Meu Perfil
BRASIL, Norte, BELEM, Homem, de 56 a 65 anos, Arte e cultura, Gastronomia, e história de Belém



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog



Outros sites
 Cais do Silêncio - Literatura de Jason Carneiro
 Quarto Escuro - escritos, lidos, gostos e desgostos de Bruna Guerreiro
 Oníricos - O e-book de Bruna Guerreiro
 Cerveja que eu bebo - Cervejas bem bebidas, experiências compartilhadas.




UOL
 
PELAS RUAS DE BELÉM


ÍTALO-PARAENSISMO

OLHA A PIZZA NA TAPIOCA!

Dia desses subverti a minha ordem no “Café da Fox”, o point de quem gosta de bons livros e filmes, lá no fundo da Livraria da Fox, na dr. Moraes – repete pelas ruas de Belém o que é tradição nas melhores boas livrarias: terem um espaço para os frequentadores degustarem um cafezinho e outras delícias, como a “Ateneo”, em Buenos Aires, com seu “Café Impresso”, a Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro, etc.

Mas não subverti inteiramente a tradição da tapioquinha com café. Pedi uma “Pizza Tapioca Mussarela” (R$ 9,90), como dizia o cardápio. Veio esta lindinha aqui:


A base era uma tapioca normal, isto é, a pizza foi montada sobre ela, na frigideira. Mas estava com toda a textura, sabor e aroma de pizza. Não era, portanto uma pizza com massa de tapioca, como o chef Paulo Martins chegou a fazer, mas desistiu porque, parece, dava um enorme trabalho conseguir a qualidade que ele exigia da massa.

Neste caso, a tapioca por baixo estava branquinha e macia, como qualquer boa tapioca. E aí? O processo é assim. Sobre a tapioca, na sua frigideira, são colocados os ingredientes da pizza, como muçarela, tomate, etc. Aí o conjunto é virado, ficando por cima a tapioca, derretendo a parte de baixo, que é a de cima na pizza que, desvirada, chega toda com cara de gostosa à mesa. É, portanto, uma pizza na tapioca.

 

Repetida para que você veja ao fundo o acompanhamento: um Suco de Cupuaçu (R$ 6,90). Mas não assim um simples suco de cupuaçu. Foi um suco, com uma textura que parecia daquele de caroço, que se fazia em casa, lembra dele? (Diz a Rita que até dava canseira na boca de tanto mastigar o caroço!) Tipo o da antiga sorveteria Santa Marta, que eu ia lá só para tomar o suco de cupu! Grosso, gostoso, fez a festa das minhas papilas gustativas.



Escrito por Fernando Jares às 18h34
[] [envie esta mensagem] [ ]



BUFFET DE DOMINGO

O BUFFET QUE VIROU TRADIÇÃO

Um dos mais tradicionais buffets entre os restaurantes de Belém é do “Lá Em Casa”. O dos domingos, então, nem falar. Alguém aí se lembra de um certo “Arroz com amendoim” que tinha aos domingos? É interessante ver os depoimentos de clientes da casa, no Facebook, etc. a lembrar dos tempos em que, ainda crianças, iam lá com os pais. Eu mesmo, já levei (e levo), lá duas gerações seguintes, filhas e netos. É ritualístico. Acho que não vai dar para levar a terceira geração, os bisnetos, mas com certeza irão lá... embora eu torça para leva-los, ou ser levado por eles...

Já contei aqui, em 2013, a experiência com um amigo, natural de Juruti, lá no oeste paraense que, vindo pela primeira vez a Belém, levei a este buffet – e a reação dele com o pato no tucupi. Para ler “De patos e filhotes encantando em pratos, ‘à sombra’ de bacurizeiros e mangueiras” clique aqui.

Um domingo destes fomos almoçar lá, Rita e eu.

Acomodamo-nos no canto à direita, bem na ponta próxima à porta para a área externa. Sabedores do processo de destruição gerencial/burocrática que assola a Estação das Docas há um tanto tempo, procuramos um lugar que fosse beneficiado por lufadas de vento da baia, quando se abria a porta, já que o ar condicionado foi destruído faz tempo! O fato é que não ficou tão quente como eu temia.

O buffet é disponível ao almoço, de segunda a sábado (R$ 61,00) e aos domingos e feriados (R$ 66,00).

Veja alguns dos pratos que estavam expostos por lá:

ARROZ PARAENSE

 

Um clássico da nova cozinha paraense. O prato é autoral, criação aqui da casa mesmo, do chef Paulo Martins (1946/2010), que pegou os ingredientes do tacacá e misturou com o arroz, isto é, colocou o arroz no lugar da goma e fez o que chamou, originalmente, de Arroz de Tacacá, que depois virou Arroz Paraense, cuja história já contei por estas linhas virtuais – hoje é praticamente um prato regional da cozinha paraense: tem em tudo que é aniversário, colação, casamento, etc. Um prato hoje extremamente popular pelas ruas de Belém.

TRIO CLÁSSICO

 

Imagine um trio verdadeiramente clássico da cozinha paraense: Vatapá Paraense, Pato no Tucupi e Maniçoba. Aqui no “Lá em Casa” são preservados como nas receitas de d. Anna Maria Martins, a mais importante cozinheira da tradição regional paraense, fundadora da casa, junto com o filho, o chef Paulo Martins, nos idos de 1972. Pode ser considerado o “altar principal” deste almoço. E a turma da cozinha sabe fazer a coisa com muita correção.

FILHOTE BEM ACOMPANHADO

 

Uma das melhores pedidas deste buffet é sempre o filhote, embora servido de variadas formas, conforme o dia. No post lincado acima ele fora preparado na chapa. Neste domingo era com “Molho de Alcaparras” – as alcaparras, milenarmente usadas em temperos, desde os romanos e gregos, adaptou-se muito bem no casamento com peixes amazônicos, avivando o sabor natural. O filhote é sempre imperdível, um dos pontos fortes de sempre no “Lá em Casa”.

São muitas as opções entre saladas e pratos quentes, como por exemplo, um “Camusquim de pirarucu”, aposto que você só conhecia de camarão...; o “Carneiro de Forno”, igualmente imperdível; “Filé Steak” e tantos outros. Mas olhe o próximo passo:

SOBREMESAS

 

Há diversas opções conforme seu gosto ou liberação de dieta, de banana assada a pudim de leite. Mas aí na foto estão três das principais tentações, atrações da bancada dos doces: O paraensíssimo “Monteiro Lopes” de desfazer na boca a cada mordida; uma anunciada também muito paraense “Torta de castanha e queijo”, onde faltou dizer na plaquinha que era de castanha-do-pará e também tinha cupuaçu! nham, nham, nham! e um dito Rocambole Colorido, que mais parecia um bordado, uma pintura, uma escultura, coisa assim, boa para o paladar e para os olhos. Mas, aqui pra nós, essa torta é imbatível. Ao escrever é água na boca, na hora, com o cérebro fornecendo o gostinho, he, he, he.

AÇAÍ

 

Uma das boas neste buffet é a presença do açaí, tanto no domingo como nos demais dias. Gosto dele sem açúcar, acompanhando os pratos. Mas também é uma boa pedida para encerrar os trabalhos, acolitando a sobremesa, com açúcar e farinha de tapioca, em frente ao porta-guardanapos que reproduz um açaizeiro.



Escrito por Fernando Jares às 15h39
[] [envie esta mensagem] [ ]



SENSACIONAL REVELAÇÃO SOBRE O GATO DA FOX!

