu neto, o advogado, escritor, compositor e letrista Paulo Sérgio Valle, sim esse mesmo, que, com o irmão Marcos Valle, já nos deu clássicos da MPB como “Preciso aprender a ser só”, “Samba de Verão”, “Black is Beautiful” ou a minha preferidíssima “Viola enluarada”. Baseado, principalmente, em testemunhos ouvidos diretamente do avô e de outros familiares (o pai também é paraense, nascido em 1917), amigos e pessoas entrevistadas na pesquisa para o livro, ao longo de dois anos, o autor narra parte da história de Eurico Valle, em ritmo de romance histórico. Por que o “venceu Getúlio Vargas”? Porque venceu mesmo: o Pará foi um dos raros Estados em que os revolucionários de 1930 não foram se apresentando e levando o governo. Os primeiros grupos que se aventuraram a tentar tomar os prédios públicos foram repelidos à altura e presos, prevalecendo a lei e a ordem no Estado. Resultado de uma administração séria e organizada, embora ainda recente – Valle assumira o cargo em abril de 1929, cerca de um ano e meio antes da Revolução de 30. A história está contada, muitas vezes com poucas palavras, nos livros de história do Pará. Mas não recebe o destaque merecido. Foi algo realmente inédito. E mais do que essa vitória sobre os homens de Vargas, onde Magalhães Barata foi um dos principais nomes, tanto que interventor por duas vezes, vale ressaltar o estadista que Eurico Valle demonstrou ser no episódio de seu afastamento pelo golpe de 30. De tal forma era respeitado pelos opositores, que a passagem do cargo do governador deposto para a junta de revolucionários foi quase solene, no Palácio dos Governadores, hoje Lauro Sodré, com discursos de Valle e do tenente Ismaelino de Castro, que comandava a Junta. No livro PSV acompanha o avô desde a infância, pelas ruas de Belém, estudos e viagens e faz um inteligente paralelo com a vida de Getúlio Vargas, também desde as ruas de S. Borja, no interior do Rio Grande Sul. O texto é simples e leve, quase a memória deste neto setentão, acompanhando os fatos da história de seu avô e do Brasil. Mas tem um valor importantíssimo: resgata a importância deste vulto notável de nossa história, infelizmente tão pouco conhecido e reconhecido. Ainda acho que faltou dizer algo importante, que espelha a capacidade de liderança e respeito de Eurico Valle em sua terra naqueles idos de 1930. Defendendo ele a candidatura de Júlio Prestes (apoiado pelo presidente Washington Luís), conseguiu para seu indicado 58.334 votos, enquanto Getúlio Vargas teve apenas 2.864 votos! conforme está no livro “Magalhães Barata”, volume I, de Carlos Rocque. Nacionalmente Prestes teve 1.091.709 votos contra 742.794 dados a Vargas. Veja a diferença percentual: no Pará o candidato Prestes teve 95% dos votos, quase a unanimidade. No Brasil Prestes teve 60% dos votos. Quer dizer: o caboclo paraoara venceu duas vezes o caudilho gaúcho! No livro de PSV há uma frase atribuída a d. Carlota, a esposa de Eurico Valle, que teria sido dita na viagem para o Rio de Janeiro, após a deposição, percebendo ela no marido a vontade de voltar a lutar pelas suas ideias em sua terra: “Farão de tudo para apagar-te na memória do povo paraense”. Parece que assim foi feito (como, antes, já acontecera com a Cabanagem, reabilitada há tão poucos anos). Resgatemos, agora, a memória de Eurico Valle. A “Grande Enciclopédia da Amazônia”, de Carlos Rocque, apresenta assim este grande intelectual e líder paraense: VALLE, EURICO DE FREITAS — Ex-governador do Pará. Político de alta relevância, advogado e catedrático da Faculdade de Direito — escola superior que dirigiu, no Pará —, filiado ao Partido Republicano Federal, na chamada República Velha, foi deputado estadual e depois senador federal, quando o elegeram para as altas funções de Governador do Estado, sucedendo a Dionísio Ausier Bentes. Tomou posse a 1/2/1929 e geriu os destinos do Pará até 30/10/1930, quando foi deposto pela Revolução Nacional daquele ano. Vinha Eurico Valle realizando austera administração, recuperando as finanças do Estado, arruinadas desde o debacle da borracha. Tinha apoio do jornal Folha do Norte e dos partidários de Lauro Sodré. Fiel a Washington Luis, resistiu à Revolução de 1930, sendo o Pará um dos poucos Estados do Brasil em que os revolucionários foram rechaçados. Entregou o Governo ao ser comunicado que o Presidente da República renunciara. Quando a Junta Revolucionária lhe comunicou a vitória dos sublevados, Eurico pediu mais 12 horas de prazo, para pôr todo o expediente do Palácio em ordem, inclusive o balanço do Tesouro, na seção financeira. Acedeu a Junta — composta de Ismaelino de Castro, Clementino Lisboa e Abel Chermont —, e no dia seguinte ela recebia o Governo, sem qualquer reação ou protesto. Houve troca de discursos entre Eurico Valle e Ismaelino de Castro, tendo os membros da Junta levado-o até ao carro oficial, na porta do Palácio. Após sua deposição, o Dr. Eurico Valle mudou sua residência para o Rio de Janeiro, sendo um dos diretores da Cruzeiro do Sul. Somente retornou ao Pará 32 anos depois, para receber homenagens que o então Governador Aurélio do Carmo e a direção da Faculdade de Direito lhe prestaram pelos relevantes serviços prestados ao Estado.
A foto acima eu a captei de outro trabalho do sempre lembrado e querido jornalista e historiador Carlos Rocque, o fascículo 8 da série sobre a história do Estado na coleção "História dos Municípios do Pará" encartada no jornal A Província do Pará, em 1998.
