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BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



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PELAS RUAS DE BELÉM


JOSÉ BORGES CORREA

VIVA O CENTENÁRIO DO ZÉCO!
VIVA O DESENHADOR SEM ALARDES!

O Zéco completou 100 anos de nascido! Viva o Zéco, um portuga muito gente boa que veio trabalhar no Brasil e escolheu viver e formar família entre nós.

A maioria dos profissionais de propaganda, com um pouco mais de idade, que trabalha ou trabalhou em agências ou veículos em Belém, conheceu este personagem, só que por outro nome: José Borges Correa, o “seu” Borges, da Borges Publicidade. Este nome Zéco ele o usava para assinar seus trabalhos de artes plásticas, quando ainda vivia em Portugal. E assim fez exposições, recebeu críticas elogiosas, ilustrou trabalhos gráficos, etc.

Pois bem, o “seu” Borges, com quem tive inúmeros encontros nos começos de minha vida profissional, a quem aprendi a respeitar pela dedicação e cordialidade, educação, nasceu em Lisboa, em 23 de maio de 1915. Teria feito cem anos há pouco mais de um mês, não tivesse sido levado por Deus, subitamente, em 21 de maio de 1993. Foi um dos grandes pioneiros da publicidade pelas ruas de Belém.

Era já um artista de sucesso em Lisboa, trabalhando como ilustrador em jornais e revistas, quando em 1951 recebeu convite para trabalhar no Brasil, em Porto Alegre, na Editora Globo (nada a ver com O Globo ou Rede Globo, esta nem existia na época...). Trabalhou, inclusive, na agência de publicidade da editora, a “Clarin” e foi professor de arte. A grande estrela desta editora era o genial Érico Veríssimo, e o jovem Borges logo ilustrou um de seus livros: “Gente e bichos – histórias infantis”. Olha a capa:

 

A vida lhe deu um amor paraense e assim aqui casou com d. Helena, em 1954. Moraram inicialmente em Porto Alegre, passaram uma temporada em Portugal e se decidiram por viver em Belém. Aqui logo criou o E.T.P. – Estúdio Técnico de Publicidade, em 1958, em sociedade com seu concunhado Benedito Celso de Pádua Costa (que posteriormente foi Secretário de Educação e, em 1982, o primeiro diretor de redação do jornal Diário do Pará, e que faleceu em 2010) e o advogado Eudiracy Silva.

Resgatei, do Anuário Brasileiro de Propaganda, edição de 1960, a “ficha técnica” do E.T.P.:

 

Eram clientes do E.T.P. a Cidade das Sedas, Tecidos Lua, Casa Martelo, A Granfina, Soares Coelho & Cia., Caixa Econômica Federal do Pará. Dessa época, pouco mais adiante, é o anúncio abaixo, publicado na Folha do Norte, em outubro de 1964, época das festas de Nazaré:

 

O tema desses anúncios era sempre as vantagens “na lua” associadas a estas lojas de tecidos (lembre que era o início da corrida espacial, o Sputnik 1 foi de 1957!). O anúncio não tem a tradicional assinatura de agência, prática já em uso na época, presente em anúncios de outras agências – embora existam agências que, até hoje, não assinam anúncios. Mas o anúncio deve ser do “seu” Borges, seja pelo seu inconfundível traço, seja por uma observação que fiz na peça. Não sei se estou “viajando”, mas vi claramente a assinatura do ETP meio camuflada ao pé da ilustração do “astronauta”. Está aqui do lado. Bem que poderia ser uma brincadeira do ilustrador do anúncio... Com a saída dos sócios surgiu a Borges Publicidade, mas a data de fundação foi mantida a do E.T.P.

 

Artista plástico por toda a vida, inclusive com belos painéis, o “seu” Borges, ou seria aqui o Zéco?, deixou um acervo de centenas de obras e selecionei apenas as duas acima para mostrar aspectos paraoaras por ele eternizados. Mas há desenhos e pinturas de todo o Brasil. Na primeira, um registro simbólico visto habitualmente pelas ruas de Belém: mangueiras e urubus. Infelizmente cada vez menos mangueiras, maltratadas pelas autoridades, e mais urubus, bem tratados pela sujeira da cidade... Olhe no tronco das mangueiras uma faixa branca: é que em outros tempos havia o hábito de pintar os troncos das mangueiras com cal, no sentido de enfeitá-las às proximidades de datas festivas, visitas de altas autoridades, etc. Dizia-se que serviria também para afastar insetos e pragas. Até o dia em que Burle Max, em visita a Belém, espantou-se com aquelas “mangueiras de polainas”, criticando o hábito, que foi abandonado... Ao lado, uma cena ribeirinha, com um pescador e sua rede, um barco e uma mulher de turbante (?) fumando cachimbo...

Para conhecer mais um punhado de peças do querido “seu” Borges sugiro uma visita ao endereço “O desenhador sem alarde” clicando aqui.

Parabéns pelo centenário, bom amigo, aí em sua nova morada. Parabéns aos familiares descendentes, por terem tido a felicidade de conviver, ou aos mais novos, de cultivar a memória desse grande português-paraense gente boa.



Escrito por Fernando Jares às 19h01
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WINE DINNER/JUNHO

VINHOS PARA O FIM DO INVERNO.
OU INÍCIO DO VERÃO.

Para comemorar o final do inverno amazônico, de muitas chuvas e temperaturas levemente mais baixas, nada melhor do que um bom jantar acompanhado por vinhos selecionados para fazer harmonização com pratos escolhidos, de forma a aumentar o prazer da degustação.

Aliás a ideia serve também para saudar o verão amazônico que se aproxima e logo brilhará em belas praias, arrebatando os moradores pelas ruas de Belém a endereços movimentados à beira mar ou à beira rio como Mosqueiro, Salinas, Algodoal, Caripi, Outeiro, Marudá, Alter do Chão, Ajuruteua e tantas muitas outras opções.

Para fazer essa festinha, esta semana tem o “Wine Dinner” mensal do restaurante “Benjamin”, sempre na última quinta-feira do mês: 25/06.