O GATO DA LIVRARIA TEM UMA IDENTIDADE SECRETA!

Quem frequenta livrarias (plural difícil, aqui são tão poucas...) conhece muito bem o gato da livraria da Fox Vídeo, na dr. Moraes. Ele está sempre ali pela frente, esperando as pessoas, anda pelo balcão, pela lanchonete...

Em recente ida lá encontrei-o repousando sobre os livros


Uma das meninas no balcão fez uma foto preciosa: eu ao lado do Gato da Livraria. Fiquei feliz, mas nem sabia da grande importância desta foto entre livros, como ele gosta:

 

O gato é gente aqui da casa. Já andou por estas linhas virtuais em outros posts, como em “Flagrante Felinosbel” em que o apresento com um coleguinha dele, nos idos de 2011, fazendo um paralelo entre esses gatos e o visconde de Sabugosa, imaginando que eles leriam os livros, ouviriam as músicas, etc. E até lancei um desafio: “Quem, dos nossos escritores, se habilita a transformar a dupla no casal Visconde e Viscondessa de Felinosbel...?”. Em um comentário veio a explicação que eram dois “rapazes”, patrimônio da Fox – para ler, basta clicar aqui. Em 2013 ele voltou a ser atração por cá, em “Gato de Livraria”, a tirar uma soneca na porta de sua casa. Veja clicando aqui.

Pois bem, fique você sabendo o que eu não sabia naqueles tempos: o citado gato é celebridade! Personagem de livro infantil! Olhe a capa aqui:


Na apresentação a autora, Miriam Hanna Daher, explica que o gato é real, que sempre o encontrava na livraria e que teve “a ideia de inventar que o gato era mágico ou feiticeiro.” Assim nasceu a história, muito bem ilustrada por Márcio Pinho, com projeto gráfico e produção editorial da querida e premiada Laïs Zumero. Não sei se a autora soube do desafio, mas o fato é que respondeu a ele, e bem respondido.

Na sua versão ficcional ele ganhou umas pintas – os óculos explico mais adiante...

A história começa pela entrada:


Depois de mostrar aspectos internos da livraria, inclusive a lanchonete (onde tem umas tapioquinhas que são o maior convite para um cafezinho de fim de tarde, enquanto folheamos o livro recém-adquirido...) e explicar que ele anda por lá, mostra-o a descansar, fingindo que dorme, sob uma estante, como eu imaginava que acontecia...

 

Aí vem a revelação: quando todos vão embora o gato assume sua identidade secreta! Com óculos mágicos! E dana-se a ler os livros e revistas chegados à Fox:

 

É aí que a história fica tensa: ele descobre um vilão em uma história, maltratando uma criança e se transforma para defender a vítima, partindo para uma grande aventura. Tem briga e tudo! Mas eu não conto para que vocês leiam no livro! Tire só um fino dele “voando” em defesa da vítima:

 

No final a autora apresenta uma “minibiografia” dos gatos, eles na história e conclui com gatos famosos do mundo: “São personagens de desenhos animados como o Tom, Frajola, Gato Félix, Gato de Botas, Garfield e agora também o Gato da Livraria.

Por isso a foto lá em cima, que tirei com ele, é muito importante: estou junto a uma celebridade pelas ruas de Belém! É a primeira vez que sou fotografado junto a um super-herói de verdade, que tem identidade secreta – taí o livro que não me deixa mentir... e o registro gráfico do bicho "gente boa", pelo Márcio Pinho:

 



Escrito por Fernando Jares às 14h21
[] [envie esta mensagem] [ ]



WINE DINNER

VINHOS PARA ABRIR AS FESTAS!

O mês de dezembro que tradicionalmente é cheio de festas, dedicadas a comemorar o final do ano, quando os vinhos têm, geralmente, presença de destaque, não podia começar melhor para quem gosta desta refinada bebida. Nesta quinta-feira, 01/12, tem Wine Dinner no restaurante “Benjamin”, a partir das 21h. É o de novembro, que pulou o calendário...

E os pratos fazem parte do novo cardápio do restaurante. Atração a não perder.

Veja abaixo o cardápio preparado pelo chef Sérgio Leão e sua equipe, com vinhos selecionados da adega da casa (que são uma excelente dica para quem for ao restaurante, em outra oportunidade, e pedir um desses pratos)

Primeira Entrada
Espumante Chandon Brut
Hot Roll - massa harumaki recheada de creme de salmão coberta com molho de maracujá e ovas de capelin

Segunda Entrada
Mancura Cabernet Sauvignon
Mix de entradas (Steak Tartar, Ovo Perfeito, Coquille Saint Jacques)

Primeiro Prato
Leyda Reserve Pinot Noir
Rosmarino - massa em forma de arroz com frutos do mar em molho vermelho

Segundo Prato
Cobos Felino Malbec
Picanha Argentina com baked potato e farofa de ovo.

Sobremesa
Morandé Late Havest
Pudim de Doce de Leite

 

Preço por pessoa é de R$ 190,00, incluindo ainda água mineral, refrigerantes e café expresso. Reservas pelo 3343-3758, no horário das 19h às 23h.



Escrito por Fernando Jares às 19h18
[] [envie esta mensagem] [ ]



À MODA PARAOARA

BREJA + BROCA DÁ NISTO, SUMANO

Cardápios harmonizados com vinhos são bem comuns em restaurantes e até em recepções particulares. Mas um cardápio inteiro harmonizado com cervejas artesanais ainda não é tão comum. E foi isso que fez o restaurante “Remanso do Bosque”, dos irmãos e chefs Felipe e Thiago Castanho. Pratos assinados por Thiago, que todos conhecemos muito bem pelas ruas de Belém, que frequenta o ranking dos melhores da América Latina, e a harmonização das cervejas por conta da beer sommelier Carolina Oda, que já apresentei em post anterior, mais abaixo (Clique aqui).

Com a ampla diversidade de cervejas hoje disponível, artesanais ou industriais, é possível ao bom profissional identificar o estilo de bebida mais adequado para o estilo da comida que acompanhará. Não apenas acompanhando, como acontecia até recentemente, mas complementando, interferindo, ajudando a desenhar os sabores que serão percebidos pelo degustador. Que não são mais apenas carne ou peixe ou ave, com legumes e acompanhamentos semelhantes, mas um composto de ingredientes inovadores, utilizados com recursos novos de preparação, gerando sabores muitas vezes absolutamente novos, que explodem na boca – e nesse ponto os ingredientes paraenses são a especialidade da especiaria, diria um cozinheiro à antiga... o jambu está aí para não me deixar mentir! explodir é com ele mesmo.

Foi assim na degustação “Breja + Broca”, no último sábado (19/11) no Remanso, reunindo sete pratos e seis cervejas e um coquetel. Vamos acompanhar o desfile, convidados pelos irmãos Castanho:

Pão de Malte e Manteiga Defumada
Cerveja: Blondine Blond Ale


Já escrevi sobre a excelência do pão do Remanso, resultado do aprendizado do Thiago por boas cozinhas europeias. Neste ele usou bagaço de malte, resultado de brasagem (da produção de cerveja artesanal) na véspera. Tinha um cheirinho diferenciado, mas o sabor estava corretíssimo. A casca com o crocante adequado, dura o suficiente para causar prazer na mastigação. A manteiga defumada foi tipo produto premium, casando perfeitamente com o tipo de pão, como se desejaria fossem os melhores casamentos...