No post de ontem o poeta Manuel Bandeira entrou com seu belíssimo poema “Belém do Pará”, em que canta nossa cidade. Quem sabe ele tenha vindo até estas plagas (onde esteve para um serviço jornalístico), estimulado pelas palavras de seu amigo Mário de Andrade, sempre rico em elogios à cidade da qual confessou, em carta de 1927 ao “Manú”, ser “inconcebível o amor que Belém despertou em mim”! No livro “O turista aprendiz”, de Mário de Andrade, há uma história muito interessante, também narrada a Manuel Bandeira, que mostra claramente o quanto a cidade impressionou o modernista, que andou cá pelas ruas de Belém em 1927, quando realizou a primeira de duas grandes viagens etnográficas pelo Brasil, a que denominou “O turista aprendiz: Viagens pelo Amazonas até o Peru, pelo Madeira até a Bolívia por Marajó até dizer chega”. Buscava um Brasil diferente daquele são-paulino (e antropofágico...) que conhecia. Os trechos a seguir captei-os do magnífico livro “Pará, capital: Belém – Memórias & Pessoas & Coisas & Loisas da Cidade”, de Haroldo Maranhão, publicados sob o título
Poema nascido de uma gralha
Manú (...) veja que caso mais engraçado: Fui no tipógrafo com as provas e dei ordem de impressão. Não tinha mais erro. No dia seguinte indo lá pra corrigir o índice que faltava, ele se rindo me falou: Olhe isto. Num dos títulos, em letras garrafais, em vez Moda da Cadeia de Porto Alegre, estava Moda da Cadeia do Alegre Porto. Tive um bruto dum susto, imagine se saía assim! Mas o fato é que o título errado me sugeriu um movimento lírico irreprimível. Nem bem cheguei em casa lasquei no papel esta Moda do Alegre Porto, que está longe de ser sublime mas é gozada bem, repare. (...) Não acha gostosa mesmo? É besta. Não tem nada de importante. Mas é gostosa assim mesmo como está e deixei. (...) (...) Antes mesmo de fazer a correção, nasceu a resposta "Alegre Porto" não é Porto Alegre, é Belém... E saí pela rua impressionado, "alegre porto" é Belém... revivendo as lembranças próximas, andando maquinalmente, sorrindo, em felicidade, caminhando, nasciam ritmos dentro de mim, nasciam frases inteiras. Nem bem cheguei em casa, quase sem a menor correção, as estrofes na ordem, o refrão no lugar certo, me nasceu esta cantiga:
Mais motores que velas, popopôs que vigilengas, um conjunto belíssimo de prédios, cores muitas, alegria de porto alegre, alegre porto, um Ver-o-peso que fascina com o peso de nossa cultura, como nesta foto-lindeza que Ronaldo Salame fez, de presente para todos nós, no aniversário da “Belém gostosíssima, a melhor coisa do mundo”, como a viu Mário de Andrade, como a veem nossos corações.
MODA DO ALEGRE PORTO
Velas encarnadas de pescadores Velas coloridas de todas as cores Águas barrosas de rios mares Mangueiras mangueiras palmares palmares E a barbadianinha que ficou por lá
Ôh alegre porto Belém do Pará!
Ó alegre porto, Belém do Pará Vamos no mercado, tem mungunzá Vamos na baía, tem barco veleiro Vamos nas estradas que têm mangueiras Vamos no terraço beber guaraná
Que alegre porto Belém do Pará!
O Sol molengo do pouso ameno Calorão batendo que nem um remo Que gostosura de dormir de dia Que luz que alegria que monotonia É a barbadianinha que ficou por lá
Óh alegre porto Belém do Pará!
A barbadianinha que ficou por lá Relando no branco dos moços de linho Passeando no Sousa, que lindo caminho Na sombra de enorme e frondosa mangueira Depois que choveu a chuva para-já.
Ôh barbadianinha Belém do Pará! Lá se goza mais que New York ou Viena Só cada grelada de cada pequena De tipo mexido ianque-brasileiro Alimenta mais que um açaizeiro Nosso gosto doce de homem com mulher No Pará se pára, nada mais se quer Prova tucupi, prova tacacá.
Ôh alegre porto Belém do Pará!...
Sede bem-vindo ilustre visitante, que remas o direito de ver-o-belo desta Santa Maria de Belém do Grão Pará. Ao ver-o-peso das coisas e encantarias, que te encantam no Ver-o-peso, não te espantes. Uma estação de docas e uma grande doca te aguardam, com prédios gigantes e históricos para guardares na memória e no coração. Anima-te! Sorri! Estás diante de uma aquarela de Sérgio Bastos, que derrama a cidade a teus olhos.
Vamos empinar um papagaio, leitor amigo, para comemorar o aniversário de Belém – se a chuva da tarde deixar, pois é o tempo dela... Mas o papagaio já está aí em cima, trabalho do Cobra, o maior cobra na criação e produção de papagaios, curicas e afins já havido cá pelas ruas de Belém. Digo “já havido” porque soube que ele teria mudado, recentemente, para outras terras. Tudo bem, ele fez esse um aí, faz um tempão. Foi nos anos 80, do século passado. Encomenda da Prefeitura para uma bela campanha, ao tempo do prefeito Fernando Coutinho Jorge. Acho que foi em 1986, tempo em que Belém recebeu o Congresso Brasileiro de Agências de Viagens. A criação foi da Mendes Publicidade, hoje Comunicação, mas sempre dos Mendes, que foi buscar inspiração no poema “Belém do Pará” de Manuel Bandeira, que por cá andou muitos anos antes, no distante 1928. Foi uma campanha bonita, de valorização da imagem da cidade, fortificando a autoestima do belenense, a sua relação de amor com a urbe. O papagaio – que nem sei, com certeza, se foi mesmo feito pelo Cobra – era um brinde, mas brinde bom, coisa de primeira, pois tenho o meu até hoje, apenas um pouco manchado nas bordas, como na foto. Acho ótimo relembrar esse mote hoje, 12/01, aniversário de Belém, 25 anos após a realização da campanha. Precisamos querer mais bem a nossa cidade. Minha sempre professora Ana Prado disse isso hoje, no Twitter: “Ainda sonho, mesmo com fortes motivos para me entristecer. Mas além de uma gestão à altura, Belém merece mais humanismo entre nós. #civismo”. Os jornais estão cheios de anúncios de empresas a derramar declarações de amor a Belém. Tem coisa que eu achei bonita, criativa, competente. Tem coisa que eu não gostei – mas que alguém gostou, porque fez ou porque aprovou a publicação... Muitos representam ações efetivas que correspondem ao perfil das organizações, outros soam falsíssimo... A mobilização por amar Belém é que é importante. Isso é que é, como alardeava uma campanha da Coca-Cola em priscas eras. Devemos trabalhar para motivar, principalmente aos mais novos, a querer bem a Belém. E exigir por ela. Porque a cidade é os seus moradores. Um, dois, três, doze, mil, um milhão – nós todos somos a Belém e podemos fazer dela a cidade que sonhamos, como deseja Ana Prado. Aquela campanha do tempo do Coutinho Jorge tinha um adesivo para o vidro do carro, que usei durante muitos anos, passando de um carro para outro. Era assim:
E agora vamos ao Manuel Bandeira, para completar a festa:
BELÉM DO PARÁ
Bembelelém! Viva Belém!
Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial Beleza eterna da paisagem
Bembelelém! Viva Belém! Cidade pomar (Obrigou a polícia a classificar um tipo novo de delinquente: O apedrejador de mangueiras)
Bembelelém! Viva Belém!
Belém do Pará onde as avenidas se chamam Estradas: Estrada de São Jerônimo Estrada de Nazaré
Onde a banal Avenida Marechal Deodoro da Fonseca de todas as cidades do Brasil Se chama liricamente Brasileiramente Estrada do Generalíssimo Deodoro
Bembelelém! Viva Belém! Nortista gostosa Eu te quero bem.
Terra da castanha Terra da borracha Terra de biribá bacuri sapoti Terra de fala cheia de nome indígena Que a gente não sabe se é de fruta, pé de pau ou ave de plumagem bonita.
Nortista gostosa Eu te quero bem. Me obrigarás a novas saudades Nunca mais me esquecerei do teu Largo da Sé Com a fé maciça das duas maravilhosas igrejas barrocas E o renque ajoelhado de sobradinhos coloniais tão bonitinhos Nunca mais me esquecerei Das velas encarnadas Verdes Azuis Da doca de Ver-o-Peso Nunca mais
E foi pra me consolar mais tarde Que inventei esta cantiga:
Bembelelém! Viva Belém! Nortista gostosa Eu te quero bem.
A Orquestra de Violoncelistas da Amazônia começa esta noite, no “Solário SESC”, em Santos, São Paulo, a excursão Cello Stravaganza por terras paulistas, para três apresentações no interior e duas na capital. Com o grupo, em participação especial, duas cantoras paraenses, a lírica Gabriella Florenzano e a pop Joelma Kláudia. Ligada à Escola de Música da UFPA, a Orquestra foi criada em 1998 pelo professor Áureo de Freitas, seu regente, e é considerada a única orquestra profissional juvenil de violoncelistas do Brasil. Os jovens violoncelistas que vimos emocionar muita gente no "Terruá Pará", que andaram pelo “Globo Repórter”, já levaram (e elevaram) a bandeira musical do Pará pelo Brasil e à Europa, aos Estados Unidos e até bem mais longe, à China. Os paulistas ouvirão um repertório ousado, da música erudita ao rock, mostrando música popular brasileira e paraense. Por exemplo: “Kashmir” (Led Zeppelin), “Bom Dia Belém” (Edir Proença / Adalcinda Camarão), “Libertango” (Astor Piazzolla), “Fade to Black” (Metallica), “Bachiana nº 5” (Villa Lobos) e ainda Waldemar Henrique, Amy Winehouse, Iron Maiden, Beatles e por aí. Conta a jornalista Franssinete Florenzano em seu blog, que “Além de suas atividades musicais, a Orquestra funciona como importante ferramenta de inclusão social, ao valorizar crianças e adolescentes, fazendo com que seus integrantes sejam reconhecidos pelos melhores violoncelistas do cenário musical nacional e internacional, ao mesmo tempo em que atende com aulas de musicalização e cidadania crianças com autismo e portadoras de déficit de atenção e hiperatividade.” Veja aqui uma apresentação (no Theatro da Paz) desses meninos violoncelistas que nos dão orgulho de ser paraenses:
Até os anos 1970, pelo menos, eles aterrissavam no aeroporto internacional de Belém, trazendo e levando gente de e para os Estados Unidos. Com diversas escalas no caminho, que foram diminuindo conforme as aeronaves se modernizavam. Eram os grandes aviões da Pan American World Airways. Tinha até agência por estas bandas, com equipe local, como qualquer companhia. Lembro-me do gerente René Watrin, um cara muito simpático. Símbolo dos Estados Unidos, certa vez li um anúncio que dizia que, quando houvesse viagens comerciais para a lua, a primeira linha regular seria da Pan Am... Começaram a operar em Belém nos anos 1940, com a mais moderna aeronave da época, o Boeing 307, e aqui investiram, construindo o belíssimo Grande Hotel, primeiro estabelecimento da sua rede Intercontinental. Em 1965 um grupo de cinco estudantes paraenses, eu entre eles, fomos aos Estados Unidos para um programa de convivência – e voamos Pan Am para lá, com escalas pelo Caribe. Qualquer dia escrevo sobre este assunto, até porque tem colega daquele tempo cobrando... Veja um anúncio publicado em Belém em 1972, que captei do Jornal Pessoal, o jornal de Lúcio Flávio Pinto, na sua “Memória do Cotidiano”, 1ª quinzena de abril/2011. Vendia uma linha para Miami, com escala em San Juan, Puerto Rico, onde era possível fazer conexão para New York pegando o ultramoderno Boeing 747:
O que ninguém esperava, aconteceu em 1991: a Pan Am faliu, tirando do ar um dos grandes símbolos de Tio Sam no século XX. No final do ano passado, 20 anos depois, a Pan Am voltou à mídia americana, com a estreia de um seriado na rede ABC, com o nome da falecida companhia norte-americana. Também foi bastante lembrada porque a American Airlines, outro grande ícone do capital norte-americano, pediu concordata justo nesse vintenário...
