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PELAS RUAS DE BELÉM


CHEFS NA PRAÇA

UMA AMOSTRA DO COMER PARAENSE

O público acorreu em grande quantidade, mas muita gente mesmo, neste domingo (22) à praça Batista Campos para mais uma edição do “Chefs na Praça”, evento do festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense”. Mas tudo correu tranquilo. A fila para comprar os tíquetes, inteligentemente chamados de veropas, a moeda do festival, era grande, para quem não comprou antecipadamente, mas andava rápido. O sol era forte, mas as árvores protegiam as pessoas. Nada menos que 20 barracas de chefs de renome na cidade serviam criações ditas inspiradas na comida dos últimos 400 anos da cidade. Registrei em post anterior todos os chefs e seus pratos.

Na véspera à noite, 17 chefs apresentaram suas criações especialmente pensadas para as crianças – megassucesso também, que teve até aula do chef australiano Adriano Zumbo que produziu a tartelete "Sonho Amazônico", de dar água na boca.

Aqui estão alguns pratinhos servidos nos dois dias, começando pelo domingo ao almoço:

Dona Jerônima
Do Marajó para a Batista Campos. Esta senhora é a estrela maior da cozinha marajoara, até com participação destaque em eventos nacionais de gastronomia e em revistas especializadas. Sabe tudo! Faz suas maravilhas na cozinha da Fazenda São Jerônimo, em Soure, que tem pousada com quatro suítes para duas ou três pessoas e muitas atrações.


“Frito de Vaqueiro”, uma carne de búfalo típica como marmita dos vaqueiros em ação nos campos marajoaras, ganhou versão comida de rua e estava saborosa, frita na hora, bem suculenta.

Sergio Leão
Do Marajó de dona Jerônima vamos aos sabores do oeste paraense, pelas mãos dos chef Sérgio Leão, titular do restaurante “Benjamin”, uma das melhores opções de jantar pelas ruas de Belém, integrante da confraria dos Restaurantes da Boa Lembrança.

 

Pirarucu dessalgado em cubos, com feijão manteiguinha de Santarém, banana da terra e farofa de piracuí. O chef reuniu três ícones da cozinha tapajônica, o pirarucu, o feijão manteiguinha e o piracuí, uma deliciosa farinha de peixe (estes dois últimos só tem lá, sumano!), em equilíbrio de sabor muito agradável com a banana. Uma festa para o paladar.
No detalhe, foto na produção, os cilindros com a composição do prato...

Valfir Ribeiro
E agora vamos a Bragança! É o “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” a fazer jus a seu nome, com a plenitude da cozinha paraense na mesma praça. O chef Paulo Martins, fundador do festival, nos idos de 2000, ficaria todo pávulo com essa evolução.

 

Ostras Assadas e nhoque de tapioca e jambu, Valfir Ribeiro trouxe ostras fresquinhas da sua bragantina região, assou-as de noite, com um luão daqueles e elas ficaram felizes e gostosas. E bem acompanhadas do nhoque de tapioca com um jambu desidratado por cima. Nhoque, nhoque, nhoque, isto é, nham, nham, nham... E ele avisou que vai ter sessão destas ostras em Bragança, preparem-se!

Nazareno Alves
Aqui estava a essência do comer paraense: peixe frito com açaí, sumano. Todo o resto é filigrana, em muitos casos, pra quem tem grana. Mas o peixe frito com açaí é do paraense. E o Nazareno entende do riscado, como diria meu pai... O seu “Point do Açaí” é mais que um point, é um porto... seguro para comer bem.

 

E não era apenas “peixe frito”, era gó, gente boa. Filé de gó frito com farofa de chicória e açaí. Ele optou por um filé, para evitar as espinhas e ficar mais seguro para comer em pé (ops, lembrei-me do “Come em Pé”, aquela birosca deliciosa que o falecido Oliveira tinha na praia do Ariramba, em Mosqueiro!). Gourmeticamente o Nazareno acrescentou uma farofa com chicória, mas tinha farinha simples, que, aqui pra nós, fica melhor.

Waldecy Aires
Este é um resgate histórico do chef Ofir Oliveira, de quem o Waldecy é parceiro no “Sabor Selvagem”, diretamente do livro “Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas”, do Padre João Daniel, dos anos 1700, descoberta feita pelo prof. Álvaro Negrão do Espírito Santo.

 

Pois o “Arroz de Carril” (camarão seco, peixe defumado, leite de coco, castanha-do-pará e mangarataia, que vem a ser o gengibre na versão indígena) também estava na praça. Não fui a ele, pois já é velho conhecido de outras degustações.
O chef Ofir, apaixonado pesquisador da cozinha paraense fez a reconstrução da receita, com pequenas adaptações aos ingredientes hoje disponíveis e ele foi servido pela primeira vez em Lisboa, em 2014, no lançamento do livro “Gastronomia do Pará, Sabor do Brasil” (leia clicando aqui).

Na véspera foi a noite dos petiscos para as crianças – e crionças também. Veja algumas atrações em fotos da divulgação do festival:

 

Comecemos com o tal "Sonho Amazônico", do australiano chef Adriano Zumbo. Não, não leva leite de canguru! Mas a tem mil e uma coisas: base de farinha de amêndoas, geleia de pimenta de cheiro, compota de sapucaia, caramelo de maracujá com castanha de caju, merengue de maracujá com limão siciliano, chantilly aromatizado com breu branco, flores comestíveis e uma calda de maracujá com laranja! Tinha que estar deliciosa.


Um raio gourmetizante disparado por Eliana Furtado da “Tapioquinha da Amazônia” produziu esta “Tapioca de chocolate do Combu e morango”.

 

Olha a fofura desse Sorvete de Açaí Frito (sorvete de açaí empanado em massa de tapioca) assinado por Ederson Serra da Cia Paulista Gourmet


A chef Daniela Martins do “Lá em Casa” compareceu com esse desejo da garotada: Macarrons de castanha-do-pará, cupuaçu, bacuri, churros - 4 unidades.



Escrito por Fernando Jares às 17h35
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COMIDA CRIATIVA EM BATISTA CAMPOS (2)

TEM CHEF FAMOSO COM BARRAQUINHA NA PRAÇA
O DIA DOS ADULTOS

(mas criança também pode ir)

Este fim de semana marca o espetáculo da comida de rua em versões gourmet, assinadas por alguns dos mais destacados chefs de cozinha pelas ruas de Belém, que criaram pratos especialmente para o evento “Chefs na Praça”, pensando nos 400 anos de fundação da cidade.