Bem lourinha esta cerveja acompanhou muito feliz o pão e sua manteiga, com um sabor suave e amargor leve, como eu gosto, deixando um gostinho forte na boca.

Pão de Tapioca, Barriga de Porco, Mel de Cana e Kimchi
Cerveja: Remanso Mango

 

O Pão de Tapioca assemelha-se a uma broa de tapioca, bem saborosa, bem diferente do que chamam pão de tapioca em Abaetetuba (conheça clicando aqui). Sobre ele a barriga de porco com uma textura de fazer as papilas gustativas bailarem, com um mel de cana como só se faz por estas bandas do mundo, completando o prato com kimchi, que vem a ser uma especialidade da Coreia que tanto é um prato como condimento. O conjunto, com alguns sabores fortes, foi muito bem com a cerveja da casa, “Remanso Mango” (desenvolvida em parceria com a Amazon Beer), de amargor pronunciado a equilibrar-se com o doce do melado e a panceta. Foi bem.

Caranguejo, Abacate e Coentro
Cerveja: Sir Black Witbier

 

Assim: você imagina um refogadinho de caranguejo, um casquinho de caranguejo tipo temperinho da vovó. Tá no caminho de entender este prato, saboreie, então. Tinha uma farofinha esperta e veio acompanhado de um creme de abacate bem fino, tipo musseline. Bateu bem no gosto. E com um aroma digno! A cerveja mais uma vez bem harmonizada – a menina entende! – com o paladar fino do caranguejo, levinha, agradável. No jeito.

Ravioli Aberto de Couve-Flor Assada na Brasa e Cogumelos
Cerveja: Blondine Bao Moose ESB


Este prato chegou com um desafio: não sou chegado a couve-flor. Mas tinha torcida na mesa, a Rita gosta delas – e estava toda feliz com este cardápio todo-ele sem glúten e lactose mínima! Confesso que assadas e bem temperadinhas, em um ravióli molinho e na companhia dos cogumelos, foram bem. Há que saber fazer...
Esta cerveja ESB, de um estilo inglês clássico, vem com uma tonalidade âmbar muito bonita. Sabor com forte base de malte, sem muito amargor, que equilibrou muito bem com o prato de sabor suave. Como explicou a Carolina Oda, tem gosto levemente adocicado ao final do gole, a lembrar toffee, com algum amarguinho.

Filhote no Missô, "Mole" de Chocolate do Combú, Quiabo e Gergelim
Cerveja: Blondine Volcano Coffee Stout

 O grande astro do cardápio do “Remanso do Bosque”, o filhote assado, em grande produção, no missô, sem negar a tradição de um tratamento perfeito que a cozinha da casa sabe dar ao astro, ou melhor, ao peixe. O chocolate do Combu é um esperto, que se dá sempre bem, desde que adequadamente combinado. Não foi diferente aqui, especialmente porque o Thiago Castanho é um dos descobridores dessa mina e seu arauto para o mundo. Tudo muito bem dominado... O quiabo e o gergelim tiveram papel secundário na festa do filhote, que me desculpem os dois. A cerveja tinha um aroma de cafezinho, de expresso, já que é feita com café finíssimo, moído na hora de preparar a breja. Neste caso, a famosa história da cerveja lourinha cedeu espaço para a neguinha... Até disse para a Carol que bem podia servir ao final da refeição, no lugar do tradicional cafezinho... Mas não perdi por esperar: a cerveja cafeífera, que tem também um leve toque de chocolate, não deixou a desejar ao filhote e seu escudeiro do Combu. Veja a dupla na foto ao lado. Mais um casamento bem sucedido, até que os goles e mastigadas os separaram, ou melhor, os consumiram totalmente...

Wagyu, Mandioquinha e Farinha de Uarini
Cerveja: Sir Buck India Black Ale


Para os que não passam a refeição sem carne o momento não poderia ser melhor: wagyu, considerada uma das melhores e mais caras carnes do mundo! de origem japonesa (mas já produzida no Brasil). Por quê? É uma carne com grande presença de gordura entre as fibras, o tal marmoreio, o que a torna muito saborosa e macia, mesmo em cortes como a língua. E estava. A caminha de mandioquinha, agradava a boca e a ovinha Uarini, famosa farinha do Amazonas, toda redondinha (ovinha, lembrando ovas de peixe) com um gosto que só as farinhas amazônicas podem ter. Dizem que este gado japonês é criado com uma ração que leva cerveja. Ora, deve ser bom para estas harmonizações. Foi mais uma dupla reunindo cultura gastronômica oriental e ocidental. A cerveja veio forte, de alto amargor, para mim mais de encontro à carne do que ao encontro, mas é uma questão de gosto... o papai gostava de Campari! Sobrou no copo.

Taperebá e Maracujá
Bourbon Sour Cumaru


A sobremesa veio refrescante, com um sorvete de maracujá e um sorbet de taperebá. Eu não a escolheria em um cardápio, porque o taperebá não é dos meus amores... Estava visualmente agradável e forte.
Para harmonizar Carol preferiu um coquetel. Imagine: uísque e cachaça de jambu juntos e misturados. Slack! Bate a língua no céu da boca! Tudo treme. E o cumaru perfumando saborosamente a mistura, o blended... Ficou fortão, sumano. Queria ver a cara do Trump, orgulhoso de seu puro Bourbon estadunidense, tremendo a língua com este coquetel...

 

As “meninas” da Blondine, perfiladinhas, recebendo as pessoas no “Remanso do Bosque”, conforme foto do Facebook do restaurante.



Escrito por Fernando Jares às 17h40
[] [envie esta mensagem] [ ]



HOTELARIA PARAOARA


HISTÓRIA DOS HOTÉIS DE BELÉM

Está sendo lançado hoje, às 19h, no Centro Cultural - Sesc Boulevard, o livro “A Memória da Hotelaria de Belém e o Grande Hotel”, que conta a história da hotelaria de Belém, entre os anos de 1850-1950. Isso é muito bom e necessário. Pena que pare em 1950 – de lá para cá aconteceram os mais importantes fatos dessa história, que precisavam ser aprofundados, tipo a derrubada do Grande Hotel, ou a lendária negativa de licença para construir um hotel na Assis de Vasconcelos, em plena praça da República.

Segundo os editores o livro mostra a evolução do segmento na cidade, resultado de um trabalho de pesquisa realizado por Dulcilia Maneschy e Larissa Acatauassú. Uma iniciativa da Fecomércio, SESC, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Pará (ABIH), Hotel Regente e SOL, por meio da Fundação Cultural do Município de Belém e da Lei Tó Teixeira & Guilherme Paraense.

O livro é resultado de uma pesquisa feita há mais de 10 anos, quando por ocasião das comemorações dos 70 anos da ABIH, a entidade nacional da hotelaria programou o lançamento de uma obra reunindo a atividade hoteleira no Brasil. “Na época, as ABIHs estaduais contribuíram com as suas respectivas histórias. A partir da pesquisa de Belém, sugeri à Dulcília que fizéssemos esse resgate também sobre a história da hotelaria em nossa região, uma vez que tivemos enorme dificuldade em encontrar referências. Trabalho finalizado, este material contextualiza a arquitetura, os hábitos, costumes e o cotidiano tanto dos viajantes como dos belenenses em uma época especial, de apogeu econômico e exuberância cultural”, comentou Carlos Freire, sócio proprietário do Hotel Regente, um dos da safra mais nova, que não estará nesse histórico.