A série na televisão é vista nas noites de domingo e tem como estrelas centrais três aeromoças, como se chamavam na época as hoje comissárias de voo, e os pilotos, sendo ambientada nos anos 1960/70. Os aviões são cenário principal das histórias, tudo reconstituído como deve ser, inclusive com liberação para os (geralmente incômodos) fumantes... Como o consumidor moderno adora entrar nas ondas de marketing, a marca Pan Am voltou “de cumforça”, como se dizia aqui pelas ruas de Belém naqueles tempos de sucesso e charme da Pan Am. E virou mania: tem de um tudo com a marca da companhia, agora renascida na série, como maletas, relógios e mil e uma lembrancinhas desse tipo, até peças bem mais sofisticadas. Aí pensei em um brinde da Pan Am que tenho cá comigo, na minha gaveta de coleções pequenas, no caso, de caixinhas de fósforo. Trata-se de caixa para assinalar o lançamento do primeiro voo de um Boeing 747 com a marca da companhia. Ao abrir a caixinha levanta uma vinheta mostrando, como que em 3D, o grande avião, que ganhou o título de Jumbo. O 747 havia sido criado pela Boeing em parceria com a Pan Am que, obviamente, recebeu as primeiras unidades e fez uma apresentação conjunta da aeronave, em janeiro de 1970. Há 42 anos, idade da caixinha abaixo...
Na revista Paysandu 90 anos, que comemorou, em 2004, as nove décadas do Papão da Curuzu, ele escalou o seu esquadrão bicolor “de todos os tempos”: Palmério; Izan, Athenágoras, Mariano, Manoel Pedro e Nascimento; Arleto, Farias, Hélio, Guimarães e Soyá. Por pura ironia de feliz torcedor, listou o time que venceu o mais tradicional adversário do Papão, pelo histórico placar de 7x0. E, ao entregar a escalação aos editores da revista, escreveu um comentário: “Adivinhem o porquê...” (sobre este jogo leia “Um certo 7x0 faz aniversário", clicando aqui e “O placar mágico do futebol paraense”, aqui). Desde o dia de Natal a comunidade bicolor paraense não tem mais Nabor de Castro e Silva, um dos grandes torcedores e dirigentes do clube no século XX. “O maior bicolor do século!”, empolgou-se o ex-presidente Rui Salles, ao informar o falecimento no Twitter. O jornalista e radialista Cláudio Guimarães, em sua coluna “Bola pra frente” no Diário do Pará, registrou, dia 27: “Nabor de Castro e Silva, falecido e enterrado no Dia de Natal, merecia mais homenagens. Integrou 1ª diretoria da Fundação Desportiva Paraense (construiu o Mangueirão) e no Paysandu foi diretor de basquetebol, presidente do CD e da diretoria. Era grande benemérito. Não vi nota oficial e nem manifestação de luto por três dias tanto do Paysandu, como SEEL e FPF. É duro!” Talvez muitos dos bicolores dos dias de hoje não saibam dele, mas foi um dos comandantes da construção da sede do PSC, na avenida Nazaré, nos anos 1960, quando me associei ao clube, consumindo nessa operação grande parte de meus pequenos ganhos... mas ajudando o Papão a ter uma belíssima sede. Desde muito cedo ouvia falar no nome de Nabor de Castro e Silva, afinal, além de líder no meu time, era figura influente nas empresas Cunha Maia, que tinham raízes fincadas em Capanema, desde quando eu era criança pequena por aquelas ruas... Nabor de Castro e Silva, nascido em Belém em 1926, começou a vida trabalhando no Museu Goeldi, garoto ainda, na década de 1940. Executivo nas empresas Cunha Maia, chegou a diretor do Banco Comércio e Indústria da América do Sul, que pertencia a esse grupo local. Sim, aqui pelas ruas de Belém já tivemos sedes de bancos privados! Foi ainda diretor da financeira Produsa e da Companhia Intercontinental de Seguros, entre outras empresas.
Dirigentes do Paysandu, nos anos 1960, na Curuzu, em foto que captei do livro “Papão – 90 anos de Paixão e Glórias”, do jornalista e escritor Ferreira da Costa: Tufi Mubarack, Carlos dos Santos, Nabor Silva, Domingos de Paiva Pinto, Fausto Soares Filho, Abílio Couceiro, Jorge Faciola de Souza e Eulógio Blanco Carril.
Mas, acima de tudo, para a imensa e fiel torcida bicolor, Nabor de Castro e Silva foi um cara que ajudou a construir grandes conquistas. Era daquele time que “metia a mão no bolso” para contratar jogadores, para pagar salários, para equilibrar o clube. Grande Benemérito de verdade! Ouvi muitas histórias dele, que não queria, por nada, que isso se tornasse público – mas este ou aquele amigo acabava contando o quanto ele ajudava. “Um dos maiores expoentes e benfeitores do clube em toda sua história”, reconheceu agora a Diretoria e o Conselho Deliberativo do PSC, em convite para a Missa hoje celebrada pela alma de Nabor de Castro e Silva. Também alguns amigos de Nabor publicaram um belo convite em que afirmam: “Nabor ficará para sempre nas lembranças dos seus amigos, tanto os signatários deste convite quanto os muitos outros que fez ao longo de uma vida pautada pela seriedade e pelo empreendedorismo.” Assinam a nota Antônio Couceiro, Artur Tourinho, Abílio Couceiro, Antônio Carlos T. de Moraes, Abrahão Bendahan, Ambire Gluck Paul, Camilo Centeno, Cezar Neves, Fernando Velasco, Joaquim Ramos, João Drummond, José Lessa, Jorge Mubarack, Manoel Acácio, Miguel Sampaio e Orlando Carneiro.