Veja aqui o cardápio preparado pelo chef Sérgio Leão:

Primeira Entrada
Espumante Cava Toro Loco
Queijo Brie panado com folhas verdes em coulis de damasco

Segunda Entrada
Vinho Branco Quinta do Vallado Reserva 2011
Vieiras em cama de mix de cogumelos e azeite trufado

Primeiro Prato
Vinho Tinto Caliterra Reserva 2012 Cabernet Sauvignon
Camarões à Provençal, com arroz "puxado" no próprio molho

Segundo Prato
Vinho Tinto Reynolds Reserva 2007
Rabada desossada em molho de Cabernet Sauvignon, com mini cebolas e cenouras, acompanhada de purê de macaxeira (mesma produção de boeuf bourguignon).

Sobremesa
Vinho Herdade Esporão Late Harvest
Crème Brûlée

Nesta quinta-feira, 25/06, a partir das 21h, R$ 140,00 por pessoa, incluindo ainda água mineral, refrigerantes e café expresso.




Escrito por Fernando Jares às 19h00
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CASTANHOS & REMANSOS

MARCANDO QUATRO TENTOS EM CERTAME NACIONAL

Os Castanho/Santos e os Remansos (do Peixe e do Bosque) deram de quatro no importante prêmio nacional de gastronomia “Melhores do Ano Prazeres da Mesa / Cacau Show”, comandado pela revista especializada Prazeres da Mesa, de São Paulo. Conquistaram quatro destaques!

Restaurantes e profissionais de gastronomia pelas ruas de Belém emplacaram sete citações no prêmio deste ano, como você verá a seguir:

 

Vamos aos vencedores paraenses na lista dos campeões “Melhores do Ano Prazeres da Mesa / Cacau Show”, divulgada esta semana:

Chef do ano
Thiago Castanho (Remanso do Bosque – Belém, PA)
A mais badalada categoria do prêmio este ano é paraense. Mais um ponto favorável para a agenda positiva do Pará, conquistado com o valor de nossa gastronomia e sua gente criativa!
Veja o que a revista Prazeres da Mesa publica sobre Thiago, justificando a conquista do valioso título:
O jovem chef paraense Thiago Castanho vem se destacando como um dos grandes nomes da culinária brasileira dos últimos anos e faz questão de levar sua cozinha do Norte, com ingredientes ainda pouco conhecidos do público, e disseminar sua cultura por todo o Brasil e em eventos internacionais. À frente dos restaurantes Remanso do Bosque e Remanso do Peixe, com o irmão Felipe Castanho, ele aproveita o que há de melhor em sua terra, Belém, no Pará, e é figurinha garantida no Mercado Ver-o-Peso, onde usa e abusa de peixes, farinhas, tucupi, tacacá, açaí, jambu, cachaça, sempre com um toque criativo e inovador. Neste ano, além dos dois restaurantes, o chef está com um novo projeto: um espaço em que possa fazer apenas menu degustação, com reservas. Formado na Faculdade Senac, de Campos do Jordão, em São Paulo, Thiago nunca pensou em abandonar sua terra e agora colhe os frutos de seu trabalho.

Livro do Ano
Thiago Castanho classificou como finalista seu “Cozinha de Origem” (Editora Publifolha), feito em parceria com a jornalista e escritora brasileira Luciana Bianchi, livro com repercussão em todo o mundo, na versão em inglês, “Brazilian Food”. O vencedor da categoria foi de Rita Lobo – “Pitadas da Rita” (Editora Panelinha).

Restaurante do ano – região Norte
Remanso do Bosque (Belém, PA)
Referindo-se aos irmãos Felipe e Thiago a revista destaca o quanto eles valorizam a cozinha amazônica de origem: “Os meninos fazem questão de trabalhar com produtores familiares e oferecem tanto menu à la carte quanto menu degustação, ambos com base na essência de sua terra, com a valorização dos ingredientes paraenses.
Vale ressaltar que dos outros quatro destacados como finalistas um é de Manaus (Banzeiro) e três de Belém:
“Famiglia Sicilia”, “Manjar das Garças”, e “Remanso do Peixe”, a grande criação do “seu” Francisco Santos, o querido Chicão que, com d. Carmen, são os pais de Thiago e Felipe.

Restaurante de cozinha brasileira
O “Remanso do Bosque” emplacou mais um título de finalista, agora na lista que indicou o Melhor restaurante de cozinha brasileira do país, título que ficou com o “Esquina Mocotó”, do simpático e criativo Rodrigo Oliveira, em São Paulo.

Melhor sorveteria
Mais um título para Belém: a Cairu foi finalista na categoria vencida pela “Bacio Di Latte”, de São Paulo. Foi a única do Norte.



Escrito por Fernando Jares às 17h32
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MONUMENTAL!

TEM UM URUGUAIO NO CORREDOR

Nestes tempos de Copa América e de manifestações explícitas de nacionalismo esportivo (ainda abalado pela derrota para a Alemanha na Copa do Mundo, cada vez mais suspeita...), você lembra da anterior, a Copa América de 2011?

Isso mesmo. Foi disputada na Argentina e o Uruguai foi o campeão, com elástico marcador na final, sobre o Paraguai...

Agora uma pergunta para os mais ligados no futebol: Você lembra do atacante uruguaio Blanco? Mario Cesar Blanco?

Muito provavelmente você não o conheça, mesmo que você seja uma enciclopédia ambulante do futebol sul-americano. É que ele é um produto ficcional, criado pela escritora Bruna Guerreiro para seu romance “Monumental”, uma história paralela à Copa América de 2011 cujo nome homenageia o estádio em que foi jogada a final dessa Copa, o conhecido Monumental de Núñes, estádio do River Plate e dos jogos da Seleção Argentina.

A história nos leva a acompanhar a súbita paixão do ídolo nacional uruguaio, comandante da seleção, “El General” Blanco, por uma jornalista brasileira, com lances inesperados de emoção crescente, desde o encontro em cabines de elevadores até noites de amores na véspera de jogos decisivos, com direito à fuga da concentração, etc.

O romance é escrito em estilo que agrada a quem gosta do futebol, e até para quem não o tem como paixão esportiva, construindo a história sobre o desenrolar dos jogos da Copa, especialmente a campanha da “celeste” em terras argentinas – ou melhor, em campos e hotéis argentinos, abrindo espaços na realidade do que aconteceu naquele 2011, para a ação dos personagens da história, o que dá um ritmo bem legal.