O resgate dessa memória tem como protagonista o Grande Hotel de Belém, que remete à comunidade belenense da época, mas com registros de atualização dos locais, proporcionando ao leitor situar-se na Belém de hoje, vislumbrando o passado. Dentre muitas curiosidades registradas está a de que o primeiro hotel de bandeira internacional no Brasil foi instalado em Belém, segundo a divulgação do lançamento.

Para Dulcilia Maneschy, uma das autoras do livro, é um privilégio poder contar essa história. “Foi um vasto trabalho de pesquisa. Ficamos felizes em registrar uma história tão significativa e em poder contribuir para a memória do paraense. Além disso, revisitamos as memórias de muitas pessoas que entrevistamos, proporcionando momentos muito especiais”, disse.

HOMENAGENS – Conforme a divulgação do evento, na oportunidade o presidente da ABIH-PA, Clóvis Carneiro, e o presidente do Sindicato dos Hotéis e Restaurantes de Belém e Ananindeua (Shores), Eduardo Boullosa, irão homenagear os hoteleiros mais antigos da cidade, por ocasião do Dia do Hoteleiro e dos 80 anos de fundação da ABIH Nacional, comemorados em 09 de novembro. Carlos Augusto Freire, Arthur dos Santos Mello (sócio fundadores do Hotel Regente) e Nelson Carrasco (sócio fundador dos hotéis Sagres e Grão Pará) receberão a homenagem por fazerem parte da história da hotelaria em Belém como os mais antigos hoteleiros que continuam à frente de seus negócios.

COMO ADQUIRIR – Para quem não puder ir ao lançamento: o livro pode ser adquirido na sede da ABIH Pará, na Av. Presidente Vargas, 158, sala 603. Edifício Antônio Martins Jr., bairro Campina, pelo valor de R$ 140,00. Mais informações pelo telefone (91) 3225-5271 ou contato@abih-pa.com.br.

 

O monumental Grande Hotel, o primeiro hotel do mundo da Rede Intercontinental, demolido nos anos 1970, para dar lugar a um hotel da cadeia internacional Hilton, promessa de muitos turistas pelas ruas de Belém. Hoje é o Princesa Louçã, de um grupo empresarial paraense. (Foto de um cartão postal do início do século XX, do álbum “Belém da Saudade”).



Escrito por Fernando Jares às 16h42
[] [envie esta mensagem] [ ]



VISITA GASTRONÔMICA

BEER SOMMELIER CAROLINA ODA
NO REMANSO DO BOSQUE

O programa “Visita Gastronômica” (que já foi Visita Gourmet, lembra?), do restaurante “Remanso do Bosque”, recebe Carolina Oda, beer sommelier e colunista de cervejas e outras bebidas do caderno “Paladar” do jornal O Estado de S. Paulo, para um jantar harmonizado ao lado dos chefs residentes Thiago e Felipe Castanho, neste sábado, 19 (amanhã), às 20h. Carolina harmoniza um menu especial de sete pratos com cervejas artesanais do Brasil todo, ao custo de R$ 190,00 por pessoa.


No programa “Visita Gastronômica” os chefs Thiago e Felipe Castanho visam promover um intercâmbio de conhecimento e experiências, recebendo um convidado, estrela nacional ou internacional, com os sabores e a cultura amazônica, e o convidado traz um novo olhar e suas influências. Já estiveram cá pelas ruas de Belém nomes como Rodrigo Oliveira (Mocotó, SP), Vitor Sobral (Tasca da Esquina, Lisboa, Portugal), Virgilio Martinez (Central, Lima, Peru, atual nº1 da América Latina), Alex Atala (D.O.M., SP), Thomas Troisgros (Olympe, Rio) e Roberta Sudbrack (RS, Rio).

Esta edição do VG inclui ainda um workshop da Carolina Oda com os profissionais de bares de Belém e a brassagem de uma cerveja colaborativa com o “Sir Black Brewpub”. A receita da bebida, que será lançada em dezembro, leva lúpulo Sorachi Ace e shissô, podendo ter algumas surpresas amazônicas no estilo.

A cervejaria Blondine, de Itupeva, interior de São Paulo, que apoia esta edição do projeto, estará presente com os rótulos: Juicy IPA, Volcano, ESB e Blond Ale.

Sobre Carolina Oda: A paulistana Carolina Oda é formada em gastronomia no Senac, em Águas de São Pedro, e planejava se especializar em pâtisserie até a bebida aparecer em sua vida. Foi quando aceitou o convite para trabalhar como assistente da mestre-cervejeira e beer sommelier Cilene Saorin. Rapidamente, surgiu a paixão pala cerveja e por todo o serviço que envolve a bebida. Trabalhou em bares, importadora, estudou a fundo o assunto e formou-se sommelier de cervejas na ABS e na Doemens Academy. Hoje, Carol faz consultorias e se dedica à formação de profissionais no serviço de bebidas – já que mergulhou também em outros universos, como cachaça, saquê, destilados, chá e café.

Serviço:

VG – Visita Gastronômica
Jantar Thiago Castanho e Carolina Oda
Local: Restaurante Remanso do Bosque, Av. Romulo Maiorana, 2350
Data: 19/11/2016
Horário: 20h
Valor: R$ 190 por pessoa

 

A Carolina feliz da vida por estar em Belém – disse isso no Facebook (“Pensa numa pessoa feliz em poder estar de novo em Belém!”), já ativa no Remanso, conhecendo as invenciodelices do Thiago Castanho... em foto do Face do Remanso.



Escrito por Fernando Jares às 16h04
[] [envie esta mensagem] [ ]



ARROZ PARAENSE

A CERTIDÃO DE NASCIMENTO

Estava eu cascaviando entre meus escritos do passado quando encontrei a notícia abaixo, publicada na página dominical de turismo que eu assinava em A Província do Pará, no dia 23 de julho de 2000:


O texto é sobre uns festivais gastronômicos que aconteciam na recém-inaugurada Estação das Docas, em que todos os restaurante trabalhavam sobre um mesmo ingrediente. Naquele tempo cada restaurante tinha uma linha exclusiva – tinha o de massas, o regional, o de peixes, etc.

O texto anunciava que, no Festival de Camarão, o chef Paulo Martins, do restaurante “Lá em Casa”, havia lançado o “Arroz de Tacacá”, onde ele reunia os ingredientes do tacacá, substituindo a goma pelo arroz. Esse prato havia sido criado como “Arroz de Camarão Seco”, baseado em uma antiga receita de família. Mas quase não era pedido. Com a mudança do nome a sorte mudou, ele disparou. Mais recentemente virou “Arroz Paraense” fazendo o maior sucesso com os turistas e nativos pelas ruas de Belém. Sucesso tão grande que praticamente virou um prato regional, que todo mundo faz em restaurantes, casas de recepções, buffets ou em casa, que tem em tudo quanto é festa de aniversário, casamento, colação, de tal forma que praticamente ninguém mais sabe que o prato tem autor. E a autoria do prato está aqui devidamente registrada pela história, da qual, modestamente, fiz parte, como testemunha ocular da mesma – como se dizia nos velhos tempos do “Repórter Esso” radiofônico. Curiosamente interpretei como um upgrade do hoje também muito célebre “Arroz de Jambu” – só depois vim a identificar a origem do prato no tal de camarão seco.