Sábado dedicado às comidas para crianças e domingo para a turma maior. Mas a “invasão” de um público na festa gastronômica do outro é plenamente permitida... Veja a programação da feirinha gastronômica dos pequenos no post imediatamente abaixo.

Este evento de popularização da chamada alta gastronomia é uma ação do “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” que tradicionalmente leva muita gente à Batista Campos. Veja como foi no ano passado, clicando aqui.

Veja a seguir a relação dos chefs presentes, seus restaurantes, o prato apresentado e o preço do mesmo.


Chefs na Praça (Batista Campos) “400 anos Belém” – Domingo 22/05 a partir das 12h

André Parente
Engenho Dedé
Assadinho Paraense (Camarão seco com purê de macaxeira, jambu e muçarela gratinada) R$20,00

Artur Bestene
Old School

Manihot (Baguete de mandioca, salsicha de maniçoba, relish de jambu e queijo do Marajó gratinado com mostarda de tucupi) R$20,00

Daniele Serrão
Patê Patauá
Linguiça de Peixe com picles de jambu e farofa molhada – R$20,00

Dionete Cardoso
Divina Comida
Panqueca Paraense – R$20,00

Dona Jeronima
Fazenda S. Jeronimo
Frito do Vaqueiro – R$15,00

Eliete Santos
Eti Mariqueti
Torta de castanha-do-pará com maracujá – R$ 15,00

Ercília Figueiredo
Tomaz
Filé com molho de cupuaçu e risoto de tucupi – R$ 10,00

Ilca do Carmo
Santa Chicória
Dourada a Casaca (Dourada crocante com farinha molhada no leite de coco e banana) R$15,00

Mariana Tuma & Carol Rocha
Palechicas
Paleta de creme de bacuri com recheio de brigadeiro de chocolate belga – R$10,00

Milene Fonseca
Maricotinha
Farofa da Maricota  (Farofa de farinha de tapioca, com carne assada desfiada acebolada e amanteigada, cenoura ralada e queijo coalho ralado.) R$15,00

Nazareno Alves
Point do Açaí
Filé de gó frito com farofa de chicória e açaí – R$20,00

Paulo Araújo
Personal Chef
Raviólis Agar Agar (Pato no tucupi, maniçoba e açaí com peixe frito) R$20,00

Priscila Thomé
Brownie do Inácio
Duo Brownie (Brownies de Chocolate do Cumbu e Bacuri) R$15,00

Rafael Menezes
Santé Saudável
Feijoada de mariscos (Feijoada funcional de mariscos e farofa de pão integral com aviú) R$25,00

Sergio Leão
Benjamin
Pirarucu dessalgado com feijao de Santarém (Pirarucu dessalgado em cubos, com feijão de Santarém, banana da terra e farofa de piracuí.) R$15,00

Taiana Laiun
Brigaderie
Cupulate quente com pão de queijo do marajó com tapioca – R$20,00

Tati Braun
daBraun Sanduich&banqueteria
Sanduíche de carne seca desfiada com ketchup caseiro de açaí, queijo coalho derretido e crocante de tapioca com bacon – R$20,00

Valfir Ribeiro
Emporium Caeteuara
Ostras Assadas e nhoque de tapioca e jambú – R$25,00

Waldecy Aires
Sabor Selvagem
Arroz de Carril (camarão seco, peixe defumado, leite de coco, castanha do pará e mangaratáia) R$15,00

Walker Luz e Luciano Moraes
Sushi Ruy Barbosa
Uramaki de filhote grelhado, com creme suave de jambu, crocante de aviú e castanha-do-pará ao azeite de castanha – R$10,00



Escrito por Fernando Jares às 11h36
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COMIDA CRIATIVA EM BATISTA CAMPOS (1)

TEM CHEF FAMOSO COM BARRAQUINHA NA PRAÇA
O DIA DAS CRIANÇAS

(mas adulto também é convidado)

Este final de semana o “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” vai pra rua, ou melhor, pra praça, mostrar os trabalhos dos chefs de cozinha que comandam alguns dos melhores restaurantes pelas ruas de Belém.

É mais uma edição do programa “Chefs na Praça”, um sucesso absoluto ano a ano, que já deu “filhos”, inspirando atividades semelhantes aqui mesmo e em outras cidades, até em São Paulo! Como sempre, são pequenas porções em preços populares.

Desta vez homenageia os 400 anos da cidade, de tão esmorecidos festejos.

Neste sábado, 21/05, é para a criançada no final da tarde, a partir das 18h. Mas os adultos também farão a sua boquinha (depois da alimentar o filhote, o sobrinho ou o netinho, por favor!).


Chefs na Praça (Batista Campos) “400 anos Belém”
Crianças – Sábado 21/05 a partir das 18h

Veja a seguir a lista de chefs presentes na praça, o restaurante a que pertencem, o prato que oferecem e o valor.

Alexandre Barros
Brasileirinho
Pastel Belém&Marajó (Vatapá e frito do vaqueiro - 5 unidades) R$15,00

Daniela Martins
Lá em Casa
Macarrons (castanha-do-pará, cupuaçu, bacuri, churros - 4 unidades) R$15,00

Ederson Serra
Cia Paulista Gourmet
Sorvete de Açaí Frito (sorvete de açaí empanado em massa de tapioca) R$15,00

Eliana Furtado
Tapioquinha da Amazônia
Tapioca de chocolate do cumbu e morango – R$10,00

Everton Silva
Domnato
Hambúrguer no pão de pupunha, maionese de tucupi e mel com chips de macaxeira – R$15,00

Felipe Gemaque e Solange Saboia
2+1 Produções Gastronômicas
Duo de Crepes (crepe de filé com queijo do Marajó e crepe de chocolate com banana) R$15,00

Isabela Lima
Sweet by Sisters
Bolo amanteigado de chocolate, coberto de chocolate de combu e dose de cupuaçu – R$15,00

Júlio De Massi
Mama DeMassi
Burrito Paraense – R$20,00

Leonardo Modesto e Maria Silva
Mimoihari Cozinha de Raiz
Croquete Pai D’égua (Croquete de massa de cará com recheio de pato no tucupi) R$15,00

Mauro e Larissa Valério
Blaus
Sorvete de castanha-do-pará e doce de cupuaçu com brownie de chocolate, farofa de castanha e chocolate do Combú – R$15,00

Paula Erse
Bendito Pudim
Kit Bendito Pudim (Pudim de leite e Pudim de cupuaçú com castanha caramelizada) R$10,00