Veja a sinopse divulgada pela editora: “A paixão do sul-americano pelo futebol no seu ápice: a Copa América. Uma seleção encantada, celestial, conquistando o mundo inteiro com sua raça, sua história, sua graça e sua paixão. Uma partida que começa num andar errado, um jogador, uma jornalista, driblando elevadores, recuperando posição, avançando no mata-mata, disputando cada bola. Uma história para apaixonados por futebol ou não!”

A autora, Bruna Guerreiro (Martins), é paraense, vivente aqui pelas ruas de Belém, apaixonada por futebol, é apresentada pela editora como “historiadora por formação, professora de francês por paixão e escritora por vocação, escolha e destino, De diários a cartas, de blogs a e-mails, de twitter a facebook, de contos a romances, escrever lhe é tão necessário quanto falar. Senão mais. Lê – e rele – por prazer, mas deu para escrever as histórias que gostaria de ler: é sua primeira leitora por excelência”. E é minha filha...

Gosto muito destas histórias que trançam a realidade com a ficção, envolvendo o leitor em algo que ele sabe que existiu, mas que cede de bom grado um pouco da realidade para viver a ficção do escritor/a... e exigindo atenção para separar os dois mundos. Às vezes uma consulta ao Google ou a Wikipedia ajuda a definir esses limites.


O livro impresso você pode adquirir (R$25,55) diretamente da editora Clube dos Autores clicando aqui. Ou na versão e-book (R$ 1,99), para ler em seu computador ou no leitor “Kindle”, na Amazon, clicando aqui. A Bruna tem outros onze e-books na Amazon (clique aqui) e outro livro, “Catarina”, em meio impresso, nessa mesma editora, clique aqui.



Escrito por Fernando Jares às 18h08
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CONCURSO GASTRONÔMICO VOP

PREMIANDO A CRIATIVIDADE NA COZINHA

Uma das atividades integrantes do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense que empolgava o criador do festival, chef Paulo Martins (1946/2010), era o concurso para revelar novos criadores e novas criações na cozinha paraense, inclusive com o resgate de receitas e modos de preparo em risco de desaparecimento. Ele chegou a organizar dois concursos, um para profissionais ligados a restaurantes, hotéis, etc e um para donas de casa, cozinheiras domésticas, etc.: eram os concursos “Sabor Pará” e o “Descobrindo a Cozinha do Pará – Novos Talentos”.

Após a sua morte e nesta nova fase do festival, desde 2012 o concurso ganhou o seu nome em muito justa homenagem. Ampliou o universo de participantes e já tivemos até vencedores de outros Estados. Tenho participado em diversas oportunidades do júri. Este ano não estive lá porque coincidiu com a participação no painel “A arte de cozinhar um livro: a produção da obra ‘A gastronomia do Pará: o sabor do Brasil’” onde estive, juntamente com o prof. Álvaro do Espírito Santo, na Feira do Livro, justo no mesmo dia e hora. Mas não deixarei de fazer o registro dos ganhadores de 2015, embora não possa fazer maior descrição dos pratos. E lá no fim, tem até um resgate histórico, do VOP há dez anos.

A proposta atual do Concurso Gastronômico Chef Paulo Martins é premiar receitas que aliem sabor, criatividade, qualidade, apresentação, além de ingredientes paraenses, que neste ano deveriam ser originários da ilha do Marajó, tema do VOP/2015.

Portanto, os vencedores em 2015 foram (fotos Pop Filmes, Acervo VOP/2015):

1º lugar:
Leonardo Modesto de Sousa (Belém-PA)
Espetinho Marajoara ao pesto de castanha-do-pará e flor de jambu. Acompanhamento: farofa de farinha d'água e folha de cipó d'alho.


2º lugar
Maria Adrina Paixão de Souza da Silva (Belém-PA)
Filhote grelhado ao pesto de alfavaca com nhoque de pupunha, purê de uxi e farofa de castanha-do-pará.

 

3º lugar
Sônia Neila Medeiros Pereira (Belém-PA)
Ragu marajoara com ravioli de queijo e castanhas

 

O primeiro lugar ganhou inscrição para o Congresso “Mesa Tendência 2015”, promovido pela revista Prazeres da Mesa, em São Paulo, de 27 a 29 de outubro, incluindo passagem e hospedagem em hotel 3 (três) estrelas para uma pessoa. O segundo lugar levou um Kit Chef Inox 12Pcs Profissonal Tramontina e para o terceiro lugar o prêmio foi um Jogo de panelas Aço Inox 5Pcs Profissional Tramontina.

Na foto abaixo, os vencedores/2015 com o Alex Atala, uma das atrações do VOP deste ano – o único chef brasileiro com estrela do Guia Michelin:

 

HISTÓRIA

No V Festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, realizado em 2005, há dez anos!, onde fiz parte do júri do concurso (que teve o Claude Troisgros como presidente), o chef Paulo Martins prepara-se para anunciar os vencedores. Ao lado dele estou eu e o jornalista Mauro Bonna, que mediou a mesa-redonda “A cozinha paraense no século XXI” (Foto Ray Nonato, cedida pelo jornalista Nélio Palheta).

 

Realizado na Unama, campus Alcindo Cacela, havia até arquibancada para assistir ao concurso gastronômico, em 2005, aqui pelas ruas de Belém. Nesse ano teve Feira dos Produtores, uma famosa “farinhada dos chefs” e show do Mestre Vieira. Na foto abaixo, no momento do anúncio dos ganhadores, os participantes estavam junto ao público, aguardando a proclamação/sagração dos vencedores...(foto Acervo Ver-O-Peso da Cozinha Paraense)




Escrito por Fernando Jares às 14h35
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FESTA JUNINA

TEM PÁSSAROS ALI EM NAZARÉ

Culminando uma programação sobre os festejos juninos que ainda acontecem pelas ruas de Belém, com enfoque especial para os cordões de pássaros, que no passado foram uma marca da cidade (a programação teve oficinas, palestras e apresentações), a Casa das Artes, antigo IAP, faz festa junina nesta quinta-feira (11/06), véspera do Dia dos Namorados, em seu endereço na rua D. Alberto Ramos, ali na ilharga da Basílica de Nazaré. Começa às 18h.