O texto acima, dos idos de 2000, praticamente na virada do milênio, diz:

NOVA COZINHA PARAENSE

O Arroz de Jambu, criação do "chef" Paulo Martins, ganhou um up-grade no recente Festival de Camarão realizado nos restaurantes da Estação das Docas, naturalmente que no "Lá em Casa", que Paulo comanda ao lado de sua mãe Anna Maria Martins.

Paulo, que contou recentemente a história da criação do Arroz com Jambu no jornal Gazeta Mercantil, lançou nesse festival o Arroz de Tacacá, que vem a ser um arroz que leva os ingredientes que integram o tacacá, como tucupi e camarões. No mesmo evento Paulo lançou uma Maionese de Frutas com camarão que também fez o maior sucesso, além de Bolinhos de Camarão, na verdade os tradicionais bolinhos de arroz que são feitos em todas as casas, mas com o camarão e o recheio de um creme de camarão. Uma delícia.

Os restaurantes da Estação das Docas continuam com promoções gastronómicas este mês, o que vem garantindo o bom movimento do local nestas férias, tendo encerrado ontem um Festival de Carnes e, para esta semana, anunciam um Festival de Bacalhau, com pratos tradicionais e inovações, que começa na terça e vai até o próximo sábado.

O dito “Arroz de Tacacá” está no primeiro cardápio do “Lá em Casa/Estação das Docas”, inaugurado dois meses antes, em maio de 2000, na seção que tem os pratos autorais da casa, identificada como “Pratos típicos de nossa criação”. Veja




Escrito por Fernando Jares às 18h41
[] [envie esta mensagem] [ ]



SEM GLÚTEN/SEM LACTOSE

UMA BOQUINHA FUNCIONAL
NA BOQUINHA DA NOITE

Boquinha da noite destas passamos no restaurante “Santa Orgânica/Gastronomia Funcional” (Gentil, 1575) para comprar uns doces. Aproveitando que estávamos lá, decidimos fazer uma boquinha, como se dizia antigamente, um lanchinho, com umas entradas de que somos fãs e conhecer outras, petiscos livres de glúten, lactose e coisas semelhantes, que tanto agradam a Rita, que tem intolerância a esses dois modernos vilões da alimentação. Já por lá andamos, no “Ver-O-Peso da Cozinha Paraense” e mais recentemente como você pode ler clicando aqui. Mas vamos aos resultados desta visita:

BRUSCHETAS DA CHEF (R$ 24,90)


Pedida repetida. São seis minibruschetas sendo duas com cupuaçu e pesto de rúcula; duas com caponata de berinjela e abobrinha; e duas com pesto de manjericão com tomate e alho negro. Sabores bem marcantes e cuidados pela chef Michelly Murchio. A associação do doce de cupuaçu, ícone dos doces pelas ruas de Belém, com o pesto de rúcula fica muito bem. O pão é como eu prefiro, não duro, como em certas bruschetas.

CROQUETES DE CHARQUE E QUEIJO DO MARAJÓ (R$ 14,90)

 

Quatro minicroquetes com massa de abobora, charque sem gordura e queijo do Marajó. Empanados em farinha de linhaça e gergelim. Sabores convencionais bem mantidos nos ingredientes funcionais – sem serem tão marcantes e uau! como as bruschetas, cumprem seu papel.

UNHA DE CARANGUEJO (R$ 24,90)

 

Duas unidades com massa de batata doce, massa de caranguejo refogada, pata de caranguejo. Empanadas em farinha de linhaça e gergelim. Imagine quem não come uma unha de caranguejo há alguns anos satisfazer o seu desejo acumulado... Pode crer que é uma realização de felicidade – embora o adocicado da batata doce..., mas isso é o que menos interessa nessa hora!

TAÇA DE RASPAS DE BROWNIE, MORANGOS, CALDA DE CHOCOLATE E CHANTILLY


Repetindo pedida de visita anterior é um conjunto muito bom e recomendável, para adoçar a noite. Na taça o conjunto de elementos anunciados, SG e SL. Veja que está sem o preço, porque foi brinde, ou melhor, bônus. É que lá tem um programa de recompensa à fidelização, transformando os reais das contas em pontos. Os pontos que já tínhamos, pagaram a sobremesa (que devia ser R$ 18,00) e ainda ficou saldo.

PÃO FUNCIONAL (R$ 25,00) (sob encomenda)

(Foto: Facebook)

Farinha de arroz, farinha de grão de bico, fécula de batata, fécula de mandioca, óleo de coco, açúcar demerara, ovos, goma xantana, fermento biológico e sal rosa (750g). Tem pinta e tamanho de pão de forma, bem pesadinho e muito palatável. Pode ser fatiado e congelado, durando diversos dias. Não tem sempre, sorte que nesta noite tinha alguns em exposição. Normalmente, apenas com encomenda.

NEGA MALUCA (R$ 18,00)
MARIA ISABEL DE BACURI (R$ 18,00)
MARIA ISABEL DE CUPUAÇU (R$ 14,00)

 

Afinal o objetivo da ida ao “Santa Orgânica”: comprar uns docinhos SG e SL, como estes acima, em fatiões, disponíveis na sua vitrine de guloseimas. Pode crer, tão bons quanto os cheios de leite e trigo... e muito mais saudáveis. Boas químicas faz a chef.



Escrito por Fernando Jares às 17h27
[] [envie esta mensagem] [ ]



POESIA PARA MILTON

ADEUS AO POETA DA SIMPLICIDADE*

Milton Camargo, o poeta simples, das palavras simples e amorosas, na poesia, no trato com as pessoas, nas historinhas infantis, esta ali, deitadinho, como deveria ficar eternamente, apenas sem a barba, identidade vital que lhe tiraram nos momentos finais. Estava eu ali, pobre escriba do cotidiano e leitor do poeta, diante dele, meio acabrunhado pela saudade já instalada, pensando na passagem da vida para a morte. Para ele, nada mais tinha sentido na terra. Fez o que fez e o fez bem feito. Só isso ficou no coração de quem quis bem e de quem o quer bem. Com as palavras que magistralmente tecia frases e ideias fez uma obra que alegra almas e corações adultos, e faz vibrar a imaginação de crianças por todo o país, com historinhas que nos empolgam, mesmo adultos.

Um jovem poeta dá uns passos até junto do esquife bonito, bem ornamentado, como a ternura do Milton merece, leva nas mãos uma folha de papel que dobra com cuidado, fala algo ao ouvido de um familiar do poeta falecido e, com carinho, coloca o papel dobrado junto às mãos do poeta idoso que já está em seu descanso eterno. Assim:


Que há no papel que o acompanhará simbolicamente à última morada? Isto:

Despedida

Dedicada a Milton Camargo

Urubatan Castro 10/11/2016

Tua partida inesperada, no albor da manhã
Foi cedo demais para bela jornada
Bem que poderias aguardar mais estações
Mesmo que fossem de tenebrosos invernos

Quando apregoaram tua despedida
Fiquei absorto com tamanha informação
Rememorando em tempo o assaz frescor
E a lembrança de uma visita derradeira

E ponha saudades daqui por diante
Aladas lembranças de brados em silêncio
Voo da sonora poesia que deixaste

Quem folheará tuas tábuas de ideários?
Qual cajado sustentará tuas magnólias?
Enquanto és levado à presença do Pai...