Prazeres Quaresma
Saldosa Maloca
Bolinhos de caranguejo – R$20,00

Roberto Hundertmark & Rafael Aflalo
Casa 117
Batatas Bravas Amazônicas (Batatas fritas rusticas, com um blend de ervas, paprica picante, maionese de jambu, berneaise de tucupi e ketchup de acerola)

Silvia Gomes
Churros Ostentação
Kit Churros Palito sabor cupuaçu com doce de leite – R$15,00

Telma Luz
Tucuruvi
Picanha paraense com paçoca na manteiga da flor de jambu- R$20,00

Vanja Rodrigues
Personal Chef
Aviú na massa de tucupi (6 unidades) R$10,00

Vannessa Alencar 
Délice
Arroz Pai D'Égua (Arroz com frango, jambu, chicória, tucupi e castanha-do-pará) R$15,00



Escrito por Fernando Jares às 19h13
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PORTUGAL ALÉM DO BACALHAU

À MESA COM CABRITO, FRANCESINHA E...
BACALHAU

Nem só de bacalhau vive um restaurante tipicamente português, embora o nórdico peixe seja o seu mais influente personagem, chamariz principal e até denominação para o estabelecimento. É o caso da “Casa do Bacalhau”, restaurante de cara, sotaque, sabor e som tipicamente lusitanos pelas ruas de Belém. De propriedade de um casal que há anos trabalha na especialidade – nos meus tempos em A Província do Pará tinham o “Rei do Bacalhau” em frente ao jornal, na Campos Sales, famoso pelos seus... bolinhos de bacalhau. E ainda hoje está por lá, só que mudou o lado da rua.

Levados pelo José Maria Toscano, tradicional fonte de bons endereços para bem comer, lá estivemos, Rita e eu, a convite do casal proprietário, Nazaré e Armando Castanheira, para conhecermos novidades no cardápio e ouvir um fado ao vivo – às quintas tem a excelente Jeanne Darwich a cantar o fado, mas justo nessa quinta ela lá não se apresentou em virtude de problema de saúde com seu acompanhante musical...

Centramo-nos nas comidas e em boa conversa.

A casa é simples e bem agradável, na Diogo Moia, com forte presença de elementos da santa terrinha.

Os trabalhos começaram com a grande tradição lusitana no Brasil, os bolinhos de bacalhau (R$ 4,50). Estavam como devem ser, macios por dentro e levemente crocantes por fora, sequinhos, nada de encharcamento de azeite – tanto que não marcaram o papel sobre o qual foram servidos. Na foto já faltam dois... É certo que muito pouco tempo tiveram de vida na mesa...

O primeiro prato principal servido foi um bacalhau novo no cardápio, o “Bacalhau do Marquês”


 O “Bacalhau do Marquês” (R$ 145,00, meia porção R$ 75,00) é uma bela posta de bacalhau assada de forno em azeite abundante com batatas cozidas, tomates, pimentões e cebolas tudo em rodelas. Acompanha ainda arroz branco e muitas azeitonas, o que acho ótimo. Peça bem selecionada de bacalhau de boa qualidade – só isso já é mais de meio caminho andado para o sucesso. E foi o roteiro seguido pelo prato, de forma que agradou geral, acariciando as papilas gustativas dos comensais. Ao lado, uma visão do prato servido com o dito e imperial “Bacalhau do Marquês”, em terras republicanas.

CHANFANA

Como dito lá em cima, chegou à mesa a primeira prova da diversidade extrabacalhoeira de um restaurante português, a “Chanfana”.

Conforme os pesquisadores Madalena Carrito e Pedro Santos em “A chanfana: ex-libris da gastronomia regional”, Confraria da Chanfana, Vila Nova de Poiares, citados em “Gastronomia do Pará – O sabor do Brasil”, de Álvaro Negrão do Espírito Santo e Fernando Jares Martins, Belém, Pará, 2014 pág. 31, a Chanfana é um prato oriundo da região das Beiras confeccionado em “caçoilos de barro 'preto', [...] com carne de cabra velha, vinho tinto ‘forte’, de boa qualidade e em forno de lenha... tem o acompanhamento com batata cozida e grelos de nabo”.

 

 A versão luso-paraense da “Chanfana” (R$ 82,00 – porção para duas pessoas) que nos foi servida tem pequenas variantes: 1,2kg de cabrito assado de forno no vinho tinto em caçarola de barro. Acompanha batata cozida e arroz branco. O esverdeado na foto acima deve-se às luzes predominantemente verde/Portugal nesse local do salão. Não sendo fácil fornecedor de cabras velhas por estas bandas, há que usar o cabrito, que demanda duas horas de assado (as cabras levam até seis horas!). Mas o resultado é muito bom: a carne macia, estava em bom ponto, sem se desfazer (para que não se desfaça os lusos usam as tais cabras velhas, de carne mais dura...). O tempero dentro do gostar dos presentes, só ganhou elogios, tudo acompanhado de um agradável tinto português – na Carta de Vinhos da casa todos são portugueses, ora pois.

FRANCESINHA

Anunciando que tem Francesinha na “Casa do Bacalhau”, que ninguém se assanhe e pense naquelas cocottes que fizeram furor nas noites pelas ruas de Belém no início do século passado, mandadas buscar na Europa pelos barões da borracha... Calma! Não é nada disso.


Trata-se de afamado sanduíche da cidade do Porto, ao norte de Portugal. Afamado e parrudo, como se dizia por cá, chega a ser o almoço de muita gente na invicta cidade lusitana. Já foi eleito um dos dez melhores sands do mundo pelo poderoso site AOL Travel, dos Estados Unidos.

 “Francesinha” (R$ 28,00) é um baita sanduíche, no cardápio qualificado de Super Sandwiche, composto de filezinho grelhado, calabresa, salsicha, mortadela e presunto, em três camadas de pão de forma (como na fatia ao lado), tudo coberto com queijo muçarela, gratinado com molho especial e um ovo frito por cima. Acompanha batata frita. Tem gordura por todos os lados e conteúdo... mas é uma delícia – tomara que a minha cardiologista não leia isto!



Escrito por Fernando Jares às 19h20
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FORMAÇÃO PARA A CULINÁRIA

APRIMORANDO O CONHECIMENTO GASTRONÔMICO

Uma das principais contribuições do festival gastronômico “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” à cultura culinária paraense é o aporte de novas técnicas e experiências em produzir os alimentos – chefs do Brasil e do exterior têm vindo ministrar aulas, oficinas, palestras sobre suas especialidades, como fazem os seus pratos, alguns muito famosos.