O grande momento é o lançamento do livro “Escola de Pássaros: uma reflexão sobre o teatro popular do Pará”, por quatro autores: o poeta, educador e escritor João de Jesus Paes Loureiro; a atriz e diretora Olinda Charone; Rodolpho Sanchez (do Dirigível Coletivo de Teatro) e a professora Rosa Silva, da Universidade da Amazônia (Unama). O livro reúne quatro textos, cada um de um dos autores, em que analisam essa manifestação cultural tão paraense que é o pássaro junino, uma forma de teatro popular que resiste às intempéries culturais que tem atingido outras manifestações (como a quadrilha!) e ainda tem características dos antigamente. E iniciativas como estas nos garantem que deverá sobreviver aos tempos bicudos (sem trocadilho...) da massificação pela indústria cultural. Esta programação da Fundação Cultural do Estado do Pará conseguiu reunir até uma “revoada”, com a participação de entusiasmantes 16 grupos de pássaros!

Além do lançamento do livro quem for ao antigo IAP (que para os mais antiguinhos ainda é o antigo CPOR) vai ter muita alegria com o “Auto da Lua Crescente”, a banda “Três do forró”(?!) e com o Cordão de Pássaros do Araçari, de Outeiro.




Escrito por Fernando Jares às 22h28
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RAYMUNDO MÁRIO SOBRAL

O CATADOR DE PALAVRAS*

 

Foi um upgrade que nós, os leitores/consultadores do “Dicionário Papachibé”, do jornalista e escritor Raymundo Mário Sobral, estávamos a merecer. Entenda: são quatro os volumes do dicionário, todos independentes, com verbetes de A a Z. Isto é, cada vez que se precisava checar uma palavra da língua paraense era preciso consultar cada volume, até achar a dita cuja que, invariavelmente estava no último consultado... E, eventualmente, podia até não estar registrada (o que nos garante que não é termo paraoara...), mas era preciso checar nos quatro!

No ano passado o Comendador (da Ordem do Macaco Torrado) Raymundo Mário Sobral lançou a grande novidade: o quinto volume, sendo uma coletânea dos quatro. Agora a busca é em um volume só!!!! Não pude ir àquele lançamento, mas procurei redimir-me nesta Feira do Livro e fui ao relançamento, no estande os Escritores Paraenses. Olha o Sobral aí quando ia iniciar seu trabalho autografatório:


Foi um encontro cheio de emoção para mim. Conheço o Sobral de priscas eras, tempos da TV Marajoara; tempos do jornal A Província do Pará, onde fomos colegas; tempos de livros vários, desde “O Candiru do Ocrides”, de 1976; tempos do PQP – um jornal Pra Quem Pode, órgão anárquico-construtivo que circulou pelas ruas de Belém por 22 anos!, cujo primeiro número eu apresentei por estas linhas virtuais nos idos de 2011: para ler “O primeiro PQP a gente nunca esquece”, clique aqui. Fazia tempo que não nos víamos, ele vencedor de graves adversidades que a saúde coloca diante dos homens, mais vivo que nunca, com sua verve única, na ponta da língua; eu seu leitor regular e admirador para sempre.

Vejam aqui a coleção dos quatro volumes do “Dicionário Papachibé” – o primeiro, tenho-o autografado pelo autor, em 1996:


Os leitores desta série acostumaram-se a ler o autor a escrever a orelha do livro, o que não é habitual... Mas o Sobral não é habitual! e esse é um de seus grandes valores! E neste quinto volume lá está ele novamente a assinar a primeira orelha, que transcrevo:

LEGADO

“Tudo nesta vida tem prazo de validade, inclusive as palavras: nascem, são usadas e tendem a ser esquecidas. As palavras da chamada ‘língua culta’ vão parar nos ‘Orélios’ da vida, as demais, coitadas, desaparecem mesmo, são esquecidas.
Meu trabalho neste dicionário é tentar preservar essas palavras cujo destino seria desaparecer. Foi mais de uma década de pesquisa que rendeu quatro volumes que agora reúno num volume só.
Espero com isso contribuir para que o prazo de validade dessas palavras seja dilatado, se isso acontecer, meu trabalho valeu a pena.”

(*) Este título, "Catador de palavras", Sobral se autoatribuiu, comparando-se a um catador de caranguejos, só que ele catando palavras, ambos com a mesma felicidade ao encontrar um caranguejo/uma palavra. Achei adequadíssimo! 



Escrito por Fernando Jares às 19h22
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GASTRONOMIA & LITERATURA

DE COMO “COZINHAR” UM LIVRO DE GASTRONOMIA

 

Como se “cozinha” um livro a quatro mãos, em duas panelas? O professor Álvaro do Espírito Santo e este jornalista que vos escreve, Fernando Jares, relatamos isso no painel “A arte de cozinhar um livro: a produção da obra ‘A gastronomia do Pará: o sabor do Brasil’”, logo no segundo dia (30/05) da XIX Feira Pan-Amazônica do Livro, quando apresentamos como trabalhamos para produzir um livro escrito pelos dois sobre a gastronomia paraense. (A foto acima é da Ascom/Feira do Livro, capturada do Facebook).

Homenageamos o querido amigo Genildo Mota, profissional de primeiríssima, responsável pela capa e a bonita diagramação do livro, além da seleção das fotos. Genildo foi estupidamente assassinado pela irresponsabilidade com que se comportam alguns motoristas pelas ruas de Belém. Destacamos também os fotógrafos que compareceram com seus belos trabalhos no livro, como João Ramid e Walda Marques, tendo sido utilizadas ainda fotos dos acervos da Paratur e do Instituto Paulo Martins; ilustração de Sebastião Godinho; revisão de Ana Diniz; e normalização bibliográfica de Ana Negrão do Espírito Santo.

Álvaro explicou que o livro mostra a evolução da gastronomia paraense desde o século XVII até o século XIX, resultado das pesquisas que realiza para a sua tese de doutorado na Universidade de Coimbra. Utilizou, principalmente, as narrativas dos viajantes estrangeiros que andaram por nossas terras e nos deixaram legados importantes sobre a vida naqueles tempos e as influências das cozinhas externas.