Que diferença haveria entre a mensagem de ano novo de um almanaque (impresso) de farmácia, lá nos idos de 1938, e os desejos de um feliz 2012 de um blog, veículo típico e nascido da/com a internet, e seu respectivo blogueiro? Ao ler a mensagem que ocupava a primeira página do “Almanach Cesar Santos” de 1938, veio-me a vontade de fazer a adaptação. E fi-la, trocando alguns termos, obviamente, para adequá-la ao novo objetivo, transformando-a no desejo e compromisso deste escriba para o ano que logo se inicia. Ou que já se iniciou, para quem lê após este 31 de dezembro. Ei-la:
Feliz Ano Novo 2012 Correspondendo à gentileza de nossos amáveis web leitores, pela desvanecedora aceitação, pela procura cada vez maior de nosso blog, e, diligenciando para continuar a recebê-la, impõem-se-nos o dever que prazerosamente cumprimos ampliando e melhorando o texto, multiplicando os posts do Pelas Ruas de Belém. Este blog constitui um repositório de informes úteis a cada instante, muitas indicações preciosas sobre a história, os hábitos e costumes, a comunicação, a gastronomia e a cultura daqueles que vivem pelas ruas de Belém. Desejando ainda unir o útil ao agradável, enfloramos os posts de nosso blog com um pouco de escolhida literatura e o prazer de textos leves. Leitor amigo, recebe com os nossos melhores votos para um Novo Ano feliz, as afetuosas saudações do pelasruasdebelem.zip.net Belém 31 de dezembro de 2011
Há quem diga que os almanaques tiveram na comunicação o papel que têm hoje os sites de empresas na internet, ou os blogs, naturalmente que com uma cobertura, hoje, extraordinariamente maior. Os almanaques tinham um conteúdo rico nos mais diversos segmentos da informação e até formação, com dicas e sugestões para saúde (a maioria deles era vinculada a laboratórios), segurança, atividades do lar, etc. Tinham bastante propaganda do patrocinador ou editor, e chegavam ao público leitor gratuitamente, no que sempre foram diferentes de jornais e revistas, que eram, e são, vendidos. Este almanach da Cesar Santos tinha 56 páginas mais a capa, no formato 12x19cm, fechado. Suas páginas apresentavam informações sobre o dia a dia daquele ano (santo, fase da lua), textos agradáveis, humor, charges, e os muitos produtos que esta farmácia e drogaria fabricava. Era uma das mais importantes do Estado. Veja este anúncio:
A Cesar Santos, que funcionou até os anos 1980 ou 90, pois chegou a festejar o centenário, em 1984, naqueles anos da primeira metade do século passado, era exportadora “em alta escala de Especialidades Pharmaceutica fabricadas em seus laboratórios”. Veja o quanto isso representava em empregos, recursos e impostos para a cidade. Esses fabricantes de medicamentos com produção em grande escala desapareceram, destruídos pelas multinacionais dos medicamentos. E as farmácias tradicionais foram engolidas pelas redes com alto poder de compra que, cada vez mais se grupam, crescem em poder, cartelizam o mercado. O prédio da antiga Cesar Santos ainda existe, centenário, na rua Santo Antônio. Passei por lá um dia destes e fiz a foto abaixo. Está bastante detonado, mas ainda conserva, na parte superior, alguns traços do original, talvez por ter ficado com os antigos donos e ramo até não muitos anos. Merece a atenção das autoridades, porque é um prédio ainda recuperável para o patrimônio da cidade. Mas, de quem deixa mangueiras e até estátuas caírem... o que esperar. A antiga farmácia virou loja de confecções com seus mil manequins e “araras” de mau gosto a exibir roupas idem, tudo entulhado. Mas é assim que funciona hoje aquela maltratada área de nossa cidade. Há de melhorar: 2012 vamos eleger novo prefeito!
O governo federal (poder executivo) publicou ontem uma portaria, do Ministério do Planejamento, listando os feriados nacionais e os chamados dias de “ponto facultativo”, um benefício típico dos funcionários públicos: dias que não são feriados, mas em que os empregados do governo podem não ir trabalhar, já que o “ponto” não será exigido... Nas empresas privadas, quando há algum tipo de concessão desse tipo, os trabalhadores normalmente “pagam” essas horas liberadas, por meio de compensação, com as correspondentes horas extraordinárias não remuneradas em suas jornadas de trabalho. Serviço ao público leitor deste blog: aqui está a lista oficial dos feriados 2012, no âmbito federal. O documento você pode ler, clicando aqui. I ‐ 1º de janeiro, Confraternização Universal (feriado nacional); II ‐ 20 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); III ‐ 21 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); IV ‐ 22 de fevereiro, quarta‐feira de Cinzas (ponto facultativo até às 14 horas); V ‐ 6 de abril, Paixão de Cristo (ponto facultativo); VI ‐ 21 de abril, Tiradentes (feriado nacional); VII ‐ 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho (feriado nacional); VIII ‐ 7 de junho, Corpus Christi (ponto facultativo); IX ‐ 7 de setembro, Independência do Brasil (feriado nacional); X ‐ 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional); XI ‐ 28 de outubro, Dia do Servidor Público ‐ art. 236 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990; XII‐ 2 de novembro, Finados (feriado nacional); XIII ‐ 15 de novembro, Proclamação da República (feriado nacional); XIV ‐ 24 de dezembro, véspera do Natal (ponto facultativo); XV ‐ 25 de dezembro, Natal (feriado nacional); e XVI ‐ 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (ponto facultativo). Ano passado, na época do carnaval, publiquei um post sobre feriados, mostrando toda a legislação a respeito, especialmente em relação aos feriados locais, pelas ruas de Belém. Para ler "A regra dos feriados no Brasil", basta clicar aqui. Vemos que o calendário federal inclui, como “ponto facultativo”, a Paixão de Cristo. Não precisava: é feriado municipal compulsório, em todos os municípios brasileiros, por lei federal. Na prática, é feriado nacional... Os dias de carnaval são declarados ponto facultativo. Quer dizer, não é feriado, mas não precisa trabalhar... Naturalmente, para facilitar, declara Corpus Christi ponto facultativo. Trata-se de uma data que é feriado municipal na maioria dos municípios do país. Mas não em todos. Mas, como é sempre numa quinta-feira, proporciona as geralmente bem-vindas “pontes” de não trabalhar, “enforcando” um dia útil. Foi publicado hoje, em um jornal local, em informação acoplada à tabela do governo federal, que no Pará existem dois feriados estaduais. Não está certo. Os Estados possuem apenas um feriado próprio que, na verdade, tem o nome pomposo de “Data Magna do Estado”, autorizados por lei federal, e que entre nós é 15 de agosto, Dia da Adesão do Pará à Independência do Brasil, como está explicado no post acima lincado. No Brasil, somente a União pode criar feriados ou delegar a sua criação, como no caso dos estaduais, mas é só um por Estado. Também não foi a lei proposta pelo ex-deputado Zeno Veloso que extinguiu feriados existentes no Pará, pois a Assembleia Legislativa não tem poder para isso, aliás, nem havia nenhum feriado estadual a extinguir... e o brilhante jurista e professor de Direito Zeno Veloso, meu contemporâneo de faculdade, sabe disso muito bem. O outro feriado citado como estadual, embora apresentado como mas só em Belém, 8 de dezembro, dedicado à Nossa Senhora da Conceição, é feriado municipal aqui na capital. Não o é em todo o Estado, apenas nos municípios que assim o decidiram, já que pela legislação federal cada município tem direito a quatro feriados locais, sendo um, obrigatoriamente, a chamada Sexta-feira da Paixão. Por exemplo, em Barcarena, 8 de dezembro não é feriado, portanto a data não tem amplitude estadual. Em Barcarena, 3 de dezembro, dia de S. Francisco Xavier, padroeiro do município, é feriado municipal. Ainda falta divulgar os pontos facultativos no Estado e em cada município...