E este ano o festival não foge à regra: entre os dias 26 e 29 de maio são mais de 20 oportunidades de desenvolvimento para os profissionais da área ou para aqueles que desejam entrar nela ou para os curiosos do assunto. Os temas vão desde aulas de gestão a aulas de culinária, incluindo aulas show com grandes estrelas como Claude Troisgros, Thiago Castanho e Alex Atala! E ainda o Fórum Técnico “Internacionalização da Gastronomia Amazônica”, que será mediado cá pelo escriba deste blog.

Veja no tabelão abaixo a distribuição dos cursos dessa riqueza de formação:

 

A formação em gestão é em parceria com o Sebrae e começa com o Seminário Indicação Geográfica “O estado da arte e potencialidades no Pará”, que nem está aí na tabela, e tem ainda palestras sobre “Gestão e Empreendedorismo no mercado de alimentação fora do lar”, “Redução de Desperdícios no mercado de alimentação fora do lar”, “Atendimento ao Cliente” e “Gestão de Qualidade”.

No capítulo das Aulas de Culinária tem de um tudo, inclusive com gente boa aqui da terrinha, para usar um termo próprio do sempre lembrado jornalista Edwaldo Martins, quando se referia a Belém – como Ilca Carmo, “Molhos e condimentos consagrados em versões papa-chibé”; Felipe Gemaque, “Comida de rua invadindo as festas”; Daniela Martins, “Égua, mano, nem te conto, essa maniçoba ainda vai dar mt caldo”; Ofir Oliveira, “Mandioca, o Sabor do Brasil” e o premiado Thiago Castanho na aula show “Queima, queima: o fogo no dia a dia da cozinha do Remanso”.

O cardápio é vasto e você encontrará desde Almir da Fonseca, brasileiro que vive e dá aulas há muito tempo na Califórnia, que já esteve aqui pelas ruas de Belém, no VOP de 2012 e que conhece bem a cozinha amazônica, tanto que seu tema é “Made in Pará”; ou Fábio Vieira, do paulistano “Micaela” que vai contar sua experiência em “Quando um paulista encontrou Paulo Martins”; até um depoimento que deve ser muito interessante para pequenos produtores rurais ligados à gastronomia, com Carlos Kristensen, de Porto Alegre: “Produtores e ingredientes do RS: queijo artesanal serrano, charque de ovelha e ganso curado e defumado”.

Além das megaestrelas como Claude Troisgros (Olympe), que frequenta o VOP desde as primeiras edições, ou Alex Atala (D.O.M.), talvez o campeão em participações no festival, em aulas show, juntamente com o paraense Thiago Castanho, dias 26, 27 e 28, sempre às 23h (atenção para a hora, 11 da noite!)

No sítio eletrônico do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense você encontra todas as informações sobre esta programação, inclusive como inscrever-se para participar. Alguns eventos são gratuitos. Clique aqui.

 

Os astros das aulas show, Claude Troisgros, Thiago Castanho e Alex Atala



Escrito por Fernando Jares às 19h37
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CIRCUITO GASTRONÔMICO 3

3ª PARADA: SUSHI RUY BARBOSA

MUÇUÃ DE BOTEQUIM

A ideia de que o festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” deste ano poderia rever pratos tradicionais, conceitos da cozinha praticada pelas ruas de Belém nos 400 anos de fundação da cidade foi levada ao extremo por este restaurante de matriz japonesa, como o próprio nome indica. Foi buscar um prato autoral, criação do chef Paulo Martins, o “Muçuã de Botequim”, como se cozinha regional tradicional fosse, talvez porque seja um prato que todo mundo faz, esquecendo que ele tem um autor, com receita registrada em livro, etc...

Deve ser homenagem ao falecido chef, por sinal o criador deste festival gastronômico. Aliás, o prato é “acompanhado com purê de pupunha com leve toque de gorgonzola”, que vem a ser a essência de outra criação de Paulo Martins: a “Pupunha ao Roquefort”, a frutinha cozida, recheada de um creme à base desse queijo. Pena que tenham esquecido de creditar o autor homenageado, como recomendaria a ética.

Veja o prato em sua foto oficial no site do VOP:


Este “Muçuã de Botequim” (R$ 45,00) em nada remete ao sabor delicioso e exclusivo do pequeno quelônio amazônico, como foi a ideia do autor, ao fazer uma brincadeira de “falsificar” a tartaruguinha proibida aos prazeres gastronômicos regionais, em nome da preservação da espécie. Paulo usou o músculo bovino, cuja textura lembra a carne do muçuã, tratou-o como se cozinhava e temperava o quelônio e conseguiu algo que lembrava bastante o animalzinho. Neste caso foi usada outra carne (fraldinha) e o tempero teve fortíssima presença de manjericão. Ficou uma carne saborosa de comer, mas nada a ver com o nome apresentado. O purê de pupunha é um danadinho a pregar peças aos cozinheiros: exige uma técnica própria para dominar o amargo que costumeiramente apresenta – e que aqui estava presente – mas que praticamente desaparecia misturando com gorgonzola. A farofa de farinha d’água com a chicória estava muito boa. Veja o prato como foi servido, belamente produzido:


O “Muçuã de Botequim” tem gerado polêmica. Há alguns anos foi lançado na Vejinha Rio como “criação” de certa chef em um bar carioca, o que foi denunciado cá neste espaço e corrigido pela publicação. Leia “Boteco do Rio assume “criação” do Muçuã de Botequim” clicando aqui e a correção registrada aqui.

Procurando uma opção sem glúten e sem lactose minha companhia acabou optando por um “Grelhado infantil” (R$ 49,00), que vem a ser filé em tiras grelhado, arroz branco e batata frita. Como se vê, em porção bem infantil e preço bastante adulto...




Escrito por Fernando Jares às 18h18
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CIRCUITO GASTRONÔMICO 2

2ª PARADA: SANTA ORGÂNICA

PIRARUCU FUNCIONAL

Não, não se trata de um pirarucu que funciona, ou algum destes peixes alçado à posição de funcionário público – coisa que parece fábula absurda, mas que diante de certos fantasmas que aparecem por aí, pode não ser algo tão inverídico... Mas não é nada disso.

A cozinha funcional, novidade de alguns anos para cá, trabalha nutrição e alimentação com a proposta de ser saudável, utilizando alimentos naturais, os chamados orgânicos, que ofereçam benefícios à saúde, sem abrir mão do sabor, da qualidade, inclusive visual nos pratos.