Eu mostrei que o conteúdo do capítulo que assino mostra a gastronomia contemporânea, dos séculos XX e XXI e disse que estes estudos começaram há quase 30 anos. Em 1986 Belém sediou um congresso nacional da ABAV – Associação Brasileira de Agências de Viagens e o jornal A Província do Pará, onde eu era Editor de Turismo, editou um caderno especial sobre o evento:

 

Nesse caderno publiquei uma reportagem sobre a culinária paraense, com o título que agora reaproveitei no livro. Mas o livro foi um tremendo up grade sobre aquela primitiva reportagem...

 

Ao final, respondemos a perguntas dos presentes:


E após o painel autografamos no “Ponto do Autor”, quando tivemos a companhia de gente famosa como Roberto Smeraldi, Regina Casé e Estevão Ciavatta. Os três, mais os chefs Alex Atala e Thiago Castanho participaram do painel “Literatura e Sustentabilidade” nesta mesma tarde na Feira do Livro:




Escrito por Fernando Jares às 14h03
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JANTAR DAS BOIEIRAS

PARCERIA E COMPLEMENTARIDADE NOS SABORES

Um dos mais importantes eventos do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense é o chamado “Jantar das Boieiras”, que reúne grandes chefs e as cozinheiras das barracas de comidas do mercado do Ver-o-Peso, que fazem a “boia” na grande feira, sendo estas responsáveis pelo prato principal, do tipo que fazem habitualmente, e os convidados o pelo acompanhamento. É um encontro/parceria da manifestação mais completa e natural da cozinha paraense feita pelas ruas de Belém, com técnicas e conceitos de outras culturas. Criação ainda do chef Paulo Martins (1946/2010), fundador do festival, ele o imaginava nos mercados do Ver-o-Peso, como conseguiu fazer o primeiro – mas dificuldades operacionais e até burocráticas afastaram o evento de seu lugar de origem.

A edição deste ano reuniu dez duplas, sendo os chefs todos de fora do Estado. Foi o exercício pleno da filosofia do evento: um verdadeiro encontro de culturas gastronômicas. Uma parceria em que ambos os participantes, normalmente, gostam bastante, pela troca de conhecimentos e experiência. Para conhecer as dez duplas que este ano cozinharam na Estação das Docas para uma multidão que ocupava todo o espaço, clique aqui. E veja a seguir quatro exemplos do que foi servido:

 

Frito do Vaqueiro com Biju com Manteiga de Chicória
Boieira: Glauce Kelly Ferreira de Castro
Chef: Alex Atala (D.O.M., São Paulo)

Este “frito” é prato tradicional da cozinha marajoara, é a carne frita de forma a ter longa duração, que é levada pelos vaqueiros para alimentação no seu trabalho nos campos da ilha. Geralmente consumido com beiju, foi esta a opção do chef Alex Atala, que inovou com um beiju mais grosso e molhado com manteiga temperada com chicória. Ambos estavam muito saborosos.

 

Camarão Seco no Creme de Macaxeira com
Bolinho de arroz com castanha e chicória
Boieira: Maria de Fátima da Silva Ferreira
Chef: Ivan Achcar (Alma Cozinha Brasileira, São Paulo)

O saboroso camarão seco ganhou companhia da macaxeira, sempre uma dupla agradável e teve como acompanhamento um bolinho de arroz que agregou os paraenses castanha-do-pará e chicória -–ingredientes que sempre encantam os chefs visitantes, especialmente por estarem sempre fresquinhas. Outra dentro na minha escolha, embora o bolinho estivesse um pouco durinho.


Torta Marajoara com Sorvete de Leite de Búfala
Boieira: Deiseane Ferreira Buriti
Chef: Léo Paixão (Glouton, Belo Horizonte)

Deiseane fez uma torta com queijo do Marajó, bacuri e castanha-do-pará – sinta na boca a combinação, delícia sumano. O sorvete utilizou leite do Marajó com técnica mineira, levemente queimadinho, explicou-me o chef Leo Paixão e harmonizou bem, embora a torta estivesse disparada na frente no GP do Sabor...


Pretinho (Açaí) com Quadradinho de Castanha
Boieira: Jorgia Meireles Progênio
Chef: Mônica Rangel (Gosto com Gosto, Visconde de Mauá, RJ)

O tal “Pretinho” foi um dos sucessos do jantar. Jorgia Progênio acertou na mão e na ideia, pois fez um bolinho que logo foi identificado por todo mundo como “brigadeiro de açaí” – e como brasileiro adora brigadeiro e paraense adora açaí, a festa foi completa. Disse-me ela que faz o bolinho com açaí, farinha fina, tipo suruí e açúcar. Bombou. O acompanhamento tinha a assinatura de uma das grandes defensoras da cozinha brasileira de raiz, Mônica Rangel, que produziu um “quadradinho” que combinou maravilha com o bolinho, sem choque, mas com parceria e complementaridade nos sabores.



Escrito por Fernando Jares às 16h51
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BOTECO DO VEROPA

PETISCANDO GOURMETICAMENTE

Novidade lançada ano passado, que bombou logo na primeira edição, o “Boteco do Veropa” repetiu o sucesso na versão 2015 do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense.

Trata-se de um evento realizado em um bar badalado, com samba e cerveja, onde os grandes chefs convidados (locais e de fora) criam petiscos com ingredientes regionais – este ano obrigatoriamente com origem no Marajó, tema do VOP/2015. E os chefs que não estão trabalhando, estão nas mesas, dispostos a um bom papo...

O “Boteco do Veropa” aconteceu no “Engenho do Dedé” a simpática e barulhenta casa recém-aberta no Boulevard Shopping. A cartela/ingresso custou R$ 80,00 dando direito a uma porção de petisco elaborada por cada chef participante. O ambiente esteve muito legal e o evento só perdeu para a distribuição dos petiscos – ou eu peguei um garçom embaralhadíssimo... Vamos fazer um passeio pelos petiscos:


DANIELA MARTINS – Lá em Casa (Belém)
Chip de mandioca com fouettée e crocante de linguiça marajoara

Da mandioca ela fez os chips, ao estilo do que é feito comumente com as batatas. O creme fouettée (algo semelhante ao chantilly, não doce) foi produzido com gorduras de linguiça marajoara e a carne das linguiças foi tostada, fazendo o crocante sobre o creme. Ficou beleza, que combinei com cerveja da Amazon Beer, a artesanal produzida aqui pelas ruas de Belém.