O jovem poeta homenageia o amigo que se vai, com seu dom de trabalhar as palavras, um soneto de versos brancos. Deve ter o homenageado ficado feliz com a homenagem do colega mais jovem, na forma que ambos dominam, cada qual com sua expertise.

Eu continuei observando e disse-me o poeta jovem que tinha outro soneto dedicado ao amigo de que muito gostava e que a ele o entregou no ano passado. Este:

Saci Paroara

(Dedicado a Milton Camargo)

Belém, 15/04/2015
Urubatan de Castro

Moleque saci feito menino ardiloso
Que mexe com gente e espanta defunto
Diz para as crianças que é todo bonzinho
Mas é tudo mentira do moleque pretinho

Ele é mesmo faceiro e astucioso
Escorregadio feito Cobra-Norato
Porém, só acredita nele quem nunca o viu
Quem já o enxergou é certo que mentiu

Ele não é páreo para os velhos e as crianças
Mas como ninguém, sabe bem se defender
Na verdade, é bom vivã medroso e frouxo

Diz à lenda que é um duende perneta
Com cachimbo, calção e gorro encarnado
Este Saci é de fato um fanfarrão mentiroso.

Eu continuava observando, rezando pelo seu encontro com o Senhor que ele amava, pelos que ficam, sentidos, especialmente a sua Luiza, que estivera lá mais cedo, despedindo-se do amor de sua vida humana; trocando um dedo de prosa com alguém, como o editor Gengis Freire, que me falou do livro sobre a História da Arte, de que ano passado Milton me disse estar terminando e que seria um livro riquíssimo em ilustrações – Gengis falou que o livro está em produção e deverá ser lançado proximamente; ouvindo a menininha que contava histórias para o “tio”, que vinha a ser o irmão do Milton.

Aproveitei para ler o que disseram dele os jornais que circularam neste dia pelas ruas de Belém: “Milton Camargo, o poeta da simplicidade*, morre em Belém”, disse o cronista e jornalista João Carlos Pereira em O Liberal – e porque concordei inteiramente, já usei o qualificativo no título deste post. “Adeus a Milton Camargo” foi a manchete da jornalista Leidemar Oliveira no jornal Diário do Pará, em meia página a mostrar a obra do grande poeta. Utilizei lá em cima o “adeus” dela...

Agora chega de papo porque o poeta precisa descansar destas coisas terrenas e dedicar-se ao muito que há para fazer nas mansões celestiais. Ele agora é inteiramente de Deus. Amém.



Escrito por Fernando Jares às 13h29
[] [envie esta mensagem] [ ]



MILTON CAMARGO

O APRENDIZ FELIZ NO CÉU
“O CÉU ESTÁ MAIS TERNO A PARTIR DE HOJE”
(Andrea Lima)

“Sou um homem muito feliz”
(Milton Camargo)

Ontem chegou ao Céu uma alma sorridente e feliz e deve ter sido recebida com alegria pelos Anjos da Portaria que, por ordem de Deus, logo o devem ter encaminhado para o lugar da Glória. Um homem que um dia escreveu “Senhor, guarda-me no Céu / no lugar junto à porta / Não sou digno de ir mais longe”. Mas, com certeza, foi! (este poema foi comentário hoje no meu Facebook por José Otávio Figueiredo).

Milton Camargo.

Trata-se de um paulista de Santos, nascido em 1943. Formou-se em Ciências Econômicas, em sua terra natal, e em Letras na Universidade de São Paulo (USP). Em 1971, publicou o seu primeiro livro de poesia: “O caminho do cais”. Sua primeira história para crianças, “Os elefantes trapalhões”, foi publicada em 1972, na revista "Recreio" da Editora Abril, de São Paulo. Fez a felicidade de muitas crianças com muitos livros, editados pela Ática. Hoje no meu Facebook a ilustradora Júlia Lima, a Bolsinha, que, para meu orgulho, foi minha estagiária, comentou: “O livrinho dele das Centopeias e seus sapatinhos era um dos meus preferidos quando criança.”

Um dia, em 1977, o amor o fez dar com os costados pelas ruas de Belém. Casou com a pianista e professora paraense Luiza Maia da Silva Vaz de Camargo e por cá, e com ela, viveu até ontem. Conheceram-se por cartas e quando aqui ele veio para conhecê-la pessoalmente, logo decidiu que ela era a mulher de sua vida. E foi! Um dos casais mais ternos e amorosos que conheço!

Bem, foi aí que começamos a nos intercalar na vida.

Um dia de 1977, trabalhava eu na Mendes Publicidade, entra na minha sala, esbaforida, uma colega – acho que foi a Ana Maria Barreto: “Jares, Jares, tem aí na portaria um homem igualzinho a ti. Vai olhar, discretamente”. Fui olhar, e era! O cara era muito parecido, quase mando a discrição recomendada pelos ares para um abraço em mim mesmo... Era publicitário e estava ali a procura de emprego como redator. Entrevistado, acho que pelo Oswaldo Mendes, foi imediatamente aprovado e contratado. Ficamos colegas e amigos. No Natal desse mesmo 1977, no dia 22 de dezembro, fizemos a foto abaixo:


A Luiza, com quem casou, era aparentada da família da minha Rita. Outra boa ligação. Aí que as nossas meninas foram estudar piano na Escola de Música da UFPA. A professora? Luiza Camargo! Logo um xodó se estabeleceu, muito carinho recíproco. Hoje as duas, crescidas e com suas famílias, estão tristinhas pelo “tio” Milton e pela “tia” Luiza. Aliás foi a Bruna que me avisou do falecimento dele, ontem à noite.

A vida andou. O Milton foi ser professor na Comunicação da UFPA e eu para a Comunicação Empresarial da Albras. Um dia me vem uma jovem estagiária, dessas que mostram competência de cara, logo sendo aprovada e com quem trabalhei quase 20 anos, a Andrea Lima dos Santos. Olha o que ela comentou hoje no meu Face: “Ah... que triste. O mundo, com certeza, ficou menos terno hoje. Foi meu professor. Pelas mãos dele recebi meu diploma de bacharel em Comunicação. Muito triste. O céu está mais terno a partir de hoje.”

Aí que em certo fim de semana Rita e eu fomos fazer o ECC – Encontro de Casais com Cristo da Paróquia da Trindade (1987). Quem era um dos casais palestrantes? Luiza e Milton! Que lindo eles falaram sobre a oração do casal e na família. Contribuíram para nossa conversão!

Mais uns anos, 1997, vem o casamento da filha mais velha. Claro que eles estavam lá! Eram exatamente 20 anos depois daquela foto aí em cima. E fizemos outra. Era dia 27/12.


A festa dos 25 anos de casados deles foi uma das mais agradáveis a que já fui: lugares marcados, eles arrumaram, por mesas, somente gente que se conhecia e se gostava. Ficou um ambiente sensacional, como os dois! Aliás a lembrança da festa foi um livro que ele fez para a Luiza: “Poemas para Luiza” (2003) Amor puro, Beleza em cada linha. Veja um exemplo:

DESCOBERTA
Luiza, hoje eu descobri
que o Céu
é esta felicidade profunda
que nós estamos vivendo.
Mas sem o medo da morte
.

Agora ele já foi conferir se estava certo. Espero que sim, pois eu só trocaria o nome “Luiza” por “Rita” para assinar embaixo! Obrigado amigo/irmão Milton.

Relembrei esse poema quando fiz um post sobre o lançamento de um CD e livro com músicas da “tia” Luiza para as crianças. Para ler “Uma joia da cultura musical” clique aqui.