Os alimentos funcionais atuariam como agentes favoráveis à saúde, não apenas reduzindo riscos embutidos na alimentação hoje corrente no dia a dia, mas até contribuindo, por seus ingredientes, no combate a diversos tipos de doenças e males. E, pela necessidade da qualidade dos ingredientes, os especialistas em cozinha funcional acabam trabalhando com pequenos produtores, ganhando um viés social que vem sendo bastante valorizado – e não apenas por estes especialistas, vejam-se nomes como Alex Atala, Gastón Acurio, Thiago Castanho ou Daniela Martins.

Pois bem, a segunda parada no Circuito Gastronômico do Ver-O-Peso da Cozinha Paraense foi no restaurante “Santa Orgânica”, novo ainda pelas ruas de Belém, participando pela primeira vez desta promoção. É especializado na dita cozinha funcional, cardápio rico em pratos sem glúten, sem lactose, diet etc. Uma festa para o paladar de quem tem restrições alimentares. Imagine que tem coxinhas, croquetes de carne, risotos, brigadeiro, torta Maria Izabel, Nêga Maluca, tudo liberado!

O prato do Circuito Gastronômico é o acima citado “Pirarucu Funcional” (R$ 44,90), assim apresentado em sua foto oficial:


Trata-se de um Pirarucu refogado em Ora pro Nobis, em cama de biomassa e farofa funcional. Um dos peixes icônicos da região refogado em umas folhinhas que são famosas na cozinha mineira. Não vem propriamente em “cama” de biomassa, mas deitadinho ao lado da biomassa – e parece que ficou feliz com a companhia, pois estava muito gostoso, interagindo bem os dois sabores. Mas, sempre tem um mas, entre os dois estava deitada uma farofa funcional, que é um saboroso mix de farinha de mandioca, alho, cebola, manteiga ghee, gergelim preto e branco, semente de girassol e castanhas – para meu gosto faltou um salzinho, corrigido com o sal rosa disponível na mesa. Como também era gostosa, o pirarucu deu-se bem... e eu também. A mãe dessa composição toda é a chef funcional Michelly Murchio, jornalista, professora, escritora e cozinheira que, depois de zanzar pelas profissões, fixou-se na última, tendo cursos no Brasil e no exterior. Aplica bem o que aprendeu, somado com talento e a combinação de ingredientes paraenses.

O prato chegou à mesa – era sábado e o restaurante estava movimentado – com essa carinha feliz. E olhe que a biomassa (feita com banana verde) não estava trabalhada naquele visual de massa, como na foto oficial.

 

Fiel companheira, inclusive nestas atividades circuiticas, a Rita estava feliz da vida, diante de um cardápio liberado para ela, cujo organismo não tolera glúten e lactose. Escolheu um “Risoto de Salmão” (R$ 45,00):


Conforme descrição o “Risoto de Salmão” é arroz arbório, que vem a ser uma variedade italiana de arroz, apropriado para risotos, com lascas de salmão, caponata de berinjela (um antepasto na cozinha italiana, também vendido no empório da casa, o Santo Bazar) e abobrinha, finalizado com manteiga ghee de páprica e mel. Prato sem glúten e sem lactose, como identifica o cardápio. Sabor plenamente aprovado, só que estava uns pontos acima em termos de liquidez...

Finalizamos com uma leve sobremesa fria, tradicionalíssima: “Bolinho de tapioca” (R$ 5,00) com cupuaçu, abaixo. O doce de cupu estava em ótimo ponto e sabor para a função. O bolinho um pouco duro e grudado na cacheta de papel... E levamos para mais tarde as tortinhas “Nêga Maluca” (R$18,00) e “Maria Izabel de cupuaçu” (R$ 14,00) – mais R$ 3,00 para cada embalagem.




Escrito por Fernando Jares às 09h30
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THIAGO CASTANHO INTERNACIONAL

TEVE FILHOTE NO WALK WITH US SÃO PAULO

O chef paraense Thiago Castanho, do restaurante “Remanso do Bosque” foi um dos l4 chefs brasileiros e internacionais convidados a cozinhar no jantar “Walk with us São Paulo”, no último dia 1º. É uma iniciativa do jornalista italiano e curador gastronômico Andrea Petrini, que ano passado levou 37 grandes chefs no mundo a trocarem de restaurantes para um jantar em uma mesma data e que em fevereiro fez este mesmo evento em Londres. São 14 grandes chefs em uma mesma cozinha que preparam uma longa degustação, de 16 etapas, para 90 pessoas, que custou entre R$ 590,00 e R$ 720,00 por pessoa. Este foi o segundo evento de uma série de quatro jantares pelo mundo.

Veja o time brasileiro: Alberto Landgraf,  Alex Atala, Daniel Redondo, Helena Rizzo, Jefferson Rueda, Manu Buffara, Rodrigo Oliveira, Thiago Castanho e Thomas Troisgros.


Thiago Castanho, Manu Buffara, Mitsuharu Tsumura e Alex Atala.

E os estrangeiros: Iñaki Aizpitarte, do Le Chateaubriand, de Paris, França; Virgilio Martínez, do Central, o Número 1 da Latin America's 50 Best Restaurants, e Mitsuharu Tsumura, do Maido (o número 5 do LatAm’50), ambos de Lima, Peru; Rodolfo Guzmán, do Boragó (o número 2 LatAm’50), de Santiago do Chile; e Leonardo Pereira, do Areias do Seixo, próximo a Lisboa, Portugal.

O Sertão Nordestino e Seu Zé Almeida, fundador do famoso restaurante “Mocotó”, em São Paulo, e pai do Rodrigo Oliveira, foram homenageados pelo “Walk With Us São Paulo”, que teve a seguinte regra: o chef Rodrigo Oliveira apresentou um menu matriz com duas entradas, um prato principal e uma sobremesa. Os chefs convidados foram divididos em três grupos de quatro pessoas. Cada grupo apresentou a versão do menu matriz, usando os mesmos ingredientes, mas aplicando suas técnicas e criatividade.

Thiago Castanho integrou a equipe formada pelos chefs Alex Atala (D.O.M., S. Paulo), Manu Buffara (Manu, Cuririba) e Mitsuharu Tsumura (Maido, Lima). Uma das receitas apresentadas pelo grupo foi o Filhote Cru curado no sal, com abacate, nori caramelado, cebolinha e pimentão em leite de tigre, na concepção do grupo o nosso filhote curado no sal substituiu a carne de sol do Rodrigo Mocotó... que levou sabor querido pelas ruas de Belém com toques peruanos. E ganhou uma bela foto por Rogério Voltan, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, olha só um corte dela:

 

Veja uma chamada de Claude Troisgros para o evento paulistano, clicando aqui.