Só que o garçom fez aqui uma confusão generalizada e, ao invés de trazer apenas o petisco da Daniela, trouxe-me também outros que eram, provavelmente, para outras pessoas, mas não avisou... e eu fotografei tudo junto. Veja na foto um copinho que não tem nada a ver com este prato, é outro petisco que ele colocou dentro do prato, arrumadinho no canto! E ainda havia outra vasilha que colocou ao lado – e eu só descobri ao provar e ver que algo estava muito errado. Foi como uma “sinfonia de petiscos”, brincou o chef Hugo Nascimento (Tasca da Esquina, Lisboa) que estava ao meu lado...

 

ANDRÉ PARENTE – Engenho Dedé (Belém)
Costela Kariboca

Uma costelinha de porco defumada e cozida em tucupi reduzido com melaço de cana acompanhada de jambu frito. Obra do dono da casa (André, vem a ser o mesmo Dedé...), vindo de larga experiência no Amazonas, portanto conhece os ingredientes. E fez uma bela obra, a costelinha saborosa e macia, o mel de cana a “amaciar” o sabor, dicou legal. O jambu frito é sempre uma delícia. Esta foto é de Divulgação do festival. O nome homenageia uma tribo indígena... de São Paulo.

 

LUI VERONESE – Cru Balcão Criativo (Brasília)
Casquinha de linguiça marajoara

Foi buscar a linguiça marajoara para fazer um petisco crocante, de sabor forte, típico de “tira-gosto” de barzinho, servido em saborosas “casquinhas”. Ficou um conjunto bem a chamar mais cervejinha...

 

GUILHERME CARDADEIRO – La Madre (Belém)
Bolinho de pirarucu e piracuí com molho de tucumã e pimenta de cheiro

Pra ser sincero, não tem o que errar. O chef sendo competente, com estes ingredientes, tem que ser um petisco de primeira. Como de fato o foi. O tucumã é um ingrediente de origem marajoara (base da canhapira) muito bem aceito e formou um conjunto harmonioso com os bolinhos. Uniu um ícone do oeste paraense, a farinha de piracuí (de peixe) com um elemento muito representativo da cozinha marajoara.


IVAN ACHCAR – Alma, Cozinha Brasileira (São Paulo)
Kafta de Búfalo e molho de coalhada de búfala com tahini

O chef paulista, de origem árabe/italiana, sentiu-se à vontade com os excelentes ingredientes da ilha do Marajó e foi buscar um clássico da cozinha do Oriente Médio para fazer sua redução marajoara.

 

FLÁVIO MIYAMURA – Miya (São Paulo)
Camarão com queijo do Marajó e cupuaçu

Famoso em São Paulo por suas criações bem equilibradas, tendo como base uma sólida formação em restaurantes clássicos paulistanos, o Japa, como é conhecido, harmonizou beleza o queijo do Marajó com o camarão e temperou com o sabor forte do cupuaçu, mas com o sabor do queijo aparecendo muito bem, o que não aconteceu com muitos pratos que provei neste festival... Reeditou em forma de petisco, um “casamento” criado para sobremesa pelo chef Paulo Martins: “Mundico e Zefinha”, doce de cupuaçu com queijo do Marajó, digamos um Romeu e Julieta paraense.



Escrito por Fernando Jares às 22h07
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – LA MADRE

O OSSOBUCO DO BÚFALO

Com esta encerro o roteiro de visitas a alguns dos restaurantes participantes do Circuito Gastronômico do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense. Devido a alguns problemas de agenda e acontecimentos inesperados, estive em apenas 50% dos 16 restaurantes que aderiram este ano ao vitorioso Circuito do festival. Deixei de ir a alguns que apresentaram pratos que julgava importante ter conhecido e informado. Mas...

Neste post vamos conhecer a contribuição do restaurante “La Madre” ao festival, com um prato de inspiração italiana, criado pelo seu chef titular, Guilherme Cardadeiro, o “Ossobuco de Búfalo” (R$ 50,00), que você vê abaixo na foto oficial de divulgação no sítio eletrônico do Festival VOP/2015:

 

A carne estava muito macia e saborosa, como o são as carnes de junto dos ossos, de que tanto gosto. No caso, são cortadas fatias da peça, corte não muito comum nos mercados pelas ruas de Belém. Onde se prefere retirar a carne toda do músculo e não fatiar a perna do animal. O ossinho tinha um tutaninho que quase desapareceu e teve de ser resgatado em cuidadosa operação, para não se misturar no molho. Por sinal o molho era bem forte, rico no sabor e substância da carne. O prato veio acompanhado de uma saladinha de rúcula, vegetal de sabor forte, e feijão manteiguinha de Santarém frito, que com seu sabor suave fazia bom contraponto aos sabores fortões do prato, que chegou desta forma a nossa mesa:

 

Também esteve conosco à mesa o prato “Pururuca com limão siciliano” (R$ 49,00) que vem a ser costela suína desossada, assada lentamente até “pururucar”, explica o cardápio – e de fato foi o que aconteceu: a deliciosa carne da costela bem assada, muito macia e com sabor acentuado pelo limão siciliano, acompanhada de um risoto de limão siciliano, com esta carinha:




Escrito por Fernando Jares às 22h53
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HOJE! - JANTAR DAS BOIEIRAS - HOJE!

JANTAR DAS BOIEIRAS
A LISTA DOS PRATOS, ACOMPANHAMENTOS E COZINHEIROS

O “Jantar das Boieiras” é um dos momentos importantes do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, pois é um momento de encontro de culturas: das boieiras (cozinheiras que fazem refeições, a “boia”, no mercado do Ver-o-Peso) que têm grande conhecimento dos ingredientes locais e da melhor forma de tratá-los, com os grandes chefs, com suas técnicas refinadas. Em duplas, elas preparam o principal e eles os acompanhamentos dos pratos.