E assim a vida andou. Milton apareceu aqui por estas linhas virtuais, como no post “As lembranças do Aprendiz Feliz” onde contei um pouco dele. Para ler, clique aqui.

Deixa dizer que em 1989 ele recebeu o Prêmio Monteiro Lobato, da Academia Brasileira de Letras, concedido a seu livro: A Zebra Branca. Sensacional, né.

Dele eu escrevi hoje cedo no Facebook: “Ele o escritor que manuseou as palavras com extrema habilidade, ela a pianista que utiliza as notas para nos acariciar os ouvidos. Ambos afagando nossa alma, inclusive com seu lindíssimo caso de amor

 

Vejam que foto bonita desse casal maravilhoso, bem recente, que o professor Antonio-Jorge Rei publicou hoje no Facebook. Mãos dadas, ela com a foto do dia do casamento no colo. Lindos! Visitei o casal ano passado. Fiquei impressionado com a capacidade da vitalidade do espírito sobrepujar a dificuldade física. Continuavam alegres, ternos e amorosos. Foi uma tarde muito agradável para mim e para a Rita. Até ganhamos um CD com músicas tocadas pela Luiza, que nos acompanha no carro para amenizar o caos urbano. Suavidade, o melhor remédio. A eterna lembrança que guardo no coração pelo Milton Camargo.



Escrito por Fernando Jares às 11h40
[] [envie esta mensagem] [ ]



AGORA TÁ VALENDO!

SANCIONADA E PUBLICADA A LEI DO
DIA DA CULINÁRIA PARAENSE

Agora a lei está completa, sancionada pelo Governador do Estado: 25 de julho é o Dia Estadual da Culinária Paraense. A data foi escolhida em homenagem à d. Anna Maria Martins, a grande dama da cozinha paraense, que deu um novo tratamento, uma nova dignidade, aos pratos da cozinha caseira e regional, acrescentando a eles uma dimensão nacional e internacional, a partir de seu trabalho aqui pelas ruas de Belém. Pioneirismo que abriu caminho a seu filho, o chef Paulo Martins, lançar-se na criação de pratos da culinária paraense contemporânea e na divulgação da mesma e de nossos exclusivíssimos ingredientes pelo Brasil e pelo mundo afora, em trabalho reconhecidamente de grande sucesso.

A lei, iniciativa do deputado estadual Fernando Coimbra, foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa em 04/10, sancionada pelo Governador Simão Jatene agora no dia 07/11 e publicada no Diário Oficial do Estado na edição de ontem 09/11. Para saber mais sobre, leia “Prazeres dionisíacos à moda paraense” clicando aqui. E para ler a justificativa da lei, clique aqui.

A Culinária Paraense ganhou chamada na primeira página do Diário Oficial. Veja:


E a lei foi publicada assim:


Veja aqui o texto do diploma legal:

L E I N° 8.409, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2016

Institui o dia estadual da culinária paraense, a ser comemorado no dia 25 de julho.

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARÁ estatui e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1° Fica instituído o dia estadual da culinária paraense, a ser comemorado, anualmente, no dia 25 de julho no Estado do Pará.

Parágrafo único. O dia estadual que trata o caput deste artigo tem como objetivo demarcar a importância da culinária paraense, simbolizando como data comemorativa o nascimento de Anna Maria de Araújo Leal, uma das maiores quituteiras do Estado do Pará e do Brasil.

Art. 2º O dia estadual da culinária paraense passa a integrar o calendário ofi cial de eventos do Estado do Pará.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO DO GOVERNO, 7 de novembro de 2016.

SIMÃO JATENE

Governador do Estado



Escrito por Fernando Jares às 17h57
[] [envie esta mensagem] [ ]



ENTRADAS SEM BANDEIRA

UM REMANSO DE ENTRADAS E PETISCOS

As entradas, aqueles petiscos servidos antes das refeições, são uma tradição em todo o mundo e estão ganhando, como toda a gastronomia, cada vez mais cuidados, sofisticação, gourmetização... Há algum tempo, aqui pelas ruas de Belém, entradas sem dar bandeira tinham casquinhos de caranguejo, unhas de caranguejo, iscas de peixe, bolinhos, os famosos filezinhos acebolados, etc. que ainda estão em muitos bons restaurantes e são uma delícia. Pelo mundo as entradas podem ser queijos diversos na França; as bruschettas e muitos queijos na Itália; nachos, quesadillas no México; tortillas e presunto fatiado na Espanha e por aí vai...

Como serão as entradas de um templo da cozinha contemporânea amazônica como o restaurante “Remanso do Bosque”, um dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina, comandado pelos jovens irmãos Thiago e Felipe Castanho?

Considerando que sou doido por entradas, fiz um dia desses uma incursão por lá, pedindo apenas entradas. Estava há tempos desejando essa aventura. Posso antecipar que me dei bem...

Vamos acompanhar o desfile dos pratos, ou melhor, das entradas, que neste restaurante são qualificadas como “Entradas e Petiscos”:

Pães artesanais


Pães artesanais de fermentação natural (R$ 12,00) servidos com manteiga de cupuaçu. Uma das excelentes coisas que Thiago Castanho nos trouxe de seu estágio em Portugal e que mantém em seu constante intercâmbio com chefs lusitanos, é a fabricação de excelentes pães artesanais. Uma delícia. E estes, entrada pra lá de obrigatória no “Remanso do Bosque”, têm uma coisa que não tem lá na Santa Terrinha: a manteiga de cupuaçu. É manteiga, sim senhor, e da boa, mas tem o gosto incomparável e indescritível do cupuaçu!

Camarão empanado na tapioca


Um clássico da moderna cozinha paraense, este prato ganhou um aditivo que só trouxe mais sabor, e dos bons, Virou o “Camarão empanado na tapioca e aviú” (R$ 39,00), servido com maionese de chicória do Pará que, logo se percebe, é produto e criação da casa. O aviú, aquele microcamarão da foz dos melhores rios amazônicos, de sabor inconfundível deu um upgrade e tanto aos irmãos maiores deles...

Beijus Bruschetta


Esta estava na mira de minhas papilas gustativas faz tempo, mas por uma coisa ou por outra, não baixava na minha mesa. Chegou o dia. Imagine só a clássica entrada italiana à moda paraoara, montada sobre um beiju de mandioca, feito em formato especial: “Beijus Bruschetta” (R$ 23,00) com queijo do Marajó, tomate na brasa e pesto. Sumano, foi tudo de bom, como diz a jornalista Rejane Barros. No canto direito superior da foto há um espaço: havia uma bruschetta... comida antes da foto, que não resisti à ansiedade de provar o petisco. Te digo: até já fiz um arremedo Cá em Casa, mas com beijus quebrados... que o meu fornecedor não os entrega como triangulinhos...

Dadinhos de tapioca


Entrada a partir de uma criação do chef pernambucano/paulista Rodrigo Oliveira, do restaurante paulistano “Mocotó”, amigão do Thiago Castanho, que já andou por estas bandas, até cozinhando no Remanso (Conheça essa experiência de cozinha multissensorial clicando aqui). Mas nesta versão ganhou um complemento interno: “Dadinhos de tapioca com pirarucu defumado e queijo coalho” (R$ 35,00), acompanhados com melaço de cupuaçu. Escuta que ficou delícia. O pirarucu defumado – essa nova iguaria santarena por demais saborosa – que costuma a dominar os pratos, entra de forma moderada, agregando gostosura.Para completar, servidos nessas miniaturas de chapéu de palha com cara de Ver-o-Peso e forrados com um papel a fazer merchandising do "Remanso do Peixe", o restaurante magnífico dos pais dos meninos, o Seu Francisco (Chicão) e d. Carmem.