Escrito por Fernando Jares às 17h45
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CIRCUITO GASTRONÔMICO 1

1ª PARADA: LÁ EM CASA

PUQUECA DE CAMARÃO

Comecei a andarilhagem pelo Circuito Gastronômico do festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” como faço todos os anos: pelo local em que tudo começou, o restaurante “Lá em Casa”, onde o chef Paulo Martins gestou a ideia de criar este que hoje é o principal evento gastronômico da região e um dos mais respeitados do país.

Mas antes, enquanto aguardava a pedida circuital, pedi algo muito simples que eu gosto por demais: a entrada de beiju assado no forno, com uma farta cobertura de manteiga, nham, nham, nham... Leva o nome de Beiju Cica (R$11,00). Alimento centenário dos índios, citado por antigos escribas que andaram pela região, só que não tinha a manteiga pur derriba, como dizia minha avó, nem o retoque do forninho, coisa que o Paulo Martins inventou, na reengenharia do prato. Servido em cuia sobre paneirinho:

 

Para o Circuito Gastronômico deste ano a chef Daniela Martins foi buscar a inspiração na beira dos rios amazônicos, em um processo de origem indígena. “Puqueca de Camarão”. Olha o prato aqui, em sua foto oficial:


Puqueca de Camarão Com Chibé de Piracui e Sautê de Cará e Pupunha (R$ 58,00) é a nomenclatura completa do prato. São oito camarões assados na folha de bananeira e bem temperadinhos, gostosos, vindos à cena na companhia de um dito chibé, mas que na minha leitura é um delicioso pirãozinho de piracuí, servido em uma microcuia assentadinha em um purê, inclinada para a frente, com o charme de um derramamento que, se era para ser decorativo, comigo não deu certo: comi a decoração também... Estava tão bom que a cuinha bem que podia ser maior... Diga-se que o prato original, ainda preparado por alguns ribeirinhos neste mundão amazônico, é com o camarão regional, aqui substituído por uns saltitantes rosa, os preferidos pelas ruas de Belém. A pupunha e o cará salteados, bem, com todo respeito ao cará, mas não acho graça nele e não tem tempero que dê gosto, somente se virar purê. E olhe lá. A pupunha comportou-se bem e estava apetitosa.

Olha a Puqueca que saltou na minha mesa:




Escrito por Fernando Jares às 18h18
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TEM PRIPRIOCA

O PORQUINHO DA BOA LEMBRANÇA

Por ser um dos fundadores da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, nos idos de 1994, o restaurante “Lá em Casa” tem uma das maiores coleções de pratos: são ao todo 13. Tenho todos, desde o primeiro, o “Macarrão Paraense”, de 1995, um macarrão com jambu e castanha-do-pará – exibidos, como obras de arte que efetivamente são, em uma parede Cá em Casa...

O prato mais novo na galeria é o “Porco e Priprioca” (R$ 46,00), uma criação da chef Daniela Martins para a confraria da Boa Lembrança – quem pede este prato ganha um prato decorativo em cerâmica artesanal, pintado à mão, representando livremente o conteúdo do mesmo, como este aqui ao lado.

Trata-se de uma costela de porco marinada em tempero por 12 horas e assada em baixa temperatura por seis horas e depois pururucada! Fica uma delícia, supermacia, textura agradável ao mastigar, crocante no exterior, pela pururucagem. Gostosa! (entonação tipo galanteio barato de malandro em beira de rua!). A priprioca, que entra como um calda feita a partir de sua geleia, é uma das “invenções” do chef Paulo Martins, criando uma reutilização gastronômica para produtos que antes faziam parte da perfumaria paraense, cuja história já contei neste blog (para ler, clique aqui). Hoje tem muita gente utilizando, especialmente o magno chef Alex Atala, que faz a maior propaganda desses ingredientes únicos da cozinha paraense que encontramos pelas ruas de Belém. A priprioca compõe o conjunto que dá ao prato sabor muito agradável. O pirão de carne, feito com farinha d’água!, escolta muito bem o porquinho – não fosse eu um apaixonado por pirões, seja lá do que for (menos de cabeça da caranguejo...).

Quer a receita? Ela está no sítio eletrônico da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança e para ir diretamente a ela, clique aqui.

Olha ele aqui embaixo:

 



Escrito por Fernando Jares às 18h08
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NOS SEUS 70 ANOS

PAULO MARTINS HOMENAGEADO
POR SUA PRÓPRIA CRIAÇÃO

No dia em que o chef Paulo Martins completaria 70 anos, justo hoje, 09/05/2016, que bem poderia ser o Dia da Nova Cozinha Paraense, nada melhor do que homenageá-lo com dois pratos que ele não criou, mas que são fruto da sua criação. São duas criações de sua filha, a chef Daniela Martins, que hoje comanda a cozinha do restaurante “Lá em Casa”, herdeira direta da criatividade do pai e do conhecimento e saber cozinhar de sua avó, Anna Maria Martins, a grande responsável pelo reconhecimento da cozinha regional paraense com elevado padrão de qualidade e seriedade, por conseguir dar destaque ao regional, ao simples, em uma época em que, acima de tudo, o que valia pelas ruas de Belém e pelo Brasil afora era a chamada “cozinha internacional”.

Nos posts a seguir, acima, estão o prato do “Lá em Casa” no Circuito Gastronômico do festival “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” e o Prato da Boa Lembrança deste restaurante.

No livro “Culinária Papa-Chibé” dividimos a culinária paraense em duas eras: a.PM, antes de Paulo Martins e d.PM, depois de Paulo Martins, na apresentação da publicação feita por Tânia Martins, viúva do Paulo e Presidente do Instituto Paulo Martins.

Vale recordar o início dessa apresentação:

“Arquiteto por formação, cozinheiro por herança cultural e genética, chef por vocação e amor, Paulo Martins foi um divisor de épocas na culinária regional.

Ele arquitetou as primeiras intervenções modernas na cozinha paraense. Por sua mão e cérebro vimos a transformação da mais autêntica e tradicional cozinha paraense na criativa, única e requintada alta gastronomia paraense. Sem perder a base cultural paraoara, o sabor papa-chibé.”