E hoje é dia do “Jantar das Boieiras”!

Quem vai esta noite a esse evento, na Estação das Docas (20h, ingresso R$ 35,00, com direito a duas degustações), terá à disposição este naipe de pratos, criados pelas boieiras do Ver-o-Peso, com acompanhamentos preparados por grandes chefs nacionais que estão pelas ruas de Belém participando deste festival:

Deiseane Ferreira Buriti - Torta de Marajoara
Léo Paixão (Glouton, Belo Horizonte) - Sorvete de Leite de Búfala

Eliana da Silva Ferreira - Mariscada Paraense
Lui Veronese           (Balcão Criativo, Brasília) - Tuile de Aviú com creme de dendê

Glauce Kelly Ferreira de Castro - Frito do Vaqueiro
Alex Atala (D.O.M., São Paulo) - Biju com Manteiga de Chicória

Hildely "Tieta" Porpino - Pato no Tucupi
Gabriela Carvalho (Quintana Café e Restaurante, Curitiba) - Polenta de Milho Branco

Ivanete de Souza Rodrigues - Vatapá de Piracui
Adriana Lucena – (Taiá Bistrô, Natal) - Arroz de Cheiro e Farofa Chock –Lock

Jorgia Meireles Progênio - Pretinho (Açaí)
Mônica Rangel (Gosto com Gosto, Visconde de Mauá, RJ) - Quadradinho de Castanha

Maria de Fátima da Silva Ferreira - Camarão Seco no Creme de Macaxeira
Ivan Achcar (Alma Cozinha Brasileira, São Paulo) - Bolinho de arroz com castanha e chicória

Maria de Nazaré da Silva Ferreira – Maniçoba
Paulo Coelho Machado (Instituto Paulo Machado, Campo Grande) Farofa de Banana e Hortelã

Osvaldina da Silva Ferreira - Farofa de Mexilhão
Renata Cruz (Amici Buffet, São Paulo) - Vinagrete de Pimenta Biquinho com Melaço

Roseane Gomes da Silva - Caranguejo na casquinha
Neka Mena Barreto (Neka gastronomia, São Paulo, SP) - Salada de Verdes com Manga e Coco




Escrito por Fernando Jares às 11h23
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CIRCUITO GASTRONÔMICO – BRASILEIRINHO

UM AMAZÔNIDA BRASILEIRINHO

Mais um passo na caminhada pelo Circuito Gastronômico do festival Ver-O-Peso da Cozinha Paraense, que este ano reuniu 16 restaurantes – Mas não foi possível ir a todos, como já aconteceu em anos anteriores.

Hoje você vai saber sobre o prato do restaurante “Brasileirinho”.

Era sábado e começamos com um “Caldinho de Feijão” (R$ 10,00) para abrir os trabalhos, já que era dia de feijoada na casa, anunciava o cardápio. Veio com uns torresmos enroladinhos, sobre uma camadinha de couve (todas as vezes que me defronto com um destes, lembro do caldo de feijão do “restaurante da Castorina”, na Vila dos Cabanos, em Barcarena, lá pelos anos 1990 – tipo inesquecível). Mas este estava direitinho:

 

Mas o objetivo principal da incursão era o prato do VOP/2015, um filhote grelhado, criação do chef Alexandre Barros, assim apresentado no site do festival:

 

Trata-se de um “Filhote grelhado na manteiga de garrafa sobre pirão de queijo marajoara e palmito grelhado com chutney de manga” (R$ 56,00). Estes pratos geralmente saem de cardápio após o festival, mas o “Brasileirinho” tem preservado alguns em oferta, o que é muito legal. Vemos lá, por exemplo, os pratos dos VOP de 2013 e de 2014. O filhote estava bem temperado e grelhado, com uma textura bem agradável, brilhante na manteiga tipicamente nordestina. O palmito em rodelas adequadamente grelhadas com seu molho chutney douradinho (um molho acridoce) a contrapor o sabor. O pirão de queijo do Marajó, servido em uma cuia, é que ficou um tanto sem sabor. O muito saboroso queijo marajoara nem sempre se dá bem nas composições culinárias, por causa de seu sabor muito leve. Veja o prato como chegou à mesa:


A “Feijoada Brasileirinho” (somente aos sábados, R$ 68,00) marcou presença na mesa e fez sucesso. É uma vasta feijoada que pode servir duas pessoas, desde que não esfaimadas... O feijão, adubado de carnes próprias, veio acompanhado de grelhados (carne, ave e linguiça), arroz, farofa de ovo, laranja, couve, banana frita, torresmo e feijão tropeiro. Prato reforçado. Tudo nos temperos devidos, em harmonia. Satisfez plenamente e ainda gerou duas quentinhas em efetiva contribuição para uma próxima refeição... Olhaqui a vasta feijoada:




Escrito por Fernando Jares às 17h25
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FEIRA DO PRODUTOR

PRODUTOS NATIVOS NO SHOPPING


Quem ainda não foi à “Feira de Produtores” (foto acima, Peu Hatz) do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense pode estar perdendo a oportunidade de conhecer alguns produtos paraenses bem gostosos, nem sempre fáceis de encontrar em prateleiras de lojas ou gôndolas de supermercados. A Feira vai até domingo, no terceiro piso do Shopping Boulevard.

Vamos fazer um passeio pelos diversos estandes, com iguarias paraoaras deliciosas que podem ser provadas e adquiridas. As fotos são de Peu Hatz.