Vale não esquecer que feriados estão ficando, cada vez mais, benefício para certas elites, já que a ganhancia de algumas categorias do capital, como supermercados, lojas de shopping, etc. está suprimindo essa conquista dos trabalhadores. Até aos domingos...
Belém, do Pará, nasceu sob a inspiração do Natal, que havia sido celebrado apenas alguns dias antes de sua fundação, pelo conquistador português Francisco Caldeira Castelo Branco, em 12 de janeiro de 1616. Por isso seu nome homenageou a cidade palestina onde nasceu o principal personagem do Natal, Jesus Cristo: Belém de Judá. Feliz Lusitânia, Forte do Presépio, muito da história daqueles tempos está espalhada na cidade, notadamente em seu centro histórico. No entanto, os elementos decorativos que marcam a cidade nestes dias são mais ligados à visão moderna, consumista, digamos assim, do Natal, onde o Papai Noel, com seus elementos, acaba sendo o centro das atenções. É certo que existe o Irmão Afonso Haus – um emérito plantador de centenas e centenas de mangueiras pelas ruas de Belém – que, com seus mais de 90 anos, brinda a cidade, todos os anos, com seus artísticos presépios feitos com elementos da natureza, a nos lembrar da importância da fé para a vida do homem. Para nos recordar da cidade presépio em que vivemos, aí em cima está um guache do cartunista Biratan Porto, de 1993, com uma das torres do Mercado de Ferro, do Ver-o-Peso, com um gorrinho papainoelino. Na linha do aproveitemos o Natal para meditar, pelo menos um pouquinho, sobre o mundo em que vivemos, na cidade que compartilhamos com centenas de milhares de irmãos, separei um precioso cartum do JBosco, publicado em O Liberal no dia 7 passado:
E hoje li esta reflexão do publicitário Glauco Lima no Twitter que identifica e aprofunda, de forma muito inteligente, a situação de muitos belenenses neste Natal, pequenos cristos, pobrezinhos, como aqueles das esquinas:
“Pobrezinhoooo nasceu em Belém... (Algumas das maiores favelas do Brasil estão na capital do Pará)” => Glauco nos mostra que, com apenas os 140 caracteres do microblog Twitter, é possível ir fundo em uma questão tão séria, lembrando pesquisa divulgada esta semana sobre as favelas brasileiras. Feliz Natal pra todos. Feliz Natal! Cantamos, desde crianças, espantados, “como é que Papai Noel não esquece de ninguém, seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem.” Só depois é que aprendemos que, se foi assim um dia, o foi há muitos e muitos anos... Mas neste ano, em trabalho da agência de publicidade Ogilvy Brasil, a Coca-Cola, que soube aproveitar e valorizar essa figura de Papai Noel, gorducho e bochechudo que todo mundo conhece, dando-lhe dimensão mundial, produziu um vídeo muito interessante (em inglês). Um Papai Noel que nunca esquece, que vai aqui como bônus natalino, ho, ho, ho:
FELIZ NATAL! Que o Natal seja, de fato, o renascer, em nossos corações, da esperança em Cristo, e no amor aos irmãos.