Linguiça artesanal

 

Das linguiças artesanais que eles andam fazendo aqui pelo Remanso está faz sucesso com os turistas: “Linguiça artesanal de maniçoba” (R$ 35,00), Vem com molho de cerveja preta e acompanhada dos incríveis pães artesanais que falei lá em cima. Não pense em mastigar a maniçoba, que ela foi muito bem tratada para entrar nesta linguiça. Mas que sabe a maniçoba, é certo que sabe e que vale a experiência

 Sobremesa

 

Refeição, mesmo que de entradas, não fecha sem uma boa sobremesa, para encerrar o rega-bofe. Espia essa uma: “Crumble de banana com castanha-do-pará” (R$ 20,00) Servido com sorvete de tapioca. Trata-se de um conhecido doce inglês, muito famoso por lá e que ganhou sua versão paraoara, com o de banana, sorvete de tapioca e uma farofinha de castanha-do-pará, coisa inimaginável para os ingleses, que não têm essas delícias na corte de Sua Majestade a Rainha. Precisam vir cá para saber o que é bom... Que sejam bem-vindos!

O cardápio das entradas ainda tem petiscos como Bolinhos de vatapá com jambu, Mojica de bacalhau, Bolinhos de macaxeira com queijo e goiabada apimentada, casquinho de bacalhau com toque de leite de coco, caldinho de tucupi com jambu. Os preços citados referem-se ao dia da visita, início de outubro/2016. Com esse descontrole inflacionário, não posso garantir que os valores sejam os mesmos. Mas são uma boa referência.



Escrito por Fernando Jares às 18h34
[] [envie esta mensagem] [ ]



LEANDRO LYRA

MATEMÁTICA PARAENSE NOS VOTOS CARIOCAS

Lembro-me dele como o menino que sabia matemática como ninguém e era vencedor na respeitada Olimpíada Brasileira de Matemática. Era estudante do Nível Médio na Vila dos Cabanos, Barcarena, filho de meus colegas na Albras, Deusa e Odilmar Dognini. Noticiei essas conquistas, em mais de um ano, pelos 2 mil e pouquinho, 2006, 2007, por aí, no jornal interno da empresa, BIF – Boletim Informativo da Fábrica, de que eu era o editor. Preciso dizer que qualquer pessoa que saiba muito bem matemática está para mim praticamente no patamar de um gênio, seja adulto, velhinho ou criança. Imagina vencedor olímpico! Pode crer. Só passei a saber fazer contas praticamente depois que as máquinas de calcular chegaram ao mundo... e eu a elas, ainda assim sem ser daquelas com um monte de símbolos!

O nome do menino: Leandro Lyra Braga Dognini, nascido em Belém, Pará, em 29/08/1992.

Pois bem, ele entra nesta história não por um feito matemático, mas sim por ser o protagonista de uma grande conquista, no Rio de Janeiro, onde hoje vive e estuda – faz doutorado em Economia Matemática no concorridíssimo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), referência mundial nessa disciplina – onde já é mestre em Finanças. Ele é engenheiro eletricista formado pelo IME.

O que fez o Leandro?

Foi eleito, agora em outubro, o mais jovem vereador do Rio de Janeiro (24 anos), com incríveis 29.217 votos, o 10º mais votado na cidade! E por um partido tão novo que nem existe ainda aqui pelas ruas de Belém, o Partido Novo, partido que não participou de nenhuma coligação – sem verbas e tempo de tevê. O partido elegeu também um vereador em São Paulo, um em Porto Alegre e quatro em Belo Horizonte.

 A campanha foi essencialmente jovem, um novo sopro na política, pelas redes sociais e no contato pessoal, porta a porta, amigo a amigo – quem podia dava uma ajuda para o que era absolutamente essencial e o resto era na confiança, no valor da mensagem. Uma juventude imensa se mobilizou, inclusive aqui no Pará, na Vila dos Cabanos, em Belém, ajudando o garoto bom de matemática a chegar a esta conquista... mais para a área das humanas.

Fiquei feliz ao saber do resultado: o menino de Belém do Pará levando a mensagem de revitalização da política da juventude brasileira ao legislativo-mirim (como se dizia antigamente...) do Rio de Janeiro. Um jovem eleito que não é filho de um desses clichês velhos da política, que tão bem conhecemos. Precisamos disso também por estas bandas.

Olha um material da campanha dele:


Quer ver/ouvir o Leandro, clique na figura abaixo para ver uma mensagem dele na campanha:




Escrito por Fernando Jares às 17h54
[] [envie esta mensagem] [ ]



PRÊMIO JABUTI

PARÁ MAIS UMA VEZ FINALISTA NO PRÊMIO DA CBL

O Pará está, mais uma vez, entre os finalistas do Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio do livro no Brasil, concedido anualmente pela CBL – Câmara Brasileira do Livro, cujo resultado é sempre muito esperado por quem gosta de ler e de escrever no país.


Para ter uma ideia desse prêmio, Benedito Nunes,  nosso mais importante filósofo e escritor, recebeu duas vezes o Prêmio Jabuti: em 1987, pelo estudo da obra de Martin Heidegger com “Passagem para o Poético”; e em 2010 pela crítica literária “A Clave do Poético”. Saiba como foi essa conquista da cultura paraense pelo BN e até conheça mais sobre o Prêmio Jabuti, porque Jabuti, etc. lendo “Benedito Nunes, o intelectual Nº 1 do Pará”, clicando aqui.

Na edição de 2016 o representante paraense, na fase dos finalistas (o resultado final será anunciado dia 11/11), é o livro “Marcas do Tempo: Registros das Marcas Comerciais do Pará – 1895 a 1922”, um importantíssimo registro das empresas que existiam nessa efervescente época do início do século pelas ruas de Belém. Concorre na categoria “Projeto Gráfico”. O livro foi lançado este ano pela Secretaria de Cultura do Pará / Junta Comercial do Pará, sendo responsável pelo projeto gráfico, Paulo Maurício Coutinho.

Este livro foi assunto aqui no blog pelo seu lançamento, inclusive porque meu avô paterno, um irmão dele e eu temos participação no livro... Para ler “Marcas do Tempo ou Marcas no Tempo. Marcas do Pará” clique aqui.

O prêmio existe desde 1958 e hoje contempla 27 categorias. Anualmente, editoras dos mais diversos segmentos e escritores independentes de todo o Brasil inscrevem milhares de obras em busca da tão cobiçada estatueta e do reconhecimento que ela proporciona.

 

Ao anunciar hoje a classificação paraense no Prêmio Jabuti o jornal O Liberal ilustrou a matéria com a reprodução de uma das marcas constantes do livro, justo a da “Tabacaria Martins”, do irmão do meu avô, Manoel Martins e do vovô Lourenço. Parabéns pro vovô e seu mano que, há mais de 100 anos escolheram um rótulo que ainda hoje merece preferência em uma seleção entre centenas de marcas para ilustrar a matéria. Fiquei feliz por ele.



Escrito por Fernando Jares às 18h13
[] [envie esta mensagem] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]