 

O Chef Paulo Martins, ao centro, no V Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, em 2005, acho que anunciando o resultado do melhor talento na cozinha naquele ano (o que hoje é o concurso “Chef Paulo Martins”) e, só bicorando o resultado, estamos eu e o jornalista Mauro Bonna. Nesse ano, foi a primeira vez que fiz parte desse júri. (Foto Ray-Nonato, do acervo do jornalista Nélio Palheta)



Escrito por Fernando Jares às 18h01
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MÊS DA COZINHA PARAENSE

OS 70 ANOS DO GRANDE PATRONO
DA NOVA COZINHA PARAENSE:
PAULO MARTINS

O mês de maio vai se encaminhando para ser o Mês da Cozinha Paraense. Uma ideia que poderia ser aproveitada pelos órgãos de turismo, públicos e/ou privados, para valorizar essa manifestação cultural paraense, transformando-a em atividade geradora de recursos para a economia do Estado, via turismo gastronômico e assemelhados.

Veja só: este mês começa com o final do festival de Comida de Buteco, evento importado que soube criar raízes pelas ruas de Belém. É o mês de realização do mais importante festival gastronômico do Norte e um dos mais respeitados do Brasil, o Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, que se estende por todo o mês, mas concentra as principais atividades de 21 a 29 de maio, aproveitando a semana do feriado de Corpus Christi. E agora mais recentemente, a Abrasel, Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Pará anunciou o festival Brasil Sabor, de 12 a 29 de maio.

E mais: 9 de maio, isto é, segunda-feira próxima, é a data de nascimento do Chef Paulo Martins, o grande inovador e divulgador, o Grande Patrono da Nova Cozinha Paraense – que, se não tivesse ido antes da hora, neste 2016 faria 70 anos!


Paulo Martins, o Grande Patrono da Nova Cozinha Paraense,
inspira um mês sobre a culinária paraoara (Foto: Divulgação).

A 14ª edição do Festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense já está acontecendo, com o “Circuito Gastronômico”, que começou no domingo, 01/05, em 17 dos melhores restaurantes da cidade, que prepararam pratos ousados e diferenciados para o evento, homenageando os 400 anos da cidade. Alguns inovam totalmente, alguns fazem reconstruções, releituras ou até desconstruções sobre pratos tradicionais da culinária local. Olhe aqui a lista dos participantes, em ordem alfabética: A Forneria, Avenida, Benjamin, Brasileirinho, Cachaçaria do Dedé, Cia Paulista Gourmet, Família Sicilia, Lá em Casa, La Madre, Manjar das Garças, Mazza, Point do Açaí, Remanso do Bosque, Saldosa Maloca, Santa Chicória, Santa Orgânica, Sushi Ruy Barbosa. A descrição dos pratos, seus preços e chefs responsáveis você encontra clicando aqui.

Também estão abertas as inscrições para o “Concurso Gastronômico Chef Paulo Martins”, até o dia 13/05 pelo sítio eletrônico do festival (clique aqui). Para participar basta ter uma ideia original, que utilize ingredientes regionais paraenses, fazer a inscrição e esperar a definição dos finalistas. Estes vão participar de uma apresentação ao vivo, na praça Batista Campos, no dia 28/05, sábado, a partir das 14h. Além da exposição e destaque que o título dá ao vencedor, este ainda ganha uma viagem para o “Mesa Tendência 2016”, o maior congresso gastronômico do país, em São Paulo, com passagem e hospedagem paga!


Veja só: o chef Leonardo Modesto, que foi o grande vencedor do ano passado, este ano participa do ‪VOP2016 como convidado do “Chefs na Praça – Comida de criança” e da Feira dos Produtores. Confira um pouco da experiência dele em uma entrevista no site do festival, clicando aqui.

Criado pelo chef Paulo Martins, o Festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense tem ainda uma extensa programação que envolve aulas de culinária, jantares exclusivos, entre outros eventos, com novidades neste ano como o Campeonato de Barista, que são aqueles profissionais especializados na preparação de cafés, e a Farofada, feita por grandes chefs. O objetivo é promover a cultura gastronômica paraense por meio de seus ingredientes, técnicas e a interação entre chefs e suas diferentes especialidades. Nesta edição, o evento tem o patrocínio do Governo Estadual do Pará através da SETUR e apoio e parceria do Shopping Boulevard, Sebrae/PA, Tramontina, Jornal e TV Liberal, Revista Prazeres da Mesa e Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança.

A programação para o mês é intensa. Acompanhe:



Escrito por Fernando Jares às 09h48
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D. VICENTE ZICO

UM ANO DO PASTOR AMADO NO PARAÍSO

 

Quando na celebração da Santa Missa o sacerdote anuncia: “O Senhor esteja convosco!” e a assembleia responde convicta e com segurança “Ele está no meio de nós”, podemos entender que os que amamos e que já estão na eternidade com o Pai, também estão “no meio de nós”, na companhia do Senhor. Ouvi certa feita esta reflexão de um sacerdote em um velório e entendi uma coisa muito importante: o amor opera esse milagre! O amor que temos por esse ente querido que se foi fisicamente do meio de nós, o amor que ele nos dedica, refletindo diretamente o imenso e misericordioso amor do Pai a todos nós, pecadores em maior ou menor escala... opera a “presença”.

Isso também justifica a fortíssima “presença” de D. Vicente Joaquim Zico entre milhares de cristãos, católicos ou não, por toda a Arquidiocese de Belém, pelo Estado e por quem mais o conheceu, mesmo um ano após sua chegada à Vida Plena na Casa do Pai.

Faz hoje um ano que faleceu D. Vicente, de quem tivemos a felicidade de receber muitas bênçãos, que hão de nos ajudar, Rita e eu, a um dia entrarmos na Casa do Pai. Leia o post desse ano atrás, “D. Vicente rogai por nós!” clicando aqui.

Uma vez, falando sobre a vida de minha sogra Marluce Navarro Guerreiro, vítima de longa e tenaz enfermidade, ele nos falou da importância de sua “inação” na liderança da família. Contei isso em “90 anos de ação de uma guerreira” (para ler, clique aqui). E entendi que “inação” não é, como dizem os dicionários, “Ausência de ação; inércia”, mas é ação no amor conquistado de todos que a conhecem, inspiração para e na vida de muitos, um feitio de carinho.

A “inação” referia-se a uma pessoa em vida, totalmente limitada em suas manifestações. Restando-lhe somente o amor.

No caso de D. Vicente o que sentimos e vemos ao longo deste ano é uma viva “presença” entre os seus. Lembranças cultivadas com extremo carinho, do bispo da Igreja Anglicana, D. Saulo, a humildes fiéis da Paróquia de São Geraldo Magela, como vimos ontem no programa especial dedicado a D. Vicente, ao longo de toda a manhã na TV Nazaré.