Para ter conhecido ao vivo esse cabeçalho de coluna é preciso ter algumas dezenas de anos... umas cinco, provavelmente. Notou a data desse recorte de O Liberal? 26 de dezembro de 1971, um domingo, justo 40 anos atrás. “Passarela” era a coluna assinada pela jornalista Vera Lúcia Cardoso Santos, ativa e muito bem informada colunista social de O Liberal. O “Vera Lúcia” escrevo em homenagem a um grande amigo que tivemos em comum, ao longo de muitos anos, o sempre lembrado e querido jornalista Edwaldo Martins, que assim gostava de escrever o nome da Vera Castro – que atualmente assina coluna dominical, sempre ativa e muito bem informada, no Diário do Pará. A coluna da Vera, de tantos anos atrás, guardadinha em minha pasta de “recortes pessoais”, pulou de lá hoje pela manhã para lembrar-me o quanto ela estava por dentro do que acontecia pelas ruas de Belém:
Não é que ela soube de um acontecido três dias antes, em 23/12/1971. Foi quando Rita e eu começamos a namorar! em noite memorável em que alguns de minha turma festejávamos, no Pará Clube, a colação de grau alguns dias antes (11/12). Amor bem começado, embalado pelo som seresteiro do sempre lembrado desembargador Delival Nobre, anunciado pela querida Vera e abençoado por Deus, que nos permite estar juntos há tantos anos, com o mesmo querer bem dos primeiros dias – obviamente com alguns ímpetos reduzidos... mas com ardor renovado a cada dia de felicidade recíprocamente cuidada. Nas notícias em torno aparecem alguns amigos, como o hoje desembargador João Maroja e sua Lúcia, sendo que a ela Deus já chamou há alguns anos; o Antonio Carlos Saboya Júnior, que Deus também já nos pediu de volta; e além do que recortei para a ilustração acima, ainda anotei Rose e Edson Salame (com certeza foi ela que passou a notícia desse namoro para a Vera... embora eu nunca tenha “investigado” a fonte); a Marizita e o Manoel (Nelito) Pinto da Silva Jr, ambos já falecidos; o Paulo Cal e até o fotógrafo Pedro Pinto, da equipe de O Liberal, que foi um dos grandes fotorrepórteres da imprensa paraense, que festejava a colação de grau, como professoras, de duas sobrinhas, Lúcia e Graça Pinto, pelo Colégio Modelo. ELEGANTES - Na mesma página Vera comenta o sucesso da apresentação de uma seleção criteriosa de damas elegantes da sociedade paraense que havia apresentado no dia anterior, no mesmo jornal. Destaca a inovação de alguns critérios de avaliação e o trabalho fotográfico moderno, com a assinatura de Carlos Weick. O Weick chegara a Belém trabalhando para a sucursal local da revista Manchete e fazia alguns frilas, sempre com muita qualidade. A Manchete era uma revista fortemente visual, na qual a fotografia era fundamental, de onde se conclui que seus fotógrafos eram sempre uns caras competentes. Acompanhei-o em alguns trabalhos publicitários muito bons, para a Mendes. Qualquer dia volto às elegantes da Vera naqueles idos de 1971 e ao Weick.
Todo mundo vê novela no Brasil. Todo mundo, todo mundo, pode ser que não, mas a grande maioria, e põe maioria nisso, pode contar que vê. A Globo registrou, no passado, audiências, em determinados capítulos de novelas de grande sucesso, de até 100% dos aparelhos ligados! Hoje os números podem não ser da mesma ordem mas, se somar a as audiências das novelas ou assemelhados disponíveis no mercado televisivo, os números serão monumentais. Pois não é que ontem, 21 de dezembro, a novela brasileira comemorou 60 anos! Foi no dia 21/12/1951 que entrou no ar, pela TV Tupi, de São Paulo, a novela “Sua vida me pertence”, de Walter Forster, tendo no elenco gente que a gente vê na tevê até hoje, como Lima Duarte. Vida Alves e Walter Forster (o autor) formavam o casal principal (para ler sobre, clique aquie aqui). Esta história entra no blog porque, um dia destes, estive lendo sobre um dos pioneiros do teleteatro pelas ruas de Belém, o ator, radialista, apresentador (em rádio e tevê) Lindolfo Pastana e encontrei estas fotos de sua atuação pioneira em telenovelas, na época ao vivo, na TV Marajoara, a primeira televisão paraense:
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Pastana – de quem fui colega quando trabalhei na Rádio Cultura – esteve no elenco da primeira telenovela exibida em terras paraoaras, “O morro dos ventos uivantes”, adaptação da obra de Emile Bronte, provavelmente em 1961 (falta-me confirmar a data, que ainda vou pesquisar). O que li foi um depoimento, na primeira pessoa mesmo, como se faz hoje em um blog, do Pastana para o número 4 da revista TV Roteiro, da primeira quinzena de outubro de 1967. Após narrar sua trajetória profissional, que começou na Rádio Clube do Pará, no início dos 1950, fazendo rádio-teatro, e passou pela Rádio Difusora de Macapá, onde fez de tudo, sendo locutor comercial, animador de auditório, galã de novelas, e apresentador de programas montados, vindo depois para a televisão Marajoara. Para a TV Roteiro Lindolfo Pastana afirmou: “Na TV, também já fiz de tudo um pouco: já chefiei um setor chamado "Texto e Musical", parte importantíssima dentro do esquema de uma emissora de tevê. Por outro lado, na parte artística, também tive uma atividade das mais intensas. Participei das novelas: "O Morro dos Ventos Uivantes", (a primeira apresentada no vídeo paraense), "A Dama das Camélias", "O Poço dos Anseios Perdidos", "Rosa e o Mar", "O Chão da Gente", "O Mar por Testemunha", "O Cabeleira" e tantas outras. Protagonizei ainda diversas peças nas séries ':O Contador de Histórias" e "Grande Teatro". Eis o nome de algumas dessas peças : "Avatar", 'Os Desgraçados Também Sonham", "A Fúria dos Justos", "Rita".