A Cachaça de Jambu do Meu Garoto é hoje um ícone paraense. Tirou o jambu das panelas e cuias e levou para a cachaça. Não pense que já tem enlatada... a latinha aí é a embalagem do fofíssimo copinho para tomar a pura: R$ 15 ocopo e R$ 20 na lata. Tem até Carta de Cachaças: além da original (275ml, R$ 25 e 700ml, R$ 45), as compostas Jambucy com açaí, bacuri, castanha-do-pará ou cupuaçu (275ml, R$35 cada). O kit degustação com os cinco tipos sai por R$ 80. (Foto Peu Hatz)

 

O estande da Manioca, o braço do restaurante “Lá em Casa” que industrializa e comercializa ingredientes e especialidades paraenses, tem muita coisa, como este feijão manteiguinha de Santarém (R$ 13), um azeite com pimenta de cheiro que não é exagerado na pimenta (R$ 25) e o Licor de Flor de JambuRana (R$50), geleias, doce de cupuaçu, tucupi preto, açúcar aromatizado com cumaru, etc. (Foto Peu Hatz)


O palmito “Palma” vem dos açaizeiros lá das várzeas do Marajó (Afuá e Anajás), para as saladas e melhores pratos da cozinha paraense. Um vidro está por R$ 12,00. (Foto Peu Hatz)

 

Nossas melhores frutas rendem sempre licores muito bons, desde sempre, feitos ali pela d. Maria, Tia Júlia, seu Mané, etc. Ultimamente algumas empresas estão produzindo essa bebida, mantendo os aromas e sabores marcantes dessa atividade artesanal. A “Amazon Royal” é uma das mais novas e já está na feirinha dos produtores. A garrafa custa R$ 40 e o kit degustação, de três garrafinhas (cupuaçu, bacuri e maracujá) sai por R$ 30. (Foto Peu Hatz)


As gostosuras produzidas na ilha do Combu, uma das dezenas de ilhas em frente a Belém, fazem presença na Feira com a linha Filha do Combu, produtos feitos artesanalmente na ilha, utilizando frutos que crescem naturalmente nas florestas desta região da Amazônia. Um de seus mais famosos produtos é a barra de chocolate integral (R$ 13), ingrediente queridinho de grandes chefs de todo o Brasil e até do exterior, por ser 100% cacau natural. Por sinal chocolate que fica extraordinariamente gostoso com o doce de cupuaçu também naturalíssimo (R$23). (Foto Peu Hatz)


O icônico queijo do Marajó, agora todo amarrado a burocráticas regras de produção, é atração com duas marcas da Associação dos Produtores de Queijo do Marajó: Queijo Péua e Queijo Milonga, ambos com degustação que faz a alegria de qualquer comensal que não tenha intolerância à lactose... 500 gramas, R$30 e potinho com 250g, R$ 15. Acho que nunca os cozinheiros pelas ruas de Belém fizeram tantos pratos com o queijo do Marajó como neste festival.É o dono da festa e estes são bem gostosos.

 

Vem da vizinha cidade de Santa Izabel do Pará o tucupi (R$10), o molho de pimenta e a farinha, em diversas formas, que estão na Feira do Produtor. Eles também produzem maniva, laranja lima e polpas de fruta: açaí, acerola, cupuaçu. (Foto Peu Hatz)

Há ainda um estande do Empório das Carnes, com o seu Baby Búfalo do Marajó, mas quando visitei a exposição não tinha ninguém. Soube que recebem encomendas de cortes de carnes. 



Escrito por Fernando Jares às 18h11
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JANTARES MAGNOS

JANTARES SOLIDÁRIOS NO VER-O-PESO
DA COZINHA PARAENSE

Além de desfrutar o melhor da criação requintada de grandes chefs brasileiros e internacionais o os Jantares Magnos do festival gastronômico Ver-O-Peso da Cozinha Paraense possibilitam a satisfação de contribuir para uma instituição beneficente, arrecadando fundos para o Instituto Criança Vida – e ainda ganhar um prato especial e exclusivo da Associação de Restaurantes da Boa Lembrança.

São dois jantares. Ambos às 20h30, um na noite de hoje, quarta-feira (27/05), no restaurante “Benjamin” e outro amanhã, quinta (28/05) no restaurante “Famiglia Sicilia”. E já estão ambos lotados, ao valor de R$ 220,00 por pessoa, incluindo o menu degustação harmonizado com vinhos e água.

Veja aqui o cardápio para este requintado jantar:

Quarta-Feira (27/05)
Restaurante "Benjamin"

ENTRADA FRIA
GUSTAVO RINKEVICH (Rocka Beack Lounge, Búzios-RJ)
Caranguejo de rio, com palmito de açai e tucupi

ENTRADA QUENTE
SERGIO LEÃO (Benjamin, Belém-PA)
Beiju de pato com jambu

PRINCIPAL 1
HUGO NASCIMENTO (Tasca da Esquina, Lisboa-Portugal)
Dobradinha de bacalhau, folhas verdes e feijão branco

PRINCIPAL 2
GUSTAVO RINKEVICH (Rocka Beack Lounge, Búzios-RJ)
Rabada de búfalo estofada com cumaru e puré de inhame

SOBREMESA 1
HUGO NASCIMENTO (Tasca da Esquina, Lisboa-Portugal)
Queijo do Marajó, vinho do Porto e farofa de especiarias

SOBREMESA 2
SERGIO LEÃO (Benjamin, Belém-PA)
Pudim de pupunha com calda de café

Quinta-Feira (28/05)
Restaurante “Famiglia Sicilia”:

ENTRADA FRIA
LEO PAIXÃO (Glouton , Belo Horizonte-MG)
Ravioli vegetal de caranguejo com nabo gastrique e emulsão

ENTRADA QUENTE
ÂNGELA SICILIA (Famiglia Sicilia, Belém-PA)
Macacá do Marajó - Creme de Macaxeira com camarões jambu e cubos de queijo do Marajó

PRINCIPAL 1
PEDRO MIGUEL SCHIAFINO (Malabar, Lima, Peru)
Peixe com cogumelos vermelhos e fermento de banana e tucumã

PRINCIPAL 2
LEO PAIXÃO (Glouton, Belo Horizonte-MG)
Costela de búfalo à baixa temperatura com molho de tucupi preto e Farofa crocante de castanha-do-pará

SOBREMESA 1
PEDRO MIGUEL SCHIAFINO (Malabar, Lima-Peru)
Sorvete de carne seca, redução de cerveja preta e açai

SOBREMESA 2
ÂNGELA SICILIA (Famiglia Sicilia, Belém-PA)
Granité de café com bacuri

Olhe o prato da “Boa Lembrança” exclusivo para estes dois jantares:

 



Escrito por Fernando Jares às 13h40
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