No dia de sua partida D. Vicente nos deixou um derradeiro exemplo, ao dizer ao Arcebispo D. Alberto Taveira Correa: “Não tenho receio de partir para a eternidade. Amei Nosso Senhor de todo o Coração!” A fórmula de um homem com o carisma dos santos (como disse o bispo anglicano d. Saulo) para chegar à habitação dos santos. Simples assim.

Tivemos e convivemos com um santo pelas ruas de Belém. Que agora intercede a Deus por nós.

Para não esquecermos, nós da Equipe de Nossa Senhora de Guadalupe, fizemos o postal que está aí em cima, para termos sempre por perto... com o ensinamento derradeiro e a imagem do pastor amado.

Abaixo, o registro de seu falecimento na revista “Carta Mensal”, de circulação nacional, entre todos os membros das Equipes de Nossa Senhora, que totalizam mais de 48 mil pessoas, sendo 22,7 mil casais e 2,3 mil sacerdotes.

ADENDO: D. Alberto contou hoje um episódio de grande beleza e emoção sobre D. Vicente, que merece ser aditado a este post:

Quando D. Vicente expirou, o médico que o acompanhava não estava na Casa Episcopal, para onde fora transferido na véspera o Arcebispo Emérito, por decisão própria e com aprovação médica, e onde foram instalados todos os equipamentos de que poderia necessitar, diante da gravidade de seu estado de saúde. Pois bem, o médico foi acionado e logo chegava. Os bispos deixaram que ele entrasse sozinho no quarto de D. Vicente. Pouco depois um deles olhou para dentro e viram o médico ajoelhado aos pés da cama a beijar as mãos de D. Vicente. Escusado dizer que a emoção, que já os dominava, sacudiu o coração de cada um, como fez com o meu e da Rita, quando ouvinos a narrativa de nosso Antístite.



Escrito por Fernando Jares às 14h25
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LANÇAMENTOS

SAFRA DE LIVROS DA EDUEPA

Nesta quarta-feira, 04 de maio, a Editora da Universidade do Estado, a EDUEPA, lança, às 16h, no Hall da Reitoria (Rua do Una, nº 156 - Telégrafo) nada menos do que sete novas edições, contribuindo para o registro e divulgação de novos conhecimentos pelas ruas de Belém, na região, no Brasil, compartilhando com a sociedade o saber acadêmico. Obras que serão atração no estande que esta editora terá na XX Feira Pan Amazônica do Livro, que acontecerá de 27 de maio a 5 de junho, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, das 10 às 22 horas. O estande da Eduepa será em conjunto com a Associação Brasileira das Editoras Universitárias – um sítio privilegiado a ser visitado obrigatoriamente na Feira do Livro.

Vamos ao belo conjunto de obras em lançamento pela EDUEPA, que tem a Coordenação e Chefia de Edição do prof. Dr. Paulo Murilo Guerreiro do Amaral:

1.    “Ciências Ambientais Pesquisas em Interdisciplinaridade, Educação Ambiental, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, de Altem Nascimento Pontes.

2.    “Educação e Instrução Pública no Pará Imperial e Republicano” de Sônia Maria da Silva Araújo, Maria do P. Socorro G. de Souza Avelino França e Laura Maria da Silva Araújo Alves

3.    “O Estágio na Formação do Pedagogo Reflexões e Vivências” de Jacirene Vasconcelos de Albuquerque, João Colares de Mota Neto, Osterlina Fátima Jucá Olanda e Willame de Oliveira Ribeiro.

4.    “A Geografia do Crime na Metrópole das Redes Ilegais à ‘Territorialização Perversa’ na Periferia de Belém”, de Aiala Colares de Oliveira Couto

5.    “História da Educação no Pará” de Clarice Nascimento de Melo e Maria do P. Socorro G. de Souza Avelino França

6.    “Pesquisa e Educação na Amazônia Reflexões Epistemológicas e Políticas” de Sônia Maria da Silva Araújo, Laura Maria da Silva Araújo Alves e Sônia de Jesus Nunes Bertolo


7.    “Pesquisa em Saúde e Educação na Amazônia”, de Ana Irene Alves de Oliveira, Dilma Costa de Oliveira Neves, Nonato Márcio Custódio Maia Sá e Vera Maria de Barros Meireles



Escrito por Fernando Jares às 17h18
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RIOS DO BRASIL

MEIRELES, DO PEABIRU, LANÇA NOVO LIVRO


Nesta terça-feira (03) João Meireles Filho e Evaristo de Miranda lançam, no SESC Boulevard (Castilhos França, em frente à Estação das Docas), às 19h, o livro “Rios do Brasil História & Cultura”, em ação do Ministério da Cultura, Sesc Pará, Instituto Peabiru e Metalivros. Com 300 páginas e mais de 200 imagens o livro está sendo vendido nas grandes livrarias da internet por R$ 70,00, mas há promoções com valores menores, como nas Casas Bahia (R$ 40,76). João Meireles fará na oportunidade uma palestra e baterá um papo com os presentes.

Joao Meirelles Filho, além de diretor geral do Instituto Peabiru aqui pelas ruas de Belém e uma referência sobre conhecimento da e na Amazônia, é autor de clássicos como os álbuns com valiosa iconografia “Grandes Expedições à Amazônia Brasileira: 1500-1930” e “Grandes Expedições à Amazônia Brasileira: Século XX”, dos quais muito gosto e até uso como fino presente. Evaristo de Miranda é doutor em ecologia, escritor e pesquisador brasileiro da Embrapa, autor de 35 livros em torno de sua especialidade.

Segundo a divulgação, “Rios do Brasil História & Cultura” traz à tona um tema de extrema importância para a civilização atual – os rios e suas águas. Ao discorrer sobre esse recurso natural finito, cada vez mais cobiçado e explorado, pretende chamar a atenção para essa aparentemente inesgotável fonte da vida, cuja longevidade se mede por eras geológicas.

Para percorrer esses meandros, foram convidados Evaristo de Miranda e João Meirelles Filho. Rio abaixo, ambos seguem o mesmo trajeto, ora por caminhos distintos, ora coincidentes, cada um com remada particular. Aos minuciosos textos de cada autor, somam-se mais de 200 ilustrativas e belas imagens de várias e seletas procedências. Da mesma maneira que quase todo rio corre para o mar, este livro deverá ajudar o leitor conhecer e valorizar mais o universo fluvial, de enorme significado histórico e cultural e de crescente interesse econômico e social para toda a comunidade brasileira.

Com a aproximação da Feira do Livro os lançamentos vão pipocando. Na quarta, 04, são sete livros novos da EDUEPA, nos avisa a Editora. Assunto para outro post.

 



Escrito por Fernando Jares às 17h29
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