Alguns colegas que comigo completaram, no domingo que passou, 11 de dezembro, 40 anos de formados pelo curso de Direito da Universidade Federal do Pará, decidiram publicar, na edição de hoje do jornal Diário do Pará, a íntegra de um post que fiz aqui neste blog, em 11/12/2009, recordando um certo e sempre festejado 11/12/1971. Sem problema. Pediram-me até a foto e enviei, embora a resolução estivesse baixa, uma vez que já fora tratada para este meio – resolução que não serve para impressão. A cópia original é muito grande e eu não teria como escanear. Até recomendei que buscassem no arquivo do próprio jornal foto igual ou semelhante, feita na mesma oportunidade, uma vez que ela já havia sido publicada lá. Hoje fui surpreendido com a publicação, na íntegra, do texto que publiquei aqui pelas ruas de Belém em 11/12/2009, em página inteira do Diário. Tudo bem, eu havia mesmo autorizado. Mas a surpresa estava em não haver nenhuma citação da origem do texto. Isso é legal, de legislação, entenda-se. O personagem que fez a página (que não é da redação, faço questão de deixar claro), publicada em posição nobre no jornal, substituiu a necessária (e legal) citação da fonte por uma identificação que, tradicionalmente, assinala o profissional ou a agência responsável pela peça (texto, foto, leiaute, etc.): “ADCDiário”. Foi responsável, sim, pelo leiaute, artefinalização, etc. Mas o texto foi captado de outra fonte, ignorada na informação: este blog que você lê. Logo cedo a colega que intermediou a publicação deixou-me um recado esclarecendo o imbróglio: a fonte fora simplesmente omitida por quem montou a página – parece que esqueceu de colar a informação... Para ir ao original, de dois anos atrás, basta clicar aqui. Note que a foto é um pouco diferente da que está no post original. Nela aparecem, à esquerda, mestres que não estão citados na legenda copiada deste blog, como Ophir Cavalcante (o pai), William Cavalcante, Octávio Guilhon e Luís Euclides Araújo. Ficou até esquisito: o texto em parte na primeira pessoa (como devem ser os textos de blogs, atividade individual e não comercial) e sem assinatura... Fica aqui o registro, por uma questão de prevalência do direito autoral. Amanhã, os remanescentes da turma vamos nos encontrar para, mais uma vez, lembrar os bons momentos que vivemos nesse ontem, durante estes muitos anos e no nosso agora. Mas antes da festancinha (imagine que não dá mais para fazer festanças como aquelas de 40 anos atrás!) vamos nos reunir para lembrar aqueles que já se foram de nosso convívio, na celebração de uma Santa Missa. O tempo é um duro senhor e já nos levou muitos dos bons amigos que fizemos naqueles tempos dos chamados bancos escolares. Faltam-nos colegas e amigos queridos e por eles rezaremos e deles lembraremos, esperando que eles também rezem por nós, das boas posições em que devem se encontrar atualmente, afinal eram muito gente boa quando andavam por cá... Acho até que a mera publicação da foto já anda fazendo milagrezinhos... Após as orações, vamos festejar, na certeza de que alguns daqueles que já se foram estarão “lá em cima”, como sempre fizeram enquanto estavam cá, conosco, a acompanhar o encontro, quem sabe com umas batidas do “Primavera” daqueles tempos – imagino que o fazedor das batidas, talvez, já tenha batido as botas e hoje produza lá por cima a boa em versões inimagináveis para nós, mas que devem ser... celestiais.
A foto publicada no Diário de hoje, com os citados mestres à esquerda. O Ruy Barbosa, em busto lá em cima, tinha, na época, os vastos bigodes (mal)pintados de vermelho... Todos de nossa turma jurávamos que não havíamos feito tal maldade com o grande e espertíssimo mestre dos saberes jurídicos...
Fazia tempo que eu andava interessado em conhecer este original petisco. Eu fui apresentado ao “Bolinho de Feijoada” há bastante tempo, aqui mesmo pelas ruas de Belém, no restaurante “Brasileirinho” – e contei a experiência em “Do comer brasileirinho moderno” (para ler, clique aqui). Em setembro último a casa dele, no Rio de Janeiro, foi indicada como um dos cinco melhores endereços gastronômicos do Rio, pela jornalista de gastronomia Constance Escobar. Aí, na primeira ida ao Rio, decidi ir lá, conhecer o ninho desse bolinho genuinamente brasileiro, o “Aconchego Carioca”. Os outros quatro indicados de Constance são: “Le Pre Catalan” (onde tem o Menu Amazônia com tucunaré, tambaqui, pirarucu, tucupi, bijus recheados, cupuaçu, açaí, etc.); Roberta Sudbrack; o novo “Oro”; e o “Venga!”. O “Aconchego” é um bar tipicamente carioca com cara e comida tipicamente nordestinas. “O simples abordado com arte”, diz Constance. O teto do salão é coberto por redes “armadas”, como na foto que fiz, assim, por cima:
Era um sábado, tipo 5 da tarde. Casa lotada, porta fechada e gente na frente, batendo papo, tipo aguardando oportunidade. Só consegui entrar com o compromisso de pegar os Bolinhos de Feijoada pra levar. Dentro, tinha gente na espera. Gente bonita, gente feliz, gente nem tão bonita, mas com cara de feliz. Ambiente agradável, sem dúvida. Feita camaradagem com os atendentes, feita a encomenda, teve uma certa demora, onde fiquei vistoriando. Espia a bolacha para o chope, frente e verso:
Prontos os bolinhos (R$ 19,00 a porção com quatro bolinhos e torresmo), retirada em desabalada, a fim de os comer com a qualidade original – e bem acompanhados. Os torresmos não estavam crocantes como eu gosto, até moles, mesmo. Mas os bolinhos, mano, égua da gostosura. Muito bem fritos, sequinhos por fora, crocantes. Não é que dentro tinha feijoada mesmo! E mais: couve mineira verdinha, aquela que acompanha a gente nas melhores feijoadas... Tenho que confessar que não fiz a foto que deveria. Como que eu ia fotografar e comer aquela maravilha ao mesmo tempo, sumano. Mas, graças ao blog dos “Destemperados”, consegui a foto lindíssima que está aqui abaixo. Obra de dupla arte: gastronômica, de Kátia Barbosa, a chef da casa, e fotográfica, do destemperado Diogo Carvalho. Isto é pra galeria, galera:
Lógico que existem outros pratos, alguns até inesperados, como o “Jiló do Claude” (R$ 18,00), servido com bolinhas de queijo de cabra. Isso mesmo, é em homenagem ao chef Claude Troisgros, que é freguês da casa – onde leva, regularmente, seus amigos visitantes. De minha parte, não gosto de jiló, mas adoro o queijo de cabra... Outro forte é o tradicional (no Nordeste) “Camarão na moranga” (R$ 196,00, grande e R$ 149,00, médio) e muito mais. Para você conhecer mais sobre o “Aconchego Carioca”, já que nesta visita não pude ir mais fundo nas especialidades da casa, sugiro uma visita ao “Por dentro do Rio”, de Constance Escobar, clicando aqui e ao “Destemperados”, clicando aqui.